Memória litúrgica de São João-Maria Vianney
(1786-1859) presbítero, Cura de Ars

O confessionário de Ars
onde atendia São João Maria Vianney
Fez do confessionário o seu púlpito.
O Pe. Vianney não possuía o dom da palavra como os grandes oradores sacros
franceses.
Em Ars não se ouviam pregações brilhantes, nem máximas elaboradas.
O Santo Cura trazia a imagem de Cristo na sua alma. A paz do paraíso
brilhava nos seus olhos. Uma palavra sua na homilia, uma pequena frase no
confessionário, modificava uma vida inteira e iluminava a escuridão das
consciências.
Passava mais de 17 horas no confessionário a atender penitentes que, vindos
de toda a França, queriam que o santo confessor ou ouvisse de confissão.
Afinal não era o confessor que apenas ouvia… os próprios penitentes ouviam
aí o sermão de que precisavam para a sua conversão.
O confessionário foi o seu púlpito.
Em todo o caso, o Cura de Ars não era assim tão simplório nas suas
homilias. Elas, simples na forma e no conteúdo, chegavam onde deviam chagar.
Segue-se uma cópia de um sermão do Santo Cura de Ars:
Porquê orar em todo o tempo?
Quais são, pois, as vantagens da oração, que devemos fazer com frequência?
Meus irmãos, ei-las. A oração torna a nossa cruz menos pesada, suaviza as
nossas dores, torna-nos menos apegados à vida, atrai sobre nós o olhar
misericordioso de Deus, fortalece a nossa alma contra o pecado, faz-nos desejar
a penitência e praticá-la com gosto, faz-nos sentir e compreender quanto o
pecado ofende a Deus. Melhor ainda, meus irmãos, pela oração agradamos a Deus,
enriquecemos a nossa alma e garantimos a vida eterna: será preciso mais para
nos levar a fazer que a nossa vida seja uma oração contínua, pela nossa união
com Deus?
Quando amamos alguém, precisamos de ver essa pessoa para pensar nela?
Certamente que não. Da mesma forma, se amamos a Deus, a oração ser-nos-á tão
familiar como a respiração. No entanto, meus irmãos, dir-vos-ei que, para orar
de forma a atrair todos esses bens, não basta dedicar à oração uns momentos
apressados, precipitados; Deus quer que lhe dediquemos um tempo adequado, que
tenhamos pelo menos tempo para Lhe pedir as graças de que necessitamos, para
Lhe agradecer os seus benefícios e para lamentar as nossas faltas passadas,
pedindo-Lhe perdão.
Mas, direis vós, como podemos orar sem cessar? Meus irmãos, nada mais
fácil: elevando o coração a Deus durante o nosso trabalho, ora fazendo um ato
de amor, para Lhe mostrar que o amamos, porque Ele é bom e digno de ser amado,
ora um ato de humildade, reconhecendo-nos indignos das graças com que Ele não
cessa de nos cumular; outras vezes, um ato de confiança, porque, embora sejamos
miseráveis, sabemos que Ele nos ama e quer fazer-nos felizes. Já vedes, meus
irmãos, como é fácil orar sem cessar.






