domingo, 20 de outubro de 2024

Antes servir que ser servido


Ano B – XXIX domingo comum

 

O avental do amor

Por que é melhor servir do que ser servido?

 

1º - Por que nos tornamos mais perecidos com Jesus Cristo que veio não para ser servido, mas para servir.

 

2º - Por que só quem serve é servido da felicidade maior e da alegria plena, de facto há maior felicidade no dar do que no receber.

 

3º - Por que se é bom ser importante, o importante mesmo é ser bom. Quem é servido pode ser bom ou menos bom, mas quem serve é sempre bom.

 

4º - Por que ser servido é viver dependente dos outros e das circunstâncias, enquanto servir é ser livre e solidário.

 

5º - Por que o poder que se serve em vez de servir, é um poder que não serve.

 

6º - Por que quem só gosta de ser servido é porque ainda não sentiu o verdadeiro gosto de servir.

 

7º - Por que só quem serve na terra será servido no céu por toda a eternidade.

 

Conclusão:

Antes servir que ser servido.

Porque é melhor servir que ser servido.

Se o Evangelho é serviço, façamos da nossa vida uma contínuo serviço.

 

Ver também:

Sempre na linha da frente

A paciência de Jesus

As cinco ilusões de Salomé

O sonho de qualquer mãe

Um pedido absurdo

O cálice de Jesus

Ser pequeno

O maior

Festa de Santiago

Santiago

Viver é servir

Mãe dos filhos de Zebedeu

Servir é reinar

O primeiro e o último

Servir

 

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

O pó pega e também prega


Festa de São Lucas, Evangelista

 

São Lucas, do artista James Tissot (1938-1902)
Brooklyn Museum, New York

Mais do que contemplar a figura de São Lucas, quero hoje contemplar a mensagem que ele nos deixou através do seu evangelho.

O trecho proclamado hoje ma missa ficou truncado (Lc 10, 1-9), pois falta os últimos versículos 10-11.

Vamos precisamente refletir esses esses versículos:

Mas em qualquer cidade em que entrardes e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: Até o pó da vossa cidade, que se pegou aos nossos pés, sacudimos, para vo-lo deixar. No entanto, ficai sabendo que o Reino de Deus já chegou.

 

De facto, o pó pode pegar e pode também pregar.

Que tipo de pó é este que Jesus nos manda sacudir dos nossos pés?

1 - Será um arremesso de ironia? Ficai com todas as vossas coisas, mesmo com o pó, pois não precisamos nada delas para o nosso sustento. Mas tal atitude implica uma atitude de superioridade, contrário ao que Jesus vive e ensina.

2 - Será um ressentimento? Não quereis a nossa pregação? Pois vamos já para outro lado. Não quereis nada nosso, também não levamos nada vosso. Para quem não quer há de sobra. Mas soa estranho pois Jesus nos manda perdoar.

3 - Será uma vingança ou escárnio? Recebei o que espezinhámos com os pés. Mas Jesus nunca podia concordar com esta atitude vingativa.

4 - Será uma deixa para que os interlocutores façam uma autoavaliação? Já que não nos quisestes ouvir, será o próprio pó a falar-vos. De facto, a pregação é feita por todo o mundo e pelo mundo todo. Até os minerais (o pó) prega. Vocês só merecem a pregação do pó. Mas isto será falta de humildade dos pregadores.

5 - Será um estímulo aos que não ouviram, para que oiçam? Deixo-vos o pó, o único elemento que escutou e que até beijou a planta dos meus pés, para que beije também os vossos e vos leve a escutar. Deixo-vos para que seja um sinal a favor do vosso crescimento. Mas pode parecer dar uma tampa aos ouvintes.

6 - O pó pode ser rejeitado, mas não o projeto de Deus, pois vamos continuar a nossa missão de ir por todo o mundo.

Mas a lição do pó não se destina contra os que recusaram, mas uma advertência aos pregadores:

7 - Será sinal de indulgência. Não desanimeis. Todo o pó que levantastes será memorial da vossa diligência. Nenhuma das vossas pegadas ficará sem efeito. Vós provocastes um revolver do solo, um preparar de caminhos. E nada ficou como dantes. Não vos alarmeis se ninguém vos ouve. O mundo ficará melhor se, por amor, fizerdes deslocar uma só partícula de poeira. Não temais o fracasso, Não vos deixeis aterrorizar pela rejeição.

Em qualquer pó Deus pode suscitar vida.

(Adaptado de Maria José Oliveira, in Vida Consagrada, 2024 nº 463)


À margem

São Lucas não é apenas evangelista, mas também autor dos Actos dos Apóstolos.

Ele ensina-nos que os Actos do Apóstolos são os primeiros passos da igreja.

Que também hoje os passos da Igreja sejam sempre atos dos apóstolos!


Ver também:

Mala vazia, coração cheio

Os trabalhadores da seara

5 lições dos 72 enviados

Lucas ou Portador de Luz

Quem é Lucas Evangelista

Manual de instruções

Aprender a dialogar

Evangelista, Pintor e Médico

Evangelista do ano C

Variante de Lucas

Pai Nosso de São Lucas

Pai Nosso da Teologia de Lucas

 

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Viver segundo o Domingo


Memória de Santo Inácio de Antioquia

Bispo e Mártir, +107

Foi um dos principais promotores da Eucaristia do Domingo, Dia do Senhor.


Viveu segundo o Domingo,

pois sem o Domingo não podia viver.

 

Foi o sucessor de Pedro como bispo de Antioquia. Condenado às feras, foi conduzido a Roma e aí foi martirizado. Durante a viagem escreveu sete cartas várias Igrejas, nas quais se refere, com profunda sabedoria e erudição, a Cristo, à organização da Igreja e aos princípios fundamentais da vida cristã.

Na carta aos Filadélfios, exorta-os a tomar parte numa só Eucaristia, porque também é só uma a carne de Jesus Cristo, um cálice para a união com o Seu sangue, e um altar, com o bispo que é o garante da unidade eclesial. A Eucaristia garante, portanto, o dom da unidade, entre os irmãos e com Deus.

Mas para Santo Inácio, a Eucaristia é também a força para superar todas as dificuldades da vida. Como ele diz, “a Eucaristia é remédio de imortalidade, antídoto contra a morte, e vida em Jesus Cristo para sempre”.

Ou então, na carta aos Romanos: “Não me satisfazem os alimentos corruptíveis nem os prazeres deste mundo. Quero o pão de Deus, que é a carne de Jesus Cristo e por bebida quero o seu Sangue que é a caridade incorruptível”.

Em polémica com o judaísmo, contrastou os que viviam segundo o sábado e os que viviam segundo o domingo.

Para ele não se trata de um simples facto cronológico, mas sim de diferentes formas de compreender a existência e de se relacionar com Deus: Aqueles que viviam segundo a velha ordem das coisas abriram-se a uma nova esperança, já não celebrando o sábado, mas vivendo segundo até o dia do Senhor, no qual a nossa vida será exaltada.  A vida segundo o domingo supõe uma existência renovada pelo encontro com Cristo, permitindo que a Eucaristia transforme a existência quotidiana do crente, o seu modo de viver e de pensar.  Com efeito, o cristão pode e deve ‘viver segundo o domingo’, o que significa desenvolver uma forma eucarística de vida cristã. Quem participa da Eucaristia comunga da doação de Cristo até a morte, o que exige que viva como ele. Estes ensinamentos patrísticos foram recuperados no Magistério dos últimos tempos: «Em síntese, o convite de Santo Inácio sublinha também o valor paradigmático que este dia santo tem em relação a qualquer outro dia da semana. Na verdade, o seu diferencial não está simplesmente no abandono das atividades habituais, como uma espécie de parêntese dentro do ritmo normal dos dias. Os cristãos sempre viveram este dia como o primeiro da semana, porque comemora a novidade radical trazida por Cristo. Assim, o domingo é o dia em que o cristão encontra aquela forma eucarística da sua existência que é chamado a viver constantemente. ‘Viver segundo o domingo’ significa viver consciente da libertação trazida por Cristo e desenvolver a própria vida como oferta de si mesmo a Deus, para que a sua vitória se manifeste plenamente a todos os homens através de uma conduta intimamente renovada” (Bento XVI, Sacramentum caritatis, 73). Esta existência segundo o domingo manifestou-se admiravelmente entre os primeiros crentes. Podemos recordar o exemplo dos 49 cristãos de Abitia que, durante a perseguição de Diocleciano, foram surpreendidos ao celebrar a Eucaristia dominical e sofreram o martírio por isso. Quando o procônsul lhes disse que pouparia suas vidas se renunciassem ao culto cristão, eles responderam: Sem o domingo não podemos viver.

Este deveria ser o lema de todos os cristãos.

 

Ver também:

Inácio ou o homem de fogo

Igreja Católica

Inácio de Antioquia

 

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Primeiro o mais importante


4ª feira – XXVIII semana comum

 

Sois cumpridores de ninharias e esqueceis as coisas mais importantes, como a justiça e o amor de Deus.

Devíeis praticar estas coisas, sem omitir aquelas.

 

Devemos primeiro encher a nossa vida de grandes pedras para depois completarmos com o resto.

Recordemos uma velha história:

Um professor estava diante da sua turma. Quando a aula começou, sem dizer uma palavra, pegou num frasco de vidro, grande e vazio e começou a enchê-lo com bolas de golfe. Então perguntou aos alunos se o frasco estava cheio. Eles concordaram que estava. Pegou numa tigela de pequenos seixos, meteu-os no frasco, e agitou-o levemente para que enchessem o espaço ao redor das bolas de golfe.

- E a jarra, está cheia agora? – perguntou ele.

O grupo de alunos todos se olharam e concordaram que o frasco estava agora completamente cheio. O professor pegou uma caixa com areia e despejou-a dentro do frasco. Claro, a areia preencheu todo o resto. Ele perguntou novamente se o jarro estava cheio. Os alunos responderam com um sonoro “sim”. Rindo com o facto de terem sido tão ingénuos. O professor em seguida pegou numa chávena de café que estava na mesa e derramou o café para dentro do frasco. Assim preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram. O professor, então, passou a explicar a experiência:

- Este frasco é a vida – disse ele – e as bolas de golfe representam as coisas que são realmente importantes, estas são as coisas que têm valor real como a vossa família, amigos e saúde, a justiça e o amor de Deus. As pedrinhas são coisas como trabalho, carro, roupas e assim por diante. A areia… representa todas as outras coisas pequenas. Se encherem o frasco com a areia ou pedras primeiro, então não vão ter espaço para as coisas que mais importam. O mesmo vale para a vida. Portanto, devem primeiro dar espaço para as coisas que são mais importantes na vida. Cuida das bolas de golfe primeiro, das coisas que realmente importam. Define as tuas prioridades. O resto é só areia.

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou o que representava o café. O professor sorriu.

- Fico feliz por ver alguém muito atento. O café serve só para mostrar que não importa o quanto a tua vida esteja cheia, há sempre espaço para um café com os amigos.

 

Ver também:

As quatro tentações

Apenas condimentos

O que limpar primeiro

Cuidar do mais importante

Obras da carne e obras do Espírito

Em dia de sábado

O que vale mais

 

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Sem oração não há salvação


Memória de Santa Teresa de Jesus (1515 – 1582)

Virgem e Doutora da Igreja

A oração

Teresa de Ávila dizia: sem oração não há salvação. Sem oração mental, sem santidade.

Não podemos reduzir o nosso relacionamento com Deus a um contrato.

Às vezes temos a tentação de pensar: Vou rezar esta quantidade de orações, que será suficiente. Perguntar quanto é suficiente é como perguntar com que frequência deve o marido falar com a esposa para que ela não o deixe. Esse não é um casamento saudável.

É preciso rezar sempre. Preocupemo-nos em rezar com qualidade e não apenas em quantidade. Quanto melhor for a nossa oração, com mais frequência surgirá, e quanto mais frequente for, mais perfeita será.

A oração não pode ser apenas parte da nossa vida. Tem de ser tudo. Tem de ser, como escreveu Santa Teresa de Ávila, a chuva celestial que rega o jardim da nossa alma…

 

O Xadrez

Santa Teresa de Ávila era uma fã de xadrez e via neste jogo uma metáfora para a vida espiritual. Ela dizia que o objetivo da vida espiritual tal como o do xadrez, é capturar o Rei (ou Sua Majestade, como lhe chamava, in Caminho da perfeição, 16).

 

Os livros

Os livros de Santa Teresa nasceram em Portugal. Em Évora submetem-se às provas de imprensa e recebem o impulso honorífico da primeira difusão editorial. A pedido expresso da autora são editados e prefaciados por um português D. Teotónio. Ela própria corrigiu e enviou-lhe uma das suas obras. E D. Teotónio lança-a ao público com uma licença expedida em Lisboa. Tudo sucede em vida da Madre Teresa. Ela tinha escrito as suas obras para a intimidade. Uma delas, a que continha o seu ideal carmelita e a sua pedagogia da oração foi-se multiplicando em humildes cópias manuscritas à medida que surgiam os novos Carmelos. Mas as copistas, em geral, iam deformando ou empobrecendo. Só então surge a ideia de impressão. Mas o projeto era tão vasto para a modéstia literária da autora como desproporcionado para as suas possibilidades económicas. Desta maneira apoiou-se no mecenato do seu amigo português pedindo-lhe encarecidamente que mandasse imprimir só para este efeito: porque tendo algumas alterações resultantes das transcrições feitas à mão, encontravam-se muitas coisas diferentes de como ela as tinha escrito, o que se remediaria com a impressão. A generosidade do editor foi absoluta: pela edição “não quero outro prémio senão que as religiosas, a cujas mãos chegar este livro, me recomendem a Nosso Senhor.” (1578?)

Os primeiros exemplares só viriam à luz dois anos e meio depois da data da licença (7/ 10/1580). Por uns meses, a Madre Teresa não chegou a ver o seu livro em letra impressa. Ela morria a 4 de outubro de 1582 e o livro saía impresso a princípio de 1583.

 

Os sermões

Assim testemunhou Santa Teresa: Para mim o tormento dos sermões não era pequeno. Era afeiçoadíssima a eles, de modo que, se via alguém pregar com espírito e bem, cobrava-lhe particular afeição, sem o procurar, que não sei quem ma infundia. Quase nunca me parecia tão mau o sermão que não o ouvisse de boa vontade, embora no dizer dos que o ouviam não pregasse bem. Se era bom, era para mim muito particular recreação. De falar de Deus ou de ouvir falar dele quase nunca me cansava, e isto depois que comecei a ter oração. Por um lado, tinha grande consolo nos sermões, por outro atormentavam-me; porque ali compreendia eu que não era o que devia ser e, em grande parte, por culpa minha.

 

A morte

Santa Teresa de Ávila morreu na noite entre o dia 4 e o 15 de outubro de 1582. Foi a mudança histórica para acertar a substituição do calendário juliano com o gregoriano. Para acertá-los tiveram de eliminar 11 dias. O famoso matemático jesuíta Christopher Clavius ​​(+1612) fez os cálculos para essa mudança. Ele escolheu estes dias de outubro para o momento do salto porque tinha o menor número de dias festivos .

Santa Teresa de Ávila morreu na mesma noite em que Sua Santidade ordenou que o calendário mudasse de 4 de outubro para 15 de outubro, razão pela qual sua festa é celebrada no dia 15 e não no dia 3 ou 4. Durante esse hiato não aconteceu nada a não ser a morte de Santa Teresa. Morreu aos 67 anos. Morreu como sempre viveu e sonhou:

- Enfim morro filha da igreja.

Dirigindo-se a Jesus exclamou antes de falecer:

- É tempo de caminhar.

Muitos a queriam fechada e inativa, mas ela correu os caminhos ao serviço de Cristo e dos irmãos e pensava continuar fazendo isso depois de morta.

O relógio do mosteiro de Alba de Tormes parou às 09H00 da noite, hora da morte da santa. Depois das badaladas das 9, e continua parado até hoje.

A amendoeira floriu (só florescem em fevereiro e março) no pátio do Mosteiro de Alba.

 

À margem

Outubro, mês marcado por duas grandes Teresas. No dia 1º de outubro é celebrada a festa de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (1873-1897), também conhecida como Teresinha de Lisieux, em homenagem à cidade francesa onde viveu desde os quatro anos até sua morte, quando faleceu. Tinha vinte e quatro. No dia 15 de outubro celebra-se a festa de Santa Teresa de Jesus (1515-1582), também conhecida como Teresa de Ávila, em homenagem à cidade espanhola onde nasceu e onde fundou o primeiro mosteiro dos Carmelitas Descalços, hoje dispersos, em todo o mundo

Falemos, então, destas duas Teresas.

Uma é mãe, outra filha.

Uma é águia, outra, pardalito.

Uma, velha (morreu quase aos 68 anos), outra, jovem (morreu aos 24).

Uma, generala, outra, soldado de caserna sem ir a combate.

Teresinha viveu quinze anos na família e nove no Carmelo; Teresa viveu vinte na família, vinte e sete de monja, e outros vinte como mãe da família que gerara.

Teresinha não conheceu mais que duas casas: a familiar e o Carmelo de Lisieux; Teresa, muitíssimas mais: o solar paterno, o Carmelo de Encarnação de Ávila, e outros quinze que fundou (e os palácios das amigas, em que houve de restar, por obediência, durante meses…). Por tal razão, no último período da sua vida de águia, o seu mosteiro era andante, em cima de uma carroça puxada por bois; ao passo que, por sua vez, o pardalito apenas contemplou o quadrado de céu que a justa generosidade dos claustros lhe concedia.

Duas personalidades tão diferentes, mas iguais no amor e na santidade.

 

Ver também:

Vagabunda e mística

Mestre de Oração

As castanholas da santa

Por entre as panelas

A esmola da oração

Pedir para os demais nunca é demais

Teresa e José

Grande Teresa

Almas para Jesus

Caçadora de Ávila

Teresa de Ávila

Os nomes de Deus

Pai Nosso Teresiano

A santa de Ávila

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Interpretando o sinal


2ª feira – XXVIII semana comum

Nenhum sinal lhe será dado,

senão o sinal de Jonas.

 

Interpretação da Igreja Católica

A Igreja ensina que o "Sinal de Jonas" é uma prefiguração do Mistério Pascal de Cristo - paixão, morte e ressurreição. Esta tipologia tem as suas raízes na continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, onde os acontecimentos e as figuras do Antigo Testamento são vistos como prefigurações da missão e da obra salvífica de Cristo.

A Igreja também tira lições morais e espirituais da história de Jonas. Ensina a importância do arrependimento, a obediência ao chamamento de Deus e a universalidade da misericórdia de Deus. O arrependimento dos ninivitas é visto como um modelo para que todos os que ouvem a mensagem do Evangelho se voltem para Deus.

A exegese bíblica católica destaca frequentemente o "Sinal de Jonas" no contexto dos ensinamentos de Jesus. Estudiosos e teólogos sublinham que a referência de Jesus a Jonas foi uma forma de revelar a Sua identidade como Messias e de prefigurar a ressurreição, desafiando os ouvintes a verem para além dos milagres imediatos a realidade mais profunda do plano de Deus para a salvação.

 

Interpretação da tradição

Os Padres da Igreja primitiva forneceram uma rica visão teológica sobre o "Sinal de Jonas", interpretando-o no contexto mais amplo da doutrina cristã e da tipologia bíblica. Os seus ensinamentos ajudaram a moldar a compreensão da Igreja primitiva sobre este significativo sinal bíblico.

- Santo Agostinho viu no "Sinal de Jonas" uma clara prefiguração da ressurreição de Cristo. Na sua obra "De Civitate Dei" (A Cidade de Deus), Agostinho fala de como os três dias de Jonas no peixe simbolizam os três dias de Cristo no túmulo. Também sublinha o arrependimento dos ninivitas como um apelo a todas as nações para que se voltem para Deus, sublinhando o alcance universal do plano de salvação de Deus.

- S. Jerónimo, nos seus comentários aos profetas, identificou igualmente Jonas como um tipo de Cristo. Expôs o paralelo entre a saída de Jonas do peixe e a ressurreição de Jesus, interpretando a missão de Jonas em Nínive como um símbolo da missão da Igreja de pregar o arrependimento aos gentios. Os escritos de Jerónimo sublinham a importância de compreender o Antigo Testamento à luz do Novo.

-  São João Crisóstomo referia-se frequentemente a Jonas nas suas homilias. Utiliza esta história para ilustrar temas como o arrependimento, a misericórdia divina e a prefiguração da ressurreição de Cristo. Crisóstomo realçou o contraste entre o arrependimento dos ninivitas perante a pregação de Jonas e a rejeição de Jesus pelos líderes judeus, exortando os seus ouvintes a abraçarem o arrependimento e a fé genuínos.

 

Interpretação ortodoxa

A Igreja Ortodoxa Oriental também vê o "Sinal de Jonas" como um sinal profético que aponta para a ressurreição de Jesus. A tradição ortodoxa sublinha frequentemente as ligações tipológicas entre os acontecimentos do Antigo Testamento e as realizações do Novo Testamento, considerando a história de Jonas como parte da grande narrativa da história da salvação. Na liturgia, especialmente durante o tempo pascal, a história de Jonas é contada para reforçar os temas da morte, da ressurreição e do arrependimento. A Igreja Ortodoxa também coloca uma forte ênfase no poder transformador do arrependimento, como demonstrado pelos ninivitas.

 

Interpretação protestante

As denominações protestantes, incluindo os evangélicos e os protestantes de linha principal, também afirmam o significado tipológico do "Sinal de Jonas". Sublinham a centralidade da morte e ressurreição de Jesus como o cumprimento da profecia do Antigo Testamento. Em muitas tradições protestantes, a história de Jonas é usada em sermões e ensinamentos para ilustrar a misericórdia de Deus, a necessidade de arrependimento e a certeza da esperança da ressurreição. Algumas interpretações evangélicas podem centrar-se mais na aplicação pessoal do arrependimento e da missão de Jonas, encorajando os crentes a abraçar a sua vocação para a evangelizacao e a missão.

 

Ver também:

Com quem somos parecidos

Nenhum sinal vos será dado

Jesus é maior que Jonas

Pedir sinais novos

Nós somos o sinal

Jesus é o novo Jonas

Jesus, Jonas e nós

Dois sinais

Jonas é sinal de Cristo

Trocos e sinais

Razão e coração

Sinal P

Nova história de Jonas

Sinais ou milagres

Sinal de Jonas

 

domingo, 13 de outubro de 2024

É tão difícil abrir as mãos


Ano B – XXVIII domingo comum

Perguntei aos miúdos da catequese, durante a homilia, qual é o gesto ou ação mais difícil fazer.

Um dizia que era olhar para trás, outro ajoelhar, algum fazer flexões, aquele andar de pé coxinho, este rastejar etc…

Perguntei então qual era o gesto ou a ação mais difícil para o sujeito rico do evangelho de hoje.

Depois de alguma hesitação começaram a pensar:

Não podia ser ajoelhar pois ele prostrou-se diante de Jesus.

Não podia ser olhar para trás, pois ele desviou o olhar do de Jesus.

Alguém disse que era contar todo o seu dinheiro, outro carregar todos os seus bens…

Pensaram melhor e chegaram à conclusão que a maior dificuldade daquele rico era abrir as mãos.

Era incapaz de abrir mão dos seus bens, desfazer-se das ruas riquezas…

Era um homem com tanta capacidade, mas incapaz de abrir as mãos a favor dos outros.

 

Na parte final do evangelho Pedro lembra a Jesus que ele e os outros apóstolos fizeram aquilo que o homem rico foi incapaz de fazer:

- Olha, Senhor, que nós deixámos tudo para te seguir…

Eu tenho a impressão que o episódio do homem rico foi apresentado precisamente para chegar a essa conclusão – que os apóstolos deixaram tudo, souberam abrir as mãos. E o que parece impossível aos homens foi possível graças a Deus.

 

À margem:

Quando leio ou escuto esta passagem do evangelho lembro-me das minhas confissões de mais novo.

Também eu dizia: Não matei, não roubei, , não levantei falsos testemunhos… Isto é, evitei o mal, não invejei…

E o sacerdote completava: Não basta deixar de fazer o mal, é preciso fazer o bem. Não basta ter as mãos limpas, é preciso tê-las cheias de caridade e de boas obras.

Assim aconteceu com o homem rico do evangelho: Tudo isso dos mandamentos tenho cumprido desde a juventude – não matar, não roubar, não levantar falsos testemunhos, não cometer adultério, não invejar os bens dos outros… De facto, evitava o mal, mas precisava de mais, precisava fazer o bem.

 

Ver também:

Um jovem quase perfeito

Porque cem vezes mais

Um rico que não abriu mão

Um indeciso sem pressa

Rico sem nome

A agulha e o camelo

O jovem indeciso

Outras versões

Deixar e seguir

O pobre jovem rico

Nem pobres nem ricos

Saber os mandamentos

Encontro

 

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

De que lado nós estamos

 

6ª feira – XXVII semana comum

Descobrir de que lado é que nós estamos e quem é que temos ao nosso lado.

Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

 

Quem não está comigo, está contra mim (Lc. 11, 23).

Quem não é contra nós, é por nós (Mc 9, 40).

Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rm 8, 31)

 

Ver também:

Diabo não expulsa diabo

Demónio, ladrão e morcego

Dar obediência


Memória do Papa São João XXIII (1881-1963)

 

Colecta:

Deus omnipotente e eterno, que no papa São João XXIII, fizestes resplandecer em todo o mundo a imagem viva de Cristo, bom pastor, concedei-nos, pela sua intercessão, a graça de difundir com alegria a plenitude da caridade cristã. Por Nosso Senhor…

 

É conhecido como o Papa Bom.

De facto, ele foi Bom porque foi Pastor

e foi Pastor porque foi bom.

 

À margem:

Estou muito satisfeito por estar aqui. Mas devo deixar-lhes um pedido: que na igreja não gritem nem batam palmas...nem mesmo para saudar o Papa, porque Templum Dei Templum Dei (o templo de Deus é o templo de Deus). 

Agora, se estão felizes em encontrar-me nesta bela igreja, imaginem como o Papa não está feliz em ver os seus filhos! Mas assim que ele vê os seus filhos, eles batem as mãos na frente à frente da sua cara. Esse que está diante de vós é o sucessor de São Pedro!

(Papa João XXIII - Óstia (Itália), 1963)


Ver também:

São João XXIII

Obediência e paz

Abrir para entrar e sair

Pastor et pater

Perfeita no amor

O bom Papa João

Abertura

Discurso da Lua

Beato João XXIII

Os papas que o Pe. Dehon conheceu