domingo, 6 de setembro de 2026

Corrigir os erros sem jugar


Ano A – XXIII domingo comum

No evangelho de hoje Jesus ensina-nos como corrigir um irmão que nos ofende.

Quero hoje prestar mais atenção ao que Jesus ensina com o exemplo do que às suas palavras. Ele ensina o que vive e vive o que ensina.

Diante os irmãos que o ofendiam Jesus mantém a calma, aproxima-se e pergunta:

- Se falei mal diz-me em quê, mas se falei bem porque me bates?

Ou então diante dos algozes, no Calvário Jesus reza por aqueles que o ofendiam:

- Pai, perdoa-lhes que não sabem o que fazem.

A melhor maneira de tratar os irmãos que nos ofendem é não julgar nem condenar, mas rezar por eles.

 

Façamos uma demonstração:

Numa igreja havia 5 velas.

Entraram 3 ladrões.

Cada um levou 1 vela.

Quantas velas ficaram?

 

A minha resposta imediata é que ficaram 2 velas.

Mas essa é uma reação negativa de julgamento.

Como são ladrões eu faço o julgamento que cada um levou, isto é, roubou uma vela.

Mas o narrador diz apenas que cada um levou, isto é, levou para a igreja juntando às outras 5 velas.

Se eu julgo negativamente a resposta é 2 velas.

Se eu aprecio sem julgar nem condenar a resposta é 8 velas.

Depende do que o meu coração vê.

Não podemos julgar nem condenar os nossos irmãos, mas corrigir com amor.

 

À margem 1

São Tomás te Aquino aborda a caridade na Summa Teológica dedica uma questão inteira à correção fraterna (q 33 da II-IIae). Desenvolve-a em 8 artigos. Os títulos são apelativos indo diretos ao assunto:

Artigo 1 – Se a correção fraterna é ato de caridade.

2 – se a correção fraterna é preceito

3 – se pertence só aos prelados

4 – se alguém está obrigado a corrigir o seu prelado

5 – se o pecador deve corrigir o delinquente

6 – se devemos cessar a correção fraterna por temermos que o pecador fique pior

7 – se, na correção fraterna, deve, por força do preceito, a advertência secreta preceder a pública

8 – se a apresentação de testemunhas deve preceder a advertência pública.

São Tomás não tem dúvidas: a correção fraterna não deve configurar simplesmente um ato de justiça, mas deve ser, si, uma expressão da caridade. Seria um ato de justiça se a nossa única preocupação fossem aqueles que são vítimas dos erros ou dos pecados do pecador. Mas torna-se uma obra de misericórdia porque nos preocupamos com o pecador em si mesmo, ajudando-o a reconciliar-se com Deus. Percebemos assim o silogismo: corrigir o que erra é esmola espiritual. Ora, a esmola é ato de caridade, logo a correção fraterna é ato de caridade. É tentar libertar e não julgar ou condenar.

 

À margem 2

- O senhor padre faz ideia qual é a obra de misericórdia mais praticada?

- Não faço ideia. É uma das obras de misericórdia corporais ou espirituais?

- É a 3ª obra de misericórdia espiritual.

- Já sei – é corrigir os que erram.

De facto, é o que estamos constantemente a fazer, muitas vezes, até sem nos apercebermos. Em qualquer lugar, seja com quem for, temos a tendência para corrigir, mostrar e corrigir os erros dos outros.

Não nos podemos esquecer que qualquer correção deve ser um ato de amor e uma obra de caridade ou de misericórdia.

 

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