quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O Véu de Santa Águeda


Santa Águeda, Virgem e Mártir (+ 251)

O véu da santa e a santa do véu


Diz-se que Santa Águeda usava um véu no dia do seu martírio.

- Alguns dizem que o véu pertencia a uma senhora que cobriu Águeda no momento dos seus tormentos tapando o peito donde lhe cortaram os seios, em sinal de pudor e de compaixão.

- Outros dizem que fazia parte da vestimenta da santa que, usando o véu por cima de uma túnica branca, indicaria a sua consagração a Deus e a sua virgindade.

- Outros ainda sustentam que o véu era branco e ficou vermelho ao passar pelos carvões incendiados e pelo sangue derramado, ícone do seu martírio.

- Independentemente da sua origem, o véu ficaria mais famoso um ano depois do martírio de Águeda, quando esta relíquia foi utilizada para pedir a intercessão da Santa, no que ficou conhecido como o “milagre do vulcão”.

 

O Milagre do Vulcão

O vulcão Etna começou a entrar em estado de erupção e, como é compreensível, os habitantes da cidade ficaram assustados com a situação.

Pegaram então o véu que tinha sido de Santa Águeda e o levaram ao vulcão em oração, pedindo que, se aquele véu ajudou a aliviar de alguma maneira os sofrimentos de Águeda, que ela conseguisse também de Deus o alívio desse susto que estavam passando.

E os habitantes da cidade foram ouvidos, porque a lava cessou e o vulcão ficou dormente de novo. E conta-se que não foi apenas nessa ocasião que Santa Águeda, por meio dessa relíquia, conseguiu o alívio dos sofrimentos da população.

 

Que Santa Águeda lance sobre nós o seu véu

Para nos manter íntegros para Deus

E nos dê coragem e força para vencer as tentações e as adversidades.

 

Ver também:

Bons cristãos e cristãos bons

Santa Águeda

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Preferiu o mato ao palácio


São João de Brito, Presbítero e mártir

Porque a sua felicidade não estava neste mundo.

Eu amo mais o céu do que a terra, amo mais as florestas de Madurai do que os palácios de Portugal (São João de Brito)

 

Nascido na cidade de Lisboa em 1 de março do ano 1647, João era filho de Salvador de Brito Pereira e Brites de Portalegre, nobres membros da corte de Portugal. Seu pai, mais tarde, viria aa ser governador do Rio de Janeiro. Desde a infância, sendo de família cristã, alimentou o desejo de se tornar um missionário evangelizador em terras distantes, apesar da saúde frágil. Dedicou-se aos estudos e fez o máximo de sua parte, contando com a providência divina. Ao completar vinte e seis anos, João de Brito foi ordenado sacerdote e ingressou na Companhia de Jesus. Apesar da saúde frágil, viajou para a Índia, onde se sentia chamado a pregar a Palavra de Deus, tornando-se hindu como os hindus. Para se aproximar dos hindus, o Padre João de Brito passou a caminhar com um cajado de  bambu, vestir-se com um roupão avermelhado e calçar palmilhas de madeira. Procurava viver e tudo como um hindu, inclusive no comportamento e nos costumes alimentares. Porém sem jamais deixar de pregar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, São João de Brito conquistou muitos corações. Estes, abraçavam a fé em Cristo com firmeza e renovação de coração.

Porém, a fé cristã desmontava vários princípios hindus, principalmente a divisão da sociedade em castas, como destino irreversível de todos os seres humanos. O cristianismo prega exatamente o contrário, afirmando que todos são filhos de Deus, iguais, irmãos, filhos do mesmo Pai. Por isso, São João de Brito passou a sofrer severas perseguições. Foi preso e vítima de terríveis torturas, mas não desistiu. Numa carta de 20 de abril de 1692. “Não há perseguição que me possa roubar a alegria que sinto em pregar, mais uma vez, o Evangelho aos gentios. Nos últimos quatro meses tenho estado escondido numa floresta, vivendo debaixo de uma árvore com tigres e cobras.

São João de Brito foi preso e decapitado. Aconteceu no dia 04 de fevereiro de 1693. Antes de ser executado, São João de Brito obteve permissão para orar. No mesmo local seu corpo teve os membros decepados e foi exposto.

O Papa Pio XII celebrou sua canonização em 1947 e determinou sua festa litúrgica para o dia de sua morte.

 

Ver também:

Um indiano entre os indianos

A quem queremos obedecer

Vestir a camisola

A mãe do mártir

São João de Brito

João de Brito

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Simeão recebeu-o nos braços


Festa da Apresentação do Senhor

No Mistério celebrado hoje os Pais de Jesus foram até ao Templo apresentar, isto é, oferecer o seu filho primogénito.

O filho que receberam nas suas mãos pertencia ao Senhor. Por isso foram entregar-lho nas mãos de Deus.

Mas, afinal, o que é que nós vemos?

Não vemos Jesus nos braços de Deus Pai, mas nos braços do ancião Simeão.

De facto, Simeão foi ao Templo movido pelo Espírito e recebeu  Menino em seus braços, bendizendo a Deus…

Jesus veio ao mundo, não para ficar apenas nos braços de Maria sua Mãe… não apenas para ser devolvido aos braços de Deus Pai, mas para ser recebido por todos os que têm viva a esperança.

 

Onde podemos encontrar Jesus?

- Nos braços de quem tem esperança.

Que Jesus continue a passar de mão em mão, de braço a abraço, porque nós continuamos a precisar do seu abraço.

 

Ver também:

Uma luz que não tem ocaso

Jesus apresentado no templo

Formas de vida consagrada

Vestir-se de Cristo

Essa luz que é Jesus

Na semana dos consagrados

Ninguém se deu conta

Nos braços de Deus

Encontro e luz

Apresentação do Menino

Luz das nações

Nossa Senhora da Estrela

O menino e sua mãe

Pai nosso dos consagrados

Olhos da fé

 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

A montanha é um sermão


Ano A – IV domingo comum

 

Jesus ao ver a multidão, subiu ao monte, sentou-se e começou a pregar…

Porquê sermão da montanha?

Porque as bem-aventuranças é uma montanha…

 

- Jesus viu uma grande multidão, e quando a esmola é grande o santo desconfia. Por isso quis subir de nível. O sermão é a própria montanha – é subida, escalada, esforço.

- Subir ao monte é ficar mais perto de Deus. Só as bem-aventuranças nos leva até deus, ao monte da revelação divina.

- No alto da montanha o horizonte é maior. As bem-aventuranças é a vista do cimo da montanha, ver mais além, alargar os horizontes.

 

À margem 1:

Nada pode fazer o homem feliz, diz Santo Agostinho, senão Aquele que fez o homem.

 

À margem 2:

As Bem-aventuranças são um “retrato espiritual” do carácter interior de Jesus, um esboço do seu coração manso e humilde. As Bem-aventuranças ajudam a compor a existência cruciforme de Jesus na sua pobreza de espírito, luto, mansidão, fome e sede, misericórdia, pureza de coração, pacificação e perseguição por causa da justiça. O Sermão da Montanha nos revela a vida interior de Jesus e o seu carácter. E, ao contemplarmos a beleza de seu coração, somos levados a clamar a Ele para que torne os nossos corações semelhantes ao teu.

 

Ver também:

Quem é a pessoa mais feliz

Bem-aventurados porque

Jesus sentou-se e ensinou

O sermão da planície

À procura da felicidade

Bem-aventurados sois vós

Variações em reto tom

Felizes vós porque

Puzzle de Jesus

Os VIPs da Igreja

Selfie de Jesus

Via-sacra das Bem-aventuranças

Erguendo os olhos

Autorretrato

Bem-aventuranças modernas

Pai Nosso das Bem-aventuranças

As Bem-aventuranças

Ser feliz aqui

Oito palavras

Sermão da montanha

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Caminhar dentro de mim

Algumas vezes aproveito as minhas caminhadas ao fim da tarde para fazer a minha meditação diária ou a minha hora de adoração.

Quando faço a minha caminhada logo após a Eucaristia, tenho a sensação de que levo o Santíssimo em procissão, como se eu fosse um sacrário ambulante, uma custódia ou ostensório e como se estivesse no Santuário da Natureza em Adoração Eucarística. E de quando em vez, paro como se estivesse a dar a Bênção a alguém em particular ou a uma circunstância especial.

Nunca uso fones ou auscultadores para ouvir música, leituras, transmissões, rádio ou mesmo o terço do Rosário. Caminho em silêncio, oiço-me a mim mesmo ou dialogo com Deus que encontro dentro de mim.

Cruzo-me com muita gente que ouve música moderna ou clássica, fala ao telemóvel ou usa simplesmente abafadores de ruído.

Já me ofereceram vários aparatos digitais ou dispositivos auditivos para as minhas caminhadas. Sempre aceitei, agradeci e fui gentil, mas não passei a usar. Não há nada melhor do que caminhar dentro de si em silêncio ou então caminhar a ouvir o som da natureza. Caminhando assim posso rezar em silêncio, rezar com silêncio e rezar o próprio silêncio. Nem preciso, por enquanto, de nenhum aparelho auditivo…

E fico a pensar quanto diferentes somos nós. Cada um salvar-se-á através das suas vivências. Uns, no meio do silêncio exterior e interior, outros no meio do ruído de fora e de dentro.

Mais do que caminhar pela rua fora, continuemos a caminhar dentro de nós mesmos. Essas caminhadas interiores levam-nos mais longe, são sempre proveitosas para o corpo e muito mais para o espírito. Mais do que comungar com a Criação, comunguemos e adoremos o Criador.

E recordo muitas vezes a cantora Milhanas que na sua música Ago Mais nos lembra uma verdade fundamental:

“Não fazemos silêncio, é ele que nos faz.”

Parafraseando Santo Antão – Aquele que vive no deserto e em silêncio está livre de três guerras: a da audição, a da língua e a da visão. Só tem uma guerra: a do coração. O que poupa nos outros combates deve investir na vitória do coração.

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A nossa missão é ser luz


4ª feira – III semana comum

Numa igreja na Índia há pendurado no teto uma grande estrutura de metal com uma centena de bocais para a colocação de lâmpadas. Sem lâmpadas o templo fica às escuras completamente. Mas cada membro daquela igreja, à medida que vai chegando para o culto, recebe uma lâmpada na porta e a coloca no bocal. Quando as luzes são acesas o templo fica todo iluminado; quantas mais pessoas, mais luzes acesas e vice-versa. Quando poucos crentes não vão ao culto, o templo fica quase às escuras.

A nossa missão é ser luz.

Quanto mais brilharmos, mais faremos os outros brilhar e mais haverá à nossa volta  em todo o mundo. É preciso contagiar e ser contagiado, iluminar e ser iluminado.

 

À margem

1º - Se deres as costas à luz, nada mais verás além da tua própria sombra.

2ª - Mantém o teu rosto sempre voltado para o sol, e todas as sombras cairão atrás de ti.

3ª - Certa vez, foi perguntado a Albert Einstein qual era a definição de luz e o cientista, num de seus mais sábios e inspirados momentos, respondeu: A luz... é a sombra de Deus.

 

              

Ver também:

As três verdades da luz

Ajudar a ver e a saborear

A medida de Deus

Três vezes lusitanos

A lâmpada não fala, brilha

A lâmpada é a caridade

Lâmpada no candelabro

Vós sois a luz do mundo

Candeia no candelabro

Medida da generosidade

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

São Tomás, pregador popular


São Tomás de Aquino

Presbítero e Doutor da Igreja

São Tomás de Aquino (1225-1274) foi um santo intelectual e um intelectual santo.

 

Santo na cátedra e no púlpito

Além do estudo e do ensino, São Tomás dedicou-se também a pregar ao povo. E também o povo ia de bom grado ouvi-lo. Diria que é realmente uma grande graça quando os teólogos sabem falar com simplicidade e fervor aos fiéis. O ministério da pregação, além disso, ajuda os próprios estudiosos de teologia a um são realismo pastoral, e reforça com vivaz estímulo a própria pesquisa.

De facto, Tomás de Aquino se notabilizou também como um pregador popular, um verdadeiro contemplativo da Palavra de Deus de onde ele extraiu o sentido para a sua vida.

Era um homem de profunda oração, vida comunitária, pregação e sensibilidade humana.

Depois de Santo Agostinho, entre os escritores eclesiásticos mencionados no Catecismo da Igreja Católica, São Tomás é citado mais que qualquer outro, por não menos de sessenta vezes!

Ele também é conhecido como Doctor Angelicus, talvez pelas suas virtudes, em particular pela sublimidade do pensamento e pela pureza da vida.

 

Lições avulso de São Tomás:

-  Chega-se mais depressa ao destino coxeando pelo caminho certo, do que a correr pelo caminho errado.

- Aos que louvam o Santíssimo Sacramento diz Santo Tomás que não tenham medo de dizer muito, e que se atrevam quanto puderem, porque aquele Senhor Sacramentado é maior que todo o louvor.

- A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria.

- Se o objetivo principal de um capitão fosse preservar o seu barco, ele o conservaria no porto para sempre.

- Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é negá-la

- Ser amigo é amar as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas. Não seja amigo de quem odeia o que você ama.

- As coisas que amamos nos dizem o que somos.

- Para nos criar, Deus nos escolheu; para nos salvar, temos de escolher a Deus'.

- A santidade não consiste em saber muito, meditar muito, pensar muito. O grande mistério da santidade é amar muito.

- A verdade sem caridade é crueldade.

 

Ver também:

O santo da Eucaristia

São Tomás devoto de Santa Inês

Padroeiro dos estudantes

A excelência do Pai Nosso

Águia do pensamento

São Tomás de Aquino