sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pater


O Pai Nosso de Cada dia (103)

Pai Nosso que estás nos céus.
Ó incomensurável benignidade de Deus! Aos que O tinham abandonado e jaziam em extremos males, é concedido o perdão dos males e a participação da graça, a ponto de ser invocado como Pai. Os céus poderiam ser o que portam a imagem do celestial, nos quais Deus habita e vive.

Santificado seja o teu nome.
Santo é por natureza o nome de Deus, quer o digamos ou não. Mas, uma vez que naqueles que pecam por vezes é profanado, segundo o que se diz: ‘Por vós meu nome é continuamente blasfemado entre as nações’, oramos que em nós o nome de Deus seja santificado. Não que, por não ser santo, chegue a sê-lo, mas porque em nós ele se torna santo, quando nos santificamos e praticamos obras dignas de santificação.

Venha o teu reino.
É próprio de uma alma pura dizer com confiança: ‘Venha o teu reino’, quem ouviu Paulo dizer: ‘Que o pecado não reine em vosso corpo mortal’. E se purificar em obra, pensamento e palavra, dirá a Deus: ‘venha o teu reino’.

Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu.
Os divinos e bem-aventurados anjos de Deus fazem a vontade de Deus, como David dizia no salmo: ‘Bendizei ao Senhor todos os seus anjos, heróis poderosos, que executais a sua palavra’. Rezando, pois, com vigor, diz isto: como nos anjos se faz a tua vontade, Senhor, assim na terra se faça em mim.

O nosso pão substancial dá-nos hoje,
O pão comum não é substancial. Mas este pão é substancial, pois se ordena à substância da alma. Este pão não vai ao ventre nem é lançado em lugar escuso, mas se distribui sobre todo o organismo, em proveito da alma e do corpo. O hoje equivale a dizer de cada dia, como também dizia Paulo: ‘enquanto perdura o hoje’.

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
Temos muitos pecados, Caímos pois em palavra e em pensamento e fazemos muitas coisas dignas de condenação. E, se dissermos que não temos pecado, mentimos. Fazemos com Deus um pacto pedindo-lhe que perdoe os nossos pecados como também nós perdoamos ao próximo as suas dívidas. Tendo presente o que recebemos em troca do que damos, não sejamos negligentes, nem deixemos de perdoar uns aos outros. As ofensas que se nos fazem são pequenas, simples, fáceis de reconciliar. As que nós fazemos a Deus são enormes e temos necessidade só da sua benignidade. Cuida então que, por faltas pequenas e simples contra ti, não te excluas do perdão, por parte de Deus, dos pecados gravíssimos.

E não nos induzas em tentação.
Por ventura com isto o Senhor nos ensina a pedir que de algum modo sejamos tentados? Como se encontra em outro lugar: ‘Tende por suma alegria, meus irmãos, se cairdes em diversas provações’? Mas jamais entrar em tentação é o mesmo que ser submerso por ela. A tentação, pois, assemelha-se a uma torrente difícil de atravessar. Os que então não são submersos nas tentações, atravessam, como bons nadadores, sem serem arrastados pela corrente. Os que não são assim, uma vez que entram, são submersos.

Mas livra-nos do mal.
Se a expressão ‘não nos induzas em tentação’ significasse não sermos de algum modo tentados, não se diria: ‘mas livra-nos do mal’. O mal é o demónio, nosso adversário, do qual pedimos ser libertos.

(Cf. SªAO CIRILO DE JERUSALÉM, Catequeses mistagógicas, Ed. Vozes, Petrópolis, 1977, páginas 38-40).

Os Sinais dos tempos e os Tempos dos sinais

6ª Feira - XXIX Semana Comum

Do Evangelho de hoje podemos aplicar 2 mensagens:


Saber ler os sinais dos tempos, todos os sinais.
Isto quer dizer que todos nós vivemos no tempo dos sinais.
Deus está continuamente a nos bombardear com tantos sinais.
Saibamos então ler os sinais dos tempos, pois vivemos continuamente no tempo dos sinais.


Faz as pazes com o teu adversário quando fores a caminho do tribunal...
Não esperes que alguém te obrigue a fazer as pazes, obriga-te a ti mesmo a isso.
Não esperes que alguém te mande calar, pois vai te magoar mais. Começa tu primeiro a mandar em ti mesmo e os outros não precisarão de te mandar calar...


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Paráfrase de Charles de Foucauld


O Pai Nosso de cada dia (102)

O Pai Nosso é a oração de abandono nas mãos de Deus. Podemos estar certos de que Ele quer o nosso bem. Por isso, nos entregamos sem reservas. Rezemos o Pai Nosso, recitando simultaneamente a oração de Charles de Foucauld. A voz de Cristo e a voz dos santos não mais serão duas, mas uma só voz.

Meu Pai,
entrego-me todo a ti
faz de mim o que te agradar
faças o que quiseres de mim,
eu te agradeço
estou pronto para tudo;
Pai Nosso, que estais nos Céus.
Santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.

Aceito tudo
o importante é que a tua vontade
se faça em mim
e em todas as criaturas.
Seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu.

Não seja outra coisa, meu Deus.
Entrego o meu espírito nas tuas mãos.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Dou-to, meu Deus,
com todo o amor do meu coração,
porque te amo.
Perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido.

E sinto que e urgência do amor dar-me
e colocar-me nas tuas mãos sem medida
com uma infinita confiança,
porque és meu Pai.
E não nos deixeis cair em tentação
mas livrai-nos do mal.

Carlos de Áustria

Memória do Beato Carlos de Áustria

Hino

Louvemos o Beato Carlos d’Aústria
Que vive com Cristo na Glória Eterna do Céu!

Servindo o Rei dos reis,
Com justiça e caridade.
Recebeu a coroa incorruptível
Na alegria do seu Senhor.

Lutando pela paz
Entre os homens e os povos
Conquistou o prémio prometido
Aos que aceitam a sua cruz.

Rezando sem cessar
A Jesus sacramentado
Mereceu sentar-se com os Santos
No Banquete da Eternidade.

Letra do Pe. João Paulo Domingues e Música do Pe. Ignácio F. Rodrigues

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pai que não és desta terra

O Pai Nosso de Cada dia (101)

Pai Nosso que estás nos Céus;
Pai que não és desta terra,
Mas que estás na terra,
Porque és nosso.

Que teu nome seja santificado;
Que sejas conhecido e amado;
Que reconheçamos o teu verdadeiro rosto,
Um rosto diferente,
Marcado com sinais de ternura
E de esperança de todos os teus filhos.

Que venha o teu reino;
Que venha o teu espírito
E se apodere dos nossos corações
E comece a reinar neles com vigor;
E saia de nós até ao mundo e suas estruturas.
Assim virá o teu reino.

Faça-se a tua vontade.
Que tudo o que fizermos
Concorde com o que desde sempre
Tens pensado e querido para todos.
Que não queiramos fazer uma terra
Distinta do teu céu.
Pai, que não façamos na terra
Nada distinto do que se faz no céu.
Dá-nos, juntamente com o pão de cada dia,
O espírito de justiça
Para repartirmos o que é nosso
E pormos a nossa segurança apenas em ti.
E perdoa-nos para que, purificados,
Nós possamos também perdoar.

Não nos abandones na tentação;
Não nos deixes expostos ao prazer,
Mas livra-nos da nossa cegueira,
Da nossa instalação.
Livra-nos do mal
E concede-nos poder dizer-te, cada dia,
Com todo o coração: PAI NOSSO.

Preparar-se

4ª Feira - XXIX Semana Comum

ESTAI VÓS PREPARADOS!

- Quem não se prepara não irá por onde quer nem quererá por onde vai.
- Quem não se prepara não sabe o que diz nem dirá o que sabe.
- Quem não se prepara não fará aquilo que gosta nem gostará daquilo que faz.

É preciso preparar-se.
Preparar-se é consultar a Deus.
“Que todos digam de ti:
nada faz sem consultar a Deus!”
(Pe. Dehon, Pequeno Directório para os reitores, 1919)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pai que é Nosso


Pai Nosso de cada dia (100)

Dois indivíduos são irmãos entre si porque são filhos do mesmo pai.
Dois cristãos, pelo contrário, são filhos do mesmo pai porque antes são irmãos de Cristo e em Cristo. Só através dele temos acesso ao Pai: Deus é pai, não por ser nosso criador. Se Deus é meu pai, é porque é nosso pai. Ninguém pode ter Deus por pai se não tem o seu próximo por irmão. A Igreja primitiva proibia, assim, os catecúmenos de rezar o Pai Nosso antes de receber o baptismo. O NOSSO não é adição ou resultado da soma do MEU àquele outro. É um todo. O NOSSO é a palavra indispensável que torna a oração universal no espaço e no tempo. Palavra que bem podia ser a primeira, pois sabemos que o caminho que leva ao pai passa pelos irmãos. O Pai Nosso como oração da fraternidade reza-se com os lábios e as mãos de todos. Rezemos então esta oração universal de mãos dadas:


......................Pai NOSSO que estais nos céus.
Santificado seja o VOSSO nome.
..............Venha a NÓS
........................O VOSSO reino.
..........Seja feita a VOSSA vontade assim na terra como no céu.
..................O pão NOSSO de cada dia
...........................NOS dai hoje.
...............Perdoai-NOS
.......................As NOSSAS ofensas
.........Assim como NÓS perdoamos
................A quem NOS tem ofendido.
...................E não NOS deixeis cair em tentação,
..... . .. ..Mas livrai-NOS do mal.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pai Nosso Verdade e Vida

O Pai Nosso de cada dia (99)

Eu sou a VERDADE:
Pai Nosso que estais nos céus,
Santificado seja o vosso nome.

Eu sou o CAMINHO:
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade
Assim na terra como no céu.

Eu sou a VIDA:
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Quem CRÊ EM MIM
NÃO MORRERÁ JAMAIS:
Perdoai as nossas ofensas,
Assim como nós perdoamos
A quem nos tem ofendido
E não nos deixeis cair em tentação,
Mas livrai-nos do mal.

sábado, 16 de outubro de 2010

Pai Nosso Verbal

O Pai Nosso de cada dia (98)

Deus é verbo e não substantivo. Deus é Javé, aquele que é. Ele é denominado, não por um nome, mas por aquilo que faz. No Pai Nosso, o orante não atribui a Deus grandes nomes, mas predispõe-se a aceitar as acções que ele opera. Ele é RES NON VERBA, actos e não palavras. Em todas as invocações, o realce vai para as formas verbais, estando quase sempre em primeiro lugar. Além disso, todas elas estão na forma positiva. Apenas uma vez o verbo apresenta-se no conjuntivo proibitivo, ao passo que nas outras está no imperativo. Rezemos então o Pai Nosso, conscientes destas realidades que exprimem algo que está para além destas palavras.


Pai Nosso,
que ESTAIS nos Céus,
SANTIFICADO SEJA
O vosso nome.
VENHA a nós
O vosso reino.
SEJA FEITA
A vossa vontade,
Assim na terra
Como no céu.
O pão nosso de cada dia
Nos DAI hoje.
PERDOAI
As nossas ofensas
Assim como nós PERDOAMOS
A quem nos TEM OFENDIDO
E NÂO NOS DEIXEIS CAIR,
Mas LIVRAI-NOS
De todo o mal.
Ámen. Assim SEJA.


Auxílio de Deus


Ano C - XXIX Domingo Comum

A Parábola do juiz iníquo e da viúva persistente é um convite a rezar sempre, sem desanimar. À primeira vista parece que Deus é esse juiz e que nós somos, pela nossa perseverança, como a viúva. Mas a identificação deve ser diferente. É Deus que bate à porta do nosso coração, que insiste, convida, nos interpela com a sua palavra. Até que um dia nós despertamos e atendemos a sua voz.

A propósito desta identificação, recordo uma história de Antony de Mello:
Um homem, viu na floresta, uma raposa com as patas aleijadas e admirou-se como, mesmo assim, sobrevivia. Nesse momento apareceu um tigre que trazia entre os dentes caça nova. Comeu a fera quanto quis, deixando o resto junto da raposa. No dia seguinte a mesma coisa: o homem observou como Deus alimentava a raposa servindo-se do tigre. E pensou consigo mesmo:
- Eu também me vou deitar, nalgum cantinho, com muita confiança no Senhor e ele vai mandar-me quanto me é necessário.
Assim fez, por alguns dias, mas nada aconteceu. E o pobre estava já às portas da morte, quando ouviu uma voz que dizia:
- Estás enganado, ó homem! Abre os teus olhos! Segue o exemplo do tigre e deixa de imitar a raposa aleijada!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pai Nosso Teresiano

Pai Nosso de cada dia (97)

Enquanto repetimos o Pai Nosso, Deus nos livre de não nos lembrarmos frequentemente do Mestre que nos ensinou esta oração com tanto amor e desejo de nos fazer bem. Reparai nas palavras que dizem aqueles lábios divinos, ensinando-nos o Pai Nosso e, logo à primeira, entendereis o amor que vos tem.

Pai Nosso que estais nos Céus.
Ó Senhor meu, como pareceis Pai de tal Filho
E ele como parece Filho de tal Pai!
Bendito sejais para sempre, eternamente!
Ó Filho de Deus e Senhor meu!
Quantos bens nos dais logo à primeira palavra.
Com tão grandes extremos vos humilhais,
A ponto de vos unirdes a nós para pedir connosco,
Fazendo-vos irmão das criaturas tão vis e miseráveis.
Querendo que vosso Pai nos tenha por filhos,
Em nome de vosso Pai dais tudo o que se pode dar.

Santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Considerai que reino é esse que lhe pedimos. Devido ao nosso limitado alcance, a sua majestade viu que nunca chegaríamos a santificar, nem louvar, nem engrandecer, nem glorificar de modo conveniente o nome santo do seu eterno Pai. A fim de nos preparar, deu-nos o seu reino, aqui na terra.

Seja feita a vossa vontade
Assim na terra como no céu.
Ó bom Jesus, como é deveras pouco
O que nos ofereceis em nosso nome,
Em comparação do muito que pedis para nós.
Pouco da nossa parte, uma insignificância,
Em confronto com o muito que devemos a tão grande soberano.
Entretanto é certo que nunca deixais de dar-nos alguma coisa.
Também vós vos damos tudo o que podemos dar,
Quando a nossa dádiva corresponde às nossas palavras:
Seja feita a vossa vontade.
Cumpra-se em mim, Senhor,
A vossa vontade de todos os modos e maneiras
Que vós, Senhor meu, quiserdes.
Se me quiserdes enviar sofrimentos,
Dá-me forças para suportá-los e venham!
Se perseguições e enfermidades,
Desonras e mínguas, aqui estou!
Não quero que haja falha da minha parte,
Depois que vosso filho em meu nome
Deu esta minha vontade,
Oferecendo a vontade de todos os homens.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Que pai haveria que tendo-nos dado o seu filho, e vendo o estado em que o pusemos, consentiria em deixá-lo entre nós a padecer, de novo, cada dia? Que grande amor o do filho e que grande amor o do pai! Nesta petição as palavras Cada Dia dão a entender uma dádiva que há-de durar para sempre. O Senhor tornou a repetir Nos Dai Hoje, pois o possuímos na terra e também o possuiremos no céu, se nos aproveitarmos da sua companhia nesta vida. Ele não permanece connosco senão com o fim de animar-nos, sustentar-nos e ajudar-nos a fazer a vontade de seu pai.

Perdoai as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos
A quem nos tem ofendido.
Quem pede uma dádiva tão grande como o pão do céu, quem submeteu a sua vontade ao poder divino, já perdoou tudo. Quem sinceramente tiver dito Faça-se a Vossa Vontade, há-de ter perdoado e, ao menos, estar resolvido a fazê-lo.

Não nos deixeis cair em tentação.
Mediante estas duas coisas – Amor e Temor – podemos ir sossegados por este caminho. Jamais descuidados, porque o temor há-de de tomar a dianteira. Segurança total nunca teremos enquanto estivermos nesta vida. Seria grande perigo.

Mas livrai-nos do mal.
Ó Senhor e meu Deus,
Livrai-me sem demora de todo o mal
E dignai-vos levar-me à mansão de todos os bens.
Ámen.

(Baseado em Santa Teresa de Jesus, Caminho de Perfeição, Ed. Paulinas, Rio de Janeiro, 1979).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Obras da Carne e Obras do Espírito

4ª Feira da XXVIII Semana Tempo Comum

Na primeira Leitura São Paulo apresenta duas listas: as obras da Carne e as obras do Espírito:

a) Obras da Carne - Luxúria, imoralidade, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, ciúmes, discórdias, ira, rivalidades, dissenções, faccionismos, invejas, embriaguez, orgias. Ao todo 15.

b) Obras do Espírito - Caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança. Ao todo 9.

Eu fico a pensar - Até São Paulo dá mais atenção à lista do mal do que à lista do bem, mas reparo que a maior parte das obras da carne está no plural. Isto quer dizer que podemos encher o nosso coração com todas essas obras que nunca ficaremos saciados e haverá lugar ainda para mais sem ficarmos satisfeitos. Enquanto as obras do Espírito, basta apenas uma para encher por completo e fazer transbordar o nosso coração. Por isso mesmo que a lista das obras da carne pode ser grande mas nunca será suficiente enquanto a do Espírito basta uma para nos satisfazer.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Senhora da Aparecida


12 de Outubro

Memória de Nossa Senhora da Aparecida, Padroeira do Brasil

O Pe. Dehon visitou o Santuário de Nossa Senhora Aparecida em 1906 e escreveu memórias dessa sua viagem ao Brasil publicando-as em livro: Leon Dehon, Mille lieues dans l’Amerique du Sud: Brésil, Uruguay, Argentine, (1909)

"Era o ano 1743. O governador de São Paulo, o conde de Assumar, passava por aquelas paragens com a sua comitiva. Pediu peixes do Paraíba. Diversos pescadores de profissão deitaram as suas redes em lugares diferentes e não apanharam nada. Com surpresa, no porto de Itaguaçu, um destes pescadores, chamado João Alves, recolheu na sua rede uma estátua de dois pesos. Era a Virgem Maria.
Conservou-a alguns meses, depois entregou-a a outro pescador, chamado Pedroso, que construiu uma altar e que todos os sábados, com os seus vizinhos, honrava a estátua com a recitação do Rosário e o canto de hinos. Uma vez, enquanto rezavam, duas velas acenderam-se sozinhas por si mesmas ao lado da Senhora. Foi o primeiro prodígio.
O fenómeno repetiu-se várias vezes e chegou aos ouvidos do bispo de Guaratinguetá. Com a ajuda dos fiéis ele fez erguer uma pequena capela, que alguns anos mais tarde foi ampliada. Os prodígios seguiram-se, atestados por testemunhos escritos.
Os milagres obtidos pelos fiéis são tão numerosos, que milhares de livros não chegariam para descrevê-los e a vista dos peregrinos seria demasiado curta para poder lê-los..."

Ao reler estas referências posso apenas fazer eco de duas mensagens:

1ª A Virgem Maria foi, literalmente, pescada para que nós não tenhamos medo de nos deixar apanhar pelas redes da salvação. Jesus continua a enviar-nos pescadores de homens. Deixemo-nos então pescar como a imagem da Senhora da Conceição se deixou pescar nas redes...

2ª A Virgem Maria aparece de vez em quando para nos recordar que também nós devemos aparecer na igreja, na comunidade... Ele é aparecida para que nós estejamos também presentes, para que nós apareçamos...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pai Nosso rezado por Deus

O Pai Nosso de cada dia (96)

Eu sou teu pai
E o pai dos teus irmãos
E estou na terra, no céu
E bem dentro do teu coração.

A minha vontade
É que sejas santo como eu sou santo
E que tomes consciência da minha presença,
No reino da fraternidade,
Aqui na terra como no céu.

Dou-te o pão do teu sustento
E o perdão que te faz perdoar também.

Respeito a tua liberdade
Nos momentos de tentação
E estou pronto a defender-te do mal,
Nos caminhos da perfeição.

domingo, 10 de outubro de 2010

Pai Nosso que Nossa Senhora rezou


O Pai Nosso de cada ida (95)

Pai Nosso que estais nos Céus.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu salvador.

Santificado seja o vosso nome.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas; santo é o seu nome.

Venha a nós o vosso reino.
Derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes.

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e a sua descendência para sempre.

Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos de coração.

sábado, 9 de outubro de 2010

Pai Nosso que estás connosco

O Pai Nosso de cada dia (94)

Pai Nosso que estás connosco,
Seja louvado o teu nome
Que nos dá a liberdade.
Venha a nós o teu reino de justiça e de paz.

Faça-se em nós a tua vontade,
Pois somos os artífices da libertação.
Dá-nos sempre o pão da tua comunhão com todos,
Na caridade e no diálogo fraterno.

Livra-nos da escravidão do pecado,
Para que sejamos homens novos.
Que saibamos perdoar aos outros,
Como tu nos perdoas.

Não nos permitas cair em tentação
De nos sentirmos superiores
E dominadores dos demais.
Livra-nos da escravidão injusta
E especialmente do nosso egoísmo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pai Nosso que és de todos

O Pai Nosso de cada dia (93)

Pai Nosso
Que és de todos,
Também dos ladrões, drogados, prostitutas,
Vizinhos que não pensam como nós,
Dos camaradas vermelhos,
Dos extremistas de direita,
És pai de todos.

Que estás nos céus e na terra,
Nos subúrbios, nas prisões, nos hospitais.

Santificado seja o teu nome:
Que vejamos que és santo,
Até nas trevas, nas quimeras,
Nos problemas que nos fazem sofrer,
Nas dores que nos levam ao desespero.

Venha a nós o teu reino,
O teu reino hoje, um reino de factos;
Que todos juntos, com foras conjugadas,
O possamos construir.

Faça-se a tua vontade:
Que vejamos claro que a vontade de Deus
Não é a dos homens.
A de Deus é que nos amemos
E estejamos ao serviço,
Ainda que os outros não nos agradem.

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje,
Mas também aos ciganos
Aos desempregados, despedidos;
E também o pão da cultura
E a justiça de cada dia.

Perdoa-nos as nossas faltas,
Os nossos rancores, o nosso mau humor,
As intransigências e impaciências,
A nossa língua demasiado comprida,
Impertinências e incoerências.

Assim como nós perdoamos a quem nos ofendeu.
Eles são sempre piores que nós,
As suas críticas, moléstias,
Orgulho, falta de compreensão.

Não nos deixeis cair em tentação
Da vaidade, de aparentar mais do que os demais,
Do dinheiro, orgulho, poder, comodidades,
Julgar os outros;
De não dar o braço a torcer,
De não procurar entender os outros.

Mas livra-nos do mal
Da sociedade de consumo,
Vinho, jóias, carros, gastos supérfluos,
Para nos sentirmos mais livres
E sermos melhor tuas testemunhas.

Gostar Mais


Ano C - XXVIII Domingo Comum

Ao reflectir sobre o episódio evangélico da cura dos dez leprosos e do único que voltou para agradecer, alguém me perguntou:
- Jesus gosta mais de uns do que de outros?
- Eu acho que Jesus gosta de todos. Porque é que fazes essa pergunta?
- É que Jesus deve ter gostado mais daquele que, depois de curado, veio agradecer…
- De facto Jesus registou o agradecimento e elogiou essa atitude, mas não deixou de perguntar pelos outros nove curados. Isso quer dizer que não deixava de pensar nem de gostar deles.
Então recordei um diálogo ocorrido num bairro bastante pobre. Uma assistente social entrou numa pobre barraca, onde se demorou a conversar com uma mãe de família. À sua volta havia muito barulho, pois vários miúdos brincavam por ali. A mãe pediu desculpa:
- Sabe, é que tenho dez filhos…
Então a assistente lembrou-se de lhe fazer uma pergunta que muitas vezes lhe tinha ocorrido em casos semelhantes:
- Qual o filho que a senhora mais ama?
Num gesto de ternura, essa mãe chamou toda a pequenada para junto de si e respondeu com toda a convicção:
- Amo mais o que está doente, até que ele fique bom, e o que está ausente, até que ele volte… ou o que mais me magoou até que se arrependa…
Assim é Deus.
Obrigado pela lição!


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pai Nosso Presente e Futuro


O Pai Nosso de cada dia (92)

Sem ares de pregação, o Pai Nosso ensina-nos a convencer-nos suavemente de que temos necessidade para a nossa vida, presente e futura do auxílio de Deus; que ainda não chegámos; que estamos a caminho e que, em vez de pararmos em insuficientes intenções, devemos tentar fazer delas uma realidade cada vez mais perfeita.

Pai Nosso, que estás nos Céus.
Convidados por ti
para nos ocuparmos também da tua glória,
damos-te graças por este chamamento.
Desejamos cooperar nela
como verdadeiros filhos.
Mas tu conheces a nossa fraqueza física e moral.
Sustenta o nosso corpo
pelo dom do pão quotidiano.
Inspira-nos a caridade e o perdão,
a exemplo da tua infinita misericórdia.
E, sobretudo, torna-nos fortes contra a tentação.
Dá-nos coragem no meio das provações,
faz-nos vencedores do mal
que tenta tudo para nos seduzir
e para te separar de nós.
Rodeados assim na terra da tua bênção,
digna-te reunir a todos
os que depois de Cristo Jesus
não deixaram de te chamar com fé e ternura:
Pai Nosso,
que te repetirão, face a face,
pelos séculos dos séculos.
Ámen.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Há 100 anos


Há precisamente 100 anos
5 de Outubro de 1910

O Pe. Dehon e a República Portuguesa

O Pe. Dehon foi um homem sempre bem informado e interessado pela história dos homens e das nações que conhecia e amava.
No próprio dia da revolução em que a Monarquia deu lugar à República Portuguesa, o Pe. Dehon foi informado e registou no seu diário pessoal essa mesma informação. Tenho a impressão que nem todos os territórios portugueses ficaram a saber dessa revolução nesse mesmo dia, com a celeridade com que o Pe. Dehon ficou informado.
Mesmo longe, quase nas antípodas da França, alguns dias depois escreveu ao confrade Pe. Falleur e partilhou essa informação. Só um homem culto ou um cidadão do mundo podia ter esta sensibilidade.

“Fiquei a saber hoje na cidade de S. Francisco, da revolução em Portugal. É uma etapa do plano da Franco-maçonaria."
(NQ, Vol IV, 5 de Outubro de 1910, pag. 115, referindo-se à implantação da República nesse mesmo dia)

“Sobre o Oceano Pacífico, na véspera de chegar a Honolulu, Ilhas Hawai, nos antípodas de São Quintino. Querido amigo, é o meio da viagem…Um despacho informou-me no Atlântico do incêndio em Bruxelas, um outro informou-me no Pacífico da revolução em Portugal… Anime toda a gente. L. Dehon.”
(Correspondência do Pe. Dehon - Data: 10 de Outubro de 1910) Destinatário: Pe. Falleur, Inventário: 299.06 AD: B20/7.3)

As primeiras referências do Pe. Dehon a Portugal apareceram nas Crónicas de “ O Reino do Coração de Jesus” desde 1889. Antes de conhecer Portugal in loco (3 vezes – 1900, 1906, 1907), o Pe. Dehon já escrevera 12 crónicas e ainda uma referência num artigo (1895) e duas alusões nos seus livros (Os Nossos Congressos e Renovação Social Cristã).
Última referência do Pe. Dehon sobre Portugal:
“Tem cartas de inquéritos em português. Envie-me algumas.”
(Correspondência do Pe. Dehon - Data: 13de Agosto de 1923; Destinatário: Bosio. Manuscrito. Inventário: 1133.25 AD: B97

Pai Nosso Poético

O Pai Nosso de cada dia (91)

Pai nosso que estás nos Céu!
Santificado e bendito
Seja o teu nome infinito,
Venha a nós o reino teu!

Hoje e em toda a eternidade,
Cumpra-se a tua vontade,
Na terra como no céu!
Dá-nos, ó Pai, e abençoa
O pão de que precisamos
Em cada dia que vem.
Nossas dívidas perdoa,
Assim como nós perdoamos
A quem nos deve também.
E, Senhor, que a tua mão,
Protectora e paternal,
Nos afaste a tentação,
Nos livre de todo o mal.

(Cf. A. DE CAMPOS MONTEIRO citado por Mons. Libânio Borges, Breves notas ao Pai Nosso, Porto, 1957, página 100).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Piadosas (7)

San Francesco d'Assisi

Depois da oração das vésperas alguém veio ter comigo com uma estampa ou 'santinha' na mão e perguntou-me:
- Senhor padre, donde é este santo?
- Então não sabes? É da Itália e até a legenda está em italiano - San Francesco d'Assisi.
- E é padroeiro de quem?
- Uns dizem que é patrono dos animais domésticos, outros que é o padroeiro dos ecologistas...
- E não é padroeiro dos drogados?
- Nunca ouvi tal. Porque é que perguntas isso?
- É que a legenda diz Francesco d'HAXIXE.
- Que ele te perdoe. É de Assis e não de haxixe!

Pai Nosso Partilhado

O Pai Nosso de cada dia (90)

Pai Nosso que estais nos Céus:
Deus Pai, protegei, auxiliai, dai segurança, amai, perdoai.
Ele é invisível, está presente, vela por nós, sente-se sem se ver.
Ele está presente no nosso coração, nas nossas alegrias e nas nossas dores.
Ele está presente no meio do mundo, enche a Terra inteira.

Santificado seja o vosso nome:
Que todos vos adorem, ó Deus, e cós louvem como convém.
Que o vosso nome ande nos nossos lábios a todo o momento.
Que não se pronuncie o vosso nome levianamente, pois ele é santo.
Que o vosso nome seja louvado por todos, sobretudo pelos simples.

Venha a nós o vosso reino:
Que o vosso reino cresça todos os dias no mundo.
O vosso reino é reino de justiça e amor, de verdade e vida.
O vosso reino é de paz e concórdia, de igualdade e liberdade.
Fazei de nós anunciadores do vosso reino.

Seja feita a vossa vontade
Assim na Terra como no Céu:
A vontade de Deus é a nossa felicidade, a nossa alegria plena.
A vontade de Deus é que sejamos salvos de toda a escravidão.
Convertei, ó Deus, os nossos corações à vossa vontade.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje:
O pão fresco de cada manhã e o pão da mesa do pobre.
Que nós saibamos repartir o pão do mundo com justiça.
Ajudai-nos a dar o pão do carinho,
Da amizade e da companhia amiga,
Áqueles que vivem com fome de amor.
E têm direito à festa da vida.

Perdoai as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido:
Felizes os que perdoam a todos, até aos inimigos.
Felizes os que preferem a paz que constrói em vez da guerra que divide.
Felizes os que têm palavras e gestos de perdão e de misericórdia.

Não nos deixeis cair em tentação,
Mas livrai-nos do mal.
Somos fracos, incapazes, vulneráveis.
O caminho das bem-aventuranças é muitas vezes difícil.
Livrai-nos de todo o mal, o de dentro e o de fora de nós.
Convosco seremos fortes.

(Cf. PEDROSA FERREIRA, Jovens 2001, Ed. Salesianas, Porto, 1985, Páginas 53-54).

Francisco de Assis

4 de Outubro
Memória de São Francisco de Assis

Duas mensagens:

"Francisco foi a imagem viva de Jesus pobre e simples"
De facto Francisco não só interiormente procurou assemelhar-se com Jesus, mas também a nível exterior foi muito parecido com Ele:
- pobre como Ele (que não tinha nem uma pedra que chamasse sua onde reclinar a cabeça)
- simples e fraterno, a todos tratava por irmão
- generoso, pois quanto recebia partilhava
- até trazia no seu corpo os mesmos estigmas, as mesmas chagas de Jesus.
Melhor imitação ninguém pode alcançar.
Já que não somos capazes de imitar a Cristo no nosso exterior como São Francisco, pelo menos tentemos copiá-lo nalguma coisa interior - o mesmo espírito de oração, de fraternidade, de devoção...


São Francisco foi um verdadeiro reformador ou restaurador da Igreja:
"É impossível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições".
Ele fundou a Ordem dos Frades Menores não para restaurar a santidade, mas restaurou as instituições com a santidade.

PAZ E BEM!

sábado, 2 de outubro de 2010

Pai Nosso Pai


O Pai Nosso de cada dia (89)

Dizer ‘Pai’ não significa fazer um esforço de imaginação ou ter uma certa ideia de Deus: significa mais simplesmente entrar no modo de rezar de Jesus. Todas as Suas orações, transmitidas no Evangelho, principiam assim: ‘Pai’:
‘Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra’ (Mat 11, 25);
Pai, tudo te é possível, afasta de Mim este cálice’ (Mc 14, 36);
As duas orações sobre a cruz, traduzidas por S. Lucas:
Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’, Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito’ (Lc 23, 34.46).
No Evangelho de S. João, Capítulo XI: ‘Pai, graças te dou, por me haveres ouvido’; e no Capítulo XII: ‘Pai, salva-me desta hora’, ‘Pai, glorifica o teu nome.
Ainda em S. João, capítulo XVII, na Oração Sacerdotal: ‘Pai, manifestei o teu nome… glorifica o teu nome… Pai Santo, guarda em teu nome aqueles que me deste’.
Se todas as orações de Jesus, que nos são transmitidas, começam com a invocação: ‘Pai’, quer dizer que este é o primeiro grau, a atmosfera da oração, é o horizonte em que a oração se realiza. E este horizonte, que é o seu, Jesus coloca-o no nosso coração, convidando-nos a entrar no Seu modo de rezar. Idealmente, todos os pedidos do Pai Nosso deveriam ser precedidos pela invocação:


Pai Nosso que estais nos Céus.
Pai, santificado seja o vosso nome,
Pai, Venha a nós o vosso reino.
Pai, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
Pai, o nosso pão de cada dia, nos dia hoje.
Pai, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Pai, não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

(Cf. CARLOS M. MARTINI, Itinerário de oração, Ed. Paulistas, Lisboa, 1984, páginas 88-89).

Agir com amor


Ano C - XXVII Domingo Comum

Um dia Abraão convidou um vizinho para jantar. Enfeitou a tenda e preparou saborosos manjares. Logo no início da refeição, após o primeiro copo de vinho, o vizinho começou a falar contra tudo e contra todos. Bem Deus foi poupado às suas críticas. Blasfemou, mostrou desprezo pelos crentes, expôs todo o seu mau génio. Abraão perdei o apetite e, levantando-se, expulsou-o da sua tenda:
- Não admito que tratem assim o meu Deus nem os seus amigos.
À noite, ainda perturbado pelo que ouvira, foi contemplar as estrelas do Céu e pedir perdão pelas palavras insensatas do seu hóspede, Sentiu-se orgulhoso por ter cumprido o seu dever, fechando a porta a quem não merecia a menor hospitalidade Tinha cumprido a sua obrigação, mas… Deus parecia não estar satisfeito:
- Não estejas triste por causa desse ímpio, Senhor. Repara como fui destemido para com ele…
- Abraão, - disse Deus – estou triste por ti. Até agora sustentei esse homem, tenho-o mantido vivo, suportei-o durante toda a sua vida e tu não conseguiste suportá-lo nem cinco minutos!?
Só então Abraão compreendeu que Deus nada faz por obrigação; tudo faz por amor.
E o Profeta acrescentou:
- Sou um servo inútil: fiz apenas o que devia fazer.
E passou a fazer tudo por amor.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pai Nosso nos Salmos


O Pai Nosso de cada dia (88)

Quem diz, por exemplo, assim como diante dos povos manifestastes em nós a vossa santidade, assim também diante de nós manifestai neles a vossa grandeza, e sejam acreditados os vossos profetas, que outra coisa diz senão:
Pai Nosso que estais nos Céus,
Santificado seja o vosso nome.

Quem diz: Deus dos exércitos, vinde de novo, iluminai o vosso rosto e seremos salmos, que outra coisa diz senão:
Venha a nós o vosso reino.

Quem diz: dirigi os meus passos segundo a vossa palavra e que nenhuma impiedade me domine, que outra coisa diz senão:
Seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no Céu.

Quem diz: Não me diz pobreza nem riqueza, que outra coisa diz senão:
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Quem diz: lembrai-vos, Senhor, de David e da sua grande piedade ou também: Senhor, se estou culpado, se nas minhas mãos há iniquidade, se fiz mal a quem me fez bem, que outra coisa diz senão:
Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.

Que diz: Livrai-me, ó Deus, dos meus inimigos, protegei-me contra os meus agressores, que outra coisa diz senão:
Livrai-nos do mal.

Se evocarmos todas as invocações contidas na Sagrada Escritura nada encontramos que não esteja incluído e compreendido nesta oração do Senhor. Por isso, podemos usar na oração do Senhor. Por isso, podemos usar na oração outras palavras para pedir a mesma coisa, mas não para pedir coisas diferentes.

(Cf. Carta de Santo Agostinho a Proba, Ep. 130, 12,22-13,24, CSEL 44 páginas 65-68)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Pai Nosso nos sacramentos


O Pai Nosso de cada dia (87)

Pai Nosso nos sacramento e os sacramento no Pai Nosso

Os sacramentos são os sinais que Deus escolheu para expressar a sua presença em todas as etapas da vida do homem. Deus está presente em todos os momentos da nossa caminhada. A estrutura do Pai Nosso condensa esses sinais e compromete-se a viver essa presença. Ao rezarmos esta oração, tomemos consciência do seu carácter sacramental, isto é, da nossa vivência dos sacramentos nela condensados.

Pai nosso que estais nos Céus
Santificado seja o vosso nome.
No sacramento do Baptismo nós assumimos a nossa filiação divina. Foi o ingresso numa nova vida, numa nova relação com Deus e com os irmãos. Empenhámo-nos a ser santos tal como Deus é santo, a viver como filhos de Deus que realmente somos.

Venha a nós o vosso reino.
No sacramento do Crisma ou Confirmação assumimos a nossa condição de concidadãos do Reino de Deus. Somos investidos testemunhas qualificadas de Cristo no mundo.

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
No sacramento da Ordem ou do Matrimónio cada homem responde à sua vocação, assume e vive o seu chamamento na fidelidade ao estado em que a vontade de Deus o chamar.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
No sacramento da Eucaristia o cristão acolhe a presença de Deus como o pão que desceu do céu, que o alimento na caminhada e que o faz partilhar os bens materiais.

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Na Confissão ou Penitência o homem reconcilia-se com Deus e com os irmãos, já que os desvios são uma constante na caminhada. Este sacramento é o sinal do arrependimento e da conversão para uma vida melhor, e do perdão de Deus.

Não nos deixeis cair em tentação
Mas livrai-nos do mal.
S Santa Unção é sinal de que Deus não nos abandonou nos momentos mais difíceis de sofrimento e de dor. Não estamos sós neste mundo apesar da tentação nos circundar.

Sempre que rezamos o Pai Nosso, recordemos os sacramentos da presença de Deus entre nós e comprometamo-nos a vivê-los de uma maneira global e perfeita.

Anjos são missionários

29 de Setembro
Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

O Pe. António Vieira, em 1662, no Sermão da Epifania, escrevia:

"No tempo do nascimento de Cristo dividiu-se o mundo em duas nações, em que se compreendiam todas: a judaica e a gentílica; e para o Senhor fundar em ambas a nova Igreja cristã, que vinha edificar e propagar, bem sabemos quais foram os sujeitos que escolheu: Aos pastores, que eram judeus, mandou um anjo; aos Magos, que eram gentios, mandou uma estrela.
E por que estrelas e anjos entre todas as criaturas?
Porque as estrelas são luz, os anjos são espíritos.
Quem não tem luz, não pode guiar: quem não tem espírito, não pode converter.

E nós queremos converter o mundo sem anjos e com trevas.

Assim, o anjo como a estrela foram missionários trazidos do céu: e de lá era bem que viessem todos; mas já que os não podemos trazer do céu, como Cristo, por que não mandaremos os melhores ou menos maus da leira?"

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

São Vicente de Paulo

27 de Setembro
Memória de São Vicente de Paulo, Presbítero

Da antífona das Laudes de hoje:
"Consolador dos aflitos e protector dos fracos, S. Vicente revelou aos homens o coração de Deus."

Quem sou eu para seguir este exemplo?!
Não peço então capacidade para revelar ao homens o coração de Deus,
mas peço simplesmente a capacidade de revelar aos homens o Deus do coração:
O Deus que trago no meu coração e o Deus que é Coração.
Ámen.

Pai Nosso da Didakhé


O Pai Nosso de cada dia (86)

A Didakhé ou Instrução dos Apóstolos é uma pequena obra de conteúdo moral-litúrgico que contém instruções para os catecúmenos, com a descrição simbólica das duas vias (a da vida e a do pecado); normas sobre o baptismo, sobre a eucaristia; jejum, oração, hierarquia da Igreja e uma espécie de estudo para as relações entre as diferentes comunidades do final do século I e início do II. No campo da liturgia sacramental, aborda o jejum e a oração, apelando para a recitação da oração do Senhor. O Pão Nosso apresentado é tal e qual o que refere S. Mateus, salvo pequenas variantes. A doxologia final encontra-se em manuscritos gregos e nalgumas versões antigas.
Rezemos como o Senhor mandou no Evangelho:

Pai Nosso que estás nos Céus,
Santificado seja o teu nome;
Que o teu reino venha.
Seja feita a tua vontade
Como no céu também sobre a terra.
Dá-nos hoje o pão da nossa subsistência
E perdoa-nos a nossa dívida
Como também nós perdoamos aos nossos devedores.
E não nos leves para a tentação,
Mas livra-nos do mal.
Porque são teus o poder e glória pelos séculos!

Rezai assim três vezes ao dia: na hora de tércia (nove da manhã), da sexta (ao meio dia) e na hora de nona (pelas três da tarde). Deste modo, o pai Nosso, recitado três vezes durante o dia, constitui o primeiro núcleo da oração oficial da Igreja, que depois se desenvolveu no ofício divino, imposto aos sacerdotes, distribuído pelas várias horas do dia. Também chamado Horas Canónicas e, modernamente, Liturgia das horas.

(Cf. Didakhé, Ed. Paulistas, Lisboa, 1967, página 75).

domingo, 26 de setembro de 2010

Pai Nosso da Cruz

O Pai Nosso de cada dia (85)

O Pai Nosso é uma oração cósmica, porque une Deus e o homem, a natureza e a graça, a criação e a redenção, o céu onde está o Pai e a terra onde estamos nós; porque o reino vem de cima, mas não se implanta sem a colaboração dos homens.
O Pai Nosso abarca o aspecto vertical – pois Deus condescende em ser invocado como Pai. Engloba também o aspecto horizontal – porque o amor a Deus deve encarnar-se no amor ao homem. Tal como a Cruz de Cristo, que liga o homem a Deus e os homens entre si num amplexo santificador, o Pai Nosso aponta para o Céu e une os homens numa mesma fraternidade.
Rezemos então com os braços abertos, configurando-nos com a cruz, o Pai Nosso, que é a própria Cruz de Cristo traduzida em oração.

....................PAI NOSSO
...................QUE ESTAIS
.....................NOS CÉUS
..................SANTIFICADO
....SEJA O VOSSO NOME VENHA A
...NÓS O VOSSO REINO SEJA FEITA
.....A VOSSA VONTADE ASSIM NA
......TERRA COMO NO CÉU O PÃO
.NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE
.PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS
..................ASSIM COMO
..................NÓS PERDO-
................AMOS A QUEM
....................NOS TEM
.................OFENDIDO E
....................NÃO NOS
................DEIXEIS CAIR
...............EM TENTAÇÃO
.................MAS LIVRAI-
................-NOS DO MAL.

Saber ver


Ano C - XXVI Domingo Comum

Na Parábola do rico Epulão e do pobre Lázaro, Jesus chama a atenção para p espírito de abertura ao outro, que deve comandar a nossa vida. Aquele homem rico não foi condenado pelo facto de ter muitos bens, nem por se ter banqueteado, ou por ser mal comportado. A condenação deveu-se a ter sido incapaz de ver o pobre que jazia à sua porta. Ele não viu o que até os cães viram: alguém que precisava de alguém e que pedia tão pouco. É esta cegueira que é condenável.

Um dia o discípulo perguntou ao seu mestre:
- O ouro e a prata são prejudiciais à santidade?
O Mestre levou-o até junto da janela e, por sua vez, perguntou-lhe:
- Que vês?
- Vejo árvores, jardins, pessoas a passear, crianças a saltar…
Seguidamente colocou uma chapa de prata por detrás do vidro da janela e de novo inquiriu:
- Que vês agora?
- Vejo o meu rosto reflectido.

Foi assim que o discípulo compreendeu que as riquezas, quando colocadas em primeiro plano, nos impedem de ver mais além, só somos capazes de nos ver a nós mesmos. A riqueza que condena e mata é a auto-suficiência e o desprezo dos outros. É preciso distanciarmo-nos dos bens deste mundo para que estes não nos ceguem.
Que o Senhor nos dê olhos para ver os outros.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Proto-mártir dehoniano


22 de Setembro

Memória do Beato Juan Maria de la Cruz (1891/1936)
Sacerdote Dehoniano Espanhol
Mártir da perseguição religiosa na Guerra Civil Espanhola

"No nosso tempo, o preço que temos de pagar pela fidelidade ao Evangelho já não é ser enforcado, desconjuntado e esquartejado; é antes, e de modo frequente, ser excluído, ridicularizado ou parodiado"
Bento XVI, Hyde Park, 18.Set.2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mateus

21 de Setembro

Festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista








Mateus, filho de Alfeu, foi cobrador de impostos. Também foi conhecido por Levi.
De acordo com a tradição, após pregar aos judeus da Palestina, foi para Etiópia.
Algumas dizem que teve morte natural. Outras dizem que ele foi crucificado na Etiópia e depois decapitado.
O seu escudo ostenta três bolsas de moedas, que lembram sua profissão de cobrador de impostos.

A herança principal de Mateus é o seu Evangelho, escrito primeiro em aramaico e traduzido pouco depois para o grego.

A exemplo de Mateus, Jesus só chama quem está ocupado, a trabalhar ou em missão. Chama para mudar de ocupação e não para passar a estar ocupados.

Estejamos sempre ocupados, pois só assim Deus precisará de nós e nos entregará nova missão.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pai Nosso Memorial e Compromisso


O Pai Nosso de cada dia (84)

O Pai Nosso é um memorial do plano de Deus e um programa do compromisso do homem. Como memorial, é inventário, enumeração do que Deus fez por nós, reconhecimento como tomada de consciência e agradecimento. É também compromisso, pois quando tudo se recebeu, nada mais resta do que dar. No Pai Nosso, Deus dá o tornar-se pai, o tornar-se Deus para os outros, o fazer pelos outros o que ele fez por nós.

Pai Nosso
Que estabeleceste a tua morada entre nós.
Vendo como sabemos amar,
Todos conhecerão o teu nome,
Todos conhecerão quem no-lo ensinou.
O teu reino já está no meio de nós,
Porque fizeste o homem à tua imagem e semelhança.
Tu cumpriste a tua vontade em Jesus Cristo.
A nós compete continuar a sua missão
De curar os doentes, perdoar os pecados,
Ressuscitar os mortos,
Reunir num só corpo os filhos dispersos.
O pão que te pedimos,
Tu só nos tens a nós para o produzir,
Só nos tens a nós para o transmitir aos outros.
O perdão que tu nos dás é o perdoar também.
Se algumas vezes não somos capazes de perdoar,
É que não nos abrimos ainda ao teu perdão.
Tu livraste-nos do mal,
Revelando-nos que há sempre motivos para amar
E que o amor vence as tentações e todo o mal.
Com a nossa oração,
Queremos deixar que te tornes
Deus em nós, sempre e em toda a parte.
Ámen.

domingo, 19 de setembro de 2010

Pai Nosso Luterano


O Pai Nosso de cada dia (83)

Pai Nosso que estás nos céus.
Que significa isso?
Deus quer atrair-nos carinhosamente com estas palavras, para crermos que ele é nosso verdadeiro Pai e nós, os seus verdadeiros filhos, a fim de que lhe roguemos sem temor, com toda a confiança, como filhos amados ao querido Pai.

Santificado seja o teu nome.
Que significa isso?
O nome de Deus, na verdade, é santo por si mesmo. Mas suplicamos nesta petição que também se torne santo entre nós.
Como sucede isso?
Quando a palavra de Deus é ensinada genuína e puramente, e nós, como filhos de Deus, também vivemos uma vida santa, em conformidade com ela; para isso nos ajuda, o querido Pai do Céu. Aquele, porém, que ensina e vive de modo diverso do que ensina a palavra de Deus, profana o nome de Deus entre nós. Guarda-nos disso, ó Pai celeste!

Venha o teu reino
Que significa isso?
O reino de Deus vem, na verdade, por si mesmo, sem a nossa prece; mas suplicamos nesta petição que venha até nós.
Como sucede isso?
Quando o Pai celeste nos dá o seu Espírito Santo, para crermos, por sua graça, na sua santa palavra e vivermos vida piedosa, neste mundo ena eternidade.

Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.
Que significa isso?
A boa e misericordiosa vontade de Deus, em verdade, é feita sem a nossa prece; mas suplicamos nesta petição que seja feita também entre nós.
Como sucede isso?
Quando Deus desfaz e impede todo o mau intento e vontade que não nos querem deixar santificar o seu nome, nem permitir que venha o seu reino, tais como a vontade do diabo, do mundo e da nossa carne; e quando, por outro lado, nos fortalece e preserva firmes na sua palavra e na fé, até ao nosso fim. Esta é a sua graciosa e boa vontade.

O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
Que significa isso?
Deus, na verdade, também dá o pão de cada dia, sem a nossa prece, a todos os homens maus. Suplicamos, porém, nesta petição que nos faça reconhecê-lo e receber com agradecimento o pão nosso de cada dia.
Que significa isso?
Tudo o que pertence ao sustento e às necessidades da vida, como: comida, bebida, vestes, calçado, casa, lar, campos, gado, dinheiro, bens, consorte piedosa, filhos piedosos, empregados bons, superiores piedosos e fiéis, bom governo, bom tempo, paz, saúde, disciplina, honra, leais amigos, vizinhos fiéis e coisas semelhantes.

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores.
Que significa isso?
Suplicamos nesta petição que o Pai celeste não observe os nossos pecados, nem por causa deles recuse as nossas preces; pois somos indignos de todas as coisas que pedimos, nem as perecemos; mas no-las conceda todas por graça, visto pecarmos muito diariamente e nada merecermos senão castigo. Assim nós, na verdade, queremos da nossa parte perdoar também de coração, e de boa vontade fazer o bem aos que pecam contra nós.

E não nos deixes cair em tentação.
Que significa isso?
Deus, em verdade, não tenta ninguém; mas suplicamos nesta petição que nos guarde e preserve, para que o diabo, o mundo e a nossa carne não nos enganem, nem nos seduzam a crenças falsas, desespero e outras grandes infâmias e vícios; e ainda que tentados, vençamos afinal e retenhamos a vitória.

Mas livrai-nos do mal.
Que significa isso?
Suplicamos, em resumo, nesta petição que o pão celeste nos livre de todos os males que afectam o corpo e a alma, os bens e a honra, e, finalmente, quando vier a nossa hora derradeira, nos conceda um fim bem-aventurado e nos leve, por graça, deste vale de lágrimas para junto de si, no céu.
Que significa isso?
Devo estar certo que estas petições são agradáveis ao Pai celeste e ouvidas por ele; pois ele mesmo nos ordenou orar desta maneira e prometeu atender-nos. Ámen. Significa isso: assim seja.

(Cf. MARTINHO LUTERO, Os Catecismos, Concórdia Ed/Ed Sindal, Porto Alegre/S.Leopoldo 1983, páginas 272-275).

Dois Senhores

Ano C - XXV Domingo Comum

Ninguém pode servir a dois senhores:

- Porque há um só Senhor
(tal como ninguém pode ver duas luas porque só há uma lua)

- Porque só Deus basta
(Só Ele nos pode saciar, não é preciso buscar outro)

- Porque o homem não pode ficar dividido
(o nosso coração é único bem como o nosso amor)

- Porque o homem deve optar
(Não podemos agradar a gregos e a troianos)

- Porque Deus nos escolheu primeiro
(Só a Ele pertencemos)

- Porque o dinheiro foi feito para o homem e não o homem para o dinheiro
(O dinheiro está ao serviço do homem e não o contrário)

sábado, 18 de setembro de 2010

Pai Nosso já realizado


O Pai Nosso de cada dia (82)

Quando se reza de verdade, cada uma das petições do Pai Nosso começa a cumprir-se no momento em que é formulada.

Ao pronunciar o nome de Deus Pai,
Estamos já a glorificar este nome.
Se desejamos que venha a nós o seu reino,
O nosso desejo testemunha
Que pertencemos já a esse reino.
Ao pedir que se cumpra a sua vontade,
Abandonamo-nos já a ela.
Na medida em que verdadeiramente
Pedimos o pão de cada dia,
Dizemos que estamos a fazer o possível
Para reduzir as nossas necessidades ao mínimo.
Se perdoamos as nossas ofensas,
Já fomos perdoados por Deus.
Ao pedir o auxílio divino
Contra as tentações e assaltos do mal,
Ao rezar assim, asseguramo-nos da vitória
Contra aquela legião que só a oração é capaz de vencer.

Rezar é comungar com Deus, é identificar-se com a sua vontade e assimilar as suas razões. Deus é imutável, ele não muda com a nossa oração. Quem muda somos nós.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Pai Nosso internacional


O Pai Nosso de cada dia (81)

Desde o princípio do século XII a tradição fixou a região de Betânia, perto do Monte das Oliveira, como o local onde Jesus ensinou aos discípulos o Pai Nosso (Lc 11, 2-4). A partir do século IV ergueu-se uma igreja, chamada Carmelo do Pater, restaurada pelos Cruzados e, desde 1876, a cargo das Irmãs Carmelitas. Num pátio desse convento encontra-se reproduzido em painéis o texto do Pai Nosso em 47 línguas, entre as quais a portuguesa.

1. Em Português
Rezemos confiantes a oração que o Senhor nos ensinou.
2. Em Latim
Praeceptis salutaribus moniti et divina institutione formati, audemus dicere:
3. Em Francês
Comme nous lávons appris du Saveur et selon son commendement, nous osons dire.
4. Em Inglês
Let us pray with confiance to the Father in the Words our Savior gave us.
5. Em Espanhol
Fieles a la recomendaciòn del Salvador y siguendo su divina enseñanza, nos atrevemos a decir.
6. Em Italiano
Obbedienti al comando del Salvatore e formati al suo divino insegnamento, osiamo dire.
7. Em Alemão
Dem wort unseres Herrn und Erlösers gehorsam und getreu seinem Auftrag wagen wir zu sprechen

1. Pai Nosso que estais nos Céus
2. Pater noster qui es incoelis
3. Notre Père qui es aux cieux
4. Our Father who are in heaven
5. Padre nuestro que estás en los cielos
6. Padre nostro che sei nei cieli
7. Vater unser im Himmel

1. Santificado seja o vosso nome
2. Sanctificetur nomem tuum
3. Que ton nom soit sanctifié
4. Hallowed be thy name
5. Santificado sea tu nombre
6. Sia santificato il tuo nome
7. Geheiligt werde dein Name

1. Venha a nós o vosso reino
2. Adveniat regnum tuum
3. Que ton règne vienne
4. Thy Kingdom come
5. Venga a nosotros tu reino
6. Venga il tuo regno
7. Dein reich Komme

1. Seja feita a vossa vontade assim n aterra como no céu
2. Fiat voluntas tua sicut in coelo et in terra
3. Que ta volunté soit faite sur la terre comme au ciel
4. Thy will be done on earth as it is in heaven
5. Hágase tu voluntad así en la tierra como en el cielo
6. Sia fatta la tua voluntá come in cielo cosí in terra
7. Dein willw geschehe wie im himmel so auf erden

1. O pão nosso de cada dia nos dai hoje
2. Panem nostrum quotidiannum da nobis hodie
3. Donne-nous aujourd’hui notre pain de ce jour
4. Give us thus day our daily bread
5. El pan nuestro de cada dia dánosle hoy
6. Dacci oggi il nostro pane quotidiano
7. Unser tägliches brot gib uns heute

1. Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido
2. Et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debito ribus nostris
3. Pardonne-nous nos offenses comme nous pardonnons aussi à ceux qui nous ont offensés
4. And forgive us our trespasses as we forgive those who trespass against us
5. Y perdónanos nuestras deudas así como nosotros perdonamos a nuestros deudores
6. E rimetti a noi I nostril debiti come noi li rimettiamo ai nostril debitori
7. Und vergib uns unsere schuld wie auch wwir vergeben unsern schuldigern

1. E não nos deixeis cair em tentação
2. Et ne nos inducas in tentationem
3. Et ne nous soumets pas à la tentation
4. And lead us not into temptation
5. Y no nos dejes caer en la tentación
6. E non ci indurre in tentazione
7. Und führe uns nicht in versuchung

1. Mas livrai-nos do mal
2. Sed libera bos a malo
3. Mais délivre.nous du mal
4. But deliver us from evil
5. Mas libranos del mal
6. Ma liberaci dal male
7. Sondern erlöse uns von dem bösen


Ou tudo ou nada

Ano C - XXV Domingo Comum

Nenhum servo pode servir a dois senhores…
Não podeis servir a Deus e ao dinheiro,

diz Jesus no Evangelho.

Por vezes as riquezas tornam-se tão importantes para nós, a ponto de condicionarem a nossa vida e o nosso destino.

Sabem como fazem os indígenas africanos para apanhar macacos?
Amarram bem. Num ramo, uma bolsa de couro na qual põem um pouco de arroz, de que os macacos são muito gulosos. O pequeno saco tem uma única abertura, estreitas para poder passar apenas a mão do animal. Quando a mão fica cheia de arroz, o macaco não pode retirá-la de dentro. Poderia abrir a mão, abandonando o alimento, mas não o faz, pois não quer perder nada. Enquanto se esforça por libertar-se do saco, é apanhado pelos indígenas.
O caso é patético: renunciar à própria liberdade por não abandonar o que se tem nas mãos.

E eu olho para as minhas mãos. Se rejeito bens temporais não é para ficar de mãos vazias, mas para possuir tudo por acréscimo. Não é o vazio que me atrai, mas a plenitude dum Reino que está preparado. Servir a Cristo é ganhar.

Na mesma página, Jesus elogia um administrador oportunista. Não é pela sua decisão que o elogia, mas sim pela esperteza. É a inépcia dos bons que faz o sucesso dos maus. Estes só são fortes, quando os bons são fracos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pai Nosso Franciscano

O Pai Nosso de cada dia (80)

Santíssimo Pai Nosso,
Nosso Criador, nosso Redentor, nosso Consolador.
Que estás nos Céus,
Nos anjos e nos santos:
Iluminando-os, porque tu és luz;
Inflamando-os, porque tu és amor;
Enchendo-os, porque tu és o sumo bem, o bem eterno.
Santificado seja o teu nome.
Ilumina a nossa inteligência para conhecer melhor:
A largueza dos teus benefícios,
A grandeza das tuas promessas,
A alteza da tua majestade,
A profundeza dos teus juízos.

Venha a nós o teu reino,
Onde a tua visão é clara, a tua caridade é perfeita,
A tua companhia é ditosa e o teu gozo é eterno.
Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu,
Para te amarmos de todo o coração:
Sempre te amarmos de todo o coração:
Sempre em ti pensando, sempre a ti desejando.
E para amarmos o nosso próximo:
Atraindo todos ao teu amor,
Alegrando-nos dos seus bens,
Compadecendo-nos dos teus males.

O pão nosso de cada dia,
O teu dilecto Filho nosso Senhor Jesus Cristo,
Nos dai hoje
Para memória do amor que nos tem.

E perdoa as nossas ofensas
Pela tua inefável misericórdia,
Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
E o que não perdoamos faz que perdoemos;
A ninguém paguemos o mal com o mal;
A todos procuremos socorrer por teu amor.
E não nos deixes cair em tentação,
Oculta ou manifesta.
Mas livra-nos do mal
Passado, presente e futuro. Ámen.

(Cf. São Francisco de Assis citado por Francisco de Osuna, BAC, Madrid 1972, páginas 397-398).

O Perfume de Maria Madalena

5ª Feira - XXIV Semana Comum

Todos nós fazemos a mesma experiência do episódio do Evangelho de hoje:
- Também nos sentamos à mesa com Jesus
- Também partilhamos a mesma refeição
- Também ouvimos as suas parábolas
- Também choramos os nossos pecados
- Também somos perdoados
- Também sentimos a alegria de um grande amor
- Também ouvimos dizer - Vai em paz
Só me falta experimentar o cheiro do óleo perfumado que Maria Madalena usou para ungir os pés de Jesus - Um vaso de alabasto com Nardo puro.

Como no mês passado estive a peregrinar pela Terra Santa veio na minha bagagem um frasco de perfume Nardo de Maria Madalena.

Hoje, nas missas que celebrei, partilhei esse perfume.
Já que hoje esperimentei o perfume de Maria Madalena, espero experimentar também o seu arrependimento e a alegria do perdão.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Nossa Senhora das Dores

15 de Setembro
Nossa Senhora das Dores
ou as Dores de Nossa Senhora

Hoje não sei o que fazer:
- se contemplar a Senhora das Dores ou se contemplar as dores da Senhora.
- se fazer a lista das dores de Nossa Senhora ou se fazer a lista das minhas própias dores.
- se fazer a lista das alegrias de Nossa Senhora ou se fazer a lista das minhas próprias alegrias.


AS 7 DORES DE NOSSA SENHORA

1ª Dor - Profecia de Simeão
Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma (Lc 2,34-35).

2ª Dor - Fuga para o Egipto
O anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egipto e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egipto (Mt 2,13-14).

3ª Dor - Maria procura Jesus em Jerusalém
Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre parentes e conhecidos. E, não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele (Lc 2,43b-45).

4ª Dor - Jesus encontra a Sua Mãe no caminho do Calvário
Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e o encarregaram de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e lamentavam-se (Lc 23,26-27).

5ª Dor - Maria ao pé da Cruz de Jesus
Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis aí o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis aí a tua Mãe! (Jo 19,15-27a).

6ª Dor - Maria recebe Jesus descido da Cruz
Chegada a tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de sábado, veio José de Arimateia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o corpo da cruz (Mc 15,42).

7ª Dor - Maria deposita Jesus no Sepulcro
Os discípulos tiraram o corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é o costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus (Jo 19,40-42a).


AS 7 ALEGRIAS DE NOSSA SENHORA

As Sete Alegrias de Nossa Senhora, chamada também de Coroa Seráfica ou Rosário Franciscano, compõe-se de sete mistérios em honra das sete alegrias de Nossa Senhora, consubstanciadas nos seguintes principais mistérios:

1. Encarnação do Verbo divino;

2. Visitação da Mãe de Deus à sua prima santa Isabel;

3. Nascimento de Jesus;

4. Adoração prestada ao Divino Infante pelos três reis magos;

5. Encontro de Jesus no Templo;

6. Jubilosa Ressurreição do Salvador;

7. Coroação da Virgem Imaculada no céu.

Pai Nosso Familiar

O Pai Nosso de cada dia (79)

Pai Nosso, pai de todos, mas mais especialmente pai deste lar, desta família…
Pai deste grupo reunido em vosso nome, pai deste ramo vivo cuja juventude e unidade vos pedimos que conserveis.
Pai d’aqueles que amamos, que são a nossa carne e o nosso sangue e que queremos que comunguem na mesma fé.
Venha a nós o vosso reino… que o vosso reino se espalhe pelo mundo… mas primeiro pelo coração destes vossos filhos aqui presentes para que reine nesta casa a paz e com ela a perseverança!
Permiti, Senhor, que façamos sempre a vossa vontade, nos submetermos à vossa lei e aceitarmos a vida e as suas responsabilidades, não como fardo de que nos desembaraçamos à primeira dificuldade, mas como um dever.
Dai-nos o pão nosso de cada dia! Esse pão necessário à subsistência, que dá forças e preserva da inquietação cruel, mas também o alimento das nossas almas, o pão espiritual que nos eleva e faz viver da verdadeira vida.
Perdoai-nos as nossas ofensas, porque todos nós precisamos da vossa misericórdia, conservai-nos na humildade e na caridade, para que, conhecendo os nossos defeitos, sejamos indulgentes para os outros, esquecidos das mágoas e prontos para a reconciliação.
Não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos de todo o mal! Afastai o espírito maligno desta morada; preservai-nos das ciladas do demónio, do perigo do egoísmo e da mediocridade; desviai de nós influências lamentáveis que perturbariam o ambiente de família e corromperiam os corações, para que todos permaneçam no vosso amor.

(Cf. N. DROTAT, S. S. Meditações a Dois, Ed. Franciscana 1968, páginas 129-130).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ladainha da Santa Cruz

14 de Setembro
Festa da Exaltação da Santa Cruz

Atentos à liturgia da festa de hoje, podemos fazer uma lista da variada maneira de apresentar a Cruz de Cristo.
Com essas expressões podemos então fazer uma espécie de LADAINHA:


A CRUZ de Cristo é:

- Escândalo para os judeus
- Loucura para os gentios
- Poder e sabedoria divina
- Insígnia triunfal
- Sinal invencível
- Chave do céu
- Penhor de eterna glória
- Sacrário de memória e vitória
- Nossa glória e salvação
- Exaltação de Cristo
- Cálice precioso da paixão
- Estandarte de Deus
- Árvore fecunda
- Tálamo do redentor
- Trono de Deus
- Árvore da vida
- Altar para o Corpo de Cristo
- Balança de resgate


Ó Cruz bendita, só tu nos abriste
os braços de Jesus, o Redentor!

Pai Nosso Faça-se a tua vontade


O Pai Nosso de cada dia (78)

Como a água se torna transparente quando em repouso, só veremos com clareza quando estivermos tranquilos. Tenhamos paciência de esperar ser capazes de escutar Deus. Rezar não é recitar fórmulas, é acolher uma inspiração. Esse trabalho é longo. Cristo passou uma noite a repetir uma prece do Pai Nosso: Não se faça a minha vontade, mas a tua. E nós recitamos o Pai Nosso num instante.

Pai Nosso que estás nos Céus
a tua vontade é que o teu nome seja conhecido e amado:
Que se faça esta tua vontade.

O teu desejo é que implante o reino dos céus no meio de nós:
Que se faça esta tua vontade.

É tua intenção dar-nos cada dia o pão do nosso sustento:
Que se faça esta tua vontade.

O teu objectivo é que entremos na dinâmica do perdão:
Que se faça esta tua vontade.

O teu projecto, ao permitir que o tentador nos solicite, é a nossa vitória:
Que se faça esta tua vontade.

A tua meta é que nos libertemos do mal:
Que se faça esta tua vontade agora e sempre. Ámen.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pai Nosso Expressivo

O Pai Nosso de cada dia (77)

Todo o meu ser reza:
Pai Nosso que estais nos céus.

A minha língua canta os seus louvores:
Santificado seja o vosso nome.

Os meus olhos avistam já a vossa promessa:
Venha a nós o vosso reino.

As minhas mãos estão prontas para que
Seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu.

O meu organismo sente fome e sede de vós:
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

O meu coração abre-se num abraço:
Perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.

Os meus pés peregrinos querem seguir-vos:
Não nos deixeis cair em tentação
mas livrai-nos do mal.

domingo, 12 de setembro de 2010

Pai Nosso Eu Creio

O Pai Nosso de cada dia (76)

Pai Nosso que estais nos Céus,
Eu creio em Deus que é nosso pai
E creio nos homens que são meus irmãos.

Santificado seja o vosso nome.
Eu creio em Deus que e rês vezes santo
E creio nos homens que são todos chamados à mesma santidade.

Venha a nós o vosso reino.
Eu creio em Deus que é o Senhor de tudo e de todos
E creio nos homens concidadãos desse reino de fraternidade.

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
Eu creio na sabedoria divina
E creio nos homens cumpridores da Sua vontade.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Eu creio no pão vivo que desceu do céu
E creio nos homens que vivem da mesa da comunhão.

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Eu creio em Deus rico de misericórdia
E creio nos homens que entram na dinâmica desse perdão.

E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Eu creio em Deus força e protecção dos que acreditam
E creio nos homens que se esforçam no caminho do bem.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Argueiro e trave nos olhos

6ª Feira - XXIII Semana Comum
Ninguém dá aquilo que não tem;
ninguém cura ninguém, pois todos padecem dos mesmos males.
Como podemos corregir, ajudar ou curar os outros se nós próprios também temos os mesmos defeitos?
O discípulo não é superior ao seu mestre, isto é, só o Senhor pode curar.
Não pretendas curar ninguem, pois só Deus pode curar.
Não espereres que alguém te cure, pois só Deus o pode fazer.
Então que fazer?
Se descobrimos em nós o mesmo defeito que pretendemos corrigir em alguém, em vez de admoestar com reprimendas o culpado, choremos com ele e as lágrimas partilhadas irão lavar os nossos olhos e a nossa alma. Este esforço partilhado atrairá o olhar de Deus.
E com Deus assim tão perto peçamos-lhe que nos cure a nós e ao próximo.
E o milagre acontecerá.

Pai Nosso Enumerado

O Pai Nosso de cada dia (75)

Pai Nosso,
Tu nos fizeste filhos no Filho
E nos deste o Teu Espírito
Que em nós grita: Abba-Pai!

Pai Nosso,
Dos homens de todas as raças e cores,
De todos os credos e condições sociais,
Dos homens de todos os tempos e continentes.

Santificado seja o teu nome,
Pelo olhar límpido das crianças,
Pelo coração generoso dos jovens,
Pelas mãos dos que repartem o amor,
Pela voz dos que anunciam a paz,
Pelas vidas que se gastam ao serviço dos irmãos.

Venha o teu reino,
Que grita dentro do coração do homem
E está já presente na história que construímos:
Em cada palavra de conforto e de esperança,
Em cada atitude de compreensão e acolhimento,
Em cada gesto de partilha e de amor.

Venha o teu reino
De vontade e de justiça,
De amor, de vida e de paz.

Faça-se a tua vontade hoje e sempre,
Nas conversações entre governantes das nações,
Nas grandes assembleias sindicais,
Nas reuniões de partidos e de associações,
Na Igreja Universal e em cada comunidade eclesial,
No interior de cada lar,
No íntimo de cada homem.

Dá-nos o pão de cada dia
Que sacie todas as nossas fomes:
A fome de verdade e de justiça,
A fome de paz e liberdade,
A fome de amar e ser amados.

Dá-nos o pão de cada dia
Para o repartirmos com os homens
E fazermos festa com todos os irmãos.

Perdoa as nossas ofensas
Contra ti e contra o homem
Com o qual Te identificas:
Quando não Te matámos a fome,
Quando não Te acolhemos,
Quando não Te reconhecemos,
No pobre e no doente,
No vagabundo e no drogado,
No preso e marginalizado.
Perdoa-nos, Pai,
Os rancores e as invejas,
As mentiras e injustiças,
As vinganças e prepotências;
Perdoa-nos o nosso pão-perdão,
Perdoa-nos com a tua medida,
E não segundo a mesquinhez
Do nosso coração.

E não nos deixeis cair em tentação
Do pessimismo que só destrói,
Da mediocridade que se contenta com pouco,
Do desânimo que nos faz cruzar os braços,
Da rotina que tira sabor à vida,
Da superioridade que nos distrai,
Da ambiguidade que nos faz servir a dois senhores,
Do egoísmo que nos fecha a Ti e aos irmãos.

Mas livra-nos do mal,
Do mal de construirmos sem Ti a nossa vida,
Do mal de nos fecharmos aos outros,
Do mal de erguermos torres de Babel,
Do mal de deixarmos de dizer:
Pai Nosso.

(Cf. JOSÉ R. DA COSTA PINTO, Orações do mundo novo, Ed. A. O., Braga 1985, páginas 49-51).

Confissão

Ano C - XXIV Domingo Comum

Acima da matemática, Deus ama-nos em todas as proporções: cem por um (a ovelha perdida), dez por um (a moeda perdida) e um por um (o filho pródigo). Das três, a mais comovente é a do filho pródigo.
O Pe. Zezinho, numa canção, apresenta este filho a confessar-se. É a parábola contada na primeira pessoa:

Eu tinha tanta fome de ir embora,
Para ver a vida como a vida era.
Para aquele teu conselho não liguei
E agora vejo quanto me enganei.

Peguei na minha herança e fui embora,
De todos os manjares eu provei.
Não houve nada que eu não fizesse lá fora
Mas nem por isso me realizei.

Dinheiro, amores, droga, malandragem,
Eu tinha tudo isso e muito mais.
Gastei a minha herança na viagem,
Comprei a vida, mas não tenho paz.

Eu vi a vida como a vida era
E vi que a vida às vezes dói demais.
Viver sem o teu amor é uma quimera;
Eu volto a ser filho para ter paz.

Aos poucos eu ensaio aquele abraço
Que um filho arrependido dá no pai.
Na hora em que voltar ao teu regaço
Juro que não saio nunca mais.

Manda-me um bilhete de regresso
Ou vem-me buscar, não ando bem.
Pensei que abandonar-te era progresso,
mas sem o teu amor não sou ninguém.

No coração de Deus há sempre festa, quando nos voltamos para Ele. Se queremos festa, é só voltar para Ele.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pai Nosso em Poema

O Pai Nosso de cada dia (74)

Quis compor um poema
Que abrangesse toda a Terra.
Pensei:
O mar é imenso,
Quem sabe?
Mas ele furiosamente bateu nos rochedos
E disse:
Vai em busca dos homens
pelos caminhos do mundo.
Então, olhei para eles,
Vi que eram meus irmãos
E rezei:
Pai nosso, que estais nos Céus.

Olhei para a noite e para as estrelas
Em busca de inspiração.
Elas, brilhando, sorrindo… me disseram:
Vai em busca dos homens
Pelos caminhos do mundo.
E eu reparei então
Que eram eles espelho de Deus
E rezei:
Santificado seja o vosso nome,
venha a nós o vosso reino.


Fui para o jardim
E olhei para as flores,
Cada qual com o seu perfume.
Elas abriram as suas pétalas
E disseram-me:
Vai em busca dos homens
Pelos caminhos do mundo.
Só então reparei nas divergências humanas
E rezei:
Faça-se a vossa vontade
assim na terra como no céu.


Deitei-me no chão
E contemplei as formigas.
Nem para mim olharam,
Tão ocupadas no seu trabalho!
Estendi as minhas mãos calosas
E rezei:
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Subi pela estrada
Sem sorrisos nem amor.
Havia casas com portas,
Janelas fechadas,
Muros com vedação.
O vento varria as folhas secas
Espalhadas pelo chão.
Senti-me como elas,
Separadas da árvore
E rezei:
Perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido.

Percorri o mundo,
Olhei para a Terra,
Olhei para o mar.
Tudo me falou de Deus, nosso Pai.
Como foi possível só agora encontrá-l’O?
Olhei para a minha vida passada,
E rezei:
Não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.

Dai e dar-se-vos-á

5ª Feira - XXIII Semana Comum

Lei Evangélica: Lc 6, 27-38
Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também…
Dai e dar-se-vos-á:
Deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar.
A medida que usardes com os outros será usada também convosco.

Lei do Talião:
Olho por olho, dente por dente.

Lei da Sabedoria Popular:
Cá se fazem, cá se pagam.

Lei Comercial:
Toma lá, dá cá.

Lei da Consequência:
Tudo é fluxo e refluxo.

Lei do Retorno
Retornará sempre a nós o que dermos de nós.

Lei de acção e reacção
Toda a causa gera um efeito correspondente.

Lei ou Princípio de Newton:
Uma força não pode exercer uma acção sem no mesmo instante gerar uma reacção igual e directamente oposta.


Portanto, existem causas e efeitos.
A causa é primária, o efeito é secundário.
Só se pode manifestar o efeito se as causas entrarem em acção.

Cuidado com os seus pensamentos, eles transformam-se em palavras;
Cuidado com as suas palavras, elas transformam-se em acções;
Cuidado com as suas acções, elas transformam-se em hábitos;
Cuidado com os seus hábitos, eles moldam o seu carácter;
Cuidado com o seu carácter, ele controla o seu destino.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pai Nosso Ecuménico

O Pai Nosso de cada dia (73)


Pai… Mãe… de olhos mansos:

Sei que estás, invisível, em todas as coisas.

Que o teu nome me seja doce,
A alegria do meu mundo.

Traz-nos as coisas boas em que tens prazer:
O jardim, as fontes, as crianças,
O pão e o vinho, os gestos ternos,
As mºaos desarmadas, os corpos abraçados…

Sei que desejas dar-me o meu desejo mais fundo,
Desejo que esqueci,,,
Mas tu não esqueces nunca.
Realiza pois o teu desejo para que eu possa rir.
Que o teu desejo se realize no nosso mundo,
Da mesma forma como ele pulsa em ti.

Concede-nos contentamento nas alegrias de hoje:
O pão, a +agua, o sono…
Que sejamos livres na ansiedade.

Que os nossos olhos sejam tão mansos para com os outros
Como os teus o são para connosco.
Porque se formos ferozes
Não poderemos acolher a tua bondade.

E ajuda-nos para que não sejamos enganados
Pelos desejos maus
E livra-nos daquele
Que carrega a morte dentro dos próprios olhos.

(Cf. RUBEN ALVES, Pai Nosso – meditações, São Paulo, 1987, página 51)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Silêncio

3ª Feira - XXIII Semana Comum

Comentário ao evangelho do dia (http://www.evangelhoquotidiano.org)
feito pela Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997):

Nós próprios somos chamados a retirar-nos para um silêncio mais profundo, para um isolamento com Deus; a estar a sós com Ele, não com os nossos livros, os nossos pensamentos, as nossas recordações, mas num despojamento perfeito; a permanecer na Sua presença – silenciosos, vazios, imóveis, expectantes.
Não podemos encontrar a Deus no barulho, na agitação. Veja-se na natureza: as árvores, as flores e a erva dos campos crescem em silêncio; as estrelas, a lua, o sol movem-se em silêncio. O essencial não é o que possamos dizer mas o que Deus nos diz e o que Ele diz a outros através de nós. Ele escuta-nos no silêncio; no silêncio fala às nossas almas. No silêncio é-nos dado o privilégio de escutar a Sua voz:
Silêncio dos nossos olhos.
Silêncio dos nossos ouvidos.
Silêncio das nossas bocas.
Silêncio dos nossos espíritos.
No silêncio do coração,
Deus falará.


Frase do dia (CF, 26 de Março de 1886)
pelo Pe. Dehon:
O bem não faz barulho e o barulho não faz bem.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Pai Nosso e dos demais

O Pai Nosso de cada dia (72)

Tu que estás connosco, ó Deus,
E te agradecemos sinceramente.

Faz-nos melhores cada dia
Para fazer melhores todos os homens.

É isto que queres de nós;
Faz com que não desistamos.

Faz-nos repartir a nossa refeição
E gozar o vinho em companhia.

Ajuda-nos a perdoar a todos, amigos e inimigos,
Para que eles possam perdoar-nos também.

Afasta de nós a tentação
De nos crermos melhores que os outros.

E livra-nos do nosso egoísmo.

domingo, 5 de setembro de 2010

Pai Nosso dos Propósitos

O Pai Nosso de cada dia (71)

Pai Nosso que estais nos Céus:
Faço o propósito de falar a Deus como a um bom pai.

Santificado seja o vosso nome:
Faço o propósito de, em todos os actos da vida, procurar a glória de Deus.

Venha a nós o vosso reino:
Faço o propósito de excitar e nutrir no coração o desejo do Céu.

Seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu:
Faço o propósito de esperar tudo da Providência depois de ter feito todo o meu dever.

Perdoai as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido:

Faço o propósito de nunca me vingar, mas de perdoar sempre.

Não nos deixeis cair em tentação:
Faço o propósito de evitar as tentações e de, não podendo, rezar.

Mas livrai-nos do mal:
Faço o propósito de recorrer a Deus, confiante, em todas as situações.


(Cf. LHOMOND, Doutrina Cristã, Lisboa 1984, páginas 461ss)

Discipulos de Cristo

Ano C - XXIII Domingo Comum

Naquele tempo seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-se e disse:
- Quem quiser seguir-me tem de me preferir ao pai, à mão, aos irmãos e até à própria vida;
- Quem quiser ser meu discípulo tem de abraçar a sua cruz;
- Quem quiser ser meu discípulo tem de vir após mim.
Uma grande multidão seguia Jesus e quando a esmola é grande o santo desconfia - Jesus viu que essa multidão estava equivocada, não sabia bem o que era estar naquela escola, por isso Jesus apresenta algumas condições para ser seus discípulos:

1ª condição - Capacidade de optar. dizer sim a Deus e não a tanta coisa, preferir a Deus e renunciar a tantos comodismos. Não se pode agradar a gregos e a troianos, não se pode servir a Deus e ao dinheiro, é preciso escolhar, optar e renunciar a todo o resto...
(Jesus voltou-se e viu que metade da multidão tinha ficado então pelo caminho pois não estavam preparados para tomar decições)

2ª condição - Abraçar a cruz. Ser discípulos não é fácil, é preciso ultrapassar obstáculos, enfrentar dificuldades, vencer contratempos. Quem segue apenas com prazer, mais cedo ou mais tarde desistirá pois não está preparado para levar a cruz.
(Jesus voltou-se e só encontrou e viu a multidão cada vez mais reduzida, pois aquela gente não estava para se cansar, não tinha coragem para enfrentar obstáculos)

3ª condição - Copiar o Seu exemplo. Quem quiser que venha após mim, que me siga. Ele vai à frente e ainda bem, pois se viesse atrás veria a triste figura que às vezes nós fazemos. Ele vai à frente e o discípulo segue-O para que, fixando os olhos nele, possa copiar o seu exemplo, fazer o que ele faz, sentir o que ele sente, viver como ele vive. É preciso ser humilde para viver segundo o seu modelo.
(Jesus voltou-se e viu os doze com um pequeno resto da multidão que já não sabiam para onde ia...)

Ser discípulo de Cristo é exigente. Os fracos não se atrevem... é preciso discernimento, coragem e humildade.

Abraçar a Cruz


Ano C - XXIII Domingo Comum

Esta parábola foi contada pelo Pe. Alfredo Vieira de Freitas, de saudosa memória.
Era uma vez uma mulherzinha que não podia aturar o marido, pelo que resolvera abandonar a sua casa e meter-se aos caminhos de mundo. Ia já longe, caminhando na estrada da aventura, quando aconteceu encontrar um venerando ancião que, com muita dificuldade, conduzia três cruzes aos ombros. Ia tão sobrecarregado que a pobre mulher teve compaixão dele e lhe pediu lhe passasse a cruz que vinha por cima, talvez a última a ser ali colocada. Parecia-lhe mais leve e mais pequenina, mesmo assim aliviá-lo-ia de tão grande peso. A este pedido, o ancião retorquiu:
- Tu não podes com esta cruz, pois ainda há pouco a lançaste no chão, por te parecer muito pesada…
Na verdade era aquela a cruz da vida que a mulher alijara por falta de paciência. Aquele ancião talvez fosse Nosso Senhor que andasse disfarçado pelo mundo…
A mulher compreendeu a lição. Voltou para trás, fez as pazes com o marido e diz-se que dali por diante viveu com ele como Deus com os anjos.
Quantas vezes na vida se deixa uma cruz leve e pequena para se buscar outra mias pesada e maior!
Não basta tomar a sua cruz para seguir a Cristo, é necessário abraçá-la com amor. E a cruz será salvação.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Gregório Magno

3 de Setembro
Memória de São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja


Rezámos assim:
Que o progresso dos fiéis seja a alegria dos seus pastores...

Eu completo:
E que a fidelidade ou a santidade dos pastores seja a alegria dos seus fiéis.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pai Nosso doa Pagãos

O Pai Nosso de cada dia (70)

Pai Nosso que estais nos Céus.
Oração do Budismo chinês:
Deus do céu, único Deus, a vós todas as coisas devem vida.

Santificado seja o vosso nome.
Oração do Budismo chinês:
Louvor a vós, ó Deus, agora e sempre, grande e infinito. Sede louvado nos nossos corações.

Venha a nós o vosso reino.
Oração Hindu:
O meu grito é sempre este: quero-vos, só a vós, meu Deus.

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
Oração Islâmica:
Ó meu Deus, em vós me abandono, em vós eu creio, em vós me apoio.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Oração dos Índios da América:
Ó pai, rei da terra, provede, querido amigo, cada dia, com bom alimento, boa água, bom sono.

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Oração Budista:
Ó grande Buda, misericordioso senhor do presente, abri as portas da misericórdia. Fazei desaparecer de toda a parte os erros e suas consequências. Extirpai os pecados até à raiz.

Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos de todo o mal.
Oração Islâmica:
Ó Deus, dirigi-me entre aqueles aos quais mostrastes o caminho certo e salvai-me das calamidades do mundo e do próximo. Multiplicai sobre mim os vossos favores e preservai-me do mal.

Arrumar os barcos

5ª Feira - XXII Semana Comum

Do Evangelho do dia:
Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão:
«Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens».
Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

Para seguir a Cristo é preciso arrumar determinadas coisas,
é preciso deixar algo para trás,
é preciso pôr em ordem determinados assuntos.

Tal como os primeiros discípulos arrumaram os barcos para seguir a Cristo,
também nós temos de arrumar muita coisa.

Cada um deve então descobrir que assunots, coisas ou situações deve arrumar bem para ir em frente com Jesus.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pai Nosso dos Judeus


O Pai Nosso de cada dia (69)


O Pai Nosso tem muitas coisas em comum com as orações judaicas: o desejo de santificação do nome, a vinda do reino e o cumprimento da vontade de Deus lembram o Qaddis. As duas metades da última petição recordam a oração da noite e da manhã dos Judeus. A invocação, as petições do pão e do perdão têm as suas analogias na ‘oração dos dezoito’, rezava diariamente três vezes. Apesar disto tudo, Jesus apresenta uma maneira própria e sintética no Pai Nosso. Quanto ao conteúdo e à forma, não deixa de ser uma poderosa obra de Jesus e leva em si claramente o selo do seu espírito.

Pai Nosso que estais nos Céus.
Também os Judeus chamavam a Deus seu pai, tanto no Antigo Testamento, como, mais frequentemente, no tempo de Jesus e depois dele. Cogitavam no facto de que Deus, pelas usas acções salvíficas em Israel (o filho) e nos seus membros (os filhos), havia mostrado uma e outra vez o seu senso paterno. Mas isto tudo não explica o modo da palavra de Jesus que só se explica por uma revelação e experiência de Deus totalmente novas. Nas orações judaicas, o título de pai é um entre tantas possibilidades de designar a Deus. Para Cristo, pai, não é um nome entre outros, mas designa a relação imediata; como, quando uma criança fala com o seu pai, não o chama pelo nome próprio, mas diz-lhe simplesmente pai!

Santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu.

Na antiga oração aramaica Qaddis, que terminava a reunião da sinagoga, rezava-se assim:
‘Seja glorificado o santificado o seu nome
No mundo que ele criou por sua vontade.
Que ele faça prevalecer o seu reino
Na vossa vida e nos vossos dias
E na vida de toda a casa de Israel,
Agora e no tempo próximo’.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido.
Os Israelitas oravam exclusivamente pelo povo eleito, A partir do ano setenta acrescentaram mesmo um pedido de maldição para os cristãos.

Não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.

Numa oração vespertina judaica rezava-se assim também:
‘Não me leves ao poder do pecado,
Nem ao poder da culpa,
Nem ao poder da tentação,
Nem ao poder do desprezo’.

A originalidade do Pai Nosso encontra-se no conjunto dessa oração, naquilo que Jesus diz, na escolha da matéria e na composição, sequência e concatenação.

(Cf. HEINH SCHURMAN, A oração do Senhor, Ed. Loyola S. Paulo, 1983, página 8).

Santa Beatriz da Silva

1 de Setembro

A Igreja celebra hoje a memória de Santa Beatriz da Silva, portuguesa falelida em 1490.

Beatriz quer dizer FELIZ
Ela foi feliz porque foi Santa
Ela foi Santa porque foi feliz.

Já que todos nós temos a mesma nacionalidade,
falamos a mesma língua,
pertencemos à mesma pátria,
temos a mesma fé, o mesmo baptismo,
a mesma consagração de Santa Beatriz da Silva,
saibamos então viver na mesma santidade
para que sejamos felizes e santos como ela:
felizes porque santos,
e santos porque felizes.