No Japão, a onomatopeia para o miar é “nyan nyan nyan“, que se parece com o som de “ni” (dois, em japonês). A partir do jogo de palavras e por sugestão da indústria de ração, em 1987 ficou estabelecido que 22 do 2 (fevereiro) seria o Dia do Gato.
Os gatos nunca são mencionados na Bíblia. Tal explica-se como reação à veneração dos felinos no Egito. A sua ligação aos deuses do paganismo fez com que fosse ignorado pelas Escrituras. Já bastava a omnipresença de imagens felinas nos hierógrafos egípcios .
Terá começado há cerca de 9.000 anos, no Próximo Oriente e depois no Egito. Os gatos seguiram os humanos por toda a parte, desde as férteis planícies do Egito, até aos barcos dos vikings.
Um antigo professor de Filosofia explicou, numa certa ocasião, a diferença entre gatos e cães com uma parábola curiosa:
Um cão olha para o dono e pensa: "este tipo alimenta-me, trata de mim, dá-me abrigo, brinca comigo e leva-me a passear. Ele deve ser Deus!"
Já o gato, por seu lado, olha para o dono e pensa: "Este tipo dá-me comida e água, dá-me abrigo, brinca comigo e deixa-me fazer o que quero. Eu devo ser Deus!"
O gato tem tudo para ser declarado o símbolo da autoestima.
O historiador francês Taine escreveu: "conheci muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria dos gatos é infinitamente superior."
Theophile Gautier disse que "Deus criou o gato para dar ao homem o prazer de acariciar um tigre".
Note-se a semelhança entre as suas armas de defesa. Falamos na garra do gato e no espinho da rosa. No entanto, a forma da unha felina é muito semelhante à forma do espinho da rosa. É, aliás, de tal modo parecida que podemos até trocá-los e dizer: as patas felinas têm espinhos; os caules das rosas têm garras.
Tocar um gato é como tocar uma rosa. Não deveremos fazê-lo de qualquer maneira, mas com calma e jeito.
Gatos e rosas são elegantes, delicados e harmoniosos. Estão connosco há milénios.
É Santa Gertrudes de Nivelles, que nasceu na Bélgica no ano 626. Conta-se que quando freira, Santa Gertrudes tinha visões. E nessas visões, via as almas do Purgatório transformadas em gatos negros, que depois se tornavam dourados, o que simbolizava a salvação das suas almas. Por esse motivo, esta santa é invocada para pedir proteção contra pragas de ratos, para perder o medo de roedores e também para pedir proteção para os gatos, naturais caçadores de ratos.
Bondosa Santa Gertrudes,
a ti que és a protetora dos gatos e de todos os felinos,
peço com especial fervor e devoção
que protejas o (dizer o nome do gato) de todo e qualquer mal
e de toda e qualquer dor ou doença.
Protege-o contra pessoas maldosas,
mantendo-o sempre abrigado e em segurança.
Toma conta do (dizer o nome do gato) todos os dias,
trazendo-o de volta ao seu lar se algum dia se perder.
Concede-lhe, a ele e aos seus donos,
uma vida boa, feliz e com saúde,
livre de qualquer dificuldade. Ámen.
- Como é que se tira o leite à gata?
- Retirando o prato para o lado.
Em vez de cantar como antigamente, podemos adaptar a letra para não ofender o gato:
Atirei o Pau ao gato-to
mas o gato-to
não morreu-eu-eu
Dona Chica-ca
assustou-se-se
com o berro
com o berro que o gato deu
Miauuu!!!!
Atirei o peixe ao gato-to
Mas o gato-to
Não comeu-eu-eu
Dona Chica-ca
Admirou-se-se
Do berro
Do berro que o gato deu
Miauuuu.
Então pode ficar assim:
Atirei um beijo ao gato-to
E o gato-to
Não se moveu-veu-veu
Dona Chica-ca
Admirou-se-se
Do miau,
do miau
Que o gato deu.
Miauuuu.
Não atirei o pau ao gato-to
porque isso-so
não se faz, não se faz
O gatinho-nho
é bonzinho-nho
e devemos
proteger os animais
Miauuu.
Quem não tem cão
Caça como gato,
Isto é, caça sozinho.
Era uma vez um gato xadrez
Caiu da janela e foi só uma vez.
Levou um susto e fugiu para o sul.
Entrou no banheiro e fez careta no espelho.
Esqueceu de comer e ficou meio magrelo.
Ele era preguiçoso e foi deitar na rede.
Brincava com os amigos e era muito divertido
Ficou doente só queria canja.
Olho pra gata e fez ronron.
Comeu uma sardinha deliciosa.
Era tão sapeca que pulou no barranco.
Quem gostou desta história que conte outra vez.
Dois bichanos se encontraram
Sobre uma trapeira um dia:
(Creio que não foi no tempo
Da amorosa gritaria).
Era dormir no borralho;
O outro em leito de senhora
Tinha mimoso agasalho.
Espinhas apenas dava;
Com esquisitos manjares
O segundo se engordava.
Por o ver da sua casta;
Eis que o brutinho orgulhoso
De si com desdém o afasta.
Lhe diz: ''Gato vil e pobre,
Tens semelhante ousadia
Comigo, opulento, e nobre?
Asneirão, quanto te enganas!
Entendes que me sustento
De espinhas, ou barbatanas?
Dão-me de comer na mão;
Tu lazeras, e dormimos
Eu na cama, e tu no chão.
Que nunca te conheci;
Mas para ver que não minto
Basta-me olhar para ti.''
Mostrando um ar de estranheza)
És mais que eu? Que distinção
Pôs em nós a Natureza?
A ocasião de o provar.''
''Nada (acode o cavalheiro)
Eu não costumo brigar.''
O nosso vilão ruim)
Se tu não és mais valente,
Em que és sup'rior a mim?
Gosto em pilhar algum rato?''
''Sim.'' - Eo comes?'' - ''Oh! Se como!...''
''Logo não passa de um gato.
Intratável criatura:
Não tens mais nobreza que eu;
O que tens é mais ventura.''
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
Todo o nada que és é teu.
Em vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, para
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga
Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vóo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
…
A prosa é um cão e a poesia é um gato. Tal como os cães a prosa é fiel e escorreita, simples e útil; pode vir dum modo mais lento e langoroso, como um cão ao sol, ou saltitante a raiar a histeria, como um cão excitado, mas percebe-se sempre onde ela quer chegar, seja pelo focinho ou, como é mais certo, pela cauda.
Prosa cão, poesia gato.
Já a poesia é toda ela gato: difícil de aturar, inexpressiva para quem não a conhece, esguia, sinuosa e insinuante e, tal como a aristocracia, só serve para fazer o bonito.
Série de folhetos críticos inspirados pelas Farpas de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. No curioso prefácio, Fialho de Almeida justifica o título da obra, comparando o crítico ao gato, "nervoso e ágil, refletido e preguiçoso", com "o rom-rom e a garra, a língua espinhosa e a callinerie", e propõe-se desempenhar a sua tarefa "miando pouco, arranhando sempre e não temendo nunca". Os numerosos e por vezes extensos artigos que preenchem os seis volumes, todos sumariados, ocupam-se de uma variedade de temas: acontecimentos político-sociais (a incúria do Governo português na proteção da arte, o Ultimato inglês de 1890, o republicanismo da cidade do Porto); notas de viagem; crónicas de exposições artísticas e acontecimentos teatrais; críticas de arte (a Columbano, Silva Porto, Malhoa, etc.); reflexões sobre a literatura contemporânea (artigos sobre Guilherme de Azevedo, os "simbolistas e decadistas cá da casa", etc.); algumas narrativas; e ainda vários fait divers.
Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato. Ao crítico deu ele, como ao gato, a graça ondulosa e o assopro, o ronron e a garra, a língua espinhosa e a calinerie. Fê-lo nervoso e ágil, refletido e preguiçoso; artista até ao requinte, sarcasta até à tortura, e para os amigos bom rapaz, desconfiado para os indiferentes, e terrível com agressores e adversários.
Um pouco lambareiro talvez perante as belas coisas, e um quase nada cético perante as coisas consagradas: achando a quase todos os deuses pés de barro, ventre de jiboia a quase todos os homens, e a quase todos os tribunais, portas travessas. – Amigo de fazer jongleries com a primeira bola de papel que alguém lhe atire, ou seja, um tratado, ou seja, um código.
Paciente em aguardar; manso e apagado, com um ar de mistério, horas e horas, a sortida dum rato pelos interstícios dum tapume, e pelando-se, uma vez caçada a presa, por fazer da agonia dela, uma distração: ora enrolando-a como um cigarro, entre as patinhas de veludo: ora fingindo que lhe concede a liberdade, e atirando-a ao ar, recebendo-a entre os dentes, roçando-se por ela e moendo-a, de a deixar num picado ou num frangalho.
Desde que nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o asno, o cão e o gato – isto é: o animal de trabalho, o animal de ataque, e o animal de humor e fantasia – por que, não escolhemos nós, o travesti do último? É o que se quadra mais ao nosso tipo, e aquele que melhor nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro.
Razão por que nos achará aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre e não temendo nunca.
Uma criança ao constatar que o gato estava a ronronar:
- Ó mãe, o gato foi dormir e deixou o motor a trabalhar.
Gato que não morde, arranha.
Bonitas palavras não engordam gatos.
Em casa de vilão, nem gato, nem cão.
A curiosidade matou o gato.
De noite todos os gatos são pardos.
Gato escaldado de água fria tem medo.
Olho no prato, outro no gato.
Um gato vai para o mosteiro, mas permanece gato.
O gato tem sete vidas.
Quando o gato está fora, os ratos brincam.
Quem não tem cão, caça com gato.
Brigar como cão e gato.
Comprar gato por lebre.
Gato escondido com rabo de fora.
Não é por aí que o gato vai às filós.
Quem guarda com fome, o gato come.
Cair como gato é cair de pé.
Quando o gato cala é porque comeu a língua.
O gato nunca ri, nem chora; está sempre pensando.
Para escreve sobre os homens, é preciso ter em casa um gato.
Se os gatos pudessem falar, eles nunca o fariam.
O gato adora peixe, mas detesta pé molhados.
Sermão aos gatos











