domingo, 1 de novembro de 2026

O Jardim da Santidade


Solenidade de todos os santos

Santa Teresinha do Menino Jesus (de Lisieux) descobriu uma das mais belas verdades do Evangelho ao contemplar as flores de um jardim: Deus não nos ama porque somos grandes, nem nos pede que sejamos todos iguais. Cada pessoa é única aos seus olhos, e cada uma é chamada a responder ao seu amor a partir da sua própria realidade.

A santidade não consiste em destacar-se, em realizar coisas extraordinárias ou em alcançar as alturas espirituais dos grandes mestres, mas sim em deixar que Deus atue em nós e em tornarmo-nos aquilo para o que ele nos criou.

“Se todas as flores quisessem ser rosas, a natureza perderia o seu encanto primaveril”, escreve a santa. Que imagem tão simples e, ao mesmo tempo, tão profunda!

No jardim de Jesus, há rosas e lírios, mas também violetas e margaridas. Umas chamam a atenção pela sua beleza; outras mal se distinguem entre a erva. Contudo, todas têm o seu lugar e contribuem para a harmonia do conjunto.

O mesmo acontece na Igreja: ao lado dos santos que iluminaram a história com as suas obras, a sua sabedoria ou a sua entrega heróica, existem inúmeros homens e mulheres que vivem a sua fé discretamente, sem reconhecimentos nem aplausos, mas com uma fidelidade que sustenta o mundo. A razão última desta esperança encontra-se no próprio coração de Deus. Assim como o sol ilumina tanto as grandes árvores como as flores mais pequenas, o Senhor entrega-se inteiramente a cada pessoa. Ninguém é insignificante para ele. O seu amor não se distribui como um bem escasso, de tal modo que, quanto mais uns recebem, menos resta para os outros. Pelo contrário, a sua grandeza manifesta-se precisamente na sua capacidade de se humilhar, de se aproximar dos mais pequenos e de ir ao encontro daqueles que mal sabem como o procurar.

Por esta razão, a santidade não é uma competição, mas antes uma resposta de amor. Não se trata de ser mais do que os outros, mas de aprender a amar como Jesus, cada um a partir do seu lugar, com os dons recebidos e através das circunstâncias concretas da sua existência.

 

 

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