Solenidade de todos os santos
Santa
Teresinha do Menino Jesus (de Lisieux) descobriu uma das mais belas verdades do
Evangelho ao contemplar as flores de um jardim: Deus não nos ama porque somos
grandes, nem nos pede que sejamos todos iguais. Cada pessoa é única aos seus
olhos, e cada uma é chamada a responder ao seu amor a partir da sua própria
realidade.
A
santidade não consiste em destacar-se, em realizar coisas extraordinárias ou em
alcançar as alturas espirituais dos grandes mestres, mas sim em deixar que Deus
atue em nós e em tornarmo-nos aquilo para o que ele nos criou.
“Se
todas as flores quisessem ser rosas, a natureza perderia o seu encanto
primaveril”, escreve a santa. Que imagem tão simples e, ao mesmo tempo, tão
profunda!
No
jardim de Jesus, há rosas e lírios, mas também violetas e margaridas. Umas
chamam a atenção pela sua beleza; outras mal se distinguem entre a erva.
Contudo, todas têm o seu lugar e contribuem para a harmonia do conjunto.
O
mesmo acontece na Igreja: ao lado dos santos que iluminaram a história com as
suas obras, a sua sabedoria ou a sua entrega heróica, existem inúmeros homens e
mulheres que vivem a sua fé discretamente, sem reconhecimentos nem aplausos,
mas com uma fidelidade que sustenta o mundo. A razão última desta esperança
encontra-se no próprio coração de Deus. Assim como o sol ilumina tanto as
grandes árvores como as flores mais pequenas, o Senhor entrega-se inteiramente
a cada pessoa. Ninguém é insignificante para ele. O seu amor não se distribui
como um bem escasso, de tal modo que, quanto mais uns recebem, menos resta para
os outros. Pelo contrário, a sua grandeza manifesta-se precisamente na sua
capacidade de se humilhar, de se aproximar dos mais pequenos e de ir ao
encontro daqueles que mal sabem como o procurar.
Por
esta razão, a santidade não é uma competição, mas antes uma resposta de amor.
Não se trata de ser mais do que os outros, mas de aprender a amar como Jesus,
cada um a partir do seu lugar, com os dons recebidos e através das
circunstâncias concretas da sua existência.









