Hoje, 23 de setembro, pelas 01H05, ocorreu o equinócio de outono e dissemos
adeus ao verão.
É a mudança de estação
Ou a estação da mudança.
1ª reflexão – O outono da vida
O ano tem tempo para as flores e tempo para os frutos.
Porque não terá também o seu Outono a vida?
As flores, umas caem, outras secam, outras murcham, outras leva o vento;
aquelas poucas que se pegam ao tronco e se convertem em fruto, só essas são as
venturosas, só essas são as que aproveitam, só essas são as que sustentam o
Mundo.
Pe. António Vieira, Sermão da Sexagésima, Pregado na Capela Real, no ano de
1655
2ª reflexão – Para tudo há uma estação
Eclesiastes 3,1-13 – Para tudo há um tempo determinado, e para cada assunto
debaixo do céu há um tempo certo.
Para tudo há uma estação.
Cada estação verdadeira é feita por Deus. Ele cria e orquestra de alguma
forma as estações da nossa vida como faz com as estações do ano. As mudanças na
vida acontecem obviamente com a mudança das estações.
A mudança das estações é um convite para reagrupar, lembrar, revisar,
relembrar e reinvestir numa prática espiritual que tem significado para nós,
ajuda-nos a perceber onde Deus está na nossa vida cotidiana e a expressar a
nossa gratidão. Quanto mais oportunidades tivermos para perceber Deus no dia a
dia, mais profundo será o nosso relacionamento com Ele.
O nosso interior deve estar pronto para os presentes do outono, pronto para
viver o outono da nossa vida.
É preciso estar preparado para o cair da folha.
3ª reflexão – Uma tarde de outono
A ladeira leva ao moinho, mas o esforço não leva a nada.
Era uma tarde de outono, quando o céu tem um calor frio, morto, e há nuvens
que abafam a luz em cobertores de lentidão.
Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de
sonhar.
Fernando Pessoa (Bernardo Soares) Livro do Desassossego. (Recolha e
transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e
Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982. - 439.
4ª Reflexão – No entardecer da terra
No entardecer da terra
O sopro do longo Outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.
Soergue as folhas, e pousa
As folhas, e volve, e revolve,
E esvai-se inda outra vez.
Mas a folha não repousa,
E o vento lívido volve
E expira na lividez.
Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E até do que hoje sou
Amanhã direi, quem dera
volver a sê-lo! ... Mais frio
O vento vago voltou.
Fernando Pessoa. Poesias (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de
Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995).
- 91. 1ª publ. in Ilustração Portuguesa, 2ª série, nº 83. Lisboa:
28-1-1922.