quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Aqui há gato


Neste dia 22 do 2 partilhamos 22 curiosidade sobre os gatos.
 
O1 – Hoje é o dia do gato – 22/02
No Japão, a onomatopeia para o miar é “nyan nyan nyan“, que se parece com o som de “ni” (dois, em japonês). A partir do jogo de palavras e por sugestão da indústria de ração, em 1987 ficou estabelecido que 22 do 2 (fevereiro) seria o Dia do Gato.
 
02 – O mundo é como um gato
03 – Na Bíblia não há gatos
Os gatos nunca são mencionados na Bíblia. Tal explica-se como reação à veneração dos felinos no Egito. A sua ligação aos deuses do paganismo fez com que fosse ignorado pelas Escrituras. Já bastava a  omnipresença de imagens felinas nos hierógrafos egípcios .
 
04 – A domesticação dos gatos
Terá começado há cerca de 9.000 anos, no Próximo Oriente e depois no Egito. Os gatos seguiram os humanos por toda a parte, desde as férteis planícies do Egito, até aos barcos dos vikings.
 
05 – Diferença de cão e gato
Um antigo professor de Filosofia explicou, numa certa ocasião, a diferença entre gatos e cães com uma parábola curiosa:
Um cão olha para o dono e pensa: "este tipo alimenta-me, trata de mim, dá-me abrigo, brinca comigo e leva-me a passear. Ele deve ser Deus!"
Já o gato, por seu lado, olha para o dono e pensa: "Este tipo dá-me comida e água, dá-me abrigo, brinca comigo e deixa-me fazer o que quero. Eu devo ser Deus!"
O gato tem tudo para ser declarado o símbolo da autoestima.
 
06 – Sábio, mas selvagem
O historiador francês Taine escreveu: "conheci muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria dos gatos é infinitamente superior."
Theophile Gautier disse que "Deus criou o gato para dar ao homem o prazer de acariciar um tigre".
 
07 – O gato é como uma rosa
Note-se a semelhança entre as suas armas de defesa. Falamos na garra do gato e no espinho da rosa. No entanto, a forma da unha felina é muito semelhante à forma do espinho da rosa. É, aliás, de tal modo parecida que podemos até trocá-los e dizer: as patas felinas têm espinhos; os caules das rosas têm garras.
Tocar um gato é como tocar uma rosa. Não deveremos fazê-lo de qualquer maneira, mas com calma e jeito.
Gatos e rosas são elegantes, delicados e harmoniosos. Estão connosco há milénios.
 
08 – Padroeira dos Gatos
É Santa Gertrudes de Nivelles, que nasceu na Bélgica no ano 626. Conta-se que quando freira, Santa Gertrudes tinha visões. E nessas visões, via as almas do Purgatório transformadas em gatos negros, que depois se tornavam dourados, o que simbolizava a salvação das suas almas. Por esse motivo, esta santa é invocada para pedir proteção contra pragas de ratos, para perder o medo de roedores e também para pedir proteção para os gatos, naturais caçadores de ratos.
 
09 – Oração pelos gatos
Bondosa Santa Gertrudes,
a ti que és a protetora dos gatos e de todos os felinos,
peço com especial fervor e devoção
que protejas o (dizer o nome do gato) de todo e qualquer mal
e de toda e qualquer dor ou doença.
Protege-o contra pessoas maldosas,
mantendo-o sempre abrigado e em segurança.
Toma conta do (dizer o nome do gato) todos os dias,
trazendo-o de volta ao seu lar se algum dia se perder.
Concede-lhe, a ele e aos seus donos,
 uma vida boa, feliz e com saúde,
livre de qualquer dificuldade. Ámen.
 
10 – Adivinha
- Como é que se tira o leite à gata?
- Retirando o prato para o lado.
 
11 – Politicamente correto:
Em vez de cantar como antigamente, podemos adaptar a letra para não ofender o gato:
Atirei o Pau ao gato-to
mas o gato-to
não morreu-eu-eu
Dona Chica-ca
assustou-se-se
com o berro
com o berro que o gato deu
Miauuu!!!!
 
A primeira alternativa foi:
Atirei o peixe ao gato-to
Mas o gato-to
Não comeu-eu-eu
Dona Chica-ca
Admirou-se-se
Do berro
Do berro que o gato deu
Miauuuu.
 
Mas é preciso de facto não assustar nem a Dona Chica nem atirar o peixe.
Então pode ficar assim:
Atirei um beijo ao gato-to
E o gato-to
Não se moveu-veu-veu
Dona Chica-ca
Admirou-se-se
Do miau,
do miau
Que o gato deu.
Miauuuu.
 
Ou então, para os mais fundamentalistas:
Não atirei o pau ao gato-to
porque isso-so
não se faz, não se faz
O gatinho-nho
é bonzinho-nho
e devemos
proteger os animais
Miauuu.
 
12 – Ditado popular
Quem não tem cão
Caça como gato,
Isto é, caça sozinho.
 
13 – À noite todos os gatos são pardos, mas de dia são de todas as cores
Era uma vez um gato xadrez
Caiu da janela e foi só uma vez.
 
Era uma vez um gato azul
Levou um susto e fugiu para o sul.
 
Era uma vez um gato vermelho
Entrou no banheiro e fez careta no espelho.
 
Era uma vez um gato amarelo
Esqueceu de comer e ficou meio magrelo.
 
Era uma vez um gato verde
Ele era preguiçoso e foi deitar na rede.
 
Era uma vez m gato colorido
Brincava com os amigos e era muito divertido
 
Era uma vez um gato laranja
Ficou doente só queria canja.
 
Era uma vez um gato marrom
Olho pra gata e fez ronron.
 
Era uma vez um gato rosa
Comeu uma sardinha deliciosa.
 
Era uma vez um gato branco
Era tão sapeca que pulou no barranco.
 
Era uma vez um gato xadrez
Quem gostou desta história que conte outra vez.
 
(Bia Villela)
 
14 – Os dois gatos de Bocage
Dois bichanos se encontraram
Sobre uma trapeira um dia:
(Creio que não foi no tempo
Da amorosa gritaria).
 
De um deles todo o conchego
Era dormir no borralho;
O outro em leito de senhora
Tinha mimoso agasalho.
 
Ao primeiro o dono humilde
Espinhas apenas dava;
Com esquisitos manjares
O segundo se engordava.
 
Miou, e lambeu-o aquele
Por o ver da sua casta;
Eis que o brutinho orgulhoso
De si com desdém o afasta.
 
Aguda unha vibrando
Lhe diz: ''Gato vil e pobre,
Tens semelhante ousadia
Comigo, opulento, e nobre?
 
Cuidas que sou como tu?
Asneirão, quanto te enganas!
Entendes que me sustento
De espinhas, ou barbatanas?
 
Logro tudo o que desejo,
Dão-me de comer na mão;
Tu lazeras, e dormimos
Eu na cama, e tu no chão.
 
Poderás dizer-me a isto
Que nunca te conheci;
Mas para ver que não minto
Basta-me olhar para ti.''
 
''Ui! (responde-lhe o gatorro,
Mostrando um ar de estranheza)
És mais que eu? Que distinção
Pôs em nós a Natureza?
 
Tens mais valor? Eis aqui
A ocasião de o provar.''
''Nada (acode o cavalheiro)
Eu não costumo brigar.''
 
''Então (torna-lhe enfadado
O nosso vilão ruim)
Se tu não és mais valente,
Em que és sup'rior a mim?
 
Tu não mias?'' - ''Mio.'' - ''E sentes
Gosto em pilhar algum rato?''
''Sim.'' - Eo comes?'' - ''Oh! Se como!...''
''Logo não passa de um gato.
 
Abate, pois, esse orgulho,
Intratável criatura:
Não tens mais nobreza que eu;
O que tens é mais ventura.''
 
15 – O gato de Fernando Pessoa
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
 
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
 
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Em vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
 
(Fernando Pessoa, Cancioneiro)
 
16 – O gato de Vinícius de Moraes
Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, para
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga
 
17 – Ode ao gato de   Pablo Neruda
Os animais foram
imperfeitos,
compridos  de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vóo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
 
O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
…
 
18 – Prosa cão, poesia gato
A prosa é um cão e a poesia é um gato. Tal como os cães a prosa é fiel e escorreita, simples e útil; pode vir dum modo mais lento e langoroso, como um cão ao sol, ou saltitante a raiar a histeria, como um cão excitado, mas percebe-se sempre onde ela quer chegar, seja pelo focinho ou, como é mais certo, pela cauda.
Prosa cão, poesia gato.
Já a poesia é toda ela gato: difícil de aturar, inexpressiva para quem não a conhece, esguia, sinuosa e insinuante e, tal como a aristocracia, só serve para fazer o bonito.
 
19 – Os Gatos de Fialho de Almeida
Série de folhetos críticos inspirados pelas Farpas de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. No curioso prefácio, Fialho de Almeida justifica o título da obra, comparando o crítico ao gato, "nervoso e ágil, refletido e preguiçoso", com "o rom-rom e a garra, a língua espinhosa e a callinerie", e propõe-se desempenhar a sua tarefa "miando pouco, arranhando sempre e não temendo nunca". Os numerosos e por vezes extensos artigos que preenchem os seis volumes, todos sumariados, ocupam-se de uma variedade de temas: acontecimentos político-sociais (a incúria do Governo português na proteção da arte, o Ultimato inglês de 1890, o republicanismo da cidade do Porto); notas de viagem; crónicas de exposições artísticas e acontecimentos teatrais; críticas de arte (a Columbano, Silva Porto, Malhoa, etc.); reflexões sobre a literatura contemporânea (artigos sobre Guilherme de Azevedo, os "simbolistas e decadistas cá da casa", etc.); algumas narrativas; e ainda vários fait divers.
Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato. Ao crítico deu ele, como ao gato, a graça ondulosa e o assopro, o ronron e a garra, a língua espinhosa e a calinerie. Fê-lo nervoso e ágil, refletido e preguiçoso; artista até ao requinte, sarcasta até à tortura, e para os amigos bom rapaz, desconfiado para os indiferentes, e terrível com agressores e adversários.
Um pouco lambareiro talvez perante as belas coisas, e um quase nada cético perante as coisas consagradas: achando a quase todos os deuses pés de barro, ventre de jiboia a quase todos os homens, e a quase todos os tribunais, portas travessas. – Amigo de fazer jongleries com a primeira bola de papel que alguém lhe atire, ou seja, um tratado, ou seja, um código.
Paciente em aguardar; manso e apagado, com um ar de mistério, horas e horas, a sortida dum rato pelos interstícios dum tapume, e pelando-se, uma vez caçada a presa, por fazer da agonia dela, uma distração: ora enrolando-a como um cigarro, entre as patinhas de veludo: ora fingindo que lhe concede a liberdade, e atirando-a ao ar, recebendo-a entre os dentes, roçando-se por ela e moendo-a, de a deixar num picado ou num frangalho.
Desde que nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o asno, o cão e o gato – isto é: o animal de trabalho, o animal de ataque, e o animal de humor e fantasia – por que, não escolhemos nós, o travesti do último? É o que se quadra mais ao nosso tipo, e aquele que melhor nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro.
Razão por que nos achará aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre e não temendo nunca.
 
20 – Humor infantil:
Uma criança ao constatar que o gato estava a ronronar:
- Ó mãe, o gato foi dormir e deixou o motor a trabalhar.
 
21 – Pensamentos de gatos
Gato que não morde, arranha.
Bonitas palavras não engordam gatos.
Em casa de vilão, nem gato, nem cão.
A curiosidade matou o gato.
De noite todos os gatos são pardos.
Gato escaldado de água fria tem medo.
Olho no prato, outro no gato.
Um gato vai para o mosteiro, mas permanece gato.
O gato tem sete vidas.
Quando o gato está fora, os ratos brincam.
Quem não tem cão, caça com gato.
Brigar como cão e gato.
Comprar gato por lebre.
Gato escondido com rabo de fora.
Não é por aí que o gato vai às filós.
Quem guarda com fome, o gato come.
Cair como gato é cair de pé.
Quando o gato cala é porque comeu a língua.
O gato nunca ri, nem chora; está sempre pensando.
Para escreve sobre os homens, é preciso ter em casa um gato.
Se os gatos pudessem falar, eles nunca o fariam.
O gato adora peixe, mas detesta pé molhados.
 
 
22 – Ver também:
Sermão aos gatos
 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Com quem somos parecidos


4ª feira – I semana da quaresma

Aqui está quem é maior do que Jonas.

 

Jesus é maior que Jonas na imortalidade

Jonas esteve 3 dias no ventre da baleia e  depois saiu para cumprir a sua missão, para depois morrer como todos os humanos.

Jesus esteve 3 dias no seio da terra e depois ressuscitou para nunca mais morrer e nos dar a vida eterna.

 

Jesus é maior que Jonas no poder

Jonas pregou a conversão dos ninivitas para que pudessem ser perdoados.

Jesus pregou a conversão de todos para os perdoar.

Jonas mandava os ninivitas se arrependessem mas não podia perdoar-lhes os seus pecado e salvá-los porque só Deus tinha poder para tal.

Jesus não só convida à conversão, como também dá o seu perdão e a salvação.

 

Jesus é maior que Jonas no tempo

Jonas terá vivido nos anos 400 antes de Cristo.

Apesar disso Jesus é maior porque é eterno, pois vive desde sempre.

Parece que Jonas nasceu primeiro, mas afinal Jesus existe desde toda a eternidade. Não é Jesus que é parecido com Jonas, mas Jonas é que foi criado à imagem e semelhança de Jesus.

 

Jesus é maior que Jonas na sua mensagem

Porque Jonas anuncia a universalidade, a salvação e a misericórdia para todos, mas vive o que prega.

Jesus não só anuncia a mensagem com a sua palavra, mas também com o seu exemplo e com a sua vida. Jesus ensina o que vive e vive o que ensina.

 

Jesus é maior que Jonas na responsabilidade

Jonas procura cumprir a missão que lhe entregam, não convencido daquilo que faz. Prefere ficar na baleia, descansando, ou à sombra do rícino sem assumir a sua responsabilidade.

Jesus não se poupou nem à morte na cruz para realizar o projeto de salvar tudo o que estava perdido.

 

Conclusão:

Com quem nos parecemos mais?

Com Jonas ou com Jesus.

Quando queremos ficar escondidos e descansados, sem vontade para colaborar, somos como Jonas.

Quando não aceitamos o arrependimento, o perdão e a vida nova dos irmãos, somos tal como Jonas.

Quando cumprimos apenas com a palavra e não com as obras e não damos bom exemplo, somos iguais a Jonas,

Quando pensamos apenas neste mundo esquecendo que pertencemos à eternidade, somos parecidos com Jonas.

Quando não estamos dispostos a sofrer e não acreditamos naquilo que fazemos ou no que Deus espera de nós, somos iguais a Jonas.

Isto faz-nos parecidos com Jonas, mas nós nascemos para ser parecidos com Jesus Cristo, feitos à sua imagem e semelhança, porque só ele é o nosso salvador.

 

À margem:

Quando Deus viu as suas obras e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo…

A conversão, o arrependimento e a mudança de vida são para serem vistos e não apenas para serem ditos, prometidos ou escutados.

Deus quer ver e não escutar apenas, quer observar o que nós fazemos e não ouvir promessas ou boas intenções.

 

Ver também:

Jesus maior que Jonas

 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Rezar com uma só palavra


3ª feira – I semana da quaresma

Em sete frases:

REZAR É PEDIR SÓ O NECESSÁRIO – Mt 6,7-15 – é por isso que Jesus ensina a rezar o PAI NOSSO.

Deus não se faz conhecer pela “quantidade” das ORAÇÕES mas pela qualidade da nossa ORAÇÃO. Não quer que multipliquemos as  palavras, nem enfeitemos com figuras de estilo a nossa oração. Ele vê o nosso coração e nos pede para permanecer diante Dele de mãos abertas, em silencio com verdadeira humildade e nos dará tudo aquilo que precisamos. As muitas palavras ou o excesso de gramática pode cegar os nossos olhos para a presença de Deus Pai na nossa oração.

 

Em sete palavras

Embora Jesus tivesse reduzido a 7 frases a oração do Pai Nosso, podemos reduzi-la ainda mais.

Em 7 palavras:

Pai nosso

Glória

Grandeza

Graça

Pão Nosso

Perdão

Proteção

 

Numa palavra só

Ou então, até podemos resumir o Pai Nosso numa única palavra.

Qual poderá ser?

É AMAR.

Toda a oração do Pai Nosso concentra-se numa só palavra – AMAR.

De facto, a melhor oração é amar.

 

Ver também:

A oração das orações

 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

O próximo mais próximo


2ª feira – I semana da quaresma

Em geral nós identificamos Jesus como o Bom Samaritano.
Hoje Ele identifica-se como o próximo que é socorrido.

Do Evangelho

O que fizestes ao próximo, a mim o fizestes.

- Entrai benditos de meu pai porque estava ferido na estrada e levastes-me ao hospital.

- Entrai benditos de meu pai porque estava sem dinheiro e fizestes-me um empréstimo sem juros.

- Entrai benditos de meu pai porque fizestes muitas consultas médicas grátis.

- Entrai benditos de meu pai porque estava sem casa e acolhestes-me na tua casa por alguns dias até arranjar alojamento.

- Vinde benditos de meu pai porque sentia-me abandonado e desprezado por todos e tu ao passares por mim sorristes-me.

 

Da 1ª leitura

Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Mar é fazer aquilo que o trecho do evangelho de hoje nos diz.

E quem é o próximo?

Em geral identificamos os nossos vizinhos, colegas de trabalho, amigos ou desconhecidos, mas necessitados de alguma ajuda nossa.

E quem são os próximos mais próximos?

São os nossos familiares, quem está da porta para dentro na nossa casa – o marido, a esposa, os filhos e demais familiares chegados. Estes são o nosso próximo mais próximo a quem devemos amar como a nós mesmos, e precisamente amar a começar por aqui.

É talvez fácil dar uma esmola a quem nos aborda na rua, perdoar um deslise ou sorrir ou agradecer a um desconhecido. Mas a quem está sempre connosco, devido ao desgaste ou cansaço, parece que não somos tão generosos em desculpar, agradecer ou ajudar gratuitamente.

É preciso amar o nosso próximo mais próximo que é a nossa família. Se não a amamos fazemos as obras de misericórdia à nossa família, com que sinceridade faremos aos demais?

 

À margem:

Jesus continua hoje a ter fome, a ter sede. Continua a ser preso, a padecer no corpo… E continua a ser esquecido.

Quem ama o próximo ama a Deus e quem ama a Deus ama o próximo.

“Quem sente a bondade de Deus também sente a desgraça do próximo. Mas quem não sente a bondade de Deus também não sente a desgraça do homem” – assim pregava Lutero. E nós podemos reverter dizendo – Quem não sente a desgraça do homem não sente a bondade de Deus.

Jesus é o próximo mais próximo.

 

Ver também.

Porque tive fome

 

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Mudar um coração de pedra


Ano B – I domingo da quaresma

 

1ª reflexão

Tentação e fragilidade.
São Marcos é muito parco nas palavras. Diz simplesmente que Jesus esteve no deserto durante 40 dias e que foi tentado. E nada mais, nem por quem, nem como, nem quantas vezes, nem como venceu…
Quando alguém fica fragilizado fica mais exposto às tentações.
De facto, não é a tentação que fragiliza alguém, mas o contrário. Se está fragilizado então surge a tentação.
O demónio é manhoso. Só vai tentar quem já está fragilizado porque sabe que a pessoa está fraca e resiste menos.
Nós temos mais força do que pensamos. Se tudo está bem, o Demónio não nos tenta porque sabe que somos fortes.
Se estamos fracos, então o Demónio investe porque a nossa resistência é fraca.
A tentação pode ser um termómetro da nossa força ou da nossa fragilidade e não a cauda da fraqueza.

2ª reflexão

Mudar as pedras em pão.

Foi a tentação de Jesus.

A - Ele venceu esta tentação afirmando que nem só de pão vive o homem. Por isso ele podia muito bem passar sem o pão, mas nunca sem a Palavra de Deus e assim recusou transformar a pedra em pão.

B - Jesus não mudou a pedra em pão porque quer quo o seu pão seja sempre fruto do trabalho e do esforço e não aquisição fácil. Para ter pão é preciso semear o trigo, ceifá-lo, moer, amassar a farinha e cozer. Jesus recusa mudar a pedra em pão porque não quer recusar o trabalho e o esforço.

Aprendamos então nós também a não recusar o que é essencial em vez do que é fácil ou secundário.

Mudar o pão em pedras.

É a nossa tentação.

A – Mudamos o pão em pedra dura quando recusamos partilhá-lo com quem precisa. De facto, quando guardamos o pão só para nós ele torna-se duro porque é duro e pesado o nosso coração egoísta.

Não podemos cair nessa tentação.

B – Mudamos o pão em pedra quando nos queixamos das contrariedades e dos obstáculos que recebemos de Deus. Parece que Deus apesar de ser um Pai bom, dá aos seus filhos pedras duras em vez de pão. Mas afinal isso que dizemos ser pedra (obstáculos, dificuldades e ossos duros de roer), são pães preciosos que nos sustentam e nos dão força para resistir e enfrentar a vida.

Não podemos transformar esse sustento em pedras duras sem mérito nem préstimo nenhum

 

Hoje quero rezar para que Deus me ajude a ser sempre forte, não apenas para resistir à tentação, mas que sendo forte o demónio desista de me tentar.

E rezo para que nunca me sinta tentado nem a transformar as pedras em pão nem para mudar o pão em pedras duras.

O que é preciso mudar não são as coisas (pedras ou pão) mas as pessoas, sobretudo o seu coração.

Ámen.

 

Ver também:

À volta das tentações

Tentações e remédios

 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Aprender a ver como Jesus


Sábado depois das cinzas

Jesus viu Levi…

E como o viu?

Não como o viam os seus contemporâneos.

Eles viam-no como pecador, com um passado comprometido e um presente duvidoso pelo pecado.

Jesus viu-o já como apóstolo, como evangelista, mártir, como santo. Jesus viu não o que ele era no passado ou no presente, mas o que era seria no futuro com todas as potencialidades.

É assim que Jesus nos vê.

 

Miguel Ângelo Buonarroti dizia que no interior de cada bloco de pedra, há uma estátua, cabendo ao escultor a tarefa de a descobrir. Se tal pode ser o olhar do artista, com muita mais razão assim nos vê Deus: naquela jovem de Nazaré viu a Mãe de Deus; no pescador Simão, filho de Jonas, viu Pedro a rocha sobre a qual podia construir a sua Igreja; no publicano Levi, entreviu o apóstolo e o evangelista Mateus; em Saulo, cruel perseguidor dos cristãos, viu Paulo, o apóstolo dos gentios. O seu olhar de amor sempre nos alcança, toca, liberta e transforma, fazendo com que nos tomemos pessoas novas (palavras adaptadas do Papa Francisco).

Conclusão: um sábio, ao olhar o ovo, sabe ver a águia; ao olhar a semente, vislumbra uma grande árvore; ao olhar um pecador, sabe entrever um santo. É assim que Deus nos olha, em cada um de nós, vê potencialidades, às vezes ignoradas por nós mesmos, e atua incansavelmente, ao longo da nossa vida, a fim de as podermos colocar ao serviço do bem comum.

Aprendamos a olhar assim a vida e os outros porque é esta a maneira ou o jeito de Jesus ver.

 

Ver também:

Jesus passa, vê e chama

O olhar que mais valoriza

 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Aprendendo a dizer não


6ª feira depois das Cinzas

Por que jejuar?

 

Jejuar é aprender a dizer não ao que não é essencial.

Podemos dizer não a uma refeição, mas não podemos dizer não à companhia de Jesus.

Podemos dizer não ao Facebook ou outras redes sociais, mas não podemos dizer não à oração.

Podemos dizer não à televisão, mas não podemos dizer não à missa dominical.

Jejuar é dizer não ao que é secundário para aprender a dizer sim ao que é principal.

 

A melhor maneira para não ficarmos anestesiados pelo progresso é evitar as falsas comodidades ou as necessidades não necessárias.

Um missionário contava que quando chegou à Índia ficou impressionado com um colega que já lá estava há muito tempo que lhe dizia:

- Se posso passar sem isso, portanto deixo de lado.

Dizia isto a respeito do chá, costume generalizado na índia, mas que esse missionário não seguia. Não era por não gostar de chá, mas não seguia porque podia passar sem tomar chá.

 

Neste tempo da quaresma posso seguir o mesmo princípio – Se não é essencial, se posso passar sem isto ou aquilo, então devo deixar.

Isto é jejuar.

É libertar-me do que não é necessário para centrar-me no essencial.

Isto traz.me liberdade, disponibilidade e atenção ao que realmente conta.

 

Ver também:

Festa é festa, jejum é jejum

Decálogo do jejum

Jejum ou dieta digital

Formas de jejum

Deus em 1º lugar

 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

A cruz não é opcional


5ª feira depois das cinzas

VALE A PENA PENSAR NISTO:


A – A cruz é um meio e não um fim.

Passar pela cruz é uma condição e não uma opção para seguir Jesus.

Para segui-lo é preciso identificar-se com Ele.

De facto, Ele disse que tinha de sofrer muito e de ser morto para ressuscitar.

Também os seus discípulos devem passar pela cruz.

Deus não precisava do sangue de Jesus, que não veio apenas para morrer, mas Deus usou a sua morte para anunciar o fim da morte.

Jesus não tomou a cruz para que nós tomemos a nossa cruz. Ele tomou a sua cruz para que nós tomemos a sua cruz, porque afinal a sua cruz é a nossa, e a nossa é a sua cruz. Jesus tomou o nosso lugar na cruz para tomarmos o seu lugar no céu.

 

B) – A cruz é um detalhe e não a totalidade

A vontade de Deus manifesta-se mais na totalidade de uma situação do que nos seus detalhes.

Deus não envia, diretamente, dor, sofrimento e doenças. Deus não nos castiga.

Deus não envia acidentes para nos ensinar coisas, embora nós possamos aprender com eles. Nós crescemos com a dor, mas ela não é enviada para nos fazer crescer.

Deus não quer cruzes, obstáculos, terramotos, inundações, secas ou outros desastres naturais. Através da oração pedimos a Deus que nos mude para mudarmos o mundo. Olhar para a cruz é ver apenas um detalhe. É preciso olhar mais além, para a plenitude do mistério, para a vida eterna.

 

C) – No céu não há cruzes

A cruz lembra-nos que não estamos no céu, mas a caminho do céu.

Deus criou o mundo que não é perfeito, e no qual o sofrimento, a doença e a dor são realidades constantes; se assim não fosse, estaríamos no Céu. Alguns desses problemas somos nós que os provocamos a nós mesmos, e culpamos a Deus.

A cruz faz parte da nossa contingência neste mundo.

 

Ver também:

Semáforos dos discípulos

Versão aritmética

Subindo à cruz com Jesus

Sem cruz não há salvação

 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

O tripé da quaresma


4ª feira de cinzas

A experiência quaresmal é um tripé porque perdendo um pé é impossível aguentar-se.

- Jejum

- Oração

- Esmola

Estes 3 elementos são importantes para nós, mas incomodam-nos e mexem connosco. É por isso que este tripé é um desafio.

- O Jejum incomoda-nos porque nos dá fome e necessidade.

- A oração incomoda-nos porque nos rouba tempo para nós e para o nosso prazer e bem-estar.

- A esmola incomoda-nos porque fere o nosso egoísmo ou comodismo.

Mas precisamos disto tudo para equilibrar a nossa vida e para recuperar o nosso relacionamento.

- O relacionamento connosco mesmos através do jejum, do sacrifício ou mortificação.

- O relacionamento com Deus através da oração

- O relacionamento com os outros através da esmola ou caridade.

Quem não se controla a si mesmo, como poderá relacionar-se bem com Deus e com os irmãos?

E quem não tem nenhuma relação com Deus, como poderá unir-se aos irmãos e dominar-se a si mesmo?

E quem não está aberto aos outros, como poderá aceitar-se a si mesmo e abrir-se a Deus?

As cinzas desta quarta-feira

Hoje levamos cinzas para casa.

Para quê?

Levamos cinzas porque precisamos delas para 3 coisas:

- Para nos lembrar da nossa humildade e limitações. Somos pó e ao pó voltaremos. Tudo passa. Mas também é verdade que o pó que somos pode transformar-se em homem, imagem e semelhança de Deus.

- Para nos mostrar que precisamos de alguma purificação. Tal como a cinza era usada antigamente nas barrelas para branquear a roupa e tirar nódoas ou arear as panelas, nós precisamos da cinza para nos purificar ou libertar de alguma coisa.

- Para nos recordar que precisamos de revigorar ou fertilizar a nossa produção. Assim como as cinzas são usadas para fertilizar as terras, corrigi-las e torná-las mais produtivas, assim também a cinza quaresmal pode fortalecer-nos e corrigir-nos para darmos mais e melhores frutos neste tempo.

 

Ver também:

O segredo da quaresma

A vida na quaresma

Receita quaresmal

 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Só tinham um pão no barco


3ª feira – VI semana comum

Uma vez sonhei com o evangelho de hoje. Começou por ser um pesadelo, mas depois tudo terminou bem.

Jesus seguia para a outra margem num barco cheio discípulos, mas o barco nunca chegava ao seu destino.

A determinada altura os discípulos começaram a discutir e a acusar-se mutuamente porque se tinham esquecido de arranjar comida.

Jesus interveio perguntando-lhes:

- Quantos pães tendes?

- Temos apenas um pão.

Então Jesus pegou no pão e toda a gente pensou que iria multiplicá-lo como fizera nas outras vezes.

Jesus ergueu os olhos ao céu, partiu e atirou o pão para o mar e os peixes fizeram uma grande festa. Depois perguntou-lhes de novo:

- E agora quantos pães tendes?

- Nem um – responderam atónitos.

Então Jesus lembrou-lhes:

- Ainda não entendeis nem compreendeis? Tendes o coração endurecido? Tendes olhos e não vedes, ouvidos e não ouvis? Não vos lembreis do que vos disse?

- Sim. – Responderam todos. Não esquecemos a multiplicação dos cinco pães e dos dois peixes…

- E não vos lembreis do pão descido do céu? Não vos lembreis de que me apresentei como o verdadeiro pão descido do céu?

E os discípulos ficaram envergonhados pois estavam a dar mais importância à falta de pão do que à companhia de Jesus.

E Jesus concluiu:

- Não entendeis ainda que eu sou o Pão da Vida?

Com toda a razão diziam que só tinham um pão no barco. Esse pão era Jesus.

Na realidade, Jesus é o verdadeiro, o único pão que nos pode saciar.

Pode faltar o pão na nossa mesa, mas que nunca nos falte o Pão do Céu, que é Cristo Jesus.

Se não nos esquecermos dele, com certeza que arranjaremos maneira de não faltar o pão na mesa de alguém.

Depois disso, acordei com a boca doce.  Senti uma alegria a arder cá dentro do meu coração.

 

Ver também:

Tentação não é pecado

Pão ou companhia