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domingo, 19 de julho de 2026

Versão cartoonista do joio


Ano A – XVI domingo comum


Nova versão da parábola do trigo e do joio – versão cartoonista.

 

Na vinheta de Quino, o Manolito pergunta à Mafalda:

- Se matássemos todos os bandidos do mundo, ficavam só os bons, não é?

Ao que a Mafalda responde:

- Não. Ficavam só os assassinos!

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Dar ou receber a Comunhão

 

A Comunhão na primeira pessoa

Ano A – Solenidade do Corpo de Deus

Santíssimo Corpo Sangue de Cristo

Hoje na distribuição da Sagrada Comunhão tive uma experiência diferente.

Convidei os fiéis que na comunhão trocassem as frases habituais.

Em vez do sacerdote dizer – O Corpo de Cristo – aquele que queria comungar é que diria isso, como uma espécie de pedido ou de pergunta ao que o sacerdote confirmaria dizendo – Ámen.

Alertei que nada era obrigatório, que cada um faria do jeito que achasse melhor, pois o mais importante era comungar com fé na Eucaristia.

Assim sucedeu tudo muito bem. As pessoas alinharam, todas conscientes de que estavam a comungar mesmo o Corpo de Cristo.

 

Por outras palavras mais simples, quem queria comungar abeirava-se da mesa da comunhão e perguntava:

- É mesmo o Corpo de Cristo’

E o ministro da Comunhão anuía, dizendo:

- É sim!

E partilhava a Eucaristia que era recebida com mais atenção e fé.

 

À margem:

- Senhor padre, quantas pessoas na missa recebem a Sagrada Comunhão na mão, na boca, ou de joelhos?

- Não sei. Estou tão concentrado no que faço e quem tenho nas minhas mãos que não reparo em mais nada.

 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O dia da Genuflexão Católica


Ano A – Solenidade

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

A arte da genuflexão Católica

O diabo não tem joelhos, declarou certa vez o Padre do Deserto, Aba Apolo. Na verdade, o diabo não tem humildade, nem corpo nem respeito. O seu ataque à Sagrada Comunhão não é novidade.

Desde a época de Cristo, ele tem tentado apagar a crença na Presença Real. Como registou São João: Que palavras insuportáveis! Quem pode entendê-las? (Jo 6, 60). Muitos discípulos se afastaram porque não conseguiam aceitar que Jesus estivesse verdadeiramente presente na Eucaristia. Ajoelhar-se é um dos atos mais profundos de humildade e reverência. Ajoelhar-se proclama com São Paulo: Ao nome de Jesus se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra (Fl 2,10).

A Genuflexão Católica é uma arte. A genuflexão católica é uma linguagem corporal silenciosa, um ato expressivo de fé que combina doutrina, devoção e fisicalidade num gesto gracioso. Ela incorpora soberania, sacramento e humilde reverência diante do Criador. Como resposta à história da salvação nas Escrituras, transmite reverência e humildade. Na igreja católica, um movimento fluido quebra o silêncio: caminhar pelo corredor central, fazer uma pausa e abaixar brevemente o joelho direito antes de se levantar. Essa é a genuflexão, um gesto essencial à liturgia católica que pode ser confundido com rotina. Mas, visto apenas como um hábito, ele ignora o profundo significado teológico e humano enraizado na tradição bíblica.

A festa do Corpo de Deus é uma oportunidade para valorizar a genuflexão diante da Eucaristia ou Santíssimo Sacramento. É que o Diabo não tem joelhos, mas nós temos.

 

A Eucaristia é sempre um milagre

Milagres eucarísticos são fenómenos aparentemente sobrenaturais numa hóstia consagrada. Frequentemente, esses milagres revelavam Sangue, muitas vezes como uma suposta reação à profanação da Hóstia. Como essa profanação também era atribuída aos judeus, os milagres eucarísticos frequentemente levavam à perseguição sistemática de judeus. Mesmo na época dos primeiros relatos de milagres, eles foram criticados. São Tomás de Aquino, por exemplo, argumentou que a transubstanciação do pão e do vinho era estritamente sobrenatural e, portanto, não automaticamente observável. Hoje, especialistas católicos romanos classificam a maioria dos relatos de milagres eucarísticos como lendas ou fraudes. Muitos milagres eucarísticos agora podem ser explicados cientificamente pelo crescimento de bactérias ou mofo nas hóstias. A veneração de milagres eucarísticos atualmente só é possível após rigoroso exame.

Para um católico a Eucaristia é sempre um milagre.

 

 

domingo, 31 de maio de 2026

À sua imagem e segurança


Ano A – Solenidade da Santíssima Trindade

À sua imagem

Criados à imagem e semelhança da Santíssima Trindade.

Deus dotou o homem de vontade, intelecto e memória:

1.º Deus Pai dotou a Vontade. (Seja feita a vossa vontade…)

2.º Deus Filho dotou o Intelecto. (Aprendei de mim…)

3.º Deus Espírito Santo dotou a Memória. (Ele vos recordará tudo o que ouvistes)

 

E sua segurança

A Santíssima Trindade é quem nos protege.

O governo brasileiro considerava D. Hélder Câmara agitador e incómodo, mas receava que ele sofresse um atentado e ordenou à polícia que o protegesse.

O arcebispo recusou, declarando que já tinha os seus seguranças.

- É preciso que os nomes deles constem nos registos oficiais. Quem São?

- O Pai, o Filho e o Espírito Santo – Respondeu D. Hélder calmamente.

(D. Hélder Pessoa Câmara nasceu Fortaleza 1909, foi Bispo de Recife 1964-1985 e morreu em Recife em 1999)

 

O plural de Deus

Para concluir a minha exposição sobre o Espírito Santo, perguntei:

- Quem é capaz de dizer, então, quem é o Espírito Santo?

- É a terceira pessoa do … plural.

Houve uma gargalhada geral. E, para se justificar, acrescentou:

- É sim! Deus está no plural. Então não termina com a letra ‘s’?

Estas respostas não eram assim tão disparatadas. De facto, Deus é plural, é comunidade, é família. A teologia diz precisamente que a Trindade é um Deus em três pessoas distintas. Os alunos daquela turma riram-se, porque o seu colega estava a cometer um erro de morfologia gramatical, mas, afinal, a sua boca estava a fugir para a verdade.

 

domingo, 24 de maio de 2026

O Trono do meu coração


Ano A – Solenidade de Pentecostes

Hoje na minha comunidade lembrámos o dia de Pentecostes de cada um.

Tal como o dia de Pentecostes dos primeiros discípulos aconteceu 50 dias de pois da Páscoa, assim cada discípulo tem o seu próprio dia de Pentecostes – ou seja – tem o seu Pentecostes, o dia em que recebeu o Espírito Santo no Sacramento do Crisma.

Eu, por exemplo recebi o meu crisma no dia 21 de agosto. Então esse é o dia do meu Pentecostes.

Nem todos os meus confrades concordaram com esta explicação.

Alguém dizia que no dia do seu Batismo cada um recebeu o Espírito Santo. Assim sendo o dia do Pentecostes pessoal coincide com o dia do Batismo.

Respeito a diferença de explicação.

Em todo ocaso acho que no dia do meu batismo foi colocado no meu coração um trono reservado ao Espírito Santo. Só mais tarde, no dia do Crisma é que o Espírito Santo se sentou nesse trono que está no meu coração.

Respeito a diferença de opiniões até porque o mais importante não é o dia, mas o que aconteceu nesse dia – O Espírito Santo tem o seu trono no meu coração. O mais importante não é lembrar o dia do meu Pentecostes, mas recordar que também recebi o dom do Espírito Santo. Eu sou Templo do Espírito Santo.

 

Ver também:

O trono do Espírito Santo

O nosso próprio Pentecostes



 

domingo, 17 de maio de 2026

Três lições da Ascensão


Ano A – Solenidade da Ascensão do Senhor

Lição de uma criança:

Aconteceu assim mesmo com vou contar.

No início da homilia recordei que neste dia Jesus subiu ao Céu.

Perguntei então onde é que estava Jesus?

As leituras diziam que Jesus estava no céu à direita do Pai.

Nós dizíamos que estava no meio de nós, aqui na terra.

Em que ficamos?

Está na terra ou está no céu?

Quem tem razão?

Uma menina mais crescida respondeu que Jesus está nos dois sítios… de facto, nós dizemos que Deus está em toda a parte. Está

Mas um menino de 6 anos, do 1º ano levantou a mão pedindo a palavra:

-  Diz lá a tua resposta.

E o miúdo, sem hesitar disse:

- Jesus está aqui no nosso coração.

- Bravo. Que resposta tão perfeita, disse eu todo feliz.

A catequista ficou tão emocionada que até chorou:

- Senhor Padre, eu não falei nada disto na catequese. Como é que eles sabem! Louvor e graças a Deus.

A melhor resposta que podemos dar é que Jesus está no nosso coração. Ele não perto de Deus Pai sem ficar longe de nós. E está perto de nós sem ficar longe de Deus Pai.

Jesus está no céu e transforma o lugar onde está em autêntico céu.

Jesus está no nosso coração porque é um cantinho do céu.

 

Lição de São Tomás de Aquino

A ascensão de Cristo ao céu, pela qual Ele retirou de nós a sua presença corporal, foi mais proveitosa para nós do que teria sido a sua presença corporal.

E há três razões para isso.

Em 1º lugar para aumentar a nossa fé, que se baseia em coisas que não se veem. Pois bem-aventurados os que não veem e creem. Fé é a concretização daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.

Em 2º lugar, para incutir esperança. Pela esperança, desejamos o céu e a vida eterna como nossa felicidade. Confiando nas promessas de Cristo e não confiando em nossa própria força, mas na ajuda da graça do Espírito Santo.

E em 3º lugar direcionar o fervor de nossa caridade para as coisas celestiais. É isso o que significa se eu não for, o Advogado não virá sobre vós, porque não podeis receber o Espírito enquanto continuardes a conhecer Cristo segundo a carne.

 

Lição Trinitária

Jesus subiu ao Ceu para a comunhão da Santíssima Trindade, para nos lembrar que nada é feito fora da Santíssima Trindade, nem no céu nem na terra.

Após a Ascensão, as três pessoas da Trindade estão presentes para nós, mas espiritualmente.

 A Ascensão, portanto, é uma dádiva gloriosa e apropriada à fé – àquela divindade que eleva nossos corações – e nos permite adorar em espírito e em verdade.

Onde está o Pai está o Filho e o Espírito Santo e assim sucessivamente… Está no céu, está na terra, está no meu coração…

A Encarnação é a projeção da Trindade na Terra.

A Ascensão é a confluência da Trindade no Céu.

 

domingo, 10 de maio de 2026

Obedecemos porque amamos


Ano A – VI domingo de Páscoa

Se me amardes, guardareis os meus mandamentos, diz o Senhor.

 

Nós não amamos porque obedecemos. Obedecemos porque amamos.

Nós não somos bons cristãos porque rezamos, nós rezamos porque somos bons cristãos.

Não somos bons católicos porque cumprimos os mandamentos, cumprimos os mandamentos porque somos bons católicos.

O P. Dehon ensinava que a obediência torna-nos parecidos a Nosso Senhor. A obediência a Deus é a vida de Deus em nós. A obediência oferece a Deus aquilo que o homem tem de mais precioso e apreciado: a sua vontade.

Cumprir a vontade divina em espírito de fé e de obediência, é bom. Mas cumpri-la pela caridade, por amor, é um meio bem mais poderoso, mais agradável a Deus. Não é por constrangimento que se deve obedecer, mas por amor.

 

Ver também:

Deus nunca nos abandona

Amor criativo

 

domingo, 3 de maio de 2026

Seu amor continua connosco


Ano A – V domingo da Páscoa

A partir desta V semana da Páscoa Jesus vai proferindo uma espécie de discurso de despedida.

Daqui a uma semana e meia estaremos no dia da Ascensão de Jesus. Por isso ele vai preparando os seus discípulos para essa espécie de separação.

Nomeadamente, ele diz que vai preparar-nos um lugar, que tem de ir… mas não nos abandonará.

Faz-me lembrar uma criança que chorava a morte da sua mãe:

- Ó pai, onde está a mãe?

- A mãe está na cada de Deus.

- Isso é muito longe?

- Filha, a mãe está na casa de Deus, mas o seu amor continua connosco.

 

É verdade.

Jesus vai para a casa do Pai, vai para junto de Deus, sem ficar longe de nós, porque o seu amor continua entre nós.

 

sábado, 2 de maio de 2026

Mãos da mãe do sacerdote


No Dia da Mãe, quero recordar a minha mãe e a mãe de cada sacerdote.

Na ordenação sacerdotal no Rito Tradicional o Bispo unge com óleo as mãos do novo sacerdote, e depois coloca-lhe à volta dos dedos um pano.

Ainda durante a celebração, esse pano, chamado manutérgio (ou manustérgio), é entregue pelo sacerdote recém-ordenado à sua mãe.

Quando morrer, o manutérgio será colocado à volta das suas mãos como sinal que é mãe de um sacerdote.

Quando Nosso Senhor lhe perguntar:

- Dei-te a vida. O que deste em troca?

A mãe do sacerdote entregar-Lhe-á o manutérgio e dirá:

- Senhor, dei-vos o meu filho como sacerdote.

 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Um cajado para as ovelhas


IV semana da Páscoa

- Como se identifica um pastor no meio das ovelhas?

- Através do seu cajado.

- Para que serve o cajado?

- Serve para 3 coisas:

- a parte curva serve para trazer a si as ovelhas afastadas.

- a parte pontiaguda serve para despertar as preguiçosas.

- a parte direita serve para defendê-las e afastar os lobos.

- Porque é se diz que Jesus é o Bom Pastor?

- Jesus é o bom pastor, pela sua vida e pelo seu amor às ovelhas. A sua bondade vem do conhecimento da ovelha e do facto de ele dar a vida por ela.

Ele é um bom pastor e um pastor bom.

 

À margem:

Salmo 22 (23)

O Senhor é o meu pastor; nada me falta.

 

Escrito por volta de 1000 ac.

Texto atribuído ao Rei David.

Idioma: Hebraico (original).

 

Uso no judaísmo

O Salmo 23 é tradicionalmente cantado

durante a terceira refeição de Shabat,

bem como antes da primeira e da segunda,

e em algumas comunidades judaicas durante o Kidush.

 

Uso no Cristianismo

O salmo 22 (23) é pascal, sacramental e escatológico.

É usado sobretudo ao domingo na liturgia da Horas

recordando que esse é o dia por excelência

do Batismo e da Eucaristia.

É usado nas celebrações vocacionais e nas exéquias.

A Rainha Isabel II da Inglaterra escolheu este salmo

 para o seu casamento em 1947.

Foi também cantado no seu funeral em 2022.

 

domingo, 19 de abril de 2026

Três portas do Ressuscitado


Ano A – III domingo da Páscoa

Comecei a homilia da missa das crianças perguntando-lhes quantas portas de acesso tinha aquela igreja.

Foram dando palpites e olhando para todos os lados.

Em geral os templos têm 4 portas, uma virada para cada ponto cardeal – Norte, sul este, oeste.

Depois perguntei qual seria a porta principal ou a mais importante.

E todos apontaram para a grande porta de entrada porque a maior. Respondi que era mais alta e mais larga não por porta de entrada, mas por ser porta de saída, pois não entram todos de uma vez, mas no fim saem todos ao mesmo tempo.

O Evangelho hoje proclamado – o Episódio dos discípulos de Emaús - indica-nos qual a porta mais importante.

Ele fala de 3 portas de acesso a Cristo Ressuscitado:

 

1ª porta – A comunidade.

Iam a caminho de Emaús 2 discípulos e Jesus juntou-se a eles. Onde dois ou três reunidos em seu nome, estaria no meio deles. Disse e cumpriu.

De facto, a comunidade, o grupo unido é a primeira porta para sentir a presença de Deus. Quando não valorizamos a comunidade, predemos uma boa oportunidade de acesso a Cristo Ressuscitado.

 

2ª porta – A Palavra de Deus

Jesus então explicou-lhes as Escrituras.

De facto, a Palavra de Deus, lida, escutada, guardada no coração e praticada é uma porta de acesso à presença de Deus.

Quem não se abeira da Palavra de deus, não passa pela porta que nos Leva ao encontro de Deus.

 

3ª porta – A Eucaristia

Jesus sentou-se com eles à mesa, tomou o pão, abençoou-o e repartiu-o. Então eles reconheceram Jesus Ressuscitado.

A Eucaristia, a sagrada comunhão é a terceira porta que nos leva a Jesus ou que nos tras Jesus até nós.

Quem não vem à Eucaristia perde uma boa oportunidade de ir ao encontro de Cristo.

 

Estas são as três portas principais que nos levam até Cristo Ressuscitado, tal como experimentaram os discípulos de Emaús.

Cada um pensa qual destas três portas mais precisa de experimentar para ir até Jesus.