Hoje celebra-se o dia da criança
Recordo um modelo evangélico:
Irmã Teresa do Menino Jesus era alta, media um metro e sessenta e dois, enquanto a Madre Inês de Jesus era bem mais baixa.
Perguntei-lhe um dia:
- Se te deixassem escolher, que terias preferido: ser alta ou baixa?
Ela respondeu sem hesitar:
- Escolheria ser baixa para ser pequena em tudo.
A Igreja sempre viu em Teresa do Menino Jesus a santa da infância espiritual.
É o próprio Evangelho, é o coração do Evangelho que ela redescobriu; mas com que graça e frescor: ‘Se não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus’ (Mt 18, 3)
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Ao Deus Desconhecido
4ª feira - VI Semana da Páscoa
Oração de Nietzsche
Muitos só conhecem de Nietzsche a frase “Deus está morto”. Não se trata do Deus vivo que é imortal. Mas do Deus da metafísica, das representações religiosas e culturais, feitas apenas para acalmar as pessoas e impedir que se confrontem com os desafios da condição humana. Esse Deus é somente uma representação e uma imagem. É bom que morra para liberar o Deus vivo. Mas não devemos confundir imagem de Deus com Deus como realidade essencial.
Nietzsche estudou teologia. Eu pude dar uma palestra na Universidade de Basileia na sala em que ele dava aulas, quando fui professor visitante em 1998 lá.
Esta oração que aqui se publica é desconhecida por muitos, até por estudiosos do filósofo. Foi encontrado entre os seus escritos póstumos. (Leonardo Boff.com)
Oração ao Deus desconhecido
Antes de prosseguir no meu caminho
e lançar o meu olhar para frente
uma vez mais elevo, solitário,
as minhas mãos a Ti,
na direcção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
tenho dedicado altares festivos,
para que em cada momento
a tua voz me possa chamar.
Sobre esses altares está gravada em fogo
esta palavra: “ao Deus desconhecido”.
Eu sou teu, embora até o presente
me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
sinto-me forçado a servir-Te.
Eu quero conhecer-Te, ó Desconhecido!
Tu que me penetras a alma
e, qual turbilhão, invades a minha vida,
tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero conhecer-Te,
quero até servir-Te.
Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.
Oração de Nietzsche
Muitos só conhecem de Nietzsche a frase “Deus está morto”. Não se trata do Deus vivo que é imortal. Mas do Deus da metafísica, das representações religiosas e culturais, feitas apenas para acalmar as pessoas e impedir que se confrontem com os desafios da condição humana. Esse Deus é somente uma representação e uma imagem. É bom que morra para liberar o Deus vivo. Mas não devemos confundir imagem de Deus com Deus como realidade essencial.
Nietzsche estudou teologia. Eu pude dar uma palestra na Universidade de Basileia na sala em que ele dava aulas, quando fui professor visitante em 1998 lá.
Esta oração que aqui se publica é desconhecida por muitos, até por estudiosos do filósofo. Foi encontrado entre os seus escritos póstumos. (Leonardo Boff.com)
Oração ao Deus desconhecido
Antes de prosseguir no meu caminho
e lançar o meu olhar para frente
uma vez mais elevo, solitário,
as minhas mãos a Ti,
na direcção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
tenho dedicado altares festivos,
para que em cada momento
a tua voz me possa chamar.
Sobre esses altares está gravada em fogo
esta palavra: “ao Deus desconhecido”.
Eu sou teu, embora até o presente
me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
sinto-me forçado a servir-Te.
Eu quero conhecer-Te, ó Desconhecido!
Tu que me penetras a alma
e, qual turbilhão, invades a minha vida,
tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero conhecer-Te,
quero até servir-Te.
Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Magnificat de hoje
Festa da Visitação
Neste final de Maio celebramos a festa da Visita de Maria a Isabel, ou também, a visita de Jesus a João Baptista.
Inspirado no Cântico de Maria, podemos rezar hoje:
MAGNIFICAT DE HOJE
A minha alma glorifica o Senhor
porque eu sei que sou fraco,
que não tenho tempo para nada,
que tenho medo,
que me sinto cansado,
que estou sempre pronto a dizer NÃO
em vez de dizer SIM,
mas, Senhor, eu preciso que Tu venhas comigo
para me sentir protegido.
Eu te louvo, Senhor, pela Tua grandeza,
pois Tu pensas em mim
que sirvo para pouca coisa
e Tu queres fazer em mim maravilhas.
Depois de tudo isto,
muitos me olharão e me louvarão ou me criticarão
porque trabalho na Tua obra.
Mas eu sei que a Tua misericórdia
virá através de todos aqueles
que estão conTigo na mesma estrada.
Senhor, não permitas que sejamos nem orgulhosos,
nem soberbos, nem toto-poderosos,
nem presunçosos, nem agarrados às riquezas,
nem permanentemente cansados ou queixosos.
Mostra-nos como transmitir a alegria de sabermos
que tudo vem de Ti, Senhor.
Todos juntos proclamamos a Tua grandeza
e rejubilamos por termos sido escolhidos por Ti.
Nós te damos graças por tudo...
Neste final de Maio celebramos a festa da Visita de Maria a Isabel, ou também, a visita de Jesus a João Baptista.
Inspirado no Cântico de Maria, podemos rezar hoje:
MAGNIFICAT DE HOJE
A minha alma glorifica o Senhor
porque eu sei que sou fraco,
que não tenho tempo para nada,
que tenho medo,
que me sinto cansado,
que estou sempre pronto a dizer NÃO
em vez de dizer SIM,
mas, Senhor, eu preciso que Tu venhas comigo
para me sentir protegido.
Eu te louvo, Senhor, pela Tua grandeza,
pois Tu pensas em mim
que sirvo para pouca coisa
e Tu queres fazer em mim maravilhas.
Depois de tudo isto,
muitos me olharão e me louvarão ou me criticarão
porque trabalho na Tua obra.
Mas eu sei que a Tua misericórdia
virá através de todos aqueles
que estão conTigo na mesma estrada.
Senhor, não permitas que sejamos nem orgulhosos,
nem soberbos, nem toto-poderosos,
nem presunçosos, nem agarrados às riquezas,
nem permanentemente cansados ou queixosos.
Mostra-nos como transmitir a alegria de sabermos
que tudo vem de Ti, Senhor.
Todos juntos proclamamos a Tua grandeza
e rejubilamos por termos sido escolhidos por Ti.
Nós te damos graças por tudo...
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Terço (37)
Gozosos
2º Mistério – A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel
OS DIAS DE MARIA
3º Mistério – O nascimento de Jesus em Belém
OS MESES DE MARIA
Jesus nasce em Belém no mês de dezembro.
4º Mistério – A apresentação do Menino Jesus no Templo
OS ANOS DE MARIA
Tal como na apresentação de Jesus no Templo todos os anos a sua família ia a Jerusalém.
5º Mistério – O encontro do Menino Jesus no Templo entre os Doutores
A ETERNIDADE DE MARIA
Complemento:
RELÓGIO DE LOUVORES
O TEMPO DE MARIA
OU O TERÇO DO TEMPO
OU O TERÇO DO TEMPO
Jesus entrega a São João, o discípulo do Coração, a sua Mãe. A partir dessa hora este recebeu-a em sua casa. Receber Maria em nossa casa é sentir a sua presença todos os dias, todas as horas, em todos os momentos. Maria nunca nos abandona. Acertemos então o nosso relógio com o tempo de Maria.
Com ela nós podemos rezar: a toda a hora bendirei o meu Senhor, isto é, bendirei sem descanso, bendirei até no descanso, bendirei em todas as atividades.
1º Mistério – A anunciação do Anjo a Nossa Senhora
AS HORAS DE MARIA
AS HORAS DE MARIA
Segundo a tradição foi por volta do meio-dia quando o Anjo Gabriel visitou a Virgem santíssima. Foi também ao meio-dia que Nossa Senhora apareceu em Fátima. Isto quer dizer, que a sua experiência está no centro do dia.
Rezemos para que cada um de nós saiba, a exemplo de Maria, colocar Deus no centro da sua vida.
2º Mistério – A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel
OS DIAS DE MARIA
Maria foi apressadamente à casa de quem precisava da sua ajuda e lá permaneceu vários dias. O tempo é uma riqueza que não nos pertence.
Rezemos para que cada cristão, a exemplo de Maria, possa pôr o seu tempo ao serviço dos outros.
3º Mistério – O nascimento de Jesus em Belém
OS MESES DE MARIA
Jesus nasce em Belém no mês de dezembro.
Foi à meia-noite e a escuridão tornou-se clara como o dia.
Rezemos para que cada um de nós saiba acolher em todos os momentos da sua vida, a Jesus dissipando as trevas, e fazendo da noite dia.
4º Mistério – A apresentação do Menino Jesus no Templo
OS ANOS DE MARIA
Tal como na apresentação de Jesus no Templo todos os anos a sua família ia a Jerusalém.
Em todo o tempo e lugar Maria glorificava a Deus.
Durante seis meses seguidos, isto é, durante meio ano seguido, a Virgem Maria apresentou-se em Fátima.
Rezemos para que a nossa oferta a Deus possa ser um ato continuado.
5º Mistério – O encontro do Menino Jesus no Templo entre os Doutores
A ETERNIDADE DE MARIA
Maria e José andaram três dias à procura de Jesus e foi como que uma eternidade à sua procura.
Também hoje ela continua a procurar cada homem, nos caminhos deste mundo, hoje e sempre.
Rezemos para que Maria nos encontre unidos ao seu filho agora e na hora da nossa morte.
Complemento:
RELÓGIO DE LOUVORES
O QUE É O TEMPO?
Para os comerciantes o tempo é dinheiro; para os aborrecidos, o tempo é um fardo. Mas para um cristão, o tempo é um precioso Dom de Deus, que Lhe devemos devolver com os juros de amor, oração e louvor.
Ainda que os nossos relógios batam as horas em uníssono com os outros relógios do mundo, na realidade eles marcam muito mais do que minutos e horas. Pois apontam um caminho de louvor que se eleva até o Trono de Deus, assinalados desde já com o selo da eternidade.
Como j+a muitos parentes e amigos nos têm perguntado: "que fazem vocês aí no convento o dia todo?" A resposta está contida nos Salmos que nós rezamos!
"Em alta noite eu me levanto e Vos dou graças!" (Sl 118).
Como j+a muitos parentes e amigos nos têm perguntado: "que fazem vocês aí no convento o dia todo?" A resposta está contida nos Salmos que nós rezamos!
"Em alta noite eu me levanto e Vos dou graças!" (Sl 118).
É por isso que tradicionalmente a recitação do terço do Rosário é uma espécie de cronómetro: Durante o tempo da recitação de uma dezena de Ave-Maria, meditamos num determinado mistério do Rosário...
Se o nosso tempo for tempo para Deus, será então garantia de eternidade...
Derramar o Espírito sobre nós
2ª Feira - VI Semana da Páscoa
Tal como com farinha seca não se pode fazer a massa, nem um só pão sem água, assim também nós, que éramos uma multidão, não poderíamos ser um só em Cristo Jesus sem a ÁGUA vinda do céu.
Tal como a terra árida não frutifica, a menos que receba a água, também nós, que inicialmente éramos apenas lenho seco, nunca teríamos dado fruto vivo sem a CHUVA generosa vinda do alto.
Essa ÁGUA ou essa Chuva é o Espírito prometido e enviado por Jesus...
Ele continua a derramar o Espírito Santo sobre nós, como água na nossa amassadura ou como chuva no nosso quintal, para permanecermos unidos e darmos fruto abundante.
sábado, 28 de maio de 2011
Amor criativo
Ano A - VI Domingo da Páscoa
O exemplo é citado do Pe. Varillon:
Uma mãe de família sofre terrivelmente de enxaquecas. Vai ao médico e este prescreve-lhe, com insistência, um ambiente de silêncio e tranquilidade em que se evite todo o burburinho. De regresso a casa, a mãe chama os filhos mais pequenos e faz-lhes as recomendações necessárias:
- Primeiro, não toques a corneta que te deram no Natal; depois não batas com as portas; em terceiro lugar, quando puseres a mesa, não faças barulho com a louça; quarto, etc.
Depois chama os seus filhos mais crescidos e diz-lhes:
- Foi isto o que disse o médico. Agora, se vocês me têm amor...
E é tudo. Os jovens é que têm de descobrir, sem terem recebido nenhuma ordem concreta, tudo o que for necessário para haver um ambiente de silêncio em casa. É uma questão de amor, de responsabilidade ou maturidade.
Se me têm amor – Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. O movimento não vai dos mandamentos para o amor mas deste para aquele. Para quem ama, a observância dos preceitos será espontânea e natural.
Estas palavras de Jesus são conforto na hora de despedida. Chegava a hora de partir mas o amor anula distâncias e enche ausências. Se alguém Me ama ... Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada. Amar alguém é oferecer-lhe um lugar no seu coração.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Fui eu que vos escolhi
6ª Feira - V Semana da Páscoa
NÃO FOSTES VÓS QUE ME ESCOLHESTES
FUI EU QUE VOS ESCOLHI:
- Ele escolheu-nos primeiro porque
desde toda a eternidade nos amou.
- Porque quando escolhemos é ele que
dentro de nós está a escolher por nós.
- Para nós escolher não é escolher
mas ACOLHER
NÃO FOSTES VÓS QUE ME ESCOLHESTES
FUI EU QUE VOS ESCOLHI:
- Ele escolheu-nos primeiro porque
desde toda a eternidade nos amou.
- Porque quando escolhemos é ele que
dentro de nós está a escolher por nós.
- Para nós escolher não é escolher
mas ACOLHER
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Terço (36)
MISTÉRIOS GOZOSOS
Cantar o o que a Virgem
guardava no seu coração
Rezemos o terço do Rosário, meditando nos mistérios gozosos.
Cada mistério será anunciado cantando a respetiva quadra com a melodia do Ave de Fátima (A treze de Maio).
1º Mistério - A anunciação do Anjo a Nossa Senhora
O anjo falou
à Virgem Maria
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
2º Mistério - A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel
A prima Isabel
louvores dizia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
3º Mistério - O nascimento de Jesus em Belém
Na gruta, em Belém
o Filho nascia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
4º Mistério - A apresentação do Menino Jesus no Templo
No Templo, cumpriu
as leis que devia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
5º Mistério - O encontro do Menino Jesus no Templo entre os Doutores
Na casa de Deus
Jesus se perdia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
Final
A Virgem guardava
na alma o que ouvia
queremos ser todos
iguais a Maria.
Ave, ave, ave Maria.
Cantar o o que a Virgem
guardava no seu coração
Rezemos o terço do Rosário, meditando nos mistérios gozosos.
Cada mistério será anunciado cantando a respetiva quadra com a melodia do Ave de Fátima (A treze de Maio).
1º Mistério - A anunciação do Anjo a Nossa Senhora
O anjo falou
à Virgem Maria
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
2º Mistério - A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel
A prima Isabel
louvores dizia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
3º Mistério - O nascimento de Jesus em Belém
Na gruta, em Belém
o Filho nascia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
4º Mistério - A apresentação do Menino Jesus no Templo
No Templo, cumpriu
as leis que devia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
5º Mistério - O encontro do Menino Jesus no Templo entre os Doutores
Na casa de Deus
Jesus se perdia
e a Virgem guardava
na alma o que ouvia.
Ave, ave, ave Maria.
Final
A Virgem guardava
na alma o que ouvia
queremos ser todos
iguais a Maria.
Ave, ave, ave Maria.
Fixar morada
2ª Feira - V Semana Tempo Pascal
Do Evangelho de hoje:
“O meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».
Imaginai, irmãos muito amados, que festa seria receber a Deus na morada do nosso coração!
Se um amigo rico e poderoso quisesse entrar em nossa casa, evidentemente, toda a casa seria limpa, para que nada pudesse chocar o seu olhar, quando entrasse.
Que aquele que prepara para Deus a morada da sua alma purifique tudo o que estiver sujo devido às suas más acções.
Notai bem o que diz a Verdade: «Nós viremos a ele e nele faremos morada».
Porque Ele pode passar no coração de alguns sem ficar lá a morar.”
Não basta receber a visita… é preciso, através das boas obras oferecer-lhe hospedagem.
Cf. São Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja,
Homilias sobre os Evangelhos, n°30
domingo, 22 de maio de 2011
Princípio, meio e fim
Ano A - V Domingo da Páscoa
Quando nos tempos antigos o eloquente Cícero acabava de falar, toda a gente aplaudia, comentando:
- Como falou bem!
Mas quando Demóstenes falava, o povo levantava-se e gritava:
- Vamos a isso.
E ponha-se a caminho.
Podemos reconhecer esta dupla capacidade em Jesus Cristo que diz:
- Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida...
É a verdade que maravilha as multidões, o caminho que põe toda a gente a mexer-se e a vida que a todos renova. Ele é o princípio, o meio e o fim. É o caminho que liga a verdade à vida.
Tal como antigamente, hoje há 3 categorias de homens:
Em primeiro lugar os que querem o fim mas não querem nenhum meio para o atingir. É o caso do jovem rico que queria seguir a Cristo mas não estava disposto a empregar nenhum meio e por isso voltou para trás.
Em segundo lugar, há os que querem o fim e até alguns meios. Querem trabalhar mas só um trabalho que lhes agrade. Querem ser eles a escolher os meios. É o caso de Pilatos que queria libertar Jesus mas à sua maneira.
Por fim há os que se colocam diante de Deus dizendo:
- Senhor, Tu és o Caminho, a Verdade e a Vida. Tudo o que quiseres... tanto o fim como os meios para o atingir.
E o Senhor repetirá:
- Eu sou o Caminho – por mim se vai; eu sou a Verdade – a mim se chega; sou a Vida – em mim se vive.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Humildade e grandeza
5ª Feira da IV Semana da Páscoa
Duas palavras opostas, mas significativas da liturgia de hoje:
Humildade - 'Não sou digno de desatar as correias das sandálias...' ou 'O servo não é maior do que o seu senhor.'´
Ser humilde é não ser mais nem menos daquilo que se é.
Não nos podemos sentir mais pequenos quando nos rebaixam, nem nos sentir maiores quando nos elegiam.
Grandeza - 'Quem me vê, vê o Pai, quem vos recebe, recebe aquele que vos enviou'.
Nós somos a imagem e semelhança de Deus. Nós somos o reflexo de Deus, como se o nosso corpo fosse um especlho e reproduzisse o reflexo divino. É preciso então manter a superfície do espelho limpa e sem distorções para que a imagem reproduzida seja a mais fiel possível.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Porta Aberta
Ano A - IV Domingo Pascal
Naquele redil havia uma ovelha negra, símbolo de inconformismo e de rebeldia, que pensava abandonar o rebanho por ser demasiado exigente. Não querendo dar explicações a mais ninguém, despediu-se de um colega. Durante a noite iria forçar a porta ou então saltar o muro, colocaria uns paus para servirem de escada, subiria por eles e atirar-se-ia para o outro lado.
No dia seguinte, por espanto do seu amigo, a ovelha negra continuava lá.
- Que se passou? Foste apanhada?
- Nada disso. Quando estava tudo preparado, reparei que a porta estava aberta... e os meus planos ficaram assim estragados.
O seu amigo, que antigamente estudara latim, concluiu:
- Cor magis tibi Pastor pandit, que quer dizer, o Coração que o Pastor te abre é ainda maior que esta porta.
A ovelha tresmalhada descobriu assim que aquele era o melhor rebanho porque tinha um Pastor de coração aberto.
Naquele tempo Jesus disse:
- Eu sou a porta das ovelhas. Quem entrar por mim será salvo. As ovelhas seguem-Me porque conhecem a Minha voz.
Ele respeita a nossa liberdade e nos faz viver em plenitude.
Obedecer é a forma portuguesa do latim ob-audire, que é ouvir, escutar. Escutar não suprime a nossa liberdade mas indica-nos o caminho, esclarece e orienta-nos. Aquele que tem os ouvidos atentos, descobre saídas que os outros ignoram. Obedecer a um bom pastor é crescer em plena confiança.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Eis o teu filho
Festa de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
13 de Maio
Senhor Jesus Cristo.
Estás na cruz, estás ferido,
Estás sem nada, porém continuas a cuidar dos teus.
Tu és uma ferida imensa, mas ficas comovido com o pranto da tua Mãe.
Dói-te também ver o teu amigo no sofrimento,
sem que ninguém cuide da sua pequenez ameaçada.
Sabes que toda a Mãe precisa de um filho
e que um filho precisa sempre da sua Mãe.
Os filhos pequenos precisam tanto do cuidado materno
quanto as mães precisarão mais tarde dos cuidados filiais.
É natural que chegue o tempo
em que os filhos se tornem mães das suas mães.
No berço e na cruz vemos sempre a tua Mãe,
aberta à dor e ao amor, aberta a Ti.
Inclinas os teus olhos e abres espaços de confiança.
Olhas para ela… e quantas vezes olhaste para ela!
Agora o teu olhar encontra-se com o dela.
Olhas também para quem tanto amas, o predilecto,
e através dele, para todos os amigos do caminho.
Desejas que Maria continue a entoar os seus cânticos,
aqueles que Te ensinou quando crescias.
Tu eras o filho das suas entranhas, filho do seu sangue.
O discípulo passou a ser filho do seu coração.
Nem o discípulo ficaria órfão,
nem a Mãe seria abandonada.
Quando olhares para nós, pobres como somos,
podes continuar a dizer a Maria: Mulher, eis aí os teus filhos!
Quando olhares para nós, fracos como somos,
podes continuar a dizer-nos: Eis aí a vossa Mãe!
Obrigado, Senhor, pelo presente da tua Mãe.
Obrigado, Senhor, pelo presente da tua Igreja-Mãe.
Que sempre nos acompanha no caminho
agora até à hora da nossa morte.
Ámen.
13 de Maio
Senhor Jesus Cristo.
Estás na cruz, estás ferido,
Estás sem nada, porém continuas a cuidar dos teus.
Tu és uma ferida imensa, mas ficas comovido com o pranto da tua Mãe.
Dói-te também ver o teu amigo no sofrimento,
sem que ninguém cuide da sua pequenez ameaçada.
Sabes que toda a Mãe precisa de um filho
e que um filho precisa sempre da sua Mãe.
Os filhos pequenos precisam tanto do cuidado materno
quanto as mães precisarão mais tarde dos cuidados filiais.
É natural que chegue o tempo
em que os filhos se tornem mães das suas mães.
No berço e na cruz vemos sempre a tua Mãe,
aberta à dor e ao amor, aberta a Ti.
Inclinas os teus olhos e abres espaços de confiança.
Olhas para ela… e quantas vezes olhaste para ela!
Agora o teu olhar encontra-se com o dela.
Olhas também para quem tanto amas, o predilecto,
e através dele, para todos os amigos do caminho.
Desejas que Maria continue a entoar os seus cânticos,
aqueles que Te ensinou quando crescias.
Tu eras o filho das suas entranhas, filho do seu sangue.
O discípulo passou a ser filho do seu coração.
Nem o discípulo ficaria órfão,
nem a Mãe seria abandonada.
Quando olhares para nós, pobres como somos,
podes continuar a dizer a Maria: Mulher, eis aí os teus filhos!
Quando olhares para nós, fracos como somos,
podes continuar a dizer-nos: Eis aí a vossa Mãe!
Obrigado, Senhor, pelo presente da tua Mãe.
Obrigado, Senhor, pelo presente da tua Igreja-Mãe.
Que sempre nos acompanha no caminho
agora até à hora da nossa morte.
Ámen.
domingo, 8 de maio de 2011
Teologia da Estrada
Ano A - IV Domingo Páscoa
A Eucaristia é uma caminhada de Deus connosco que nos lembra que a nossa estrada deve ser sempre uma eucaristia.
O catequista descrevia aos alunos a alegria dos Discípulos de Emaús, quando caminhavam com Jesus, apesar de não compreenderem bem a Sua presença. Era tal como para Adão e Eva, no Paraíso, quando Deus descia a passear e conversar amigavelmente com eles.
Então uma menina exclamou:
- Ah, se fosse ainda assim...
O catequista certificou:
- Minha cara menina, é assim ainda hoje. Todos nós podemos caminhar e conversar com Deus, como amigos, na oração. Sempre que celebramos a missa é isso que acontece.
O Senhor ressuscitado, tornou-se companheiro de viagem do homem peregrino ao longo das veredas da vida, até que as sendas do tempo se cruzem com as vias do Eterno, quando o veremos tal como Ele é.
O Senhor ressuscitado, tornou-se companheiro de viagem do homem peregrino ao longo das veredas da vida, até que as sendas do tempo se cruzem com as vias do Eterno, quando o veremos tal como Ele é.
A experiência de Emaús foi uma autêntica celebração eucarística, uma Fracção do Pão. Os discípulos começaram por se lamentar do mal que foi feito, tal como nós no princípio da missa. Depois ouviram e interpretaram a palavra eterna de Deus. Em seguida sentaram-se à mesa, para partilhar o Pão que lhes deu vida nova. Por fim, foram em missão (daqui o termo missa), contagiar os outros irmãos nessa mesma experiência.
A Eucaristia é uma caminhada de Deus connosco que nos lembra que a nossa estrada deve ser sempre uma eucaristia.
terça-feira, 3 de maio de 2011
São Filipe, Apóstolo
Festa de São Filipe, Apóstolo
03 de Maio
03 de Maio
Existe um facto realmente extraordinário na vida do Apóstolo São Filipe, natural de Betsaida, na Galileia.
Um dia, quando obrigado a reverenciar o deus Marte acendendo-lhe incenso, eis que surge detrás do altar pagão uma cobra que mata o filho do sacerdote-mor e dois dos seus servos.
Filipe ressuscitou-os e matou a cobra. Esse milagre de São Filipe impressionou toda a gente e originou a conversão de muitas pessoas ao cristianismo.
Filipe bem podia ficar quieto ou regozijar-se com o mal que acontecera aos seus perseguidores, mas não. Fez um milagre e ajudou quem lhe queria mal.
E eu fico a pensar…
Hoje mesmo, neste início de Maio, quanta gente se regozija pela morte, ou melhor, pela eliminação ou assassinato de Osama Bin Laden. Todo o mundo se alegra com isso… e atribui esse grande feito a um Prémio Nobel da Paz, o Presidente Barack Obama. Que ironia!
E eu fico triste e cheio de vergonha.
São Filipe curou quem o queria matar… e nós alegramo-nos com os assassinos e aplaudimos o gesto, julgando termos feito bem.
Não defendo as acções de Bin Laden, mas defendo a vida que ele recebeu de Deus e que nós homens a tiramos. Talvez fosse essa vida uma das poucas coisas boas que tinha, a nossos olhos, e mesmo assim a tiramos…
Senhor Deus, tem piedade de nós!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
São Tiago Menor
É o padroeiro da Diocese do Funchal.
A sus festa é assinalada no dia 1 de Maio, mas como aconteceu na Pascoela, transitou para hoje.
Partilho a reflexão da solenidade.
1. Seguir os ensinamentos da palavra de São Tiago, filho de Alfeu, que escreveu uma Epístola do Novo Testamento:
- "De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras?... A fé sem obras está completamente morta." (Tg 2, 14.17)
- "Aproximai-vos de Deus e Ele aproximar-se-á de Vós". (Tg 4,8)
- "Se Deus quiser..." (Tg 4,15)
2. Seguir as suas obras, de patrono que cuida da saúde dos seus devotos:
(Cf bispo D. António Carrilho, in homilia de 1 de Maio de 2008)
No “auto do voto”, lavrado solenemente na Catedral em 1521, narra-se a escolha do padroeiro: foi escolhido à sorte, enquanto a cidade sofria uma grave epidemia de peste. Colocaram num barrete os nomes de Jesus, da Virgem Maria Nossa Senhora, de São João Baptista e dos doze Apóstolos, e um menino de sete anos, chamado João, retirou um dos papéis, depois de todos se colocarem de joelhos em oração e prometerem fazer uma casa em honra daquele santo que por sorte saísse. Quis Deus que fosse São Tiago Menor. Logo foi festejado por toda a cidade e, em Julho desse ano, começou a construção da Capela do Voto, indo a cidade e os cónegos em procissão solene com o retábulo do Bem-Aventurado Apóstolo.
Na renovação do voto, em 1523, na Catedral, diante do capitão Donatário, o Senado de então com seus vereadores, diversas entidades oficiais, todo o cabido e muito povo tomaram, juntos, o compromisso solene de em cada ano venerarem e festejarem São Tiago, com uma especial solenidade. Por sua vez, no dia da procissão, em 1538, estando a peste a vitimar muita gente, o Guarda-mor da Saúde gritou em alta voz: “Senhor, até aqui guardei esta Cidade como pude; não posso mais, aqui tendes a vara, sede Vós o Guarda da Saúde.” E largou imediatamente a vara, num gesto de entrega e de confiança nas mãos de Deus. E a peste desapareceu. São Tiago é para todos protector e modelo de santidade; como mestre, continua a exortar-nos à confiança e ao abandono nas mãos de Deus em tudo o que fazemos.
domingo, 1 de maio de 2011
Confissão de Tomé
Ano A - II Domingo de Páscoa
Eu, Tomé, fui escolhido para ser o homem que não se contenta com as aparências. Eu também queria ver o que os outros tinham visto, queria ver para crer.
Eu, Tomé, dei uma prova de fé. Quem vê, tem a certeza da evidência, possui a prova inegável de um facto mas não a prova da fé.
Eu sou aquele que fica de fora, para poder provar que quem não se encontra com a comunidade não experimenta o ressuscitado.
Eu sabia que, pelo facto dos olhos não virem, não podia concluir que a luz do sol não brilhava.
Eu pensava que via Cristo quando escutava as suas palavras que não entendia. Agora, compreendo as palavras que já não ouço.
Eu, Tomé, fiz a minha prova de amor. Levava a sério o Cântico dos Cânticos: O esposo reconhece a esposa por um só cabelo porque lhe tem amor. Quem não ama, pede-lhe o bilhete de identidade pois mil provas não chegam para constituir uma certeza. Para quem ama, mil objecções não bastam para formar uma dúvida.
Enquanto os outros discípulos provavam pelos factos, eu, Tomé, provei pela fé e pelo amor. Se eles me tivessem provado assim, eu teria acreditado imediatamente. Mas tive de fazer a minha experiência.
Uma última coisa vos digo: se o Ressuscitado não pode ser visto, existe porém algo que posso ver: a comunidade reunida em Seu nome. Se alguém ama a sério a Cristo, é porque Ele está vivo. E isso faz-me acreditar, mesmo sem O ver.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Mãos e pés
5ª Feira da Oitava da Páscoa
Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés…
Para lhes dizer que Ele foi crucificado e trespassado uma vez e ficou crucificado e trespassado para todo o sempre e não precisa de ser outra vez crucificado.
Assim também os discípulos foram redimidos e salvos uma vez para todo o sempre…
Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés…
Para lhes dizer que Ele foi crucificado e trespassado uma vez e ficou crucificado e trespassado para todo o sempre e não precisa de ser outra vez crucificado.
Assim também os discípulos foram redimidos e salvos uma vez para todo o sempre…
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Emaús
4ª Feira da Oitava Pascal
Os discípulos de Emaús
Quando é que os discípulos se encontravam mais perto de Cristo?
Quando escutavam as palavras que não entendiam, ou quando compreendiam as palavras que já não escutavam?
Tenho a certeza quer numa quer noutra situação Deus está sempre lá.
Quando os discípulos escutavam as palavras que não entendiam, era Cristo que estava mais perto deles...
Quando compreendiam as palavras que já não escutavam, eram os discípulos que estavam mais perto de Cristo.
Os discípulos de Emaús
Quando é que os discípulos se encontravam mais perto de Cristo?
Quando escutavam as palavras que não entendiam, ou quando compreendiam as palavras que já não escutavam?
Tenho a certeza quer numa quer noutra situação Deus está sempre lá.
Quando os discípulos escutavam as palavras que não entendiam, era Cristo que estava mais perto deles...
Quando compreendiam as palavras que já não escutavam, eram os discípulos que estavam mais perto de Cristo.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Não me detenhas
3ª Feira da Oitava da Páscoa
No Evangelho de hoje Jesus diz a Maria Madalena: Não me detenhas... vai dizer aos meus discípulos. Ela vai e diz-lhes: Vi o Senhor...
Não me toques, não me detenhas, não me abraces, pois eu ressuscitei...
Agora só podes abraçar-me pela fé, só podes tocar-me através da tua devoção, só podes ver-me através dos olhos do teu coração.
E eu pensava que Jesus tinha dado uma repreensão a Madalena, numa espécie de mira mira não me toques e afinal foi uma ocasião de Madalena apresentar uma grande lição para a posteridade:
Tocar, abraçar e ver fisicamente, agora já não.
O abraço e o olhar já não podem ser visíveis:
Abraçar sim, mas pela fé; ver sim, mas com o coração; e tocar sim, com com a devoção.
Obrigado Madalena por esta lição.
No Evangelho de hoje Jesus diz a Maria Madalena: Não me detenhas... vai dizer aos meus discípulos. Ela vai e diz-lhes: Vi o Senhor...
Não me toques, não me detenhas, não me abraces, pois eu ressuscitei...
Agora só podes abraçar-me pela fé, só podes tocar-me através da tua devoção, só podes ver-me através dos olhos do teu coração.
E eu pensava que Jesus tinha dado uma repreensão a Madalena, numa espécie de mira mira não me toques e afinal foi uma ocasião de Madalena apresentar uma grande lição para a posteridade:
Tocar, abraçar e ver fisicamente, agora já não.
O abraço e o olhar já não podem ser visíveis:
Abraçar sim, mas pela fé; ver sim, mas com o coração; e tocar sim, com com a devoção.
Obrigado Madalena por esta lição.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Ele não conheceu a corrupção
2ª Feira da Oitava de Páscoa
Três mensagens da liturgia da Palavra deste dia:
1ª Cristo não conheceu corrupção. Se Ele, ressuscitado, não conheceu nem a corrupção da alma nem a do corpo, foi para que conseguíssemos pelos menos não cair na corrupção da alma, já que a do corpo não nos é possível.
2ª Madalena foi a correr... dizer aos discípulos que fossem imediatamente para a Galileia...
É o ritmo da páscoa, apressado, a correr, com urgência. De facto ninguém pode ficar parado ou inactivo.. É preciso correr, pôr-se a mexer, já que Páscoa quer dizer passagem...então passemos já.
3ª Afinal onde está o Corpo de Cristo? Os discípulos levaram-no...isto é, o corpo de Cristo está nos seus discípulos... Está em nós.
Estar vivo
Ano A - Domingo de Páscoa
"Quem é vivo, sempre aparece..."
"Quem é vivo, sempre aparece..."
Conheci um velhinho que raramente ia à missa. Mas no dia de Páscoa lá estava sempre.
- Porquê? É para se lembrar que afinal Deus ainda está vivo?
- Não. É para mostrar a Deus que eu ainda estou vivo. E para me lembrar a mim mesmo que preciso dos outros e que preciso de Deus. Ele pode contar assim comigo tal como os outros também.
A etimologia confirma o sentir deste homem. Parece-me que o verbo EXISTIR vem do latim “Ex-sistere”, que quer dizer sair de si. Só existe realmente quem sai de si mesmo, quem vai ao encontro dos outros, porque o homem é um ser em relação. Também o pronome pessoal EU, deriva de “Egeo”, verbo que significa necessito dos outros. É frente aos outros que eu me defino, no mais íntimo do meu ser.
Ao celebrarmos a Páscoa do Senhor, saboreemos a vida que partilhamos com Deus e com os outros. Mostremos que estamos vivos. Precisamos de Deus vivo para nos lembrarmos que não estamos sós. Precisamos dos outros para nos recordarmos que devemos estar disponíveis, porque também eles precisam de nós.
Se Cristo ressuscitou, se quis ficar eternamente vivo, é porque vale a pena viver e que a vida é bela. O melhor agradecimento dessa prova é vivermos com alegria, com Deus e com os outros.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Trinta moedas
4ª Feira da Semana Santa
Trinta moedas de prata foi o preço combinado para Judas entregar o seu amigo Jesus.
Antes de mais, digo eu, Jesus foi vendido com a prata da casa, pois foi um amigo, um dos seus, alguém que comia do mesmo prato... A prata dessas moedas era PRATA DA CASA.
(Ainda hoje quem o atraiçoa são os que deviam estar mais próximos, são os da casa)
Depois, diz o livro do Êxodo, 21, 32: Se o boi escornear um escravo ou uma escrava, dar-se-á trinta moedas de prata ao seu senhor.
Trinta moedas de prata era o que se pagava por um escravo.
Esse foi o desprezível e mesquinho preço oferecido pela vida do Salvador.
(Mas fico a pensar que essa quantia é o preço de um escravo, mas esse escravo não é Jesus mas aquele que o traiu. Foi Judas quem se vendeu por esse valor como escravo... Jesus não foi vendido, pois o escravo foi Judas...)
Trinta moedas de prata foi o preço combinado para Judas entregar o seu amigo Jesus.
Antes de mais, digo eu, Jesus foi vendido com a prata da casa, pois foi um amigo, um dos seus, alguém que comia do mesmo prato... A prata dessas moedas era PRATA DA CASA.
(Ainda hoje quem o atraiçoa são os que deviam estar mais próximos, são os da casa)
Depois, diz o livro do Êxodo, 21, 32: Se o boi escornear um escravo ou uma escrava, dar-se-á trinta moedas de prata ao seu senhor.
Trinta moedas de prata era o que se pagava por um escravo.
Esse foi o desprezível e mesquinho preço oferecido pela vida do Salvador.
(Mas fico a pensar que essa quantia é o preço de um escravo, mas esse escravo não é Jesus mas aquele que o traiu. Foi Judas quem se vendeu por esse valor como escravo... Jesus não foi vendido, pois o escravo foi Judas...)
terça-feira, 19 de abril de 2011
Trevas de Judas
3ª Feira da Semana Santa
No seu livro Jesus de Nazaré da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição, o Papa Bento XVI (que faz hoje precisamente 6 anos que foi eleito Papa) escreve acerca do episódio de Judas no Evangelho de hoje:
Para João aquilo qe aconteceu a Judas já não é explicável psicologicamente. Acabou sob o domínio de outrem: quem rompe a amizade com Jesus, quem se recusa a carregar o seu jugo suave não chega à liberdade, não se torna livre, antes pelo contrário torna-se escravo de outras potências; ou mesmo: o fato de atraiçoar essa amizade já resulta da intervenção de outro poder, ao qual se abriu...
João conclui dramaticamente o trecho sobre Judas com estas palavras: (Judas) tendo tomado o bocado de pão, saíu logo. Era noite.
Judas vai para fora num sentido mais profundo: entra na noite, vai-se embora da luz para a escuridão. o poder das trevas apoderou-se dele...
No seu livro Jesus de Nazaré da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição, o Papa Bento XVI (que faz hoje precisamente 6 anos que foi eleito Papa) escreve acerca do episódio de Judas no Evangelho de hoje:
Para João aquilo qe aconteceu a Judas já não é explicável psicologicamente. Acabou sob o domínio de outrem: quem rompe a amizade com Jesus, quem se recusa a carregar o seu jugo suave não chega à liberdade, não se torna livre, antes pelo contrário torna-se escravo de outras potências; ou mesmo: o fato de atraiçoar essa amizade já resulta da intervenção de outro poder, ao qual se abriu...
João conclui dramaticamente o trecho sobre Judas com estas palavras: (Judas) tendo tomado o bocado de pão, saíu logo. Era noite.
Judas vai para fora num sentido mais profundo: entra na noite, vai-se embora da luz para a escuridão. o poder das trevas apoderou-se dele...
domingo, 17 de abril de 2011
Domingo de Ramos
Ano A - Domingo de Ramos
"Perguntaram um dia à Madre Teresa de Calcutá o que sentia quando entrava numa sala cheia de gente entusiasmada, de pé, a aplaudi-la.
A pergunta era maliciosa. Ficava na mesma? Isso significaria que ela era insensível. Ficava lisongeada? Bem, então talvez não fosse assim tão santa como parecia...
Ela nem hesitou na resposta:
Ficava contentissima! Quando tal acontecia, ao ouvir os aplausos, enquanto andava, pensava em Jesus entrando de burro em Jerusalém entre hosanas de uma multidão entusiasmada e ficava contentíssima.
Ela, claro, era o burro que transportava Jesus! Um burro feliz...
(Cf. Nuno Tavar de Lemos, O Principe e a Lavadeira)
Neste dia de Ramos, possamos nós dizer a Jesus:
- Aqui estou, Senhor, um burrinho pobre e sarnento... Em que poderei te servir?
E Jesus poderá responder:
- Filho, um burrinho pobre e sarnento foi o meu trono mais precioso em Jerusalém.
sábado, 16 de abril de 2011
Grande Paixão
Domingo de Ramos ou da Paixão do Senhor
Explicava eu que o Domingo de Ramos é também conhecido como o Domingo da Paixão.
- Porquê?
- Porque é lida a narração da Paixão de Jesus. E tu sabes o que é a Paixão?
- Eu não. Se fosse a minha paixão, eu sabia responder, mas a de Jesus não sei quem é.
- Quem é?! Que queres tu dizer?
- Então o senhor padre não sabe que a minha paixão é a Susana?
Percebi então que para aqueles garotos, uma paixão era um grande amor, uma pessoa concreta. Ter paixão é estar apaixonado por alguém. Pensei então em perguntar às pessoas mais crescidas o que era uma paixão. Responderam que era os sofrimentos que Jesus padeceu. Fiquei a pensar como seria diferente se se compreendesse a Paixão do Senhor como o seu grande amor.
Paixão dos homens é amor, paixão de Deus é sofrimento. Não serão dois aspectos da mesma realidade? O sofrimento não faz parte do amor e vice-versa?
Contemplemos o amor sem medida de Jesus na sua paixão, morte e ressurreição. Essa amor é a força dos fracos e a fraqueza dos fortes.
Todos nós nos revemos no Domingo da Paixão. Todos estamos envolvidos como acusadores ou como vítimas, flagelando e sendo flagelados, crucificando e sendo crucificados, tirando a liberdade e exigindo a nossa liberdade, ferindo e sendo feridos.
A paixão de Cristo é a nossa própria paixão porque um dia a nossa paixão foi a sua própria paixão.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Renúncia quaresmal
O rei D. João II, foi informado de que um dos seus servos estava gravemente doente e não queria tomar o remédio. O rei foi visitá-lo. Confortou-o e tentou convencê-lo a ingerir o medicamento. O doente recusou-se dizendo:
- Eu já sofro muito. Não quero mais sofrimento. O remédio é tão amargo, que não suportarei mais essa dor...
Então o rei, visivelmente impaciente, tomou ele próprio o remédio amargo que o doente recusava e bebeu alguns goles. Depois disse:
- Eu, o rei, são de corpo e de mente, por teu amor tomei esta amarga bebida; e tu, servo doente, não tomarás este pouco que resta por meu amor e para tua salvação?
E o servo, já decidido, ingeriu de uma só vez todo o remédio, para estar ao nível do amor do seu rei, e a cura não se fez esperar.
Jesus Cristo fez o mesmo por nosso amor.
Estamos na Quaresma, tempo de penitência ou sacrifícios, tempo de esforço e de curas. É preciso decidir-se a tomar a cruz para seguir um pouco mais além. Para isso necessitamos do estímulo e do exemplo dos outros, bem como da nossa coragem e discernimento.
Vivemos num tempo em que toda a gente se queixa que já não se aprende a sofrer. Estamos habituados a ter uma vida fácil e sucumbimos ao menor obstáculo. O Papa João Paulo II escreveu sobre o sofrimento no mundo contemporâneo: “O homem é chamado a dar amor através do sofrimento. O sofrimento conduz o homem em direcção ao futuro. Não deveríamos preocupar-nos com quantos de nós sofrem, mas com tantos de nós que não sabem sofrer.”
A renúncia quaresmal é uma oportunidade para exercitar a nossa vontade e coragem e para aprender a assumir os pequenos sofrimentos. Só assim estaremos bem treinados para acolher qualquer dificuldade da vida.
A penitência vivifica o homem. E não é apenas por uma questão de disciplina que nos faz falta. O sofrimento engrandece o homem, por isso o homem pode engrandecer o sofrimento. Como? O que temos a suportar, podemos levá-lo ou como uma coroa ou como um jugo. O que leva a sua dor como uma coroa, enobrece-se, transformando a sua dor em coroa. O que leva a sua dor como um jugo, rebaixa-se.
O Pe. Dehon escreveu no Directório Espiritual: “Carregar a cruz externamente e por necessidade não basta. É preciso abraçá-la com amor, carregá-la com alegria e coragem, desejá-la com ardor.”
Impacientou-se
3ª Feira – V Semana Quaresma
No deserto, o povo de Deus impacientou-se…
Dizia o Pe. Ângelo Caminati, SCJ:
Paciência é o que se quer!
É aquela virtude que metade dos homens pratica e que a outra metade faz praticar os outros…
Santa Catarina de Sena dá-nos 3 razões para não perdermos a paciência.
1. Pensar como a vida é breve. Nem do dia de amanhã estamos seguros. Relativamente às dificuldades do passado, nós não mais as sofremos. Resta-nos tolerar o momento presente que é fugaz.
2. Considerar as vantagens do sofrimento. Diz São Paulo que não há comparação entre as dificuldades presentes e o prémio da glória que nos está prometido.
3. Pensar nos males que sobrevêm aos que padecem na ira e na impaciência – tristeza nesta vida, castigo na outra, dor acrescentada agora, pena no além.
No deserto, o povo de Deus impacientou-se…
Dizia o Pe. Ângelo Caminati, SCJ:
Paciência é o que se quer!
É aquela virtude que metade dos homens pratica e que a outra metade faz praticar os outros…
Santa Catarina de Sena dá-nos 3 razões para não perdermos a paciência.
1. Pensar como a vida é breve. Nem do dia de amanhã estamos seguros. Relativamente às dificuldades do passado, nós não mais as sofremos. Resta-nos tolerar o momento presente que é fugaz.
2. Considerar as vantagens do sofrimento. Diz São Paulo que não há comparação entre as dificuldades presentes e o prémio da glória que nos está prometido.
3. Pensar nos males que sobrevêm aos que padecem na ira e na impaciência – tristeza nesta vida, castigo na outra, dor acrescentada agora, pena no além.
domingo, 10 de abril de 2011
Ser reeditado
Ano A - V Domingo da Quaresma
Antigamente havia o curioso costume das pessoas, em vida, prepararem o seu epitáfio. Benjamim Franklin, no seu início de carreira, como tipógrafo, preparou também a sua inscrição tumular, bastante original: “ O corpo de Benjamim Franklin, tipógrafo, como a capa de um velho livro que perdeu a moldura e o título, aqui jaz. Mas a obra não desaparecerá pois, como sempre acreditou, reaparecerá de novo numa edição melhor, corrigida e ampliada pelo Autor.”
A vida parece de facto um livro. Quanto mais avançamos, mais podemos ver o seu sentido, a solução do seu enredo. À medida que vamos desfolhando cada dia, tanto mais nos envolvemos. Parece que somos uma obra-prima à procura do seu Autor. Não há páginas em branco, mas quantos riscos, palavras distorcidas. Cada folha não voltará atrás. Um dia, mais tarde, a edição completa, perfeita, será recebida na biblioteca da eternidade. A morte não é fim, mas fronteira de vida nova.
A experiência de Lázaro, o amigo de Jesus, mostra que tudo o que é velho passou. Regressando à vida, anuncia o renascer da nova edição. A ressurreição de Lázaro é argumento de fé pois muitos, ao verem o acontecimento, acreditaram nele. Jesus ajuda a ler esses acontecimentos da vida.
É morrendo que se ressuscita. É saindo, para fora, que nos caem as ligaduras. O que seremos depois já o somos agora, ressuscitados na fé e na esperança.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Em segredo
6ª Feira - IV Semana da Quaresma
"Jesus partiu também para a festa..., mas em segredo."
Toda a gente deseja este autêntico tempo de festa da vida eterna; é um desejo natural, porque todos os homens querem naturalmente ser felizes. Mas não basta desejar. É por Ele mesmo que devemos seguir a Deus e procurá-lo. Muitos gostariam de ter o antegozo do verdadeiro e grande dia de festa, desse grandioso encontro, e lamentam-se que não lhes seja dado. Quando, na oração, não fazem a experiência de um dia de festa no fundo de si próprios, e não sentem a presença de Deus, entristecem-se. Rezam menos, fazem-no de mau humor, dizendo que não sentem Deus e que é por isso que a acção e a oração os aborrecem. Aí está o que o homem não deve fazer nunca. Nunca devemos fazer nenhuma obra desanimados, porque Deus está sempre presente e, ainda que não o sintamos, todavia ele veio secretamente à festa.
(Cf. Jean Tauler, 1300-1361, Estrasburgo)
E eu acrescento:
Se devemos ter cuidado quando rezamos ou fazemos algo, pois Deus vem marcar a sua presença em segredo, com muito mais razão devemos estar atemtos quando celebramos a Eucaristia, pois Deus às claras está presença e deliberadamente vem ter connosco.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Toma a tua enxerga
3ª Feira - IV Semana da Quaresma
No Evangelho de hoje Jesus aconselha a tomar a enxerga e ir em frente...
Isto quer dizer que as nossas limitações, parilisias, pesadelos, frustrações etc devem ser atiradas para trás para que possamos avançar.
Mas também me faz lembrar uma fábula clássica:
Os dois fardos ou as duas sacolas que os homens trazem: um à frente para as virtudes e um atrás para os defeitos. Assim cada um só pode ver as suas virtudes, pois os defeitos próprios estão para trás. Mas consegue ver os defeitos dos outros e os outros vêm os nossos defeitos...
E eu corrijo a fábula:
Os burros de carga têm um alforge com duas sacolas, uma de cada lado.
Nós homens temos também um alforge com duas sacolas, mas uma à frente e outra atrás.
Assim podemos atirar para trás tudo o que nos atrapalha.
Mas ainda bem que assim é, pois se os nossos defeitos ficassem à frente, com certeza iriam pesar mais e dificultariam o nosso andar.
É preciso atirar para trás a nossa enxerga e ir em frente.
No Evangelho de hoje Jesus aconselha a tomar a enxerga e ir em frente...
Isto quer dizer que as nossas limitações, parilisias, pesadelos, frustrações etc devem ser atiradas para trás para que possamos avançar.
Mas também me faz lembrar uma fábula clássica:
Os dois fardos ou as duas sacolas que os homens trazem: um à frente para as virtudes e um atrás para os defeitos. Assim cada um só pode ver as suas virtudes, pois os defeitos próprios estão para trás. Mas consegue ver os defeitos dos outros e os outros vêm os nossos defeitos...
E eu corrijo a fábula:
Os burros de carga têm um alforge com duas sacolas, uma de cada lado.
Nós homens temos também um alforge com duas sacolas, mas uma à frente e outra atrás.
Assim podemos atirar para trás tudo o que nos atrapalha.
Mas ainda bem que assim é, pois se os nossos defeitos ficassem à frente, com certeza iriam pesar mais e dificultariam o nosso andar.
É preciso atirar para trás a nossa enxerga e ir em frente.
domingo, 3 de abril de 2011
O cego e a onça
Ano A - IV Domingo Quaresma
3 ecos da prática do evangelho de hoje
1º
Ser cego é ter vistas curtas.
É preciso alargar os horizontes, ver mais além...
2º
Ser cego é olhar só para si mesmo...
Contaram-me esta história da onça:
Farta de ver os outros animais bem feios, a nça, pintada, sentiu desejo de se ver a si mesma, pois achava-se a única bonita.
Foi então ao cirurgião para que lhe mudasse os olhos: em ves de estarem virados para fora, que ficassem virados para dentro para que pudesse ver-se a si mesma e deliciar-se com a sua própria beleza.
O cirurgião fez-lhe a vontade.
Quando acordou, após uma operação de sucesso, a onça queixou-se que via tudo negro, tudo escuro...
- Mas eu sou tão bonita, porque é que vejo tudo negro?
- É que os olhos foram feitos para ver a beleza dos outros e não para a nossa própria beleza. Os olhos foram feiras para serem virados para fora e não para dentro...
Quando alguém só se vê a si mesmo, é cego e verá tudo negro ou escuro...
3º Ser cego é não ver a luz pequenina que temos dentro de nós.
Mesmo que nós caíssemos na tentação da onça e os nossos olhos ficassem virado para dentro, nós cristãos poderíamos muito bem olhar para dentro e com certeza não veríamos tudo preto ou escuro como a onça porque temos uma luz dentro de nós - é a luz da fé que recebemos no nosso baptismo e que devemos deixar brilhar. Além disso temos também a luz da presença de Deus no nosso coração...
3 ecos da prática do evangelho de hoje
1º
Ser cego é ter vistas curtas.
É preciso alargar os horizontes, ver mais além...
2º
Ser cego é olhar só para si mesmo...
Contaram-me esta história da onça:
Farta de ver os outros animais bem feios, a nça, pintada, sentiu desejo de se ver a si mesma, pois achava-se a única bonita.
Foi então ao cirurgião para que lhe mudasse os olhos: em ves de estarem virados para fora, que ficassem virados para dentro para que pudesse ver-se a si mesma e deliciar-se com a sua própria beleza.
O cirurgião fez-lhe a vontade.
Quando acordou, após uma operação de sucesso, a onça queixou-se que via tudo negro, tudo escuro...
- Mas eu sou tão bonita, porque é que vejo tudo negro?
- É que os olhos foram feitos para ver a beleza dos outros e não para a nossa própria beleza. Os olhos foram feiras para serem virados para fora e não para dentro...
Quando alguém só se vê a si mesmo, é cego e verá tudo negro ou escuro...
3º Ser cego é não ver a luz pequenina que temos dentro de nós.
Mesmo que nós caíssemos na tentação da onça e os nossos olhos ficassem virado para dentro, nós cristãos poderíamos muito bem olhar para dentro e com certeza não veríamos tudo preto ou escuro como a onça porque temos uma luz dentro de nós - é a luz da fé que recebemos no nosso baptismo e que devemos deixar brilhar. Além disso temos também a luz da presença de Deus no nosso coração...
Ser cego
Ano A - IV Domingo Quaresma
Num grupo de jovens, estávamos a reflectir sobre o episódio evangélico da cura do cego de nascença. Pedi que cada um apresentasse uma condição dessa limitação física. Seleccionei estas quatro, que mostram a sensibilidade juvenil:
1º Um cego não pode piscar o olho. Antigamente, piscar o olho era sinal de declaração amorosa. Assim o cego estava impedido de manifestar, desse modo, os seus sentimentos. Jesus repõe-lhe essa capacidade.
2º Um cego só consegue ver com a ponta dos dedos. Ao ser curado, recupera a capacidade de conhecer, não só com a ponta dos dedos mas com todas as suas potencialidades.
3º Um cego conhece o mundo com os olhos dos outros. Por isso, Jesus ao curá-lo, está a devolver a possibilidade de fazer a sua própria experiência. Assim se compreende a reacção dos seus pais: “Perguntai-lho. Ele já tem idade para responder por ele próprio.”
4º Num cego, quais são as janelas da alma? Para uma pessoa comum, são os olhos... O cego de nascença tinha uma grande alma, por isso acreditou em Jesus. Este, curou-o, isto é, abriu-lhe o coração ou a alma. “O Principezinho” descobriu esse segredo: O essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração”.
Também nós somos cegos? Perguntaram os ouvintes de Jesus e perguntemos também nós. E a resposta é sim, quando não nos comunicamos, quando não aprendemos com todo o nosso ser, quando não fazemos a nossa própria experiência e quando fechamos o nosso coração.
Num grupo de jovens, estávamos a reflectir sobre o episódio evangélico da cura do cego de nascença. Pedi que cada um apresentasse uma condição dessa limitação física. Seleccionei estas quatro, que mostram a sensibilidade juvenil:
1º Um cego não pode piscar o olho. Antigamente, piscar o olho era sinal de declaração amorosa. Assim o cego estava impedido de manifestar, desse modo, os seus sentimentos. Jesus repõe-lhe essa capacidade.
2º Um cego só consegue ver com a ponta dos dedos. Ao ser curado, recupera a capacidade de conhecer, não só com a ponta dos dedos mas com todas as suas potencialidades.
3º Um cego conhece o mundo com os olhos dos outros. Por isso, Jesus ao curá-lo, está a devolver a possibilidade de fazer a sua própria experiência. Assim se compreende a reacção dos seus pais: “Perguntai-lho. Ele já tem idade para responder por ele próprio.”
4º Num cego, quais são as janelas da alma? Para uma pessoa comum, são os olhos... O cego de nascença tinha uma grande alma, por isso acreditou em Jesus. Este, curou-o, isto é, abriu-lhe o coração ou a alma. “O Principezinho” descobriu esse segredo: O essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração”.
Também nós somos cegos? Perguntaram os ouvintes de Jesus e perguntemos também nós. E a resposta é sim, quando não nos comunicamos, quando não aprendemos com todo o nosso ser, quando não fazemos a nossa própria experiência e quando fechamos o nosso coração.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Apresentação de Livro
Foi no dia 25 de Março, no auditório do Museu Casa da Luz, a apresentação d um novo livro da Professora Gizela Dias da Silva.
RASGOS DA MINHA INFÂNCIA
Gizela Dias da Silva - Texto
Louisa Isabel Roldão – Ilustração
Editorial Eco do Funchal, Março 2011
Fomos convidados para o lançamento do Livro “Rasgos da minha infância”.
Engana-se quem está à espera da apresentação de um livro.
Não se trata de um livro, de mais um livro, e já lá vão 8 desta mesma autora, mas sim de uma viagem.
De facto é de uma viagem que se trata:
Lemos na página 4: “Agora, que despejei no papel … vou terminar meu relato… Melhor falando: vou pôr um ponto final a esta viagem que me propõe sedução.”
É uma viagem que nos leva longe:
Lemos na página 30: “Que saudade me transporta aos meus tempos de infância”.
Viagem que não esquece malas e bagagens, como lemos na página 32: “ Encerro a bagagem que me deram no trem das minhas memórias.”
Viagem com trajecto delineado, pois lemos na página: “Que lindo trajecto efectuado, por mim, na travessia do meu íntimo”.
Ou na mesma página: “ Apenas trazia consigo o entusiasmo do enfoque e a contenção do percurso.”
Não é uma viagem qualquer: é uma viagem, não para fora, mas ao íntimo de si mesmo.
Mas é uma viagem feita também no terreno: Cancela, Caniço, São Gonçalo – lugares que por coincidência fazem parte também da minha experiência de menino e moço. Mas a geografia da nossa infância é sempre universal, pois não é o local que nos marca, nós é que marcamos o local. Não é a experiência que nos dignifica, nós é que dignificamos a experiência. Enfim, não é o que fazemos que nos valoriza, nós é que a valorizamos tudo o que de mais simples fazemos.
Esta viagem tem 15 etapas – os 15 títulos ou episódios ou memórias de tempos idos, tempos a tempo renascidos.
Viagem reveladora de novas paisagens, largos horizontes, cores diferentes: cada história a sua tonalidade, cada episódio a sua cor, cada memória o seu movimentos. É uma viagem narrada e projectada: é um livro para se ver e ouvir. É uma viagem de texto (Gizela Dias da Silva) e ilustração (Louisa Isabel Roldão).
O risco, a cor, o traço, a forma, o escuro, o claro, o desenho, a pintura, outras histórias fazem dessas histórias. Outros contos, outras perspectivas das mesmas paisagens vieram realçar a vida dessas histórias.
No dia em que a Louisa Isabel Roldão acrescenta mais um ano à sua jovem vida, dá-nos o prazer, pelas suas ilustrações nesta obra, de acrescentar mais vida aos nossos anos, às nossas memórias.
É uma viagem pelo mundo da criatividade, uma viagem misteriosa, que se vai recriando à medida que vamos penetrando “nas origens do infinito” (Momentos de sonho). Tudo é criado e recriado.
Parte-se das simplistas brincadeira de antigamente, onde cada criança fazia os seus próprios brinquedos: as bonecas de trapo, os joeiras, as papoilas transformadas em bailarinas…
Mas a criatividade não se esgotava na arte de confeccionar. Alarga-se também pela personificação, pela vida e dinâmica que se lhes transmite: Ser mamã de uma boneca, ou uma gatinha transformada em brinquedo, ou um canteiro ajardinado pelos anjos, ou pôr as plantas a dormir, ou ainda o sonho de querer casar com as rosas…
A mesma criatividade alarga-se não apenas através da evocação do passado mas também através das ilustrações, como contributos abertos à sua potencialidade máxima. E nós hoje continuamos a viajar e a alargar os horizontes dessa acção criadora através da leitura, da contemplação e da nossa fantasia…
É também uma viagem de recordações… São constantes as evidências deste exercício da memória: rever, recordar, reviver, reencontrar, encontrar-se com o passado, marcas da infância, confrontar o hoje com o ontem, saudade, nostalgia… são alguns exemplos.
E eu posso concluir:
Todos dizem que recordar é viver, é reviver, é trazer do passado, é desenterrar, é ressuscitar, é dar nova vida.
Eu também pensava assim que Recordar é viver!
Mas hoje descobri o contrário, e foram estes rasgos que me despertaram para uma verdade diferente:
Recordar não é viver, viver é que é recordar,
Viver é recordar, é nunca se esquecer, viver é marcar, viver é eternamente celebrar. Mais do que recordações da minha vida, quero manter a vida das minhas recordações, porque recordar não é viver, viver é que é recordar.
Finalmente este livro, mais do que uma viagem é uma peregrinação…é um percurso que nos transcende, é um trajecto que nos engrandece, é uma caminhada envolvida de mensagens, uma escalada ou ascese rumo à eternidade.
Destaco algumas mensagens, ipsis verbis:
“Todo o bem que fazemos fica por Deus registado nas páginas do historial da Humanidade.”
“As tradições respeitam-se e transportam-nos nas asas do tempo…”
“Todas as pessoas têm sonhos… adormecidos no seu peito…”
“A vida é cheia de encontros, ou melhor, de reencontros... Saibamos procurá-los.”
“A vida sem luta é como um campo que nada produz…”
Rasgos da minha infância é pois um livro de viagens…
É uma viagem rasgada, traçada, delineada… mas aberta como sulcos cavados pela criatividade e imaginação, com esforço e dedicação.
Obrigado à autora Gizela Dias da Silva por nos propor desta maneira a viagem mais difícil e a mais importante de se fazer: a viagem até ao mais íntimo do nosso coração.
Obrigado e bem haja!
(Foto de Alfredo Rodrigues, Jornal da Madeira)
quinta-feira, 31 de março de 2011
Cronologia
Ao terminar Março, o mês mais dehoniano, partilhamos a uma cronologia da vida de Leão Dehon
Mais do que somar 82 anos à sua vida, queremos contemplar a vida que ele somou aos seus 82 anos.
1843 – Ano 0
14 de Março = Nasceu Leão Dehon em La Capelle (Aisne) França.
1844 – Ano 1
O avô de Leão Dehon, Sr. Hipólito Dehon, durante décadas foi o Regedor de La Capelle, e como tal, foi ele quem fez o registo do nascimento do seu neto.
1845 – Ano 2
Também o pai de Leão Dehon, Sr. Júlio Alexandre Dehon, foi o Regedor de La Capelle durante vários anos.
1846 – Ano 3
19 de Setembro = É a data mais longínqua das recordações de Leão Dehon: três anos e meio. A sua mãe e as suas tias falavam muito da aparição da Virgem Maria a La Salette e das suas lágrimas.
1847 – Ano 4
Leão Dehon teve uma febre cerebral aos 4 anos de Idade. A mãe julgou perder o filho, mas foi curado.
1848 – Ano 5 Leão Dehon nunca deixava a companhia da sua mãe. Enquanto o irmão ia e vinha com seu pai, Leão Dehon ficava em casa e seguia a mãe… A bela alma da mãe passava assim para o seu filho.
1849 – Ano 6
Leão Dehon ia à igreja primeiramente para o banco com a sua mãe… Mais tarde começou a ir para a tribuna do pensionato e um colega ensinou-lhe a seguir as funções pelo seu missal.
1850 – Ano 7
Tinha cerca de 7 anos quando um bispo veio crismar e ao atravessar a igreja abençoava as crianças. Deu a beijar a Leão Dehon a sua cruz dizendo: É a cruz do meu santo predecessor…
1851 – Ano 8
Ao voltar do Pensionato sofreu um acidente numa noite de inverno com um tempo horrível, no meio de turbilhões de neve. Chocou com um cavalo, ficou derrubado no chão e a roda do carro atingiu-o na cabeça junto à orelha. Ficou-lhe uma certa surdez para toda a vida.
1852 – Ano 9
Leão Dehon recebeu influência constante da sua mãe. Tomou dela o gosto pela oração e pelas coisas religiosas. Brincava às capelas…
1853 – Ano 10
O último ano no Pensionato de La Capelle foi particularmente mau para Leão Dehon que se mostrou orgulhoso, altivo e intransigente…
1854 – Ano 11
04 de Junho = Recebeu a Primeira Comunhão na Igreja Paroquial de La Capelle.
1855 – Ano 12
01 de Outubro = Juntamente com o seu irmão Henrique iniciou os seus estudos no Colégio de Hazebrouck.
1856 – Ano 13
25 de Dezembro = Sentiu pela primeira vez o apelo vocacional para o Sacerdócio.
1857 – Ano 14
01 de Junho = Recebeu o Crisma na capela do Colégio de Poperingh, Bélgica, pelo Bispo de Bruges.
1858 – Ano 15
Verão = Durante as férias Leão Dehon foi com o pai ao castelo e parque de Chimmay, na Bélgica. Visitou a Trapa que o fascinou…
1859 – Ano 16
17 de Agosto = Obteve o Bacharelato em Letras.
1860 – Ano 17
12 de Julho = Obteve o Bacharelato em Ciências no Politécnico de Paris.
1861 – Ano 18
Abril a Junho = Primeira viagem à Grã-Bretanha.
1862 – Ano 19
18 de Agosto = Leão Dehon obteve a Licenciatura em Direito.
1863 – Ano 20
12 Agosto a 11 de Novembro = Viagem pela Europa – Reno, Baviera, Áustria, Prússia, Suécia…
1864 – Ano 21
23 de Agosto = Iniciou a Viagem pelo Palestina e Médio Oriente.
1865 – Ano 22
25 de Outubro = Entrou no Seminário de Santa Clara, fazendo os seus estudos de filosofia na Universidade Gregoriana.
1866 – Ano 23
25 de Julho = Fez a Licenciatura em Filosofia.
1867 – Ano 24
21 de Dezembro = Recebeu o Sub-diaconado.
1868 – Ano 25
19 de Dezembro = Foi ordenado sacerdote em São João Latrão, Roma.
1869 – Ano 26
08 de Dezembro = Iniciou-se o Concílio Vaticano, no qual o Pe. Leão Dehon desempenhou a função de estenógrafo.
1870 – Ano 27
19 de Julho = Obteve a Licenciatura em Direito Canónico.
1871 – Ano 28
03 de Novembro = Foi nomeado 7º vigário da Basílica de São Quintino, na Diocese de Soissons.
1872 – Ano 29
23 de Junho = Fundou uma espécie de oratório com o nome de Patronato ou Obra de São José, em São Quintino
1873 – Ano 30
1 de Novembro = Fundou o Círculo Católico de São Quintino.
1874 – Ano 31
Novembro = Fundou o primeiro jornal católico local, ‘O Conservador de Aisne’.
1875 – Ano 32
15 de Maio = Foi nomeado 2º vigário da Basílica de São Quintino.
1876 – Ano 33
24 de Outubro = Foi nomeado Cónego Honorário da Catedral de Soissons.
1877 – Ano 34
16 a 31 de Julho = Deu início ao seu noviciado e escreveu as primeiras Constituições.
1878 – Ano 35
28 de Junho = Fez os seus primeiros votos como Primeiro Oblato do Coração de Jesus. Foi o dia da fundação da Congregação.
1879 – Ano 36
27 de Agosto = O Pe. Dehon estando gravemente doente, a Irmã Maria de Jesus, das Servas do Coração de Jesus, ofereceu a sua vida por ele.
1880 – Ano 37
O irmão do Pe. Dehon, Henrique, foi também Regedor de La Capelle, dando continuidade, por eleição, do mesmo serviço prestado pelo avô e pelo pai durante vários anos.
1881 – Ano 38
29 de Dezembro = Ocorreu um incêndio no Colégio São João.
1882 – Ano 39
11 de Fevereiro = Em La Capelle morreu o Pai do Pe. Dehon.
1883 – Ano 40
19 de Março = Em La Capelle morreu a mãe do Pe. Dehon.
1884 – Ano 41
29 de Março = Recebeu o decreto do Santo Ofício a autorizar a reconstituição da Congregação agora com o nome de Sacerdotes do Coração de Jesus.
1885 – Ano 42
02 de Agosto = D. Thibaudier, bispo de Soissons, aprovou ‘ad experimentum’ as novas Constituições SCJ
1886 – Ano 43
15 a 16 de Setembro = Primeiro Capítulo Geral da Congregação SCJ.
1887 – Ano 44
02 de Outubro = O Pe. Dehon enviou à Santa Sé a relação sobre a Congregação para obter a sua aprovação.
1888 – Ano 45
25 de Fevereiro = Documento ‘Breve Louvor’ em que o Leão XIII deu a aprovação à Congregação SCJ.
1889 – Ano 46
25 de Janeiro = Fundou a revista ‘O Reino do Coração de Jesus nas almas e nas sociedades’.
1890 – Ano 47
06 de Agosto = O Pe. Dehon apresentou o novo Directório Espiritual SCJ.
1891 – Ano 48
15 de Maio = Foi publicada a encíclica de Leão XIII, ‘Rerum Novarum’ que deu impulso ao apostolado social do Pe. Dehon.
1892 – Ano 49
Agosto - Dezembro = o Pe. Dehon participou em vários congressos, assembleias e reuniões de obras sociais.
1893 – Ano 50
28 de Junho = Pe. Dehon é nomeado por D. Duval, presidente da comissão diocesana dos estudos sociais.
1894 – Ano 51
20 de Agosto = Publicou o ‘Manual Social Cristão’.
1895 – Ano 52
O Pe. Dehon publicou ‘A Usura no tempo presente’.
1896 – Ano 53
Dezembro = Publicação do ‘Retiro do Coração de Jesus’.
1897 – Ano 54
10 de Abril = Leão XIII nomeou o Pe. Dehon ‘Consultor do Índex’
1898 – Ano 55
25 de Novembro = Publicação do ‘Catecismo Social’
1899 – Ano 56
14 a 15 de Setembro = Quinto Capítulo Geral da Congregação SCJ.
1900 – Ano 57
26 de Março a 03 de Abril = O Pe. Dehon visitou Portugal ( Lisboa, Almada, Sintra, Alcobaça, Batalha, Leiria, Coimbra, Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos)
1901 – Ano 58
Maio = Publicou ‘A vida de amor para com o Coração de Jesus’.
1902 – Ano 59
09 de Novembro = Começou o Sexto Capítulo Geral SCJ em Lovaina
1903 – Ano 60
28 de Março = Os religiosos SCJ são expulsos de São Quintino na perseguição religiosa da França.
1904 – Ano 61
08 de Agosto = Erecção em Prefeitura da missão SCJ de Stanley-Falls e nomeação de D. Grison SCJ como Prefeito Apostólico.
1905 – Ano 62
O Pe. Dehon publicou ‘Coroas de Amor’
1906 – Ano 63
04 de Julho = Aprovação definitiva da Congregação SCJ
1907 – Ano 64
O Pe. Dehon publicou o ‘Coração Sacerdotal de Jesus’
1908 – Ano 65
O Pe. Dehon publicou ‘O plano da Franco-Maçonaria’
1909 – Ano 66
O Pe. Dehon publicou “Mil léguas na América do Sul” no qual fala da sua escala em Portugal e dos portugueses no Brasil.
1910 – Ano 67
Viagem à volta do mundo: Canadá, USA, Japão, Coreia, China, Filipinas, Java, Ceilão, Índia, Palestina…
1911 – Ano 68
02 de Março = Regresso do Pe. Dehon à França depois da Volta ao Mundo.
1912 – Ano 69
14 de Março = O Pe. Dehon publicou ‘Memórias’.
1913 – Ano 70
01 de Junho = Consagração da igreja São Martinho, cuja construção muito se deveu ao Pe. Dehon.
1914 – Ano 71
Início da I Guerra Mundial = O Pe. Dehon ficou retido em São Quintino e escreveu aí o seu Testamento Espiritual.
1915 – Ano 72
15 de Novembro = Morreu o empresário Leão Harmel, amigo e companheiro das obras sociais do Pe. Dehon.
1916 – Ano 73
01 de Julho = Bombardeamento aéreo de São Quintino.
1917 – Ano 74
Março = Evacuação de São Quintino. O Pe. Dehon foi deportado para a Bélgica. O Papa Bento XV chamou-o a Roma.
1918 – Ano 75
22 de Dezembro = O Pe. Dehon celebrou em Roma os 50 anos do seu Sacerdócio.
1919 – Ano 76
Julho = Publicação de ‘O Ano com o Coração de Jesus’ e ‘A vida interior’.
1920 – Ano 77
18 de Maio = Bênção e colocação da primeira pedra da Basílica do Coração de Jesus em Roma.
1921 – Ano 78
04 de Março = Foi entregue oficialmente e com todos os poderes as missões da Finlândia à Congregação SCJ.
1922 – Ano 79
18 de Julho = O Pe. Dehon eleito Superior Geral vitalício, com aprovação da Santa Sé.
1923 – Ano 80
05 de Dezembro = Aprovação definitiva das Constituições SCJ pela Santa Sé.
1924 – Ano 81
Maio = As novas Constituições SCJ foram impressas e promulgadas pelo Pe. Dehon.
1925 – Ano 82
12 de Agosto, às 12h10 = morreu piedosamente em Bruxelas.
Mais do que somar 82 anos à sua vida, queremos contemplar a vida que ele somou aos seus 82 anos.
1843 – Ano 0
14 de Março = Nasceu Leão Dehon em La Capelle (Aisne) França.
1844 – Ano 1
O avô de Leão Dehon, Sr. Hipólito Dehon, durante décadas foi o Regedor de La Capelle, e como tal, foi ele quem fez o registo do nascimento do seu neto.
1845 – Ano 2
Também o pai de Leão Dehon, Sr. Júlio Alexandre Dehon, foi o Regedor de La Capelle durante vários anos.
1846 – Ano 3
19 de Setembro = É a data mais longínqua das recordações de Leão Dehon: três anos e meio. A sua mãe e as suas tias falavam muito da aparição da Virgem Maria a La Salette e das suas lágrimas.
1847 – Ano 4
Leão Dehon teve uma febre cerebral aos 4 anos de Idade. A mãe julgou perder o filho, mas foi curado.
1848 – Ano 5 Leão Dehon nunca deixava a companhia da sua mãe. Enquanto o irmão ia e vinha com seu pai, Leão Dehon ficava em casa e seguia a mãe… A bela alma da mãe passava assim para o seu filho.
1849 – Ano 6
Leão Dehon ia à igreja primeiramente para o banco com a sua mãe… Mais tarde começou a ir para a tribuna do pensionato e um colega ensinou-lhe a seguir as funções pelo seu missal.
1850 – Ano 7
Tinha cerca de 7 anos quando um bispo veio crismar e ao atravessar a igreja abençoava as crianças. Deu a beijar a Leão Dehon a sua cruz dizendo: É a cruz do meu santo predecessor…
1851 – Ano 8
Ao voltar do Pensionato sofreu um acidente numa noite de inverno com um tempo horrível, no meio de turbilhões de neve. Chocou com um cavalo, ficou derrubado no chão e a roda do carro atingiu-o na cabeça junto à orelha. Ficou-lhe uma certa surdez para toda a vida.
1852 – Ano 9
Leão Dehon recebeu influência constante da sua mãe. Tomou dela o gosto pela oração e pelas coisas religiosas. Brincava às capelas…
1853 – Ano 10
O último ano no Pensionato de La Capelle foi particularmente mau para Leão Dehon que se mostrou orgulhoso, altivo e intransigente…
1854 – Ano 11
04 de Junho = Recebeu a Primeira Comunhão na Igreja Paroquial de La Capelle.
1855 – Ano 12
01 de Outubro = Juntamente com o seu irmão Henrique iniciou os seus estudos no Colégio de Hazebrouck.
1856 – Ano 13
25 de Dezembro = Sentiu pela primeira vez o apelo vocacional para o Sacerdócio.
1857 – Ano 14
01 de Junho = Recebeu o Crisma na capela do Colégio de Poperingh, Bélgica, pelo Bispo de Bruges.
1858 – Ano 15
Verão = Durante as férias Leão Dehon foi com o pai ao castelo e parque de Chimmay, na Bélgica. Visitou a Trapa que o fascinou…
1859 – Ano 16
17 de Agosto = Obteve o Bacharelato em Letras.
1860 – Ano 17
12 de Julho = Obteve o Bacharelato em Ciências no Politécnico de Paris.
1861 – Ano 18
Abril a Junho = Primeira viagem à Grã-Bretanha.
1862 – Ano 19
18 de Agosto = Leão Dehon obteve a Licenciatura em Direito.
1863 – Ano 20
12 Agosto a 11 de Novembro = Viagem pela Europa – Reno, Baviera, Áustria, Prússia, Suécia…
1864 – Ano 21
23 de Agosto = Iniciou a Viagem pelo Palestina e Médio Oriente.
1865 – Ano 22
25 de Outubro = Entrou no Seminário de Santa Clara, fazendo os seus estudos de filosofia na Universidade Gregoriana.
1866 – Ano 23
25 de Julho = Fez a Licenciatura em Filosofia.
1867 – Ano 24
21 de Dezembro = Recebeu o Sub-diaconado.
1868 – Ano 25
19 de Dezembro = Foi ordenado sacerdote em São João Latrão, Roma.
1869 – Ano 26
08 de Dezembro = Iniciou-se o Concílio Vaticano, no qual o Pe. Leão Dehon desempenhou a função de estenógrafo.
1870 – Ano 27
19 de Julho = Obteve a Licenciatura em Direito Canónico.
1871 – Ano 28
03 de Novembro = Foi nomeado 7º vigário da Basílica de São Quintino, na Diocese de Soissons.
1872 – Ano 29
23 de Junho = Fundou uma espécie de oratório com o nome de Patronato ou Obra de São José, em São Quintino
1873 – Ano 30
1 de Novembro = Fundou o Círculo Católico de São Quintino.
1874 – Ano 31
Novembro = Fundou o primeiro jornal católico local, ‘O Conservador de Aisne’.
1875 – Ano 32
15 de Maio = Foi nomeado 2º vigário da Basílica de São Quintino.
1876 – Ano 33
24 de Outubro = Foi nomeado Cónego Honorário da Catedral de Soissons.
1877 – Ano 34
16 a 31 de Julho = Deu início ao seu noviciado e escreveu as primeiras Constituições.
1878 – Ano 35
28 de Junho = Fez os seus primeiros votos como Primeiro Oblato do Coração de Jesus. Foi o dia da fundação da Congregação.
1879 – Ano 36
27 de Agosto = O Pe. Dehon estando gravemente doente, a Irmã Maria de Jesus, das Servas do Coração de Jesus, ofereceu a sua vida por ele.
1880 – Ano 37
O irmão do Pe. Dehon, Henrique, foi também Regedor de La Capelle, dando continuidade, por eleição, do mesmo serviço prestado pelo avô e pelo pai durante vários anos.
1881 – Ano 38
29 de Dezembro = Ocorreu um incêndio no Colégio São João.
1882 – Ano 39
11 de Fevereiro = Em La Capelle morreu o Pai do Pe. Dehon.
1883 – Ano 40
19 de Março = Em La Capelle morreu a mãe do Pe. Dehon.
1884 – Ano 41
29 de Março = Recebeu o decreto do Santo Ofício a autorizar a reconstituição da Congregação agora com o nome de Sacerdotes do Coração de Jesus.
1885 – Ano 42
02 de Agosto = D. Thibaudier, bispo de Soissons, aprovou ‘ad experimentum’ as novas Constituições SCJ
1886 – Ano 43
15 a 16 de Setembro = Primeiro Capítulo Geral da Congregação SCJ.
1887 – Ano 44
02 de Outubro = O Pe. Dehon enviou à Santa Sé a relação sobre a Congregação para obter a sua aprovação.
1888 – Ano 45
25 de Fevereiro = Documento ‘Breve Louvor’ em que o Leão XIII deu a aprovação à Congregação SCJ.
1889 – Ano 46
25 de Janeiro = Fundou a revista ‘O Reino do Coração de Jesus nas almas e nas sociedades’.
1890 – Ano 47
06 de Agosto = O Pe. Dehon apresentou o novo Directório Espiritual SCJ.
1891 – Ano 48
15 de Maio = Foi publicada a encíclica de Leão XIII, ‘Rerum Novarum’ que deu impulso ao apostolado social do Pe. Dehon.
1892 – Ano 49
Agosto - Dezembro = o Pe. Dehon participou em vários congressos, assembleias e reuniões de obras sociais.
1893 – Ano 50
28 de Junho = Pe. Dehon é nomeado por D. Duval, presidente da comissão diocesana dos estudos sociais.
1894 – Ano 51
20 de Agosto = Publicou o ‘Manual Social Cristão’.
1895 – Ano 52
O Pe. Dehon publicou ‘A Usura no tempo presente’.
1896 – Ano 53
Dezembro = Publicação do ‘Retiro do Coração de Jesus’.
1897 – Ano 54
10 de Abril = Leão XIII nomeou o Pe. Dehon ‘Consultor do Índex’
1898 – Ano 55
25 de Novembro = Publicação do ‘Catecismo Social’
1899 – Ano 56
14 a 15 de Setembro = Quinto Capítulo Geral da Congregação SCJ.
1900 – Ano 57
26 de Março a 03 de Abril = O Pe. Dehon visitou Portugal ( Lisboa, Almada, Sintra, Alcobaça, Batalha, Leiria, Coimbra, Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos)
1901 – Ano 58
Maio = Publicou ‘A vida de amor para com o Coração de Jesus’.
1902 – Ano 59
09 de Novembro = Começou o Sexto Capítulo Geral SCJ em Lovaina
1903 – Ano 60
28 de Março = Os religiosos SCJ são expulsos de São Quintino na perseguição religiosa da França.
1904 – Ano 61
08 de Agosto = Erecção em Prefeitura da missão SCJ de Stanley-Falls e nomeação de D. Grison SCJ como Prefeito Apostólico.
1905 – Ano 62
O Pe. Dehon publicou ‘Coroas de Amor’
1906 – Ano 63
04 de Julho = Aprovação definitiva da Congregação SCJ
1907 – Ano 64
O Pe. Dehon publicou o ‘Coração Sacerdotal de Jesus’
1908 – Ano 65
O Pe. Dehon publicou ‘O plano da Franco-Maçonaria’
1909 – Ano 66
O Pe. Dehon publicou “Mil léguas na América do Sul” no qual fala da sua escala em Portugal e dos portugueses no Brasil.
1910 – Ano 67
Viagem à volta do mundo: Canadá, USA, Japão, Coreia, China, Filipinas, Java, Ceilão, Índia, Palestina…
1911 – Ano 68
02 de Março = Regresso do Pe. Dehon à França depois da Volta ao Mundo.
1912 – Ano 69
14 de Março = O Pe. Dehon publicou ‘Memórias’.
1913 – Ano 70
01 de Junho = Consagração da igreja São Martinho, cuja construção muito se deveu ao Pe. Dehon.
1914 – Ano 71
Início da I Guerra Mundial = O Pe. Dehon ficou retido em São Quintino e escreveu aí o seu Testamento Espiritual.
1915 – Ano 72
15 de Novembro = Morreu o empresário Leão Harmel, amigo e companheiro das obras sociais do Pe. Dehon.
1916 – Ano 73
01 de Julho = Bombardeamento aéreo de São Quintino.
1917 – Ano 74
Março = Evacuação de São Quintino. O Pe. Dehon foi deportado para a Bélgica. O Papa Bento XV chamou-o a Roma.
1918 – Ano 75
22 de Dezembro = O Pe. Dehon celebrou em Roma os 50 anos do seu Sacerdócio.
1919 – Ano 76
Julho = Publicação de ‘O Ano com o Coração de Jesus’ e ‘A vida interior’.
1920 – Ano 77
18 de Maio = Bênção e colocação da primeira pedra da Basílica do Coração de Jesus em Roma.
1921 – Ano 78
04 de Março = Foi entregue oficialmente e com todos os poderes as missões da Finlândia à Congregação SCJ.
1922 – Ano 79
18 de Julho = O Pe. Dehon eleito Superior Geral vitalício, com aprovação da Santa Sé.
1923 – Ano 80
05 de Dezembro = Aprovação definitiva das Constituições SCJ pela Santa Sé.
1924 – Ano 81
Maio = As novas Constituições SCJ foram impressas e promulgadas pelo Pe. Dehon.
1925 – Ano 82
12 de Agosto, às 12h10 = morreu piedosamente em Bruxelas.
terça-feira, 29 de março de 2011
Amigo, servo e santo
3ª Feira - III Semana da Quaresma
Na 1ª Leitura são recordados a Deus os 3 patriarcas: Abraão seu amigo, Isaac seu servo e Israel seu santo.
Para além de ser uma referência a 3 personalidades, nós podemos uni-las numa única entidade, como se fossem uma pessoa colectiva. Assim, essa pessoa apresentava 3 qualidades distintas. Mas podemos aplicar melhor - a ordem com que nos são apresentados é muito significativa. Primeiro amigo, depois servo e por fim santo. Se fores bom amigo, com certeza serás um bom servo e chegarás a santo.
Peço a Deus que me conceda estas virtudes por esta ordem bíblica: se amigo para ser bom servo e chegar a ser santo!
Na 1ª Leitura são recordados a Deus os 3 patriarcas: Abraão seu amigo, Isaac seu servo e Israel seu santo.
Para além de ser uma referência a 3 personalidades, nós podemos uni-las numa única entidade, como se fossem uma pessoa colectiva. Assim, essa pessoa apresentava 3 qualidades distintas. Mas podemos aplicar melhor - a ordem com que nos são apresentados é muito significativa. Primeiro amigo, depois servo e por fim santo. Se fores bom amigo, com certeza serás um bom servo e chegarás a santo.
Peço a Deus que me conceda estas virtudes por esta ordem bíblica: se amigo para ser bom servo e chegar a ser santo!
sábado, 26 de março de 2011
Água Viva
Ano A - III Domingo da Quaresma
No diálogo com a Samaritana, junto ao poço de Jacob, Jesus apresenta-se como fonte de água que jorra para a eternidade. É como a água que vem do alto, lembrando-nos que é divino. Reparte-se em mil gotas, sem perder a sua identidade e para se fazer chegar a todos. Transforma-se em seiva viva de cada um, é fonte de energia e sinal de purificação.
A iconografia cristã representa essa fonte divina no coração trespassado de Jesus, derramando o seu amor para saciar a nossa sede de salvação.
Todos nós bebemos desta fonte viva. Não podemos estagnar.
- Senhor Padre, qual é a diferença entre a água benta e a água normal?
- A água benta é água normal que recebeu uma benção. É símbolo de Cristo que se apresentou como fonte de água viva.
- E o que é água viva?
- Então tu não sabes? – atalhou um seu colega – Quando a água está a mexer-se nós dizemos que ela está viva. Não é assim, Senhor Padre?
- É pois! - Respondi pensativo. É Cristo que se mexe e que põe-nos a mexer também, e nos faz renascer e reviver. Jesus é a água que corre para a eternidade.
- A água benta é água normal que recebeu uma benção. É símbolo de Cristo que se apresentou como fonte de água viva.
- E o que é água viva?
- Então tu não sabes? – atalhou um seu colega – Quando a água está a mexer-se nós dizemos que ela está viva. Não é assim, Senhor Padre?
- É pois! - Respondi pensativo. É Cristo que se mexe e que põe-nos a mexer também, e nos faz renascer e reviver. Jesus é a água que corre para a eternidade.
Entre os gregos, as fontes eram divindades veneradas como doadoras da fertilidade, protectoras do casamento. A Bíblia vê nelas a figura da vida eterna que jamais seca, mas também expressão do renascimento baptismal. Tanto pode ser criativa como destrutiva, conforme o simbolismo pascal do morrer e ressuscitar.
No diálogo com a Samaritana, junto ao poço de Jacob, Jesus apresenta-se como fonte de água que jorra para a eternidade. É como a água que vem do alto, lembrando-nos que é divino. Reparte-se em mil gotas, sem perder a sua identidade e para se fazer chegar a todos. Transforma-se em seiva viva de cada um, é fonte de energia e sinal de purificação.
A iconografia cristã representa essa fonte divina no coração trespassado de Jesus, derramando o seu amor para saciar a nossa sede de salvação.
Todos nós bebemos desta fonte viva. Não podemos estagnar.
quinta-feira, 24 de março de 2011
O fardo da pobreza e o da riqueza
5ª Feira - II Domingo da Quaresma
Hoje ao contempar a pobreza de Lázaro e a riqueza do rico Epulão podemos aplicar uma reflexão de Santo Agostinho:
A pobreza é o fardo de alguns,
e a riqueza é o fardo de outros, e talvez o maior.
Fardos que podem pesar-lhes para a sua perdição.
Ajuda o teu próximo a levar o seu fardo de pobreza
e deixa que ele te ajude a levar o teu fardo de riqueza.
Aliviarás a tua carga
aliviando a dele.
Todos somos ricos nalguma coisa e pobres noutras,
ricos em capacidades, ou pobres em iniciativas...
às vezes somos Lázaros, outras vezes Epulões!
Ajudemo-nos então mutuamente a levar esses fardos....
Hoje ao contempar a pobreza de Lázaro e a riqueza do rico Epulão podemos aplicar uma reflexão de Santo Agostinho:
A pobreza é o fardo de alguns,
e a riqueza é o fardo de outros, e talvez o maior.
Fardos que podem pesar-lhes para a sua perdição.
Ajuda o teu próximo a levar o seu fardo de pobreza
e deixa que ele te ajude a levar o teu fardo de riqueza.
Aliviarás a tua carga
aliviando a dele.
Todos somos ricos nalguma coisa e pobres noutras,
ricos em capacidades, ou pobres em iniciativas...
às vezes somos Lázaros, outras vezes Epulões!
Ajudemo-nos então mutuamente a levar esses fardos....
quarta-feira, 23 de março de 2011
Vamos subir a Jerusalém
4ª Feira - II Semana da Quaresma
Um corpo, pelo seu peso, tende para o seu lugar próprio; o peso não significa necessariamente ir para baixo, mas para o lugar próprio de cada coisa. O fogo tende para cima, a pedra para baixo, cada coisa para o seu lugar próprio; o óleo sobe para cima da água, a água desce para baixo do óleo. Se uma coisa não está no seu lugar, não está em repouso; mas, quando encontra o seu lugar, fica em repouso.
O meu peso é o meu amor: é ele que me leva para onde me leva.
O Teu dom, ó Deus, inflama-nos e leva-nos para cima; ele abrasa-nos e nós partimos. O Teu fogo, o Teu fogo bom, faz-nos arder e nós vamos, subimos para a paz da Jerusalém celeste – porque encontrei a minha alegria quando me disseram: «Vamos para a casa do Senhor!» (Sl 121, 1). É para aí que a boa vontade nos conduz por ser o nosso lugar, aí onde não desejaremos mais nada do que assim permanecer para toda a eternidade: Deus connosco e nós com Deus!
Santo Agostinho (354-430), Bispo (África do Norte) e Doutor da Igreja Confissões, XIII, 9
domingo, 20 de março de 2011
Retirar-se para transfigurar-se
Ano A - II Domingo Quaresma
Mt 17, 1-9
“Jesus tomou conSigo Pedro, Tiago e João
e levou-os, em particular,
a um alto monte
e transfigurou-Se diante deles”.
Após três anos de seguimento de Cristo, os apóstolos encontravam-se ainda impermeáveis à sua mensagem. Quanto mais sermões escutavam menos se impressionavam. Viam tantas boas obras, mas não se sentiam contagiados.
Então Jesus julgou impossível continuar assim. Tomou alguns discípulos à parte, levou-os para longe das multidões, no meio das quais se julgavam importantes. Conduziu-os para um lugar retirado, para um sítio calmo e solitário. Lá se acalmaram, se recolheram e começaram a ver claro. Despojaram-se das suas ambições e a sós com Jesus, sentiram a radiação da sua influência. Tornaram-se atentos, começaram a escutá-l’O como nunca tinham feito e a sentir a sua presença como nunca tinham notado.
Os discípulos sentiram-se então tão bem que desejaram aí ficar para sempre. Era bom ficar por ali e instalar a sua tenda. Não tinham sido grandes entusiastas da subida, mas notaram que a estadia fora muito curta. Queriam prolongá-la. Tinham gostado do retiro.
O tempo da Quaresma é a oportunidade para cada cristão sair da rotina, converter-se, renovar-se, isto é, mudar de vida. Para isso é preciso passar pelo deserto, retirar-se para se encontrar consigo mesmo e estar em condições de se aproximar dos outros e do Outro, de Deus. Onde quer que esteja, pode fazer o seu retiro ou caminhada quaresmal para chegar à glória da Ressurreição e deixar-se envolver por essa vida nova.
E como é que hoje se pode fazer retiro?
Vive-se um retiro da mesma forma que se escreve.
Retiro escreve-se assim:
R de Recolhimento
E de Escuta
T de Transformação
I de Igreja
R de Reflexão
O de Oração.
sábado, 19 de março de 2011
Ser Transfigurado
Ano A - II Domingo Quaresma
Um dia, uma velhinha deu por falta do seu colar de ouro. Procurou-o por todo o lado mas não o encontrou. Suspeitou então da sua vizinha, mulher nova, bonita e atrevida. Devia ficar-lhe bem esse colar. Começou a espreitá-la por detrás das cortinas da janela. O modo de andar, o aspecto e o seu olhar pareciam mesmo de alguém que tinha culpas no cartório.
Alguns dias mais tarde, por casualidade, a velhinha encontrou o seu colar no fundo de uma gaveta. Então tornou a vigiar a sua vizinha: o modo de andar, o aspecto e o seu olhar pareciam mesmo de alguém inocente.
Ver com perfeição não depende tanto do que é visto mas do modo como nós vemos. E muitas vezes só vemos o que queremos ver.
Ao contemplarmos a Transfiguração de Jesus, parece, à primeira vista, que foi Ele que mudou. Mas isto depende de nós. Apenas nós temos de mudar. Somos o único obstáculo à manifestação de Deus. Uma luz emanava, sem cessar, de Cristo, mas os olhos distraídos e obscurecidos não viam. Por isso retirou-se, com alguns apóstolos, para um lugar calmo. Aí, a sós com Ele, tornaram-se atentos, começaram a escutá-lo como ainda o não haviam feito, a ver como Ele se encontrava sempre entre eles e como eles nunca o haviam reparado. Somos tão responsáveis pelas transfigurações como pelas desfigurações. Não é Deus que as recusa, somos nós que não nos prestamos a isso. Não teremos nunca revelações de Deus e dos irmãos além das que tivermos provocado e merecido.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Dia do PAI
ABENÇOADO PAI
Abençoado o Pai
que chama a criança à vida e sabe dar educação aos seus filhos!
Abençoado o Pai
que sabe jogar com os filhos e ‘perder’ tempo com eles!
Abençoado o Pai
para quem os filhos contam mais que os ‘hobies’ e as partidas de futebol!
Abençoado o Pai
que sabe escutar e dialogar, mesmo quando está cansado!
Abençoado o Pai
que dá segurança com a sua presença e o seu amor!
Abençoado o Pai
que sabe rezar com os filhos e confrontar a vida com o Evangelho!
Abençoado o Pai
convicto de que um sorriso vale mais do que uma repreensão;
uma brincadeira mais que uma crítica;
um abraço mais que qualquer recomendação!
Abençoado o Pai
que cresce conjuntamente com os filhos
e os ajuda a tornarem-se eles mesmo!
Abençoado o Pai
que sabe entender e perdoar os erros dos filhos
e reconhecer os próprios!
Abençoado o Pai
que caminha com os filhos em direcção a horizontes sem confins,
abertos ao homem, ao mundo e à eternidade!
Pai abençoado
és o maior tesouro, quero-te tanto!
Neste dia abro-me ao dom da tua pessoa,
à riqueza da tua paternidade, à tua saúde
e que Deu nos conserve unidos
e amigos para sempre.
(Adaptado de autor desconhecido)
terça-feira, 15 de março de 2011
os 7 Pês
3ª Feira - I Semana da Quaresma
O Pai-Nosso
Muitos segredos de salvação estão contidos nesta prece e começam com a letra “P”. Não que isso seja muito importante ou que esconda grandes segredos. Mas pode ser uma forma “prática” de gravar algumas lições que o Mestre de Nazaré nos pregou.
A primeira parte fala do “Pai”, que é nosso, e a segunda parte fala do “pão” partilhado, que também é nosso.
Uma parte aponta para o “paraíso” e a outra para a “planície”, ou seja, para a nossa terra, ou se se preferir, com “p”, nosso “planeta”.
Contei sete “pês” na oração do pai-nosso. Certamente uma procura mais atenta poderemos encontrar muito mais.
1. PAI
“Pai nosso…”
2. PARAÍSO
“…que estais nos céus”
3. PRECE
“…santificado seja o vosso nome”
4. PREPARAR-SE
“venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”
5. PÃO
“o pão nosso de cada dia nos dai hoje”
6. PERDÃO
“…perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…”
7. PAZ
“e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”
segunda-feira, 14 de março de 2011
Omissão
2ª Feira - I Semana Quaresma
«O que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos,
a Mim o fizestes»
Sabei, Cristãos, que se vos há-de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais estreita do que deixastes de fazer.
Pelo que fizeram, se hão-de condenar muitos; pelo que não fizeram, todos.
Cinco cargos, e todos omissões: «porque não destes de comer, porque não destes de beber, porque não recolhestes, porque não visitastes, porque não vestistes».
Em suma, que os pecados que ultimamente hão-de levar os condenados ao Inferno, são os pecados de omissão.
Por uma omissão perde-se uma inspiração, por uma inspiração perde-se um auxílio, por um auxílio perde-se uma contrição, por uma contrição perde-se uma alma; dai conta a Deus de uma alma, por uma omissão.
A omissão é o pecado que com mais facilidade se comete e com mais dificuldade se conhece; e o que facilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. A omissão é um pecado que se faz não fazendo.
Mas porque se perdem tantos?
Os menos maus perdem-se pelo que fazem, que estes são os menos maus; os piores perdem-se pelo que deixam de fazer, que estes são os piores: por omissões, por negligências, por descuidos, por desatenções, por divertimentos, por vagares, por dilações, por eternidades.
Eis aqui um pecado de que não fazem escrúpulo os ministros, e um pecado por que se perdem muitos. Mas percam-se eles embora, já que assim o querem; o mal é que se perdem a si e perdem a todos, mas de todos hão-de dar conta a Deus.
(Pe. ANTÓNIO VIEIRA, Pregando na Capela Real, no ano de 1650)
domingo, 13 de março de 2011
Ser Tentado
Ano A - I Domingo da Quaresma
No primeiro Domingo da Quaresma temos oportunidade de seguir a Jesus Cristo, no deserto, e a vencer as tentações, que ainda hoje nos pressionam. A expressão dominante de resistência, escrita em latim, tem outro sabor: Vade retro Satana.
Isto faz lembrar dois episódios que ilustram as nossas disposições.
Quando eu era pequeno, nas brincadeiras de infância, não se podia andar em arrecuas, porque era ensinar o caminho ao Diabo. Nós pensávamos que fazendo isso éramos apanhados por ele. O diabo é aquele que nos leva para trás, quem nos impede de avançar. Assim se deve compreender a palavra tentação. Só Cristo nos faz progredir.
O segundo episódio diz respeito à palavra Satanás. Num baptismo, o sacerdote perguntava:
- Renunciais a Satanás?
Os presentes, não habituados a essas cerimónias, olharam-se indecisos, sem saber que responder.
- A quem? A Santa Anás?
Depois de insistir, o reverendo traduz a expressão em linguagem mais familiar:
- Mandais o Diabo àquela banda?
- Sim, sim. Se é isso, está bem.
Parece que as maiores dificuldades no nosso caminhar surgem com uma capa de bondade, felicidade ou santidade. Parece que o tentador é uma pessoa de bem. É preciso mandar para bem longe tudo o que dificulta o nosso andamento. O seu lugar é lá atrás, para nunca mais nos atrapalhar. Quem olha para a frente e está sempre em progressão, não tem nada a temer. Quando alguém nos tenta agarrar é precisamente nessa altura que avançamos mais depressa.
sábado, 12 de março de 2011
Tempo de Rejuvenescimento
Quaresma,
tempo de Rejuvenescimento
“Os que fizeram penitência ou conversão tornar-se-ão jovens em todo o seu ser e estarão firmes sobre a rocha, desde que se convertam de todo o coração.” (Pastor de Hermas, III, 16,4)
Assim a Quaresma é um processo de rejuvenescimento.
Se detectamos em nós ou na nossa comunidade sintomas de velhice, é porque precisamos de conversão… É preciso fazer Quaresma.
Habitualmente pensamos o contrário: os exercícios quaresmais são coisas antiquadas. Quem se preocupa hoje com os temas de Jejum, abstinência, cinzas, via-sacra? São coisas caducas do passado.
A Quaresma é uma coisa de velhos!
É verdade, sim senhor. Quem não passa pelos exercícios quaresmais permanece velho… Só a penitência e a conversão nos transformam em criaturas novas. Então Quaresma é rejuvenescimento.
“Somos jovens, somos um povo novo, muito diferente do povo antigo: aprendemos o bem totalmente novo.
Para nós a fecundidade da juventude, o ardor de conhecer sempre.
Somos sempre jovens, sempre novos.
É preciso que sejamos novos, que tenhamos parte na verdade do Verbo.
Os que participam do eterno devem parecer-se com algo de incorruptível.
Como os adolescentes, toda a nossa vida é primavera, porque temos em nós a verdade que não envelhece, e porque essa Verdade anima a nossa vida.” (Clemente de Alexandria, Século III)
Inspirado in Um Manancial Inesgotável, Madrid 1998
“Os que fizeram penitência ou conversão tornar-se-ão jovens em todo o seu ser e estarão firmes sobre a rocha, desde que se convertam de todo o coração.” (Pastor de Hermas, III, 16,4)
Assim a Quaresma é um processo de rejuvenescimento.
Se detectamos em nós ou na nossa comunidade sintomas de velhice, é porque precisamos de conversão… É preciso fazer Quaresma.
Habitualmente pensamos o contrário: os exercícios quaresmais são coisas antiquadas. Quem se preocupa hoje com os temas de Jejum, abstinência, cinzas, via-sacra? São coisas caducas do passado.
A Quaresma é uma coisa de velhos!
É verdade, sim senhor. Quem não passa pelos exercícios quaresmais permanece velho… Só a penitência e a conversão nos transformam em criaturas novas. Então Quaresma é rejuvenescimento.
“Somos jovens, somos um povo novo, muito diferente do povo antigo: aprendemos o bem totalmente novo.
Para nós a fecundidade da juventude, o ardor de conhecer sempre.
Somos sempre jovens, sempre novos.
É preciso que sejamos novos, que tenhamos parte na verdade do Verbo.
Os que participam do eterno devem parecer-se com algo de incorruptível.
Como os adolescentes, toda a nossa vida é primavera, porque temos em nós a verdade que não envelhece, e porque essa Verdade anima a nossa vida.” (Clemente de Alexandria, Século III)
Inspirado in Um Manancial Inesgotável, Madrid 1998
sexta-feira, 11 de março de 2011
Tempo de optimismo
Quaresma, tempo de optimismo
A Quaresma é um tempo positivo, luminoso e gerador de esperança.
Não se deve negar as exigências, o esforço, a austeridade, mas destacar os efeitos mais libertadores da caminhada quaresmal.
Não escondemos que a Quaresma nos pede um esforço acrescentado, mas o esforço é próprio de quem quer renascer.
Em vez de dizer mortificações, digamos vivificações.
Em vez de dizer negações, digamos libertação.
Em vez de dizer abstinência, digamos austeridade.
Em vez de dizer penitência, digamos coração novo.
Em vez de dizer pranto, digamos misericórdia.
Em vez de dizer rezas, digamos encontro consigo mesmo e com Deus.
Em vez de dizer exercícios, digamos actualização do mistério de Cristo.
Em vez de dizer tristeza, digamos felicidade crescente.
A Quaresma não é um tempo antipático, mas de esforço de superação.
A Quaresma não é um tempo de pena, mas de graça.
A Quaresma não é uma coisa de velhos, mas de quem deseja ser jovem.
A Quaresma não é negativa, mas criativa.
A Quaresma não mortifica, mas prepara à vida pelo caminho do amor.
A Quaresma não fere, mas poda a folhagem.
A Quaresma não proíbe, mas afirma a lei do amor.
A Quaresma corta amarras, para sermos mais livres.
A Quaresma é austera, para sermos solidários.
A Quaresma reza, porque temos fome de Deus.
A Quaresma golpeia o coração, para que este possa engrandecer.
Inspirado in Um Manancial Inesgotável, Madrid 1998
A Quaresma é um tempo positivo, luminoso e gerador de esperança.
Não se deve negar as exigências, o esforço, a austeridade, mas destacar os efeitos mais libertadores da caminhada quaresmal.
Não escondemos que a Quaresma nos pede um esforço acrescentado, mas o esforço é próprio de quem quer renascer.
Em vez de dizer mortificações, digamos vivificações.
Em vez de dizer negações, digamos libertação.
Em vez de dizer abstinência, digamos austeridade.
Em vez de dizer penitência, digamos coração novo.
Em vez de dizer pranto, digamos misericórdia.
Em vez de dizer rezas, digamos encontro consigo mesmo e com Deus.
Em vez de dizer exercícios, digamos actualização do mistério de Cristo.
Em vez de dizer tristeza, digamos felicidade crescente.
A Quaresma não é um tempo antipático, mas de esforço de superação.
A Quaresma não é um tempo de pena, mas de graça.
A Quaresma não é uma coisa de velhos, mas de quem deseja ser jovem.
A Quaresma não é negativa, mas criativa.
A Quaresma não mortifica, mas prepara à vida pelo caminho do amor.
A Quaresma não fere, mas poda a folhagem.
A Quaresma não proíbe, mas afirma a lei do amor.
A Quaresma corta amarras, para sermos mais livres.
A Quaresma é austera, para sermos solidários.
A Quaresma reza, porque temos fome de Deus.
A Quaresma golpeia o coração, para que este possa engrandecer.
Inspirado in Um Manancial Inesgotável, Madrid 1998
quinta-feira, 10 de março de 2011
A alma do mundo
5ª Feira depois das Cinzas
No Evangelho ouvimos Jesus dizer:
De que vale ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma!
Alma de quem? A sua ou a dele?
De que vale ganhar o mundo e não ganhar a alma do mundo?
Ganhar só o mundo é como alcançar um corpo sem alma.
Nós somos a alma do mundo,
somos nós quem dá dignidade ao mundo, quem lhe dá vida, quem lhe dá razão de ser...
Ganhemos o mundo e não nos esqueçamos de nos ganhar a nós mesmo, pois nós somos a alma do mundo.
Vale a pena ganhar o mundo com a integridade da sua alma que somos nós.
No Evangelho ouvimos Jesus dizer:
De que vale ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma!
Alma de quem? A sua ou a dele?
De que vale ganhar o mundo e não ganhar a alma do mundo?
Ganhar só o mundo é como alcançar um corpo sem alma.
Nós somos a alma do mundo,
somos nós quem dá dignidade ao mundo, quem lhe dá vida, quem lhe dá razão de ser...
Ganhemos o mundo e não nos esqueçamos de nos ganhar a nós mesmo, pois nós somos a alma do mundo.
Vale a pena ganhar o mundo com a integridade da sua alma que somos nós.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Início da Quaresma
Os exercícios da Quaresma:
a esmola, a oração, o jejum
Meus irmãos, começamos hoje a grande viagem da Quaresma.
Levemos, pois, no navio todas as nossas provisões de alimento e bebida, colocando sobre elas a misericórdia abundante de que teremos necessidade.
Porque o nosso jejum tem fome, o nosso jejum tem sede se não se alimentar de bondade, se não se dessedentar com misericórdia.
O nosso jejum tem frio, o nosso jejum desfalece se o velo da esmola não o cobrir, se a capa da compaixão não o envolver.
Irmãos, a misericórdia está para o jejum como a Primavera está para os solos: o suave vento primaveril faz florescer todos os rebentos nas planícies; a misericórdia do jejum faz brotar todas as nossas sementes até à floração, fá-las encherem-se de frutos até à colheita celeste.
A bondade está para o jejum como o óleo está para o candeeiro. Tal como a matéria gorda do óleo alimenta a luz do candeeiro e, com tão pouco alimento o faz brilhar para o conforto de toda a noite, assim a bondade faz o jejum resplandecer: lança raios até atingir o brilho pleno da continência.
A esmola está para o jejum como o sol está para o dia: o esplendor do sol aumenta o brilho do dia, dissipa a obscuridade das nuvens; a esmola que acompanha o jejum santifica a santidade do mesmo e, graças à luz da bondade, remove dos nossos desejos tudo o que poderia ser mortífero. Em suma, a generosidade está para o jejum como o corpo está para a alma: quando a alma se retira do corpo, traz-lhe a morte; se a generosidade se afastar do jejum, é a morte deste.
Comentário ao Evangelho do dia feito por São Pedro Crisólogo (c. 406-450), Bispo de Ravena, Doutor da Igreja Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208 (a partir da trad. Matthieu commenté, DDB 1985, p. 59 rev.)
a esmola, a oração, o jejum
Meus irmãos, começamos hoje a grande viagem da Quaresma.
Levemos, pois, no navio todas as nossas provisões de alimento e bebida, colocando sobre elas a misericórdia abundante de que teremos necessidade.
Porque o nosso jejum tem fome, o nosso jejum tem sede se não se alimentar de bondade, se não se dessedentar com misericórdia.
O nosso jejum tem frio, o nosso jejum desfalece se o velo da esmola não o cobrir, se a capa da compaixão não o envolver.
Irmãos, a misericórdia está para o jejum como a Primavera está para os solos: o suave vento primaveril faz florescer todos os rebentos nas planícies; a misericórdia do jejum faz brotar todas as nossas sementes até à floração, fá-las encherem-se de frutos até à colheita celeste.
A bondade está para o jejum como o óleo está para o candeeiro. Tal como a matéria gorda do óleo alimenta a luz do candeeiro e, com tão pouco alimento o faz brilhar para o conforto de toda a noite, assim a bondade faz o jejum resplandecer: lança raios até atingir o brilho pleno da continência.
A esmola está para o jejum como o sol está para o dia: o esplendor do sol aumenta o brilho do dia, dissipa a obscuridade das nuvens; a esmola que acompanha o jejum santifica a santidade do mesmo e, graças à luz da bondade, remove dos nossos desejos tudo o que poderia ser mortífero. Em suma, a generosidade está para o jejum como o corpo está para a alma: quando a alma se retira do corpo, traz-lhe a morte; se a generosidade se afastar do jejum, é a morte deste.
Comentário ao Evangelho do dia feito por São Pedro Crisólogo (c. 406-450), Bispo de Ravena, Doutor da Igreja Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208 (a partir da trad. Matthieu commenté, DDB 1985, p. 59 rev.)
Lembra-te ó pó que és homem
Dias de Cinzas
Início da Quaresma
Lembra-te ó pó que és homem e em homem te hás-de tornar!
Na Quarta-feira de Cinzas, alertei os alunos para a celebração do início da Quaresma. Perguntei se alguém sabia o que é que o sacerdote dizia ao impor as cinzas. Ninguém era capaz de dizer. Então fui sugerindo:
- Lembra-te que… quem é capaz de completar a frase? Eu ajudo … pó… homem…
- Já sei – respondei um aluno mais espevitado - Lembra-te, ó pó, que és homem e em homem te hás-de tornar!
Eu comecei a rir com aquele trocadilho e corrigi: “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás-de tornar.”
Mas logo depois compreendi que, afinal, lhe tinha fugido a boca para a verdade. Mas quem somos nós?! Somos barro, somos pó, limitados mas portadores de um grande tesouro, chamados a ser filhos de Deus.
Já Paulo VI, aquando da sua visita a Fátima em 1967, fizera o apelo: “Homens, sede homens!”
Somos chamados a ser homens segundo a estatura de Cristo. Levamos no nosso corpo os sofrimentos da morte de Jesus, a fim de que se manifeste também no nosso corpo a vida de Cristo.
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