quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Perdoar e ser perdoado


5ª feira – XIX semana comum

Parábola do Rei a ajustar contas com os seus servos (Mt 18, 23-35)

 

Versão atualizada

 

Um velho vendia brinquedos no mercado de Bagdade.

Os seus compradores, sabendo que ele estava com a visão fraca, de vez em quando, pagavam com moedas falsas.

O velho percebia o truque, mas não dizia nada.

Nas suas orações, pedia a Deus que perdoasse os que lhe enganavam.

- Talvez estejam com pouco dinheiro, e querem comprar presentes para os filhos – dizia consigo mesmo.

O tempo passou e o homem morreu.

Diante na entrada do Paraíso, antes de bater à porta para entrar, rezou mais uma vez:

- Senhor! – disse – Sou um pecador. Fiz muita coisa errada, não sou melhor que as moedas falsas que recebi. Perdoai-me!

Neste momento o portão se abriu, e uma Voz disse:

- Perdoar o quê? Como posso julgar alguém que, em toda a sua vida, jamais julgou os outros?

 

À margem:

Diz um Provérbio Chinês – Quem não perdoa está a cavar duas covas: uma para o ofensor e outra para si mesmo.

 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Dia da Páscoa do Pe. Dehon


No dia do nascimento para o céu

do nosso Fundador,

bendigamos ao Senhor

por todos os dons com que o cumulou,

particularmente pela graça e missão

de enriquecer a Igreja

com o nosso Instituto religioso apostólico,

chamado a viver da sua inspiração evangélica

e a fazer frutificar o seu carisma

na Igreja e no mundo.


Rezemos:

 

Pai Santo,

nós te louvamos, bendizemos e damos graças

pelo Padre Dehon

e por tudo quanto fizeste nele

e, por meio dele, na Igreja.

Como Fundador,

ele é para nós pai e modelo

de quanto nos pedes, na Igreja e no mundo.

A seu exemplo queremos conhecer o teu amor,

e corresponder-lhe com uma íntima união

ao Coração de Cristo, teu Filho,

empenhando-nos com ardor

na instauração do seu reino

nas almas e na sociedade.

Por sua intercessão,

infunde em nós o Espírito Santo

que dê constância e eficácia

aos nossos propósitos.

Ámen!



quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A igreja mariana mais antiga


Memória da dedicação da Basílica de Santa Maria

Nossa Senhora das Neves

Qual foi a primeira igreja a ser dedicada a Nossa Senhora?

A Basílica de Santa Maria das Neves, ou Santa Maria Maior, em Roma. Cuja festa de dedicação é celebrada a 5 de agosto foi a primeira igreja em Roma dedicada a Nossa Senhora. No século IV, o Papa Libério acrescentou uma sala lateral a um grande salão já existente de um palácio patrício romano e a dedicou ao culto; por essa razão, foi chamada de Basílica de Libério. O Papa Sisto III (432-440) restaurou-a quase um século depois e a dedicou à Virgem, que o Concílio de Éfeso havia definido como Theotokos, isto é, a Mãe de Deus. Foi então que a Basílica recebeu o nome de Santa Maria Maior.

De facto, a Basílica de Santa Maria Maior (Santa Maria Maggiore), também conhecida como Basílica de Nossa Senhora das Neves, ou Basílica Liberiana, é uma das basílicas patriarcais (representada o Patriarcado de Antioquia) de Roma. Foi construída entre 432 e 440, durante o pontificado do Papa Sisto III, e dedicada ao culto de Maria, Mãe de Deus, cujo dogma da Divina Maternidade acabara de ser declarado pelo Concílio de Éfeso (431). Entretanto, a data da fundação da Basílica remonta ao pontificado do Papa Libério (352-366).  

O título de Maria como Nossa Senhora das Neves surgiu por volta do ano de 352, em Roma, onde viviam Giovanni Patritio (João Patrício) e a sua esposa, que não podiam ter filhos. Conformados com a vontade de Deus, pensavam, certo dia, a quem deixariam a fortuna. Por serem muito devotos de Nossa Senhora, queriam torná-lA herdeira de todos os seus bens. E para que Ela aceitasse a oferta fizeram muitas orações, deram muitas esmolas, fizeram muitas penitências.

 

Ainda hoje constatamos que a maior parte dos templos católicos são dedicados à Virgem Santa Maria.

Falar da Igreja é falar de Maria, falar de Maria é falar da igreja, templo de Deus.

 

Qual a oração mais antiga à Nossa Senhora?

No ano de 1927, no Egito, foi encontrado um fragmento de papiro que remonta ao século III, no qual estava descrita a oração.

Conhecida com o nome de “Sub tuum praesidium” (À vossa proteção), o texto é a mais antiga oração a Nossa Senhora que se conhece. Além de ser, possivelmente, a primeira dedicada a Maria, ela traz uma grande importância histórica e teológica:

Histórica – Ela faz referência às perseguições sofridas pelos cristãos: “livrai-nos do perigo”.

Teológica – Recorre à Maria como “Mãe de Deus” (Theotókos), um dogma que já havia sido proclamado no século anterior, no Concílio em Éfeso.

Incluída desde tempos imemoriais nos Ritos Ambrosiano, Copta, Sírio e Armênio, sua antiguidade foi confirmada na primeira metade do século XX, quando se encontrou no Egito um papiro do século III contendo o original grego desta expressiva prece.

 

Sub tuum praesidium confugimus,

sancta Dei Genetrix;

nostras deprecationes ne despicias

in necessitatibus nostris,

sed a periculis cunctis libera nos semper,

Virgo gloriosa et benedicta.

 

À vossa proteção nos acolhemos,

Ó Santa Mãe de Deus.

Não desprezeis as nossas súplicas

Em nossas necessidades,

Mas livrai-nos de todos os perigos,

Ó Virgem gloriosa e bendita.

 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Confessionário = púlpito


Memória litúrgica de São João-Maria Vianney 

(1786-1859) presbítero, Cura de Ars

O confessionário de Ars
onde atendia São João Maria Vianney

Fez do confessionário o seu púlpito.

O Pe. Vianney não possuía o dom da palavra como os grandes oradores sacros franceses.

Em Ars não se ouviam pregações brilhantes, nem máximas elaboradas.

O Santo Cura trazia a imagem de Cristo na sua alma. A paz do paraíso brilhava nos seus olhos. Uma palavra sua na homilia, uma pequena frase no confessionário, modificava uma vida inteira e iluminava a escuridão das consciências.

Passava mais de 17 horas no confessionário a atender penitentes que, vindos de toda a França, queriam que o santo confessor ou ouvisse de confissão.

Afinal não era o confessor que apenas ouvia… os próprios penitentes ouviam aí o sermão de que precisavam para a sua conversão.

O confessionário foi o seu púlpito.

Em todo o caso, o Cura de Ars não era assim tão simplório nas suas homilias. Elas, simples na forma e no conteúdo, chegavam onde deviam chagar.

Segue-se uma cópia de um sermão do Santo Cura de Ars:

 

Porquê orar em todo o tempo?

Quais são, pois, as vantagens da oração, que devemos fazer com frequência? Meus irmãos, ei-las. A oração torna a nossa cruz menos pesada, suaviza as nossas dores, torna-nos menos apegados à vida, atrai sobre nós o olhar misericordioso de Deus, fortalece a nossa alma contra o pecado, faz-nos desejar a penitência e praticá-la com gosto, faz-nos sentir e compreender quanto o pecado ofende a Deus. Melhor ainda, meus irmãos, pela oração agradamos a Deus, enriquecemos a nossa alma e garantimos a vida eterna: será preciso mais para nos levar a fazer que a nossa vida seja uma oração contínua, pela nossa união com Deus?

Quando amamos alguém, precisamos de ver essa pessoa para pensar nela? Certamente que não. Da mesma forma, se amamos a Deus, a oração ser-nos-á tão familiar como a respiração. No entanto, meus irmãos, dir-vos-ei que, para orar de forma a atrair todos esses bens, não basta dedicar à oração uns momentos apressados, precipitados; Deus quer que lhe dediquemos um tempo adequado, que tenhamos pelo menos tempo para Lhe pedir as graças de que necessitamos, para Lhe agradecer os seus benefícios e para lamentar as nossas faltas passadas, pedindo-Lhe perdão.

Mas, direis vós, como podemos orar sem cessar? Meus irmãos, nada mais fácil: elevando o coração a Deus durante o nosso trabalho, ora fazendo um ato de amor, para Lhe mostrar que o amamos, porque Ele é bom e digno de ser amado, ora um ato de humildade, reconhecendo-nos indignos das graças com que Ele não cessa de nos cumular; outras vezes, um ato de confiança, porque, embora sejamos miseráveis, sabemos que Ele nos ama e quer fazer-nos felizes. Já vedes, meus irmãos, como é fácil orar sem cessar.

 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Oásis dos amigos de Betânia


Santos Marta, Maria e Lázaro,

hospedeiros do Senhor

A sua casa em Betânia era um oásis de acolhimento e de amizade.

Os amigos de Jesus são sempre hospitaleiros.

Os hospitaleiros são sempre amigos de Jesus.

 

Santa Teresa de Ávila fazia notar que no Domingo de Ramos, Jesus entrou em Jerusalém com toda a pompa e circunstância e foi acolhido entre aclamações e alegria geral, mas à noite teve de ir hospedar-se em Betânia porque ninguém em Jerusalém lhe deu guarida.

 

De facto, Betânia sempre foi um oásis de acolhimento e de amizade, um ícone de hospitalidade.

Não foi apenas um oásis onde Jesus foi acolhido pelos seus amigos, mas também onde Jesus acolheu os seus amigos.

Não é o lugar que nos transforma, mas nós é que transformamos o lugar.

 

domingo, 19 de julho de 2026

Versão cartoonista do joio


Ano A – XVI domingo comum


Nova versão da parábola do trigo e do joio – versão cartoonista.

 

Na vinheta de Quino, o Manolito pergunta à Mafalda:

- Se matássemos todos os bandidos do mundo, ficavam só os bons, não é?

Ao que a Mafalda responde:

- Não. Ficavam só os assassinos!

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Grande porque foi humilde


Memória de São Boaventura

Franciscano, Bispo, Doutor da Igreja (+1274)

 

Em criança foi curado por São Francisco de Assis.

Professou como Frade Menor (franciscano).

São Francisco enviou a Estudar na França, precisamente porque era um estudante humilde.

Foi colega de estudos de Teologia de São Tomás de Aquino.

Foi professor de Teologia e declarado Doutor da Igreja também como São Tomás.

Ao longo da história é difícil encontrar duas personalidades contemporâneas de tamanha envergadura intelectual.

A sabedoria de ambos era enorme, mas nem por isso havia alguma disputa entre eles a esse nível.

A sua única competição era quem vivia maior humildade.

Só os grandes sabem ser humildes, e só os humildes é que são verdadeiramente grandes.