Ano A – XXIII domingo comum
No evangelho de hoje Jesus ensina-nos como corrigir um irmão que nos
ofende.
Quero hoje prestar mais atenção ao que Jesus ensina com o exemplo do que às
suas palavras. Ele ensina o que vive e vive o que ensina.
Diante os irmãos que o ofendiam Jesus mantém a calma, aproxima-se e pergunta:
- Se falei mal diz-me em quê, mas se falei bem porque me bates?
Ou então diante dos algozes, no Calvário Jesus reza por aqueles que o
ofendiam:
- Pai, perdoa-lhes que não sabem o que fazem.
A melhor maneira de tratar os irmãos que nos ofendem é não julgar nem
condenar, mas rezar por eles.
Façamos uma demonstração:
Numa igreja havia 5 velas.
Entraram 3 ladrões.
Cada um levou 1 vela.
Quantas velas ficaram?
A minha resposta imediata é que ficaram 2 velas.
Mas essa é uma reação negativa de julgamento.
Como são ladrões eu faço o julgamento que cada um levou, isto é, roubou uma
vela.
Mas o narrador diz apenas que cada um levou, isto é, levou para a igreja juntando
às outras 5 velas.
Se eu julgo negativamente a resposta é 2 velas.
Se eu aprecio sem julgar nem condenar a resposta é 8 velas.
Depende do que o meu coração vê.
Não podemos julgar nem condenar os nossos irmãos, mas corrigir com amor.
À margem 1
São Tomás te Aquino aborda a caridade na Summa Teológica dedica uma questão
inteira à correção fraterna (q 33 da II-IIae). Desenvolve-a em 8 artigos. Os
títulos são apelativos indo diretos ao assunto:
Artigo 1 – Se a correção fraterna é ato de caridade.
2 – se a correção fraterna é preceito
3 – se pertence só aos prelados
4 – se alguém está obrigado a corrigir o seu prelado
5 – se o pecador deve corrigir o delinquente
6 – se devemos cessar a correção fraterna por temermos que o pecador fique
pior
7 – se, na correção fraterna, deve, por força do preceito, a advertência
secreta preceder a pública
8 – se a apresentação de testemunhas deve preceder a advertência pública.
São Tomás não tem dúvidas: a correção fraterna não deve configurar
simplesmente um ato de justiça, mas deve ser, si, uma expressão da caridade.
Seria um ato de justiça se a nossa única preocupação fossem aqueles que são
vítimas dos erros ou dos pecados do pecador. Mas torna-se uma obra de
misericórdia porque nos preocupamos com o pecador em si mesmo, ajudando-o a
reconciliar-se com Deus. Percebemos assim o silogismo: corrigir o que erra é
esmola espiritual. Ora, a esmola é ato de caridade, logo a correção fraterna é
ato de caridade. É tentar libertar e não julgar ou condenar.
À margem 2
- O senhor padre faz ideia qual é a obra de misericórdia mais praticada?
- Não faço ideia. É uma das obras de misericórdia corporais ou espirituais?
- É a 3ª obra de misericórdia espiritual.
- Já sei – é corrigir os que erram.
De facto, é o que estamos constantemente a fazer, muitas vezes, até sem nos
apercebermos. Em qualquer lugar, seja com quem for, temos a tendência para
corrigir, mostrar e corrigir os erros dos outros.
Não nos podemos esquecer que qualquer correção deve ser um ato de amor e uma obra
de caridade ou de misericórdia.

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