sexta-feira, 7 de junho de 2013

Festa do amor

Solenidade do Coração de Jesus
 
A) Mensagem do Papa Francisco na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus 2013
Aprender a difícil "ciência" de nos deixar amar por Deus.
Deixar-nos amar pelo Senhor com ternura é difícil, mas é o que devemos pedir a Deus.
A solenidade de hoje é “a festa do amor”, de um “coração que muito amou”. Um amor que, como repetia Santo Inácio, “se manifesta mais nas obras do que nas palavras” e que é sobretudo “mais dar do que receber”. Estes dois critérios são como os pilares do verdadeiro amor de Deus. Ele conhece suas ovelhas uma a uma, porque não se trata de um amor abstrato, mas que se manifesta por cada um de nós…
Ternura! O Senhor nos ama com ternura. O Senhor conhece aquela bela ciência dos carinhos, a ternura. Não nos ama com as palavras. Ele se aproxima e nos dá o amor com ternura. Proximidade e ternura! E este é um amor forte, porque nos faz ver a fortaleza do amor de Deus…
Isso pode parecer uma heresia, mas é a grande verdade! Mais difícil que amar a Deus é deixar-se amar por Ele! A maneira de retribuir tanto amor é abrir o coração e deixar-nos amar. Deixar que Ele se faça próximo a nós, deixar que ele nos acaricie. É tão difícil deixar-nos amar por Ele.
Talvez isso é o que devemos pedir hoje: Senhor, eu quero amá-Lo, mas me ensine a difícil ciência, o difícil hábito de deixar-nos amar, de senti-Lo próximo e terno!’. Que o Senhor no dê esta graça!
 
B) Mensagem do Papa Emérito Bento XVI
Se deixarmos que o amor de Cristo mude o nosso coração então nós poderemos mudar o mundo.

C) Mensagem do Superior Geral Dehoniano por ocasião da Solenidade do Coração de Jesus 2013
Servidores da reconciliação
 
Introdução:
O Padre Dehon espera que os seus religiosos sejam profetas do amor e servidores da reconciliação dos homens e do mundo em Cristo.
 
1. Deus ama um mundo ferido pelo pecado e pela morte
O olhar de Deus sobre o mundo declara-o “bom”. Não há uma criatura ou um mundo que sejam objeto de ódio de Deus ou estejam fora do seu poder, também quando alguém se pensa ou declara seu inimigo. A perspetiva bíblica sobre o mundo é fundamentalmente positiva: Deus ama e cuida das suas criaturas, particularmente dos seres humanos.
As imagens positivas e negativas da humanidade completam-se na visão de uma realidade cósmica que não está completa e perfeita, e dentro de um projeto a desenvolver rumo à plenitude. O paraíso terrestre não se encontra dentro de nós, num passado perdido, mas diante de nós, como imagem e utopia que orienta o caminho da humanidade.
 
2. Cristo reconcilia-nos pelo dom do Espírito
Este processo de reconciliação e de plenitude não pode ser unicamente obra do esforço humano, mas baseia-se na iniciativa de Deus.

3. Deixar-se reconciliar
Sentir-se amados por Deus revoluciona a forma de olhar a si mesmos, os outros e o mundo.

4. O Espírito gera comunidades reconciliadas e reconciliadoras
O testemunho profético das nossas comunidades, não consiste na perfeição do amor – que sempre conhecerá insuficiências – mas no constante empenho no perdão recíproco segundo a cordialidade manifestada nas nossas relações.
 
5. Reconciliados ao serviço da reconciliação
A exemplo de Cristo, somos chamados a ir ao encontro do mundo que precisa de solidariedade e de ternura, como nos recorda o papa Francisco, no caminho de renovação da Igreja.
 
Conclusão
O Espírito guia-nos pelo caminho do coração, aprendendo de Jesus, para nos pormos ao serviço da reconciliação e colaborar na construção de um mundo novo.
 
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Bonifácio


Hoje celebramos a memória de São Bonifácio, bispo e mártir

Nasceu na Inglaterra em 675.
Fez-se monge beneditino.
Foi enviado como missionário para a Alemanha.
Feito bispo, percorreu quase toda a Alemanha e numa dessas viagens pastorais foi martirizado pelos gentios em 754.
É considerado o Apóstolo da Alemanha.

Foi modelo de equilíbrio de todas as virtudes, mesmos as mais antagónicas:

A docilidade com a firmeza,
a serenidade com a inquietude,
a timidez com a coragem,
a discrição com a ousadia,
a oração com a ação.

Por sua intercessão aprendamos nós também a viver no mesmo equilíbrio:
sendo firmes sem deixarmos de ser dóceis,
inquietos sem deixarmos de ser serenos,
corajosos sem deixarmos de ser tímidos,
ousados sem deixarmos de ser discretos,
homens de ação sem deixarmos de ser homens de oração.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A César e a Deus


3ª Feira - IX Semana  Comum

Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
 
Isto pode provocar em nós 5 atitudes diferentes:
 
1. Separar
Não podemos unir o que Deus separou. Os bens de César e os bens de Deus não podem estar unidos, confundidos ou misturados. Saibamos separar o que deve ser separado.
 
2. Unir
Dai a César o que é de César. Não é Deus que deve ser submetido a César, mas o contrário, é César que foi feito para Deus. Oferecer tudo ao homem e com ele, nele e por ele oferecemos a Deus.
 
3. Entregar
O seu a seu dono. A moeda tem a imagem e a assinatura de César, deve ser entregue a César. Quem tem a assinatura e a imagem de Deus deve ser entregue a Deus. Olhemos então para o nosso coração... feito à imagem e semelhança de Deus.
 
4. Admirar
Os fariseus ficaram admirados com a resposta de Jesus, porquê? Porque só César e os senhores deste mundo é que cobram impostos. Deus não cobra imposto nenhum. Tudo nele é dom, graça, generosidade, gratuitidade.
 
5. Escalonar
Dai tudo a César e ... então adeus a Deus. Se pomos em primeiro lugar os bens deste mundo, se só pensamos nisso então adeus a tudo o que é de Deus.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Rezar é ...


Memória de São Carlos Lwanga e companheiros (1886)
 
Rezar é ser cristão; ser cristão é rezar.
 
O rei Lwanga convocou os seus pajens para uma reunião na sala de audiências. Um triste pressentimento invadiu a todos, pois alguns soldados armados já estavam na sala.
Os pajens do rei são jovens escolhidos a dedo, entre os mais belos e robustos do país. Cercavam o trono olhando-se interrogativamente. O rei deu uma ordem estranha:
- Todos aqueles que não rezam devem encostar à esquerda. Os que rezam, vão encostar-se à direita.
O líder dos pajens, Carlos, foi o primeiro a dirigir-se para a direita. Outros quinze acompanharam-no.
- Mas vocês rezam de verdade? - Perguntou o rei.
- Sim, meu senhor, nós rezamos de verdade.
- E querem continuar a rezar?
- Sim, meu senhor, até à morte.
- Então, serão mortos precisamente hoje.. Os soldados tomem já conta de vós.
No reino do Uganda, rezar tinha-se tornado sinónimo de ser cristão.
Ser cristão era então proibido.
Rezar é sinónimo de ser cristão, pois ser cristão é rezar.

O Bom Papa João


Foi há 50 anos
 
João XXIII morreu no dia 3 de junho de 1963, de cancro no estômago (que também tinha feito padecer outros dois irmãos), depois de 4 anos e 7 meses de Pontificado.
Com ele, a Igreja tinha voltado a estar na vanguarda dos que trabalhavam pela paz e pela fraternidade, dos homens e mulheres que reconheciam 'o primado do coração'.
Com ele muitas coisas tinham começado a acontecer na Igreja pela primeira vez.
Presidiu à abertura do Concílio Vaticano II a 11 de outubro de 1962, 3 anos e 10 meses desde que o anunciou como o 21º concílio ecuménico da Igreja.
Desde 23 de setembro de 1962 sabia que tinha cancro:
"Com a minha idade, não posso olhar demasiado longe no tempo... Hoje somos chamados a pôr em marcha, não a concluir..."
Durante o seu curto Pontificado, João XXIII publicou 8 encíclicas, como a mais conhecida a Mater et Magistra (1961). A 11 de abril de 1963 (apenas a 53 dias antes da morrer) publicou a Pacem in Terris, que pode ser considerada como o seu testamento.
A partir daí uma grande parte dos padres conciliares quis que fosse declarado santo por aclamação antes do términus do Concílio. Paulo VI, que o sucedeu e que declarou desde o primeiro dia ser seu continuador e que o Concílio iria em frente, deu início à sua causa de beatificação e João Paulo II proclamou-o beato a 3 de setembro de 2000.
Beato João XXIII, rogai por nós!
 
 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O cego Bartimeu


5ª Feira - VIII Semana Comum

Esta é a história de alguém que não tinha nada , mas ganhou tudo!

- Não tinha vista (era cego)
- Não tinha nome (era conhecido não pelo seu próprio nome, mas pelo nome do pai: filho de Timeu)
- Não tinha bens (pedia esmola)
- Não tinha estrada (estava à beira do caminho)
- Não tinha voz (gritava, mas mandaram-no calar)
- Não tinha vez (era ignorado por todos)
- Até ficou sem manto (deixou cair o manto)
- Deixou de ter um assento (levantou-se de um salto)

O encontro com Jesus devolveu-lhe tudo:
- passou a ter um nome (mandai-o chamar)
- ficou a saber que tinha uma vontade (que queres)
- ficou a saber que tinha uma grande fé (foi ela que te salvou)
- passou a ter vista (começou a ver)
- passou a ter um caminho (pôs-se a seguir o caminho)
- passou a ter um mestre (seguiu Jesus)
- passou a ter tudo... (quem tem Jesus tem tudo)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Chave do serviço


4ª Feira - VIII Semana Comum

A chave do serviço é a melhor maneira de gahnarmos um lugar junto de Jesus.
 
Contaram-me que havia um casal de idosos, que depois de 50 anos de casados, morava sozinho em casa, longe dos filhos. A mulher pediu ao marido:
- Daqui para a frente, devido às tuas maleitas, não te afastes muito da nossa casa. Podes precisar da minha ajuda e não posso ir muito longe.
- Também te peço o mesmo, minha muher. Visita apenas as vizinhas mais próximas, pois podes necessitar de mim e já não posso ir muito longe para socorrer-te.
Assim viviam felizes e zelosos sem se afastarem muito um do outro.
Um dia foram à missa e falaram-lhes de um casal amigo que vivia lá no extremo da aldeia e que estava a passar mal pro motivos de doença.
No dia seguinte o marido disse à mulher que ía dar uma volta pelas redondezas, mas pensou consigo mesmo:
- Não digo nada à minha mulher para não ficar preocupada, mas vou visitar esse casal.
E assim, depois de vaguear à volta da casa , dirigiu-se até ao expremo da aldeia.
Ao chegar lá, qual não foi o seu espanto: a sua mulher também lá estava. A final ela tinha pensado da mesma maneira.
- Com que então? Não te devias afastar da casa e aqui está. Deves-me uma explicação.
- E tu também! Qual é a tua explicação?
- É que eu façoa as coisasde maneira discreta para que não saiba a minha mão direita, o que faz a esquerda - disse a mulher.
- E eu, para nao ficar longe de ti não posso deixar de ficar perto de Deus!
É que a chave do serviço é a melhor maneira de ganharmos um lugar junto de Jesus, sem ter de ficar longe dos outros.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Os últimos


3ª Feira - VIII Semana Comum

Os últimos serão os primeiros;
os primeiros serão os últimos.
Só os do meio serão sempre os do meio!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A solução está no...

 
6ª Feira - VII Semana Comum
 
"... no princípio da criação não era assim... foi a dureza do coração que fez com que houvesse divórcio..."
 
Muitas vezes temos saudades do antigamente, pois no início foi uma coisa e no meio ou no fim as coisas mudaram.
O início de um casamento, de uma consagração, de um missão... é sempre bom e prometedouro. Mas no final as coisas complicam-se e há separações, divórcios, separações, amuos etc...
 
Então que fazer para que o princípio seja sempre o mesmo, no meio e no fim?
Onde está a solução?
 
Cetta mulher apresentou-se a um advogado católico famoso pedindo-lhe a concessão do divórcio por não poder viver mais com o marido, visto ele entrar em casa todos os dias ébrio, discutindo e maltratando tudo e todos.
- E que faz a senhora então?
- Naturalmente não admito isso. eu também não me calo!
- Já vejo que lhe falta em casa um equipamento muito importante...
- Qual? - Perguntou a mulher, pensando logo numa arma, num cassetete ou num bordão.
- Um genuflexório! - Disse o conselheiro - Arranje um genuflexório. E quando, à noite, o seu marido regressar embriagado, fale antes com Deus do que com ele...
 
Eis a solução para evitar discuções, separações ou maltratos. Em vez de falar com quem quer discutir connosco, saibamos falar primeiro com Deus.
 
Disse Alexandre Dumas que as cadeias do casamento são tão pesadas que são necessárias não apenas duas pessoas para as suportar, mas três: Marido, mulher e Deus.
União onde Deus é recebido, tudo se mantém unido.
 
 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ser sal

 
5ª Feira - VII Semana Comum
 
Papa Francisco, na homilia da missa de hoje, colocou em destaque a missão de difundirem o sal da fé, o sal da esperança e o sal da caridade:
"O sal tem sentido quando se dá para dar condimento às coisas.
Penso mesmo que o sal conservado no frasco, com humidade, perde força e não serve.
O sal que nós recebemos é para ser dado, é para temperar, é para ser oferecido.
Pelo contrário torna-se insipido e não serve.
Devemos pedir ao Senhor que não nos tornemos cristãos de sal insípido, como o sal fechado no frasco.
Mas o sal tem também uma outra particularidade: quando o sal se usa bem, não se sente o gosto do sal...
Sente-se o sabor de cada alimento: o sal ajuda a que o sabor daquela refeição seja melhor, seja maos conservado e mais saboroso."
 
O Padre António Vieira, num sermão de 1662, dizia:
"Se Cristo chamou aos apóstolos pescadores, também lhes chamou sal. Pois os pescadores hão de ser sal, e os apóstolos sal, e juntamente pescadores? Sim. O pescador pesca, o sal conserva. E esta é a diferença que há entre os pescadores de homens e os pescadores de peixes: os pecadores de peixes pescam os peixes para que se comem; os pescadores de homens hão de pescar os homens para que se conservem."

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os neutros

4ª Feira - VII Semana Comum

Jesus falou:
- Não proinais ninguém de fazer o bem; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós.

Isto quer dizer que não há neutralidade possível.
Diante de Jesus tomamos sempre uma posição: ou sim ou não.
Podemos mostrar-lhe a nossa adesão de várias maneiras:
- Ou por meio de palavras, que são sempre limitadas.
- Ou através de obras, de acções ou gestos.
- Ou através de uma pertença ou de uma participação.

Não há indiferença ou neutralidade possível.


Escreveu assim o Pe. Leão Dehon, na Crónica do Sudeste, nº 6, em junho 1901:
 
"Eu gosto de Dante, mas com reserva. Ele é demasiado gibelino, demasiado carregado de cesarismo, demasiado severo para com os Papas e para com a França. Tem no entanto páginas soberbas, sobretudo aquelas sobre os neutros.
Chama neutros às pessoas inertes, mornas, aquelas que nem são boas nem más, nem carne nem peixe; aquelas que nem agem nem lutam nem por Deus nem pelo diabo.
Cristo disse no Apocalipse que repugnam-Lhe e dão-Lhe náuseas os que nem são quentes nem frios.
Dante teve uma ideia de génio. Acha que estas pessoas não merecem nem o céu nem o inferno. Eles nem são tão distintos no mal, nem tão corajosos no bem. Ninguém quer reconhecê-los como seus, nem Deus nem Lúcifer. Os demónios rejeitam-nos como também os anjos. Era preciso criar um descanso à parte. Dante coloca-os no ADRO DO INFERNO. Eles são a escória da criação…
No nosso tempo, como no de Dante, para estes neutros só há desprezo.
É preciso acreditar e agir. Sejamos dedicados e práticos, como Joana d’Arc… Não podemos ser neutros…"



terça-feira, 21 de maio de 2013

Comparar-se

3ª Feira - VII Semana Comum
 
Jesus falava aos seus discípulos de que iria ser preso, crucificado e morto, mas que ao terceiro dia ressuscitaria... E os discípulos não compreendiam isso, de modo que começaram a olhar uns para os outros e a compararem-se: quem era o maior ou o mais importante ou o mais insignificante!
Jesus represendeu-os:
- Querem comparar-se? Então comparem-se com as crianças... sejam como elas, pois elas são como Eu!
 
Somos assim todos iguais, todos semelhantes aos pequeninos e estes são parecidos com Jesus.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Grandeza e debilidade da oração

2ª Feira - VII Semana Comum
 
Jesus cura um menino possesso de um espírito mudo e surdo que os discípulos não conseguiram curar...
 
1º - Se o espírito do possesso era surdo e mudo, como é que podia ouvir a ordem de sair?
O espírito impuro era mudo para nos recordar que mais do que falar de Deus ao possesso, é preciso falar do possesso a Deus. Mais do que falar-lhe de Deus; há que falar dele a Deus.
 
2º - Isto só se consegue através da oração... É preciso estar unido a Deus para agir. Eis aqui o verdadeiro poder da oração, pois não é nem a oração do agente, nem o agente da oração que faz o milagre acontecer, mas apenas Deus a quem cada um está unido em oração.
 
3º - O poder da oração vem de Deus e do homem. Santo Agostinho dizia que a oração é a força do homem e a debilidade de Deus. Atrevo-me a completar que a oração é ao mesmo tempo a debilidade do homem e a força de Deus.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Diálogo de amor

6ª Feira - VII Semana da Páscoa

A) Reflexão do Papa Francisco:
 
Pecadores transformados pelo amor
O Santo Padre colocou no centro da sua homilia a pergunta de Jesus a Pedro se o amava:
“É um diálogo de amor entre o Senhor e o seu discípulo e percorre a história dos encontros de Pedro com Jesus desde o primeiro vem e segue-me. Pedro deixou-se modelar por Jesus nos muitos encontros ao longo dos tempos, feitos de dor e alegria, de risos e de lágrimas e até de vergonha pelos erros cometidos. Mas, as palavras de Jesus são: Tu és Pedro, e depois lança-o na missão dizendo-lhe: apascenta as minhas ovelhas.
Mas Pedro era um simples pecador…
Pedro era pecador, mas não era corrupto.
Pecadores, sim, todos: Corruptos, não.
 
Uma vez um padre, um bom pároco que trabalhava bem, foi nomeado bispo, e ele tinha vergonha porque não se sentia digno, tinha um tormento espiritual. E foi ter com o confessor. O confessor ouviu-o e disse: Não te assustes. Se com todos aqueles pecados a Pedro fizeram-no Papa tu continua e vai em frente.
 
É que o Senhor Jesus é assim. Faz-nos amadurecer com os nossos encontros com Ele, mesmo com as nossas debilidades, quando as reconhecemos, com os nossos pecados…
O problema não é sermos pecadores mas não deixarmo-nos transformar pelo amor de Cristo.”
 
 
B) A minha reflexão
 
As 3 perguntas e a mesma resposta
Ou a mesma pergunta e as 3 respostas
 
1ª vez com a boca… Sim, tu sabes que te amo. (Palavras apenas palavras, saídas da boca… talvez ditas ao de leve, sem pensar)
 
2ª vez com a inteligência… Sim, tu sabes que te amo. (As mesmas palavras ditas agora depois de pensadas e pesadas)
 
3ª vez com o coração… Sim, tu sabes tudo, bem sabes que te amo. (Palavras personalizadas ditas com o coração, cheias de sentimento, de amor, palavras ditas, pensadas e sentidas, eis a verdadeira resposta)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Deus reza por nós

5ª Feira - VII Semana da Páscoa
 
Desde ontem estamos a proclamar no Evangelho o texto da Oração Sacerdotal de Jesus.
Ele não só escuta as orações que lhe dirigimos, como também ele próprio reza por nós.
Jesus reza por nós; ele está constantemente a torcer por nós, a tirar por nós...
 
Há dias um jovem apresentou-se-me:
- Senhor padre, eu sou um bom católico...
- Muito bem e rezas muito?
- O quê, senhor padre? Eu sou católico, mas não sou fanático.
Um seu colega, ao ouvir isto, defendeu-se
- Olha, eu rezo, mas não sou fanático.
- Ainda bem. E quando é que rezas? - Perguntei-lhe.
- Eu rezo quando tenho medo ou quando preciso de algum bem...
 
Eu tenho a certeza que Jesus reza por nós porque é Cristo (cristão, católico, isto é universal, pois reza por todos.)
Ele reza por nós porque é fanático, isto é, perdeu a cabeça por nós, perdeu a vida por nós, é louco por nós.
Ele reza por nós porque tem medo que nos percamos ou porque está a contar com algo que lhe podemos dar...
 
Eu nem sempre rezo a Deus, mas tenho a certeza de que Ele reza sempre por mim!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Olhar o céu / Olhar a terra


Festa de Nossa Senhora de Fátima


Um novo céu e uma nova terra:
Rezar a Deus / Rezar aos Homens.
Olhar o céu / Olhar a terra.
Glória a Deus / Paz no mundo
Deus é Deus / Homens sede homens.

Paulo VI em Fátima, 13 de Maio de 1967:
“Tão grande é o nosso desejo de honrar a santíssima Virgem Maria Mãe de Cristo e por isso mãe de Deus e Mãe nossa, tão grande é a nossa confiança na sua benevolência para com a santa igreja e para com a nossa missão apostólica, tão grande é a nossa necessidade da sua intercessão junto de Cristo, que viemos peregrino humilde e confiante, a este santuário… Queremos pedir a Maria uma Igreja viva, uma Igreja verdadeira, uma Igreja unida, uma Igreja santa.
E assim passamos à segunda intenção deste nosso peregrinar, intenção que enche a nossa alma: o mundo, a paz do mundo.
Por isso a nossa oração, depois de se ter dirigido ao céu, dirige-se aos homens de todo o mundo. Homens, dizemos neste momento singular, procurai ser dignos do dom divino da paz. Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo. Homens, sede magnânimos. Homens, procurai ver o vosso prestígio e o vosso interesse, não como contrários ao prestígio e ao interesse dos outros, mas como solidários com eles… Homens, sede homens!”

domingo, 12 de maio de 2013

Presença e missão

Ano C - Ascensão de Jesus
 
1ª Reflexão - Missão
Jesus sobe ao céu, mas antes envia os seus discípulos a continuar a sua obra. Para isso promete-lhes a força do Espírito que lhes enviará em breve e que lhes ensinará toda a verdade.
Isto quer dizer que Jesus conta connosco para levar avante a sua ação.
Ele conta connosco. O Espírito também nos dará força e nos ensinará. Ele não fará a nossa parte, apenas nos ensinará a fazer.
Conclusão:
Não fazemos a parte de Jesus e Ele não fará a nossa pate.
Ninguém fará a parte do Espírito e o Espírito não fará a nossa parte.
Portanto, mãos à obra! Se não fizermos a nossa parte, mais ninguém a fará. Assumamos a nossa missão.

 Reflexão – Presença
Jesus retira-se, mas promete acompanhar sempre os seus discípulos. Ele nunca diz adeus, mas até logo, ou até já!
Faz-me lembrar um ritual de passagem entre os  índios cherokes:
“O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho no alto de uma montanha.
O filho fica lá durante toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.
O menino fica, naturalmente, com medo.
Ouvirá toda classe de ruídos.
Os animais selvagens podem estar ao redor dele.
Talvez alguns homens possam feri-lo.
Os insetos e cobras podem picá-lo.
Pode sentir frio, fome e sede.
O vento pode soprar forte e os galhos se agitarem e produzirem barulhos assustadores, mas ele ficará sentado, heroicamente, sem remover a venda e sem gritar por socorro.
Finalmente, após uma noite horrível, o sol aparece e o menino remove a venda.
Então descobre seu pai sentado perto dele.
Ele passou a noite inteira protegendo seu filho de qualquer perigo.
Se ele conseguir passar a noite inteira na floresta, será considerado um homem.
Mas não poderá contar esta experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.
Para os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.
Nós também nunca estamos sozinhos!
Mesmo quando não percebemos, Deus está olhando para nós, sentado ao nosso lado protegendo-nos.”
Assim Jesus não nos abandona, mas está sempre presente. Nós é que às vezes estamos com os olhos vedados…
Saboreemos a companhia de Jesus, mesmo no meio das trevas do nosso existir.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A alegria do sacrifício

3ª Feira - VI Semana da Páscoa
 
Na Primeira leitura o carcereiro ao ver a coragem, determinação e alegria dos cristãos perseguidos, quis ser como eles, deixando tudo e convertendo-se. E foi grande a sua alegria.
 
Recordo as palavras do Papa Francisco, na sua homilia de hoje:
“O cristão que se lamenta deixa de ser um bom cristão, é o senhor ou a senhora das lamentações.
O processo de maturidade cristã opera-se através da estrada da paciência e exige tempo, como um bom vinho.
O silêncio de suportar a cruz não é um silêncio triste, é doloroso, muitas vezes muito doloroso, mas não é triste.” 
 
Recordo também um episódio histórico que nos pode alerta para o valor do sofrimento.
Só o que dói faz bem! Só damos valor àquilo que nos custa:
João Villaret contou este facto ocorrido numa das suas passagens artísticas por Luanda.
No hotel havia um criado preto, muito simpático, chamado Sabonete. Um dia, voltou-se para Villaret e disse-lhe:
- Patrão: gostava de ver o patrão no teatro…
- Lá por isso, Sabonete, eu dou-te, gostosamente, um bilhete para entrares.
- Não, patrão. Sem pagar… não dar gosto! – respondeu o preto.
A verdadeira alegria e consolação só nascem daquilo que exige de nós um sacrifício…

terça-feira, 23 de abril de 2013

Maior do que todos


3ª Feira - IV Semana da Páscoa












Do Evangelho de hoje:
"Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer, ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai."

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Homem novo

 
2ª Feira - IV Semana da Páscoa
 
- Da 1ª Leitura podemos reter a mensagem de que é mais fácil adquirir hábitos novos do que retirar hábitos velhos. Os discípulos tinham adotado novos comportamentos como seguidores de Jesus... Eram assim homens novos. Mas continuavam a manter alguns hábitos do judaismo, como homens velhos.
Nós hoje também podemos ter a mesma dificuldade. Queremos ser diferentes sem mudar maneiras antigas. Há que converter-se por completo. Para sermos criaturas novas devemos deixar tudo o que nos prende ao passado...
 
- Do Evangelho concluimos que Jesus é ao mesmo tempo o Pastor, a Porta e o Cordeiro. Ele faz-se tudo para todos: É o Pastor para alimentar as ovelhas famintas; é a Porta para acolher as ovelhas perdidas; é o Cordeiro para fazer companhia às ovelhas que se sentem sozinhas.
Também num prefácio Pascal rezamos: Jesus é o Sacerdote, é o Altar e é o Cordeiro...Ele quer ser aquilo que nós mais precisamos que ele seja.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Eis-me aqui

Semana de oração pelas vocações


Deus tinha necessidade de um pai para muitos povos
e escolheu um velhinho aposentado
e Abraão disse: Eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de um porta-voz para o seu povo
e escolheu um gago tímido
e Moisés disse: Eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de um chefe para o seu rebanho
e escolheu o mais jovem e o mais débil
e David disse: eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de habitar entre os homens
e escolheu uma jovem desconhecida
e Maria disse: Eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de uma rocha para edificar a sua igreja
e escolheu um cobarde pescador
e Simão Pedro disse: Eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de um rosto para falar do amor e da misericórdia
e escolheu uma pecadora pública
e Maria Madalena disse: Eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de um testemunho para proclamar a sua mensagem entre os gentios
e escolheu um perseguidor implacável
e Paulo disse: Eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de um profeta para firmar a esperança de todos os povos
e escolheu um peregrino que veio de longe
e João Paulo II disse: Eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de um mestre para conservar a fé da sua Igreja
e escolheu um humilde servo da vinha do Senhor
e Bento XVI disse: Eis-me aqui.

Deus tinha necessidade de um irmão para restaurar a caridade fraterna entre todos os homens
e escolheu um amigo pobre e humilde do fim do mundo
e o Papa Francisco disse: Eis-me aqui.

Deus tem necessidade de alguém para reunir a sua assembleia e alimentá-la com o Pão da Vida
e escolheu-te a ti
e que tens tu para dizer?

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Pão e Alegria

 
4ª Feira - III Semana da Páscoa
 
(1ª Leitura de hoje)
“E houve muita alegria naquela cidade.”
“E aqui temos a primeira palavra que vos queria dizer: alegria! Nunca sejais homens e mulheres tristes: um cristão não o pode ser jamais! Nunca vos deixeis invadir pelo desânimo! A nossa alegria não nasce do facto de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está no meio de nós; nasce do facto de sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida é confrontado com problemas e obstáculos que parecem insuperáveis… e há tantos! (Papa Francisco no Domingo de Ramos)
 
(Evangelho de hoje)
Procurar o verdadeiro pão – “Eu sou o pão da vida: Quem vem a Mim nunca mais terá fome e quem acredita em Mim nunca mais terá sede.
Não podemos ser frios para o alimento celeste quando somos de fogo ou ardentes para a comida terrestre. (Pe. Dehon, CF, 15 de Fevereiro de 1880)
Não se diga que quem trabalha para o mundo e para as honras tem mais ardor que nós que trabalhamos para Deus e para o céu. (Pe. Dehon, NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 16)
 

 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Bela obra do Espírito

 
Parece-me que foi hoje, pelo menos que eu saiba, que o Santo Padre Francisco falou abertamente como Papa dos 50 anos do Concílio Vaticano II. Foi na homilia da missa celebrada hoje, 16 de abril, na capela de residência Santa Marta:
“…Há resistência na Igreja à ação do Espírito Santo…
Não queremos mudar. Mais: há vozes que querem voltar atrás em relação ao Concílio…
O Concílio foi uma bela obra do Espírito, mas 50 anos depois é preciso que a Igreja se questione.
Fizemos tudo o que nos disse o Espírito Santo no Concílio, naquela continuidade do crescimento da Igreja que ele foi? Não!...
Este problema deriva do facto de haver pessoas teimosas que querem domesticar a ação do Espírito.
O Espírito Santo incomoda e faz a Igreja seguir em frente.
Não colocar resistência ao Espírito Santo: É esta a graça que eu gostaria que todos nós pedíssemos ao Senhor, a docilidade ao Espírito Santo, a esse Espírito que vem até nós e nos faz seguir pela estrada da santidade…”
 
Até hoje parecia-me haver um silêncio papal de palavras e não silêncio da mensagem do Vaticano II. De facto o Papa Francisco falou eloquentemente da doutrina do Concílio não através de discursos, mas através de gestos: dando centralidade ao povo de Deus (Este deu primeiro a bênção ao Papa. Só depois ele a deu ao povo), ativando a colegialidade, apresentando-se simplesmente como bispo que Roma que preside à unidade, assumindo a condição de uma Igreja pobre ao serviço dos pobres, de servos simples e humildes (igreja de avental a lavar os pés).
As palavras de hoje são apenas um complemento dos gestos já afirmados.
É tempo de descongelar o Concílio, não para abrir feridas, separações ou catálogos, mas para unir.
Aliás, tenho para mim que se o Papa Francisco evitou falar do Concílio foi para não dar oportunidade de ninguém desqualificar os seus contrários. É que há quem queira reivindicar a sua aplicação e há quem queira descativá-la. Mais uma vez o Papa está para unir e somar e não para dividir.
 

 

O melhor pão


3ª Feira - III Semana da Páscoa
 
 
“Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do Céu. O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo… Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».
 
- Qual é o verdadeiro pão? Qual é o melhor pão, o mais saboroso, o mais eficaz, o único pão que não endurece nem se estraga, mas que dura pela eternidade?
Não é o pão mais barato ou mais caro, não é o pão feito com a melhor farinha ou bem cozido nos melhores fornos a lenha, ou servido com manteiga, com sementes ou passas… Nada disso!
O pão mais saboroso é aquele que partilhamos com quem não tem pão!
Jesus partilha o seu pão com a humanidade faminta de Deus…
Ele é o pão partilhado… o verdadeiro pão, o pão mais saboroso.
E nem sei como dizê-lo: Se Jesus é o Pão ou se o Pão é Jesus.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Curiosidade, interesse, amor

2ª Feira - III Semana da Páscoa
 
A multidão procurava Jesus…
E este chamou a atenção:
- Vós procurais-me, não por verdes milagres, mas por causa do pão que vos foi dado…
Isto quer dizer que nós vamos até Jesus, no 1º dia por curiosidade, no 2º por interesse e no 3º dia devíamos ir por amor.
É esta a pedagogia de Jesus. Com todo a paciência ele vai deixando que nos aproximemos dele e que passemos da curiosidade ao interesse e deste ao amor.
Por outro lado Jesus não afasta ninguém, pois não lhe importa as suas motivações. O que lhe interessa é que chegue aonde ele quer que se chegue.
Assim dizia Santo Inácio de Loiola: Não importa com o que a pessoa venha; importa que saia com o que é nosso”.

Anunciar, testemunhar, adorar

 
Ano C - III Domingo de Páscoa
 
Não se reconhece nem se vê diretamente a Jesus ressuscitado: vemos sim as suas obras, os efeitos da sua presença. Ao ver a pesca milagrosa, João disse: É o Senhor!
Ainda hoje é assim: não vemos, nem sentimos a presença de Jesus, mas podemos ver os sinais da sua presença, os efeitos da sua ação. Estes estão sempre perto de nós; nós é que estamos distraídos.
 
Papa Francisco na sua homilia de ontem:
“Encontramo-nos sobre o túmulo de São Paulo, um Apóstolo humilde e grande do Senhor, que O anunciou com a palavra, testemunhou com o martírio e adorou com todo o coração. É precisamente sobre estes três verbos que queria refletir à luz da Palavra de Deus que escutámos: anunciar, testemunhar, adorar.
ANUNCIAR:
Na primeira Leitura, impressiona a força de Pedro e dos outros Apóstolos. À ordem de não falar nem ensinar no nome de Jesus, de não anunciar mais a sua Mensagem, respondem com clareza: «Importa mais obedecer a Deus do que aos homens». Pedro e os Apóstolos anunciam, com coragem e desassombro, aquilo que receberam: o Evangelho de Jesus. E nós? A fé nasce da escuta, e fortalece-se no anúncio…
TESTEMUNHAR:
Mas, façamos mais um passo: o anúncio de Pedro e dos Apóstolos não é feito apenas com palavras, mas a fidelidade a Cristo toca a sua vida, que se modifica, recebe uma nova direção, e é precisamente com a sua vida que dão testemunho da fé e anunciam Cristo.
Trata-se de uma palavra dirigida primariamente a nós, Pastores: não se pode apascentar o rebanho de Deus, se não se aceita ser conduzido pela vontade de Deus mesmo para onde não queremos, se não estamos prontos a testemunhar Cristo com o dom de nós mesmos, sem reservas nem cálculos, por vezes à custa da nossa própria vida. Mas isto vale para todos: tem-se de anunciar e testemunhar o Evangelho.
ADORAR:
Só é possível anunciar e dar testemunho, se estivermos unidos a Ele, precisamente como, no texto do Evangelho de hoje, estão ao redor de Jesus ressuscitado Pedro, João e os outros discípulos; vivem uma intimidade diária com Ele, pelo que sabem bem quem é, conhecem-No. Está aqui um dado importante para nós: temos de viver num relacionamento intenso com Jesus, numa intimidade tal, feita de diálogo e de vida, que O reconheçamos como «o Senhor». Adorá-Lo! Adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve ter; adorar o Senhor significa afirmar, crer – e não apenas por palavras – que Ele é o único que guia verdadeiramente a nossa vida; adorar o Senhor quer dizer que vivemos na sua presença convencidos de que é o único Deus, o Deus da nossa vida, o Deus da nossa história.
Todos os dias o Senhor nos chama a segui-Lo corajosa e fielmente; fez-nos o grande dom de nos escolher como seus discípulos; convida-nos a anunciá-Lo jubilosamente como o Ressuscitado, mas pede-nos para o fazermos, no dia-a-dia, com a palavra e o testemunho da nossa vida. O Senhor é o único, o único Deus da nossa vida e convida-nos a despojar-nos dos numerosos ídolos e a adorar só a Ele. Anunciar, testemunhar, adorar.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Quem é da terra, da terra fala

5ª Feira - II Semana da Páscoa


 “Aquele que vem do alto está acima de todos; quem é da terra, à terra pertence e da terra fala. Aquele que vem do Céu dá testemunho do que viu e ouviu…”

 

Todo o ponto de vista é a vista de um ponto

Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.

Para entender como alguém lê, é necessário saber como são os seus olhos e qual é a sua visão do mundo.

A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Efetivamente, se alguém sempre pisa em palácios e em sumptuosas catedrais, acaba pensando na lógica dos palácios e das catedrais.

Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam.

Sendo assim, fica evidente que cada leitor é co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita.

L.B.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Amou de tal modo...


4ª Feira - II Semana da Páscoa
 
"Deus amou de tal modo a humanidade que ..."
 
- Então quem foi o carrasco de Jesus? Quem o levou à morte?
Não foram os juízes iníquos, nem os soldados romanos, nem as autoridades judaicas.
Nem mesmo foi Deus Pai...
Diz o Pe. Leão Dehon:
"O amor, eis o carrasco de Jesus!… Foi o amor que O levou à morte… (ACJ 1, Pág. 367) "
De fato não foram os pregos que prenderam Jesus na cruz... foi o amor.
 
- De tal modo quer dizer de maneira infinita, sem limites, ou sem medida.
Então queres definir o infinito?
O infinito só tem uma definição:
É o amor de Deus por nós!

domingo, 7 de abril de 2013

Meu Senhor e meu Deus


Ano C - II Domingo de Páscoa

Este dia é designado por 5 expressões diferentes:
- É o II Domingo de Páscoa - Como São Tomé digamos: Meu senhor e meu Deus!
- É o Domingo de Pascuela - É a Páscoa pequena. Saibamos assinalar sempre a Páscoa Semanal, que é o Domingo.
- É o Domingo do Quasimodo - Como crianças recem-nascidas deixemos crescer em nós a vida nova da graça.
- É o Domingo In Albis - Como os neo-batizados vestidos de branco vivamos sempre como criaturas sempre revestidas de Cristo.
- É o Domingo da Divina Misericórdia. Com a intercessão da Irmã Faustina e o Papa João Paulo II rezemos: Jesus, eu confio em vós!

A mensagemdo dia:
Saibamos nós preparar-nos para contemplar no céu aquilo que Tomé quis contemplar e tocar aqui na terra.
O que será?
Qual é a coisa qual é ela, a única que está no Céu e que foi feita por mãos humanas?
Parece que tudo o que está no Céu não foi feito por mãos humanas: as pessoas, as boas obras, os santos, os anjos... tudo isso é obra das mãos divinas.
Mas existe algo que lá está, mas é obra das mãos humanas. Que será?
São as Chagas de Cristo.
É por isso que Jesus aponta e diz: vede as minhas mãos e o meu peito...
Saibamos então contemplar as nossas obras lá no Céu.
Saibamos resistir à tentação de ver essas obras aqui na terra, pois só devem ser contempladas no Céu.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Não há 2 sem 3

 
6ª feira - Oitava da Páscoa
 
- 1º - Esta é a primeira sexta-feira deste mês.
Estamos habituados nesta quadra pascal a olhar para o Lado Aberto de Jesus. Isso não diz respeito apenas às experiências da Ressurreição. Sempre que alguém contempla a Jesus Ressuscitado está a contemplar o Coração de Jesus. E sempre que alguém contempla Cristo Ressuscitado está a contemplar o Coração de Jesus.
 
- 2º - Foi a 3ª vez que Jesus apareceu aos seus discípulos.
E desta vez até estava Tomé, o Dídimo. Mas nem mesmo assim os discípulos o reconheceram, pois levaram o seu tempo. Isto quer dizer que Jesus foi-lhes dando sinais com insistência... e não houve duas sem três. Isto faz-me lembrar uma anedota:
Havia um cantor que preparou uma canção nova para apresentar num espetáculo. Ao cantá-la, teve a sensação de completa frustração. Desafinado, com hesitações, mudanças de ritmo etc.... tinha sido um autêntico fiasco. Mas o público aplaudiu e pediu insistentemente que cantasse outra vez, pedindo bis, bis, bis.
O cantor, surpreendido, pois afinal parecia que a plateia tinha gostado, lá cantou segunda vez. E de facto saíu-lhe melhor desta vez, mas ainda se enganou numa ou noutra nota musical. E o público aplaudiu novamente e pediu outra vez bis, bis, bis. Que maravilha! Afinal o público parecia dizer-lhe que ele era um bom cantor e que a sua canção era boa.
E lá cantou pela terceira vez, cheio de orgulho e confiança. E a canção ainda saíu melhor... a afinação quase perfeita... No final perguntou a um dos que tinham pedido bis:
- Porque é que gostaram tanto da minha música?
- Nós não gostamos assim tanto. Quisemos apenas que tivesses a oportunidade de ensaiar 3 vezes para ver se eras capaz de aprender a cantá-la melhor.
Pois, não há 2 sem 3!
Esta foi a terceira vez que Jesus ressuscitado se manifestou aos seus discípulos.
Esa foi a terceira vez que Jesus lhes deu a oportunidade para eles o reconheceram... Ele está sempre presente, mas os seus discípulos tinham dificuldade em reconhecê-lo.
 
- 3º - Jesus aparece só a quem está a fazer alguma coisa.
Só quem está ocupado a fazer algo é que o reconhece. Ele está sempre presente, mas só quem está ativo, produtivo é que é capaz de o contemplar.
Assim aconteceu com Maria Madalena: Em casa Madalena não fazia nada. Apenas se sentava aos pés de Jesus para ouvi-lo. Sua irmã Marta até se queixou disso. Mas na manhã do primeiro dia da semana, no dia de Páscoa, Madalena levantou-se cedo e foi a correr para junto do sepulcro. Tenho a impressão que Marta deve ter notado essa agitação de Madalena, a sair, a correr... E Madalena viu Cristo Ressuscitado. Só o reconhece quem está em ação,em movimento, em atividade, a trabalhar...
Também os discípulos de Emaús não estavam sem fazer nada, mas estavam em viagem, talvez de negócios... E foi nessa ação, nessa atividade e a servir um jantar que reconheceram a Jesus ressuscitado.
Finalmente Pedro, João, Tomé e outros tantos estavam inativos, de braços cruzados em casa, e de Cristo nem sombra! Pedro disse que ia pescar e todos foram com ele. E foi nessa faina, quando estavam ocupados a trabalhar, a produzir que se aperceberam da presença de Jesus...
Ainda hoje é assim. Se estamos desocupados, se não temos vontade de fazer nada nem nos apercebemos da presença de Alguém.
Por vezes fazemos precisamente o contrário: paramos, ficamos passivos, inativos à espera de contemplar o nosso Deus... e nada acontece.
Estejamos então ativos, produtivos e envolvidos nalguma tarefa para que sejamos capazes de sentir, ver e saborear a presença de Cristo vivo e ressuscitado.
 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Fé e Agape


5ª Feira - Oitava da Páscoa
 
 
Da 1ª Leitura
O Paralítico que fora curado por Jesus, tinha ou não tinha fé?
Clara que não tinha. Só estava à espera de uma esmola.
Pedro e João é que tinham fé em Cristo Jesus e foi essa fé que fez ocorrer o milagre.
Então se à nossa volta não há milagres não deve ser por culpa dos outros, mas por nossa própria culpa. Nós é que não temos fé e por isso à nossa volta não vemos milagre algum.
Em todo o caso estou convencido de que milagres há sempre, nós é que não os vemos, não os simalisamos nem os notificamos, porque falta-nos olhos de fé.
 
Do Evangelho
Jesus manifestou-se ao grupo de discípulos, mas mesmo assim estes estavam resistentes para acreditar... Então Jesus convidou-os a sentar-se à mesa, numa agape fraterna, numa refeição amistosa e então abriu-se o seu entendimento e desvaneceram-se todas as dúvidas.
Ainda hoje é assim. Quando temos dúvidas, quando nos falta alento, quando precisamos de maiores esclarecimentos, é preciso sentar-se num encontro fraterno, numa refeição de amigos e então aderimos aos ideiais comuns, desvanecem-se as sombras e alentam-se as forças.
Às vezes fazemos precisamente o contrário. Quando não nos sentimos bem ou duvidamos, deixamos logo de ir ao Agape, ao encontro de irmãos, à mesa da eucaristia.
Que Jesus continue a abrir o nosso entendimento, sobretudo a abrir o nosso coração para que possamos ter uma fé cada vez mais fortalecida.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Os amigos de Emaús

 
4ª Feira - Oitava da Páscoa
 
Hoje vou ceder a uma tentação que me persegue há muito tempo.
Sempre resisti à tentação de querer saber quem são os Discípulos de Emaús em vez de procurar saber acima de tudo quem é Jesus e de O reconhecer.
Também sempre resisti a outra tentação: a de olhar ou prestar atenção para as mãos de Jesus em vez de olhar para a fração do pão ou para o próprio pão que é a Eucaristia.
 
Hoje vou refletir sobre o que sempre evitei.
 
1ª - Quem são os discípulos a caminho de Emaús?
O nome de um discípulo já sabemos - "um deles, de nome Cléofas.."
E o outro companheiro de viagem? Não sabemos.
Atrevo-me a apontar para alguém muito próximo deste primeiro.
Quem? No relato da Paixão lemos que "junto à cruz de Jesus estavam Maria, Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e ..."
Então este Cléofas tinha uma mulher, de nome Maria, que segundo a tradição seria irmã de Nosssa Senhora.
Conclusão: Os dois caminhantes de Emaús eram Marido e Mulher, Cléofas e Maria sua esposa.eram um casal e familiares de Jesus.
Que lições posso acolher desta situação?
- As duas personagens conheciam bem Jesus, mas não o reconheceram. A mulher de Cléofas até tinha sido uma das últimas pessoas a ver Jesus descido da cruz, mas não o reconheceu no caminho de Emaús. Isto quer dizer que a partir da ressurreição vemos Jesus não com os olhos do rosto, mas com os olhos da fé. Se fosse apenas necessário ver com os olhos normais, os seus colegas de viagem ter-se-iam apercebido de imediato pois conheciam-no bem. Só nos apercebemos de Jesus com os olhos da fé.
- As duas personagens são um casal. É a comunidade base, qual semente de novas comunidades. São marido e mulher, pois é em comunidade, em família que Jesus quer ser reconhecido e acolhido.
- Finalmente são seus familiares, são seus tios, para nos eninar que a paritr de agora há outro tipo de ligação e de envolvimento. É a confirmação das palavras ditas anteriormente por Jesus: Quem são minha mãe, meus irmãos e minhas irmãs... só quem fizer a vontade de Meu Pai é que são meus familiares.
 
2ª - Porque O reconheceram só ao partir do pão?
Hoje quero recuperar essa cena imaginando-me lá.
Ao ouvir as explicações de Jesus pelo caminho, nem me aperceberia das suas mãos. Estaria tão absorto pelos seus ensinamentos, tão animado pelas suas palavras, tão hipnotizado pelo seu olhar que nem teria olhado para as suas mãos.
Só depois, estando eu mais à vontade, descansado no aconchego ou no conforto de uma mesa é que me teria percebido que afinal era Ele, era mesmo Jesus. Não teria dúvida: Eram as suas mãos, pois estavam perfuradas...
Mas nesse preciso momento, deixaria de ver Jesus e veria apenas o Pão partido por Ele...
Aliás ainda hoje se passa o mesmo...
Nós não vemos a Cristo a abençoar o pão e a reparti-lo. Só nos apercebemos do seu Pão.
Muitas vezes Jesus atrai-nos mostrando alguns sinais, mensagens ocultas para nos aproximar da sua presença Eucarística.
Na celebração da Missa passa-se o mesmo: Eu começo por ver o padre, depois vejo o pão... mas com os olhos da fé posso passar a ver o Cristo e o seu Corpo feito pão ou o seu pão feito corpo...

Com fé e humor



A fé sem humor leva ao fanatismo.

O humor sem fé leva ao cinismo.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Lágrimas de Maria Madalena

3ª Feira - Oitava da Páscoa

Partilho duas simples mensagens da liturgia de hoje.
A primeira é a reflexão que o Papa Francisco fez hoje mesmo na celebração eucarístia com os elementos da polícia do Vaticano.
A outra é uma vinheta que mostra que Cristo mudou-se do sepulcro para outro lugar... para que nós também aprendamos a mudar alguma coisa na nossa vida... porque depois da ressurreição nada nem ninguém pode continuar na mesma...

"Maria Madalena foi chorar junto do sepulcro vazio num momento de escuridão na sua alma por ver deitadas por terra todas as suas esperanças…
As lágrimas podem ser os óculos para ver Jesus na vida de cada um e preparar os olhos para observar, para ver o senhor Jesus.
Possamos também nós pedir ao Senhor a graça das lágrimas, que é uma bela graça.
Chorar por tudo, pelo bem, pelos nossos pecados, pelas dádivas, pela alegria."

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Carlos Imperador

Hoje assinalamos os 91 anos do falecimento do Imperador de Áustria, o Beato Carlos.
Não sei como chamá-lo: se Imperador Santo ou se Santo Imperador.

Partilho o Memorandum dessa data, que muito zelo como relíquia e agradeço a quem me ofereceu.

 























Guardo como lição das suas últimas palavras:
- Procurou sempre conhecer a Vontade de Deus.
- Empenhou-se em realizá-la com perfeição.

Isto quer dizer que não basta fazer a Vontade de Deus.
É preciso conhecê-la, pois se não se conhece como poderemos cumpri-la.
E para conhecer é preciso procurá-la, descobri-la... sempre, em todas as circunstâncias e não apenas nos momentos mais delicados ou mais dolorosos.
Mas também não basta descobrir e conhecer a Vontade de Deus.
É preciso praticá-la.
E não basta realizá-la, é preciso realizá-la com perfeição.

Que o Santo Imperador ou o Imperador Santo nos ajude a descobrir e a realizar a Vontade de Deus na nossa vida com a mesma humildade, constância e dedicação.