Ontem, na minha caminhada ao fim da tarde
encontrei um prego no chão. Nada de especial, algo banal num local normal.
Fiquei parado a olhar para o prego e lembrei que era sexta-feira e ainda por
cima da Quaresma. E algo providencial surgiu no meu pensamento. Não seria este
o prego perdido da lenda do poeta cigano Spatzo (Vittorio Mayer Pasquale)?
OS QUATRO PREGOS
Quatro pregos eram forjados
para fazer morrer o Redentor.
Viu-os uma filha do vento
que atravessava a colina
no seu caminhar pelas estradas do mundo.
Um apenas subtraiu,
que o soldado não percebeu.
E Ele assim foi crucificado,
com três pregos somente.
O quarto prego comungou a dor
dos Sintos ao Redentor.
Diz a lenda que o roubo deste prego não foi
crime, mas alívio do sofrimento do Crucificado. Não foi pecado, mas bênção para
quem o roubou.
Vemos Jesus cravado na cruz com três pregos
desenhando um triângulo de ponta para baixo, sugerindo assim a Santíssima
Trindade – Um prego em cada uma das mãos e o terceiro nos dois pés juntos.
E fiquei a olhar para o prego no chão como se
fosse aquele que tinha sido subtraído para poupar mais uma dor ao Redentor ou
para confirmar o mistério da Trindade.
Senti vontade de me baixar e apanhar essa
relíquia para a minha devoção, mas optei por deixá-lo lá para que outros
pudessem por sua vez animar o seu espírito ou a sua imaginação.
Com um simples prego podemos apresentar a
vida e obra de Jesus. Ele pregou de várias maneiras:
- Como profeta, como carpinteiro e como homem
de oração.
Pregar é anunciar uma mensagem ou
evangelizar. É também fixar ou segurar com prego. Tanto num como noutro sentido
ajusta-se à ação de Jesus:
- É profeta que prega e anuncia a palavra de
Deus e é também carpinteiro que prega a madeira.
Prega-nos a sua palavra e prega-nos à sua
palavra.
Prega-nos à sua cruz e a prega-nos a cruz.
Para além disso, no latim, a palavra PREGARE
significa rezar ou orar.
Assim Jesus não só sabe pregar como
carpinteiro, pregar como profeta, mas também pregar como orante.
Tudo isto a propósito de um simples prego
encontrado no chão, durante a caminhada de um humilde discípulo do mesmo Jesus.










