sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Porque é que Jesus pergunta


6ª feira – XXV semana comum

O Beato Fulton Sheen certa vez disse, em tom de brincadeira, que as perguntas de Deus são mais satisfatórias do que as respostas dos homens. Essa foi uma variação da frase do seu amigo Chesterton: Os enigmas de Deus são mais satisfatórios do que as soluções dos homens.

O Evangelho de hoje comprova essa verdade.


Porque é que Jesus faz perguntas?

 

1º - Jesus faz perguntas não porque precisa das respostas, mas porque nós precisamos refletir sobre elas e encontrar nelas frutos espirituais que vão além do que as respostas humanas podem oferecer.

2º - Faz perguntas porque quer ouvir. Ele não quer saber, porque já conhece tudo, mas gosta de escutar.

3º - Para nos ensinar a dialogar, a interagir e a escutar.

4º - Para que as pessoas possam verbalizar os seus sentimentos e a sua fé.

5º - Jesus faz-nos perguntas para nos dar o exemplo. Pergunta-nos para que não tenhamos medo de lhe perguntar seja o que for.

 

O Bispo que ganhou o Emmy


O Arcebispo Fulton Sheen, que fez da rádio e da televisão instrumentos de evangelização foi beatificado em Saint Louis, nos Estados Unidos da América, ontem, 24 de setembro de 2026.

Venceu o prémio Emmy de "Personalidade mais notável da televisão" em 1953.

Peter John Sheen nasceu em 8 de maio de 1895, em El Paso, Illinois, como o primeiro dos quatro filhos de Newton e Delia Sheen. Desde pequeno, foi chamado pelo sobrenome de solteira da mãe, Fulton.

Criado numa família católica devota, desenvolveu muito cedo a vocação ao sacerdócio e foi ordenado sacerdote para a Diocese de Peoria em 20 de setembro de 1919.

Reconhecendo seus dotes intelectuais, os seus superiores enviaram-no à Europa para realizar estudos avançados. Em 1923, obteve o doutorado em Filosofia pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. Foi nomeado vigário paroquial numa igreja do centro de Peoria. Posteriormente, foi enviado para ensinar Filosofia e Teologia na Catholic University of America, em Washington, D.C.

A partir de 1930, Sheen apresentou The Catholic Hour, um programa de rádio que levou o ensinamento católico aos lares dos Estados Unidos. O seu raciocínio claro, a sua exposição envolvente e o seu calor pastoral atraíram um público de mais de quatro milhões de pessoas. Foi apreciado por sua caridade intelectual, que o levava a apresentar verdades difíceis de maneira clara, sem perder de vista a necessidade de encorajamento em meio aos desafios da sociedade moderna. As suas obras literárias desenvolveram-se paralelamente à sua carreira no rádio e na televisão: dos 66 livros que publicou, Vida de Cristo é considerado uma de suas contribuições mais inspiradas.

Em 1951, começou a apresentar o programa de televisão Life Is Worth Living (A Vida Vale a Pena Ser Vivida). Com um cenário simples e um quadro de lousa, conquistou um público de mais de 30 milhões de pessoas, abordando de maneira clara e sincera questões relacionadas à fé, à moral, ao sofrimento, à família e à dignidade humana. Era um comunicador habilidoso, que utilizava a argumentação filosófica, a intuição teológica, o senso de humor e a narrativa para transmitir sua mensagem inspiradora não apenas aos católicos, mas também a protestantes e judeus.

Sheen participou do Concílio Vaticano II, onde encontrou dois futuros papas: Karol Wojtyła e Joseph Ratzinger. Em 1966, aos 71 anos, foi nomeado bispo de Rochester, em Nova York. Dedicou-se diligentemente à implementação do Concílio e à evangelização dos fiéis. Em 1969, apresentou a sua renúncia ao governo pastoral e recebeu o título pessoal de arcebispo.

Passou os últimos anos de sua vida escrevendo, pregando e orientando retiros, continuando sempre a dedicar seu tempo à oração. Pouco antes de morrer, escreveu sua autobiografia, Minha Vida.

Morreu a 9 de dezembro de 1979, em Nova York.

 

Embora os seus escritos sobre a igreja e a sociedade tenham sido publicados pela primeira vez antes de 1950, continuam atuais como se tivessem sido escritos ontem.

Porque ele continua a ser um evangelizador se fronteiras, partilhamos alguns desses  escritos.

 

O crucifixo é a minha autobiografia.

Se existe uma passagem que resume a espiritualidade de Fulton Sheen melhor do que qualquer outra, ela pode ser encontrada em sua autobiografia, Tesouro em Barro. Poucos parágrafos revelam sua compreensão da cruz de forma tão profunda quanto estas palavras:

A vida de cada um de nós foi escrita ali.

O crucifixo é a minha autobiografia.

O sangue é a tinta.

Os pregos, a caneta.

A pele, o pergaminho.

Em cada linha daquele corpo, posso traçar a minha vida.

Na coroa de espinhos, posso ler o meu orgulho.

Nas mãos cravadas de pregos, posso ler a avareza e a ganância.

Na carne que pende dele como trapos púrpura, posso ler a minha luxúria.

Nos pés acorrentados, posso encontrar as vezes em que fugi e não o segui.

Qualquer pecado que possas imaginar está ali escrito.

 

A consciência do peado

O Arcebispo Sheen brincava:

Bem, a questão é que hoje ninguém é pecador. Ninguém tem a consciência do pecado.

Antigamente, só nós acreditávamos na Imaculada Conceição.

Hoje, todos são concebidos imaculadamente.

Todos dizem que não têm pecados. O pecado deixou de existir. Parece ser o novo milagre da imaculada conceição.

 

Adoração eucarística

Para o Arcebispo Sheen, a Hora Santa não era apenas mais uma devoção entre muitas. Tornou-se o alicerce do seu sacerdócio, a fonte de força para a sua vida apostólica e a âncora da sua vida interior. Na Presença do Senhor Eucarístico, ele encontrou a graça para pregar, ensinar, sofrer e conduzir almas a Jesus Cristo.

Dizia – Não sei como poderia viver sem a minha hora santa diária. É essa hora que dá sentido ao meu dia.

Mas por que dedicar uma hora por dia à meditação? Porque vivemos na superfície de nossas almas, conhecendo pouco de Deus ou do nosso interior. O nosso conhecimento concentra-se principalmente nas coisas materiais, não no nosso destino. A maioria das nossas dificuldades e deceções na vida se deve a erros nos nossos planos. Tendo esquecido o propósito da vida, duvidamos até mesmo do seu valor. Um osso quebrado dói porque não está no lugar certo; as nossas almas sofrem porque não estamos cultivando a plenitude da Vida, da Verdade e do Amor, que é Deus.

 

A Eucaristia: O Coração da Vida Cristã

No coração da Igreja reside um mistério ao mesmo tempo oculto e revelado: a Eucaristia.

O Arcebispo Sheen frequentemente lembrava aos ouvintes que onde quer que a Eucaristia esteja, Cristo está presente, e onde Cristo está, há amor.

A Eucaristia não é uma obrigação, mas uma história de amor, um encontro diário onde o coração de Deus fala ao coração do homem. Toda a graça – da conversão à cura, da força ao perdão – flui dessa fonte viva de amor.

A Eucaristia é, na verdade, a continuação de Belém, a extensão do Calvário, o abraço de Cristo Ressuscitado e o antegosto do céu. Por essa razão, frequentemente declarava que a maior história de amor de todos os tempos está contida em uma pequena Hóstia branca.

 

Devoção Mariana

O Arcebispo Sheen escolheu como lema do seu brasão episcopal um verso do hino tradicional mariano Stabat Mater.

- Da per matrem me venire

Faz-me por meio da Mãe chegar (…à palma da vitória).

Escreveu vários livros sobre Nossa Senhora e rezava diariamente o Rosário.


 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Só os humildes verão a Deus


5ª feira – XXV semana comum

Herodes procurava ver Jesus

 

Ver quer dizer:

- Olhar

- Contemplar

- Encontrar-se

- Presenciar

- Conhecer

- Dialogar

 

Herodes queria ver Jesus, mas nada fez para alcançar esse objetivo.

Não saiu do seu palácio para encontrá-lo.

Não desceu do seu trono para contemplá-lo.

Não se dignou mudar de posição para recebê-lo.

Quis, mas nada fez.

Faltou-lhe humildade para acolhê-lo.

Herodes queria ver Jesus só para se satisfazer e não para se tornar melhor ou converter-se, isto é, para o seguir.

A humildade é a porta para a presença de Deus e a conversão do nosso coração.

Deus vem até nós na pequenez, e é assim que nós podemos ir até ele.

Deus se revela na humildade, na pobreza, na vulnerabilidade e na pequenez.  


Às vezes estamos à espera de um encontro para descobri alguém, mas isso não basta.

Foi o caso de Herodes, como do jovem rico e de tantos fariseus que procuravam ver, conhecer ou dialogar com Jesus, mas apenas para comprometer ou tramar Jesus.

Herodes encontrou-se com Jesus durante o seu julgamento, mas foi um momento inconsequente,

Porquê?

Porque faltou-lhe humildade.

De facto, só os humildes verão a Deus.


Para imitar a Cristo Jesus é preciso:

- Procurá-lo nas Escrituras (escutar)

- Continuar o seu serviço

- Não ter medo

- Vestir-se de humildade e de simplicidade

- Rezar unidos a Deus e à comunidade.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Qual a pessoa que mais amo


Memória de São Pio de Pietrelcina, presbítero

Certo dia, uma mulher disse ao Pe. Pio Pietrelcina (1887-1968):

- Sinto vergonha em dizê-lo, mas creio que amo o senhor mais do que a Deus.

- Muito bem – disse o Pe. Pio – então você vai fazer o que lhe direi. Quero que vá até à vila mais próxima e roube por mim.

Chocada, respondeu a mulher:

- O que está dizendo, Pe. Pio? O senhor sabe que não posso fazer isso!

Com veemência, continuou Pio:

- Sei o que estou dizendo; vá até à vila e roube por mim.

Respondeu a mulher:

- Não, não, Padre! Não quero roubar. É pecado roubar.

Após repetir a ordem pela terceira vez e a mulher continuar a insistir que roubar era errado, o Pe. Pio sorriu e disse:

- Não vê? Quando eu mandei você fazer algo contrário à lei de Deus, você recusou obedecer; portanto, ama a Deus mais do que a mim. –  E completou: Você me ama porque eu a conduzo a Deus. Se eu não a conduzisse a Deus, você não me amaria mais.

 

E eu? Quem é a pessoa que mais amo?

Há algumas pessoas que eu amo mais, mas há apenas Alguém que eu mais amo!



 

A mudança de estação


Hoje, 23 de setembro, pelas 01H05, ocorreu o equinócio de outono e dissemos adeus ao verão.

É a mudança de estação

Ou a estação da mudança.

 

1ª reflexão – O outono da vida

O ano tem tempo para as flores e tempo para os frutos.

Porque não terá também o seu Outono a vida?

As flores, umas caem, outras secam, outras murcham, outras leva o vento; aquelas poucas que se pegam ao tronco e se convertem em fruto, só essas são as venturosas, só essas são as que aproveitam, só essas são as que sustentam o Mundo.

Pe. António Vieira, Sermão da Sexagésima, Pregado na Capela Real, no ano de 1655

 

2ª reflexão – Para tudo há uma estação

Eclesiastes 3,1-13 – Para tudo há um tempo determinado, e para cada assunto debaixo do céu há um tempo certo.

Para tudo há uma estação.

Cada estação verdadeira é feita por Deus. Ele cria e orquestra de alguma forma as estações da nossa vida como faz com as estações do ano. As mudanças na vida acontecem obviamente com a mudança das estações.

A mudança das estações é um convite para reagrupar, lembrar, revisar, relembrar e reinvestir numa prática espiritual que tem significado para nós, ajuda-nos a perceber onde Deus está na nossa vida cotidiana e a expressar a nossa gratidão. Quanto mais oportunidades tivermos para perceber Deus no dia a dia, mais profundo será o nosso relacionamento com Ele.

O nosso interior deve estar pronto para os presentes do outono, pronto para viver o outono da nossa vida.

É preciso estar preparado para o cair da folha.

 

3ª reflexão – Uma tarde de outono

A ladeira leva ao moinho, mas o esforço não leva a nada.

Era uma tarde de outono, quando o céu tem um calor frio, morto, e há nuvens que abafam a luz em cobertores de lentidão.

 

Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar.

 

Fernando Pessoa (Bernardo Soares) Livro do Desassossego. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.  - 439.

 

4ª Reflexão – No entardecer da terra

 

No entardecer da terra

O sopro do longo Outono

Amareleceu o chão.

Um vago vento erra,

Como um sonho mau num sono,

Na lívida solidão.

 

Soergue as folhas, e pousa

As folhas, e volve, e revolve,

E esvai-se inda outra vez.

Mas a folha não repousa,

E o vento lívido volve

E expira na lividez.

 

Eu já não sou quem era;

O que eu sonhei, morri-o;

E até do que hoje sou

Amanhã direi, quem dera

volver a sê-lo! ... Mais frio

O vento vago voltou.

 

Fernando Pessoa. Poesias (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).  - 91. 1ª publ. in Ilustração Portuguesa, 2ª série, nº 83. Lisboa: 28-1-1922.

 

 

sábado, 19 de setembro de 2026

Em comunhão com o nosso Bispo


Hoje tomou posse da diocese do Algarve o bispo D. Vitorino Soares

Para o bispo emérito Manuel Neto Quintas – a minha gratidão.

 

Para o bispo Vitorino Soares – a minha oração:

Que seja um bom bispo e um bispo bom.

 

Nos trinta e um anos que trabalhei na Madeira, minha terra natal, conheci 2 bispos.

Nos dez anos que trabalhei nos Açores, conheci 3 bispos.

Neste ano que trabalho no Algarve conheci 2 bispos.

 

Santo Inácio de Antioquia assim exortava os seus sacerdotes:

Segui o vosso bispo como Cristo segue o Pai.

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A vida toda aos pés de Jesus


5ª feira – XXIV semana comum

Uma mulher colocou a sua vida toda aos pés de Jesus – seu passado, seu presente e seu futuro.

Jesus abençoou-a e ela foi em paz.

 

Também hoje, quero colocar a minha vida toda aos pés de Jesus:

A humildade do meu passado.

A gratidão do meu presente.

A esperança do meu futuro.

 

Quero ficar aos pés de Jesus:

- Para continuar a confessar o meu pecado passado

- Para continuar a escutar a sua Palavra hoje

- Para continuar a seguir o seu caminho rumo ao futuro.

 

A vida toda e toda a vida aos pés de Jesus.

 

Mais do que Jesus estar aos meus pés,

Prefiro estar aos pés de Jesus.



 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Valha-me Nossa Senhora

 

Memória da Virgem Santa Maria das Dores

Na oitava da Natividade da Virgem Santa Maria

E no dia seguinte à festa da Exaltação da Santa Cruz.

 

Nuesta Señora de Las Angustias
Ayuntamiento de Ayamonte,
vizinho de Vila Real de Santo António

Um só mistério:

O nascimento e o martírio de Maria.

É a unidade entre a vida e a paixão de Maria,

entre a sua consagração e o seu martírio.

 

Nossa Senhora das Dores

também chamada de Nossa Senhora da Piedade

Nossa Senhora da Soledade

Nossa Senhora das Angústias

Nossa Senhora da Agonia

Nossa Senhora das Lágrimas

Nossa Senhora das Sete Dores

Nossa Senhora do Calvário

Nossa Senhora do Monte Calvário

Mãe Soberana

Nossa Senhora do Pranto

Em latim Beata Maria Virgo Perdolens

Mater Dolorosa

Ou simplesmente Pietà

 

Oração popular Valha-me Nossa Senhora:

 

Em pecado mortal

Não hei de morrer

Que a Virgem Santíssima

Me há de valer.

 

À margem

 

A Senhora da Agonia

Tem um nicho na Igreja.

Mas a dor que me agonia

Não tem ninguém quem a veja.

 

Fernando Pessos, s.d. Quadras ao Gosto Popular. (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973). - 76.


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Ad crucem sicut mensam


Festa da exaltação da Santa Cruz

1.

A 14 de setembro de 335 d.C., ocorreu a Dedicação da Basílica de Constantino, que abrigava tanto o Calvário quanto o Santo Sepulcro. Nesta data tinha sido descoberta a vera cruz. E o aniversário é celebrado com tanta solenidade quanto a Páscoa ou a Epifania.

 

2.

Cristo venceu através da sua cruz.

O homem católico carrega uma cruz, não porque espera a derrota, não porque está condenado, não porque deve sofrer, mas porque sabe a quem pertence, em última instância, a vitória.

A Cruz não é punição – é o esvaziamento de si mesmo pelo amor que se humilha tanto que nos eleva.

Quando contemplamos Cristo crucificado, não vemos ver ira, mas compaixão; não condenação, mas convite.

As feridas de Jesus não são marcas de vingança, mas portas abertas de misericórdia.

 

3.

O refeitório dos antigos conventos era presidido por uma grande cruz. De cada lado da qual tradicionalmente eram colocadas duas placas com os dizeres:

- Ad mensam sicut ad crucem

- Ad crucem sicut ad mensam

Traduzindo para português, significam:

- À mesa como à cruz, isto é, vamos com moderação e contemplação.

- À cruz como à mesa, isto é, vamos com alegria e com vontade.

Alimentamo-nos ao mesmo tempo da cruz e da mesa.

O corpo e a alma são nutridos ao mesmo tempo.