quinta-feira, 28 de maio de 2026

O cego que nos ensina a ver


5ª feira – VIII semana comum

Ensinou como ser discípulo

1)  O cego está sentado na valeta, mas põe-se de pé; De pé vão os discípulos de Jesus, mas querem sentar-se, e não na valeta.

2) O cego deixa tudo (atira fora o manto), mas os discípulos querem saber o que ganham por terem deixado tudo.

3) O cego está à beira do caminho, mas entra no caminho para seguir Jesus no caminho de forma decidida. O jovem rico entra no caminho, mas sai logo porque o caminho exige desprendimento.

 

Ensinou como rezar

Ouvimos muito pouco sobre as pessoas que nosso Senhor cura. Isso não é surpreendente. Os milagres são para nos revelar e nos ensinar sobre o Senhor, não sobre aqueles que Ele curou. Mas, nesta pequena cena Bartimeu nos ensina, de certa forma, mais do que Jesus.

1 - Ele nos ensina, primeiro, sobre a fé. Agora, os cegos vivem constantemente pela fé. Eles confiam que o que não podem ver e verificar com seus próprios olhos é real, verdadeiro e presente. O cego Bartimeu vai ainda mais longe. Pela fé, ele viu mais claramente do que as pessoas com visão ao seu redor. Ele clama: Jesus, filho de David, tem piedade de mim. Muitos, se não a maioria, na multidão olhavam para Jesus com seus olhos e viam apenas um homem, uma celebridade ou um milagreiro. Bartimeu, sem ver, viu o Filho de David – isto é, o Messias.

2 - Ao mesmo tempo, Bartimeu nos ensina sobre a oração, que é o fruto da fé. O seu clamor é uma oração básica: Jesus, filho de David, tem piedade de mim. Essa aspiração contém o essencial. Primeiro, o apelo pessoal: Jesus. Depois, uma confissão de fé: Filho de David – o Messias. E, finalmente, uma petição: tem piedade de mim. A oração pode e deve ser tão básica quanto isso.

3 - Bartimeu também mostra a perseverança necessária para a oração. Muitos o repreenderam, dizendo-lhe para ficar em silêncio. Mas ele continuou chamando ainda mais. O maior obstáculo na oração é a nossa própria falha em perseverar. As distrações do mundo agem como a multidão que cerca Bartimeu. Elas, na verdade, nos repreendem, nos dizem para ficar em silêncio, para continuar com coisas mais práticas, coisas mais importantes. Elas nos tentam a nos desviar e desistir de nossos esforços. Bartimeu deu de ombros e perseverou no seu apelo ao nosso Senhor. Nós também devemos.

4 - Jesus pergunta – que queres que te faça? Porquê? Para provocar uma oração mais profunda. São Beda diz: Ele faz a pergunta, para incitar o coração do cego a orar. Jesus sabe o que Bartimeu precisa. Ele faz a pergunta não para ganhar novas informações, mas para abrir o coração de Bartimeu para receber o que Ele deseja dar. Jesus não precisa saber, mas Bartimeu precisa pensar sobre isso, sobre o que ele realmente deseja.

5 - O que nos leva a um ensinamento final de Bartimeu: o Céu. A resposta de Bartimeu resume o anseio do coração humano: Mestre, eu quero ver. Deus nos criou para ver. E não apenas para ver as coisas deste mundo com os nossos olhos corporais, mas para vê-lo face a face. Ele quer que usemos a nossa visão para e na eternidade. Em vez disso, ele segue Jesus no caminho.

Conclusão:

Não pensemos em Bartimeu apenas como um pobre cego que nosso Senhor curou. Ele não é um personagem passageiro, e é por isso que o conhecemos pelo nome. Ele nos fornece um exemplo – de fé, de oração e do desejo que todos nós devemos cultivar pelo Céu.

 

domingo, 24 de maio de 2026

O Trono do meu coração


Ano A – Solenidade de Pentecostes

Hoje na minha comunidade lembrámos o dia de Pentecostes de cada um.

Tal como o dia de Pentecostes dos primeiros discípulos aconteceu 50 dias de pois da Páscoa, assim cada discípulo tem o seu próprio dia de Pentecostes – ou seja – tem o seu Pentecostes, o dia em que recebeu o Espírito Santo no Sacramento do Crisma.

Eu, por exemplo recebi o meu crisma no dia 21 de agosto. Então esse é o dia do meu Pentecostes.

Nem todos os meus confrades concordaram com esta explicação.

Alguém dizia que no dia do seu Batismo cada um recebeu o Espírito Santo. Assim sendo o dia do Pentecostes pessoal coincide com o dia do Batismo.

Respeito a diferença de explicação.

Em todo ocaso acho que no dia do meu batismo foi colocado no meu coração um trono reservado ao Espírito Santo. Só mais tarde, no dia do Crisma é que o Espírito Santo se sentou nesse trono que está no meu coração.

Respeito a diferença de opiniões até porque o mais importante não é o dia, mas o que aconteceu nesse dia – O Espírito Santo tem o seu trono no meu coração. O mais importante não é lembrar o dia do meu Pentecostes, mas recordar que também recebi o dom do Espírito Santo. Eu sou Templo do Espírito Santo.

 

Ver também:

O trono do Espírito Santo

O nosso próprio Pentecostes



 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Irmãos Unidos do Evangelho


5ª feira – VII da Páscoa

Da Primeira Leitura – A divisão da assembleia – lição pela negativa

Dividir para vencer ou para dominar e reinar – a assembleia dividiu-se e não chegaram a acordo, enviando Paulo para Roma para ser julgado aí.

 

Do evangelho – Que todos sejam um – lição pela positiva

Jesus pede ao Pai pelos seus discípulos:

- Que todos sejam um. Que sejam um como o Pai e o Filho. Para que sejam consumados na unidade e o mundo acredite.

Jesus não pede ao Pai que ajude os seus discípulos a rezar bem, a fazer milagres, a pregar o evangelho.

Pede que o Pai os ajude a viverem unidos, a formar um só corpo.

É assim também: a maior alegria de um pai ou de uma mãe é verem os seus filhos todos unidos. Mais do que bem comportados, bem formados ou ricos, o que os pais desejam é que os seus filhos vivam unidos.

É por isso que Jesus pediu ao Pai para os seus filhos.

 

À margem:

Parábola dos sete vimes.

É uma famosa parábola de tradição oral frequentemente contada para ensinar o valor da união familiar.

A mensagem central é que, tal como varas de vime, sozinhos somos vulneráveis, mas juntos tornamo-nos inquebráveis.

A narrativa segue uma estrutura simples:

O Conflito – Um pai, sentindo que a sua morte se aproximava, estava preocupado com as constantes brigas e a desunião entre os seus filhos.

A Prova – Pediu a cada filho que trouxesse uma vara de vime seco e deu ordens para que a partissem. Todos o fizeram facilmente.

A Lição – De seguida, o pai juntou todas as varas, amarrando-as num feixe forte. Pediu novamente aos filhos que o partissem, mas nenhum deles conseguiu.

A Moral – O pai explicou que, se viverem isolados e de costas voltadas, serão facilmente derrotados pelas adversidades. No entanto, se permanecerem unidos, a força do grupo os protegerá sempre

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Caminhadas de N. Senhora

Tenho notado que muitas casas têm por cima da porta principal, em azulejos, a figura de Nossa Senhora – a Senhora da Conceição, a Senhora de Fátima, a Senhora das Dores, da Assunção.

Desafiei-me então a fazer da minha caminhada uma espécie de peregrinação contemplando e meditando nesses ícones.

Toda a vida de Maria, mãe de Jesus, foi uma verdadeira caminhada. Já que ela fez da sua vida uma caminhada, propus-me fazer da minha caminhada uma peregrinação na vida de Nossa Senhora.

1ª etapa: Da Galileia à Judeia:

A 1ª viagem começou logo após a anunciação – correu apressadamente para a casa da sua prima Isabel, partilhando a sua ajuda ou a sua alegria. Ela é a caminhante solidária.

2ª etapa – De Nazaré a Belém:

A 2ª viagem foi de Nazaré a Belém. Com ela o Verbo fez-se homem para caminhar connosco.

3ª etapa – De Belém ao Egito:

A 3ª viagem foi através do deserto a caminho do Egipto como refugiada. Foi a primeira missão Ad Gentes.

4ª etapa – De Nazaré a Caná

A 4ª viagem levou-a até Caná. Atenta às necessidades dos outros. A sua presença foi ativa e mobilizadora.

5ª etapa – De Nazaré ao Monte Calvário em Jerusalém

A 5ª viagem foi a subida ao monte Calvário. Participando intimamente na paixão de Jesus, Maria diz-nos que o nosso lugar é junto à cruz de todos os que sofrem. E a partir daquele momento o discípulo amado levou-a para a sua casa.

6ª etapa – Da Terra ao Céu

A 6ª viagem de Maria começa com a sua Assunção. Foi uma viagem de regresso à presença de Cristo. Ela é cidadã do infinito.

7ª etapa – Do Céu à Terra

A 7ª viagem ocorre sempre que algum filho precisa de apoio e misericórdia. Ela aparece, faz-se presente, partilha a sua ajuda sobretudo a quem precisa e ainda é peregrino. Ela é a Nossa Senhora do Caminho.

Podemos encontrá-la ainda noutras viagens – todos os anos em peregrinação a Jerusalém, de modo especial uma vez à procura de Jesus. Outra vez também ao encontro do seu filho – Estão ali tua mãe e teus irmãos.

Nas minhas caminhadas, não sei quem acompanha quem. Às vezes parece-me que sou eu a acompanhar Maria, vezes é ela que me acompanha ao encontro de Deus.



terça-feira, 19 de maio de 2026

Que bom regressar a casa

Depois da minha caminhada ao fim da tarde, ao entrar em casa, costumo lembrar a mim mesmo e a quem encontro, dizendo:

- Que bom regressar a casa.

De facto, é bom ter uma casa onde nos recolher, uma comunidade para nos acolher.

E há sempre uma voz interior que me sugere:

- Nós estamos aqui de passagem. Não somos daqui.

Recordo a história antiga de um missionário que esteve na China por muitos anos e de um famoso cantor depois de duas semanas em digressão no estrangeiro. Regressavam aos Estados Unidos da América a bordo do mesmo navio. Quando desembarcaram em Nova Iorque, o missionário viu uma grande multidão de admiradores à volta do cantor.

- Senhor, não compreendo – murmurou o missionário – dediquei mais de quarenta anos da minha vida à evangelização da China e aquele esteve fora apenas duas semanas e centenas de pessoas vieram dar as boas-vindas a ele a não a mim…

E o Senhor fez ouvir a sua resposta:

- Filho, mas tu não estás ainda em casa… Tu não és deste mundo!

É verdade! não somos daqui.

Mas então porque é que Deus nos colocou aqui?

Se não somos do mundo, porque é que estamos no mundo?

Deve haver algum motivo para isso.

Estamos no mundo sem sermos do mundo para transformar o mundo.

A nossa missão é transformar o mundo onde Deus nos colocou. E a melhor maneira de transformar o mundo é transformar-se a si mesmo, apurar-se a si próprio. Jesus lembra-nos que nós não somos do mundo.

Estamos no mundo, mas não somos de cá.

A nossa pátria está no céu.

Não somos seres terrenos fazendo uma experiência celeste.

Somos seres celestes a fazer uma experiência terrena.

Jesus lembra-nos que estamos no mundo, não somos anjos, temos corpo.

Querer fazer de anjos estando na terra, é desatino, ensinava Santa Teresa de Ávila:

- Conheci um homem que parece um anjo, mas tem os pés no chão, é realista… tem os olhos no céu, os pés no chão, as mãos na obra e o coração aberto.

Ninguém é deste mundo. Este mundo é que é todo nosso!

O mundo foi feito para nós e não nós para o mundo!

Fazer uma caminhada ao fim da tarde é uma boa oportunidade para aprender a regressar a casa, porque estamos aqui de passagem.



domingo, 17 de maio de 2026

Três lições da Ascensão


Ano A – Solenidade da Ascensão do Senhor

Lição de uma criança:

Aconteceu assim mesmo com vou contar.

No início da homilia recordei que neste dia Jesus subiu ao Céu.

Perguntei então onde é que estava Jesus?

As leituras diziam que Jesus estava no céu à direita do Pai.

Nós dizíamos que estava no meio de nós, aqui na terra.

Em que ficamos?

Está na terra ou está no céu?

Quem tem razão?

Uma menina mais crescida respondeu que Jesus está nos dois sítios… de facto, nós dizemos que Deus está em toda a parte. Está

Mas um menino de 6 anos, do 1º ano levantou a mão pedindo a palavra:

-  Diz lá a tua resposta.

E o miúdo, sem hesitar disse:

- Jesus está aqui no nosso coração.

- Bravo. Que resposta tão perfeita, disse eu todo feliz.

A catequista ficou tão emocionada que até chorou:

- Senhor Padre, eu não falei nada disto na catequese. Como é que eles sabem! Louvor e graças a Deus.

A melhor resposta que podemos dar é que Jesus está no nosso coração. Ele não perto de Deus Pai sem ficar longe de nós. E está perto de nós sem ficar longe de Deus Pai.

Jesus está no céu e transforma o lugar onde está em autêntico céu.

Jesus está no nosso coração porque é um cantinho do céu.

 

Lição de São Tomás de Aquino

A ascensão de Cristo ao céu, pela qual Ele retirou de nós a sua presença corporal, foi mais proveitosa para nós do que teria sido a sua presença corporal.

E há três razões para isso.

Em 1º lugar para aumentar a nossa fé, que se baseia em coisas que não se veem. Pois bem-aventurados os que não veem e creem. Fé é a concretização daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.

Em 2º lugar, para incutir esperança. Pela esperança, desejamos o céu e a vida eterna como nossa felicidade. Confiando nas promessas de Cristo e não confiando em nossa própria força, mas na ajuda da graça do Espírito Santo.

E em 3º lugar direcionar o fervor de nossa caridade para as coisas celestiais. É isso o que significa se eu não for, o Advogado não virá sobre vós, porque não podeis receber o Espírito enquanto continuardes a conhecer Cristo segundo a carne.

 

Lição Trinitária

Jesus subiu ao Ceu para a comunhão da Santíssima Trindade, para nos lembrar que nada é feito fora da Santíssima Trindade, nem no céu nem na terra.

Após a Ascensão, as três pessoas da Trindade estão presentes para nós, mas espiritualmente.

 A Ascensão, portanto, é uma dádiva gloriosa e apropriada à fé – àquela divindade que eleva nossos corações – e nos permite adorar em espírito e em verdade.

Onde está o Pai está o Filho e o Espírito Santo e assim sucessivamente… Está no céu, está na terra, está no meu coração…

A Encarnação é a projeção da Trindade na Terra.

A Ascensão é a confluência da Trindade no Céu.

 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Fátima não é devoção


Festa da Virgem Santa Maria do Rosário de Fátima

Fátima não é devoção,

é revolução Espiritual,

é conversão.

Ninguém regressa de Fátima como veio.

Regressa diferente, melhor.

Regressa com Maria no coração.

Regressa mais parecido com Jesus, o filho de Maria.