terça-feira, 13 de agosto de 2013

Memorial Pe. Colombo (6)


Os últimos tempos do Pe. Colombo

Estive com o Pe. Colombo em Aveiro, no primeiro ano do Seminário da Boavista, tive-o como conselheiro provincial na primeira administração provincial, voltei agora nestes últimos dois anos e meio a estar com ele na comunidade do Porto-Boavista.
Encontrei-o ainda rijo, mas já vergado pela doença à qual se tinha acostumado tentando enganar a si próprio com um programa de vida regular que ainda era suficientemente forte para uns trabalhos.
Quando o mal atacou (um tumor maligno) em cheio o pulmão esquerdo tudo parecia indicar estar próximo do fim. Mas com a ajuda de Deus (pela Santa Unção que lhe foi administrada), pela perícia dos médicos e pelo carinho dos confrades, das pessoas amigas e das Irmãs da Casa de Saúde da Boavista, conseguiu também desta vez ultrapassar o obstáculo e viver mais dois anos e uns meses discretamente.
A pergunta que muitas vezes me fazia, logo de manhã, era esta: “que trabalho há para fazer?” O seu martírio era ver os outros trabalhar e ele não poder dar uma ajuda conforme a necessidade. Ultimamente, deixávamos os trabalhinhos mais leves para ele os fazer e se entreter como: colar os selos nas catas da secretaria, preparar os envelopes dos aniversários dos Valentes e dos sócios dos grupos missionários, etc… Ajudava na preparação da expedição da Folha dos Valentes, menos nestes últimos dois meses em que já não sentia força nenhuma.
Durante este último ano, à falta de forças, às doenças juntou-se-lhe também uma crise espiritual de inapetência da oração, exemplos sérios por ninharias. Coisa muito estranha num homem de decisões como ele. Só o seu espírito de obediência aos Superiores é que o ajudava a superar os pontos críticos.
A idade não perdoa a ninguém: começou a esquecer-se com uma certa facilidade. A surdez afetava-o e isolava-o terrivelmente, daí a sua curiosidade em remexer tudo aquilo que encontrava à mão para estar a par dos acontecimentos.
A sua presença nas orações comunitárias de laudes, vésperas e Adoração era um estímulo para toda a comunidade. Gostava de concelebrar na Missa paroquial do sábado à tarde e na do domingo às onze horas. Através destas participações saboreava o dia do Senhor. Os cumprimentos das pessoas que o conheciam, depois da Eucaristia, deixavam-no bem-disposto. O chá da Teresinha, prima do Pe. Carrara, que tratava da cozinha na residência paroquial da Boavista, consolava-o.
No início deste ano letivo tinha-me pedido que o levasse à Portelinha quando às quintas-feiras lá fosse para o confesso dos alunos. Regozijava-se em saber que o Seminário Padre Dehon e o Colégio Missionário estavam cheios de alunos.
Sentia uma profunda mágoa quando se apercebia que algum religioso ou alguma comunidade mostrava sinais de tibieza na vivência do nosso carisma e em particular da pobreza. Ele, que tinha passado por tempos de privações, como foram os primeiros tempos de todas as nossas casas e da Província, não conseguia aceitar muitas comodidades que a nossa sociedade de hoje oferece.
Para mim, que lhe fazia um pouco de enfermeiro, tinha uma estima muito grande. Quando faltava em casa por mais de umas horas, parecia que lhe faltava algo…, ficava ansioso. A nossa empregada D. Camila, lidava com ele com muita atenção e carinho, como se fosse o seu pai.
Agora, sentimos o vazio da sua ausência; penso, porém, que temos um grande amigo no céu a pedir a Deus por toda a comunidade.
A sua passagem pelos grupos missionários deixou uma ótima recordação. As zeladoras perguntavam muitas vezes por ele e enviavam-lhe cumprimentos, beijinhos e doces, que com muito gosto colocava ao dispor de toda a comunidade. Quando recebia algum presente entregava-o ao Superior para que dispusesse como achasse melhor, à boa maneira antiga.
Era fidelíssimo ao Sacramento da Penitência. Cada quinze dias ia ao seu confessor, nos Padres Dominicanos. Ultimamente, tinha mudado para o Superior dos Padres do Espírito Santo, que estão mais pertinho…, mas o Senhor chamou-o a si no dia de Páscoa. Quando soube da notícia ficou mal.
Ultimamente dizia-me: “Que estou cá a fazer eu, só estou a atrapalhar a todos”. Mesmo na urgência do Hospital de São João, aonde o acompanhei, num momento de lucidez ainda voltou a manifestar esta sua preocupação: “Estou a fazer-te perder tempo”. Estas foram as últimas palavras que eu ouvi da sua boca, porque depois perdeu a voz e já não se conseguia saber se ainda compreendia ou não.
Na última terça-feira fui visitá-lo, como fazia todos os dias, com o Pe. Carrara e o Pe. João de Deus. Pedi ao Pe. Carrara que levasse o óleo dos enfermos para lhe administrar outra vez o sacramento, o que se fez. Abria os olhos de vez em quando…
Nos dias seguintes sempre o encontrei mergulhado num sono profundo, mas sereno que o levou até à morte.
O Senhor chamou-o para dar-lhe o prémio da vida eterna, como prometeu aos discípulos: “recebereis o cêntuplo aqui com algumas tribulações e… a vida eterna”.
Convido a todos a não esquecê-lo nas orações particulares e comunitárias. Muito lhe devemos.

Pe. António Colombi, SCJ
In UNÂNIMES, nº 4, Junho de 1995, páginas 102-106



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Teresa Benedita da Cruz


Nasceu judia a 12 de outubro de 1891 na Alemanha, com o nome de Edith Stein.
Estudou e ensinou filosofia.
Batizada na Igreja Católica a 1 de janeiro de 1922 com o nome de Teresa
Professou como irmã carmelita em 1933 com o nome de Teresa Benedita da Cruz
Presa na Holanda pelas forças nazis a 2 de agosto de 1942
Morta nas Câmaras de gás a 9 de agosto em Auschwitz
Declarada santa em 11 de outubro de 1998
Proclamada co-padroeira da Europa a 1 de outubro de 1999.

Duas lições de Teresa Benedita da Cruz:

A ciência da oração
Descoberta progressiva da oração.
Por volta de 1914, fez uma análise do Pai-Nosso, não do ponto de vista religioso, mas estudando a etimologia alemã. Ficou muito impressionada com essa oração, e a repassou várias vezes.
Certo dia, visitando a Catedral de Friburgo com objetivo meramente turístico, ela viu entrar uma mulher com a sua cesta de compras e ajoelhar-se para fazer uma breve oração. “Isso era algo completamente novo para mim, pois eu só entrava em sinagogas e em igrejas protestantes para o culto religioso comunitário. Ali, em contra partida, estava alguém que acudia a uma igreja vazia a meio das ocupações diárias, como que para um diálogo confidencial com Deus. Disso nunca me esqueci.”
Outra cena deu-se na casa de um camponês católico onde ela se hospedara durante um passeio. Causou-lhe profunda impressão ver esse pai de família fazer pela manhã uma oração com os seus empregados, antes de irem para os trabalhos do campo.
Como conclusão deixou assim escrito: “A oração e o sacrifício valem mais do que se possa pensar. Por cada e qualquer oração, mesma a mais pequenina, acontece algo na Igreja. Aprendemos a servir-nos da oração para que à hora, de cada dia, fazermos uma obra de eternidade.”
Finalmente, foi rezando que foi presa, encetando o caminho do seu calvário. De facto, após a invasão da Holanda, onde a freira Alemã como era conhecida se tinha refugiado, a polícia nazi foi arranca-la à clausura do Carmela. A Irmã teresa saudou os agentes com a saudação cristã: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo…

A ciência da cruz
A conclusão do livro "A Ciência da Cruz".
Todos os momentos livres da sua vida de carmelita, e também parte da noite, a Irmã Teresa Benedita dedicava-os à redação da obra "A Ciência da Cruz", que lhe tinha sido encomendada para assinalar o quarto centenário do nascimento de São João da Cruz. Contudo, não logrou terminá-la. Ou melhor, ela concluiu sim, mas não por escrito: a conclusão se efetivou com a entrega da sua própria vida. Da mesma forma que a Verdade eterna se manifestou ao mundo plenamente num Homem, Jesus, e não escrita num livro, assim o último livro da Irmã Teresa Benedita começou por ser escrito com tinta e terminou por ser vivido ou escrito com o sangue da sua vida.




quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Dehon e Portugal (1)


Portugal na Vida e Obra do Pe. Dehon

    O Pe. Dehon esteve 3 vezes em Portugal:

            A primeira foi em 1900, relatada no seu livro "Para além dos Pirenéus". Chegou de comboio a Lisboa na manhã de 26 de Março de 1900, Segunda-feira. Visitou Lisboa, Almada, Sintra, Monserrate, Alcobaça, Batalha, Leiria, Coimbra, Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos. Deixou Portugal a caminho de Badajoz a 3 de Abril, de comboio, numa Terça-feira. 

            A segunda visita a Portugal ocorreu em 1906, numa escala por Lisboa, a caminho do Brasil, relatada no seu livro "Mil léguas na América Latina..." Chegou à capital, por mar, a 03 de Setembro, Segunda-feira, e partiu no dia seguinte.

            Finalmente, no regresso da América, fez de novo escala em Lisboa a 09 de Janeiro de 1907, numa Quarta-feira. 

             Mas o interesse por Portugal começou, pelo menos, vinte anos antes e prolongou-se, também pelo menos, até 1923.

            A referência mais antiga a Portugal encontra-se no discurso da entrega de prémios do Colégio São João a 2 de agosto de 1879, que integrou o primeiro livro que o Pe. Dehon publicou com todos esses discursos em 1887. Disse assim: "Escutai. Eis primeiro o doutor Livingstone no regresso da sua expedição no interior da África central - Havia outrora, diz ele, a dez ou doze léguas ao norte de Albaca, no Congo, uma missão chamada Cahenda, e o número de indivíduos que, na província, sabiam ler e escrever era deveras extraordinário. É fruto dos trabalhos dos missionários jesuítas que foram os apóstolos desta população; e depois da sua expulsão pelo Marquês de Pombal, os indígenas continuaram a instruir-se uns aos outros. Estes homens abnegados gozam ainda hoje de grande veneração. Todos falam deles com honra. Chamam-lhes ainda pelo seu nome português de padres jesuítas."

            Outras referências apareceram nas Crónicas de "O Reino do Coração de Jesus" desde 1889. Antes de conhecer Portugal in loco, o Pe. Dehon já escrevera 12 crónicas e ainda uma referência num artigo (1895) e duas alusões nos seus livros (Os Nossos Congressos e Renovação Social Cristã). Depois disso, apareceram várias referências a Portugal nas Notas Quotidianas de 1910-1911, no decorrer da sua viagem à volta do mundo bem como na sua correspondência.

Por fim, há que referir que não só o Pe. Dehon estudou e conheceu Portugal como os portugueses também estudaram e conheceram o pensamento do Pe. Dehon. De facto, podemos comprovar que alguns autores portugueses, clero e leigos, adquiriram, estudaram, citaram as edições originais ou traduziram alguns dos seus livros sociais.

Ordem dos Pregadores

5ª Feira - XVIII Semana Comum

Na Primeira leitura Moisés disse ao povo sedente:
- Poderemos nós fazer brotar água deste rochedo?
Depois bateu duas vezes no rochedo e então as águas brotaram com abundância...
Mas foi censurado por não confiar em Deus.
Sim, ele em vez de olhar para Deus, procurava olhar para si mesmo e convidou o povo a olhar para si também.
Em vez de olharmos para nós, saibamos olhar com confiança para Deus que bem sabe cuidar de nós.

No Evangelho Jesus pergunta que diziam os homens acerca dele. Uns diziam que era Elias, Jeremias, João Batista, ou outro profeta do antigamente...
Isto é: todos estavam a querer olhar para o passado, para o antigamente. É de facto uma grande tentação.
Jesus por sua vez convida a olhar para o futuro: Daqui para a frente tu serás Pedro, sobre ti edificarei...
Jesus convida a olhar para o futuro.

Que Deus nos ajuda a olhar não para nós mesmos, nem para o passado, nem apenas para o presente, mas sim para Ele e para a frente.

Hoje é celebrada a memória de São Domingos de Gusmão.
O lema da Ordem dos Padres Pregadores por ele fundada é:
Contemplata aliis tradere.
Isto é, contemplar e dar os outros o que contemplados.
De facto não basta contemplar, é preciso pregar aos outros o que foi contemplado.
Também não basta pregar, é preciso contemplar, encher o coração para que possa transbordar aos outros.

Ser dominicano é:
É ser um padre no intuito de imitar Nosso Senhor Jesus Cristo que é o único Sumo-sacerdote.
é ser um religioso no intuito de imitar mais corretamente Nosso Senhor Jesus Cristo pobre, casto e obediente.
É ser um contemplativo no intuito de se nutrir em Deus, conhecer através da fé como Nosso Senhor nutria a si mesmo pela contemplação do seu Pai, face a face.
É ser um pregador com intuito de levar a missão da palavra, de levar aos outros o que foi contemplado.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Fé e humildade


4ª Feira - XVIII Semana Comum

Jesus elogia a grande fé de uma mulher simples.
 
Se uma pessoa é humilde, será grande a sua fé.
Se uma pessoa for orgulhosa, será fraca a sua fé.
Por isso a cananeira humilhando-se, tornou-se pequena ou simples e a sua grande fé manifestou-se.
 
Estou convencido que a fé é sempre grande.
A questão não está em ser grande ou pequena, mas em ter ou não ter fé.
A fé é sempre tão grande que qualquer pessoa parecerá sempre pequena diante desse grande mistério.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Conservei a fé

Neste Ano da fé, ao assinalarmos o dia do falecimento do Papa Paulo VI em 1978, podemos contemplar a sua fé, a sua santidade e a sua memória.
 
a) A FÉ
“Fidem servavi” (conservei a fé): nesta expressão paulina, pronunciada poucos dias antes da morte, está condensado todo o pontificado de Paulo VI.
A fé, disse Paulo VI, é “a adesão do espírito, intelecto e vontade a uma verdade” que se justifica “pela autoridade transcendente de um testemunho ao qual não apenas é razoável aderir, mas intimamente lógico, por uma estranha e vital força persuasiva, que torna o ato de fé extremamente pessoal e satisfatório”.
Foi este Papa o primeiro a proclamar um ANO DA FÉ no centenário do martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo, em 1968. Na celebração conclusiva Paulo VI proclamou um credo que ficou conhecido como o CREDO DO POVO DE DEUS.
 
b) A SANTIDADE
Em 07/12/1975, Paulo VI recebia em Roma a delegação da Igreja Oriental, para comemorarem juntos o décimo aniversário da retirada das excomunhões. O Papa beijou os pés do patriarca Meliton da Calcedônia, que chefiava a delegação. E um jornalista de Atenas, muito impressionado, disse: “Só um grande homem pode humilhar-se assim”! Ao que acrescentou o patriarca: “Só um santo, só um santo pode agir desta maneira”! Papa Paulo VI, “grande santo”.
 
c) A MEMÓRIA
Paulo que foste Pedro e Pedro que foste Paulo, Tu que na terra tiveste “outro que te cingisse” e que na mesma terra percorreste largos caminhos nunca por teus predecessores andados, descansa agora da tua angústia, do teu sentido da urgência, do teu imenso cuidado e do peso grande das chaves que em tuas frágeis mãos levavas.
Tu que, prevendo embora o final que se avizinhava, foste arrebatado, quase no instante que dura o relâmpago rasgador da treva, o dia da memória da Transfiguração do Senhor, recebe agora a infinita luz da Sua eternidade.
Tu que viveste, não raro, no meio dos homens, em alturas solitárias só poucos ou mesmo a nenhum deles acessíveis, habita agora no seio da Família Divina, na comunhão de todos os santos, para sempre.
Tu que não foste nem compreendido, nem admirado nem amado, na medida em que de tanto eras merecedor, sê agora aceite por Aquele que, “coroando os nossos méritos, é a Sua graça que Ele coroa também”.
Tu que amaste a Igreja como esposa, mãe e irmã e que lutaste, incansável, pela sua unidade, a um tempo, mais estreita e mais larga, intercede agora, junto daquele que é “tudo em todos” para que o grande voto do seu Fundador e “Pastor eterno” se torne realidade cada dia mais viva e mais atuante.
Tu que olhaste a Terra como autêntico cidadão do mundo, reza a Deus, Senhor do Tempo e Senhor da História, que te levou cheio de anos e cheio de experiência, para que essa mesma Terra se torne um espaço habitável para todos os seus filhos…
(Manuel Antunes, Linhas mestras de um pontificado, na morte de Paulo VI, in Brotéria, vol 107, nº 4, outubro 1978, página 243-261)
 

Acampar no Tabor


Há muita gente que já teve o privilégio de subir até ao alto do Monte Tabor. Há também algumas pessoas que ficaram alojadas algum tempo nesse local, mas montar uma tenda e passar lá a noite terá sido sorte de bem poucos.  Até os primeiros discípulos, acompanhados por Jesus não conseguiram isso. Mas o desejo que São Pedro não conseguiu concretizar foi satisfeito pelo jovem Leão Dehon a 20 de Abril de 1865, durante a sua primeira visita à Terra Santa, como podemos ler nas suas Notes sur l´histoire de ma vie, volume II.
"Subimos a um planalto para visitar a humilde aldeia que foi Jezrael. antiga capital do país. Foi aí que a ímpia Jezrael encontrou a morte pela mão de Jeú. Mais longe, nas encostas basálticas do Hémon, está Sunam, a pátria da esposa misteriosa do Cântico. Na outra vertente, está Naim, onde Nosso Senhor manifestou a bondade do Seu coração com um lindo milagre.
Já temos de nós o TABOR. É um cone isolado, medianamente alto e que seria pouco notado se não nos recordasse tão grandes mistérios.
No último contraforte do Hémon está Endor, aldeia com numerosas grutas, pátria da Pitonisa ou Sibila que Saúl teve a fraqueza de consultar antes da batalha de Gelboé em que pareceu.
Decidimos, aí meso, ir acampar sobre o Tabor. Os primeiros declives são suaves, arborizados e ricos de caça, depois a montanha torna-se rude, mesmo para os cavalos que sonos obrigados a conduzir pelas rédeas. Chegamos ao cimo, numa hora, pela encosta oriental que está toda plantada de azinheiras. No planalto encontramos um pequeno convento grego bastante novo ao pé do qual acampamos. Uma grande cerca encerra ruinas e escombros, entre os quais crescem madressilvas e terebintos. Todo o planalto já foi habitado. No ângulo sudeste, três longas abóbodas ogivais servem de igreja aos católicos nas suas peregrinações. Foi aí que teve lugar, provavelmente, a transfiguração. É o ponto mais alto. Fizemos nele uma breve oração. As minhas recordações muitíssimas vezes voltaram lá, desde essa peregrinação.
A visa desde o Tabor é uma das mais bonitas da Palestina. Estende-se desde o mar Teberíades até ao Mediterrâneo. Ao norte há o Hémon com a sua coroa de neve e a cidade judaica de Safed. Ao sul e a leste é o Carmelo e o Gelboé. Lamentamos a falta de um mosteiro católico aí; o nosso desejo realizou-se mais tarde."

Escutar em vez de ver


Hoje celebramos a festa da Transfiguração do Senhor.

Pedro, perante o espetáculo do transcendente, manifesta o desejo de plantar 3 tendas: respetivamente para Jesus, para Moisés e para Elias.
Depois guardaram silêncio... e mais tarde partilharam...

O mais importante na Transfiguração não é o VER, mas o ESCUTAR.
A conclusão ou a última palavra aponta para o escutar.
É sempre assim: primeiro ficamos sem saber o que dizer... depois amadurecemos ou saboreamos em silêncio e depois temos necessidades de partilhar com os outros, de anunciar essa experiência.

O Mistério da Transfiguração é um convite, não para se ver, mas para ESCUTAR.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Marta e Maria

 
Ao celebrarmos a memória de Santa Marta podemos acolher 2 mensagens:
 
1ª Recebeu-o em sua casa
Marta costumava receber Jesus em sua casa.
Sua irmã Maria, porém, acolhia-o no seu coração.
E Jesus prometeu que receberia as duas no seu reino.
Também eu quero receber Jesus na minha casa, na minha vida e no meu coração na certeza de que um dia ele receber-me-á no seu reino.
 
2ª Irmãs diferentes mas complementares
Uma era muito prática, outra mais calma.
Uma afirmava-se na ação, a outra na contemplação...
Afinal os seus nomes dizem tudo:
MARTA e MARIA.
São nomes coincidentes. A única diferença está num traço.
MARIA tem um i que é uma dimensão vertical. De facto ela inclinava-se mais para se unir a Deus.
MARTA tem um t que acrescenta um traço horizontal. De facto não esquecia o serviço a quem estava ao seu lado.
Também eu posso trazer em mim estas duas dimensões - vertical para me unir a Deus e horizontal para servir os outros.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Memorial Pe. Colombo (5)


O Pe. Colombo, mais que falar da fé, manifestava-a

Introdução
Vou falar-vos das linhas de força que levaram o Pe. Ângelo Colombo a viver como viveu e a realizar o que fez.
Entendo referir-me. Dum modo particular, aos anos em que vivi com ele: os meus três primeiros anos de formação (1948-1951).
Tinha eu cerca de 14 anos quando, em 1948, entrei no Colégio Missionário do Funchal. Encontrei um Pe. Colombo de 35 anos, já muito entusiasta pela Obra que estava a levar por diante, mas também preocupado pela solução dos problemas económicos. Eu era ainda adolescente e, como tal, não conseguia imaginar as reais dificuldades dos meus formadores nesse sector.
Fui convidado a pensar que havia dificuldades quando em junho de 1948, após ter-lhes dirigido o meu pedido de entrada, foi-me respondido que já não havia lugar para mim… que decidisse frequentar o Colégio Missionário como externo ou então que esperasse pelo ano seguinte! A minha resposta foi que não me sentia ser aluno externo dado que “uma ovelha fora do aprisco facilmente se desgarra”. A verdade é que acabei por entrar quinze dias após o início das aulas. Entretanto, já tinham conseguido encontrar dinheiro para a compra da cama, dos livros, da carteira, da cadeira e não só!...
Penso que no dia da minha consagração definitiva e da ordenação presbiteral, o Pe. Colombo e os outros padres sentiram-se profundamente consolados pelo esforço feito por ocasião da minha entrada. Diga-se, de passagem, que dos 18 alunos que tinham entrado em 1948, segundo ano da presença dehoniana em Portugal, fui eu, apenas, quem perseverou até ao fim!...

As linhas de força do Pe. Colombo partem da espiritualidade e carisma dehonianos que ele soube fazer seus a al ponto de parecer que tudo procedia da sua pessoa.
Aqui vão aquelas que mais me tocaram a mente e, sobretudo, o coração.
Uma fé viva – O Pe. Colombo, mais que falar da fé, manifestava-a e propunha-a com a sua vida, com o seu sorriso, com a sua grande capacidade de trabalho e doação.
Refere ele nas suas “Memórias” que um dia, tendo de encontrar-se com o casal proprietário da “Chácara Brazil”, Dr. Jacinto Henriques e D. Estrela, e devendo aguardar uns instantes na sala de espera, decididamente ajoelhou-se uns instantes sobre a cadeira e orou pelo sucesso da conversa. Entretanto, D. Estrela, abre a porta de repente e encontrou-o em oração. Isto bastou para que o casal compreendesse com “quem” andava a lidar. A confirmação da venda da casa e da propriedade foi-lhe logo dada. Deste modo, a Chácara Brazil” passou a ser Chácara do Coração de Jesus”.
Uma vida de oração contínua – O Pe. Colombo é um dos tantos homens que se deixou encontrar por Jesus Cristo vivo e Ressuscitado e que, como Paulo, se viu com a sua vida radicalmente mudada. A sua oração contínua será a verdadeira explicação do seu dinamismo e da sua santidade.
Facilmente se encontrava o Pe. Colombo ajoelhado, na capela, em oração ou então de terço na mão a passear no átrio ou em qualquer outro lugar em modos de quem estava em diálogo com Deus. Terminada a celebração eucarística ajoelhava-se no genuflexório da sacristia e entregava-se demoradamente, à ação de graças.
A impressão que tinha naquela altura era que a oração, para ele, era mesmo muito importante e ao mesmo tempo uma coisa natural.
Uma profunda relação como Coração de Jesus – Entusiasmava-se quando falava da reparação, da adoração eucarística, do puro amor, da necessidade de corresponder ao amor com amor. Tínhamos a forte impressão que estes temas faziam, realmente, parte integrante da sua espiritualidade.
Adoração eucarística – Via-se que o Pe. Colombo resumia o seu “ser dehoniano” no ato da adoração eucarística. Não me lembro de ter havido muitos dias da semana sem a adoração eucarística. A grande necessidade da vigilância durante os exercícios da tarde não constituía motivo suficiente para dispensar algum padre de a fazer. Muitas vezes quando não era possível ter um padre para a vigilância, ele mesmo cocava junto da secretária uma vassoura para nos ajudar a permanecer na presença de Deus.
Um forte espírito de sacrifício e de doação – Sendo eu ainda, de pouca idade não podia compreender as profundas convicções que animavam a sua intensa atividade, mas apercebia-me que tudo se alicerçava em bases muito seguras.
Um ardente zelo apostólico – Tenho uma viva impressão da sua dedicação apostólica, pois aquele homem não era capaz de parar. Dava aulas, contatava com as pessoas que podiam ajudar a comunidade a resolver as suas inúmeras dificuldades de ordem económica, apoiava os párocos nas suas contínuas necessidades e dedicava-se à animação espiritual das comunidades religiosas com confissões, retiros, Missa.
Um genuíno espírito missionário – Um tema que estava no seu coração era o das missões. A sua vocação missionária tinha sido provada. A princípio devia seguir para o Egipto, depois para a Argentina e, por fim, desembarcar na Madeira. O Pe. Colombo é um maravilhoso exemplo de como em qualquer parte se pode fazer frutificar os dons recebidos de Deus e assim realizar a própria missão apostólica.
Os frutos de tanta disponibilidade e doação não tardaram. Em 1960 partia para Moçambique o jovem religioso Manuel de Gouveia. Em 1962 seguia eu, já presbítero. E pouco depois era a vez do Irmão José Diomário (hoje padre), do Pe. Eduardo Ferreira de Sousa, do Pe. Francisco Vargem e dos jovens religiosos Ir. Fernando Fonseca (hoje padre), Ir. Luís Silva, Pe. José Bairros, Manuel Quintas, Isildo da Silva, Adérito Barbosa e José Ornelas.
O Pe. Colombo não poderá ter deixado de exultar ao ver tantos e belos frutos do seu trabalho e de seus colegas de formação. Mas a verdade é que esta primeira experiência missionária teve uma maravilhosa continuidade quando a Província Portuguesa passou a ter missões próprias em Madagáscar. E neste território já temos religiosos malgaxes.
Assim podemos compreender o tormento” sentido pelo Pe. Colombo nos dias que precederam a sua ida para o Pai: como continuar a viver paralisado pela doença sem poder partilhar da animada atividade missionária e apostólica dos membros da Província? E o bom Deus libertou-o da sua aflição, levando-o para Si!
Conclusão
A partilha que acabo de fazer sobre a personalidade do Pe. Colombo é apenas um aceno à sua riqueza interior de homem dehoniano.
Muitas outras suas virtudes mereceriam ser desenvolvidas aqui nesta primeira partilha, como a sua coerência de vida, a simplicidade, a pontualidade, a gratidão para com os benfeitores. A grande sensibilidade à presença da Providência de Deus na vida, o voto e a virtude da pobreza, o amor ao silêncio como precioso meio para advertir a voz e a vontade de Deus, a fidelidade à vida comunitária, a abertura a qualquer ser humano e aos problemas da Igreja, a capacidade extraordinária de total entrega à causa do Reino do Coração de Jesus.
Aqui vão estas linhas como expressão da minha gratidão para com aquele que, com as suas atitudes humanas e de fé, mito me ajudou a perseverar na vocação religiosa e presbiteral num modo iluminado e alegre.
O Pe. Colombo foi e é um precioso dom do Coração de Jesus e da Congregação à Província Portuguesa.
O Pe. Colombo foi, é e será, para cada um de nós, um ponto de referência altamente inspirador e estimulador.

Pe. José Vieira Alves, SCJ In UNÂNIMES, nº 4, Junho de 1995, páginas 102-106. O Pe. José Alves, retornou adoentado de Moçambique e faleceu no Colégio Missionário a 17 de novembro de 2000.


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Santiago



Festa do Apóstolo Santiago

1ª lição – Um lugar no céu
A morada das criancinhas, segundo Santa Teresinha do Menino Jesus:
“Falando-lhe das mortificações dos santos, respondeu-me: “Como Nosso Senhor fez bem em nos prevenir de que há muitas moradas na casa de seu Pai! Do contrário, Ele no-lo teria dito...
Sim, se todas as almas chamadas à perfeição devessem, para entrar no céu, praticar essas macerações, ter-nos-ia prevenido e nós as teríamos abraçado de boa vontade. Mas Ele nos anuncia que há muitas moradas em sua casa. Se há para as grandes almas, para os Padres do deserto e para os mártires da penitência, deve haver também para as criancinhas.
O nosso lugar está guardado lá, se o amarmos muito, a Ele, a nosso Pai celeste e ao Espírito de Amor.”
- Perguntemos: qual é o nosso lugar no céu?

2ª lição – Morrendo e perdoando
O juiz do Apóstolo Tiago foi o cruel rei Herodes Antipas, um terrível e incansável perseguidor dos cristãos. Ele lhe impôs logo a pena máxima, ordenando que fosse flagelado e depois decapitado.
A sentença foi executada durante as festas pascais no ano 42.
Assim, Tiago, o Maior, tornou-se o primeiro dos apóstolos a derramar seu sangue pela fé em Jesus Cristo
Segundo uma tradição, antes de ser martirizado, São Tiago abraçou um carcereiro desejando-lhe "a Paz de Cristo". Este gesto converteu o carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o apóstolo.
- Em vez de dizer ‘morrendo e aprendendo’ o discípulo de Cristo devia dizer como Santiago: morrendo e perdoando…

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sementeiras

4ª Feira - XVI Semana Comum

A – Sementeira do Pe. António Vieira, no Sermão da Sexagésima pregado em 1655:

“Enfim, para que os pregadores saibam como hão-de pregar e os ouvintes a quem hão-de ouvir, acabo com um exemplo do nosso Reino, e quase dos nossos tempos.
Pregavam em Coimbra dois famosos pregadores, ambos bem conhecidos por seus escritos; não os nomeio, porque os hei-de desigualar.
Altercou-se entre alguns doutores da Universidade qual dos dois fosse maior pregador; e como não há juízo sem inclinação, uns diziam este, outros, aquele.
Mas um lente, que entre os mais tinha maior autoridade, concluiu desta maneira:
- Entre dois sujeitos tão grandes não me atrevo a interpor juízo; só direi uma diferença, que sempre experimento: quando ouço um, saio do sermão muito contente do pregador; quando ouço outro, saio muito descontente de mim.”


B – A minha sementeira:

Às vezes somos semeadores e noutras somos terra de sementeira:
Como semeadores – é preciso semear sempre com confiança e esperança pois nós fazemos a nossa parte… Deus e o terreno farão o resto.
Como terra de sementeira – como tal nós temos partes pedregosas, partes com espinhos, partes calcadas, partes de terra lavrada. Só frutificará a semente que cair e penetrar mais fundo.



C – Outra sementeira:

Toda semente é um anseio de frutificar
e todo fruto é uma forma da gente se dar.

          Põe a semente na terra, 

          não será em vão
          Não te  preocupe a colheita, 

          plantas para o irmão

Toda palavra é um anseio de comunicar
e toda fala é uma forma da gente se dar.   

Todo tijolo é um anseio de edificar
e toda obra é uma forma da gente se dar.  

terça-feira, 23 de julho de 2013

Santa Brígida


Hoje a Europa celebra uma das suas padroeiras, Santa Brígida (1303-1373)

Saliento duas simples lições:
- A ação de Maria na nossa vida e salvação
- A necessidade de rezar todos os dias.


















O Filho de Santa Brígida

        "Nas revelações de Santa Brígida[1], aprovadas pelo Concílio de Constança, lemos que ela teve um filho chamado Carlos.
Jovem de idade e de costumes, dado à guerra e à licenciosidade dos campos de batalha. Morreu na flor da idade.
Santa Brígida viu o tribunal celeste onde assentava o Cristo, com a sua Mãe à direita. Satanás queixava-se da injustiça de Maria que lhe roubava essa alma. Dizia ele ter recebido o poder de tentar os homens, porém, a Virgem tinha-o afastado do leito de morte de Carlos. Dizia também que ele tinha o direito de apresentar as almas ao julgamento e de acusá-las. Mas a Virgem tinha-lhe roubado essa alma e ela mesma as apresentava, proibindo-lhe qualquer acusação, o que levava a um julgamento sem inquirição das partes. Cristo respondeu-lhe que a sua Mãe participava da sua realeza, que ela podia dispensar das leis e que era justo que ela o fizesse a favor dessa alma, a qual tinha sempre tido devoção para com Ela.
Tal é o fruto da devoção a Maria: Uma morte tranquila nos braços da mãe de Deus."



As 15 Orações de Santa Brígida

Como já há muito tempo Santa Brígida desejasse saber o número de golpes que JESUS levara durante a Paixão, certo dia ELE lhe apareceu dizendo:
- Recebi em todo o Meu Corpo 5.480 golpes. Se desejardes honrar as chagas que eles ME produziram, mediante uma veneração particular, deveis recitar 15 Pais-Nossos, e 15 Ave-Marias, acrescentando as seguintes orações, durante um ano inteiro; quando o ano terminar, tereis prestado homenagem a cada uma das Minhas Chagas.
Faltarão 5 para completar o número, mas no ano bissexto será regularizado.
Quem recitar estas orações durante um ano inteiro conseguirá livrar do Purgatório 15 almas de sua família, 15 justos também de sua linhagem serão conservados em graça e 15 pecadores de sua família serão convertidos. A pessoa que as recitar será elevada ao mais eminente grau de perfeição e 15 dias antes da sua morte EU lhe darei meu Precioso Corpo, para que ela seja livre da fome eterna. EU lhe darei também de beber o Meu Precioso Sangue, afim de que não padeça sede eternamente e 15 dias antes da morte ela experimentará uma profunda contrição de todos os seus pecados e um perfeito conhecimento deles…

Conclusão: O que interessa é rezar sempre, pois não posso compreender passar um dia sem conversar com um BOM AMIGO.


[1] Pe. Dehon, NHV, Volume VII, 1877, pág. 19


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Memorial Pe. Colombo (4)



Pe. Colombo autonomista

"Obrigado à Congregação que escolheu a Madeira para aqui começar e levou muitos dos nossos jovens a ter um futuro, ou na Vida Religiosa ou na vida leiga…
Ora, eu penso que inclusivamente aqui, o Pe. Colombo foi dos primeiros autonomistas. Chegou cá e foi a Lisboa… Lisboa encrencou. Ele disse: “Ah! Vocês não resolvem? Eu vou para a Madeira e com o povo madeirense vou resolver!...”
Não há dúvida que como madeirense e como português, não é sem uma grande ponta de orgulho que quando vemos aqui esta grande obra levantada, este Colégio no ar, nós agradecemos aos que para aqui vieram e que propiciaram esta grande obra…
Quando cheguei, e vi que o Sr. Pe. Colombo chegou aqui com 50 escudos no bolso, eu estava sentado e dizia comigo: “Mas quem é que me manda a mim ser parvo e andar preocupado com milhões do orçamento da Região Autónoma da Madeira? Se estes homens só com 50 escudos no bolso fizeram o que fizeram… eu não vou estar a discutir milhões?”
Recebam sobretudo a nossa gratidão, e recebam neste momento uma gratidão muito particular: a de eu ter compreendido que afinal 50 escudos podem vir a ser, nesta obra, daqui a 25 anos muito mais importantes do que o orçamento de milhões de uma Região.
Muito obrigado!"

Dr. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional da Madeira, na sessão solene das comemorações dos 25 anos da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus, a 17 de outubro de 1991 no Colégio Missionário, Funchal.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Memorial Pe. Colombo (3)


“Cristóvão Colombo descobriu a América,
mas o Pe. Ângelo Colombo descobriu o coração dos Madeirenses!”

O Pe. Angelo Colombo, SCJ, na sessão solene das comemorações dos 25 anos da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus, a 17 de outubro de 1991 no Colégio Missionário, Funchal, partilhou este discurso:

Estou aqui para lembrar hoje que os fundamentos da presença dehoniana em Portugal foram postos, tal árvore foi plantada aqui, nesta ilha da Madeira!
Ninguém, naquele já longe 1947, teria sonhado isso! No dia 17 de janeiro chegaram a esta ilha da Madeira, no Carvalho Araújo, dois “padrezinhos”, o Pe. Canova e o Pe. Colombo, vindos daquela Itália espezinhada pela guerra. Tinham chegado sem dinheiro. Só tinham ficado com uns 50 escudos, resto da viagem Lisboa-Funchal, pago pela intervenção caridosa da boa alma da Senhora D. Maria Melo Espírito Santo.
Acolheram-nos o venerando Bispo de então, D. António Manuel Pereira Ribeiro e o fundado da Escola de Artes e Ofícios, Pe. Laurindo Leal Pestana, assegurando-nos pão e alojamento.
Que sonhavam e procuravam os dois? Diziam que tinham sido enviados para abrir um seminário para futuros missionários em ajuda às missões de Moçambique!... Com que meios?... A bênção dos superiores que os tinham enviado e a do Sr. Bispo, D. António Manuel Pereira Ribeiro, que os tinha recebido por intervenção da Santa Sé e do Cardeal Arcebispo de Lourenço Marques, o Sr. D. Teodósio Clemente de Gouveia. Muito bem! Mas isso como pode servir para realizar um Seminário com pedra e cal e com uma cozinha a funcionar? Sonhos!
Mas os dois, depois de meses, foram um dia peregrinar a Nossa Senhora do Monte e voltaram decididos: “Vamos à procura de uma casa, alugamo-la e vamos começar um Seminário!”.
Procuraram, encontraram e, com a aprovação e assistência do Sr. Bispo, instalaram-se aqui, na Chácara Brazil, em regime de aluguer. Agora era providenciar os meios de vida.
O Pe. Colombo foi a Lisboa e, no mês de setembro e parte de outubro, procuro algo de indispensável para os começos e depois foi bater à porta do Governo, escrevendo uma cartinha ao mesmo Doutor Oliveira Salazar. Dizia mais ou menos assim: “No espírito da Concordata e do Acordo Missionário entre a Santa Sé e o Governo Português, estamos para abrir um Seminário Missionário no Funchal, em apoio aos missionários italianos que já temos em Moçambique e em concordância com o estabelecido no mesmo Acordo. A Árvore que estamos já para plantar, no Funchal, precisa de água para enraizar e desenvolver. Não será possível compartilharmos, com outros Institutos Missionários da ajuda que o Estado Português anualmente lhes oferece?”
Por meio de um seu secretário, o Exmo. Sr. Doutor Oliveira Salazar respondeu não ser possível fugir ao estabelecido em favor dos Institutos Missionários, até que não fosse determinado em futura revisão da parte do Ministério do Ultramar!...
Os dois padrezinhos não desanimaram. Em vez de partir do alto, começaram a recorrer à base: ao bom povo da Madeira, que entretanto tinham ficado a conhecer, e cujos filhos já estavam na Chácara Brazil, ou seja, no Colégio Missionário.
Por ocasião do Natal, escreveram e distribuíram pelos correios uma cata, tirando as direções da Lista Telefónica e pedindo ajuda… Lembro-me bem que alguns poucos responderam e enviaram algo. A melhor ajuda foi de 50 escudos. Vinha do Sr. Eduardo Paquete.
Os nossos contatos de ministério sacerdotal, as intenções de missas do povo em geral, e de um certo grupo de Senhoras que cuidavam das Missas Reparadoras (que nós assumimos, porque mais conformes ao nosso espírito) foram outra fonte de meios para viver.
Não devemos esquecer que já naquele nosso primeiro Natal na Madeira lembrámo-nos de fazer um pequeno presépio (em parte animado) que atraiu pessoas e que rendeu uns 300 escudos! E quem não lembra os presépios dos anos a seguir, realizados pelo Pe. Luís Celato, no antigo paço do Bispo na Praça do Município?
Cedo nasceram pequenos “Grupos Missionários” no Funchal e fora, que não somente ajudaram financeiramente, mas fizeram conhecer o Colégio Missionário e entusiasmaram muita gente.
Este entusiasmo e este apoio manifestaram-se sobretudo nas chamadas “Festas da Boa Vontade”. Três senhoras: A senhora D. Estrela Gomes Henriques, a senhora D. Lídia Dória Monteiro, a senhora D. Teresa de Bianchi Valparaíso (esta última animadora das outras), foram a alma de tais festas. Nestas apareceram e participaram conhecidos artistas, como a Amália Rodrigues e o madeirense Max, a abrilhantarem aquelas manifestações populares, a favor do Colégio Missionário.
Mas os efeitos destas manifestações não ficaram numa mais ou menos notável e direta ajuda financeira ao Colégio Missionário, mas sim e sobretudo no apoio das autoridades da Madeira a favor do mesmo Colégio. O Governador Civil e Militar, os Presidentes da Junta Regional e da Câmara Municipal do Funchal, passaram a apoiar, quer de uma maneira quer de outra, o que podia facilitar a vida e o progresso daquele Seminário Missionário da Levada.
Até a Alfândega prestava-se, antes dos seus responsáveis a facilitar a passagem de material religioso, dirigido ao Colégio Missionário.
Até o Presidente da Junta renunciava aos direitos da taxa de 1% sobre os calendários e as estampas religiosas que nos vinham da Itália!
Até a PIDE – e isto é o máximo! – parecia nos ajudar, quando já no primeiro ano de vida do Colégio Missionário, nos concedeu como professor de ginástica dos nossos alunos, um seu dependente. E quando renunciava a multar os esquecimentos dos padres italianos em se apresentarem todos os meses para marcar presença!
Faltava um passo para chegarmos ao Governo da Nação. Em março de 1950, estávamos já no terceiro ano de vida do Colégio Missionário e depois da assinatura do contrato de compra da Chácara Brazil, almejávamos um necessário aumento da casa.
Chegou à Madeira naquela altura o Ministro das Obras Públicas Engº Frederico Ulrich. O trio da “Boa Vontade” armou um assalto àquela personagem oficial, de acordo com a Madre Pedro, Superiora das Irmãs de S. José de Cluny no então Sanatório João de Almada. O Sr. Ministro subiu para visitar aquela obra de assistência à saúde. No fim da visita, ao sair da entrada principal daquele estabelecimento o Sr. Ministro encontrou esbarrada a passagem pelo trio da “Boa Vontade”, pela Madre Pedro e pelo Pe. Colombo e ouviu dizer-lhe: “Vossa Excelência é cristão, não é? Amanhã tenciona ir à missa e porque não vir participar na missa da capela do nosso seminário? Desejamos que veja algo!” Olhou-nos por um momento e “porque não?!” respondeu ele.
Na manhã de Domingo, acompanhado de várias personalidades, lá estava ele na nossa “Capela-Garagem”. Escutou a Missa e o canto dos nossos pequenos seminaristas, juntamente com o povo e as senhoras da “Boa Vontade”. No fim, dirigiram-lhe o convite: “Vossa Excelência dignava-se entrar na nossa “casita” e subir ao terraço?”
Fomos e mostrando-lhe aquele espaço do qual o olhar espalhava-se sobre a cidade do Funchal, ouviu-se dizer: “Aqui precisamos de levantar um dormitório para os alunos que vão chegar para o novo ano escolar. Eis o esboço da construção: O Estado não teria a possibilidade de nos ajudar?”
O Ministro observou um instante as coisas e disse: “Há algum trabalho comparticipado que não se realizou e cuja verba está à disposição. Podem mandar-me o projeto para Lisboa quanto antes?”
Antes de nos deixar o Sr. Ministro assinou o registo de honra da casa e nós ajuntámos depois da assinatura, a verba conseguida: 80 contos!
Tínhamos entrado no número dos apoiados do Governo da Nação antes das especificações do Ministério do Ultramar!
Os passos de Deus tinham chegado à sua finalidade através dos caminhos do bom povo da Madeira.
Depois disso, um dia, o grupo da “Boa Vontade” realizou uma reunião das principais senhoras da alta sociedade, que mais colaboravam na ajuda ao Colégio do Sagrado Coração. Na conclusão daquela reunião, o Pe. Colombo levantou-se e disse: “Cristóvão Colombo descobriu a América, mas o Pe. Colombo descobriu a Madeira e o coração dos Madeirenses!”

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Memorial Pe. Colombo (2)




Bartolomeu dos Mártires



O Reformador

D. Bartolomeu dos Mártires discursando no Concílio de Trento:
“Os ilustríssimos e reverendíssimos cardeais precisam duma ilustríssima e reverendíssima reforma…
Vossas senhorias são as fontes donde todos os prelados bebem; necessário é portanto que a água seja limpa e pura… a Igreja e o mundo todo estão muito mais precisados de reformas do que dogmas.”
Insistia, por isso, com outros padres conciliares para que se deixassem de coisas de pouca importância e fossem diretos ao essencial. Mostrava assim quanto poder tem um homem primeiro em si o que pretende emendar nos outros. Ele procurou sempre a conversão por dentro, procurou, em particular, a permanente formação do clero.
Este dominicano, como diz o professor Aníbal Pinto de Castro, “soube transformar a história em arte, o passado em presente, a vida em poesia.”

O espelho dos padres
“Vós sois os espelhos em que os outros se hão de ver. Finalmente, vós sois de cuja vida depende o bem ou o mal do mundo. Porque manifesto está que, se vosso zelo respondesse ao ofício, não haveria tanta dissolução nos leigos, não andariam as ovelhas de Cristo tão fora do caminho do Céu.
Ai de vós, diz um Santo, lugar alto, e espírito baixo, cadeira prima e vida ínfima, mãos sagradas e mãos sacrílegas! Andais continuamente com as mãos metidas nos vasos santos, nos óleos sagrados, nos Sacramentos, no Corpo e Sangue do Filho de Deus, e com as mesmas mãos tratais coisas torpes, coisas nefandas; tirai-las dali e ponde-as aqui. Ó horrendíssimo sacrilégio! Não seria menos mal sempre as trazer metidas em coisas sujas, que das sujas passá-las às limpíssimas e sacratíssimas?”

A caridade vai alimpando a escória

“Quanto tens de caridade, tanto tens de santidade e virtude. Se tens grande caridade, és grande santo e justo; se tens pequena, assim tens pequena santidade e justiça. Porque esta é a suma de toda a santidade e justiça, e bondade, sem a qual ninguém se pode chamar bom.”

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Inácio de Azevedo

 
Hoje celebramos a memória do bem-aventurado Inácio de Azevedo e seus companheiros, martirizados no mar das Canárias, depois de terem deixado a Ilha da Madeira a caminho do Brasil em 1570.
 
O líder da expedição destes portugueses (e 9 espanhóis) jesuítas era o Pe. Inácio.
Atacados por uma embarcação calvinistas, foi-lhes decretada a morte caso não abjurassem a fé católica. O Pe. Inácio e seus companheiros não vacilaram:
- Não chorem. Hoje fundamos um colégio lá no céu! - dizia para os animar.
 
De facto nós andamos todos enganados.
Pensamos que fundamos colégios, empresas, projetos aqui na terra. Mas não. Daqui só edificamos projetos no céu.
Os projetos daqui da terra são levados adiante por quem já está lá no céu.
Inácio não edificou um colégio no Brasil, mas edificou com o seu martírio uma comunidade no Céu.
Os Santos intercedem por nós desde a eternidade, de modo que são eles a edificar as nossas empresas cá na terra.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Excelência



Hoje, ao celebrarmos a memória de Nossa Senhora do Carmo, procuremos descobrir uma dupla excelência - a da Virgem Santa Maria e a de todos os Filhos de Deus.

A maior excelência da Virgem Santa Maria é ser mãe do Filho de Deus.
A maior excelência dos filhos de Deus é ter como mãe a Virgem Santa Maria.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Memorial Pe. Colombo (1)


Boaventura

A liturgia propõe-nos hoje a memória de São Boaventura, franciscano, teólogo, bispo e doutor da Igreja do século XIII.

Podemos acolher 3 lições, retiradas da sua vida, dos seus valores e dos seus ensinamentos.

1. A humildade
Frei Boaventura recusara por diversas vezes o convite do Papa que o queria nomear Cardeal. Um dia, quando lavava os pratos no seu convento, chegou uma delegação papal, trazendo-lhe o chapéu cardinalício e a carta do Papa com a nomeação. Sem interromper o seu trabalho de cozinha, ele disse aos enviados pontifícios:
- Dependurem por aí esse chapéu, porque agora estou com as mãos ocupadas.

2. Sabedoria
Como teólogo e cardeal estava a participar no Concílio de Lião em 1274. Depois da 3ª sessão ele caiu doente e não mais se levantou. O próprio Papa administrou-lhe a unção dos enfermos.
Boaventura agonizava com o olhar fixo no crucifixo que segurava com ambas as mãos.
Alguém perguntou-lhe em que livro tinha bebido tanta sabedoria ao longo da sua vida. Ele respondeu levantando o crucifixo:
- Aqui está o livro onde aprendi tudo... a cruz de Cristo!

3. O amor
São Boaventura ensinou uma vez:
"Basta amar a Deus se quisermos ir para o céu. Uma simples velhinha analfabeta pode amar muito mais o Pai do Céu do que um professore de Teologia."


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Oração e Ação

 
Hoje celebramos a festa de São Bento, um dos padroeiros da Europa.
Foi ele um dos impulsionadores, no século V, da construção da Europa através do seu projeto: ORA et Labora, isto é, Oração e Ação.
 
Nestes dias em que todos falamos do trabalho para reconstruir um país ou um continente como a Europa eu fico a pensar: Não podemos ir longe apenas com o trabalho. Falta algo mais. São Bento dizia que nos falta Oração. Só assim, com as mãos e o coração, com a oração e o trabalho, com os santos e os operários, com a ajuda da terra e do céu, é que podemos construir a nossa vida, a nossa casa, a nossa cidade, a nossa pátria, a nossa Europa, a nossa Terra.
 
Recordo outro grande reconstrutor: O rei David construiu Jerusalém com dois instrumentos: com a harpa e com a espada, com a palavra e a ação, com a oração e o trabalho.
 
Também nas nossas mãos podemos segurar os mesmos meios para construir algo - a harpa e a espada para a ação e a oração, a contemplação e o trabalho.


domingo, 7 de julho de 2013

Código do trabalhador evangélico


Ano C - XIV Domingo Comum

No Evangelho de hoje Jesus apresenta o código do trabalho evangélico.
Os 72 enviados ou 0s 36 grupos de 2 devem simplesmente dizer uma coisa:
Está perto o Reino de Deus.
Mas o perfil destes enviados é mais complicado.
Podemos resumir em 7 as virtudes, atributos ou características destes operários do Reino dos Céus:

1. Não podem ser preguiçosos, mas trabalhadores dedicados.
... A seara é grande e os operários são poucos, portanto trabalhai.

2. Não podem ser medricas nem tímidos, mas corajosos.
...Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.

3. Não podem ser enfatuados ou cheios de si, mas desprendidos.
... Não leveis bolsa, nem duas túnicas.

4. Não podem ser violentos ou agressivos, mas pacíficos.
... Dizei " paz esteja nesta casa"

5. Não podem ser vadios ou salta-pocinhas, mas perseverantes ou constantes.
... Não andeis de casa em casa.

6. Não podem ser exigentes, mas humildes e simples.
... Comei do que vos servirem.

7. Não podem ser autoritários, mas tolerantes.
... Sacudi o pó e parti para outra paragem, mas no entanto dizei: está perto o reino dos céus.


É que a melhor maneira de evangelizar não é através do que se diz, mas através daquilo que se é.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Lumen Fidei

A luz da Fé (Lumen Fidei) é o título da Encíclica do Papa Francisco, publicada hoje, no âmbito do Ano da Fé.
Vem no seguimento das outras duas encíclicas do Papa Bento XVI (sobre a caridade e sobre a esperança). Foi iniciada pelo mesmo Bento XVI, de modo que parece ser "uma obra a 4 mãos" ou "de dois Papas".

O texto termina no nº 60 com uma oração mariana que pode ser o resumo ou o sumário de toda a encíclica:

"A Maria, Mãe da Igreja e Mãe da nossa fé,
nos dirigimos, rezando-lhe:

Ajudai, ó Maria, a nossa fé.
Abri o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.
Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.
Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé.
Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer.
Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.
Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.
Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que essa luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor."

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Crer é ver sem olhar

Na festa do Apóstolo SÂO TOMÉ tenho a fazer uma correção.
Afinal, é preciso ou não ver para crer?
pergunto isto porque no trecho do evangelho de hoje Jesus começa por dizer a Tomé:
- Porque me viste,acreditastes
Então para crer é preciso ver.
Depois diz:
- Felizes os que acreditam sem terem visto.
Então para crer não é preciso ver.
Em que ficamos?
Tenho a impressão de que a diferença está na tradução, que devia ser assim:
- Felizes os que acreditam sem olharem, pois crer é ver sem olhar, é ver com outros olhos.
Para além desta correção, eu acho que quem fica mal a fotografia não é Tomé, mas os outros discípulos.
De facto, segundo as palavras de Jesus: felizes os que acreditam em virtude da palavra dos que viram... mas afinal quem viu não conseguiu convencer quem não viu, talvez por falta de convicção não de Tomé, mas dos outros apóstolos.
 
Peço a Deus através de São Tomé que me faça crer vendo com outros olhos e que consiga convencer os que me rodeiam a acreditarem comigo...