sábado, 3 de abril de 2010

Testamento de Jesus

Não sei de onde veio este texto.
Depois da morte de Jesus, convém recordar as suas palavras, não esqucer as suas obras e abir o seu testamento para cumprir a sua vontade.
Todos nós que acreditamos Nele somos seus hereiros.

TESTAMENTO DE JESUS

Eu, Jesus de Nazaré, vendo próxima a minha hora e estando na posse das minhas plenas faculdades para assinar este documento, desejo repartir os meus bens entre as pessoas que me são mais próximas.
Mas, sendo entregue como cordeiro para a salvação da humanidade, creio ser conveniente repartir entre todos. E assim deixo-lhes: todas as minhas coisas que desde o meu nascimento estiveram presentes na minha vida, e a marcaram de um modo significativo:
A ESTRELA:
Aos que estão desorientados e necessitem ver claro para continuar em frente, e a todo aquele que desejar ser guiado ou a servir de guia.
A MANJEDOURA:
Aos que não têm nada, nem sequer um lugar para se albergar ou um fogo onde acalentar-se e poder falar com um amigo.
AS MINHAS SANDÁLIAS:
São suas as sandálias e daqueles que desejarem empreender um caminho em que estejam sempre dispostos a caminhar comigo.
A BACIA:
Onde lhes lavei os pés é para quem quiser servir, para quem desejar ser “pequeno” diante dos homens, pois será “grande” aos olhos de meu Pai.
O PRATO:
Onde vou partir o pão. É para os que vivem em fraternidade, e aos que estiverem dispostos a amar acima de tudo, e a todos.
O CÁLICE:
Deixo-o para os que estiverem sedentos de um mundo melhor, e de uma sociedade mais justa.
A CRUZ:
É para todo aquele que estiver disposto a carregá-la.
A MINHA TÚNICA:
A todo aquele que estiver nu e com frio.
Também quero deixar como legado à humanidade inteira, as atitudes que guiaram a minha vida: Que elas sejam a sua estrela guia.
A MINHA PALAVRA:
E o ensinamento que me confiou o meu Pai, a todo aquele que a escutar e a puser em prática.
A ALEGRIA:
A todos a todos os que desejarem partilhá-la.
A HUMILDADE:
É para quem estiver disposto a trabalhar pela expansão do Reino dos Céus.
O MEU OMBRO:
A todo aquele que necessita de um amigo em quem possa reclinar a cabeça, ao abatido pelo cansaço do caminho para que possa descansar, ganhar forças e continuar a caminhada.
O MEU PERDÃO:
Estendo a todos. É para os que dia após dia, pecado após pecado, queiram voltar ao Pai.
Naturalmente sinto especial predilecção pelos mais débeis.
Tudo isto e ainda mais queria deixar-lhes mas, sobretudo, é a minha vida o que lhes ofereço.
Sou eu mesmo que fico convosco para continuar a caminhar ao vosso lado, partilhando preocupações e problemas, alegrias e gozos.
Sim. Eu sou a Vida, mas vós podeis transmiti-la.
Nada mais.
Mantenham-se unidos e amem-se de verdade.
Eu vos amei até ao extremo e vos levo no meu coração.

Assinado JESUS.


Sexta-feira Santa

Todos estamos envolvidos no Calvário de Jesus:

Como carrascos
ou como vítimas…

Condenando
ou sendo condenados…

Flagelando
ou sendo flagelados…

Torturando
ou sendo torturados…

Crucificando
ou crucificando-nos…

Roubando a liberdade das mãos e pés de Cristo
ou exigindo a nossa liberdade…

Desferindo chagas
ou sendo feridos…

Proferindo blasfémias
ou distribuindo bênçãos.

Provocando a sede de Cristo
ou matando a nossa sede no Seu Coração…

O Calvário de ontem
é a síntese dos calvários de todos os tempos e de todos os homens
que percorrem a via-sacra da sua vida.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Oração pelos Sacerdotes

Em Quinta-feira Santa, Dia do Sacerdócio, elevo a minha prece pelos sacerdotes em todo o mundo:


Ao nosso Santo Padre, o Papa,
dá-lhe o teu Coração de Bom Pastor, Senhor!

Aos Bispos, sucessores dos Apóstolos,
dá-lhes a solicitude paternal, Senhor!

Aos Párocos, ensina-lhes a servir como tu
que vieste para servir e dar a vida, Senhor!

Aos Confessores e Directores Espirituais,
fá-los instrumentos dóceis do teu Espírito, Senhor!

Aos Sacerdotes que pregam a tua palavra.
faz com que a comuniquem com a vida, Senhor!

Aos que trabalham com a juventude,
faz com que os comprometam contigo, Senhor!

Aos que trabalham com os pobre,
faz com que te vejam e sirvam neles, Senhor!

Aos Sacerdotes em terras de Missão,
dá-lhes ardor apostólico, Senhor!

Aos que assistem aos doentes,
faz com que lhes ensinem o valor do sofrimento, Senhor!

Aos Sacerdotes pobres
socorre-os, Senhor!

Aos Sacerdotes idosos
dá-lhes alegria e esperança, Senhor!

Aos Sacerdotes aflitos e atribulados
consola-os, Senhor!

Aos sacerdotes que estão em crise
mostra-lhes o teu caminho, Senhor!

Dos sacerdotes caluniados e perseguidos
defende a sua causa, Senhor!

Aos que aspiram ao Sacerdócio
dá-lhes fidelidade a ti e à sua vocação, Senhor!

A todos os Sacerdotes
dá-lhes obediência e amor à tua Igreja, Senhor!

A cada Sacerdote
Dá a plenitude do teu Espírito, Senhor!

(Adaptado de Opus Christi salvatoris Mundi, www.mstpm.com. Missionário Servos dos Pobres do Terceiro Mundo)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Beato Carlos Imperador d'Áustria


Faz 88 anos, a 1 de Abril, que faleceu no Monte (Ilha da Madeira) o Beato Carlos de Áustria.
A 21 de Novembro de 1916 tinha sido coroado Imperador da Áustria e no mês seguinte coroado também Rei da Hungria.
A 3 de Abril de 1919 foi deposto e exilado.
Chegou deportado à Madeira a 19 de Novembro de 1921.

Certidão de óbito

“… Faleceu hoje pelas 12 horas e 18 minutos de ‘dupla pneumonia gripal’ Sua Majestade Imperial e Real Carlos I d’Áustria e IV da Hungria, de 34 anos, casado, natural de Persenbeug (Áustria) filho do Arquiduque Otto e da Arquiduquesa Maria Josefa e residente acidentalmente na Quinta do Monte (Ilha da Madeira), freguesia de Nossa Senhora do Monte, Concelho do Funchal.

Funchal, 1 de Abril de 1922

Os médicos assistentes
Carlos Leite Monteiro
Nuno Queriol de Vasconcelos Porto
Carlos José Machado dos Santos

O seu cadáver foi logo embalsamado pelos médicos assistentes.”


(Foi vestido com a farda de Marechal. Velaram o cadáver a Imperatriz viúva e pessoas da comitiva real. O seu funeral realizou-se na terça-feira seguinte a 4 de Abril de 1922, pelas 16 horas. O seu jazigo encontra-se em capela própria na Igreja Paroquial do Monte).

A 3 de Outubro de 2004 foi proclamado BEATO Carlos de Áustria, pelo Papa João Paulo II, na Praça de São Pedro em Roma, na presença do seu filho primogénito Otto de Habsburgo, então com 92 anos, e outros familiares.
O dia escolhido para a sua memória litúrgico foi 21 de Outubro, pois nessa data contraiu matrimónio em 1911 com Zita de Bourbon, Princesa de Parma. Tiveram 8 filhos, tendo nascido a última filha 2 meses depois da morte do pai.
Foi apresentado pelo Papa como padroeiro dos esposos cristãos e inspirador da espiritualidade conjugal, pois no dia do seu casamento Carlos confidenciou à sua esposa: ‘Agora devemos conduzir-nos um ao outro para o céu.’ O processo de beatificação da Imperatriz Zita, falecida a 14 de Março de 1989, está a decorrer nas instâncias romanas.

Para assinalar esta data, transcrevemos um artigo publicado um ano depois do falecimento do Beato Carlos de Áustria: C. H., Imperador Carlos d’Áustria e rei da Hungria, in Almanaque da Madeira1924, 1º Ano de Publicação, Funchal 1923:
Imperador Carlos de Áustria
e Rei da Hungria

Prendeu-o a Providência com os mais belos dotes de corpo e os mais elevados primores do espírito, a ponto de na sua meninice os vienenses, atendendo à sua meiga beleza lhe chamarem o ANJO DE VIENA e na pujança da vida, o circunspecto yankee, que se chamou Teodoro Roosevelt, o apelidar O MAIS PERFEITO HOMEM PÚBLICO DA EUROPA ACTUAL – Er ist der interessentesl Manu deu Europa gegenewartig besitz.
E à inspirada poetiza austríaca, Enrica von Hendel-Massetti – Wir habendiesen edlen besen Kaiser – nicht verdient! Nós temos um nobre e óptimo imperador que não merecemos!
Poucas vezes se encontram conjugadas qualidades que habitualmente se excluem.
Ele possuía a maior bravura ao lado da mais insinuante e meiga doçura; a mais imponente majestade junta à mais cativante afabilidade, a maior fraqueza a par da mais discreta circunspecção.
Adoptava a arte de não dizer nem demais nem de menos.
Se alguém ousava arriscar uma pergunta menos discreta ele respondia com outra pergunta como muito bem observou Roosevelt. Tinha a ciência das perguntas.
Era o mais perfeito entre os homens do seu tempo, mas devia servir de vítima propiciatória pelos desvarios do seu povo. Ele assim o compreendeu e praticou no momento solene da Sua morte:
- Senhor! Seja feita a tua divina vontade! Nas tuas mãos entrego a minha vidam a da minha mulher e dos meus filhos. Aceita-a como holocausto pelos meus povos.
E tinha razão – A Hungria bolchevizada. A Boémia revolucionada renegando a Fé. A Áustria indisciplinada. A Croácia, a Styria e o Tirol separadas, e afinal todos os seus diversos estados nas mãos da judiaria e do maçonismo, bem precisavam de uma vítima propiciatória – Meu Deus seja feita a tua divina vontade. Nas tuas mãos encomendo o meu espírito. Ofereço a minha vida pelos meus povos.
Só foi imperador para defender os direitos do seu império, procurar a paz das suas nações, defender os fracos, amparar os pequenos, fazer justiça aos povos, representar a Arca da União dos Estados, dos partidos desde Liechtenstein até a Berkovina, desde a Galicia até a Dalmácia.
Nobre entre os mais nobres da terra, em suas veias corria o sangue azul das mais antigas casas da Europa; nas tradições da sua família as acções mais heróicas que a história regista.
O conjunto das vogais, devisa da Casa d’Áustria – A. E. I. O. U. – Austria est imperare Orbi Universo ou Austriae erit in orbe ultima povoa-lhe de esperanças o seu espírito embriagado no amor da pátria.
A coroa de Santo Estêvão que pusera na cabeça por ocasião da sua sagração na Igreja de Budapeste animava constantemente a sua fé no futuro dos seus povos com cuja lealdade contava em absoluto.
A sua bravura militar atingindo as raias de audaz temeridade comprovam tal asserção.
Por várias vezes se arriscou de tal maneira que chegou a ser envolvido pelo fogo inimigo e de uma das vezes, em Asiago, correu tal risco que o Estado Maior, vendo que os Italianos o tinham forcado, o mandou para a frente oriental.
A sua carreira militar foi uma odisseia de proezas.
Aos 16 anos, no dia 10 de Novembro de 1903, alistou-se no exército como alferes de Ulanos nº 1. Desde o começo da carreira militar procurou ser soldado de alma e coração. Dormia no Quartel, sujeitava-se a todos os serviços até os mais humildes como o da remonta, e em cada camarada granjeou um amigo. Nenhum género de serviços lhe foi alheio.
Em Setembro de 1905 foi promovido a tenente e transferido para o regimento de Dragões nº 7 na Boémia. Pela morte de seu pai, em Novembro de 1900, ficando herdeiro presuntivo das coroas austro-húngaras, em vista do casamento marganativo de seu tio Arquiduque Francisco Fernando, obteve licenciamento para estudar direito e economia política, na Universidade de Praga, sob a sábia direcção dos afamados professores Drs. Ulbrich, Pfaff, Braf e Otto. Não havia aluno mais atento nem mais diligente.
Em Maio de 1907, foi obrigado a suspender os estudos para tomar parte nas grandes manobras da sua divisão, indo incorporar-se o seu regimento.
Acabados os estudos de jurisprudência, por indicação do imperador Francisco José, foi mandado por seu tio o arquiduque Francisco Fernando estudar arte militar sob a direcção dos generais von Diett e Barãi Zeidler, conservando-se entretanto ao serviço do 7º Regimento de Dragões.
Nomeado generalíssimo o arquiduque Francisco Fernando, chamou o sobrinho, a dar as suas provas das manobras imperiais, encontrando invulgar clareza de vista no comando dos corpos que lhe eram confiados, merecendo repetidos elogios tanto na corte como nas reuniões do Estado Maior a sua elevadíssima competência para comandar não só unidades como corpos do exército.
Desde então o seu tio e instrutor, o generalíssimo Francisco Fernando conservou-o no comando superior dos corpos.
Foi sempre modelo de pontualidade militar – Soldado de alma e coração.
Procurava conhecer todos os seus camaradas e chamá-los pelos seus nomes, granjeando assim a simpatia de todos, que o chamavam com doce ternura – ‘Baesi’ – Tio.
Em 31 de Maio de 1911, casou com essa violeta de Parma, que se chama Imperatriz Zita, que à Áustria veio para ser – A Imperatriz da bondade e Princeza da Caridade. ‘Zita! Kaiserin der Gule. Furstin der Barmherzigkeit’
Se o casamento lhe trouxe um período de repouso foi para depois mais activamente se entregar aos trabalhos. Passados apenas três meses teve de acompanhar o seu regimento à Kolomea, Galicia.
Até aí entretanto o acompanhou a esposa dedicada.
Aí fizeram marchas através de Truban, Littan, Tesben, Biala, Jasla, Zamor, Elayvord, Canot, Stryi, etc. voltando a Kolomea. No 1º de Novembro de 1912, foi promovido a Major para o regimento de Infantaria nº 39.
A catástrofe de Serajevo a 28 de Junho de 1914, veio feri-lo no mais íntimo do coração roubando-lhe um amigo tão paternal e o mais leal dos conselheiros.
O desaparecimento do arquiduque Francisco Fernando fê-lo generalíssimo, lugar de tremenda responsabilidade para tão tenra idade.
Com a guerra começaram as suas proezas: pela vitória de Presburgo obteve a cruz do mérito militar e pela defesa de Lemberg, seu baptismo de fogo, a gran-cruz de Santo Estêvão.
Fez nesse inverno a campanha dos Karpatos e aí o foi entrevistar o infatigável investigador americano Roosevelt, que dele escreveu. O herdeiro do trono tem um perfeito e atraente charme, que eu nunca encontrei em homens públicos. Possui além disso, o que em bem poucos se encontra, o magnetismo pessoal. Um homem pode ter talento, génio, habilidade, opulência, mas se não possui o raro dom do magnetismo pessoal ser-lhe-á muito difícil conquistar a alta popularidade.
… …
Todas as classes do povo o veneram porque o seu magnetismo pessoal se transmite até aos que se não acham em contacto com ele. É o homem público mais acabado que a Europa actual possui.
Ao magnetismo pessoal que Rossevelt admirava no Imperador Carlos, chamaríamos nós o encanto empolgante e atractivo irresistível da virtude.
Como representante do velho imperador devem correr todas as linhas a observar o estado das tropas e agradecer-lhes em nome da Áustria o sacrifício pela Pátria.
Informava-se dos heróis, e quando encontrava um, embora fosse um obscuro soldado, abraçava-o, porque ele representava incarnado o verdadeiro amor da pátria.
A estas saudações e agradecimentos atribuem os historiadores da guerra, em grande parte, as vitórias de Jamosca, Lunanowa, Dumaiec, Biala, etc.
As saudações aos soldados em língua polaca e o agradecimento em nome do velho imperador fez rebentar as lágrimas aos batalhadores mais rudes e proromper em aclamações a todo o exército.
A 12 de Maio de 1916 foi comandar o exército do sul como Marechal de Campo e Vice-Almirante. A sua chegada levantou o moral das tropas tendo como real companheiro de armas o herdeiro do trono.
Ali se deram as brilhantes acções de Laverme, Valbona, Toravo, Astico, que lhe mereceram a condecoração da coroa de Ferro de 1ª classe, assim como a ordem de Mérito Militar concedida pelo Imperador Guilherme da Alemanha.
Numa chuvosa tarde de Junho o arquiduque Eugénio entra no Quartel General do arquiduque Carlos portador duma ordem dos dois imperadores para que ele parta imediatamente para a frente nordeste – Galicia.
A despedida dói enternecedora e falou aos oficiais e soldados como se os abraçasse a todos, rememorando as bravuras que fizeram pela Pátria e entregando-os à guarda do Omnipotente Deus dos Exércitos.
Era necessário mobilizar a cavalaria húngara contra as esmagadoras massas de russos que caiam sobre Lemberg. Indispensável se tornava o prestigioso magnetismo do Arquiduque Carlos para animar a coragem daqueles bravos soldados. Assim o entenderam os imperadores: Assim sucedeu!
Na tarde de 31 de Novembro de 1916, entregou o Imperador Francisco José a Deus a sua alma amargurada, deixando ao estremecido sobrinho Carlos não só coroas e ceptros mas espadas desembainhadas, tintas de sangue! Funesta herança.
Os diversos povos da grande nação choraram ao lado do moço Imperador a perda irreparável do velho monarca, o decano dos governantes da Europa. E com o coração amargurado e a alma alanceada pela perda do ente querido e pela desolação do seu país o jovem imperador tomou posse da herança fatal.
Alguns meses antes da sua morte o velho imperador tinha dito: o meu sucessor é realmente um excelente príncipe: o meu povo pode depositar nela toda a confiança.
A proclamação do imperador Carlos aos seus povos, é um modelo de sentimento pela morte do falecido Imperador, de dedicação pelos seus povos, e de confiança no futuro da Pátria.
Lamenta que a guerra esteja longe do seu termo, suspira por uma paz honrosa e suplica do Céu as graças e as bênçãos sobre si, sua casa, seus amados povos e que o Omnipotente o ajude a conservar intacta a herança que seus antepassados lhe legaram.
Ao aceitar o pesado encargo de reinar, Carlos 2º encontrava um país não só extenuado por uma já longa guerra em que entrara com toda a energia despendendo todos os recursos, mas ainda desapontado nas suas aspirações, impondo-se por isso a necessidade da Paz.
Daí essa série de passos tendentes a uma paz honrosa.
A Imperatriz Zita era o anjo da Paz. Bethmann Hollweg queixa-se em 1917, disso a Czernin.
Lamunnech faz-se o instrumento do Imperador na propaganda pacifista.
São aceites por este os 14 pontos de Wilson.
Quando o armistício da Itália são fracassadas todas as suas tentativas de paz apesar de o imperador ter encarregado dessa importante missão seu cunhado o Príncipe Xisto.
Era porém já tarde; após o esfacelamento do campo germânico desaparece a monarquia dualista: São proclamadas as repúblicas de Viena, Praga, Lagabria, Budapeste e o imperador Carlos retira-se para a Suíça, seguindo de perto o desenrolar dos acontecimentos, apesar das instâncias do Arquiduque José para que volte à Áustria. Não quer mais derramamento de sangue. Prefere que os homens lhe façam justiça.
Assim sucedia. Após a hecatombe judaico-maçónica de Bella Kunn na Hungria, passado o delírio bolchevista, aquele povo honesto e bom restaurou as instituições tradicionais e chamou o seu rei.
Foi um triunfo a entrada do Imperador Carlos 2º - agora rei Carlos 8º - em toda a Hungria. Mas, muitas vezes desfazem os homens o que Deus fez! E com uma violência única na história é arrebatado um rei ao seu povo, que por ele chora, por ele suspira, e quando dele se vê privado põe luto oficialmente à sua saída! E, suprema irrisão! Quando se proclama, justamente, que os pequenos povos são livres para escolherem a forma de governo e os governantes que lhes aprouver.
Da sua viagem tormentosa de Budapeste à Madeira, a caminho do exílio, dos respeitos de que foi alvo a bordo do cruzador Cardiff, das demonstrações de carinho e afecto nesta terra hospitaleira, nem falarei: está ainda na mente de todos.
E ainda com os olhos amarados de lágrimas e alma alanceada de saudade que traço estas linhas consagradas à memória do ente mais extraordinariamente infortunado com quem tenho tratado na minha já longa existência!
Heroísmo na virtude, majestade na desgraça, grandeza no infortúnio e a coroar todas estas prerrogativas uma fé inalterável e uma paz de consciência contínua esperando na Divina Providência a execução dos seus insondáveis decretos.
Após cinco meses de exílio, adoçado pelo mais dedicado afecto de uma população inteira, foi receber a recompensa de suas excelsas virtudes esse herói que parecia um santo a quem o mundo inteiro pranteou e os próprios adversários políticos prestaram o mais solene preito de admiração pelas suas elevadas qualidade de espírito e de carácter.
Digna de seu heróico marido é a não menos heróica imperatriz Zita, que em terras de Espanha, na dedicada povoação de Lequitio, sofre as agruras do exílio, com toda a resignação cristã e dedicação maternal.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Abraçar a Cruz


Ao iniciar a Semana Santa, estando dispostos a acompanhar Jesus no caminho do Calvário, podemos tomar a nossa cruz e ir em frente.
O Pe. Dehon dá-nos algumas dicas de como tomar a cruz para seguir Jesus. São frases retiradas dos seus escritos e ensinamentos.

Carregar a cruz exteriormente e por necessidade não basta.
É preciso abraçá-la com amor,
carregá-la com alegria e coragem,
desejá-la com ardor.
(DE, 117)

A cruz, a humildade, a mortificação são os melhores auxiliares da caridade, do puro amor. Sem elas, a caridade não tem base sólida e não permanece. (NQ, 10 de Janeiro de1888, 148)

A cruz adorável do Salvador afasta-nos de todos os vícios e leva-nos a todas as virtudes. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, 137)

A cruz, diz a Imitação, é a salvação, é a vida, é a fonte das alegrias celestes. (ACJ 1, 230)

A cruz é a nossa vida. (Carta ao Pe. Paris, 15/05/1913, Inv. 300.03, AD: B20/7)

A cruz é a paciência, o sacrifício, a penitência. (RNN, 19)

A cruz é leve quando a levamos por amor ao Coração de Jesus. Quando sofrermos, digamos: É por Jesus, é pelo Coração de Jesus, é pela Congregação. A nossa cruz tornar-se-á leve. (Carta ao noviço Heiserholt, 20/08/1909, Inv. 228.03, AD: B18/14.3)

A cruz é também ela um sacramento do amor. (CA, 431)

A cruz é tão necessária que Deus fez dela a medida da nossa glória. (ACJ 1, 359)

A cruz é uma cátedra donde Jesus prega a caridade, a paciência, a obediência, o sacrifício. (ACJ 1, 361)

A cruz resume toda a virtude; a cruz é a salvação. (DE, 54)

As almas com ternura levam a sua cruz com mais amor do que as outras. É por que o Coração de Jesus tem mais ternura do que todos que o sacrifício da cruz foi o mais generoso de todos os sacrifícios. (ACJ 1, 665)

As cruzes são uma invenção do amor de Jesus. (CA, 265)

Bebamos o amor e as cruzes de madeira ou de ferro tornar-se-ão como se fossem de palha. (CA, 194)

Carregar a cruz, é a essência da vida cristã. O cristão é marcado com a cruz no baptismo e recebe a capacidade de a carregar. (ACJ 2, 208)

Devemos olhar para o nosso crucifixo: basta um olhar sério sobre Ele para nos animarmos a levar a nossa cruz. (CF, 23 de Maio de 1881)

É a cruz de todos os dias. Leva-a bem. A cruz é a salvação. (Carta ao Pe. Falleur, 13/06/1884, Inv. 326.18, AD: B20/12)

É a cruz que prepara as graças. (Carta à Madre Maria Inácia, 14/04/1919, Inv. 231.20, AD: B19/2.1)

É a cruz que vence o mundo. As obras são fecundadas pela mortificação e pelo sacrifício. (NHV, volume IV, Outubro 1869 – Julho 1870, 199)

Eu fazia a via-sacra todos os dias; era o meu recreio da tarde. O meu crucifixo era o meu confidente e o meu companheiro, no meu quartinho. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, 90)

Não há pequenas nem grandes cruzes, mas apenas um pequeno e um grande amor. (CA, 338)

O Coração de Jesus vê na cruz o trono do seu amor, o instrumento das suas misericórdias, o troféu das suas vitórias. (CA, 264)

O preceito obriga-nos a levar a cruz com paciência… o conselho convida-nos a levá-la com amor, com alegria, a exemplo de Nosso Senhor. (RNN, 20)

O Santo Sacrifício da Missa não é outro sacrifício senão o da cruz; é a sua renovação mística e continuação. (CA, 374)

O seu amor por nós tornou leve a cruz de Cristo. (ACJ 1, 248)

Os primeiros anos de uma obra são sempre difíceis. As cruzes nunca faltam nos inícios. (Carta ao Pe. Goebels, Espanha, 03/07/1924, Inv. 241.61/, AD: B19/3.1)

Os que levam a cruz por amor encontram a cruz suave. (VA, 156)

Quanto mais celestes formos, menos nos pesará a cruz. (CA, 338)

Todo o julgamento reportará sobre este aspecto: Carregaste a tua cruz? (ACJ 2, 209)

Uma cruz que nunca nos falta é a tentação… (ACJ 1, 332)

Uma cruz vale 500 rosários. (Carta ao Pe. Paris, 15/05/1913, Inv. 300.03, AD: B20/7)

Vós tereis a palma do martírio pelo vosso voto de vítima e por todas as cruzes levadas por amor de Coração de Jesus. (Carta à Madre Maria Inácia, 23/12/1924, Inv. 231.65, AD: B19/2.1)


sexta-feira, 26 de março de 2010

Ele pagou por nós


Ano C - Domingo de Ramos e/ou Domingo da Paixão

Ao reflectir sobre a Paixão do Senhor, alguém referia que afinal éramos nós que estávamos lá a aclamar e logo depois a condenar Jesus. Eu hoje recordo essa aplicação e concluo que afinal nós é que devíamos estar, não no lugar da multidão mas no lugar de Jesus. Porque Ele pagou por todos nós.
A redenção de Cristo assemelha-se à pedagogia de uma certa avozinha. O seu neto tinha a fama e o proveito de recolher aquilo que não era seu. A pobre senhora chamava a atenção ao neto mas nada servia de correcção. Então um dia, alguém foi uma vez mais fazer-lhe queixa da falta de respeito do rapaz pelo alheio. A avó chamou o acusado, levou-o até junto à lareira. Tirou uma brasa incandescente, segurou na mão do neto e prometeu-lhe:
- Esta brasa vai fazer aquilo que as minhas recomendações nunca conseguiram. Vai recordar-te para sempre que não podes usar as tuas mãos para roubar.
O miúdo já tremia a pensar como ficariam as suas mãos queimadas. Então a senhora, cheia de determinação, pôs o carvão na sua própria mão, dizendo:
- Faço isto porque te amo.
E diz a história que aquele rapaz, chorando, beijou as mãos da avô e nunca mais roubou nada a ninguém.
O episódio é dramático tal como dramática é a paixão de Jesus cujo mistério celebramos nesta semana. Ele também sofreu por nós porque nos ama.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Baptismo de Leão dehon


Assinalamos neste dia o aniversário do baptismo do Pe. Leão Dehon.
Transcrevemos o que ele mesmo escreveu sobre esta efeméride nas suas próprias memórias.

Primeiro Escrito:
Fui baptizado a 24 de Março, na pobre igreja de La Capelle, pelo digno e venerável P. Hécart, que devia continuar ainda a ser seu pároco por mais doze anos e que me preparou à primeira comunhão.
O dia 24 de Março era a festa do menino mártir, S. Simeão. Mas eram sobretudo as primeiras vésperas da festa da Anunciação. Senti-me feliz, mais tarde, em unir a recordação do meu baptismo com a do Ecce Venio de Nosso Senhor.
Ganhei uma grande confiança com esta aproximação. O Ecce Venio do Coração de Jesus protegeu e abençoou a minha entrada na vida cristã. O Senhor não ficará ofendido por eu ver nisso uma atenção da sua Providência em vista da minha vocação actual de Sacerdote-Hóstia do Coração de Jesus.
Eu tive sempre veneração pela lembrança do meu Baptismo. No colégio gostava de renovar as promessas baptismais. Em Roma caiu-me nas mãos o belo livro de Exercícios de Santa Gertrudes e fez-me um grande bem. Gostava de me servir dele para renovar em mim as graças do meu baptismo. Em cada uma das minhas férias, ia fazer uma devota peregrinação às fontes sagradas do meu baptismo, e senti um aperto de
coração quando a velha pia foi enterrada num altar, e depois desapareceu
completamente. (NHV, I).
O padrinho do baptismo foi o tio Eduardo Gustavo Dehon e a madrinha a tia materna Julieta Augustina Vandelet. A celebração ocorreu, ao décimo dia do nascimento, isto é, numa Sexta-feira.

Escrito do Meio:
Celebro hoje o 44º Aniversário do meu Baptismo. É um dia de renovação. Releio e medito o piedoso exercício de Santa Gertrudes sobre o baptismo. Redijo o meu Ecce Venio. Quero viver e morrer pela Obra do Coração de Jesus. Entrego-me inteiramente a ela. (NQ 1887-97/3).

Último escrito:
No dia 24 de Março eu relembro com Santa Gertrudes as recordações do meu baptismo, para alcançar assim as graças: os exorcismos, a profissão de fé , a oblação, a unção, a vida nova simbolizada pela veste branca e o círio. Eu saúdo e invoco os meus patronos do baptismo, São Leão e Santo Agostinho. Peço humildemente perdão a Deus por todas as faltas às minhas promessas baptismais. (NQ 1925-52/45)

terça-feira, 23 de março de 2010

Do amor à cruz, à cruz do amor

Em tempo de quaresma, podemos contemplar a cruz de Cristo, com o mesmo olhar com que o Pe. Dehon a contemplava: uma cruz com um coração ou um coração com uma cruz.
Plasticamente podemos contemplar essa cruz dehoniana seguindo as palavras do próprio Pe. Dehon:
“Amemos a cruz e carreguemo-la com paciência… Ela tem quatro braços e um centro:
O braço superior representa as humilhações e as cruzes do espírito…
O representa a cruz da carne, os combates pela castidade, as doenças, a mortificação, os trabalhos, a agonia e a morte.
O braço direito representa a pobreza e todas as cruzes que têm a ver com os bens: as privações, as perdas, as dificuldades…
O braço esquerdo indica as cruzes da vontade: a obediência, a submissão aos superiores, as contrariedades e as contradições… (RNN, pag 20)
O lugar da união ou centro é o Coração de Jesus. (RNN, Pág. 24)”


...................... ....Cruzes do
..................... .... .espírito
..
....Cruzes da...... Coração........ Cruzes da
.... pobreza.........de Jesus........ vontade
.
...................... ....Cruzes da
.................... ... ... ..carne
.
.
.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Deus salva

2ª Feira - V Semana Quaresma

Da Primeira Leitura:
E assim foi salva naquele dia uma vida inocente.

Do trecho do Evangelho:
Também eu não te condeno.
(E assim foi salva uma pecadora).

Deus salva sempre…
Deus salva todos…
Deus salva santos e pecadores…
Deus salva-nos…

sábado, 20 de março de 2010

Ser Padre é isto

Apontar o caminho a quem procura
Chegar a casa, ao fim de cada dia;
Pregar o bem a toda a criatura;
Abrir na terra fontes de alegria.

Erguer ao céu, nas mãos, a Hóstia Pura
E o Cálix da Divina Eucaristia;
Subir com Cristo a rua da amargura;
Junto da cruz fazer-lhe companhia:

Ser Padre é isto! É ser o Bom Pastor,
De montanha em montanha, dor em dor,
Dar rosas de ouro às almas entre abrolhos.

Quem no Padre não vê Jesus que passa,
Passa longe dos Anjos e da Graça,
Como cego que a Deus refeche os olhos.

Soneto de Monsenhor Moreira das Neves

sexta-feira, 19 de março de 2010

Saber perdoar


Ano C - V Domingo Quaresma

Um dia o Zeca regressou da escola cheio de raiva. Antes que o pai lhe perguntasse alguma coisa, gritou irritado:
- O Pedro não devia ter feito aquilo para comigo. Humilhou-me à vista de todos. Quero que ele sofra como eu. Quem me dera que ele parta uma perna...
O pai escutou tudo calado enquanto caminhou para o fundo do jardim onde guardava um saco cheio de carvão. O Zeca viu o saco aberto e o pai a propor-lhe:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branca a secar no varal é o amigo que te ofendeu e cada pedaço de carvão é uma acusação que tens contra ele. Atira-lhe este carvão todo.
O miúdo achou a brincadeira divertida e descarregou assim a sua fúria mas a camisa estava longe demais e poucos pedaços acertaram o alvo. No final sentiu-se cansado mas satisfeito por ter conseguido alguma coisa. O pai levou-o então até ao espelho do quarto onde pôde ver a sua figura toda suja de carvão. Só enxergava os dentes e os olhos. O pai concluiu ternamente:
- Filho, viste que aquela camisa quase que nem se sujou mas, olha para ti. O mal que desejamos aos outros é aquilo que nos desfigura. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com as nossas acusações, a borra, os resíduos e a fuligem ficam sempre em nós mesmos.
Jesus ensinou o mesmo: quem não tiver pecado que atire a primeira pedra!

terça-feira, 16 de março de 2010

Curar o corpo e a alma

3ª Feira - IV Semana Quaresma

Do Evangelho de hoje:
- Toma a tua enxerga e anda... Vai e não tornes a pecar...

Comentário do Pe. Dehon, in A Renovação Social Cristã, Conferências Romanas 1897-1900:
- O Evangelho ensina-nos que Jesus curava os corpos para chegar às mentes e multiplicou os pães para santificar as almas. (Pág. 208)
- Nosso Senhor, para conquistar as almas, não curou ele os corpos, alimentou os famintos no deserto e encheu a rede dos pescadores? (Pág. 341)

Via-sacra (8)


A Via-Sacra das Cores
E as Cores da Via-Sacra

1ª Estação – Jesus é condenado à morte
COR DE PÚRPURA
Ao amanhecer daquele dia, com o céu em cor de púrpura, Jesus é manietado, açoitado e coroado de espinhos. Aos ombros põem-lhe um manto de púrpura e ridicularizam-no. É assim que condenam um inocente.
A cor púrpura representa a maldade, a ironia e o ódio dos que condenam Jesus.
É assim que começa o caminho do calvário, com vermelho de púrpura como sinal proibido.
Ao iniciarmos esta via-sacra das cores, saibamos discernir as cores de todos os sinais de trânsito desta via dolorosa para podermos, tal como o arco-íris ligar a terra ao céu.

2ª Estação – Jesus carrega a sua cruz
CINZENTO O dia começa cinzento, triste. O dia chega juntamente com uma cruz, mas para chegar à luz gloriosa da ressurreição é preciso passar pelo cinzento da cruz. Depois dos dias cinzentos e das nuvens mais sombrias, surge sempre o sol brilhante.
Jesus, ao carregar a sua cruz, lembra-nos assim que quem não abraçar a cruz nunca chegará à Páscoa da Ressurreição. Lembra-nos também que é preciso passar pela cruz para transformar os dias cinzentos em dias luminosos.

3ª Estação – Jesus cai pela primeira vez
CASTANHO
Jesus, com a cruz aos ombros, cai por terra. O corpo prostrado fica da cor da terra. Caído no chão Jesus lembra-nos duas realidades:
Primeiro lembra aos homens que são pó e ao pó hão-de voltar.
Em segundo lugar lembra-nos que Ele assim caído é pó, mas em Homem Novo ressuscitado se há de tornar.
Apesar de sermos pó, somos chamados a aspirar aos dons do alto. Apesar de às vezes cairmos e nos sujarmos na lama, Jesus dá-nos a força para nos levantarmos e prosseguirmos o caminho na sua companhia.

4ª Estação – O Encontro de Jesus com sua Mãe
AZUL
Na caminhada dolorosa surge um rasgo do céu. Jesus encontra Maria, sua mãe, e o ambiente sombrio se veste de azul. A Virgem Imaculada foi sempre conotada com a cor azul. É a cor do céu limpo, é a cor do mar infinito.
Nos caminhos da nossa vida haverá sempre ocasião para contemplar o mesmo azul celeste. A Virgem Maria protege-nos sempre, como abóbada celeste.

5ª Estação – Simão de Cirene ajuda Jesus a levar a cruz
AMARELOE no azul fica sempre bem o ouro. Depois do encontro com a Sua mãe, Jesus foi ajudado por Simão de Cirene. Isso foi ouro sobre azul.
O amarelo do ouro brilha mais quando a generosidade é genuína, quando o ouro é provado no crisol.
Quem ajuda um necessitado só pode ter um coração de ouro. Pintemos assim desta cor o nosso coração.

6ª Estação – Verónica limpa o rosto de Jesus
COR-DE-ROSAUma mulher, cheia de coragem, mas com toda a sensibilidade, aproxima-se de Jesus e limpa-lhe o rosto. Jesus reconhece esse toque sentimental, essa tonalidade feminina e no tecido fica estampado o perfil do seu rosto.
Por entre espinhos e agraços surge assim uma tonalidade rosa.
A cor-de-rosa deixou apenas de ser uma cor sentimental ou feminina, mas passa a ser sinal de coragem e de generosidade.
E Jesus faz com que este gesto fique perpetuado como memória e como estímulo para que a ninguém falte esse toque de atenção.

7ª Estação – Jesus cai pela segunda vez
BORDÔ
Jesus cai pela segunda vez. A perda de sangue, o cansaço, o peso da cruz, a fraqueza e as imprecações atiram-no por terra. E eis que o sangue, o pó e o suor formam uma mistura de cor bordô ou encarnado escuro. É sangue coagulado.
Jesus vai perdendo sangue e em cada queda deixa uma marca da sua passagem.
Lembra-nos assim que também nós podemos deixar marcas do nosso viver. Sempre que nos doamos a Deus e aos outros, pintamos o mundo de cor de sangue derramado por amor.

8ª Estação – As mulheres de Jerusalém choram por Jesus
TRANSPARENTE
Um grupo de mulheres de Jerusalém aproxima-se de Jesus e chora. São lágrimas silenciosas, lágrimas transparentes, não têm cor pois são de todos e para todos.
Jesus pede-lhes que continuem assim, que nunca se esqueçam de manifestar também esses mesmos sentimentos aos seus filhos, quando maltratado pelos caminhos da vida.
Este episódio lembra-nos que devem ser sinceros e transparentes os nossos sentimentos para com Deus e para com os nossos irmãos.

9ª Estação – Jesus cai pela terceira vez
VERDE
Renascer, brotar como novo rebento a surgir do chão.
Se o grão de trigo não cair por terra não pode florescer. É por isso que Jesus cai pela terceira vez como grão lançado à terra para florescer.
É o verde dos rebentos novos, da nova esperança.
Jesus cai, passa por tudo isto para encher de vida, para pintar de verde de esperança o nosso mundo.
Ele ensina-nos a identificar os rebentos novos da nossa vida de conversão depois das nossas quedas.

10ª Estação – Jesus é despido das suas vestes
BEGE ou CREMEÉ a cor da carne despida. Para ser crucificado Jesus é despojado das suas vestes. Lembra-nos assim que Ele veio assumir a nossa carne, a nossa natureza humana. A cor bege ou creme sugere-nos a nossa própria carne mortal. Por fora podemos ter a aparência de várias raças ou cores, mas por dentro somos todos iguais, pertencemos à mesma família, com a mesma dignidade de filhos de Deus.
Jesus ao ser despido lembra-nos que Ele nasceu com uma carne igual à nossa para nós vivermos com uma dignidade igual à d'Ele.

11ª Estação – Jesus é crucificado
NEGRO Por volta do meio-dia Jesus é crucificado. A partir daí toda a terra cobre-se de trevas.
A cor preta é entre nós a cor de luto e de tristeza ou a cor da noite.
Jesus é-nos tirado e a sua ausência gera em nós trevas ou ausência de luz.
Nós recusamos a luz e por isso sofremos as trevas.
Nesta estação Jesus lembra-nos que no meio deste mundo de trevas Ele é a Luz que a todos quer iluminar. Que a cruz de Cristo seja o farol que nos guia pelos caminhos desta vida.

12ª Estação – Jesus morre na cruz
VERMELHO
Às três horas da tarde Jesus entrega o seu espírito ao Pai. Um dos soldados ao aproximar-se, vendo-o já morto, trespassa-lhe o lado com uma lança. Do seu lado aberto jorra sangue e água.
Contemplamos essa fonte, o Coração de Jesus. Coração de fogo vermelho de onde sai sangue vermelho vivo.
Jesus ensina-nos assim a nos doarmos por inteiro, até à última gota de nós mesmos.
Que o nosso coração possa arder no mesmo fogo palpitante do seu amor.

13ª Estação – Jesus é descido da Cruz
ROXO
Eis a Senhora da Piedade, vestida de roxo, com o seu Filho nos braços.
Nós também nos vestimos de roxo para manifestar os mesmos sentimentos que a Senhora das Dores.
Para além disso a cor roxa é para nós sinal de arrependimento e de conversão interior ao convite de Jesus: Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, pois o Reino de Deus está próximo.
Se a cor roxa for sinal sincero da nossa contrição e arrependimento, então não teremos o corpo de Jesus nos nossos braços, mas estaremos nós nos braços de Deus Pai.

14ª Estação – Jesus é Sepultado
BRANCOJesus é envolto num lençol branco e deposto num sepulcro novo.
Ele tinha chamado a atenção para o fingimento dos sepulcros caiados de branco, por fora limpos, mas cheios de podridão por dentro. Agora Ele prova que o contrário é possível: eis o verdadeiro sepulcro, por dentro um lençol branco e a pureza de alguém sem pecado nem mácula e por fora a podridão dos que o entregaram à morte.
Jesus é o cordeiro sem mancha que tira o pecado do mundo. A cor branca é o sinal dessa vida da graça, da alegria e do brilho interior.
Deixemo-nos iluminar por essa luz resplandecente.

15ª Estação – Jesus ressuscita
ARCO-IRIS
É a Páscoa florida ou o Arco-íris de todas as cores, como sinal da nova e eterna aliança. Assim como depois do dilúvio, um arco-íris anunciou uma aliança entre Deus e o homem assim também com Cristo ressuscitado uma aliança, agora definitiva e eterna surge no nosso horizonte.
Esta Páscoa florida tem todas as cores, satisfaz todos os anseios, não esquece nenhuma dimensão da nossa vida.
Saibamos então colorir a nossa vida com as cores da ressurreição do Senhor Jesus que se fez tudo para todos e a nossa vida terá outra cor.



segunda-feira, 15 de março de 2010

Novos céus

2ª Feira - IV Semana Quaresma

Da primeira Leitura, Profecia de Isaías:
- Eu vou criar os novos céus e a nova terra e não mais se recordará o passado, nem voltará de novo ao pensamento.

Deus quer céus novos e terra nova.
Ele não diz céus e terra renovados ou melhorados,
mas simplesmente NOVOS.
Deus também nos quer novos e não apenas melhorados,
ele espera que sejamos novos e não apenas remendados.
Deus quer-nos completamente diferentes,
sem algum rasto do homem velho.

domingo, 14 de março de 2010

Aniversário


O Pe. Dehon

faz hoje 167 anos

Parabéns!


Ele lembra este dia:
“Nasci no dia 14 de Março de 1843. Era a terça-feira da segunda semana da Quaresma, pois a Páscoa caía nesse ano a 14 de Abril. O dia 14 de Março é a festa de S. Matilde, rainha da Alemanha (NHV, I,)”

Apesar de ter nascido em 1843 continua sempre jovem… porque os santos nunca envelhecem (Conferência aos Jovens, inventário 38.09, AD: B6/5.9).

Mesmo quando completou os 80 anos de vida, alguém dizia dele:
- O P. Dehon tem conservado dos seus 20 anos a curiosidade da inteligência, o vigor do espírito e o calor da alma.

Mais tarde, quando aos 82 anos faleceu o Pe. Dehon, o então bispo de Soissons, futuro cardeal Binet, no discurso das exéquias deu o seguinte testemunho:
- Foi-se o grande ancião, de coração sempre jovem, confiante, sempre optimista, para a eterna juventude de Cristo, a cujo coração se consagrou. O Pe. Dehon foi alguém muito grande, sobretudo de coração.

Era de facto um grande homem e um homem grande: tinha 1,92 metros de altura.

A propósito das conferências sociais proferidas pelo Pe. Dehon em Roma e em Milão, o cronista apresenta-o com brevidade:
“O Pe. Dehon é um homem alto (1, 92 m.) de aspecto nobre, de rosto inteligente, fala com singular exactidão e medida e revela-se extremamente conhecedor dos assuntos mais interessantes da vida moderna” (L’Osservatore Cattolico, 11 de Maio de 1897).

O Pe. Jacquin dizia que o Pe. Dehon era de tão grande estatura que todos pareciam pequenos ao pé dele. (RCJ Lovaina, 1936, 170).

Foi um grande homem, não por ter feito obras grandiosas, mas fez obras grandiosas por ser um grande homem.


Aniversário do Pe. Dehon

segundo ele mesmo.


Em 1865
"No Canal de Suez, no Egipto: 14 de Março 1865. El Guisr. Lago Ballah. É o meu 22º aniversário natalício. O dia começa alegremente. O sr. De Galard almoça connosco; mas a tarde traz-nos fortes dissabores. Queremos seguir o dique do novo canal através do lago Ballah, mas este dique tinha rebentado de manhã; temos de refazer o caminho e contornar o lago. Íamos em zig-zag, obrigados muitas vezes a recuar diante dos baixios. A noite surpreendeu-nos, tivemos de acampar no deserto (NHV, I)” .

Em 1909
"No dia 14 de Março faço 67 anos. Quantas graças perdidas! Pudesse eu recuperar o tempo perdido! Lembro o início da obra. Quanto o diabo tentou., sobretudo entre 1881 e 1884" (NQ XXIV 68).

Em 1913
"O meu 70º aniversário. O Santo Padre manda-me felicitações e a sua bênção. É muita honra para um pobre diabo como eu. Tudo isso encaminha o fim que está próximo. Na Congregação vão rezar por mim, é o melhor que podem fazer. Os conselheiros mandaram para todas as comunidades uma carta circular pedindo que todos façam deste dia 14 um dia de oração de acção de graças. Convidaram os padres a celebrar uma Missa em minha intenção, os outros farão a comunhão nesta intenção. Deo gratias! Preciso tanto da misericórdia de Deus!”

Em 1915
"Eis o 72º aniversário do meu nascimento. Como me impressiona esta data! Quantas faltas cometi!... Senhor, na vossa infinita misericórdia, apagai todas as minhas faltas e enchei-me de toda a vossa amizade." (1915-11/37)

Em 1917
"Entro hoje no meu 74º ano da minha vida, ‘longum aevi spatium’. Releio os salmos penitenciais. Eles exprimem bem os meus sentimentos. Não posso esquecer da acção de graças…" (1916-14/40)

Em 1923
"No dia 14 faço 80 anos. Recebo cartas de toda parte., cartas dos cardeais Gasparri e Laurent e do bispo de Soissons, até um bilhete do Papa. É muito mais do que mereço.
A minha carreira está no fim. Deixo muita coisa encaminhada. A coisa mais difícil será ter uma igreja em Roma, por causa da crise económica que assola o mundo. Entretanto, o Coração de Jesus vai dar um jeito como deu em Montemartre" (NQ XLIV, 73).

Por fim em 1925
"Eis que chego aos 82 anos. Graças à minha boa Mãe do Céu e aos santos Anjos escapei a tantos perigos e males. Obrigado, minha boa Mãezinha, meus Anjos!
O que é que eu fiz nestes 82 anos? Pouca coisa boa. Redobro a minha reparação, reafirmo o meu arrependimento e a minha confiança na misericórdia do Senhor!
Viajei um pouco nestes anos todos! Talvez até demais, muito embora sempre visasse o conhecimento geográfico, estético, histórico e a afirmação da minha fé…" (NQ XLV 44f.).

sexta-feira, 12 de março de 2010

O nosso valor


Ano C - IV Domingo Quaresma

Um orador começou a sua palestra segurando uma nota de Cinco Mil Escudos. Perguntou aos duzentos ouvintes:
- Quem gostaria de ter esta nota de Cinco Mil Escudos?
Claro que aquilo fazia jeito a qualquer pessoa de modo que todas as mãos se ergueram.
De seguida com as mãos amarrotou a nota e perguntou de novo:
- Quem quer ainda esta nota assim mal tratada?
As mesmas mãos continuaram levantadas.
Deixou cair a nota no chão e começou a pisá-la e a esfregá-la com a sola dos sapatos. Depois pegou nela, suja e amarfanhada, e fez a mesma pergunta:
- E agora? Ainda há alguém que queira esta nota?
Todas as mãos permaneceram erguidas.
- Meus amigos, não importa o que eu faça com esta nota, vocês vão querer na mesma, porque ela não perde o seu valor. Estimada ou mal tratada, ela continuará a valer Cinco Mil Escudos. Assim é a nossa vida. Muitas vezes somos amassados, pisados e ficamos imundos, por decisões que tomamos, por experiências que fazemos ou por situações que enfrentamos. E assim ficamos, à primeira vista, desvalorizados ou aniquilados. Quer estejamos sujos ou limpos, machucados ou inteiros, nada disso altera a importância que temos. O preço da nossa vida não vem do que fazemos, temos ou sabemos mas do que somos.

O Filho Pródigo continuou a ter o mesmo valor aos olhos do Pai.
Estas duas histórias têm a ver connosco.

O Filho Convertido


Ano C - IV Domingo Quaresma

A parábola do Filho Pródigo mostra, por um lado, a degradação de uma ilusão e, por outro, o processo de conversão de uma pessoa.
A primeira experiência deste jovem filho revela os três grandes pês com que o mundo tanto sonha e deseja: POSSE, PODER, PRAZER. Ele pensava que a felicidade estava na herança que exigiu, na liberdade que experimentou longe da família ou no prazer que o esgotou. No entanto, toda a felicidade baseada nestes três pês foi passageira demais e acabou num chiqueiro. A partir daí começou o seu processo de conversão em três fases correspondentes a três frases:
- “Caiu em si...”
- “Há pão em abundância na casa do meu pai...”
- “Vou ter com meu pai...”

Em primeiro lugar, cair em si e reflectir significa situar-se, olhar-se. É tomar consciência da realidade e tirar as máscaras. Reflectir é a qualidade do espelho em que as pessoas se vêem. Muitas vezes tentamos evitar esse olhar para dentro de nós mesmos, porque pode revelar-nos o que tentamos esconder. Mas este é o primeiro passo para a libertação. É preciso ter a coragem de tomar a vida nas mãos.
Mas isto não basta. Não adianta constatar apenas o problema. É preciso ter um motivo para sair da situação. O Filho Pródigo recordou-se de um grande motivo: na casa do pai havia tanto pão e carinho. Foi a certeza do amor do pai que o fez pensar no novo destino. Para sair dum buraco é preciso ter um ideal, um objectivo a alcançar: a casa do pai. A lembrança do amor paterno foi o que sobrou, quando tudo tinha acabado. Até lá, esse amor tinha estado apenas encoberto pelas ilusões, mas não apagado ou esquecido. O mal nunca é, nunca foi e nunca será maior que o bem. E o amor nunca é perdido. Mesmo que os outros venham a cair no erro, se o amor recebido foi verdadeiro, um dia irá prevalecer.
Esta certeza do amor levou o jovem filho ao terceiro e fundamental passo da sua conversão: “Vou partir, vou ter com meu pai...” Só quem toma a decisão de levantar-se, de olhar para a frente, consegue chegar novamente ao amor. Enquanto estava a olhar para baixo, para os erros, para os defeitos, não conseguiu avançar, mas quando resolveu levantar-se deu, o último passo de regresso. O problema não estava ainda resolvido, pois teria de fazer uma longa caminhada, mas, no momento em que decidiu voltar, de alguma forma, já estava com o pai.
E a reconciliação ficou consumada.
Os três pês (posse, poder, prazer) deram lugar aos três erres (reflectir, recordar e regressar). Isto chama-se conversão.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Povo de Deus / Deus do Povo

5ª Feira - III Semana Quaresma

Da 1ª Leitura – Livro de Jeremias:
- Escutai a minha voz, e Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo.

O Deus do Povo / O Povo de Deus
Critério para ser o Povo de Deus ou ser o Deus do Povo: escutar.

- Eu sou o Deus do Povo porque escuto a sua voz.
- Nós somos o povo de Deus porque escutamos a sua voz.
- Eu sou o Deus do Povo porque ele escuta a minha voz.
- Nós somos o Povo de Deus porque Ele escuta a nossa voz.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Bem perto de mim

4ª Feira - III Semana Quaresma

Da 1ª Leitura, Livro do Deuteronómio:
“Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos?”

Se na Antiga Aliança assim constatavam, mais motivo temos nós hoje para chegar à mesma conclusão: Deus está bem perto de nós através da sua Palavra, do sacramento da Eucaristia, do bem que fazemos, na pessoa dos nossos irmãos, na obra da sua criação.

Um peregrino, ao despedir-se do Santo Cura de Ars, disse-lhe:
- Sr. Cura, nunca vi a Deus assim tão perto.
- É verdade, respondeu o santo, Deus não está longe – e apontou para o tabernáculo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Setenta vezes sete

3ª Feira - III Semana Quaresma

- Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?
- Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.


Façamos as contas: 70 X 7 = 490.
24 – 8 = 16.
490 / 16 = 30,62
60 /30 = 2

Isto é: Devemos perdoar 490 vezes ao dia. O dia tem 24 horas. Dormimos cerca de 8 horas por dia, portanto ficam apenas 16 horas. Se dividirmos as 490 vezes por 16 horas dá 30,62 vezes por hora, o que equivale a perdoar de 2 em 2 minutos.

Perdoemos então 490 vezes, isto é, de 2 em 2 minutos.
Isto não é apenas uma opção, é um mandamento, é uma obrigação.

- Mas quem perdoa assim não vai cansar-se de tanto perdoar?
- Não. Quem pede perdão é que vai cansar-se de tanto pecar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Santos de Casa

2ª Feira - III Semana Quaresma
Do Evangelho de hoje:
Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
Ou
Santos de casa não fazem milagres
ou então
Ninguém é bom juíz em causa própria.

Não sei o que será melhor:
dizer - Que vamos ser profetas, fazer milagres, ser juízes, pois esta não é a nossa terra, nem a nossa causa, nem a nossa causa.
Ou dizer - Esta é a nossa terra, a nossa casa ou a nossa causa, então deixemos que Cristo seja o Profeta na nossa terra, que seja Ele a fazer os milagres na nossa casa e que seja o juíz da nossa causa.

Dia da Mulher

O Credo das Mulheres

Creio em vós, ó Deus,
porque criastes o mundo,
porque criastes a mulher e o homem à vossa imagem,
e aos dois entregastes o cuidado pela terra.

Creio em Jesus,
Filho escolhido de Deus,
que nasceu da mulher Maria,
que ouviu as mulheres e as amou,
que se hospedou em suas casas,
que discutiu o Reino com elas,
que foi seguido e servido por mulheres discípulas.

Creio em Jesus
que num poço discutiu teologia com uma mulher,
confiando-lhe, primeiro, a sua messianidade,
enviando-a, depois, a anunciar
a sua boa nova à cidade.

Creio em Jesus
que olhou para a gravidez e o nascimento com respeito,
vendo-os não como castigo
ou como um facto violento,
mas como uma metáfora de transformação
fazendo que da angústia renascesse a alegria.

Creio em Jesus
que se comparou a uma galinha
querendo reunir os pintainhos sob as suas asas.

Creio em Jesus
que apareceu primeiro a Maria Madalena
e a enviou com a explosiva mensagem:
Vai e diz…

Creio em Jesus,
único Salvador,
para quem não existe judeu ou grego,
escravo ou livre, homem ou mulher,
pois todos somos um, num só Senhor.
Amen.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Florir de novo


Ano C - III Domingo Quaresma

Recordo que num dia de inverno acompanhei o meu pai na recolha de lenha. O trabalho era árduo de modo que eu já meio impaciente sugeri-lhe que cortasse uma árvore que se apresentava sem folhas, com a casca áspera, parecia já seca, própria para ser queimada. Apenas ela daria lenha para toda a necessidade, sem mais trabalho nem preocupações.
O meu pai abanou negativamente a cabeça e prometeu-me:
- Daqui a dois meses viremos aqui ver esta árvore e então compreenderás melhor.
Na Primavera lá fomos outra vez os dois e qual o meu espanto: daquela árvore brotavam folhas verdes, como se tivesse ressuscitado.
- Eu pensava que ela estava morta mas afinal...
Então o meu pai concluiu:
- Filho, não esqueças esta lição. Nunca cortes uma árvore durante o inverno. Nunca tomes uma decisão drástica no tempo da adversidade ou enquanto estiveres no teu pior estado de ânimo. Espera. Sê paciente. A tormenta passará. Lembra-te que a primavera vai e volta sempre.
Hoje associo estas recomendações à palavra do evangelho: ‘Deixa ficar esta árvore ainda este ano. Talvez venha a dar frutos.’
É preciso mais gente para melhorar o mundo porque já há muitos para o criticarem, mais gente para acender velas porque já há gente demais para apagá-las.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Senhora da Conceição
























Fixo agora o meu olhar na imagem da Senhora da Conceição, resgatada dos escombros da Capela das Babosas, no Monte, vítima da recente aluvião: é de madeira pintada e está inteira, íntegra e bonita como sempre. Ela é de facto a Imaculada.
E fico a pensar: ela não desapareceu porque sabe que ainda precisamos dela. Ela está aí; tomemos conta dela porque ela quer continuar a tomar conta de nós.
Ó Senhora da Conceição, continua a tomar conta de nós… e fazei que nunca nos esqueçamos de tomar conta uns dos outros.

Origem da FOTO:
http://www.diocesedofunchal.pt

terça-feira, 2 de março de 2010

Crucifixo
























Fixo o meu olhar no crucifixo de prata recuperado nos escombros da Capela da Conceição nas Babosas, no Monte, vítima da recente intempérie - uma cruz retorcida, machucada, magoada, maltratada…
Contemplo essa cruz de Cristo ou o Cristo dessa Cruz.
Mas quer um quer outro mantêm o seu valor, a sua dignidade.
E nesta imagem revejo todos os homens e mulheres da nossa terra: podem estar maltratados, magoados, machucados ou retorcidos, mas mantêm sempre o seu valor, a sua dignidade.
Ó Cruz bendita, até mesmo quando estás arrasada continuas a me ensinar.

Fonte da FOTO:

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Escutar o Senhor


Ano C - II Domingo Quaresma

Alguns alunos mostraram curiosidade em saber o que é que os padres do Colégio faziam antes do horário das aulas e depois da hora de fechar. Eu lá fui explicando que os padres viviam ali, que trabalhavam e rezavam mais ou menos com este horário:
- Às 07H00 rezam Laudes ou a oração da manhã, seguida de missa e mais meia hora de meditação. Entretanto chegam os alunos. À tarde, pelas 19H00 rezam o Ofício de Leitura, o Terço e antes do jantar fazem meia hora de adoração eucarística com recitação de Vésperas. À noite, depois de preparem as aulas para o dia seguinte, ainda rezam as Completas...
Alguém mais perspicaz perguntou:
- Afinal, quanto tempo vocês rezam por dia?
- Fazendo bem as contas... mais de duas horas.
- Caramba, eu vou dois minutos à Capela e já nem sei o que dizer a Deus. O que é que vocês têm para Lhe dizer durante esse tempo todo?
Então respondi que, de facto, eu tinha muito pouco para lhe dizer mas que Deus tinha sempre muita coisa para me falar.
No Tabor Deus disse:
- Este é o meu Filho muito amado, escutai-o.
É por isso que o cristão não reza:
- Escuta Senhor que o teu servo quer falar mas fala Senhor que o teu servo escuta.
O tempo de quaresma é tempo de oração, tempo de escuta.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pai Nosso

3ª Feira - I Semana Quaresma

S. Cipriano, bispo e mártir (Séc III) sobre a oração dominical:

Fiéis aos ensinamentos do Salvador, ousamos rezar Pai Nosso…

Estes ensinamentos são:
- Fundamentos para edificar a esperança.
- Alicerces para consolidar a .
- Alimento para revigorar o coração.
- Leme para dirigir o caminho.
- Refúgio para garantir a salvação.
- Instruem os espíritos dóceis dos fiéis na terra.
- Conduzem-nos para o reino dos Céus.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Porta-voz

22 de Fevereiro
Festa da Cadeira de São Pedro, Apóstolo

Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».
Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».


Pedro é o porta-voz dos homens diante de Deus
E ao mesmo tempo o porta-voz de Deus diante dos homens…


E nós?
Quando rezamos somos os porta-vozes da humanidade diante de Deus, pois ao rezar estamos a reprentar toda a humanidade.
Somos também os porta-vozes de Deus diante dos homens quando partilhamos a Sua Palavra, quando reproduzimos gestos divinos...

Via-Sacra (7)

A Via-Sacra das Pedras
E as Pedras da Via-Sacra


1ª Estação - Jesus é condenado à morte
Pedra de arremesso
Um dia Jesus evitou que uma pecadora fosse apedrejada. No tribunal que o condenou, não evitou que essas pedras de arremesso caíssem sobre Ele.
Quantas vezes vivemos com duas pedras na mão, prontos para acusar inocentes. As nossas acusações são pedradas que atingem os outros.
Aprendamos com Jesus que veio não para condenar, mas para salvar… Que saibamos deixar cair as pedras que carregamos nas nossas mãos para que possamos dar as mãos uns aos outros.

2ª Estação - Jesus carrega a sua cruz
Pedra de toqueÀs vezes as pedras comuns tornam-se pedras de toque com uma capacidade e um significado especiais.
Antes de Jesus carregar a cruz, esta era um sinal de condenação, destruição e morte. A cruz de Jesus tornou-se uma pedra de toque, passou a significar redenção e sacramento de vida eterna.
Também nós somos convidados a olhar para as nossas mãos e fazer de tudo aquilo que carregamos autênticas pedras de toque para que possamos fazer transbordar de amor e de vida.

3ª Estação - Jesus cai pela primeira vez
Pedra de tropeço
No Caminho do Calvário Jesus tropeçou e caiu. Ao longo da sua peregrinação pela Palestina, quantas pedras se lhe atravessaram no caminho. Apesar disso Ele seguiu sempre o seu caminho. Também agora depois de tropeçar continuou a sua escalada pela via dolorosa.
O mesmo Jesus nos dá força para contornarmos as pedras de tropeço que se atravessam na nossa vida e continuarmos em frente.

4ª Estação - O Encontro de Jesus e Maria
Pedra de apoio
Jesus cruzou-se com a sua mãe no caminho do Calvário. No meio de tantas dificuldades, obstáculos e contratempos, esse encontro foi fonte de ânimo, força e alento. Maria, mãe de Jesus, foi sempre uma pedra de apoio solidário na missão do seu filho Jesus. Ela esteve sempre presente nos momentos mais importantes ou mais difíceis. No meio de tantas pedras dolorosas, Maria foi a pedra de apoio para Jesus.
Também nós podemos sentir o mesmo apoio no nosso caminhar, mas podemos também ser, tal como Maria, um apoio solidário para quem ao nosso lado mais precisa.

5ª Estação - Simão de Cirene ajuda Jesus a levar a cruz
Pedras de pontes
Na via-sacra das pedras podemos ver que nem todas são de tropeço ou de arremesso. Há também pedras que são lançadas não para ferir, mas para unir, para criar pontes. Simão de Cirene foi uma dessas pedras vivas que se transformou em ponte de ajuda solidária. Foi assim que Jesus foi ajudado a levar a sua cruz.
Ao encontrarmos tantas pedras no nosso caminho, saibamos pegar nessas pedras e construir pontes de união e de comunicação com os outros.

6ª Estação - Verónica limpa o rosto de Jesus
Pedra esculpidaJesus quis premiar a coragem de uma mulher que no meio de tantas pedradas enxugou-Lhe o rosto. E a face divina ficou estampada como expressão de gratidão. No meio de tantas dificuldades Jesus pensa nos outros e em quem pratica o bem.
Um dia Jesus escreveu na areia. Gravou em areia movediça talvez os pecados daquela que alguém queria apedrejar. Grava em areia efémera o mal, mas o bem quis gravá-lo para sempre em pedra duradoura como feliz memória pelo tempo fora.
Saibamos também escrever o mal de modo que possamos apagá-lo com facilidade. Que o bem seja esculpido de modo indelével na nossa vida.

7ª Estação - Jesus cai pela segunda vez
Pedra do caminho
No caminho do Calvário Jesus encontrou tantas pedras soltas, pedras que O impediam de progredir e que O fizeram cair outra vez. Não foram os grandes pedregulhos que O deitaram por terra, foram as pedras soltas da calçada.
Também na nossa vida o que mais nos atrapalha não são as grandes pedras que se atravessam na nossa vida. Atrapalham mais as pequenas pedras, ou grãos de areia que se alojam no nosso sapato. Saibamos limpar do nosso caminho as pequenas coisas, à primeira vista insignificantes, mas que nos tiram a paciência e travam o nosso progredir.

8ª Estação - As mulheres choram por Jesus
Pedras de construçãoUm grupo de mulheres de Jerusalém aproximou-se de Jesus e chorando procuraram consolá-Lo. Jesus falou-lhes para que não se esquecessem de consolar os seus filhos.
Todos fazemos parte da mesma construção. Somos pedras do mesmo edifício. Precisamos de todos. Sem a nossa colaboração haverá uma brecha no edifício que juntos edificamos.
Em qualquer construção há pedras vivas para consolar, outras para chorar, estas para sustentar, aquelas para enfeitar. Saibamos aproveitar todas as pedras na construção da nossa casa comum, como disse o poeta: “Pedras no caminho?! Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

9ª Estação - Jesus cai pela terceira vez
Caminho de pedras
O Caminho do Calvário era um caminho de pedras por onde passavam tantos transeuntes. Não admira que Jesus tenha escorregado e caído nas pedras lisas e gastas do caminho. Este foi o caminho de Jesus e é também o nosso próprio caminho.
Não há calvário sem pedras. Não há caminho sem pedras, nem vida sem cruz, nem cruz sem Cristo.
Saibamos caminhar por entre pedras, algumas escorregadias, outras pontiagudas, às vezes duras, outras vezes frias ou cortantes.

10ª Estação - Jesus é despido das suas vestes
Pedra de geloAo chegar ao alto do Calvário Jesus foi despido das suas vestes. O que mais lhe fazia doer não eram as pedras que lhe atiravam, mas o frio coração dos que o levavam. Era uma autêntica pedra de gelo. Os corações de pedra são pesados, frios, sem palpitação. Não eram apenas de pedra os corações dos que atiraram Jesus para a cruz, eram corações de gelo.
Também na nossa vida o que nos faz sofrer mais não é o frio da falta de roupa ou da neve lá fora, mas o frio do nosso coração, o gelo do nosso entusiasmo ou o baixo grau da nossa caridade.
Que o amor de Jesus nos ajude a derreter as pedras de gelo do nosso coração.

11ª Estação - Jesus é crucificado
Rocha de refúgioJesus ao ser crucificado, realiza as palavras da Escritura que diz: Sois a rocha do meu refúgio… Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor.
O nosso abrigo seguro é a Cruz de Cristo.
Jesus foi elevado na cruz e nós hoje podemos vê-lo elevado na mesma cruz nas torres das Igrejas, nos campanários das capelas, nos torreões dos conventos para nos lembrar que continua a ser a rocha firme do nosso refúgio.
“Firme no amor divino, como ilhéu no meio do mar” assim é Jesus pregado na cruz.

12ª Estação - Jesus morre na cruz
Pedras preciosas
Jesus morreu na cruz. Um dos soldados vendo-o já morto trespassa-lhe o lado com uma lança e do seu coração saíram sangue e água.
São essas as duas pedras preciosas que brotaram do alto Calvário. No meio de tanta pedra brotou a maior riqueza.
As duas pedras preciosas só poderiam surgir de um coração de ouro. Foi a herança que Jesus nos deixou:
A pedra preciosa do seu sangue redentor, simbolizado na Eucaristia e a outra pedra preciosa que é a comunidade eclesial ou a igreja simbolizada pelo batismo.
Zelemos por esta herança preciosa que Jesus nos legou.

13ª Estação - Jesus é descido da Cruz
Pedra para reclinar a cabeçaJesus disse que na sua peregrinação por esta terra nem tinha de seu uma pedra onde pudesse reclinar a cabeça. Encontrou esse apoio ao descer da cruz: reclinou a cabeça no ombro da sua mãe, a Senhora da Piedade.
Ao nascer, Maria sua mãe, foi a pedra segura em que repousou. Agora ao morrer voltou aos braços da sua mãe.
A exemplo de Maria, saibamos ser o ponto seguro de apoio, de repouso e de acolhimento. Com Maria poderemos dizer: O Espírito de Deus repousa em mim.

14ª Estação - Jesus é Sepultado
Pedra do túmulo
Perto do local onde Jesus morreu havia um sepulcro novo, escavado na rocha. Foi aí que sepultaram o corpo de Jesus. Jesus entrou de novo na rocha escavada. Nasceu numa gruta de Belém, numa rocha escavada. Deposto na rocha do túmulo, voltará a nascer no interior da terra.
Foi rolada a pedra do túmulo. Só a força de Cristo ressuscitado poderá derrubar as pedras ou os muros da morte.
Será o mesmo Cristo a abrir a pedra do túmulo de cada um de nós. Se com ele morrermos, com Ele ressuscitaremos.

15ª Estação - Jesus ressuscita
Pedra angularA antífona do dia da Ressurreição do Senhor lembra que e pedra que os construtores desprezaram tornou-se pedra angular…
Cristo é a verdadeira pedra com a qual podemos edificar com segurança a nossa vida.
Sem essa pedra angular é inútil levantar qualquer construção.
Saibamos então construir a nossa casa, não na facilidade sobre a areia, mas com coragem sobre a rocha firme.
Quer numa quer noutra circunstância havemos de contar sempre com chuvas, ventos e tempestades… mas se edificarmos sobre a pedra angular nada havemos de temer.


Mensagem final:
Uma Pedra para o caminho
- O caminhante tropeçou nela.
- O violento utilizou-a como projétil.
- O empreendedor construiu com ela.
- O camponês cansado utilizou-a como assento.
- A criança brincou com ela para fazer círculos no lago.
- David com ela matou o gigante Golias.
- Miguel Ângelo tirou dela a mais bela escultura.
- E Deus… Deus plantou nela uma cruz redentora.
- E eu… que farei das pedras que a vida me dá?

NB. Em todos estes casos, a diferença não está na pedra, mas na pessoa que a usou. Que não exista pedra no meu caminho que não possa aproveitar para o meu crescimento.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Vencer o deserto


Ano C - I Domingo Quaresma

Certa tarde o pai saiu para um passeio com as suas duas filhas. Depois de algum tempo, a miúda mais nova pediu ao pai que a carregasse pois já estava muito cansada. O pai cortou então um pequeno galho de árvore, entregou-o à filha dizendo:
- Eu também estou cansado mas aqui está um cavalinho para te ajudar. Ensina-lhe o caminho que ele levar-te-á depressa até casa.
A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho verde que foi difícil alcançá-la. Ficou tão encantada com o seu cavalo de pau que continuou a galopar toda a tarde pelo jardim.
A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai como entender o que se passou. O pai sorriu e respondeu:
- Assim é a vida, minha filha. Às vezes nós ficamos cansados, certos de que é impossível continuar. Mas encontramos então um cavalinho qualquer que nos dá ânimo outra vez e lá vamos nós...
Este cavalinho pode ser um conselho, uma palavra de amigo, um livro, um exemplo, um elogio, uma canção ou uma oração.
Para vencer o deserto Jesus socorreu-se da Palavra da Escritura, ultrapassando assim a tentação de desanimar.

Neste tempo da Quaresma temos um deserto a ultrapassar.
Que espécie de cavalinho precisamos mais de deitar a mão para nos levar até onde podemos ou queremos ir?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Jejum é higiene espiritual

6ª Feira após Cinzas

- Por que motivo nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?
Jesus respondeu-lhes:
- Podem os companheiros do esposo ficar de luto, enquanto o esposo estiver com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado e nessa altura hão-de jejuar.


Para Jesus, o jejum só tinha sentido se servisse para uma verdadeira higiene espiritual.
A Sua presença no meio dos discípulos já era suficiente para que eles pudessem viver a alegria plena.

O jejum tem assim uma função de purificação.
Quem tem Jesus por companhia não precisa de se purificar, portanto, não precisa fazer jejum.
Quem perde a companhia de Jesus precisa sim de jejuar, isto é, precisa de se purificar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tomar a cruz













5ª Feira após Cinzas

"Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me."

Actividade:

A - Recortar as figuras abaixo apresentadas.

B - Fazer uma cruz como a de acima apresentada, com as 6 peças, de modo que:

1. Cada braço da cruz seja do mesmo tamanho, tanto na horizontal como na vertical.

2. Todas as peças sejam utilizadas, sem desprezo de nenhuma.

3. Que a cruz não tenha espaços vazios ou ocos.

4. Que não haja esquinas ponteagudas, mas apenas ângulos rectos.

5. Que a cruz seja um sinal mais (+) isto é, um sinal positivo.

6. Que não jaha sobreposição de nenhuma peça sobre outra.

7. As peças são em número necessário e suficiente. Não estão a faltar peças nenhumas.

NB. É indiferente voltar as costas de qualquer peça!

Assim é a nossa cruz ou a nossa maneira de servir ou de seguir a Jesus:
- de braços iguais para Deus e para os irmãos.
- Sem desprezo de ninguém.
- Sem vazios.
- Sem espinhos para os outros.
- Sempre optimista e positiva.
- Sem passar por cima de ninguém.
- Valorizando tudo o que recebemos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Início da Quaresma

4ª Feira de Cinzas

Jejum, Oração, Caridade

Como comentário ao Evangelho de hoje fui procurar no Oficio de Leitura da Terça-feira da III Semana da Quaresma: Dos Sermões de S. Pedro Crisólogo, Séc IV (Sermo 43: PL 52, 320,332)

"Há 3 coisas pelas quais se confirma a fé, se fortalece a devoção e se mantém a virtude:
- A oração
- O jejum
- A misericórdia.
O que pede a oração, alcança-o o jejum e recebe-o a misericórdia.
Oração, jejum e misericórdia: 3 coisas que são uma só e se vivificam mutuamente.
O jejum é a alma da oração, e a misericórdia é a vida do jejum. Ninguém tente dividi-las, porque são inseparáveis. Quem pratica apenas uma das três, ou não as pratica todas simultaneamente, na realidade não pratica nenhuma delas, Portanto, quem ora, jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede, pois aquele que não fecha os seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.
Quem jejua, entenda bem o que é o jejum: seja sensível à fome dos outros, se quer que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso, se espera alcançar misericórdia; compadeça-se, se pede compaixão; dê generosamente, se pretende receber. Muito mal suplica quem nega aos outros o que pede para si…
Façamos, portanto destas 3 virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única operação sob três formas distintas.
Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura…
Mas para que esta oferta seja aceite a Deus, deve acompanhá-la a misericórdia; o jejum não dá fruto se não for regado pela misericórdia; seca o jejum se secar a misericórdia.
Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se sejua a sua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros.
Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não possuirás."


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ser Padre

Ser Padre!
Trazer os olhos cheios de ternura,
De noite e dia, prontos a chorar,
Como duas cisternas de água pura,
Por sobre a vida, esse deserto em brasa
Que tanta vez não tem a sombra de uma asa
Nem um beijo do céu num raio de luar!

Ser Padre!
Dar os braços aos braços sucumbidos
E erguê-los como se erguem as ogivas;
Pô-los a defender os perseguidos
E a consolar a dor das mãos cativas.

Ser Padre!
Encontrar um mendigo de pés nus,
E, sem jamais lhe perguntar o nome,
Matar-lhe a sede e a fome,
Dar-lhe sandálias, encostá-lo ao peito
E adormecê-lo entre lençóis de linho,
Como se fosse o corpo de Jesus
Que, todo em suor e exausto do caminho,
Nos viesse pedir o próprio leito!

Ser Padre!
Passar na rua e ser escarnecido,
Ser cuspido na face e continuar,
Como se nada houvera acontecido!

Ser Padre!
É ser na terra apenas isto,
Isto que é tudo, à luz dos claros céus:
A presença de Cristo
E a projecção de Deus!


(Monsenhor Moreira das Neves)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Máscaras do Carnaval


MÁSCARAS INFORMÁTICAS

É uma brincadeira de Carnaval, mas há dias sentei-me à mesa para escrever algo no computador. Fiquei em silêncio a olhar para o monitor vazio à espera de inspiração para começar o meu texto. Eis que o ecrã virou espelho e vi aí reflectida a minha imagem. Reconheci-me com várias máscaras. Fui identificando em cada máscara um tipo de homem:

Homem servidor – está sempre ocupado quando se precisa dele.
Homem Windows – toda a gente se queixa dele, mas ninguém vive sem ele.
Homem Excel – dizem que faz muitas coisas, mas só é utilizado para as quatro operações básicas.
Homem Word – tem sempre uma surpresa reservada para os outros, mas não existe ninguém que o compreenda totalmente.
Homem MS-DOS – Todos o pretenderam um dia, mas ninguém o quer agora.
Homem Backup – crê-se que tem o suficiente, mas na gora da verdade falta-lhe algo.
Homem Scandisk – sabemos que é bom e que só quer ajudar, mas no fundo ninguém sabe realmente o que está a fazer.
Homem Screensaver – não tem grande utilidade, mas pode distrair.
Homem ROM – o que faz da sua palavra lei inalterável.
Homem RAM – aquele que se esquece de tudo logo que é desconectado.
Homem Harddisk – lembra-se de tudo em todo o tempo.
Homem Mouse – funciona quando é arrastado sem tropeços.
Homem Multimedia – faz com que tudo pareça bonito.
Homem Utilizador – não faz nada bem, mas exige mais do que oferece.
Homem Processador – por fora parece que tem tudo, mas por dentro é uma ninharia.
Homem Monitor – Faz ver a vida com outras cores.
Homem Leitor CD – cada vez mais rápido, cuidado!
Homem E-mail – Em cada dez coisas que informa, oito são banalidades.
Homem Microsoft – quer dominar procurando convencer que é o melhor. Sem que se perceba afirma-se, pouco a pouco, como o único na vida. Chegará o dia em que até para ir aos balneários se terá de lhe pedir licença.
Homem Virus – também conhecido como molestador, quando menos se espera, instala-se e apropria-se de tudo. Se alguém o tenta desinstalar, vai perder algumas coisas e se o não fizer perderá tudo.

E o Homem Blog?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ser Feliz Aqui


Ano C - VI Domingo Comum


Desiludido pela vida, um beduíno isolou-se no deserto. Depois de muito andar entrou numa gruta tão enigmática como a sua vida. Olhando as paredes nuas e frias, seguiu um rasto de luz.
- Entra, meu irmão – encorajou-o uma voz benévola.
Na penumbra viu então um eremita em oração.
- Tu vives aqui? – perguntou surpreso – Como consegues resistir sem conforto e longe de todos? Como podes ser feliz aqui?
O eremita sorriu:
- Eu vivo pobre mas tenho um grande tesouro. Olha para cima – E apontou para uma pequena abertura no tecto da gruta – Que vês?
- Não vejo nada.
- De certeza que não descobres nada?
- Só um pedaço do céu...
- Só um pedaço de céu?! E não te parece que é um tesouro maravilhoso?
Jesus Cristo apresenta-nos hoje uma proposta de felicidade. Muitas vezes a nossa felicidade parece um projecto adiado: Só seremos felizes quando tivermos isto, quando fizermos aquilo, quando chegarmos ali... Depois ficamos frustrados porque a felicidade continua mais à frente, qual alvo móvel.
A felicidade é um caminho. Aproveite todos os momentos que tem, eles são um cantinho do céu. Não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo, com ou sem lágrimas. A felicidade é uma viagem, não um destino.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

As Bem-aventuranças


Ano C - VI Domingo Comum

AUTO-RETRATO DE JESUS

O texto das Bem-aventuranças é uma pregação típica de Jesus. Ele declara felizes aqueles que vivem segundo a lógica divina. Não é um sermão qualquer, mas a sistematização daquilo que os ouvintes podiam observar na figura do mestre pregador. O verdadeiro sermão estava patente na figura e no estilo da sua vida. Jesus pregava o que vivia e vivia aquilo que pregava. Assim sendo, as Bem-aventuranças ou “felizes” é um autêntico auto-retrato de Jesus. Nos domingos anteriores o evangelho tem apresentado alguns aspectos de Jesus como profeta, mestre, Messias. Agora é a altura de apresentá-lo na sua integridade de vida, na fidelidade de uma câmara fotográfica.
Cada alínea é um traço característico da sua figura. Cada frase é um aspecto da sua personalidade. O que é que nós vemos neste auto-retrato?
Em primeiro lugar vemos uma pessoa feliz. Essa felicidade está para além do bem-estar físico, do ambiente circundante ou do simples prazer. É realmente feliz apesar de pobre, faminto, maltratado e perseguido. Estas circunstâncias não afectam a sua felicidade interior.
Vemos também, neste retrato, alguém de olhos postos nos outros. Jesus ergue os olhos para os seus discípulos. Não os olha com superioridade, mas valoriza e eleva todos aqueles para quem olha. Para além disso é alguém que fala de olhos abertos, isto é, com toda a atenção e envolvimento pessoal.
E podemos completar este auto-retrato com a transparência das suas lágrimas e moções, com o sorriso dos seus lábios, a serenidade de um injustamente perseguido…
O verdadeiro sermão das Bem-aventuranças é o próprio Jesus Cristo.
Felizes seremos quando formos como Ele. Até lá precisamos de dar a volta à nossa vida.
De facto logo após às quatro bem-aventuranças Jesus apresenta quatro “maldições” ou “ai de vós…”. Afinal nós somos uma espécie de medalha que tem frente e verso. Há uma proposta de felicidade, mas também o seu oposto. Perguntamos: De que lado nos colocamos? Somos uma peça valiosa. É preciso dar a cara e mostrar o que valemos, tal como Jesus o fez.



sábado, 6 de fevereiro de 2010

Mais Além

Ano C - V Domingo Comum

Naquele tempo Jesus subiu para o barco de Simão Pedro e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra e, do barco, começou a ensinar a multidão. Depois disse a Simão:
- Faz-te ao largo.
A vida ou a vocação de um homem é como um rio que se faz ao mar. Ao nascer é débil, dá uns trambolhões, passa por lugares estreitos e escuros mas pouco a pouco vai-se acalmando e encontra seu lugar próprio, torna-se meio de comunicação, por onde passa faz surgir esperança, partilha o que é mas nunca se esgota.
Diz-se que, mesmo ao entrar no oceano, o rio treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, os vales, o caminho caprichoso pela planície e vê à sua frente um oceano, tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Tem de ir em frente. O rio precisa de arriscar e entrar no oceano. E somente quando entra no oceano é que o medo desaparece. Porque só então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Será apenas um renascimento.
Assim somos nós. Voltar atrás é impossível. Temos que ir em frente, arriscar e navegar mais além.
Faz-te ao largo tu também.
Coragem, torna-te oceano.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Já não acredito


Já não há fé como antigamente

Ao chegar à Serra de Água hesitei em deixar o guarda-chuva no carro:
- Não sei se levo ou não o guarda-chuva – disse eu a quem passava a caminho da igreja.
- Credo, Senhor Padre. Se fosse ontem, ainda compreendia a sua dúvida, mas hoje, com um tempo destes, nem pensar…
- É que eu já não acredito no tempo.
- Bendito seja Deus – exclamou a devota – Hoje em dia até os Padres já não acreditam…
- Não. Nos dias de hoje nem o próprio tempo é credível.
E fui entrando na igreja a pensar quem de nós teria razão:
Se todos já não acreditam como outrora, até mesmo os padres, ou se todas as coisas já não são de confiança. Não sei onde estará o mal: se nas pessoas ou se nas coisas. Desisti de culpabilizar nada e ninguém… apenas recordei-me de que um dia Jesus também se admirou da falta de fé daquela gente. Aquela velhinha da Serra de Água não fez outra coisa.
Ao lembrar-me deste episódio, acrescento simplesmente:
- Hoje em dia já não acredito no tempo… Só quero acreditar na eternidade.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Criancices (45)

No final da aula uns alunos, junto à porta, desafiavam entre si qual teria a vantagem de sair primeiro. Tive de intervir:
- Então vocês não sabem que quem sai por último é mais importante? Na minha terra diz-se que primeiro sai o lixo e só depois vem a vassoura.
A reacção foi imediata: Ninguém quis sair em primeiro lugar.
Para resolver o impasse abri a porta e saí com descontracção enquanto os miúdos murmuravam:
- Lixo! Lixo!
Virei-me para trás e com calma acrescentei:
- Na minha terra diz-se isso, mas nas aulas de História diz-se melhor: primeiro vem o Clero, depois a Nobreza e só depois o Povo. Então venha o povo atrás do clero...
Ainda ouvi alguém lamentar-se
- E quem se lixa é sempre o povo...

Vida de Capelão (45)

Estava eu a almoçar com alguns militares e o tema da conversa era a qualidade da comida.
Um dizia que o almoço nem era bom nem mau, era uma merda.
Outro acrescentava que nunca comera merda como aquela.
O terceiro, também desgostoso, passou-me a palavra:
- Ó Capelão, o que diz a esta merda?
- Só sei que ainda agora começámos a comer e vocês não param de arrotar...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Dez Prioridades dos Presbíteros

As prioridades dos Presbíteros, segundo Mons K. Hemmerle, Bispo de Aix-la-Chapelle e M Breuning, Bispo de Bonn, são as seguintes:

1. O meu modo de viver como presbítero é mais importante do que tudo aquilo que possa fazer como presbítero.

2. O que Cristo faz em mim é mais importante que tudo o que possa eu fazer por mim mesmo.

3. Viver a unidade no presbitério é mais importante do que deixar-me absorver pelo meu trabalho em solidão.

4. O serviço da oração e da Palavra é mais importante do que o serviço das mesas.

5. Acompanhar espiritualmente os colaboradores é mais importante do que fazer por si mesmo e sozinho o máximo de trabalho possível.

6. Brilhar e estar totalmente presente em poucos lugares é mais importante do que querer estar à pressa e mal em todas as partes.

7. Agir em unidade é mais importante do que agir isoladamente mesmo que seja de maneira perfeita; a colaboração é mais importante do que o trabalho solitário.

8. A comunhão é mais importante do que a acção.

9. A cruz, já que é mais fecunda, é mais importante do que a eficácia.

10. A visão aberta do conjunto (de toda a comunidade, da diocese, da igreja universal) é mais importante do que a atenção aos interesses particulares.