sexta-feira, 17 de abril de 2026

Dois milagres num só milagre

6ª feira – II semana da Páscoa

Não sei se há dois milagres da multiplicação dos pães e dos peixes (um dos cinco pães, outro dos sete pães) ou se há duas versões do mesmo milagre.

O que sei é que em cada episódio podemos encontrar dois milagres:

- Um milagre da multiplicação (o pão que aumenta em quantidade)

- Outro milagre da partilha (o pão que chega a todos)

De facto, não basta multiplicar o pão e os peixes, é preciso reparti-los.

 

A multiplicação sem partilha, é inútil.

A partilha sem multiplicação, é vazia.

 

Deus faz sempre a sua parte – faz crescer a quantidade.

O homem é que nem sempre sabe partilhar.

Há fome no mundo não porque falta o pão.

Há fome porque falta a partilha.

 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Obedecer antes a Deus


5ª feira – II semana da Páscoa

Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens.

 

- Porque Deus conhece tudo.

- Porque Deus nunca muda de ideias.

- Porque Deus nunca se engana.

 

É então melhor obedecer a Deus, pois assim obedece-se melhor.

 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Em defesa de Nicodemos


2ª feira – II semana da Páscoa

O Evangelho de hoje diz simplesmente que um fariseu chamado Nicodemos, um dos principais entre os judeus, foi ter com Jesus de noite.

Não disse mais nada, não julgou, não o catalogou, não disse se tinha medo, vergonha, se queria esconder-se ou disfarçar-se na noite.

Nós é que o julgamos e o catalogamos.

A nossa tentação de julgar os outros tem dois prejuízos:

- Diminuímos o mérito dos outros (vendo mal onde não existe)

- Desviamos o olhar da verdadeira mensagem (não vendo o bem que existe nem reparando a mensagem que é transmitida).

 

Às vezes aquilo vemos ou queremos transmitir está fora da caixa.

Só mostramos o que está dentro na nossa mente, em vez de apontar para a realidade simples e genuína que nos apresentada.

 

Nicodemos foi de noite ao encontro de Jesus. –  Que tem isso de mal?

E disse-lhe – Sabemos e vemos que vens de Deus. – Que grande declaração de fé!

 

Nós só vemos o que não é importante (de noite) e esquecemos a mensagem principal (a sua profissão de fé em Jesus enviado por Deus).

 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Emaús = fontes termais


4ª feira da oitava da Páscoa

A) Águas termais ou aquecidas

Na jornada de Emaús, descrita em Lucas 24:13-49, Jesus abre as mentes e os corações dos peregrinos para que compreendam como toda a Bíblia fala sobre Ele e sobre a nossa vida com Ele, à medida que esses mistérios se tornam uma realidade presente nos seus corações.

Emaús significa literalmente "fontes termais" ou aquecidas, e é precisamente ali que caminhamos pela Palavra de Deus, adentrando as águas-vivas de Jesus, aquecidos pelo fogo do Seu amor.

 

B) Ficai connosco, Senhor

Jesus atende sempre aos pedidos que lhe fazem:

Os discípulos de Emaús pediram ao peregrino:

- Ficai connosco, senhor.

E Jesus ficou com eles através da Eucaristia.

 

terça-feira, 7 de abril de 2026

O Jardim e o Jardineiro


3ª feira da Oitava da Páscoa

Ao raiar do terceiro dia, os amigos de Cristo quando chegaram ao local viram o sepulcro vazio e a pedra rolada para o lado. De várias formas eles aperceberam-se da nova maravilha; mas mesmo assim não se aperceberam bem que o mundo tinha morrido durante a noite. O que eles contemplavam era o primeiro dia de uma nova criação, um novo Céu e uma nova Terra. E, no semblante de um jardineiro, Deus passeava de novo no jardim, na brisa, não da tarde, mas da madrugada. (G.K. Chesterton in 'O Homem Eterno' 1925)

Jesus foi levado para um jardim…

O jardim nos ensina a imitar o nosso Deus, que é paciente, que se alegra com as pequenas coisas, que ordenou que toda a vida se movesse em ciclos — nascimento, crescimento, morte, renascimento.

Não existem lugares profanos; existem apenas lugares sagrados e lugares profanados. Quando cuidamos fielmente do nosso jardim, ele se torna um lugar sagrado, que nos abençoa além do alimento que nos nutre; ele nutre a nossa própria alma. (Wendell Berry)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A segunda-feira dos Anjos


Segunda-feira da oitava da Páscoa.

Segunda feira dos Anjos.

Segunda-feira das Fake News


O dia seguinte à Páscoa é chamado de Segunda-feira dos Anjos, porque foi o anjo quem disse às mulheres:

- Porque procurais entre os mortos aquele que stá vivo? Não está aqui; ressuscitou.

A oitava de Páscoa apresenta a sucessão do que ocorreu no dia de Páscoa da Ressurreição, o primeiro dia da semana, como se fosse um único dia alargado por uma semana. Nas primeiras horas Jesus ressuscitou (primeiro dia da oitava, os anjos aparecerem às mulheres (segundo dia da oitava) Jesus apareceu a Maria Madalena (treiro dia da oitava) com os discípulos de Emaús (quarto dia da oitava) e assim sucessivamente…

Na manhã de Páscoa, com medo e grande alegria, as mulheres correram para contar aos discípulos que Ele havia ressuscitado, como havia dito.

Havia uma mistura de confiança e desconfiança, e elas viram que o túmulo estava vazio, mas como isso havia acontecido?

Quando o amor é grande, ele nos faz acreditar e duvidar; somente Deus, em seu imenso amor, não duvida do nosso amor.

O verdadeiro medo surge imediatamente, não da alegria, mas do medo dos judeus que acreditam que a Ressurreição de Jesus é o novo problema para os judeus. O que fazer?..

A corrupção aparece: subornam os guardas para espalhar o boato de que, enquanto dormiam, roubaram o corpo de Jesus.

Mateus diz que esse boato circulava nos anos 70.

Ainda hoje há quem acredite nisso, ou seja, há quem não acredote na ressurrieção de Jesus.

As fake news sempre exitiram.

A Ressurreição não é uma notícia falsa, é a mais bela e reconfortante das verdades. A nossa alegria é a prova de que Jesus está vivo e ressuscitou.

Há gente que acredita mais depressa nas fake news do que na verdade da ressurreição.

Isso acontece porque as fake news não pesam na consciência, enquanto  verdade da ressurreição incomodam muito mais…

 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O último sermão de Jesus


6ª feira da Paixão do Senhor

Hão de olhar para Aquele que trespassaram.

Assim podemos acolher o último sermão de Jesus, pregado no alto da cruz com as últimas palavras da sua boca, com o seu último olhar e com o seu coração aberto.

 

As últimas palavras da sua boca

Os carrascos esperavam que Jesus crucificado chorasse, pois todos os que foram pregados na cruz o haviam feito antes d'Ele. Séneca conta-nos que os crucificados amaldiçoavam o dia do seu nascimento, os carrascos, suas mães e até cuspiam em quem os olhasse. Cícero diz-nos que, às vezes, era necessário cortar a língua dos crucificados para impedir as suas terríveis blasfémias. Portanto, os carrascos esperavam um choro, mas não o tipo de choro que ouviram. Da boca de Cristo saíram palavras santas e abençoadas. Não amaldiçoou, mas abençoou. Ele não blasfemou, mas rezou.

Estas foram as últimas sete palavras de Jesus na cruz:

 

1 – As primeiras palavras foram dirigidas aos inimigos:

Pai, perdoa-lhes.

2 – As segundas foram dirigidas aos pecadores: Hoje estarás comigo no Paraíso,

3 – As terceiras foram dirigidas aos santos: Mulher, eis aí o teu filho, eis a tua mãe.

Inimigos, pecadores e santos – esta é a ordem do Amor e da Atenção Divina.

A quarta e a quinta palavras, revelam os sofrimentos do Deus-homem na Cruz:

4 – A quarta palavra simboliza os sofrimentos do homem abandonado por Deus - Meu Deus, Meu Deus porque me abandonastes. Reza o salmo 21(22).

5 – A quinta palavra, os sofrimentos de Deus abandonado pelo homem. É a mais curta das sete palavras. Embora na nossa língua seja composta por duas palavras, no original é uma só. Ele que fez a água, pede de beber a homem. Não era um gole de água terrena, não era isso que Ele queria dizer, mas um gole de amor. Tenho sede – de amor!

6 – Jesus proferiu a sexta palavra, o cântico de triunfo: Tudo está consumado.

7 – A sétima e última palavra foi uma palavra de perspetiva: Entrego o Meu Espírito.

A sexta palavra era voltada para o homem; a sétima, para Deus. A sexta palavra foi uma despedida da Terra; a sétima a sua entrada no Céu.

 

O seu derradeiro olhar

No Calvário Jesus na Cruz olhou em 5 Direções:

1 – Olhou para esquerda com pena o ladrão que o afrontou.

2 – Olhou para direita garantindo salvação ao ladrão que o reconheceu como rei.

3 – Olhou para baixo, mostrando cuidado com Maria e o discípulo amado.

4 – Olhou para frente dizendo: pai perdoa porque não sabes o que fazes.

5 – Olhou para cima dizendo: Pai, tudo está consumado, entrego o meu espírito.

A única direção que Jesus não olhou na cruz foi para trás. Na Cruz, o passado fica aonde deve estar, para trás!

Aprendamos a olhar do mesmo jeito e para todas as mesmas direções, exceto para trás:

- Para os lados com pena e gratidão

- Para a frente com perdão

- Para baixo com solicitude

- Para o alto com espírito de entrega e de sacrifício ou oferta.

 

O seu coração aberto a palpitar em nós

Adaptando uma quadra de Fernando Pessoa:

 

Trazes uma cruz no peito

Não sei se é por devoção

É antes o melhor jeito

De ter lá um coração

 

Olhemos a cruz que trazemos no nosso peito. Que ela seja o sinal de que no nosso peito está um coração, não apenas o nosso, mas o coração de Cristo crucificado.