quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A sua obra mais importante


Memória de Santa Teresa de Jesus (1515-1582)

Virgem e Doutora da Igreja

Alguém me perguntou quais as obras de Santa Teresa de Jesus (de Ávila).

Comecei por dizer que tinha fundado 17 conventos femininos carmelitas, colaborado com João na Cruz na fundação de outros 2 conventos masculinos, e reformado muitas comunidades religiosas…

Para além disso escreveu meia dúzia de livros:

- Livro da Vida

- Caminho de Perfeição

- Moradas ou Castelo Interior

- Livro das Fundações

- Poesias

- Exclamações

- 500 cartas.

 

Por isso foi a primeira mulher a ser declarada Doutora da Igreja.

 

Não contente com a minha resposta, voltou a perguntar:

- E dessas obras todas qual acha que foi a maior ou a mais importante?

- Eu acho que a mais importante e impactante para ela e para todos nós, ainda hoje, é sem dúvida, a sua paz interior.

 

Nada te perturbe,

nada te espante.

Tudo passa.

Deus não muda.

A paciência tudo alcança.

Quem tem Deus nada lhe falta,

só Deus basta.

 

E o mais bonito é que isso não tenha sido escrito apenas com as suas palavras, mas impresso em toda a sua vida, com os seus exemplos e ações.

 

De facto, esta foi a obra ou a ação mais importante de Santa Teresa de Ávila:

Alcançar a paz interior.

Sem esta paz não conseguiria fazer nenhuma outra das suas grandes obras.

À margem

Certa vez, Santa Teresa de Ávila estava a viajar para um dos seus conventos, quando foi deitada abaixo do burro que a carregava e caiu na lama, magoando uma perna.

- Senhor – disse ela – não podíeis ter escolhido pior altura para isto acontecer. Porque deixastes isto acontecer?

Uma voz respondeu do Céu:

- É assim que trato os meus amigos.

Ao que Santa Teresa respondeu:

- Se é assim que tratais os vossos amigos, não me admira que tenhais tão poucos.

 

Assim confirmamos o bom humor de uma santa,

e uma santa de bom humor.

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O homem, o menino e o cão

Hoje, na minha caminhada ao fim da tarde lembrei-me da história do Velho, o Menino e o Burro que todos conhecemos.

Tudo começou de forma simples.

Um pai regressava a casa a pé com o filho pequeno e o cão. O menino caminhava ao seu lado. O cão estava acomodado debaixo do braço do homem, como um pão.

Para os meus olhos a cena não batia certa.  A criança andava. O cão ia ao colo?

A gente que passava tirava rapidamente a mesma conclusão.

Uma mulher abordou-o. Educada no início, depois nem tanto.

- Como pode carregar o animal enquanto o menino faz tanto esforço por acompanhá-lo?

O homem olhou para ela. Olhou para o filho.

Então, explicou que o cão tinha sofrido uma lesão grave na semana anterior. Um ligamento rompido, dissera o veterinário. Três a quatro semanas sem colocar peso na pata; caso contrário, a lesão tornar-se-ia permanente. O cão não entendia isso. Se fosse deixado no chão, caminharia apoiando a pata de qualquer maneira, pois os cães não negoceiam com a dor como as pessoas fazem. A única solução era carregá-lo.

O menino, por sua vez, tinha quatro anos e gozava de perfeita saúde. Ele conseguia andar. Queria andar. De vez em quando estendia a mão para acariciar o cão.

Uma outra versão diz simplesmente que o alcatrão estava muito quente e o cão não tinha sapatos.

A mulher que os tinha mandado parar ficou em silêncio. O que parecia negligência era, na verdade, o oposto. Um pai que seguira atentamente as indicações de um veterinário. Um pai a cuidar de dois dependentes ao mesmo tempo.

O menino não precisava de ser carregado. O cão, sim. Ele sabia a diferença.

Existe uma versão desta história que termina com a multidão a aplaudir ou a mulher a pedir desculpa de forma dramática.

As pessoas que julgam rapidamente tendem a avançar com a mesma rapidez quando o julgamento se desfaz.

Mas o homem continuou a caminhar. E, algures atrás deles, uma multidão de pessoas muito convictas teve de encontrar um novo motivo para se sentir convicta e julgar qualquer coisa.

Não me lembro quem me inspirou isto. Só sei que todos nós, mesmo quando corremos, somos ainda mais rápidos a formular juízos negativos sobre os outros, como estou a fazer agora…

 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Pe. Martino Capelli, Mártir


Memória litúrgica do Mártir Pe. Martino Capelli, SCJ (Dehonianos)

Hoje, 13 de outubro, celebramos oficialmente e pela primeira vez a memória litúrgica do mais recente mártir dehoniano, Pe. Martino Capelli, martirizado aos 32 anos no primeiro dia de outubro de 1944.

 

PALAVRAS DO PAPA LEÃO XIV

No domingo, 27 de setembro de 2026, em Bolonha, foram beatificados três sacerdotes mártires: Ubaldo Marchioni (diocesano), Elia Comini (salesiano) e Martino Capelli (dehoniano).

Foram mortos em 1944, durante uma fase dramática da Segunda Guerra Mundial, devido à hostilidade das tropas nazis em relação ao seu ministério junto dos fiéis.

O sacrifício supremo destes ministros de Deus demonstra aos cristãos de hoje a coragem de se aproximarem dos irmãos e irmãs, sobretudo nos momentos de provação.

(Saudação do Papa Leão XIV, no Angelus de 30 de setembro de 2026)

 

A MISSÃO SACERDOTAL

O pároco idoso Mellini pede ao Pe. Martino que leve o Viático a uma doente em Casellina. O Pe. Martino vai e volta sem problemas ao cumprir a missão. Assim que chega a casa, é chamado por um homem que pede ajuda, depois de ter fugido de La Creda de Grizzana, onde as SS tinham prendido 69 lavradores. Os padres da paróquia confirmam, então, que ainda há moribundos. O impulso dos jovens religiosos é, por um lado, levar o Viático e, se possível, salvar pelo menos mulheres e criança em virtude do hábito que usavam.

O Pe. Elia entra na igreja para pegar a píxide com o Pão Consagrado e os santos Óleos e, dirigindo-se aos que estão ali pede: - Rezem, rezem por mim, porque tenho uma missão a cumprir. Ao encontrar o Pe. Martino, ambos colocam sobre o seu respetivo hábito o roquete e a estola sacerdotal, tornando-se assim claramente identificáveis como padres católicos.

Quando uma paroquiana, puxando o hábito do Pe. Martino, tenta detê-los, alertando-os para a loucura e o perigo a que se expõem, ela ouve da boca daqueles dois jovens: Somos padres e devemos ir, devemos cumprir o nosso dever. Dito isto, dirigem-se com passo firme e rápido para La Creda de Grizzana. Conscientes do risco, são praticamente os únicos homens que se deixam ver e que não fugiram ou se esconderam. Finalmente, o Pe. Martino e Elia, contornando os tiroteios dos combatentes, conseguem socorrer espiritualmente as pessoas assassinadas e queimadas.

 

A CAPTURA

Não sabemos nem o momento nem o local exato da sua captura. Algumas testemunhas afirmam que eles chegaram ao local de Capossena. Outras afirmam que foram feitos prisioneiros pelas SS, enquanto se preparavam para ajudar as vítimas do massacre. Despojando-os das suas insígnias sacerdotais, sem que se soubesse o destino dos Óleos e do Santíssimo Sacramento, são forçados a transportar munições, subindo e descendo a montanha sob custódia. Ao longo do percurso, os padres são obrigados a testemunhar atos de violência horríveis com os seus próprios olhos. Há testemunhas que os viram a descer de La Creda de Grizana carregados de munições, um pouco abaixo do local da Serra di Sotto. Outros viram-nos exaustos, suados e sujos, transportando com grande esforço aquelas caixas pesadíssimas, segurando-as à frente com as mãos.

 

PRISIONEIROS NA FÁBRICA DE CÂNHAMO

Ao cair da noite, Capelli e Comini são trancados juntamente com outros cinquenta reféns no estábulo da fábrica de cânhamo de Pioppe de Salvaro.

Ao meio dia desse sábado, 30 de setembro, é realizado um interrogatório geral, com a classificação dos homens ‘aptos e inaptos’ para a deportação para a Alemanha.

No final, formam-se três grupos um de idosos e feridos, outro de jovens e saudáveis.

 

A EXECUÇÃO

Amanhece o domingo. Traz consigo um novo mês no calendário: é 1 de outubro.

O grupo de prisioneiros idosos implora aos padres que não os abandonem e suplica que façam algo por todos eles.

Martino e Elia confessam-se um ao outro e, posteriormente, dão a absolvição a todos os presentes.

Às 19H30, todos os prisioneiros do grupo de idosos ou inválidos, num total de 46 são conduzidos para o estabelecimento onde fica o depósito de água, que gerava eletricidade para mover aas máquinas de cânhamo. Em Pioppe, chamam-no de ‘botte’. Naquele momento está vazio, sendo mais um depósito de lama e lodo do que uma piscina com água.

São obrigados a alinhar-se ao logo de uma das passarelas da barragem, mesmo em frente a cerca de 20 soldados e duas metralhadoras apontadas para eles.

O grupo é subdividido em dois. Ao entrar o primeiro no recinto, são colocados em filas de três. Comini e Capelli são colocados na primeira fila. O Pe. Martino permanece por algum tempo em profunda oração.

Eram 19H45. As vozes são interrompidas pelo barulho das rajadas de metralhadora. Ao horror juntam-se os gemidos de dor. Os feridos leves são executados com tiros de espingarda. O segundo grupo de condenados, além de ser espetadores do que iria acontecer com eles, recebe a ordem de atirar os mortos na Botte, enquanto um oficial mata com a sua pistola aqueles que ainda dão sinais de vida.

A essa hora já é noite cerrada no norte da Itália. Assim, aproveitando a escuridão e toda essa agitação, alguns tentam fugir, mas os soldados escondidos, ajudados pela luz das lanternas, começam a caçá-los literalmente. A situação fica fora de controlo e o segundo grupo é metralhado com certa pressa, o que faz com que metade dos metralhados fiquem levemente feridos. Por esse motivo, os soldados lançam quatro ou cinco granadas dentro da botte, antes de se retirarem.

 

O ÚLTIMO SUSPIRO

O barulho dos passos das botas nazis afasta-se e, dentro da botte, um dos idosos, Aldo Ansaloni, consegue emergir do amontoado de cadáveres metralhados ou despedaçados pelo efeito das granadas lançadas. Ele não tem outra escolha a não ser agarrar-se e apoiar-se nos corpos ao seu lado. Percebe que um deles é o Pe. Capelli, porque consegue identificar na escuridão o seu cordão de religioso, ou seja, o sinal distintivo do hábito religioso dehoniano.

Mas a surpresa é maior quando, ao sentir o contacto com o seu corpo, o Pe. Capelli, apesar de ter o ventre literalmente ferido, aberto pelas balas, consegue recuperar a consciência, levantar-se com dificuldade e pronunciar algumas palavras que aquele ancião, que já era surdo, não consegue compreender.

O Pe. Capelli agoniza, mas consegue reunir forças para traçar o sinal da cruz sobre tudo e todos. Incansável. Até que não consegue mais. O seu corpo cai sobre o dos seus companheiros de infortúnio, com o rosto voltado para baixo e os braços estendidos em forma de cruz. Assim, o Pe. Nicola Capelli, religioso presbítero dos Sacerdotes do Coração de Jesus, dá o seu último suspiro.

 

MÁRTIRES DO MONTE SOLE

O Pe. Capelli morre violentamente, executado por um pelotão das SS nazis, sem que houvesse um processo normal perante um tribunal civil ou militar. A sua morte não é um caso isolado e define um estilo de ação apostólica e ministerial que também adquire uma luz própria. Ele é assassinado juntamente com o Pe. Elia Comini (salesiano), e ficam unidos aos nomes daqueles outros padres diocesanos de Bolonha que ali foram também mortos, nomeadamente o Pe. Ubaldo Marchioni, todos conhecidos como Mártires do Monte Sole.

 

EPÍLOGO

Todas as tentativas de recuperar os corpos falharam. Nos dias seguintes os alemães impedem a recuperação dos cadáveres. Aproximadamente vinte dias depois, as comportas do canal são abertas, as eclusas dos lagos montanhosos são levantadas e, ao libertar tanta água, a corrente arrasta os cadáveres que já estão em estado deplorável, levando-os pelo rio Reno e espalhando-os.

RELÍQUIA DO MARTIR

Na impossibilidade de apresentar qualquer relíquia do Beato Martino Capelli, por motivos óbvios, o seu Relicário consiste numa página do seu diário, manuscrita, em que expressa o desejo de martírio, como consagração total da sua vida ao Senhor.

 

ÍCONE DO BEATO

A Igreja de Nembro, cidade natal do Mártir Martino Capelli, SCJ, apresenta um ícone da sua beatificação, criado pela artista Marina Bonalberti.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, bom Pastor,

agradecemos-te por teres chamado

o Pe. Martino Capelli

a viver na tua Igreja

como religioso e sacerdote,

consagrado ao teu Coração divino.

 

Pedimos-te, por sua intercessão,

que sejamos confirmados na fé,

fortalecidos na esperança,

enraizados na caridade,

para que também a nossa vida

possa ser um serviço

De amor a ti

e a todos os nossos irmãos,

para alegria e glória do Pai.

 

Coração de Jesus, no teu amor infinito,

concede-nos a graça…

que confiadamente te pedimos

por intercessão do Padre Martino,

filho devoto de Nossa Senhora das Dores

e ardente apóstolo da reconciliação e da paz.

 

Bem Aventurado Pe. Martino Capelli,

rogai por nós.

 

VER TAMBÉM

Um novo Mártir Dehoniano

Mártir de facto

Aniversário de martírio

Centenário de Nascimento de um mártir

 

O + importante está dentro


3ª feira – XXVIII semana comum


- Depois de Jesus ter falado, um fariseu convidou-o para comer

- Quando Jesus tomou lugar à mesa, o fariseu admirou-se, ao ver que Jesus não tinha feito as abluções.

- Disse-lhe o Senhor – O mais importante está dentro do copo…

 

Conclusão:

- Jesus fala às multidões e fala ao grupo restrito à volta da mesa.

- Jesus fala com a boca (palavra) mas também como exemplo (com o que faz e com o que não faz).

- Jesus aponta sempre para o mais importante, para o que está dentro, para o coração e o que ele encerra.

Versão alternativa desta página do evangelho

- Senhor padre, ajude-me. A minha mulher gasta todas as semanas uma fortuna no cabeleireiro. Convença-a a não gastar tanto.

Quando essa mulher veio ter comigo, fiz-lhe apenas uma pergunta:

- O que é mais importante – a caixa de oferta ou o que está dentro?

- Ó senhor padre?! Claro que aquilo que está dentro é mais importante.

- Então porque gastas tanto no cabelo que está na parte de fora da cabeça em vez de investir no que está dentro?

 

domingo, 11 de outubro de 2026

E a casa ficou cheia

 

Ano A – XXVIII domingo comum

Deus quer receber a todos na sua casa para que cada um de nós não tenha medo de o receber na sua própria casa.

Ninguém fica fora da casa de Deus para que Deus nunca fique fora da nossa casa.

Então deixa Jesus entrar na tua própria casa...


Nova versão da Parábola dos convidados para o Banquete das Bodas

 

Tá vendo aquele edifício, moço?

Ajudei a levantar

Foi um tempo de aflição

Era quatro condução

Duas pra ir, duas pra voltar

Hoje depois dele pronto

Olho pra cima e fico tonto

Mas me vem um cidadão

E me diz, desconfiado

Tu tá aí admirado

Ou tá querendo roubar?

Meu domingo tá perdido

Vou pra casa entristecido

Dá vontade de beber

E pra aumentar o meu tédio

Eu nem posso olhar pro prédio

Que eu ajudei a fazer

 

Tá vendo aquele colégio, moço?

Eu também trabalhei lá

Lá eu quase me arrebento

Fiz a massa, pus cimento

Ajudei a rebocar

Minha filha inocente

Vem pra mim toda contente

Pai, vou me matricular

Mas me diz um cidadão

Criança de pé no chão

Aqui não pode estudar

Essa dor doeu mais forte

Porque é que eu deixei o norte?

Eu me pus a me dizer

Lá a seca castigava

Mas o pouco que eu plantava

Tinha direito a comer

 

Tá vendo aquela igreja, moço?

Onde o padre diz amém

Pus o sino e o badalo

Enchi minha mão de calo

Lá eu trabalhei também

Lá foi que valeu a pena

Tem quermesse, tem novena

E o padre me deixa entrar

Foi lá que Cristo me disse

Rapaz deixe de tolice

Não se deixe amedrontar

Fui eu quem criou a terra

Enchi o rio, fiz a serra

Não deixei nada faltar

Hoje o homem criou asa

E na maioria das casas

Eu também não posso entrar

 

Fui eu quem criou a terra

Enchi o rio, fiz a serra

Não deixei nada faltar

Hoje o homem criou asas

E na maioria das casas

Eu também não posso entrar

 

CF Letra do Poema-Música “Cidadão”, de Lúcio Barbosa

Lúcio Barbosa dos Santos, cantor e compositor baiano da cidade de Senhor do Bonfim, compôs em 1979, a canção “Cidadão” como homenagem a um tio que era pedreiro. Em 1979, ela foi gravada pela primeira pelo Cantor Zé Geraldo, que, após conhecê-la com um encontro com o compositor, decidiu gravá-la no maravilhoso disco Terceiro Mundo.

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