quarta-feira, 9 de junho de 2010

A devoção ao Coração de Jesus (2)

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O Coração de Jesus é o dom para o nosso tempo.
Consideremos, meus irmãos, a acção do Pontífice divino na Igreja. É múltipla, variada, sempre fecunda, inesgotável. Dizer tudo o que tem feito desde há dezoito séculos para manter o fogo sagrado do amor divino sobre a terra, não teria limite. A sua intervenção é quotidiana. Ele não dorme, vela, age. Tem auxiliares: a sua santa Mãe, os anjos, os santos do céu e os da terra. Mas nesta múltipla acção, há uma harmonia oculta, uma ordem divina, uma unidade misteriosa na variedade, um desígnio sobrenatural. O Pontífice divino atribui a cada período da vida da Igreja uma graça dominante que se manifesta por uma devoção principal, e acontece que distribui assim, conforme Lhe apraz, através dos séculos, as diversas graças que nos mereceu e preparou. Procuremos, meus irmãos, compreender esta sublime acção de CRISTO. Interroguemos as grandes tradições da piedade na Igreja. Qual foi primeiro o atractivo vencedor das almas durante o primeiro período, que vai do tempo apostólico até à paz da Igreja? Sob que aspecto NOSSO SENHOR se apresentava às almas para as conquistar? Que graça especial Lhes aplicou primeiro? Interroguemos a história, os monumentos. Só encontro neste período uma devoção viva, um aspecto saliente da vida mística de NOSSO SENHOR. Se procuro os traços da vida cristã nas catacumbas, e nas mil recordações dos museus cristãos de Roma, fico surpreendido com um facto que se manifesta, fulgurante; a devoção dominante nos primeiros séculos era a devoção ao Bom Pastor. É sob este aspecto que NOSSO SENHOR atrai as almas. A ideia que tocava os corações, era a de DEUS que veio à terra para procurar as suas ovelhas perdidas, e para fazer de dois povos, judeu e pagão, um só rebanho sob a condução do Pastor divino. Este símbolo era para os fiéis daquele tempo o memorial da Encarnação. Foi sob esta graciosa figura que os apóstolos apresentaram o Salvador: “mas agora voltastes ao pastor e guarda das vossas almas.” Foi assim que o próprio CRISTO Se lhes apresentou: “Eu tenho ainda, tinha dito aos seus discípulos, ovelhas que não são deste rebanho; é preciso que entrem no redil.” O facto é geral, é incontestável.

A figura do Bom Pastor é o tema favorito da arte e do simbolismo cristão dos primeiros séculos.
Aparece em lugar de honra sobre as muralhas e sobre as abóbadas das capelas cristãs das catacumbas. Não se pode visitar nenhuma parte das catacumbas, nem folhear nenhuma colecção de desenhos desde os monumentos cristãos primitivos, sem a encontrar a cada passo. Sabemos por Tertuliano que ela estava frequentemente gravada nos cálices. Encontramo-la pintada a fresco nas câmaras sepulcrais, rusticamente desenhada sobre os ‘loculi’, mais artisticamente esculpida nos lados dos sarcófagos.
Era representada em ouro no fundo dos copos de vidro, modelada sobre a argila das lamparinas, gravada nos anéis, cinzelada nas medalhas, representada, em suma, em toda a espécie de monumento pertencente à primeira época cristã.
As medalhas de devoção dos primeiros cristãos não apresentavam senão a figura do Bom Pastor, e numa dezena de monumentos que nos restam da estatuária cristã dos quatro primeiros séculos, oito representam o mesmo símbolo. Não há margem para dúvidas: Era a devoção, era a graça dos primeiros séculos. Esta imagem apresentava vários aspectos. Frequentemente o Bom Pastor é representado sozinho no meio das suas ovelhas; outras vezes está rodeado pelos seus apóstolos, junto dos quais as ovelhas se concentram. Tanto se apresenta no meio do seu rebanho, como acaricia uma ovelha isolada; mais frequentemente leva aos ombros a ovelha reencontrada, que figura principalmente os pagãos. Possui diversos atributos: o bastão, o vaso de leite; as suas ovelhas tomam atitudes diferentes: olham para ele, escutam o pastor, recebem o seu ensino e as suas graças simbolizadas por uma chuva fecundante, no meio de riachos abundantes. Que peregrino de Roma pode recordar sem uma piedosa emoção as suaves pinturas do cemitério de Calisto e da Cripta de Lucina?
O significado deste símbolo não oferece dúvidas. O Filho de Deus, ao fazer-Se homem e chefe da Igreja, assumiu pessoalmente o papel de pastor das almas, no qual será assistido pelos seus apóstolos.
Deixando o seu trono celeste, desceu aos desertos deste mundo, para aí procurar os filhos perdidos do género humano. É a devoção da gratidão para com Deus encarnado.
Jesus manifestava-se sob este símbolo tão doce e tão animador aos primeiros cristãos, que tinham tanto que sofrer perseguições, e a força misteriosa desta doce imagem arrebatava o coração dos cristãos e despertava o seu amor e a sua devoção, que não tinha outro limite a não ser a morte.

Mas, depois da paz da Igreja, a corrente da graça muda de improviso.
Jesus hasteia outro símbolo. Já não é a doce imagem do Pastor, é a cruz. A sua intenção é evidente; ergue este estandarte real no oriente e no ocidente, faz brilhar o Labarum na margem do Tibre, e faz surgir da terra, em Jerusalém, o madeiro miraculoso da cruz. Está criada a corrente, a arte revelou-a. A cruz quase não apareceu nas catacumbas; já não se verá senão ela desde o pavimento dos santuários, cujo plano assinala, até aos mosaicos das ábsides; sobre todos os altares, nas alfaias sagradas, na coroa dos reis, nas portas das cidades, nas encruzilhadas dos caminhos, nas moedas, nas bandeiras. Estará em toda a parte, até ao dia em que o mundo cristão inteiro, reis e povos, padres e guerreiros, ela os marcará a todos com o sinal sagrado, lhes dará o seu nome fazendo cruzadas, e os conduzirá até à conquista do rochedo onde foi erguida.
A cruz precisava deste período. Sem as grandes lições da cruz a sociedade cristã de Roma tinha-se debilitado na paz. Os povos bárbaros não teriam sido atraídos com tanta força pela lembrança da Incarnação, se o drama do Calvário não tivesse sido colocado sob o seu olhar.
Mas assim que a devoção da cruz atingiu o seu apogeu, São Luís fez da Santa Capela o relicário da verdadeira Cruz, e distribuiu fragmentos que algumas igrejas privilegiadas receberam, como acontece com esta basílica, até que outra devoção surgisse para reinar como lição durante vários séculos.
A devoção à cruz manter-se-á, como a devoção ao Bom Pastor se manteve, mas uma outra lhes passará à frente e apaixonará mais fortemente os corações, a devoção à Eucaristia.
Ou antes, sempre existiram as três em algum grau, mas alternaram, segundo a economia divina, um poder sedutor sobre os corações.
Jesus falou a uma humilde Virgem, santa Juliana. E o papa Urbano IV responde ao desejo divino. Institui a festa do Santíssimo Sacramento. Jesus queria acrescentar este novo alimento ao fogo do amor dos corações cristãos. “Não vim à terra, dizia-lhes Ele, apenas como um pastor para o meio do seu rebanho; não somente dei a minha vida por aqueles que Eu amava, mais ainda quis morar convosco para ser a vossa vítima quotidiana, o vosso companheiro e o vosso pão da vida.”
Os povos responderam dignamente a esta nova manifestação de amor do Pontífice divino; oferecem à hóstia divina todas as obras-primas da arte, e em particular estes templos que não parecem ser da terra, tão belos eles são, essas esplêndidas igrejas dos séculos doze, treze e catorze.
Poderá haver palácios demasiado magníficos para o DEUS do amor que habita entre nós? Havia necessidade desses tempos, ricos, amantes, artísticos, místicos.
Esta devoção exerceu influência em toda a vida da Igreja. Muito mais do que somos capazes de explicar. Conquistou todos os corações; inclinou toda a criação perante o Deus de amor triunfante. Saiu dos seus templos, como para percorrer a terra apaixonada por Ele. Conquistou tudo. Que triunfo! Os seus pontífices e os seus sacerdotes avançam cobertos de ouro e de seda. Pisam tapetes e flores. As cidades ornam-se com todas as suas riquezas em sua honra. Os estandartes, as imagens dos santos precedem-na. Já não há senão tronos, altares e arcos de triunfo. Tudo o que a terra tem de belo está lá: a arte, as flores, os perfumes, a harmonia, as crianças, as virgens, os sacerdotes, o povo e os grandes, os magistrados, os guerreiros e os reis.
Haverá ainda lugar para outra devoção que possa aspirar mais alto?
Sim, há uma que resumirá todas as outras, e recordará ao mesmo tempo todo o amor do Verbo incarnado, do Redentor e da Eucaristia.

Jesus revelou-a também a uma virgem de clausura. Trata-se da devoção ao seu Coração adorável.
Ele disse-lhe: “É o último esforço do seu amor pelos homens”. O seu objectivo é recordar-nos sem cessar o seu imenso amor a fim de provocar o nosso.
Este amor divino é o próprio objecto desta devoção com o coração de carne que é a sua sede. O símbolo ou a imagem do Coração de Jesus é o meio adequado para nos recordar este amor infinito, que se manifestou sobretudo nos grandes mistérios da Encarnação, da Redenção e da Eucaristia.
A prática desta salutar devoção resume tudo o que há de mais afectuoso e de mais generoso na nossa santa religião; é o amor agradecido e fiel para com NOSSO SENHOR, é a compaixão e a reparação pelas ofensas que Ele recebe, é o zelo pela sua glória, é o abandono sem reservas à sua divina vontade.
Os frutos que NOSSO SENHOR lhe prometeu são maravilhosos: é para os pecadores um oceano de misericórdia; para as almas tíbias uma fonte de fervor; para as almas piedosas progressos rápidos na perfeição; uma bênção para as casas e as famílias onde a imagem sagrada for honrada; a cessação dos flagelos públicos, e, para aqueles que propagarem esta devoção, a promessa de que os seus nomes seriam gravados no divino Coração.
Esta devoção ergue-se como um sol de verão pronto para fecundar a terra e amadurecer os seus frutos.
É assim que NOSSO SENHOR anunciava e que a Bem-aventurada Margarida Maria a dava a conhecer.
Cedo apaixonou as almas generosas, depois tornou-se popular. O movimento cresceu, nada mais podia pará-lo. É como o fermento da parábola.
Cedo o Coração de Jesus estará em toda a parte, Todo o cristão dirá dele o que são Bernardo dizia do nome de Jesus: “Tudo me é insípido se não encontro aí o Coração de Jesus.”
Queremos ver o Coração de Jesus em toda a parte. Os santos têm a sua própria característica determinada pela tradição e pelos traços salientes da sua vida.
Jesus escolheu a sua, o seu Sagrado Coração. Queremos vê-lo assinalado em toda a parte. Todas as almas estão seduzidas pela sua influência vitoriosa.
Jesus disse a Margarida Maria: “O meu Coração reinará, apesar dos seus inimigos.”
Estende cada dia o seu reino; Roma, Viena, Paris, têm a sua igreja votiva do Coração de Jesus. Todas as igrejas da terra vão ser conquistadas por este sinal sagrado. A arte está ao seu serviço. Recebeu os mais belos testemunhos da eloquência. Quer ganhar ainda os povos e seus chefes, e fá-lo-á. Já vimos um dos povos da América, tão humilde diante de Deus como orgulhosa da sua liberdade, consagrar-se a esta devoção sublime. Reina misteriosamente, mais do que parece, no mundo das almas. Todas as obras novas de oração, de reparação e de caridade do nosso tempo, despontaram sob os raios deste sol de amor. As obras antigas são por ele revitalizadas. A oração e a reparação levam de vencida o próprio Deus; a caridade, é a vitória sobre as almas.
O Coração de Jesus conduz a Igreja a um triunfo maior do que o que coroou os períodos consagrados às outras grandes devoções, no século IV no XV e no XVII.
Espero, e parece-me que a Igreja também tem esta confiança que se manifesta nos esforços constantes que ela faz para responder aos desejos do Coração de Jesus. Não assistimos, nestes últimos anos, à beatificação de Margarida Maria por Pio IX, à extensão a toda a Igreja da festa do Coração de Jesus, à consagração ao Coração de Jesus proposta a todos os fiéis por Pio IX, à devoção de Leão XIII ao Coração de Jesus, e à erecção em Roma de uma igreja votiva?
A Igreja fará ainda mais. Não nos compete prever o que fará, mas tirará as últimas consequências destas palavras tão conhecidas de Pio IX: “A Igreja e a sociedade só têm esperança no Coração de Jesus; Ele é que curará todos os nossos males. Pregai por toda a parte esta devoção, ela deve ser a salvação do mundo.”; e as palavras de Leão XIII: “Nós desejamos com todo o ardor da nossa alma que a devoção ao Coração de Jesus se propague e se expanda sobre toda a terra. Alimentamos a doce e a firme esperança de que não deixarão de emanar grandes benefícios deste divino Coração, e que eles serão o remédio eficaz dos males que afligem o mundo.” (Aos delegados da Liga do Coração de Jesus, Anais de São Paulo).
Estas palavras são presságios de novas acções e de novos estímulos. O Sumo-Pontífice Pio IX, solicitado por milhões de assinaturas, apresentadas pelos bispos no concílio e posteriormente renovadas, propôs em 1875 uma consagração geral que se fez em todas as paróquias do mundo, bem recordais com que entusiasmo. – Aquelas humildes solicitações pediam mais. Pediam a consagração oficial da Igreja ao divino Coração e a elevação da sua festa ao rito mais elevado. Mantenha a esperança de ver esta nova graça. É preciso que este século seja especialmente abençoado por Deus, e se torne o século do Coração de Jesus.
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Deus Pai ou Mãe

O Pai Nosso de cada dia (8)

Deus não é masculino nem é contraposto à mãe (Is 66, 12-13). Na sua natureza, Ele reúne quanto há de bom, ditoso e benéfico no homem e na mulher. Deus configura-se com o ser humano. Se Deus deixa que se Lhe atribua aspectos antropológicos, é para nos fazer crer que está presente em cada ser humano.

Deus, nosso pai ou nossa mãe,
santificado seja a Vossa presença.
Venha a nós o Vosso Amor.
Seja feita a Vossa Vontade
de vivermos numa só família,
aqui na Terra como no Céu.
Dai-nos o nosso pão de cada dia,
o pão que o pai nos dá
e que a mãe para nos reparte.
Perdoai as nossas divergências
e nós seremos mais irmãos.
Não nos deixeis órfãos,
mas livrai-nos do abandono.

O Céu é para todos

4ª Feira - X Semana Comum

Do Evangelho de hoje:
"Se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu."

Tanto quem pratica os mandamentos como quem os viola têm assento no reino dos céus.
Quem violar os preceitos será o menor no reino, mas lá estará.
Obrigado, Senhor, teres escancarado a porta para todos os teus filhos, quer eles sejam bons ou menos bons!
Obrigado, Senhor porque não há pecador sem futuro, nem santo sem passado!

terça-feira, 8 de junho de 2010

A devoção ao Coração de Jesus (1)


8º Discurso “A devoção ao Coração de Jesus”, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, pp. 379-394 do IV Volume das Obras Sociais do Pe. Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985.
Discurso pronunciado em São Quintino, a 12 de Junho de 1885, V. “A Semana Religiosa da Diocese de Soissons e Laon”, 12º Ano, 1885, p. 377, São Quintino. A primeira Comunhão. A festa do Coração de Jesus. Foi publicado na edição especial: A Devoção ao Coração de Jesus. Dom do nosso tempo e graça especial da França, Paris, Retaux-Bray, 1887, pp. 32.

O fogo arderá sempre sobre o altar
e o sacerdote mantê-lo-á aceso. (Lev 6, 2)

Monsenhor, meus irmãos,

Uma lembrança da antiga lei servir-me-á para fixar a vossa imaginação e fornecer-me-á o tema ou o enredo deste discurso.
Todos os ritos do templo de Jerusalém eram figurativos e simbólicos. Um dos mais significativos destes ritos, era aquele fogo sagrado pedido por DEUS a Moisés, aceso e mantido pelos sacerdotes e a arder perpetuamente sobre o altar.
Aquele fogo material não interessava a DEUS mais do que o sangue das vítimas; o que Lhe importava, era o culto perpétuo de amor que representava aquele fogo e que devia elevar-se da terra ao céu, já sob a antiga lei, mas melhor ainda sob a lei do Evangelho.
O significado do símbolo aqui não oferece dúvidas, os intérpretes sagrados são unânimes.
Todo o culto prestado a DEUS pela terra tem o seu vértice em Jesus, que é o pontífice por excelência, e ao mesmo tempo o altar principal e a vítima perfeita.
O fogo sagrado do templo representava principalmente o culto de amor prestado por Jesus a seu Pai, o fogo do Coração de Jesus, mas representava também o amor e a imolação dos nossos corações, o culto de amor da nova Lei, na qual DEUS quer ser adorado em espírito e verdade. Este fogo espiritual de amor e de imolação que deve arder sem interrupções sobre o altar dos nossos corações, deve ser mantido pelo sacerdócio da nova Lei, mas este sacerdócio tem por chefe o próprio Jesus.
Quem poderá dizer o zelo do Pontífice supremo para manter este fogo sagrado que brilha no seu próprio Coração?
Ele encontrou quase extinto à superfície da terra esse fogo da caridade que o seu Pai tinha acendido por meio do benefício da criação e de todas as intervenções divinas da antiga Lei. Esse fogo, como o do templo na época da escravidão, tinha-se transformado numa água barrosa pela corrupção dos nossos corações. Ele voltou a reacendê-lo por meio do dom de Si mesmo, pelas graças inefáveis da Encarnação, da Redenção e da Eucaristia.
Deixou aos continuadores do seu sacerdócio, aos pontífices e aos padres da sua santa Igreja, os meios ordinários para manter este fogo, a graça, os sacramentos, a palavra divina.
Quando é necessário, Ele intervém por algum meio extraordinário, especialmente suscitando, quer pela acção do Espírito Santo, quer por circunstâncias providenciais, ou por uma manifestação miraculosa, ou alguma devoção poderosa que mova, ganhe e arraste os corações.
Foi o que fez nestes últimos séculos por meio da devoção do Coração de Jesus, e não tenho outro objectivo, meus irmãos, senão recordar-vos neste discurso como a devoção do Coração de Jesus é o dom do nosso tempo, dom precioso, ao qual não podemos ficar indiferentes. Lembrar-vos-ei, em segundo lugar, como é mais particularmente o dom para a França. Enfim esforçar-me-ei por mostrar que esta devoção preciosa não é somente uma necessidade especial, mas é também um dom muito particular para esta bela diocese de Soissons e Laon, e para esta cidade de São Quintino, dom que nos impõe deveres ao mesmo tempo que nos oferece esperanças.
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Descobrindo o Pai

O Pai Nosso de cada dia (7)

Pai-nosso que estás nos Céus:
Antes de descobrir o Pai em Deus,
faz-me ver Deus no Pai.

Santificado seja o teu nome:
Que eu te conheça a ti
como tu me conheces a mim.

Venha a nós o teu Reino:
Venha a nós Cristo,
porque Cristo é o Reino.

Seja feita a tua vontade
assim na Terra como no Céu:

A obediência não é só submissão,
mas também iniciativa.

O pão de cada dia dá-nos hoje:
O espírito de pobreza
a viver com alegria o dia de hoje.

Perdoa as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido:
Se não houvesse Inferno nem pecado,
o Céu seria um campo de concentração.

E não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal:

Livra-nos do pecado que é a causa dos males
e livra-nos dos males que são o efeito do pecado.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Como Cristo rezava

O Pai Nosso de cada dia (6)

Senhor, ensina-nos a rezar,
como tu rezavas a nosso Pai que está nos Céus.

Ensina-nos a rezar,
santificando o Seu nome!

Ensina-nos a rezar,
preparando a vinda do Seu reino de amor e de paz.

Ensina-nos a rezar,
fazendo a Sua vontade, hoje e sempre.

Ensina-nos a rezar,
acolhendo e partilhando o pão de cada dia.

Ensina-nos a rezar,
resistindo a qualquer tipo de tentação.

Ensina-nos a rezar
e livra-nos do mal
de deixarmos de dizer Pai-nosso.

domingo, 6 de junho de 2010

Como Cristo o pronunciou

O Pai Nosso de cada dia (5)

Mesmo não tendo familiaridade alguma com os idiomas semitas, podemos reconhecer, nesta tentativa de retradução, os traços característicos da linguagem solene do Pai-nosso, como Cristo o teria pronunciado:

‘Abbá’
yitqaddash shemák / teté malkuták
lahmán delimhár / hab lán yoma dén
usheboq lán hobain / kedishebáqnan
lehajjabáin
wela ta elínnan lenisyón.

Pai querido,
que teu nome seja santificado.
Que venha o teu Reino.
Dá-nos hoje o nosso pão de amanhã.
E perdoa-nos as nossas dívidas
como nós também, ao dizermos estas palavras,
estamos perdoando aos nossos devedores.
E não nos deixes sucumbir à tentação.

(este texto será provavelmente o mais antigo: redacção curta, como em Lucas, mas a formulação das pequenas variantes é de acordo com Mateus. Cf. J. Jeremias, O Pai-nosso a oração do Senhor, Ed. Paulinas, S. Paulo 1981, página 29-33).

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Canto de Libertação


O Pai Nosso de cada dia (4)

Deus não é mais o símbolo do poder do homem, mas a expressão da sua força libertadora. É aquele que crê no homem, ao ouvi-lo. Aquele que lhe manifesta amor na solidariedade. É justamente esta relação com Deus que leva o homem a rezar:

Pai nosso:
Amigo para amigo,
assim é o nosso Deus.

Que estais nos Céus:
Na grandeza e na compaixão
da sua presença.

Santificado seja o Vosso nome:
Bendito seja aquele que nos abençoa:
Javé, Vós sois o meu Deus.
Para sempre vos louvarei.

Venha a nós o Vosso reino:
Ansiamos pela realização da Vossa promessa,
por uma sociedade de amor e de justiça.

Seja feira a Vossa vontade
assim na Terra como no Céu:
Seja visível entre nós
a Vossa libertadora proximidade de vida.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje:
Na esperança de recebermos hoje
de vossos amigos o que comer.

Perdoai as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido:

O Vosso perdão
é a fonte da nossa reconciliação mútua.

E não nos deixeis cair em tentação:
fazei de todos nós cristãos integrais.

Mas livrai-nos do mal:
Libertai-nos do poder e da violência
incluindo a do nosso próprio coração.

Pois Vosso é o reino, o poder e a glória.
Ámen.
Pois Vós mesmo sois a minha força
E o meu libertador em quem confio.

(Cf. AA. VV., Deus Pai, in Concilium, 163 (1981) página 107, 463)

Ouvir com prazer

6ª Feira da IX Semana Comum

Do Evangelho de hoje:
"E toda a gente ouvia Jesus com prazer."

Não basta ouvir o que Jesus diz, é preciso ouvir com gosto e com alegria.
Não basta rezar, é preciso fazê-lo com alegria, com gosto ou com prazer.


Da 1ª Leitura:
"Que perseguições tive de suportar!... Todos os que quiserem viver a fé em Cristo Jesus serão perseguidos..."
E terão de lutar muito.

Os que lutam apenas um dia, são simplesmente normais...
Os que lutam um mês inteiro, são razoáveis...
Os que lutam durante um ano, são bons.
Os homens que lutam ao longo de vários anos, são muito bons, são especiais.
Os homens que lutam toda a vida, são os melhores, são os santos, são os perfeitos.

É que toda a nossa vida deve ser uma luta.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Assim como nós perdoamos

O Pai Nosso de cada dia (3)

Pai-nosso dos céus,
te chamam os homens,
todos os que nos sentimos
irmãos de Teu Filho
que está no céu e em toda a parte,
mas sobretudo no nosso íntimo.

Tu és santo,
e queres que também nós o sejamos,
para que nos possamos chamar teus filhos.

Que chegue depressa o teu reino,
um reino de paz e de justiça, verdade e vida
amor e liberdade,
onde todos nos amemos e sejamos iguais.

Faça-se a tua vontade
assim na terra como no céu,

tu és o mais forte, mas fizeste-nos livres.
Queremos cumprir livremente a tua palavra.
Que a tua verdade seja uma força em nós.

Dá-nos o pão de cada dia
dá-nos sobretudo o amor,
para sabermos partilhar o que temos.
Dá-nos o Pão do teu Filho,
para que nos mantenhamos unidos.

Perdoa-nos, assim como nós perdoamos,
embora por vezes nos custe esquecer,
embora às vezes não consigamos
resistir à vingança,
perdoa-nos, para que aprendamos a perdoar.

E não nos deixes cair na tentação
sobretudo não permitas que nos cansemos
de nos levantar depôs das quedas.

Mas livra-nos do mal.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Oração feita oração

O Pai Nosso de cada dia (2)

Grande é a autoridade do Pai-nosso, pois vem de Jesus Cristo. Nele pedimos o que precisamos para este mundo e para o outro, quer dizer a bem-aventurança presente e a futura. Breve é esta oração, por sete razões. Primeiro, aprende-se mais depressa, retém-se melhor na memória e ninguém poderá desculpar-se por a não saber. Além disso, por ser curta podemos rezá-la mais vezes, homem nenhum se enfadará ao rezá-la e, como é breve, mais depressa pede aquilo que ele deseja e procura. Enfim, quis o Senhor mostrar-nos, na pequenez desta prece, que não está a virtude da oração em multiplicar as palavras, mas, sim, em rezá-la com devota vontade.
Nela, chamamos Pai a Deus. E porquê? Porque o é pela natureza, pela graça e pela glória que nos dá. Diz Santo Agostinho que, no Testamento Velho, não se chama Pai a Deus. Fixemos bem: Pai! Lembrem-se disto os ricos e os de nobre linhagem, quanto ao mundo, para não se ensoberbecerem contra os ‘pobres homens e de pequena geração’, pois todos dizemos pai-nosso. Por consequência, somos todos irmãos. Não nos ensinou Cristo a dizer meu mas, sim, pai-nosso, a fim de rezar-lhe ‘por todo o corpo’ sem excepção. E não procures só o teu proveito, mas o de todos. Desta forma, expulsa Deus a desigualdade ‘das coisas’, pois em serem filhos de Deus consiste a honra do rei e do ‘homem pobre’. Nisto consiste a nossa fidalguia e nobreza!
Está o nosso Pai nos Céus. Aborreçamos, pois, esta vida presente, consideremo-nos peregrinos e alongados do nosso Pai.
E que o seu nome seja glorificado, quando olhamos para as estrelas ou contemplamos as virtudes dos outros.
Venha o seu reino para os que o ignoram e que a luz da fé os ilumine. Venha a nós o reino da graça, contra o mundo, o diabo e a carne. E venha também a nós o reino da glória. Não nos apeguemos demais às coisas presentes, nem julguemos que são grandes. As do outro mundo, sim.
Seja feita a sua vontade, mesmo dura, e apeguemo-nos à cruz.
E que Deus nos dê o pão de cada dia, quer dizer, o mantimento de que precisamos, todo o necessário para viver. Nada de coisas supérfluas! Pão nosso, diz o Senhor, e não meu, para não pensarmos que são as coisas deste mundo só para nós. Quem nega o pão dos pobres, está a comer o seu pão e o dos outros. Comamos como se por Deus mesmo nos fosse dada a comida e estivesse ele presente. O pão de hoje! E que nos baste este cuidado. Por outro lado, pode entender-se, aqui, o pão ‘sacramental e o vinho’ da eucaristia, pão sobressubstancial, acima de todas as criaturas e destinado à alma. Dele ‘havemos cada dia mester para nos esforçar’. E pão quotidiano, porquê? Porque os sacerdotes recebem este sacramento por si e ‘por toda a comunidade’. Há também o pão da doutrina, o pão das lágrimas e o pão celestial ou da glória eterna.
E perdoemos! Como diz Séneca, deves perdoar sempre aos outros e nunca a ti mesmo.
Quanto à tentação, não a pedimos a Deus mas, sim, que nos livre de cair nela.
Ámen é a palavra que deriva do hebraico, diz ainda a Vita Christi, e não ‘ousou de a interpretar e declarar algum interpretador grego nem latino, por reverência do Salvador’.

(Cf. Ludolfo d Saxónia, Vita Christi, Lisboa, 1495)

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Excelência do Pai-nosso

Durante este mês, dedicado ao Coração de Jesus, procurarei partilhar algumas páginas com versões da oração do Pai-nosso. A apresentação seguirá uma ordem alfabética do seu título.

Foi num retiro de jovens da Madeira, que partilhei pela primeira vez uma colectânea de Pai-nossos.
As Edições Paulinas publicaram em 1990, com o título O PAI NOSSO DE CADA DIA, integrada na Colecção Celebrar essas variadas glosas ao Pai-nosso. Algumas delas foram adaptadas ou livremente inspiradas em diversos autores. A ordem dos textos foi ditada alfabeticamente pelos títulos.
Ao longo dos séculos os cristãos têm descoberto no Pai-nosso, tudo o que sonharam rezar a Deus e nunca se cansaram de aprofundá-lo cada vez mais, qual tesouro inesgotável. Esta foi a primeira oração que aprendemos e aquela que mais vezes é recitada, pessoal e comunitariamente. Podemos, no entanto, rezá-la sempre com toda a novidade. Só aquele que permite que a sua vida fique condicionada pelas palavras de Jesus poderá compreender a sua oração.
O Pai-nosso é um guia de oração. Não só quer dar directivas quanto ao conteúdo, mas também uma introdução formal e uma ajuda. Salvaguardando as leis da sua forma e do seu conteúdo, pode variar e ser construído desta ou daquela maneira. Então toda a oração deve brotar do Pai-nosso.


O PAI NOSSO DE CADA DIA (1)

As primeiras quatro palavras, Pai-nosso que estais nos Céus, nos ensinam que, na oração, estão implícitas quatro coisas, a saber, fé, esperança, caridade e humildade.
Vem a caridade significada logo nas primeiras palavras, porque, por natureza, qualquer criatura ama o seu pai carnal, de quem somente recebeu o corpo. Ora, muito mais deves tu amar a Deus Pai que te deu o ser do corpo e da alma, te remiu estando tu perdido, te suporta quando pecas e te perdoa quando a ele tornas, prometendo-te a glória e dando-te, neste mundo, todas as coisas necessárias. Por isso o tens de amar acima de todas as coisas. Mostra-nos Deus esperança, por aquela parte que diz: nosso. Se é nosso pai, com razão devemos dele esperar todo o bem, deste mundo e do outro, fazendo nós a sua vontade. Mostra-nos também a firme crença que devemos ter, pois ao dizermos que estais, cremos que Deus existe e tal fé muito lhe apraz, pois sem ela não poderia Deus ser conhecido nem honrado. Mostra ainda a verdadeira humildade que devemos ter, perante ele, através as palavras nos Céus, porque, quando pensamos estar ele nos altos Céus e nós aqui em baixo, na Terra, então nos humilhamos, conhecendo que è Nosso Senhor poderoso e infinito e nós seus servos inúteis, fracos e pequenos.
Obtidas estas quatro coisas (a saber, fé, esperança, caridade e humildade), então podemos confiadamente rogar e dizer com toda a afeição: Santificado seja o vosso nome. Senhor e Pai, que o vosso nome de tal forma seja confirmado em nós, vossos filhos, que façamos a vossa vontade e contra ela nada obremos.
E por não podermos fazer isto perfeitamente neste mundo, dizemos: Venha a nós o vosso reino. Isto é, que estejamos em vós, ó Pai, neste mundo pela graça e, no outro, pela glória.
A não ser que, Senhor, seja do vosso serviço e prazer continuar nesta vida e, por isso, dizemos: Seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu. Quer dizer, rogamos-te, ó Pai, que nos guieis de tal modo que, na Terra, façamos o que mandais e evitemos o que proibis, tudo isto com a perfeição dos anjos e santos no Céu.
Porém, não podendo nós viver sem os bens deste mundo, por isso dizemos: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Isto é, nós te pedimos, Pai, o pão necessário para cada dia (e não o sobejo). A fim de conseguirmos a vida eterna, pois sem a tua providência nada aproveita o trabalho, dá-nos também hoje o pão espiritual da alma, quer dizer, o teu corpo sagrado e a tua santa doutrina.
E porque, nesta vida, nunca estamos sem pecado, por isso dizemos: Perdoai-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
Assim perdoados, por sermos fracos e temermos o mal que nos pode vir, exclamamos: E não nos deixeis cair em tentação. Quer dizer, pedimos para dela não sermos vencidos.
Finalmente, vivendo nós cercados, nesta vida, por muitos males, por isso pedimos: Mas livrai-nos do mal. Do mal presente, na medida em que nos pode induzir a pecar, disso nos livrai. Contudo, não pedimos para não padecermos adversidade, com a condição de elas não nos causarem dano.
Ámen.

(Cf. Inéditos de Alcobaça, T. 1, Coimbra, 1829, paginas 215-218, ed. Por Frei Fortunato de S. Boaventura).

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mediação dos Sacerdotes


Jesus vem até nós através dos homens, sobretudo pelos sacramentos.
Neles actua Jesus por meio dos sacerdotes.
Comunica a Sua graça de modo ordinário por meio do Baptismo, da Eucaristia, da Confissão e dos outros sacramentos.

Dois amigos foram à missa e ambos foram à comunhão.
Um deles não era muito praticante e o amigo felicitou-o por ter ido comungar e se ter confessado. O outro respondeu:
– Eu confessei-me a Deus, porque os meus pecados são coisa entre mim e Ele e o padre não tem nada que se meter.
O colega, que não era tonto, disse-lhe:
– Mas tens de levar esse raciocínio até ao fim. Não deves ir receber a comunhão das mãos do sacerdote. Tu próprio pegas no pão e dizes as palavras da missa e comungas depois.
O outro percebeu a estupidez da desculpa que tinha dado.

Jesus quis servir-se de intermediários.
Ao instituir os sacramentos, deu-lhes a força para nos comunicarem a graça, se os homens os realizam ou recebem como Ele os instituiu.
Neles Jesus actua ainda hoje servindo-Se do ministério dos sacerdotes.
Podia ter feito doutro modo? Sem dúvida.
Mas a Igreja e cada homem têm de respeitar a vontade de Jesus, aquilo que ensinou e instituiu. Se alguém se deixa cegar pelo orgulho não pode acolher a graça.

Inspirado em http://www.cliturgica.org/artigo

Visitação

31 de Maio - Festa da Visitação da Virgem Santa Maria

A visitação lembra-nos que Jesus vem até nós através dos homens.
Ele foi visitar Isabel através de Maria...
Ainda hoje é assim:
Deus visita-nos através dos nossos irmãos.
E Deus visita os nossos irmãos através de nós.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Amores de Deus

Ano C - Solenidade da Santíssima Trindade

A Santíssima Trindade é a manifestação do amor inesgotável de Deus. Ele é Pai criador mas também Irmão redentor e Espírito santificador. Tudo isto porque é Amor:

Perguntaram-me quem é Deus.
Eu, alegre, respondi
que era a melhor melodia
que até agora já ouvi.

Mas um surdo ali estava,
e para ele olhei.
Compreendi que estava errada
esta resposta que inventei.

Pensei então que Deus
era palavra ou poesia,
mas o surdo também não falava
e conhecer tal Deus não podia.

Que pergunta mais difícil!
Como O irei definir?
Talvez a melhor sensação
que alguém possa sentir.

Minhas mãos arrepiaram-se
e começaram a tremer;
quantos homens como eu,
que nem mãos chegaram a ter?

Talvez o melhor perfume,
o melhor cheiro ou algo parecido,
mas parece não haver nenhum
que afinal não seja enjoativo.

A coisa mais saborosa não será,
pois a minha língua pode mostrar
que nem sempre
é capaz de saborear.

Só me falta um sentido,
este, com certeza, servirá:
Deus é a luz
que nunca se apagará.

Mas como pode um cego
este Deus experimentar?
Procurarei outra resposta
que a todos possa contentar.

Quem é Deus?
Pois já sei o que responder
e toda a gente
será capaz de entender:

Não é música, nem poesia, nem luz,
mas seja para quem for,
Deus é mais do que um amigo,
Deus é amor.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Mae dos filhos de Zebedeu

4ª Feira - VIII Semana Tempo Comum

A mãe dos filhos de Zebedeu pediu a Jesus:
- Deixa que estes meus dois filhos fiquem um à tua direita e outro à tua esquerda.
Jesus disse-lhe que não.
Esta nega entristeceu a mãe e os filhos.
Só mais tarde compreenderam que essa nega de Jesus afinal foi um grande benefício:
É que Jesus recebeu a seu lado dois outros ‘irmãos’ – foi no alto do Calvário. A seu lado direito estava um crucificado e no lado esquerdo outro crucificado.
E a mãe dos filhos de Zebedeu agradeceu comovida não ter sido atendida naquele dia.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Primeiro ou último


3ª Feira - VIII Semana Comum

Os últimos serão os primeiros
E os primeiros serão os últimos


- Quem disse isto, com certeza estava em último lugar e queria assim justificar a sua posição e a sua aspiração.

- Ou quem disse isto não sabia bem qual a direcção ou o rumo da fileira em que se encontrava, pois tanto podia estar no começo ou no fim ou virar para um lado ou para o outro.

- Mas o que interessa é que quem disse isto não quer que eu esteja nem no princípio nem no fim, nem em primeiro nem em último, mas quer apenas que eu esteja no meio, pois é aí no meio que está a virtude.

sábado, 22 de maio de 2010

Festa da Cebola

A minha terra natal, Caniço, celebra neste fim de semana a XIII Festa da CEBOLA. A esse propósito partilho uma reflexão inspirada na Cebola.
TEOLOGIA DA CEBOLA

Há muita semelhança entre a nossa vida e a cebola.
O biblista Carlos Mesters, num dos seus livros, apresentou esta comparação com o objectivo de chamar a atenção para aquilo que em nós é passageiro. A vida de um cristão deve ser uma constante procura de perfeição e nessa caminhada vamos sendo lentamente burilados ou, literalmente, descascados. O drama é que, à medida que as nossas cascas vão sendo arrancadas, entre dores e lágrimas (não pela irritação causada aos olhos pela cebola) tomamos consciência, para nossa surpresa, de que há ainda mais cascas.
De facto, a existência humana é constituída por muito suor, trabalho árduo, vigilância constante e perseverança. Os que se contentam com uma vida superficial nunca se preocupam em arrancar as cascas. Vivem acomodados. Neste carnaval, precisamos de arrancar as nossas máscaras, disfarces ou cascas que transportamos e que precisam de ser aliviadas. Não nos surpreendamos, porém, se depois de encararmos esses desafios, chegarmos à decepcionante conclusão de que a cebola ainda tem muitas camadas para serem retiradas. Este processo manifesta o nosso desejo de arrancar tudo o que atrapalha a vida. Quanto mais arrancarmos o que está a mais, maior liberdade e dignidade encontraremos. É preciso desacomodar-se, libertar-se, aliviar carga inútil que transportamos e que torna a nossa vida pesada.
Não basta fazer de conta, converter uma parte da nossa vida. Tal como na cebola, as camadas cobrem por inteiro esse universo, assim também na nossa vida é preciso ter a ousadia de uma conversão total. Daremos conta da nossa fragilidade e vislumbraremos melhor o íntimo de nós mesmos com a seiva nova de Cristo.
Nada de temores, pois é na medida em que as cascas são arrancadas que descobrimos a força do nosso interior.
Há quem aplique esta comparação ao tempo. Aliás, antigamente designava-se de cebola o relógio de bolso, por ser redondo e por ter várias camadas como a capa, a tampa, a protecção etc. Assim o tempo é uma espécie de cebola que vai perdendo os seus dias ou as suas cascas, até nos levar à hora da verdade, do encontro com o essencial no mais íntimo de nós mesmos.
Cada um pode desfazer-se das suas capas e descobrir bem dentro de si a força da alma.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O segredo de Deus

Ano C - Domingo de Pentecostes

Alguém veio dizer-me que o Espírito Santo é em nós, o que o açúcar é no chá.
Acontece algumas vezes que não achamos bom o chá.
Descobrimos então a causa disso quando se chega ao fundo da chávena: era o açúcar.
Havia açúcar lá, mas estava todo no fundo.
Teria sido necessário mexer.
Talvez o que esteja a faltar à nossa vida também tenha ficado no fundo.
A nossa vida talvez não tenha o sabor esperado porque não temos a coragem de ir ao fundo das coisas.
Fazemos caretas como ao tomar o chá sem açúcar.
Precisamos de fazer o esforço de mexer a vida, de tocar nos segredos de Deus em nós, para que o Seu Espírito possa adoçar o todo que somos.
Assim o Espírito Santo é este segredo de Deus em nós.
O Espírito está aí mas é preciso mexer.
O Patriarca Atenágoras escreveu que sem o Espírito Santo, Deus fica longe;
Cristo permanece no passado;
o Evangelho é letra morta, a Igreja é uma simples organização;
a autoridade é um poder;
o culto, uma velharia.
Mas, no Espírito, o cosmos é enobrecido;
Cristo torna-se presente;
o Evangelho faz-se vida;
a Igreja realiza a comunhão...
É preciso mexer o que Deus pôs dentro de nós.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Terço (35)

Gloriosos

Os sacramentos no terço
ou o terço dos sacramentos

Um sacramento é um sinal da presença de Deus nos momentos essenciais da vida do homem.
Unidos a Maria podemos saborear essa presença meditando nos sacramentos que o senhor nos oferece.

1º Mistério - A ressurreição de Jesus
Jesus ao passar da morte para a vida convida-nos a que passemos também para uma vida nova. Através do nosso Batismo nós ressuscitamos, passamos a viver em Cristo.
Rezemos por todos os baptizados para que vivam sempre como testemunhas da Ressurreição do Senhor.

2º Mistério - A ascensão de Jesus ao CéuCristo ao subir aos céus, despede-se da comunidade dizendo que estará sempre presente até ao fim dos tempos. É através da Eucaristia que marca presença, de maneira privilegiada no meio de nós. É também através da comunhão eucarística que nos elevamos até Deus.
Rezemos pelas vocações sacerdotais para que esta presença eucarística nunca falte à sua Igreja.

3º Mistério - A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos
Foi no Pentecostes que Cristo enviou o Espírito Santo, sinal da maturidade da comunidade que a torna anunciadora da Salvação. É no sacramento do Crisma que cada cristão acolhe o mesmo Espírito. A partir dessa maturidade, cada cristão assume a sua vocação matrimonial ou de consagração sacerdotal ou religiosa.
Rezemos pelos jovens que se preparam para o crisma para que possam ser cristãos amadurecidos e empenhados na Igreja.

4º Mistério - A assunção de Nossa SenhoraAo ser elevada ao Céu, Maria é exemplo de uma vida santa, imaculada. Também cada cristão tem oportunidade de se purificar através do sacramento da Confissão ou reconciliação.
Rezemos para que todos os pecadores possam converter-se e acolher o perdão e o amor de Deus Pai através da confissão.

5º Mistério - A coroação de Nossa Senhroa como Rainha dos Anjos e dos Santos
Ela é coroada rainha do céu e da terra. Na linguagem bíblica a coroação dos reis era assinalada pela unção com o óleo santo. Também hoje cada cristão pode ser ungido pelo Sacramento da Unção dos Enfermos para que, sempre e em toda a parte, estejam preparados para partilharem a glória eterna de Deus, na companhia da Virgem Santa Maria.
Rezemos por todos os doentes para que nunca lhes falte o conforto e a graça de Deus.


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Da Terra ao Céu


Ano C - Domingo da Ascensão

Eu explicava às crianças da catequese o sentido da Ascensão do Senhor:
- Jesus, depois de ter cumprido a sua missão na terra, subiu ao céu, sua morada eterna.
Pareceu-me que a lição tinha sido clara quando surpreendi dois miúdos a falar baixinho. Então perguntei:
- Qual é a dúvida?
Um deles, meio envergonhado, começou a dizer:
- A gente diz que Jesus está na Igreja, está no sacrário. Agora o senhor Padre diz que ele subiu para o Céu. Então, em que é que ficamos?
Fiquei meio surpreendido com aquela questão. Nunca tinha pensado nesses termos e olhei, meio aflito, quase à procura de ajuda, para o seu colega. Este, sem mais demoras, resolveu a dúvida, respondendo de imediato:
- Olha, Ele mora no Céu mas trabalha na Igreja.
Comoveu-me a simplicidade destas crianças. Elas projectavam em Deus aquilo que viam no seu pai, em casa e no emprego. Nada mais certo. Deus tem a sua morada no Céu, mas exerce a sua actividade cá na Terra. E eu é que já não sei onde é que começa o Céu e termina a Terra. Jesus continua a sua acção aqui na Terra através de nós. Compete-nos agora fazer deste lugar de trabalho a morada de Deus, transformando a Terra num cantinho do Céu.
É este mistério que nós celebramos na Ascensão do Senhor.




quarta-feira, 12 de maio de 2010

Terço (34)

Gloriosos

O canto da glória
ou a glória do canto

Rezemos o terço do Rosário, meditando nos mistérios gloriosos.
Cada Mistério será anunciado cantando a respetiva quadra com a melodia do Ave de Fátima (A treze de Maio).

1º mistério – A ressurreição de Jesus

Do escuro sepulcro
Jesus ressurgia,
na alma da Mãe
nasceu a alegria.

Ave, ave, ave Maria…

2º mistério – A ascensão de Jesus ao Céu

Ao céu mansamente
o Filho subia,
na alma da Mãe
cresceu a alegria

Ave, ave, ave Maria…

3º mistério – A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos

O Espírito Santo
na Igreja descia,
na alma da Mãe
cresceu a alegria.

Ave, ave, ave Maria…

4º mistério – A assunção de Nossa Senhora

Levada por Anjos
a Virgem subia,
na alma da Mãe
cresceu a alegria.

Ave, ave, ave Maria…

5º mistério – A coroação de Nossa Senhora como Rainha dos Anjos e dos Santos

Coroada no céu,
que já merecia,
a Mãe goza enfim
da eterna alegria.

Ave, ave, ave Maria…



terça-feira, 11 de maio de 2010

Provações fecundas

3ª Feira da VI Semana da Páscoa

Na 1ª Leitura os apóstolos, mesmo na prisão, promovem a conversão do guarda da prisão que depois é baptizado juntamento com toda a sua família.
À primeira vista, a prisão era um impedimento para a evangelização, mas afinal foi uma feliz oportunidade.

Deus, ou quer impedir os males e não pode;
ou pode e não quer;
ou não quer nem pode;
ou quer e pode.

Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que também é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então a existência dos males?

Por que razão é que Deus não os impede?
Porque há males que vêm por bem.
Parecem-nos males, mas afinal é um bem.
De facto, Deus escreve direito por linhas tortas.
Devemos muito mais do que pensamos às nossas provações.

As mãos que nos ferem,
os cães que nos mordem,
as doenças que nos roem,
os grilhões que nos amarram,
os fardos que nos esmagam:
são forçados a se tornarem os nossos auxiliares.

sábado, 8 de maio de 2010

Morada de Deus

Ano C - VI Domingo Pascal

Nesta etapa do tempo pascal há uma insistência na promessa do envio do Espírito Santo, nas leituras propostas. Mas afinal quem é o Espírito Santo?
Fiz esta mesma pergunta a um grupo de catequizandos.
Alguém, depois de alguma hesitação, respondeu:
- O Espírito Santo é uma Bandeira Vermelha que nós recebemos lá em casa.
Esta não era bem a resposta esperada mas não tive coragem de corrigir, lembrando-me das Visitas do Espírito Santo, tão comuns aqui na Madeira nesta época. E deixei-me levar por esta simbologia, tão ao gosto popular, que me fez compreender melhor a presença do mesmo Espírito.
Tal como os descobridores portugueses, aonde chegavam, plantavam aí a bandeira da Pátria e o estandarte da fé, assim Deus planta em nós a sua bandeira através da efusão do Seu Espírito.
Tal como um edifício ostenta a bandeira nacional, assim nós, morada de Espírito Santo, assinalamos assim a nossa pertença a Deus.
Além disso uma bandeira é sinal de festa. Nós somos a alegria de Deus.
É vermelha qual fogo que nos aquece e anima, que nos purifica como ouro no crisol, que nos aconchega como Espírito de amor junto à lareira...
Jesus promete fazer de nós sua morada.
O Espírito Santo é a bandeira dessa propriedade.
E se Ele é bandeira, então nós somos o seu mastro.
Aspiremos às coisas do alto.



Mês de Maria

8 de Maio

Estamos no mês de Maio, mês de Maria.
Estamos hoje no dia de Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças.

1. Mês de Maria
Livro publicado pelo Pe. Dehon em 1900. Tem como fundo as ladainhas lauretanas: As ladainhas são como os cânticos uma forma de oração poética e popular. Acumulam figuras e símbolos. Têm em conta assonâncias para ajudar a memória.
No Mês de Maria o Pe. Dehon extrai dos Padres, dos doutores da Igreja e dos santos o que melhor escreveram sobre Maria.
O Pe. Dehon escolhe os exemplos com o fim de demonstrar que o século XIX é o século de Maria. O autor predilecto neste livro sobre a Virgem é Santo Afonso Maria de Ligório. Inspira-se abundantemente na sua célebre obra As Glórias de Maria. Outras fontes importantes foram: São Francisco de Sales = Tratado do amor de Deus; São João Eudes = O Coração admirável da santíssima Mãe de Deus; Santa Matilde = O livro da graça especial; Santa Gertrudes = O Mensageiro do amor divino; Bossuet Y Bourdaloue = Sermões.

2. Consagração do mês de Maio a Maria
Já no século XIII, Afonso, o Sábio, rei de Castilha, havia associado a beleza de Maria à beleza do mês de Maio, em um dos seus cantos poéticos.
No século seguinte, o bem-aventurado dominicano Henri Suso, por ocasião da festa das flores, no primeiro dia de Maio, costumava trançar, com belas e viçosas flores, delicadas coroas para a Virgem Maria.
Em 1549, o beneditino, de nome Seidl, publicou um livro intitulado O mês de Maio espiritual.
São Filipe Neri já exortava os jovens a manifestar um culto particular a Maria, durante o mês de Maio, reunindo crianças em torno do altar da Santa Virgem para oferecer-lhe as flores da primavera.
No correr do tempo, os jesuítas recomendavam que, na véspera do dia primeiro de Maio, as pessoas deveriam erguer em seus lares, um altar a Maria, ornamentado com flores e luzes e, a cada dia do mês, a família deveria se reunir para fazer algumas orações em honra da Santíssima Virgem, antes de fazer um sorteio que indicaria, a cada um, a virtude que deveria praticar no dia seguinte.
Esta devoção mariana perpetuou-se, mundo afora, até os nossos dias. Então, neste mês que está a começar, não hesitemos: como as crianças da Idade Média, vamos oferecer a Maria, flores e orações!

3. Pensamentos do Pe. Dehon sobre Nossa Senhora
- A bondade de Maria Santíssima ganha todos os corações. (CA, Pág. 68)
- A morte do Sacerdote do Coração de Jesus é como uma missa suprema pela qual ele conseguirá sobre a terra adorar, dar graças, rezar, acreditar na misericórdia em união com Jesus imolando-se na cruz e no altar, com Maria co-redentora e rainha do clero. (CC 10/81919, Pág. 242)
- O Coração de Jesus e o Coração de Maria devem ser o grande livro da santificação dos homens. (VA, Pág. 93)
- Quem ama o divino Coração, ama a sua Mãe, pois a sua Mãe vive no seu Coração, e o seu Coração vive na sua Mãe. (CF, 15 de Novembro de 1880)
- Um único pensamento domina a minha jornada: A humildade… É a chave de todas as graças… É o resumo da vida de Jesus e de Maria. (NQ, 1887, Pág. 141)
- Vivamos em união com o Coração de Maria, para estarmos mais unidos ao Coração de Jesus. Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus, tudo a Deus e só a Deus por toda a eternidade. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 183)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Escolher primeiro

6ª Feira - V Semana da Páscoa

Do Evangelho de Hoje:
"Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi..."


Reflexão de Santo Agostinho:

Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer.
O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (Jo 15: 16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim merecerem ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: Não fostes vós que me escolhestes.
Não há dúvida que eles também o escolheram, quando nele acreditaram. Daí o ter ele dito: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, não porque não o escolheram para ser escolhidos, mas para que o escolhessem, ele os escolheu. Isso porque a misericórdia se lhes antecipou (Sl 53:11) segundo a graça, não segundo uma dívida. Portanto, Deus escolheu os crentes, mas para que o sejam e não porque já o eram.
Pergunto: quem ouvir o Senhor, que diz: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, terá atrevimento de dizer que os homens têm fé para ser escolhidos, quando a verdade é que são escolhidos para crer?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Terço (33)


Gloriosos

Rezando com os erros
ou o terço dos Erros

Os santos não são aqueles que nunca erraram, mas aqueles que aprenderam com os seus próprios erros.
É preciso aprender com os erros e tirar partido das nossas asneiras para podermos caminhar para Deus.
Vamos meditar nos mistérios Gloriosos e descobrir os erros ocorridos na escrita e as lições que podemos tirar daí.

1º Mistério – A ressurreição de Jesus
Meditemos na PÁZCOA de Jesus.
De facto a Páscoa ou a Ressurreição de Jesus deve escrever-se sempre com PAZ.
Depois de ressuscitado, sempre que aparecia desejava a PAZ aos seus discípulos. É por isso que hoje queremos meditar nas PAZCOA assim escrita.
Quem nos dera que a PAZCOA fosse sempre de PAZ…

2º Mistério – A ascensão de Jesus ao Céu
Contemplemos Jesus que subiu ao SEU.
De facto Jesus, na sua Ascensão, subiu ao seu lugar, donde viera e para onde nos quer levar. O Céu é seu e por seu intermédio também passou a ser nosso.
Jesus subiu ao SEU, porque o Céu é dele.
Quem nos dera que o nosso CÉU fosse sempre o SEU de Jesus…

3º Mistério – A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos
Contemplemos o ESPERTO Santo.
De facto o Espírito Santo é o esperto de Deus, é a Sabedoria divina que desceu sobre os Apóstolos e os tornou dinâmicos, ágeis e entendidos na pregação.
Agradeçamos este ESPERTO que é a Sabedoria Divino ou o Espírito que nos Santifica. Quem nos dera que todos os espertos fossem santos…

4º Mistério –
A assunção de Nossa Senhora
Contemplemos Nossa Senhora quando ASSUBIA ao céu.
De facto Nossa Senhora chamou o Céu, assobiou aos Anjos e Santos que a levaram para a glória celeste.
Assobiar é sinal de chamamento e de alegria ou festa.
Quem nos dera que todos nós também assobiássemos aos Anjos e Santos e que por nossa causa houvesse alegria no Céu.

5º Mistério – A coroação de Nossa Senhora como Rainha dos Anjos e dos Santos
Contemplemos o CORAÇÃO de Nossa Senhora como Rainha do Céu.
A coroa de glória de Nossa Senhora é de facto o seu Coração Imaculado. Ela é a rainha do Amor e o seu Coração triunfará.
Quem nos dera que o nosso valor fosse do tamanho do nosso Coração e do nosso amor a exemplo de Maria Santíssima.


terça-feira, 4 de maio de 2010

Portas da fé

3ª Feira - V Semana da Páscoa

Da Primeira Leitura:
Contaram como Deus tinha aberto as portas da fé aos gentios.

Deus é assim:
Deus abre a porta, mas não obriga a entrar ou a sair.
Deus põe a mesa, mas não obriga a comer ou a beber.
Deus semeia, mas não obriga a germinar ou a crescer.
Deus propõe, mas não obriga nem impõe.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

São Filipe e São Tiago

3 de Maio
Festa de São Filipe e São Tiago menor, Apóstolos

São Filipe, segundo a tradição, foi missionário na Frígia e na Gálácia. No seu escudo aparecem dois pães e uma cruz. Os pães lembram o comentário de Filipe para Jesus, diante da multidão, para a qual Jesus multiplicou os pães (Jo, 6,5-7). A cruz lembra o seu martírio: foi amarrado numa cruz e apedrejado.







São Tiago Menor - Ver comentário de 1 de Maio de 2009, neste Bolg.

sábado, 1 de maio de 2010

O Amor é tudo

Ano C - V Domingo da Páscoa

Tudo provém do amor:

A vida... é o amor existencial.
A razão... é o amor que reflecte.
O estudo... é o amor que analisa.
A ciência... é o amor que investiga.
A filosofia... é o amor que pensa.
A religião... é o amor que busca a Deus.
A verdade... é o amor que se torna eterno.
O ideal... é o amor que sublima.
A fé... é o amor que transcende.
A esperança... é o amor que sonha.
A caridade... é o amor que ajuda.
A renúncia... é o amor que purifica.
A simpatia... é o amor que sorri.
A indiferença... é o amor que se esconde.
A paixão... é o amor que desequilibra.
O ciúme... é o amor que alucina.
O egoísmo... é o amor que se engaiola.
O orgulho... é o amor que delira.
Vaidade... é o amor que se embebeda.
O trabalho... é o amor que constrói.
Porque o amor é tudo.
Nisto conheceremos os filhos de Deus: se se amarem uns aos outros. E amar é seguir o coração:

Um idoso mandou parar o carro do missionário que vinha já cheio de pessoas para pedir boleia.
- Mas já não há lugar para ti...
O homem olha para dentro do carro e respondeu:
- Se no teu coração houver um lugar, encontrarás também um lugar no teu carro.
E de facto aconteceu.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dom da Fé

30 de Abril de 1873

Mary Jane Wilson escreveu na sua agenda:
Hoje recebi o dom da fé.

O que se passou há 137 anos?

"Miss Wilson, atormentada pelas dúvidas religiosas, procurou instruir-se sobre as verdades do catolicismo.
Perguntou-lhe o padre católico:
- Já acreditas em todas as verdades?
- Não creio que Nosso Senhor, tão grande como é, esteja debaixo de uma pequena hóstia.
- Não crês? Então volta para casa e não venhas cá sem acreditar em todas as verdades.

Miss Wilson ficou triste, foi para casa... pegou numa pequenina imagem de Nossa Senhora das Vitórias, da qual nunca mais se separou, dizendo:
- Não vos deixo esta noite sem que me esclareças...

O que se passou nessa noite não sabemos.
Só sabemos que logo pela manhã correu ao encontro do padre... e foi marcado o dia do baptismo católico.

Miss Wilson deixou escrito na sua agenda:
Hoje recebi o dom da fé.

O que é ter FÉ?
- É acreditar no que não vemos,
- Ou é ver o que acreditamos?
Tenho a impressão que consiste nas duas coisas.

Qual é o DOM DA FÉ?
- A fé que é um dom, uma oferta, um presente de Alguém,
- O dom que a fé dá; a fé dá o quê? A fé dá-nos Alguém.

O dom da fé é tornar presente Alguém,
ou é Aguém que nos dá um presente.
É alguém que se nos dá como presente.

Na fé há sempre ALGUÉM:
Alguém dá-nos como prenda a fé.
A fé dá-nos como prenda Alguém.

Caminho, verdade e vida

6ª Feira - IV Semana da Páscoa

Do Evangelho de Hoje:
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, diz o Senhor.

Do ponto de vista de Deus: há o caminho, a verdade e a vida.
Do ponto de vista dos Homens: há a fé, a esperança e a caridade.

Para o Caminho, nós seguimos com a esperança.
Para a Verdade, nós aderimos com a fé.
Para a Vida, nós vivemos na caridade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Virtudes Sacerdotais

No dia da Festa de Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja e Padroeira da Europa, recordamos um dos seus escritos que encaixa bem neste Ano Sacerdotal que estamos a celebrar:

(28.6.4 - Visão de Catarina)

Virtudes sacerdotais
"Filha querida, disse tais coisas para que melhor compreendas a dignidade dos meus ministros e chores com mais amargor os seus pecados. Se os ministros meditassem sobre a própria dignidade, não viveriam em pecado mortal, não manchariam a sua alma. Se eles não me ofendessem, se não pecassem contra a própria dignidade, se não entregassem até o corpo para ser queimado, mesmo assim não me agradeceriam suficientemente pelo dom que receberam. Neste mundo é impossível uma dignidade maior. São ungidos meus, meus cristos, postos por mim na função de ministros, flores perfumadas na hierarquia da santa Igreja. Nem os anjos possuem dignidade igual a esta concedida aos homens, na pessoa dos sacerdotes.
Coloquei-os como anjos na terra, e como tais devem viver. De todos os homens exijo pureza e amor; todos devem amar-me e amar o próximo; todos devem socorrer o irmão naquilo que lhes for possível com orações e obras de caridade. Mas dos meus ministros peço pureza maior, maior amor por mim e pelos homens. Que distribuam o Corpo e Sangue do meu Filho com grande desejo da salvação da humanidade, para glória do meu nome. Da mesma forma como eles querem limpo o cálice usado no sacrifício eucarístico, também eu quero que sejam puros os seus corações, as suas almas, os seus pensamentos. Igualmente os seus corpos - instrumentos da alma - hão-de ser possuídos em perfeita pureza. Não quero que se envolvam na lama da luxúria, nem que se mostrem inflados de orgulho na procura de cargos prelatícios ou cheios de rancor por si mesmos e pelos outros. A insatisfação pessoal costuma manifestar-se sobre os outros; quando impacientes, os ministros terminarão dando maus exemplos, não se preocuparão em livrar os homens das mãos do demónio, não se dedicarão com esforço ao ministério do Corpo e Sangue do meu Filho, não distribuirão a luz da eucaristia na forma explicada.
Filha querida, compreendes quanto o pecado contra a natureza me desagrada em qualquer pessoa; mas entenderás também que muito mais me desgosta quando é praticado por aqueles que escolhi para a vida de continência. Uns abandonaram o mundo e se fizeram religiosos; outros são diocesanos. Entre eles acham-se os ministros. Jamais entenderás como tal vício, cometido por eles, ofende-me muito mais do que quando feito pelos leigos em geral e pelos leigos consagrados. Os ministros são lâmpadas colocadas sobre o candelabro e devem iluminar pelo ministério eucarístico, pela virtude, pelo bom exemplo. Mas de facto espalham a escuridão e vivem na escuridão. Por causa de sua soberba e impureza, nada entendem das Escrituras, a não ser em sua veste exterior, literária."

Santa Catarina de Sena


29 de Abril

Festa de Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja e Padroeira da Europa.

Experimentou maravilhosas experiências místicas. Com a idade de 26 anos, começou a sentir as dores de Cristo, no seu corpo. Dois anos mais tarde, em 1375, durante uma visita a Pisa, recebeu a Comunhão na pequena igreja de Santa Cristina. Quando ela meditava e agradecia orando ao crucifixo, raios de luz furaram as suas mãos, pés e o lado e todos puderam ver nela os estigmas de Cristo. Por causa de tanta dor ela não falava nem comia. Assim ficou por oito anos sem comer líquidos ou qualquer outra coisa que não fosse a Sagrada Comunhão.

Santa Catarina de Sena ingeria apenas o Alimento espiritual e alimentava-se assim espiritual e materialmente.
Hoje, há tanta gente que pensa que ao ingerir apenas o Alimento material alimenta-se assim material e espiritualmente.

O pão do céu alimenta a alma e o corpo,
mas nem sempre o pão da terra alimenta o corpo e a alma.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Vida, Glória e Felicidade

4ª Feira - IV Semana Pascal


Da oração da Colecta:
"Deus todo-poderoso,
vida dos fiéis,
glória dos humildes,
felicidade dos justos..."

Deus é para nós Vida para sermos fiéis,
é Glória para sermos humildes,
é a Felicidade para sermos justos ou santos.

Se formos fiéis, Deus será a nossa Vida,
se formos humildes, Deus será a nossa ´Glória,
se formos justos ou santos, Deus será a nossa felicidade.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Pastor, porta e cordeiro

2ª Feira da IV Semana tempo Pascal

Cristo apresenta-se como Pastor e também como Porta.
Afinal em quem ficamos?
Ele é Pastor ou é Porta?
É isso tudo e ainda mais: é também cordeiro.
Cristo é aquilo que nós precisamos que ele seja para nós, conforme a nossa situação existencial.
Ele é Pastor, se precisamos ser guardados e orientados.
Ele é Porta se precisamos de um caminho ou de acesso à vida com mais abundância.
Ele é Cordeiro, se precisamos que alguém seja oferecido por nós como vítima de oblação para a remissão dos nossos pecados.

Tal como rezamos no V Prefácio Pascal - Cristo tornou-se ele mesmo o Sacerdote, o Altar e o Cordeiro.

Hoje, estou a necessitar mais de um Pastor? Ou de uma Porta? Ou de um Cordeiro? De um Sacerdote? Ou então de um Altar?

Cristo faz-se tudo para todos.
Obrigado Senhor!

domingo, 25 de abril de 2010

Onde está o Pastor


Ano C - IV Domingo do tempo pascal

O Bom pastor

Cristo ressuscitado apresenta-se como alguém que quer continuar a guardar os seus discípulos. Ele continua a ser o BOM PASTOR.
- Então onde é que ele está?
- À frente do rebanho… pois as ovelhas conhecem a sua voz e seguem-nos. E ainda bem que ele vai à frente, pois se fosse atrás veria cada figura que as suas ovelhas fazem.
- Mas atrevo-me a corrigir o Evangelho, prefiro dizer que Cristo Bom Pastor está onde nós mais precisamos que ele esteja:
À frente para nos orientar se estamos desnorteados.
Ao nosso lado para nos acompanhar se nos encontramos na solidão.
Atrás para nos empurrar se estamos sem vontade e deprimidos.
Em cima para nos proteger se nos sentimos frágeis e vulneráveis.
Dentro de nós para nos alimentar se estamos sem alento.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Ser Pastor

Ano C - IV Domingo da Páscoa

Jesus Cristo, o Bom Pastor, diz que as suas ovelhas escutam a sua voz.

Um colega meu, ao imaginar um rebanho assim tão obediente e certinho, desabafou:
- Quem me dera que a minha comunidade fosse assim, que todos se respeitassem e se escutassem... Parece que tenho mais lobos que ovelhas.
- Todos nós somos pastores. Temos, dentro de nós, ovelhas e lobos. Aquelas são boas, obedientes, respeitadoras. Os outros são altivos, violentos, abusadores. As primeiras vivem em harmonia com todos, não se ofendem com as palavras dos outros nem ofendem ninguém. Os lobos passam o dia a brigar e mesmo as pequenas coisas os lançam num ataque de ira mas a sua raiva não muda coisa nenhuma. Algumas vezes é difícil conviver com estas duas presenças dentro de nós porque ambas tentam dominar o nosso espírito.
Então o meu amigo perguntou:
- E quem são os mais fortes, as ovelhas ou os lobos? Qual deles vence?
A resposta só poderá ser esta:
- O mais forte é aquele que alimentamos com mais frequência.
Transpiramos para fora aquilo que nos vai cá dentro. Aquilo que cada um é individualmente condiciona a sua comunidade pois o rebanho é feito de ovelhas. Se só nos alimentamos de ódio, incompreensão e intransigência, haverá mais lobos que ovelhas. Jesus Cristo dá a vida pelas suas ovelhas.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia da Terra

Hoje celebramos o DIA DO PLANETA TERRA


AGORA E SEMPRE

Antigamente
O Homem temia
A Natureza
E tudo lhe submetia.

Mas no presente
É a Natureza
Que teme o Homem
Pela sua crueza.

Em todo o tempo
Os ódios consomem,
No Homem das cavernas
Nas cavernas do Homem.

Ainda hoje
O Homem é assim
E se não mudar
Será o princípio do fim.

Quando alguém trabalha
Por um mundo melhor
Vence a batalha
Com as armas do amor.

Quando alguém espera
Uma vida diferente
Uma nova era
Já se torna aqui presente.

Eu quero apenas
Semear a esperança
Com a certeza
De quem alcança.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Acto completo

4ª Feira - III Semana da Páscoa

Da 1ª Leitura:
"As multidões aderiam às palavras de Filipe
que anunciava Cristo,
porque ouviam falar dos milagres
e também os viam...
e houve grande alegria naquela cidade."

Este é um ACTO completo, um testemunho total, uma obra integral:

- Aderir = Abraçar
- Anunciar = Falar
- Ouvir = Escutar
- Ver = Contemplar
- Alegria = Tranbordar

Só assim continuamos a mesma obra dos primeiros discípulos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

apedrejar

3ª Feira da da III Semana da Páscoa

Da 1ª Leitura:
... e começaram a apedrejar Estêvão...


Quem nega a sua fé

também atira uma pedra

a Estêvão.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Santo Estêvão

2ª Feira da III Semana da Páscoa

Da 1ª Leitura:
'Estêvão cheio de graça e de fortaleza fazia grandes prodígios e milagres...'

Por isso arranjou muitos inimigos que lhe apedrejaram...

ÁRVORE QUE NÃO DÁ FRUTO
NÃO LEVA PEDRADAS.

SÓ OS MEDÍOCRES
É QUE NÃO TÊM INIMIGOS.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dialogando

III - Domingo da Páscoa

Sonhei que era a mim que Jesus perguntava:
- David, filho de João, tu amas o teu Senhor?
- Claro que sim, tu sabes que te amo.
- E se estiveres fisicamente incapacitado, ainda assim amarás o teu Deus?
Olhei para mim, vi as minhas mãos, os meus pés e todo o meu corpo e reparei em tantas coisas que assim seria incapaz de fazer e respondi:
- Seria difícil, Senhor, mas mesmo assim amar-te-ia.
Jesus continuou:
- Se ficasses cego, continuavas a amar a minha criação?
Pensando em tantos invisuais que amam a Deus mais do que eu, respondi:
- Não sei como, mas ainda assim não deixaria de te amar.
- E se fosses surdo? Ouvirias na mesma a minha Palavra?
Compreendi logo que escutar não é meramente usar os ouvidos mas sobretudo o coração e declarei:
- Seria difícil mas o meu amor seria o mesmo.
- E se ficasses mudo, louvarias ainda o meu nome?
- Ainda que não pudesse cantar fisicamente, não deixaria de te louvar com toda a minha alma.
E antes que me fizesse mais perguntas, antecipei-me:
- E tu, Senhor, apesar das minhas limitações, dúvidas ou negações, o teu amor será sempre sem limite?
Mas nesse momento acordei e encarei com o crucifixo da parede à minha frente. E compreendi que Ele está sempre de braços abertos.

domingo, 11 de abril de 2010

Domingo da Misericódia

II Domingo da Páscoa

1. Celebra-se hoje o Domingo da Divina Misericórdia.
Sobre a misericórdia transcrevo as palavras do Pe. António Vieira no Sermão VI com o Santíssimo Sacramento Exposto:

"Chama-se Deus nas Escrituras Deus dos castigos e Pai das misericórdias:
Deus ultimium, Pater misericordiarum (Sl. 93, 1; 2 Cor. 1,3).
– E por que dos castigos Deus, e das misericórdias Pai?
Porque as misericórdias nascem dele;
os castigos não nascem dele, nascem de nós."

2. Ao terminar a Oitava da Páscoa, completo a escrita da Páscoa:
Para mim a palavra Páscoa escreve-se deste modo:

P de Paz
A de Alegria
S de Solidariedade
C de Comunhão
O de Oração
A de Alegria

sábado, 10 de abril de 2010

Por que acreditar


Ano C - II Domingo Páscoa

Em geral, procura-se explicar a incredulidade de São Tomé pelo facto dele não ter visto a Cristo ressuscitado, ao mesmo tempo que os outros discípulos. Parece que a explicação deve encontrar-se noutro ponto. É que Tomé, ausente na primeira vez, não tinha recebido o Espírito do Ressuscitado, quando Jesus soprou sobre eles e disse: recebei o Espírito Santo. O que nos faz acreditar não é o que se viu mas o que temos por dentro.

Um grupo de crianças estava a discutir qual a cor dos balões que sobem mais alto. Umas diziam que os balões vermelhos eram os melhores, outras os de cor verde, os amarelos, os brancos etc. Para esclarecer o assunto, foram perguntar ao vendedor ambulante:
- Tu que fazes tantos balões subir bem alto, diz-nos: qual é a cor do balão que voa mais longe?
O homem sorriu para as crianças e, soltando um balão, respondeu:
- Voar não depende nem da cor, nem da forma, nem dos nossos gostos ou preferências. Depende apenas daquilo que está lá dentro.

Assim também somos nós. Ter fé não depende daquilo que dizemos, ou do lugar onde estamos, nem da nossa classe, raça ou cor da pele. Acreditar depende tão só daquilo que se tem cá dentro. Só assim poderemos ir mais longe.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Rede cheia de peixes

6ª Feira na Oitava da Páscoa

“Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede cheia de peixes para terra”.

- Nós somos esses peixes
- apanhados nas redes da fé
- que Pedro puxa para terra firme
- e que Deus um dia puxará para o céu.

Deixemo-nos então:
- agarrar/apanhar
- congregar/reunir
- puxar/atrair
- elevar/subir.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mostrar as mãos

5ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

«Vede as Minhas mãos e os Meus pés: sou Eu mesmo».

Segundo Santo António, são 4 as razões pelas quais o Senhor ressuscitado mostra o lado, as mãos e os pés aos apóstolos:

- 1º - Para mostrar que tinha ressuscitado verdadeiramente e afastar qualquer espécie de dúvida do nosso espírito.
- 2º - Para que «a pomba», ou seja, a Igreja ou a alma fiel, fizesse o ninho nas Suas chagas como «nos recessos dos rochedos» e aí encontrasse abrigo contra o gavião que a espreita.
- 3º - Para imprimir no nosso coração, quais insígnias, as marcas da Sua Paixão.
- 4º - Para nos advertir e nos pedir que tivéssemos piedade Dele e não O trespassássemos de novo com os cravos dos nossos pecados.

(Santo António de Lisboa (+1231), franciscano, Doutor da Igreja, Sermões para o domingo e as festas dos santos, Ed. Franciscanas 1944, p. 139, in www.evangelhoquotidiano.org)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ressuscitou

2ª Feira da Oitava da Páscoa

Maria Madalena e outras mulheres foram de manhã cedo ao sepulcro e encontraram-no vazio. Duas personagens disseram-lhe:
- Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou!

Nós devemos dizer o contrário: Ele está aqui, pois ressuscitou!

Eles dizem: não está aqui, ressuscitou
Nós dizemos: Ressuscitou, então está aqui!

domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa

S@NT@ P@SCO@

Neste dia de Páscoa partilho convosco uma mensagem que recebi nesta era informática:

Dê um clique duplo nesta Páscoa!
arraste Jesus para o seu directório principal.
Salve-O em todos os seus arquivos pessoais,
seleccione-O como seu documento mestre.
Que ele seja o seu modelo para formatar a sua vida:
Justifique-a e alinhe-a à direita e à esquerda,
sem quebrar na sua caminhada.
Que Jesus não seja apenas um ícone, um acessório,
uma ferramenta, um rodapé, um periférico,
um arquivo temporário,
mas o seu cabeçalho,
a barra de rodagem do seu caminhar.
Que Ele seja a fonte da graça
para a sua área de trabalho,
o paintbrush para colorir o seu sorriso,
a configuração da sua simpatia,
a nova janela para visualizar
o tamanho do seu amor,
o painel de controle
para cancelar os seus recuos,
compartilhar os seus recursos,
anexar corações nas suas amizades.
Copie tudo o que é bom,
delete ou apague todos os seus erros.
Não deixe à margem ninguém,
abra as bordas do seu coração,
remova dele o vírus do egoísmo.
Antes de sair,
coloque Jesus nos seus favoritos
e a Sua Páscoa será atalho para a felicidade:
Clique agora OK para reiniciar
e actualizar os seus conteúdos.
Envie esta mesma mensagem a alguém
e dará uma boa ajuda a qualquer destinatário.
E se isto for muito complicado para si,
Abra um atalho directo para Deus,
Que é o que interessa
E tenha uma S@nt@ P@sco@.

sábado, 3 de abril de 2010

Testamento de Jesus

Não sei de onde veio este texto.
Depois da morte de Jesus, convém recordar as suas palavras, não esqucer as suas obras e abir o seu testamento para cumprir a sua vontade.
Todos nós que acreditamos Nele somos seus hereiros.

TESTAMENTO DE JESUS

Eu, Jesus de Nazaré, vendo próxima a minha hora e estando na posse das minhas plenas faculdades para assinar este documento, desejo repartir os meus bens entre as pessoas que me são mais próximas.
Mas, sendo entregue como cordeiro para a salvação da humanidade, creio ser conveniente repartir entre todos. E assim deixo-lhes: todas as minhas coisas que desde o meu nascimento estiveram presentes na minha vida, e a marcaram de um modo significativo:
A ESTRELA:
Aos que estão desorientados e necessitem ver claro para continuar em frente, e a todo aquele que desejar ser guiado ou a servir de guia.
A MANJEDOURA:
Aos que não têm nada, nem sequer um lugar para se albergar ou um fogo onde acalentar-se e poder falar com um amigo.
AS MINHAS SANDÁLIAS:
São suas as sandálias e daqueles que desejarem empreender um caminho em que estejam sempre dispostos a caminhar comigo.
A BACIA:
Onde lhes lavei os pés é para quem quiser servir, para quem desejar ser “pequeno” diante dos homens, pois será “grande” aos olhos de meu Pai.
O PRATO:
Onde vou partir o pão. É para os que vivem em fraternidade, e aos que estiverem dispostos a amar acima de tudo, e a todos.
O CÁLICE:
Deixo-o para os que estiverem sedentos de um mundo melhor, e de uma sociedade mais justa.
A CRUZ:
É para todo aquele que estiver disposto a carregá-la.
A MINHA TÚNICA:
A todo aquele que estiver nu e com frio.
Também quero deixar como legado à humanidade inteira, as atitudes que guiaram a minha vida: Que elas sejam a sua estrela guia.
A MINHA PALAVRA:
E o ensinamento que me confiou o meu Pai, a todo aquele que a escutar e a puser em prática.
A ALEGRIA:
A todos a todos os que desejarem partilhá-la.
A HUMILDADE:
É para quem estiver disposto a trabalhar pela expansão do Reino dos Céus.
O MEU OMBRO:
A todo aquele que necessita de um amigo em quem possa reclinar a cabeça, ao abatido pelo cansaço do caminho para que possa descansar, ganhar forças e continuar a caminhada.
O MEU PERDÃO:
Estendo a todos. É para os que dia após dia, pecado após pecado, queiram voltar ao Pai.
Naturalmente sinto especial predilecção pelos mais débeis.
Tudo isto e ainda mais queria deixar-lhes mas, sobretudo, é a minha vida o que lhes ofereço.
Sou eu mesmo que fico convosco para continuar a caminhar ao vosso lado, partilhando preocupações e problemas, alegrias e gozos.
Sim. Eu sou a Vida, mas vós podeis transmiti-la.
Nada mais.
Mantenham-se unidos e amem-se de verdade.
Eu vos amei até ao extremo e vos levo no meu coração.

Assinado JESUS.


Sexta-feira Santa

Todos estamos envolvidos no Calvário de Jesus:

Como carrascos
ou como vítimas…

Condenando
ou sendo condenados…

Flagelando
ou sendo flagelados…

Torturando
ou sendo torturados…

Crucificando
ou crucificando-nos…

Roubando a liberdade das mãos e pés de Cristo
ou exigindo a nossa liberdade…

Desferindo chagas
ou sendo feridos…

Proferindo blasfémias
ou distribuindo bênçãos.

Provocando a sede de Cristo
ou matando a nossa sede no Seu Coração…

O Calvário de ontem
é a síntese dos calvários de todos os tempos e de todos os homens
que percorrem a via-sacra da sua vida.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Oração pelos Sacerdotes

Em Quinta-feira Santa, Dia do Sacerdócio, elevo a minha prece pelos sacerdotes em todo o mundo:


Ao nosso Santo Padre, o Papa,
dá-lhe o teu Coração de Bom Pastor, Senhor!

Aos Bispos, sucessores dos Apóstolos,
dá-lhes a solicitude paternal, Senhor!

Aos Párocos, ensina-lhes a servir como tu
que vieste para servir e dar a vida, Senhor!

Aos Confessores e Directores Espirituais,
fá-los instrumentos dóceis do teu Espírito, Senhor!

Aos Sacerdotes que pregam a tua palavra.
faz com que a comuniquem com a vida, Senhor!

Aos que trabalham com a juventude,
faz com que os comprometam contigo, Senhor!

Aos que trabalham com os pobre,
faz com que te vejam e sirvam neles, Senhor!

Aos Sacerdotes em terras de Missão,
dá-lhes ardor apostólico, Senhor!

Aos que assistem aos doentes,
faz com que lhes ensinem o valor do sofrimento, Senhor!

Aos Sacerdotes pobres
socorre-os, Senhor!

Aos Sacerdotes idosos
dá-lhes alegria e esperança, Senhor!

Aos Sacerdotes aflitos e atribulados
consola-os, Senhor!

Aos sacerdotes que estão em crise
mostra-lhes o teu caminho, Senhor!

Dos sacerdotes caluniados e perseguidos
defende a sua causa, Senhor!

Aos que aspiram ao Sacerdócio
dá-lhes fidelidade a ti e à sua vocação, Senhor!

A todos os Sacerdotes
dá-lhes obediência e amor à tua Igreja, Senhor!

A cada Sacerdote
Dá a plenitude do teu Espírito, Senhor!

(Adaptado de Opus Christi salvatoris Mundi, www.mstpm.com. Missionário Servos dos Pobres do Terceiro Mundo)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Beato Carlos Imperador d'Áustria


Faz 88 anos, a 1 de Abril, que faleceu no Monte (Ilha da Madeira) o Beato Carlos de Áustria.
A 21 de Novembro de 1916 tinha sido coroado Imperador da Áustria e no mês seguinte coroado também Rei da Hungria.
A 3 de Abril de 1919 foi deposto e exilado.
Chegou deportado à Madeira a 19 de Novembro de 1921.

Certidão de óbito

“… Faleceu hoje pelas 12 horas e 18 minutos de ‘dupla pneumonia gripal’ Sua Majestade Imperial e Real Carlos I d’Áustria e IV da Hungria, de 34 anos, casado, natural de Persenbeug (Áustria) filho do Arquiduque Otto e da Arquiduquesa Maria Josefa e residente acidentalmente na Quinta do Monte (Ilha da Madeira), freguesia de Nossa Senhora do Monte, Concelho do Funchal.

Funchal, 1 de Abril de 1922

Os médicos assistentes
Carlos Leite Monteiro
Nuno Queriol de Vasconcelos Porto
Carlos José Machado dos Santos

O seu cadáver foi logo embalsamado pelos médicos assistentes.”


(Foi vestido com a farda de Marechal. Velaram o cadáver a Imperatriz viúva e pessoas da comitiva real. O seu funeral realizou-se na terça-feira seguinte a 4 de Abril de 1922, pelas 16 horas. O seu jazigo encontra-se em capela própria na Igreja Paroquial do Monte).

A 3 de Outubro de 2004 foi proclamado BEATO Carlos de Áustria, pelo Papa João Paulo II, na Praça de São Pedro em Roma, na presença do seu filho primogénito Otto de Habsburgo, então com 92 anos, e outros familiares.
O dia escolhido para a sua memória litúrgico foi 21 de Outubro, pois nessa data contraiu matrimónio em 1911 com Zita de Bourbon, Princesa de Parma. Tiveram 8 filhos, tendo nascido a última filha 2 meses depois da morte do pai.
Foi apresentado pelo Papa como padroeiro dos esposos cristãos e inspirador da espiritualidade conjugal, pois no dia do seu casamento Carlos confidenciou à sua esposa: ‘Agora devemos conduzir-nos um ao outro para o céu.’ O processo de beatificação da Imperatriz Zita, falecida a 14 de Março de 1989, está a decorrer nas instâncias romanas.

Para assinalar esta data, transcrevemos um artigo publicado um ano depois do falecimento do Beato Carlos de Áustria: C. H., Imperador Carlos d’Áustria e rei da Hungria, in Almanaque da Madeira1924, 1º Ano de Publicação, Funchal 1923:
Imperador Carlos de Áustria
e Rei da Hungria

Prendeu-o a Providência com os mais belos dotes de corpo e os mais elevados primores do espírito, a ponto de na sua meninice os vienenses, atendendo à sua meiga beleza lhe chamarem o ANJO DE VIENA e na pujança da vida, o circunspecto yankee, que se chamou Teodoro Roosevelt, o apelidar O MAIS PERFEITO HOMEM PÚBLICO DA EUROPA ACTUAL – Er ist der interessentesl Manu deu Europa gegenewartig besitz.
E à inspirada poetiza austríaca, Enrica von Hendel-Massetti – Wir habendiesen edlen besen Kaiser – nicht verdient! Nós temos um nobre e óptimo imperador que não merecemos!
Poucas vezes se encontram conjugadas qualidades que habitualmente se excluem.
Ele possuía a maior bravura ao lado da mais insinuante e meiga doçura; a mais imponente majestade junta à mais cativante afabilidade, a maior fraqueza a par da mais discreta circunspecção.
Adoptava a arte de não dizer nem demais nem de menos.
Se alguém ousava arriscar uma pergunta menos discreta ele respondia com outra pergunta como muito bem observou Roosevelt. Tinha a ciência das perguntas.
Era o mais perfeito entre os homens do seu tempo, mas devia servir de vítima propiciatória pelos desvarios do seu povo. Ele assim o compreendeu e praticou no momento solene da Sua morte:
- Senhor! Seja feita a tua divina vontade! Nas tuas mãos entrego a minha vidam a da minha mulher e dos meus filhos. Aceita-a como holocausto pelos meus povos.
E tinha razão – A Hungria bolchevizada. A Boémia revolucionada renegando a Fé. A Áustria indisciplinada. A Croácia, a Styria e o Tirol separadas, e afinal todos os seus diversos estados nas mãos da judiaria e do maçonismo, bem precisavam de uma vítima propiciatória – Meu Deus seja feita a tua divina vontade. Nas tuas mãos encomendo o meu espírito. Ofereço a minha vida pelos meus povos.
Só foi imperador para defender os direitos do seu império, procurar a paz das suas nações, defender os fracos, amparar os pequenos, fazer justiça aos povos, representar a Arca da União dos Estados, dos partidos desde Liechtenstein até a Berkovina, desde a Galicia até a Dalmácia.
Nobre entre os mais nobres da terra, em suas veias corria o sangue azul das mais antigas casas da Europa; nas tradições da sua família as acções mais heróicas que a história regista.
O conjunto das vogais, devisa da Casa d’Áustria – A. E. I. O. U. – Austria est imperare Orbi Universo ou Austriae erit in orbe ultima povoa-lhe de esperanças o seu espírito embriagado no amor da pátria.
A coroa de Santo Estêvão que pusera na cabeça por ocasião da sua sagração na Igreja de Budapeste animava constantemente a sua fé no futuro dos seus povos com cuja lealdade contava em absoluto.
A sua bravura militar atingindo as raias de audaz temeridade comprovam tal asserção.
Por várias vezes se arriscou de tal maneira que chegou a ser envolvido pelo fogo inimigo e de uma das vezes, em Asiago, correu tal risco que o Estado Maior, vendo que os Italianos o tinham forcado, o mandou para a frente oriental.
A sua carreira militar foi uma odisseia de proezas.
Aos 16 anos, no dia 10 de Novembro de 1903, alistou-se no exército como alferes de Ulanos nº 1. Desde o começo da carreira militar procurou ser soldado de alma e coração. Dormia no Quartel, sujeitava-se a todos os serviços até os mais humildes como o da remonta, e em cada camarada granjeou um amigo. Nenhum género de serviços lhe foi alheio.
Em Setembro de 1905 foi promovido a tenente e transferido para o regimento de Dragões nº 7 na Boémia. Pela morte de seu pai, em Novembro de 1900, ficando herdeiro presuntivo das coroas austro-húngaras, em vista do casamento marganativo de seu tio Arquiduque Francisco Fernando, obteve licenciamento para estudar direito e economia política, na Universidade de Praga, sob a sábia direcção dos afamados professores Drs. Ulbrich, Pfaff, Braf e Otto. Não havia aluno mais atento nem mais diligente.
Em Maio de 1907, foi obrigado a suspender os estudos para tomar parte nas grandes manobras da sua divisão, indo incorporar-se o seu regimento.
Acabados os estudos de jurisprudência, por indicação do imperador Francisco José, foi mandado por seu tio o arquiduque Francisco Fernando estudar arte militar sob a direcção dos generais von Diett e Barãi Zeidler, conservando-se entretanto ao serviço do 7º Regimento de Dragões.
Nomeado generalíssimo o arquiduque Francisco Fernando, chamou o sobrinho, a dar as suas provas das manobras imperiais, encontrando invulgar clareza de vista no comando dos corpos que lhe eram confiados, merecendo repetidos elogios tanto na corte como nas reuniões do Estado Maior a sua elevadíssima competência para comandar não só unidades como corpos do exército.
Desde então o seu tio e instrutor, o generalíssimo Francisco Fernando conservou-o no comando superior dos corpos.
Foi sempre modelo de pontualidade militar – Soldado de alma e coração.
Procurava conhecer todos os seus camaradas e chamá-los pelos seus nomes, granjeando assim a simpatia de todos, que o chamavam com doce ternura – ‘Baesi’ – Tio.
Em 31 de Maio de 1911, casou com essa violeta de Parma, que se chama Imperatriz Zita, que à Áustria veio para ser – A Imperatriz da bondade e Princeza da Caridade. ‘Zita! Kaiserin der Gule. Furstin der Barmherzigkeit’
Se o casamento lhe trouxe um período de repouso foi para depois mais activamente se entregar aos trabalhos. Passados apenas três meses teve de acompanhar o seu regimento à Kolomea, Galicia.
Até aí entretanto o acompanhou a esposa dedicada.
Aí fizeram marchas através de Truban, Littan, Tesben, Biala, Jasla, Zamor, Elayvord, Canot, Stryi, etc. voltando a Kolomea. No 1º de Novembro de 1912, foi promovido a Major para o regimento de Infantaria nº 39.
A catástrofe de Serajevo a 28 de Junho de 1914, veio feri-lo no mais íntimo do coração roubando-lhe um amigo tão paternal e o mais leal dos conselheiros.
O desaparecimento do arquiduque Francisco Fernando fê-lo generalíssimo, lugar de tremenda responsabilidade para tão tenra idade.
Com a guerra começaram as suas proezas: pela vitória de Presburgo obteve a cruz do mérito militar e pela defesa de Lemberg, seu baptismo de fogo, a gran-cruz de Santo Estêvão.
Fez nesse inverno a campanha dos Karpatos e aí o foi entrevistar o infatigável investigador americano Roosevelt, que dele escreveu. O herdeiro do trono tem um perfeito e atraente charme, que eu nunca encontrei em homens públicos. Possui além disso, o que em bem poucos se encontra, o magnetismo pessoal. Um homem pode ter talento, génio, habilidade, opulência, mas se não possui o raro dom do magnetismo pessoal ser-lhe-á muito difícil conquistar a alta popularidade.
… …
Todas as classes do povo o veneram porque o seu magnetismo pessoal se transmite até aos que se não acham em contacto com ele. É o homem público mais acabado que a Europa actual possui.
Ao magnetismo pessoal que Rossevelt admirava no Imperador Carlos, chamaríamos nós o encanto empolgante e atractivo irresistível da virtude.
Como representante do velho imperador devem correr todas as linhas a observar o estado das tropas e agradecer-lhes em nome da Áustria o sacrifício pela Pátria.
Informava-se dos heróis, e quando encontrava um, embora fosse um obscuro soldado, abraçava-o, porque ele representava incarnado o verdadeiro amor da pátria.
A estas saudações e agradecimentos atribuem os historiadores da guerra, em grande parte, as vitórias de Jamosca, Lunanowa, Dumaiec, Biala, etc.
As saudações aos soldados em língua polaca e o agradecimento em nome do velho imperador fez rebentar as lágrimas aos batalhadores mais rudes e proromper em aclamações a todo o exército.
A 12 de Maio de 1916 foi comandar o exército do sul como Marechal de Campo e Vice-Almirante. A sua chegada levantou o moral das tropas tendo como real companheiro de armas o herdeiro do trono.
Ali se deram as brilhantes acções de Laverme, Valbona, Toravo, Astico, que lhe mereceram a condecoração da coroa de Ferro de 1ª classe, assim como a ordem de Mérito Militar concedida pelo Imperador Guilherme da Alemanha.
Numa chuvosa tarde de Junho o arquiduque Eugénio entra no Quartel General do arquiduque Carlos portador duma ordem dos dois imperadores para que ele parta imediatamente para a frente nordeste – Galicia.
A despedida dói enternecedora e falou aos oficiais e soldados como se os abraçasse a todos, rememorando as bravuras que fizeram pela Pátria e entregando-os à guarda do Omnipotente Deus dos Exércitos.
Era necessário mobilizar a cavalaria húngara contra as esmagadoras massas de russos que caiam sobre Lemberg. Indispensável se tornava o prestigioso magnetismo do Arquiduque Carlos para animar a coragem daqueles bravos soldados. Assim o entenderam os imperadores: Assim sucedeu!
Na tarde de 31 de Novembro de 1916, entregou o Imperador Francisco José a Deus a sua alma amargurada, deixando ao estremecido sobrinho Carlos não só coroas e ceptros mas espadas desembainhadas, tintas de sangue! Funesta herança.
Os diversos povos da grande nação choraram ao lado do moço Imperador a perda irreparável do velho monarca, o decano dos governantes da Europa. E com o coração amargurado e a alma alanceada pela perda do ente querido e pela desolação do seu país o jovem imperador tomou posse da herança fatal.
Alguns meses antes da sua morte o velho imperador tinha dito: o meu sucessor é realmente um excelente príncipe: o meu povo pode depositar nela toda a confiança.
A proclamação do imperador Carlos aos seus povos, é um modelo de sentimento pela morte do falecido Imperador, de dedicação pelos seus povos, e de confiança no futuro da Pátria.
Lamenta que a guerra esteja longe do seu termo, suspira por uma paz honrosa e suplica do Céu as graças e as bênçãos sobre si, sua casa, seus amados povos e que o Omnipotente o ajude a conservar intacta a herança que seus antepassados lhe legaram.
Ao aceitar o pesado encargo de reinar, Carlos 2º encontrava um país não só extenuado por uma já longa guerra em que entrara com toda a energia despendendo todos os recursos, mas ainda desapontado nas suas aspirações, impondo-se por isso a necessidade da Paz.
Daí essa série de passos tendentes a uma paz honrosa.
A Imperatriz Zita era o anjo da Paz. Bethmann Hollweg queixa-se em 1917, disso a Czernin.
Lamunnech faz-se o instrumento do Imperador na propaganda pacifista.
São aceites por este os 14 pontos de Wilson.
Quando o armistício da Itália são fracassadas todas as suas tentativas de paz apesar de o imperador ter encarregado dessa importante missão seu cunhado o Príncipe Xisto.
Era porém já tarde; após o esfacelamento do campo germânico desaparece a monarquia dualista: São proclamadas as repúblicas de Viena, Praga, Lagabria, Budapeste e o imperador Carlos retira-se para a Suíça, seguindo de perto o desenrolar dos acontecimentos, apesar das instâncias do Arquiduque José para que volte à Áustria. Não quer mais derramamento de sangue. Prefere que os homens lhe façam justiça.
Assim sucedia. Após a hecatombe judaico-maçónica de Bella Kunn na Hungria, passado o delírio bolchevista, aquele povo honesto e bom restaurou as instituições tradicionais e chamou o seu rei.
Foi um triunfo a entrada do Imperador Carlos 2º - agora rei Carlos 8º - em toda a Hungria. Mas, muitas vezes desfazem os homens o que Deus fez! E com uma violência única na história é arrebatado um rei ao seu povo, que por ele chora, por ele suspira, e quando dele se vê privado põe luto oficialmente à sua saída! E, suprema irrisão! Quando se proclama, justamente, que os pequenos povos são livres para escolherem a forma de governo e os governantes que lhes aprouver.
Da sua viagem tormentosa de Budapeste à Madeira, a caminho do exílio, dos respeitos de que foi alvo a bordo do cruzador Cardiff, das demonstrações de carinho e afecto nesta terra hospitaleira, nem falarei: está ainda na mente de todos.
E ainda com os olhos amarados de lágrimas e alma alanceada de saudade que traço estas linhas consagradas à memória do ente mais extraordinariamente infortunado com quem tenho tratado na minha já longa existência!
Heroísmo na virtude, majestade na desgraça, grandeza no infortúnio e a coroar todas estas prerrogativas uma fé inalterável e uma paz de consciência contínua esperando na Divina Providência a execução dos seus insondáveis decretos.
Após cinco meses de exílio, adoçado pelo mais dedicado afecto de uma população inteira, foi receber a recompensa de suas excelsas virtudes esse herói que parecia um santo a quem o mundo inteiro pranteou e os próprios adversários políticos prestaram o mais solene preito de admiração pelas suas elevadas qualidade de espírito e de carácter.
Digna de seu heróico marido é a não menos heróica imperatriz Zita, que em terras de Espanha, na dedicada povoação de Lequitio, sofre as agruras do exílio, com toda a resignação cristã e dedicação maternal.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Abraçar a Cruz


Ao iniciar a Semana Santa, estando dispostos a acompanhar Jesus no caminho do Calvário, podemos tomar a nossa cruz e ir em frente.
O Pe. Dehon dá-nos algumas dicas de como tomar a cruz para seguir Jesus. São frases retiradas dos seus escritos e ensinamentos.

Carregar a cruz exteriormente e por necessidade não basta.
É preciso abraçá-la com amor,
carregá-la com alegria e coragem,
desejá-la com ardor.
(DE, 117)

A cruz, a humildade, a mortificação são os melhores auxiliares da caridade, do puro amor. Sem elas, a caridade não tem base sólida e não permanece. (NQ, 10 de Janeiro de1888, 148)

A cruz adorável do Salvador afasta-nos de todos os vícios e leva-nos a todas as virtudes. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, 137)

A cruz, diz a Imitação, é a salvação, é a vida, é a fonte das alegrias celestes. (ACJ 1, 230)

A cruz é a nossa vida. (Carta ao Pe. Paris, 15/05/1913, Inv. 300.03, AD: B20/7)

A cruz é a paciência, o sacrifício, a penitência. (RNN, 19)

A cruz é leve quando a levamos por amor ao Coração de Jesus. Quando sofrermos, digamos: É por Jesus, é pelo Coração de Jesus, é pela Congregação. A nossa cruz tornar-se-á leve. (Carta ao noviço Heiserholt, 20/08/1909, Inv. 228.03, AD: B18/14.3)

A cruz é também ela um sacramento do amor. (CA, 431)

A cruz é tão necessária que Deus fez dela a medida da nossa glória. (ACJ 1, 359)

A cruz é uma cátedra donde Jesus prega a caridade, a paciência, a obediência, o sacrifício. (ACJ 1, 361)

A cruz resume toda a virtude; a cruz é a salvação. (DE, 54)

As almas com ternura levam a sua cruz com mais amor do que as outras. É por que o Coração de Jesus tem mais ternura do que todos que o sacrifício da cruz foi o mais generoso de todos os sacrifícios. (ACJ 1, 665)

As cruzes são uma invenção do amor de Jesus. (CA, 265)

Bebamos o amor e as cruzes de madeira ou de ferro tornar-se-ão como se fossem de palha. (CA, 194)

Carregar a cruz, é a essência da vida cristã. O cristão é marcado com a cruz no baptismo e recebe a capacidade de a carregar. (ACJ 2, 208)

Devemos olhar para o nosso crucifixo: basta um olhar sério sobre Ele para nos animarmos a levar a nossa cruz. (CF, 23 de Maio de 1881)

É a cruz de todos os dias. Leva-a bem. A cruz é a salvação. (Carta ao Pe. Falleur, 13/06/1884, Inv. 326.18, AD: B20/12)

É a cruz que prepara as graças. (Carta à Madre Maria Inácia, 14/04/1919, Inv. 231.20, AD: B19/2.1)

É a cruz que vence o mundo. As obras são fecundadas pela mortificação e pelo sacrifício. (NHV, volume IV, Outubro 1869 – Julho 1870, 199)

Eu fazia a via-sacra todos os dias; era o meu recreio da tarde. O meu crucifixo era o meu confidente e o meu companheiro, no meu quartinho. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, 90)

Não há pequenas nem grandes cruzes, mas apenas um pequeno e um grande amor. (CA, 338)

O Coração de Jesus vê na cruz o trono do seu amor, o instrumento das suas misericórdias, o troféu das suas vitórias. (CA, 264)

O preceito obriga-nos a levar a cruz com paciência… o conselho convida-nos a levá-la com amor, com alegria, a exemplo de Nosso Senhor. (RNN, 20)

O Santo Sacrifício da Missa não é outro sacrifício senão o da cruz; é a sua renovação mística e continuação. (CA, 374)

O seu amor por nós tornou leve a cruz de Cristo. (ACJ 1, 248)

Os primeiros anos de uma obra são sempre difíceis. As cruzes nunca faltam nos inícios. (Carta ao Pe. Goebels, Espanha, 03/07/1924, Inv. 241.61/, AD: B19/3.1)

Os que levam a cruz por amor encontram a cruz suave. (VA, 156)

Quanto mais celestes formos, menos nos pesará a cruz. (CA, 338)

Todo o julgamento reportará sobre este aspecto: Carregaste a tua cruz? (ACJ 2, 209)

Uma cruz que nunca nos falta é a tentação… (ACJ 1, 332)

Uma cruz vale 500 rosários. (Carta ao Pe. Paris, 15/05/1913, Inv. 300.03, AD: B20/7)

Vós tereis a palma do martírio pelo vosso voto de vítima e por todas as cruzes levadas por amor de Coração de Jesus. (Carta à Madre Maria Inácia, 23/12/1924, Inv. 231.65, AD: B19/2.1)


sexta-feira, 26 de março de 2010

Ele pagou por nós


Ano C - Domingo de Ramos e/ou Domingo da Paixão

Ao reflectir sobre a Paixão do Senhor, alguém referia que afinal éramos nós que estávamos lá a aclamar e logo depois a condenar Jesus. Eu hoje recordo essa aplicação e concluo que afinal nós é que devíamos estar, não no lugar da multidão mas no lugar de Jesus. Porque Ele pagou por todos nós.
A redenção de Cristo assemelha-se à pedagogia de uma certa avozinha. O seu neto tinha a fama e o proveito de recolher aquilo que não era seu. A pobre senhora chamava a atenção ao neto mas nada servia de correcção. Então um dia, alguém foi uma vez mais fazer-lhe queixa da falta de respeito do rapaz pelo alheio. A avó chamou o acusado, levou-o até junto à lareira. Tirou uma brasa incandescente, segurou na mão do neto e prometeu-lhe:
- Esta brasa vai fazer aquilo que as minhas recomendações nunca conseguiram. Vai recordar-te para sempre que não podes usar as tuas mãos para roubar.
O miúdo já tremia a pensar como ficariam as suas mãos queimadas. Então a senhora, cheia de determinação, pôs o carvão na sua própria mão, dizendo:
- Faço isto porque te amo.
E diz a história que aquele rapaz, chorando, beijou as mãos da avô e nunca mais roubou nada a ninguém.
O episódio é dramático tal como dramática é a paixão de Jesus cujo mistério celebramos nesta semana. Ele também sofreu por nós porque nos ama.