segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Despertando como São José


Novena de advento – 18 de dezembro

Em geral não associamos a figura de São José às personagens típicas do Advento, como Isaías, João Baptista, Maria, ou até mesmo Zacarias… O evangelho deste dia 18, da última etapa do advento, apresenta-nos São José como alguém que se preparou, disponibilizou e colaborou com o projeto de Deus em ordem à vinda do Filho de Deus no mistério do Natal.

Podemos contemplar as suas virtudes principais neste processo para copiarmos na nossa vida enquanto aguardamos a vinda do Senhor:

 

1. Prontidão – A primeira virtude que nasce da fidelidade de São José é a prontidão. Ele está presente e disponível, sem oferecer obstáculos aos projetos divinos, mesmo quando não compreende esse mistério.

2. Paciência – A segunda virtude que se desenvolve com a fidelidade de São José é a paciência. São José é um protótipo do homem forte e silencioso. Ele olha e espera silenciosamente.

3. Prudência – A terceira virtude erigida sobre o alicerce da fidelidade de São José é a prudência, que consiste no discernimento sábio e cuidadoso que nos permite escolher o caminho certo.

 

Ver também:

São José dormindo

 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

O poeta da noite escura


Memória de São João da Cruz, 1542-1591

Presbítero e Doutor da Igreja

A – São João da Cruz estando preso era livre.

Toledo, 3 de dezembro de 1577. Noite cerrada. Um frade chamado João da Cruz foi levado à força para o convento carmelita. Ele estava com os olhos vendados. Esperam-no oito meses que serão morte e vida para ele. Ali, numa cela de 2,70 por 1,60 metros, sem janela, com duas mantas velhas e o imobiliário reduzido a um banco, pão e água duas vezes ao dia, jejum obrigatório três vezes na semana, açoitado regularmente batido até abrir a carne das costas, nasceu o maior poema de amor de todos os tempos: o Cântico Espiritual. Na prisão esteve livre, por isso escolheu cantar e amar.

 

B – A Chama do Amor Vivo

São João da Cruz escreveu para ensinar a percorrer o caminho de seguimento de Cristo e ultrapassar as dificuldades desse caminho. Na Chama de Amor Vivo descreve as etapas ou fases do amor de Deus em nós:

1- Não basta saber que Deus te ama, é preciso sentir que Deus te ama. É preciso experimentar esse amor.

2- Sabes que te ama sem algum interesse, sem esperar nada em troca, não porque tu o mereces, mas porque ele é bom e generoso.

3- Descobres que o seu amor te une e iguala a ele, faz-te participante na sua vida e glória.

4- Descobres o verdadeiro nome de Deus – Javé – Eu sou para ser teu e para ti e gosto de ser tal como sou por ser teu e para dar-me.

 

 

C – Embora seja noite

Poema de São João da Cruz que a Liturgia das Horas propõe para hino do Ofício de Leitura de sábado do tempo comum.

 

Bem eu sei a fonte que mana e corre

Embora seja noite

 

Aquela eterna fonte não a vê ninguém

E bem sei onde é e donde vem,

Embora seja noite.

 

Não sei a fonte dela, que não há

Mas sei que toda a fonte vem de lá,

Embora seja noite.

 

Não pode haver, eu sei, coisa tão bela

E terra e céus beleza bebem dela,

Embora seja noite.

 

Porque não pode ali o fundo achar,

Sei que ninguém a pode atravessar,

Embora seja noite.

 

A claridade sua não escurece

E sei que toda a luz dela amanhece,

Embora seja noite.

 

Tão caudalosas são suas correntes

Que regam céus, infernos e as gentes,

Embora seja noite.

 

E desta fonte nasce uma corrente  

E bem sei eu que é forte e omnipotente,

Embora seja noite.

 

Das duas a corrente, que procede

Sei que nenhuma delas a precede,

Embora seja noite.

 

E esta eterna fonte está escondida

Em este vivo pão a dar-nos vida,

Embora seja noite.

 

Aqui está a chamar as criaturas

Que bebem desta água e às escuras,

Porque é de noite.

 

Esta viva fonte que desejo,

Em este pão da vida, aí a vejo,

Embora de noite.

 

D – Ver também:

Prisioneiro, mas livre

Santo, Poeta e Místico

 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Deus, o pastor e o rebanho


3ª feira – II semana do advento

Não é da vontade de Deus que se perca um só destes pequeninos.

O povo de Israel aprendeu a reconhecer a Deus vendo o humilde, fatigante e difícil trabalho do pastor, como se expressa no Salmo 22, O Senhor é meu pastor. Observando este antigo protagonista das economias nómadas, compreendeu melhor a gramática da Aliança, aprendeu algo mais da natureza do seu Deus diferente, sem imagens e com nome impronunciável. Não olhou para os reis, os faraós, os homens poderosos do povo; pelo contrário, conheceu Deus olhando para o trabalho humano, observando, até nos mínimos pormenores, a ação de um trabalhador, com o cheiro das ovelhas às cavalitas, empoeirado, analfabeto, pobre de língua. Recorda-nos que aprendemos quem é Deus, observando os homens, porque é precisamente na vida concreta dos seres humanos que Deus se nos revela.

Por isso sempre que não soubermos identificar a Deus, podemos olhar as pessoas que trabalham e aí reconhecer os traços divinos.  Jesus, integrado nesta escola humana e laboral, aponta para a analogia entre a profissão de pastor e o seu Deus. E assim a metáfora do pastor torna-se a imagem de Deus que nunca falta, mesmo quando uma ovelha se encontra perdida.

 

Ver também:

Um pastor perdido de amor

 

 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Mil anos aos olhos de Deus


Ano B – II domingo do Advento

Do Evangelho: “Preparai o caminho do Senhor”.

É a mensagem do Profeta Isaías (Is 40, 3-4) que se faz eco em todos os evangelistas – Mt 3, 1-3; Mc 1, 1.4; Lc 3, 3-6; Jo 1,19-23.

O Evangelho segundo São marcos começa precisamente com este apelo, o que mostra a importância que era dada à profecia de Isaías. Advento é tempo de expetativa e de preparação para a vinda do Senhor. E tempo de esperança e de conversão.

 

Como segunda leitura tivemos 2Pe 3, 8-9:

“Há uma coisa, caríssimos, que não deveis esquecer: um dia para o Senhor é como mil anos e mil anos, como um só dia. Não é que Senhor Tarde em cumprir a sua promessa, mas simplesmente usa de paciência para convosco…”

 

De facto, Deus chegou ao mundo, pacientemente, por meio de Maria.

Ele podia chegar de improviso, assim de repente apresentar-se de imediato aos homens. Preferiu nascer na plenitude dos tempos…

Não é Deus que se atrasa, nós é que somos impaciente.

Então neste Advento espera, mas não fiques só à espera. Espera, mas não fiques parado. Que o teu tempo seja tempo seja tempo de Deus.

As contas de Deus

Façamos então as contas da Sagrada Escritura:

1 dia (24 horas) = 1000 anos (portanto cada ano aqui na terra corresponderá a 365.000 anos para Deus).

1 hora = 42 anos (portanto cada 1 minuto corresponderá cerca de 1 ano e meio aos olhos de Deus).

 

Se eu faço 1 hora de adoração, para Deus corresponde a 42 anos.

Se eu rezar durante 5 minutos, para Deus corresponde a 7 anos.

 

As contas da nossa vida

Fazendo as contas ao contrário:

Deus deu-me já 65 anos de vida aqui na terra, portanto, aos olhos de Deus tem o valor de 23.725.000 anos.

 

As contas da criação

6 dias levou Deus a criar o mundo e ao sétimo descansou.

Mas cada dia de Deus é como mil anos.

Deus criou o mundo em 6 mil anos.

 

As contas dos Salmos

“Mil anos a vossos olhos

São como o dia de ontem que passou

E como uma vigília da noite.” (Sl 89,4)

 

“Um dia em vossos átrios

Vale por mais de mil.

Antes quero ficar no vestíbulo da casa do meu Deus

Do que habitar nas tendas dos pecadores.” (Sl 83, 11)

 

Ver também:

Uma história de Advento

Preparados e prevenidos

 

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Aprovação definitiva


Memória histórica dos dehonianos

5 de dezembro de 1923

Aprovação definitiva das Constituições SCJ

Foram aprovadas definitivamente as nossas Constituições, adaptadas ao novo Direito Canónico, promulgado por Bento XV, como consta nas Atas do Conselho Geral de 24 de julho de 1923. Faltava apenas a assinatura do Papa Pio XI. Tal aconteceu a 5 de dezembro de 1923.

As Constituições foram impressas em 1924, em Lovaina, e promulgadas a 27 de junho de 1924, festa do Sagrado Coração de Jesus.

Anota o Pe. Dehon no seu Diário: “5 de dezembro: o Santo Padre assinou a aprovação definitiva das nossas Constituições. É o resultado de 45 anos de esforços e de trabalho no meio de mil dificuldades e contradições” (NQ 44/136).

E em maio de 1924 escreve: “As nossas Constituições estão impressas, e vou promulgá-las. São o resultado de quase meio século de trabalho para organizar a Congregação. Foi Nosso Senhor que fez tudo para a obra; eu fui sobretudo um obstáculo e várias vezes pus tudo em perigo. Todos os dias rezo o “Miserere” (NQ 44/144).

Pensamento do Pe. Dehon: “As nossas novas Constituições vão entrar em vigor. A Santa Sé nada mudou nas primeiras páginas que indicam o fim e o espírito da obra. É que a Igreja pensa que o fundador recebeu a graça de determinar essas coisas. Recebeu de Nosso Senhor as luzes necessárias. A fundação faz-se por inspiração divina” (NQ 44/146).


segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

O sonho do profeta Isaías


2ª feira – I semana do advento

Da 1ª leitura:

Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices.

Eu pensava que o sonho de Isaías fosse dar cabo das espadas e das lanças, destruir todas as armas, eliminar os guerreiros e vencer os adversários.

Mas não.

Para haver paz é preciso transformar e não eliminar.

Isto é conversão, transformação, mudança de vida.

Do Evangelho:

A humildade e a fé do Centurião.

Ter fé é ser humilde.

A fé faz crescer a humildade.

A humildade é filha da fé.

Onde há fé há humildade.

E onde há humildade há fé.

A fé é mãe da humildade.

 

Ver também:

Batendo à minha porta

Uma palavra e serei salvo

Profecia de Isaías

 

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Servir o Rei dos Reis


Festa de Santo André, Apóstolo

"Se um rei da terra nos chamasse para o seu serviço, não hesitaríamos, não procuraríamos desculpas, mas, deixando tudo, iríamos imediatamente ter com ele. Por isso, quando o Rei dos eis, o Senhor dos senhores, o Deus dos deuses, nos chamar para o seu serviço celeste, tenhamos atenção em não recusar.

Uma vez que é um Deus e um Rei que nos chama para o seu serviço, avancemos com ardor, pois temos pouco tempo de vida e corremos o risco de ser encontrados sem fruto no fim da nossa vida na terra." (cf. São João Clímaco, 575-650, monge do Monte Sinai)

 

O rei terreno chama servos para fazerem o trabalho em seu lugar ou em vez dele.

O Rei dos Reis chama os seus amigos para Ele fazer o trabalho através deles.

 

À margem 1

Os chamados por Jesus deixaram tudo:

1 - O barco – o local de trabalho

2 - As redes – os instrumentos de trabalho

3 - O patrão – o dono do barco e os assalariados

4 - O trabalho – a atividade pescar peixes para pescarem homens

5 - A família – o pai

6 - A sua vontade – eles deixaram logo

7 - A sua terra – puseram-se a seguir Jesus


À margem 2

Entre amigos os seus desejos são ordens.

Entre Cristo e nós as suas ordens são convites.

 

Ver também:

Toda a cruz é uma ponte

Ser apóstolo é ser ponte

 

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Ameaçar ou animar


4ª feira – XXXIV semana comum

Estas leituras de destruição, perseguição e fim do mundo servem para quê?

- Para ameaçar?

- Para animar?

 

Elas querem ameaçar os mais descuidados.

E animar os mais dedicados.

 

Ameaçam anunciando a destruição do templo de Jerusalém como sinal de outra destruição maior que é o castigo no final dos tempos.

Mas animam ao anunciar que todos serão recebidos num santuário de pedras vivas que nunca será destruído.

 

Ameaçam lembrando que todos passarão pelo julgamento.

Mas animam lembrando que Deus dará o prémio prometido aos justos.

 

Ameaçam avisando que de tudo o que se vê não ficará pedra sobre pedra, pois tudo será destruído.

Mas animam avisando que tudo o que é velho passará para dar lugar ao novo e eterno.

 

Ameaçam advertindo que todos hão de ser perseguidos e condenados por causa do nome de Jesus.

Mas animam garantindo a vitória final do bem sobre o mal.

 

Ameaçam dizendo que alguns serão entregues aos seus adversários e mortos.

Mas animam dizendo que Deus defenderá os seus amigos a que ninguém poderá resistir ou contradizer.

 

Conclusão

Uns precisam de cultivar mais o medo do pecado (ameaças).

Outros precisam de cultivar mais o amor da virtude (ânimo)

Uns precisam de pensar mais na ameaça do maligno (ameaças).

Outros precisam de pensar mais no amor de Deus (ânimo)

Uns precisam mais de evitar o mal (ameaças).

Outros precisam mais de fazer o bem (ânimo).

 

Ver também:

Perseverança

Manual e perseguidos

 

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Santuário de Pedras Vivas


3ª feira – XXXIV semana comum

A prodigiosa construção da Tenda da Aliança (cf Ex 25s), tal como, mais tarde, a do Templo de Salomão (cf 1Rs 5-6), é imagem de toda a Criação agrupando-se em torno do seu Senhor para O adorar e servir.  Da mesma forma que, segundo a narração da criação, o céu foi desdobrado como um toldo (cf Sl 104 [103],2), assim também a Tenda era constituída por painéis de tecido; do mesmo modo que as águas que estavam sob o firmamento foram separadas das que estavam por cima (cf Gn 1,7), assim também o véu do Templo separava o santo dos santos dos espaços envolventes. O candelabro de sete braços era igualmente símbolo dos luzeiros do céu, tal como cordeiros e pássaros representavam a abundância de seres vivos que habitam as águas, o solo e os ares. E, do mesmo modo que a terra foi confiada ao homem (cf Gn 1,28), cabia ao sumo sacerdote permanecer no santuário (cf Lv 21,10s).

Em lugar do Templo de Salomão, Cristo edificou um templo de pedras vivas (cf 1Pe 2,5), a comunhão dos santos, no centro do qual Ele permanece como sumo sacerdote eterno e sobre cujo altar é Ele próprio o sacrifício oferecido eternamente. E toda a criação participa desta liturgia.  Nem sequer os querubins, cujas figuras esculpidas montavam guarda ao santo dos santos, estão ausentes: agora, são os monges que, semelhantes aos anjos, não cessam de louvar a Deus dia e noite, na terra como no céu. Os seus cânticos de louvor convidam desde a aurora toda a criação a enaltecer em uníssono o Senhor.

Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído porque o verdadeiro santuário não é feito de pedras, mas de pessoas, pedras vivas. Tudo o que existe, vimos ou construímos é passageiro. Tudo passará para dar lugar ao eterno santuário de pedras vivas.

(Cf. Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942) in A oração da Igreja)

 

Ver também:

Sem alarmes

 

domingo, 26 de novembro de 2023

Ovelhas à sua direita


Ano A – XXXIV domingo comum

Solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo

No trecho do evangelho de hoje Jesus no seu trono celeste coroa de glória os que praticaram as obras de misericórdia, ou seja, os que praticaram o bem e a caridade para com os irmãos.

Ele separa os justos dos preguiçosos.

Aos justos chama para a sua direita como ovelhas e aos preguiçosos para a sua esquerda como cabritos.

Porquê?

Porque a mão direita é a mão do bem, da criação e do afeto.

Mas há outra explicação para isso. Quem nos dá é Santa Teresinha do Menino Jesus.

Acompanhemos a explicação de matemática de Santa Teresinha.

O número zero, por si só, não tem valor, escreveu ela, mas colocado ao lado de um outro número ele se torna potente, desde que colocado do lado certo, depois e não antes.

Podemos usar o número 1 para simbolizar a divindade e 0 para representar o ser humano. Não importa quantos zeros colocamos à esquerda de 1, não o aumentamos. No entanto, mesmo um zero à direita de 1 aumenta o seu valor.

De facto, na nossa linguagem dizemos que somos um zero à esquerda, quando não nos atribuímos nenhum valor em determinada matéria. Por outro lado, confirmamos que até um zero tem valor, desde que no lugar certo.

Sozinhos não valemos nada, somos autênticos zeros, mas colocados à direita de Deus, encontramos o nosso devido lugar e podemos viver uma vida com dignidade, valor e importância.

A insignificância do que somos, temos ou fazemos, se colocada à direita de Deus, valerá muito. Por isso ele entrega-nos uma coroa de glória pelas nossas obras de misericórdia.

 

Ver também

Um rei com cetro de cana

O rei num trono da cruz

A coroa de espinhos

 

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Qual o lugar mais limpo


6ª feira – XXXIII semana comum

Tanto a primeira leitura como o Evangelho referem a purificação ou limpeza do Templo.

Isso leva-nos a acolher 2 lições:

 

1ª lição – O lugar mais limpo

Como é que se consegue manter um lugar mais limpo?

Limpando muito?

Sujando pouco?

Um lugar torna-se mais limpo quando sujamos pouco e não quando limpamos muito.

E é mais fácil não sujar do que limpar.

Por outro lado, quando se suja e se limpa há sempre algum prejuízo.

Podemos ilustrar isto desta maneira: Pego numa folha de papel lisa. Seguro numa ponta e agito-a. Ela faz um ruído próprio. Depois, amasso essa mesma folha e depois tento alisá-la. Se eu quiser segurar na mesma ponta e agitá-la, já não faz o ruído anterior. Conclusão: sujando ou amachucando alguma coisa, perde qualidade.

Para manter o nosso templo limpo que é o nosso coração, mais vale não o sujar do que esperar que Cristo o limpe. Mantendo-o limpo não perderá qualidades e continuará a cantar.

 

2ª lição – Limpar antes ou depois

Alguém partilhou um episódio ocorrido num mosteiro – Um confrade, quase nonagenário, de regresso do campo foi instado a lavar as mãos para a oração antes da refeição. Com humor e sabedoria respondeu assim aos que o esperavam:

- Para rezar não é preciso lavar as mãos!

Lavou-as, depois, após a oração e antes de se sentar à mesa.

De facto, não é o lavar das mãos que nos leva à oração, mas sim a oração que nos faz lavar as mãos e purificar o nosso coração.

Quanto mais rezar, mais vontade terei de me purificar.

Outra maneira de purificar o nosso coração é rezar primeiro.

Aliás, Jesus lembra que o templo é casa de oração e para mante-lo limpa é preciso rezar.

 

Conclusão:

Jesus continua disponível para limpar o templo do nosso coração.

Nós podemos colaborar com ele de duas maneiras:

- Não sujando.

- Ou então rezando.

 

Ver também:

Não-violência de Jesus

Só se limpa com gestos

 

Dominus flevit


5ª feira – XXXIII semana comum

Dominus flevit, isto é, o Senhor chorou ao aproximar-se de Jerusalém.

 

O evangelho lembra esse facto para confirmar que Jesus cumpriu a bem-aventurança – Bem-aventurados os que choram porque serão consolados - já que as Bem-aventuranças são o retrato perfeito de Jesus.

 

Jesus chorou ao ver Jerusalém por 3 motivos:

Por emoção

Por antever a destruição

Por ter compaixão

 

- A primeira razão das lágrimas do nosso Mestre, com certeza, foi a emoção de estar chegando à cidade santa, por tudo que ela representava afetivamente para um judeu piedoso como ele. (Que alegria, que emoção quando me disseram vamos para a casa do Senhor sl 121).

- Depois as lágrimas foram motivadas pela destruição que antevia, pela dor da guerra ou pela ausência da paz.

- Finalmente chorou por compaixão. As lágrimas vêm do mais profundo. Porque sofre com a humanidade, sofre pela humanidade e sofre na humanidade. Chora ao ver os pecados da humanidade, chora juntamente com a humanidade e chora em vez da (em nome ou pela) humanidade.

 

À margem:

Não ficará pedra sobre pedra por não teres reconhecido o tempo em que foste visitada.

Santo Agostinho dizia:

- Tenho medo de Deus, de Jesus, quando passa!

- Mas por que tem medo?

- Tenho medo de não reconhecê-Lo!

Se não estiveres atento ao teu coração, jamais saberás se Jesus o está visitando ou não.

 

Ver também:

As lágrimas de Cristo

A função das lágrimas

Rezando e chorando

 

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Talentos num saco com lã


4ª feira – XXXIII do tempo comum

Um homem nobre foi para uma região distante.

Antes, porém, chamou três dos seus servos e entregou-lhes um saco de lã para que tomassem conta até que voltasse.

De regresso mandou chamar os servos a quem entregara os sacos de lã para saber como tinham lucrado.

Apresentou-se o primeiro e disse:

- Senhor, com o teu saco de lã fiz no tear este manto real para ti…

- Muito bem, servo bom e amigo. Foste fiel ao pouco, receberás o governo de dez cidades.

Veio o segundo e disse-lhe:

- Senhor, com o saco de lã preparei um colchão novo e uma almofada, para descansares da longa viagem…

A este o senhor respondeu igualmente:

- Muito bem, servo amigo e atencioso. Também ficarás à frente de cinco cidades.

Depois veio o outro e disse-lhe:

- Senhor, aqui está o saco de lã que me deste. Está inteirinho porque não quis aproveitar-me dos teus bens…

Disse-lhe o senhor:

- Servo mau. Sabias que eu sou exigente e nem sequer cuidaste da lã para não se estragar com a traça. És pior do que ela, pois a traça fez alguma coisa enquanto tu nada fizeste. És um servo indigno.

Assim acontece com tudo o que somos, temos ou recebemos de Deus.

Quem não se esforça e não trabalha não é digno daquilo que recebeu.

É por isso que até aquilo que tem ficará estragado.

 

Ver também:

Fazer a minha parte

Talentos dum saco de trigo