A via-sacra
da família
A família na via-sacra
I
Estação
– Jesus é condenado à morte nas famílias que vivem em acusações recíprocas,
condenando-se mutuamente.
Do
Evangelho Mateus:
Pilatos,
disse-lhes: Que hei de fazer então de Jesus, chamado o Cristo? Todos
responderam: Seja crucificado! Então
soltou-lhes Barrabás. Quanto a Jesus, depois de o mandar flagelar entregou-o
para ser crucificado (Mt 27 22.26).
Oração:
Senhor
Jesus, ao contemplarmos a tua condenação, pedimos-te pelas famílias desavindas
que vivem em recíproca condenação, gerando o desespero e a angústia entre todos
os seus membros. Derrama Senhor, nos seus
corações, a tua luz para que possam a abrir-se ao perdão e à reconciliação.
II
Estação
– Jesus carrega a cruz nas famílias que assumem a sua própria cruz com amor e
dedicação.
Do
Evangelho de Mateus:
Tecendo
uma coroa de espinhos puseram-lha sobre a cabeça. Depois de o terem
escarnecido, despojaram no da púrpura, vestiram-lhe as suas vestes e levaram-no
para o crucificarem (Mt 27, 29a.31).
Oração:
Senhor
Jesus ao contemplar o amor e a determinação com que carregaste a cruz, para nos
salvar, pedimos-te por todas as famílias que vivem com responsabilidade e amor
os desafios do projeto conjugal e familiar: dedicação, lutas, dificuldades,
trabalho, incompreensões, doenças… Confirma e fortalece Senhor, o amor
generoso, nestas famílias e que o sentido cristão da cruz as ilumine para que
se tornem verdadeiras igrejas domésticas e sacramento da tua presença no mundo.
III
Estação
– Jesus cai pela primeira vez nos jovens casais que sucumbiram na infidelidade
conjugal
Do
Profeta Isaías:
Ele
suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós
víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi
trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas
iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos
curados (Is 53,4-5).
Oração:
Senhor
Jesus ao contemplar-te caído sob o peso da cruz, pedimos-te pelos jovens casais
para que não cedam ao desencanto, às facilidades e hedonismo, dá-lhes a
sabedoria para entenderem que o amor mais do que sentimento é corajosa decisão
de entrega. O amor exige renúncia, determinação, diálogo e respeito mútuo.
IV
Estação
– Jesus encontra Maria sua mãe que chora nos filhos e pais que sofrem dolorosas
ruturas
Do
Evangelho de Mateus:
Herodes,
vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar
todos os meninos que havia em Belém de dois anos para baixo…. Então se cumpriu
o que foi dito pelo profeta Jeremias: Ouviu-se uma voz Ramá, lamentação, e
grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não quer ser consolada, porque
já não existem (Mt 2,16-18).
Oração:
Senhor
Jesus este encontro tão doloroso, mas tão consolador com a e tua mãe, diz-nos
que nas horas mais duras o amor de mãe vale, conforta, alivia e por vezes faz
voltar a casa. Bendizemos-te Senhor pelo dom da maternidade, o dom da tua mãe e
de todas as mães do mundo. Encoraja-as no amor e dedicação e conforta as nas
horas de tribulação.
V
Estação
– Simão de Cirene carrega a cruz Jesus em tantas famílias, integradas ou não na
pastoral familiar
Do Evangelho
de Mateus:
Passava
por ali um homem chamado Simão de Cirene. Voltava do campo. Então os soldados
obrigaram-no a levar a cruz de Jesus (Mt 27, 22).
Oração:
Senhor
Jesus, ao contemplarmos o Cireneu, que te ajuda a levar a cruz, pedimos-te por
todas as pessoas que voluntariamente oferecem às famílias parte do seu tempo e
sabedoria, sobretudo às mais pobres de bens materiais e espirituais, às
desestruturadas, abandonadas. Alimenta Senhor o seu espírito de fé, de entrega
e caridade cristã.
VI
Estação
– Verónica enxuga o rosto de Jesus que continua a ser limpo nos cuidados
dispensados, nas famílias, aos mais vulneráveis, crianças e idosos.
Do
Profeta Isaías:
O
meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida,
sem figura nem beleza. Vimo-lo sem aspeto atraente, desprezado e evitado pelos
homens, como homem das dores (Is 53, 2-3a).
Oração:
Ao
contemplar a coragem da Verónica que irrompe da multidão, e te limpa o rosto
ensanguentado, nós te agradecemos Senhor por todas as pessoas, particularmente
pelos pais, que com carinho e dedicação limpam o rosto de seus filhos e tantas
vezes de seus pais idosos. Pacientemente formam, educam, disciplinam e amam.
Confirma-os Senhor nesta nobre missão de cuidar a vida.
VII
Estação
– Jesus cai pela segunda vez, nos pais que vivem angustiados com os seus
filhos
Do
livro das Lamentações:
Eu
sou o homem que sentiu a miséria sob a vara da ira do Senhor. Ele me conduziu e
me fez andar nas trevas e sem luz. Bloqueou-me o caminho com pedras, fez-me
seguir por estrada errada (Lm 3,1-2.9).
Oração:
Ao
contemplarmos, Senhor Jesus, a tua segunda queda forçada pelo peso da cruz e a
força do inumano sofrimento, pedimos-te pelos pais exaustos e desesperados com
os seus filhos porque envolvidos nas teias da droga, do sexo e da vida
dissoluta. Fortalece-os e encoraja-os para que não desistam de amar.
VIII
Estação
– Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Do
Evangelho de Lucas:
Seguia-o
grande multidão de povo e mulheres batiam no peito e se lamentavam chorando por
ele. Mas Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: Filhas de Jerusalém, não
choreis por mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos (Lc 23,
27-28).
Oração:
Ao
contemplarmos, Senhor Jesus, as mulheres de Jerusalém que choram e o teu gesto
de amor consolador, pedimos-te por todos os idosos descartados, pelas mulheres
e seus filhos, vítimas de solidão e maus tratos. Conforta-os Senhor, e suscita
nas famílias o sentido da gratidão, da solidariedade e da caridade cristã.
IX
Estação
– Jesus cai pela terceira vez nos casais que vivem em contínuo litígio e em
vias de separação
Do
livro das Lamentações:
É
bom para o homem carregar o jugo desde a sua juventude. Que se recolha em
silêncio, quando o Senhor o puser à prova… Porque o Senhor não rejeita ninguém
para sempre. Após haver afligido tem compaixão, porque é grande a sua
misericórdia (Lm 3,27-28.32).
Oração:
Ao
contemplarmos, Senhor Jesus, a tua terceira queda provocada pela exaustão e a
dureza do sofrimento, pedimos-te pelos casais que vivem em contínuo litígio e
em vias de separação, deixando os filhos órfão de família, de amor e de
proteção. Senhor concede-lhe a graça de reencontrarem o encanto e a beleza do
primeiro amor.
X
Estação
– Jesus continua a ser despojado das suas vestes em crianças comercializadas e
violadas
Do
Evangelho de Marcos:
E
repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que
levaria cada um (Mc 15, 24).
Oração:
Ao
contemplar-te Senhor Jesus, despojado das tuas vestes, pedimos-te pelas
crianças vítimas de abusos de toda a espécie, envolvidas no tráfico humano,
privadas de proteção, afeto e aconchego familiar. Guarda-as e protege-as
Senhor. Que encontrem nas famílias e pessoas que as acolhem o carinho, o
respeito e o amor necessário para a uma vida com sentido e dignidade.
XI
Estação
– Jesus continua a ser crucificado nos doentes acamados no seio das
famílias.
Do
Evangelho de Lucas:
Quando
chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a ele e aos malfeitores, um
à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o
que fazem (Lc 23, 33-34a).
Oração:
Ao
contemplar-te Senhor Jesus, crucificado, pedimos-te por todas as famílias que
têm doentes acamados no seu seio. Para os que sofrem pedimos-te Senhor força e
luz, e para os que os tratam, dedicação, coragem e compaixão. Que na sua
experiência sintam que estão a cuidar de ti, participando na tua missão salvadora.
XII
Estação
– Jesus continua a morrer na cruz, em cada família atingida pelo luto
Do
Evangelho de João:
Jesus
disse: Tenho sede. – Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara
uma esponja embebida em vinagre e levaram-lha à boca. Quando Jesus tomou o
vinagre, exclamou: Tudo está consumado. – E, inclinando a cabeça, expirou (Jo
19, 28b-30).
Oração:
Um
minuto de silêncio em oração pessoal
XIII
Estação
– Jesus morto, descido da cruz e deposto nos braços da sua mãe
Do
Evangelho de Mateus:
Quando
o centurião e os que com ele vigiavam Jesus, viram o terremoto e tudo o que
havia acontecido, ficaram aterrorizados e exclamaram: Verdadeiramente, este era
o Filho de Deus! (Mt 27, 54).
Oração:
Ao
contemplar Maria a mãe dolorosa, com o Filho morto em seus braços, pedimos-te
por todas as mães que veem morrer os seus filhos para projetos e causas nobres,
morrer para a luta, morrer para o sentido da vida, morrer para os valores
humanos e cristãos. Olha complacente, Senhor, para todas as mães, fortalece-as,
dá-lhes a corajosa humildade de nunca perderem a esperança.
XIV
Estação
– Jesus continua a ser sepultado nas famílias que voltam as costas a Deus.
Do
Evangelho de Marcos:
José
de Arimateia comprou um lençol, desceu o corpo de Jesus e envolveu-o no lençol;
depois depositou-o num sepulcro escavado na rocha e rolou uma pedra para a
entrada do sepulcro (Mc 15, 46).
Oração:
Ao
contemplar-te Senhor Jesus, depositado no sepulcro, onde os homens pensavam, em
vão, ter calado a tua voz, pedimos-te por todas as famílias que inebriadas e
perdidas nas teias do prazer e do ter, na corrupção e no luxo, desprezam e
espezinham o pobre, perdendo o sentido do outro, de Deus e da eternidade.
Toca-lhes Senhor o coração, concede-lhe a graça de perceberem que tudo no
mundo, além de vós, é finito, ilusório e passageiro.
Estação
Conclusiva
– Jesus ressuscitado visita todas as famílias
Do
Evangelho de João:
Veio
Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco! Os discípulos
encheram-se de alegria por verem o Senhor. Ele voltou a dizer-lhes: A paz
esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós (Jo
20,10-21).
Oração:
Senhor
Jesus, percorrendo contigo o caminho da via-sacra de tantas famílias no hoje da
nossa história, conforta-nos a certeza, de que a vida suplanta a morte, e que
das trevas da paixão, brota a luz radiosa da tua ressurreição. Ressurreição,
que ininterruptamente se manifesta, pela força do teu Espírito, nos ínfimos e
grandes gestos no quotidiano de tantas famílias. Senhor Jesus Cristo, nós te
adoramos e bendizemos pela tua continuada morte e ressurreição nas famílias de
hoje e de todos os tempos.
(Inspirado
numa proposta da Pastoral da Família)





