sexta-feira, 1 de maio de 2026

Caminhando pela vida fora

Durante a minha caminhada ao fim da tarde, encontrei o meu colega da comunidade a falar com dois amigos da sua idade. Cumprimentei-os e pedi licença para continuar em frente. Um dos presentes sugeriu-me que levasse o meu colega, pois estava a ficar cada vez mais redondinho…

Em jeito de advogado de defesa respondi:

- Ele é novo, tem muito tempo para começar a fazer dietas e caminhadas.

- Se continuar assim, não passa de novo – concluiu o meu interlocutor.

Um dos paradoxos do nosso tempo é que ninguém quer morrer jovem, mas também ninguém quer envelhecer!

Se não corrigirmos muita coisa, nomeadamente o nosso sedentarismo bem como a nossa alimentação, nunca chegaremos a velhos.

E é tão bom ser velho!

Uma vez estava a festejar o aniversário de um amigo que entrava no clube dos aposentados ou jubilados. Os meus colegas mais novos estavam surpreendidos pela nossa euforia. E diziam:

- Como é possível estar alegre e feliz por ser velho?! Se eu estivesse no seu lugar, estaria triste por ser velho…

- Mas ser velho não é bom? – Perguntei.

- Sim, mas não para mim.

- Então vou rezar para que não chegues a velho…

Envelhecer não é uma desgraça, mas uma graça.

E só é triste chegar a velho quem não cuida de si.

Alguém pode dizer que apesar da idade continua com um espírito jovem.

Para mim o que determina a diferença entre novos e velhos é a capacidade de sonhar.

Um jovem que não sonha, que não tem um ideal ou um objetivo na vida nem é jovem nem é ninguém.

E um idoso que continua a sonhar tem uma fonte inesgotável de vida e de juventude. Parar de sonhar é morrer.

A quem me diz que não quer envelhecer, costumo responder:

- O único modo de não envelhecer é morrer jovem.

É por isso que continuo a fazer as minhas caminhadas, a lutar pelos meus ideais e a ir mais além. Mesmo avançando na idade, sinto-me feliz assim e não me lamento porque é uma experiência natural embora diferente.

Hoje continuo a sonhar.

Já sei o que  é ser novo. Agora sei o que é ser velho. Quero saber o que é ser mais velho e só descansarei quando experimentar o que é ser ainda mais velho.

Graças a Deus que deixei de ser novo!



quarta-feira, 29 de abril de 2026

O PRR de Catarina de Sena


Festa de Santa Catarina de Sena

Virgem, Doutora da Igreja, Padroeira da Europa

(1347-1380)

A União Europeia está a levar em frente o seu PRR – Plano de Recuperação e Resiliência.

 

Santa Catarina de Sena inspira a Igreja de hoje a ter também o seu PRR – Plano de Renovação e Reevangelização.

 

1º - Fala com convicção quando for preciso.

Santa Catarina escreveu com ousadia aos líderes da Igreja e até mesmo ao Papa quando a verdade e a reforma eram necessárias.

Se vires algo errado, no teu local de trabalho, na tua família ou na tua comunidade, não te cales. Fala com clareza, caridade e coragem.

 

2º - Não esperes que diplomas façam a diferença.

Santa Catarina não teve educação formal, mas a sua sabedoria comoveu a Igreja.

Não deixes que a falta de diplomas, títulos ou estatuto te impeça. A tua oração, experiência e discernimento são o que importam. Usa-os bem.

 

3º - Reserva um tempo para a oração profunda, mesmo com uma vida agitada.

Santa Catarina equilibrava a oração intensa com o auxílio aos enfermos, a escrita e o aconselhamento de outras pessoas.

Mesmo cinco ou dez minutos de oração sincera diária podem dar sentido ao teu dia e alcançar os teus propósitos.  

 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Um cajado para as ovelhas


IV semana da Páscoa

- Como se identifica um pastor no meio das ovelhas?

- Através do seu cajado.

- Para que serve o cajado?

- Serve para 3 coisas:

- a parte curva serve para trazer a si as ovelhas afastadas.

- a parte pontiaguda serve para despertar as preguiçosas.

- a parte direita serve para defendê-las e afastar os lobos.

- Porque é se diz que Jesus é o Bom Pastor?

- Jesus é o bom pastor, pela sua vida e pelo seu amor às ovelhas. A sua bondade vem do conhecimento da ovelha e do facto de ele dar a vida por ela.

Ele é um bom pastor e um pastor bom.

 

À margem:

Salmo 22 (23)

O Senhor é o meu pastor; nada me falta.

 

Escrito por volta de 1000 ac.

Texto atribuído ao Rei David.

Idioma: Hebraico (original).

 

Uso no judaísmo

O Salmo 23 é tradicionalmente cantado

durante a terceira refeição de Shabat,

bem como antes da primeira e da segunda,

e em algumas comunidades judaicas durante o Kidush.

 

Uso no Cristianismo

O salmo 22 (23) é pascal, sacramental e escatológico.

É usado sobretudo ao domingo na liturgia da Horas

recordando que esse é o dia por excelência

do Batismo e da Eucaristia.

É usado nas celebrações vocacionais e nas exéquias.

A Rainha Isabel II da Inglaterra escolheu este salmo

 para o seu casamento em 1947.

Foi também cantado no seu funeral em 2022.

 

Ser cristão é ser de Cristo


3ª feira – IV semana da Páscoa

 

Foi em Antioquia que, pela primeira vez, se deu aos discípulos o nome de cristãos. (Act 11, 26).

Essa palavra aparece na Bíblia ainda outras duas vezes: Act 26, 28; 1Pe 4, 16.

O que é ser cristão?

Ser cristão é ser de Cristo.

 

Tal como ser português é ser de Portugal ou francês é ser da França…

O cristão pertence a Cristo.

O cristão tem a etiqueta de Cristo, que é a cruz.

 

À margem 1:

Santo Inácio de Antioquia – É melhor ser cristão sem o dizer, do que dizer sem o ser.

 

À margem 2:

Era um bom cristão… nunca faltava à missa ao domingo.

Foi para o inferno,

Mas como?

Ele foi para o inferno não pelo que fazia ao domingo, mas sim pelo que fazia durante a semana.

 

 

sábado, 25 de abril de 2026

Por la mañana caFÉ


O Pe. Guilherme, DJ português, em Buenos Aires faz hoje 8 dias, em homenagem ao Papa Francisco, falecido há um ano, fez mais de 120 mil presentes dançar e cantar este refrão:

 

Por la mañana caFÉ,

por la tarde oración,

por la noche Dios

con su protección.


Para ver, ouvir e cantar:

Clicar aqui

 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O Pão que nos transforma


6ª feira – III semana da Páscoa

 

Quais os efeitos do Pão do Céu em nós?

O que acontece a quem recebe o Pão da Eucaristia?

Numa refeição nós transformarmos o pão que recebemos

Na Eucaristia, não transformamos o Pão que recebemos, mas é o Pão que nos transforma.

 

Jesus é o pão da vida!

Ele realiza no nosso interior tudo o que o pão material faz no nosso corpo:

- Sacia a fome, alimenta, dá energia para viver.

Jesus falou algo mais profundo ainda:

- Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele.

Quem recebe a eucaristia torna-se um só com ele.

Santo Agostinho dizia: o cristão que comunga é transformado naquele que recebe, é transformado em Jesus, mesmo sem perceber.

De facto, quando ingerimos um alimento corporal, nós transformamos esse alimento em vida dentro de nós.

Quando recebemos o pão da eucaristia, nós é que somos transformados naquilo que recebemos.

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Jesus, o Pão que cai do Céu


5ª feira – III semana da Páscoa

A) Eu sou o pão vivo descido do Céu, disse Jesus.

A Marilisa, cm grandes olhos curiosos, veio dar-me uma voa notícia:

- Senhor padre, eu vou fazer a primeira comunhão.

- Bravo, Marilisa. Parabéns. É, de facto, uma grande alegria para ti e para Jesus.

E fiquei à espera de mais alguma coisa. Quando a Marilisa se aproxima é porque quer saber algo mais e esta vez não foi exceção.

- Senhor padre, a minha irmã diz que a hóstia da comunhão não tem sabor. É verdade que não sabe a nada?

- Não vou responder a isso. Tu é que chegarás à conclusão sobre o sabor da hóstia da comunhão. Na missa nós recebemos o convite para saborear e ver como o Senhor é bom. Portanto, saborear é descobrir o sabor. Agora diz-me: se eu te der pão da terra, qual será o seu sabor?

- Terá o sabor da terra – respondeu a Marilisa.

- E se eu te der o Pão do Céu, qual será o seu sabor?

- Saberá a céu…

- Então ficas a saber que a tua irmã está enganada. A hóstia consagrada sabe a Deus, tem gosto do céu.

Não sei se a Marilisa entendeu o que lhe falei, só sei que nesse dia eu saboreei melhor a sagrada comunhão, por causa desta sua conversa

 

B) Filipe foi ter com o Etíope e anunciou-lhe Jesus Cristo.

E continuou anunciando a boa nova a todas as cidades por onde passava.

É preciso anunciar o Evangelho a todas as pessoas que vêm ter connosco bem como a todas as pessoas a quem nós vamos ao seu encontro.

 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Como é bom estarmos aqui!

Durante as minhas caminhadas ao fim da tarde encontro cada vez mais pessoas conhecidas e não deixo de cumprimentar ou de ser cumprimentado, nem que seja com um olhar, um aceno ou um sorriso.

Em geral a saudação mais inútil é perguntar:

- Então, o senhor padre como está?

E eu, sem disfarçar um sorriso irónico, respondo:

- Cá estou!

Pode parecer pouco, mas basta dizer isso, porque estar é tão bom.

Aprendi a responder assim com o poeta Teixeira de Pascoaes.

Ele recordava uma visita ao Castelo de São Jorge em Lisboa em que se deparou com uma senhora idosa parada a olhar o infinito. Estranhou e perguntou-lhe:

- O que está a senhora a fazer aqui?

E a senhora respondeu:

- Estou aqui.

Pascoaes, apesar de ser poeta, cedeu a perguntar:

- Mas aqui a fazer o quê?

E a resposta veio, avassaladora:

- O senhor acha que é pouco eu estar aqui?!

O poeta, rendido, confessou o imenso estalo espiritual que levou. Aquela mulher tinha acabado de lhe revelar uma verdade maior do que tudo o que tinha lido em Platão e demais filósofos.

Estar aqui é uma grande coisa. É o princípio da sabedoria e um dom da vida.

Estar é mais do que ficar parado, é maravilhar-se, é contemplar a beleza, é meditar e mergulhar no grande mistério.

A palavra meditação vem do verbo mederi, que significa cuidar de, tratar de, prestar atenção a, e está igualmente na origem da palavra medicina.

Meditação e medicina são irmãs, tão inseparáveis quanto aquilo a que se dedicam: a primeira mais ao cuidar da mente, a segunda mais ao cuidar do corpo.

Procuro a companhia destas duas irmãs nas minhas caminhadas diárias.

Cada caminhada é ao mesmo tempo meditação e medicina. E nem preciso de parar para contemplar e para curar.

- Então como estás?

- Estou!

E é tudo, pois estando, eu caminho e contemplando cuido do corpo e do espírito.

Como é bom estarmos aqui, já dizia São Pedro no monte Tabor…

Quero ainda esclarecer que quando fico parado a olhar para o infinito, como aquela senhora no Castelo de São Jorge, tenho a sensação de que mais do que contemplar, eu é que sou contemplado. Mais do que ver, eu é que sou visto não pelos outros ou pelo poeta, mas pelo próprio infinito que me toca e me envolve.