Grande milagre é aceitar a dor
Virgem Santa Maria de Lurdes
XXXIV Dia Mundial do Doente
Qual é o maior milagre de Lurdes?
Nossa Senhora agiria contra a salvação das almas se
curasse todas as doenças. Às vezes, ela o faz, porque é para o bem supremo
daquela pessoa ser aliviada do sofrimento. Mas, normalmente, não é oportuno. É
por isso que Nossa Senhora, que é a Mãe da Misericórdia, permite o sofrimento
para algumas almas, porque é indispensável.
Mas há sempre um milagre pois Nossa Senhora faz nesses
casos algo especial. Às pessoas doentes que ela não cura, ela oferece uma
profunda conformidade à vontade de Deus e a aceitação de seus sofrimentos.
Nunca ouvi falar de alguém que tenha ido a Lourdes e não tenha sido curado que
tenha ficado com raiva e revoltado contra Deus. Pelo contrário, as pessoas que
vão para lá voltam com uma enorme resignação, felizes por terem estado em
Lourdes e visto outras pessoas serem curadas.
Ou seja, uma pessoa aceita voluntariamente o seu
sofrimento em benefício de outra. Na minha opinião, isso também é um milagre. É
a renúncia ao amor-próprio em prol do amor a Deus e ao próximo. Para uma
pessoa, renunciar ao egoísmo humano é talvez um milagre maior do que as curas
de doenças e as conversões.
Em Lourdes, existe um convento de freiras carmelitas
contemplativas que oferecem as suas vidas para alcançar graças para a cura do
corpo e da alma dos peregrinos que lá vão. Essas freiras nunca pedem cura para
si mesmas e aceitam todas as doenças em troca da cura dos outros.
A maior lição de Lourdes, portanto, é a aceitação do
sofrimento, seja ele uma doença física ou uma tristeza moral, se necessário
para a nossa salvação. É muito difícil carregar a cruz do sofrimento com
resignação. Sim, realmente é. Mas, nesses casos, temos o exemplo de Jesus no
Jardim das Oliveiras, que orou: “Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice;
contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lc 22,42). Esta é a
postura que devemos adotar diante de nossos sofrimentos particulares. Se não
for possível afastar o cálice, “seja feita a tua vontade, não a minha”. Uma
graça virá para nos consolar, como o Anjo que veio consolar e fortalecer Nosso
Senhor.
Aceitar a doença é o maior milagre possível. E o
melhor de todos será aceitar isso com alegria e em benefícios dos outros.
Aceitar uma cura aparece mais fácil do que continuar a
aceitar a doença.
Rezar por quem sofre mais do que nós é abrir ao
mistério da cura nossa e do nosso próximo.
Em síntese:
1º - Fiquei doente e revoltei-me.
2º - Depois comecei a rezar pela minha cura, mas
continuei na mesma.
2º - Descobri que o meu próximo tinha a mesma doença
que eu e fiquei preocupado.
3º - Comecei a rezar apenas pela cura do meu próximo.
4º - Passei a aceitar a minha doença e senti-me em
paz.
5º - Tenho a certeza de que Deus fará o resto, a mim e
ao meu próximo, quando e como for melhor.
À margem 1
São Francisco de Sales costumava afirmar que o
sofrimento é o oitavo sacramento. É tão indispensável que ele considerava que
ninguém poderia ser salvo sem ele. O Cardeal Pedro Segura, Arcebispo de
Sevilha, que era um admirável católico espanhol, contou-me certa vez sobre uma
conversa que teve com o Papa Pio XI.
Pio XI gabou-se para ele de nunca ter ficado doente. O
Cardeal respondeu: “Então, Vossa Santidade não tem o sinal da alma eleita”. O
Papa ficou surpreso, mas o Cardeal Segura foi resoluto: “Não existe alma
predestinada que não sofra profundamente com alguma doença pelo menos uma vez
na vida. Se Vossa Santidade nunca teve nenhum problema de saúde, não tem o
sinal da alma eleita”. Alguns dias depois, Pio XI sofreu um forte ataque
cardíaco. De sua cama, escreveu uma mensagem ao Cardeal Segura, dizendo: “Vossa
Eminência, agora eu também tenho o sinal da alma eleita”. Concordo com o
Cardeal Segura que o sofrimento – seja físico ou moral – é o sinal da alma
eleita.
À margem 2:
A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do
outro
Da Mensagem do Papa Leão XIV para o XXXIV Dia Mundial do Doente:
“Jesus não ensina quem é o próximo, ou seja, como nos tornar-nos nós mesmos próximos. A este respeito, podemos afirmar, com Santo Agostinho, que o Senhor não quis ensinar quem era o próximo daquele homem, mas a quem ele devia tornar-se próximo. Na verdade, ninguém é próximo de outro enquanto não se aproxima voluntariamente dele. Por isso, fez-se próximo aquele que teve misericórdia.
O amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro;
ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de
amar.
O samaritano aproxima-se, cura, responsabiliza-se e
cuida. Ele não o faz sozinho, individualmente: o samaritano procurou um
estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a
convidar outros a encontrar-nos num nós mais forte do que a soma de pequenas
individualidades.
O verdadeiro remédio para as feridas da humanidade é
um estilo de vida baseado no amor fraterno, que tem as suas raízes no amor de
Deus.
Que nunca falte no nosso estilo de vida esta dimensão
fraterna, samaritana, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a
sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo. Inflamados
por esse amor divino, poderemos realmente entregar-nos em favor de todos os que
sofrem, especialmente dos nossos irmãos doentes, idosos e aflitos.”
Ver também:






