sexta-feira, 28 de agosto de 2026

As férias de Santo Agostinho

 

Memória de Santo Agostinho

Bispo e Doutor da Igreja

Santo Agostinho, vestido de monge, 

fundador da uma ordem monástica.

Santo Agostinho também tirou férias.

E o que é que fez durante esse tempo?

Ele pediu emprestada a casa de campo de um amigo, levou sua mãe e seus alunos, e passou o tempo debatendo sobre a felicidade. Um modelo para qualquer retiro de verão. Aconteceu em novembro, não em julho. Mas o espírito do que Agostinho fez em Cassiciacum em 386 é exatamente o que o verão representa – e o que a maioria de nós, com nossos celulares, nossos romances inacabados e nossa incapacidade de parar de verificar e-mails, não consegue alcançar mesmo quando tem tempo. Ele havia abandonado a sua carreira. Agostinho lecionava retórica em Milão, um dos cargos académicos mais prestigiosos do mundo romano tardio, e no final do verão de 386 renunciou – ostensivamente por causa de uma doença pulmonar, mas na verdade porque a conversão pela qual passara em um jardim milanês tornara impossível a continuação da antiga vida. Um amigo chamado Verecundus, um gramático que não podia participar do retiro por ser casado e ainda não batizado, ofereceu-lhe o uso de sua casa de campo em Cassiciacum, ao norte da cidade. Agostinho aceitou, reuniu seus seguidores e partiu.

A companhia era íntima: Mónica, sua mãe; Adeodato, seu brilhante filho; seu irmão Navígio; seu amigo mais próximo, Alípio; seus primos Lastidiano e Rústico; e dois alunos, Licêncio e Trigécio. Um taquígrafo também compareceu, registando conversas que se tornariam os primeiros livros cristãos de Agostinho. O que ele mais tarde chamaria de otium philosophandi - ócio filosófico - foi o princípio norteador de toda a estadia. Não ociosidade, não turismo, não distração. Uma desaceleração deliberada para refletir com mais atenção sobre o que realmente importava.

 

Festa de aniversário de Santo Agostinho

No dia 13 de novembro – seu 32º aniversário – ele reuniu os convidados no balneário, serviu-lhes um bolo de aniversário feito de farinha de espelta, amêndoas e mel, e propôs uma conversa de três dias sobre a questão da felicidade. Ele estava preocupado com seu irmão Navigius, que deveria evitar doces por causa de problemas no fígado. Navigius não ia perder o bolo de jeito nenhum. "Pelo contrário, vai me fazer bem", disse ele – o mel da região grega de Imetto era agridoce e não causaria problemas.

O diálogo que se seguiu tornou-se o De Beata Vita – Sobre a Vida Feliz – a primeira obra que Agostinho completou como cristão. Mónica, que não havia recebido educação filosófica formal, participou plenamente e, em certo momento, deu uma resposta tão precisa que seu filho exclamou que era digna de Cícero.

A pergunta que lhe fora feita era: o que é a vida feliz?

A sua resposta foi: conhecer a Deus.

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Gostava de gostar de gostar


Fernando Pessoa no dia de Santo Agostinho.

 

Fernando Pessoa cita as Confissões de Santo Agostinho "Nondum amabam et amara amabam" ("Ainda não amava, e já amava amar") no poema de Álvaro de Campos, refletindo sobre a melancolia e o desejo de sentir.

Gostava de gostar de gostar

 

Um momento... Dá-me de ali um cigarro,

Do maço em cima da mesa de cabeceira.

Continua... Dizias

Que no desenvolvimento da metafísica

De Kant a Hegel

Alguma coisa se perdeu.

Concordo em absoluto.

Estive realmente a ouvir.

Nondum amabam et amara amabam (Santo Agostinho).

Que coisa curiosa estas associações de ideias!

Estou fatigado de estar pensando em sentir outra coisa.

Obrigado. Deixa-me acender. Continua. Hegel...

 

s.d. Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).  - 89.

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

São Natanael, Apóstolo

 

Festa de São Bartolomeu, Apóstolo

Tradicionalmente, o apóstolo Bartolomeu é identificado com Natanael:  um nome que significa «Deus deu». Este Natanael provinha de Caná (cf Jo 21,2), portanto é possível que tenha sido testemunha do grande «sinal» realizado por Jesus naquele lugar (cf Jo 2,1-11). A identificação das duas personagens é provavelmente motivada pelo facto de este Natanael, no episódio de vocação narrada pelo evangelho de João, ser colocado ao lado de Filipe, isto é, no lugar que Bartolomeu ocupa nos elencos dos apóstolos narrados pelos outros evangelhos.

 

Filipe tinha comunicado a este Natanael que encontrara «Aquele de quem está escrito na Lei de Moisés e nos profetas. É Jesus de Nazaré, filho de José». Como sabemos, Natanael tinha um forte preconceito: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?». Esta espécie de contestação é, à sua maneira, importante para nós. De facto, ela mostra-nos que segundo as expectativas judaicas, o Messias não podia provir de uma aldeia obscura como era precisamente Nazaré (cf Jo 7,42); mas, ao mesmo tempo, realça a liberdade de Deus, que surpreende as nossas expectativas fazendo-Se encontrar precisamente onde não O esperávamos. Por outro lado, sabemos que Jesus, na realidade, não era exclusivamente «de Nazaré», pois tinha nascido em Belém (cf Mt 2,1; Lc 2,4) e, em última análise, provinha do Céu, do Pai que está no Céu.

(CF Bento XVI, 2006)

 

Conclusão:
Natanael tinha razão. Confirmou que de Nazaré nunca veio alguma coisa boa. De facto, Jesus não nasceu em Nazaré, nem de lá vinha, Ele vinha do Céu…

 

sábado, 22 de agosto de 2026

90º aniversário do martírio


23 de agosto de 1936

Martírio do Beato Juan Maria da Cruz, SCJ

Oração

Beato Juan Maria,

tu que foste um homem simples,

pedimos-te que nos acompanhes no nosso caminho.

Não procuraste ser um herói nem ter poder,

apenas quiseste ser fiel a Jesus até ao fim.

Aceitaste o teu destino com uma paz profunda,

porque sabias que a tua vida estava nas mãos de Deus.

É essa mesma confiança que hoje te pedimos

para enfrentarmos com serenidade as nossas dificuldades.

Olha com especial carinho para os jovens

que sentem o chamamento para servir os outros.

Tu, que proteges as vocações dehonianas,

dá-nos a clareza necessária para descobrirmos

a vontade de Deus sobre cada um de nós

Não deixes que o medo ou as dúvidas nos impeçam.

Ajuda-nos a ver que vale a pena entregar a vida.

Dá-nos um coração corajoso como o que tu tiveste,

capaz de dizer «sim» com alegria e sem condições.

Ensina-nos a todos a reparar a dor do mundo,

colocando amor onde outros apenas colocam indiferença.

Sê o nosso amigo no céu e o nosso exemplo na terra

para que nunca nos cansemos de seguir Jesus.

Ámen.

 

Ver também:

Proto mártir dehoniano

Memória dehoniana


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

3 amores, 2 mandamentos


6ª feira – XX semana comum

Duplo mandamento

 

Deus não te pede muitas coisas porque, por si mesma, a caridade é o pleno cumprimento da Lei.

Mas este amor é duplo: amor a Deus e amor ao próximo.

Quando Deus te manda amar o próximo, não te diz: ama-o com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente; mas diz-te: ama o teu próximo como a ti mesmo.

Portanto, ama a Deus com todo o teu ser, porque Ele é maior do que tu; ama o teu próximo como a ti mesmo, porque ele é como tu.

Mas, se há três objetos do nosso amor, porque há apenas dois mandamentos?

Vou dizer-te: Deus não julgou necessário encarregar-te de te amares a ti próprio porque não há ninguém que não se ame a si mesmo. Mas muita gente se perde porque se ama mal. Ao mandar-te amá-lo com todo o teu ser, Deus deu-te a regra segundo a qual deves amar.

Queres amar-te? Então ama a Deus com todo o teu ser. Com efeito é nele que te encontrarás, evitando assim perderes-te em ti. Deste modo é-te dada a regra segundo a qual deves amar-te: ama Aquele que é maior do que tu e amar-te-ás a ti mesmo e amarás o teu próximo como a ti mesmo.

(Sermão de Santo Agostinho)

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Dar-te-ei um coração novo


5ª feira – XX semana comum

Da 1ª leitura – Arrancarei do teu peito o coração de pedra e dar-te-ei um coração de carne.

Deus cumpriu essa profecia, dando-nos um coração de carne, coração manso e humilde, um coração aberto. É o Coração de Jesus.

 

Do Evangelho – E a sala encheu-se de convidados.

A maior alegria de um pai é ver todos os seus filhos unidos à volta da mesma mesa. É este o objetivo desta parábola.

Deus continua a nos convidar para nos unirmos à volta da mesma mesa do pão e da sua palavra.

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Deus é um Deus de saída

4ª feira – XX semana comum

- Porque é que o senhor da parábola de hoje saiu 6 vezes ao encontro de trabalhadores?

Sabendo que o proprietário é Deus e os trabalhadores são os seus filhos, as respostas podem ser muitas, mas complementares:

 

- Porque os trabalhadores precisavam do proprietário.

- Porque o proprietário precisava de trabalhadores.

- Porque Deus não quer ver ninguém desocupado.

- Porque Deus não pode passar mais de 2 horas sem ir ter com os homens.

- Para que os homens se habituem à presença de Deus.

- Porque não somos apenas nós a procurar a Deus, mas Deus é quem nos procura.

- Porque Deus está connosco em todos os momentos do dia.

- Para que não tenhamos medo de ser uma igreja de saída.

- Para nos ensinar a viver em função dos outros.