quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Santa Clara de Assis

Era bela, rica, poderosa. Um dia conheceu Francisco, ouviu-o pregar e escolheu viver na mais absoluta pobreza. Santa Clara de Assis é a face feminina do franciscanismo. Conta a lenda que derrotou sarracenos com um raio de Sol e ensinou como se pode ser feliz sem nada

Celano, ao escrever a primeira biografia de São Francisco de Assis, em 1228, quando Clara não tinha mais do que 34 anos de idade (dos sessenta que deveria viver, quarenta e dois dos quais como Abadessa das Irmãs Pobres de São Damião) já fale dela como de uma santa canonizada:
"Clara... virgem no corpo e puríssima no coração; jovem em idade mas amadurecida no espírito. Firme na decisão e ardentíssima no amor de Deus. Rica em sabedoria, sobressaiu na humildade. Foi clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima em suas virtudes...

Trecho da Bula de canonização de Santa Clara, publicada pelo Papa Alexandre IV, que canonizou a Santa a 15/8/1255
"Clara, preclara por seus claros méritos, clareia claramente no céu pela claridade da grande glória, e na terra pelo esplendor dos milagres sublimes. Brilha aqui claramente sua estrita e elevada religião, irradia no alto a grandeza de seu prémio eterno, e sua virtude resplandece para os mortais com sinais magníficos.
A esta Clara foi dado o título do privilégio da mais alta pobreza…
Esta Clara foi distinguida aqui por suas obras fúlgidas, esta Clara é clarificada no alto pela plenitude da luz divina. E a maravilha de seus prodígios estupendos declara-a aos povos cristãos.
Ó Clara, dotada de tantos modos pelos títulos da claridade! Foste clara antes da tua conversão, mais clara na conversão, preclara por teu comportamento no claustro, preclara pelos seus claros méritos, e brilhante claríssima depois do curso da presente existência!
O mundo recebeu de Clara um claro espelho de exemplo: por entre os prazeres celestiais ela oferece o lírio suave da virgindade.
Ó admirável clareza da bem-aventurada Clara, que quanto mais diligentemente é buscada em pontos particulares mais esplendidamente é encontrada em tudo. Brilhou no século e resplandeceu na religião. Em casa foi luminosa como um raio, no claustro teve o clarão de um relâmpago! Brilhou na vida, irradia depois da morte. Foi clara na terra e reluz no céu! Como é grande a veemência de sua luz e como é veemente a iluminação de sua claridade!"

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

São Lourenço

Hoje celebramos a festa do mártir São Lourenço, diácono da Igreja de Roma, queimado vivo na perseguição religiosa do ano 258.

São Leão assim expressou o martírio de São Lourenço:

"As chamas não puderam vencer a caridade de Cristo;
e o fogo que queimava por fora foi mais fraco
do que aquele que lhe ardia por dentro."

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Santa judia








Teresa Benedita da Cruz,
(Edith Stein, 1891-1942)
Padroeira da Europa

Judia de nascimento, foi após a leitura, de um fôlego, da Autobiografia de Santa Teresa d’Ávila, que ela encontrou o caminho de vida que procurava.
Por sua vontade, foi baptizada na Igreja Católica no dia 1 de Janeiro de 1922. Continuou a sua vida como professora e escritora, até ser agregada às Irmãs Carmelitas, em 1933. Durante este período, vai-se desenvolvendo o seu trabalho intelectual e o aprofundamento da sua fé cristã, sem deixar de ter um profundo respeito pela fé da sua família e do seu povo judeu, que nunca renegou. Morreu a 9 de Agosto de 1942, na câmara de gás de Auschwitz, para onde fora levada juntamente com a sua irmã Rosa, também baptizada, e tantos outros perseguidos pelo nazismo.

Fazemos nossas as palavras do Papa João Paulo II, pronunciadas a 11 de Outubro de 1998, dia da sua canonização:
«Edith Stein é para nós um exemplo e uma guia. Do misterioso projecto divino sobre a sua pessoa, no início também ela percebeu somente “poucos e suaves sons”, como de uma melodia que ressoava ao longe. Na escola da Cruz, estes sons compuseram-se entre si e tornaram-se sinfonia interior.
Graças à sua intercessão, possa também a nossa vida transformar-se numa harmoniosa sinfonia para louvor e glória de Deus».


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

São Domingos

Hoje celebramos a memória de São Domingos
Contemplemos o seu RAMALHETE DE VIRTUDES

Ramalhete de virtudes de SÃO DOMINGOS

1 - Mestre Domingos foi sempre homem humilde, manso, paciente, moderado, pacífico, sóbrio, modesto e muito maduro em todos os seus actos e palavras; piedoso, consolador dos demais e em especial dos seus frades; cheio de zelo pela observância regular, muito amante da pobreza tanto na comida como na sua vestimenta e dos frades da sua Ordem e também nos edifícios e igrejas dos frades.

2 - Quando caminhava pelas cidades e vilas, mal levantava da terra os olhos.

3 - Duas ou três vezes foi eleito bispo, mas renunciou sempre, querendo mais viver na pobreza com os seus frades, do que possuir qualquer benefício episcopal.

4 - Raras vezes falava, a não ser com Deus ou de Deus, e sempre procurou persuadir os seus frades a fazerem o mesmo.

5 - Com frequência exortava e animava com palavras e por escrito aos frades da sua Ordem, para que estudassem o Novo e o Antigo Testamento. Sempre levava consigo o Evangelho de Mateus e as Cartas de Paulo, e estudava muito nelas, de tal modo que quase as sabia de cor.

6 - Era alegre e festivo, misericordioso e benigno, consolador dos frades. Se encontrava algum frade que havia faltado em algo, passava como se não o visse; mas depois, com rosto alegre e palavras brandas, lhe dizia: “Irmão, tu fizeste mal, confessa...”. E com suaves palavras induzia a todos à penitência.

7 - Nunca se ouvia sair da boca de frei Domingos palavra feia, ociosa ou nociva.

8 - Nunca, nem nas fadigas dos caminhos, nem no calor da paixão, ou noutras circunstâncias, o viram irado, excitado ou perturbado, mas sempre alegre nas tribulações e paciente nas adversidades.

9 - Nunca celebrava missa sem derramar lágrimas. Passava as noites em oração rezando com soluços e lágrimas. E quando pregava algum sermão aos frades, derramava lágrimas. E muitas vezes os frades também choravam.

10 - Quando frei Domingos ficou doente, daquela enfermidade que o levou depois à morte, os frades estavam juntos a ele e choravam. Frei Domingos disse: “Não queirais chorar, porque eu serei mais útil no lugar para onde vou do que se ficasse aqui”.

sábado, 6 de agosto de 2011

Escutar, Olhar, Falar

Ano A - XIX Domingo Comum

1º Escutar o convite de Jesus
Jesus ordenou aos discípulos que entrassem no barco e passassem para a outra margem…
Parece que os discípulos não queriam ouvir nem entrar pois Jesus teve que obrigá-los.
O barco simboliza o plano de Deus para a nossa vida.
O barco é tudo o que Deus idealiza para nós.
A Igreja é um desses barcos que Jesus preparou para nós.
Ele continua a dizer: entra no barco e passa para outro lado. Deixa essa margem, entra no barco e muda de direcção da tua vida.
Não fiques entre a multidão sem rumo, enfrenta as tempestades e vai mais além, mais longe… alarga os horizontes da tua vida.

2º Olhar para o modelo de Jesus
Os nossos olhos devem acompanhar a Jesus…
Às vezes aos nossos olhos Jesus parece-nos distante, imperceptível, difuso…
É preciso fixar o nosso olhar Nele para O descobrirmos melhor.
Se desviarmos o nosso olhar de Jesus começaremos a afundar-nos no meio das tempestades da vida.
(Exemplo das corridas de bandejas… só um conseguiu chegar ao fim ser derramar nenhum copo cheio de água: porque eu estava com os olhos fixos no copo, não via mais nada, só o copo.)
Pedro fixou os olhos em Jesus, como o jovem fez com o copo, e teve a força que tanto precisava para vencer as resistências.
Enquanto Pedro estava olhando para Jesus conseguia andar sobre o mar. Bastou tirar os olhos de Jesus, olhar temerosamente para a força do vento e para as ondas do mar, para começar a perder o equilíbrio e afundar…
Tu queres afundar? Então olha para os teus problemas, olha para o medo, olha para ti …
Queres andar sobre o mar? Queres ir mais além? Olha para Jesus, fixa o teu olhar na Sua pessoa.
Elevemos então os nossos olhos para Jesus e o milagre acontecerá.
Tiremos então os olhos dos nossos problemas e fixemo-los em Jesus.
Que ele seja o rumo da nossa vida.
Nunca percamos de vista o nosso Deus.

3º Falar com Jesus
Quando Jesus entrou no barco a tempestade acalmou:
Então os discípulos disseram:
Realmente tu és o Filho de Deus…
E começaram a rezar e a fazer daquele barco um SANTUÁRIO.
Ajoelharam e adoraram a Jesus.
E o barco chegou logo ao seu destino.
Quando fazemos do nosso barco um santuário encontramos logo o destino certo…
Façamos do nosso barco um santuário e a nossa vida terá outro rumo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

As Neves de Nossa Senhora

Hoje a Igreja propõe-nos a celebração de Nossa Senhora das Neves ou a Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, de Roma.

Duas reflexões:

a)
Esta festa é como o Natal no tempo de Verão.
A Providência repete em Roma de uma certa maneira os lugares santos da Palestina.
A Basílica de Santa Maria Maior é como Belém. É aí que está o presépio.
A Basílica da Santa Cruz de Jerusalém em Roma é como o Calvário. Ela tem as relíquias da Vera Cruz.
A Basílica de São João Latrão, em Roma, é o Cenáculo. É lá que está a mesa da última Ceia.
A Festa de Santa Maria Maior lembra o Natal e Belém. Tudo nos faz lembrar isso: A neve que traça a planimetria da basílica, segundo a tradição; o presépio ou a manjedoura que veio de Belém e que aí se guarda; as relíquias dos Santos Inocentes cuja festa é contígua à do Natal; os restos mortais de São Jerónimo, o Santo de Belém e custódio da santa gruta.
Agradeçamos à Divina Providência que nos dá esta oportunidade para que seja o dia de Natal do Verão. Saibamos aproveitar para adorar Jesus menino e a ternura da sua mãe.
(Cf. Pe. Dehon, 5 de Agosto, in O Ano com o Coração de Jesus,  1909)

b)
A planimetria ou os traços de uma igreja ou templo desenhados pela neve em pleno Verão lembra-nos outros dois traços da Igreja, com letra maiúscula:
Lembra-nos o traço eclesiológico de Maria
E lembra-nos o traço mariano da Igreja.
Estejamos atentos para ver em Maria esses traços da Igreja
e atentos para ver na Igreja os traços de Maria.



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Rochas

5ª Feira - XVIII Semana Comum

Deus faz maravilhas a partir da rocha insignificante, dura, rústica, fria e informe.

Na Primeira Leitura, Deus faz brotar da ROCHA água viva.
No Evangelho, Deus faz erguer a sua Igreja, a sua comunidade sobre a ROCHA de Simão Pedro.

E nós?
Deus faz surgir da ROCHA desfeita em PÓ filhos prediletos... Pedras vivas do seu santuário.


Por brincadeira dizemos que a vida de um homem é uma história de PEDRAS:

É uma pedra da Escola
Pedra da rua
Pedra de casa
Pedra dos rins
Água das Pedras
Pedra tumular.

Mas Deus continua a fazer maravilhas a partir destas PEDRAS.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Humildade de Moisés

3ª Feira - XVIII Semana Comum

Na Primeira Leitura lemos:
"Moisés era homem muito humilde, mais humilde que todos os homens sobre a face da terra..."

Não sei se devo contemplar a GRANDEZA DA HUMILDADE de Moisés,
ou se devo contemplar a HUMILDADE DA GRANDEZA de Moisés!


Ladainha da Humildade:

Senhor, tende piedade de nós – Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós – Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós – Senhor, tende piedade de nós

Jesus manso – Escutai-nos, Senhor
Jesus humilde – Escutai-nos, Senhor
Jesus Coração – Escutai-nos, Senhor

Do desejo de ser estimado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser amado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser procurado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser elogiado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser honrado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser preferido aos outros – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser consultado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser aprovado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser lisonjeado – Livrai-nos, Senhor

Do temor de ser humilhado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser desprezado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser rejeitado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser caluniado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser esquecido – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser ridicularizado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser burlado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser injuriado – Livrai-nos, Senhor

Ó Maria, mãe dos humildes – Rogai por nós
São José, protector das almas – Rogai por nós
São Miguel, o primeiro a abater o orgulho de Satanás – Rogai por nós
Todos os santos, justificados pela humildade – Rogai por nós

Oremos:
Ó Jesus, que dissestes “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”, ensinai-nos a ser, de verdade, mansos e humildes e a ter um coração igual ao Vosso.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo…


(Cf. Cardeal Merry del Val)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Maná

2ª Feira - XVIII Semana Comum

Eu pensava que o Maná, dispensado por Deus ao povo peregrino no deserto era "uma papinha jé feita".
Pensava que o povo recolhia e comia imediatamente sem mais trabalho...

Ao ouvir a primeira leitura chego à conclusão que Deus dá sempre duas coisas complementares:
Dá a sua graça e dá a capacidade de trabalho e de completar a obra por Ele começada.

O povo tinha de recolher o maná, passá-lo pelo moinho, amassá-lo, cozê-lo e partilhá-lo.
Isto é, Deus dá como oferta e exige sempre trabalho, esforço, conquista.
Se tudo estivesse já feito ou completo, nada teria gosto, valor ou sentido.

A maior oferta ou presente que Deus dá é a capacidade de colaborarmos na sua obra.
Deus não nos dá coisas completas, mas dá-nos a capacidade de as concluirmos.

A maior obra de Deus somos nós.
Deus criou criadores.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Montar a tenda

5ª Feira - XVII Semana Comum

Na primeira Leitura Moisés faz levantar uma Tenda para morada de Javé entre o povo.
Deus quis morar connosco.
Nós moramos na mesma casa de Deus.
Deus é peregrino, tal como nós somos peregrinos ou nómadas a caminho da Terra Prometida.

Uma vez, depois de ter explicado isto na missa às crianças da catequese, perguntei-lhes para ver se me tinha feito compreender:
- Quem é capaz de me dizer porque é que se diz que Deus plantou a sua tenda entre nós?
Eu esperava que dissessem que Deus queria morar connosco, mas a resposta foi outra. Um garoto disse com toda a naturalidade:
- É que Deus quer passar as férias com a gente!
Mas que resposta surpreendente! De facto, hoje em dia, armar uma tenda não faz parte dos nossos hábitos de viver ou de peregrinar. Faz sim parte da nossa prática de campismo, de passar férias....

Quem me dera que toda a gente se lembrasse que, ao plantar a sua tenda entre nós, Deus quer passar as férias connosco ou que não nos esqueçamos que Ele está connosco também nas férias.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Encontrar um tesouro

4ª Feira - XVII Semana Comum

1ª - Quem descobre um tesouro torna-se ele mesmo num tesouro.
(Na 1ª Leitura, o rosto de Moisés torna-se resplandecente por contemplar a Deus resplandecente).

2ª - “Para encontrarmos uma coisa escondida, temos de nos esconder; a nossa vida deve, portanto, ser um mistério. É preciso assemelharmo-nos com Jesus.” (Teresinha do menino Jesus, carta 145).
(Escondidos e humildes, mas valiosos aos olhos de Deus!)

3ª - Quem encontra um amigo, encontra um tesouro (Ben Sirá 6,14 ou livro do Eclesiástico).
Que o nosso tesouro seja o nosso AMIGO, e o nosso AMIGO seja o nosso tesouro que encontrámos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Joaquim e Ana

Hoje a igreja propõe-nos a celebração da memória de São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem santa Maria.

No Oriente, o calendário bizantino celebra esta memória não neste dia 26 de Julho, mas no dia 9 de Setembro, porque lembra o costume de felicitar os pais pelo nascimento da sua filha (8 de Setembro).
De facto no dia o nascimento de um filho quem recebe os arabéns são os pais e nºao os filhos.

Hoje então é o dia de dar os parabéns a Joaquim e a Ana pela filha que tiveram, é tempo de dar parabéns a Maria pelo filho que nos deu, e a altura de dar os parabéns a todos nós pelo irmão que nos foi dado, Jesus o Cristo.

Em geral nós chegamos aos filhos através dos pais. Na celebração de hoje nós chegamos aos pais através da sua filha, Maria de Nazaré.

Queremos também chegar a Jesus através de Maria: a Jesus por Maria e a Maria por Jesus.

Finalmente: hoje é o dia da família de Jesus.
Saibamos amar quem mais gosta de Jesus,
e saibamos amar de quem Jesus mais gosta.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mirófora

Memória de Santa Maria Madalena

Hoje a igreja propõe-nos a contemplação de Maria Madalena como alguém que transportou perfume para ungir o corpo de Jesus deposto num sepulcro novo.

Mirófora ou miróforo é alguém que transporta perfume.
Na oração inicial da celebração lembramos que Maria Madalena foi a primeira pessoa a recber e a levar aos outros a alegria pascal do encontro com Jesus Ressuscitado.

Ele é transportadora de perfume tal como transportadora da alegria e da certeza de Cristo Vivo.

Transportar perfume é transportar alegria.
Transportar alegria é transportar Cristo Ressuscistado.
Transportar alegria é como transportar perfume, pois inebria todo o ambiente.
Transportar Cristo ressuscitado é como transportar perfume, pois envolve toda a nossa vida e a nossa circunstância.

Sejamos miróforos como Maria Madalena, pois...

Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas,
nas mãos que sabem ser generosas.

Dar o pouco que se tem a quem tem menos ainda
enriquece o doador, faz a sua alma ainda mais linda.

Dar ao próximo alegria parece coisa tão singela
aos olhos de Deus porém é das artes a mais bela.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Em parábolas

5ª Feira - XVI Semana Comum

Deus não só fala através da HISTÓRIA (1ª leitura, história do êxodo),
como também fala através das HISTÓRIAS (Evangelho, através de parábolas).

terça-feira, 19 de julho de 2011

Quem são meus irmãos?

3ª Feira – XVI Semana Comum

- A tua mãe e os teus irmãos querem falar-te…
- Quem é a minha mãe e quem são meus irmãos?
E indicando com a mãos os discípulos acrescentou:
- Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe…

São minha família não os que querem falar comigo, mas aqueles a quem Eu quero falar com eles.
São meus irmãos não os que vêm ter comigo, mas aqueles a quem eu vou ter com eles.
A minha mãe não é quem eu devo obedecer, mas aquela que me obedece fazendo a vontade de Deus…

Sejamos a família de Jesus:
Em vez de procurar falar com Ele, deixemos que Ele fale connosco.
Em vez de procurar que Ele nos escute, procuremos escutá-lo sempre.
Em vez de o visitar, abramos o nosso coração para que Ele nos visita e fixe morada no nosso coração…
Em vez de manifestar a Deus as nossas aspirações e desejos, procuremos descobrir a sua vontade e viver segundo os seus desígnios…



sábado, 16 de julho de 2011

O trigo e o joio

Ano A - XVI Domingo Comum














O que é o joio?
O joio é uma erva daninha que nasce nas plantações de grãos, parecida com o trigo.
É conhecido também como cizânia e trigo bastardo ou trigo falso.
Até que a sua espiga esteja madura, é quase impossível distingui-lo do trigo verdadeiro, mesmo sob o escrutínio mais severo.
Debaixo do solo, a raiz do joio é mais ampla e profunda e se entrelaça na do trigo.
O sistema de raízes do joio é bem mais desenvolvido que o do trigo.
Arrancar o joio é arriscar tirar o trigo junto e com ele um grande torrão de terra.
A raiz do trigo é curta e desprende-se facilmente do solo.


3 chamadas de atenção:

Cuidado com as aparências
- Trigo e joio confundem-se – às vezes nós pensamos que é uma coisa e afinal é outra. Às vezes pensamos que estamos a fazer o bem e afinal estamos a fazer mal… As armas do mal ou do joio são as máscaras, o engano e a confusão. Há que estar atento e não se deixar levar pelas armas do mal. Nunca o joio pode virar trigo. O negócio do joio é parecer, aparecer e confundir. Nem tudo o que parece joio é joio e nem tudo o que parece trigo é trigo. Resistir é não se deixar confundir…

Cuidado com as precipitações
- Qualquer decisão precipitada é sempre prejudicial para todos. Há que ter paciência e agir no tempo oportuno. É preciso deixar que os frutos cheguem, pois só o trigo pode dar fruto, o joio nunca: O joio tem o chão, tem a imagem do trigo, mas não dá fruto e nem se torna pão. Só o trigo serve. Só é boa semente aquela que pode dar fruto ou pão. Entretanto, acima do solo, quando trigo e joio começam a espigar, é possível distinguir facilmente um do outro – “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20).

Cuidado com os exageros
- Na nossa vida há graças e desgraças, bem e mal. Nós somos mais propensos para ver primeiro e acima de tudo o mal: é porque a desgraça salta mais depressa à nossa vista (a palavra é mais comprida) e também porque uma só árvore a cair faz mais barulho do que toda a floresta que está a crescer.


3 compromissos:

Colaborar
- Faz parte da nossa realidade a coexistência de trigo e joio – a questão não é fazer o joio acabar, mas ajudar o trigo a não morrer, nem ser destruído, mas ajudar a crescer, dar fruto e tornar-se pão.

Acreditar
- Deus permite o mal? É preciso não confundir a vontade de Deus, com a permissão de Deus.

Confiar
- Acabar com o joio é trabalho para Deus e seus anjos. Só eles podem purificar-nos, perdoar-nos e livrar-nos do mal. Deixemos então o juízo e a retribuição nas mãos de Deus e não seremos desiludidos.

Origem da Imagem: http://solascriptura-scriptura.blogspot.com

quarta-feira, 13 de julho de 2011

STOP

4ª Feira - XV Semana Comum

Na Primeira Leitura a experiência de Moisés é cópia da experiência de Deus.

Nas passagens de nível podemos ler o cartaz: PÁRE, ESCUTE E OLHE.

Na experiência do Horeb o cartaz é semelhante, mas com outra ordem dos factores:
OLHE, ESCUTE E PÁRE.
Moisés Viu a sarça... Escutou a voz... Parou, descalçando as sandálias...
Também Deus apresentou a mesma ordem de factores:
Deus Viu a situação na terra... Escutou os gritos... e STOP, Basta, parou com a escravidão...

Em vez de parar para ver e escutar, devemos ver, escutar para parar, para dizer basta, para fazer STOP à escravidão.

Aliás STOP que significa?
Se Tens Olhos, Pára!
ou
Se Tens Ouvidos, Pára!

A experiência de Deus foi a experiência de Moisés e vice-versa.
Em vez de parar para ver e escutar,
saibamos ver e escutar para parar,
isto é... para fazer STOP...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Moisés

3ª Feira - XV Semana Comum

Na primeira leitura começa hoje a história de Moisés...

Moisés gastou 40 anos pensando que era alguém;
Outros 40 anos aprendendo que não era ninguém;
E os últimos 40 anos descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém.

O número de anos pode ser diferente, mas o percurso é o mesmo para cada um de nós.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Oração de São Bento

Hoje celebramos a festa de São Bento, abade, padroeiro da Europa.

Oração de São Bento

Dá-me, benigníssimo Jesus,
A inteligência que Te entenda,
A sabedoria que Te encontre,
o espírito que Te ame,
o acto que Te glorifique,
os ouvidos que Te ouçam
os olhos que Te vejam,
a língua que Te louve,
a paciência que suporte os males permitidos por Ti.
Dá-me a Tua presença;
dá-me a feliz ressurreição,
e como prémio,
a vida eterna.

Amém!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Santa Maria Goretti

No dia da beatificação (27 de Abril de 1947) a Rádio Roma pediu à mãe da heróica menina de 12 anos que proferisse algumas palavras ao microfone. Eis o que ela disse nessa noite memorável:
“Tenho a minha alma cheia de alegria. O que mais me comoveu foi ver o Papa ajoelhado diante da imagem da minha querida filha. Dia de festa, também, porque hoje recebeu a primeira comunhão um dos meus netos.
O Papa falou-me com a ternura do melhor dos pais. Abençoou-me por três vezes. Foi hoje o dia maior da minha vida. Que a minha querida filha, a nova Beata, alcance de Deus as maiores bênçãos para o Vigário de Cristo, para a Igreja, para a gente nova de todo o mundo, a quem foi dada como modelo. Quem mo havia de dizer, santo Deus! Bendito seja Ele!”
A primeira comunhão do seu neto, o pequeno Pedro, foi administrada pelo Cardeal Nicolau Canali na capela de sua residência.
Estava presente a mãe da Beata com os seus filhos, Mariano, a religiosa Irmã Santo Alfredo e a mãe do pequenito Ersília…

Apesar de ter somente doze anos, Maria Goretti era muito crescida, o que chamou a atenção de um jovem garoto de 18 anos, Alexandre Serenelli. Um dia, em 1902, aproveitando um momento em que Maria estava sozinha com sua irmã mais nova, Alexandre procurou seduzi-la. Diante da resistência da jovem menina, Alexandre apunhalou-a com vários golpes. A santa foi transportada ao hospital e antes de morrer perdoou ao assassino com as seguintes palavras: "Por amor a Jesus perdoo e quero que venha comigo para o paraíso".
Alexandre Serenelli foi capturado logo após a morte de Maria. Inicialmente, seria condenado à prisão perpétua, mas como era menor, a sentença foi comutada para 30 anos na prisão. Ele manteve-se isolado do mundo por três anos, sem demonstrar arrependimento. Até o bispo local, Monsenhor Giovanni Blandini visitá-lo na cadeia. Serenelli escreveu uma nota de agradecimento ao bispo, pedindo que o incluísse em suas orações e contando sobre um sonho que tivera, onde a santa lhe alcançava flores, que se queimavam imediatamente em suas mãos.
Após sair da prisão, visitou a mãe de Maria, Assunta, e implorou o seu perdão. Ela respondeu que se a filha lhe havia perdoado em seu leito de morte, ela não poderia fazer diferente. Ele foi aceito na Ordem Menor dos Frades Capuchinhos, vivendo num convento e trabalhando como recepcionista e jardineiro até morrer tranquilamente em 1970. Referia-se a Maria como "sua pequena santa" e esteve presente na sua canonização.
Maria Goretti foi canonizada em 1950. Segundo algumas fontes, a sua mãe foi a primeira mãe a estar presente na canonização de um filho. Alexandre Serenelli também estava presente na celebração.


domingo, 3 de julho de 2011

Vinde a Mim

Ano A - XIV Domingo Comum

Vinde a Mim todos vós que andais cansados e oprimidos...

E nós fazemos precisamente o contrário.
Quando nos sentimos cansados, estressados, angustiados, com a cabeça pesada... não estamos na disposição de ir à igreja, de rezar, de visitar ou falar com Deus.
O cansaço é uma desculpa para não falar com Deus.

Jesus quer precisamente o contrário:
Os cansados, os oprimidos, venham até Mim, diz Jesus...

E depois?

Se eu cansado, angustiado ou esgotado for à casa de Deus, com certeza que vou dizer:
Ó Deus, eu tenho este grande problema, tenho esta grande preocupação, tenho este grande medo...

Mas deve ser precisamente o contrário.
Não devo dizer a Deus que tenho um grande problema (aliás Ele já o deve saber...) mas devo dizer ao meu problema que eu tenho um grande Deus.
Não preciso dizer a Deus que tenho medo, mas devo dizer ao meu medo que eu tenho um grande Deus... e isso será o suficiente para ficar sossegado e confiante.

sábado, 2 de julho de 2011

Coração Imaculado de Maria

Depois da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus a Igreja propõe-nos a contemplação do Imaculado Coração da Virgem Santa Maria.

O coração de Maria
é o retrato mais perfeito
do Coração do Seu Filho.

Em geral os filhos é que são parecidos com as suas mães.
Em geral os filhos é que são imagens do coração de suas mães.
No caso de Maria e de Jesus é precisamente o contrário:
O Coração de Maria, Mãe de Jesus, é que é parecido, semelhante ou imagem perfeita do Coração de Seu Filho Jesus.
É por isso que Ele diz:
Aprendei de mim que sou manso e humilde de Coração.


Por causa do seu amor infinito, Cristo Jesus tornou-se naquilo que nós somos, para fazer plenamente de nós aquilo que Ele é.

Jesus manso e humilde de Coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cruz Invertida

Solenidade de São Pedro e São Paulo

29 de Junho é o dia em que segundo a tradição os dois apóstolos foram martirizados em Roma: um crucificado, outro decapitado.

Por que motivo São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo?

a) Como sinal de humildade: Pedro ao saber que era condenado à crucifixão, terá pedido que fosse de cabeça para baixo, pois não se achava digno de morrer na cruz como o Senhor Jesus.

b) Como sinal de serviço: Segundo a tradição, parece que era assim o costume de crucificar os escravos. Então Pedro foi crucificado como escravo e não como homem livre - ou porque achavam que ele era escravo da sua fé ou então para comprovar que ele mesmo se apresentava como Servo dos Servos de Deus, escravo dos escravos.

c) Como sinal de contradição: contam que quando Pedro soube que iria ser crucificado terá manifestado a sua alegria por dar testemunho como o seu Mestre. Então os carrascos para o contradizer inverteram a cruz, pondo-a de cabeça para baixo só para contradizer, contrariar ou desgostar o condenado.

d) Como sinal de eternidade: Só assim Pedro podia morrer com os olhos fitos no céu. Tal não aconteceria se a cruz não estivesse invertida. Pedro morreu olhando para o alto, para o céu para onde esperava entrar e do qual tinha recebido as chaves...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Banda d'Além

2ª Feira - XIII Semana Comum

Para seguir a Cristo é preciso passar para a Banda d’Além.

“Vendo Jesus à sua volta uma grande multidão,
mandou passar para a outra margem do lago (Mt 8,18).

Os barcos estão seguros se permanecerem no porto, mas não foram feitos para isso.

Aos seus discípulos Jesus sempre ordenará uma travessia.
Ninguém será discípulo do Senhor se não estiver disposto a olhar adiante, empreender caminhadas, enfrentar os seus próprios medos, enfrentar situações novas, vencer as limitações, aprender mais, descobrir melhor, romper com a paralisia, simplesmente ousar, atrever-se, enfrentar temporais…

Para fazer essa travessia é preciso desatar amarras (deixar as riquezas ou os poisos de segurança, a família, a casa do pai…) desprender-se da terra, do aqui e do agora e ir em frente.


sábado, 25 de junho de 2011

Renegue-se a si mesmo

Ano A - XIII Domingo Comum

RENEGUE-SE A SI MESMO
TOME A SUA CRUZ

- Cruz como sinal de persignar-se:
persigne-se e siga-me,
isto é, arrependa-se e siga-me.

- Cruz como altar de oferecimento:
cada um tem a sua cruz,
o seu modo de se oferecer.

- Cruz como sofrimento:
esqueça-se a si mesmo,
assuma o sofrimento e siga-me.

- Renegar-se não é ficar passivo:
é abraçar uma cruz,
usar as mãos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Partir

2ª Feira - XII Semana Comum

Deixar tudo e seguir... é perfeição, diz o padre António Vieira.

O Senhor disse a Abraão:
Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar.
Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei... E todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas. Abraão partiu como o Senhor lhe dissera para a terra de Canaã… tinha 75 anos. (Génesis 12, 1-9)

Três propostas que Deus apresenta a Abraão: - deixar terra natal, - a pátria - e a família (casa do pai).
Três realidades: - uma geográfica, - uma cultural, -uma pessoal (de onde Abraão é chamado do fundo da sua própria identidade).

A vocação toma-o em tudo aquilo que é.
O chamamento de Deus manifesta-se, portanto, desde o início, como totalizante. Não pede um aspecto ou outro da vida de Abraão: pretende toda a vida até então vivida, e da qual é chamado a sair.
A vocação é ao mesmo tempo singular e plural.
Singular porque é um carisma pessoal dirigida a uma pessoa particular.
Plural porque engloba todas as dimensões da pessoa chamada e integra-a numa comunidade -”E todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas” (Gn 12, 3).

Por esta primeira história vocacional poderemos ver como é impressionante a relação entre a singularidade e a universalidade, presente em cada vocação.
Abraão deixa de ter passado e idade – pois não há idade para ser chamado e partir.
Em Abraão desaparece tudo o que ele viveu e fez no passado, até ao momento do seu chamamento. Não pode voltar atrás.

Escreveu D. Hélder Câmara:
“...Missão é sempre partir, mas não devorar quilómetros. É, sobretudo, abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então missão é partir até os confins do mundo”.

Neste processo, pregar o Evangelho muitas vezes não significa falar, mas agir.
O “ir” implica um partir, mas não de um lugar físico. Este partir significa deixar tudo: casa, família, terras... (cf. Mt 19,29) para seguir a Cristo. Deixar pai, mãe, irmãos, não significa romper com a própria família, mas abrir-se para acolher uma família ainda maior, a grande família dos filhos de Deus. O partir é um sair de si para encontrar o outro.

domingo, 19 de junho de 2011

Trinitas

Solenidade da Santissima Trindade

Conta-se que certa vez um filósofo cruzou-se com as crianças que vinham da catequese.
- O que é que aprenderam hoje?
- Hoje aprendemos o mistério da Santíssima Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- Ena pá, com tanta gente! E qual deles é o mais velho?
- As pessoas divinas são eternas portanto em Deus não há idade.
- Então o pai não é mais velho do que o filho? Insiste o filósofo.
- Claro que não. Aprendemos que há um só Deus em três pessoas iguais e distintas.
- Então diz-me lá. O teu pai não é mais velho do que tu?
- Não senhor...
- São essas mentiras que vão aprender à catequese? Olha, o meu pai é mais velho do que eu.
- Pois fique a saber que o meu não. O meu pai é há tanto tempo meu pai como eu sou seu filho. Enquanto eu não fui filho dele, ele não foi meu pai.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, ao Deus que é, que era e que vem, como era no princípio, agora e sempre.

As pessoas divinas não são três deuses porque o cumprimento, a largura e a profundidade dum corpo não são três corpos; nem a raiz, o tronco e os ramos não formam três árvores; como a forma, a cor e a fragrância da flor não fazem três flores. Assim Deus não se contenta em relacionar-se com o Homem apenas como Pai, mas também como irmão, por Jesus Cristo, e como Espírito vivificante.




sexta-feira, 17 de junho de 2011

Acumular no céu

6ª Feira - XI Semana comum

Não acumuleis tesouros na terra…
Acumulai tesouros no Céu…
Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração.

Mais do que negar as posses ou bens materiais, a concepção do Evangelho de Mateus era opor o projecto de riqueza ao projecto do Reino dos Céus Ambos os projectos – de riqueza e de Reino dos Céus – são opostos, pois tanto um quanto o outro ocupam todas as dimensões da vida e não se pode investir a vida em duas propostas distintas.
Nesse confronto entre Deus e a riqueza material é impossível unir as duas coisas, pois ambas exigem prioridades não sendo possível conciliá-los.
O que importa é optar, decidir-se, escolher, dar prioridade…
Optar entre duas hipóteses, é renunciar a algo para aderir ao que se acha único necessário.
Escolher algo como essencial é sinal de maturidade. Só um adulto é capaz de renunciar.
Acumulai tesouros no Céu… é o mesmo que dizer: sede adultos, maturos e responsáveis!


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Quando jejuares

4ª Feira - XI Semana Comum

O jejum não muda a Deus.
Ele é sempre o mesmo, antes, durante e depois do nosso jejum.
Jejuar só mudará a nós mesmos.
Vai ajudar a manter-nos mais suscepíveis ao Espírito de Deus.
O jejum não tornará Deus mais bondoso ou misericordioso para connosco.
O jejum deixará o nosso espírito mais atento, pois mortifica a carne e espevita a alma.
Quando jejuamos, não devemos mirar o jejum, mas sim em Deus.
A resposta às orãções flui melhor quando jejuamos, porque através desta prática estamos a libertar o nosso espírito.
O jejum não é um fim em si mesmo, mas um meio para tomarmos consciência da nossa contingência e da nossa constante fome de Deus.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sobressair em tudo


3ª Feira – XI Semana Comum

Na 1ª Leitura São Paulo lembra que os Coríntios sobressaíam em tantas coisas, 6 ao todo:
- na fé
- na eloquência
- na ciência
- em tudo o que é útil
- na caridade
- na generosidade

Isto quer dizer que não basta ter fé, é preciso expressá-la com elegância e eloquência.
Não basta ter ciência, é preciso torná-la útil.
Não basta ter caridade, é preciso acrescentá-la com generosidade.

E nós?
Façamos a lista daquilo que devemos sobressair para que sejamos perfeitos como é Perfeito o nosso Pai Celeste.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo António

Dia da Festa de santo António

Duas lições do Doutor Evangélico:

1. Lição das abelhas
“Os bons cristãos deveriam seguir o exemplo das abelhas.
Diz-se que as abelhas se colocam com todo cuidado nos buracos da entrada da colmeia e, na eventualidade de que algum bichinho consiga entrar, elas não o deixam em paz e o perseguem por todos os lados até expulsá-los para fora da colmeia... como as colmeias, assim são os nossos corpos, possuem cinco entradas que são os cinco sentidos. Entre estes, de especial importância são os olhos com os quais temos que vigiar atentamente para que não penetre em nós algo estranho e turvo.
Se alguma sugestão diabólica ou algum instinto perverso perturbar nosso espírito, não devemos de jeito nenhum e por nenhum motivo permitir que permaneça por muito tempo em nós. Com efeito, sua demora transforma-se em perigo e, assim afirmam os moralistas, um pensamento mau, conservado com complacência, já constitui uma falta moral. Portanto, logo que a consciência adverte que o pensamento está indo para o ilícito e não o afasta, está permitindo que se forme o assim chamado pensamento mau cultivado.
Como as abelhas, assim o bom cristão deve movimentar-se prontamente e, com o ferrão de sua boa consciência e da oração, tem que perseguir sem cansar-se os intrusos até expulsá-los para fora da colmeia de seu coração…”
(Sermões de Santo António Dom, III in Quadr., 1,153,27155,10)

2. Lição sobre a Oração
O que é que Santo António ensina sobre a Oração?
“Oração é dirigir os nossos afectos para Deus; é um devoto e amigável falar com Ele. É a tranquilidade da mente iluminada do alto.
Oração é também pedido para obter os bens temporais necessários para esta vida terrena.
Por fim, Oração é agradecer, isto é, reconhecer os benefícios recebidos, e oferecer todo o nosso empenho a Deus, de modo que a nossa Oração possa ser permanente.
O Senhor manifesta-se àqueles que param por um pouco de tempo em paz e humildade de coração. Se tu olhas nas águas turvas e turbulentas, não podes ver a expressão do teu rosto. Se tu queres ver o rosto de Cristo, pára, recolhe os teus pensamentos, em silêncio, e fecha a porta da tua alma ao rumor das coisas exteriores.
A saudação dos anjos e as bênçãos de Deus não são para aqueles que vivem na praça pública, isto é, fora de si, agitados e distraídos. O doce "Avé" foi dirigido a Maria quando Ela estava absorvida na oração, no silêncio de sua casa. Deus, para ser capaz de falar à alma e enchê-la com o conhecimento do seu amor, condu-la à solidão, destacando-a das preocupações das coisas terrenas. Ele fala ao ouvido daqueles que são silenciosos, e fá-los participantes dos seus segredos.
…Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa…”

A tradição popular diz que Santo António deu uma oração a uma pobre mulher que procurava ajuda contra as tentações do demónio.
Sisto V, Papa franciscano, mandou esculpir a oração - chamada também de "lema de Santo António" - na base do obelisco que mandou erigir na Praça de S. Pedro, em Roma.

Ecce Crucem Domini!
Fugite partes adversae!
Vicit Leo de tribu Juda,
Radix David! Alleluia!

Eis a cruz do Senhor!
Fugi forças inimigas!
Venceu o Leão de Judá,
A raiz de David! Aleluia!

Esta breve oração tem todo o sabor de um pequeno exorcismo. Também nós podemos usá-la - em latim ou português - para nos ajudar a superar as tentações que se nos apresentam.

domingo, 12 de junho de 2011

Sopro de Deus

Ano A - Pentecostes

Estávamos a reflectir sobre o Evangelho do envio dos Apóstolos e a infusão do Espírito Santo:
“Jesus disse-lhes – assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós. Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo...”
- Quem quer dizer porque é que Jesus soprou sobre os seus discípulos?
Um garoto respondeu com simplicidade:
- Para os empurrar e irem mais depressa.
Não era essa a resposta que eu esperava mas afinal o mesmo Espírito continuava a inspirar estas ideias. Pus de parte as complicadas reflexões teológicas, que tinha preparado, e deixei-me envolver por esta linguagem simples e sugestiva, tão ao jeito do mesmo Espírito.

De facto o Espírito Santo dá-nos a força e a urgência das coisas. Predispõe-nos a partir. É esse sopro que nos empurra, que nos dá a responsabilidade de profetas e enviados.
O Espírito é “pneuma”, ar, sopro ou vento. É ele que nos faz mexer porque é acção ou dinamismo. Ninguém o pode agarrar ou guardar só para si, pois é espírito de unidade e de comunhão. Sopra onde quer, não tem grades ou cadeias, é Espírito de liberdade. Não se vê mas sente-se, pois é humildade e discrição. Envolve-nos por dentro e por fora porque é afago e amor. É vento ou sopro que varre e limpa como espírito de purificação. Sendo ar, oxigénio, respiração, é vida.
É este sopro que nos leva longe.


terça-feira, 7 de junho de 2011

Como servir

3ª Feira – VII Semana da Páscoa

Na primeira Leitura São Paulo ao despedir-se dos seus amigos de Mileto, faz a lista do serviço que ali prestou a Deus.

Ele como?
- Serviu com humildade (é este um bom serviço a Deus e aos irmãos)
- com lágrimas (são um genuíno ministério)
- com provações (através de sacrifícios e sofrimentos
- sendo útil para todos (com proveito)
- com pregações (serviço da palavra)
- com instruções (serviço da correcção fraterna)
- em público (na comunidade)
- em particular (no relacionamento pessoal)
- com exortações (a todos motivando)
- tanto a judeus (os de mais perto)
- como os gregos (os mais distantes)

Perguntemos como é que nós estamos a servir a Deus, de que formas variadas… São Paulo apresenta 12 maneiras diferentes de servir a Deus, e nós?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eu venci o mundo

2ª Feira - VII Semana da Páscoa

No mundo tereis tribulações, mas tende confiança, eu venci o mundo.

Nos primeiros anos do meu ministério sacerdotal, ao ter grandes tarefas para assumir, eu sentia muito medo. Fui consultar um santo sacerdote que me disse:
- Usa este lema - Eu não Vos temo porque vos amo. Pois o amor vence todas as barreiras, todas as tribulações. Só a força do amor abala as estruturas do medo.

"No mundo tereis tribulações" - Hoje estas tribulações não são perseguições, martírios, ou tarefas difíceis a assumir... são simplesmente tentações, inclinações, pecados que nos afligem ou o mal que nos persegue.

São Domingos Sávio dizia: Antes morrer que pecar!
Hoje as pessoas têm medo da verdade, medo da morte, medo das doenças, medo de Deus, mas não têm medo do pecado.

Hoje peço a Deus um santo medo, o medo de pecar. Quero ter medo de fazer o mal, um medo sadio porque é fruto do temor a Deus.

Deixemos que a graça de Deus nos afaste dos medos doentios e restaure em nós o temor de Deus.
Que em tudo possamos ouvir a voz do Senhor que nos diz:
- Coragem... Não tenhais medo de lutar contra o pecado, contra o mal. Tende confiança, pois em venci o mundo.

Ascensão

Ano A - Domingo da Ascensão

A - Olhar para a frente sem deixar de olhar para o alto.
B - Olhar para o alto sem deixar de olhar para a frente.
C – Dia mundial das comunicações sociais
D – Oração digital

A – Olhar para frente
Estavam os discípulos a olhar para o alto, quando duas figuras lhes apareceram e disseram: porque olhais para o alto, ide a caminho da Galileia… e pregai a boa nova…
Em vez de ficarmos a olhar para o alto, é preciso olhar para a frente e seguir o caminho da evangelização.
Há outro motivo para olhar para a frente em vez de ficarmos parados a olhar para o alto:
Um dia o Sr. Prior pregou sobre a Ascensão do Senhor… No final um paroquiano foi ter com ele e felicitou-o:
- Muito bem pregou o Sr. Prior hoje. Que palavras eloquentes sobre o Céu para onde Jesus se elevou… É pena que o Sr. Pior tenha dito como é o céu ou o paraíso mas não disse onde é que ele fica. Disse o que é, mas não onde está…
- Queres então saber onde podes encontrar o céu? Fica na Rua das Giestas, nº 9.
O Paroquiano ficou meio amuado com a resposta. O Prior estava a gozar com ele. Mas pelo sim, pelo não a caminho de casa passou pela rua das Giestas e encarou com o nº 9. Parou, espreitou, entrou curioso e viu uma mulher, doente, rodeado de filhos pequenos, na maior miséria. Começou imediatamente a ajudar, foi pedir mais socorro e toda a paróquia amparou aquela família que passou a viver com toda a dignidade e na maior felicidade partilhada por todos.
Ali estava o paraíso ou o céu…
É preciso olhar para a frente, como enviados e como agentes do bem… pois é aí que está o paraíso para onde Cristo nos quer levar.

B – Olhar para o alto
Jesus elevou-se para nos atrair para lá, para orientar o nosso olhar até ao alto.
O que nós precisamos encontra-se lá no alto onde Jesus nos foi levado.
Numa tarde de primavera uma menina foi passear pelo campo. Parou junto a um riacho e mirou-se na água límpida e transparente. No fundo da água viu uma linda rosa. Esticou logo a mãozinha para alcançá-la. A água tremeu e a menina deixou de ver a flor. Momentos depois a água serenada voltou a apresentar-lhe a linda rosa lá no fundo. Nova tentativa para apanhá-la lá na água. Nesse momento ouviu uma voz:
- Menina, porque está a tentar alcançar aí em baixo, o que se encontra no alto. Olha para o céu…
Ela levantou-se e viu a roseira que ostentava a linda flor sobre a sua cabeça e que a água do riacho reflectia. Ela colheu então a flor, enfeitou o seu chapéu seguiu feliz.
Em vez de olharmos para o chão, à procura de algo que nos faça felizes, olhemos para o alto, pois de lá nos vem toda a nossa felicidade.

C – Mensagem do Papa
para o 45º dia mundial das comunicações sociais:
“Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital”

É uma reflexão sobre a difusão da comunicação através da rede internet.
Alguém dizia-me que era preciso adaptar o Evangelho e a pastoral às novas tecnologias, sobretudo às redes sociais (Facebook, Youtube, Hi5, Twitter, Blogger, Orkut, Myspace, Newsletter...).
Pois então, eu pensava que era o contrário: é preciso sim adaptar as novas tecnologias ao Evangelho e aos valores evangelhos… Deixar que a luz do Evangelho ilumine esses instrumentos de comunicação.
Quem nos dera que as redes sociais que tanto aproximam as pessoas e estreitam a sua união, possam também aproximar as pessoas de Deus e Deus das pessoas….

D- Oração na Net

Hoje rezo com e pelo autor desta oração que desconheço a sua identidade:

“Mais perto que o aqui.
Mais rápido que o já…
Ainda só Te desejo e aí está,
Na sombra da minha porta,
O toque da Tua voz.
Penso e Tu sabes
A palavra antes do ar.
Sonho e já existe a matéria
Que quero transformar.
E se me perco na procura
Das coisas sem sentido,
És Tu que me encontras, alegre
No meu caminho dorido!...
Conheces todos os sinais
Por que me digo
E, eu, o caminho recto
De falar contigo:
P@i.com

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Missão comprida

Ano A - Ascensão

Depois de ter proclamado o Evangelho da Ascensão do Senhor, o sacerdote perguntou aos catequizandos:
- Então, quem é capaz de dizer o que é que Jesus fez no dia da Ascensão?
- Ele foi descansar – Respondeu com toda a seriedade um dos miúdos.
- Como assim? Explica-te melhor, pediu o padre, surpreendido por aquela resposta inesperada.
- Jesus primeiro mandou os seus discípulos ir por todo o mundo levar o evangelho e depois foi sentar-se à direita do Pai pois já tinha quem fizesse o trabalho que ele fazia antes.
O sacerdote não teve outro remédio que consentir que de facto o miúdo tinha razão.

Cristo subiu aos Céus pois já tinha quem continuasse a sua obra cá na terra, apesar de cooperar com eles. Deixava a sua missão cumprida. Ao mesmo tempo deixou-a comprida, pois tinha de continuar através dos seus enviados.
O mistério da Ascensão de Jesus traz a responsabilização dos seus discípulos. Deixa-os em liberdade, com o poder e a responsabilidade de continuarem a sua obra. É por isso que eles não podiam ficar parados a olhar mas tinham de pôr mãos à obra. E quando todos estiverem instruídos, todo o mundo subirá, ou melhor, Cristo descerá ao seu encontro outra vez.
Toda a vida de Cristo foi uma ascensão tal como um convite a que cada cristão deve elevar-se, projectar-se na eternidade.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

5ª Feira da Espiga

5ª Feira - VI Semana da Páscoa

Quinta-feira da Ascensão ou da Espiga

Denomina-se "Quinta-feira de Espiga" ou "Dia da Espiga", a quinta-feira de Ascensão em que a Igreja comemora a Ascensão de Jesus ao Céu, 40 dias após a Páscoa da Sua Ressurreição.
Para simbolizar a bênção dos primeiros frutos, colhe-se pelos campos espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga.
Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.
O raminho de flores é constituído por:
- uma flor branca que simboliza a paz;
- uma amarela, o ouro;
- uma espiga, o pão;
- uma papoila, o amor;
- malmequer, ouro e prata;
- videira, vinho e alegria;
- alecrim, saúde e força.
- e um raminho de oliveira, o azeite.
Guardá-lo em casa durante todo o ano é condição para ter sempre alegria, dinheiro, paz e pão.
O dia da espiga é também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se deve trabalhar.
É chamado o dia da hora porque nessa hora, ao meio-dia, tudo pára:
- as águas dos ribeiros não correm,
- o leite não coalha,
- o pão não leveda
- e as folhas cruzam-se.
É nessa hora que se deve colher as plantas para fazer o ramo da espiga.
Tudo isto para dizer que na 5ª feira da Ascensão, Céu e Terra uniram-se; o Céu ficou uma nova Terra e a Terra um novo Céu formando assim um todo; pois Jesus ao elevar-se, todos e tudo elevou, unificou e santificou.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ser criança

Hoje celebra-se o dia da criança

Recordo um modelo evangélico:

Irmã Teresa do Menino Jesus era alta, media um metro e sessenta e dois, enquanto a Madre Inês de Jesus era bem mais baixa.
Perguntei-lhe um dia:
- Se te deixassem escolher, que terias preferido: ser alta ou baixa?
Ela respondeu sem hesitar:
- Escolheria ser baixa para ser pequena em tudo.
A Igreja sempre viu em Teresa do Menino Jesus a santa da infância espiritual.
É o próprio Evangelho, é o coração do Evangelho que ela redescobriu; mas com que graça e frescor: ‘Se não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus’ (Mt 18, 3)

Ao Deus Desconhecido

4ª feira - VI Semana da Páscoa

Oração de Nietzsche

Muitos só conhecem de Nietzsche a frase “Deus está morto”. Não se trata do Deus vivo que é imortal. Mas do Deus da metafísica, das representações religiosas e culturais, feitas apenas para acalmar as pessoas e impedir que se confrontem com os desafios da condição humana. Esse Deus é somente uma representação e uma imagem. É bom que morra para liberar o Deus vivo. Mas não devemos confundir imagem de Deus com Deus como realidade essencial.
Nietzsche estudou teologia. Eu pude dar uma palestra na Universidade de Basileia na sala em que ele dava aulas, quando fui professor visitante em 1998 lá.
Esta oração que aqui se publica é desconhecida por muitos, até por estudiosos do filósofo. Foi encontrado entre os seus escritos póstumos. (Leonardo Boff.com)

Oração ao Deus desconhecido

Antes de prosseguir no meu caminho
e lançar o meu olhar para frente
uma vez mais elevo, solitário,
as minhas mãos a Ti,
na direcção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
tenho dedicado altares festivos,
para que em cada momento
a tua voz me possa chamar.

Sobre esses altares está gravada em fogo
esta palavra: “ao Deus desconhecido”.
Eu sou teu, embora até o presente
me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
sinto-me forçado a servir-Te.

Eu quero conhecer-Te, ó Desconhecido!
Tu que me penetras a alma
e, qual turbilhão, invades a minha vida,
tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero conhecer-Te,
quero até servir-Te.

Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Magnificat de hoje

Festa da Visitação

Neste final de Maio celebramos a festa da Visita de Maria a Isabel, ou também, a visita de Jesus a João Baptista.

Inspirado no Cântico de Maria, podemos rezar hoje:

MAGNIFICAT DE HOJE

A minha alma glorifica o Senhor
porque eu sei que sou fraco,
que não tenho tempo para nada,
que tenho medo,
que me sinto cansado,
que estou sempre pronto a dizer NÃO
em vez de dizer SIM,
mas, Senhor, eu preciso que Tu venhas comigo
para me sentir protegido.

Eu te louvo, Senhor, pela Tua grandeza,
pois Tu pensas em mim
que sirvo para pouca coisa
e Tu queres fazer em mim maravilhas.
Depois de tudo isto,
muitos me olharão e me louvarão ou me criticarão
porque trabalho na Tua obra.
Mas eu sei que a Tua misericórdia
virá através de todos aqueles
que estão conTigo na mesma estrada.

Senhor, não permitas que sejamos nem orgulhosos,
nem soberbos, nem toto-poderosos,
nem presunçosos, nem agarrados às riquezas,
nem permanentemente cansados ou queixosos.
Mostra-nos como transmitir a alegria de sabermos
que tudo vem de Ti, Senhor.

Todos juntos proclamamos a Tua grandeza
e rejubilamos por termos sido escolhidos por Ti.
Nós te damos graças por tudo...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Terço (37)

Gozosos

O TEMPO DE MARIA
OU O TERÇO DO TEMPO

Jesus entrega a São João, o discípulo do Coração, a sua Mãe. A partir dessa hora este recebeu-a em sua casa. Receber Maria em nossa casa é sentir a sua presença todos os dias, todas as horas, em todos os momentos. Maria nunca nos abandona. Acertemos então o nosso relógio com o tempo de Maria.
Com ela nós podemos rezar: a toda a hora bendirei o meu Senhor, isto é, bendirei sem descanso, bendirei até no descanso, bendirei em todas as atividades.

1º Mistério – A anunciação do Anjo a Nossa Senhora
AS HORAS DE MARIA

Segundo a tradição foi por volta do meio-dia quando o Anjo Gabriel visitou a Virgem santíssima. Foi também ao meio-dia que Nossa Senhora apareceu em Fátima. Isto quer dizer, que a sua experiência está no centro do dia.
Rezemos para que cada um de nós saiba, a exemplo de Maria, colocar Deus no centro da sua vida.

2º Mistério – A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel
OS DIAS DE MARIA

Maria foi apressadamente à casa de quem precisava da sua ajuda e lá permaneceu vários dias. O tempo é uma riqueza que não nos pertence.
Rezemos para que cada cristão, a exemplo de Maria, possa pôr o seu tempo ao serviço dos outros.

3º Mistério – O nascimento de Jesus em Belém
OS MESES DE MARIA

Jesus nasce em Belém no mês de dezembro.
Foi à meia-noite e a escuridão tornou-se clara como o dia.
Rezemos para que cada um de nós saiba acolher em todos os momentos da sua vida, a Jesus dissipando as trevas, e fazendo da noite dia.

4º Mistério – A apresentação do Menino Jesus no Templo
OS ANOS DE MARIA

Tal como na apresentação de Jesus no Templo todos os anos a sua família ia a Jerusalém.
Em todo o tempo e lugar Maria glorificava a Deus.
Durante seis meses seguidos, isto é, durante meio ano seguido, a Virgem Maria apresentou-se em Fátima.
Rezemos para que a nossa oferta a Deus possa ser um ato continuado.

5º Mistério – O encontro do Menino Jesus no Templo entre os Doutores
A ETERNIDADE DE MARIA

Maria e José andaram três dias à procura de Jesus e foi como que uma eternidade à sua procura.
Também hoje ela continua a procurar cada homem, nos caminhos deste mundo, hoje e sempre.
Rezemos para que Maria nos encontre unidos ao seu filho agora e na hora da nossa morte.


Complemento:

RELÓGIO DE LOUVORES

O QUE É O TEMPO?
Para os comerciantes o tempo é dinheiro; para os aborrecidos, o tempo é um fardo. Mas para um cristão, o tempo é um precioso Dom de Deus, que Lhe devemos devolver com os juros de amor, oração e louvor.
Ainda que os nossos relógios batam as horas em uníssono com os outros relógios do mundo, na realidade eles marcam muito mais do que minutos e horas. Pois apontam um caminho de louvor que se eleva até o Trono de Deus, assinalados desde já com o selo da eternidade.

Como j+a muitos parentes e amigos nos têm perguntado: "que fazem vocês aí no convento o dia todo?" A resposta está contida nos Salmos que nós rezamos!
"Em alta noite eu me levanto e Vos dou graças!" (Sl 118).

É por isso que tradicionalmente a recitação do terço do Rosário é uma espécie de cronómetro: Durante o tempo da recitação de uma dezena de Ave-Maria, meditamos num determinado mistério do Rosário...
Se o nosso tempo for tempo para Deus, será então garantia de eternidade...


Derramar o Espírito sobre nós

2ª Feira - VI Semana da Páscoa

Tal como com farinha seca não se pode fazer a massa, nem um só pão sem água, assim também nós, que éramos uma multidão, não poderíamos ser um só em Cristo Jesus sem a ÁGUA vinda do céu.
Tal como a terra árida não frutifica, a menos que receba a água, também nós, que inicialmente éramos apenas lenho seco, nunca teríamos dado fruto vivo sem a CHUVA generosa vinda do alto.
Essa ÁGUA ou essa Chuva é o Espírito prometido e enviado por Jesus...

Ele continua a derramar o Espírito Santo sobre nós, como água na nossa amassadura ou como chuva no nosso quintal, para permanecermos unidos e darmos fruto abundante.

sábado, 28 de maio de 2011

Amor criativo

Ano A - VI Domingo da Páscoa

O exemplo é citado do Pe. Varillon:
Uma mãe de família sofre terrivelmente de enxaquecas. Vai ao médico e este prescreve-lhe, com insistência, um ambiente de silêncio e tranquilidade em que se evite todo o burburinho. De regresso a casa, a mãe chama os filhos mais pequenos e faz-lhes as recomendações necessárias:
- Primeiro, não toques a corneta que te deram no Natal; depois não batas com as portas; em terceiro lugar, quando puseres a mesa, não faças barulho com a louça; quarto, etc.
Depois chama os seus filhos mais crescidos e diz-lhes:
- Foi isto o que disse o médico. Agora, se vocês me têm amor...
E é tudo. Os jovens é que têm de descobrir, sem terem recebido nenhuma ordem concreta, tudo o que for necessário para haver um ambiente de silêncio em casa. É uma questão de amor, de responsabilidade ou maturidade.

Se me têm amor – Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. O movimento não vai dos mandamentos para o amor mas deste para aquele. Para quem ama, a observância dos preceitos será espontânea e natural.

Estas palavras de Jesus são conforto na hora de despedida. Chegava a hora de partir mas o amor anula distâncias e enche ausências. Se alguém Me ama ... Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada. Amar alguém é oferecer-lhe um lugar no seu coração.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Fui eu que vos escolhi

6ª Feira - V Semana da Páscoa

NÃO FOSTES VÓS QUE ME ESCOLHESTES
FUI EU QUE VOS ESCOLHI:

- Ele escolheu-nos primeiro porque
desde toda a eternidade nos amou.

- Porque quando escolhemos é ele que
dentro de nós está a escolher por nós.

- Para nós escolher não é escolher
mas ACOLHER

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Terço (36)

MISTÉRIOS GOZOSOS

Cantar o o que a Virgem
guardava no seu coração

Rezemos o terço do Rosário, meditando nos mistérios gozosos.
Cada mistério será anunciado cantando a respetiva quadra com a melodia do Ave de Fátima (A treze de Maio).

1º Mistério - A anunciação do Anjo a Nossa Senhora

O anjo falou
à Virgem Maria
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.

Ave, ave, ave Maria.


2º Mistério - A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel

A prima Isabel
louvores dizia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.

Ave, ave, ave Maria.


3º Mistério - O nascimento de Jesus em Belém

Na gruta, em Belém
o Filho nascia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.

Ave, ave, ave Maria.


4º Mistério - A apresentação do Menino Jesus no Templo

No Templo, cumpriu
as leis que devia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.

Ave, ave, ave Maria.


5º Mistério - O encontro do Menino Jesus no Templo entre os Doutores

Na casa de Deus
Jesus se perdia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.

Ave, ave, ave Maria.


Final

A Virgem guardava
na alma o que ouvia
queremos ser todos
iguais a Maria.

Ave, ave, ave Maria.


Fixar morada

2ª Feira - V Semana Tempo Pascal

Do Evangelho de hoje:
“O meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».

Imaginai, irmãos muito amados, que festa seria receber a Deus na morada do nosso coração!
Se um amigo rico e poderoso quisesse entrar em nossa casa, evidentemente, toda a casa seria limpa, para que nada pudesse chocar o seu olhar, quando entrasse.
Que aquele que prepara para Deus a morada da sua alma purifique tudo o que estiver sujo devido às suas más acções.
Notai bem o que diz a Verdade: «Nós viremos a ele e nele faremos morada».
Porque Ele pode passar no coração de alguns sem ficar lá a morar.”

Não basta receber a visita… é preciso, através das boas obras oferecer-lhe hospedagem.

Cf. São Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja,
Homilias sobre os Evangelhos, n°30

domingo, 22 de maio de 2011

Princípio, meio e fim

Ano A - V Domingo da Páscoa

Quando nos tempos antigos o eloquente Cícero acabava de falar, toda a gente aplaudia, comentando:
- Como falou bem!
Mas quando Demóstenes falava, o povo levantava-se e gritava:
- Vamos a isso.
E ponha-se a caminho.
Podemos reconhecer esta dupla capacidade em Jesus Cristo que diz:
- Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida...
É a verdade que maravilha as multidões, o caminho que põe toda a gente a mexer-se e a vida que a todos renova. Ele é o princípio, o meio e o fim. É o caminho que liga a verdade à vida.

Tal como antigamente, hoje há 3 categorias de homens:
Em primeiro lugar os que querem o fim mas não querem nenhum meio para o atingir. É o caso do jovem rico que queria seguir a Cristo mas não estava disposto a empregar nenhum meio e por isso voltou para trás.
Em segundo lugar, há os que querem o fim e até alguns meios. Querem trabalhar mas só um trabalho que lhes agrade. Querem ser eles a escolher os meios. É o caso de Pilatos que queria libertar Jesus mas à sua maneira.
Por fim há os que se colocam diante de Deus dizendo:
- Senhor, Tu és o Caminho, a Verdade e a Vida. Tudo o que quiseres... tanto o fim como os meios para o atingir.
E o Senhor repetirá:
- Eu sou o Caminho – por mim se vai; eu sou a Verdade – a mim se chega; sou a Vida – em mim se vive.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Humildade e grandeza

5ª Feira da IV Semana da Páscoa

Duas palavras opostas, mas significativas da liturgia de hoje:

Humildade - 'Não sou digno de desatar as correias das sandálias...' ou  'O servo não é maior do que o seu senhor.'´
Ser humilde é não ser mais nem menos daquilo que se é.
Não nos podemos sentir mais pequenos quando nos rebaixam, nem nos sentir maiores quando nos elegiam.

Grandeza - 'Quem me vê, vê o Pai, quem vos recebe, recebe aquele que vos enviou'.
Nós somos a imagem e semelhança de Deus. Nós somos o reflexo de Deus, como se o nosso corpo fosse um especlho e reproduzisse o reflexo divino. É preciso então manter a superfície do espelho limpa e sem distorções para que a imagem reproduzida seja a mais fiel possível.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Porta Aberta

Ano A - IV Domingo Pascal

 
Naquele redil havia uma ovelha negra, símbolo de inconformismo e de rebeldia, que pensava abandonar o rebanho por ser demasiado exigente. Não querendo dar explicações a mais ninguém, despediu-se de um colega. Durante a noite iria forçar a porta ou então saltar o muro, colocaria uns paus para servirem de escada, subiria por eles e atirar-se-ia para o outro lado.
No dia seguinte, por espanto do seu amigo, a ovelha negra continuava lá.
- Que se passou? Foste apanhada?
- Nada disso. Quando estava tudo preparado, reparei que a porta estava aberta... e os meus planos ficaram assim estragados.
O seu amigo, que antigamente estudara latim, concluiu:
- Cor magis tibi Pastor pandit, que quer dizer, o Coração que o Pastor te abre é ainda maior que esta porta.
A ovelha tresmalhada descobriu assim que aquele era o melhor rebanho porque tinha um Pastor de coração aberto.

Naquele tempo Jesus disse:
- Eu sou a porta das ovelhas. Quem entrar por mim será salvo. As ovelhas seguem-Me porque conhecem a Minha voz.
Ele respeita a nossa liberdade e nos faz viver em plenitude.

Obedecer é a forma portuguesa do latim ob-audire, que é ouvir, escutar. Escutar não suprime a nossa liberdade mas indica-nos o caminho, esclarece e orienta-nos. Aquele que tem os ouvidos atentos, descobre saídas que os outros ignoram. Obedecer a um bom pastor é crescer em plena confiança.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Eis o teu filho

Festa de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

13 de Maio

Senhor Jesus Cristo.
Estás na cruz, estás ferido,
Estás sem nada, porém continuas a cuidar dos teus.
Tu és uma ferida imensa, mas ficas comovido com o pranto da tua Mãe.
Dói-te também ver o teu amigo no sofrimento,
sem que ninguém cuide da sua pequenez ameaçada.
Sabes que toda a Mãe precisa de um filho
e que um filho precisa sempre da sua Mãe.
Os filhos pequenos precisam tanto do cuidado materno
quanto as mães precisarão mais tarde dos cuidados filiais.
É natural que chegue o tempo
em que os filhos se tornem mães das suas mães.
No berço e na cruz vemos sempre a tua Mãe,
aberta à dor e ao amor, aberta a Ti.
Inclinas os teus olhos e abres espaços de confiança.
Olhas para ela… e quantas vezes olhaste para ela!
Agora o teu olhar encontra-se com o dela.
Olhas também para quem tanto amas, o predilecto,
e através dele, para todos os amigos do caminho.
Desejas que Maria continue a entoar os seus cânticos,
aqueles que Te ensinou quando crescias.
Tu eras o filho das suas entranhas, filho do seu sangue.
O discípulo passou a ser filho do seu coração.
Nem o discípulo ficaria órfão,
nem a Mãe seria abandonada.

Quando olhares para nós, pobres como somos,
podes continuar a dizer a Maria: Mulher, eis aí os teus filhos!
Quando olhares para nós, fracos como somos,
podes continuar a dizer-nos: Eis aí a vossa Mãe!
Obrigado, Senhor, pelo presente da tua Mãe.
Obrigado, Senhor, pelo presente da tua Igreja-Mãe.
Que sempre nos acompanha no caminho
agora até à hora da nossa morte.
Ámen.

domingo, 8 de maio de 2011

Teologia da Estrada

Ano A - IV Domingo Páscoa

O catequista descrevia aos alunos a alegria dos Discípulos de Emaús, quando caminhavam com Jesus, apesar de não compreenderem bem a Sua presença. Era tal como para Adão e Eva, no Paraíso, quando Deus descia a passear e conversar amigavelmente com eles.
Então uma menina exclamou:
- Ah, se fosse ainda assim...
O catequista certificou:
- Minha cara menina, é assim ainda hoje. Todos nós podemos caminhar e conversar com Deus, como amigos, na oração. Sempre que celebramos a missa é isso que acontece.

O Senhor ressuscitado, tornou-se companheiro de viagem do homem peregrino ao longo das veredas da vida, até que as sendas do tempo se cruzem com as vias do Eterno, quando o veremos tal como Ele é.
A experiência de Emaús foi uma autêntica celebração eucarística, uma Fracção do Pão. Os discípulos começaram por se lamentar do mal que foi feito, tal como nós no princípio da missa. Depois ouviram e interpretaram a palavra eterna de Deus. Em seguida sentaram-se à mesa, para partilhar o Pão que lhes deu vida nova. Por fim, foram em missão (daqui o termo missa), contagiar os outros irmãos nessa mesma experiência.

A Eucaristia é uma caminhada de Deus connosco que nos lembra que a nossa estrada deve ser sempre uma eucaristia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

São Filipe, Apóstolo

Festa de São Filipe, Apóstolo

03 de Maio

Existe um facto realmente extraordinário na vida do Apóstolo São Filipe, natural de Betsaida, na Galileia.
Um dia, quando obrigado a reverenciar o deus Marte acendendo-lhe incenso, eis que surge detrás do altar pagão uma cobra que mata o filho do sacerdote-mor e dois dos seus servos.
Filipe ressuscitou-os e matou a cobra. Esse milagre de São Filipe impressionou toda a gente e originou a conversão de muitas pessoas ao cristianismo.

Filipe bem podia ficar quieto ou regozijar-se com o mal que acontecera aos seus perseguidores, mas não. Fez um milagre e ajudou quem lhe queria mal.

E eu fico a pensar…

Hoje mesmo, neste início de Maio, quanta gente se regozija pela morte, ou melhor, pela eliminação ou assassinato de Osama Bin Laden. Todo o mundo se alegra com isso… e atribui esse grande feito a um Prémio Nobel da Paz, o Presidente Barack Obama. Que ironia!

E eu fico triste e cheio de vergonha.

São Filipe curou quem o queria matar… e nós alegramo-nos com os assassinos e aplaudimos o gesto, julgando termos feito bem.
Não defendo as acções de Bin Laden, mas defendo a vida que ele recebeu de Deus e que nós homens a tiramos. Talvez fosse essa vida uma das poucas coisas boas que tinha, a nossos olhos, e mesmo assim a tiramos…

Senhor Deus, tem piedade de nós!


segunda-feira, 2 de maio de 2011

São Tiago Menor

É o padroeiro da Diocese do Funchal.
A sus festa é assinalada no dia 1 de Maio, mas como aconteceu na Pascoela, transitou para hoje.
Partilho a reflexão da solenidade.

1. Seguir os ensinamentos da palavra de São Tiago, filho de Alfeu, que escreveu uma Epístola do Novo Testamento:
- "De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras?... A fé sem obras está completamente morta." (Tg 2, 14.17)
- "Aproximai-vos de Deus e Ele aproximar-se-á de Vós". (Tg 4,8)
- "Se Deus quiser..." (Tg 4,15)

2. Seguir as suas obras, de patrono que cuida da saúde dos seus devotos:
(Cf bispo D. António Carrilho, in homilia de 1 de Maio de 2008)
No “auto do voto”, lavrado solenemente na Catedral em 1521, narra-se a escolha do padroeiro: foi escolhido à sorte, enquanto a cidade sofria uma grave epidemia de peste. Colocaram num barrete os nomes de Jesus, da Virgem Maria Nossa Senhora, de São João Baptista e dos doze Apóstolos, e um menino de sete anos, chamado João, retirou um dos papéis, depois de todos se colocarem de joelhos em oração e prometerem fazer uma casa em honra daquele santo que por sorte saísse. Quis Deus que fosse São Tiago Menor. Logo foi festejado por toda a cidade e, em Julho desse ano, começou a construção da Capela do Voto, indo a cidade e os cónegos em procissão solene com o retábulo do Bem-Aventurado Apóstolo.
Na renovação do voto, em 1523, na Catedral, diante do capitão Donatário, o Senado de então com seus vereadores, diversas entidades oficiais, todo o cabido e muito povo tomaram, juntos, o compromisso solene de em cada ano venerarem e festejarem São Tiago, com uma especial solenidade. Por sua vez, no dia da procissão, em 1538, estando a peste a vitimar muita gente, o Guarda-mor da Saúde gritou em alta voz: “Senhor, até aqui guardei esta Cidade como pude; não posso mais, aqui tendes a vara, sede Vós o Guarda da Saúde.” E largou imediatamente a vara, num gesto de entrega e de confiança nas mãos de Deus. E a peste desapareceu. São Tiago é para todos protector e modelo de santidade; como mestre, continua a exortar-nos à confiança e ao abandono nas mãos de Deus em tudo o que fazemos.

domingo, 1 de maio de 2011

Confissão de Tomé

Ano A - II Domingo de Páscoa

Eu, Tomé, fui escolhido para ser o homem que não se contenta com as aparências. Eu também queria ver o que os outros tinham visto, queria ver para crer.
Eu, Tomé, dei uma prova de fé. Quem vê, tem a certeza da evidência, possui a prova inegável de um facto mas não a prova da fé.
Eu sou aquele que fica de fora, para poder provar que quem não se encontra com a comunidade não experimenta o ressuscitado.
Eu sabia que, pelo facto dos olhos não virem, não podia concluir que a luz do sol não brilhava.
Eu pensava que via Cristo quando escutava as suas palavras que não entendia. Agora, compreendo as palavras que já não ouço.
Eu, Tomé, fiz a minha prova de amor. Levava a sério o Cântico dos Cânticos: O esposo reconhece a esposa por um só cabelo porque lhe tem amor. Quem não ama, pede-lhe o bilhete de identidade pois mil provas não chegam para constituir uma certeza. Para quem ama, mil objecções não bastam para formar uma dúvida.
Enquanto os outros discípulos provavam pelos factos, eu, Tomé, provei pela fé e pelo amor. Se eles me tivessem provado assim, eu teria acreditado imediatamente. Mas tive de fazer a minha experiência.
Uma última coisa vos digo: se o Ressuscitado não pode ser visto, existe porém algo que posso ver: a comunidade reunida em Seu nome. Se alguém ama a sério a Cristo, é porque Ele está vivo. E isso faz-me acreditar, mesmo sem O ver.