terça-feira, 19 de abril de 2022

O dia que o Senhor fez


3ª feira da oitava da páscoa

Cristo ressuscitado também chama
pelo nosso próprio nome

O versículo da aclamação ao evangelho resumo este tempo:

Este é o dia que O Senhor fez: 

exultemos e cantemos de alegria!

De facto, a oitava da Páscoa é o prolongamento do dia da Ressurreição do Senhor Jesus.

Apesar de ser terça-feira, é sempre o dia de Páscoa que estamos a celebrar.

 

Pergunto:

- O que é que demora mais? A preparação de uma festa ou a própria festa?

- A preparação dura sempre mais tempo do que o dia de festa.

Pergunto novamente:

- O que é que demora mais? A Quaresma ou a Páscoa?

- A Quaresma dura 40 dias e o tempo pascal dura 50 dias.

De facto, a Páscoa é o contrário do que habitualmente acontece nas celebrações: A festa da Páscoa prolonga-se por mais tempo do que a sua preparação.

E isto por vários motivos:

- Porque é o dia que o Senhor fez. Nós fazemos a preparação, mas é Deus quem faz o dia da festa.

- Porque a festa da Páscoa é um dia continuado, antecipação da Páscoa eterna, enquanto a quaresma é transitória.

- Porque não há mistério mais grandioso e mais envolvente e por isso tem haver mais tempo para saboreá-lo.

- Porque o mais importante é permanecer neste espírito pascal festivo. É pela perseverança que seremos avaliados.

- Porque Jesus ressuscitou para que nós possamos viver com eternamente.

 

Ver também:

Onde está Jesus?

Apóstola dos apóstolos

O Jardineiro das almas

Mulher, porque choras?

Enxugar lágrimas

Não me detenhas

Ver Jesus

Vi o Senhor

Lágrimas de Maria Madalena

Ele não conheceu corrupção

 

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Anúncio da Ressurreição


2ª feira da oitava da páscoa

Disse Pedro:

Jesus de Nazaré, a quem vós destes a morte, Deus ressuscitou-O…

 

A versão de uma criança deste anúncio de Pedro na primeira leitura de hoje:

Era tempo de Páscoa.

Uma criança estava a observar uma montra, onde havia uma estampa que mostrava Jesus crucificado.

Entretanto, um homem aproximou-se também da montra.

A criança começou a dizer-lhe o que aquela estampa representava:

- Está a ver ali Jesus? Ele morreu na cruz para nos salvar.

O homem apreciou as suas palavras, e foi-se afastando, seguindo o seu caminho.

Contudo, a criança lembrou-se, de repente, que faltara contar o mais importante. Foi a correr atrás dele e disse-lhe:

- Senhor, faltou-me dizer que Jesus morreu, mas ressuscitou!

De facto, a última palavra não pode ser a morte, mas a vida!

 

À margem 1

Maria Madalena e a outra Maria afastaram-se a toda a pressa e correram a levar aos discípulos a notícia da Ressurreição.

Eu ainda não encontrei nenhuma passagem do evangelho em que não haja pressa, em que não haja urgência ou prontidão imediata.

 

À margem 2

Pedro de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo.

Cristo ressuscitou, ergueu-se do sepulcro, pôs-se de pé, para que os seus discípulos pudessem também erguer-se, pôr-se de pés, configurar-se com Ele.

 

Ver também:

O corpo de Jesus

Jesus apareceu à sua mãe

Ele não conheceu corrupção

Ressuscitou

Primeiro as mulheres

Círculo virtuoso

 

domingo, 17 de abril de 2022

Páscoa é passagem


 Ano C – Domingo de Páscoa

Etimologicamente Pesah (Páscoa em hebraico ou aramaico) quer dizer PASSAGEM

- Passar para uma nova primavera (Natureza renascida) - Páscoa natural

- Passar para a terra de libertação (êxodo) - Páscoa judaica

- Passar da morte à vida (Ressurreição de Jesus) - Páscoa cristã

 

Passar de onde para onde?

Para acompanhar a Cristo na sua passagem da morte para a vida, é preciso passar:

               Da guerra para a Paz

                 Do ódio para o Amor

             Da solidão para a Solidariedade

Do individualismo para a Comunhão

      Da indiferença para a Oração

            Da tristeza para a Alegria

 

É assim que devemos fazer PÁSCOA

Paz

Amor

Solidariedade

Comunhão

Oração

Alegria

 

Ver também:

Louvai o Senhor

Aleluia, aleluia

S@nt@ P@sco@

Boa PAZcoa

Boas Páscoas

Páscoa Primaveril

O verbo ressuscitar

Estar vivo

Apareceu à sua mãe

Páscoa com todos

 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Vendeu-se a si próprio


4ª feira da semana santa

Dizem que 30 moedas de prata era o valor para comprar um escravo.

Judas recebeu 30 moedas.

Quem foi o escravo vendido?

Parece à primeira vista que foi Jesus.

Mas não.

O escravo que foi vendido foi o próprio Judas.

Na verdade, o que Judas vendeu foi a sua alma, a sua fidelidade, a sua dignidade. Ele vendeu-se a si próprio.

Isto não me choca.

Ele vendeu-se por 30 moedas de prata, nós vendemo-nos por menos.

Às vezes por um pouco de preguiça ou comodismo.

Outras vezes, por um passeio, por um divertimento, um momento de prazer, por uma ilusão, por um desleixo ou falta de responsabilidade.

Sempre que somos escravos, vendemo-nos a nós próprios.

Ou seja, somos traidores.

 

Ver também:

De que lado estou?

Pequenos Judas

O dia de Judas

Misericórdia infinita

Trinta moedas

É em tua casa

Moedas de prata

Aprendendo com Judas

 

terça-feira, 12 de abril de 2022

A noite de Judas


3ª feira da semana santa

São de facto NOITÍCIAS
ou notícias da NOITE

Judas recebeu o bocado de pão e saiu imediatamente. Era noite, e aquele que saía era a noite. Depois de a noite ter saído, Jesus disse…

Judas era trevas, era escuridão, era a própria noite.

A expressão ERA NOITE não é uma designação temporal, mas uma identificação pessoal. Judas era a noite ou a noite era o próprio Judas.

Judas não entrou na noite, a noite é que entrou nele.

Ele é que era a noite.

E quem é a noite ou a escuridão não sabe o que faz, não vê o que faz… por isso Jesus rezará por ele porque não sabia o que estava a fazer.

Ser a escuridão é viver no erro, na ignorância.

Quando as trevas inundam o nosso coração, deixamos de ver bem e de fazer o bem.

Quando deixamos de ter fé, de acreditar ou quando perdemos o ardor, dizemos que estamos a apagar interiormente, estamos a cair na noite da alma.

Jesus veio iluminar as nossas trevas. Ele é a luz do mundo.

Por isso na sua Páscoa, ele é representado pelo lume novo, pelo círio pascal, que veio iluminar a noite da nossa vida.

´

Ver também:

Distraições

Pedro versus Judas

O mistério de Judas

Farinha do mesmo saco

Trevas de Judas

 

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Prontos para apedrejar


6ª feira – V semana da quaresma

Agarraram em pedras para apedrejarem Jesus…

 

Atirar pedras é querer acabar com um assunto ou acabar com alguém. De facto, quando queremos por fim a um assunto dizemos que colocamos uma pedra sobre esse assunto.

Também atirar pedras a alguém é querer não só ferir alguém, mas dar cabo dessa pessoa. Por outras palavras, atirar uma pedra a alguém, seja material, verbal ou moral, é querer pôr uma pedra tumular sobre alguém… é querer acabar com alguém, é querer matar.

 

Não vale a pena atirar pedras nem a Deus nem aos irmãos.

Não vale a pena discutir com Deus, pois Ele escapa-se-nos sempre…

Não vale a pena atirar pedras aos irmãos, porque as pedras, quaisquer que sejam, são-nos pesadas e amossam-nos mais a nós que a eles.

 

Um dia o pai viu chegar da escola o seu filho cheio de rancor e a respirar violência. Vinha mesmo revoltado e até trazia uma pedra na mão.

- Ó filho que é isso?

- O meu colega de carteira discutiu comigo, magoou-me, humilhou-me, foi bruto para comigo. Ele vai ver como é bom aquilo que me fez.

- E essa pedra?

- Se eu o encontrasse no caminho, atirava-lhe para acertar-lhe em cheio.

- Ó filho, vejo que estás nervoso e tenso. Carregaste esse peso e vens com o coração ainda mais pesado. É melhor descontraíres-te. Faz assim: vês este saco de carvão? Vês aquela camisa branca a secar no varal? Então imagina que é o teu colega que lá está. Tenta atingi-lo atirando-lhe todo este carvão.

E o rapaz, só a imaginar que atingiria o seu ofensor, lá foi tentando acertar com as pedras de carvão naquela roupa, mas não foi fácil. Ou o carvão era leve, ou a sua pontaria era fraca, ou o alvo estava longe.

Por fim, esgotado deitou-se no chão.

- Vem ver os estragos que fizeste na camisa do varal – disse-lhe o pai.

E viu apenas uma mancha aqui e ali.

- Vem ver-te agora ao espelho.

Quase que nem se conhecia. Tinha a cara negra de carvão, pois de branco só via os dentes e os olhos.

- O que é que me aconteceu?

- Pois é, filho. Quando queremos atirar pedras aos outros, só nos prejudicamos a nós próprios, pois levamos pesos desnecessários e ficamos cada vez mais sujos.

 

Queriam atirar pedras a Jesus. Mas ele escapou-se das suas mãos… Não conseguiram fazer-lhe mal. Só fizeram mal a si próprios…

 

À margem:

Ainda por cima, aqueles que queriam apedrejar Jesus viam muito mal.

Queriam apedrejá-lo por ele sendo homem, se fazia Deus.

Mas era precisamente o contrário: Sendo Deus, se fazia homem.

 

Ver também:

Pedras para Jesus

Pedras na mão

Apedrejar Jesus

Fazer-se Deus

Nas mãos de Deus

 

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Humildade e alegria


5ª feira – V semana da quaresma

Abraão é para nós exemplo de várias virtudes – fé, obediência. fidelidade à aliança, cumprimento da palavra de Deus, tolerância, hospitalidade.

Hoje temos duas virtudes, uma em cada leitura.

 

1ª leitura – Humildade de Abraão

Naqueles dias Abrão caiu de rosto por terra e Deus falou-lhe assim…

Abraão sempre se sentiu pequenino diante de Deus.

Ser grande é saber ser pequeno.

Abraão era grande o suficiente para poder se fazer pequeno.

Era humilde diante de Deus e humilde entre os homens, seus irmãos.

 

No Evangelho – A alegria de Abraão

Abraão exultou por ver o meu dia, ele viu e exultou de alegria…

Quando foi isso?

Quando Abraão estava pronto para imolar o seu filho Isaac.

Deus fez com que Abraão poupasse o seu filho, e em vez dele entregou o seu próprio Filho. Abraão viu assim o dia em que Jesus ia ser entregue.

Exultou de alegria, não tanto por não ter sacrificado, mas por ver o amor de Deus – Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho. É isso que é motivo de alegria.

Exultar de alegria é participar na alegria de Deus. De facto, Deus diz em relação a Jesus: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha alegria, o meu enlevo, a minha complacência.

 

Ver também:

Abraão e Jesus

De rosto por terra

Eu sou

A humildade de Abraão

Quem é ele

 

domingo, 3 de abril de 2022

Sermão para ser visto


Ano C – V domingo da quaresma

Jesus sentou-se e começou a ensinar.

Ensinar o quê?

Ensinou através de um episódio.

Então o sermão de hoje não é para ser escutado, mas para ser visto.

Jesus ao escrever no chão ensina-nos a escrever na areia o mal do mundo, os nossos pecados e as ofensas dos outros para que depressa possam ser apagados e perdoados.

Ensina-nos, por outro lado, a gravar o bem que nos fazem na pedra dura e firme para guardar o que vale a pena recordar.

Uma vez o sacerdote despejou durante a homilia um monte de pedras à frente do altar dizendo:

- Aqui estão tantas pedras quanto as pessoas aqui presentes. Cada um tem o direito de pegar uma pedra, mas atenção, só tira leva uma pedra quem achar que não tem nenhum pecado.

E o sacerdote retirou-se de mãos vazias e toda a gente concluiu que o sacerdote também era pecador…

No domingo seguinte o sacerdote reparou que lá continuavam todas as pedras.

De facto, ninguém pegou nas pedras, porque todos se achavam pecadores.

Bem basta o peso do nosso pecado.

Evitemos carregar o peso de qualquer pedra para atirar aos outros, porque afinal todos somos pecadores.

Ver também:

Aos pés de Jesus

Jesus abaixou-se

Meio cheia

O santo e a pecadora

Saber perdoar

Gravar sobre a rocha

Escrever na areia

Jesus inclinou-se

Condenar o pecado mas não o pecador

Deus salva

 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Jesus em segredo


6ª feira – IV semana da quaresma

Jesus subiu a Jerusalém,

não às claras, mas em segredo.

 

Porquê em segredo?

- Porque tinha medo que o prendessem?

- Porque queria brincar com os fariseus às escondidas?

- Porque não queria que ninguém o incomodasse?

- Porque não queria que soubessem quem Ele era?

- Porque ainda não tinha chegado a sua hora?

- Porque Jesus é um segredo que tem de ser descoberto por cada um!

Sim, de facto Jesus é um mistério que tem de ser revelado.

Cada um vai descobrindo, vai se envolvendo até o conhecer pessoalmente.

Jesus subiu a Jerusalém em segredo para nos lembrar que Ele próprio é um segredo, é um mistério, é descoberta e revelação.

Quanto mais penetramos nesse mistério, tanto mais ainda fica por descobrir.

Quando Deus se esconde é porque quer revelar-se com mais intensidade.

Deus esconde-se para se revelar ainda mais.

 

E nós, diante de Jesus que é segredo ou mistério, que devemos fazer?

Devemos:

- Procurar (buscá-lo com atenção, perseverança e empenho)

- Reconhecer (identificá-lo e agradecer-lhe)

- Guardar (permanecer na fidelidade e no amor)

- Transbordar (testemunhar ou anunciar essa alegria para que os outros sejam também contagiados ou tocados por essa graça)

 

 

À margem:

O amor é o segredo

Que falta a gente entender

(como canta Vítor Kley)

Então, se Deus é amor,

Logo, Deus é o segredo

Que falta a gente entender.

 

Ver também:

A hora de Jesus

Em segredo

Jesus é o segredo

 

Crónica de um santo (20)


Crónica de um santo na Madeira

Epílogo

Na homilia da beatificação de Carlos da Áustria, a 03 de outubro de 2004, o Papa São João Paulo II referiu: “A tarefa decisiva do cristão consiste em buscar, reconhecer e seguir a vontade de Deus em tudo. O homem de Estado e cristão Carlos da Áustria enfrentava este desafio quotidianamente. Aos seus olhos, a guerra manifestava-se como "algo horrível". Durante os tumultos da primeira guerra mundial, ele procurou promover a iniciativa de paz do meu predecessor Bento XV.

Desde o início, o Imperador Carlos concebeu o cargo que ocupava como um serviço sagrado aos seus povos. A sua principal preocupação consistia em seguir a vocação do cristão à santidade também na sua ação política. Por este motivo, o seu pensamento estava orientado para a assistência social. Que ele constitua um exemplo para todos nós, sobretudo para aqueles que hoje ocupam lugares de responsabilidade política na Europa.”

De facto, o Beato Carlos da Áustria morreu como viveu, no fiel cumprimento da vontade de Deus – Sempre me esforcei por reconhecer e fazer a vontade de Deus, tão bem quanto possível…

Para ele, tudo foi dom de Deus, tanto as alegrias como as adversidades, repetindo com frequência: Encontramo-nos nas mãos da Divina Providência. Tudo o que nos acontece está bem. Apenas confiemos.

O Imperador Carlos procurou a vontade de Deus em tudo quanto fez. Esta era a regra mais importante da sua vida e das suas ações.

No seu leito de morte, disse à Imperatriz Zita: Zangar-se? Lamentar-se? Quando se conhece a vontade de Deus, tudo está bem.

Maior milagre não pode haver.

Milagre não é Deus fazer a nossa vontade, mas sim nós fazermos sempre a vontade de Deus.

Ser santo é isto mesmo, é conformar a nossa vida à vontade de Deus.

01 de abril de 1922 – sábado

Às nove horas, como habitualmente, o Pe. Paul Zsamboki trouxe ao enfermo Carlos da Áustria a Sagrada Comunhão; depois, expôs o Santíssimo Sacramento num ostensório, à vista do moribundo. “Vem sentar-te ao pé de mim e ajuda-me! – pediu o Imperador a Zita. E ela permaneceu sentada à beira da cama, durante quatro horas, apoiando o marido com a mão esquerda; ele poisava-lhe a cabeça no ombro.

O Imperador entrou em agonia e ordenou que chamassem Otto, “para ver como é que um cristão regressa aos braços do seu Criador”.

A pulsação abrandou. Carlos estava lúcido e reuniu as últimas forças que lhe restavam para dizer: “Amo-te muito. Amo muito os meus filhos. O que vamos nós fazer com os pequeninos? Vamos para casa…”

O seu rosto começou a perder cor. Restava-lhe apenas oferecer a morte. Um derradeiro pensamento para os seus: “Bom Salvador, protegei os nossos queridos filhos Otto, Adelaide, Roberto, Félix, Carlos Luís, Rodolfo, Carlota e o pequenino…” Em seguida, deixou cair a cabeça sobre o ombro de Zita; minutos depois murmurou: “Jesus, vem, vem!

A Imperatriz não conseguiu conter um grito de dor: “Carlos, que vai ser de mim sozinha?” Depois conteve-se e rezou em voz alta: “Senhor, faça-se a vossa vontade.” O Imperador arquejou e voltou a dizer: “Meu Jesus, quando quiseres.” E após um momento de silêncio: “Jesus.” E calou-se para sempre.

Morreu às 12H18, conforme a certidão de óbito. Tinha 34 anos e meio.

Nesse dia, a Imperatriz envergava um vestido encarnado. Foi a última vez que se vestiu de cor.

Minutos depois da morte do Imperador, Zita dirigiu-se a Otto: “O teu pai dorme o seu sono eterno. A partir deste momento, és tu o Imperador e Rei.” E esboçou uma pequena vénia diante do filho de nove anos.

Pio XI (papa havia dois meses) e Afonso XIII de Espanha foram avisados por telegrama da morte do Imperador. O bispo do Funchal foi rezar diante dos restos mortais de Carlos, propôs que a inumação tivesse lugar na igreja do Monte. O Governador Civil Coronel Nobre da Veiga foi ao Monte apresentar condolências.

À noite foi embalsamado o cadáver do Imperador, pelos médicos assistentes, através de injeções. O coração do Imperador foi extraído do corpo para ser posteriormente encerrado num cofre de prata.

 

02 de abril de 1922 – domingo

A condessa Kerssenbrock encarregou-se do defunto, a quem vestiu o uniforme de marechal, não faltando a insígnia do Tosão de Ouro no dólman.

O povo do lugar acorreu em massa e, por horas, passara, ao lado de seu esquife na capela preparada em casa, tocando aí terços e objetos de piedade em sinal de devoção. Eles não choravam um último Imperador, mas o bom Carlos, que na tribulação do exílio, tanto soubera edificá-los com o seu comportamento humano e cristão.

 

03 de abril de 1922 – segunda-feira

 

04 de abril de 1922 – terça-feira

O artista Henrique Franco tirou o molde da máscara do Imperador Carlos com o intuito de fazer um busto do mesmo, a pedido da Imperatriz Zita.

 

05 de abril de 1922 – quarta-feira

O Henrique Franco foi à Quinta do Monte para executar a máscara mortuária do Imperador Carlos pelo molde que lhe havia tirado no dia anterior.

As autoridades da ilha decretaram um dia de luto. Neste dia 5 de abril as bandeiras estiveram a meia haste no Funchal, as lojas fechadas e o Comboio do Monte fez viagens eventuais para a freguesia.

O funeral, a cargo da Agência Gama, realizou-se pelas 16H00 para a igreja do Monte, assistindo largos milhares de madeirenses, presididas pelo Bispo do Funchal, ficando provisoriamente o ataúde na Capela do Santíssimo Sacramento para depois ser transladado para a Capela do Imaculado Coração de Maria, após as respetivas obras de adaptação.

O esquife foi transportado numa carreta da Câmara Municipal do Funchal, empurrada por homens, de acordo com o costume local atravessando a rua das Tílias até à igreja paroquial.  O conde Josef Karolyi levava uma almofada com as decorações do Imperador e atrás seguiam Zita e Otto, depois a arquiduquesa Maria Teresa com Adelaide e Roberto, a condessa Mensdorff, a condessa Kerssenbrock e as restantes crianças. Os criados levavam coroas de flores. No final do cortejo seguiam as individualidades locais, bem como os cônsules de Espanha, de França e de Inglaterra.

Dos fortes do Funchal foram lançados cento e um tiros de canhão.

Sobre o catafalco estava o estandarte imperial e duas coroas de flores: uma com as cores da Áustria, outra com as cores da Hungria. Uma outra coroa encomendada de Viena pelo general Arz “em nome dos oficiais, sub-oficiais e soldados do exército imperial e real.