segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Porquê na orla do Manto?


2ª feira – V semana comum

Colocavam os enfermos nas praças públicas e pediam que os deixasse tocar-lhe ao menos na orla do manto.

Porquê na orla do manto?

- Porque a orla é a parte inferior do manto e todos tinham de se abaixar para chegar lá.

- Sinal de humildade, de reverência e simplicidade.

- Porque ao pé de Jesus todos se sentiam pequeninos.

- Porque ninguém queria apoderar-se de Jesus só para si.

- Porque o pouco de Deus já é muito.

 

À margem 1

Às vezes é preciso que Jesus nos toque para ficarmos curados.

Outros vezes é preciso ir tocar nele, nem que seja na orla do seu manto, para ficarmos curados.

Na página do Evangelho de hoje, todos os que o tocavam ou eram tocados por ele ficavam curados.

Ah, quem me dera que ainda hoje assim fosse!

Santa Teresa de Ávila lembrava que nós até estamos hoje em situação privilegiada.

Quando Jesus andava neste mundo, só o tocar as suas vestes sarava os enfermos. Por isso levavam os doentes para a sua casa, para que eles o tocassem ou fossem tocados por ele.

Hoje é muito mais fácil para nós que esses milagres aconteçam.

Estando assim dentro de nós através da comunhão eucarística, ele nos dará o que lhe pedirmos estando Ele em nossa casa. De facto, ele não costuma pagar mal a pousada quando lhe dão boa hospedagem.

Não temos motivo para invejar a página do Evangelho de hoje. Porque tendo recebido Jesus em comunhão nós tocamos nele, não só na orla do seu manto, pois o nosso coração toca no seu coração e ele no nosso.

 

À margem 2

Deus conta com a nossa colaboração para se aproximar de outras pessoas ou para que elas se aproximem dele.

 

Ver também:

Tocar o manto e curar-se

Pôr ao alcance

Tocar e ser tocado

Todos queriam tocar

Tocar em Jesus

Na orla da capa

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

A velocidade da luz


Ano A – V domingo comum

 

Jesus diz-nos:

- Vós sois o sal da terra

- Vós sois a luz do mundo

A nossa missão como cristãos é:

- Dar sabor, dar sentido

- Iluminar, brilhar

 

1º - Deus conta connosco como sal.

O sal não perde o seu sabor, mantém-se fiel à sua missão, senão é jogado fora.

Não é usado por perder o seu sabor.

Perde o seu sabor porque não é usado, como se fosse deitado fora.

Estás a se pisado, maltratado? Quem sabe se não estás a cumprir a tua missão? Podes estar a ser como o sal sem sabor que só serve para ser calcado.

 

2º - Deus conta connosco como luz do mundo.

O que mais me impressiona na luz não é o seu brilho nem a sua claridade. Não é a sua capacidade de iluminar nem a capacidade de brilhar. Não é o facto de iluminar ou de ser iluminado que mais admiro numa luz.

O que mais me impressiona é a sua velocidade:

Considerando que a velocidade da luz é a velocidade máxima que um objeto pode atingir, então Deus ao nos chamar luz, está a dizer que somos feitos para a velocidade.

A velocidade da luz é de 300.000 Km por segundo. Por exemplo a luz do sol leva em média 8 minutos e 20 segundos para chegar à Terra. (Ou seja, a luz do sol percorre uma distância média de 150 milhões de quilómetros a uma velocidade aproximada de de300.000Km por segundo para chegar até à Terra).

A luz viaja mais rápido do que o som (o som viaja a 342 metros por segundo). Não são as palavras que salvam e ajudam o mundo, mas a nossa luz, a rapidez e a prontidão das nossas ações. O bem não faz barulho e o barulho não faz bem. A luz não faz barulho, não fala, brilha apenas e vai longe e depressa.

Deus não espera que sejamos como o som, mas como a luz que é muito mais veloz: Deus fez-nos luz para viajar mais depressa ao encontro de quem precisa.

 

Ver também:

A nossa missão é ser luz

As três verdades da luz

Sem sal não há salvação

Ajudar a ver e a saborear

O importante é ser saLuz

Onde houver trevas

Três vezes lusitanos

Propriedades do sal

A lâmpada não fala, brilha

A lâmpada é a caridade

Salbedoria

Nova tradução

Sal e luz

Tende sal em vós mesmos

O sal da sabedoria

Lâmpada no candelabro

Ser sal

Vós sois luz do mundo

Vós sois o sal da terra

Ser luz

Candeia no candelabro

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Caminhar chorando

Nas minhas caminhadas ao fim da tarde cruzo-me com pessoas felizes e outras infelizes, com gente alegre e outra triste, com homens sensíveis e outros indiferentes…

Tenho visto muitos sorrisos, mas também muitas lágrimas. À primeira vista pensava que eram lágrimas provocadas pelo vento no rosto ou então gotas de suor por causa do calor ou do esforço, ou pingos da chuva escorrendo pelo rosto… mas os óculos de sol não conseguiam disfarçar tudo.

São lágrimas verdadeiras.

Não sei se essas pessoas caminham chorando ou se choram caminhando.

As lágrimas purificam-nos e levam-nos mais longe.

Não se chega ao céu sem lágrimas.

De facto, a melhor maneira de chorar é a caminhar.

E se Deus é capaz de contar os cabelos da nossa cabeça, com certeza contará também as nossas lágrimas e os nossos passos.

Vem a propósito um texto de Raul Minh’alma:

“Se sentes que precisas, chora, mas chora andando.

Chora olhando em frente.

Chora de cabeça erguida.

Sei que as coisas podem estar difíceis, mas parar não vai melhorá-las, desanimar não vai resolvê-las e desistir não é opção.

Por isso, apanha os cacos e segue.

Embrulha a dor e continua a caminhar.

Chora pelo caminho.

Lá mais à frente, quando a tormenta já tiver ficado para trás, vais agradecer não ter parado e vais perceber, finalmente, que não estás sozinho, que nunca estiveste sozinho e que és mais forte do que pensas.”

Há determinados caminhos que só podem ser enxergados pelos olhos lavados pelas lágrimas ou ampliadas com as lentas das lágrimas.

Nas nossas caminhadas deixamos pegadas na poeira da estrada, deixamos gotas de suor e de canseiras, mas também deixamos rastos de lágrimas e de felicidade.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

De Samurai a Mártir Cristão


Santos Paulo Miki e companheiros, mártires

São Paulo Miki e 25 companheiros mártires do Japão, crucificados no ano 1597 em Nagasaki. Alguns eram estrangeiros e outros eram catequistas nativos.

 

São Paulo Miki detém muitos recordes:

- Foi o primeiro mártir cristão do Japão — japonês, não um missionário estrangeiro.

- Foi também o primeiro religioso da Terra do Sol Nascente, embora não tenha podido ser ordenado sacerdote devido à ausência de bispo.

- Paulo nasceu em 1556 em Hyago, a norte de Osaka, numa família de samurais convertida por São Francisco Xavier, que passou dois anos no país por volta de 1550, levando para lá pela primeira vez a Companhia de Jesus. Trinta anos depois, a comunidade cristã local já contava com 200.000 fiéis.

- Aos cinco anos de idade, Paulo foi batizado e enviado para estudar com os jesuítas, dos quais nunca se separará.

- Devido à sua língua e cultura, encontrou grande dificuldade em aprender latim, mas, em contrapartida, tornou-se um especialista na religião local, o que o tornou um excelente pregador, capaz de dialogar com as autoridades budistas.

- O clima naqueles anos era turbulento, e Paulo regressou a casa ainda mais cheio do amor de Jesus: visitou os quatro cantos do país, levando a Palavra e inspirando muitas conversões.

- Subitamente, porém, a situação altera-se: tanto devido ao comportamento dos marinheiros cristãos espanhóis que chegaram ao Japão como às divergências entre as ordens missionárias que aí se estabeleceram, de modo que em 1596 o regente imperial (Kampaku) Toyotomi Hideyoshi inicia uma violenta perseguição anticristã.

- Paulo é preso e na prisão encontra seis franciscanos, os dois futuros jesuítas que professariam os seus votos poucas horas antes de morrerem, e 17 leigos convertidos, entre os quais dois rapazes muito jovens.

- O martírio: como Jesus na cruz – Ao todo, 26 mártires morreram crucificados na cruz japonesa, mortos com lanças sem lhe serem pregados, na colina de Nishizaka, em Nagasaki, a 5 de fevereiro de 1597. A partir da cruz, Paulo perdoará os seus executores e proferirá um sermão final e apaixonado, convidando todos a seguirem Cristo para encontrarem a salvação. E, tal como Cristo, pouco antes de dar o seu último suspiro, invoca Deus Pai, em cujas mãos entregou o seu espírito.

- Foi proclamado santo três séculos depois pelo Papa Pio IX.

 

Conclusão:

Os mártires de Nagasaki ensinam-nos que:

1º - Fé e coragem são inseparáveis – Mesmo diante de torturas e da morte, permaneceram firmes no testemunho de Jesus Cristo.

2º - O perdão é um ato de amor – como São Paulo Miki, eles perdoaram os seus perseguidores, mostrando o poder transformador da fé cristã.

3º - A unidade supera diferenças culturais – O grupo era composto por pessoas de diversas origens e idades, unidas pela mesma fé.

4º - O sangue dos mártires nunca é derramado em vão, como escreveu Tertuliano – O sangue dos mártires é semente dos cristãos. Às vezes é preciso esperar séculos, mas o mal não terá a última palavra.

 

Ver também:

O milagre de são Paulo Miki

Paulo Miki e companheiros

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O Véu de Santa Águeda


Santa Águeda, Virgem e Mártir (+ 251)

O véu da santa e a santa do véu


Diz-se que Santa Águeda usava um véu no dia do seu martírio.

- Alguns dizem que o véu pertencia a uma senhora que cobriu Águeda no momento dos seus tormentos tapando o peito donde lhe cortaram os seios, em sinal de pudor e de compaixão.

- Outros dizem que fazia parte da vestimenta da santa que, usando o véu por cima de uma túnica branca, indicaria a sua consagração a Deus e a sua virgindade.

- Outros ainda sustentam que o véu era branco e ficou vermelho ao passar pelos carvões incendiados e pelo sangue derramado, ícone do seu martírio.

- Independentemente da sua origem, o véu ficaria mais famoso um ano depois do martírio de Águeda, quando esta relíquia foi utilizada para pedir a intercessão da Santa, no que ficou conhecido como o “milagre do vulcão”.

 

O Milagre do Vulcão

O vulcão Etna começou a entrar em estado de erupção e, como é compreensível, os habitantes da cidade ficaram assustados com a situação.

Pegaram então o véu que tinha sido de Santa Águeda e o levaram ao vulcão em oração, pedindo que, se aquele véu ajudou a aliviar de alguma maneira os sofrimentos de Águeda, que ela conseguisse também de Deus o alívio desse susto que estavam passando.

E os habitantes da cidade foram ouvidos, porque a lava cessou e o vulcão ficou dormente de novo. E conta-se que não foi apenas nessa ocasião que Santa Águeda, por meio dessa relíquia, conseguiu o alívio dos sofrimentos da população.

 

Que Santa Águeda lance sobre nós o seu véu

Para nos manter íntegros para Deus

E nos dê coragem e força para vencer as tentações e as adversidades.

 

Ver também:

Bons cristãos e cristãos bons

Santa Águeda

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Preferiu o mato ao palácio


São João de Brito, Presbítero e mártir

Porque a sua felicidade não estava neste mundo.

Eu amo mais o céu do que a terra, amo mais as florestas de Madurai do que os palácios de Portugal (São João de Brito)

 

Nascido na cidade de Lisboa em 1 de março do ano 1647, João era filho de Salvador de Brito Pereira e Brites de Portalegre, nobres membros da corte de Portugal. Seu pai, mais tarde, viria aa ser governador do Rio de Janeiro. Desde a infância, sendo de família cristã, alimentou o desejo de se tornar um missionário evangelizador em terras distantes, apesar da saúde frágil. Dedicou-se aos estudos e fez o máximo de sua parte, contando com a providência divina. Ao completar vinte e seis anos, João de Brito foi ordenado sacerdote e ingressou na Companhia de Jesus. Apesar da saúde frágil, viajou para a Índia, onde se sentia chamado a pregar a Palavra de Deus, tornando-se hindu como os hindus. Para se aproximar dos hindus, o Padre João de Brito passou a caminhar com um cajado de  bambu, vestir-se com um roupão avermelhado e calçar palmilhas de madeira. Procurava viver e tudo como um hindu, inclusive no comportamento e nos costumes alimentares. Porém sem jamais deixar de pregar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, São João de Brito conquistou muitos corações. Estes, abraçavam a fé em Cristo com firmeza e renovação de coração.

Porém, a fé cristã desmontava vários princípios hindus, principalmente a divisão da sociedade em castas, como destino irreversível de todos os seres humanos. O cristianismo prega exatamente o contrário, afirmando que todos são filhos de Deus, iguais, irmãos, filhos do mesmo Pai. Por isso, São João de Brito passou a sofrer severas perseguições. Foi preso e vítima de terríveis torturas, mas não desistiu. Numa carta de 20 de abril de 1692. “Não há perseguição que me possa roubar a alegria que sinto em pregar, mais uma vez, o Evangelho aos gentios. Nos últimos quatro meses tenho estado escondido numa floresta, vivendo debaixo de uma árvore com tigres e cobras.

São João de Brito foi preso e decapitado. Aconteceu no dia 04 de fevereiro de 1693. Antes de ser executado, São João de Brito obteve permissão para orar. No mesmo local seu corpo teve os membros decepados e foi exposto.

O Papa Pio XII celebrou sua canonização em 1947 e determinou sua festa litúrgica para o dia de sua morte.

 

Ver também:

Um indiano entre os indianos

A quem queremos obedecer

Vestir a camisola

A mãe do mártir

São João de Brito

João de Brito

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Simeão recebeu-o nos braços


Festa da Apresentação do Senhor

No Mistério celebrado hoje os Pais de Jesus foram até ao Templo apresentar, isto é, oferecer o seu filho primogénito.

O filho que receberam nas suas mãos pertencia ao Senhor. Por isso foram entregar-lho nas mãos de Deus.

Mas, afinal, o que é que nós vemos?

Não vemos Jesus nos braços de Deus Pai, mas nos braços do ancião Simeão.

De facto, Simeão foi ao Templo movido pelo Espírito e recebeu  Menino em seus braços, bendizendo a Deus…

Jesus veio ao mundo, não para ficar apenas nos braços de Maria sua Mãe… não apenas para ser devolvido aos braços de Deus Pai, mas para ser recebido por todos os que têm viva a esperança.

 

Onde podemos encontrar Jesus?

- Nos braços de quem tem esperança.

Que Jesus continue a passar de mão em mão, de braço a abraço, porque nós continuamos a precisar do seu abraço.

 

Ver também:

Uma luz que não tem ocaso

Jesus apresentado no templo

Formas de vida consagrada

Vestir-se de Cristo

Essa luz que é Jesus

Na semana dos consagrados

Ninguém se deu conta

Nos braços de Deus

Encontro e luz

Apresentação do Menino

Luz das nações

Nossa Senhora da Estrela

O menino e sua mãe

Pai nosso dos consagrados

Olhos da fé