quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Sacrifícil ou sacrifácil


5ª feira depois das Cinzas


Se alguém quiser vir comigo

é preciso querer

 

renuncie a si mesmo

é preciso dizer sim a Deus e não ao resto

 

tome a sua cruz

é preciso abrir os braços

 

todos os dias

é preciso permanecer

 

e siga-Me

é preciso ir em frente

 

Resumindo:

Seguir a Cristo não é sacrifícil nem sacrifácil.

É sacrifício.

 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Sermão de Fernando Pessoa


4ª feira de Cinzas


Não mudes de comunidade 

para mudares de vida.

Muda de vida 

para mudares a comunidade.


Iniciamos a Quaresma com um convite a mudar de vida, à conversão e renovação.

No Livro do Desassossego, nº 42, de Bernardo Soares, Fernando Pessoa explica o que significa para ele a conversão:

“Não compreendo senão como uma espécie de falta de asseio esta inerte permanência em que jazo da minha mesma e igual vida ficada como pó ou porcaria na superfície de nunca mudar.

Assim como lavamos o corpo, deveríamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa – não para salvar a vida, como comemos e dormimos, mas por aquele respeito alheio por nós mesmos, a que propriamente chamamos asseio.

Há muitos em quem o desasseio não é uma disposição da vontade, mas um encolher de ombros da inteligência. E há muitos em quem o apagado e o mesmo da vida não é uma forma de a quererem, ou uma natural conformação com o não tê-la querido, mas um apagamento da inteligência de si mesmos, uma ironia automática do conhecimento.”

De facto, mudar de vida é uma questão de asseio e de inteligência.

Sem asseio nem inteligência não há conversão.

É por isso que só os seres humanos são capazes de mudar de vida ou de conversão.

 

E no nº 301 da mesma obra:

“A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova. Baldado esforço o teu se queres sentir outras coisas sem sentires de outra maneira, e sentires de outra maneira sem mudares de alma. Porque as coisas são como nós as sentimos – há quanto tempo sabes tu isso sem o saberes? – e o único modo de haver coisas novas, de sentir coisas novas é haver novidade no senti-las.

Muda de alma. Como? Descobre-o tu.

Desde que nascemos até morrermos mudamos de alma lentamente, como do corpo. Arranja meio de tornar rápida essa mudança, como em certas doenças, ou certas convalescenças, rapidamente o corpo se nos muda.”

À margem:

Eu preciso de cinzas para quê?

A cinza é sinal de humildade, de purificação, de fertilização.

- Se eu sou orgulhoso, autossuficiente – preciso das cinzas para me devolver a humildade.

- Se eu sou malicioso, hedonistas – preciso das cinzas para me limpar e purificar.

- Se eu sou preguiçoso, estéril – preciso das cinzas para me fertilizar e fortalecer para florir e dar bom fruto.


Ver também:

Quaresma é que nos faz

O tripé da Quaresma

O segredo da Quaresma

A vida na Quaresma

Caminho quaresmal

Escrever com cinza

Jejum ou dieta digital

Do pó ao homem novo

Decálogo do jejum

Jejum

Bênção das cinzas

Como fazer Quaresma

Não te contentes

Itinerário quaresmal

Tempo de rejuvenescimento

Lembra-te ó pó que és homem

Jejum é higiene espiritual

Início da Quaresma

Formas de jejum

Receita quaresmal

Cinzas

 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Hoje é o Dia da Malassada


Dia de Entrudo

Terça-feira Gorda

Dia de Carnaval

Dia da Malassada

Este dia mostra que a Igreja é contra a melancolia ou contra a tristeza.

São João Crisóstomo ensinava que a Igreja é um hospital, e não um tribunal para as almas. Ela não condena pelos pecados, mas concede a remissão dos mesmos. Nada é tão alegre na nossa vida quanto a gratidão que experimentamos na Igreja. Na Igreja, os alegres mantêm a sua alegria. Na Igreja, os preocupados encontram alegria, e os tristes, felicidade. Na Igreja, os aflitos encontram alívio, e os sobrecarregados, descanso.

Terça-feira Gorda deveria ser uma lembrança das coisas boas da vida: aproximar-se de Deus, que nos ama, passar tempo com a família e a comunidade da igreja e desfrutar comidas favoritas.

No entanto, às vezes certas maneiras de celebrar o Carnaval, especialmente na sociedade secular, não enaltecem a celebração. Beber demais ou dar festas desregradas nos degrada como seres humanos em vez de nos elevar.

O Dia das Malassadas era uma celebração popular entre os católicos. A família reunia-se para comer malassadas à volta da mesma mesa. Também era dia de receber visitas à procura das mesmas malassadas…

Como o jejum da Quaresma era mais rigoroso naquela época, as malassadas eram escolhidas não apenas por serem deliciosas, mas também para que os ovos, o leite e as gorduras não se estragassem durante a Quaresma.

Os ingredientes das Malassadas podem ser vistos como símbolos dos valores a não esquecer nesta época do ano:

-  Os ovos representam a criação e os dons de Deus.

- A farinha representa o trabalho do homem e o sustento da vida.

- O sal simboliza a integridade e a missão do homem como sal da terra.

- O leite lembra a pureza, o amor e a candura familiar.

- O mel de cana recorda a nossa terra abençoada onde corre o mel…

 

Deus, Família e Malassadas: Não há melhor maneira de celebrar a Terça-feira Gorda, o Dia Carnaval, o Entrudo ou o Dia das Malassadas.

 

À margem:

É estranho o nome de Malassada.

Alguns dizem que é mal-assada porque é frita e não assada.

Outros afirmam que deve ser mel-assada porque servida com mel.

Tudo isto depende do gosto de cada um.

 

Ver também:

Aprende com as brincadeiras

Margarida vai à fonte

Dormir durante o sermão

Da folia à agonia

Dia de oração e reparação

Máscaras de Carnaval

 

Aprende com as brincadeiras


Hoje é dia de Carnaval

Ninguém leva a mal

Há quem brinque com as coisas sérias

Há quem aprenda com as brincadeiras

Ver também:

Margarida vai à fonte

Dormir durante o sermão

Da folia à agonia

Dia de oração e reparação

Máscaras de Carnaval


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Calar e mudar de lugar


2ª feira – VI semana comum

Alguns fariseus como queriam discutir com Jesus pediram-lhe um sinal do céu.

Jesus disse-lhes que nenhum sinal lhes daria e foi para a outra margem.

 

Os fariseus não estavam interessados em nenhum sinal, mas apenas interessados a discutir ou pôr Jesus à prova.

Jesus responde a esta provocação de duas maneiras: por palavras (nenhum sinal vos darei) e por gestos ou ações (subiu para o barco e foi para outra margem do lago).

 

Jesus ensina-nos assim o método para evitar qualquer discussão:

- Calar

- Mudar de lugar

 

Para não discutir com os irmãos é preciso CALAR (não responder) e MUDAR DE LUGAR (mudar de assunto).

 

Para não discutir com Deus é preciso CALAR (aceitar) e MUDAR DE LUGAR (mudar de atitude.

 

Ver também:

Jesus é o sinal do céu

Interpretando o sinal

Nenhum sinal vos será dado

Discutir só para destruir

Dois sinais

Trocos e sinais

Queriam discutir

 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Jesus veio completar a Lei


Ano A – VI domingo comum

Não vim  revogar, mas completar a lei

Na obra ‘Maria, a mulher que acreditou’, o autor e religioso dos Irmãozinhos de Jesus, Carlo Carretto (+1988) começa contando uma história sobre a rigidez da lei no mundo islâmico. O Irmão Calo Carretto morou com os beduínos na Argélia. Ele havia conhecido um casal que estava prestes a contrair matrimónio. Contudo, Carlo teve de viajar para a Itália. Ao voltar da viagem, perguntou sobre o casal e obteve a trágica resposta: - A noiva apareceu grávida e teve de ser apedrejada até à morte, conforme a nossa lei. Carlo Carreto conta que ficou muito triste. E concluiu: Ainda bem que Jesus completou a nossa lei!

O legalismo pode matar a nossa relação com Deus e com os outros. Colocar a lei acima de qualquer situação particular e delicada é nocivo à vida humana.

A lei foi feita para o homem, e não o homem para a lei. O amor está acima da lei.

Jesus não veio revogar a Lei ou os Profetas, mas completar. (Cf. Pe. Luiz Alípio S. Neto)

E como é que a completa? Vivendo-a com amor.

O amor é a nova lei instituída por Cristo e inscrita com o seu sangue no coração de todos.

São João Crisóstomo (c. 345-407) – Jesus Cristo, perfeito cumprimento da lei, por isso, depois de dizer: “Eu não revogo a lei”, Ele repetiu isso e acrescentou algo ainda maior às palavras: “Não penseis que vim destruir. Não vim destruir, mas cumprir.

Completar a Lei é cumprir.


À margem:

Os 10 mandamentos deveriam ser discriminados em uns 10.000 pequenos itens que podem simplesmente ser resumidos a uma linha:

Não faças nada que não demonstre amor pelas pessoas.

 

Ver também:

A melhor oferta é o perdão

A melhor oferta é a paz

Para cumprir basta querer

Reconciliar-se com quem

Fazer as pazes

O preço da reconciliação

O destino e o GPS

Reconciliar-se primeiro

Vai primeiro perdoar

Ser livre

 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Quantas pedras no sapato


Hoje, na minha caminhada ao fim da tarde, não me saiu da cabeça a letra da canção Casa dos D.A.M.A.

“Quantas pedras trago eu no sapato

Quantas vou tirar logo à tardinha.”

Tantas vezes tive de parar para sacudir os grãos de areia que sentia dentro do sapato.

Chegando a casa, ainda a trautear essa música, relatei esse incómodo aos meus colegas.

Fui logo bombardeado com tantas explicações, cada cabeça sua sentença, por que aparecera tantas pedras no meu sapato:

- Porque eu não usava calçado apropriado (e é verdade, mas tem sido sempre o mesmo).

- Porque as meias deviam ser mais grossas (talvez tenham razão, mas são do mesmo lote).

- Porque as ruas não foram varridas, ou o vento tinha trazido muita areia (obrigado por lembrar que a culpa é sempre dos outros).

- Porque estaria a andar cada vez mais desajeitado (gostei da maneira suave de dizer que estou a ficar ainda mais velho).

Então, para esclarecimento de todos, declarei em abono da verdade:

- Logo na primeira vez que sacudi as pedras do sapato reparei que a sola estava gasta e ostentava um buraco que prometia alargar-se.

Calaram-se todos, um tanto envergonhados por lhes ter escapado uma explicação tão plausível.

Para virar o bico ao prego, alguém quis saber se parei cada vez que senti uma pedra no sapato.

- Claro que sim. Não sou homem para caminhar com uma pedra a incomodar, podendo aliviar essa situação.

- Não tens vocação para mártir, nem para o sacrifício – acusou alguém.

- Só sei que carregar uma pedra no sapato sem a querer tirar é como receber uma provocação, uma injúria ou ofensa, guardar tudo isso, carregá-la, suportando inutilmente o peso e o efeito. É uma maneira de ampliar o mal que encontramos. Convém desfazer-se dessas pedras, por pequenas que sejam para continuar a viagem mais livre e leve. Preferi ter o incómodo de parar várias vezes e tirar as pedras do que suportar o incómodo da pedra que continuava a ferir o meu pé.

- E tiveste tempo e paciência para isso?

- Sim. Não perdi tempo em parar e tirar as pedras do sapato. Ganhei tempo e disposição para avançar mais confortável e seguro. Pior que uma pedra no sapato é andar descalço.

E terminei parafraseando alguém:

- Pedras no meu sapato? Tiro todas, um dia vou construir um castelo.

 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Abre o coração, ouve melhor


Abrir o coração para ouvir melhor

6ª feira – V semana comum

Effathá – Abre-te.

O milagre não é feito à distância: Jesus aproxima-se, toca e entra na realidade daquele homem, surdo-mudo

Jesus não disse ouve, fala.

Ele disseabre-te – porque o problema não estava só no ouvido ou na língua; estava no fechamento da pessoa inteira. Havia uma surdez interior que era pior do que a física, pois era a surdez do coração.

O milagre não foi curar para ouvir sons, mas a voz de Deus; não foi para emitir voz, mas para falar palavras que edificam.

A cura do coração começa com a escuta.

Só escuta bem quem tem um coração aberto…

 

Ver também:

Querer ouvir

Falar corretamente

Abrir para entrar e sair

Abre-te

Effathá

Fazer cócegas