terça-feira, 24 de outubro de 2023

Tolle, lege! Toma e lê


Leitura Breve (1)

Laudes - Terça-feira - I semana do Tempo Comum

 

Leitura breve - Rom 13, 11b.12-13a

Chegou a hora de nos levantarmos do sono. A noite vai adiantada, aproxima-se o dia. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como convém em pleno dia.

Reflexão

Quando oramos, falamos com Deus

Quando lemos ou meditamos, é Ele que fala connosco.

O que poderá dizer-nos com esta leitura breve?

Santo Agostinho no seu livro Confissões (398-400) lembra que Santo Antão converteu-se ou decidiu-se quando por acaso ouviu Mt 19,21 – Vai, vende os teus bens, dá aos pobres… depois vem e segue-me. Com Agostinho passou-se algo semelhante com a leitura breve de hoje – Rom 13, 11b,12-3a.

Ele tinha alcançado uma quase completa adesão à fé, as suas dúvidas tinham sido ultrapassadas. Mas havia uma coisa que o detinha: o medo de não ser capaz de viver coerente e casta. Ele vivia com uma mulher sem ser casado.

Estava no jardim da sua casa numa luta interior quando ouviu uma voz de criança que lhe dizia – Toma e lê (tolle, lege!).

Ele interpretou estas palavras como um convite de Deus. Tomou as cartas de São Paulo, abriu ao acaso e leu esta leitura breve que considerou como a vontade de Deus. Uma luz brilhou dentro de si e fez desaparecer as trevas da incerteza. Tinha de deixar as obras das trevas (desejos ou obras da carne) para agarrar as armas da luz (obras do Espírito Santo.

Esta leitura completou a sua conversão e entrega total a Deus.

Cada novo dia é uma oportunidade que Deus nos dá para abrir mão das obras das trevas e agarrar as armas da luz para descobrirmos o que Deus espera de nós em cada manhã.

 

 

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

O pecado da acumulação


2ª feira – XXIX semana comum

 

Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus, diz Jesus no Evangelho de hoje.

Aquele insensato da parábola acumulou trigo, acumulou bens, acumulou contas, acumulou riquezas porque acumulou a sua primeira pessoa – eu, mais eu, só eu, apenas eu, acima de tudo eu, por fim eu…

Esta acumulação é causa de todas as outras.

O egocentrismo, egoísmo e enfatuamento é um pecado que leva à perdição.

Diante de Deus todos somos pequenos. A humildade evita a acumulação dos bens terrenos e do nosso egocentrismo.

 

À margem

Amontoado o trigo apodrece.

Espalhado, frutifica,

assim pregava S. Domingos Gusmão.

 

Ver também:

Aos olhos de Deus

 

 

Deus responde-nos sempre


Ano A – XXIX domingo comum

No episódio do Evangelho de hoje Jesus ensina-nos várias coisas.

 

1ª mensagem – É óbvio que nos ensina primeiro a retribuir a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Mas há outro significado, mais pessoal, deste versículo. Tu pertences a Deus, não a César. Tu pertences à oração, não à política. Sim, deves estar informado e envolvido na política – até certo ponto. Mas a política não é a única atividade da tua vida nem a mais importante. Se investes mais tempo na política ou nos teus negócios do que na oração; se lês mais sobre as próximas eleições do que sobre a Palavra de Deus; se estás mais preocupado com o governo terreno do que com o celestial – então estás a dar a César o que pertence a Deus. Então estás a fazer de César o teu Deus. É preciso corrigir essa tentação enquanto é tempo.

 

2ª mensagem – Fizeram uma pergunta a Jesus e ele respondeu. Tinha 7 maneiras diferentes de fazê-lo – ou com um sim, ou não, ou talvez, ou não sei, ou depende, ou com o silêncio. Cada uma destas respostas não iria satisfazer a todos, nem a verdade, nem a quem perguntava nem ao próprio Jesus. É por isso que ele optou pela sétima resposta – perguntar a alguém. Ele perguntou à própria moeda que mostrou que devia pertencer a César.

Isto quer dizer 2 coisas:

- Jesus nunca deixa ninguém sem resposta. Façamos-lhe todas as perguntas que temos no nosso coração porque ele dá sempre uma resposta.

- A maneira preferida de Jesus responder é através da participação dos outros. Nós fazemos as perguntas a Jesus e a moeda ou os outros dão-nos a resposta que Jesus tem para cada um. Estejamos atentos à resposta de Deus estando atentos aos nossos irmãos.

 

Ver também:

Mostrai-me um denário

Bom servo, mau senhor

A césar e a Deus

 

sábado, 21 de outubro de 2023

Bom homem e homem bom


Memória litúrgica do Beato Carlos de Áustria

 

Carlos, Imperador da Áustria e Rei da Hungria, foi beatificado, pois foi um bom homem e um homem bom.

Foi um bom homem porque sempre foi:

- um bom filho

- um bom marido

- um bom pai

- um bom cristão

- um bom cidadão

- um bom militar

- um bom companheiro

- um bom rei

- um bom imperador

- um bom amigo

 

Foi um homem bom porque sempre foi:

- um homem caridoso

- um homem pacífico

- um homem humilde

- um homem paciente

- um homem justo

- um homem crente

- um homem íntegro

- um homem digno

- um homem tolerante

- um homem santo

“Era um homem de uma segura integridade moral e de uma fé sólida, que sempre procurou o melhor para os seus povos. Foi um cristão, um marido, um pai, um monarca exemplar.” (CF. João Paulo II, aquando da proclamação das virtudes heroicas de Carlos de Áustria).

“Nenhuma missão tem concorrido tão eficazmente para avivar a Fé em minha Diocese como o exemplo da paciência heroica e da morte santa do seu Imperador…” (CF. D. António Pereira Ribeiro, bispo do Funchal aquando da morte do Beato Carlos).

“Tendo subido ao trono em 1916, serviu o povo com justiça e caridade. Procurou a paz, ajudou os pobres, cultivou com empenho a sua vida espiritual… Foi sustentado pela Fé desde a sua juventude e principalmente no período da primeira Guerra Mundial e no exílio da Madeira onde morreu santamente.” (CF. Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, aquando da beatificação de Carlos de Áustria).

“Uma das prioridades do meu pai era ensinar-nos tolerância. Tolerância entre as pessoas, entre as nacionalidades.” (CF. Otto de Habsburgo, filho mais velho do Beato Carlos, recordando o legado paterno).



 

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Lucas ou portador de luz


Festa de São Lucas, Evangelista

O pregador:

São Lucas, cujo nome significa “portador de luz”, foi introduzido na fé por volta do ano 40. Ele nunca conheceu Jesus, mas conheceu São Paulo, de quem foi discípulo. Foi educado na literatura e na medicina. É o único escritor do Novo Testamento que não é israelense e dirigiu sua mensagem aos cristãos gentios. É o autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos. São Lucas através da sua escrita continua hoje a pregar.

 

A pregação

No trecho do Evangelho, Lucas narra aquilo que ouviu contar que Jesus enviara os seus discípulos dois a dois.

No Ofício de Leitura da festa de hoje, São Gregório Magno explica porque é que Jesus enviou os seus apóstolos dois a dois:

1º - Porque Nosso senhor ensina-nos de duas maneiras – umas vezes por palavras e outras por ações. Com efeito, as suas próprias obras são preceitos, pois com elas nos dá a conhecer o que devemos fazer.

2º - Porque são dois os mandamentos da caridade, a saber, o amor de Deus e do próximo. O Senhora manda os seus discípulos em pregação dois a dois, para nos indicar isto sem palavras: quem não tiver caridade para com os outros de modo algum deve assumir o ofício da pregação.

3º - Porque enquanto um prega o outro reza e vice-versa. De facto, a messe é grande… pedi ao Senhor da messe. Assim haverá sempre quem reze e quem pregue.

 

Ver também:

Quem é Lucas Evangelista

Lições dos 72 enviados

Jesus enviou os romeiros

 

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Inácio ou o homem de fogo


Memória litúrgica de Santo Inácio de Antioquia, Bispo e mártir, devorado pelas feras no Coliseu de Roma em 107.

Inácio de Antioquia viveu na Síria e chegou a conhecer os apóstolos Pedro e Paulo.

Foi levado prisioneiro para Roma e lançada às feras.

1 - Homem de fogo: O seu nome Inácio deriva de Ignis, isto é, fogo. Este nome faz jus às expressões de intenso amor a Cristo. Tinha de facto um coração ardente, um coração de fogo.

2 - As suas palavras inflamadas de amor a Cristo e à Igreja ficaram na lembrança de todas as gerações futuras: "Deixem-me ser a comida das feras pelas quais me será dado saborear Deus. Eu sou o trigo de Deus. Tenho de ser triturado pelos dentes das feras para tornar-me pão puro de Cristo. Mais me aproveita morrer em Cristo Jesus do que imperar até os confins da terra…

3 - Mais vale ser cristão sem o dizer, do que dizê-lo sem o ser. Fica muito bem ensinar, desde que se pratique o que se ensina.


O vermelho pode resumir a mensagem de hoje:

- Vermelho do sangue do martírio.

- Vermelho do fogo do coração ardente.

- Vermelho da proibição de mostrar sem o ser ou de ensinar sem praticar.

 

Ver também:

Inácio de Antioquia

Igreja Católica

 

Pela Paz na Terra Santa


Dia de Jejum, abstinência e de oração pela paz na Terra Santa em sintonia com a proposta da Assembleia dos Bispos Católicos da Terra Santa.

Senhor Jesus Cristo,

a Terra Santa é mais uma vez atingida

pela violência, o ódio e a morte.

Senhor, olha com misericórdia para a terra

que foi a Tua casa terrena.

Acolhe os mortos no Teu Reino.

Consola os que estão de luto,

os feridos ou os que fogem.

Que todos os que têm medo e desespero

sintam a Tua presença.

Tu és a nossa paz e a luz das nações,

pões fim à espiral de terror e sofrimento

na Terra Santa e em todo o Médio Oriente!

Faz com que a paz e a justiça

voltem a florescer nestes lugares sagrados.

Tu és o nosso refúgio.

Faz com que todos encontrem

proteção no Teu Amor.

Tem piedade de nós e do nosso tempo.

Ámen.

Miraculosa Rainha Dos Céus

(para rezar, cantar ou chorar)

 

Nossa Senhora, mãe de Jesus

Dá-nos a graça da tua luz

Virgem Maria, divina flor

Dá-nos a graça do teu amor

 

Miraculosa rainha dos céus

Sob o teu manto, tecido de luz

Faz com que a guerra se acabe na terra

E haja entre os homens a paz de Jesus

 

Se em teu regaço, bendita mãe

Toda amargura remédio tem

As nossas almas pedem que vás

Junto da guerra, fazer a paz!

 

Pelas crianças, flores em botão

Pelos velhinhos sem lar, nem pão

Pelos soldados que à guerra vão

Senhora, escuta a nossa oração!

 


quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Cinquenta moedas de ouro


Hoje tive oportunidade de fazer uma procissão das velas na paróquia onde sirvo.


As mensagens foram muitas:

 

1ª – Em geral pedimos que Nossa Senhora olhe pela nossa terra, pela terra onde nascemos, e nos traga a paz. Hoje é o contrário. Pedimos que Maria de Nazaré olhe pela sua própria terra, a terra onde ela própria nasceu e lhe traga a paz. Rezamos pela paz no mundo sobretudo na Ucrânia e Rússia e Israel e Palestina.

 

2ª – Um rapazinho, talvez influenciado pelos familiares adultos, veio ter comigo para dizer que não achava bem rezar o terço. Pois era repetir a mesma coisa 50 vezes. Não tinha sentido rezar tantas ave-marias seguidas.

Ouvi calmamente e disse-lhe depois:

- Eu tenho aqui 50 euros que alguém me pediu para ajudar alguém. Aceitas essa oferta?

- Sim. Obrigado por se lembrar de mim – disse o garoto.

- Mas olha que são 50 euros em moedas. Queres na mesma?

- Porque não? Não importa se é em moedas ou se em notas.

- Sim, mas olha bem que são 50 euros em 50 moedas de 1 euro, todas iguais, repetidas, com o mesmo valor…

- Já percebi. As moedas são iguais, mas não deixam de ter o seu valor…

É assim as ave-marias do terço. São 50 iguais, repetidas, com a mesma apresentação, mas nunca perdem o seu valor ou o seu sentido. 

De facto, cada ave-maria é uma moeda de ouro que nós oferecemos no cofre da eternidade. Apesar de repetidas, continuam a ter o mesmo valor o mesmo, continuam a fazer sentido.

 

3ª – Eu pensava que tinha sido duro para com esse garoto fazendo-o ver o sentido de receber tantas moedas de euro, quando não via o sentido de repetir o mesmo número de ave-marias. Afinal essa situação tinha sido vivenciada por uma freira alemã, beneditina, mais conhecida como Santa Gertrudes (1256-1302). Ela contou o seguinte episódio:

“Certo dia estava eu a rezar o terço na minha cela, quando esta se iluminou com uma luz intensa. Vi o próprio Jesus ali presente. Não interrompi o que estava a fazer e continuei a repetir ave-marias.  E reparei que por cada ave-maria recitada, Jesus colocava sobre a mesa uma brilhante moeda de ouro. Pensei que estaria a contar as ave-marias que eu contava com as contas do terço. Quando terminei perguntei-lhe:

- Senhor, que fazeis com essas moedas?

- Gertrudes, cada ave-maria que rezas depositas uma moeda de ouro no céu. É assim que se compra o céu.”

Esta metáfora das moedas e das ave-marias, afinal, é da experiência de Santa Gertrudes.

Se quisermos ser multibilionários no céu basta amar Maria Santíssima e não se cansar de repetir ave-marias.

Será mais fácil e mais benéfico ser assim bilionário no céu do que na terra.

Afinal repetir ave-marias tem sentido e tem valor.

Esta mesma visão referenciando a ave-maria como uma moeda com a qual se compra o Paraíso foi partilhada mais tarde por São Luís Maria Grignon de Montfort, no seu livro O Segredo do Rosário.

 

4ª – Cada peregrino na procissão ostentava uma vela acesa para dizer que tinha uma luz da fé no seu coração. De facto, não sei se a vela na mão era o reflexo da vela da fé no seu coração ou se a luz da fé no seu interior era o reflexo da vela que tem na sua mão. A procissão das velas lembra-nos isso e aponta para aquela que se revestiu de luz, mais brilhante do que o sol.

 

5ª – A bandeira da paz é uma bandeira branca. O andor de Nossa Senhora, bem como a imagem da virgem é uma autêntica bandeira branca da paz. Aos percorrer as ruas da paróquias, está a declarar a paz e a contagiá-la à sua volta.

 

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

S. José no Concílio Vat II


Ao celebramos São João XXIII, no 61º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, nesta quarta-feira dedicada habitualmente a São José, podemos lembrar alguns dados curiosos da sua vida e da sua devoção.

O papa João XXIII quase foi o papa José I

O Papa São João XXIII (1958-1963) proclamou São José, Padroeiro do Concílio Vaticano II e inseriu São José no cânon da missa, mandou construir um altar a São José na Basílica Vaticano de São Pedro.  Ensinou São João XXIII que São José tem lugar único entre os santos e que é concedido a ele ver, ouvir, carregar, vestir, guardar, criar Jesus. Nenhum sacerdote tem graça maior que esta dada a São José.

A 19 de março de 1961, o Papa São João XXIII publicou no jornal vaticano L'Osservatore Romano (LOR), uma carta apostólica sobre São José, na qual lhe confiou a realização do Concílio Vaticano II.

O Concílio foi aberto em 1962 por São João XXIII e encerrado em 1965 por São Paulo VI visando promover a fé católica no mundo, renovar a vida cristã, adaptar a liturgia e encorajar a ação dos leigos na vida da Igreja.

O Papa Bom considerava São José como “o melhor mestre e padroeiro dos diplomatas da Santa Sé”, porque sabia obedecer e, quando era necessário falar, o fazia com moderação e elegância, características próprias de um diplomata. O jornal do Vaticano indica que isso foi dito pelo Papa ao então Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Gasparri, quando soube que havia sido nomeado Visitador Apostólico da Bulgária e que seria ordenado bispo, facto que ocorreu na festa de São José, em 19 de março de 1925, quando tinha 43 anos.

Na carta que publicou em 1962, já como Sumo Pontífice, São João XXIII destacou a devoção a São José de seus predecessores: Pio IX o declarou Patrono da Igreja, Pio XI referiu-se ao Santo Custódio como defensor das nações cristãs contra o ateísmo mundial; e Pio XII estabeleceu o dia 1º de maio como a festa de São José Operário.

Na Missa que celebrou em 19 de março de 1959, poucos meses depois de sua eleição, São João XXIII disse aos fiéis que teria escolhido “José” como nome de Pontífice, mas não o fez porque não era “do uso dos papas”, por isso optou finalmente pelo nome de “João”.

Embora não tenha tomado o nome de “José”, João XXIII sabia que São José estaria sempre ao seu lado “por ser um excelente protetor e companheiro, além de um ótimo exemplo”. De facto, ele chamava-se Ângelo José Roncalli.


Ver também:

São João XXIII, Papa

 

São João XXIII, Papa


Memória Obrigatória

 

Nota Histórica

Ângelo José Roncálli nasceu em Sotto il Monte (Bérgamo), em 1881. Ordenado presbítero em 1904, foi secretário do bispo de Bérgamo. Entre 1921 e 1953 serviu a Sé Apostólica na Bulgária, Turquia, Grécia e França. Em 1953 foi nomeado cardeal patriarca de Veneza. Foi eleito papa em 1958. Convocou o Sínodo Romano, instituiu a Comissão para a revisão do Código de Direito Canónico e convocou o Segundo Concílio Ecuménico do Vaticano. Morreu na tarde do dia 3 de junho de 1963.

Missa

Comum dos pastores da Igreja: para um papa.

 

Antífona de entrada

O Senhor o escolheu como sumo sacerdote

e abriu-lhe o tesouro de todas as suas bênçãos.

 

Ou:  Cf. Sir 50, 1; 44, 16.22

Eis o sumo sacerdote, que na sua vida agradou ao Senhor.

Por isso, com juramento, o Senhor o engrandeceu no meio do seu povo.

 

Oração coleta

Deus todo-poderoso e eterno,

que, no papa são João XXIII,

fizestes resplandecer em todo o mundo

a imagem viva de Cristo, bom pastor,

concedei-nos, pela sua intercessão,

a graça de difundir com alegria a plenitude da caridade cristã.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus

e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,

por todos os séculos dos séculos.

 

Oração sobre as oblatas

Recebei, Senhor, o sacrifício do vosso povo

e fazei que estes dons,

oferecidos para vossa glória, em honra de são João XXIII,

sejam para nós fonte de salvação eterna.

Por Cristo nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão Cf. Jo 10, 11

O bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas.

 

Oração depois da comunhão

A comunhão deste sacramento, Senhor,

faça crescer em nós o ardor da caridade de são João XXIII.

que o levava a entregar-se totalmente ao serviço da Igreja.

Por Cristo nosso Senhor.

 

Liturgia das Horas

Ofício de Leitura

SEGUNDA LEITURA

Das alocuções de São João XXIII, papa

(Abertura solene do Concílio Ecuménico Vaticano II, 11 de Outubro de 1962: AAS 54 [1962], 786-787. 792-793)

 

A Igreja é mãe amabilíssima de todos os homens

Alegra-se a Santa Mãe Igreja, porque, por singular dom da Divina Providência, amanheceu finalmente o dia tão esperado, em que se inaugura o Concílio Ecuménico Vaticano II, aqui, junto do túmulo de São Pedro, sob a proteção da Santíssima Virgem, de quem celebramos hoje com alegria a dignidade de Mãe de Deus.

Depois de quase vinte séculos, as situações e os problemas gravíssimos que a humanidade deve enfrentar não mudam. Na realidade, Cristo ocupa sempre o posto central da história e da vida: os homens ou aderem a Ele e à sua Igreja – e então gozam da luz, da bondade, da ordem justa e do benefício da paz – , ou vivem sem Ele e contra Ele, e permanecem deliberadamente fora da Igreja – e por isso se estabelece a confusão entre eles, as relações mútuas tornam-se difíceis, ameaça o perigo de guerras sangrentas.

Ao iniciar-se o Concílio Ecuménico Vaticano II, é evidente como nunca que a verdade do Senhor permanece eternamente (Salmo 118 (119), 89). De facto, vemos como de uma época para outra as incertas opiniões dos homens se contradizem mutuamente e muitas vezes os erros se dissipam logo ao nascer como a névoa ao despontar o sol.

Sempre a Igreja se opôs a estes erros, muitas vezes até os condenou com severidade. Nos nossos dias, porém, a Esposa de Cristo prefere usar a medicina da misericórdia, em vez de recorrer às armas do rigor; ela pensa que é melhor ir ao encontro das necessidades atuais mostrando a validez da sua doutrina do que recorrendo às condenações. Não é porque faltem doutrinas falsas, opiniões e ideias perigosas, contra as quais nos devemos precaver e opor, mas porque todas estas coisas estão tão abertamente em contradição com os retos princípios da honestidade e produziram frutos tão perniciosos que hoje os homens parecem espontaneamente inclinados a reprová-las, sobretudo aquelas formas de viver que ignoram a Deus e a sua lei, a confiança excessiva nos progressos da técnica e o bem-estar fundado exclusivamente na comodidade da vida. Estão sempre cada vez mais conscientes de que a dignidade humana e o seu conveniente aperfeiçoamento é uma questão de suma importância e muito difícil de realizar. O que mais importa é terem aprendido com a experiência que a violência causada aos outros, o poder das armas e o predomínio político não contribuem para a feliz solução dos gravíssimos problemas que os atormentam.

Neste estado de coisas, a Igreja Católica, elevando por meio deste Concílio Ecuménico o farol da verdade religiosa, quer manifestar-se como mãe amável de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e de bondade para com os filhos dela separados. Ao género humano oprimido por tantas dificuldades ela diz como Pedro ao pobre que lhe pedia esmola: “Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho. Em nome de Jesus Nazareno, levanta-te e anda” (At 3, 6).

Quer dizer, a Igreja não oferece riquezas caducas aos homens de hoje, nem lhes promete uma felicidade só terrena, mas torna-os participantes da graça divina, que, elevando-os à dignidade de filhos de Deus, se converte numa poderosa defesa e ajuda para uma vida mais humana; abre a fonte da sua doutrina vivificadora que permite aos homens, iluminados pela luz de Cristo, compreender bem aquilo que são realmente, a sua excelsa dignidade, a meta a que devem tender. Além disso, por meio dos seus filhos, estende por toda a parte a plenitude da caridade cristã, que, mais que nenhuma outra coisa contribui para erradicar a discórdia, nada havendo mais eficaz para fomentar a concórdia, a paz justa e a união fraterna de todos.

 

Responsório cf. Mt 16, 18; Salmo 47 (48), 9

R. Disse Jesus a Simão: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. * E as forças do Inferno não prevalecerão contra ela.

V. Deus consolidou-a para sempre. * E as forças do Inferno não prevalecerão contra ela.

 

Ver também:

Obediência e paz de João XXIII

 

domingo, 8 de outubro de 2023

A vinha do Senhor é ...


Ano A – XXVII domingo comum


O profeta Isaías diz na primeira leitura:

- A vinha do Senhor do universo é a casa de Israel.

 

Repetimo-lo no salmo:

- A vinha do Senhor é a casa de Israel.

 

Jesus diz no trecho do evangelho:

- A vinha do Senhor é o reino de Deus

 

E nós podemos dizer:

- A vinha do Senhor é o nosso coração.

 

Sim, Deus plantou uma vinha no nosso coração:

- E deixou-a ao nosso cuidado e trabalho. Somos os seus vinhateiros.

- Cercou-a com uma sebe que são os dez mandamentos.

- Cavou nela um sagar que é a nossa vontade e sacrifício.

- Levantou uma torre de vigilância que é o nosso anjo da guarda.

- E partiu para longe, isto é, deixou-nos a liberdade e a responsabilidade.

- Mandou-nos os seus servos e mensageiros, a quem viramos as costas.

- Mandou o seu próprio filho que recebemos em comunhão e depressa nos

 esquecemos.

 

De facto, o nosso coração é uma vinha e não um jardim.

Não é um jardim, pois só serve para enfeitar e adornar, tornar a vida aprazível, alegre, mas não dá fruto.

O nosso coração é uma vinha, uma espécie de pomar. Para dar fruto é preciso trabalhar e aproveitar as oportunidades:

- Regar a plantação com a oração.

- Podar com a conversão e confissão.

- Fazer enxertos com os sacramentos para produzir melhor fruto.

- Expor os frutos ao sol que é a graça divina.

- Valorizar quem vem em nosso auxílio como mensageiros e dispensadores de serviços.

 

A vinha do Senhor é o nosso coração.

E todos nós somos os vinhateiros de Deus.

 

Que Ele me ajude a continuar a ser o humilde trabalhador da vide do Senhor.

 

Ver também:

A nossa alma é uma vinha

Parábola autobiográfica

 

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

O mal da Esclerocardia


6ª feira – XXVI semana comum

Ai de ti Corazim, ai de ti Betsaida… ai de ti Cafarnaum.

 

Qual o mal destas cidades muito frequentadas por Jesus?

Sofriam de uma doença muito antiga, mas também muito atual – a esclerocardia, isto é, a dureza de coração.

 

Origem da doença:

- Indiferença.

- Acomodação.

- Cegueira (não querer ver).

- Sufoco de bens materiais.


Sintomas da doença:

- Insensibilidade.

- Coração duro, vazio e pesado. De facto, não há mais mada mais pesado do que um coração vazio.

- Alienação.

 

Remédio para a doença:

- Humildade (ver os sinais).

- Gratidão (reconhecer as oportunidades).

- Conversão (mudança de vida).

- Fé (acreditar em Jesus).

 

Ver também:

Tolerância para todos