domingo, 17 de maio de 2026

Três lições da Ascensão


Ano A – Solenidade da Ascensão do Senhor

Lição de uma criança:

Aconteceu assim mesmo com vou contar.

No início da homilia recordei que neste dia Jesus subiu ao Céu.

Perguntei então onde é que estava Jesus?

As leituras diziam que Jesus estava no céu à direita do Pai.

Nós dizíamos que estava no meio de nós, aqui na terra.

Em que ficamos?

Está na terra ou está no céu?

Quem tem razão?

Uma menina mais crescida respondeu que Jesus está nos dois sítios… de facto, nós dizemos que Deus está em toda a parte. Está

Mas um menino de 6 anos, do 1º ano levantou a mão pedindo a palavra:

-  Diz lá a tua resposta.

E o miúdo, sem hesitar disse:

- Jesus está aqui no nosso coração.

- Bravo. Que resposta tão perfeita, disse eu todo feliz.

A catequista ficou tão emocionada que até chorou:

- Senhor Padre, eu não falei nada disto na catequese. Como é que eles sabem! Louvor e graças a Deus.

A melhor resposta que podemos dar é que Jesus está no nosso coração. Ele não perto de Deus Pai sem ficar longe de nós. E está perto de nós sem ficar longe de Deus Pai.

Jesus está no céu e transforma o lugar onde está em autêntico céu.

Jesus está no nosso coração porque é um cantinho do céu.

 

Lição de São Tomás de Aquino

A ascensão de Cristo ao céu, pela qual Ele retirou de nós a sua presença corporal, foi mais proveitosa para nós do que teria sido a sua presença corporal.

E há três razões para isso.

Em 1º lugar para aumentar a nossa fé, que se baseia em coisas que não se veem. Pois bem-aventurados os que não veem e creem. Fé é a concretização daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.

Em 2º lugar, para incutir esperança. Pela esperança, desejamos o céu e a vida eterna como nossa felicidade. Confiando nas promessas de Cristo e não confiando em nossa própria força, mas na ajuda da graça do Espírito Santo.

E em 3º lugar direcionar o fervor de nossa caridade para as coisas celestiais. É isso o que significa se eu não for, o Advogado não virá sobre vós, porque não podeis receber o Espírito enquanto continuardes a conhecer Cristo segundo a carne.

 

Lição Trinitária

Jesus subiu ao Ceu para a comunhão da Santíssima Trindade, para nos lembrar que nada é feito fora da Santíssima Trindade, nem no céu nem na terra.

Após a Ascensão, as três pessoas da Trindade estão presentes para nós, mas espiritualmente.

 A Ascensão, portanto, é uma dádiva gloriosa e apropriada à fé – àquela divindade que eleva nossos corações – e nos permite adorar em espírito e em verdade.

Onde está o Pai está o Filho e o Espírito Santo e assim sucessivamente… Está no céu, está na terra, está no meu coração…

A Encarnação é a projeção da Trindade na Terra.

A Ascensão é a confluência da Trindade no Céu.

 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Fátima não é devoção


Festa da Virgem Santa Maria do Rosário de Fátima

Fátima não é devoção,

é revolução Espiritual,

é conversão.

Ninguém regressa de Fátima como veio.

Regressa diferente, melhor.

Regressa com Maria no coração.

Regressa mais parecido com Jesus, o filho de Maria.

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Terço (77)


Maria no mistério de Cristo e da Igreja

 

Os dogmas, verdades de fé declaradas por um Concílio ou por um Papa, foram enunciados em momentos importantes para a história da Igreja e tocam em pontos sensíveis relativos à doutrina. São quatro os dogmas que historicamente a Igreja definiu sobre Maria.

Os dogmas ou verdades da nossa fé, mais do que para serem professados devem ser contemplados e rezados.

Rezemos o terço do Rosário meditando nesses mistérios marianos. 

 

1º Mistério – A Maternidade divina de Maria

Cristo é uma pessoa divina e Maria é a sua mãe.

Esta verdade e dogma foi declarado no Concílio de Éfeso, em 431.

Na época a Igreja vivia uma profunda polémica interna causada pelos nestorianos, corrente muito popular entre as comunidades cristãs do Oriente. Segundo eles, Jesus tinha duas naturezas, uma humana e outra divina, mas pouco ligadas. Maria seria mãe apenas de Cristo. Para combater esse pensamento, a Igreja outorgou-lhe o título de Theotokos, expressão grega que significa 'Mãe de Deus'.

Maria é a mãe de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

 

2º Mistério – A Virgindade perpétua de Maria

Maria foi virgem antes, durante e depois do parto.

Esta verdade ou dogma declarado no segundo Concílio de Constantinopla, em 553.

A virgindade de Maria é uma ideia tradicional, que remonta às origens do cristianismo, mas gerou bastante polémica ao longo da história da Igreja. Foi questionada pelos pagãos, que não compreendiam como uma virgem poderia dar à luz e continuar virgem. Já as tendências gnósticas dentro do cristianismo achavam que Jesus era filho de José.

A virgindade perpétua de Maria é a lembrança do sonho de Deus para cada um de nós.

 

3º Mistério – A Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

Maria foi durante a sua vida isenta de pecado.

Esta verdade ou dogma foi proclamado pelo Papa Pio IX a 8 de dezembro de 1854.

Teve como pano de fundo a luta que na época a Igreja travava contra o racionalismo. A corrente negava a possibilidade de forças sobrenaturais agirem no mundo. Todo o resto da humanidade, desde os nossos primeiros pais, nasceu com pecado original, daí a necessidade da Salvação. Este dogma realça justamente a intervenção direta de Deus no mundo, ao preservar Maria do pecado original.

O mistério da Imaculada é um convite à nossa integridade de vida.

 

4º Mistério – A Assunção da Virgem Santa Maria

Após a morte, Maria subiu ao Céu em corpo e alma. Depois de Cristo, foi a única criatura que teve esta distinção.

Esta verdade ou dogma foi declarado por Pio XII no pós-guerra, em 1950.

Após a maciça mortandade da Segunda Guerra Mundial, este dogma fala da santidade da vida e da dignidade dos corpos humanos, ao lembrar que eles também estão destinados à Ressurreição.

A Assunção de Maria é certeza da nossa esperança.

 

5º Mistério – Maria no mistério de Cristo e da Igreja

Esta síntese da doutrina da fé foi apresentada no Concílio Vaticano II em 1964.

Antes disso, em 1921 o Cardeal Mercier, Arcebispo de Malinas, com a colaboração científica da Universidade Católica de Lovaina e o apoio dos bispos, do clero e do povo belga, pediu ao Papa Bento XV a definição dogmática da mediação universal de Maria, porém o Papa não consentiu.

Mais tarde os Bispos italianos queriam que o Concílio Vaticano II proclamasse o dogma da Mediação Universal da Bem-Aventurada Virgem Maria.

O Concílio não entrou em declarações dogmáticas, mas preferiu apresentar uma síntese da doutrina católica acerca do lugar que Maria Santíssima ocupa no mistério de Cristo e da Igreja.

 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Terço (76)


O terço da Lumen Gentium

A Lumen Gentium e o terço

 

A Constituição Dogmática, Lumen Gentium, sobre a Igreja, do Concílio Vaticano II, foi promulgada a 21 de novembro de 1964, pelo Papa São Paulo VI. O seu último capítulo conciliar é sobre a Bem-aventurada Virgem Maira, mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja. Em comunhão com toda a Igreja rezemos o terço do Rosário meditando nos mistérios gozosos com alguns textos da Lumen Gentium, porque a Igreja tem um carácter mariano e Maria tem sempre uma dimensão eclesial.

 

1º Mistério – A anunciação do Anjo a Nossa Senhora

A Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no seu coração e no seu corpo, e deu a vida ao mundo, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. (Lumen Gentium, nº 53).

Ela é a primeira entre os humildes e pobres do Senhor que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus. Com ela, enfim, excelsa Filha de Sião, passada a longa espera da promessa, se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação, quando o Filho de Deus dela recebeu a natureza humana. (Lumen Gentium, nº 55)

 

2º Mistério – A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel

A união da Mãe com o filho na obra da redenção, manifesta-se desde o momento em que Jesus é concebido virginalmente até à sua morte. Primeiramente, quando Maria se dirigiu pressurosa a visitar Isabel, e esta a proclamou bem-aventurada por causa da sua fé na salvação prometida, saltando o precursor da alegria no seio de sua mãe. (Lumen Gentium, nº 57).

A função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece. (Lumen Gentium, nº 60)

 

3º Mistério – O nascimento de Jesus em Belém

Quando a Mãe de Deus, também cheia de alegria, mostrou aos pastores e aos magos o seu Filho primogénito, não diminuiu, antes, consagrou a sua integridade virginal. (Lumen Gentium, nº 57).

A Virgem Santíssima, predestinada para ser Mãe de Deus desde toda a eternidade, por disposição da divina Providência foi na terra a nobre Mãe do divino Redentor, e a escrava humilde do Senhor. Cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça. (Lumen Gentium, nº 61)

 

4º Mistério – A apresentação do Menino Jesus no Templo

Quando, ao apresentar o seu Filho Jesus no templo ao Senhor, Maria ofereceu o óbolo próprio dos pobres e ouviu Simeão profetizar, simultaneamente, que esse Filho havia de ser sinal de contradição e que uma espada atravessaria a alma da Mãe, para que se revelassem os pensamentos de muitos corações. (Lumen Gentium, nº 57).

A Igreja que contempla a santidade misteriosa da Virgem Maria e imita a sua caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai, toma-se também, ela própria, mãe, pela fiel receção da palavra de Deus. Também ela é virgem, pois guarda fidelidade total e pura ao seu Esposo e conserva virginalmente, à imitação da Mãe do seu Senhor e por virtude do Espírito Santo, uma fé íntegra, uma sólida esperança e uma verdadeira caridade. (Lumen Gentium, nº 64).

 

5º Mistério – O encontro do Menino Jesus no Templo entre os Doutores

O Menino Jesus, perdido e procurado com angústia por Maria e José, foi encontrado no Templo, ocupado com as coisas do seu Pai; não entenderam a resposta que o Filho lhes deu, porém, a Mãe guardava em seu coração e meditava todas estas coisas. (Lumen Gentium, nº 57).

A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor. (Lumen Gentium, nº 68).

 

domingo, 10 de maio de 2026

Obedecemos porque amamos


Ano A – VI domingo de Páscoa

Se me amardes, guardareis os meus mandamentos, diz o Senhor.

 

Nós não amamos porque obedecemos. Obedecemos porque amamos.

Nós não somos bons cristãos porque rezamos, nós rezamos porque somos bons cristãos.

Não somos bons católicos porque cumprimos os mandamentos, cumprimos os mandamentos porque somos bons católicos.

O P. Dehon ensinava que a obediência torna-nos parecidos a Nosso Senhor. A obediência a Deus é a vida de Deus em nós. A obediência oferece a Deus aquilo que o homem tem de mais precioso e apreciado: a sua vontade.

Cumprir a vontade divina em espírito de fé e de obediência, é bom. Mas cumpri-la pela caridade, por amor, é um meio bem mais poderoso, mais agradável a Deus. Não é por constrangimento que se deve obedecer, mas por amor.

 

Ver também:

Deus nunca nos abandona

Amor criativo

 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Santa Maria Medianeira


Memória de Santa Maria, Medianeira de todas as graças

Próprio da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

Com esta memória seguimos a devoção do Pe. Dehon a Nossa Senhora tal como a expressa no seu Diretório Espiritual: Com a sua vida de vítima. Com os seus sacrifícios e as suas dores, Maria tornou-se reparadora e medianeira entre Deus e os homens (DSP 47).

Esclarecimento sobre a Medianeira

O conceito de mediação é utilizado na Patrística oriental a partir do século VI. Nos séculos seguintes, Santo André de Creta, São Germano de Constantinopla e São João Damasceno utilizam este título com diferentes significados. No Ocidente, tornou-se mais frequente o seu uso a partir do século XII, ainda que apenas no século XVII será enunciado como tese doutrinal. Em 1921 o Cardeal Mercier, Arcebispo de Malinas, com a colaboração científica da Universidade Católica de Lovaina e o apoio dos bispos, do clero e do povo belga, pediu ao Papa Bento XV a definição dogmática da mediação universal de Maria, porém o Papa não consentiu.

Bento XV, respondendo ao pedido do Cardeal Désire-Joseph Mercier, concedeu a toda a Bélgica o Ofício e a Missa de Santa Maria Virgem “Medianeira de todas as graças”, para serem celebrados no dia 31 de maio. A Sé Apostólica concedeu posteriormente a muitas outras Dioceses e Congregações religiosas, mediante prévia solicitação, o mesmo Ofício e Missa.

Desde então, até o ano de 1950 desenvolveu-se uma investigação teológica sobre a questão, que chegaria à fase preparatória do Concílio Vaticano II. O Concílio não entrou em declarações dogmáticas, mas preferiu apresentar uma extensa síntese «da doutrina católica acerca do lugar que Maria Santíssima ocupa no mistério de Cristo e da Igreja».

O Cardeal Ratzinger expressou (em 1996) que o título de Maria medianeira de todas as graças não era claramente fundado na Revelação, e em sintonia com essa convicção podemos reconhecer as dificuldades que este título implica tanto na reflexão teológica como na espiritualidade.

(Cf. Dicastério para a Doutrina da fé, Mater Populi fidelis, 7 de outubro de 2025)

 

Ato de Oblação Dehoniano para este dia:

Irmãos, unamos a nossa oblação à do próprio Coração de Jesus e apresentemo-la pelas mãos puríssimas do Coração Imaculado de Maria.

 

Senhor Jesus,

pelas mãos de Maria, tua e minha Mãe,

Ofereço-te a minha inteligência

para os teus pensamentos;

ofereço-te a minha vontade

para os teus desejos:

ofereço-te os meus sentidos

para as tuas obras;

ofereço-te o meu coração

para o teu amor.

Faz que, vivendo de ti, trabalhando por ti,

eu me transforme em ti.

Mãe de Jesus, faz de mim outro Jesus.

Ámen.

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Caminhar sobre o assunto

1 - Quem não se lembra da estratégia do tempo de criança para evitar precipitações e comportamentos desadequados? Tínhamos de contar até dez antes de reagir ou de responder a uma provocação. Assim ganhávamos tempo para amadurecer uma decisão ou uma opção. Durante o resto da vida vamos adaptando este método de amadurecimento ou discernimento, evitando qualquer decisão não ponderada.

2 - Depois, no tempo da adolescência, já não era necessário contar até dez, pois lembrava a criancice, mas sim pensar durante alguns momentos. De facto, pensar conta muito.

3 - No tempo da juventude passámos a pedir ajuda aos amigos. Pedíamos conselhos uns aos outros. Era uma maneira de pensar em conjunto. É o melhor tempo da amizade e da solidariedade. E decidimos melhor não sozinhos, mas em família, porque duas cabeças pensam melhor e quatros olhos veem mais longe.

4 - Na vida adulta tudo isto se converte na expressão – dormir sobre o assunto. Também São José dormiu sobre o assunto para discernir a vontade de Deus. Há também quem diga – consultar o seu travesseiro ou deixar as coisas assentar durante a noite. É preciso concentrar-se ou recolher-se para passar das trevas para a claridade.

5 - As pessoas mais crentes, para não dizer as mais santas, preferem dizer consultar a Deus ou rezar sobre determinado assunto. De facto. os santos nada fazem sem consultar a Deus. Eles não só falam de Deus a todos, como falam de todos a Deus.

6 - Finalmente, na idade em que estou, prefiro usar a expressão – caminhar sobre o assunto – quando preciso de ponderar alguma coisa, discernir um desafio ou decidir algo importante.

Durante uma caminhada concentram-se a maior parte das ações indicadas anteriormente – contar, pensar, rezar, consultar a Deus, dar tempo ao amadurecimento das questões, porque é tão importante pensar antes de decidir ou agir.

Era assim que Jesus costumava fazer quando queria instruir os seus discípulos. Pelo caminho elucidava-os. Fazia do caminho um discernimento para que todos pudessem fazer do discernimento um caminho.

Foi o que me aconteceu hoje ao fim da tarde – caminhei sobre este assunto.