sexta-feira, 21 de maio de 2021

Com alma e com ânimo


6ª feira – VII semana da Páscoa

Jesus perguntou:

- Pedro tu amas-me?

Porquê perguntar?

Porque é que Jesus perguntou a Pedro três vezes se O amava?

Ele não precisava de perguntar, porque já sabia a resposta.

Nem é para que possamos responder-lhe.

Ele pergunta para que aprendamos a perguntar-lhe também.

Jesus faz-nos perguntas para que nunca tenhamos medo de fazer as nossas perguntas para Ele.

 

Porquê três vezes?

Mas porque fez três perguntas e não duas ou quatro?

 A resposta básica é que Jesus queria que Pedro reparasse as três negações durante a paixão.

Mas isto não me convence, pois Jesus já tinha perdoado e esquecido tudo isso, e portanto, não tem cabimento na cabeça de Jesus essa lembrança.

Então é para que Pedro tivesse três níveis de resposta: A primeira com a boca quase sem pensar. A segunda com a boca, mas a pensar, com maior consciência. E finalmente a terceira vez, com o sentimento, com o coração.

Mas há um terceiro nível: Jesus pergunta a Pedro se O amava para que Pedro mostrasse que cumpria a Escritura e que Jesus era Deus: O Primeiro Mandamento em Dt 6,5 consiste em amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças. Assim Jesus dá oportunidade a Pedro de manifestar o seu amor com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças… como manda o Decálogo.

Com todo o coração, isto é, com um coração não dividido.

Com todas as forças, isto é, não só com a boca, mas com a inteligência e a vontade.

Com toda a alma, isto é, com todo o ânimo, com todo o entusiasmo. De facto, a palavra alma em latim é anima ou ânimo, ardor, entusiasmo. Fazer uma coisa com alma é fazê-la com ânimo e entusiasmo.

 

Ver também:

Diálogo de amor

 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Esmola para São José

 

São José não só nos ajuda sempre e em toda a parte

como também nos ensina a ajudar sempre uns aos outros.

Esmola para São José

Tem certas coisas, meu moço,

Que eu não gosto muito, não!

Por exemplo: ouvir contar

História de assombração,

De arrancamento de dente,

Ouvir história de briga...

Eu posso até escutar,

Mas me dá uma fadiga!...

 

E outra coisa, meu moço,

Que de bom gosto não faço,

É dar esmola a quem pede

Com santo debaixo do braço.

 

Ah, pois eu acho que o santo

Não tem muita precisão,

Afinal, eu nunca vi

Nenhum santo comer feijão.

 

Mas, para mal dos meus pecados,

Ou por minha pouca fé,

Todos os dias lá em casa

Passa um velho andando a pé,

Por sinal, munto feliz,

Chega em minha porta e diz:

Esmola para São José!

 

E o diabo da mulher,

Que é muito alcoviteira

(Ainda não vi uma mulher

Que não seja rezadeira),

Adquire um tanto ou quanto,

Corre, vai dar ao santo,

Para o velho fazer feira.

 

Muitas vezes, logo cedinho,

Se eu vou tomar o café,

Quando dou fé o grito:

Esmola para São José!!!

 

Isto foi me enchendo o saco,

Cada vez enchendo mais…

E um dia, ao chegar a casa,

Bem cansado, até demais

Sentei-me num cepo de pau,

Tomei uma de rapé,

E ouvi a voz lá na porta:

Esmola para São José!

 

Para logo dar a esmola,

A mulher se remexeu,

Mas eu lhe gritei: Não vá,

Que quem vai hoje sou eu!

 

Quando eu cheguei à porta,

O velho teve um espanto!

E eu disse: Vá trabalhar,

Que eu não dou esmola a santo!

Troque o santo por uma enxada,

Deixe de ser preguiçoso,

Que santo não quer esmola,

Não seja ganancioso!

 

O velho me olhou e disse:

“Que São José te perdoe…

E se Deus tiver ouvindo,

Quero que ele te abençoe

E que cubra a tua casa

De paz, amor, união

Saúde, prosperidade,

Sossego e compreensão…

 

E se um dia o senhor,

Precisar deste velhinho

Ele não mora tão perto,

Mas eu lhe ensino o caminho.

Fica no sítio mais além,

Onde já morou meu pai,

À direita de quem vem,

À esquerda de quem vai.

 

Se um dia, o senhor passar

Por ali, com precisão,

De fome o senhor não morre,

Também não dorme no chão.”

 

Quando o velho disse aquilo,

Eu senti naquele instante

Como se eu fosse uma formiga

Sob os pés dum elefante.

 

Estava com as pernas tremendo,

Digo e não peço segredo:

O velho deu-me uma surra,

Sem me tocar com o dedo.

 

Eu, com tanta arrogância,

Ele, com tanta mansidão,

Fez-me pagar muito caro

A falta de educação.

 

Então, naquele instante,

Eu gritei por minha mulher

Que trouxesse para o velhinho

Uma xícara de café.

E fui contar o meu dinheiro,

Tinha somente um cruzeiro,

Dei tudo para São José!...

 

(Zé Laurentino, Poeta do Povo, (Paraíba, Brasil + 2016)

terça-feira, 18 de maio de 2021

Estar no mundo


3ª feira – VII semana da Páscoa

 

Eu já não estou no mundo, 

mas eles estão no mundo…

Estar neste mundo sem ser deste mundo

 

1º - SER

Jesus lembra-nos que nós não somos do mundo.

Estamos no mundo, mas não somos de cá.

A nossa pátria está no céu.

Não somos seres terrenos fazendo uma experiência celeste.

Somos seres celestes a faze uma experiência terrena, um estágio neste mundo.

 

2º - ESTAR

Jesus lembra-nos que estamos no mundo.

Nós não somos anjos, temos corpo.

Querer fazer de anjos estando na terra, é desatino, ensinava Santa Teresa de Ávila.

"Conheci um homem que parece um anjo, mas tem os pés no chão, é realista… tem os olhos no céu, os pés no chão, as mãos na obra e o coração aberto."

 

Ver também:

Falar de quem a quem

Aprender a despedir-se

Como servir

A Deus

 

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Vencendo obstáculos


2ª feira – VII semana da Páscoa

 

No mundo sofrereis tribulações.

Mas tende confiança: Eu venci o mundo.

 

As provações vencem-se de duas maneiras diferentes, mas complementares.

1º aceitando-as como oportunidades ou como treino.

2º confiando em Deus que nos dá a vitória.

O que são as provações?

Para ganhar músculos é preciso levantar pesos. Também na vida espiritual e no nosso carater ou personalidade, devoção etc. é preciso treinar, levantar pesos.

Deus põe alguns pesos, algumas dificuldades não para nos dificultar, mas para ganharmos músculos. E quando já conseguimos aguentar uns pesos, quando já temos músculos para isso, a vida depara-nos com novos pesos, novos obstáculos.

Quando eliminámos ou evitamos que uma criança passe por alguma dificuldade ou obstáculo, estamos a tirar os pesos do seu treino. Dar responsabilidade é dar peso para músculos.

Mesmo depois de termos treinado muito, com muitos pesos ou obstáculos, o mérito nunca será nosso, pois a vitória ou o êxito é sempre partilhado com Cristo. Ele venceu o mundo.

 

Conclusão:

Mesmo ganhando músculo, a nossa vitória vem sempre de Deus.

 

Ver também:

A igreja que arde

Eu venci o mundo

Eu venci

O Senhor das vitórias

As tribulações

 

 

domingo, 16 de maio de 2021

Esperar sentado


Ano B – Festa da Ascensão do Senhor

Foi assim.

Perguntei na celebração porque é que Jesus depois de ter enviado os seus discípulos a evangelizar o mundo, subiu para o Céu e sentou-se à direita de Deus Pai.

As respostas que eu esperava deviam ser:

- Porque Jesus voltou de onde viera.

- Porque Jesus é a mão direita do Pai.

- Porque quis levar um pouco de nós para junto do Pai.

- Ou como respondeu uma criança, há já alguns anos, Jesus sentou-se para descansar, pois já tinha quem continuasse o seu trabalho.

Mas ontem um homem na sua simplicidade respondeu:

- Sentou-se à nossa espera.

E eu, imediatamente completei:

- É por isso que nós dizemos que espere sentado.

Esperar sentado é a expressão que aplicamos quando não estamos com pressa para satisfazer um desejo de alguém.

De facto, Jesus espera por nós, visto ter ido a preparar-nos um lugar. Mas também espera sentado que levemos a cabo a missão que ele nos confiou.

Mas acima de tudo isto, o mais louvável é que apesar de nos conhecer tão bem, as nossas capacidades e limitações, Jesus confiou-nos a sua obra de evangelização.

Ele retirou-se para que possamos ficar com a responsabilidade. E nós ficámos cá para que pudermos partir e evangelizar todo o mundo e o mundo todo.

 

À margem:

Jesus, pela sua Incarnação, veio para a nossa terra sem deixar de estar no Céu na presença de Deus Pai.

Agora, pela sua Ascensão, subiu para o Céu sem deixar de estar na terra, na nossa companhia.

Jesus, na sua Incarnação, trouxe-se para a terra um pouco da natureza divina.

Agora, na sua Ascensão, leva para o Céu um pouco da nossa natureza humana.

Na sua Incarnação, Jesus trouxe-nos Deus para nós.

Agora, na sua Ascensão, leva um pouco de nós para Deus.

 

Conclusão:
Ascensão é:

- Subir para descer

- Deixar para permanecer

- Ficar para partir.


Ver também:

E nós subimos ao Céu

Longe da vista

À laia de despedida

Olhar em frente

Comunicação social

Ascensão

Corações ao alto

Comunicações sociais

Missão cumprida

Da Terra ao Céu

Presença e missão

 

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Jesus, Maria, José

- Quem foi o primeiro devoto ou admirador de São José?

- Foi Maria.

- Quem foi o primeiro devoto ou admirador de Maria de Nazaré?

- Foi José.

- Quem foi o maior devoto de Maria de Nazaré e de José?

- Foi Jesus.

 

Conclusão:

Quem é devoto de Maria de Nazaré faz parte de um grupo encabeçado por Jesus e por José.

Quem é devoto de São José faz parte de um grupo encabeçado por Jesus e por Maria de Nazaré.

É caso para dizer Amigo do meu amigo meu amigo é.

Eu gosto de quem gosta de Jesus, 

e eu gosto de quem Jesus gosta.

É por isso que eu gosto de Jesus, Maria e José.

 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Sem merecer


6ª feira – V semana da Páscoa

Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.

- Como é que Jesus nos amou?

- Amou-nos na totalidade sem merecermos e sem esperar merecimento.

- Então amai-vos uns aos outros sem merecerem e sem esperar merecimento

 

É por isso que o mandamento de Jesus é novo.

O amor tem sempre algo de novo, não é retribuição, é sem merecer e sem esperar recompensa, é gratuito.

 

Ver também:

De servos a amigos

Tal pai, tal filho

 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Permanecer é amar


5ª feira – V semana da Páscoa

Qual a frase que pode resumir o que as Escrituras querem de nós? O que é que a Palavra de Deus espera de nós?

Fizeram um concurso e uma votação. Aparecerem três propostas:

- Escuta Israel

- Ama a Deus e ao próximo

- Oferece um sacrifício de manhã e outro à tarde.

Todos achavam que havia uma proposta que não estava à altura das outras duas. Pensaram e votaram e a frase vencedora foi:

- Oferecer um sacrifício de manhã e outro à tarde.

Porquê?

O que resume as Escrituras é a constância, perseverança, fidelidade. Sempre, sempre, sempre, todos os dias, cada manhã e cada tarde.

O poder de fazer algo pequeno, mas constante, transforma isso em algo grandioso.

É isso que as Escritura esperam de nós. É isso que resume toda a Escritura:

Permanecer!

Se no Antigo Testamento se valorizava permanecer em Deus, o Evangelho vem valorizar Deus que permanece em nós.

Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. 

Assim como o Pai me amou, também Eu vos amei.

Permanecei no meu amor...

Deus é amor e quem ama permanece em Deus.

Amar é permanecer.

Permanecer é amar.

 

Ver também:

Tudo, nada, sempre

Rosas e alegria

Permanecer

Manter-se conectado

 

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Os pés de São José

- São José está calçado com sandálias. Só os homens livres usavam calçado. Os escravos é que tinham de andar descalços. É sinal que São José era um homem livre.

- Ter as sandálias já calçadas é sinal de prontidão para se fazer à estrada. Lembra os judeus no dia do êxodo na ceia pascal já com as sandálias calçadas, prontos para iniciar a sua peregrinação. São José expressa assim a sua prontidão e disponibilidade aos desígnios de Deus.

- Tirar os sapatos é não aceitar uma missão ou renunciar um dever ou obrigação. São José não foge às suas responsabilidades.

- Ter sandálias é estar de pé. Essa posição difere de todas as outras criaturas. É o Homo Erectus. São José apresenta-se como verdadeiro homem, um homem completo, um homem justo.

- São José tem sandálias de paz, de enviado ou mensageiro de paz e não calçado de guerra. São José é um homem de paz.

 

E o Menino Jesus porque está descalço:

- Porque é criança, está a crescer

- Porque é o servo dos servos

- Porque tira as sandálias pois o chão que pisa é terreno sagrado, isto é, os braços de São José.



terça-feira, 4 de maio de 2021

Paz convosco


3ª feira – V semana da Páscoa

Um judeu quando cumprimenta outro judeu diz: Shalom alehem (a paz esteja convosco).

Porquê paz convosco (no plural) e não paz contigo (singular)?

Claro que devia ser singular, Shalom alehe e não alehem.

É sempre no plural por dois motivos:

1º - porque há sempre um anjo connosco que nos acompanha (o anjo da guarda) e portando desejamos a paz não só ao homem, mas também ao anjo.

2º - porque quem deseja a paz a um indivíduo está a desejar a paz a todos os homens, porque ele faz parte de uma comunidade.

Com Jesus aprendamos a dizer dou-vos a paz, ou a paz esteja convosco… e não a paz esteva contigo, porque uma pessoa sozinha não constrói a paz.

Por outro lado, algumas ordens religiosas, nalguns conventos, cumprimentam-se mutuamente dizendo: O Senhor nos dê a sua paz. E a outra deve responder: E a vida eterna.

Não basta desejar ou construir a paz nesta vida, mas é preciso merecê-la na vida eterna.

Se formos servidores dessa paz aqui na terra, com certeza o Senhor nos dará a vida eterna acolhendo-nos na sua paz eterna.


Ver também:

Dou-vos a minha paz

Deixo-vos a paz

Saudai-vos na paz

Portas da fé

 

domingo, 2 de maio de 2021

Manter-se conectado


Ano B – V Domingo de Páscoa

Permanecei em mim e eu permanecerei em vós.

 

Não basta procurar a Deus, encontrar-se com Ele, falar-lhe durante alguns momentos.

É preciso estar sempre em conexão com Ele. Não basta encontrar-se com Ele uma vez por ano, ou até uma vez por semana, ou mesmo uma vez por dia. É preciso manter-se unido a Ele.

Dizem que o mal dos cristãos deriva do facto do Domingo estar muito distante da segunda feira, isto é, o que se celebra ao domingo não tem continuidade nenhum com o resto da semana. Os cristãos são apenas cristãos aos domingos e não permanecem assim durante o resto da semana, para não dizer vários meses.

Quem não permanece em Deus é como ser um telemóvel sem conexão, sem serviço de operadora ou em modo de voo.

É por isso que podemos em qualquer momento, em qualquer lugar, em qualquer situação conectar-nos com Deus, seja à porta de um supermercado, na praça pública, na estrada ou num jardim.

Se Deus sabe tudo, então não precisamos de lhe rezar ou dizer-lhe nada que Ele já não saiba. Vale a pena rezar?

Sim, o que interessa não é tanto o que lhe dizemos, pedimos ou agradecemos, mas o mais importante é a conexão, é estar unidos a Ele, é permanecer nele.

Permanecer em Deus é estar conectado com Ele. E precisamos de rezar, de comunicar com Deus para não nos esquecermos dessa conexão.

 

Ver também:

Permanecer

Arca da Aliança

 

sábado, 1 de maio de 2021

As mãos de São José


No dia de São José Operário, ao contemplarmos a sua imagem, podemos aprender das suas mãos.

Como é que são as suas mãos?

 

- São mãos ocupadas. Não estão em descanso ou repouso. Estão ativas, ou segurando algo, algum instrumento de trabalho, ou dando a mão a alguém.

- São mãos abertas. Não estão fechadas em punho. Mãos abertas para dar e para receber quem lhe quer dar a mão. Mãos que aconchegam (recebeu Maria sua esposa, tomou o Menino e partiu…)

- São mãos limpas. Como homem justo, livre de toda a malícia, as suas mãos são puras. É por isso que segura o lírio da pureza.

- São mãos cheias. Delas brotam toda a abundância que brotam de Deus, pois se nós estamos nas mãos de Deus, Jesus Cristo está nas mãos de José. É Dele que nos vem todos os dons. São sobretudo mãos cheias de amor a Deus e aos seus filhos.

- São mãos calejadas. De facto, as mãos de São José são mãos de carpinteiro. E quem já viu as mãos de um carpinteiro, já reparou as marcas, as cicatrizes e até às vezes a amputação de algum dedo. As mãos de São José são expressão do seu sacrifício, da sua dor e dedicação. E nada se consegue sem dor.

- São mãos criativas. As mãos de São José prolongam as mãos de Deus. Trabalhar é colaborar com Deus na obra da criação.

- São mãos humanas e divinas. As mãos de São José são as mãos do sustento de Jesus e da Virgem Santa Maria. São as mãos humanas porque são as mãos de uma família humana, mas ao mesmo tempo são mãos divinas porque as mãos do Deus feito homem.

 

Ver também:

São José Trabalhador