domingo, 19 de novembro de 2023

Talentos dum saco de trigo


Ano A – XXXII domingo comum

 

Peço licença a Jesus para adaptar a parábola dos talentos a uma nova nomenclatura.

Em vez de falar de talentos ou de dinheiro, vou falar de trigo.

 

Um certo senhor antes de fazer uma viagem de longa duração chamou três amigos e a cada um entregou um saco de trigo para que zelassem por esse património e partiu.

- O primeiro amigo pegou no saco de trigo e foi semeá-lo. Depois de 120 dias, colheu 34 vez mais do que tinha semeado. De facto, cada grão de trigo produz uma espiga que contém, em média, 34 novos grãos. Assim, se semeasse apenas 100 sementes, colheria, por exemplo 3.400 novos grãos de trigo e por aí fora. No regresso do seu senhor pôde apresentar-lhe 34 vezes mais do que tinha recebido. E o senhor ficou muito contente pelo milagre da multiplicação do trigo que o seu amigo fizera.

- O segundo amigo levou o saco de trigo para um moinho e transformou-o em farinha. Assim que voltou o seu senhor, amassou essa farinha e fez uma fornada de pão que entregou ao seu dono. E o senhor ficou muito feliz e satisfeito pelo que fizera com o seu saco de trigo. O pão era mesmo saboroso e o seu amigo tinha sido verdadeiramente seu amigo.

 

- O terceiro amigo levou a custo o saco de trigo sem saber vontade de fazer seja o que for. Depositou-o na cave húmida e fechou a porta. Quando o seu senhor regressou e o mandou chamar, voltou a carregar a muito custo o mesmo saco de trigo e entregou-o inteiro ao seu dono. Este, ficou incomodado pelo cheiro a mofo que saia do saco. O seu amigo não tinha feito nada para acrescentar ao que recebera, antes pelo contrário, tinha estragado tudo de modo que já não servia para mais nada. E o senhor ficou muito triste pela preguiça, má vontade e falta de cuidado e a pouca amizade deste seu servo.

 

Conclusão:

O trigo amontoado apodrece, mas espalhado frutifica.

O trigo guardado não cresce nem alimenta, mas moído e amassado cresce e alimenta.

Assim acontece com tudo o que temos ou recebemos na vida:

- Ou multiplicamos com o nosso esforço e trabalho.

- Ou transformamos com as nossas capacidades para nos servir mais e melhor.

É preciso aproveitar as oportunidades que a vida nos dá e fazer alguma coisa.

Se ficarmos parados e preguiçosos cometemos um duplo erro: não progredimos e estregamos aquilo que temos.

 

À margem:

Não sabia que o trigo, o milho e o arroz eram considerados frutos. De facto, a botânica chama-lhes cariopse, fruto típico das gramíneas. Quando alguém me perguntar quais os frutos que eu mais consumo, terei de responder: arroz, trigo ou milho.

 

Ver também:

Câmbio de talentos

Ter ou ser talento

 

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

A grande beleza do outono


5ª feira – XXXII semana comum

O outono não tem comparação.

Tem mais cor, tanta luz, melhor beleza.

 

Perguntaram a Jesus quando viria o reino de Deus.

Ou seja, quando acabaria este mundo.

Jesus respondeu não só dizendo como será como também quando acontecerá.

 

1º - Não será de maneira visível. Sim, porque o essencial é invisível aos olhos, pois só se vê bem com o coração. A chegada do reino de Deus acontecerá no coração.

 

2º - Será um dia luminoso, brilhante, cheio de luz. Em geral pensamos o fim do mundo como um acontecimento cheio de pavor, de ira, de calamidades, de angústias e de castigos. Será sim um dia brilhante como a luz de um relâmpago que ilumina tudo e todos desde o alto. Será um acontecimento de alegria, de festa, de verdade, de revelação. Será uma experiência linda.

 

3º - Quando acontecerá isso? Jesus deu a resposta. Primeiro o Filho do homem tem de sofrer muito e ser rejeitado. Então, o fim do mundo será depois do Filho do homem ter sofrido. Quando deixarmos de fazer sofrer o Filho do homem ou de o rejeitarmos, será o fim deste mundo e a chegada brilhante do reino de Deus.

 

Ver também:

No meio de nós

Cruz e distância

Nas mãos de Deus

Onde está o reino


Fotografia partilhada pelo escultor, professor e amigo Luís Paixão, do seu jardim para este quintal.

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Como agradecer em japonês


4ª feira – XXXII semana comum

Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para lhe agradecer.

 

Quem agradece glorifica a Deus

porque glorificar é agradecer

e agradecer é glorificar.

A gratidão é fácil de elogiar, difícil de praticar.

Certas culturas nem têm palavras para agradecer.

O Japão não o fez até que os exploradores e missionários portugueses desembarcaram lá.

De alguma forma, a gratidão formal começou a ser colocada em palavras e o português “obrigado” se transformou na agora familiar expressão japonesa “arigatou”.

Os japoneses sem dúvida expressaram gratidão anteriormente, pois como seres humanos certamente o sentiram, pelo menos em relação a outros seres humanos. Mas como e por que não há uma maneira direta de dizer isso?

Eles diziam através de gestos ou de ações, tal como o 10º leproso curado.

Conclusão:

A melhor maneira de mostrar a nossa gratidão é através de gestos com as cores da alegria.

 

Ver também:

O dever da gratidão

Ser cambado

 

terça-feira, 14 de novembro de 2023

A alegria do serviço


3ª feira – XXXII semana comum

Quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei:

Somos inúteis servos, fizemos o que devíamos fazer.

A alegria do serviço

Ou o serviço da alegria

Porque o amor é o melhor serviço.

 

Porque é que aos olhos do Senhor, todos somos servos indignos?

1 - Porque Deus escolheu-nos para sermos seus amigos e não seus servos.

(Não vos chamo servos, mas amigos…)

2 - Porque é Deus quem nos quer servir, pois não quer o sirvamos.

(Não vim para ser servido, mas para servir…)

3 - Porque no reino de Deus ninguém é promovido acima de servo nem abaixo de amigo.

Deus quer que o amemos e não que o sirvamos.

(O servo inútil, faz só o que deve fazer… quem ama, faz muito mais).

 

Conclusão:

Amamos porque servimos

Ou servimos porque amamos?

 

Ver também:

Como amar e servir bem

Servos indignos

Ingrato= indigno

Indignos sim, inúteis não

 

domingo, 12 de novembro de 2023

Pescar pessoas com a rede


Ano A – XXXII domingo comum

 

1º - Lâmpadas da fé acesas

Vamos ao encontro de Jesus com a lâmpada da fé acesa, ou seja, com uma fé brilhante.

O azeite dessa lâmpada é a oração, a eucaristia, a escuta da palavra, a caridade e o testemunho. Quando falta algo disto ficamos nas trevas.

A vinda do reino de Deus separará os prudentes dos insensatos.

2º - Não temas, serás pescador de homens, Lc 5, 10b

Onde se aprende a fazer isso?

Se eu quiser aprender a faina da pesca de peixes tenho de ir para uma escola profissional de pesca.

Se eu quiser ser pescador de homens, onde é que posso aprender isso?

No seminário aprende-se a ser pescador de homens à maneira dos apóstolos.

De facto, o seminário é uma escola de pescadores de homens.

Os seminaristas são os aprendizes dessa pesca.

Em que consiste isso?

Ser pescador de homens é levar as pessoas a Cristo ou trazer Deus às pessoas. Todo o cristão é um pescador de pessoas para Deus, mas os padres são os profissionais ou continuadores dessa faina dos apóstolos escolhidos e enviados.

Como se faz isso?

Jesus não quer que a pesca seja à linha, com anzol e cana, mas á rede.

Porque se deve deve pescar à rede?

Como afirma Santo Ambrósio, ‘os instrumentos da pesca apostólica são como as redes: de facto, as redes não fazem morrer quem fica preso nelas, mas conserva-o em vida, arrasta-o dos abismos para a luz.’

Pesca-se pessoas elevando-as das profundezas, aproximando-as da luz da vida.

No final da missa de hoje todas as pessoas levaram um barquinho de papel com a citação de Lc 5,20b – não temas, serás pescador de homens.

Deus chama ou designa, dá o barco e as redes, mas o trabalho deve ser de cada um. Saibamos pescar, ou seja, atrair ou aproximar os irmãos a Cristo.

 

Ver também:

Gotas de azeite

A lâmpada da fé acesa

 

Ver ainda:

O coração da diocese

Semana dos seminaristas

Semana dos seminários

Seminário virou maternidade

Onde estão os seminaristas

Dez sacerdotes

Do seminário ao sacerdócio

Leão Dehon no seminário

 

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Não evocar a Igreja em vão


Festa da Dedicação da Basílica de Latrão

Os templos continuam a ser profanados,
mas as sementes e as raízes mantêm-se vivas.

A – Não evocar o santo nome da Igreja em vão

Em geral temos a tentação de nos queixarmos da igreja porque faz isto e devia fazer aquilo, porque é assim e desvia ser ‘assado’... como se nós estivéssemos fora da igreja. Isto é um perigo.

Talvez, então, devêssemos ter um mandamento relacionado com este: Não evocar o nome da Igreja em vão.

As pessoas estão sempre a dizer coisas em nome da Igreja que são simplesmente falsas, absurdas ou nefastas. Metade das vezes que as pessoas afirmam que “a Igreja está errada”, isso não é verdade.

 

B - Templos que não devem nunca ser profanados

1. A Criação

É o grande templo no qual Deus se manifesta e que deve ser amado e respeitado, o esforço da Igreja é nos fazer entender que devemos amar a Criação.

2. As Igrejas

São os lugares santos onde as assembleias se reúnem que nos recordam Deus, os seus mistérios e não podem ser transformadas em lugares de comercio, de política, de confusão ou de desleixe. De facto, onde dois ou três estiverem reunidos em Seu nome, Deus está no meio deles.

3. O corpo

Nós somos o verdadeiro Templo do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é em nós a habitação preferida de Deus. Nós somos o lugar mais sagrado do mundo.

 

Profano vem do latim PRO+FANO = diante+templo, isto é, algo que não é sagrado (está fora do templo). Profanar é transformar algo sagrado em não sagrado, é ofender o sagrado.

 

C – As igrejas estão mais vazias?

Se é grande o mistério da presença de Deus nas igrejas, porque é que estas estão cada vez mais vazias? Será porque precisam de purificação como o Templo de Jerusalém? Não.

Qual é a loja que está mais cheia de compradores – uma joelharia ou bijutaria?

Claro que a bijuteria porque mais acessível. São poucos os que conseguem pagar uma joia. Nós na igreja vendemos joias e não imitações.

Podem ser poucos, mas bons todos os que estão dentro da igreja.

 

D – Ver também:

O templo de Deus é santo

Nós somos um templo

 


quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Jesus voltou-se e falou


4ª feira – XXXI semana comum

Naquele tempo, 

seguia Jesus uma grande multidão.

Jesus voltou-Se e falou-lhes.

 

Voltou-se porquê?

1 - Porque vai à frente e todos devem seguir atrás dele.

2 - Porque quando fala olha com os olhos nos olhos, de frente, sem subterfúgios. 

3 - Porque Jesus não tem retrovisor.

4 - Porque ninguém deve ficar anónimo no seguimento, pois Jesus quer relacionar-se pessoalmente com cada chamado.

5 - Porque tal como Jesus se voltou, é preciso dar uma volta à nossa vida para continuarmos a ser seus discípulos.

6 - Porque não quer sentir apenas os nossos passos atrás dele, mas sentir toda a nossa vida. De facto, não se pode seguir Jesus só com os pés, mas com o coração, com todo o corpo, com toda a vida.

7 - Porque, afinal, quem seguia quem? Uma multidão seguia Jesus ou Jesus seguia a multidão. As duas realidades, com certeza. Jesus está onde está o povo, está onde dois ou três estão reunidos em seu nome.

 

Ver também:

Renunciar, ter, ser

A forma do amor

Quem manda é o chefe

Renunciar

Versão aritmética

 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Comer do mesmo pão


3ª feira – XXXI semana comum

Os convidados para o banquete

 

1ª reflexão

Assim pregava o Pe. António Vieira, na Baía em 1638:

“Convém saber quem é o rei, quem o filho, quais as bodas, qual o banquete, quem os convidados que vieram, quem os que não quiseram vir, e quem os criados que os foram chamar.

- O rei é o Eterno Pai.

- O Filho é o Verbo, segunda Pessoa da Trindade.

- O Espírito Santo é o amor que os une.

- As bodas são a Encarnação do mesmo Filho que desposou com a natureza humana.

- O banquete é a glória e bem-aventurança do céu que por meio deste mistério se nos franqueou.

- Os convidados que vieram são os que se salvam.

- Os que não quiseram vir os que se condenam.

- Os servos, finalmente, são que os chamaram, são os pregadores ou evangelizadores.”

 

2ª reflexão

- Porque é que precisamos comer?

- Porque Deus nos fez com necessidade de comer. Comemos para nos lembrar que é Deus quem nos sustenta, que nós dependemos de Deus. É por isso que temos fome e precisamos comer… para nos lembrarmos de Deus.

 

3ª reflexão

Jesus ao encarnar veio partilhar o seu pão, no banquete messiânico. Ele é verdadeiramente nosso companheiro. De facto, este termo COMPANHEIRO vem de vem do latim – cum panes – comer o pão com alguém. Jesus fez-se nosso companheiro comendo o pão connosco para que nos sentemos no seu banquete comendo do seu pão.

Ser companheiro é comer do mesmo pão.

 

Ver também:

À mesa com Jesus

 

domingo, 5 de novembro de 2023

Porque somos todos irmãos


Ano A – XXXI domingo comum

- Não deixes que ninguém te trate por mestre.

- Porquê?

- Porque ninguém é mais que ninguém. Não és nem mais nem menos que os demais. De facto é preciso humildade para reconhecer que somos todos iguais. Etimologicamente Rabi (mestre em hebraico tem a ver com Rab, isto é, grande ou mais. Também em latim o trmo mestre vem de magister que tem a ver com magis ou mais. Não deixes que ninguém te trate como mestre porque não és mais que os outros.

 

- Não deixes que te chamem pai.

- Porquê?

- Porque Pai há só um, Deus, e vós sois todos irmãos. De facto pai não é aquele que tem poder sobre alguém, mas aquele que serve. Todos sois filhos, portanto, sois todos irmãos.

 

- Não deixes que ninguém te chame doutor.

- Porquê?

- Porque doutor é só o Messias e vós todos aprendizes. De facto, ninguém é doutor, porque ninguém tem autoridade em nada, pois todos devem obedecer.

 

Conclusão

Estes 3 nomes correspondem a 3 virtudes e equacionam a nossa típlice relação:

Mestre – humildade – na relação com Deus.

Pai – fraternidade – na relação com os irmãos.

Doutor – santidade – na relação connosco mesmos.

 

Ver também:

O maior

Ser grande

O nosso irmão mestre

Agora e sempre irmãos

 

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

O amor é sempre criativo


6ª feira – XXX semana comum

 

A iniciativa e a criatividade do amor

Sem querer fugir à polémica do legalismo da observância do dia de sábado, acho que Jesus nos dá outra lição, não através das suas palavras, mas da sua ação ou exemplo. Aliás o evangelista refere que todos estavam a observá-lo. Ele ensina o que vive e vive o que ensina.

Jesus, num dia de sábado, viu um hidrópico e aproximou-se dele, começou a falar, tomou o homem pela mão, curou-o e mandou-o em paz.

Vejo assim Jesus a tomar a iniciativa, a antecipar-se e a responder antes de alguém lhe questionar.

Jesus é sempre o primeiro, não a atacar, mas a curar.

O primeiro, não a criticar, mas a valorizar.

O primeiro, não a exigir, mas a servir.

De facto, Jesus é sempre o primeiro a tomar a iniciativa.

E não podia ser de outra maneira.

Porquê?

Porque o amor é sempre criativo.

O amor faz as coisas acontecer, antecipa-se, toma sempre a iniciativa.

Às vezes queixamo-nos que a nossa vida no trabalho, na família, na paróquia ou noutra comunidade é sempre a mesma coisa.

É a mesmice e chatice de todos os dias.

Pensando bem, se nós achamos isso é porque falta-nos amor ou gosto pelo que fazemos e somos, ou por onde estamos ou com quem vivemos.

O amor é sempre criativo, arranja sempre novas surpresas, novas descobertas. E não está à espera que os outros façam algo, mas antecipa-se, toma a iniciativa, antecipa-se cria sempre gestos novos.         

Mais do que uma lição de como refutar o legalismo ou de vencer a hidropisia espiritual (a acumulação do ego, ou enfatuamento, orgulho ou vaidade) quero hoje aprender a ter espírito de iniciativa, porque o amor é sempre criativo e sempre novo.

 

Ver também:

Em dia de sábado

Ao sábado não

Ensinava o que fazia

No dia do Senhor

 

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

A Páscoa em novembro


Comemoração de todos os fiéis defuntos

Como crentes podemos afirmar com toda a certeza de que os nossos mortos vivem e que nós os vivos morreremos um dia. 

De facto, os mortos vivem e os vivos morrem.

Nós vivemos para morrer e morremos para viver.

 

1º - Os mortos vivem

É o dia da esperança na ressurreição.

É a nossa Páscoa no Outono ou a festa da Ressurreição no mês de novembro.

Para nós cristãos a morte não é um fim, mas um começo.

Ao recordarmos os nossos falecidos, celebramos a plenitude da vida, a fé na ressurreição, a esperança da vida eterna e o amor de Deus que não tem fim.

A vida não termina com a morte, mas continua para sempre na eternidade.

De facto, Jesus prometeu que quem comesse da sua carne e bebesse do seu sangue, teria a vida eterna.

Deus deu-nos a vida para o procurarmos.

Dá-nos a morte para o encontrarmos.

E dá-nos a eternidade para o possuirmos.

 

2º - Os vivos morrem

Costumamos dizer que ao nascer, a única certeza que termos ao longo da vida é que todos passaremos, pela morte.

Muitas vezes vivemos como se esta certeza não fosse uma verdade.

Nós vivemos para morrer.

Mas a grande tragédia da vida não é a morte física.

É que deixamos morrer o nosso interior enquanto estamos vivos.

Os mortos não são os que estão no cemitério, pois acreditamos que vivem em Deus.

Mortos são os que têm morta a sua alma:

Os que têm finada a sua esperança na vida eterna.

Os que têm apagada a sua fé na ressurreição.

Ou que secaram o amor no seu coração.

De facto, existem muitos vivos que estão mortos sem terem passado pela morte física, porque antes do corpo morrer, a sua alma parece estar morta há muito tempo.

Como poderá Deus vivo receber pessoas mortas no céu?

Deus é um Deus dos vivos, dos que têm viva a sua alma aqui na terra e dos que foram recebidos na sua presença por toda a eternidade.

 

3º - Gratidão

Este é um dia de gratidão e de agradecimento.

Gratidão na memória daqueles que nos precederam, que passaram desta vida para a eternidade.

Memória de tantas pessoas que nos fizeram bem: na família, entre amigos, na comunidade, no trabalho, nos vizinhos.

Eles continuarão a fazer o bem a cada um nós se estivermos unidos a eles em oração.

 

4º - Oração

Este é um dia de juntos, vivos e defuntos, rezarmos pela paz.

Nós pedimos a paz eterna para aqueles que partiram deste mundo.

Eles, junto de Deus, pedem paz para todos nós, ainda peregrinos nesta terra de conflitos e de guerra.

 

5º - Ver também

Fiéis aos nossos defuntos

 

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Da vida à santidade


Solenidade de Todos os Santos

 

Do altar dos santos aos santos do altar.

Neste dia quero partilhar 3 objetos que podem resumir a nossa relação de santidade com Deus, com os outros e connosco mesmos.

 

1º - Um espelho – relação com Deus

Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Somos filhos do Santo, Santo, Santo, criados à sua imagem e semelhança.  É preciso ver-se ao espelho para examinar quais as parecenças que temos com este Pai que é Santo. Nós saímos parecidos com Deus – Tal Pai, tal filho.

 

2º - Uma esponja – relação com os irmãos

Nós temos uma capacidade tremenda de absorver os valores uns dos outros. Saibamos recebemos influência dos bons exemplos dos outros e eles absorvem também os nossos comportamentos edificantes. Somos autênticas esponjas. Mas a esponja é também um objeto de limpeza. Precisamos também de nos purificarmos. De facto, santo não é aquele que nunca se seja, mas aquele que sempre se lava.

 

3º - Um altar – relação a nós próprios

Altar quer dizer lugar elevado, alto. Altar é um espaço que nos eleva, que nos faz subir. Em geral dizemos que os santos devem estar nos altares. De facto, nós somos santos colocados no altar da nossa vida e não no altar do templo ou da igreja. O lugar onde vivemos, o lugar do nosso trabalho ou de divertimento deve ser um altar para nós não só porque nos eleva, mas sobretudo porque é o espaço próprio da nossa santificação.

 

Ver também:

Comemorar os santos

Ou o pintor foi preguiçoso e não teve pachorra para pintar mais caras.

Ou o tempo foi pouco para pintar tanto santo.

Ou os santos são humildes ou envergonhados e não querem aparecer.

Ou só os santos canonizados têm rosto e todos os outros são anónimos.

Ou é preciso aproximar-se de um santo para conseguir identificá-lo.

Ou os santos são todos iguais, quem vê um vê todos.

Sei apenas que os santos foram pessoas como nós.

Nós podemos ser como eles.