Depois da minha caminhada ao fim da tarde, ao
entrar em casa, costumo lembrar a mim mesmo e a quem encontro, dizendo:
- Que bom regressar a casa.
De facto, é bom ter uma casa onde nos
recolher, uma comunidade para nos acolher.
E há sempre uma voz interior que me sugere:
- Nós estamos aqui de passagem. Não somos
daqui.
Recordo a história antiga de um missionário
que esteve na China por muitos anos e de um famoso cantor depois de duas
semanas em digressão no estrangeiro. Regressavam aos Estados Unidos da América
a bordo do mesmo navio. Quando desembarcaram em Nova Iorque, o missionário viu
uma grande multidão de admiradores à volta do cantor.
- Senhor, não compreendo – murmurou o
missionário – dediquei mais de quarenta anos da minha vida à evangelização da
China e aquele esteve fora apenas duas semanas e centenas de pessoas vieram dar
as boas-vindas a ele a não a mim…
E o Senhor fez ouvir a sua resposta:
- Filho, mas tu não estás ainda em casa… Tu
não és deste mundo!
É verdade! não somos daqui.
Mas então porque é que Deus nos colocou aqui?
Se não somos do mundo, porque é que estamos
no mundo?
Deve haver algum motivo para isso.
Estamos no mundo sem sermos do mundo para
transformar o mundo.
A nossa missão é transformar o mundo onde
Deus nos colocou. E a melhor maneira de transformar o mundo é transformar-se a
si mesmo, apurar-se a si próprio. Jesus lembra-nos que nós não somos do mundo.
Estamos no mundo, mas não somos de cá.
A nossa pátria está no céu.
Não somos seres terrenos fazendo uma
experiência celeste.
Somos seres celestes a fazer uma experiência
terrena.
Jesus lembra-nos que estamos no mundo, não
somos anjos, temos corpo.
Querer fazer de anjos estando na terra, é
desatino, ensinava Santa Teresa de Ávila:
- Conheci um homem que parece um anjo, mas
tem os pés no chão, é realista… tem os olhos no céu, os pés no chão, as mãos na
obra e o coração aberto.
Ninguém é deste mundo. Este mundo é que é
todo nosso!
O mundo foi feito para nós e não nós para o
mundo!
Fazer uma caminhada ao fim da tarde é uma boa
oportunidade para aprender a regressar a casa, porque estamos aqui de passagem.




