segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jesus endireitou...


2ª feira – XXX semana comum

Apareceu na sinagoga uma mulher com um espírito impuro que a tornava enferma havia dezoito anos; andava curvada e não podia de modo nenhum endireitar-se. Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe:

- Mulher, estás livre da tua enfermidade.

E impôs-lhe as mãos.

Ela endireitou-se logo e começou a dar glória a Deus.

 

O mal desta mulher parece ser mais transversal, pois não tinha apenas um problema de costas ou da coluna vertebral.

Parece que toda a sua vida estava torta e ela não conseguia endireitar, não conseguia ‘libertar-se desse jogo’.

Às vezes acontece connosco a mesma situação. Parece que tudo corre mal, tudo continua torto, de mal a pior.

Que fazer?

Nem é preciso pedir nada, mas apenas estar presente, no meio da comunidade, no dia do Senhor, para que Deus nos veja. É ele sempre quem nos vê primeiro, quem toma a iniciativa e quem pode endireitar a nossa vida.

 

À margem 1

Conheço uma canção infantil que fala de um homem torto que Jesus endireitou:

 

Havia um homenzinho torto

Morava numa casa torta

Andava num caminho torto

Sua vida era torta

 

Um dia o homenzinho torto

A bíblia encontrou

E tudo que era torto

Jesus endireitou

 

Para ouvir clicar aqui

 

À margem 2

Há uma canção portuguesa do grupo Xutos & Pontapés, de 1987 intitulada Circo de Feras que começa assim:

 

A vida vai torta

Jamais se endireita

O azar persegue

Esconde-se à espreita

 

Nunca dei um passo

Que fosse correto

Eu nunca fiz nada

Que batesse certo

 

REFRÃO:

E enquanto esperava

No fundo da rua

Pensava em ti

E em que sorte era a tua

Quero-te tanto

Quero-te tanto

 

De modo que a vida

É um circo de feras

E os entretantos

São as minhas esperas

 

Nunca dei um passo

Que fosse correto

Eu nunca fiz nada

Que batesse certo

 

Para ouvir clicar aqui

 


domingo, 25 de outubro de 2026

A dupla chave da felicidade


Ano A – XXX domingo comum

Qual é o primeiro ou maior mandamento?

Na maçaneta interior da porta do meu quarto, está uma fita vermelha pendurada, na qual estão escritas duas frases. Num lado, diz: Ama a Deus sobre todas as coisas. E, no outro, diz: Ama o teu próximo como a ti mesmo. Já está um pouco gasta, mas tem-me acompanhado pelos locais onde tenho vivido nos últimos anos. Assim tenho oportunidade de me lembrar, ao sair ou ao entrar em casa, deste duplo mandamento. É dentro e é fora de casa que devo praticar isto.

 

É a sugestão do livro do Deuteronómio 6, 8-9, que dizia: Estes mandamentos que hoje te imponho estarão no teu coração. Repeti-los-á aos teus filhos e refletirás sobre eles, tanto sentado em tua casa, coo ao caminhar, ao deitar ou ao levantar. Atá-los-ás, como símbolo, no teu braço e usá-los-ás como filactérias entre os teus olhos. Escrevê-los-ás sobre as umbreiras da tua casa e nas tuas portas.

 

Uma vez, na missa com as crianças da catequese da igreja onde era pároco, propus aos catequistas que preparassem e distribuíssem pelos presentes uma fita para pulso com a inscrição do duplo mandamento – amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a nós mesmos.

As crianças saíram felizes da missa com as suas pulseiras. Ao chegarem a casa deviam colocá-las na chave da porta da casa.

Estou certo de que partilharam com as suas famílias o que tinha descoberto na Eucaristia desse dia.

Este duplo mandamento foi-nos dado para ser a chave que dá acesso à felicidade da nossa casa, da nossa comunidade e do Reino dos Céus.

Usemos então essa dupla chave - o mandamento do amor a Deus e aos irmãos.

 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Meteorologia espiritual


6ª feira – XXIX semana comum

A metáfora ou a parábola de hoje é comparar a nossa vida espiritual às condições do tempo atmosférico.

Assim como a meteorologia tradicional analisa frentes frias, tempestades, ventos e períodos de sol, a abordagem espiritual propõe a observação do clima interior:

1 - As tempestades e a instabilidade representam os momentos de raiva, ansiedade, conflitos internos, excesso de ruído mental ou cargas emocionais densas.

2 - O vento espiritual ou sopro associado a ideias novas, inspiração, renovação de ânimo ou clareza de pensamento é descrito como tradições filosóficas e espiritualistas. É o Espírito como sopro que transforma as pessoas e gera uma vida nova.

- O calor ou frio repentino são interpretados por como sinais de conexão emocional, lembranças de entes queridos ou sensibilidade ou ambientes. Lembra a oscilação da nossa vida. O ideal é o equilíbrio e o bem-estar interior ou a paz.

- O céu limpo sem nuvens – simboliza a lucidez, a pureza de coração, pois só os puros de coração verão a Deus.

 

Conclusão – É preciso estar atento aos sinais do tempo, pois a nossa vida é tempo dos sinais. É preciso aceitar as oportunidades e as ocasiões que Deus nos dá.

 

À margem:

Jesus parece censurar aqueles que sabem olhar para o céu e ver os seus sinais meteorológicos, mas não conseguem olhar para o Céu para seguir os planos ou desígnios divinos.

É preciso olhar mais além, mais alto, alargar os horizontes.

Nós fomos feitos para olhar para cima, para o céu.

Há dias alguém me perguntou por que razão o porco era desprezado na cultura bíblica.

De facto, esse animal não é valorizado e a sua carne é proibida. Parece que só serve para adubar os campos.

Tentei explicar que nas terras quentes a carne dos suínos deteriora-se rapidamente e é perigosa para a saúde. Como provocava intoxicações, concluíam que Deus não queria que fosse usada e por isso foi proibida.

Assim pensava eu. Mas o meu interlocutor acrescentou outro motivo:

- Porque o porco é o único animal da nossa cultura que não consegue olhar para o céu.

De facto, os suínos andam de cabeça baixa sem nunca fitar o alto dos céus.

O porco dá-nos uma grande lição: lembra-nos que nós conseguimos olhar para o alto, alargar os nossos horizontes e ver os sinais do céu.

E eu concluo – o porco anda de cabeça baixa porque tem vergonha de não poder olhar para o céu.

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O santo mais próximo


Memória litúrgica de São João Paulo II, Papa


Nasceu na Polónia a 18/05/1920

Sacerdote a 01/11/1946

Bispo a 28/09/1958

Cardeal 26/06/1967

Eleito Papa a 16/110/1978

Inicio do Pontificado a 22/10/1978

Morreu a 02/04/2005

Canonizado a 27/04/2014

Perguntei se alguém já tinha estado na presença de um santo, ou seja, se já tinha visto pessoalmente alguém que tenha sido canonizado depois.

A maior parte das pessoas respondeu que sim.

- Quem?

- São João Paulo II.

De facto, é difícil encontrar, nas últimas décadas, alguém canonizado tão próximo, tão presente, tão conhecido, tão visto e tão global.

O Papa João Paulo II é a figura de santo que esteve mais acessível ao nosso olhar, a pessoa que esteve mais ao alcance da nossa mão, aquele que mais nos envolveu com a sua presença.

Tive a feliz oportunidade de cumprimentá-lo pessoalmente em 1982 quando veio a Lisboa, era eu ainda estudante de teologia. Depois concelebrei com ele no Funchal em 1992.

Falar de São João Paulo II é falar de um santo próximo, ao nosso alcance, acessível ao nosso olhar, quase do nosso quotidiano.

Ele é, de facto, o santo mais próximo.

Já que fomos tão próximos dele, que ele continue tão próximo de nós através da sua santidade e intercessão.

- São João Paulo II

- Rogai por nós.

 

Coração, fornalha ardente


5ª feira – XXIX semana comum


Eu vim trazer o fogo à terra...

O Coração de Jesus é fornalha ardente,

é fogo de coração

ou coração de fogo.

 

Cristo, dizia Chesterton, “não é apenas um sol de verão para os prósperos, mas um fogo de inverno para os desafortunados”.

Não ter o calor de Cristo é ser mais do que desafortunado. O frio que se segue congela tanto o corpo quanto a alma.

É por isso que Jesus disse que tinha vindo trazer o fogo à terra.

São Serafim disse: “Deus é um fogo que aquece o coração… Portanto, se sentirmos nos nossos corações o frio que vem do Diabo – pois o Diabo é frio – invoquemos o Senhor. Ele virá aquecer os nossos corações com amor perfeito e o frio daquele que odeia o bem fugirá diante do calor de sua face.”

O coração do Inferno, o seu próprio epicentro, segundo Dante, era de gelo.

O diabo é frio, disse São Serafim. O pecado e o ódio congelam o coração; somente o calor do Coração de Cristo, encontrado na oração e nos sacramentos, pode alterar essa frieza.

 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Evitar o mal, fazer o bem


3ª feira – XXIX semana comum

Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas, diz o Senhor Jesus.

Isto é mais que um convite à prontidão e à vigilância.

Não basta estar prontos e vigilantes.

É preciso estar ativos.

 

Pontos a observar:

- Primeiro: os rins devem ser cingidos como quem está a ser bem amarrado com uma corda para ser domesticado ou levado contra a sua vontade, ou então como um cavalo com freio; esses rins são os prazeres deste mundo, os prazeres dos sentidos, que devemos atar, reprimir e dominar.

- Segundo: deveis ter na mão as lâmpadas acesas, quer dizer, obras de amor que brilham e fascinam; as vossas mãos nunca devem parar de fazer o trabalho da caridade verdadeira e ardente. É a caridade que mantém acesa a nossa fé.

 

Cingir os rins é evitar o mal.

Ter as lâmpadas acesas é fazer o bem.

 

domingo, 18 de outubro de 2026

100º Dia Mundial das Missões


Foi há 100 anos que o papa Pio XI instituiu uma jornada missionária:

- de apoio espiritual (rezar pelos missionários, cá dentro ou lá fora)

- de apoio moral (valorizar a vocação missionária)

- de apoio material (apoiar e contribuir para manutenção das missões em todo o mundo).

 

Este ano o Papa Leão XIV apresentou como lema da sua mensagem:

Um em Cristo, unidos na missão

 

Unidos em Cristo, discípulos/missionários unidos nele e com os irmãos

A primeira tarefa do missionário é renovar e manter unidade; quanto mais unidos mais missionários

Unidos na missão, para que o mundo creia (estar unidos é guardar, alimentar a comunhão e colaboração.

É uma missão do amor. É anunciar, viver e partilhar o amor fiel a Deus.

Cristo é o primeiro e único missionário. Cada cristão é missionário nele e por ele.

 

Conclusão:

Ser cristão é ser missionário.

Quanto mais missionário mais cristão.

Quem não é missionário não é cristão.

 

Devolver a César ou a Deus


Ano A – XXIX domingo comum

1ª reflexão

Estudei grego e aramaico, mas não sei o suficiente para mostrar, como dizem os entendidos, que o texto original deste versículo deveria ser: devolvei a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Portanto, o verbo original não é dar ou entregar, mas devolver. E isto marca uma grande diferença.

Dar ou entregar podia ser um gesto normal de partilha livre, mas sem outras obrigações. Devolver é reconhecer o seu dono, é um direito de propriedade.

Devolve a César o que lhe pertence e devolve a Deus tudo o que lhe pertence por direito.

Isto faz-me lembrar o Programa Volta – o sistema de depósito e de recuperação de embalagens de bebidas. Não é um novo imposto, é sim um incentivo à reciclagem.

Isto é um verdadeiro Programa Volta Espiritual, é devolver a César o que é de César e devolver a Deus o que é de Deus, porque todos somos de Deus e para Deus voltaremos.

 

2ª reflexão

Expliquei às crianças da catequese que Jesus tinha mostrado porque é que devemos entregar o denário a César. Esperava que me dissessem porque tinha a imagem e a figura de César.

Mas uma miúda levantou a mão para dizer:

- Devemos entregar o denário a César porque foi ele quem o mandou fazer.

Eu nunca tinha pensado nisso, mas era verdade.

Assim sendo devemos entregar o seu ao seu dono, ou seja, entregar a quem mandou fazer.

Então vamos entregar a Deus o que ele mandou fazer, o que ele criou:

- O nosso coração, a nossa vida foi mandada fazer por Deus, a ele pertence, tanto mais que tem a sua imagem e semelhança.

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Apóstola do Coração de Jesus


Memória de Santa Margarida Maria Alacoque

Virgem, Primeira Apóstola do Coração de Jesus.


Monja da Ordem da Visitação da Virgem Maria progrediu de modo admirável no caminho da perfeição com graças místicas e ardentemente devota do Sagrado Coração de Jesus, contribuindo muito para propagar o seu culto na Igreja. Morreu em Paray-le-Monial, França, em 1690.

Fez um retiro espiritual enquanto vigiava a burra do convento?

Ou enquanto vigiava a burra do convento fez um retiro espiritual?

 

Foi assim que Santa Margarida Maria Alacoque viveu parte da preparação para a sua profissão religiosa, que fez a 6 de novembro de 1672.

Durante o retiro de dez dias, continuou a cuidar da burra do mosteiro e da sua cria, para impedir que danificassem a horta.

Na sua autobiografia, conta que os animais não paravam de correr e lhe davam bastante trabalho.

Conta também que essa ocupação a deixava contente e que, entre todas aquelas idas e vindas, permanecia na presença do Senhor.

Foi precisamente ali que recebeu graças profundas, sobretudo uma maior compreensão da Paixão de Cristo.

Este pequeno episódio ajuda-nos a olhar para as tarefas quotidianas como lugares de encontro com Deus.

Cuidar, trabalhar e cumprir uma responsabilidade com amor também podem fazer parte da nossa vida de oração.

Procuremos hoje oferecer a Deus uma das tarefas que habitualmente fazemos sem sentido espiritual e a nossa vida será abençoada.

 

De facto, a união ao Coração de Jesus passa por pequenas coisas, começa e termina sempre  em pequenos grandes gestos.