sexta-feira, 1 de abril de 2011

Apresentação de Livro

Foi no dia 25 de Março, no auditório do Museu Casa da Luz, a apresentação d um novo livro da Professora Gizela Dias da Silva.













RASGOS DA MINHA INFÂNCIA

Gizela Dias da Silva - Texto
Louisa Isabel Roldão – Ilustração
Editorial Eco do Funchal, Março 2011

Fomos convidados para o lançamento do Livro “Rasgos da minha infância”.
Engana-se quem está à espera da apresentação de um livro.
Não se trata de um livro, de mais um livro, e já lá vão 8 desta mesma autora, mas sim de uma viagem.
De facto é de uma viagem que se trata:
Lemos na página 4: “Agora, que despejei no papel … vou terminar meu relato… Melhor falando: vou pôr um ponto final a esta viagem que me propõe sedução.”
É uma viagem que nos leva longe:
Lemos na página 30: “Que saudade me transporta aos meus tempos de infância”.
Viagem que não esquece malas e bagagens, como lemos na página 32: “ Encerro a bagagem que me deram no trem das minhas memórias.”
Viagem com trajecto delineado, pois lemos na página: “Que lindo trajecto efectuado, por mim, na travessia do meu íntimo”.
Ou na mesma página: “ Apenas trazia consigo o entusiasmo do enfoque e a contenção do percurso.”
Não é uma viagem qualquer: é uma viagem, não para fora, mas ao íntimo de si mesmo.
Mas é uma viagem feita também no terreno: Cancela, Caniço, São Gonçalo – lugares que por coincidência fazem parte também da minha experiência de menino e moço. Mas a geografia da nossa infância é sempre universal, pois não é o local que nos marca, nós é que marcamos o local. Não é a experiência que nos dignifica, nós é que dignificamos a experiência. Enfim, não é o que fazemos que nos valoriza, nós é que a valorizamos tudo o que de mais simples fazemos.
Esta viagem tem 15 etapas – os 15 títulos ou episódios ou memórias de tempos idos, tempos a tempo renascidos.
Viagem reveladora de novas paisagens, largos horizontes, cores diferentes: cada história a sua tonalidade, cada episódio a sua cor, cada memória o seu movimentos. É uma viagem narrada e projectada: é um livro para se ver e ouvir. É uma viagem de texto (Gizela Dias da Silva) e ilustração (Louisa Isabel Roldão).
O risco, a cor, o traço, a forma, o escuro, o claro, o desenho, a pintura, outras histórias fazem dessas histórias. Outros contos, outras perspectivas das mesmas paisagens vieram realçar a vida dessas histórias.
No dia em que a Louisa Isabel Roldão acrescenta mais um ano à sua jovem vida, dá-nos o prazer, pelas suas ilustrações nesta obra, de acrescentar mais vida aos nossos anos, às nossas memórias.
É uma viagem pelo mundo da criatividade, uma viagem misteriosa, que se vai recriando à medida que vamos penetrando “nas origens do infinito” (Momentos de sonho). Tudo é criado e recriado.
Parte-se das simplistas brincadeira de antigamente, onde cada criança fazia os seus próprios brinquedos: as bonecas de trapo, os joeiras, as papoilas transformadas em bailarinas…
Mas a criatividade não se esgotava na arte de confeccionar. Alarga-se também pela personificação, pela vida e dinâmica que se lhes transmite: Ser mamã de uma boneca, ou uma gatinha transformada em brinquedo, ou um canteiro ajardinado pelos anjos, ou pôr as plantas a dormir, ou ainda o sonho de querer casar com as rosas…
A mesma criatividade alarga-se não apenas através da evocação do passado mas também através das ilustrações, como contributos abertos à sua potencialidade máxima. E nós hoje continuamos a viajar e a alargar os horizontes dessa acção criadora através da leitura, da contemplação e da nossa fantasia…
É também uma viagem de recordações… São constantes as evidências deste exercício da memória: rever, recordar, reviver, reencontrar, encontrar-se com o passado, marcas da infância, confrontar o hoje com o ontem, saudade, nostalgia… são alguns exemplos.
E eu posso concluir:
Todos dizem que recordar é viver, é reviver, é trazer do passado, é desenterrar, é ressuscitar, é dar nova vida.
Eu também pensava assim que Recordar é viver!
Mas hoje descobri o contrário, e foram estes rasgos que me despertaram para uma verdade diferente:
Recordar não é viver, viver é que é recordar,
Viver é recordar, é nunca se esquecer, viver é marcar, viver é eternamente celebrar. Mais do que recordações da minha vida, quero manter a vida das minhas recordações, porque recordar não é viver, viver é que é recordar.
Finalmente este livro, mais do que uma viagem é uma peregrinação…é um percurso que nos transcende, é um trajecto que nos engrandece, é uma caminhada envolvida de mensagens, uma escalada ou ascese rumo à eternidade.
Destaco algumas mensagens, ipsis verbis:
“Todo o bem que fazemos fica por Deus registado nas páginas do historial da Humanidade.”
“As tradições respeitam-se e transportam-nos nas asas do tempo…”
“Todas as pessoas têm sonhos… adormecidos no seu peito…”
“A vida é cheia de encontros, ou melhor, de reencontros... Saibamos procurá-los.”
“A vida sem luta é como um campo que nada produz…”

Rasgos da minha infância é pois um livro de viagens…
É uma viagem rasgada, traçada, delineada… mas aberta como sulcos cavados pela criatividade e imaginação, com esforço e dedicação.
Obrigado à autora Gizela Dias da Silva por nos propor desta maneira a viagem mais difícil e a mais importante de se fazer: a viagem até ao mais íntimo do nosso coração.
Obrigado e bem haja!

(Foto de Alfredo Rodrigues, Jornal da Madeira)

quinta-feira, 31 de março de 2011

Cronologia

Ao terminar Março, o mês mais dehoniano, partilhamos a uma cronologia da vida de Leão Dehon

Mais do que somar 82 anos à sua vida, queremos contemplar a vida que ele somou aos seus 82 anos.

1843 – Ano 0
14 de Março = Nasceu Leão Dehon em La Capelle (Aisne) França.

1844 – Ano 1
O avô de Leão Dehon, Sr. Hipólito Dehon, durante décadas foi o Regedor de La Capelle, e como tal, foi ele quem fez o registo do nascimento do seu neto.

1845 – Ano 2
Também o pai de Leão Dehon, Sr. Júlio Alexandre Dehon, foi o Regedor de La Capelle durante vários anos.

1846 – Ano 3
19 de Setembro = É a data mais longínqua das recordações de Leão Dehon: três anos e meio. A sua mãe e as suas tias falavam muito da aparição da Virgem Maria a La Salette e das suas lágrimas.

1847 – Ano 4
Leão Dehon teve uma febre cerebral aos 4 anos de Idade. A mãe julgou perder o filho, mas foi curado.

1848 – Ano 5 Leão Dehon nunca deixava a companhia da sua mãe. Enquanto o irmão ia e vinha com seu pai, Leão Dehon ficava em casa e seguia a mãe… A bela alma da mãe passava assim para o seu filho.

1849 – Ano 6
Leão Dehon ia à igreja primeiramente para o banco com a sua mãe… Mais tarde começou a ir para a tribuna do pensionato e um colega ensinou-lhe a seguir as funções pelo seu missal.

1850 – Ano 7
Tinha cerca de 7 anos quando um bispo veio crismar e ao atravessar a igreja abençoava as crianças. Deu a beijar a Leão Dehon a sua cruz dizendo: É a cruz do meu santo predecessor…

1851 – Ano 8
Ao voltar do Pensionato sofreu um acidente numa noite de inverno com um tempo horrível, no meio de turbilhões de neve. Chocou com um cavalo, ficou derrubado no chão e a roda do carro atingiu-o na cabeça junto à orelha. Ficou-lhe uma certa surdez para toda a vida.

1852 – Ano 9
Leão Dehon recebeu influência constante da sua mãe. Tomou dela o gosto pela oração e pelas coisas religiosas. Brincava às capelas…

1853 – Ano 10
O último ano no Pensionato de La Capelle foi particularmente mau para Leão Dehon que se mostrou orgulhoso, altivo e intransigente…

1854 – Ano 11
04 de Junho = Recebeu a Primeira Comunhão na Igreja Paroquial de La Capelle.

1855 – Ano 12
01 de Outubro = Juntamente com o seu irmão Henrique iniciou os seus estudos no Colégio de Hazebrouck.

1856 – Ano 13
25 de Dezembro = Sentiu pela primeira vez o apelo vocacional para o Sacerdócio.

1857 – Ano 14
01 de Junho = Recebeu o Crisma na capela do Colégio de Poperingh, Bélgica, pelo Bispo de Bruges.

1858 – Ano 15
Verão = Durante as férias Leão Dehon foi com o pai ao castelo e parque de Chimmay, na Bélgica. Visitou a Trapa que o fascinou…

1859 – Ano 16
17 de Agosto = Obteve o Bacharelato em Letras.

1860 – Ano 17
12 de Julho = Obteve o Bacharelato em Ciências no Politécnico de Paris.

1861 – Ano 18
Abril a Junho = Primeira viagem à Grã-Bretanha.

1862 – Ano 19
18 de Agosto = Leão Dehon obteve a Licenciatura em Direito.

1863 – Ano 20
12 Agosto a 11 de Novembro = Viagem pela Europa – Reno, Baviera, Áustria, Prússia, Suécia…

1864 – Ano 21
23 de Agosto = Iniciou a Viagem pelo Palestina e Médio Oriente.

1865 – Ano 22
25 de Outubro = Entrou no Seminário de Santa Clara, fazendo os seus estudos de filosofia na Universidade Gregoriana.

1866 – Ano 23
25 de Julho = Fez a Licenciatura em Filosofia.

1867 – Ano 24
21 de Dezembro = Recebeu o Sub-diaconado.

1868 – Ano 25
19 de Dezembro = Foi ordenado sacerdote em São João Latrão, Roma.

1869 – Ano 26
08 de Dezembro = Iniciou-se o Concílio Vaticano, no qual o Pe. Leão Dehon desempenhou a função de estenógrafo.

1870 – Ano 27
19 de Julho = Obteve a Licenciatura em Direito Canónico.

1871 – Ano 28
03 de Novembro = Foi nomeado 7º vigário da Basílica de São Quintino, na Diocese de Soissons.

1872 – Ano 29
23 de Junho = Fundou uma espécie de oratório com o nome de Patronato ou Obra de São José, em São Quintino

1873 – Ano 30
1 de Novembro = Fundou o Círculo Católico de São Quintino.

1874 – Ano 31
Novembro = Fundou o primeiro jornal católico local, ‘O Conservador de Aisne’.

1875 – Ano 32
15 de Maio = Foi nomeado 2º vigário da Basílica de São Quintino.

1876 – Ano 33
24 de Outubro = Foi nomeado Cónego Honorário da Catedral de Soissons.

1877 – Ano 34
16 a 31 de Julho = Deu início ao seu noviciado e escreveu as primeiras Constituições.

1878 – Ano 35
28 de Junho = Fez os seus primeiros votos como Primeiro Oblato do Coração de Jesus. Foi o dia da fundação da Congregação.

1879 – Ano 36
27 de Agosto = O Pe. Dehon estando gravemente doente, a Irmã Maria de Jesus, das Servas do Coração de Jesus, ofereceu a sua vida por ele.

1880 – Ano 37
O irmão do Pe. Dehon, Henrique, foi também Regedor de La Capelle, dando continuidade, por eleição, do mesmo serviço prestado pelo avô e pelo pai durante vários anos.

1881 – Ano 38
29 de Dezembro = Ocorreu um incêndio no Colégio São João.

1882 – Ano 39
11 de Fevereiro = Em La Capelle morreu o Pai do Pe. Dehon.

1883 – Ano 40
19 de Março = Em La Capelle morreu a mãe do Pe. Dehon.

1884 – Ano 41
29 de Março = Recebeu o decreto do Santo Ofício a autorizar a reconstituição da Congregação agora com o nome de Sacerdotes do Coração de Jesus.

1885 – Ano 42
02 de Agosto = D. Thibaudier, bispo de Soissons, aprovou ‘ad experimentum’ as novas Constituições SCJ

1886 – Ano 43
15 a 16 de Setembro = Primeiro Capítulo Geral da Congregação SCJ.

1887 – Ano 44
02 de Outubro = O Pe. Dehon enviou à Santa Sé a relação sobre a Congregação para obter a sua aprovação.

1888 – Ano 45
25 de Fevereiro = Documento ‘Breve Louvor’ em que o Leão XIII deu a aprovação à Congregação SCJ.

1889 – Ano 46
25 de Janeiro = Fundou a revista ‘O Reino do Coração de Jesus nas almas e nas sociedades’.

1890 – Ano 47
06 de Agosto = O Pe. Dehon apresentou o novo Directório Espiritual SCJ.

1891 – Ano 48
15 de Maio = Foi publicada a encíclica de Leão XIII, ‘Rerum Novarum’ que deu impulso ao apostolado social do Pe. Dehon.

1892 – Ano 49
Agosto - Dezembro = o Pe. Dehon participou em vários congressos, assembleias e reuniões de obras sociais.

1893 – Ano 50
28 de Junho = Pe. Dehon é nomeado por D. Duval, presidente da comissão diocesana dos estudos sociais.

1894 – Ano 51
20 de Agosto = Publicou o ‘Manual Social Cristão’.

1895 – Ano 52
O Pe. Dehon publicou ‘A Usura no tempo presente’.

1896 – Ano 53
Dezembro = Publicação do ‘Retiro do Coração de Jesus’.

1897 – Ano 54
10 de Abril = Leão XIII nomeou o Pe. Dehon ‘Consultor do Índex’

1898 – Ano 55
25 de Novembro = Publicação do ‘Catecismo Social’

1899 – Ano 56
14 a 15 de Setembro = Quinto Capítulo Geral da Congregação SCJ.

1900 – Ano 57
26 de Março a 03 de Abril = O Pe. Dehon visitou Portugal ( Lisboa, Almada, Sintra, Alcobaça, Batalha, Leiria, Coimbra, Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos)

1901 – Ano 58
Maio = Publicou ‘A vida de amor para com o Coração de Jesus’.

1902 – Ano 59
09 de Novembro = Começou o Sexto Capítulo Geral SCJ em Lovaina

1903 – Ano 60
28 de Março = Os religiosos SCJ são expulsos de São Quintino na perseguição religiosa da França.

1904 – Ano 61
08 de Agosto = Erecção em Prefeitura da missão SCJ de Stanley-Falls e nomeação de D. Grison SCJ como Prefeito Apostólico.

1905 – Ano 62
O Pe. Dehon publicou ‘Coroas de Amor’

1906 – Ano 63
04 de Julho = Aprovação definitiva da Congregação SCJ

1907 – Ano 64
O Pe. Dehon publicou o ‘Coração Sacerdotal de Jesus’

1908 – Ano 65
O Pe. Dehon publicou ‘O plano da Franco-Maçonaria’

1909 – Ano 66
O Pe. Dehon publicou “Mil léguas na América do Sul” no qual fala da sua escala em Portugal e dos portugueses no Brasil.

1910 – Ano 67
Viagem à volta do mundo: Canadá, USA, Japão, Coreia, China, Filipinas, Java, Ceilão, Índia, Palestina…

1911 – Ano 68
02 de Março = Regresso do Pe. Dehon à França depois da Volta ao Mundo.

1912 – Ano 69
14 de Março = O Pe. Dehon publicou ‘Memórias’.

1913 – Ano 70
01 de Junho = Consagração da igreja São Martinho, cuja construção muito se deveu ao Pe. Dehon.

1914 – Ano 71
Início da I Guerra Mundial = O Pe. Dehon ficou retido em São Quintino e escreveu aí o seu Testamento Espiritual.

1915 – Ano 72
15 de Novembro = Morreu o empresário Leão Harmel, amigo e companheiro das obras sociais do Pe. Dehon.

1916 – Ano 73
01 de Julho = Bombardeamento aéreo de São Quintino.

1917 – Ano 74
Março = Evacuação de São Quintino. O Pe. Dehon foi deportado para a Bélgica. O Papa Bento XV chamou-o a Roma.

1918 – Ano 75
22 de Dezembro = O Pe. Dehon celebrou em Roma os 50 anos do seu Sacerdócio.

1919 – Ano 76
Julho = Publicação de ‘O Ano com o Coração de Jesus’ e ‘A vida interior’.

1920 – Ano 77
18 de Maio = Bênção e colocação da primeira pedra da Basílica do Coração de Jesus em Roma.

1921 – Ano 78
04 de Março = Foi entregue oficialmente e com todos os poderes as missões da Finlândia à Congregação SCJ.

1922 – Ano 79
18 de Julho = O Pe. Dehon eleito Superior Geral vitalício, com aprovação da Santa Sé.

1923 – Ano 80
05 de Dezembro = Aprovação definitiva das Constituições SCJ pela Santa Sé.

1924 – Ano 81
Maio = As novas Constituições SCJ foram impressas e promulgadas pelo Pe. Dehon.

1925 – Ano 82
12 de Agosto, às 12h10 = morreu piedosamente em Bruxelas.

terça-feira, 29 de março de 2011

Amigo, servo e santo

3ª Feira - III Semana da Quaresma

Na 1ª Leitura são recordados a Deus os 3 patriarcas: Abraão seu amigo, Isaac seu servo e Israel seu santo.

Para além de ser uma referência a 3 personalidades, nós podemos uni-las numa única entidade, como se fossem uma pessoa colectiva. Assim, essa pessoa apresentava 3 qualidades distintas. Mas podemos aplicar melhor - a ordem com que nos são apresentados é muito significativa. Primeiro amigo, depois servo e por fim santo. Se fores bom amigo, com certeza serás um bom servo e chegarás a santo.

Peço a Deus que me conceda estas virtudes por esta ordem bíblica: se amigo para ser bom servo e chegar a ser santo!

sábado, 26 de março de 2011

Água Viva

Ano A - III Domingo da Quaresma

- Senhor Padre, qual é a diferença entre a água benta e a água normal?
- A água benta é água normal que recebeu uma benção. É símbolo de Cristo que se apresentou como fonte de água viva.
- E o que é água viva?
- Então tu não sabes? – atalhou um seu colega – Quando a água está a mexer-se nós dizemos que ela está viva. Não é assim, Senhor Padre?
- É pois! - Respondi pensativo. É Cristo que se mexe e que põe-nos a mexer também, e nos faz renascer e reviver. Jesus é a água que corre para a eternidade.
Entre os gregos, as fontes eram divindades veneradas como doadoras da fertilidade, protectoras do casamento. A Bíblia vê nelas a figura da vida eterna que jamais seca, mas também expressão do renascimento baptismal. Tanto pode ser criativa como destrutiva, conforme o simbolismo pascal do morrer e ressuscitar.

No diálogo com a Samaritana, junto ao poço de Jacob, Jesus apresenta-se como fonte de água que jorra para a eternidade. É como a água que vem do alto, lembrando-nos que é divino. Reparte-se em mil gotas, sem perder a sua identidade e para se fazer chegar a todos. Transforma-se em seiva viva de cada um, é fonte de energia e sinal de purificação.
A iconografia cristã representa essa fonte divina no coração trespassado de Jesus, derramando o seu amor para saciar a nossa sede de salvação.
Todos nós bebemos desta fonte viva. Não podemos estagnar.


quinta-feira, 24 de março de 2011

O fardo da pobreza e o da riqueza

5ª Feira - II Domingo da Quaresma

Hoje ao contempar a pobreza de Lázaro e a riqueza do rico Epulão podemos aplicar uma reflexão de Santo Agostinho:

A pobreza é o fardo de alguns,
e a riqueza é o fardo de outros, e talvez o maior.
Fardos que podem pesar-lhes para a sua perdição.

Ajuda o teu próximo a levar o seu fardo de pobreza
e deixa que ele te ajude a levar o teu fardo de riqueza.
Aliviarás a tua carga
aliviando a dele.

Todos somos ricos nalguma coisa e pobres noutras,
ricos em capacidades, ou pobres em iniciativas...
às vezes somos Lázaros, outras vezes Epulões!
Ajudemo-nos então mutuamente a levar esses fardos....

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vamos subir a Jerusalém


4ª Feira - II Semana da Quaresma

Um corpo, pelo seu peso, tende para o seu lugar próprio; o peso não significa necessariamente ir para baixo, mas para o lugar próprio de cada coisa. O fogo tende para cima, a pedra para baixo, cada coisa para o seu lugar próprio; o óleo sobe para cima da água, a água desce para baixo do óleo. Se uma coisa não está no seu lugar, não está em repouso; mas, quando encontra o seu lugar, fica em repouso.
O meu peso é o meu amor: é ele que me leva para onde me leva.
O Teu dom, ó Deus, inflama-nos e leva-nos para cima; ele abrasa-nos e nós partimos. O Teu fogo, o Teu fogo bom, faz-nos arder e nós vamos, subimos para a paz da Jerusalém celeste – porque encontrei a minha alegria quando me disseram: «Vamos para a casa do Senhor!» (Sl 121, 1). É para aí que a boa vontade nos conduz por ser o nosso lugar, aí onde não desejaremos mais nada do que assim permanecer para toda a eternidade: Deus connosco e nós com Deus!

Santo Agostinho (354-430), Bispo (África do Norte) e Doutor da Igreja Confissões, XIII, 9

domingo, 20 de março de 2011

Retirar-se para transfigurar-se


Ano A - II Domingo Quaresma

Mt 17, 1-9
“Jesus tomou conSigo Pedro, Tiago e João
e levou-os, em particular,
a um alto monte
e transfigurou-Se diante deles”.

Após três anos de seguimento de Cristo, os apóstolos encontravam-se ainda impermeáveis à sua mensagem. Quanto mais sermões escutavam menos se impressionavam. Viam tantas boas obras, mas não se sentiam contagiados.
Então Jesus julgou impossível continuar assim. Tomou alguns discípulos à parte, levou-os para longe das multidões, no meio das quais se julgavam importantes. Conduziu-os para um lugar retirado, para um sítio calmo e solitário. Lá se acalmaram, se recolheram e começaram a ver claro. Despojaram-se das suas ambições e a sós com Jesus, sentiram a radiação da sua influência. Tornaram-se atentos, começaram a escutá-l’O como nunca tinham feito e a sentir a sua presença como nunca tinham notado.
Os discípulos sentiram-se então tão bem que desejaram aí ficar para sempre. Era bom ficar por ali e instalar a sua tenda. Não tinham sido grandes entusiastas da subida, mas notaram que a estadia fora muito curta. Queriam prolongá-la. Tinham gostado do retiro.

O tempo da Quaresma é a oportunidade para cada cristão sair da rotina, converter-se, renovar-se, isto é, mudar de vida. Para isso é preciso passar pelo deserto, retirar-se para se encontrar consigo mesmo e estar em condições de se aproximar dos outros e do Outro, de Deus. Onde quer que esteja, pode fazer o seu retiro ou caminhada quaresmal para chegar à glória da Ressurreição e deixar-se envolver por essa vida nova.

E como é que hoje se pode fazer retiro?
Vive-se um retiro da mesma forma que se escreve.
Retiro escreve-se assim:

R
de Recolhimento
E de Escuta
T de Transformação
I de Igreja
R de Reflexão
O de Oração.

sábado, 19 de março de 2011

Ser Transfigurado


Ano A - II Domingo Quaresma

Um dia, uma velhinha deu por falta do seu colar de ouro. Procurou-o por todo o lado mas não o encontrou. Suspeitou então da sua vizinha, mulher nova, bonita e atrevida. Devia ficar-lhe bem esse colar. Começou a espreitá-la por detrás das cortinas da janela. O modo de andar, o aspecto e o seu olhar pareciam mesmo de alguém que tinha culpas no cartório.
Alguns dias mais tarde, por casualidade, a velhinha encontrou o seu colar no fundo de uma gaveta. Então tornou a vigiar a sua vizinha: o modo de andar, o aspecto e o seu olhar pareciam mesmo de alguém inocente.

Ver com perfeição não depende tanto do que é visto mas do modo como nós vemos. E muitas vezes só vemos o que queremos ver.

Ao contemplarmos a Transfiguração de Jesus, parece, à primeira vista, que foi Ele que mudou. Mas isto depende de nós. Apenas nós temos de mudar. Somos o único obstáculo à manifestação de Deus. Uma luz emanava, sem cessar, de Cristo, mas os olhos distraídos e obscurecidos não viam. Por isso retirou-se, com alguns apóstolos, para um lugar calmo. Aí, a sós com Ele, tornaram-se atentos, começaram a escutá-lo como ainda o não haviam feito, a ver como Ele se encontrava sempre entre eles e como eles nunca o haviam reparado. Somos tão responsáveis pelas transfigurações como pelas desfigurações. Não é Deus que as recusa, somos nós que não nos prestamos a isso. Não teremos nunca revelações de Deus e dos irmãos além das que tivermos provocado e merecido.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Dia do PAI


ABENÇOADO PAI

Abençoado o Pai
que chama a criança à vida e sabe dar educação aos seus filhos!
Abençoado o Pai
que sabe jogar com os filhos e ‘perder’ tempo com eles!
Abençoado o Pai
para quem os filhos contam mais que os ‘hobies’ e as partidas de futebol!
Abençoado o Pai
que sabe escutar e dialogar, mesmo quando está cansado!
Abençoado o Pai
que dá segurança com a sua presença e o seu amor!
Abençoado o Pai
que sabe rezar com os filhos e confrontar a vida com o Evangelho!
Abençoado o Pai
convicto de que um sorriso vale mais do que uma repreensão;
uma brincadeira mais que uma crítica;
um abraço mais que qualquer recomendação!
Abençoado o Pai
que cresce conjuntamente com os filhos
e os ajuda a tornarem-se eles mesmo!
Abençoado o Pai
que sabe entender e perdoar os erros dos filhos
e reconhecer os próprios!
Abençoado o Pai
que caminha com os filhos em direcção a horizontes sem confins,
abertos ao homem, ao mundo e à eternidade!
Pai abençoado
és o maior tesouro, quero-te tanto!
Neste dia abro-me ao dom da tua pessoa,
à riqueza da tua paternidade, à tua saúde
e que Deu nos conserve unidos
e amigos para sempre.

(Adaptado de autor desconhecido)

terça-feira, 15 de março de 2011

os 7 Pês


3ª Feira - I Semana da Quaresma

O Pai-Nosso

Muitos segredos de salvação estão contidos nesta prece e começam com a letra “P”. Não que isso seja muito importante ou que esconda grandes segredos. Mas pode ser uma forma “prática” de gravar algumas lições que o Mestre de Nazaré nos pregou.
A primeira parte fala do “Pai”, que é nosso, e a segunda parte fala do “pão” partilhado, que também é nosso.
Uma parte aponta para o “paraíso” e a outra para a “planície”, ou seja, para a nossa terra, ou se se preferir, com “p”, nosso “planeta”.
Contei sete “pês” na oração do pai-nosso. Certamente uma procura mais atenta poderemos encontrar muito mais.

1. PAI
“Pai nosso…”

2. PARAÍSO
“…que estais nos céus”

3. PRECE
“…santificado seja o vosso nome”

4. PREPARAR-SE
“venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”

5. PÃO
“o pão nosso de cada dia nos dai hoje”

6. PERDÃO
“…perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…”

7. PAZ
“e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”



segunda-feira, 14 de março de 2011

Omissão


2ª Feira - I Semana Quaresma

«O que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos,
a Mim o fizestes»

Sabei, Cristãos, que se vos há-de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais estreita do que deixastes de fazer.
Pelo que fizeram, se hão-de condenar muitos; pelo que não fizeram, todos.
Cinco cargos, e todos omissões: «porque não destes de comer, porque não destes de beber, porque não recolhestes, porque não visitastes, porque não vestistes».
Em suma, que os pecados que ultimamente hão-de levar os condenados ao Inferno, são os pecados de omissão.
Por uma omissão perde-se uma inspiração, por uma inspiração perde-se um auxílio, por um auxílio perde-se uma contrição, por uma contrição perde-se uma alma; dai conta a Deus de uma alma, por uma omissão.
A omissão é o pecado que com mais facilidade se comete e com mais dificuldade se conhece; e o que facilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. A omissão é um pecado que se faz não fazendo.
Mas porque se perdem tantos?
Os menos maus perdem-se pelo que fazem, que estes são os menos maus; os piores perdem-se pelo que deixam de fazer, que estes são os piores: por omissões, por negligências, por descuidos, por desatenções, por divertimentos, por vagares, por dilações, por eternidades.
Eis aqui um pecado de que não fazem escrúpulo os ministros, e um pecado por que se perdem muitos. Mas percam-se eles embora, já que assim o querem; o mal é que se perdem a si e perdem a todos, mas de todos hão-de dar conta a Deus.

(Pe. ANTÓNIO VIEIRA, Pregando na Capela Real, no ano de 1650)

domingo, 13 de março de 2011

Ser Tentado


Ano A - I Domingo da Quaresma

No primeiro Domingo da Quaresma temos oportunidade de seguir a Jesus Cristo, no deserto, e a vencer as tentações, que ainda hoje nos pressionam. A expressão dominante de resistência, escrita em latim, tem outro sabor: Vade retro Satana.
Isto faz lembrar dois episódios que ilustram as nossas disposições.

Quando eu era pequeno, nas brincadeiras de infância, não se podia andar em arrecuas, porque era ensinar o caminho ao Diabo. Nós pensávamos que fazendo isso éramos apanhados por ele. O diabo é aquele que nos leva para trás, quem nos impede de avançar. Assim se deve compreender a palavra tentação. Só Cristo nos faz progredir.

O segundo episódio diz respeito à palavra Satanás. Num baptismo, o sacerdote perguntava:
- Renunciais a Satanás?
Os presentes, não habituados a essas cerimónias, olharam-se indecisos, sem saber que responder.
- A quem? A Santa Anás?
Depois de insistir, o reverendo traduz a expressão em linguagem mais familiar:
- Mandais o Diabo àquela banda?
- Sim, sim. Se é isso, está bem.

Parece que as maiores dificuldades no nosso caminhar surgem com uma capa de bondade, felicidade ou santidade. Parece que o tentador é uma pessoa de bem. É preciso mandar para bem longe tudo o que dificulta o nosso andamento. O seu lugar é lá atrás, para nunca mais nos atrapalhar. Quem olha para a frente e está sempre em progressão, não tem nada a temer. Quando alguém nos tenta agarrar é precisamente nessa altura que avançamos mais depressa.




sábado, 12 de março de 2011

Tempo de Rejuvenescimento

Quaresma,
tempo de Rejuvenescimento

“Os que fizeram penitência ou conversão tornar-se-ão jovens em todo o seu ser e estarão firmes sobre a rocha, desde que se convertam de todo o coração.” (Pastor de Hermas, III, 16,4)
Assim a Quaresma é um processo de rejuvenescimento.
Se detectamos em nós ou na nossa comunidade sintomas de velhice, é porque precisamos de conversão… É preciso fazer Quaresma.
Habitualmente pensamos o contrário: os exercícios quaresmais são coisas antiquadas. Quem se preocupa hoje com os temas de Jejum, abstinência, cinzas, via-sacra? São coisas caducas do passado.
A Quaresma é uma coisa de velhos!
É verdade, sim senhor. Quem não passa pelos exercícios quaresmais permanece velho… Só a penitência e a conversão nos transformam em criaturas novas. Então Quaresma é rejuvenescimento.
“Somos jovens, somos um povo novo, muito diferente do povo antigo: aprendemos o bem totalmente novo.
Para nós a fecundidade da juventude, o ardor de conhecer sempre.
Somos sempre jovens, sempre novos.
É preciso que sejamos novos, que tenhamos parte na verdade do Verbo.
Os que participam do eterno devem parecer-se com algo de incorruptível.
Como os adolescentes, toda a nossa vida é primavera, porque temos em nós a verdade que não envelhece, e porque essa Verdade anima a nossa vida.” (Clemente de Alexandria, Século III)
Inspirado in Um Manancial Inesgotável, Madrid 1998

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tempo de optimismo

Quaresma, tempo de optimismo

A Quaresma é um tempo positivo, luminoso e gerador de esperança.
Não se deve negar as exigências, o esforço, a austeridade, mas destacar os efeitos mais libertadores da caminhada quaresmal.
Não escondemos que a Quaresma nos pede um esforço acrescentado, mas o esforço é próprio de quem quer renascer.

Em vez de dizer mortificações, digamos vivificações.
Em vez de dizer negações, digamos libertação.
Em vez de dizer abstinência, digamos austeridade.
Em vez de dizer penitência, digamos coração novo.
Em vez de dizer pranto, digamos misericórdia.
Em vez de dizer rezas, digamos encontro consigo mesmo e com Deus.
Em vez de dizer exercícios, digamos actualização do mistério de Cristo.
Em vez de dizer tristeza, digamos felicidade crescente.

A Quaresma não é um tempo antipático, mas de esforço de superação.
A Quaresma não é um tempo de pena, mas de graça.
A Quaresma não é uma coisa de velhos, mas de quem deseja ser jovem.
A Quaresma não é negativa, mas criativa.
A Quaresma não mortifica, mas prepara à vida pelo caminho do amor.
A Quaresma não fere, mas poda a folhagem.
A Quaresma não proíbe, mas afirma a lei do amor.
A Quaresma corta amarras, para sermos mais livres.
A Quaresma é austera, para sermos solidários.
A Quaresma reza, porque temos fome de Deus.
A Quaresma golpeia o coração, para que este possa engrandecer.


Inspirado in Um Manancial Inesgotável, Madrid 1998

quinta-feira, 10 de março de 2011

A alma do mundo

5ª Feira depois das Cinzas

No Evangelho ouvimos Jesus dizer:
De que vale ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma!

Alma de quem? A sua ou a dele?

De que vale ganhar o mundo e não ganhar a alma do mundo?
Ganhar só o mundo é como alcançar um corpo sem alma.

Nós somos a alma do mundo,
somos nós quem dá dignidade ao mundo, quem lhe dá vida, quem lhe dá razão de ser...

Ganhemos o mundo e não nos esqueçamos de nos ganhar a nós mesmo, pois nós somos a alma do mundo.

Vale a pena ganhar o mundo com a integridade da sua alma que somos nós.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Início da Quaresma

Os exercícios da Quaresma:
a esmola, a oração, o jejum

Meus irmãos, começamos hoje a grande viagem da Quaresma.
Levemos, pois, no navio todas as nossas provisões de alimento e bebida, colocando sobre elas a misericórdia abundante de que teremos necessidade.
Porque o nosso jejum tem fome, o nosso jejum tem sede se não se alimentar de bondade, se não se dessedentar com misericórdia.
O nosso jejum tem frio, o nosso jejum desfalece se o velo da esmola não o cobrir, se a capa da compaixão não o envolver.
Irmãos, a misericórdia está para o jejum como a Primavera está para os solos: o suave vento primaveril faz florescer todos os rebentos nas planícies; a misericórdia do jejum faz brotar todas as nossas sementes até à floração, fá-las encherem-se de frutos até à colheita celeste.
A bondade está para o jejum como o óleo está para o candeeiro. Tal como a matéria gorda do óleo alimenta a luz do candeeiro e, com tão pouco alimento o faz brilhar para o conforto de toda a noite, assim a bondade faz o jejum resplandecer: lança raios até atingir o brilho pleno da continência.
A esmola está para o jejum como o sol está para o dia: o esplendor do sol aumenta o brilho do dia, dissipa a obscuridade das nuvens; a esmola que acompanha o jejum santifica a santidade do mesmo e, graças à luz da bondade, remove dos nossos desejos tudo o que poderia ser mortífero. Em suma, a generosidade está para o jejum como o corpo está para a alma: quando a alma se retira do corpo, traz-lhe a morte; se a generosidade se afastar do jejum, é a morte deste.

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Pedro Crisólogo (c. 406-450), Bispo de Ravena, Doutor da Igreja Sermão 8; CCL 24, 59; PL 52, 208 (a partir da trad. Matthieu commenté, DDB 1985, p. 59 rev.)

Lembra-te ó pó que és homem


Dias de Cinzas
Início da Quaresma

Lembra-te ó pó que és homem e em homem te hás-de tornar!

Na Quarta-feira de Cinzas, alertei os alunos para a celebração do início da Quaresma. Perguntei se alguém sabia o que é que o sacerdote dizia ao impor as cinzas. Ninguém era capaz de dizer. Então fui sugerindo:
- Lembra-te que… quem é capaz de completar a frase? Eu ajudo … pó… homem…
- Já sei – respondei um aluno mais espevitado - Lembra-te, ó pó, que és homem e em homem te hás-de tornar!
Eu comecei a rir com aquele trocadilho e corrigi: “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás-de tornar.”
Mas logo depois compreendi que, afinal, lhe tinha fugido a boca para a verdade. Mas quem somos nós?! Somos barro, somos pó, limitados mas portadores de um grande tesouro, chamados a ser filhos de Deus.
Já Paulo VI, aquando da sua visita a Fátima em 1967, fizera o apelo: “Homens, sede homens!”
Somos chamados a ser homens segundo a estatura de Cristo. Levamos no nosso corpo os sofrimentos da morte de Jesus, a fim de que se manifeste também no nosso corpo a vida de Cristo.

terça-feira, 8 de março de 2011

João de Deus

Hoje celebramos a Memória de São João de Deus.
É um santo português, humilde, não foi padre, nem estudou teologia, mas foi fundador de uma ordem de irmãos, servidor dos últimos da sociedade (os deficientes mentais).

Podemos acolher duas mensagens para a nossa vida:

1ª - O povo e os que eram acolhidos por este santo não sabiam o seu nome, ou melhor, o seu sobrenome, e chamavam-lhe de JOÂO de DEUS. Ele era João Cidade, mas o povo baptizo-o de João de Deus porque via nele um homem enviado por Deus...
Quem dera que todos nós também fôssemos homens ou mulheres de Deus, enviados por Deus, a fazer as obras de Deus.

2ª - João Cidade foi durante 43 anos um homem de muitas profissões: primeiro foi pastor, depois camponês, soldado, trabalhador braçal, vendedor ambulante e livreiro... e a partir daí, foi apanhado e levado como louco para um manicónio e lá despertou o seu carisma para servir os mais desprezados da sociedade... tornando-se assim irmão religioso, enfermeiro, auxiliar...
Isto quer dizer que - De todas as profissões podem surgir santos.
Mas tamdém quer dizer que - Os santos têm de desenpenhar todas estas actividades. Um Santo tem de ser pastor, camponês, soldado, livreiro etc.etc..
Quem dera que todos nós fôssemos capazes de santificar o nosso trabalho e deixar-nos santificar pelas nossas actividades...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Perpétua e Felicidade

Hoje a Igreja propõre-nos a memória de duas mártires no II Século: Perpétua e Felicidade.

Como é que pomos duas pessoas na mesma festa e no mesmo nível se elas eram de condições diferentes: Uma era nobre (perpétua) e a outra escrava (Felicidade).

É que estas duas mártires têm muito mais em comum do que em separação:
- Ambas viviam na mesma casa
- Ambas tinham sido pagãs
- Ambas eram mulheres
- Ambas eram jovens
- Ambas eram mães há pouco tempo
- Ambas tornaram-se cristãs
- Ambas foram perseguidas
- Ambas foram martirizadas pela sua fé em Cristo.
Assim se ultrapassou a diferença de condição: Da nobre Perpétua e da escrava Felicidade.

E não foi a nobre que se tornou como a escrava, nem a escrava que foi promovida ao nível de nobre. As duas foam irmanadas, foram igualadas - É que Deus exalta os humildes e humilha os altivos...

Deus nivela-nos pela mesma condição... não nos nivela por cima ou por baixo, torna-nos simplesmente irmãos, iguais...

Além disso saibamos fazer jus ao nome destas duas santas mártires: Pérpétua e Felicidade - Sejamos felizes e singramos os caminhos da eternidade...

sábado, 5 de março de 2011

Gravar as Palavras


Ano A - IX Domingo Comum

"As palavras que eu te digo, gravai-as no vosso coração e na vossa alma..." Falou Deus a Moisés.
Os preceitos de Deus, os mandamentos da Lei do Senhor não são imposições ou obrigações, mas simplesmente algo que deve brotar do coração. Será como uma espécie de etiquete ou ficha de fabrico. Tal como um casaco tem anexada uma ficha técnica - Esta peça tem tanto por cento de algodão, outro tanto de nylon, deve ser lavado em água fria, não pode ser passado a ferro etc.

Assim no nosso coração há também uma marca indelével do nosso Criador - Esta pessoa foi criada para amar a Deus sobre todas as coisas, foi feito para não matar, para respeitar os outros, para não invocar o santo nome de Deus em vão etc. Então deve ser fácil amar porque para isso fomos criados; será mais fácil respeitar a vida porque está inscrita no nosso coração...

É por isso que qualquer expressão de amor a Deus deve ser sincera, isto é, deve brotar do seu coração: "Nem todo aquele que Me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus".
É por isso também que podem surgir tempestades que não o deitarão abaixo porque a sua confiança tem raízes no coração.
A relação com Deus e o fazer o bem surgem do fundo de nós mesmos, onde Deus gravou a sua marca.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Limpeza no templo

6ª Feira - VIII Semana Comum

1ª Leitura:
Os homens justos morrem, mas a sua memoria permanece por gerações e gerações...
Quem é bom, derdura através das suas boas obras que fez em vida.

2ª Leitura
Jesus expulsa os vendilhões e comerciantes do Templo:
- Jesus purifica o Templo para nos lembrar que é o nosso coração que Ele quer realmente limpar e purificar.
- Jesus expulsou os vendilhões porque estes já O tinham expuksado há muito tempo. Quem dá morte a Deus, é com Ele enterrado. Jesus expulsou porque ja tinham expulsado a Deus.
- Jesus expulsa os comerciantes do templo para que nós nunca tentemos expulsá-lo da nossa vida.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Que eu veja

5ª Feira - VIII Semana Comum

Jesus: Que queres que eu te faça?
Bartimeu: Que eu veja, Senhor!

Que eu veja o quê?
Que eu vejo o que tu fazes,
Que eu veja o tu queres,
Que eu veja o que tu vás fazer...

Nós que temos os olhos abertos peçamos também a capacidade de ver as obras, as maravilhas que Deus faz, em nós, e através de nós...

E não esqueçamos que Deus também vê as nossas obras...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

São Policarpo

Hoje celebramos a memória do Bispo Mártir São Policarpo, que foi queimado vivo em 155 com 86 anos de idade por ser cristão.

Foi Discípulo de São João Evangelista.
Foi Mestre de Santo Irineu.

O seu nome significa literalmente: Muito Fruto.

Isto quer dizer quem nós também podemos dar fruto abundante e ser também POLICARPOS.
Basta deixar-os influenciar pelos santos que Deus colocou à nossa volta.
Tal como a Santidade do Mestre passou para o Discípulo (De João para Policarpo) e deste, já como Mestre, para novo Discípulo (De Policarpo para Irineu), assim também podemos contagiar a santidade.
É que a santidade é altamente contagiosa.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cátedra de São Pedro

Hoje a Igreja propõe-nos a celebração da festa da CADEIRA ou CÁTEDRA de São Pedro.

Duas Reflexões:

A 1ª vem da Oração sobre as Oblatas:
Aceitai, Senhor, as ofertas e as orações da vossa Igreja e fazei que:
-Ela reconheça em São Pedro o mestre que a guarda na integridade da fé,
- E o siga como pastor que a conduz à vida eterna.

Aqui está o sentido tradicional desta festa:
Reconhecer o Mestre que guarda a fé
Seguir o pastor que conduz à vida.

A 2ª Reflexão
Do livro LUZ DO MUNDO que reproduz uma entrevista do Papa Bento XVI:

Deus quis, já que fez de um Professor Papa, que precisamente o aspecto da reflexão e mais concretamente luta pela unidade entre a fé e a razão passassem para o primeiro plano.

Aqui está o sentido actual desta festa:
Com este Papa, saibamos ler os sinais dos tempos:
Deus escolheu um Professor para Papa, para que nos lembrar que o Papa é um Professor, um Mestre...

Festa da Cadeira de São Pedro não é a festa de um TRONO, mas sim de uma CÁTEDRA de professor, de mestre...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

IN + POSSÍVEL

2ª Feira - VII Semana Comum

I - Mensagem
Para Deus tudo é possível:
O Impossível não existe, pois o IN não é negação mas inclusão.
uma coisa IMPOSSÍVEL é uma coisa IN POSSÍVEL, isto é incluida no POSSÍVEL.
Pois para nós o IN é negação, mas para Deus é inclusão, é estar in (em) ou dentro.

II - Mensagem
Jesus falou severamente ao espírito surdo/mudo: Sai daí!
E eu fico a pensar, se o espírito era surdo, como é que podia ouvir a ordem de Jesus?
É que na presença de Deus até os cegos vêem, os mudos falam e os surdos ouvem. O verdadeiro milagre foi o espírito surdo ouvir e cumprir a ordem que ouviu de Jesus.
Louvado seja Deus!

III - Mensagem
... Este tipo de espírito não se pode fazer sair, a não ser pela oração.
Eu, sozinho com as minhas forças, nada posso fazer...
Eu juntamente com os meus irmãos, com a sua inteligência, arte e força, já conseguimos fazer alguma coisa...
Eu, juntamente com os meus irmãos e Deus, com a sua força omnipotente, tudo podemos alcançar...
Os discípulos sozinhos não conseguiram... mas na presença de Deus, com a Sua intervenção tudo foi possível.
Não é Deus que precisa de mim... Eu é que preciso de Deus e associo-me a Ele através da ORAÇÃO.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quem é Jesus

5ª Feira - VI Semana Comum

Quem é Jesus Cristo?

- Em Química Ele transformou água em vinho.
- Em Biologia Ele nasceu sem ter tido uma concepção normal.
- Em Física Ele superou a lei da gravidade ao subir ao Céu.
- Em Economia, ele subverteu a lei dos rendimentos decrescentes ao alimentar 5000 pessoas com dois peixes e cinco pães.
- Em Medicina Ele curou os doentes e os cegos sem administrar absolutamente nenhum remédio.
- Em História Ele é o começo e o fim.
- Em Direito Ele disse que veio completar a Lei.
- Em Religião Ele disse que ninguém chega ao Pai se não for através dele.

Quem é Jesus Cristo?

- É o Maior Homem da História.
- Ele não tinha servos, ainda assim O chamavam de Mestre.
- Ele não tinha escolaridade, ainda assim O chamavam de Doutor.
- Não tinha remédios, ainda assim O chamavam de curador.
- Não tinha exércitos, ainda assim os reis temiam-nO.
- Ele não venceu batalhas, ainda assim conquistou todo o mundo.
- Ele não cometeu crime nenhum, ainda assim crucificaram-nO.
- Ele foi depositado num túmulo, ainda assim Ele vive hoje.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pão ou Companhia

3ª Feira - VI Semana Comum

Na Primeira Leitura Noé entrou na Arca capenas com alguns casais de animais... e as outras pessoas?
Ninguém mais foi considerado digno... Até os animais eram mais dignos do que os restantes homens.
Espero ser melhor do que esses animais...

No trecho do Evangelho os discípulos estavam mais preocupados com o pão que não tinham do que com Cristo que tinham ali presente; mais preocupados com a ausência do pão do que com a presença de Cristo.
Não só de pão vive o homem... mas também da companhia de Jesus.
É or isso que muitas vezes o mais importante não é o que se come, mas a companhia partilhada...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A colheita é grande, mas..

14 de Fevereiro

Festa de São Cirilo e São Metódio, co-padroeiros da Europa

1ª Reflexão
Estes dois santos são irmãos.
Jesus enviou os seus discípulos 2 a 2.
Também escolheu e enviou mais 2 irmãos, Simão e André, Tiago e João.
Isto que significa?
Jesus envia dois irmãos como missionários para que os missionários vivam como irmãos.
Envia dois irmãos para que todos vivamos como irmãos.

2ª Reflexão
Jesus enviou 72 discípulos e disse:
A messe é grande e os operários são poucos, afinal não são assim tão poucos, pois são 72.
Eu costumo dizer que são poucos, mas bons e afinal nem são asssim tão poucos.
Há quem traduza: a colheita é grande, apesar dos operários serem poucos...
Triste seria o contrário, triste seria haver mais trabalhadores que colheita... ou mais parra do que uva.
A messe é grande e os trabalhadores são poucos, porque a colheita é grande, há mais colheita do que trabalhadores, há mais uva do que parra...
Isto porque os trabalhadores não trabalham sozinhos... são poucos, mas Jesus está com eles e por isso a colheita é grande e a seara é enorme.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ser Livre


Ano A - VI Domingo Comum

As crianças daquela escola brincavam no recreio, por detrás do edifício. Era um espaço limitado, vedado por um muro. Todas se lamentavam da falta de liberdade e suspiravam derrubar o que atrapalhava. Queriam alargar o campo dos seus jogos.
Um dia notaram que havia uma pequena brecha. Uns por curiosidade, outros de propósito, foram abrindo cada vez mais aquele buraco e o muro caiu.
- Até que enfim! Agora já podemos jogar com mais liberdade. Já não há barreiras a obstruir o nosso espaço.
Mas a surpresa tornou-se amarga. Por detrás do muro passava um riacho, pequeno mas profundo, de modo que a bola ia parar à água. Para evitar isso era necessário não alargar muito os lances da jogada. Assim o espaço, sem barreiras, veio a ficar ainda mais reduzido. Sonharam tanto deitar abaixo o muro para terem mais liberdade, mas afinal sucedeu precisamente o contrário.

“Naquele tempo Jesus disse: Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas; não vim revogar, mas completar.”

A Lei de Deus não oprime, liberta. Os Mandamentos do Senhor, não condicionam, proporcionam o bem. Pode parecer que Deus pede ao homem sacrifícios e mortificações. Deus quer a plena alegria do homem, por isso indica-lhe aquilo que traz a felicidade. Não é um colete de forças, mas um par de asas para alcançar a perfeição.
“Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade.”
O motorista, que por ser livre, não observe a sinalização da estrada, onde irá acabar?



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Senhora de Lurdes

Hoje é o dia da Memória de Nossa Senhora de Lurdes.
Também se comemora o Dia Mundial do Doente

Partilho uma hisória que vem de longe, não sei de quem nem de quem:

Súplica e Gratidão

Foi em 1926, na cidade Santuário de Lourdes, na França.
Era a hora da bênção dos doentes. Na esplanada estavam centenas de doentes deitados em padiolas ou reclinados em cadeiras de rodas sob a assistência vigilante dos enfermeiros. Entre eles estava um rapaz passando muito mal. O seu desenlace era esperado a qualquer momento. Instantes antes havia recebido a unção dos enfermos. O celebrante começou a percorrer as fileiras dos doentes. Segurando nas mãos o ostensório com a Hóstia Consagrada, ele passava de um e um, traçando sobre eles uma grande cruz.
Chegou a vez daquele rapaz. Recebeu a bênção com uma grande esperança. Mas parecia que a sua esperança fora frustrada... não sentiu melhora nenhuma. Reunindo todas as suas forças, disse num tom de sentida queixa:
- Jesus, se não me curares vou contar para tua Mãe!
Comovido com esta prece, o celebrante voltou-se para o enfermo e, pela segunda vez, abençoou-o com o Santíssimo Sacramento.
Eis que aconteceu o milagre! O rapaz, sentindo-se curado, saiu do leito e exclamou em alta voz:
- Jesus, Filho de Maria, Tu me curaste! Vou contar para a tua Mãe e pedir que ela me ensine a agradecer-Te!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Puros de coração


4ª Feira - V Semana Comum

1º Reflexão
Na primeira leitura proibe-se Adão de comer do fruto da Árvore do Bem e do Mal.
Isto quer dizer que essa árvore não pode ser destruida. Não se pode alterar nada, retirar seja o que for ou cortar qualquer coisa. Deve manter-se inalterável. Quem lesar essa árvore estará a audo-destruir-se - deve morrer.

2ª Reflexão
Coração puro. Felizes os puros de coração ou felizes os de coração puro? As duas situações com certeza. Quem é puro, manterá também puro o seu coração. E quem tiver um coração puro, todo o resto se manterá puro.

3ª Reflexão
Jesus falou à multidão, mas em casa explicou essa pregação em particular aos seus discípulos e fez-lhe a lista dos vícios ou más intenções (imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez).
São precisamente 12 vícios, um para cada discípulo. Qual será o que me cabe?
Com humildade e confiança assumamos as nossas limitações... e seremos salvos, pois só se salva quem se reconhecer pecador.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mãos impuras

3ª Feira - V Semana Comum

Da primeira leitura:
Depois de ter feito o céu e a terra e tudo o que ela encerra, Deus descansou e santificou esse sétimo dia.
Isto quer dizer que para a acção Deus reservou 6 dias inteiros e para a contemplação apenas 1 dia. Mas esse dia foi santificado e passou a ter mais valor do que todos os outros dias de acção.
Assim também a nossa vida tem largos momentos de acção e poucos de contemplação. Mas que esse pouco seja santificado ou valorizado.

Do Evangelho de hoje:
Olhemos para as nossas mãos e que vemos?
- Barro santo em mãos impuras?
- Ou mãos santas em barro impuro?
- Mãos impuras em barro impuro?
- Ou mãos santas em barro santo?
Com certeza a última hipótese, pois Deus viu que tudo era bom ou tudo muito bom!
O importante é o coração!
É o coração que faz com que as mãos sejam santas e as coisas puras.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Vós sois o Sal da Terra

Ano A - V Domingo Comum

SAL DA TERRA

- Sal que serve para salgar ou conservar:
Vós sois quem conserva o mundo
para que ele não se estrague.

- Sal que serve para dar gosto:
Vós dais sentido aos meus projectos
contagiais o gosto de viver.

- Sal que se derrete na sua humildade:
Vós sois chamados a penetrar
em todos os recantos do mundo.

- Sal que serve para despertar a sede:
Vós provocais entre os homens
a sede de Infinito, a sede de Deus.

- Sal que para temperar precisa da justa medida,
nem a mais nem a menos:
Vós sois o sinal de harmonia,
o justo equilíbrio da vida no mundo.

Vós sois a Luz do mundo

Ano A - V Domingo Comum

A LUZ DO MUNDO

- Porque a luz é farol que serve para orientar
vós apontais o caminho à humanidade,
vós guiais o mundo no caminho do bem.

- Porque a luz é expressão de alegria e de festa
vós sois o enfeite de festa no mundo,
o sinal de alegria eterna no mundo.

- Porque a luz é sinal de presença de alguém,
vós sois a imagem de Cristo no mundo,
vós sois as lamparinas da presença de Cristo
do sacrário do mundo.

- Porque a luz é claridade e transparência,
vós sois quem põe a claro
quem revela o bem no mundo.

- Porque a luz é fonte de calor e energia
vós sois a fonte de entusiasmo
e de ardor no mundo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ser Luz


Ano A - V Domingo Comum

Pedi aos alunos que fizessem uma ilustração que expressasse a frase de Jesus: Vós sois a luz do mundo. Ao apresentar o seu trabalho um garoto mostrou uma figura humana com uma chama na cabeça, como se ela fosse uma vela acesa. Um seu colega riu-se do desenho e desabafou:
- Eu pensava que o fulano tinha uma ideia luminosa.
De facto, na linguagem da banda desenhada, pôr uma lâmpada sobre uma personagem tem esse significado e antes de aparecerem as lâmpadas eléctricas bem poderia ser apenas uma chama.
Agradeci a excelente ideia luminosa destes dois jovens. Ser luz é pôr tudo a claro, revelar a verdade das coisas mas também é ser criativo, ter espírito de iniciativa. Mas para isso é preciso receber a energia que nos vem do alto. Isto faz lembrar a experiência do Pentecostes. Aquelas chamas a pairar sobre os Apóstolos, fizeram deles homens destemidos, criativos, a falar todas as línguas.
Outras sugestões foram apresentadas através dos desenhos destes jovens: Ser farol que orienta e aponta o caminho à humanidade. Ser gambiarra, como expressão de alegria e de festa. O cristão é o enfeite de festa no mundo, o sinal da alegria eterna. Ser lamparina da presença de Cristo no sacrário do mundo. E ainda ser luz como fonte de calor e energia. O cristão é a fonte de entusiasmo e de ardor no mundo.
Sol e farol e luz sem fim, és tu Senhor dentro de mim...assim cantam os cristãos ao serem declarados luz do mundo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sacudir o pó dos pés

5ª Feira - IV Semana Comum

"Se alguém não vos ouvir, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles."

Que quer isto dizer?

1º Sacudir o pó dos pés... é dar um pontapé em alguém.
Quer dizer para virar as costas, ser duro com os que não querem ouvir.

2º O pó é melhor do que os homens... pois o pó ouviu e aderiu enquanto os homens ouviram mas não mostram adesão.

3º Não quereis ficar com nada nosso, também nós não levaremos nada da vossa parte. Ficai com o que é vosso (com o pó) enquanto nós ficamos com tudo o que é nosso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Talitha kum

3ª Feira - IV Semana Comum

"Menina, eu te ordeno, levanta-te... Não digam a ninguém." Mandou então dar de comer à menina.

1º - Menina = porque nasceste de novo és menina.

2ª - Eu te ordeno = a tua cura não provém da tua força. Levanta-te por Mim, ergue-te pela acção da minha graça.

3ª Levanta-te = acorda, sai do sepulcro dos teus pecados, deixa o leito da tua preguiça, vai em frente, faz-te ao largo, deixa a amarras.

4ª - Não digam a ninguém = não é preciso falar, basta ver e acreditar. basta encantar-se com as maravilhas que Deus operou. Os factos falam por si.

5ª - Mandou dar de comer à menina = para que a sua animação não fosse considerada como a aparição de um fantasma, a menina começou a comer à vista de todos. Deitados não podemos comer, estando de rastos não nos podemos alimentar, se não nos desprendermos das amarras não seremos capazes de receber o Corpo de Cristo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Auto-retrato

Ano A - IV Domingo Comum

1ª Mensagem
O Sermão da Montanha ou As Bem-aventuranças é uma espécie de auto-retrato feito pelo próprio Jesus.
Ele é um bom PINTOR que com apenas 8 traços ou pinceladas faz o seu próprio retrato.
É Ele o feliz, o pobre, o misericordioso, o construtor da paz, o perseguido e maltratado...
Jesus faz assim o seu retrato para que nós procuremos ser parecidos com Ele.

2ª Mensagem
Alguém me dizia que as Bem-aventuranças ou o Sermão da Montanha é a apresentação das condições para a felicidade.
Eu prefiro antes pensar que elas são a proposta de felicidade sem condições. É que nós podemos ser felizes mesmo sem condições aparentes. Se eu estiver à espera de melhores condições para ser feliz, nunca o serei.
É preciso ser feliz mesmo no meio da pobreza, dos sofrimentos e da perseguição ou da incompreensão.
Não são condições para ser feliz, é ser feliz mesmo sem condições.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Ser Feliz


Ano A - IV Domingo Comum

Ainda retenho na mente aquela velhinha que um dia fui visitar. Pediram-me para levar-lhe a comunhão. Ela estava paralisada na cama havia já muitos anos.
Fiquei preocupado: Que palavras de ânimo deveria dizer a quem sofria tanto assim, a maior parte do dia sozinha?
Ao fim da tarde quando toquei a campainha, apareceu à porta a sua filha. Vinha com ar cansado, triste. A minha inquietação aumentou. Se a filha está assim, como não estará a mãe? Quando cheguei ao quarto da doente, qual não foi o meu espanto quando deparei com um rosto sereno, sorriso nos lábios, olhar meigo. Eu estava à espera de deixar um incentivo, mas afinal, recebi uma lição de serenidade. Aquela a quem eu queria animar, deu-me uma lição de paz e de felicidade.
- Que bom, vê-la assim tão feliz. Qual é o seu segredo?
- Em mim tudo me dói, menos Deus. É ele quem me faz feliz.
Compreendi então que para aquela mulher, a felicidade estava na presença de Deus dentro de si. Quanto mais lugar dava a Deus mais feliz se sentia, apesar dos seus sofrimentos. Ser feliz não depende das condições, do bem-estar, do ambiente, não depende das dores que se tem ou se deixa de ter ou de outras circunstâncias. A felicidade vem do nosso interior, do espaço reservado para Deus.

Felizes os pobres, não por serem pobres, mas porque apesar de carenciados conseguem ser felizes. Felizes os que choram, não por terem lágrimas nos olhos, mas porque apesar do choro, conseguem ser felizes...


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Candeia no candelabro


5ª Feira - III Semana Comum

“Pôr a candeia no candelabro e não debaixo do alqueire.”

Pode ter dois significados:

1º
Não esconder o que se é, nem disfarçar a nossa fé.
Não se envergonhar de Cristo pois quem se envergonhar das Suas Palavras, também Deus se envergonhará dele; quem O renegar será também renegado; quem não aceitar a Cristo, não poderá esperar ser aceite por Ele.

2º
Só possuimos realmente aquilo que partilhamos.
Quem esconder algo só para si está a destruir tudo e todos.
Quem abafa uma candeia pensa guardá-la só para si, mas engana-se pois ela apaga-se e todos ficam prejudicados: fica a candeia sem luz, fica o dono às escuras e todos os outros sem claridade.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Timóteo e Tito

26 de Janeiro

Memória de São Timóteo e Tito

1ª Reflexão
Antigamente esta memória dos colaboradores de São Paulo tinha liturgia do Comum dos Mártires.
Hoje é-nos proposta como memória do Comum dos Pastores.
Isto que quer dizer?
Todos os mártires são pastores
e todos os pastores são mártires...

2ª Reflexão
Para Promover a nossa meditação na memória de Timóteo e Tito, a Página do Evangelho devia dar Preferência à letra T, mas não. A Página do Evangelho Própria desta memória resume-se à letra P.
Jesus Propõe aos seus discípulos que Peçam trabalhadores para a sua messe.
Os trabalhadores, isto é, os Pregadores são Poucos, mas devem mostrar Prontidão para Partir.
Peregrinos e Pobres irão Promover a Paz e Pregar a Palavra de Deus...

Façamos nossa esta lista da letra P e seremos mais Parecidos com os Pastores que hoje a Igreja nos Propõe como modelo e exemplo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Conversão de São Paulo

25 de Janeiro
Festa da Conversão de São Paulo

1ª Reflexão
A festa de hoje celebra o quê?
Celebra a queda de São Paulo e a visão que teve de Jesus a quem perseguia ou celebra o que aconteceu 3 dias depois, isto é, o seu baptismo e decisão de pertencer ao novo grupo?
É sem dúvida o segundo acontecimento.
A verdadeira conversão não ocorre quando temos visões, quando ocorrem milagres, quando alguém cai em si.
A verdadeira conversão é quando uma pessoa se dicide, quando se levanta homem novo, quando arregaça as mangas e faz algo diferente.
Celebramos hoje a conversão de São Paulo, ou seja, a sua decisão e o seu baptismo.
Convertamo-nos, tomemos a mesma decisão!

2ª Reflexão
Paulo em latim significa 'pequeno'. De facto ele era um homem pequeno, de baixa estatura.
Para além disso considerava-se pequeno como o último dos apóstolos (o mais pequeno de todos).
Também se apresentava como fruto de um abortivo, tão pequeno se considerava.
Ainda por cima, caiu da montada a caminho de Damasco e ficou de rastos, uma nulidade por terra.
E como se não bastasse morreu ainda mais pequeno porque lhe cortaram a cabeça.
A seus olhos, aos olhos dos homens e aos olhos do mundo Paulo era mesmo pequeno, mas tornou-se GRANDE aos olhos de Deus pela missão que Deus lhe confiou e pelo zelo, dedicação e solicitude por todas as igrejas que abraçou.
O mais pequeno tornou-se o maior e o apóstolo de todos os gentios, isto é, da maioria dos homens.
Que ele nos ajude a ser também pequenos aos olhos do mundo, mas grandes aos olhos de Deus.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Expulsar os demónios

2ª Feira - III Semana Comum

Deus expulsa os nossos demónios... se nós O ajudarmos a apanhá-los.

Isso que quer dizer?
Nós também temos alguns demónios dentro de nós.
Nós também precisamos que Jesus os expulse.
Mas para isso há que colaborar com Ele.
Como?

Um jovem perguntou a um idoso por que estava assim tão cansado, visto estar já aposentado.
- É que tenho muito trabalho todos os dias: dois falcões para domestificar, dois coelhos para vigiar, duas águias para dirigir, uma serpente para controlar, um leão para acorrentar e um doente para tratar e aguardar a sua cura.
O jovem contestou:
- Mas nenhum homem é capaz de fazer tudo isso ao mesmo tempo. Nem num circo isso acontece...
- Mas comigo acontece justamente como te disse. Os dois falcões são os meus olhos; os dois coelhos, os meus pés; as duas águias, as minhas mãos; a serpente é a minha língua; o leão, o meu coração e o doente é todo o meu corpo...

É preciso acalmar toda esta bicharada, expulsar todos estes demónios...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Todos irmãos


Ano A - III Domingo Comum

A cena foi apresentada num filme.
Uns miúdos estavam a troçar do empregado. Ele era velho, tinha a pele escura e muita paciência. A determinada altura, agarrou um garoto e pediu-lhe que deitasse a língua de fora:
- De que cor é a tua língua?
- Encarnada - respondeu o rapaz, sem saber a razão de tal pergunta.
- Agora repara na minha língua. Qual é a sua cor? - insistiu o empregado, mostrando a sua própria língua.
- É encarnada.
- Então ficas a saber que por fora somos de cor diferente mas por dentro somos todos iguais, da mesma cor, do mesmo feitio...

Nestes dias está a decorrer o oitavário de oração pela unidade dos cristãos. Exteriormente podemos marcar diferenças, rezar em templos separados, ter ministros distintos, tradições próprias etc. mas no fundo somos todos irmãos. O que nos une é Aquele que escolheu o nosso coração como sua morada preferida. Valorizemos então tudo o que nos une e o resto será ultrapassado.

O texto do Apocalipse, proposto para a oração desta semana, lembra que esta Terra é a morada de Deus junto dos homens. Esta é o habitat de vida, a nossa casa comum, onde não deve haver lugar para divisões. Além disso o próprio Deus convive com todos.
O Apóstolo Paulo recomendava às comunidades cristãs que falassem todos a mesma linguagem, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. O seu pedido ainda hoje é oportuno.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mão atrofiada


4ª Feira - II Semana Comum

Diante de Jesus estava um homem com uma das mãos atrofiada. Então entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão». Ele estendeu-a e a mão ficou curada.

Não sei se o homem tinha a mão atrofiada porque não a estendia
ou se não estendia porque tinha a mão atrofiada.
As duas situações, dizem-me.
Eu prefiro a primeira opção.

Quem não estende a mão, fica com ela atrofiada.
Quem não pratica, fica insensível.
Quem não ama, fica com o coração endurecido.

Estende então a tua mão para que ela não fique atrofiada...
É preciso fazer ginástica, exercitar para desenvolver os nossos músculos em todos os sentidos.
Seja o Senhor Jesus quem comanda esses exercícios.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Semana Ecuménica

Começa hoje, e irá até 25, o oitavário de orações pela unidade dos cristãos.

Neste ano 2011 o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos sugere alguns subsídios que foram preparados pelos cristãos das igrejas de Jerusalém, subordinados ao tema:

Unidos no ensinamento dos apóstolos,
na comunhão fraterna,
na fração do pão
e nas orações.

“Eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. O temor de Deus se apoderava de todo mundo: muitos prodígios e sinais se realizavam pelos apóstolos. Todos os que abraçavam a fé estavam unidos e tudo partilhavam. Vendiam suas propriedades e os seus bens para repartir o dinheiro apurado entre todos, segundo as necessidades de cada um. De comum acordo, iam diariamente ao Templo com assiduidade: partiam o pão em casa, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e eram favoravelmente aceitos por todo o povo. E o Senhor ajuntava cada dia à comunidade os que encontravam a salvação.”
( Atos 2,42-47 - Tradução Ecumênica da Biblia - TEB)


Este ano, o chamado à unidade, para as Igrejas do mundo inteiro, vem de Jerusalém, a Igreja mãe. Conscientes de suas próprias divisões e de sua própria necessidade de fazer mais pela unidade do corpo de Cristo, as Igrejas em Jerusalém fazem um apelo a todos cristãos para a redescoberta conjunta dos valores que mantinham unida a comunidade primitiva em Jerusalém, quando os cristãos se uniam no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações. Os cristãos de Jerusalém convocam seus irmãos e irmãs para fazer desta Semana de Oração uma ocasião de renovar o compromisso de trabalho por um genuíno ecumenismo, enraizado na experiência da Igreja dos primórdios.

É um chamado à volta às origens da primeira Igreja em Jerusalém... São apresentados quatro elementos que eram marcos da primeira comunidade cristã e que são essenciais à vida da comunidade cristã, onde quer que ela exista:

- 1º temos a palavra que era comunicada pelos apóstolos.
- Em 2º lugar, a comunhão fraterna (koinonia) era um sinal importante entre os primeiros fiéis sempre que se reuniam.
- Um 3º marco da Igreja primitiva era a celebração da Eucaristia (a fração do pão), lembrando a Nova Aliança que Jesus realizou através de seu sofrimento, morte e ressurreição.
- O 4º aspecto é a atitude constante de oração.

Esses quatro elementos são os pilares da vida da Igreja e de sua unidade.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cordeiro de Deus


Ano A - II Domingo Comum

No Livro do Apocalipse aparece 28 vezes o termo Cordeiro para indicar Cristo que, sem mancha, purifica os pecados da humanidade.
Antigamente os missionários da Gronelândia e de outras missões de esquimós, encontraram dificuldade em fazer compreender esta imagem simbólica pois aquele povo nórdico não conhece nenhum cordeiro. Tentaram então explicar o sentido terno e afectuoso substituindo a imagem de Cordeiro de Deus por outra figura mais comum nas suas paisagens: a pequena foca. Dizem que a Santa Sé vetou a transposição demasiado realista. No seu catecismo explica-se primeiro a natureza do cordeiro mediterrânico, antes de invocá-lo como Cordeiro de Deus, branco, branco.
Também entre os muçulmanos, no sacrifício do Ramadão, come-se um cordeiro, denominado Kurbán. Na língua corrente do Médio-Oriente, diz-se Kurbán para familiarmente saudar um amigo verdadeiro, apelidando-o de cordeiro por sacrificar-se por alguém.

Jesus é este Cordeiro terno, afectuoso e disposto a sacrificar-se pelos irmãos. O cordeiro é símbolo da mansidão e da paz. Na iconografia representa-se conforme a descrição no Apocalipse: com uma cruz e o estandarte do triunfo pascal.

Apresentando Jesus como o Cordeiro de Deus, João Baptista aponta a bondade de Deus Pai que mandou o seu Filho redimir o mundo, isto é, operar a santificação transferindo o homem para a esfera de Deus.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Agnus Dei

Ano A - II Domingo Comum

Cordeiro de Deus

João Baptista é o apresentador oficial de Jesus. Diz que Jesus “é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. A missão de Jesus consiste em tirar ou eliminar o pecado do mundo. A declaração de João Baptista convida os homens de todas as épocas a voltarem-se para Deus e a acolherem a proposta libertadora de Jesus: só a partir do encontro com Ele será possível chegar à vida plena, à meta final do homem novo.
Como acolher hoje esta acção do Cordeiro de Deus?
Como é que Jesus pode eliminar o pecado do mundo?

Recordo um passeio, algum tempo atrás. Estávamos com um grupo de crianças a merendar no alto da serra. Junto de nós algumas ovelhas, umas bastante novas. Uma miúda veio ter comigo:
- Senhor Padre, eu quero lavar as mãos.
- Tu vais esperar um pouco, vais brincar com os teus colegas e quando voltarmos para a camioneta lavarás as mãos...
- Mas eu quero lavar as mãos agora – insistiu ela.
- Mas porque é que queres lavar as mãos?
- É para ir brincar!
Custou-me compreender, mas ela tanto insistiu que tive de despejar uma garrafa de água para que ela ficasse satisfeita. Pus-me a ver o que ela ia fazer. Fiquei surpreendido, quando de imediato correu para junto de um cordeirinho, recém-nascido, alvo como a neve. E lá ficou entretida a brincar com ele.
Fiquei com pena de ter dificultado de início e só me vinha à memória a frase do Evangelho “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. De facto, esta cena ajudou-me a compreender essa mensagem. Jesus tira o pecado do mundo. E como é que o tira? Todo aquele que se aproxima d’Ele tem necessidade de se purificar. “Senhor eu não sou digno” – respondemos nós liturgicamente.
Ainda hoje Ele é o Cordeiro sem mancha que nos contagia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Orar em sítio ermo

4ª Feira - I Semana Comum

Do Evangelho de hoje:
"Jesus retirou-se para um sítio ermo e aí começou a orar..."

É o centro desta página do evangelho e o centro de toda a actividade, missão e jornada de Jesus.

Ele retirou-se para rezar num sítio ermo...
Não para se encontrar mais perto de Deus,
mas para ficar mais longe das coisas.
Não para ficar mais afastado dos outros,
mas para se encontrar mais próximo de si mesmo....

O que Jesus fez, nós também podemos seguir o exemplo...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Obedecer

3ª Feira - I Semana Comum

Do Evangelho de hoje:
Quem é este que manda nos espíritos impuros e estes obedecem-lhe?

Se os espíritos impuros ou demónios sabem escutar e obedecer às ordens de Jesus, então nós, espíritos superiores não sabemos escutar e obedecer à palavra de Deus?

Afinal quem somos nós?
Não sejamos piores que os demónios, nem deixemos que eles sejam melhores que nós.

Então escutemos e obedeçamos.
Deixemos que Jesus mande em nós...
Às vezes pensamos que se Jesus não manda em nós porque queremos ser nós a mandar em nós mesmo. Mas pensando bem, quando Jesus não manda em nós, nós também não nos mandamos. Obedecemos então às circunstâncias. Elas é que mandam em nós e isso não tem sentido...

sábado, 8 de janeiro de 2011

O Sinal dos Cristãos


Ano A - Baptismo do Senhor

Um dia, na igreja paroquial, estavam muitas crianças. Fazia-se a preparação para a primeira comunhão. Veio o Senhor Vigário e perguntou:
- Rapazes, qual é o símbolo dos cristãos?
- É o Baptismo.
- Não, interveio outro colega. É o sinal da cruz.
- Ambas as respostas estão correctas, assegurou o Senhor Padre. E convidou a todos a fazerem o sinal da cruz para se lembrarem que eram baptizados.
Entre estas crianças encontrava-se um deficiente, afectado de poliomielite, que não podia mover o braço, sentado na sua cadeira de rodas. Então uma menina, olhando para ele, pergunta ao Senhor Vigário:
- E este como é que faz para mostrar que é cristão se não pode mexer os braços?
- Tens razão, o verdadeiro sinal do cristão não é nem o baptismo nem a cruz: é o amor.
Vede como eles se amam, concluíam os contemporâneos dos primeiros cristãos. O que nos faz cristãos não é apenas o baptismo, ou o nome, ou a cruz que trazemos ao peito ou quando nos persignamos. O que nos distingue como discípulos de Jesus Cristo é o amor: o amor que nos vem de Deus e o amor que partilhamos com os outros. Esta experiência não deixa ninguém de parte, mas unidos numa mesma comunhão.
Este é o meu filho muito amado... diz Deus de seu filho Jesus Cristo tal como repete a cada um de nós, pois Deus é amor. Através do baptismo nós aceitamos fazer parte desta dinâmica do amor, que tem o seu apogeu na Cruz de Cristo, verdadeiro hino de amor libertador. Baptizados com Cristo, com Ele partilhamos o amor de Deus e dos irmãos.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Deus quer...


6ª Feira depois da Epifania

“Senhor, se quiseres, podes curar-me…”
Suplicou o leproso.
Também eu te suplico:
Senhor, Cura-me de tanta lepra…
Cura-me… dos gestos de violência e de intolerância…
Cura-me… das atitudes agressivas e bruscas…
Cura-me… dos comportamentos desagradáveis que criam frieza para com os irmãos…
Cura-me… das doenças contagiantes do orgulho…
Cura-me… de toda a frieza que me isola do calor humano…
Cura-me… de todo o egoísmo que empobrece a riqueza do irmão…
Cura-me… da soberba que humilha os simples…
Cura-me… de todo o tipo de ódio, inimizade e malquerença que fere o amor…
Senhor faz o milagre de me curares de tantos males
que se opõem aos inúmeros Dons do teu Amor;
torna-me um mensageiro que anuncie o perdão, a verdade e a esperança;
ensina-me a irradiar a luz, a alegria e a paz.


Curar tem o mesmo sentido de limpar ou purificar.
Curar um leproso era o mesmo que ressuscitar um morto.
Jesus quis o mesmo que o leproso queria, pois era o mesmo que Deus quer: vida plena para todos, para todas.
Querer já é, de fato, um primeiro passo para descobrir maneiras de poder fazer o que é preciso.

Deus quer, o homem sonha e a obra nasce… (Fernando Pessoa)



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sobre Mim

5ª Feira depois da Epifania

Do Evangelho de hoje:
O Espírito do Senhor está sobre mim.

1. Está sobre mim porque é mais forte do que eu.

2. Está sobre mim porque vem do alto.

3. Está sobre mim para elevar-me.

4. Está sobre mim porque é o meu escudo e protecção.

5. Está sobre mim porque eu estou sob a sua acção.

6. Está sobre mim porque é mais velho do que eu, é eterno.

7. Está sobre mim para que eu possa carregá-lo para onde quer que vá.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Barca Bela

4ª Feira depois da Epifania

Do Evangelho de hoje: "Jesus obrigou logo os seus discípulos a subirem para o barco e a irem à frente, para o outro lado... Era já noite, o barco estava no meio do mar... Jesus foi ter com eles de madrugada, andando sobre o mar… A seguir, subiu para o barco, para junto deles, e o vento amainou..."












Quem quer ver a Barca Bela
Que se vai deitar ao mar?
Nossa Senhora vai nela
E os anjos a remar.

São Pedro é o Piloto,
Jesus Cristo o General.
Que linda Bandeira leva:
A bandeira de Portugal!

- Fazer-se ao mar, fazer-se ao largo. Barco feito para navegar, não pode ficar parado. É preciso movimento, acção. Um barco parado fora da água estraga-se.
- Tantas personagens, todas têm um serviço; nem todas podem fazer a mesma coisa: Umas remam, outras estão ao leme...
- Cristo comanda, dá ordens, fala, orienta. Que diz? – Faz-te ao largo, navega mais além.
Bandeira, sinal de propriedade, de pertença, sinal de festa e de alegria.
- No meio da água, a navegar, a ultrapassar as ondas, mas não há perigo desde que a água não entre dentro do barco, pode haver tanto mal à volta mas desde que não entre dentro não levará ao fundo.
- Avança à força dos braços. Não tem motor, é preciso remar, dedicação, constância, esforço.
- Não pode avançar só com um remo, só com um lado. É preciso remar dos dois lados senão o barco dá voltas e voltas sobre si mesmo e não avança. Quais são estes dois remos? O amor a Deus e o amor aos irmãos. Só quem pega nestes dois remos é que faz avançar.
- Nós somos este barco, mas não vamos sozinhos: levamos o amor de Maria, de Jesus, dos anjos, dos santos. A sua presença ou intercessão ajudar-nos-á a avançar.
- A Barca é Bela, é bonita, é santa. A vida é Bela quando avança, quando se trabalha, quando leva a presença de muitos, quando é serviço. Uma vida só, é uma vida triste.
- O barco faz-se ao mar, é preciso partir, desatar amarras, renunciar, deixar algo para trás. Às vezes custa enfrentar o novo, partir. Custa deixar o porto ou o cais mas é preciso decidir-se, optar.
- Como é que se enfrenta os perigos do mar: com a presença de Jesus, de Maria e dos anjos. Eles vão comigo, dentro de mim.
- A barca viaja para quê? Para levar gente. Levar a Jesus Cristo, é uma barca missionária...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pe. Casagrande




















Faz hoje precisamente 2 anos
que partiu para a Grande Casa do Pai,
o Pe. Mário CASAGRANDE.
Que descance em paz!






Dois peixes

3ª Feira depois da Epifania

Milagre da multiplicação dos 5 pães e dos 2 peixes.

Acerca dos 5 pães e do seu significado, relembro a mensagem publicada neste QUINTAL no dia 24 de Abril de 2009.

Sobre os 2 peixes:
Um é o peixe do DOM, da oferta, da graça...
o Outro é o peixe da CONQUISTA, do esforço, do trabalho, da luta...

Qualquer peixe tem este duplo aspecto:
o mar dá-o, mas é preciso pescá-lo.
É Dom e Conquista, ao mesmo tempo.
É Graça e Merecimento em simultâneo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Jesus Falante

2ª Feira depois da Epifania

"Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-se... e começou a pregar."

Até agora festejámos o Deus Infante = Deus menino, não Falante, que não têm voz, que fala apenas através do silêncio...
A partir de hoje começamos a festejar o Jesus pregador, o falante, que continua a ser a voz que prega no deserto (pois a outra voz foi calada = João Baptista).

Jesus fala porque tem uma mensagem a transmitir.

De facto os SÁBIOS FALAM PORQUE TÊM ALGUMA COISA A DIZER,
enquanto os néscios falam porque têm de dizer alguma coisa.