sexta-feira, 13 de março de 2026

Via Sacra (26)

Via-sacra com e pelos sacerdotes

 

Quando eu era pequeno, a minha mãe sempre nos fazia rezar pelos sacerdotes. E nós protestávamos dizendo que não era preciso, pois eram eles que deviam rezar por nós.  

Em geral nós rezamos a via-sacra com os sacerdotes.

Hoje vamos mais além: queremos rezar com eles e por eles.

 

I Estação – Jesus é condenado à morte

 

Leitor 1:

Eis a ingratidão do mundo: depois de ter feito tanto bem a todos, Jesus amou-os até ao fim e foi condenado à morte, e morte na cruz.

 

Leitor 2:

Um sacerdote, repleto de boa vontade, não pode desanimar com a ingratidão do mundo. Deve imitar Jesus e perdoar a todos.

 

Oração:

Olhai, Senhor Jesus, para todos os sacerdotes e dai-lhes a mesma força que precisastes para percorrer o caminho do Calvário.

 

II Estação – Jesus carrega com a cruz

 

Leitor 1:

Carregando a Cruz, Jesus, obediente, bem sabia que tinha vindo para fazer a vontade de Deus, seu Pai, e não a vontade dos homens.

 

Leitor 2:

A cruz existe para todos. O sacerdote precisa ser forte e aceitar a sua cruz de cada dia, entregando-se totalmente à vontade do Pai, com coragem e amor.

 

Oração:

Rezamos, Senhor Jesus, pela santificação dos sacerdotes que nos ajudam a descobrir a vontade divina e a carregar a cruz do povo, seguindo o vosso exemplo. Que o seu caminho seja o vosso caminho.

 

III Estação – Jesus cai pela primeira vez

 

Leitor 1:

Jesus, enfraquecido e ensanguentado pelos açoites, caiu por terra. Entre dores, levantou-se. Aceitou o sofrimento até o fim. Deus salvará a humanidade por Jesus.

 

Leitor 2:

O sacerdote, enfraquecido espiritualmente, dececiona-se, vacila e cai. Pela graça de Deus, ele se levanta e segue.  Deve cumprir a vontade do Pai, custe o que custar.

 

Oração:

Intercedemos, Senhor Jesus, pelos sacerdotes que nos estendem as suas mãos e nos abençoam em vosso nome para nos levantarmos das nossas quedas.

 

IV Estação – Jesus encontra a sua mãe

 

Leitor 1:

Jesus, na sua derradeira caminhada, encontrou, inesperadamente, a sua Mãe. Apenas um olhar e a emoção os envolveu. Eles sempre se entenderam. Maria sofreu com Jesus. A cruz de Jesus transformou-se na cruz de Maria!

 

Leitor 2:

O sacerdote, nas suas angústias e tentações, precisa sempre de procurar o olhar da mãe de Deus. Ela o ajudará tal como o fez a seu Filho Jesus.

 

Oração:

Intercedemos, Senhor Jesus, por todos os sacerdotes que se deixam guiar pela vossa Mãe e que a sua melhor pregação seja a sua santificação.

 

V Estação – Jesus é ajudado pelo Cireneu

 

Leitor 1:

Jesus sofreu, carregando a Cruz. Então, os soldados obrigaram Simão a ajudá-lo. A cruz urgiu no caminho do Cireneu sem que este a quisesse.

 

Leitor 2:

A missão do sacerdote é difícil; ele também carrega uma cruz, mas deve deixar de lado a própria vida, para se dedicar ao serviço do próximo.

 

Oração:

Oferecemos, Senhor Jesus, as nossas orações e os nossos sacrifícios em benefício dos sacerdotes que carregam a sua cruz como fonte de salvação para todo o povo de Deus

 

VI Estação – Jesus encontra Verónica

 

Leitor 1:

O suor e o sangue na face de Jesus impediam-no de ver. Verónica enfrentou a todos e enxugou-lhe o rosto. Com este gesto caridoso, a sua face ficou estampada no lenço de Verónica.  

 

Leitor 2:

O sacerdote, muitas vezes, é a única pessoa que se aproxima de nós pecadores com coragem e confiança.

 

Oração:

Senhor Jesus, que nunca falte a presença e o conforto de um sacerdote junto de quem sofre, para recompor a sua dignidade de filho de Deus, criado à sua imagem e semelhança.

 

VII Estação – Jesus cai pela segunda vez

 

Leitor 1:

Esta nova queda de Jesus tornou a sua dor ainda maior e lhe reabriu todas as feridas do corpo e da alma. Todos os nossos pecados pesavam sobre ele. Então, ele caiu, colocando-se em nosso lugar, no chão; e se levantou para nos levantar do pecado.

 

Leitor 2:

O sacerdote cai, se confiar demais no humano e pouco no divino. Levanta-se quando se abraça a Jesus e à cruz.

 

Oração:

Senhor Jesus, dai-nos a coragem para, quando cairmos, levantar-nos através da confissão. Agradecemos o perdão dos pecados que os sacerdotes nos expressam em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

VIII Estação – Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

 

Leitor 1:

As mulheres choravam ao ver Jesus e queriam consolá-lo: – “Não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas e por vossos filhos” (Lc 23,28), disse Jesus. Sim, chorar por nós mesmos, pecadores e causadores de todo esse sofrimento. Todo o mal que fizemos e todo o bem que deixámos de fazer estavam lá, em Jesus.

 

Leitor 2:

O sacerdote sabe que precisa de orações para adquirir aquela compaixão das mulheres, amar a Deus sobre todas as coisas e, então, todo o seu coração ficará repleto de amor ao próximo, por Jesus.

 

Oração:

Senhor Jesus, com as nossas orações e sacrifícios, queremos uma vez mais fazer reparação por todos os pecadores. Que todos os sacerdotes sejam instrumentos da reconciliação e da paz para consolar todos os sofredores.

 

 

IX Estação – Jesus cai pela terceira vez

 

Leitor 1:

Jesus estava exausto. Os nossos pecados tiraram-lhe as forças e o derrubaram. Prostrado no chão, ele não reclamou, levantou-se e seguiu em frente. Não considerou a sua condição divina, apenas humilhou-se, obediente como um servo até à morte.

 

Leitor 2:

Ao sacerdote, quanto custa seguir os passos de Jesus! Quantas vezes ele pode cair! As tentações são muitas e ele precisa fortalecer-se com orações, sacrifícios e renúncias. Nesta luta, a força só pode vir do céu.

 

Oração:

Senhor Jesus, não deixeis ninguém cair em tentação! Que todos os sacerdotes que caírem em pecado acreditem na vossa misericórdia e retornem para vós. Fortalecei todos os sacerdotes que nos incentivam a aspirar às coisas do alto.

 

X Estação – Jesus é despojado das suas vestes

 

Leitor 1:

Despojado das suas vestes, o corpo de Jesus revelou o seu amor por nós. Da planta dos pés até o alto da cabeça, tudo era uma ferida. Só lhe restava a cruz, a cruz da nossa salvação!

 

Leitor 2:

Cristo é o caminho. O sacerdote precisa ser um outro Cristo, para salvar as almas, conduzi-las ao céu. Despojar-se de tudo, ter o coração livre. Trabalhar e sofrer pelo Senhor, com a alegria de quem caminha para o céu.

 

Oração:

Senhor Jesus, que os sacerdotes vivam no mundo, sem serem do mundo! Revesti, Senhor, os nossos sacerdotes com a vossa graça e fortaleza. 

 

XI Estação – Jesus é crucificado

 

Leitor 1:

Jesus foi atirado violentamente sobre a cruz e pregado no madeiro. A dor foi imensa. Mesmo assim, ele pediu: – “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”! (Lc 23, 34). Foi esta a sua a grande misericórdia por cada um de nós!

 

Leitor 2:

O sacerdote, consagrado a Deus, é como Jesus crucificado: não dá para fugir, este é o caminho da sua vida! Ser sacerdote é ser crucificado com Jesus, por Jesus e para o próximo.

 

Oração:

Obrigado, Senhor Jesus, por todos os sacerdotes que de braços abertos fazem o memorial da vossa paixão no altar da cruz.

 

XII Estação – Jesus morre na cruz

 

Leitor 1:

Na solidão, Jesus morreu de braços abertos abraçando o mundo. Com o seu sangue, Jesus derramou o seu amor no mundo, como hóstia santa, como vítima agradável ao Pai.

 

Leitor 2:

O sacerdote sente, também, alguma vez, esta solidão do Senhor na cruz. Ele precisa ter forças para permanecer junto de Jesus, entregue à vontade de Deus: – “Eis-me aqui, Senhor, faça-se a vossa vontade e nunca a minha.

 

Oração:

Senhor Jesus, não há maior amor do que dar a vida pelos irmãos. Que nunca faltem sacerdotes para abençoar e repartir o Pão da Eucaristia, em vossa memória como prova suprema de amor.

 

XIII Estação – Jesus é descido da cruz

 

Leitor 1:

O corpo de Jesus foi colocado nos braços da sua Mãe. Segurando Jesus, mergulhada em dor, Maria sabia que o sofrimento e a morte de Jesus não tinham sido em vão.

 

Leitor 2:

O sacerdote, purificado e amadurecido pela cruz, torna-se instrumento para comunicar as graças de Deus aos homens. Não pode desanimar jamais. Para isso, precisa sempre recorrer a Maria Santíssima, refugiar-se no seu coração com uma devoção plena de ternura filial.

 

Oração:

Rogai por todos os sacerdotes, Santa Mãe de Deus. Que os sacerdotes se sintam acolhidos nas vossas mãos, Mãe de Misericórdia. Tende piedade de todos os sacerdotes e dai-lhes consolação e esperança.

 

XIV Estação – Jesus é sepultado

 

Leitor 1:

Agora tudo passou. Jesus concluiu a sua missão. Com a sua morte nos resgatou. Foi colocado num sepulcro novo para ressuscitar como homem novo.

 

Leitor 2:

É maravilhoso quando o sacerdote passa pela terra e deixa um rasto de bem! A quilo que os sacerdotes semeiam, mais cedo ou mais tarde vai germinar, florescer e dar bom fruto. Ele semeia, mas é Deus quem faz o resto.

 

Oração:

Senhor Jesus, fazei que todos os sacerdotes possam semear, mesma na noite escura, a semente do Verbo de Deus na esperança de uma nova primavera.

 

Estação conclusiva – Jesus ressuscita

 

Leitor 1:

Jesus percorreu o caminho da cruz até à glória da ressurreição. O caminho do Calvário foi o caminho de vida e de ressurreição.

 

Leitor 2:

Todos os sacerdotes seguem o caminho do Calvário e, com a força do Espírito Santo, entregam-se totalmente ao Pai como vítimas em Cristo, com Cristo e por Cristo.

 

Oração:

Fazei crescer, Senhor Jesus, em todos os sacerdotes a graça de se tornarem profetas do amor e servidores da reconciliação para que toda a humanidade chegue um dia à glória da Ressurreição da Páscoa do Senhor.

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Caminhando com Einstein

14/03/1879 - 18/04/1955

Hoje na minha caminhada ao fim da tarde acompanhei uma pessoa muito especial, seguindo a narrativa de um autor desconhecido que tomo a liberdade de adaptar à minha maneira:

Albert Einstein adorava caminhar. Para ele, não era apenas uma forma de ir de um lado para o outro; era uma ferramenta poderosa para pensar. Gostava de caminhadas lentas e silenciosas, perdido nos seus pensamentos. Muitas das suas ideias mais brilhantes surgiam nesses momentos. Caminhar era a sua forma de meditação – uma forma de ligar o corpo, a mente e o universo.

Para ele, caminhar era uma parte essencial do seu processo criativo.  Costumava dizer: Quando caminho, a minha mente caminha comigo.

Nas férias, Einstein preferia as longas caminhadas. Adorava fazer trilhos nas montanhas ou passear nas margens dos lagos, respirando ar puro e apreciando a tranquilidade da natureza. Dizia que, no silêncio das montanhas, conseguia ouvir a voz do universo. Estes momentos de solidão ajudavam-no a manter o equilíbrio e a pensar com mais profundidade.

Os seus colegas repararam que, após longas caminhadas, Einstein regressava frequentemente cheio de energia e de novas ideias. Por vezes, parava no meio da estrada, tirava um pequeno caderno do bolso e anotava algo rapidamente – uma fórmula, uma ideia ou uma pergunta. Muitas das suas descobertas começaram assim.

Caminhar era também uma expressão da sua simplicidade. Recusou frequentemente boleias de carro, brincando: Uma pessoa que pensa precisa de passos, não de rodas.

Durante as caminhadas, Einstein nunca se preocupava com a sua aparência. Vestia roupas confortáveis, muitas vezes desalinhadas, e, claro, sem meias. Os habitantes de Princeton costumavam brincar dizendo que era possível identificar Einstein seguindo a caminhada lenta e pensativa de um homem de cabelo despenteado, perdido nos seus pensamentos.

Cada passo era um convite à reflexão e à aproximação da verdade. Caminhar era mais do que um exercício físico – era um ritual de uma mente livre, uma dança silenciosa entre a ciência, a natureza e a imaginação.

De facto, caminhar aumenta a criatividade e ajuda a clarificar a mente.

Obrigado, Einstein, por ter aceitado caminhar hoje comigo.

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

Temos tanto para agradecer

Em geral, quando saio de casa para a minha caminhada ao fim da tarde tenho sempre algo com que entreter o meu espírito e a minha atenção. Hoje foi uma exceção.

Saí vazio como que à procura de um tema para me ocupar.

Senti-me tal como há poucos dias na sacristia da igreja onde costumo celebrar.

Ao preparar-me para a missa, a pessoa responsável pela agenda e marcação das intenções veio lamentar-se:

- Senhor Padre, hoje não há nenhuma intenção para a eucaristia. Já não há fé como antigamente.

- Sim, tem razão. Como não há devoção como antigamente, vamos atualizá-la. Em vez de rezarmos por alguma intenção, pedido ou súplica, ou por alma deste ou daquele, vamos hoje formular novas devoções. Vamos apenas agradecer, ou não fosse esse o significado da palavra Eucaristia, isto é, ação de graças.

E assim fizemos:

A única intenção da celebração foi agradecer desde o princípio ao fim estas três realidades.

1º - Agradecer ter acordado com vida.

2º - Agradecer ter chegado até ali com força e autonomia.

3º - Agradecer a oportunidade de poder celebrar a missa em paz e segurança.

Afinal havia tantas intenções para a celebração.

Em geral, no início da eucaristia, nós apresentamos uma lista com as nossas intenções, súplicas ou pedidos para essa celebração.

Ao começar a eucaristia também apresentamos os pedidos de perdão pelas nossas faltas e do mundo inteiro. Raramente surgem intenções de ação de graças.

Se não apresentarmos os nossos agradecimentos corremos o risco de parecer ingratos.

Hoje, a falta de outros pedidos foi a melhor oportunidade para aprendermos a agradecer.

- Obrigado, Senhor, por ter acordado vivo, por andar com independência e por celebrar em paz e segurança. Ámen!

Tanto mais que há gente que não tem estes benefícios.

É preciso agradecer o que temos e pedir o mesmo para quem não tem.

E eu que pensava não ter com que me entreter durante o percurso de hoje, tive assim pano para muitas mangas.

E fiz da minha caminhada uma celebração de louvor, de agradecimento ou de ação de graças, por mim e por quem como eu estava a caminhar.

Quem não agradece não merece aquilo que tem.

 

terça-feira, 10 de março de 2026

Via Sacra (25)


A via-sacra da família

A família na via-sacra


I Estação – Jesus é condenado à morte nas famílias que vivem em acusações recíprocas, condenando-se mutuamente.

 

Do Evangelho Mateus:

Pilatos, disse-lhes: Que hei de fazer então de Jesus, chamado o Cristo? Todos responderam: Seja crucificado!  Então soltou-lhes Barrabás. Quanto a Jesus, depois de o mandar flagelar entregou-o para ser crucificado (Mt 27 22.26).

 

Oração:

Senhor Jesus, ao contemplarmos a tua condenação, pedimos-te pelas famílias desavindas que vivem em recíproca condenação, gerando o desespero e a angústia entre todos os seus membros.  Derrama Senhor, nos seus corações, a tua luz para que possam a abrir-se ao perdão e à reconciliação.

 

II Estação – Jesus carrega a cruz nas famílias que assumem a sua própria cruz com amor e dedicação.

 

Do Evangelho de Mateus:

Tecendo uma coroa de espinhos puseram-lha sobre a cabeça. Depois de o terem escarnecido, despojaram no da púrpura, vestiram-lhe as suas vestes e levaram-no para o crucificarem (Mt 27, 29a.31).

 

Oração:

Senhor Jesus ao contemplar o amor e a determinação com que carregaste a cruz, para nos salvar, pedimos-te por todas as famílias que vivem com responsabilidade e amor os desafios do projeto conjugal e familiar: dedicação, lutas, dificuldades, trabalho, incompreensões, doenças… Confirma e fortalece Senhor, o amor generoso, nestas famílias e que o sentido cristão da cruz as ilumine para que se tornem verdadeiras igrejas domésticas e sacramento da tua presença no mundo.

 

III Estação – Jesus cai pela primeira vez nos jovens casais que sucumbiram na infidelidade conjugal

 

Do Profeta Isaías:

Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados (Is 53,4-5).

 

Oração:

Senhor Jesus ao contemplar-te caído sob o peso da cruz, pedimos-te pelos jovens casais para que não cedam ao desencanto, às facilidades e hedonismo, dá-lhes a sabedoria para entenderem que o amor mais do que sentimento é corajosa decisão de entrega. O amor exige renúncia, determinação, diálogo e respeito mútuo.

 

IV Estação – Jesus encontra Maria sua mãe que chora nos filhos e pais que sofrem dolorosas ruturas 

 

Do Evangelho de Mateus:

Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém de dois anos para baixo…. Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: Ouviu-se uma voz Ramá, lamentação, e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não quer ser consolada, porque já não existem (Mt 2,16-18).

 

Oração:

Senhor Jesus este encontro tão doloroso, mas tão consolador com a e tua mãe, diz-nos que nas horas mais duras o amor de mãe vale, conforta, alivia e por vezes faz voltar a casa. Bendizemos-te Senhor pelo dom da maternidade, o dom da tua mãe e de todas as mães do mundo. Encoraja-as no amor e dedicação e conforta as nas horas de tribulação.

 

V Estação – Simão de Cirene carrega a cruz Jesus em tantas famílias, integradas ou não na pastoral familiar

 

Do Evangelho de Mateus:

Passava por ali um homem chamado Simão de Cirene. Voltava do campo. Então os soldados obrigaram-no a levar a cruz de Jesus (Mt 27, 22). 

 

Oração:

Senhor Jesus, ao contemplarmos o Cireneu, que te ajuda a levar a cruz, pedimos-te por todas as pessoas que voluntariamente oferecem às famílias parte do seu tempo e sabedoria, sobretudo às mais pobres de bens materiais e espirituais, às desestruturadas, abandonadas. Alimenta Senhor o seu espírito de fé, de entrega e caridade cristã.

 

VI Estação – Verónica enxuga o rosto de Jesus que continua a ser limpo nos cuidados dispensados, nas famílias, aos mais vulneráveis, crianças e idosos. 

 

Do Profeta Isaías:

O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem figura nem beleza. Vimo-lo sem aspeto atraente, desprezado e evitado pelos homens, como homem das dores (Is 53, 2-3a).

 

Oração: 

Ao contemplar a coragem da Verónica que irrompe da multidão, e te limpa o rosto ensanguentado, nós te agradecemos Senhor por todas as pessoas, particularmente pelos pais, que com carinho e dedicação limpam o rosto de seus filhos e tantas vezes de seus pais idosos. Pacientemente formam, educam, disciplinam e amam. Confirma-os Senhor nesta nobre missão de cuidar a vida.

 

VII Estação – Jesus cai pela segunda vez, nos pais que vivem angustiados com os seus filhos 

 

Do livro das Lamentações:

Eu sou o homem que sentiu a miséria sob a vara da ira do Senhor. Ele me conduziu e me fez andar nas trevas e sem luz. Bloqueou-me o caminho com pedras, fez-me seguir por estrada errada (Lm 3,1-2.9). 

 

Oração:

Ao contemplarmos, Senhor Jesus, a tua segunda queda forçada pelo peso da cruz e a força do inumano sofrimento, pedimos-te pelos pais exaustos e desesperados com os seus filhos porque envolvidos nas teias da droga, do sexo e da vida dissoluta. Fortalece-os e encoraja-os para que não desistam de amar.

 

VIII Estação – Jesus encontra as mulheres de Jerusalém 

 

Do Evangelho de Lucas:

Seguia-o grande multidão de povo e mulheres batiam no peito e se lamentavam chorando por ele. Mas Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos (Lc 23, 27-28).

 

Oração:

Ao contemplarmos, Senhor Jesus, as mulheres de Jerusalém que choram e o teu gesto de amor consolador, pedimos-te por todos os idosos descartados, pelas mulheres e seus filhos, vítimas de solidão e maus tratos. Conforta-os Senhor, e suscita nas famílias o sentido da gratidão, da solidariedade e da caridade cristã.

 

IX Estação – Jesus cai pela terceira vez nos casais que vivem em contínuo litígio e em vias de separação

 

Do livro das Lamentações:

É bom para o homem carregar o jugo desde a sua juventude. Que se recolha em silêncio, quando o Senhor o puser à prova… Porque o Senhor não rejeita ninguém para sempre. Após haver afligido tem compaixão, porque é grande a sua misericórdia (Lm 3,27-28.32).

 

Oração:

Ao contemplarmos, Senhor Jesus, a tua terceira queda provocada pela exaustão e a dureza do sofrimento, pedimos-te pelos casais que vivem em contínuo litígio e em vias de separação, deixando os filhos órfão de família, de amor e de proteção. Senhor concede-lhe a graça de reencontrarem o encanto e a beleza do primeiro amor.

 

X Estação – Jesus continua a ser despojado das suas vestes em crianças comercializadas e violadas 

 

Do Evangelho de Marcos:

E repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um (Mc 15, 24). 

 

Oração:

Ao contemplar-te Senhor Jesus, despojado das tuas vestes, pedimos-te pelas crianças vítimas de abusos de toda a espécie, envolvidas no tráfico humano, privadas de proteção, afeto e aconchego familiar. Guarda-as e protege-as Senhor. Que encontrem nas famílias e pessoas que as acolhem o carinho, o respeito e o amor necessário para a uma vida com sentido e dignidade.

 

XI Estação – Jesus continua a ser crucificado nos doentes acamados no seio das famílias. 

 

Do Evangelho de Lucas:

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lc 23, 33-34a).

 

Oração:

Ao contemplar-te Senhor Jesus, crucificado, pedimos-te por todas as famílias que têm doentes acamados no seu seio. Para os que sofrem pedimos-te Senhor força e luz, e para os que os tratam, dedicação, coragem e compaixão. Que na sua experiência sintam que estão a cuidar de ti, participando na tua missão salvadora.

 

XII Estação – Jesus continua a morrer na cruz, em cada família atingida pelo luto

 

Do Evangelho de João:

Jesus disse: Tenho sede. – Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-lha à boca. Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: Tudo está consumado. – E, inclinando a cabeça, expirou (Jo 19, 28b-30).

 

Oração:

Um minuto de silêncio em oração pessoal

 

XIII Estação – Jesus morto, descido da cruz e deposto nos braços da sua mãe

 

Do Evangelho de Mateus:

Quando o centurião e os que com ele vigiavam Jesus, viram o terremoto e tudo o que havia acontecido, ficaram aterrorizados e exclamaram: Verdadeiramente, este era o Filho de Deus! (Mt 27, 54).

 

Oração:

Ao contemplar Maria a mãe dolorosa, com o Filho morto em seus braços, pedimos-te por todas as mães que veem morrer os seus filhos para projetos e causas nobres, morrer para a luta, morrer para o sentido da vida, morrer para os valores humanos e cristãos. Olha complacente, Senhor, para todas as mães, fortalece-as, dá-lhes a corajosa humildade de nunca perderem a esperança.

 

XIV Estação – Jesus continua a ser sepultado nas famílias que voltam as costas a Deus. 

 

Do Evangelho de Marcos:

José de Arimateia comprou um lençol, desceu o corpo de Jesus e envolveu-o no lençol; depois depositou-o num sepulcro escavado na rocha e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro (Mc 15, 46). 

 

Oração:

Ao contemplar-te Senhor Jesus, depositado no sepulcro, onde os homens pensavam, em vão, ter calado a tua voz, pedimos-te por todas as famílias que inebriadas e perdidas nas teias do prazer e do ter, na corrupção e no luxo, desprezam e espezinham o pobre, perdendo o sentido do outro, de Deus e da eternidade. Toca-lhes Senhor o coração, concede-lhe a graça de perceberem que tudo no mundo, além de vós, é finito, ilusório e passageiro.

 

Estação Conclusiva – Jesus ressuscitado visita todas as famílias

 

Do Evangelho de João:

Veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco! Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. Ele voltou a dizer-lhes: A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós (Jo 20,10-21).

 

Oração:

Senhor Jesus, percorrendo contigo o caminho da via-sacra de tantas famílias no hoje da nossa história, conforta-nos a certeza, de que a vida suplanta a morte, e que das trevas da paixão, brota a luz radiosa da tua ressurreição. Ressurreição, que ininterruptamente se manifesta, pela força do teu Espírito, nos ínfimos e grandes gestos no quotidiano de tantas famílias. Senhor Jesus Cristo, nós te adoramos e bendizemos pela tua continuada morte e ressurreição nas famílias de hoje e de todos os tempos.

 

(Inspirado numa proposta da Pastoral da Família)

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Desligar o complicómetro


2ª feira – III semana da Quaresma

Algumas vezes somos como uma máquina de complicar as coisas.

Somos como o rei de Israel que pensou que um pedido de ajuda era um pretexto para o tramar. Foi preciso o profeta Eliseu chamá-lo à normalidade.

Ou como o General Naamã que pensou que as coisas simples que lhe pediram para fazer eram sinal de desprezo. Foi preciso que os seus servos lhe chamassem à realidade da vida.

Ou como os habitantes de Nazaré que ficaram furiosos na sinagoga ao ouvirem as palavras simples de Jesus. Foi preciso Jesus desfazer essas complicações ou confusões e seguir o seu caminho.

Só os simples e os pequeninos nos ajudam a desligar o complicómetro para não complicar o que é simples.

Rezo para que hoje e sempre eu tenha perto de mim um profeta que me ajude a desligar o complicómetro, gente simples que me mostre a simplicidade da vida, e a presença do Senhor Jesus que me ajude a evitar confusões ou complicações com humildade e confiança para poder ir mais além.

 

Nota explicativa

Complicómetro é um termo informal que descreve a tendência para complicar situações, tarefas ou relações desnecessariamente. Pode referir-se ao ato de criar obstáculos, burocracias ou dificuldades onde elas não existem. A expressão é frequentemente usada no contexto de "desligar o complicómetro" para incentivar a simplificação, o foco no essencial e a adoção de soluções práticas, inteligentes e eficazes.

 

Ver também:

Complicar o que é simples

 

domingo, 8 de março de 2026

Três mulheres do Evangelho


No Dia Internacional da Mulher fazemos memória de 3 mulheres do Evangelho:

- A samaritana (Jo 4:1-26)

- A adúltera (em Jo 8:1-11)

- A hemorrágica (Mc 5:25-34)

São três mulheres distintas e três observações complementares.

A primeira observação é que nenhuma delas é citada pelo nome. Elas ficaram registradas na história como mulheres anónimas. Talvez por que os escritores não julgaram importante a citação, ou talvez por que apenas refletiam os preconceitos da sua comunidade. O certo é que no seu anonimato tais mulheres trouxeram para si o paradigma da mulher no meio de uma sociedade decaída pelo pecado e injusta, mas que individualmente precisam ser alcançadas. O posicionamento de Jesus vai na direção oposta. A cada uma delas o Mestre dá uma atenção diferenciada e particular. Jesus fala, toca e acolhe tais mulheres dando-lhes o valor que deveriam receber. Mais do que apenas uma no meio da multidão, Cristo cuida de todas e de cada uma em especial. Assim ele nos criou, é assim que ele quer que sejamos tratados.

- Também observamos que estas mulheres chegaram a Jesus por circunstâncias diversas. Uma foi abordada diretamente por Jesus; outra foi trazida pelos seus acusadores; e a outra tomou a iniciativa movida pela necessidade. O certo, contudo, é que elas entraram em contato com Jesus e foram recebidas – tiveram um verdadeiro encontro pessoal com o Mestre.

É então fácil compreender que seja qual for o motivo ou a forma como cada uma chegou até Jesus, elas tiveram acesso imediato a Cristo. Não faz diferença o que – ou quem – efetivamente nos leva ao Senhor, Ele está sempre disposto a nos receber.

- E em última análise, observamos que as três mulheres tiveram as suas vidas profundamente modificadas por causa do encontro com Jesus. A samaritana viu renovada a sua dignidade e a sede espiritual saciada; a adúltera teve os seus pecados perdoados e uma nova oportunidade para acertar na vida; e a hemorrágica sentiu a cura do seu mal e recebeu a paz divina.

O encontro com Jesus sempre muda a história humana. Mesmo vivendo como e onde viviam, cada mulher que foi alcançada pelo Mestre pode experimentar uma novidade de vida – isto é que faz toda a diferença. Ainda hoje, quando se dá um encontro real e pessoal com Cristo, toda a estrutura da nossa vida é alterada, e para melhor.

Que nas nossas histórias possamos aprender com as mulheres do passado, famosas no seu anonimato, que se encontraram com Jesus Cristo e vivenciaram um novo nascimento para a glória de Deus.

 

Parabéns a todas as mulheres, sobretudo a quem celebra este dia em companhia com aquele que é Bendita entre todas as Mulheres, Maria de Nazaré.

 

Ver também:

Entre as mulheres

Igualdade de género

Para ser amada

Modelo feminino

Dia da Mulher

Dia Internacional da Mulher