terça-feira, 17 de março de 2026

Formigas por companheiras

Não sei se foi por causa da mudança do tempo ou do calor, mas hoje, na minha caminhada ao fim da tarde, encontrei formigas por toda a parte. Pequenas, grandes, em carreiro, isoladas, voadoras ou sem asas, pretas, castanhas, vermelhas, poucas com carga e a maior parte apenas a fazer carreiro. Para não as pisar fiz figura de parvo como dançarino com os pés no ar. Foi um regresso à minha infância, pois cresci brincando no chão entre formigas.

Revivi tantas lições que as formigas nos dão como persistência, cooperação, planificação, resiliência, trabalho de equipa, eficiência e organização.

De facto, as formigas estão por todo o lado e são mestras de sabedoria.

Até encontramos formigas na Bíblia. No Livro dos Provérbios 6, 6-11 podemos ler: “Vai, ó preguiçoso, ter com a formiga, observa o seu proceder e torna-te sábio. Ela não tem guia, nem capataz, nem mestre; no verão, faz as suas provisões; até quando dormirás tu, ó preguiçoso?”

Quantas história sabemos acerca delas, mas também quantas preocupações nos dão quando invadem um ambiente!

Nessa tarde a minha caminhada foi feita na companhia das formigas, tanto no chão como no meu pensamento.

A mais recente história com formigas aprendi de um rapazinho dos nossos dias, num apartamento urbano.

Regressando da escola, o garoto, logo que entrou em casa, correu para a varanda. A mãe, de balde e vassoura, foi até lá e disse:

- Vai para a sala, enquanto eu lavo esta varanda.

O miúdo começou logo a chorar e pediu:

- Deixa-as viver…

A mãe não compreendeu nem essas palavras nem a atitude do filho e pediu-lhe explicações. Ele voltou a implorar:

- Não mates estas formigas…

- E por que queres que elas continuem vivas?

- Porque elas são a minha companhia.

Desta vez foi a mãe que ficou com lágrimas nos olhos.

Ela reconhecia que o seu filho único, com o pai distante e a mãe super-ocupada precisava de companhia. Por isso não quis privá-lo da companhia das formigas.

De facto, não interessa o tamanho dos nossos amigos. O que interessa é que o nosso coração seja grande e mostre gratidão pela sua companhia.

Até as formigas não gostam de andar sozinhas.

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Praganas e amores-de-burro

Hoje na minha caminhada ao fim da tarde tive de atravessar um jardim abandonado ou mal cuidado. Ao regressar ao calçadão senti umas picadas na barriga das pernas. Tive de me sentar e retirar um a um os conhecidos amores-de-burro que se tinham pegado nos meus sapatos, meias e calças.

Não sei porque chamamos amores-de-burro ou carrapichos (no Brasil) a essas plantas herbáceas cujas sementes, pelos ou espinhos se prendem à roupa e aos animais que as roçam. Não me senti incomodado por isso, mas antes pelo contrário, senti-me feliz por colaborar no processo de fertilização dessa planta. Elas apegam-se a quem passa para serem levadas mais longe e aí semeadas num novo terreno. Foi o que fiz para que pudessem reproduzir-se em vários lugares.

Também já me aconteceu enfiar uma pragana pelas calças adentro. E lembrei-me de um sermão de meu pai costumava da eira cheia de espigas de trigo.

Ele era muito divertido, tocava sanfona, machete, gaita de beiços, cantava ao desafio e bailava. E brincava com tudo, às vezes até de maneira irreverente.

Recordo duas quadras (no original com uma palavra mais ordinária ou grosseira) que ele cantava com uma melodia popular, quando alguém chorava por alguma situação desagradável ou dolorosa:

 

Maria Joana

do Pico do Vento

Meteu uma pragana

pela manga adentro.

 

Maria Joana chorava

e a pragana entrava.

Maria Joana ria

e a pragana saía.

 

A lição era clara: Se choras, pioras a situação. Se ris, alivias a situação.

E se mesmo assim continuava a chorar, meu pai continuava a cantar, desta vez: pela calça adentro ou então pela terceira vez: pela saia adentro… até que a criança se calasse.

É preciso encarar a realidade com naturalidade e sem dramatismos. Antes pelo contrário, é uma boa oportunidade para colaborar com a natureza a cumprir a sua missão. Em vez de chorar pelo incómodo da invasão de uma pragana ou de um amor-de-burro, devemos alegrar-nos pela colaboração dada a essas plantas. A natureza agradece.

Não há como enfrentar os supostos incómodos com meiguice e calma, sem estresse nem revolta. Só assim aliviamos a situação.

domingo, 15 de março de 2026

Os meus olhos são pequenos


Ano A – IV domingo da Quaresma

A)

O evangelista não apresenta o nome do cego curado porquê?

1º porque pode ser eu ou podes ser tu. Cada um pode pôr o seu nome próprio nessa personagem.

2º porque o objetivo deste episódio não é dar a conhecer o cego curado, mas sim apresentar Jesus como a luz do mundo, ou luz da vida. A cura do cego converte-se então num sinal que revela a identidade de Jesus, que proclama: «Eu sou a luz do mundo».

B)

O cego representa o ser humano que deseja ver e compreender, mas não pode alcançar por si mesmo a plenitude de Cristo e encontrar a verdadeira luz. Jesus é a luz de que todos precisamos.

C)

Ao longo do relato produz-se um processo de revelação progressivo. O cego foi descobrindo pouco a pouco quem é Jesus: primeiro ele chama “esse homem”, depois “profeta”, mais tarde reconhece que vem de Deus e finalmente conhece que é o Filho de Deus e se prostra diante dele com fé, dizendo – Eu creio, Senhor.

D)

O gesto de Jesus ao misturar a terra e a saliva para fazer barro evoca o relato da criação do homem no Génesis, formado pelo pó da terra e animado pelo sopro divino. Aplicando o barro sobre os olhos do cego, Jesus realiza simbolicamente uma nova criação.

E)

Depois Jesus manda o cego lavar-se na piscina de Siloé, cujo nome significa Enviado. O evangelista salienta esse significado para indicar que a verdade enviada é o próprio Cristo. O cego recupera a vista ao obedecer a esta palavra, antecipando assim o caminho da fé. A água converte-se num sinal do batismo, que abre os olhos do crente à luz de Cristo.

F)

Na Igreja primitiva, este sacramento chamava-se precisamente “iluminação”, porque introduzia o homem na vida nova da fé. Os batizados, que antes eram trevas, são chamados ao caminho como filhos da luz.

 

À margem:

Não são os olhos grandes ou pequenos, azúis ou castanhos, com ou sem óculos que veem bem.

O essencial é invisível aos olhos, pois só se vê bem com o coração.

Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração

Quando eu era criança os meus amigos gozavam comigo dizendo que eu tinha os olhos pequeninos. De facto, ainda hoje são pequenos. Eu então respondia:

-  Os meus olhos são pequenos, sim senhor, mas vejo melhor do que muitos de vocês que precisam de usar óculos para verem bem.

Foi aqui em Vila Real de Santo António, onde atualmente resido, que encontrei a melhor e mais poética resposta para os meus olhos pequeninos.

Uma quadra de António Aleixo, nascido nesta cidade em 1899, na sua obra Este Livro que vos Deixo, dá-me uma explicação eloquente:

 

Embora os meus olhos sejam,

os mais pequenos do Mundo

O que importa é que eles vejam

O que os homens são no fundo.

 

Obrigado, poeta Aleixo.

De facto, o que interessa é ver mais fundo, é ver com os olhos do coração, é ver como Deus, é ver o coração.

 

Ver também:

Os olhos do coração

Curar a cegueira

Ver como Deus

Ser cego

O cego e a onça

 

sábado, 14 de março de 2026

Caminhar é sair da sacristia

Quando atravessava um jardim na minha caminhada ao fim da tarde ouvi uma menina dizer:

- Mãe, olha o padre que vem aí.

O pai tentou corrigir:

- Filha, fala mais baixo. E é SENHOR padre que se deve dizer…

Por sua vez a mãe interveio, e falando de modo que eu ouvisse, sentenciou:

- É assim mesmo – o pastor vem onde se encontram as suas ovelhas, para lembrar que as ovelhas devem ir onde se encontra o seu pastor.

Foi tal e qual eu ouvi e fiquei satisfeito. Cumprimentei-os com um sorriso e continuei a minha caminhada com a convicção que ela virara pregação, dada e recebida.

Lembrei-me então das palavras do Papa Francisco:

É preciso que os pastores tenham o cheiro das suas ovelhas.

Os padres devem ficar perto de Deus sem ficar longe dos homens ou ficar perto dos homens sem ficar longe de Deus.

Afinal, não era apenas o pastor que com a sua presença pregava, mesmo sem palavras. Aqui o próprio pastor teve oportunidade de ser também formado e evangelizado.

O cheiro das ovelhas passava para o pastor, mas também o cheiro do pastor passava para as ovelhas.

E senti-me grato por esta mútua interação.

Lembrei-vos também do Pe. Leão Dehon, fundador do Instituto Religioso a que pertenço. Ele repetia o convite do Papa de então, Papa Leão XIII – é preciso sair da sacristia… e ir ao povo.

Fiquei com a sensação de que ao fazer as minhas caminhadas, estava eu a obedecer ao mandato do Pe. Dehon.

Sair da sacristia, hoje, é também fazer as suas caminhadas ao fim da tarde.

Isto foi adotado pelo Papa Francisco ao sonhar uma Igreja de Saída. É preciso sair de si mesmo, sair da área de conforto, sair em direção às periferias.

De facto, não há evangelização de poltrona.

A evangelização é sempre de saída, de estrada, de caminho, de avanço, de etapas e de metas.

É preciso fazer do caminho uma evangelização e fazer da evangelização um caminho. Ou então evangelizar caminhando e caminhar evangelizando.

É preciso anunciar Jesus pelo caminho para que o anúncio seja o caminho que nos leva a Jesus.

Foi isto que experimentei na minha caminhada de hoje.

 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Via Sacra (26)

Via-sacra com e pelos sacerdotes

 

Quando eu era pequeno, a minha mãe sempre nos fazia rezar pelos sacerdotes. E nós protestávamos dizendo que não era preciso, pois eram eles que deviam rezar por nós.  

Em geral nós rezamos a via-sacra com os sacerdotes.

Hoje vamos mais além: queremos rezar com eles e por eles.

 

I Estação – Jesus é condenado à morte

 

Leitor 1:

Eis a ingratidão do mundo: depois de ter feito tanto bem a todos, Jesus amou-os até ao fim e foi condenado à morte, e morte na cruz.

 

Leitor 2:

Um sacerdote, repleto de boa vontade, não pode desanimar com a ingratidão do mundo. Deve imitar Jesus e perdoar a todos.

 

Oração:

Olhai, Senhor Jesus, para todos os sacerdotes e dai-lhes a mesma força que precisastes para percorrer o caminho do Calvário.

 

II Estação – Jesus carrega com a cruz

 

Leitor 1:

Carregando a Cruz, Jesus, obediente, bem sabia que tinha vindo para fazer a vontade de Deus, seu Pai, e não a vontade dos homens.

 

Leitor 2:

A cruz existe para todos. O sacerdote precisa ser forte e aceitar a sua cruz de cada dia, entregando-se totalmente à vontade do Pai, com coragem e amor.

 

Oração:

Rezamos, Senhor Jesus, pela santificação dos sacerdotes que nos ajudam a descobrir a vontade divina e a carregar a cruz do povo, seguindo o vosso exemplo. Que o seu caminho seja o vosso caminho.

 

III Estação – Jesus cai pela primeira vez

 

Leitor 1:

Jesus, enfraquecido e ensanguentado pelos açoites, caiu por terra. Entre dores, levantou-se. Aceitou o sofrimento até o fim. Deus salvará a humanidade por Jesus.

 

Leitor 2:

O sacerdote, enfraquecido espiritualmente, dececiona-se, vacila e cai. Pela graça de Deus, ele se levanta e segue.  Deve cumprir a vontade do Pai, custe o que custar.

 

Oração:

Intercedemos, Senhor Jesus, pelos sacerdotes que nos estendem as suas mãos e nos abençoam em vosso nome para nos levantarmos das nossas quedas.

 

IV Estação – Jesus encontra a sua mãe

 

Leitor 1:

Jesus, na sua derradeira caminhada, encontrou, inesperadamente, a sua Mãe. Apenas um olhar e a emoção os envolveu. Eles sempre se entenderam. Maria sofreu com Jesus. A cruz de Jesus transformou-se na cruz de Maria!

 

Leitor 2:

O sacerdote, nas suas angústias e tentações, precisa sempre de procurar o olhar da mãe de Deus. Ela o ajudará tal como o fez a seu Filho Jesus.

 

Oração:

Intercedemos, Senhor Jesus, por todos os sacerdotes que se deixam guiar pela vossa Mãe e que a sua melhor pregação seja a sua santificação.

 

V Estação – Jesus é ajudado pelo Cireneu

 

Leitor 1:

Jesus sofreu, carregando a Cruz. Então, os soldados obrigaram Simão a ajudá-lo. A cruz urgiu no caminho do Cireneu sem que este a quisesse.

 

Leitor 2:

A missão do sacerdote é difícil; ele também carrega uma cruz, mas deve deixar de lado a própria vida, para se dedicar ao serviço do próximo.

 

Oração:

Oferecemos, Senhor Jesus, as nossas orações e os nossos sacrifícios em benefício dos sacerdotes que carregam a sua cruz como fonte de salvação para todo o povo de Deus

 

VI Estação – Jesus encontra Verónica

 

Leitor 1:

O suor e o sangue na face de Jesus impediam-no de ver. Verónica enfrentou a todos e enxugou-lhe o rosto. Com este gesto caridoso, a sua face ficou estampada no lenço de Verónica.  

 

Leitor 2:

O sacerdote, muitas vezes, é a única pessoa que se aproxima de nós pecadores com coragem e confiança.

 

Oração:

Senhor Jesus, que nunca falte a presença e o conforto de um sacerdote junto de quem sofre, para recompor a sua dignidade de filho de Deus, criado à sua imagem e semelhança.

 

VII Estação – Jesus cai pela segunda vez

 

Leitor 1:

Esta nova queda de Jesus tornou a sua dor ainda maior e lhe reabriu todas as feridas do corpo e da alma. Todos os nossos pecados pesavam sobre ele. Então, ele caiu, colocando-se em nosso lugar, no chão; e se levantou para nos levantar do pecado.

 

Leitor 2:

O sacerdote cai, se confiar demais no humano e pouco no divino. Levanta-se quando se abraça a Jesus e à cruz.

 

Oração:

Senhor Jesus, dai-nos a coragem para, quando cairmos, levantar-nos através da confissão. Agradecemos o perdão dos pecados que os sacerdotes nos expressam em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

VIII Estação – Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

 

Leitor 1:

As mulheres choravam ao ver Jesus e queriam consolá-lo: – “Não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas e por vossos filhos” (Lc 23,28), disse Jesus. Sim, chorar por nós mesmos, pecadores e causadores de todo esse sofrimento. Todo o mal que fizemos e todo o bem que deixámos de fazer estavam lá, em Jesus.

 

Leitor 2:

O sacerdote sabe que precisa de orações para adquirir aquela compaixão das mulheres, amar a Deus sobre todas as coisas e, então, todo o seu coração ficará repleto de amor ao próximo, por Jesus.

 

Oração:

Senhor Jesus, com as nossas orações e sacrifícios, queremos uma vez mais fazer reparação por todos os pecadores. Que todos os sacerdotes sejam instrumentos da reconciliação e da paz para consolar todos os sofredores.

 

 

IX Estação – Jesus cai pela terceira vez

 

Leitor 1:

Jesus estava exausto. Os nossos pecados tiraram-lhe as forças e o derrubaram. Prostrado no chão, ele não reclamou, levantou-se e seguiu em frente. Não considerou a sua condição divina, apenas humilhou-se, obediente como um servo até à morte.

 

Leitor 2:

Ao sacerdote, quanto custa seguir os passos de Jesus! Quantas vezes ele pode cair! As tentações são muitas e ele precisa fortalecer-se com orações, sacrifícios e renúncias. Nesta luta, a força só pode vir do céu.

 

Oração:

Senhor Jesus, não deixeis ninguém cair em tentação! Que todos os sacerdotes que caírem em pecado acreditem na vossa misericórdia e retornem para vós. Fortalecei todos os sacerdotes que nos incentivam a aspirar às coisas do alto.

 

X Estação – Jesus é despojado das suas vestes

 

Leitor 1:

Despojado das suas vestes, o corpo de Jesus revelou o seu amor por nós. Da planta dos pés até o alto da cabeça, tudo era uma ferida. Só lhe restava a cruz, a cruz da nossa salvação!

 

Leitor 2:

Cristo é o caminho. O sacerdote precisa ser um outro Cristo, para salvar as almas, conduzi-las ao céu. Despojar-se de tudo, ter o coração livre. Trabalhar e sofrer pelo Senhor, com a alegria de quem caminha para o céu.

 

Oração:

Senhor Jesus, que os sacerdotes vivam no mundo, sem serem do mundo! Revesti, Senhor, os nossos sacerdotes com a vossa graça e fortaleza. 

 

XI Estação – Jesus é crucificado

 

Leitor 1:

Jesus foi atirado violentamente sobre a cruz e pregado no madeiro. A dor foi imensa. Mesmo assim, ele pediu: – “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”! (Lc 23, 34). Foi esta a sua a grande misericórdia por cada um de nós!

 

Leitor 2:

O sacerdote, consagrado a Deus, é como Jesus crucificado: não dá para fugir, este é o caminho da sua vida! Ser sacerdote é ser crucificado com Jesus, por Jesus e para o próximo.

 

Oração:

Obrigado, Senhor Jesus, por todos os sacerdotes que de braços abertos fazem o memorial da vossa paixão no altar da cruz.

 

XII Estação – Jesus morre na cruz

 

Leitor 1:

Na solidão, Jesus morreu de braços abertos abraçando o mundo. Com o seu sangue, Jesus derramou o seu amor no mundo, como hóstia santa, como vítima agradável ao Pai.

 

Leitor 2:

O sacerdote sente, também, alguma vez, esta solidão do Senhor na cruz. Ele precisa ter forças para permanecer junto de Jesus, entregue à vontade de Deus: – “Eis-me aqui, Senhor, faça-se a vossa vontade e nunca a minha.

 

Oração:

Senhor Jesus, não há maior amor do que dar a vida pelos irmãos. Que nunca faltem sacerdotes para abençoar e repartir o Pão da Eucaristia, em vossa memória como prova suprema de amor.

 

XIII Estação – Jesus é descido da cruz

 

Leitor 1:

O corpo de Jesus foi colocado nos braços da sua Mãe. Segurando Jesus, mergulhada em dor, Maria sabia que o sofrimento e a morte de Jesus não tinham sido em vão.

 

Leitor 2:

O sacerdote, purificado e amadurecido pela cruz, torna-se instrumento para comunicar as graças de Deus aos homens. Não pode desanimar jamais. Para isso, precisa sempre recorrer a Maria Santíssima, refugiar-se no seu coração com uma devoção plena de ternura filial.

 

Oração:

Rogai por todos os sacerdotes, Santa Mãe de Deus. Que os sacerdotes se sintam acolhidos nas vossas mãos, Mãe de Misericórdia. Tende piedade de todos os sacerdotes e dai-lhes consolação e esperança.

 

XIV Estação – Jesus é sepultado

 

Leitor 1:

Agora tudo passou. Jesus concluiu a sua missão. Com a sua morte nos resgatou. Foi colocado num sepulcro novo para ressuscitar como homem novo.

 

Leitor 2:

É maravilhoso quando o sacerdote passa pela terra e deixa um rasto de bem! A quilo que os sacerdotes semeiam, mais cedo ou mais tarde vai germinar, florescer e dar bom fruto. Ele semeia, mas é Deus quem faz o resto.

 

Oração:

Senhor Jesus, fazei que todos os sacerdotes possam semear, mesma na noite escura, a semente do Verbo de Deus na esperança de uma nova primavera.

 

Estação conclusiva – Jesus ressuscita

 

Leitor 1:

Jesus percorreu o caminho da cruz até à glória da ressurreição. O caminho do Calvário foi o caminho de vida e de ressurreição.

 

Leitor 2:

Todos os sacerdotes seguem o caminho do Calvário e, com a força do Espírito Santo, entregam-se totalmente ao Pai como vítimas em Cristo, com Cristo e por Cristo.

 

Oração:

Fazei crescer, Senhor Jesus, em todos os sacerdotes a graça de se tornarem profetas do amor e servidores da reconciliação para que toda a humanidade chegue um dia à glória da Ressurreição da Páscoa do Senhor.

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Caminhando com Einstein

14/03/1879 - 18/04/1955

Hoje na minha caminhada ao fim da tarde acompanhei uma pessoa muito especial, seguindo a narrativa de um autor desconhecido que tomo a liberdade de adaptar à minha maneira:

Albert Einstein adorava caminhar. Para ele, não era apenas uma forma de ir de um lado para o outro; era uma ferramenta poderosa para pensar. Gostava de caminhadas lentas e silenciosas, perdido nos seus pensamentos. Muitas das suas ideias mais brilhantes surgiam nesses momentos. Caminhar era a sua forma de meditação – uma forma de ligar o corpo, a mente e o universo.

Para ele, caminhar era uma parte essencial do seu processo criativo.  Costumava dizer: Quando caminho, a minha mente caminha comigo.

Nas férias, Einstein preferia as longas caminhadas. Adorava fazer trilhos nas montanhas ou passear nas margens dos lagos, respirando ar puro e apreciando a tranquilidade da natureza. Dizia que, no silêncio das montanhas, conseguia ouvir a voz do universo. Estes momentos de solidão ajudavam-no a manter o equilíbrio e a pensar com mais profundidade.

Os seus colegas repararam que, após longas caminhadas, Einstein regressava frequentemente cheio de energia e de novas ideias. Por vezes, parava no meio da estrada, tirava um pequeno caderno do bolso e anotava algo rapidamente – uma fórmula, uma ideia ou uma pergunta. Muitas das suas descobertas começaram assim.

Caminhar era também uma expressão da sua simplicidade. Recusou frequentemente boleias de carro, brincando: Uma pessoa que pensa precisa de passos, não de rodas.

Durante as caminhadas, Einstein nunca se preocupava com a sua aparência. Vestia roupas confortáveis, muitas vezes desalinhadas, e, claro, sem meias. Os habitantes de Princeton costumavam brincar dizendo que era possível identificar Einstein seguindo a caminhada lenta e pensativa de um homem de cabelo despenteado, perdido nos seus pensamentos.

Cada passo era um convite à reflexão e à aproximação da verdade. Caminhar era mais do que um exercício físico – era um ritual de uma mente livre, uma dança silenciosa entre a ciência, a natureza e a imaginação.

De facto, caminhar aumenta a criatividade e ajuda a clarificar a mente.

Obrigado, Einstein, por ter aceitado caminhar hoje comigo.

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

Temos tanto para agradecer

Em geral, quando saio de casa para a minha caminhada ao fim da tarde tenho sempre algo com que entreter o meu espírito e a minha atenção. Hoje foi uma exceção.

Saí vazio como que à procura de um tema para me ocupar.

Senti-me tal como há poucos dias na sacristia da igreja onde costumo celebrar.

Ao preparar-me para a missa, a pessoa responsável pela agenda e marcação das intenções veio lamentar-se:

- Senhor Padre, hoje não há nenhuma intenção para a eucaristia. Já não há fé como antigamente.

- Sim, tem razão. Como não há devoção como antigamente, vamos atualizá-la. Em vez de rezarmos por alguma intenção, pedido ou súplica, ou por alma deste ou daquele, vamos hoje formular novas devoções. Vamos apenas agradecer, ou não fosse esse o significado da palavra Eucaristia, isto é, ação de graças.

E assim fizemos:

A única intenção da celebração foi agradecer desde o princípio ao fim estas três realidades.

1º - Agradecer ter acordado com vida.

2º - Agradecer ter chegado até ali com força e autonomia.

3º - Agradecer a oportunidade de poder celebrar a missa em paz e segurança.

Afinal havia tantas intenções para a celebração.

Em geral, no início da eucaristia, nós apresentamos uma lista com as nossas intenções, súplicas ou pedidos para essa celebração.

Ao começar a eucaristia também apresentamos os pedidos de perdão pelas nossas faltas e do mundo inteiro. Raramente surgem intenções de ação de graças.

Se não apresentarmos os nossos agradecimentos corremos o risco de parecer ingratos.

Hoje, a falta de outros pedidos foi a melhor oportunidade para aprendermos a agradecer.

- Obrigado, Senhor, por ter acordado vivo, por andar com independência e por celebrar em paz e segurança. Ámen!

Tanto mais que há gente que não tem estes benefícios.

É preciso agradecer o que temos e pedir o mesmo para quem não tem.

E eu que pensava não ter com que me entreter durante o percurso de hoje, tive assim pano para muitas mangas.

E fiz da minha caminhada uma celebração de louvor, de agradecimento ou de ação de graças, por mim e por quem como eu estava a caminhar.

Quem não agradece não merece aquilo que tem.