Nestes dias tem decorrido uma grande feira
aqui na cidade onde vivo de modo que tenho de atravessá-la para fazer a minha
caminhada ao fim da tarde.
Tenho visto grande animação pelas ruas, muita
agitação nas compras e vendas e muita alegria ou euforia que a todos contagia
mesmo a quem como eu, passa alheio ou indiferente a essa azáfama.
Tenho-me cruzado com muitas pessoas
carregadas com vários sacos e mercadorias.
Imagino então essas mesmas pessoas a chegarem
às suas casas.
- O que é que trouxeste da feira?
De facto, quem vem de alguma feira é suposto
trazer alguma coisa ou então prestar contas. É preciso avaliar a nossa ida à
feira, as compras que fizemos, como nos divertimos, o que poupámos, o que
ganhámos. Esta pergunta é válida tanto para quem foi comprar como para quem foi
vender:
- O que é que trouxeste da feira?
Faço a mesma pergunta a mim mesmo ao
regressar a casa no fim da minha caminhada ao fim da tarde:
- O que é que trouxeste hoje da tua
caminhada?
E não é só para saber ou avaliar quantas
calorias queimei, quantos quilómetros percorri, a boa disposição que alcancei.
É preciso também dar conta daquilo que
interiormente trouxe, as reflexões, compromissos e decisões que tomei.
Depois de uma caminhada devíamos carregar
outras mercadorias interiores mais saudáveis e igualmente benéficas para quem
ficou em casa. Enfim, é preciso saber e dar a conhecer o que trouxemos da
caminhada, porque ninguém regressa de mãos vazias e todos ficam a ganhar com
isso.
Por fim, esta será também a pergunta que um
dia Deus nos fará quando regressarmos da feira desta vida.
Ser-nos-á perguntado:
- O que é que trouxeste?
Jesus garante no evangelho que um dia Deus
pedirá contas a esta geração.
E que poderemos nós responder?
Que mercadorias apresentaremos?
Assim pregava o Pe. António Vieira no século
XVII:
Sabei, ó cristãos, que se vos há de pedir
estreita conta do que fizestes, mas muito mais estreita conta do que deixastes
de fazer.
Pelo que fizeram, se hão de condenar muitos;
pelo que não fizeram, todos.
E por que Deus nos pedirá contas?
Ele pede-nos contas, para saber quanto ele
vai continuar a pagar por cada um de nós, por todos.






