sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

De Samurai a Mártir Cristão


Santos Paulo Miki e companheiros, mártires

São Paulo Miki e 25 companheiros mártires do Japão, crucificados no ano 1597 em Nagasaki. Alguns eram estrangeiros e outros eram catequistas nativos.

 

São Paulo Miki detém muitos recordes:

- Foi o primeiro mártir cristão do Japão — japonês, não um missionário estrangeiro.

- Foi também o primeiro religioso da Terra do Sol Nascente, embora não tenha podido ser ordenado sacerdote devido à ausência de bispo.

- Paulo nasceu em 1556 em Hyago, a norte de Osaka, numa família de samurais convertida por São Francisco Xavier, que passou dois anos no país por volta de 1550, levando para lá pela primeira vez a Companhia de Jesus. Trinta anos depois, a comunidade cristã local já contava com 200.000 fiéis.

- Aos cinco anos de idade, Paulo foi batizado e enviado para estudar com os jesuítas, dos quais nunca se separará.

- Devido à sua língua e cultura, encontrou grande dificuldade em aprender latim, mas, em contrapartida, tornou-se um especialista na religião local, o que o tornou um excelente pregador, capaz de dialogar com as autoridades budistas.

- O clima naqueles anos era turbulento, e Paulo regressou a casa ainda mais cheio do amor de Jesus: visitou os quatro cantos do país, levando a Palavra e inspirando muitas conversões.

- Subitamente, porém, a situação altera-se: tanto devido ao comportamento dos marinheiros cristãos espanhóis que chegaram ao Japão como às divergências entre as ordens missionárias que aí se estabeleceram, de modo que em 1596 o regente imperial (Kampaku) Toyotomi Hideyoshi inicia uma violenta perseguição anticristã.

- Paulo é preso e na prisão encontra seis franciscanos, os dois futuros jesuítas que professariam os seus votos poucas horas antes de morrerem, e 17 leigos convertidos, entre os quais dois rapazes muito jovens.

- O martírio: como Jesus na cruz – Ao todo, 26 mártires morreram crucificados na cruz japonesa, mortos com lanças sem lhe serem pregados, na colina de Nishizaka, em Nagasaki, a 5 de fevereiro de 1597. A partir da cruz, Paulo perdoará os seus executores e proferirá um sermão final e apaixonado, convidando todos a seguirem Cristo para encontrarem a salvação. E, tal como Cristo, pouco antes de dar o seu último suspiro, invoca Deus Pai, em cujas mãos entregou o seu espírito.

- Foi proclamado santo três séculos depois pelo Papa Pio IX.

 

Conclusão:

Os mártires de Nagasaki ensinam-nos que:

1º - Fé e coragem são inseparáveis – Mesmo diante de torturas e da morte, permaneceram firmes no testemunho de Jesus Cristo.

2º - O perdão é um ato de amor – como São Paulo Miki, eles perdoaram os seus perseguidores, mostrando o poder transformador da fé cristã.

3º - A unidade supera diferenças culturais – O grupo era composto por pessoas de diversas origens e idades, unidas pela mesma fé.

4º - O sangue dos mártires nunca é derramado em vão, como escreveu Tertuliano – O sangue dos mártires é semente dos cristãos. Às vezes é preciso esperar séculos, mas o mal não terá a última palavra.

 

Ver também:

O milagre de são Paulo Miki

Paulo Miki e companheiros

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O Véu de Santa Águeda


Santa Águeda, Virgem e Mártir (+ 251)

O véu da santa e a santa do véu


Diz-se que Santa Águeda usava um véu no dia do seu martírio.

- Alguns dizem que o véu pertencia a uma senhora que cobriu Águeda no momento dos seus tormentos tapando o peito donde lhe cortaram os seios, em sinal de pudor e de compaixão.

- Outros dizem que fazia parte da vestimenta da santa que, usando o véu por cima de uma túnica branca, indicaria a sua consagração a Deus e a sua virgindade.

- Outros ainda sustentam que o véu era branco e ficou vermelho ao passar pelos carvões incendiados e pelo sangue derramado, ícone do seu martírio.

- Independentemente da sua origem, o véu ficaria mais famoso um ano depois do martírio de Águeda, quando esta relíquia foi utilizada para pedir a intercessão da Santa, no que ficou conhecido como o “milagre do vulcão”.

 

O Milagre do Vulcão

O vulcão Etna começou a entrar em estado de erupção e, como é compreensível, os habitantes da cidade ficaram assustados com a situação.

Pegaram então o véu que tinha sido de Santa Águeda e o levaram ao vulcão em oração, pedindo que, se aquele véu ajudou a aliviar de alguma maneira os sofrimentos de Águeda, que ela conseguisse também de Deus o alívio desse susto que estavam passando.

E os habitantes da cidade foram ouvidos, porque a lava cessou e o vulcão ficou dormente de novo. E conta-se que não foi apenas nessa ocasião que Santa Águeda, por meio dessa relíquia, conseguiu o alívio dos sofrimentos da população.

 

Que Santa Águeda lance sobre nós o seu véu

Para nos manter íntegros para Deus

E nos dê coragem e força para vencer as tentações e as adversidades.

 

Ver também:

Bons cristãos e cristãos bons

Santa Águeda

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Preferiu o mato ao palácio


São João de Brito, Presbítero e mártir

Porque a sua felicidade não estava neste mundo.

Eu amo mais o céu do que a terra, amo mais as florestas de Madurai do que os palácios de Portugal (São João de Brito)

 

Nascido na cidade de Lisboa em 1 de março do ano 1647, João era filho de Salvador de Brito Pereira e Brites de Portalegre, nobres membros da corte de Portugal. Seu pai, mais tarde, viria aa ser governador do Rio de Janeiro. Desde a infância, sendo de família cristã, alimentou o desejo de se tornar um missionário evangelizador em terras distantes, apesar da saúde frágil. Dedicou-se aos estudos e fez o máximo de sua parte, contando com a providência divina. Ao completar vinte e seis anos, João de Brito foi ordenado sacerdote e ingressou na Companhia de Jesus. Apesar da saúde frágil, viajou para a Índia, onde se sentia chamado a pregar a Palavra de Deus, tornando-se hindu como os hindus. Para se aproximar dos hindus, o Padre João de Brito passou a caminhar com um cajado de  bambu, vestir-se com um roupão avermelhado e calçar palmilhas de madeira. Procurava viver e tudo como um hindu, inclusive no comportamento e nos costumes alimentares. Porém sem jamais deixar de pregar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, São João de Brito conquistou muitos corações. Estes, abraçavam a fé em Cristo com firmeza e renovação de coração.

Porém, a fé cristã desmontava vários princípios hindus, principalmente a divisão da sociedade em castas, como destino irreversível de todos os seres humanos. O cristianismo prega exatamente o contrário, afirmando que todos são filhos de Deus, iguais, irmãos, filhos do mesmo Pai. Por isso, São João de Brito passou a sofrer severas perseguições. Foi preso e vítima de terríveis torturas, mas não desistiu. Numa carta de 20 de abril de 1692. “Não há perseguição que me possa roubar a alegria que sinto em pregar, mais uma vez, o Evangelho aos gentios. Nos últimos quatro meses tenho estado escondido numa floresta, vivendo debaixo de uma árvore com tigres e cobras.

São João de Brito foi preso e decapitado. Aconteceu no dia 04 de fevereiro de 1693. Antes de ser executado, São João de Brito obteve permissão para orar. No mesmo local seu corpo teve os membros decepados e foi exposto.

O Papa Pio XII celebrou sua canonização em 1947 e determinou sua festa litúrgica para o dia de sua morte.

 

Ver também:

Um indiano entre os indianos

A quem queremos obedecer

Vestir a camisola

A mãe do mártir

São João de Brito

João de Brito

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Simeão recebeu-o nos braços


Festa da Apresentação do Senhor

No Mistério celebrado hoje os Pais de Jesus foram até ao Templo apresentar, isto é, oferecer o seu filho primogénito.

O filho que receberam nas suas mãos pertencia ao Senhor. Por isso foram entregar-lho nas mãos de Deus.

Mas, afinal, o que é que nós vemos?

Não vemos Jesus nos braços de Deus Pai, mas nos braços do ancião Simeão.

De facto, Simeão foi ao Templo movido pelo Espírito e recebeu  Menino em seus braços, bendizendo a Deus…

Jesus veio ao mundo, não para ficar apenas nos braços de Maria sua Mãe… não apenas para ser devolvido aos braços de Deus Pai, mas para ser recebido por todos os que têm viva a esperança.

 

Onde podemos encontrar Jesus?

- Nos braços de quem tem esperança.

Que Jesus continue a passar de mão em mão, de braço a abraço, porque nós continuamos a precisar do seu abraço.

 

Ver também:

Uma luz que não tem ocaso

Jesus apresentado no templo

Formas de vida consagrada

Vestir-se de Cristo

Essa luz que é Jesus

Na semana dos consagrados

Ninguém se deu conta

Nos braços de Deus

Encontro e luz

Apresentação do Menino

Luz das nações

Nossa Senhora da Estrela

O menino e sua mãe

Pai nosso dos consagrados

Olhos da fé

 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

A montanha é um sermão


Ano A – IV domingo comum

 

Jesus ao ver a multidão, subiu ao monte, sentou-se e começou a pregar…

Porquê sermão da montanha?

Porque as bem-aventuranças é uma montanha…

 

- Jesus viu uma grande multidão, e quando a esmola é grande o santo desconfia. Por isso quis subir de nível. O sermão é a própria montanha – é subida, escalada, esforço.

- Subir ao monte é ficar mais perto de Deus. Só as bem-aventuranças nos leva até deus, ao monte da revelação divina.

- No alto da montanha o horizonte é maior. As bem-aventuranças é a vista do cimo da montanha, ver mais além, alargar os horizontes.

 

À margem 1:

Nada pode fazer o homem feliz, diz Santo Agostinho, senão Aquele que fez o homem.

 

À margem 2:

As Bem-aventuranças são um “retrato espiritual” do carácter interior de Jesus, um esboço do seu coração manso e humilde. As Bem-aventuranças ajudam a compor a existência cruciforme de Jesus na sua pobreza de espírito, luto, mansidão, fome e sede, misericórdia, pureza de coração, pacificação e perseguição por causa da justiça. O Sermão da Montanha nos revela a vida interior de Jesus e o seu carácter. E, ao contemplarmos a beleza de seu coração, somos levados a clamar a Ele para que torne os nossos corações semelhantes ao teu.

 

Ver também:

Quem é a pessoa mais feliz

Bem-aventurados porque

Jesus sentou-se e ensinou

O sermão da planície

À procura da felicidade

Bem-aventurados sois vós

Variações em reto tom

Felizes vós porque

Puzzle de Jesus

Os VIPs da Igreja

Selfie de Jesus

Via-sacra das Bem-aventuranças

Erguendo os olhos

Autorretrato

Bem-aventuranças modernas

Pai Nosso das Bem-aventuranças

As Bem-aventuranças

Ser feliz aqui

Oito palavras

Sermão da montanha

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Caminhar dentro de mim

Algumas vezes aproveito as minhas caminhadas ao fim da tarde para fazer a minha meditação diária ou a minha hora de adoração.

Quando faço a minha caminhada logo após a Eucaristia, tenho a sensação de que levo o Santíssimo em procissão, como se eu fosse um sacrário ambulante, uma custódia ou ostensório e como se estivesse no Santuário da Natureza em Adoração Eucarística. E de quando em vez, paro como se estivesse a dar a Bênção a alguém em particular ou a uma circunstância especial.

Nunca uso fones ou auscultadores para ouvir música, leituras, transmissões, rádio ou mesmo o terço do Rosário. Caminho em silêncio, oiço-me a mim mesmo ou dialogo com Deus que encontro dentro de mim.

Cruzo-me com muita gente que ouve música moderna ou clássica, fala ao telemóvel ou usa simplesmente abafadores de ruído.

Já me ofereceram vários aparatos digitais ou dispositivos auditivos para as minhas caminhadas. Sempre aceitei, agradeci e fui gentil, mas não passei a usar. Não há nada melhor do que caminhar dentro de si em silêncio ou então caminhar a ouvir o som da natureza. Caminhando assim posso rezar em silêncio, rezar com silêncio e rezar o próprio silêncio. Nem preciso, por enquanto, de nenhum aparelho auditivo…

E fico a pensar quanto diferentes somos nós. Cada um salvar-se-á através das suas vivências. Uns, no meio do silêncio exterior e interior, outros no meio do ruído de fora e de dentro.

Mais do que caminhar pela rua fora, continuemos a caminhar dentro de nós mesmos. Essas caminhadas interiores levam-nos mais longe, são sempre proveitosas para o corpo e muito mais para o espírito. Mais do que comungar com a Criação, comunguemos e adoremos o Criador.

E recordo muitas vezes a cantora Milhanas que na sua música Ago Mais nos lembra uma verdade fundamental:

“Não fazemos silêncio, é ele que nos faz.”

Parafraseando Santo Antão – Aquele que vive no deserto e em silêncio está livre de três guerras: a da audição, a da língua e a da visão. Só tem uma guerra: a do coração. O que poupa nos outros combates deve investir na vitória do coração.

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A nossa missão é ser luz


4ª feira – III semana comum

Numa igreja na Índia há pendurado no teto uma grande estrutura de metal com uma centena de bocais para a colocação de lâmpadas. Sem lâmpadas o templo fica às escuras completamente. Mas cada membro daquela igreja, à medida que vai chegando para o culto, recebe uma lâmpada na porta e a coloca no bocal. Quando as luzes são acesas o templo fica todo iluminado; quantas mais pessoas, mais luzes acesas e vice-versa. Quando poucos crentes não vão ao culto, o templo fica quase às escuras.

A nossa missão é ser luz.

Quanto mais brilharmos, mais faremos os outros brilhar e mais haverá à nossa volta  em todo o mundo. É preciso contagiar e ser contagiado, iluminar e ser iluminado.

 

À margem

1º - Se deres as costas à luz, nada mais verás além da tua própria sombra.

2ª - Mantém o teu rosto sempre voltado para o sol, e todas as sombras cairão atrás de ti.

3ª - Certa vez, foi perguntado a Albert Einstein qual era a definição de luz e o cientista, num de seus mais sábios e inspirados momentos, respondeu: A luz... é a sombra de Deus.

 

              

Ver também:

As três verdades da luz

Ajudar a ver e a saborear

A medida de Deus

Três vezes lusitanos

A lâmpada não fala, brilha

A lâmpada é a caridade

Lâmpada no candelabro

Vós sois a luz do mundo

Candeia no candelabro

Medida da generosidade