segunda-feira, 2 de março de 2009

Receita Quaresmal

Ano B - I Domingo Quaresma
Há dias um amigo meu sentiu-se bastante mal. Andava nervoso, stressado, impaciente, implicando com tudo e todos. Já não aguentava mais e já ninguém o suportava. Foi então a uma consulta. O médico, depois de o ter ouvido e observado passou-lhe a receita:
- Uma quarentena de recolhimento; uma dieta rigorosa; umas caminhadas a pé; um xarope purgante; umas vitaminas…
Daí a quarenta dias, lá voltou o doente para que o médico fizesse o ponto da situação ou da evolução.
- Então, sente-se melhor?
- Eu, mais ou menos… Mas reparo que os outros já estão muito melhores…
Pois é, ele é que tomava a medicina e os outros é que ficavam bons… Ele, como estava mais calmo começou a ver os outros da mesma maneira…
O mundo será melhor quando eu for melhor…

É precisamente o mesmo que está a acontecer connosco.
Também nós precisamos de uma consulta, o nosso Mestre ou Médico também nos passa uma receita:
- Uma quarentena = a Quaresma ou quarenta dias de recolhimento.
- Uma dieta rigorosa = o jejum, a abstinência, a renúncia, a penitência.
- Umas caminhadas ou exercícios físicos = a via-sacra.
- Um xarope purgante = a confissão ou reconciliação.
- Umas vitaminas tonificantes = Oração mais intensa e caridade mais diligente.

No final deste tempo, se o soubermos aproveitar, com certeza diremos como aquele amigo:
Eu começo a estar melhor, mas os outros ainda estão melhores…
Esta é a nossa caminhada quaresmal. Aproveitemos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Via-sacra (1)

OLHAR a Via-Sacra
e a Via-Sacra do OLHAR


1ª Estação
OLHAR INOCENTE
Jesus é Condenado à morte
Começo esta via-sacra comparando o olhar inocente do meu Senhor com o olhar acusador do tribunal humano. Nesta estação peço-Vos Senhor, a graça de caminhar sempre na verdade e de manter a serenidade, perante o olhar e as atitudes dúbias daqueles que hesitam e nunca se definem ou o olhar envenenado e as palavras maldosas de quem se deixa manipular pela intriga e pela mentira.


2ª Estação
OLHAR EM FRENTE
Jesus Carrega a sua cruz
Senhor Jesus, frequentemente eu sinto dificuldade em olhar para a frente. Uma das tentações mais comuns do nosso mundo parece ser a de olhar para trás, sobretudo quando a cruz se desenha no horizonte, quando pensamos que a vida começa a ser uma subida para o Calvário. Porque não se olha para a frente, há quem à primeira dificuldade rasgue os compromissos mais sagrados do matrimónio ou da vida consagrada. Porque não se olha para a frente há muitos que desanimam e desesperam perante uma doença, uma pequena traição ou até uma simples falta de consideração.


3ª Estação
OLHAR O CHÃO
Jesus cai pela 1ª vez
Senhor, quantas vezes nós somos tentados a perturbar o olhar dos outros. Muitas vezes lançamos poeira nos olhos dos outros quando mentimos, quando deturpamos a verdade de um acontecimento ou de uma notícia, quando vivemos acima das nossas posses, quando somos desonestos nos negócios, quando queremos parecer aquilo que não somos. Tantos empurrões dados à verdade para que Vós, mais uma vez, fiqueis com o rosto por terra no Calvário.

4ª Estação
OLHAR DE TERNURA
Jesus encontra a sua Mãe
Senhor Jesus, ao contemplar nesta estação o olhar de ternura da vossa Mãe, eu penso no olhar de tantas mães que se debruçam sobre o leito de dor de um filho doente, deficiente ou vítima de desastre. Penso ainda naquelas mães que tentam encontrar um filho, no caminho de qualquer calvário do álcool, da droga ou da delinquência. Tantas mães no mundo a viverem esta quarta estação da via-sacra com o seu olhar de ternura! E muitas delas sem a correspondência do olhar do filho.


5ª Estação
OLHAR AGRADECIDO
Simão de Cirene a levar a cruz
Nesta estação, quero Senhor contemplar o vosso olhar agradecido voltado para o Cireneu. Ajudai-me também a agradecer a ajuda de quem quer que seja e a saber ter no meu coração, no meu olhar e nos meus lábios, sempre a gratidão e o reconhecimento. Felizmente ainda encontramos hoje muitos que nos ajudam. Que eu saiba ver isso, reconhecer e agradecer.


6ª Estação
OLHAR IMPRESSO
Verónica limpa o rosto de Jesus
Ao contemplar esta cena, quero pedir-vos Senhor por todas as pessoas que no mundo têm a missão de olhar para o rosto dos outros enxugando-lhes o suor, as lágrimas ou o sangue, quer sejam mães de família ou consagradas ao Vosso serviço. Fazei-me compreender que sempre que limpo o rosto a alguém, o vosso olhar fica impresso nesse rosto, pois é o vosso rosto que devo contemplar.


7ª Estação
OLHAR NO PÓ
Jesus cai pela 2ª vez
Hoje, como outrora, no caminho do Calvário, há tantas coisas que nos empurram para que tropecemos e olhemos para o pó do chão. Concedei-nos, Senhor, a graça de olharmos sempre para cima, para as coisas do alto. Corações ao alto, rezamos na Missa. Que saibamos, mesmo prostrados no pó, olhar não para o chão mas para o alto pois somos de céu e devemos aspirar às coisas do alto.


8ª Estação
OLHAR MAGOADO
As mulheres choram por Jesus
Também nós lamentamos os vossos sofrimentos, mas não somos capazes de procurar identificar e corrigir a sua causa. Estais assim magoado porque Vos renegamos, Vos prendemos à coluna dos nossos vícios ou interesses, Vos açoitamos com palavras e mau procedimento. Choramos, mas não nos convertemos, nós que somos a causa do vosso sofrimento. E vós não vos canseis de olhar para nós.


9ª Estação
OLHAR PERTURBADO
Jesus cai pela 3ª vez
Quanto vezes o nosso olhar só se fixa naquilo que é negativo e nos tornamos satélite do mal e não do bem. Podíamos olhar para tantos exemplos bons e somos levados a olhar apenas para o mal para nos desculpar. Como mudaríamos a nossa vida se olhássemos para Vós Senhor! O nosso olhar cai para a lama e todo o nosso ser se corrompe. Só os puros de coração verão a Deus.


10ª Estação
OLHAR ENVERGONHADO
Jesus é despojado das suas vestes
Senhor Jesus, ao ver-Vos assim desnudado, eu imagino o vosso sofrimento. Os vossos inimigos acusaram-Vos de tantas coisas mas nunca tiveram coragem de atingir o vosso pudor ou a vossa dignidade. Aos homens e mulheres do nosso tempo, concedei, Senhor, o sentido da pureza, do pudor e da dignidade. Que o nosso olhar seja puro e nunca envergonhe ninguém.


11ª Estação
OLHAR CONTRAÍDO
Jesus é crucificado
Senhor Jesus, quantas vezes contraímos o olhar na hora do sofrimento. Quando sofremos, olhamos mais para a terra do que para o céu. Vós, deitado numa cruz, estáveis de olhos voltados para o céu. Ajudai-nos a viver sempre com as mãos e os olhos sempre elevados para o céu. Que saibamos elevar o nosso olhar para Vós Senhor, elevado na cruz.


12ª Estação
OLHAR EM REDOR
Jesus morre na cruz
Senhor, o vosso olhar na cruz ensina-nos tanto. Para podermos olhar para os outros ou olhar para o céu, precisamos de condições especiais. Senhor, dai-nos olhos para ver a terra e os homens nossos irmãos, qualquer que seja a situação da nossa vida, sem perder o sentido do céu. Ao olharmos em redor de nós, saibamos sofrer com os nossos irmãos.


13ª Estação
OLHAR CERRADO
Jesus é descido da cruz
Senhor, ao contemplarmos o vosso discípulo que vos acompanhou até ao fim, recordamos que devemos estar mortos para o pecado mas vivos para Deus, isto é, que os nossos olhos devem estar fechados para o mal mas abertos para o Bem. Que São João, o discípulo amado, nos ajude na hora da nossa morte a abrirmos definitivamente os olhos para Vós.


14ª Estação
OLHAR SAUDOSO
Jesus é sepultado
Gravai, Senhor no íntimo do nosso coração o vosso olhar para que o sintamos, mesmo quando pensamos que ele está encoberto pelas ligaduras do nosso sofrimento ou pelo sudário da nossa vida envolta apenas em cuidados temporais. Nesta nossa caminhada pelo mundo, que procuremos sempre o vosso olhar, Senhor. Que tenhamos sempre sede e saudade de vós como vós tendes saudades de nós.


15ª Estação
OLHAR FELIZ
Jesus ressuscita
Senhor Jesus, abri o nosso olhar para reconhecermos a Vossa presença no meio de nós. Transformai o nosso olhar, tantas vezes apagado pelo mal e pela tristeza, no olhar de um ressuscitado. Uma vez que ressuscitámos com Cristo, olhemos mais além. Que o nosso olhar se cruze sempre com o vosso olhar vivo e ressuscitado e nos alcance a felicidade eterna.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Purificação da Memória

Ano B - I Domingo da Quaresma

Na tribuna aberta do Hyde Park, em Londres, um pregador tecia maravilhas ao Cristianismo nos 2000 anos da sua história. Um ouvinte, objectou:
- Vós cristãos devíeis ter vergonha. Depois de vinte séculos ainda há muita conversão a fazer. Celebrais um grande Jubileu mas esqueceis a vossa miséria.
O pregador não se descompôs:
- Pois é, meu caro. O Sabão existe desde há muitos séculos mas nem por isso deixou de haver sujidade. É preciso em primeiro lugar saber que estamos sujos e depois agarrar no sabão.
A Quaresma que iniciámos tem uma especial importância. Digamos que estes 40 dias são uma espécie de sabonete que temos ao nosso alcance para nos prepararmos para um encontro com Cristo glorioso. Iniciámos esta caminhada impondo-nos as cinzas, que para além do mais, tem reconhecidas propriedades detergentes.
Esta é uma boa oportunidade de fazer uma purificação da memória.
A história da Igreja é uma história de santidade. A vida de tantos santos confirma a verdade do Evangelho, sinal visível de que também podemos ser perfeitos. No entanto, é forçoso reconhecer que a história também regista numerosos episódios que constituem um contra-senso para o cristianismo.
Este é o tempo de purificação. E sabão não falta.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Jejum

4ª Feira de Cinzas
Dia de jejum e de abstinência.
JEJUM:

- Sinal da verdadeira ordem de prioridades:
Podemos recusar o pão
mas nunca o Pão.

- Sinal de desintoxicação alimentar.

- Sinal de equilíbrio orgânico.

- Sinal da nossa liberdade interior:
para dar mais valor à fome de Deus.

- Sinal de reivindicação:
é a nossa greve de fome,
o mais importante é o que se defende
do que aquilo que se come.

- Sinal da nossa preparação
para o banquete messiânico.

Cinzas

4ª Feira de Cinzas

COBRIR-SE DE CINZA
SENTAR-SE NO PÓ DA TERRA

- Sinal de humildade:
Pôr-se a nível da terra ou do húmus.

- Sinal de renascimento:
Sepultar-se dando morte ao mal.

- Sinal de purificação:
Necessidade de passar pela água.

- Sinal da nova Criação:
Voltar às origens
quando Deus criou o homem do pó da terra.

- Sinal da sementeira de Deus:
Cobrir-se de terra para poder germinar
e dar fruto a seu tempo.

- Sinal de realismo:
ter os pés bem assentes na terra.

- Sinal da nossa condição humana:
Lembra-te, ó homem, que és pó
e em pó te hás-de tornar, ou seja:
Lembra-te, ó pó, que és homem
e em homem te hás-de tornar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Levanta-te e vai

Ano B - VII Domingo Comum

- Eu não gosto de me confessar porque tenho medo que o Padre ralhe comigo.
- Mas, afinal, quando chegas ao pé do confessor, o que é que lhe pedes em primeiro lugar?
- Como toda a gente, digo: Abençoai-me, Padre, porque pequei...
- Exactamente. Não pedes que te ralhe ou te castigue porque pecaste mas pedes-lhe uma benção, uma palavra de conforto ou de gratidão. Não tenhas medo. O confessor apenas felicitar-te-á porque recebeste uma graça de Deus e um Dom do Espírito Santo: reconheceste que é pecador e que desejas ser melhor!
Quem confessa as suas faltas, está disposto a levantar-se e a caminhar.
É por isso que um paralítico apresentou-se um dia diante de Jesus que lhe disse:
- Os teus pecados estão perdoados, ou por outras palavras, levanta-te, toma a tua enxerga e vai...
O mal parece não estar no ter caída mas em não querer levantar-se e prosseguir a caminhada. E perdoar é dar a oportunidade de alguém recomeçar o seu caminho.
Todos somos paralíticos, amarrados a velhos hábitos e muletas, à espera duma palavra que nos levante. Vivemos agora na esperança de recomeçar todos os dias.
Cair e levantar-se é igual a progredir.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Arca de Noé

4ª Feira - VI Semana Tempo Comum


Lições da a tirar da Arca de Noé


Fui há dias convidado a prestar um serviço numa localidade da nossa diocese. Antes de sair de casa, telefonei para lá, a um colega, a pedir uma sugestão para o estacionamento do carro. Quando me respondeu que bastava procurar nas redondezas um sítio para isso, manifestei alguma impaciência…
- Lá isso já sei. Necessito é de uma sugestão mais concreta.
- Ó rapaz, não sejas tão exigente. Lembra-te de que Noé andou quarenta dias à procura de um lugar para estacionar a sua arca…
- Então prepara-te para um prolongado atraso - respondi contrafeito.
E pus-me a caminho. Durante a viagem não me saía da memória a figura de Noé e a sua arca. E fui descobrindo tantas pequenas lições para a minha vida, a partir dessa contemplação. Para além da Paciência, partilho aqui algumas outras lições que descobrina nessa arca:

1. É preciso planificar o futuro.
Não estava a chover quando Noé começou a projectar e a construir a sua arca. Preparou-se, sem ter a certeza do que viria depois.

2. Manter-se sempre em boa forma.
Quando eu tiver 60 anos, alguém poderá pedir-me para fazer algo realmente grande, tal como aconteceu com Noé. Não há idade para enfrentar novos desafios.

3. Não desistir.
É aconselhável não dar ouvidos aos críticos, mas continuar a fazer o trabalho que deve ser feito. Não basta aguentar o cansaço e a rotina do trabalho; é preciso também resistir à pressão dos que nada fazem a não ser opinar.

4. Manter o alto nível.
Qualquer construção tem de ter um bom nível, pois Noé construiu a sua arca num terreno alto. O mais difícil é manter-se elevado.

5. Todos iguais.
Na nossa vida há lugar para todos, sem atropelos ou discriminações. O lobo e a ovelha viajaram juntos e em paz, porque tinham um mesmo objectivo.

6. Humildade de serviço.
A arca foi construída por amadores; o Titanic por profissionais. Afinal as habilitações ou os diplomas não são tudo na vida para sobreviver com sucesso.

7. Resistência.
Não importou a quantidade de água no exterior, desde que não invadisse a arca. O mal que nos cerca também não nos causará dano, se não nos deixarmos invadir interiormente.

8. Em Família/Comunidade.
Não vale viajar sozinho. Na arca viajou-se aos pares. Nós só avançaremos na solidariedade e na comunhão de vida e de destino.

9. Dificuldades são oportunidades.
A água foi a destruição de uns, mas também a salvação de outros. Tudo depende daquilo que construímos ou sonhamos.

10. Constância.
Há que ter paciência. Não há bem que sempre dure nem mal que sempre ature. O arco-íris só aparece quando chove.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Caim e Abel

2ª Feira - VI Semana tempo Comum

Gen 4, 1-15.25

Eva e Adão disseram:
- Que desgraça aconteceu ao nosso filho ABEL!
Que te fizeram?

Deus disse:
- Que desgraça aconteceu ao meu filho CAIM!
Que fizeste?

Nós devemos dizer:
- Que desgraça aconteceu aos nossos dois irmãos, CAIM e ABEL!
Que fizemos?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Lepras

Ano B - VI Domingo Comum

A Lepra é como o Pecado
ou
O Pecado é como a Lepra


- Porque cria insensibilidade,
torna-nos insensíveis.
Só os puros de coração verão a Deus

- Porque isola-nos,
afasta-nos da comunidade.
Fechamo-nos no nosso casulo.

- Porque contagia,
influencia negativamente os outros
e um mal nunca vem só.

- Porque desfigura o nosso rosto,
a nossa identidade ou dignidade.
Tornamo-nos qem não somos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Estender a Mão

Ano B - VI Domingo Comum

Não sei quem é o autor desta história. Apenas sei que este poço pode ser a lepra de outrora, a droga de hoje ou os males de sempre:

Certo homem caiu num poço
e não conseguia sair de lá.

Uma pessoa subjectiva passou e disse:
- Sinto muito que estejas aí, no fundo do poço.
Uma pessoa objectiva, olhando-o declarou:
- Estava-se mesmo a ver que alguém havia de cair neste poço.
Um fariseu exclamou:
- Só pessoas más é que caem em poços.
Um cientista pôs-se a calcular a pressão necessária para tirar o homem de dentro do poço.
Um geólogo espreitando para dentro sugeriu:
- Aí dentro podes apreciar as rochas do poço.
Um gabarola proclamou:
- Isso não é nada, havias de ver o meu poço.
Um psicólogo aconselhou:
- Tudo o que tens a fazer é convencer-te que não estás num poço.
O optimista advertiu:
- Podia ser bem pior.
O repórter quis logo o exclusivo da história do homem que caiu no poço.
O moralista disse:
- Se me tivesses escutado, não estarias agora nesse poço.
Um pregador retorquiu:
- O teu poço é apenas um estado de espírito.
Por fim, passou Jesus:
Vendo o homem, estendeu-lhe a mão e tirou-o para fora do poço.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

N. Sra. de Lourdes

11 de Fevereiro

Memória de Nossa Senhora de Lourdes
A IMACULADA CONCEIÇÃO apareceu a Bernadette a 11 de Fevereiro de 1858, numa Quinta-feira de manhã, numa gruta de Lourdes. As 18 aparições sucederam-se até 10 de Julho de 1858.


1. Vestida de branco
Manifestação de Maria na sua Imaculada Conceição
Virgem sem mancha

2. Véu branco
Mal deixa ver os cabelos
Qual noiva

3. Faixa Azul
Vestido cingido com faixa azul
Rasgo do céu que a compõe
Faixa desce até aos pés
espécie de fonte

4. Vem descalça
Pisa a terra agreste
Está à vontade
Faz-se pobre

5. Tem um rosto de donzela
Feições jovens
Eterna juventude

6. Tem na ponta de cada pé uma rosa amarela
Silencio que irradia o seu perfume
Simplicidade

7. Rosário de contas
Do braço direito pende um rosário
Contas brancas encadeadas a oiro

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Dia Mundial do Doente

Adapto o CREDO, cujo autor desconheço:

O Credo do Sofrimento

Creio que Deus está próximo de todos os que sofrem por Ele.
Creio que Deus desde toda a Eternidade pesa e conta o número e a gravidade das dores, que encontra na minha vida, e me prepara em proporção graças e recompensas.
Creio que a dor é o que mais intimamente me une a Nosso Senhor e me torna semelhante a Ele.
Creio que a dor é um dos maiores benefícios que Deus pode conceder a uma alma.
Creio que a dor é uma das expiações mais eficazes do pecado e um dos mais preciosos dons que a alma pode fazer a Deus.
Creio que a dor suportada com resignação e amor tem maior mérito que qualquer boa obra.
Creio que a dor assinala à alma o caminho mais seguro e rápido para Deus.
Creio que a dor desprende, desilude, purifica, melhora e até conduz a alma à mais alta perfeição.
Creio que a dor unida à de Jesus é o meio mais fecundo para converter e salvar almas.
Creio que a dor nos torna mais humanos, mais compreensivos, mais justos e caridosos para com os outros.
Creio que a dor me ensina a manter-me humilde no mundo, desprendido nas glórias, confiante nas adversidades.
Creio que só pode viver com proveito para si e para os outros, quem verdadeiramente souber sofrer.
Creio firmemente no que diz a Escritura: “Sem derramamento de sangue não há Redenção”.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Tocar na Orla da Capa

2ª Feira - V Semana Tempo Comum

Do Evangelho de hoje:

TODOS QUERIAM TOCAR-LHE
NEM QUE FOSSE NA ORLA DA CAPA.



1. Tocar é sentir a presença de alguém, real, ali mesmo.
É mostrar que também estamos presentes e bem vivos.

2. É unir-se a alguém.
É como se fôssemos a continuidade de alguém
ou alguém fosse o nosso prolongamento,
como se fôssemos um só corpo.

3. É conhecer alguém de maneira simples.
É como um vilão que vê tocando com a mão.

4. É um intercâmbio de calor, energia.
Damos e recebemos, é inter-ajuda.

5. É acariciar, expressar afecto e amor.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Alargar Horizontes

Ano B - V Domingo Comum

Depois das férias, um aluno veio dizer-me, cheio de orgulho:
- Senhor padre, eu já estou mais crescido.
- É verdade. E com certeza ainda vás crescer mais. Mas porque é que queres ser grande?
- É para poder ver mais longe.
Surpreendeu-me esta resposta. Eu pensava que era para se sentir importante, para fazer o mesmo que os adultos ou outras coisas do género. Para aquela criança, ser grande é olhar mais longe, é alargar horizontes.
É esta a mensagem do Evangelho deste V Domingo: Jesus subiu ao monte para orar. Na tradição bíblica o monte é lugar e símbolo do encontro de céu e terra, da ascensão humana e da teofania, de vastos horizontes.
Quem reza vê mais além, alarga os seus horizontes, faz uma escalada, ultrapassa-se, une a terra ao céu. Há muitas maneira de rezar: Jesus rezava na sinagoga, no convívio com os amigos, fazendo o bem, anunciando o amor e a sós com o Pai.
Também nós rezamos assim, cada um segundo a sua circunstância. Uns rezam por dentro, com o espírito elevado. Outros por fora, de uma maneira prática, em movimento cristão, em acção eficaz sobre a terra. Não importa a forma, mas sim chegar a Deus. Não importa como foi o esforço para construir a ponte, o que importa é poder passar e chegar mais longe.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dois a Dois

5ª Feira- IV Semana Comum
JESUS ENVIOU-OS DOIS A DOIS


- Porque para criar comunidade
é preciso dar exemplo de vida ocmunitária.

- Porque dois a dois a Palavra tem mais força
e mais eficácia.

- Porque onde dois ou três estiverem em Seu nome
Cristo estará no meio deles.

- Porque a mensagem a proclamar
não é uma questão pessoal.
Num grupo há maior garantia de fidelidade.

- Porque são como um casal
que lembra o papel criador dos apóstolos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Criancices (38)


Não sei se daqui a alguns anos isto ainda terá alguma piada, mas nos nossos dias... é de rir e de bradar aos céus.
Contou-me o professor de Educação Moral do 1º Ciclo do Colégio que numa aula perguntou:
- Quem sabe quem foi o fundador do Cristianismo?
Como ninguém deu sinais de se lembrar da resposta, formulou a pergunta de maneira diferente:
- Quem sabe quem deu origem ao CRISTIANISMO? Escutem bem: do CRIS…TIA….NIS…MO?
- Já sei – respondeu com todo o entusiasmo um traquina do 2º ano – foi CRIS…TIA…NO RO…NAL…DO!

Vida de Capelão (38)

- Ah, se eu fosse capelão, comia-as todas…
- Só tens língua. Comias todas… as hóstias, claro!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Vida de Capelão (37)

Um militar na brincadeira:
- Você nem olhe para mim. Eu nunca gostei de Capelães!
- E eu nunca gostei de homens...

Criancices (37)

Um colega meu, já de meia-idade, para desprezar os mais novos:
- Então tu não sabes que os professores até aos cinquenta anos não dizem nada de novo, só repetem o que os outros disseram?!
- Pois é. E a partir dos cinquenta anos só se repetem a si próprios.
Deu meia volta e foi-se... sem dizer mais nada (talvez para não se repetir...)

Ninguém é profeta na sua terra

4ª Feira - IV Semana Comum

Ninguém é profeta na sua terra...

- Porque ser profeta é ser peregrino,
missionário ou enviado.

- Porque é preciso estar despojados,
não ter raízes fixas.

- Porque o conhecimento que os outros têm dele
não se pode sobrepor ao conhecimento
da palavra que ele proclama.

- Porque todos os da sua terra poderiam achar
que têm mais direito do que ele a ser profeta.

- Para que ninguém da sua terra possa concluir
que a sua mensagem é uma questão de bairrismo.

- Para que uma terra possa ajudar outra
e vice-versa.

- Para que nenhuma terra ou comunidade
fique com a ideia de que é auto-suficiente.

- Para que o profeta seja mais livre
e não esteja condicionado pelos laços familiares.

- Porque é preciso alargar fronteiras.

- Para lembrar que um profeta vem de fora,
vem do Céu.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Criancices (36)

Uma professora bastante gorda estava a provar os bolos numa festa do Colégio:
- Senhor Padre, é verdade que quando um bolo é bom o seu gosto permanece três minutos na boca?
- Sim, sim. Deve permanecer três minutos na boca e três anos nas ancas…

Vida de Capelão (36)

Uma mulher desinibida que não acreditava que eu fosse padre:
- Você não tem cara de padre. Só acredito vendo. Prove-me.
- Ai provo-te, provo-te… Por onde é que quer que eu comece a provar?... E verás que eu tenho cara, mãos e mais alguma coisa.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tomar Posição

Ano B - IV Domingo Comum

Esta história ocorreu numa universidade.
Havia um professor que se dizia profundamente ateu. Os seus alunos sempre tiveram medo de discutir o assunto porque no princípio de cada semestre 'provava que Deus não podia existir'. Pedia que quem acreditasse em Deus se levantasse. Em 20 anos nunca ninguém se atreveu pois acrescentava:
- Quem acredita em Deus é um louco. Se ele existisse faria com que este giz, ao cair no chão não se parta. Seria uma prova que ele é Deus.
E atirava o giz que se fragmentava. Os estudantes olhavam apenas e ninguém se pronunciava.
Há um ano atrás alguém aguardava este momento.
- Se há alguém que ainda acredita em Deus, que se ponha de pé!
O rapaz, decidido, levantou-se no meio do salão.
- Ah tonto! Se Deus existisse, provaria evitando que este giz se parta ao cair no chão...
Inadvertidamente o giz escapuliu-se entre os dedos deslizando pela roupa até parar intacto no chão. O professor, estupefacto, saiu a correr e não mais voltou. E toda a plateia deu uma salva de palmas para o colega.
Às vezes a única coisa que precisamos de fazer é pormo-nos de pé.
Diante de Jesus ninguém pode ficar indiferente. Até os demónios tomavam uma posição e os fariseus se declaravam.
Não basta acreditar pois, até os demónios acreditavam.
É preciso pôr-se de pé.

domingo, 25 de janeiro de 2009

São Paulo

25 de Janeiro - Festa da Conversão de São Paulo

“Consideremos o glorioso S. Paulo que tinha sempre em sua boca o nome de Jesus, porque o tinha bem no coração” (Teresa de Ávila, virgem e doutora da Igreja, Libro de la Vida, cap. 22,6-7.12.12, Século XVI).
Quando o coração está cheio, a boca é trombone…
A boca fala da abundância do coração…

São Paulo caiu do cavalo?
Não. Apenas caiu em si mesmo…

sábado, 24 de janeiro de 2009

Vida de Capelão (35)

- Ó Capelão, vamos às p..., quer dizer, vamos às meninas?
- Pensas que sou como tu? Elas é que vêm a mim.

Criancices (35)

Alguém, lá no Colégio, ao reparar que eu usava constantemente uma caneta-ponteiro, quer nas aulas quer nos recreios:
- Porque é que andas sempre com o ponteiro na mão?
- É para não andar com a mão no ponteiro.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mão Estendida

4ª Feira - II Semana Comum

Do Evangelho de hoje:
"Jesus disse ao homem:
- Estende a mão...
Ele estendeu-a e a mão ficou curada."

Estender a mão é um verdadeiro milagre.
Uma mão estendida é sempre uma mão curada,
é sempre uma mão milagrosa.

Queres um milagre?
Estende a mão.
E assim verás não um, mas dois milagres:
a tua mão milagreira e a mão do outro sarada ou vice-versa.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Salva-vidas

Ano B - III Domingo - Tempo Comum

Uma catequista, para fazer rir as colegas, contou o episódio, que transcrevo:
" Estava a dar uma lição de catequese sobre aquele que foi o maior 'Pescador de Homens' de sempre. Percebendo que as crianças não compreendiam o porquê deste título, dediquei a aula a esse esclarecimento. Depois de ter esgotado todos os meus argumentos, perguntei se alguém me sabia dizer, afinal, quem era esse 'Pescador de Homens'. Uma menina levantou o braço e respondeu bem alto:
- É um salva-vidas! "
Aquelas senhoras riram-se, não sei se pelas limitações da catequista ou se pela própria incapacidade de apreender a profundidade da declaração.
De facto, todos nós somos náufragos: às vezes sentimo-nos perdidos no alto mar desta vida, açoitados por tempestades, navegando na escuridão. Precisamos de ajuda, de um autêntico salva-vidas. Se Deus chama alguém é para enviá-lo a salvar, para acender uma luz, dar a mão, trazer a um bom porto.
À minha volta cada irmão é para mim um salva-vidas, enviado por Deus. E o mesmo Deus também me chama a ser um salva-vidas para o meu irmão.
Se quem caminha a meu lado cair uma vez, a culpa será sua. Mas se cair uma segunda vez, a culpa será minha porque não lhe dei a mão.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ser Cambado

Alguém veio até à escola pedir-me um favor. Ouvi-o, fiz o que me pediu e disse-lhe:
- Espero que não sejas cambado…
- Isso que quer dizer?
- Como tiveste pés para vir pedir, espero que tenhas também pernas para vir agradecer…
E contei-lhe uma história inventada nesse preciso momento:

“Havia um homem que sonhou que tinha entrado no paraíso. Ficou surpreendido pois viu-se cambado.
- Como era possível ressuscitar no céu só com uma perna quando na terra sempre tive as duas pernas perfeitas? – Foi pedir explicações a São Pedro.
Este, depois de ter lido o Livro das Obras, concluiu:
- Aqui está escrito que durante a tua vida terrena só tinhas pernas para pedir e nunca as tinhas para agradecer. Já eras assim cambado lá na terra… e aqui no céu sempre te reconhecemos só com uma perna.”

É assim que nós rezamos no IX Prefácio do Tempo Comum (Domingo) para que Deus conduza a Igreja para que: nunca deixe de invocá-l’O nas suas tribulações nem de Lhe dar graças nas suas alegrias.
Quem só pede e não sabe agradecer, é como um coxo ou um cambado… não irá longe.

domingo, 18 de janeiro de 2009

À Frente ou Atrás?

Dei a bênção com o Santíssimo Sacramento, no final da adoração na Igreja Paroquial.
Durante a aclamação final, um irmão da confraria veio para a frente do altar com uma cruz processional.
Transladei a Eucaristia da custódia para a teca e pensei - Devo depositar a Eucaristia no Sacrário e devo ir em procissão, pois aqui está uma cruz… - cheguei-me à frente e começámos a andar.
Atrás de nós vieram os acólitos e os outros irmãos da confraria do santíssimo com as suas opas vermelhas. Notei, porém, que havia um certo incómodo dessa gente atrás de mim. Percorremos assim a igreja pelo centro até ao fundo e depois pelo corredor lateral até ao Sacrário: a cruz à frente, eu com o Santíssimo logo a seguir e por fim todos os outros…
Repus a Eucaristia no Sacrário, enquanto se entoava o cântico final, e todos se posicionaram de maneira diferente para se dirigirem para a sacristia: a cruz à frente, os irmãos da Confraria, os acólitos e por fim o sacerdote.
Quando chegámos à sacristia, ouvi em coro a crítica:
- O senhor padre não sabe que deve ir, não à frente, mas no fim do cortejo com o Santíssimo?
- Calminha! – disse eu – Só sei que Nosso senhor nos pediu que O seguíssemos, que fôssemos atrás d’Ele. Portanto, devemos ser nós a ir atrás d’Ele e não Ele a ir atrás de nós…
- Cada cabeça, cada sentença – pensaram todos no seu íntimo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Dia Mais Importante

Ano B - II Domingo Comum

Era por volta das 4 hora da tarde.

É surpreendente esta recordação que os discípulos têm do primeiro encontro com Jesus. Foi uma experiência fascinante que nunca mais esqueceram, lembrando-se de pormenores como a hora precisa, o que estavam a fazer, onde, com quem etc.
Perguntei a uma criança:
- E para ti qual é dia mais importante ou mais feliz?
- Foi o dia da primeira comunhão, ou o primeiro dia de escola.
Recordei que até o Imperador Napoleão respondeu assim. Para ele o dia mais feliz não foi quando venceu a maior batalha ou quando foi coroado imperador, mas o da primeira comunhão. E a criança ficou satisfeita com a coincidência.
- És capaz de adivinhar agora qual é o dia mais importante para mim?
A resposta surgiu em avalanche:
- Foi o dia em que entrou no seminário, o dia da ordenação sacerdotal, o dia da primeira missa ...
- Nada disso. O dia mais importante para mim é hoje. Por isso não tenho saudades do passado. Hoje é mais importante que ontem e amanhã ainda melhor que hoje.
Que todos possamos viver com toda a intensidade o dia de hoje, como encontro pessoal com Deus, sentindo os seus efeitos e progredindo no seu caminho, tal como os primeiros discípulos experimentaram.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Vida de Capelão (34)

- Ó Capelão, as gajas da Base andam todas atrás de si.
- Atrás não me interessam. Vai dizer-lhes que se ponham todas à frente.

Criancices (34)

- Olha, porque é que usas a camisola amarrada atrás das costas?
- Não sabe que isto é um avental?
- Ó, eu não sabia que usavas um avental atrás. E para que queres tu um avental nas costas?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Baptizados

Ano B - Baptismo do Senhor

Um grupo de crianças estava a competir para escolher qual delas era a mais importante:
- Eu sou o filho do Professor…
- Eu sou o filho do doutor…
- Eu sou o filho do empresário mais rico…
- Eu sou o filho do presidente da Câmara…
- E tu?
- Eu?! Eu sou filho… de Deus!
Foi esta última criança a escolhida. Afinal todos eram filhos de gente importante, mas o mais importante é que todos eram FILHOS DE DEUS. Apenas um se lembrou dessa filiação, a mais elevada, a mais digna de todas.
Celebrar o Baptismo do Senhor é lembrar o nosso próprio baptismo. Afinal ocorreu o mesmo fenómeno: Nesse dia os céus também se abriram para nós e uma voz se fez ouvir: tu és meu filho muito amado… Nesse dia fomos declarados FILHOS DE DEUS.
Saboreemos esse facto! Que delícia é ser FILHO DE DEUS!

Alguém me chamou a atenção:
- Então, se todos os seres humanos são filhos de Deus, por que é que você diz que pelo baptismo nos tornamos FILHOS DE DEUS?
- É que todos são filhos de Deus, mas nem todos o sabem nem o aceitam. Ser baptizado é aceitar essa filiação.
- E os não baptizados não vão para o Céu?
- Estou convencido de que o céu é a casa de felicidade para todos os homens. Todos serão recebidos aí, mas quem é baptizado tem já a porta do céu aberta. No dia do baptismo o céus abriram-se… quando este der entrada no céu nem precisará de bater à porta. Ela estará escancarada para o receber desde o dia do baptismo. Quem não é baptizado, entrará também no céu, sem dúvida, mas a porta só será aberta nessa altura…

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Vida de Capelão (33)

Alguém reparou no cinzeiro bem recheado no meu gabinete junto à Capela:
- Ó Capelão, porque é que você fuma tanto e ainda por cima junto da Capela?
- Sabes, é a única maneira de ter por cá beatas novas.

Criancices (33)

Estávamos a falar à frente da porta do Colégio: duas alunas, a sua mãe e eu.
Passa um carro e eu digo para a Encarregada de educação:
- Olha, parece o carro do teu marido.
As miúdas ao ouvirem tal começam a correr atrás da viatura gritando:
- Pai, pai... - pensando que de verdade fosse o seu pai
A mãe muito depressa atalha:
- Ó pequenas, não me envergonhem...

Ouvir e ser Curado

6ª Feira - depois da Epifania

Do Evangelho de hoje:

“Cada vez se divulgava mais a fama de Jesus e reuniam-se grandes multidões para O ouvirem e serem curados dos seus males.”

A importância de ouvir:

Ouvir para ser curado - ouvir ► ser curado

Ouvir é ser curado - ouvir ═ ser curado

Ouvir e ser curado - ouvir + ser curado

Educador Intergeracional

Pe. Mário Casagrande

Numa aula de Educação Moral o Pe. Mário perguntou à turma:
- Quando é que acham que se deve começar a educar os filhos?
A essa questão a maior parte de nós respondeu:
- Logo à nascença, a começar no próprio dia do nascimento…
- Tarde demais! - concluiu o Pe. Mário – Estou convencido de que este processo deve começar vinte anos antes do filho nascer…
De facto o Pe. Mário via a educação como um processo dinâmico, um investimento a longo prazo, uma sementeira perene, um acto intergeracional.
Conheci este educador nato no Colégio Infante como meu Director e Professor de Matemática, Ciências Naturais, Geografia, Ciências Físico-Químicas e Educação Moral e Religiosa.
Conheci-o mais tarde como confrade da mesma Congregação, como colega no sacerdócio e como colega na leccionação de Educação Moral.
Por ironia do destino, conheci-o também como seu Superior no Colégio Missionário e como seu Director na nossa Escola da APEL.
De tudo o que o Pe. Mário me ensinou, guardo não tanto as lições da vida da escola, mas sobretudo as lições da escola da vida.
Se ele dizia que a educação de uma pessoa começa vinte anos antes de ela nascer, hoje quero dizer que estou convencido de que um educador só acaba de educar vinte anos depois de ter falecido. É por isso que o Pe. Mário ainda hoje continua a educar.
Obrigado Pe. Mário por esta lição intergeracional!

Grande Educador

Pe. Mário Casagrande

Depois de uma entrada no Hospital do Funchal a 17 de Dezembro de 2008 veio a falecer na madrugada de 4 de Janeiro de 2009 o Padre Mário Casagrande.
Foi educador e professor de várias gerações de jovens quer no Colégio Infante D. Henrique quer na Escola da APEL da qual foi co-fundador.
Nascido em Vittorio Veneto, Itália em 1930, quis ser missionário. Entrou na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) para aí concretizar o seu sonho. Depois da sua ordenação sacerdotal, em 1957, foi enviado para Portugal e o seu sonho continuou... Foi no Monte, no Colégio Infante D. Henrique, que transformou o seu sonho em realidade – abraçou a missão que Deus lhe confiou junto dos mais jovens, na escola e na Igreja e na sociedade. Foi missionário aqui mesmo: um trabalhador incansável, um homem muito prático, um professor bem acessível, um irmão tão generoso.
Na Escola da APEL, ao longo dos seus 30 anos de actividade, todo ele foi educador: ensinava com o trabalho das suas mãos, educava com a sua presença, incentivava com as suas palavras. Toda a sua vida foi uma contínua lição.
As suas homilias eram breves, mas incisivas. A sua mensagem era divertida, mas acertada. Era um comunicador sensível.
O seu mérito tem sido reconhecido pelos seus alunos, colegas, amigos. Exemplo disso foi a distinção de Comendador da Ordem da Instrução Pública que lhe foi conferida a 28 de Setembro de 1998 pelo Presidente da República.
No dia da Epifania ou dos Reis Magos uma pessoa amiga recordava:
“O Pe. Mário Casagrande seguiu hoje a sua Estrela. E nós temos mais uma no céu para nos guiar…”
O Pe. Mário continuará a ser um grande educador através da sua estrela e através das sementes que tão sabiamente deixou nesta terra.
Começamos já a ter saudades do Pe. Mário Casagrande!

Um Grande Homem e um Homem Grande


Pe. Mário Casagrande

Faleceu às primeiras horas do dia 4, no Hospital do Funchal, o Padre Mário Casagrande, que há quinze a esta parte estava internado com graves problemas de saúde.
Estamos em comunhão orante com ele, pedindo ao Senhor que o acolha junto de Seu Coração.
Que o seu exemplo de vida, totalmente oferecida a Deus e às pessoas, em particular aos jovens no campo da educação, seja incentivo para renovarmos a nossa entrega ao serviço do Reino, neste tempo de Epifania em que procuramos redescobrir a manifestação do Amor de Deus pela Humanidade.

O Pe. Mário nasceu a 25 de Julho de 1930 em Vittorio Veneto, Itália. Aos 11 anos entrou no Seminário dehoniano de Bolonha, sendo ordenado sacerdote a 23 de Junho de 1957.
Como tal veio trabalhar para Portugal, primeiro no Colégio Camões em Coimbra e a partir de 1961 no Funchal. No Colégio Infante D. Henrique onde foi Professor, Educador, Director Escolar e Superior da Comunidade Religiosa. Deixou marcas em muitas gerações sua pedagogia humanista, simplicidade e bom humor. Foi ele o iniciador da co-educação ou do ensino conjunto de rapazes e raparigas.
Esteve nos inícios da Escola da APEL - Associação Promotora do Ensino Livre – então Escola Complementar do Til, onde foi Director Escolar de 1978 a 1984 e de 1987 a 2000, Professor, Educador, Inovador, Construtor, Fundador… de tal modo que falar do Pe. Mário é falar da APEL, pois o rosto da APEL é o rosto do Pe. Mário.
Foi também Capelão do Centro Prisional dos Viveiros durante 20 anos e do estabelecimento Prisional da Cancela e sempre se orgulhou desse serviço.
Foi professor de italiano em várias instituições de ensino entre as quais o Conservatório e a Escola de Línguas
Fundou a AMAPEL - Associação Madeirense de Apoio ao Ensino Livre - a 21 de Janeiro de 1992 para apoiar estudantes universitários que saíam da APEL para o Portugal Continental. Ainda hoje exercia o cargo de presidente da Direcção desta Instituição de solidariedade.
A 28 de Setembro de 1998 o Presidente da Republica, Dr. Jorge Sampaio, conferiu-lhe o grau de Comendador da Ordem da Instrução Pública.
Celebrou Bodas de Ouro Sacerdotais a 23 de Junho de 2007 no Funchal - no Colégio Infante, comunidade onde viveu os primeiros e os últimos anos da sua vida, dedicada à juventude, à educação e a Deus.
Foi homenageado pela ADECOM com o Prémio Educação a 22 de Novembro de 2008.
O Pe. Mário, como o seu sobrenome explicita, era de facto um homem grande ou uma casa grande. Acima de tudo ele foi um grande homem, com grandeza de coração, com uma generosa vocação e uma simplicidade de vida que soube cativar a todos, a começar pelos mais jovens. Foi um grande homem não pelo facto de ter feito o que fez, mas precisamente fez tudo isso porque era um grande homem.
Obrigado Pe. Mário Casagrande!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Bem Parecido

Ano B - Baptismo do Senhor

Conta um missionário que, um dia, estava a rezar o breviário e um garoto espreitou a página e viu uma estampa com o Menino Jesus.
- Oh, que lindo! É seu filho?
- Não. Respondeu-lhe, a sorrir, o sacerdote - é meu irmão…
- Ah, está bem. Mas olhe que ele não se parece nada consigo.
- Pois é - Pensou aquele missionário - durante toda a minha vida não faço outra coisa do que procurar ficar parecido com Ele.
Ainda hoje faz-se ouvir a mesma voz de Deus: Tu és meu filho muito amado. Nós somos da mesma Família de Cristo. E como diz a sabedoria popular quem sai aos seus não degenera. Através do Baptismo cada um torna-se parecido com Cristo. Ele deixou-se baptizar para Se identificar connosco e para santificar aquelas águas pelas quais um dia havíamos de passar.
Agora é tempo de nos tornarmos parecidos com Ele, nas palavras, nas obras, na vida e no caminhar. É por isso que rezamos nesta Festa do Baptismo do Senhor: já que Cristo se manifestou aos homens na realidade da nossa natureza, que saibamos reconhecê-lo exteriormente semelhante a nós para sermos por Ele interiormente renovados.
Precisamos muito de alguém que seja em tudo parecido com Cristo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ser Estrela

Ano B - Domingo da Epifania
Os Magos chegaram a Belém guiados por uma estrela.
É que as pessoas são ou como estrelas ou como cometas:
Os cometas passam, as estrelas permanecem.
Há gente cometa que passa pela vida apenas por instantes, gente que não prende ninguém e a ninguém se prende, gente sem amigos que passa pela vida sem iluminar, sem guiar ou marcar presença.
O importante é ser estrela, estar junto, ser luz, ser calor, ser vida.
Um amigo é uma estrela. Podem passar anos, podem surgir distâncias mas a marca fica no coração.
Há necessidade de criar um mundo de estrelas. Todos os dias poder contar com elas e poder sentir a sua luz e calor.
Ser estrela neste mundo passageiro de pessoas cometas é um desafio e uma recompensa. Recompensa por ter sido luz para muitos amigos, ter sido calor para muitos corações, ter nascido e ter vivido e não apenas existido.
Na nossa constelação cada estrela tem o seu brilho próprio onde o importante não é brilhar mais mas brilhar sempre.
Há um autor desconhecido que escreveu:
"Para que a sua estrela brilhe, não é preciso apagar a minha."

Dia Mundial da Paz

Celebrou-se no 1º de Janeiro o 42º Dia Mundial da Paz

Este ano o Papa Bento XVI escolheu para tema da sua mensagem:
COMBATER A POBREZA, CONSTRUIR A PAZ

Ao ler e reflectir esta mensagem de 7 páginas densas chego a 3 conclusões:

1ª
Nas palavras do Papa há diversas pobrezas que devemos combater para sermos construtores da paz:
- A pobreza material
- A Marginalização
- A pobreza relacional
- A pobreza moral
- A pobreza espiritual
- A pobreza cultural
- As pandemias
- A pobreza infantil
- A Crise alimentar…

2ª
Os meios para combater a pobreza são:
- Apoiar toda a família humana
- Solidariedade criativa
- Partilhar o supérfluo
- Alterar estilos de vida
- Novos modelos de produção
- Novos modelos de consumo
- Mudar estruturas de poder…

3ª
Depois disto tudo só me apetece repetir o que se diz na minha terra:
Casa onde falta o pão, todos ralham e ninguém tem razão.
Ou por outras palavras: combater a pobreza, construir a paz.
Para quê tantas palavras, quando o povo resume numa expressão tão simples?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Natal (9)

Sagrada Família

A porta que dá para a Basílica da Natividade, em Belém, é pequena e tão baixa que só se pode entrar curvando-se à altura de uma criança. O guia explica que foi construída assim para evitar a entrada de intrusos, de animais que na altura abundavam por ali.
Esta porta é uma lembrança e um convite:
Lembra que o Natal é o abaixar-se do Altíssimo que visitou o seu povo, fazendo-se tão pequeno, à medida da nossa estatura.
É também um convite a pôr-se numa posição de pequeno: Se não vos tornardes como crianças não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele que por esta porta entra, humilha-se e ajoelha-se.
Esta atitude de oração é o efeito da contemplação da Sagrada Família. Toda está em oração. A Virgem Maria, segundo a tradição, está de joelhos. São José igualmente recolhido e o Menino, de braços abertos, oferece a Deus Pai a oração de toda a Família. Os pastores que acorreram, prostram-se aos pés de Jesus e regressando cantavam os louvores do Senhor. Até mesmo os Anjos entraram neste clima de oração, dando glória a Deus.
Ao celebrarmos a Sagrada Família somos envolvidos neste clima de oração.
Se o presépio não nos leva à oração, se não nos une a Deus e aos irmãos, para que é que Jesus nascer!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Natal (8)

Natal no Quartel


Cumpri o meu serviço militar como capelão numa unidade de instrução, mais concretamente numa Base Aérea. A celebração do Natal, neste ambiente, teve para mim um significado mais genuíno em vários aspectos.
O que mais me surpreendeu foi o Presépio e a representação natalícia fora do habitual. Em vez da gruta havia uma tenda de campanha. O berço era um pneumático. Maria e José estavam vestidos, não como há 2008 anos, mas de camuflado. Os anjos tocavam clarim anunciando o nascimento do Menino como nova alvorada. Os pastores não traziam ovelhas pelos campos mas sim um pelotão pela parada. Ninguém se ajoelhava mas, junto à tenda, apresentavam armas ou faziam continência. Os reis magos substituíram os seus camelos por carros de combate e em vez de coroa na cabeça traziam um capacete militar. E tantos outros elementos da vida militar... Terá sido isto um atentado ao espírito do Natal?
Para mim foi uma boa oportunidade para descobrir algo mais do Natal. Não foi apenas o quartel a adaptar-se ao Natal mas este a traduzir-se em linguagem militar. Deus serve-se sempre da nossa realidade para Se manifestar. É nosso tempo, no nosso mundo, na nossa experiência concreta que deve haver Natal. Senti isso de modo especial na tropa.
No quartel vivi o Natal fora da minha terra, fora da minha família tal como o que aconteceu com Maria, José e o Menino.
O primeiro Natal ocorreu em tempo de guerra, num país ocupado por forças estrangeiras. A minha experiência na vida militar, em tempo de paz, fez-me recordar tudo isso.
Não foi mais do que a concretização da frase: “Deus plantou a sua tenda entre nós”. E realizou-se a profecia de Isaías: “Das espadas farão relhas de arado e das lanças forjarão foices”. É que as armas, aos pés de Jesus, ganharam outro sentido.
Estou grato à vida militar por me ter proporcionado um Natal tão sugestivo.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Natal (7)

A Melhor Prenda

Neste domingo acordei com vontade de comprar um presente para o Menino Jesus, afinal, no dia 25 de Dezembro o aniversário é dele. Sentia-me cansado de escolher prendas para tanta gente excepto para a personagem principal de mais um Natal. Também não achava bem continuar a receber tantos presentes dos meus amigos quando Ele ficava preterido para segundo plano.
Saí cedo de casa e fui ao maior shopping da cidade sem pensar ao certo que oferta poderia escolher no meio das sugestões que por lá abundam.
Nas lojas de roupa veio-me à ideia comprar uma nova túnica, talvez bordado Madeira, para o meu Menino. Quando vi que o branco mais branco do linho ainda era cinza perto da sua pureza, fiquei com vergonha e passei adiante.
Numa vitrine vi umas sandálias de couro, mas lembrei-me que também eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés como referiu João Baptista.
Tinha de escolher algo mais moderno. Talvez uma linda caneta de marca famosa, com o nome de Jesus gravado em ouro. Veio-me então à memória tudo o que Ele falou e mostrou com o exemplo e não o que escreveu.
Já meio desanimado continuei a espreitar entre as lojas à procura de algo para oferecer a Jesus, no seu aniversário. Tudo me parecia supérfluo e não apropriado para partilhar com Alguém com tanta dignidade. Afastei ainda outras duas ideias: Uma coroa de pérola que não servia pois o seu reino não é deste mundo e uma almofada de brocados de ouro pois Ele queixara-se um dia de não ter onde reclinar a cabeça. Ri-me de mim mesmo pois tudo o que via era matéria que o tempo iria corroer e ele era o senhor do tempo.
Confesso que saí frustrado do Shopping sem comprar o presente que Jesus merecia.
Junto ao carro cruzei-me com um rapaz, talvez um arrumador, que me cumprimentou sorrindo e estendeu-me a sua mão. Não sei se foi para me dar um aperto de mão ou para pedir esmola. Só sei que fiquei assustado e, tirando a mão do bolso, entreguei-lhe a nota que não gastei na compra do presente sonhado para o Menino Jesus. Ao chegar a casa achei-me ridículo, verdadeiramente de mãos vazias, com um presente adiado e sem o dinheiro reservado para o comprar. Ao abrir a porta encontrei uma carta no chão com uma mensagem que dizia assim:
”Obrigado pelo melhor presente de aniversário que me podias dar: Fizeste feliz um dos pequeninos deste mundo!” assinado, Jesus.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Natal (6)

O SONHO DE MARIA

“Esta noite sonhei, José, que toda a gente estava a preparar uma grande Festa. Limpavam tudo, decoravam as casas e compravam roupa nova. Saíam às compras e adquiriam muitos presentes. Não pude compreender bem o que se passava mas creio que se tratava de um aniversário natalício. Creio até que se tratava do nascimento no nosso Filho.
O que mais me surpreendeu, José, é que esses presentes não eram para Ele. Envolviam-nos em lindos papéis que atavam com preciosas fitas e colocavam-nos debaixo de uma árvore. Sim, José, devias ver essa árvore brilhante! Toda a gente estava feliz e emocionada com as ofertas. Trocavam prendas uns com os outros mas... não ficou nada para o nosso Filho.
Pareceu-me que nem O conhecem pois nunca mencionavam o Seu nome. Não te parece estranho que as pessoas se cansem tanto para celebrar o aniversário de Alguém desconhecido? Se Jesus batesse à porta seria apenas um intruso.
Tudo estava tão lindo, José, e todo o mundo feliz, mas eu senti vontade de chorar.
Que tristeza para Jesus não ser desejado na sua própria festa de anos.
Estou contente porque foi apenas um sonho, mas que terrível seria se tudo isto fosse a realidade!”

Boas Festas e não se esqueçam de colocar Jesus no centro do Natal!

Natal (5)

Deus fez-se homem

O Verbo divino se fez carne e habitou entre nós. É este o ponto central do mistério do Natal. Um Deus que se fez homem como nós, excepto no pecado, para elevar a nossa condição humana.
Os meus colegas, professores de biologia, mostraram-me a lista dos elementos que constituem o corpo humano. Depois de saber as proporções e as medidas destes componentes, cheguei à conclusão da pequenez do nosso corpo humano.
Com a água de um corpo humano lavava-se uma toalha.
Com o ferro tirado dos glóbulos vermelhos do sangue podiam fabricar-se sete cravos para uma ferradura.
Com o gesso poderia caiar-se a parede de um quarto individual.
Transformando em grafite ou carvão, proporcionaria matéria para preparar noventa e cinco lápis.
Com o fósforo poderia fazer-se uma caixa de fósforos.
Com o sal obteríamos algumas colherinhas para condimentar uma salada familiar.
Se tivéssemos de comprar tudo isto em conjunto, diria uma empregada doméstica, gastaríamos apenas um euro e pouco.
De facto a nossa condição humana é reduzida, mas Deus, ao assumir um corpo como o nosso, veio dotar-lhe de grandeza e majestade.
Aos olhos humanos valemos pouco mas aos olhos de Deus somos tão importantes que ele quis ser como nós. Deus nasceu como nós para que pudéssemos viver como Ele.
O Natal mostra-nos um Deus que se preocupa com o homem, que desce ao lado do homem, que se avizinha do homem, que se faz homem. Um Deus que se põe na estrada do homem para fazer caminhada juntos, para compartilhar com ele aflições, misérias, lágrimas, angústias e esperanças.
Deus ao nascer menino supera todos os horizontes terrenos. O homem é elevado à condição divina. Deus é um da nossa família humana e nós pertencemos à sua raça. Este mistério manifesta a grandeza do homem e a valorização plena do nosso corpo. Apesar disso nós consideramos Deus como um intruso na nossa vida. Achamos que ele é um desmancha-prazeres, como um inimigo do nosso corpo. Achamos que Ele veio para nos despojar do nosso corpo.
Materialmente nós valemos um pouco mais de um euro. Jesus Cristo veio repor-nos a grandeza ao assumir um corpo como o nosso.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Natal (4)

O MELHOR PRESENTE


Neste Natal, como o momento é de austeridade, tive de cortar no orçamento, poupar no luxo, reduzir as expressões, juntar as visitas. À medida que limitava os gastos, os compromissos e as atenções, vi-me concentrado no essencial do Natal. Para quê tanto folclore se o Natal é tão simples? Natal é apenas isto, e é tão grande: “é o Filho de Deus que Se fez homem para fazer dos homens filhos de Deus.”
Tenho de agradecer à crise económica a oportunidade que me deu de me centrar na especificidade do Natal.
Nesta quadra natalícia, não quero nem posso dar e receber ofertas vazias de sentido, fazer celebrações banais, receber inutilidades – troca de prendas, postais, mensagens de telemóvel, brindes… Nada disto.
Quero apenas estar com os meus amigos e que Cristo seja um deles.
Para todos eles, partilho um episódio que me contaram e que me estimula a viver de maneira diferente o meu Natal:

“Uma senhora ia todos os Domingos à Missa. À porta da igreja, um homem pedia esmola. A senhora passava, o pedinte estendia a mão e uma moeda sempre lá ficava. Fosse Verão ou Inverno, Natal ou Páscoa, a esmola era entregue como ritual de entrada no lugar sagrado.
Um dia, porém, sem saber como, a senhora à porta da igreja reparou que se tinha esquecido da carteira em casa. E agora? O seu pobre lá estava de mão estendida e ela, pela primeira vez, não podia exercer a sua caridade. Toda envergonhada disse:
- Peço-te desculpa. Hoje não te posso dar nada. Esqueci-me do dinheiro em casa!
O mendigo sorriu feliz e respondeu com toda a sinceridade:
- Muito obrigado! Hoje a senhora deu-me muito mais do que todos os outros dias. Hoje dignou-se falar comigo pela primeira vez. Obrigado!”

O Verbo encarnou e habitou entre nós. É este Menino Deus que veio falar connosco que quero celebrar neste Natal.
Dispensarei as ofertas, a dar ou a receber, para estar mais disponível para falar com Ele e estar os outros.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Natal (3)


LAPINHA OU ESCADINHA MADEIRENSE

1. A escadinha
É formado por três ou mais degraus, de aspecto piramidal, tendo no topo o menino Jesus de pé para quem tudo converge.
O Deus Menino desce pelos caminhos dos homens para os elevar até aos Céus. A nossa vida é assim uma escalada que representa esforço e ascese.
É o altar do presépio no qual Deus se nos oferece.
Por fim é a analogia com o Monte Calvário – O Cristo que nasce veio salvar-nos pela sua Cruz e Ressurreição.

2. Searinhas
Criam um ambiente natural, como campo fértil. Cristo como novo Adão passeia por esta terra, novo Éden. É sinal de esperança e de reconciliação.
Representa também o trabalho do homem e a harmonia da natureza.
Por fim é a referência ao mistério da Eucaristia. Desse trigo das searas a crescer, Cristo se servirá, na Última Ceia, como sacramento do seu corpo.

3. A fruta
Espalhada pela escadinha encontra-se a melhor fruta. São oferecidos a Deus os melhores frutos da terra. Dão cor e sabor à nossa vida.
Aos pés do Menino Deus é reposto o fruto que outrora foi roubado da Árvore da Vida pelos nossos primeiros pais.

4. Arco florido
É uma espécie de baldaquino ou cúpula natural de alegra-campo e flores.
Representa a abóbada celeste expressando a antífona: abram-se os céus, germine a terra e chova o Salvador.
O colorido das flores do arco e dos ramalhetes sugere o arco-iris da Nova Aliança que o Messias veio instaurar.
Este céu é de esperança e de alegria realçado pelo alegra-campo.

5. Pastores
Na lapinha madeirense figuram não são os pastores de há dois mil anos, mas também gente tradicional da Madeira. É uma expressão anacrónica com bandas de música, matança do porco, procissões, romarias, igrejas, cenas do quotidiano da nossa terra.
Lembra que Cristo veio não só para o mundo de então, mas também ao mundo do nosso tempo, aqui e agora.
É a valorização do presente e a actualização da redenção.
Os homens precisam de Deus e este precisa dos homens de hoje e de sempre.

6. A lamparina
Permanece acesa durante toda a quadra natalícia.
É o sinal da presença de Alguém. Cristo é a verdadeira luz que veio a este mundo. Na sua presença ninguém vive nas trevas.

7. O Menino de pé
É um vencedor no pódio para onde tudo converge.
Não está a dormir, mas quer caminhar connosco.
Aponta para o alto donde veio e para onde nos quer levar.
Assume a nossa condição humana, como ‘homo erectus’.
Lembra também a sua Ressurreição como Cristo glorioso.
Finalmente, está de braço levantado como que a pedir a palavra.
Deixemo-lo então falar…

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

... Deus, esse desconhecido

Ano B - IV Domingo Advento

Certo dia, uma menina de seis anos veio contar-me, toda satisfeita:
- Senhor Padre, eu ontem fui à catequese.
- Muito bem, Marilisa. E com certeza aprendeste muitas coisas. Diz-me, por exemplo, o que é que já sabes.
- Eu aprendi que o Pai do Menino Jesus não é São José...
- Óptimo! És capaz de dizer então quem é o Pai de Jesus?
A Marilisa põe-se a pensar, esforça-se e desiste:
- É um Senhor que já não me lembra o nome...É verdade, Deus é um Senhor que não conhecemos bem.
Tal como nos diz São Paulo neste IV Domingo do Advento, é "um mistério encoberto desde os tempos eternos mas agora manifestado e dado a conhecer a todos os povos".
Somos limitados para compreender o mistério de Deus mas Ele conhece-nos bem, tal como conhecia a Virgem Maria e os desejos do rei David.
O Natal vem ensinar-nos algo sobre Deus: Ele é Pai. É ao mesmo tempo um Irmão, que nasceu com um rosto humano para nos lembrar que O podemos encontrar no nosso semelhante.
Obrigado, Marilisa, por me teres lembrado que se sabemos pouco de Deus, Ele Se nos revela como Alguém próximo, a caminhar connosco. Ele entrou na nossa história para nos ajudar a conhecer melhor, a Ele e a nós mesmos.

O Caminho do amor

Ano B - II Domingo Advento

Um pai contou-me, emocionado, uma lição que recebera da sua filha mais nova.
Durante a missa do passado fim-de-semana, o Padre falou da preparação que era preciso fazer para o Natal. A miúda, desde a Igreja até casa, não parou de pedir coisas ao Pai, que comprasse isto, aquilo e mais outra coisa e tal. Por fim o pai perdeu a paciência (e só se perde aquilo que se tem):
- Compra-me isto! Compra-me aquilo! - explodiu - E tu? Já pensaste o que é que vais dar aos teus pais? Só falas em ti. E nós? O que tens para nos dar?
A resposta da filha deixou-o sem palavras:
- Só tenho amor. Disse simplesmente.
O amor é o lugar de encontro onde se cruzam os caminhos de Deus e o dos homens. Preparar os caminhos do Senhor é afinal apurar o coração, afinar o amor, partilhar aquilo que afinal todos têm. O amor deve ser a única coisa que quanto mais se dá mais se terá. Deus amou de tal maneira o mundo que lhe enviou o Seu Filho. Foi o amor que nos trouxe o Salvador. Só o mesmo Amor que nos levará até Ele. É preciso amar a Deus servindo os irmãos e ao mesmo tempo amar os irmãos servindo a Deus.

Natal (2)

NATAL É DOM

Aproxima-se o tempo de Natal. A azáfama é grande nas ruas, lojas, casas e por toda a parte. Preparam-se iguarias, enfeites, presépios e ... muitos presentes. Todos se preocupam para que não falte uma prenda a ninguém nesta quadra natalícia.
Numa loja de brinquedos, entre tantas compras e vendas, um jovem casal mostra-se enervado por entre os brinquedos de várias cores alinhados nas estantes, pendentes do tecto ou em desordem sobre o balcão. Pegam em bonecas que choram e riem, jogos electrónicos, cozinhas em miniatura. Não conseguem escolher um brinquedo ou porque a oferta é diversificada demais ou porque o grau de exigência não corresponde ao exposto.
Aproxima-se então uma funcionária muito simpática com a habitual pergunta:
- Posso ajudá-los em alguma coisa?
- Olhe - explica a mulher - nós temos uma menina muito pequena, mas estamos quase todo o dia fora de casa e, por vezes, até de noite.
- É uma menina de poucos sorrisos pois não se contenta facilmente - explica o marido.
- Nós queremos comprar um brinquedo que a torne feliz – acrescentou a mulher – Não nos interessa o preço ... desde que seja algo com que a nossa filhinha se entretenha, que lhe dê alegria mesmo quando esteja só...
A funcionária olha-os com uma expressão desolada, mas com gentileza avisa:
- Lamento muito não poder ajudar, mas aqui não vendemos pais.
Muitas vezes nós refugiamo-nos por detrás de prendas, procuramos compensar défices de atenção ou de carinho através de presentes ou gestos vazios de significado.
No meio de tanta partilha, saibamos colocar ao dispor dos outros aquilo de que eles mais precisam. Mais do que dispor de coisas, saibamos dispor-nos a nós mesmos e o resto virá por acréscimo. E quanto mais nos dermos em atenção, tempo e companhia, menos necessidade teremos de nos fazer representar por brinquedos ou outros objectos e menos falta irão fazer.
Jesus Cristo veio até nós não para nos trazer coisas, iguarias ou entretenimentos, mas para estar connosco. A seu exemplo que a nossa melhor prenda, neste Natal, seja DISPONIBILIDADE.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Natal (1)


O sonho do jovem cavaleiro

Como prenda de Natal ofereço a reprodução de uma pintura com o comentário do Pe. Dehon (A Crónica do Sudeste, nº 3, Março 1903):
A National Gallery de Londres tem um pequeno quadro de Rafael, do qual todos os jovens deveriam ter uma reprodução.
Aos 16 anos Rafael traçou um projecto de vida, mas como era pintor, tudo fazia pintando. Rezava, meditava, sempre com o pincel na mão, isto é, as suas orações ou reflexões eram pinturas e as suas pinturas eram orações e reflexões.
Escreveu com o seu pincel a reflexão que qualquer jovem faz e que hoje a National Gallery nos mostra: O sonho do jovem cavaleiro.
Um loureiro esguio divide a cena em duas partes. A paisagem é variada, límpida e profunda. Debaixo da árvore, um jovem e belo cavaleiro, armado dos pés à cabeça, bem recostado e com a cabeça apoiada sobre o seu escudo, entrega-se ao sono.
Uma jovem mulher está de pé à sua direita e uma outra à sua esquerda, uma simboliza a virtude e a outra a voluptuosidade. Esta é muito sedutora: tem um rico e gracioso vestido, oferece flores, os seus traços exprimem uma doce despreocupação. Do seu lado a paisagem está em harmonia com este aspecto: um vale fértil e florido, com aliciantes zonas de água e frescas sombras. É o caminho da vida fácil e agradável.
À direita do cavaleiro, a Virtude tem um vestido simples e austero. Apresenta uma espada e um livro, símbolos da luta, do trabalho e da oração. A paisagem deste lado é mais austera, um caminho tortuoso numa montanha escarpada, coroada por um castelo e uma igreja.
Rafael representou assim o cavaleiro que queria ser. Vemo-lo escolher o caminho da virtude e do trabalho, recusar as flores inebriantes da voluptuosidade e agarrar o livro e a espada, símbolos do estudo e da luta.
Jovens cavaleiros, tal deve ser o vosso sonho. Tal deve ser o vosso projecto de vida. O livro e a espada devem caracterizar a vossa vida. O livro é a oração, a leitura, o estudo pessoal. A espada é a luta, a conquista, a acção social.
O livro e a espada, tais são, caros jovens, as armas do vosso brasão.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Criancices (32)

De manhã ao entrar na Sala de Professores, alguém reparou que eu tinha ainda os olhos ensonados. Desculpei-me:
- Levantei-me cedo por causa da missa do parto…
Uma professora, que morava junto à Igreja do Monte, lamentou-se:
- Por causa dessa missa acordei hoje com um corno…
- Ai sim?! Com quem dormiu, Senhora Professora
É que na Madeira, acorda-se o pessoal para a missa do parto com o som de cornos, búzios, campainhas etc…

Vida de Capelão (32)

- Um padre a fumar? Você não devia ter nenhum vício.
- E não tenho! Estou apenas a queimar incenso.
- Ó Capelão, você sabe que isso faz mal à saúde.
- Sim, sim. Morrer por morrer morro satisfeito.

Passados alguns anos, considero-me hoje um FUMADOR NÃO PRATICANTE.

Dizem? Esquecem!

6ª Feira - II Semana Advento

No Evangelho de hoje: "João não comia nem bebia e diziam que era do maligno... Eu como e bebo e dizem que sou glutão..."
O povo tem sempre algo a dizer... Deixai-o.
Presos por ter cão e presos por não ter... Continuemos fieis a nós mesmos.
Não somos mais quando nos lisonjeiam nem somos menos quando nos vituperam...

O poeta Fernando Pessoa escreveu:

Dizem?
Esquecem!
Não dizem?
Dissessem!

Fazem?
Fatal!
Não Fazem?
Igual!

...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Vinde a Mim

4ª Feira - II Semana Advento

A Palavra de ordem deste tempo é MARANATHÁ, VEM SENHOR JESUS.
Jesus no trecho do Evangelho de hoje vem lembrar-nos que o movimento deve ser mútuo: VINDE A MIM...
Jesus virá até nós se nós formos até Ele.
Vem Senhor Jesus, dizemos nós.
Vinde a mim, diz-nos o Senhor.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Pregar no Deserto

Ano B - III Domingo Advento

- Senhor Padre, porque é que João Baptista pregava no deserto?
- Porque era lá que ele vivia - respondi - Para além disso o deserto sempre foi um lugar de encontro consigo mesmo e com Deus. Mas porque é que me perguntas isso?
- É que eu pensava que ele pregava no deserto porque ninguém o ouvia...
De facto, parece que João pregou para o deserto pois, passados 2000 anos, a mesma voz se faz ouvir sem surtir ainda o efeito desejado. E mesmo acordado sonhei.
No meu sonho apresentei-me diante de João Baptista para lhe dizer:
- Repara que ninguém te ouve. Tu não consegues mudar as pessoas. Todos os anos a mesma pregação... Muda o teu discurso...
- Não. Se eu não sou capaz de mudar as pessoas, não serão elas a mudar-me. Endireitai o caminho do Senhor - gritou ainda mais forte.
Ao acordar ainda me soavam essas mesmas palavras. Que fazer para endireitar esse caminho para que esta pregação não ficasse por terra? Lembrai-me então das sandálias de que João falava. Pois é. Em vez de retirar todas as pedras do longo caminho o melhor é calçar uns fortes sapatos para não sentir a aspereza do chão. Pareceu-me então ouvir a mesma voz a dizer: mãos à obra, ou melhor, pés a andar.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sobre a Rocha

5ª Feira - I Semana Advento

Casa construída sobre a areia ou sobre a rocha:

1.Todos somos trabalhadores de construção civil – todos estamos a construir uma casa. Ou construímos sobre a Areia ou sobre a Rocha:
O trabalho é diferente num ou noutro caso:
Cauteloso – R
Imprudente – R
Fácil – A
Inseguro – A
Sensato – R
Precipitado – A
Difícil – R
Seguro –R
Se construímos sobre a Areia o nosso trabalho será mais fácil, mas imprudente, inseguro e precipitado. Por outro lado se construirmos sobre a Rocha o nosso trabalho será mais difícil, mas mais sensato, seguro e cauteloso e sobretudo com mais futuro.
2. Uma situação comum ou constante: Tanto uma casa como outra têm de enfrentar as mesmas tempestades. Pelo facto de ser uma boa construção, não está isenta de enfrentar ventanias e torrentes… O problema não são as tempestades mas a capacidade de resistir com segurança.
3. Nós recebemos Jesus Cristo na nossa morada através da eucaristia, da palavra de Deus e do bem que fazemos. Que tipo de habitação lhe oferecemos a Deus: uma casa segura ou uma morada sobre a areia?

sábado, 29 de novembro de 2008

Saber Esperar

Ano B - I Domingo Advento

Contaram-me, há tempos, um episódio que pode ilustrar este tempo de Advento, de espera ou de preparação.
Numa aldeia indígena, algures em África, um missionário pediu à população local que o ajudasse a transportar um carregamento de material até ao cimo da montanha. Com o fardo às costas, partiram todos cheios de entusiasmo. A meia encosta o pessoal parou, pousou o material no chão e sentou-se. O missionário esforçou-se para os pôr outra vez em marcha mas foi em vão:
- Porque parastes? Estais cansados?
- Não.
- Quereis comer ou beber?
- Não.
- Quereis uma gratificação maior? A carga é muito pesada? Quereis voltar para trás? Então o que é que se passa?
Após um silêncio geral, um dos indígenas explicou:
- É que nós viemos depressa demais. A nossa alma ficou para trás. Ficaremos à espera que ela chegue.
Às vezes parece que somos um corpo sem alma. Sentimo-nos vazios ou a dormir. É preciso aguardar que o espírito nos encha, que a alma nos desperte para continuarmos a caminhar. Eis que Cristo está à porta e bate. Estaremos cheios por dentro?Vivemos numa azáfama contínua. É preciso parar e zelar pela nossa interioridade. Afinal Cristo é a alma da nossa vida, só Ele nos pode encher por dentro.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Vida de Capelão (31)

Durante as férias fui visitar um confrade que fez questão em dar-me uns conselhos morais:
- Sabes, o meio militar é bastante liberal, há muita imoralidade nas conversas e não só… Cuidado, é um perigo para a castidade!
- Não se preocupe – sosseguei-o – olhe que em nenhum convento há tanta continência como na tropa.

Criancices( 31)

- Senhor padre, venho acusar-me de ter estragado uma bola de futebol.
- Na próxima vez que jogares deves ter mais cuidado…
- Está bem, mas o senhor padre sabia que essa bola já tinha anos?
- Como assim?
- Sim, essa bola já tinha anos.
- Então se a bola tinha ânus, mostra-me então onde é que está o ânus da bola.
E não é que o aluno aponta para um grande buraco da velha bola? … E eu pensava que o malicioso era eu.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sorrir para Deus

Ano A - Cristo Rei

Uma vez apresentou-se no Céu um homem tão simples, tão humilde que até os santos se espantaram:
- Como é pequena a sua alma! Não tem as vestes brancas das Virgens, nem a coroa dos Mártires, não tem a estola dos Pastores nem a divisa das Ordens Religiosas. Que terá feito de especial para estar aqui?
O homem, já preocupado com isso, ainda tremeu mais ao ouvir as perguntas que Deus fazia a quem se aproximava:
- Partilhaste os teus bens com os pobres? Ensinaste a minha Palavra? Viveste os Mandamentos?
Quando chegasse a sua vez que iria responder? Nada partilhara porque nada de seu tivera. Não ensinou nem viveu os mandamentos porque nunca os aprendeu. Qual seria o seu lugar ali?
Chegado ao trono, Deus abriu o livro da vida, olhou para o homem e disse:
- Aqui está escrito apenas uma coisa: tu sorriste ao teu semelhante. E isto basta para teres o primeiro lugar no céu. Entra na alegria do teu Senhor.
Mais do que isto não quer de nós o Senhor. Não quer obras extraordinárias, não quer grandes jejuns ou longas penitências, não quer milagres, não. Quer a vida simples, com as suas cruzes diárias, com um sorriso nos lábios e a alegria no coração; quer-nos felizes fazendo felizes os outros.

domingo, 16 de novembro de 2008

Semana dos Seminários

1º
Nós precisamos do Seminário e o Seminário precisa de nós.
Nós precisamos que o seminário forme padres e os mande para as nossas paróquias.
Mas o Seminário também precisa que as paróquias lhes enviem vocacionados pois só assim haverá padres novos.

2º
Paróquia que não dá seminaristas, não merece o padre que tem.
É dando que se recebe, ou é dando que merecemos receber…
Se não sabemos dar gente para o seminário como é que podemos esperar ter um padre na nossa comunidade?

3º
Alguém ao visitar um seminário quase vazio perguntava-me:
- Afinal onde estão os padres do futuro? Será que não existem? Onde estão eles?
- Os padres do amanhã não estão nos seminários, mas estão ainda na tua casa, na casa do teu vizinho etc. Estão aí os padres do futuro.
É preciso criar condições para que a semente vocacional se desenvolva no primeiro seminário que é a família e depois possa ser transplantado para o seminário propriamente dito.

4º
Se no mundo há fome de Deus não é por falta de pão, mas por falta de mãos para abençoar e distribuir esse pão.

Se há crise de vocações, não é porque Deus já não chama como outrora. Também não é porque os chamados não ouvem a sua voz. É simplesmente porque essa semente não encontra ambiente favorável para germinar, crescer e dar fruto. Deus continua a dar sementes, as sementes continuam a ser de boa qualidade, mas o terreno é que podia ser melhor.
É preciso criar ambiente favorável, é preciso saber cultivar…

Se a falta de vocações é um problema de todos, a solução dependerá também de todos.

O Coração da Diocese

SEMINÁRIO

Ocorrem-me ao pensamento duas pequenas situações, a propósito da Semana do Seminário.
A primeira é o que se passava comigo, sempre que regressava a casa, vindo do seminário. Um vizinho perguntava-me, todas as vezes, se eu já sabia dizer missa. Eu ficava com vontade de repetir a palavra missa, sem mais, bem pronunciado, para mostrar que há muito que aprendera essa palavra. Mas, sorrindo, respondia apenas que ser Padre era bem mais do que aprender a missa.
A última situação é uma lição por conta própria. Numa conversa de amigos, um aluno dizia-me que o seu irmão proclamava, alto e bom som, de que não precisava de padres para nada. Alguns ouvintes responderam logo que se ele não precisava, havia quem precisasse. Eu limitei-me a perguntar se ele namorava. Meio surpreendido, esse aluno respondeu:
- Sim, mas porquê ?
- É que mais cedo ou mais tarde o teu irmão estará na igreja à procura de um padre para assistir ao seu casamento, depois ao baptismo dos filhos...
Não demorou muito a concretizar-se aquilo que profetizei.
Destas situações posso concluir que a primeira resposta sobre o seminário é simples, evasiva, que ficou aquém daquilo que realmente é ou deve ser um seminário. É um viveiro de vocações sacerdotais, lugar de discernimento vocacional. Já alguém definiu o seminário como o Coração de uma Diocese, com toda a sua simbologia. Lá aprende-se, não a dizer missa, mas aprende-se tudo com o coração. Lá sente-se o vibrar de uma diocese. De lá revitaliza-se as comunidades.
Quanto ao último episódio concluo apenas: Todos nós precisamos do seminário. Mas não devemos esquecer que também o seminário precisa de nós. Eu necessito do seminário porque necessito de animadores das comunidades eclesiais. Ele precisa de mim, da minha promoção vocacional, da minha ajuda material, do meu apoio moral, da minha oração, da valorização do serviço sacerdotal.

Vida de Capelão (30)

- Ó Capelão, este texto tem muitos erros de máquina. Em vez de um Cabo Auxiliar você devia ter uma boa dactilógrafa.
- Eu não me importava, mas quanto melhor fosse a dactilógrafa mais erros eu faria…

Criancices (30)

Um miúdo chegou tarde ao lanche e encontrou a janela fechada. Eu ia a passar e ele perguntou-me:
- Senhor Padre, posso entrar na cozinha para pedir leite?
- Sim, mas pergunta primeiro se a funcionária está muito ocupada.
Quando eu passava junto da janela ouvi o miúdo:
- A Menina N... está muito ocupada?
- O que é que me queres?
- A Menina tem leite?
- Tenho mas não é para ti. Desaparece senão eu chamo o Senhor Padre!
Corri para não ter que responder.

sábado, 15 de novembro de 2008

Vida de Capelão (29)

Acompanhava eu uma visita de estudo de uma Escola Secundária pela Base Militar. Alguém ao contemplar tão esbelta companhia grita-me:
- Ó Capelão, quer ajuda?
- Sim, sim. Vem tu ajudar-me. Este rebanho já tem pastor. Só lhe falta um cão de guarda.

Criancices (29)

- O senhor padre por acaso não me arranja uma peça de fruta em vez de geleia?
- Olhe, só se for uns manguitos...
O aluno fica vermelho e volta para a sua mesa todo envergonhado e eu sem culpa nenhuma dos mangos não terem crescido mais.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Agradecer

4ª feira - XXXII Tempo Comum

"SÓ VOLTOU UM PARA AGRADECER..."


1º
Tudo o que temos é dom de Deus.
Tudo o que somos é dádiva da vida.
Tudo o que usamos é oferta da natureza.
Tudo nos foi oferecido.

2º
Tudo devemos agradecer
porque tudo recebemos.
Quem não agradece
não sabe receber.

3º
Quem não é capaz de dar
nem que seja um simples agradecimento
não merece nada daquilo que tem.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Amar o que se faz

Ano A - XXXIII Domingo Comum


Numa reflexão sobre a Parábola dos Talentos, pedi que me identificassem as suas personagens indicando o que cada uma tinha e com que ficou, fazendo as contas aritméticas. Eis uma resposta:
5 x 2 = 10 + 1 = 11
2 x 2 = 4
1 x 0 = 0
Perguntei então qual o valor do coeficiente ou multiplicando.
- É a quantidade do amor – respondeu um miúdo – Duas pessoas tinham amor de grau dois, a outra não tinha amor e por isso ficou sem nada. Sem amor nada se consegue.
De facto há duas maneiras de fazer as coisas: por obrigação, e então são cansativas, aborrecidas e maçadoras e por amor, e então são suaves, alegres e fecundantes. Um estudante que trabalha naquilo que tem vocação torna-se criativo e produtivo. Um profissional que tem o seu trabalho no coração realiza-se e cria um mundo novo. Fazer as coisas com temor e por obrigação, por muito que alguém se esforce, será sempre um peso doloroso e estéril. O importante é amar o que se faz quando não se pode fazer o que se ama. Só assim desaparece o esforço e surge a alegria. Pelo contrário, quando algo nos custa demasiado não é por ser difícil, o que nos falta é essa força interior que é o amor. Tarefa que não redunda em prazer é porque é feita por obrigação.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Semente de Mostarda


2ª Feira - XXXII Tempo Comum

"Se tivésseis fé do tamanho de uma semente de mostarda ... nada seria impossível."

Não importa ter uma grande fé, ou uma fé pequena, ou então uma fé mediana... o que importa é TER FÉ, porque a fé não se mede pelotamanho, ou pela grandeza, nem pela quantidade...

Uma semente não pode ser medida pela sua dimensão... o que interessa é que seja uma semente de boa qualidade e isso basta para poder germinar e suscitar o milagre da vida.
Tanto faz uma semente pequena ou grande, pois tanto uma como outra podem germinar.

Basta a uma semente ser semente.
Assim também a fé. Basta ter fé...

Morada de Deus

9 de Novembro - Dedicação da Basílica de Latrão

Celebrando esta Festa, ao contemplar um edifício físico, recordo qual a morada preferida de Deus - o coração de cada pessoa.

Uma senhora veio ter comigo no final da missa, no Funchal:
- O Senhor Padre mora no Coração de Jesus?
Sem perceber bem o sentido da pergunta, mostrei-me surpreendido:
- Sou Padre do Coração de Jesus, sim. Em que a posso ajudar?
- Perguntei se morava no Coração de Jesus, no Colégio Missionário.
- Ah, sim… - e fiquei a pensar que de facto nunca me tinha apercebido que morava no Coração de Jesus. É que até então pensava que era o Coração de Jesus que morava em mim e afinal eu é que moro nele…

Muitas vezes procuro preparar-me para entrar no Santuário para louvar o Senhor e esqueço-me de que é Ele quem quer entrar no meu santuário.
E outras vezes quero que Deus esteja comigo e esqueço-me de que Ele quer também que eu esteja n'Ele.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Renunciar

4ª Feira - XXXI Tempo Comum


Diz a sabedoria popular que para se dar é preciso primeiro encher-se.

A Sabedoria divina diz que para se encher é preciso esvaziar-se:

“Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo” diz Jesus no Evangelho de hoje.

Para dizer SIM a Deus é preciso dizer NÃO a muita coisa.

Para ENCHER-SE de Deus é preciso ESVAZIAR-SE de muitas coisas.

Porque dois proveitos não cabem na mesma alma.

E ninguém pode servir a dois senhores…

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Uma só Alma e um só Coração

2ª Feira - XXXI Tempo Comum

Filipenses 2, 1-4

Ter os mesmos sentimentos em Cristo
– É ter uma só alma e um só coração

Sentir a mesma caridade em Cristo
– É ter uma só alma e um só coração

Não fazer nada por rivalidade
– É ter uma só alma e um só coração

Olhar só pelos interesses dos outros
– É ter uma só alma e um só coração

Viver na humildade e simplicidade
– É ter uma só alma e um só coração

Na escuta da palavra proclamamos
– Uma só alma e um só coração

Em cada Eucaristia celebramos
– Uma só alma e um só coração

Unidos na oração nós confessamos
– Uma só alma e um só coração

Na vida em união testemunhamos
– Uma só alma e um só coração

Na partilha da vida anunciamos
– Uma só alma e um só coração

Socorrendo os irmãos realizamos
– Uma só alma e um só coração


Ser Responsável

Ano A - XXXII Domingo Comum
- Hoje, senhor padre, não posso concordar com o Evangelho que foi lido na Igreja. Então aquelas Virgens não quiseram partilhar do seu azeite com as colegas e foram elogiadas? Isso não pode ser pois é um convite ao egoísmo.
- Ainda bem que estavas atento à leitura e não dormiste como aquelas personagens – respondi timidamente. Como és responsável por aquilo que pensas não vás a reboque de ninguém. É isso mesmo que se passa nesta parábola. Ninguém partilhou porque cada uma devia responder pela sua vida. É uma experiência pessoal que não pode ser responsabilizada aos demais.
Não sei se o meu amigo ficou mais esclarecido. Ao voltar para casa fui pensando que afinal é preciso vigiar, estar atento porque na hora em que menos esperamos vem uma lição e de quem não contamos vem uma chamada de atenção. E fui preparando o sermão que devia ter feito:
Estes dois grupos de pessoas representam cada um de nós. Estamos divididos: às vezes preparados, outras vezes pensado em tudo menos naquilo que de facto tem importância. Dentro de nós coexiste o bem e o mal. Ninguém nos poderá emprestar uma parte da sua vida. Devemos ser responsáveis.
O homem prudente é como um alfinete: É a sabedoria, isto é, a sua cabeça que lhe dá a força para ir até onde deve e o impede de ir além de mais.

Ser Grande

Ano A - XXXI Domingo Comum
Num acampamento de amigos era necessário escolher alguém para a chefia do grupo. Seria o representante de todos, o coordenador das actividades, o responsável pela ordem etc. Fizeram uma votação. Quando o resultado foi anunciado, o mais votado começou por dizer:
- Eu não sou digno dessa escolha. Há outros que tem mais capacidades do que eu. Não sei se serei capaz de ser o chefe que esperais...
Então um colega sugeriu que se escolhesse outro para o seu lugar.
- Caramba – disse o primeiro – já não se pode fazer um acto de humildade?
E não abdicou do seu novo cargo.
Também nós gostamos de ser importantes.
Jesus Cristo lembra-nos que quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado. Ser bom é importante mas o importante é ser bom.
O homem grande é silenciosamente bom. É poderoso, mas sem exibir poder. Adora o que é sagrado, mas sem fanatismo. Carrega fardos pesados, com leveza e sem gemidos. Domina, mas sem insolência. É humilde, mas sem servilismo. Fala a grandes distâncias, mas sem gritar. Ama, sem se oferecer. Faz bem a todos, sem o fazer notar. Renuncia, sem fazer disso um culto. Abre novos caminhos, sem esmagar ninguém. Entra no coração do homem, sem arrombar a porta.

domingo, 2 de novembro de 2008

Vida de Capelão (28)

A RTP estava a passar um filme ousado e eu sozinho na sala de Televisão. Nisto chega alguém e opina:
- Ó Capelão, você devia estar junto de Deus a rezar por esses pecadores.
- Olha, eu prefiro estar aqui a ver isto com o pensamento em Deus, do que lá na Capela a rezar, mas com o pensamento nisto.

Criancices (28)

Fui a uma Secretaria Regional perguntar se havia alguma resposta a um pedido formulado. A recepcionista, querendo fazer-se engraçada diante das colegas, respondeu:
- Ó Senhor Padre, por enquanto não há nada. Vá para casa rezar à Virgem...
- Sim, sim - respondo eu - já que aqui não há nenhuma...

sábado, 1 de novembro de 2008

Viagem Sem Retorno

A vida não passa de uma viagem de comboio, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis ou tristezas surpreendentes.
Quando nascemos, entramos nesse comboio e deparamo-nos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem connosco, como por exemplo os nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade. Nalguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos do seu carinho e da companhia insubstituível... mas isso não impede que, durante a viagem, outras pessoas importantes para nós entrem nessa carruagem. Chegam os nossos irmãos, novos familiares, outros amigos. Uns, mal entram, logo descem. Outros parecem eternos passageiros.
Muitas pessoas tomam esse comboio apenas como turistas ou na desportiva. Outras levam a viagem muito a sério que nem desfrutam da companhia dos outros ou da beleza da paisagem. Outras pessoas circulam pelas cabines, prontas a ajudar a quem precisa. Muitas descem e deixam saudades eternas, outras passam pelo comboio de uma forma que ninguém sequer se apercebe. Alguns passageiros, que nos são caros, acomodam-se noutros vagões diferentes dos nossos e por isso somos obrigados a fazer a viagem afastados deles. De vez em quando vamos ao seu encontro na carruagem seguinte.
É assim a nossa viagem, cheia de atropelos, sonhos, encontros e despedidas. Retornos é que nunca os há.
É possível fazer dessa viagem uma experiência aliciante, tentando relacionar-nos com todos os companheiros, partilhando com eles sonhos e realizações. O grande mistério, afinal, é que nunca sabemos em qual estação vamos descer, muito menos os nossos companheiros, nem quem está sentado ao nosso lado.
Eu fico a pensar nas saudades que sentirei quando chegar a minha vez de descer. Acredito que sim, tal como sinto saudades de todos os que já se apearam.
Até esse dia procurarei criar um ambiente agradável na carruagem onde viajo com os meus amigos. Seguirei viagem com a esperança de chegar à minha estação com as bagagens bem recheadas de tudo aquilo que me fará feliz no além. Quando chegar a hora de desembarcar, o meu lugar ficará vazio, mas as boas recordações e o bem que eu tiver feito, continuarão com aqueles que prosseguirem viagem.