terça-feira, 22 de março de 2022

Quanto devo perdoar


3ª feira – III semana da quaresma

Tentação da quantidade

Quantas vezes devo perdoar

Quanto custa

Quanto me deves

Quanto tenho

Quanta gente

Quanto falta

Quanto pesa

Parece que estamos mais preocupados com a quantidade do que com a qualidade.

Parece que valorizamos mais o número do que com o conteúdo.

Parece que queremos mais o exterior do que o interior, o parecer do que o ser.

Quanto ao perdão não pode haver quantidade, mas qualidade, totalidade, atitude permanente, isto é, perdoar sempre, tudo, a todos, sem limites.

 

O exemplo de Deus

Conta-se que certo homem pecou e pediu perdão a Deus. E o Senhor lhe perdoou. O homem, sentindo-se leve e feliz, continuou o seu caminho. Mais adiante, porém, cometeu um novo deslize. Triste e envergonhado por haver errado novamente, tornou a Deus: Peço-te que me perdoes esse segundo pecado, disse ele. O Senhor, admirado, perguntou-lhe: Segundo? e qual foi o primeiro?

O que Deus perdoou, Ele esqueceu; o que Ele esqueceu, não precisamos lembrar.

Mesmo que eu morresse esta noite e me apresentasse diante de Deus no céu e lá, dissesse:

- Senhor Deus, sabe aquele pecado que cometi tal dia?

Deus iria dizer:

- Que pecado, filho?

 

Ver também:

Copiar 490 vezes

Só perdoa a quem perdoa

Totalidade

Setenta vezes sete

70 X 7

A fórmula do perdão

Perdoar é elevar

Perdoar para ser perdoado

Saber contar, saber perdoar

Perdoar sempre

Como nós perdoamos

Perdoar é libertar-se

 

segunda-feira, 21 de março de 2022

Um profeta que incomoda


2ª feira – III semana da quaresma

Nenhum profeta é bem recebido na sua terra…

 

Perguntaram a um conferencista incrédulo, certa vez, na Inglaterra:

- Por que é que não deixa a Bíblia em paz, já que não acredita nela?

A resposta sincera foi dada imediatamente:   

- Porque a Bíblia nunca me deixará em paz!

É a pura verdade.

 

Incomodamos tanto os profetas porque eles nos incomodam a nós.

Se alguém não se sente incomodado é porque talvez não esteja a ser um bom profeta, ou então talvez não esteja diante de um verdadeiro profeta.

 

Nem Jesus foi profeta na sua terra.

Nem Jesus agradou a todos.

Nem Jesus fez sempre a sua vontade.

Nem Jesus escapou à morte.

Que Ele nos dê a coragem de sermos profetas e a humildade de acolhermos os profetas.

 

Conclusão

Os verdadeiros profetas incomodam-nos.

É por isso que nós os incomodamos e não os deixamos em paz.

 

Ver também:

Deixar para trás

Sem olhar a quem

Coisas simples

Santos da casa

Profeta na sua terra

Simples e acessível

Mau doente

Sem fronteiras

Ninguém é profeta na sua terra

Anunciar e denunciar

Na sua terra

Fel e mel

 

domingo, 20 de março de 2022

Dar nova oportunidade


Ano C – III domingo da quaresma

Do Evangelho

Dar uma nova oportunidade – é a conclusão da segunda parte do trecho do evangelho de hoje.

- Deixa a figueira ainda este ano, pois vou cavar à volta e deitar-lhe adubo… Talvez venha a dar fruto.

Faz-me lembrar os filhos ou os alunos quando são chamados a atenção por algumas atitudes desadequadas e dizem:

- Não me castigue agora. Dê-me uma nova oportunidade.

A quaresma é esta nova oportunidade que nos é dada para mostrarmos o que valemos ou o que podemos fazer.

Eis o tempo favorável, o tempo da salvação, o tempo das oportunidades…

Da primeira leitura

1º apontamento:

Javé, apareceu num arbusto seco ou espinheiro, porque é sensível ao povo que sofria. Eu vi o sofrimento do povo…

Porque Moisés viu o arbusto a arder sem acabar? Porque não há fim do jogo, tudo tem de continuar, há que ter perseverança… arder, mas não se consumir.

Moisés aproximou-se do espinheiro a arder e viu que Deus estava lá.

Deus está no fogo, nas chamas, está nos espinhos, nas dificuldades, nos obstáculos, está na opressão, no povo que sofre.

2ª apontamento:

A primeira coisa que Javé disse a Moisés no Horeb foi – Tira as sandálias…

Sente o chão, fica sensível. Pisa o chão, sê realista.

Sê sensível como Eu, diz o Senhor, porque eu vi a situação miserável do povo, escutei o seu clamor, conheço as suas angústias, desci para libertar… Tira as sandálias, pisa o solo como teu, sê sensível, realista como eu.

3º apontamento:

Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob

Porque é que se diz o Deus de Abraão, o Deus de Israel e o Deus de Isaac? Não são três deuses, mas para dizer que cada patriarca conheceu Deus de uma maneira própria, específica, pessoal. As experiências de Deus de uns podem ajudar os outros, mas cada um deve ter o seu caminho, a sua vivência.

Todos somos diferentes, Deus é o mesmo, nas as nossas experiências dele devem ser diferentes. Nós nascemos originais, Deus nos fez assim. Não deixemos que o mundo nos transforme em cópias.

Cada patriarca conheceu a Deus à sua maneira específica – um como amigo, outro como servo e outro como santo, conforme Dn, 3, 35:

Não nos retireis a vossa misericórdia por amor de

Abraão vosso amigo, de Isaac vosso servo e de Jacob vosso santo.

Cada um de nós faz a experiência de Deus segundo a sua situação existencial, segundo a sua experiência ou identidade própria.

4º apontamento

Moisés disse:

- Quem sou eu para ter semelhante missão?

E Deus respondeu:

- Eu estarei contigo…

O que realmente conta não é quem somos, mas com quem estamos ou com quem vamos…

 

Ver também:

Sermão das árvores

Cada árvore é um livro

Florir de novo

 

sexta-feira, 18 de março de 2022

José do Egito e Jesus


6ª feira – II semana da quaresma

José, atraiçoado e vendido pelos irmãos, é figura de Jesus, rejeitado pelos homens.

Aquilo que à primeira vista era uma desgraça, transformou-se numa maravilha de Deus.

É por isso que o refrão do salmo responsorial nos aponta para esse final feliz:

- Recordai as maravilhas do Senhor.

 

Ver também:

Parábola autobiográfica

Virtudes gémeas

O homem dos sonhos

 

Crónica de um santo (18)


Crónica de um santo na Madeira

18ª semana – Comunhão diária

 

O Beato Carlos manifestava, nesta semana, o desejo de ver o altar, para assim se imolar com Jesus que se entregou por ele e por todos. O altar é o lugar do memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus, e onde nos podemos associar a essa imolação.

Nos prolongados dias da sua doença, o seu maior desejo era poder participar na celebração da missa e receber a Sagrada Comunhão. O Imperador pensava que os remédios quebravam o jejum eucarístico e por isso constrangiam-no a “sacrificar o mais terno desejo de seu coração”, até que o Padre Zsámboki, seu último capelão, persuadiu-o, explicando-lhe repetidas vezes, que não era necessário, para um homem assim doente, observar o jejum eucarístico. A partir daquele dia, ficou felicíssimo por poder receber a Comunhão todos os dias, até à sua morte. Foi isso que lhe deu a força necessária para perseverar até ao fim.

A Eucaristia é, de facto, o alimento dos fortes e o viático para a eternidade.

Ao receber a visita diária de Jesus na Eucaristia, unia assim a sua oblação à oblação de Cristo. Não sabemos como dizê-lo melhor – se era Cristo que se unia à imolação do Imperador ou se era este que assim se unia à oblação do Redentor. Afinal acompanhavam-se um ao outro. Jesus estava com o seu amigo Carlos e este estava com o seu Senhor Jesus, através da comunhão diária.

Ao receber a visita de Jesus na Comunhão, preparou-se para o dia em que o próprio Jesus receberia a sua visita na eternidade.

Ser santo é acreditar que Deus está connosco na terra e que um dia estaremos com Ele no Céu.

18 de março de 1922 – sábado

 

19 de março de 1922 – domingo

Terceiro Domingo da Quaresma.

Foi noticiado que o Imperador e três filhos estavam de cama, com fortes ataques de gripe.

 

20 de março de 1922 – segunda-feira

Equinócio de Primavera.

Chegou à Madeira o Conde Joseph Károlyi a bordo do Ardeola.

Mesmo no exílio e doente, o Imperador levou muito a peito e com grande seriedade os seus deveres de monarca e pai dos povos. Por causa da enfermidade, a Imperatriz Zita lia-lhe os jornais, mas percebia que as notícias agitavam-no e faziam-no preocupar-se muito. Insistiu com ele para que não lhe pedisse para fazer-lhe as leituras, pois não era bom para a sua saúde. O Imperador replicou: “Estar informado é meu dever, não meu prazer. Por favor, leia!

 

21 de março de 1922 – terça-feira

O Imperador acordou novamente com febre e tossia continuamente. Havia uma semana que recusava mandar chamar o médico, por razões económicas; desta vez, porém, e perante a insistência de Zita, cedeu. O Dr. Carlos Leite Monteiro diagnosticou uma bronquite, e receitou-lhe aspirinas e cataplasmas.

 

22 de março de 1922 – quarta-feira

A temperatura do Imperador subiu para 40º.

O arquiduque Carlos Luís ficou bom, mas foi a vez de Adelaide apanhar gripe e a epidemia acabou por se estender ao pessoal A condessa Kerssenbrock cuidava das crianças; Zita, sem deixar de se preocupar com elas, cuidava do marido. Um segundo médico, Dr. Nuno de Vasconcelos Porto confirmou o diagnóstico: bronquite grave no pulmão direito.

 

23 de março de 1922 – quinta-feira

O estado do imperador deteriorava-se de dia para dia. Ele estava instalado num quartinho do primeiro andar, mas a arquiduquesa Maria Teresa cedeu-lhe o seu quarto, que era mais espaçoso e ficava no rés-do-chão, ao lado do salão que fora transformado em capela. A temperatura não baixava dos 39º e 40º.

 

24 de março de 1922 – sexta-feira

Era o 3º ano do início do exílio imperial que tinha começado pela Suíça.

A missa era regularmente celebrada na sala contígua ao seu quarto de enfermo. No início a porta era deixada entreaberta de maneira que ele pudesse assistir à missa sem perder a privacidade ou pôr outras pessoas em risco de contágio, mas logo pediu para que a porta fosse deixada bem aberta dizendo: “Desejo muito ver o altar!

 

quinta-feira, 17 de março de 2022

O pecado da indiferença


5ª feira – II semana da quaresma

"Lázaro também teria alguns pecados, como têm os escravos; mas esses purgaram-se pela sua pobreza, pela sua miséria, pelos seus trabalhos.

E o rico também teria algumas boas obras, como hoje têm os senhores. Mas essas pagou-lhas Deus com os bens que logram nesta vida. De sorte que os ricos e os senhores têm nesta vida o seu paraíso, e os Lázaros e os escravos o seu purgatório. E na eternidade o contrário – Os pobres terão o seu paraíso enquanto os ricos o seu purgatório." (cf. Pe. António Vieira, século XVI)

 

A riqueza do pobre e a pobreza do rico.

Os pecados de Lázaro e as virtudes do rico.

 

As virtudes e os defeitos do pobre Lázaro

Virtudes:

Contentava-se com as migalhas

Não reclamava

Era pacífico e amigo (cães junto dele)

Deixou-se levar pelos anjos

Padeceu os males na terra

Defeitos:

Jazia (passividade)

Desejava, mas não procurava

Não pedia ajuda

 

As virtudes e os defeitos do rico epulão

Virtudes:

Não fez o mal ao pobre, nem o maltratou

Preocupado com os irmãos

Pediu ajuda, ergueu a voz

Chamou 3 vezes Pai a Abraão

Reconheceu Lázaro junto de Abraão

Defeitos:

Não fez o bem

Na terra não reparou no pobre

Foi indiferente ao sofrimento do outro

Arrependeu-se tarde demais

Não deu ouvidos a Moisés nem aos profetas

Encheu os seus dias de bens e prazeres

Não pensou na outra vida

Só se apresentou virtuoso no paraíso

 

Conclusão:

O rico foi condenado não por ter feito o mal, mas por não ter feito o bem.

Jesus condena não a riqueza, mas a indiferença, não condena os bens materiais, mas o egoísmo.

Oração:

Só peço a Deus

Que a guerra não me seja indiferente.

Só peço a Deus

Que a fome não me seja indiferente.

Só peço a Deus

Que a pobreza não me seja indiferente

Só peço a Deus

Que a dor não me seja indiferente.

Só peço a Deus

Que a violência não me seja indiferente.

Só peço a Deus

Que a injustiça não me seja indiferente.

Só peço a Deus

Que a opressão não me seja indiferente.

Só peço a Deus

Que o futuro não me seja indiferente.

(Cf. Léon Gieco, Cantor argentino, canção de 1978).

 

Ver também:

A riqueza da humildade

Pobres Lázaros somos nós

Saber ver

Epulão

Abraão e o rico epulão

O fardo da pobreza e o da riqueza

O rico e o pobre

Mini-sermão

A pobreza do rico

 

quarta-feira, 16 de março de 2022

O sonho de qualquer mãe


4ª feira – II semana da quaresma

Em defesa da mãe dos filhos de Zebedeu

 

Não devemos julgar ou censurar o pedido desta mãe. 

Ela pediu certo ou errado? Agiu bem ou mal?

De facto, Jesus censurou os outros discípulos pela sua indignação e falta de disponibilidade e serviço, mas não censurou esta mãe e os seus filhos e até os incentivou.

Porquê?

 

1º Porque ela pediu a vida eterna para os seus filhos (que coisa maravilhosa!) – E tinha razão porque é aquilo que só Deus pode dar – Que estes meus filhos se sentem no teu reino. É bom preocupar-se com a vida espiritual no tempo e na eternidade.

2º Porque ela acreditava nas palavras de Jesus que prometeu-nos ir preparar um lugar no paraíso. O pedido mostra que ela quer que os filhos estejam onde Jesus estiver.

3º Porque ela amava muito os seus filhos e amava Jesus. Pede que todos estejam perto daqueles que amam, pois, a morte não os pode separar.

4º Porque ela não manda, nem exige, mas apenas quer obedecer ordena que… O mais importante não é Deus fazer a minha vontade, mas sim eu fazer a vontade de Deus. É isso que rezamos no Pai Nosso.

5º Porque ela concretizou o seu sonho de estar ao lado de Jesus. Onde é que isso aconteceu? Foi no Monte Calvário. É aí que começa o Reino de Jesus. Ao lado de Jesus crucificado estava o seu filho João (enquanto os outros tinham debandado) e ela própria estava lá, ao lado de Maria, mãe de Jesus e das outras Marias.

 

E nós, não sonhamos a mesma coisa?

Claro que sim.

O sonho da mãe dos filhos de Zebedeu é o sonho de cada um de nós:

Também queremos alcançar a vida eterna.

Acreditamos que Jesus nos prepara um lugar junto de si.

Não queremos nunca ficar privados da companhia de Jesus.

Queremos fazer sempre a vontade de Deus e não a nossa.

Queremos fazer parte do grupo mais íntimo de Jesus estando sempre a seu lado.


Conseguimos tudo isso sempre que celebramos a Eucaristia:

Na comunhão Jesus fica bem perto de nós para que nós fiquemos sempre bem perto dele.

 

À margem:

O nome Zebedeu quer dizer – Presente de Deus.

De facto, os filhos de Zebedeu e sua mãe fizeram jus a esse nome.

Eles foram na verdade um presente de Deus – presente que receberam de Deus e presente que entregaram o mesmo Deus.

 

Ver também:

Um pedido absurdo

A mãe dos filhos de Zebedeu

Servir

 

terça-feira, 15 de março de 2022

Agora e sempre irmãos


3ª feira – II semana da quaresma

A ninguém chameis pai.

A ninguém chameis mestre.

A ninguém chameis doutor.

Porquê?

Não é apenas para evitar manias de grandeza, de superioridade ou de orgulho.

Não é apenas para promover a humildade.

Mas para afirmar a verdade, a unidade e a igualdade, através da fraternidade, da aprendizagem ed a obediência ou o serviço.

A ninguém chameis pai porque na verdade todos devem ser irmãos.

A ninguém chameis mestre porque na verdade todos têm algo a aprender

A ninguém chameis doutor porque na verdade todos precisam de obedecer.

 

É a maneira de Jesus nos dizer que devemos ser agora e sempre todos irmãos, aprendizes e servos obedientes.

 

À margem:

Os judeus chamam aos mestres – alunos sábios

Os japoneses chamam aos mestres – sensei, isto é, aquele que nasceu antes (por isso sabe mais)

 

Ver também:

A grandeza da humildade

Dizem e não fazem

 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Etapas de uma vida


A vida é curta e a eternidade é longa. Preparemo-nos. (Carta a um confrade, 02/03/1910, Inv. 122.12, AD: B16/6bis.12)

O Coração de Jesus resume toda a minha vida: por Ele vivi, por Ele morro.(TRP Dehon, G. Konters, Bruges, 1930 I, 84)

No dia do 179º aniversário do nascimento do Pe. Leão Dehon (1843-1925) ao contemplarmos o todo da sua vida podemos equacioná-la em 5 etapas:

 

I - Os primeiros 3 decénios de vida (1843-1871) – até aos 28 anos.

Infância, Família, Igreja, Viagens, Roma.

Formação, Sacerdócio, Doutoramentos, Concílio Vaticano I.

 

II - Qualquer coisa de novo: Padre diocesano e fundador (1871-1893) – dos 28 aos 50 anos.

Vigário Paroquial, iniciativas sociais.

Duplo parto – Colégio São João e Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. Enquanto o Pe. Dehon foi superior de São João foram as duas instituições inseparáveis (1882). O Colégio permanece propriedade do Pe. Dehon até 1913, quando por causa da lei da separação se tornou uma instituição de antigos alunos que assume a sua gestão. O edifício destruído totalmente durante a guerra, será dado à diocese, mas permanece sempre, até à morte, no coração do Pe. Dehon.

 

III - Decénio-ponte: empenho político e social na França (1893-1902) – dos 50 aos 59 anos.

Alguns biógrafos consideram 1997 como o ano mais glorioso e rico de iniciativa da vida do Pe. Dehon.

Pe. Dehon fala de Roma como de uma segunda pátria, a partir de 1860 e apresenta-se como um eclesiástico romano. Em 1903 morre Leão XIII, papa que de vários modos muito plasmou a visão do mundo do Pe. Dehon. É a fase mais ativa do Pe. Dehon: entre os 50 e 60 anos.

 

IV - Viagens do Pe. Dehon e internacionalização do Instituto (1903-1914) – dos 59 anos aos 71 anos.

Por duas vezes, entre 1903 e 1914 Dehon festeja o Natal fora da Europa: em 1906 no Rio de Janeiro e em 1910 em Pogor, a sul de Jacarta na Indonésia.

A paixão pelas viagens que o Pe. Dehon tem desde os anos da juventude é transversal em toda a vida e liga-se com a situação missionária da congregação e assim deu os seus frutos. Entre as duas grandes viagens) América do Sul e Volta ao Mundo) em 1907 fez uma viagem mais breve a Moscovo e Helsínquia, para explorar ulteriores oportunidades missionárias. Aos 70 anos Dehon põe fim às suas grandes viagens. E, todavia, a sua vida, apesar da velhice, continuará a manter-se muito movimentada.

 

V - A grande guerra e os últimos anos de vida (1914-1925) – dos 71 aos 82 anos

Dehon levado a considerar o curso dos acontecimentos da guerra de um ponto de vista providencial, vive estes últimos anos em grande parte sem contacto com o mundo externo.

Os biógrafos recordam outras duas questões que sinalizam a última fase da vida de Dehon: O VIII capítulo geral em 1919 e a tentativa de encontrar uma sede em Roma.

Pede a Bento XV um altar em honra de Margarida Maria, canonizada em 1920. O desejo de ter uma igreja particular em Roma, templo de Cristo Rei, hoje basílica do Coração de Cristo Rei, para o qual recolhe fundos. Apesar de não ter possibilidade de ver erguer-se o templo, não deixou de recolher fundos para isso (inaugurado em 1934, do qual lançou primeira pedra em 1920). Morre aos 82 anos em Bruxelas apontando para a imagem do Coração de Jesus e dizendo: Por ele vivi e por ele morro.

 

domingo, 13 de março de 2022

Como as estrelas do céu


Ano C – II domingo da quaresma

 

Olha para o céu e conta as estrelas…

Assim será a tua descendência… (Gen 15,5)

 

Os filhos de Deus são como estrelas

 

Quais as caraterísticas de uma estrela?

 

1. Ela está acima, lá no alto

Uma estrela não rasteja. Ela tem a sua habitação nas alturas.

Os filhos de Deus têm a sua pátria lá no Céu.

2. Ela brilha na noite

É na escuridão que se salienta a luz das estrelas.

Os filhos de Deus são estrelas e brilham nas trevas mais densas!

3. Quando sai o Sol, elas desaparecem

Não vemos as estrelas ao meio-dia.

Os filhos de Deus são pessoas humildes, libertadas do orgulho, e que se prostram quando se veem face a face com o seu Senhor...

4. Elas são de diferentes magnitudes

Há estrelas grandes e estrelas pequenas.

Quando olhamos para o céu vemos apenas um pontinho luminoso.

No reino de Deus há também grandes e pequenos.

Os filhos de Deus não se conformam com a mediocridade; eles podem crescer e brilhar mais.

5. Elas são distantes, mas parecem próximas

Os filhos de Deus podem ser vistos ora tão próximos, ora tão distantes... pois como são estrelas de Deus, os seus corações estão no céu, os seus corações buscam os bens do alto.

6. Elas sempre estão lá

Todas as noites as estrelas aparecem. As nuvens podem tapá-las, o tempo nebuloso pode cobri-las, mas elas estão lá!

As dificuldades da vida podem querer cobrir os filhos de Deus, mas eles continuam na presença de Deus.

7. Elas são quentes

Aprendi que as estrelas são quentes. As estrelas de coloração vermelha possuem uma temperatura em torno de 2.500 a 3.000 graus! Depois vem as amarelas e as de cor laranja... Mas as de cor azul, podem ter temperatura de até 50 mil graus. Elas são quentes!

Os filhos de Deus não são pessoas frias, desanimadas... enquanto todo o mundo anda dizendo: isto vai mal, vai de mal à pior... os filhos de Deus, os filhos de Deus devem dizer: Deus toma conta de nós. Com deus somos estrela, com ele brilharemos.

Transfiguração:

Todos os anos, no primeiro domingo da Quaresma, recordamos o retiro de Jesus no deserto e as tentações.

Da mesma forma, todos os anos, no segundo domingo da Quaresma, lembramos a transfiguração de Jesus.

Muda o evangelista de quem tomamos o texto e as outras leituras, mas a mensagem é a mesma nestes dois primeiros domingos da Quaresma.

Por quê?

Por uma razão simples: a cena das tentações nos lembra que a nossa realidade humana está sujeita a dificuldades, contradições e sofrimentos; enquanto a cena da transfiguração nos lembra que essas limitações não podem ser a última palavra na nossa vida, porque estamos destinados a ser transfigurados com Cristo, a nos revestir de luz, a nos encher da vida de Deus.

As tentações falam-nos da nossa realidade histórica, da nossa experiência quotidiana.

A transfiguração nos indica o objetivo da nossa jornada.

Se perseverarmos com Cristo e vencermos as tentações com ele, também seremos glorificados e viveremos a vida de Deus para sempre.

Mas a transfiguração é apenas uma amostra da glória futura. Não é um estado permanente. Temos que descer do Tabor e continuar caminhando, lutando todos os dias para vencer as tentações e assemelhar-nos com Cristo.

Que ele nos acompanhe em nossa jornada.

Ámen.

Ver também:

Sobre a transfiguração

Para, escuta e olha

Os montes de Deus

Escutar, seguir e compreender

Escutar em vez de ver

Símbolos da transfiguração

Transfiguração

Testemunhas do Tabor

Acampar no Tabor

Transfigurar-se

Ser transfigurado

Sacrificar, testemunhar e transfigurar

Escutar o Senhor

Está nos olhos