quarta-feira, 3 de junho de 2026

O dia da Genuflexão Católica


Ano A – Solenidade

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

A arte da genuflexão Católica

O diabo não tem joelhos, declarou certa vez o Padre do Deserto, Aba Apolo. Na verdade, o diabo não tem humildade, nem corpo nem respeito. O seu ataque à Sagrada Comunhão não é novidade.

Desde a época de Cristo, ele tem tentado apagar a crença na Presença Real. Como registou São João: Que palavras insuportáveis! Quem pode entendê-las? (Jo 6, 60). Muitos discípulos se afastaram porque não conseguiam aceitar que Jesus estivesse verdadeiramente presente na Eucaristia. Ajoelhar-se é um dos atos mais profundos de humildade e reverência. Ajoelhar-se proclama com São Paulo: Ao nome de Jesus se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra (Fl 2,10).

A Genuflexão Católica é uma arte. A genuflexão católica é uma linguagem corporal silenciosa, um ato expressivo de fé que combina doutrina, devoção e fisicalidade num gesto gracioso. Ela incorpora soberania, sacramento e humilde reverência diante do Criador. Como resposta à história da salvação nas Escrituras, transmite reverência e humildade. Na igreja católica, um movimento fluido quebra o silêncio: caminhar pelo corredor central, fazer uma pausa e abaixar brevemente o joelho direito antes de se levantar. Essa é a genuflexão, um gesto essencial à liturgia católica que pode ser confundido com rotina. Mas, visto apenas como um hábito, ele ignora o profundo significado teológico e humano enraizado na tradição bíblica.

A festa do Corpo de Deus é uma oportunidade para valorizar a genuflexão diante da Eucaristia ou Santíssimo Sacramento. É que o Diabo não tem joelhos, mas nós temos.

 

A Eucaristia é sempre um milagre

Milagres eucarísticos são fenómenos aparentemente sobrenaturais numa hóstia consagrada. Frequentemente, esses milagres revelavam Sangue, muitas vezes como uma suposta reação à profanação da Hóstia. Como essa profanação também era atribuída aos judeus, os milagres eucarísticos frequentemente levavam à perseguição sistemática de judeus. Mesmo na época dos primeiros relatos de milagres, eles foram criticados. São Tomás de Aquino, por exemplo, argumentou que a transubstanciação do pão e do vinho era estritamente sobrenatural e, portanto, não automaticamente observável. Hoje, especialistas católicos romanos classificam a maioria dos relatos de milagres eucarísticos como lendas ou fraudes. Muitos milagres eucarísticos agora podem ser explicados cientificamente pelo crescimento de bactérias ou mofo nas hóstias. A veneração de milagres eucarísticos atualmente só é possível após rigoroso exame.

Para um católico a Eucaristia é sempre um milagre.

 

 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Crianças que temos e somos


Reflexão para o Dia da Criança ou para as crianças de hoje, para as crianças que somos ou para as crianças que temos.

Dizer “não” também é cuidar. E há crianças a crescer quase sem ouvir isto. O “não” não traumatiza. O que desorganiza é a ausência de limites. As crianças precisam de saber até onde podem ir. Um “não” claro é segurança. Porque mostra que há um adulto a sustentar o que é importante… mesmo quando é difícil. E sim… vai haver choro. A frustração faz parte do crescimento. E o adulto não está ali para evitar emoções. Está ali para ensinar a lidar com elas. “Não, não podes bater.” “Não, não vamos comprar isso hoje.” “Não, agora é hora de dormir.” Isto não é rigidez. É estrutura. Uma criança que nunca ouve “não” não se torna mais livre. Torna-se mais perdida.

Muitos pais acreditam que ceder aos filhos é mais fácil do que aguentar o grito. No início até parece mas depois vem outro e o próximo grito. Se a criança aprender que gritar funciona depois de uma birra vem duas ou três.

As crianças precisam aprender a pensar. As crianças necessitam de vários momentos diários de diálogos que não cabem no tempo. E com a mesma intensidade, as crianças carecem de tempo passado no estado de tédio e solidão. Muitas crianças não conseguem ficar 5 minutos sem clicar no ecrã dos telemóveis e dos tablets porque sentem um vazio comunicacional.

Todas as crianças, todos nós precisamos de regras não porque são rígidas mas porque estruturam-nos e dão-nos segurança.

(CF. Drª. Luísa Maria Terapeuta da Fala Especialista em Miofuncional Orofacial)


domingo, 31 de maio de 2026

À sua imagem e segurança


Ano A – Solenidade da Santíssima Trindade

À sua imagem

Criados à imagem e semelhança da Santíssima Trindade.

Deus dotou o homem de vontade, intelecto e memória:

1.º Deus Pai dotou a Vontade. (Seja feita a vossa vontade…)

2.º Deus Filho dotou o Intelecto. (Aprendei de mim…)

3.º Deus Espírito Santo dotou a Memória. (Ele vos recordará tudo o que ouvistes)

 

E sua segurança

A Santíssima Trindade é quem nos protege.

O governo brasileiro considerava D. Hélder Câmara agitador e incómodo, mas receava que ele sofresse um atentado e ordenou à polícia que o protegesse.

O arcebispo recusou, declarando que já tinha os seus seguranças.

- É preciso que os nomes deles constem nos registos oficiais. Quem São?

- O Pai, o Filho e o Espírito Santo – Respondeu D. Hélder calmamente.

(D. Hélder Pessoa Câmara nasceu Fortaleza 1909, foi Bispo de Recife 1964-1985 e morreu em Recife em 1999)

 

O plural de Deus

Para concluir a minha exposição sobre o Espírito Santo, perguntei:

- Quem é capaz de dizer, então, quem é o Espírito Santo?

- É a terceira pessoa do … plural.

Houve uma gargalhada geral. E, para se justificar, acrescentou:

- É sim! Deus está no plural. Então não termina com a letra ‘s’?

Estas respostas não eram assim tão disparatadas. De facto, Deus é plural, é comunidade, é família. A teologia diz precisamente que a Trindade é um Deus em três pessoas distintas. Os alunos daquela turma riram-se, porque o seu colega estava a cometer um erro de morfologia gramatical, mas, afinal, a sua boca estava a fugir para a verdade.

 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A penitência de um Papa

 

O amplo valor da penitência

Memória de São Paulo VI, Papa

O Papa que vivia a penitência e conhecia bem o seu alcance:

São Paulo VI ensinava que a penitência, longe de empobrecer, enriquece a nossa humanidade, purificando-a e fortalecendo-a no seu movimento em direção a um horizonte que tem «como finalidade o amor e o abandono no Senhor» (Const. ap. Paenitemini, 17/02/ 1966, I).

Assim, a penitência, ao mesmo tempo que nos torna conscientes das nossas limitações, dá-nos a força para as superar e, com a ajuda de Deus, viver uma comunhão cada vez mais intensa com Ele e entre nós.

 

Assim a penitência:

- Enriquece a humanidade

- Purifica-a

- Fortalece-a

- Lembra as nossas limitações

- Dá força para as superar

 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

O cego que nos ensina a ver


5ª feira – VIII semana comum

Ensinou como ser discípulo

1)  O cego está sentado na valeta, mas põe-se de pé; De pé vão os discípulos de Jesus, mas querem sentar-se, e não na valeta.

2) O cego deixa tudo (atira fora o manto), mas os discípulos querem saber o que ganham por terem deixado tudo.

3) O cego está à beira do caminho, mas entra no caminho para seguir Jesus no caminho de forma decidida. O jovem rico entra no caminho, mas sai logo porque o caminho exige desprendimento.

 

Ensinou como rezar

Ouvimos muito pouco sobre as pessoas que nosso Senhor cura. Isso não é surpreendente. Os milagres são para nos revelar e nos ensinar sobre o Senhor, não sobre aqueles que Ele curou. Mas, nesta pequena cena Bartimeu nos ensina, de certa forma, mais do que Jesus.

1 - Ele nos ensina, primeiro, sobre a fé. Agora, os cegos vivem constantemente pela fé. Eles confiam que o que não podem ver e verificar com seus próprios olhos é real, verdadeiro e presente. O cego Bartimeu vai ainda mais longe. Pela fé, ele viu mais claramente do que as pessoas com visão ao seu redor. Ele clama: Jesus, filho de David, tem piedade de mim. Muitos, se não a maioria, na multidão olhavam para Jesus com seus olhos e viam apenas um homem, uma celebridade ou um milagreiro. Bartimeu, sem ver, viu o Filho de David – isto é, o Messias.

2 - Ao mesmo tempo, Bartimeu nos ensina sobre a oração, que é o fruto da fé. O seu clamor é uma oração básica: Jesus, filho de David, tem piedade de mim. Essa aspiração contém o essencial. Primeiro, o apelo pessoal: Jesus. Depois, uma confissão de fé: Filho de David – o Messias. E, finalmente, uma petição: tem piedade de mim. A oração pode e deve ser tão básica quanto isso.

3 - Bartimeu também mostra a perseverança necessária para a oração. Muitos o repreenderam, dizendo-lhe para ficar em silêncio. Mas ele continuou chamando ainda mais. O maior obstáculo na oração é a nossa própria falha em perseverar. As distrações do mundo agem como a multidão que cerca Bartimeu. Elas, na verdade, nos repreendem, nos dizem para ficar em silêncio, para continuar com coisas mais práticas, coisas mais importantes. Elas nos tentam a nos desviar e desistir de nossos esforços. Bartimeu deu de ombros e perseverou no seu apelo ao nosso Senhor. Nós também devemos.

4 - Jesus pergunta – que queres que te faça? Porquê? Para provocar uma oração mais profunda. São Beda diz: Ele faz a pergunta, para incitar o coração do cego a orar. Jesus sabe o que Bartimeu precisa. Ele faz a pergunta não para ganhar novas informações, mas para abrir o coração de Bartimeu para receber o que Ele deseja dar. Jesus não precisa saber, mas Bartimeu precisa pensar sobre isso, sobre o que ele realmente deseja.

5 - O que nos leva a um ensinamento final de Bartimeu: o Céu. A resposta de Bartimeu resume o anseio do coração humano: Mestre, eu quero ver. Deus nos criou para ver. E não apenas para ver as coisas deste mundo com os nossos olhos corporais, mas para vê-lo face a face. Ele quer que usemos a nossa visão para e na eternidade. Em vez disso, ele segue Jesus no caminho.

Conclusão:

Não pensemos em Bartimeu apenas como um pobre cego que nosso Senhor curou. Ele não é um personagem passageiro, e é por isso que o conhecemos pelo nome. Ele nos fornece um exemplo – de fé, de oração e do desejo que todos nós devemos cultivar pelo Céu.

 

domingo, 24 de maio de 2026

O Trono do meu coração


Ano A – Solenidade de Pentecostes

Hoje na minha comunidade lembrámos o dia de Pentecostes de cada um.

Tal como o dia de Pentecostes dos primeiros discípulos aconteceu 50 dias de pois da Páscoa, assim cada discípulo tem o seu próprio dia de Pentecostes – ou seja – tem o seu Pentecostes, o dia em que recebeu o Espírito Santo no Sacramento do Crisma.

Eu, por exemplo recebi o meu crisma no dia 21 de agosto. Então esse é o dia do meu Pentecostes.

Nem todos os meus confrades concordaram com esta explicação.

Alguém dizia que no dia do seu Batismo cada um recebeu o Espírito Santo. Assim sendo o dia do Pentecostes pessoal coincide com o dia do Batismo.

Respeito a diferença de explicação.

Em todo ocaso acho que no dia do meu batismo foi colocado no meu coração um trono reservado ao Espírito Santo. Só mais tarde, no dia do Crisma é que o Espírito Santo se sentou nesse trono que está no meu coração.

Respeito a diferença de opiniões até porque o mais importante não é o dia, mas o que aconteceu nesse dia – O Espírito Santo tem o seu trono no meu coração. O mais importante não é lembrar o dia do meu Pentecostes, mas recordar que também recebi o dom do Espírito Santo. Eu sou Templo do Espírito Santo.

 

Ver também:

O trono do Espírito Santo

O nosso próprio Pentecostes



 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Irmãos Unidos do Evangelho


5ª feira – VII da Páscoa

Da Primeira Leitura – A divisão da assembleia – lição pela negativa

Dividir para vencer ou para dominar e reinar – a assembleia dividiu-se e não chegaram a acordo, enviando Paulo para Roma para ser julgado aí.

 

Do evangelho – Que todos sejam um – lição pela positiva

Jesus pede ao Pai pelos seus discípulos:

- Que todos sejam um. Que sejam um como o Pai e o Filho. Para que sejam consumados na unidade e o mundo acredite.

Jesus não pede ao Pai que ajude os seus discípulos a rezar bem, a fazer milagres, a pregar o evangelho.

Pede que o Pai os ajude a viverem unidos, a formar um só corpo.

É assim também: a maior alegria de um pai ou de uma mãe é verem os seus filhos todos unidos. Mais do que bem comportados, bem formados ou ricos, o que os pais desejam é que os seus filhos vivam unidos.

É por isso que Jesus pediu ao Pai para os seus filhos.

 

À margem:

Parábola dos sete vimes.

É uma famosa parábola de tradição oral frequentemente contada para ensinar o valor da união familiar.

A mensagem central é que, tal como varas de vime, sozinhos somos vulneráveis, mas juntos tornamo-nos inquebráveis.

A narrativa segue uma estrutura simples:

O Conflito – Um pai, sentindo que a sua morte se aproximava, estava preocupado com as constantes brigas e a desunião entre os seus filhos.

A Prova – Pediu a cada filho que trouxesse uma vara de vime seco e deu ordens para que a partissem. Todos o fizeram facilmente.

A Lição – De seguida, o pai juntou todas as varas, amarrando-as num feixe forte. Pediu novamente aos filhos que o partissem, mas nenhum deles conseguiu.

A Moral – O pai explicou que, se viverem isolados e de costas voltadas, serão facilmente derrotados pelas adversidades. No entanto, se permanecerem unidos, a força do grupo os protegerá sempre