sexta-feira, 24 de abril de 2026

O Pão que nos transforma


6ª feira – III semana da Páscoa

 

Quais os efeitos do Pão do Céu em nós?

O que acontece a quem recebe o Pão da Eucaristia?

Numa refeição nós transformarmos o pão que recebemos

Na Eucaristia, não transformamos o Pão que recebemos, mas é o Pão que nos transforma.

 

Jesus é o pão da vida!

Ele realiza no nosso interior tudo o que o pão material faz no nosso corpo:

- Sacia a fome, alimenta, dá energia para viver.

Jesus falou algo mais profundo ainda:

- Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele.

Quem recebe a eucaristia torna-se um só com ele.

Santo Agostinho dizia: o cristão que comunga é transformado naquele que recebe, é transformado em Jesus, mesmo sem perceber.

De facto, quando ingerimos um alimento corporal, nós transformamos esse alimento em vida dentro de nós.

Quando recebemos o pão da eucaristia, nós é que somos transformados naquilo que recebemos.

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Jesus, o Pão que cai do Céu


5ª feira – III semana da Páscoa

A) Eu sou o pão vivo descido do Céu, disse Jesus.

A Marilisa, cm grandes olhos curiosos, veio dar-me uma voa notícia:

- Senhor padre, eu vou fazer a primeira comunhão.

- Bravo, Marilisa. Parabéns. É, de facto, uma grande alegria para ti e para Jesus.

E fiquei à espera de mais alguma coisa. Quando a Marilisa se aproxima é porque quer saber algo mais e esta vez não foi exceção.

- Senhor padre, a minha irmã diz que a hóstia da comunhão não tem sabor. É verdade que não sabe a nada?

- Não vou responder a isso. Tu é que chegarás à conclusão sobre o sabor da hóstia da comunhão. Na missa nós recebemos o convite para saborear e ver como o Senhor é bom. Portanto, saborear é descobrir o sabor. Agora diz-me: se eu te der pão da terra, qual será o seu sabor?

- Terá o sabor da terra – respondeu a Marilisa.

- E se eu te der o Pão do Céu, qual será o seu sabor?

- Saberá a céu…

- Então ficas a saber que a tua irmã está enganada. A hóstia consagrada sabe a Deus, tem gosto do céu.

Não sei se a Marilisa entendeu o que lhe falei, só sei que nesse dia eu saboreei melhor a sagrada comunhão, por causa desta sua conversa

 

B) Filipe foi ter com o Etíope e anunciou-lhe Jesus Cristo.

E continuou anunciando a boa nova a todas as cidades por onde passava.

É preciso anunciar o Evangelho a todas as pessoas que vêm ter connosco bem como a todas as pessoas a quem nós vamos ao seu encontro.

 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Como é bom estarmos aqui!

Durante as minhas caminhadas ao fim da tarde encontro cada vez mais pessoas conhecidas e não deixo de cumprimentar ou de ser cumprimentado, nem que seja com um olhar, um aceno ou um sorriso.

Em geral a saudação mais inútil é perguntar:

- Então, o senhor padre como está?

E eu, sem disfarçar um sorriso irónico, respondo:

- Cá estou!

Pode parecer pouco, mas basta dizer isso, porque estar é tão bom.

Aprendi a responder assim com o poeta Teixeira de Pascoaes.

Ele recordava uma visita ao Castelo de São Jorge em Lisboa em que se deparou com uma senhora idosa parada a olhar o infinito. Estranhou e perguntou-lhe:

- O que está a senhora a fazer aqui?

E a senhora respondeu:

- Estou aqui.

Pascoaes, apesar de ser poeta, cedeu a perguntar:

- Mas aqui a fazer o quê?

E a resposta veio, avassaladora:

- O senhor acha que é pouco eu estar aqui?!

O poeta, rendido, confessou o imenso estalo espiritual que levou. Aquela mulher tinha acabado de lhe revelar uma verdade maior do que tudo o que tinha lido em Platão e demais filósofos.

Estar aqui é uma grande coisa. É o princípio da sabedoria e um dom da vida.

Estar é mais do que ficar parado, é maravilhar-se, é contemplar a beleza, é meditar e mergulhar no grande mistério.

A palavra meditação vem do verbo mederi, que significa cuidar de, tratar de, prestar atenção a, e está igualmente na origem da palavra medicina.

Meditação e medicina são irmãs, tão inseparáveis quanto aquilo a que se dedicam: a primeira mais ao cuidar da mente, a segunda mais ao cuidar do corpo.

Procuro a companhia destas duas irmãs nas minhas caminhadas diárias.

Cada caminhada é ao mesmo tempo meditação e medicina. E nem preciso de parar para contemplar e para curar.

- Então como estás?

- Estou!

E é tudo, pois estando, eu caminho e contemplando cuido do corpo e do espírito.

Como é bom estarmos aqui, já dizia São Pedro no monte Tabor…

Quero ainda esclarecer que quando fico parado a olhar para o infinito, como aquela senhora no Castelo de São Jorge, tenho a sensação de que mais do que contemplar, eu é que sou contemplado. Mais do que ver, eu é que sou visto não pelos outros ou pelo poeta, mas pelo próprio infinito que me toca e me envolve.



terça-feira, 21 de abril de 2026

Sei que não vou por aí!

Uma vez no final da minha caminhada ao fim da tarde encontrei um casal a discutir num cruzamento.

A mulher queria ir por uma rua e o homem insistia em ir por outra. E cada um queria levar a sua avante.

- Por que não queres ir por aqui?

- Hoje eu não vou por aí e ponto final.

E assim continuavam a repetir as mesmas coisas:

- Vamos por aqui…

- Não vou, não vou, não vou – respondia batendo o pé no chão.

Não diziam as razões da recusa, nem outras explicações. Só não queriam ir pelo mesmo caminho.

Seria por ser mais longo ou demoroso? Mas afinal estavam ali a sofrer e a perder o tempo naquele impasse.

Ao fim e ao cabo não queriam ir pelo mesmo caminho, mas não queriam separar-se. 

 

Fiquei a pensar que nunca terei semelhante impasse, pois caminho habitualmente sozinho. Mas mesmo assim às vezes hesito, volto atrás, deito sortes para seguir o caminho certo.

Não sei como ficou resolvida a situação daquele casal, pois apressei-me a chegar a casa para rever o Cântico Negro do poeta José Régio, que abrevio aqui e que pode resumir tal experiência:

“Vem por aqui - dizem-me alguns com olhos doces,

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: vem por aqui!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,

Por que me repetis: vem por aqui?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

a ir por aí

Ninguém me diga: vem por aqui!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou

Não sei para onde vou,

Não sei para onde vou

- Sei que não vou por aí!”

 

De facto, apesar de eu não ter discussões destas, a minha vida é um constante discernimento para saber por onde vou. Mas isso parece de menor importância. Às vezes desvalorizo por onde vou, desde que não perca de vista para onde vou.

O mais importante não é ir por aqui ou por aí, desde que se chegue ao destino ou à meta. É que todos os caminhos vão dar a Roma…



domingo, 19 de abril de 2026

Três portas do Ressuscitado


Ano A – III domingo da Páscoa

Comecei a homilia da missa das crianças perguntando-lhes quantas portas de acesso tinha aquela igreja.

Foram dando palpites e olhando para todos os lados.

Em geral os templos têm 4 portas, uma virada para cada ponto cardeal – Norte, sul este, oeste.

Depois perguntei qual seria a porta principal ou a mais importante.

E todos apontaram para a grande porta de entrada porque a maior. Respondi que era mais alta e mais larga não por porta de entrada, mas por ser porta de saída, pois não entram todos de uma vez, mas no fim saem todos ao mesmo tempo.

O Evangelho hoje proclamado – o Episódio dos discípulos de Emaús - indica-nos qual a porta mais importante.

Ele fala de 3 portas de acesso a Cristo Ressuscitado:

 

1ª porta – A comunidade.

Iam a caminho de Emaús 2 discípulos e Jesus juntou-se a eles. Onde dois ou três reunidos em seu nome, estaria no meio deles. Disse e cumpriu.

De facto, a comunidade, o grupo unido é a primeira porta para sentir a presença de Deus. Quando não valorizamos a comunidade, predemos uma boa oportunidade de acesso a Cristo Ressuscitado.

 

2ª porta – A Palavra de Deus

Jesus então explicou-lhes as Escrituras.

De facto, a Palavra de Deus, lida, escutada, guardada no coração e praticada é uma porta de acesso à presença de Deus.

Quem não se abeira da Palavra de deus, não passa pela porta que nos Leva ao encontro de Deus.

 

3ª porta – A Eucaristia

Jesus sentou-se com eles à mesa, tomou o pão, abençoou-o e repartiu-o. Então eles reconheceram Jesus Ressuscitado.

A Eucaristia, a sagrada comunhão é a terceira porta que nos leva a Jesus ou que nos tras Jesus até nós.

Quem não vem à Eucaristia perde uma boa oportunidade de ir ao encontro de Cristo.

 

Estas são as três portas principais que nos levam até Cristo Ressuscitado, tal como experimentaram os discípulos de Emaús.

Cada um pensa qual destas três portas mais precisa de experimentar para ir até Jesus.

 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Dois milagres num só milagre

6ª feira – II semana da Páscoa

Não sei se há dois milagres da multiplicação dos pães e dos peixes (um dos cinco pães, outro dos sete pães) ou se há duas versões do mesmo milagre.

O que sei é que em cada episódio podemos encontrar dois milagres:

- Um milagre da multiplicação (o pão que aumenta em quantidade)

- Outro milagre da partilha (o pão que chega a todos)

De facto, não basta multiplicar o pão e os peixes, é preciso reparti-los.

 

A multiplicação sem partilha, é inútil.

A partilha sem multiplicação, é vazia.

 

Deus faz sempre a sua parte – faz crescer a quantidade.

O homem é que nem sempre sabe partilhar.

Há fome no mundo não porque falta o pão.

Há fome porque falta a partilha.

 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Obedecer antes a Deus


5ª feira – II semana da Páscoa

Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens.

 

- Porque Deus conhece tudo.

- Porque Deus nunca muda de ideias.

- Porque Deus nunca se engana.

 

É então melhor obedecer a Deus, pois assim obedece-se melhor.