quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Procurar ver Jesus

5ª Feira - XXV Semana Comum

"E procurava ver Jesus..."

1. Porque, diz o povo, longe da vista longe do coração.

2. Porque o amor não admite não ver aquilo que ama.

3. Porque queremos ver com os olhos o que adoramos com o coração (e não queremos construir ídolos).

4. Porque somos cópias à procura do nosso ORIGINAL (feitos à imagem e semelhança de Deus).

5. Porque Deus fez-se carne entre nós para ser visto por nós.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Minha mãe e meus irmãos


3ª Feira - XXV Semana Comum

"Sua mãe e seus irmãos vieram ter com Jesus, mas não podiam aproximar-se por causa da multidão".

Quem quer aproximar-se de Jesus tem de passar pela multidão, tem de fazer uma experiência de comunidade, tem de ter a mediação dos outros, tem de experimentar o grupo, a família, tem de sentir a união ou a comunhão...

De uma canção do Pe. Zezinho:

Qualquer um pode ser meu irmão,
qualquer um pode ser minha irmã
quem fizer a vontade do meu Pai
é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Falava Ele um dia a respeito do amor
e foi interrompido por alguém que o avisou:
"Lá fora estão teus irmãos e tua mãe!"
Então Jesus lhes falou:

Qualquer um pode ser meu irmão,
qualquer um pode ser minha irmã
quem fizer a vontade do meu Pai
é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

sábado, 10 de setembro de 2011

Setenta vezes sete

Ano A - XXIV Domingo Comum


Perdoar 70 X 7, isto é, sempre:

- Porque a única medida do perdão é perdoar sem medida.

- Porque quem ama perdoa e quem perdoa ama.

- Porque, por incrível que pareça, cada pessoa é susceptível de midança.

- Porque posso condenar o pecado, mas nunca o pecador.

- Porque devo perdoar tantas vezes quantas eu preciso de ser perdoado.

Perdoar é elevar

Ano A - XXIV Domingo Comum
 
Um miúdo acompanhou a sua avó quando esta foi à igreja confessar-se. Era um templo moderno, com confessionários acolhedores e práticos: uma luz verde para mostrar que estava livre, outra vermelha quando ocupado. À saída o neto perguntou:
- Então a avó mão teve medo de subir naquele elevador?
- Qual elevador?
- Aquele onde a avó se ajoelhou dentro da igreja.
Bem se esforçou aquela mulher em explicar que não era nenhum elevador mas não sei se o miúdo ficou convencido. Só sei que a partir daí eu sempre encarei a confissão como um acto de elevação.

Quem é perdoado, num gesto concreto de arrependimento, eleva-se até ao céu. Quantas vezes devo perdoar? Tantas vezes quantas eu preciso de ser perdoado. A parábola deste Domingo mostra que quem não perdoa é porque não soube acolher o perdão que os outros lhe davam.

Perdoar 70 X 7, isto é, sempre:
Porque se errar é humano, perdoar é divino.
Porque a única medida do perdão é perdoar sem medida.
Porque quem ama perdoa e quem perdoa ama.
Porque, por incrível que pareça, cada pessoa é susceptível de mudança.
Porque posso condenar o pecado mas nunca o pecador.
Só assim elevar-me-ei até ao céu através desse ascensor que é o perdão.



                              




sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cego a guiar cego

6ª Feira - XXIII Semana Comum

Não quero ser um cego a guiar outro cego.

Antes de censurar as imperfeições dos outros,
que eu veja se de mim não poderão dizer o mesmo.

Tentarei possuir as qualidades opostas
aos defeitos que critico no meu semelhante.
Esse é o meio de me tornar tão bom como ele.

Antes de censurar alguém de ser avaro,
procurarei ver se sou generoso para com todos;
Antes de censurar alguém de ser orgulhoso,
procurarei ver se sou humilde e modesto em tudo.
Antes de censurar alguém de ser áspero,
procurarei saber se tenho sido brando o suficiente.
Antes de censurar a mesquinhez de alguém,
procurarei ver se sou grande nas minhas acções.

É para dentro de mim mesmo
que devo voltar a minha atenção,
no sentido de conhecer o meu interior
e corrigir os meus defeitos e imperfeições.

Quanto mais reconhecer as minhas próprias faltas
também mais indulgente serei para com os outros.

Que eu seja capaz de tirar primeiro a trave da minha vista
para poder ajudar depois a tirar o argueiro do meu irmão.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Parabéns a Maria de Nazaré


Hoje celebramos a festa da NATIVIDADE de Maria de Nazaré.

"Hoje é o dia que o Criador do universo edificou o seu templo.
Hoje é o dia em que a criatura prepara uma nova e digna morada para o seu Criador"
(Cf. Santo André de Creta, Séc VIII, in Sermão I)

Tal comoMaria foi escolhida desde toda a eternidade para ser morada do Altíssimo,
assim cada um de nós é templo do mesmo Deus.

Vinde Senhor morar no meu peito!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Subir ao monte

3ª Feira - XXIII Semana comum

Do Evangelho de Hoje:
"Jesus subiu a sós ao monte e passou a noite em oração... depois chamou os doze apóstolos e deteve-se num sítio plano com numerosos discípulos e uma grande multidão..."

1ª Reflexão:

- Para subir ao monte Jesus estava sozinho.
Ou então como estava sozinho a sua tarefa era uma escalada.
- Depois já acompanhado pelos apóstolos e grande multidão andou por um sítio plano.
Ou então, quando se tem companhia, a viagem é mais amena, é uma planície acessível.

Que Deus nos ajude a transformar as nossas escaladas solitárias em caminhadas solidárias.


2ª Reflexão:

Na apresentação da lista dos Apóstolos surge aqui e ali alguns acrescentos para precisar ou caracterizar um determinado vocacionado: Simão a quem deu o nome de Pedro; Tiago, filho de Alfeu; Simão chamado o Zelota; Judas irmão de Tiago e Judas Iscariotes que veio a ser o traidor.
Se o evangelista colocasse o meu nome na lista dos chamados ou escolhidos que frase ou atributo, epíteto ou característica dominante acrescentaria: José o preguisçoso? João o indeciso? Manuel o vira-casacas? António o resmungão?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Teresa de Calcutá

Hoje celebramos a memória da Beata Teresa de Calcutá,
no dia em que, em 1997 partiu para a eternidade.

Ela continua a fazer e a inspirar o bem através do seu carisma partilhado pelas Irmãs da Caridade, através dos ensinamentos que nos legou e através da sua intercessão junto de Deus.

"Se eu alguma vez vier a ser Santa,
serei certamente uma Santa da escuridão:
Estarei continuamente ausente do céu
para acender a luz de todos aqueles
que se encontram na escuridão na terra."

"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos
não é senão uma gota de água no mar,
mas o mar seria menor
se lhe faltasse essa gota."

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Odres Novos

6ª Feira - XXII Semana Comum

O VINHO NOVO E ODRE VELHO NÃO RESULTA

Os odres eram sacos de couro utilizados para guardar líquidos.
Um vinho novo só poderia ser colocado num odre novo, pois a fermentação esticava o couro do odre que não deixava o vinho transbordar.
Aquele odre não podia ser usado novamente com vinho novo, pois o odre sem elasticidade rasgar-se-ia.

Para ficar cheio do Espírito Santo de Deus o discípulo precisa ter a sua vida renovada em Cristo, pois o vinho novo de Deus não entra num odre velho e sujo. Assim como o vinho novo não combina com odre velho, o Espírito Santo não combina com uma vida de pecado.
Decide hoje ser um odre novo buscando uma vida de santidade, pois Deus quer levar-te mais além do que possas imaginar. Conclusão: Jesus disse que remendo novo não combina com roupa velha, ou seja, não podemos ser cheios do espírito Santo vivendo ainda no pecado.
O discípulo não pode viver uma vida de aparência, ou somos discípulos de Jesus ou não somos.

Remendo novo em roupa velha não combina.
Vinho novo em odre velho não funciona. Amém.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Eu sou um barquinho


5ª Feira - XXII Semana Comum

Hoje, quero ser não como Simão Pedro ou algum dos primeiros chamados, mas quero simplesmente ser como o BARQUINHO que Jesus escolheu para falar, viajar, fazer-se ao largo...

Eu sou um barquinho singrando no lago...
dentro de mim Jesus vai pescar,
dentro de mim Jesus vai singrar,
dentro de mim Jesus vai remar,
dentro de mim Jesus vai falar,
dentro de mim Jesus vai dormir,
dentro de mim Ele vai viajar.
Eu levo Jesus em mim.

Eu sou uma barca singrando no lago...
dentro de mim Jesus vai pescar,
dentro de mim Jesus vai singrar,
dentro de mim Jesus vai remar,
dentro de mim Jesus vai falar,
dentro de mim Jesus vai dormir,
dentro de mim Ele vai viajar.
Eu levo Jesus em mim.






quarta-feira, 31 de agosto de 2011

In + Firmus

4ª Feira - XXII Semana Comum

Perguntaram-me se eu acreditava no DEMÓNIO.
E eu secamente respondi que não.
Insistiram: - Mas olhe que tem de acreditar nele, pois ele existe.
- Ai sim, justifico-me, eu não sei se existe ou não, só sei que não acredito no demónio, pois ele não é credível, não é de confiar… Além disso eu só acredito em Deus e em quem Deus acredita. De certeza que Deus não acredita nem confia no demónio.
Mas o demónio acredita em Deus: “Eu sei quem tu és, és o santo de Deus…” ouvimos hoje no evangelho.

Eu só quero acreditar em Deus… e que Deus acredito também em mim!


Jesus curou a sogra de Pedro que estava enferma… e trouxeram muitos enfermos a quem Jesus imponha as mãos e eles ficavam curados.
Isto que quer dizer?
IN + FIRMUS = não firme, inseguro, instável.
Um enfermo é alguém débil, que não se segura, que não consegue estar firme.
Então Jesus impõe-lhe a mão e dá-lhe firmeza, dá-lhe apoio seguro…
A cura que Jesus proporciona é esta firmeza, esta segurança.

Saibamos então apoiar-nos n’Ele.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Martírio de João Baptista

Neste dia celebramos o martírio de São João Baptista.

Foi Mártir porque Profeta;
foi Profeta porque Precursor;
foi Precursor porque humilde;
foi humilde, mas grande aos olhos de Deus…

Que João Baptista nos ensine a sermos especialistas como Ele na arte de:

ANUNCIAR = Comunicar ou apontar = Eis o Cordeiro de Deus

DENUNCIAR = Acusar, revelar = Não é lícito que tomes a mulher…

ENUNCIAR = Expor, demonstrar = Que havemos de fazer?...

PRENUNCIAR = Anunciar antecipadamente, predizer = Precursor

PRONUNCIAR = Declarar, proferir = Voz que clama… arrependei-vos

RENUNCIAR = Rejeitar, largar = Não sou digno… Que Ele cresça…


domingo, 28 de agosto de 2011

Tomar a cruz

Ano A - XXII Domingo Comum

"Quem quer ser meu discípulo, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me..."

Na nossa vida temos sempre, quer queiramos ou não, considerar 2 vontades:
A Nossa Própria Vontade
e a Vontade de Deus.
Tudo o que fazemos, decidimos ou esperamos é conformar a nossa vida com essa dupla vontade.

Consideremos duas ripas de madeira, uma maior e outra menor.
Se quisermos identificá-las com a Nossa Vontade e a Vontade de Deus, com certeza identificaríamos a maior com a de Deus e a mais cruta com a nossa própria vontade.
Como harmonizar essas vontades ou essas ripas?
- Ou coloco-as lado a lado como sendo paralelas. (Sinal de independência). Nunca conseguirei harmonizá-las, pois nunca se encontrarão. Estão ali, lado a lado como se não existissem uma para a outra. Assim não serve.
- Ou então posso colocar a ripa mais curta sobre a mais longa: sobrepor a nossa vontade limitada sobre a eterna vontade de Deus. (Sinal de autonomia, eu é que mando em mim). É uma loucura, pois fica sempre muito fora do nosso alcance. Assim não dá.
- Ou então posso colocar a ripa mais longa, a vontade de Deus, sobre a nossa, a ripa mais curta. (Sinal de aniquilamento). Também não é solução pois Deus não quer fazer desaparecer nada e nem ninguém.
- Só há uma solição: é colocar a ripa maior na vertical e sobrepor a menor na horizontal sobre a primeira, à maneira de cruz. Só assim podemos harmonizar as duas ripas ou as duas vontades: a minha e a de Deus em forma de cruz.

Tomar a cruz é conformar a nossa vontade com a de Deus, é unir as duas vontades.
A vontade de Deus é viver unido a Ele, colaborar com Ele, servir o semelhante, amar, oerdoar, fazer o bem.
Que a vontade de Deus seja a minha vontade e a minha vontade seja conformada à vontade de Deus.

Sempre que me benzo, faço a cruz, abençoo ou vejo um crucifixo posso lembrar-me que a cruz representa a união de duas vontade:
Senhor que eu queira o tu tu queres...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Parábola das donzelas


6ª Feira - XXI Semana Comum

O Reino dos céus é como 10 donzelas, cinco das quais prudentes e as outras insensatas.

Lições a tirar:
Há coisas comuns e há diferenças...

Comuns:
- Todas as donzelas estão no reino...Este é universal. O Reino dos céus é constituido por DEZ e não apenas por cinco.
- Todas as personagens têm as mesmas oportunidades, ou os meios ou as mesmas condições. Não há gente à partida mais facultada para entrar no Reino dos céus.
- Ambos os grupos passam pelas mesmas dificuldades, pela sonolência...

Diferenças:
- A diferança está no Brilho. Umas brilharão mais que as outras. Estão todas no mesmo reino mas umas terão luz mais brilhante...
- A diferença está na proximidade ou semelhança com o noivo... Umas estão junto dele, outras ficam aquém...
- Outra diferença está na pena: Se soubesse que era assim, tihna-me prevenido em terra...Quem vai ao mar avia-se em terra... para não se lamentar depois.

Cada um de nós é este grupo de 10 donzelas: às vezes somos prudentes, outras vezes insensatos.
Mas a nossa vida não deixa de ser equilibrada. É por isso que metade é assim e a outra metade é diferente... na justa medida.

Assim somos nós aos olhos de Deus, isto é, no Reino dos Céus.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bartolomeu ou Natanael

Hoje celebramos a festa do Apóstolo Bartolomeu.

A primeira leitura abre-nos as portas do Reino de Deus:

Essa nova Jerusalém, ou novo céu e nova terra, ou reino dos céus
tem 3 portas ao Sul,
3 portas a Norte,
3 portas a Oriente,
3 portas a Ocidente.

Não faltam portas de entrada - 3 de cada lado...
para dizer que há facilidade de acesso de onde quer que se venha, há sempre tantas portas ...
Não há discriminação nenhuma, há 3 portas iguas em todos os 4 pontos cardeais...

Só não entra quem não quer, pois há portas à discrição e sem discriminação... igualdade de circunstâncias e de oportunidades.

Nem se precisa dobrar a esquina para encontrar uma porta, pois temo-la sempre à nossa frente, independentemento do nosso ponto de origem... ou de chegada.

Tudo isto é sinal da universalidade, acessibilidade, generosidade e igualdade de oportunidades do Reino de Deus...


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cuidar do mais importante

3ª Feira - XXI Semana Comum

1ª Reflexão
Na Primeira Leitura, São Paulo diz que cuidou da comunidade de Tessalónica: apresentámo-nos no meio de vós com bondade, como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar.
Isto que quer dizer?
Há sempre uma dimensão marterna ou familiar na missão,
e há uma dimensão missionária na família ou na comunidade materna...

2ª Reflexão
No Evangelho: Limpa primeiro o interior do copo para que também o exterior fique limpo.
Isto quer dizer.
- que o interior é mais importante,
- que Dus não repara no exterior, não liga às aparências
- Deus só conhece o ´intimo do coração' (refrão do salmo responsorial de hoje).

Se Jesus falasse hoje não diria tal e qual disse nesta página do Evangelho, para limparmos interior em vez de nos preocuparmos com a pureza do exterior.
Diria antes: Se vos sabeis apresentar-vos bem exteriormente e cuidar do vosso aspecto exterior, porque não cuideis do mesmo modo do vosso interior, pois ele é ainda mais importante.

É por isso que nas Sacristias antigamente havia sempre um espelho. Porquê? Para que o Sacerdote se apresentasse bem, pois a comunidade merecia essa atenção e Deus ainda mais. Além disso havia umas 'sacras' ou quadros com orações de preparação interior. O celebrante preparava-se exteriormente sem descurar a sua preparação interior.

Costumo reconfortar alguns colegas meus que são carecas, dizendo-lhes:
"Não te preocupes isso. Se o cabelo fosse mesmo muito importante, Deus em vez de o colocar fora, teria colocado no interior da cebeça..."
Pois é! O mais importante é o que está no interior.
Cuidemos então dele.

Por fim: Se eu ao olhar para alguém sou capaz de dar graças a Deus pela sua beleza exterior que contemplo... ainda mais extasiado devo ficar se pensar que se é assim o exterior, como não será ainda mais belo o interior!


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O mais importante é AMAR

6ª Feira - XX Semana Comum

Para poder amar muito a Deus no céu,
é preciso, em primeiro lugar, amá-Lo muito na terra.

O grau do nosso amor a Deus aqui nesta vida
será a medida do nosso amor a Deus durante a eternidade.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Trabalhadores da vinha

4ª Feira - XX Semana Comum

Quem é quem nesta parábola dos trabalhadores da vinha do Senhor?

O Proprietário - é Nosso Senhor, o Nosso Criador.

A Vinha - é a Igreja Universal que tem de dar fruto abundante.

As horas de contratação - são os pregadores que Deus vai enviando para cuidar da Igreja.

O Nascer do dia - é o tempo de Adão a Noé.

A Terceira hora - é o tempo de Noé a Abraão.

A Sexta hora - é a época de Abraão a Moisés.

A Décima primeira hora - vai desde a vinda do Senhor até ao fim do mundo.

O pagamento aos trabalhadores - é o juízo final ou a recompensa eterna.

O Senhor continua a enviar trabalhadores para cultivar a sua vinha, isto é, servidores para ensinar o Seu povo.

Os chamados de hoje continuem o trabalho dos patriarcas, profetas, doutores, apóstolos.

Todos aqueles que  acrescentam boas obras fazem parte dos trabalhadores do Senhor e ajudam a cuidar da sua vinha.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Santa Clara de Assis

Era bela, rica, poderosa. Um dia conheceu Francisco, ouviu-o pregar e escolheu viver na mais absoluta pobreza. Santa Clara de Assis é a face feminina do franciscanismo. Conta a lenda que derrotou sarracenos com um raio de Sol e ensinou como se pode ser feliz sem nada

Celano, ao escrever a primeira biografia de São Francisco de Assis, em 1228, quando Clara não tinha mais do que 34 anos de idade (dos sessenta que deveria viver, quarenta e dois dos quais como Abadessa das Irmãs Pobres de São Damião) já fale dela como de uma santa canonizada:
"Clara... virgem no corpo e puríssima no coração; jovem em idade mas amadurecida no espírito. Firme na decisão e ardentíssima no amor de Deus. Rica em sabedoria, sobressaiu na humildade. Foi clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima em suas virtudes...

Trecho da Bula de canonização de Santa Clara, publicada pelo Papa Alexandre IV, que canonizou a Santa a 15/8/1255
"Clara, preclara por seus claros méritos, clareia claramente no céu pela claridade da grande glória, e na terra pelo esplendor dos milagres sublimes. Brilha aqui claramente sua estrita e elevada religião, irradia no alto a grandeza de seu prémio eterno, e sua virtude resplandece para os mortais com sinais magníficos.
A esta Clara foi dado o título do privilégio da mais alta pobreza…
Esta Clara foi distinguida aqui por suas obras fúlgidas, esta Clara é clarificada no alto pela plenitude da luz divina. E a maravilha de seus prodígios estupendos declara-a aos povos cristãos.
Ó Clara, dotada de tantos modos pelos títulos da claridade! Foste clara antes da tua conversão, mais clara na conversão, preclara por teu comportamento no claustro, preclara pelos seus claros méritos, e brilhante claríssima depois do curso da presente existência!
O mundo recebeu de Clara um claro espelho de exemplo: por entre os prazeres celestiais ela oferece o lírio suave da virgindade.
Ó admirável clareza da bem-aventurada Clara, que quanto mais diligentemente é buscada em pontos particulares mais esplendidamente é encontrada em tudo. Brilhou no século e resplandeceu na religião. Em casa foi luminosa como um raio, no claustro teve o clarão de um relâmpago! Brilhou na vida, irradia depois da morte. Foi clara na terra e reluz no céu! Como é grande a veemência de sua luz e como é veemente a iluminação de sua claridade!"

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

São Lourenço

Hoje celebramos a festa do mártir São Lourenço, diácono da Igreja de Roma, queimado vivo na perseguição religiosa do ano 258.

São Leão assim expressou o martírio de São Lourenço:

"As chamas não puderam vencer a caridade de Cristo;
e o fogo que queimava por fora foi mais fraco
do que aquele que lhe ardia por dentro."

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Santa judia








Teresa Benedita da Cruz,
(Edith Stein, 1891-1942)
Padroeira da Europa

Judia de nascimento, foi após a leitura, de um fôlego, da Autobiografia de Santa Teresa d’Ávila, que ela encontrou o caminho de vida que procurava.
Por sua vontade, foi baptizada na Igreja Católica no dia 1 de Janeiro de 1922. Continuou a sua vida como professora e escritora, até ser agregada às Irmãs Carmelitas, em 1933. Durante este período, vai-se desenvolvendo o seu trabalho intelectual e o aprofundamento da sua fé cristã, sem deixar de ter um profundo respeito pela fé da sua família e do seu povo judeu, que nunca renegou. Morreu a 9 de Agosto de 1942, na câmara de gás de Auschwitz, para onde fora levada juntamente com a sua irmã Rosa, também baptizada, e tantos outros perseguidos pelo nazismo.

Fazemos nossas as palavras do Papa João Paulo II, pronunciadas a 11 de Outubro de 1998, dia da sua canonização:
«Edith Stein é para nós um exemplo e uma guia. Do misterioso projecto divino sobre a sua pessoa, no início também ela percebeu somente “poucos e suaves sons”, como de uma melodia que ressoava ao longe. Na escola da Cruz, estes sons compuseram-se entre si e tornaram-se sinfonia interior.
Graças à sua intercessão, possa também a nossa vida transformar-se numa harmoniosa sinfonia para louvor e glória de Deus».


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

São Domingos

Hoje celebramos a memória de São Domingos
Contemplemos o seu RAMALHETE DE VIRTUDES

Ramalhete de virtudes de SÃO DOMINGOS

1 - Mestre Domingos foi sempre homem humilde, manso, paciente, moderado, pacífico, sóbrio, modesto e muito maduro em todos os seus actos e palavras; piedoso, consolador dos demais e em especial dos seus frades; cheio de zelo pela observância regular, muito amante da pobreza tanto na comida como na sua vestimenta e dos frades da sua Ordem e também nos edifícios e igrejas dos frades.

2 - Quando caminhava pelas cidades e vilas, mal levantava da terra os olhos.

3 - Duas ou três vezes foi eleito bispo, mas renunciou sempre, querendo mais viver na pobreza com os seus frades, do que possuir qualquer benefício episcopal.

4 - Raras vezes falava, a não ser com Deus ou de Deus, e sempre procurou persuadir os seus frades a fazerem o mesmo.

5 - Com frequência exortava e animava com palavras e por escrito aos frades da sua Ordem, para que estudassem o Novo e o Antigo Testamento. Sempre levava consigo o Evangelho de Mateus e as Cartas de Paulo, e estudava muito nelas, de tal modo que quase as sabia de cor.

6 - Era alegre e festivo, misericordioso e benigno, consolador dos frades. Se encontrava algum frade que havia faltado em algo, passava como se não o visse; mas depois, com rosto alegre e palavras brandas, lhe dizia: “Irmão, tu fizeste mal, confessa...”. E com suaves palavras induzia a todos à penitência.

7 - Nunca se ouvia sair da boca de frei Domingos palavra feia, ociosa ou nociva.

8 - Nunca, nem nas fadigas dos caminhos, nem no calor da paixão, ou noutras circunstâncias, o viram irado, excitado ou perturbado, mas sempre alegre nas tribulações e paciente nas adversidades.

9 - Nunca celebrava missa sem derramar lágrimas. Passava as noites em oração rezando com soluços e lágrimas. E quando pregava algum sermão aos frades, derramava lágrimas. E muitas vezes os frades também choravam.

10 - Quando frei Domingos ficou doente, daquela enfermidade que o levou depois à morte, os frades estavam juntos a ele e choravam. Frei Domingos disse: “Não queirais chorar, porque eu serei mais útil no lugar para onde vou do que se ficasse aqui”.

sábado, 6 de agosto de 2011

Escutar, Olhar, Falar

Ano A - XIX Domingo Comum

1º Escutar o convite de Jesus
Jesus ordenou aos discípulos que entrassem no barco e passassem para a outra margem…
Parece que os discípulos não queriam ouvir nem entrar pois Jesus teve que obrigá-los.
O barco simboliza o plano de Deus para a nossa vida.
O barco é tudo o que Deus idealiza para nós.
A Igreja é um desses barcos que Jesus preparou para nós.
Ele continua a dizer: entra no barco e passa para outro lado. Deixa essa margem, entra no barco e muda de direcção da tua vida.
Não fiques entre a multidão sem rumo, enfrenta as tempestades e vai mais além, mais longe… alarga os horizontes da tua vida.

2º Olhar para o modelo de Jesus
Os nossos olhos devem acompanhar a Jesus…
Às vezes aos nossos olhos Jesus parece-nos distante, imperceptível, difuso…
É preciso fixar o nosso olhar Nele para O descobrirmos melhor.
Se desviarmos o nosso olhar de Jesus começaremos a afundar-nos no meio das tempestades da vida.
(Exemplo das corridas de bandejas… só um conseguiu chegar ao fim ser derramar nenhum copo cheio de água: porque eu estava com os olhos fixos no copo, não via mais nada, só o copo.)
Pedro fixou os olhos em Jesus, como o jovem fez com o copo, e teve a força que tanto precisava para vencer as resistências.
Enquanto Pedro estava olhando para Jesus conseguia andar sobre o mar. Bastou tirar os olhos de Jesus, olhar temerosamente para a força do vento e para as ondas do mar, para começar a perder o equilíbrio e afundar…
Tu queres afundar? Então olha para os teus problemas, olha para o medo, olha para ti …
Queres andar sobre o mar? Queres ir mais além? Olha para Jesus, fixa o teu olhar na Sua pessoa.
Elevemos então os nossos olhos para Jesus e o milagre acontecerá.
Tiremos então os olhos dos nossos problemas e fixemo-los em Jesus.
Que ele seja o rumo da nossa vida.
Nunca percamos de vista o nosso Deus.

3º Falar com Jesus
Quando Jesus entrou no barco a tempestade acalmou:
Então os discípulos disseram:
Realmente tu és o Filho de Deus…
E começaram a rezar e a fazer daquele barco um SANTUÁRIO.
Ajoelharam e adoraram a Jesus.
E o barco chegou logo ao seu destino.
Quando fazemos do nosso barco um santuário encontramos logo o destino certo…
Façamos do nosso barco um santuário e a nossa vida terá outro rumo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

As Neves de Nossa Senhora

Hoje a Igreja propõe-nos a celebração de Nossa Senhora das Neves ou a Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, de Roma.

Duas reflexões:

a)
Esta festa é como o Natal no tempo de Verão.
A Providência repete em Roma de uma certa maneira os lugares santos da Palestina.
A Basílica de Santa Maria Maior é como Belém. É aí que está o presépio.
A Basílica da Santa Cruz de Jerusalém em Roma é como o Calvário. Ela tem as relíquias da Vera Cruz.
A Basílica de São João Latrão, em Roma, é o Cenáculo. É lá que está a mesa da última Ceia.
A Festa de Santa Maria Maior lembra o Natal e Belém. Tudo nos faz lembrar isso: A neve que traça a planimetria da basílica, segundo a tradição; o presépio ou a manjedoura que veio de Belém e que aí se guarda; as relíquias dos Santos Inocentes cuja festa é contígua à do Natal; os restos mortais de São Jerónimo, o Santo de Belém e custódio da santa gruta.
Agradeçamos à Divina Providência que nos dá esta oportunidade para que seja o dia de Natal do Verão. Saibamos aproveitar para adorar Jesus menino e a ternura da sua mãe.
(Cf. Pe. Dehon, 5 de Agosto, in O Ano com o Coração de Jesus,  1909)

b)
A planimetria ou os traços de uma igreja ou templo desenhados pela neve em pleno Verão lembra-nos outros dois traços da Igreja, com letra maiúscula:
Lembra-nos o traço eclesiológico de Maria
E lembra-nos o traço mariano da Igreja.
Estejamos atentos para ver em Maria esses traços da Igreja
e atentos para ver na Igreja os traços de Maria.



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Rochas

5ª Feira - XVIII Semana Comum

Deus faz maravilhas a partir da rocha insignificante, dura, rústica, fria e informe.

Na Primeira Leitura, Deus faz brotar da ROCHA água viva.
No Evangelho, Deus faz erguer a sua Igreja, a sua comunidade sobre a ROCHA de Simão Pedro.

E nós?
Deus faz surgir da ROCHA desfeita em PÓ filhos prediletos... Pedras vivas do seu santuário.


Por brincadeira dizemos que a vida de um homem é uma história de PEDRAS:

É uma pedra da Escola
Pedra da rua
Pedra de casa
Pedra dos rins
Água das Pedras
Pedra tumular.

Mas Deus continua a fazer maravilhas a partir destas PEDRAS.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Humildade de Moisés

3ª Feira - XVIII Semana Comum

Na Primeira Leitura lemos:
"Moisés era homem muito humilde, mais humilde que todos os homens sobre a face da terra..."

Não sei se devo contemplar a GRANDEZA DA HUMILDADE de Moisés,
ou se devo contemplar a HUMILDADE DA GRANDEZA de Moisés!


Ladainha da Humildade:

Senhor, tende piedade de nós – Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós – Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós – Senhor, tende piedade de nós

Jesus manso – Escutai-nos, Senhor
Jesus humilde – Escutai-nos, Senhor
Jesus Coração – Escutai-nos, Senhor

Do desejo de ser estimado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser amado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser procurado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser elogiado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser honrado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser preferido aos outros – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser consultado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser aprovado – Livrai-nos, Senhor
Do desejo de ser lisonjeado – Livrai-nos, Senhor

Do temor de ser humilhado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser desprezado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser rejeitado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser caluniado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser esquecido – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser ridicularizado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser burlado – Livrai-nos, Senhor
Do temor de ser injuriado – Livrai-nos, Senhor

Ó Maria, mãe dos humildes – Rogai por nós
São José, protector das almas – Rogai por nós
São Miguel, o primeiro a abater o orgulho de Satanás – Rogai por nós
Todos os santos, justificados pela humildade – Rogai por nós

Oremos:
Ó Jesus, que dissestes “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”, ensinai-nos a ser, de verdade, mansos e humildes e a ter um coração igual ao Vosso.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo…


(Cf. Cardeal Merry del Val)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Maná

2ª Feira - XVIII Semana Comum

Eu pensava que o Maná, dispensado por Deus ao povo peregrino no deserto era "uma papinha jé feita".
Pensava que o povo recolhia e comia imediatamente sem mais trabalho...

Ao ouvir a primeira leitura chego à conclusão que Deus dá sempre duas coisas complementares:
Dá a sua graça e dá a capacidade de trabalho e de completar a obra por Ele começada.

O povo tinha de recolher o maná, passá-lo pelo moinho, amassá-lo, cozê-lo e partilhá-lo.
Isto é, Deus dá como oferta e exige sempre trabalho, esforço, conquista.
Se tudo estivesse já feito ou completo, nada teria gosto, valor ou sentido.

A maior oferta ou presente que Deus dá é a capacidade de colaborarmos na sua obra.
Deus não nos dá coisas completas, mas dá-nos a capacidade de as concluirmos.

A maior obra de Deus somos nós.
Deus criou criadores.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Montar a tenda

5ª Feira - XVII Semana Comum

Na primeira Leitura Moisés faz levantar uma Tenda para morada de Javé entre o povo.
Deus quis morar connosco.
Nós moramos na mesma casa de Deus.
Deus é peregrino, tal como nós somos peregrinos ou nómadas a caminho da Terra Prometida.

Uma vez, depois de ter explicado isto na missa às crianças da catequese, perguntei-lhes para ver se me tinha feito compreender:
- Quem é capaz de me dizer porque é que se diz que Deus plantou a sua tenda entre nós?
Eu esperava que dissessem que Deus queria morar connosco, mas a resposta foi outra. Um garoto disse com toda a naturalidade:
- É que Deus quer passar as férias com a gente!
Mas que resposta surpreendente! De facto, hoje em dia, armar uma tenda não faz parte dos nossos hábitos de viver ou de peregrinar. Faz sim parte da nossa prática de campismo, de passar férias....

Quem me dera que toda a gente se lembrasse que, ao plantar a sua tenda entre nós, Deus quer passar as férias connosco ou que não nos esqueçamos que Ele está connosco também nas férias.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Encontrar um tesouro

4ª Feira - XVII Semana Comum

1ª - Quem descobre um tesouro torna-se ele mesmo num tesouro.
(Na 1ª Leitura, o rosto de Moisés torna-se resplandecente por contemplar a Deus resplandecente).

2ª - “Para encontrarmos uma coisa escondida, temos de nos esconder; a nossa vida deve, portanto, ser um mistério. É preciso assemelharmo-nos com Jesus.” (Teresinha do menino Jesus, carta 145).
(Escondidos e humildes, mas valiosos aos olhos de Deus!)

3ª - Quem encontra um amigo, encontra um tesouro (Ben Sirá 6,14 ou livro do Eclesiástico).
Que o nosso tesouro seja o nosso AMIGO, e o nosso AMIGO seja o nosso tesouro que encontrámos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Joaquim e Ana

Hoje a igreja propõe-nos a celebração da memória de São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem santa Maria.

No Oriente, o calendário bizantino celebra esta memória não neste dia 26 de Julho, mas no dia 9 de Setembro, porque lembra o costume de felicitar os pais pelo nascimento da sua filha (8 de Setembro).
De facto no dia o nascimento de um filho quem recebe os arabéns são os pais e nºao os filhos.

Hoje então é o dia de dar os parabéns a Joaquim e a Ana pela filha que tiveram, é tempo de dar parabéns a Maria pelo filho que nos deu, e a altura de dar os parabéns a todos nós pelo irmão que nos foi dado, Jesus o Cristo.

Em geral nós chegamos aos filhos através dos pais. Na celebração de hoje nós chegamos aos pais através da sua filha, Maria de Nazaré.

Queremos também chegar a Jesus através de Maria: a Jesus por Maria e a Maria por Jesus.

Finalmente: hoje é o dia da família de Jesus.
Saibamos amar quem mais gosta de Jesus,
e saibamos amar de quem Jesus mais gosta.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mirófora

Memória de Santa Maria Madalena

Hoje a igreja propõe-nos a contemplação de Maria Madalena como alguém que transportou perfume para ungir o corpo de Jesus deposto num sepulcro novo.

Mirófora ou miróforo é alguém que transporta perfume.
Na oração inicial da celebração lembramos que Maria Madalena foi a primeira pessoa a recber e a levar aos outros a alegria pascal do encontro com Jesus Ressuscitado.

Ele é transportadora de perfume tal como transportadora da alegria e da certeza de Cristo Vivo.

Transportar perfume é transportar alegria.
Transportar alegria é transportar Cristo Ressuscistado.
Transportar alegria é como transportar perfume, pois inebria todo o ambiente.
Transportar Cristo ressuscitado é como transportar perfume, pois envolve toda a nossa vida e a nossa circunstância.

Sejamos miróforos como Maria Madalena, pois...

Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas,
nas mãos que sabem ser generosas.

Dar o pouco que se tem a quem tem menos ainda
enriquece o doador, faz a sua alma ainda mais linda.

Dar ao próximo alegria parece coisa tão singela
aos olhos de Deus porém é das artes a mais bela.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Em parábolas

5ª Feira - XVI Semana Comum

Deus não só fala através da HISTÓRIA (1ª leitura, história do êxodo),
como também fala através das HISTÓRIAS (Evangelho, através de parábolas).

terça-feira, 19 de julho de 2011

Quem são meus irmãos?

3ª Feira – XVI Semana Comum

- A tua mãe e os teus irmãos querem falar-te…
- Quem é a minha mãe e quem são meus irmãos?
E indicando com a mãos os discípulos acrescentou:
- Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe…

São minha família não os que querem falar comigo, mas aqueles a quem Eu quero falar com eles.
São meus irmãos não os que vêm ter comigo, mas aqueles a quem eu vou ter com eles.
A minha mãe não é quem eu devo obedecer, mas aquela que me obedece fazendo a vontade de Deus…

Sejamos a família de Jesus:
Em vez de procurar falar com Ele, deixemos que Ele fale connosco.
Em vez de procurar que Ele nos escute, procuremos escutá-lo sempre.
Em vez de o visitar, abramos o nosso coração para que Ele nos visita e fixe morada no nosso coração…
Em vez de manifestar a Deus as nossas aspirações e desejos, procuremos descobrir a sua vontade e viver segundo os seus desígnios…



sábado, 16 de julho de 2011

O trigo e o joio

Ano A - XVI Domingo Comum














O que é o joio?
O joio é uma erva daninha que nasce nas plantações de grãos, parecida com o trigo.
É conhecido também como cizânia e trigo bastardo ou trigo falso.
Até que a sua espiga esteja madura, é quase impossível distingui-lo do trigo verdadeiro, mesmo sob o escrutínio mais severo.
Debaixo do solo, a raiz do joio é mais ampla e profunda e se entrelaça na do trigo.
O sistema de raízes do joio é bem mais desenvolvido que o do trigo.
Arrancar o joio é arriscar tirar o trigo junto e com ele um grande torrão de terra.
A raiz do trigo é curta e desprende-se facilmente do solo.


3 chamadas de atenção:

Cuidado com as aparências
- Trigo e joio confundem-se – às vezes nós pensamos que é uma coisa e afinal é outra. Às vezes pensamos que estamos a fazer o bem e afinal estamos a fazer mal… As armas do mal ou do joio são as máscaras, o engano e a confusão. Há que estar atento e não se deixar levar pelas armas do mal. Nunca o joio pode virar trigo. O negócio do joio é parecer, aparecer e confundir. Nem tudo o que parece joio é joio e nem tudo o que parece trigo é trigo. Resistir é não se deixar confundir…

Cuidado com as precipitações
- Qualquer decisão precipitada é sempre prejudicial para todos. Há que ter paciência e agir no tempo oportuno. É preciso deixar que os frutos cheguem, pois só o trigo pode dar fruto, o joio nunca: O joio tem o chão, tem a imagem do trigo, mas não dá fruto e nem se torna pão. Só o trigo serve. Só é boa semente aquela que pode dar fruto ou pão. Entretanto, acima do solo, quando trigo e joio começam a espigar, é possível distinguir facilmente um do outro – “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20).

Cuidado com os exageros
- Na nossa vida há graças e desgraças, bem e mal. Nós somos mais propensos para ver primeiro e acima de tudo o mal: é porque a desgraça salta mais depressa à nossa vista (a palavra é mais comprida) e também porque uma só árvore a cair faz mais barulho do que toda a floresta que está a crescer.


3 compromissos:

Colaborar
- Faz parte da nossa realidade a coexistência de trigo e joio – a questão não é fazer o joio acabar, mas ajudar o trigo a não morrer, nem ser destruído, mas ajudar a crescer, dar fruto e tornar-se pão.

Acreditar
- Deus permite o mal? É preciso não confundir a vontade de Deus, com a permissão de Deus.

Confiar
- Acabar com o joio é trabalho para Deus e seus anjos. Só eles podem purificar-nos, perdoar-nos e livrar-nos do mal. Deixemos então o juízo e a retribuição nas mãos de Deus e não seremos desiludidos.

Origem da Imagem: http://solascriptura-scriptura.blogspot.com

quarta-feira, 13 de julho de 2011

STOP

4ª Feira - XV Semana Comum

Na Primeira Leitura a experiência de Moisés é cópia da experiência de Deus.

Nas passagens de nível podemos ler o cartaz: PÁRE, ESCUTE E OLHE.

Na experiência do Horeb o cartaz é semelhante, mas com outra ordem dos factores:
OLHE, ESCUTE E PÁRE.
Moisés Viu a sarça... Escutou a voz... Parou, descalçando as sandálias...
Também Deus apresentou a mesma ordem de factores:
Deus Viu a situação na terra... Escutou os gritos... e STOP, Basta, parou com a escravidão...

Em vez de parar para ver e escutar, devemos ver, escutar para parar, para dizer basta, para fazer STOP à escravidão.

Aliás STOP que significa?
Se Tens Olhos, Pára!
ou
Se Tens Ouvidos, Pára!

A experiência de Deus foi a experiência de Moisés e vice-versa.
Em vez de parar para ver e escutar,
saibamos ver e escutar para parar,
isto é... para fazer STOP...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Moisés

3ª Feira - XV Semana Comum

Na primeira leitura começa hoje a história de Moisés...

Moisés gastou 40 anos pensando que era alguém;
Outros 40 anos aprendendo que não era ninguém;
E os últimos 40 anos descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém.

O número de anos pode ser diferente, mas o percurso é o mesmo para cada um de nós.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Oração de São Bento

Hoje celebramos a festa de São Bento, abade, padroeiro da Europa.

Oração de São Bento

Dá-me, benigníssimo Jesus,
A inteligência que Te entenda,
A sabedoria que Te encontre,
o espírito que Te ame,
o acto que Te glorifique,
os ouvidos que Te ouçam
os olhos que Te vejam,
a língua que Te louve,
a paciência que suporte os males permitidos por Ti.
Dá-me a Tua presença;
dá-me a feliz ressurreição,
e como prémio,
a vida eterna.

Amém!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Santa Maria Goretti

No dia da beatificação (27 de Abril de 1947) a Rádio Roma pediu à mãe da heróica menina de 12 anos que proferisse algumas palavras ao microfone. Eis o que ela disse nessa noite memorável:
“Tenho a minha alma cheia de alegria. O que mais me comoveu foi ver o Papa ajoelhado diante da imagem da minha querida filha. Dia de festa, também, porque hoje recebeu a primeira comunhão um dos meus netos.
O Papa falou-me com a ternura do melhor dos pais. Abençoou-me por três vezes. Foi hoje o dia maior da minha vida. Que a minha querida filha, a nova Beata, alcance de Deus as maiores bênçãos para o Vigário de Cristo, para a Igreja, para a gente nova de todo o mundo, a quem foi dada como modelo. Quem mo havia de dizer, santo Deus! Bendito seja Ele!”
A primeira comunhão do seu neto, o pequeno Pedro, foi administrada pelo Cardeal Nicolau Canali na capela de sua residência.
Estava presente a mãe da Beata com os seus filhos, Mariano, a religiosa Irmã Santo Alfredo e a mãe do pequenito Ersília…

Apesar de ter somente doze anos, Maria Goretti era muito crescida, o que chamou a atenção de um jovem garoto de 18 anos, Alexandre Serenelli. Um dia, em 1902, aproveitando um momento em que Maria estava sozinha com sua irmã mais nova, Alexandre procurou seduzi-la. Diante da resistência da jovem menina, Alexandre apunhalou-a com vários golpes. A santa foi transportada ao hospital e antes de morrer perdoou ao assassino com as seguintes palavras: "Por amor a Jesus perdoo e quero que venha comigo para o paraíso".
Alexandre Serenelli foi capturado logo após a morte de Maria. Inicialmente, seria condenado à prisão perpétua, mas como era menor, a sentença foi comutada para 30 anos na prisão. Ele manteve-se isolado do mundo por três anos, sem demonstrar arrependimento. Até o bispo local, Monsenhor Giovanni Blandini visitá-lo na cadeia. Serenelli escreveu uma nota de agradecimento ao bispo, pedindo que o incluísse em suas orações e contando sobre um sonho que tivera, onde a santa lhe alcançava flores, que se queimavam imediatamente em suas mãos.
Após sair da prisão, visitou a mãe de Maria, Assunta, e implorou o seu perdão. Ela respondeu que se a filha lhe havia perdoado em seu leito de morte, ela não poderia fazer diferente. Ele foi aceito na Ordem Menor dos Frades Capuchinhos, vivendo num convento e trabalhando como recepcionista e jardineiro até morrer tranquilamente em 1970. Referia-se a Maria como "sua pequena santa" e esteve presente na sua canonização.
Maria Goretti foi canonizada em 1950. Segundo algumas fontes, a sua mãe foi a primeira mãe a estar presente na canonização de um filho. Alexandre Serenelli também estava presente na celebração.


domingo, 3 de julho de 2011

Vinde a Mim

Ano A - XIV Domingo Comum

Vinde a Mim todos vós que andais cansados e oprimidos...

E nós fazemos precisamente o contrário.
Quando nos sentimos cansados, estressados, angustiados, com a cabeça pesada... não estamos na disposição de ir à igreja, de rezar, de visitar ou falar com Deus.
O cansaço é uma desculpa para não falar com Deus.

Jesus quer precisamente o contrário:
Os cansados, os oprimidos, venham até Mim, diz Jesus...

E depois?

Se eu cansado, angustiado ou esgotado for à casa de Deus, com certeza que vou dizer:
Ó Deus, eu tenho este grande problema, tenho esta grande preocupação, tenho este grande medo...

Mas deve ser precisamente o contrário.
Não devo dizer a Deus que tenho um grande problema (aliás Ele já o deve saber...) mas devo dizer ao meu problema que eu tenho um grande Deus.
Não preciso dizer a Deus que tenho medo, mas devo dizer ao meu medo que eu tenho um grande Deus... e isso será o suficiente para ficar sossegado e confiante.

sábado, 2 de julho de 2011

Coração Imaculado de Maria

Depois da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus a Igreja propõe-nos a contemplação do Imaculado Coração da Virgem Santa Maria.

O coração de Maria
é o retrato mais perfeito
do Coração do Seu Filho.

Em geral os filhos é que são parecidos com as suas mães.
Em geral os filhos é que são imagens do coração de suas mães.
No caso de Maria e de Jesus é precisamente o contrário:
O Coração de Maria, Mãe de Jesus, é que é parecido, semelhante ou imagem perfeita do Coração de Seu Filho Jesus.
É por isso que Ele diz:
Aprendei de mim que sou manso e humilde de Coração.


Por causa do seu amor infinito, Cristo Jesus tornou-se naquilo que nós somos, para fazer plenamente de nós aquilo que Ele é.

Jesus manso e humilde de Coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cruz Invertida

Solenidade de São Pedro e São Paulo

29 de Junho é o dia em que segundo a tradição os dois apóstolos foram martirizados em Roma: um crucificado, outro decapitado.

Por que motivo São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo?

a) Como sinal de humildade: Pedro ao saber que era condenado à crucifixão, terá pedido que fosse de cabeça para baixo, pois não se achava digno de morrer na cruz como o Senhor Jesus.

b) Como sinal de serviço: Segundo a tradição, parece que era assim o costume de crucificar os escravos. Então Pedro foi crucificado como escravo e não como homem livre - ou porque achavam que ele era escravo da sua fé ou então para comprovar que ele mesmo se apresentava como Servo dos Servos de Deus, escravo dos escravos.

c) Como sinal de contradição: contam que quando Pedro soube que iria ser crucificado terá manifestado a sua alegria por dar testemunho como o seu Mestre. Então os carrascos para o contradizer inverteram a cruz, pondo-a de cabeça para baixo só para contradizer, contrariar ou desgostar o condenado.

d) Como sinal de eternidade: Só assim Pedro podia morrer com os olhos fitos no céu. Tal não aconteceria se a cruz não estivesse invertida. Pedro morreu olhando para o alto, para o céu para onde esperava entrar e do qual tinha recebido as chaves...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Banda d'Além

2ª Feira - XIII Semana Comum

Para seguir a Cristo é preciso passar para a Banda d’Além.

“Vendo Jesus à sua volta uma grande multidão,
mandou passar para a outra margem do lago (Mt 8,18).

Os barcos estão seguros se permanecerem no porto, mas não foram feitos para isso.

Aos seus discípulos Jesus sempre ordenará uma travessia.
Ninguém será discípulo do Senhor se não estiver disposto a olhar adiante, empreender caminhadas, enfrentar os seus próprios medos, enfrentar situações novas, vencer as limitações, aprender mais, descobrir melhor, romper com a paralisia, simplesmente ousar, atrever-se, enfrentar temporais…

Para fazer essa travessia é preciso desatar amarras (deixar as riquezas ou os poisos de segurança, a família, a casa do pai…) desprender-se da terra, do aqui e do agora e ir em frente.


sábado, 25 de junho de 2011

Renegue-se a si mesmo

Ano A - XIII Domingo Comum

RENEGUE-SE A SI MESMO
TOME A SUA CRUZ

- Cruz como sinal de persignar-se:
persigne-se e siga-me,
isto é, arrependa-se e siga-me.

- Cruz como altar de oferecimento:
cada um tem a sua cruz,
o seu modo de se oferecer.

- Cruz como sofrimento:
esqueça-se a si mesmo,
assuma o sofrimento e siga-me.

- Renegar-se não é ficar passivo:
é abraçar uma cruz,
usar as mãos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Partir

2ª Feira - XII Semana Comum

Deixar tudo e seguir... é perfeição, diz o padre António Vieira.

O Senhor disse a Abraão:
Deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar.
Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei... E todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas. Abraão partiu como o Senhor lhe dissera para a terra de Canaã… tinha 75 anos. (Génesis 12, 1-9)

Três propostas que Deus apresenta a Abraão: - deixar terra natal, - a pátria - e a família (casa do pai).
Três realidades: - uma geográfica, - uma cultural, -uma pessoal (de onde Abraão é chamado do fundo da sua própria identidade).

A vocação toma-o em tudo aquilo que é.
O chamamento de Deus manifesta-se, portanto, desde o início, como totalizante. Não pede um aspecto ou outro da vida de Abraão: pretende toda a vida até então vivida, e da qual é chamado a sair.
A vocação é ao mesmo tempo singular e plural.
Singular porque é um carisma pessoal dirigida a uma pessoa particular.
Plural porque engloba todas as dimensões da pessoa chamada e integra-a numa comunidade -”E todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas” (Gn 12, 3).

Por esta primeira história vocacional poderemos ver como é impressionante a relação entre a singularidade e a universalidade, presente em cada vocação.
Abraão deixa de ter passado e idade – pois não há idade para ser chamado e partir.
Em Abraão desaparece tudo o que ele viveu e fez no passado, até ao momento do seu chamamento. Não pode voltar atrás.

Escreveu D. Hélder Câmara:
“...Missão é sempre partir, mas não devorar quilómetros. É, sobretudo, abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então missão é partir até os confins do mundo”.

Neste processo, pregar o Evangelho muitas vezes não significa falar, mas agir.
O “ir” implica um partir, mas não de um lugar físico. Este partir significa deixar tudo: casa, família, terras... (cf. Mt 19,29) para seguir a Cristo. Deixar pai, mãe, irmãos, não significa romper com a própria família, mas abrir-se para acolher uma família ainda maior, a grande família dos filhos de Deus. O partir é um sair de si para encontrar o outro.

domingo, 19 de junho de 2011

Trinitas

Solenidade da Santissima Trindade

Conta-se que certa vez um filósofo cruzou-se com as crianças que vinham da catequese.
- O que é que aprenderam hoje?
- Hoje aprendemos o mistério da Santíssima Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- Ena pá, com tanta gente! E qual deles é o mais velho?
- As pessoas divinas são eternas portanto em Deus não há idade.
- Então o pai não é mais velho do que o filho? Insiste o filósofo.
- Claro que não. Aprendemos que há um só Deus em três pessoas iguais e distintas.
- Então diz-me lá. O teu pai não é mais velho do que tu?
- Não senhor...
- São essas mentiras que vão aprender à catequese? Olha, o meu pai é mais velho do que eu.
- Pois fique a saber que o meu não. O meu pai é há tanto tempo meu pai como eu sou seu filho. Enquanto eu não fui filho dele, ele não foi meu pai.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, ao Deus que é, que era e que vem, como era no princípio, agora e sempre.

As pessoas divinas não são três deuses porque o cumprimento, a largura e a profundidade dum corpo não são três corpos; nem a raiz, o tronco e os ramos não formam três árvores; como a forma, a cor e a fragrância da flor não fazem três flores. Assim Deus não se contenta em relacionar-se com o Homem apenas como Pai, mas também como irmão, por Jesus Cristo, e como Espírito vivificante.




sexta-feira, 17 de junho de 2011

Acumular no céu

6ª Feira - XI Semana comum

Não acumuleis tesouros na terra…
Acumulai tesouros no Céu…
Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração.

Mais do que negar as posses ou bens materiais, a concepção do Evangelho de Mateus era opor o projecto de riqueza ao projecto do Reino dos Céus Ambos os projectos – de riqueza e de Reino dos Céus – são opostos, pois tanto um quanto o outro ocupam todas as dimensões da vida e não se pode investir a vida em duas propostas distintas.
Nesse confronto entre Deus e a riqueza material é impossível unir as duas coisas, pois ambas exigem prioridades não sendo possível conciliá-los.
O que importa é optar, decidir-se, escolher, dar prioridade…
Optar entre duas hipóteses, é renunciar a algo para aderir ao que se acha único necessário.
Escolher algo como essencial é sinal de maturidade. Só um adulto é capaz de renunciar.
Acumulai tesouros no Céu… é o mesmo que dizer: sede adultos, maturos e responsáveis!


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Quando jejuares

4ª Feira - XI Semana Comum

O jejum não muda a Deus.
Ele é sempre o mesmo, antes, durante e depois do nosso jejum.
Jejuar só mudará a nós mesmos.
Vai ajudar a manter-nos mais suscepíveis ao Espírito de Deus.
O jejum não tornará Deus mais bondoso ou misericordioso para connosco.
O jejum deixará o nosso espírito mais atento, pois mortifica a carne e espevita a alma.
Quando jejuamos, não devemos mirar o jejum, mas sim em Deus.
A resposta às orãções flui melhor quando jejuamos, porque através desta prática estamos a libertar o nosso espírito.
O jejum não é um fim em si mesmo, mas um meio para tomarmos consciência da nossa contingência e da nossa constante fome de Deus.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sobressair em tudo


3ª Feira – XI Semana Comum

Na 1ª Leitura São Paulo lembra que os Coríntios sobressaíam em tantas coisas, 6 ao todo:
- na fé
- na eloquência
- na ciência
- em tudo o que é útil
- na caridade
- na generosidade

Isto quer dizer que não basta ter fé, é preciso expressá-la com elegância e eloquência.
Não basta ter ciência, é preciso torná-la útil.
Não basta ter caridade, é preciso acrescentá-la com generosidade.

E nós?
Façamos a lista daquilo que devemos sobressair para que sejamos perfeitos como é Perfeito o nosso Pai Celeste.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo António

Dia da Festa de santo António

Duas lições do Doutor Evangélico:

1. Lição das abelhas
“Os bons cristãos deveriam seguir o exemplo das abelhas.
Diz-se que as abelhas se colocam com todo cuidado nos buracos da entrada da colmeia e, na eventualidade de que algum bichinho consiga entrar, elas não o deixam em paz e o perseguem por todos os lados até expulsá-los para fora da colmeia... como as colmeias, assim são os nossos corpos, possuem cinco entradas que são os cinco sentidos. Entre estes, de especial importância são os olhos com os quais temos que vigiar atentamente para que não penetre em nós algo estranho e turvo.
Se alguma sugestão diabólica ou algum instinto perverso perturbar nosso espírito, não devemos de jeito nenhum e por nenhum motivo permitir que permaneça por muito tempo em nós. Com efeito, sua demora transforma-se em perigo e, assim afirmam os moralistas, um pensamento mau, conservado com complacência, já constitui uma falta moral. Portanto, logo que a consciência adverte que o pensamento está indo para o ilícito e não o afasta, está permitindo que se forme o assim chamado pensamento mau cultivado.
Como as abelhas, assim o bom cristão deve movimentar-se prontamente e, com o ferrão de sua boa consciência e da oração, tem que perseguir sem cansar-se os intrusos até expulsá-los para fora da colmeia de seu coração…”
(Sermões de Santo António Dom, III in Quadr., 1,153,27155,10)

2. Lição sobre a Oração
O que é que Santo António ensina sobre a Oração?
“Oração é dirigir os nossos afectos para Deus; é um devoto e amigável falar com Ele. É a tranquilidade da mente iluminada do alto.
Oração é também pedido para obter os bens temporais necessários para esta vida terrena.
Por fim, Oração é agradecer, isto é, reconhecer os benefícios recebidos, e oferecer todo o nosso empenho a Deus, de modo que a nossa Oração possa ser permanente.
O Senhor manifesta-se àqueles que param por um pouco de tempo em paz e humildade de coração. Se tu olhas nas águas turvas e turbulentas, não podes ver a expressão do teu rosto. Se tu queres ver o rosto de Cristo, pára, recolhe os teus pensamentos, em silêncio, e fecha a porta da tua alma ao rumor das coisas exteriores.
A saudação dos anjos e as bênçãos de Deus não são para aqueles que vivem na praça pública, isto é, fora de si, agitados e distraídos. O doce "Avé" foi dirigido a Maria quando Ela estava absorvida na oração, no silêncio de sua casa. Deus, para ser capaz de falar à alma e enchê-la com o conhecimento do seu amor, condu-la à solidão, destacando-a das preocupações das coisas terrenas. Ele fala ao ouvido daqueles que são silenciosos, e fá-los participantes dos seus segredos.
…Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa…”

A tradição popular diz que Santo António deu uma oração a uma pobre mulher que procurava ajuda contra as tentações do demónio.
Sisto V, Papa franciscano, mandou esculpir a oração - chamada também de "lema de Santo António" - na base do obelisco que mandou erigir na Praça de S. Pedro, em Roma.

Ecce Crucem Domini!
Fugite partes adversae!
Vicit Leo de tribu Juda,
Radix David! Alleluia!

Eis a cruz do Senhor!
Fugi forças inimigas!
Venceu o Leão de Judá,
A raiz de David! Aleluia!

Esta breve oração tem todo o sabor de um pequeno exorcismo. Também nós podemos usá-la - em latim ou português - para nos ajudar a superar as tentações que se nos apresentam.

domingo, 12 de junho de 2011

Sopro de Deus

Ano A - Pentecostes

Estávamos a reflectir sobre o Evangelho do envio dos Apóstolos e a infusão do Espírito Santo:
“Jesus disse-lhes – assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós. Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo...”
- Quem quer dizer porque é que Jesus soprou sobre os seus discípulos?
Um garoto respondeu com simplicidade:
- Para os empurrar e irem mais depressa.
Não era essa a resposta que eu esperava mas afinal o mesmo Espírito continuava a inspirar estas ideias. Pus de parte as complicadas reflexões teológicas, que tinha preparado, e deixei-me envolver por esta linguagem simples e sugestiva, tão ao jeito do mesmo Espírito.

De facto o Espírito Santo dá-nos a força e a urgência das coisas. Predispõe-nos a partir. É esse sopro que nos empurra, que nos dá a responsabilidade de profetas e enviados.
O Espírito é “pneuma”, ar, sopro ou vento. É ele que nos faz mexer porque é acção ou dinamismo. Ninguém o pode agarrar ou guardar só para si, pois é espírito de unidade e de comunhão. Sopra onde quer, não tem grades ou cadeias, é Espírito de liberdade. Não se vê mas sente-se, pois é humildade e discrição. Envolve-nos por dentro e por fora porque é afago e amor. É vento ou sopro que varre e limpa como espírito de purificação. Sendo ar, oxigénio, respiração, é vida.
É este sopro que nos leva longe.


terça-feira, 7 de junho de 2011

Como servir

3ª Feira – VII Semana da Páscoa

Na primeira Leitura São Paulo ao despedir-se dos seus amigos de Mileto, faz a lista do serviço que ali prestou a Deus.

Ele como?
- Serviu com humildade (é este um bom serviço a Deus e aos irmãos)
- com lágrimas (são um genuíno ministério)
- com provações (através de sacrifícios e sofrimentos
- sendo útil para todos (com proveito)
- com pregações (serviço da palavra)
- com instruções (serviço da correcção fraterna)
- em público (na comunidade)
- em particular (no relacionamento pessoal)
- com exortações (a todos motivando)
- tanto a judeus (os de mais perto)
- como os gregos (os mais distantes)

Perguntemos como é que nós estamos a servir a Deus, de que formas variadas… São Paulo apresenta 12 maneiras diferentes de servir a Deus, e nós?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eu venci o mundo

2ª Feira - VII Semana da Páscoa

No mundo tereis tribulações, mas tende confiança, eu venci o mundo.

Nos primeiros anos do meu ministério sacerdotal, ao ter grandes tarefas para assumir, eu sentia muito medo. Fui consultar um santo sacerdote que me disse:
- Usa este lema - Eu não Vos temo porque vos amo. Pois o amor vence todas as barreiras, todas as tribulações. Só a força do amor abala as estruturas do medo.

"No mundo tereis tribulações" - Hoje estas tribulações não são perseguições, martírios, ou tarefas difíceis a assumir... são simplesmente tentações, inclinações, pecados que nos afligem ou o mal que nos persegue.

São Domingos Sávio dizia: Antes morrer que pecar!
Hoje as pessoas têm medo da verdade, medo da morte, medo das doenças, medo de Deus, mas não têm medo do pecado.

Hoje peço a Deus um santo medo, o medo de pecar. Quero ter medo de fazer o mal, um medo sadio porque é fruto do temor a Deus.

Deixemos que a graça de Deus nos afaste dos medos doentios e restaure em nós o temor de Deus.
Que em tudo possamos ouvir a voz do Senhor que nos diz:
- Coragem... Não tenhais medo de lutar contra o pecado, contra o mal. Tende confiança, pois em venci o mundo.

Ascensão

Ano A - Domingo da Ascensão

A - Olhar para a frente sem deixar de olhar para o alto.
B - Olhar para o alto sem deixar de olhar para a frente.
C – Dia mundial das comunicações sociais
D – Oração digital

A – Olhar para frente
Estavam os discípulos a olhar para o alto, quando duas figuras lhes apareceram e disseram: porque olhais para o alto, ide a caminho da Galileia… e pregai a boa nova…
Em vez de ficarmos a olhar para o alto, é preciso olhar para a frente e seguir o caminho da evangelização.
Há outro motivo para olhar para a frente em vez de ficarmos parados a olhar para o alto:
Um dia o Sr. Prior pregou sobre a Ascensão do Senhor… No final um paroquiano foi ter com ele e felicitou-o:
- Muito bem pregou o Sr. Prior hoje. Que palavras eloquentes sobre o Céu para onde Jesus se elevou… É pena que o Sr. Pior tenha dito como é o céu ou o paraíso mas não disse onde é que ele fica. Disse o que é, mas não onde está…
- Queres então saber onde podes encontrar o céu? Fica na Rua das Giestas, nº 9.
O Paroquiano ficou meio amuado com a resposta. O Prior estava a gozar com ele. Mas pelo sim, pelo não a caminho de casa passou pela rua das Giestas e encarou com o nº 9. Parou, espreitou, entrou curioso e viu uma mulher, doente, rodeado de filhos pequenos, na maior miséria. Começou imediatamente a ajudar, foi pedir mais socorro e toda a paróquia amparou aquela família que passou a viver com toda a dignidade e na maior felicidade partilhada por todos.
Ali estava o paraíso ou o céu…
É preciso olhar para a frente, como enviados e como agentes do bem… pois é aí que está o paraíso para onde Cristo nos quer levar.

B – Olhar para o alto
Jesus elevou-se para nos atrair para lá, para orientar o nosso olhar até ao alto.
O que nós precisamos encontra-se lá no alto onde Jesus nos foi levado.
Numa tarde de primavera uma menina foi passear pelo campo. Parou junto a um riacho e mirou-se na água límpida e transparente. No fundo da água viu uma linda rosa. Esticou logo a mãozinha para alcançá-la. A água tremeu e a menina deixou de ver a flor. Momentos depois a água serenada voltou a apresentar-lhe a linda rosa lá no fundo. Nova tentativa para apanhá-la lá na água. Nesse momento ouviu uma voz:
- Menina, porque está a tentar alcançar aí em baixo, o que se encontra no alto. Olha para o céu…
Ela levantou-se e viu a roseira que ostentava a linda flor sobre a sua cabeça e que a água do riacho reflectia. Ela colheu então a flor, enfeitou o seu chapéu seguiu feliz.
Em vez de olharmos para o chão, à procura de algo que nos faça felizes, olhemos para o alto, pois de lá nos vem toda a nossa felicidade.

C – Mensagem do Papa
para o 45º dia mundial das comunicações sociais:
“Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital”

É uma reflexão sobre a difusão da comunicação através da rede internet.
Alguém dizia-me que era preciso adaptar o Evangelho e a pastoral às novas tecnologias, sobretudo às redes sociais (Facebook, Youtube, Hi5, Twitter, Blogger, Orkut, Myspace, Newsletter...).
Pois então, eu pensava que era o contrário: é preciso sim adaptar as novas tecnologias ao Evangelho e aos valores evangelhos… Deixar que a luz do Evangelho ilumine esses instrumentos de comunicação.
Quem nos dera que as redes sociais que tanto aproximam as pessoas e estreitam a sua união, possam também aproximar as pessoas de Deus e Deus das pessoas….

D- Oração na Net

Hoje rezo com e pelo autor desta oração que desconheço a sua identidade:

“Mais perto que o aqui.
Mais rápido que o já…
Ainda só Te desejo e aí está,
Na sombra da minha porta,
O toque da Tua voz.
Penso e Tu sabes
A palavra antes do ar.
Sonho e já existe a matéria
Que quero transformar.
E se me perco na procura
Das coisas sem sentido,
És Tu que me encontras, alegre
No meu caminho dorido!...
Conheces todos os sinais
Por que me digo
E, eu, o caminho recto
De falar contigo:
P@i.com

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Missão comprida

Ano A - Ascensão

Depois de ter proclamado o Evangelho da Ascensão do Senhor, o sacerdote perguntou aos catequizandos:
- Então, quem é capaz de dizer o que é que Jesus fez no dia da Ascensão?
- Ele foi descansar – Respondeu com toda a seriedade um dos miúdos.
- Como assim? Explica-te melhor, pediu o padre, surpreendido por aquela resposta inesperada.
- Jesus primeiro mandou os seus discípulos ir por todo o mundo levar o evangelho e depois foi sentar-se à direita do Pai pois já tinha quem fizesse o trabalho que ele fazia antes.
O sacerdote não teve outro remédio que consentir que de facto o miúdo tinha razão.

Cristo subiu aos Céus pois já tinha quem continuasse a sua obra cá na terra, apesar de cooperar com eles. Deixava a sua missão cumprida. Ao mesmo tempo deixou-a comprida, pois tinha de continuar através dos seus enviados.
O mistério da Ascensão de Jesus traz a responsabilização dos seus discípulos. Deixa-os em liberdade, com o poder e a responsabilidade de continuarem a sua obra. É por isso que eles não podiam ficar parados a olhar mas tinham de pôr mãos à obra. E quando todos estiverem instruídos, todo o mundo subirá, ou melhor, Cristo descerá ao seu encontro outra vez.
Toda a vida de Cristo foi uma ascensão tal como um convite a que cada cristão deve elevar-se, projectar-se na eternidade.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

5ª Feira da Espiga

5ª Feira - VI Semana da Páscoa

Quinta-feira da Ascensão ou da Espiga

Denomina-se "Quinta-feira de Espiga" ou "Dia da Espiga", a quinta-feira de Ascensão em que a Igreja comemora a Ascensão de Jesus ao Céu, 40 dias após a Páscoa da Sua Ressurreição.
Para simbolizar a bênção dos primeiros frutos, colhe-se pelos campos espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga.
Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.
O raminho de flores é constituído por:
- uma flor branca que simboliza a paz;
- uma amarela, o ouro;
- uma espiga, o pão;
- uma papoila, o amor;
- malmequer, ouro e prata;
- videira, vinho e alegria;
- alecrim, saúde e força.
- e um raminho de oliveira, o azeite.
Guardá-lo em casa durante todo o ano é condição para ter sempre alegria, dinheiro, paz e pão.
O dia da espiga é também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se deve trabalhar.
É chamado o dia da hora porque nessa hora, ao meio-dia, tudo pára:
- as águas dos ribeiros não correm,
- o leite não coalha,
- o pão não leveda
- e as folhas cruzam-se.
É nessa hora que se deve colher as plantas para fazer o ramo da espiga.
Tudo isto para dizer que na 5ª feira da Ascensão, Céu e Terra uniram-se; o Céu ficou uma nova Terra e a Terra um novo Céu formando assim um todo; pois Jesus ao elevar-se, todos e tudo elevou, unificou e santificou.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ser criança

Hoje celebra-se o dia da criança

Recordo um modelo evangélico:

Irmã Teresa do Menino Jesus era alta, media um metro e sessenta e dois, enquanto a Madre Inês de Jesus era bem mais baixa.
Perguntei-lhe um dia:
- Se te deixassem escolher, que terias preferido: ser alta ou baixa?
Ela respondeu sem hesitar:
- Escolheria ser baixa para ser pequena em tudo.
A Igreja sempre viu em Teresa do Menino Jesus a santa da infância espiritual.
É o próprio Evangelho, é o coração do Evangelho que ela redescobriu; mas com que graça e frescor: ‘Se não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus’ (Mt 18, 3)

Ao Deus Desconhecido

4ª feira - VI Semana da Páscoa

Oração de Nietzsche

Muitos só conhecem de Nietzsche a frase “Deus está morto”. Não se trata do Deus vivo que é imortal. Mas do Deus da metafísica, das representações religiosas e culturais, feitas apenas para acalmar as pessoas e impedir que se confrontem com os desafios da condição humana. Esse Deus é somente uma representação e uma imagem. É bom que morra para liberar o Deus vivo. Mas não devemos confundir imagem de Deus com Deus como realidade essencial.
Nietzsche estudou teologia. Eu pude dar uma palestra na Universidade de Basileia na sala em que ele dava aulas, quando fui professor visitante em 1998 lá.
Esta oração que aqui se publica é desconhecida por muitos, até por estudiosos do filósofo. Foi encontrado entre os seus escritos póstumos. (Leonardo Boff.com)

Oração ao Deus desconhecido

Antes de prosseguir no meu caminho
e lançar o meu olhar para frente
uma vez mais elevo, solitário,
as minhas mãos a Ti,
na direcção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
tenho dedicado altares festivos,
para que em cada momento
a tua voz me possa chamar.

Sobre esses altares está gravada em fogo
esta palavra: “ao Deus desconhecido”.
Eu sou teu, embora até o presente
me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
sinto-me forçado a servir-Te.

Eu quero conhecer-Te, ó Desconhecido!
Tu que me penetras a alma
e, qual turbilhão, invades a minha vida,
tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero conhecer-Te,
quero até servir-Te.

Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.