quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Há 50 Anos

Na mensagem para o Dia Mundial das Missões de 2009, o Papa Bento XVI refere:
“4. Chamados a evangelizar também por meio do martírio
Neste dia dedicado às missões, recordo na oração aqueles que fozeram de suas vidas uma exclusiva consagração ao trabalho de evangelização. Menciono em particular as Igrejas locais, os missionários e missionárias que testemunham e propagam o Reino de Deus em situações de perseguição, com formas de opressão que vão desde a discriminação social até à prisão, à tortura e à morte. Não são poucos aqueles que nos últimos anos morreram por causa do seu Nome… Foi-lhes reservado o mesmo destino do seu Mestre”.

Recordamos juntamente com o Santo Padre os missionários dehonianos franceses martirizados nos Camarões:

TRÊS MISSIONÁRIOS DEHONIANOS
MARTIRIZADOS NOS CAMARÕES
HÁ 50 ANOS

- A 30 de Agosto de 1959 o P. André Musslin foi morto na sua missão, tinha 43 anos. Era natural de Riedisheim, na Alsásia, e estava nos Camarões desde 1951 como missionário.

- A 29 de Novembro, a missão de Banka-Banfang foi tomada de assalto. No dia 30 o P. Gilles Laurent Héberlé foi primeiro atingido por uma bala, depois decapitado. Na parede da sala onde foi assassinado, na sua missão de Bafang, pode-se ver ainda hoje os traços do sangue da sua ferida mortal. O Pe. Gilles Laurent Hérberlé tinha nascido a 11 de Novembro de 1907, em Albé, na Alsácia. Fez a Profissão Religiosa como SCJ a 22 de Setembro de 1926. Foi ordenado sacerdote a 10 de Julho de 1932 em Lille. Morreu martirizado a 30 de Novembro de 1959 na Missão de Bafang nos Camarões onde era missionário há mais de 25 anos.

- O P. Valentin Sarron, de 39 anos, nascido a 23 de Julho, ainda conseguiu escapar, mas depois foi apanhado e decapitado também no dia 30 de Novembro. Juntamente com eles morreram um padre e um catequista naturais dos Camarões.













































terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sem Vergonha

3ª Feira - XXVIII Semana Comum

São Paulo escreve aos Romanos:
"Não me envergonho do Evangelho..."

De facto nem Paulo nem nenhum de nós pode envergonhar-se de Deus.
Deus nunca nos envergonha, Tudo o que faz é motivo de orgulho e de alegria para nós.

Eu não me envergonho de Deus, não há perigo disso.
Quero é que Deus nunca se envergonhe de mim...
Que eu nada faa para que Deus tenha vergonha de mim, da criatura que sonhou e criou.

O Pe. Dehon e o Rosário


No Directório Espiritual, ao abordar os exercícios de Piedade, o Pe. Dehon recomenda a oração do Rosário e a devoção a Maria a todos os seus confrades:

“O Rosário e a devoção a Maria

O nosso Directório não pode omitir esta bela devoção, a que, aliás, nos é mais querida a seguir à devoção ao Coração de Jesus.
A reza do terço é de regra para nós. Muitos gostam de rezar todos os dias o rosário completo.
Honramos de modo particular a Santíssima Virgem sob alguns dos seus mais belos títulos: a Virgem Imaculada, Nossa Senhora de Lourdes, a Virgem Mãe, Nossa Senhora do Sagrado Coração.
Celebramos com alegria e devoção o mês de Maria e o mês do Santo Rosário. Consagramos o mês de Agosto ao Coração de Maria.
A Santíssima Virgem está unida ao Salvador em todos os mistérios da vida oculta em Belém e Nazaré, e no mistério da Paixão no Calvário.
A devoção a Maria, tal como a ensina o Beato Grignon de Monfort, é-nos muito querida, Encontraremos a forma de a praticar no livro do Pe. Andre: L’Anné avec Maria.”
(Leão Dehon, Directoire Spirituel des Prêtres duSacré-Coeur de Jésus, Lovaina, 1919).

“O rosário é o livro dos que não sabem ler.” (ACJ 2, Pág. 309)

“O rosário é uma maravilhosa escola de santificação.” (ACJ 2, Pág. 309)

“O rosário resume toda a pregação do Evangelho.” (ACJ 2, Pág. 310)

Mas atenção:
“Uma cruz vale 500 rosários.” (Carta ao Pe. Paris, 15/05/1913, Inv. 300.03, AD: B20/7)

O Pe. Dehon não só ensinava com a palavra escrita ou anunciada, mas também através do exemplo:
“Tenho o costume de, durante as viagens, recitar com frequência o terço do rosário...”

O seu terço do Rosário estava gasto de tanto uso: o seu exemplo e os seus ensinamentos continuam actuais.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Maior que Salomão

2ª Feira - XXVIII Semna Comum

Do Evangelho do dia:

Aqui está quem é maior que Salomão:

A) - Não é difícil ser maior que Salomão: Olhai os lírios do campo: não trabalham nem fiam! Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles…
Aqui está quem é mais que Salomão, quem é livre, simples, mas importante aos olhos de Deus.
B) - Aqui está quem é mais importante que Salomão, famoso pela sua Sabedoria, mas Cristo é o Mestre é a Fonte de Sabedoria.
C) - Aqui está quem é mais que Salomão, pois ele era PAZ só de nome (Salomão vem de Shalom ou paz) e Jesus é o Príncipe da Paz, é a incarnação ou a personificação da PAZ.

Por tudo isto Jesus é maior do que Salomão!
E qualquer um de nós pode ser também maior que Salomão:
basta ser simples como os lírios,
basta beber da fonte dasabedoria que é Deus,
basta ser pacífifico ao jeito de Jesus Cristo.

sábado, 10 de outubro de 2009

Pe. Dehon e a Ilha da Madeira

1. O Pe. Dehon conhece o Bordado Madeira
O Pe. Dehon ao visitar a cidade de Recife no Brasil em Setembro de 1906 espreitando para o interior de algumas casas observa:
“Frequentemente vê-se as mulheres ocupadas na confecção de bordados ou rendas. Esta produção veio-lhes da Madeira”[1].

2. O Pe. Dehon conhece o espírito dos Madeirenses
Existem ainda outras duas referências à Madeira, também no mesmo livro[2], realçando o carácter dos lusitanos das Ilhas (Madeira, Açores e Cabo Verde) como pequenas Lusitânias perdidas no Atlântico e cuja população tem maior capacidade de adaptação às regiões quentes.

3. Os madeirenses conhecem o Pe. Dehon
A presença de um livro do Pe. Dehon na Biblioteca de um sacerdote madeirense do princípio do século XX é um testemunho elucidativo de como o Fundador e a sua obra é um património universal. A sua presença chegou a Portugal, e mais surpreendentemente à Ilha da Madeira, mesmo antes dos seus herdeiros a terem trazido. O “Manuel Social Chrétien” era conhecido na Madeira e, tudo leva a crer, usado no Seminário Maior. Prova disso é o facto de o Pe. Fernando Ribeiro, SCJ, ter encontrado na Ponta do Pargo (Madeira), na biblioteca de um sacerdote madeirense primo de sua mãe, um exemplar da 5ª edição francesa, cheia de anotações a lápis.

4. Gesto de gratidão
A Sra. Maria da Conceição, pertenceu, tal como grande parte da sua família, ao Grupo Missionário que se reunia na sua Paróquia das Eiras (Caniço, Ilha da Madeira), animado pelos Dehonianos do Colégio Missionário. Ouviu falar muito do Pe. Dehon que identificava como o Padre da França.
Emigrou sazonalmente para a Inglaterra e mais tarde para a França. Daí só conhecia uma personagem – o Pe. Dehon – e o espírito missionário veio ao de cima. Começou a namorar com um Português, também emigrante. Casaram, mas o filho esperado tardava. A sua devoção fê-la recorrer à intercessão do Pe. Dehon, não estivesse ela no seu país natal.
No Verão de 1987 nasceu um rapaz a quem, por gratidão, pôs o nome de Dehon José. Nem imaginava que este não era nome, mas apelido. O seu registo foi aprovado, de nacionalidade Portuguesa, mas natural da França. Ainda criança, o Dehon José, regressou definitivamente a Portugal.
Ainda hoje a Sra. Maria da Conceição recorre nas suas aflições ao Padre da França, de quem o filho herdou o nome, para sossegar o seu coração de mãe. É que o Dehon José é um jovem do nosso tempo, exposto às mais variadas solicitações e a protecção do seu Patrono tem de ser grande.

[1] Leon Dehon, Mille lieues dans l’Amerique du Sud: Brésil, Uruguay, Argentine, (1909), Pág. 70.
[2] Ibidem, Pág. 235-237

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Encontro

Ano B - XXVIII Domingo Comum

O JOVEM RICO

1. “Jesus ia pôr-se a caminho.”
Ele está sempre no encalço do Homem.
Mais cedo ou mais tarde cruzam-se nos caminhos da vida.
Não há lugares exclusivos para encontrar este Deus.
Jesus está sempre a caminho para que possamos fazer caminho com Ele.

2. “Um homem aproximou-se correndo...”
É toda a humanidade que tenta aproximar-se de Deus.
Isto só acontece porque Deus está próximo.
Mesmo na azáfama da vida, na correria do quotidiano, é possível procurar e encontrar Deus. Muitas vezes o homem procura sem encontrar até que encontra sem O procurar.
Somos famintos de Deus, temos pressa ou urgência de estar com Ele.

3. “E ajoelhou-se diante d’Ele.”
Diante de Deus é esta a atitude mais adequada.
Não basta ficar deliciado com as Suas palavras ou maravilhado com as Suas obras.
É preciso ajoelhar-se, isto é, aceitar a própria pequenez com humildade e devoção,
predispondo-se a acolhê-l’O.

4. “E perguntou-lhe...”
Nós fomos feitos para o diálogo com os outros e também com o Outro que é Deus.
A proximidade de Deus faz com que nos questionemos.
É através do diálogo que nos equacionamos frente à vida, ao homem e a Deus.
Ninguém pode ficar calado diante de Deus.

5. “ Vai e vende... Vem e segue-me.”
Não basta conhecer os mandamentos, é preciso construir, esquecer-se de si mesmo e partir para outra margem.
Só assim podemos aderir a Cristo, seguindo-O pelos caminhos desta vida onde Ele quer caminhar connosco.


Saber os Mandamentos

Ano B - XXVIII Domingo Comum

SABER A LEI DE DEUS

Um grupo de jovens estava a reflectir sobre o diálogo de Jesus com o jovem rico. Nas conclusões alguém referiu, maliciosamente, que Jesus não sabia os mandamentos da Lei de Deus.
Fiquei surpreendido e pedi explicações.
É que Jesus pergunta ao jovem se sabia os mandamentos para alcançar a vida eterna, e enumera-os mas de maneira incompleta. Faltam os três primeiros, que dizem respeito a Deus, inclusivamente o primeiro de todos que é o amor a Deus.
Todos os outros jovens esforçaram-se para justificar esta aparente omissão de Jesus.
- Para Jesus basta a observância da segunda parte do decálogo, a que fala dos deveres em relação ao homem, para receber em herança a vida eterna. Com efeito, a única forma de mostrar o próprio amor a Deus é aceitar o seu projecto de amor para com toda a humanidade.
- O jovem rico já estava a mostrar que observava os mandamentos em relação a Deus e por isso Jesus pergunta-lhe apenas sobre os outros. De facto chama-o de Bom Mestre. Jesus responde que ninguém é bom senão Deus. Ora, se o jovem lhe chama bom, está a declarar que Jesus é Deus e que acredita nele.
E nós? Sabemos os mandamentos? Quais deles deixaria Jesus de perguntar por ver já realizados?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pedra ou Pão

5ª Feira - XXVII Semana Comum

Lc 11, 11-12

Posso uma vez por outra confundir
serpente com peixe, pedra com pão
ou mesmo um ovo com escorpião
e Deus com certeza ficará a rir:

- Repara bem, meu filho, sou teu Pai
não te dou nenhuma pedra ou serpente.
Repara que tudo é diferente.
Não é pedra mas pão que aí vai.

Relembro-me então daquela desgraça,
dificuldades por que já passei.
Custaram-me a suportar, bem sei,

mas foram acima de tudo graça:
Porque assim elas me alimentaram
e p’ra dura vida me prepararam.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Em tempo de eleições

A Palavra do Pe. António Vieira
(Sermão da Primeira Dominga do Advento pregado na Capela Real, no ano de 1650)


Se o que elegestes furta (não o ponhamos em condicional, porque claro está que há-de furtar) furta o que elegestes, e furta por si e por todos os seus, como costumam os semelhantes; e Deus há-vos de pedir a conta a vós, porque o vosso voto foi causa de todos aqueles roubos.

Prove o que elegestes os ofícios de paz e guerra, nos que têm mais que peitar, deixando os que merecem e os que serviram; e vós haveis de dar a conta a Deus; porque o vosso voto foi causa de todas aquelas injustiças.

Oprime o que elegestes os pobres choram as viúvas, padecem os órfãos, clamam os inocentes; e Deus vos há-de condenar a vós, porque o vosso voto foi causa de todas aquelas opressões, de todas aquelas tiranias.

Matam-se os homens no governo dos que elegestes, arruínam-se as casas, desonram-se as famílias, vive-se como em Turquia; e vós o haveis de ir pagar ao Inferno, porque o vosso voto foi causa de todos aqueles homicídios, de todas aquelas afrontas, de todos aqueles escândalos.

Quebram-se as imunidades da Igreja, maltratam-se os ministros do Evangelho, impedem-se as conversões da Gentilidade para a propagação da Fé; e vós haveis de penar por isso eternamente, porque o vosso voto foi causa de todos aqueles sacrilégios, de todas aquelas impiedades e da perda irreparável de tantos milhares de almas.

Estas são as consequências da parte do indigno que elegestes.

E da parte dos beneméritos que deixastes de fora, quais serão?

Ficarem os mesmos beneméritos sem o prémio devido a seus serviços; ficarem seus filhos e netos sem remédio e sem honra, depois de seus pais e avós lho terem ganhado com o sangue, porque vós lha tirastes; ficar a república mal servida, os bons escandalizados, os príncipes murmurados, o governo odiado, o mesmo conselho em que assistis ou presidis, infamado, o merecimento sem esperança, o prémio sem justiça, o descontentamento com culpa, Deus ofendido, o Rei enganado, a Pátria destruída. São pesadas e pesadíssimas consequências estas? Pois todas elas nascem daquele voto ou daquela eleição de que vós porventura ficastes sem escrúpulo e de que recebestes as graças (e talvez a propina) com muita alegria. Dir-me-eis que não advertistes tais coisas. Boa escusa para um conselheiro sábio!
Se o não advertistes, pecastes, porque o devêreis advertir.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Amália Rodrigues

Recordo artigo partilhado por mim e publicado no Diário de Notícias há 10 anos

O Fado de Amália

Amália Rodrigues morreu na véspera da Festa de Nossa Senhora do Rosário. Esta coincidência traz-me ao pensamento uma pequena lição de Amália, registada nos arquivos do Diário de Notícias de Maio de 1954. Já nessa altura a fadista cantava com o seu jeito bem característico, a cabeça deitada para trás, os olhos cerrados, os dedos das mãos enlaçando-se e desenlaçando-se nervosamente… e todos ficavam suspensos da espantosa voz e da magnífica interpretação.
Um dos seus fados, “Há festa na Mouraria”, com versos de Gabriel Oliveira e música de Alfredo Marceneiro, evoca o humilde fervor religioso da procissão anual da Senhora da Saúde, desfilando através das ruas da velha Mouraria. Certa vez ao cantá-lo, passou-se qualquer coisa de extraordinário na interpretação de Amália. Ao cantar a sextilha:
“Após um breve rumor
Um fundo silêncio pesa
Por sobre o largo da Guia…
Passa a Virgem no andor…
Tudo se ajoelha e reza
Até a Rosa Maria…”
a artista detivera-se longamente após a palavra “Virgem. Não era esse o ritmo da música, nem a letra, pela sua contexto ou pela sua pontuação, recomendava a paragem. E no entanto foi precisamente nesse profundo silêncio, nesse apagar-se súbito da voz que se sentiu o mais alto momento da beleza da interpretação.
Quando, passados minutos, perguntaram a Amália, o que a levara a fazer aquela pausa, ela olhou interlocutor sorrindo, uma luzinha de espanto nos seus olhos escuros, e respondeu simplesmente, com admiração de que o seu amigo não tivesse encontrado sozinho a explicação:
- Mas, meu Deus… quando a Virgem passa, tudo o mais desaparece.
Só a voz, o sentir e a simplicidade de uma cantora como Amália é capaz de despertar esta emoção espiritual.
Que a Virgem Maternal, despida de ostentações, emocionante e piedosa, retratada pelo fado de Amália, seja bálsamo de consolação e de paz para a sua alma.

David Quintal, 09/10/1999

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Bom Samaritano

2ª Feira - XXVII Semana Tempo Comum

A Parábola do Bom Samaritana na interpretação de Orígenes (Século III):

O Homem que descia … = Adão
Jerusalém = O Paraíso
Jericó = O mundo
Os Salteadores = As forças do Maligno
O Sacerdote = a Lei
O Levita = Os Profetas
O Samaritano – Cristo
As Feridas = A Desobediência
O Azeite e o Vinho = O Sangue de Cristo
A Montada = O Corpo de Cristo
A Estalagem = A Igreja
O Estalajadeiro = Os Ministros de Cristo
A Promessa de voltar = O Segundo Advento
Vai e Faz o mesmo = Experimenta tu também !

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Os anjos estão onde

2 de Outubro - Memória dos Santos Anjos da Guarda

Aprendi na catequese que os Anjos são criaturas que estão na presença de Deus para O servir e glorificar.

Hoje a memória litúrgica lembra-nos que os Anjos estão ao nosso lado, são anjos da Guarda.

Afinal onde estão os Anjos? No céu junto de Deus ou na Terra junto a nós?
As duas coisas.
Estão onde está Deus e estão onde nos encontramos nós.
Estão no céu pois Deus está lá e nós estamos no coração de Deus.
Estão cá na terra pois´nós cá estamos e Deus deve estar no nosso coração.

Um só Coração

Ano B - XXVII Domingo Tempo Comum

O trecho do Evangelho deste Domingo tem duas opções: uma forma longa e outra breve. Uma vez proclamei a parte que se refere à indissolubilidade do matrimónio, omitindo a longa, em que Jesus abençoa as crianças e as apresenta como modelo. No final, alguém veio ter comigo:
- O Sr. Padre teve dificuldade em falar dos problemas do matrimónio, precisamente porque não leu a solução que Jesus apresenta a seguir.
Prometi a mim mesmo nunca mais cortar as palavras de Jesus. Se necessário fosse, passaria a reduzir o tempo da homilia mas nunca o Evangelho. Segundo aquela senhora, o êxito do casamento consistia em aprender das crianças.
Recordei então o que um autor dos nossos dias escreveu: “As crianças ensinam sempre a qualquer adulto três coisas:
- A ficar satisfeito com pequenas coisas
- A estar sempre ocupado
- A lutar com todas as forças por aquilo que realmente deseja.”
Nesse dia rezei pelos esposos, para que na sua vida conjugal fossem capazes de viver satisfeitos, sem grandes exigências mútuas, a estarem sempre ocupados, pois o ócio é o pai de todos os vícios, e a lutarem sem desânimo por aquilo que sonham.
Se toda a gente aprendesse assim das crianças, muitos dos seus problemas deixariam de existir.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Teresinha de Jesus

1 de Outubro

Memória de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Pouco menos de um mês antes de falecer, com 24 anos, Teresa escreveu o seguinte pensamento no dia da Natividades de Maria Santíssima:
"Ó Maria, se eu fosse a Rainha do Céu e vós fôsseis Teresa, eu queria ser Teresa para que vós fôsseis a Rainha do Céu !!!"

Quem dera que todos gostassem de ser quem são.
Quem dera que todos deixassem os outros serem quem são.

Que felicidade ser a Rainha do Céu!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Humor do Pe. Dehon

O Humor do Pe. Dehon
ou as anedotas dehonianas

- O Pe. Dehon era uma pessoa sempre bem-disposta e bem-humorada. Na vida comum o fundador abria os corações à alegria, comunicava o seu bom humor que a todos alegrava. Recorria muitas vezes a jogos de palavras, fáceis em francês (Cf Giuseppe Manzoni, Leon Dehon y su mensajem, Madrid 1995, pág. 634).
- O Bispo Binet, no elogio fúnebre ao Pe. Dehon, dizia que ele foi sempre jovem, sempre confiante, sempre optimista (Cf. Ducamp A, Le Père Dehon e son Oevre, Paris 1936, pág. 558).
- O fundador tinha um espírito amável e fino de um sábio. Às vezes tinha a subtileza dos franceses, outras vezes a acutilância do humor britânico. Sabia muito bem aplicar a ironia, até ao sarcasmo (Dorresteijn H, Vita e personalitá di P. Dehon, Bologna, 1978, pág. 430).

Identificámos apenas três anedotas do Pe. Dehon nos documentos históricos e que transcrevemos aqui. (Cf. Giuseppe Manzoni, Leon Dehon y su mensajem, Madrid 1995, pág. 644, José Fernandes de Oliveira, Por Causa de um Certo Reino, S. Paulo, 1978, pág. 186).

I
Havia um padre que costumava celebrar a missa com voz muito baixa.
Um dia o Pe. Dehon foi ter com ele e lhe disse:
- Um noviço veio dizer-me que não participou na eucaristia desta manhã. O que é que o Padre aconselha?
- Deve confessar-se imediatamente!
- Então você pode ir já para o Confessionário, mas fique da parte de fora porque você é que vai confessar-se…
- Como assim?
- É que aquele noviço não ouviu nada da missa que você celebrou…

II
Um dia numa casa da Itália, em época de grande carestia, o Pe. Dehon estava cansado e com a saúde combalida. Os tempos eram difíceis. Tanto isto é verdade que se comia muito pouco. O Fundador calava-se, mas o seu estômago dava sinais evidentes de carência. Um dia, saindo para o jardim com o reitor e com o ecónomo, reparou numa vaca muito magra que pastava por lá. Olhando de soslaio o Pe. Dehon declarou:
- Olhem só a coitadinha da vaca. Está a olhar atravessado para nós porque pensa que queremos comer a sua ração…

III
Em Fourdrain, um religioso pintou um quadro para o aniversário do Pe. Dehon. Representava uma paisagem iluminada por um sol na linha do horizonte. Um dos presentes comentou:
- Será o sol nascente ou sol poente?
- Não te preocupes com isso. Nascente ou poente!? – disse o Pe. Dehon. A comparação com o sol é que é demasiado para mim.

São Jerónimo

30 de Setembro

Memória de São Jerónimo, Presbítero e Doutor da Igreja

Nasceu em Estridon (Dalmácia) cerca do ano 340.
Estudou em Roma e aí foi baptizado.
Começou a revisão das traduções latinas da Sagrada Escritura
e promoveu a vida monástica. Estabeleceu se em Belém.
Escreveu muitas obras, principalmente comentários à Sagrada Escritura.
Morreu em Belém no ano 420.

Jerónimo morreu onde Jesus nasceu porque renasceu onde Jesus Morreu.

Dedicou a sua vida a estudar a Sagrada escritura:
Cada página da Bíblia é uma janela.
Em cada janela há várias vidraças através das quais nós avistamos o que está do outro lado. Através dessas mensagens descobrimos o além e o que espera de nós.
Mas também essas vidraças podem servir de espelho para nos conhecermos melhor…
Às vezes preciso de uma vidraça transparente,
outras vezes necessito mais de um espelho.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ser Grande

2ª Feira – XXVI Semana Comum

Jesus tomou uma criança, colocou-a junto de Si e disse-lhes… Quem for o mais pequeno entre vós esse é que será o maior…

O Grande General e Imperador Napoleão Bonaparte era pequeno. Devia ter não mais de um metro e sessenta e cinco centímetros. Justificava-se dizendo que a grandeza de uma pessoa não se podia medir da terra ao alto da cabeça, mas sim do céu ao alto da cabeça. Assim sendo, uma criança era maior do que um adulto…

Essa criança é a maior, dizia Jesus.

Ser grande não aos olhos do mundo, mas aos olhos de Deus.
Sejamos então grandes, não na perspectiva do mundo, mas na perspectiva do céu.
Somos importantes não da terra para cima, mas do céu para baixo…

A lógica de Deus é assim diferente da nossa lógica humana. Deus vê-nos de outro ponto de vista.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Muito Obrigado

Ano B - XXVI Domingo Comum

Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa, diz Jesus no Evangelho. Qualquer gesto de amor não ficará sem fruto ou sem gratidão.

Contaram-me que em Madagáscar a galinha é tida como o símbolo da gratidão. Porquê?
- É que ela por cada gole de água que recebe, ergue a cabeça para agradecer a Deus. Por cada copo de água dos homens haverá uma recompensa mas as galinhas agradecem por cada gota de água. Elas não são miudinhas, são sim reconhecidas.

Há dias alguém tentava compreender a expressão exclusiva da língua portuguesa para agradecer: Muito obrigado. Porquê?
- Isto é a abreviatura de uma frase completa: Eu sinto-me obrigado a reconhecer esse gesto durante toda a vida.
E há muitas maneiras de agradecer ou de mostrar o nosso contentamento: erguer o olhar, um sorriso, uma atenção, uma simples palavra, ou qualquer gesto espontâneo.
Deus promete valorizar qualquer acção feita por amor. Podemos ser como Ele. Por isso rezamos: Vós não precisais dos nossos louvores e poder glorificar-vos é dom da vossa bondade, porque os nossos hinos de bênção, nada aumentando à vossa infinita grandeza, alcançam-nos a graça da salvação.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pare, escute e olhe

5ª Feira - XXV Semana Comum

No trecho do Evangelho de hoje vemos Herodes a PARAR para pensar sobre o que estava a OUVIR e resolveu ir VER Jesus.
Isto faz-me lembrar a recomendação junto às passagens de nível: PARE, ESCUTE e OLHE.
É preciso parar, escutar e olhar para Jesus. Se assim fizermos com certeza iremos com mais confiança para a outra margem.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pe. Dehon e os Jovens

Aos jovens[1]

“Ninguém te despreze por seres jovem.” (1 Tm 4,12).
“ O Senhor te rejuvenesce como a águia”(sl 103,5).
Os santos não envelhecem. (São João ficou sempre jovem). Os ímpios não têm juventude.
Que ninguém tenha a possibilidade de desprezar a vossa juventude. Assim será se cumprirdes todos os vossos deveres. Quais são esses deveres? Pode-se resumi-los a três: oração, respeito e caridade.

I - A oração, é o dever mais agradável. Os que não rezam privam-se da maior felicidade do homem neste mundo e destroem a perspectiva da sua salvação. Os que deixam de rezar não têm mais vida sobrenatural, os instintos dos pagãos assumem o seu controle.
Não é justo oferecer de manhã a sua jornada ao bom Deus e de noite pedir-lhe perdão das nossas faltas e a sua bênção para a noite.
Procuremos mesmo familiarizar-nos com a oração e a elevar-nos para Deus pela contemplação das suas obras. É a paz, é a alegria. É a respiração sobrenatural da alma: é a vida. É o espírito dos filhos de Deus.
O bom Cura d’Ars dizia: "Quando eu era agricultor, rezava sempre nos campos. Então fazia bom tempo."
Os vossos operários blasfemam e atraem a maldição de Deus. Bendizei a Deus para reparar o seu crime.
A missa e os sacramentos são também orações e mais do que orações. Abandonando-as, abandonais a paz da alma e a felicidade.

II - Um pagão, Demetrius de Phalère recomendava aos jovens de Atenas respeitar os seus pais em casa, os transeuntes na rua e a si mesmos quando estivessem sozinhos. O respeito pelos vossos pais, é uma fonte de bênção... O respeito pelos transeuntes, pelo próximo: não escandalizai, edificai. O respeito por vós mesmos, pelo vosso espírito, pelo vosso coração, pelo vosso corpo...
Deus vos vê.
Não há nada mais bonito do que a discrição e a pureza nos jovens.

III - A caridade, as obras. É acerca das vossas obras que sereis julgados. "Porque tive fome e destes-me de comer..." (Mt 25,35). A natureza manda-o: somos irmãos. Nosso Senhor deseja-o. É de nosso interesse. A esmola apaga o pecado! (1 Pd 4,8) “Feliz daquele que cuida do pobre; no dia da desgraça, o Senhor o guardará…” (Sl 41,2).
As obras.
A acção. Os congressos, as associações de jovens. Estudar as normas da justiça. É contra a natureza que um trabalhador honesto não tenha um modesto rendimento.
A boa imprensa.
Vede o que fez Ozanam e alguns outros jovens de Paris. As suas obras ainda vivem e espalharam-se até aos confins da terra. (Os jovens santos...).
A França é o vosso campo de batalha. Nada de pessimismo. É o país do ideal e do sentimento. A graça não falha, os homens sim.
Então, mãos à obra!
Não digais: é preciso que a juventude acabe. No prazer ela acabará mais depressa e será uma juventude desonrada e decaída.
As primícias são para o Senhor, ele é ciumento. O Salvador ao encontrar um jovem que podia dizer de verdade: "Tenho observado todos os mandamentos desde a minha infância" (Mc 10,20), olhou-o com afeição e amou-o.
O Marquês de Fénelon, aos 16 anos, pediu para servir o exército de Luís XIII. Sois muito jovem, diz-lhe o Rei. Senhor, responde ele, terei durante mais tempo a felicidade de servir a vossa majestade. Dizei isso a Deus.
Há santos da vossa idade. São João permaneceu jovem. A águia é o símbolo da juventude que se renova... (Sl 103,5). A laranjeira dá ao mesmo tempo flores e frutos.

Pe. João Leão Dehon

[1] Conferência do Pe. Dehon aos alunos de São João. Inventário 38.09 – AD: B6/5.9

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pe. Dehon e Educação

Ao iniciar um novo ano escolar quero recordar a experiência e o legado sobre a educação que nos deixou o Pe. Dehon.:
Experiência:
O Pe. Dehon fundou o Colégio São João no Verão de 1877 e foi o seu director até 1892, quando foi substituído pelo Pe. Mercier. Continuou, no entanto a ser o director oficial, pois era o único para isso legalmente autorizado. Na qualidade de fundador, proprietário e director legal continuou a visitar o Colégio alguns dias por semana. O seu empenho como fundador e Superior Geral de uma Congregação, o seu envolvimento na questão social como estúdios e conferencista e o seu exercício de escritor não permitiam maior disponibilidade para organizar ou acompanhar a vida do Colégio. Em 1896 o Pe. Dehon renunciou definitivamente este cargo, sendo nomeado director o Pe. Delloue, membro da congregação dehoniana.

“Era preciso um titular legal para a casa. Eu não tinha o estágio exigido. Mas a coisa pôde arranjar-se. O Sr. Lecompte continuou titular por alguns meses. Eu pedi uma dispensa completa de estágio. O Sr. Bispo deu este bilhete amável para acrescentar ao meu processo: Autorizamos o Rev. Dehon, vigário em S. Quintino, cónego honorário da nossa Sé catedral, provido de diplomas honrosos da Universidade de França e do estrangeiro, conhecido nesta diocese e fora dela por se ter ocupado com sucesso das obras da juventude, a pedir ao conselho do Departamento do Aisne uma certidão de estágio para a direcção dum estabelecimento de instrução secundária; sendo preciso, autorizámo-lo a pedir dispensa dessa certidão ao Sr. Ministro da Instrução Pública.” Alguns meses depois, eu recebia a dispensa, assinada por Júlio Simon” e passava a ser o Director do Colégio São João durante 19 anos seguidos. (NHV VII – Verão 1877)

Ensinamentos:
A águia é o símbolo da juventude que se renova. (Aos Jovens, Conferência, inventário 38.09, AD: B6/5.9)

A educação religiosa é o cultivo das faculdades mais elevadas do homem, na civilização da inteligência e do coração. (A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, pp. 274-293 do IV Volume das Obras Sociais do Pe. Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985)

A escola sem Deus é um erro social. (Discursos sobre a educação do carácter, in IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 434)

A Igreja é a grande escola do patriotismo como é a verdadeira fonte do progresso nas letras e nas artes. (Acerca do Patriotismo Cristão, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 319)

A infância é a primavera da vida. É mais a idade das flores do que dos frutos. O florescimento e a frescura são-lhe mais convenientes do que a maturidade. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 284)

A inteligência, a vontade, as mãos humanas são a imagem e semelhança da actividade divina. (ACJ 1, Pág. 174)

A juventude deve ter o entusiasmo na acção, a sedução na forma, a audácia na execução. (CR, Pág. 210)

A razão e a fé são duas filhas de Deus, que não devem estar em desacordo. (CR, Pág. 470)

A vida dos jovens dependerá mais daquilo que serão pelo coração e pelo carácter do que pelo conhecimento acumulado na mente. (Discursos sobre a educação do carácter, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 433)

A vida intelectual e moral derrama-se da alma do educador para a alma do seu aluno por duas fontes: a palavra e o exemplo. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 279)

As viagens bem feitas completam o estudo das humanidades… São um complemento da educação. (NQ, 1925, Pág. 102)

As viagens são uma fonte inesgotável de estudo. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 184)

Castigai pouco, encorajai muito. Perdoai facilmente, esquecei sobretudo. Que o vosso rosto depois da correcção testemunhe apenas a bondade de ter feito o bem. (Pequeno Directório para os reitores, 1919, in VII volume das Obras espirituais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, pág.248)

Deus não vos pede um trabalho intelectual, mas o vosso amor. Não pede a vossa cabeça, mas o vosso coração. (CF, 9 de Setembro de 1886)

Deus nos livre da educação sem Deus! (CR, Pág. 492)

Educar um cristão é formar um homem de coração, um homem de sacrifício e de dedicação. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 278)

Educar um cristão não é somente dar-lhe noções de ciência humana… não é somente ensinar-lhe boas maneiras…dar-lhes uma ciência… é sobretudo formar nele um nobre e grande carácter, virtudes vigorosas… fazer crescer na sua alma a fé… (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 278)

Eis as virtudes que são as amáveis companheiras da educação cristã: a piedade, a pureza, a energia e o afecto. (Acerca da Educação Cristã e das Virtudes da Infância, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 335)

Façamos os nossos alunos amar Jesus e eles serão santos. (Carta ao Pe. Falleur, 31/12/1884, Inv. 465.45, AD: B22/11)

Jovens cavaleiros, este deve ser o vosso ideal, este deve ser o vosso plano de vida: o livro e a espada devem caracterizar a vossa vida, o estudo e a acção militante devem completá-la. (O sonho do jovem cavaleiro, 1903, in in I Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1979, Pág. 620)

Jovens, é preciso agir! Na vossa idade deve-se ter espírito de combatividade. (Discurso aos antigos alunos de São João. 08/08/1887, AD: B36)

Jovens, sois a nossa esperança e sereis a nossa salvação. A vossa rectidão e a vossa lealdade ganharão os corações. (Aos Jovens, 1898, in I Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1979, Pág. 383)

Na literatura o cristianismo não é a noite sombria, é a luz esplendorosa. (Acerca das Letras Cristãs, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 303)

Nada há de mais belo do que os jovens cristãos, que entram na arena da vida para defender as suas convicções. (CR, Pág. 210)

Não esqueçamos que o objectivo a atingir não é punir, mas corrigir; não é humilhar, mas santificar. (Pequeno Directório para os reitores, 1919, in VII volume das Obras espirituais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, pág. 247)

Não vos esqueceis de edificar os vossos filhos ao mesmo tempo que os instruís. (Discurso Acerca da Educação, 20/01/1888, Inventário 43.04 AD: B7/3)

No prazer a juventude passa mais depressa. (Conferência aos Jovens, inventário 38.09, AD: B6/5.9)

O asseio é um meio de educação: deve reinar nas camaratas, salas de estudo, livros, cadernos. (CC 17/10/1899, Pág. 132)

O ensino não pode limitar-se a palavras: ele propõe e impõe ideias. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 173)

O futuro pertence a quem tiver nas suas mãos a formação das novas gerações. (A Educação e o Ensino segundo o Ideal Cristão, Prefácio, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 270)

O livro é bom, mas não é tudo. O livro na mão esquerda e a espada na mão direita. O livro, é a oração, é a leitura, o estudo pessoal feito na sua mesa e o estudo comunitário feito no Círculo. A espada, é a luta, o ataque e a defesa; é a acção social dos sindicatos, das caixas de crédito e dos secretariados do povo. O livro e a espada, tais são, caros jovens, as armas do vosso brasão. A igreja faz-vos seus cavaleiros. (O sonho do jovem cavaleiro, 1903, in I Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1979, Pág. 621)

O livro é um dos conselheiros da criança. Ele segue-a a cada passo. Ensina com o mestre e contra ele. Ele influencia consideravelmente a sua alma de discípulo. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 280)

O mestre desempenha, frente ao seu discípulo, a acção de uma verdadeira paternidade espiritual. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais deLeão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 278)

O modelo por excelência da Educação é Jesus que une a doçura mais suave à força mais triunfante. (Discursos sobre a educação do carácter, in IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 445)

O rumo impresso à educação depende particularmente da ideia que se tem acerca do homem perfeito. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 276)

Os professores são para os alunos e não os alunos para os professores. Ide pausada e sabiamente. (Carta ao Pe. Paris, 31/10/1912, Inv. 300.02, AD: B20/7.4)

Os que amam o estudo evitarão mil tentações que conduzem à ociosidade. (CC 17/10/1897, Pág. 104)

Pela sua vida, inteligência e vontade, o homem é a imagem da Santíssima Trindade. (CA, Pág 50)

Quão belo é o coração que só abraça na terra a virtude e a ciência, a Igreja e a pátria, a família e as santas amizades! (Acerca da Educação Cristã e das Virtudes da Infância, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 326)

Somente o ideal cristão abarca todos os elementos da perfeição humana. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 277)

Trabalhando para os alunos, os mestres acreditam trabalhar para Deus. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 280)

Uma criança sem religião não domina as suas paixões. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 292)

Uma viagem bem feita, grande ou pequena, vale mais do que uma outra recreação ou recompensa. É um estudo, e dos melhores. Este gosto vale mais de que o círculo (convívio), o bilhar ou o romance. (Discurso acerca do estudo da geografia, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 366)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Servo dos Servos

ANo B - XXV Domingo Comum

No filme La Vita è Bella há uma cena em que Guido presta provas para empregado de mesa. Para mostrar que percebe de cortesia, inclina o tronco a 50, 90º e mais. É repreendido pelo tio:
- Pensa nos girassóis. Inclinam-se para o sol, mas se vires alguns demasiado inclinados significa que estão mortos! Estás a servir, mas não és criado. Servir é uma arte superior. Deus é o primeiro servidor...


Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último e o servo de todos.
Talvez para evitar dúvidas, os Evangelhos referem-se nada mais nada menos que seis vezes a estas palavras do Mestre.
Na comunidade cristã, quem ocupa o primeiro lugar deve prescindir de todos os sinais de grandeza. A comunidade não é o lugar apropriado para alcançar posições, para dominar sobre os outros, para se impor. É o lugar onde cada um, conforme os dons recebidos de Deus, celebra a própria grandeza servindo os irmãos.
Não há lugares altos ou baixos, mas a justa dimensão, que nos define diante de Deus e dos homens. A importância do lugar está em ocupá-lo bem. Não é o lugar que me eleva a mim, mas eu que elevo o lugar.
O meu lugar é Cristo. Onde Ele estiver, quero estar também.

Modelo a imitar

5ª Feira - XXIV Semana Tempo Comum

Da primeira Leitura:
"Que ninguém te despreze por seres jovem...
Sê modelo para os fiéis:
- na palavra,
- na maneira de proceder,
- na caridade,
- na fé,
- na pureza."

Eu sempre ouvi dizer que os mais velhos, os idosos é que eram modelos de vida. Devímaos seguir o exemplo dos mais velhos.
São Paulo lembra a Timóteo que ele como jovem devia ser modelo e exemplo de vida em 4 aspectos indicados.
Afinal, todos temos algo a imitar, algo a servir de modelo.

domingo, 13 de setembro de 2009

Perguntar e responder

Ano B - XXIV - Domingo Comum

Reflexão do Pe. António Vieira, século XVII:

Perguntou o Senhor:
Perguntou para que os senhores que mandam o Mundo
se não desprezem de perguntar.
Se pergunta a sabedoria divina,
porque não perguntará a ignorância humana?
Quem não pergunta, não quer saber;
quem não quer saber, quer errar.

Quem dizem:
Não perguntou o Senhor o que era,
senão o que se dizia: Quem dizem?
Antes de se fazerem as coisas, há-se de temer o que dirão;
depois de feitas, há-se de examinar o que dizem.
Uma coisa é o acerto, outra o aplauso.
A boa opinião de que tanto depende o bom governo,
não se forma do que é, senão do que se cuida;
e tanto se devem observar as obras próprias,
como respeitar os pensamentos e línguas alheias.
A providência com que Deus permite a murmuração,
é porque talvez de tão má raiz se colhe o fruto da emenda.
E se eu de murmurado me posso fazer aplaudido,
porque me não informarei do que se diz?

Um profeta do passado:
Grande é o ódio que os homens têm à idade em que nasceram.
Não diziam que era um profeta como os antigos, senão um deles.
Pois assim como antigamente houve também profetas,
não poderia também agora haver um?
Cuidam que não.
Por melhor milagre tinham ressuscitar um dos profetas passados,
que nascer em seu tempo outro como eles.
Tudo o moderno desprezam,
só o antigo veneram e acreditam.

Conclusão:
Não sei o que mais devo venerar aqui,
se o que Cristo disse a Pedro,
se o que Pedro disse a Cristo.

Sermão de São Pedro, do Padre António Vieira Pregado em Lisboa, em S. Julião, no ano de 1644, à venerável congregação dos sacerdotes.

sábado, 12 de setembro de 2009

Corrigir por amor

6ª Feira - XXIII Semana Tempo Comum

" Tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão."

Como é que queres corrigir o teu irmão?

- Se alguém peca por ganância, como é que queres repreendê-lo por inveja?
- Se peca por cólera, como é que queres repreendê-lo com ódio?
- Se peca por orgulho, como é que queres repreendê-lo com prepotência?

Afasta primeiro a tua inveja, o teu ódio e a tua prepotência e então poderás corrigir aqueles que amas, pois CORRIGIR SÓ PODE SER UM ACTO DE AMOR.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Deus é

Ano B - XXIV Domingo Comum

Quem dizem os homens que é Deus?
A resposta que se segue foi recolhida pelo saudoso Pe. Dr. Angelino Barreto, que tomo a liberdade de repetir:

Para muita gente, Deus não passa de uma bengala. E o que é uma bengala?
Para os idosos é uma terceira perna, que muito ajuda na velhice.
Os da segunda idade dizem que é um objecto de luxo e daí o procurar uma bengala de material precioso.
Para os jovens a bengala é objecto supérfluo, inútil e sinal de velhice.
Assim muita gente vê em Deus um auxílio nas suas necessidades e diz que rezar é para velhos. Outros vêem em Deus um sinal de bom tom, que ajuda a resolver alguns problemas da vida. Aceita-se este Deus como luxo enquanto ajuda a obter certos objectivos.
Os jovens acham a ideia de Deus como uma coisa supérflua, inútil e, porque pensam que Deus é isso, repelem-no.
Que concluir?
Todos falam de Deus. Diante dele ninguém fica indiferente, todos tomam posição. Uns louvam, outros condenam. Ele é sinal de contradição. Mas o mais importante não é o que os outros pensam mas o que eu penso, o que tu pensas. Perante Cristo urge uma resposta pessoal, que nos marca e compromete.
E para ti, quem é Jesus Cristo?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Transcrição

10 de Setembro de 1957
Registo de baptismo FOLHA 63, ASSENTO nº 123, ANO 1957

No dia DEZ do mês de SETEMBRO do ano de mil novecentos e cinquenta e SETE na Igreja Paroquial do ESPÍRITO SANTO e SANTO ANTÃO DESTA FREGUESIA DO CANIÇO, Concelho de SANTA CRUZ, Diocese do Funchal, com o nome de JOSÉ DAVID QUINTAL VIEIRA baptizei solenemente uma criança do sexo MASCULINO que nasceu NESTA freguesia às DEZOITO horas do dia DOIS do CORRENTE mês e ano, filho legítimo de JOÂO VIEIRA e de MARIA JOSÉ QUINTAL recebidos NESTA Igreja, naturais DESTA FREGUESIA, moradores do SÍTIO DA RIBEIRA DOS PRETETES, neto paterno de JOAQUIM VIEIRA e de CAROLINA DE JESUS e materno de FRANCISCO DE QUINTAL e de MARIA BARRETO. Foram padrinhos CLÁUDIO VIEIRA e MARIA BELA GOUVEIA QUINTAL, SOLTEIROS, MORADORES NESTA FREGUESIA DO SÍTIO DA RIBEIRA DOS PRETETES.
DATA SUPRA, O PÁROCO JOSÉ AGOSTINHO DE FREITAS.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Oito Palavras

4ª Feira - XXIII Semana Comum

Evangelho das Bem-aventuranças:

O Pe. Dehon dizia simplesmente, a propósito das Bem-aventuranças:

"Nosso Senhor reuniu em 8 palavras todo o evangelho – as oito bem-aventuranças". (CF, 26 de Novembro de 1879)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Nasce para quê

8 Setembro
Natividade da Virem Santa Maria

Parabéns a Maria de Nazaré!

No seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, o Pe. António Vieira diz:

"Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina. Dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;

perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;

perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;

perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;

perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;

perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança;

os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;

os discordes: para Senhora da Paz;

os desencaminhados: para Senhora da Guia;

os cativos: para Senhora do Livramento;

os cercados: para Senhora da Vitória.

Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;

os navegantes: para Senhora da Boa Viagem;

os temerosos da sua fortuna: para Senhora do Bom Sucesso;

os desconfiados da vida: para Senhora da Boa Morte;

os pecadores todos: para Senhora da Graça;

e todos os seus devotos: para Senhora da Glória.

E se todas estas vozes se unirem em uma só voz (...), dirão que nasce (...) para ser Maria e Mãe de Jesus".
Cf. www.­evangelhoquotidi­ano.­org

E para mim, Maria nasceu para quê?
O que mais preciso que ela seja para mim?

E eu? Nasci para quê?
Qual a minha missão hoje?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estender a mão

2ª Feira - XXIII Semana Comum

Jesus disse ao homem que tinha a mão paralisada:
- Estende a mão.
Ele estendeu… e ficou curado.


Sempre que alguém estende a mão, o milagre acontece.

Ainda hoje Jesus nos pede para estendermos a mão.
Se o fizermos veremos maravilhas na nossa vida.
Estender a mão é deixar que um milagre aconteça.

Vale sempre a pena estender a mão!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Fazer cócegas

Ano B - XXIII Domingo Comum

Os alunos da catequese representaram a cena evangélica da cura de um surdo-mudo.
Quando Jesus se afastou com o homem e lhe meteu os dedos nos ouvidos, aquela, que na representação estava a ser curado, mexeu-se cheio de cócegas e desatou a rir.
Na apreciação da mensagem, um miúdo perguntou, com toda a seriedade:
- senhor Padre, Jesus também fazia cócegas?
Compreendi a razão da pergunta e corrigi:
- Não foram as cócegas, como nesta representação, que curaram aquele homem. Jesus fala, escuta e vê e por isso retribuiu ao surdo-mudo a capacidade de escutar, falar e ver com toda a dignidade.
Um outro miúdo acrescentou:
- Mas eu já vi uma figura de Deus a fazer cócegas a Adão.
Ao pedir mais informações identifiquei a cena da Criação, na Capela Sistina, em que Miguel Ângelo põe o dedo de Deus Criador a tocar em Adão. Tive que concordar:
- Sim, Deus faz-nos cócegas porque gosta de nós, porque quer ver-nos felizes, a sorrir e porque quer pôr-nos a mexer... São estes gestos de carinho que nos salvam.
Quem me dera que toda a gente sentisse como cócegas todas as intervenções de Deus na nossa vida.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Faz-te ao largo

5ª Feira - XXII Semana Tempo Comum

Comentário do Pe. Dehon à frase do Evangelho de hoje: Faz-te ao largo...

É no alto mar que faremos a pesca milagrosa. (A barca de Pedro, discurso, Roma, 8 de Janeiro de 1901, in IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, pág. 676)

Ide para o alto mar, ao oceano das graças, ao Coração de Jesus, e fareis uma pesca milagrosa. (ACJ 2, Pág. 201)


sábado, 29 de agosto de 2009

Puros de Coração

Ano B - XXII Domingo Comum

Dois monges caminhavam por uma estrada. Junto ao rio viram uma bela moça:
- Que posso fazer para te ajudar? Perguntou um dos amigos.
- Leva-me para o outro lado do rio.
Sem hesitação o monge carregou-a às costas e deixou-a na outra margem.
O outro colega ficou silenciosamente admirado pela ousadia mas, à noite, no templo, encheu-se de coragem e censurou o seu colega pelo atrevimento de ter levado tão esbelta donzela:
- Não devias ter feito aquilo. Foi uma grande tentação tocar numa mulher tão jovem e bela. A nossa regra não permite tal liberalidade.
O outro respondeu com humildade:
- Eu deixei a jovem junto ao rio mas tu ainda a carregas inutilmente contigo no teu coração.

O que faz com que uma acção seja boa ou má, pura ou impura, não é a letra da lei mas o espírito da mesma lei.
A pureza exterior e ritual pouco importa.
Às vezes, em nome de costumes e letras falta-se à lei essencial da caridade e mata-se o amor.
O que vale é o que vai no coração.
A pureza de coração não é fuga ao amor, mas amar mais e melhor em oblação de nós mesmos.
A letra mata, mas o espírito dá vida.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Hobbies do Pe. Dehon

A) O que fez:

O Leão Dehon sempre foi um homem super dinâmico.
Tinha um espírito de iniciativa muito espontâneo.
Experimentou muita coisa, inovou, estudou, treinou, aprendeu tudo o que poderia ser útil nas suas grandes causas.
Considerava-se um homem de escrivaninha e não um homem de acção ou de trabalho manual, mas não deixou de fazer tanta coisa…
Lia muito, estudava sempre, observava, tomava apontamentos…
Apesar disso sentia-se limitado na escrita ou na literatura.
Podemos fazer uma vasta lista de todos os seus passatempos, ocupações de tempos livres ou hobbies:

1.
Tive uma viva atracção, que duraram toda a minha vida, para construir capelas. A minha mãe tinha estatuetas, imagens piedosas, e até alguns relicários que tinha arranjado no pensionato de Charleville. Tudo isso tornou-se imediatamente o armamento da minha capela… No Verão, as flores eram o ornamento da minha capela. (NHV, I)
2.
Cedo tomei também o gosto da jardinagem; tive sempre o meu jardinzinho. (NHV, I)
3.
Sentia atracção para a dança e para as reuniões mundanas. (NHV, I)
4.
Fizeram-me representar, na distribuição dos prémios (no Pensionato de La Capelle), o papel no Avarento de Molière. Ostentei nisso não pouca vaidade. (NHV, I)
5.
Entrei na Congregação da S.S. Virgem em Hazebrouck, pia associação. Fui secretário e depois vice-presidente da associação.
Também entrei na sociedade de S. Vicente de Paulo. Fui dela tesoureiro durante muito tempo. (NHV, I)
Este segundo ano em Hazebrouck teve as suas graças especiais. Tornei-me acólito e tomei um grande gosto pelas coisas do altar. Mais tarde, encontraria, em Roma, nas mesmas funções de sacristão, um meio de estar muitas vezes ao pé do Senhor durante os recreios, e de ter ao meu cuidado tudo o que era da capela. (NHV, I)
6.
No Círculo eu fazia, em Paris, a minha partida de Whist (jogo de cartas) à noite com alguns frequentadores. (NHV, I)
7.
Tomava chá em família e muitas vezes havia excelente música. (NHV, I)
8.
(Durante os estudos em Paris) Com meu irmão, demos alguns passeios aos Campos Elísios, fomos às corridas de cavalos e assistimos a algumas peças de teatro escolhidas. (NHV, I)
9.
Eu tomava lições de piano e de desenho, mas nunca fui artista. (NHV, I)
10.
Na Inglaterra ficou alojado em casa de uma família. “Partilhamos a mesa com a família e o jogo de Whist. (NHV, I)
11.
Comecei a falar em público na Obra da Doutrina da fé em S. Suplício. Tinha mais boa vontade que talento. Fui catequista.
12.
No mês de Julho inscrevi-me na confraria do S. Coração 1859)
Fui admitido ao círculo católico a 16 de Dezembro de 1859 (NHV, I)
13.
Fazer pesquisas sobre a sua família (árvore genealógica). (NHV, I)
14.
Sob a influência do seu amigo Leão Palustre tornou-se um amador de arqueologia. Foi membro da sociedade francesa a partir de Setembro de 1862. Iria conservar um posto muito acentuado pela arqueologia e pelas belas-artes, até à época em que estaria demasiado ocupado pelas suas obras sociais. (NHV, I)
15.
Nas margens do rio (a 31 de Janeiro de 1965), caçámos para distrair e trouxemos para o barco algumas poupas, cotovias e outras. (NHV, II)
16
Na primavera desse ano (1866) entrei na ordem terceira de S. Francisco a 21 de Março. Já tinha tentado em Paris, mas não tinha perseverado Desta vez fui fidelíssimo até ao dia em que os meus votos religiosos fizeram cair esses laços anteriores com a Ordem Terceira (NHV III)
17.
Tinha uma pequena recolha de frases… (NHV, III)
18.
Na minha formação faltava-me a literatura. Só foi mais tarde que eu retomei um pouco de gosto pela literatura. Compreendo, mas tarde demais, que com pouco mais de arranjo, muitas vezes eu teria dado mais eficácia à minha palavra. (NHV, III)
19.
No fim das férias em La Capelle, preguei, confessei, ensinei latim… De manhã e de tarde ia à velha igreja e passava horas deliciosas no jardim rezando o meu breviário e o meu terço, fazendo boas leituras… (NHV, III)
20.
Em Agosto (de 1870) eu já começara a dar explicações de Latim a vários rapazes que estavam no Seminário Menor ou que desejavam entrar nele. Continuei até Março. Tinha 4 alunos que vinham cada dia à minha casa. Dois chegaram ao sacerdócio. (NHV, V)
21.
Três meses depois comecei a reunir uma meia dúzia no meu quarto, no Domingo depois das Vésperas. Eles viam alguns livros ilustrados e brincavam por alguns instantes. O Patronato tinha começado. Mais tarde era num pátio, As crianças brincavam duas horas depois e fazia-lhes uma conversa no estudo. (NHV V)
22.
Os meus breves contos interessavam as crianças (do Patronato) porque eu narrava coisas vistas e passadas. (NHV, V)
23.
Feliz é tu, Palustre, que podes entregar-te assim ao estudo. Quanto a mim, deixando-me guiar pela Providência, tornei-me homem de acção, apesar do meu gosto pelo trabalho de escrivaninha. (NHV, V)
24.
Cada Domingo, eu falava às crianças do Patronato. Relatava alguma das minhas recordações de viagens, fotografias, objectos do país etc. As crianças precisam tanto de coisas concretas para ficar com atenção. (NHV, V)
25.
Notas quotidianas, não fui fiel este ano em escrever as minhas impressões quotidianas (diário)… (NHV, V)
26.
Eu não gostava da literatura pura, o romance, o que se chama arte pela arte. (NHV, V)
27.
Organiza lotarias… para angariar fundos para o Patronato (NHV, V)
28.
É Jornalista:
No mês de Dezembro de 1874 começa a sair o Jornal Conservateur de l’Aine, por ele fundado. (Pe. Dehon escreve imensas crónicas e outros artigos, não só neste, mas em vários jornais e revistas) (NHV, VI)
29.
Em Agosto de 1875, recusa o professorado na universidade. (NHV, VI)
30.
Na obra, nós tínhamos 3 ou 4 festas por ano e outras excepcionais… Representavam-se dramas… Eu tornava-me então ensaiador, sugeridor (ponto), maquinista. Isso exigia-me muito tempo e paciência. Dávamos as peças duas vezes, para os benfeitores e para os pais dos nossos jovens. (NHV, VI)
31.
Escritor – Várias dezenas de obras: manuais, sociais, espirituais, biografias, discursos, conferências, estudos…
32.
Conferencista
Não só nas chamadas conferências romanas de 1897 a 1900 sobre a questão social, mas também nos mais diversos congressos a nível diocesano, nacional e internacional sobre as obras.
33.
A Santa Sé deu-me uma certidão de correcção doutrinal ao nomear-me consultor do Índice. Em todo aquele apostolado eu não via senão o levantamento dos pequenos e dos humildes, segundo o espírito do Evangelho.” (NQ 1916)
34.
Durante a primeira Guerra Mundial, quando ficou confinado em Saint Quentin por três anos, continuou trabalhando no jardim, diariamente e cortando madeira. (NQ)



B) O que ensinou ou escreveu:

“Emprego do tempo
Cada dia tem a sua oportunidade; cada hora, a sua graça.
O tempo é o veículo da graça, o carro que traz a graça.
O tempo prepara o nosso valor de amanhã e a nossa recompensa para a eternidade.
Evitar toda a perda de tempo nos convites, nas distracções, nas simpatias humanas, nos trabalhos sem fim sobrenatural.
Há livros para conservar, os clássicos, a teologia.
Uma boa revista pode ajudar
É preciso evitar: os livros pouco úteis, os jornais demasiado numerosos, as relações sem utilidade.
Horário e obras:
É preciso ter um horário determinado para todas as circunstâncias da vida.
Horas de levantar e de deitar,
Da missa e do ofício.
Do estudo e dos trabalhos de escrita
É preciso saber limitar as horas de recreações, de distracções, de relações exteriores.”
(NQ 247)

“O trabalho é bom para a saúde da alma.” (ACJ 1, Pág. 37)

“O trabalho afasta mil tentações. O demónio não tem poder sobre as almas ocupadas. Ele não tem nada a sugerir àquele que trabalha.” (ACJ 1, Pág. 175)

“Pede por mim aos teus jovens para fazer cada dia alguns trabalhos manuais para a saúde da alma e do corpo. Há árvores secas para cortar, terras para lavrar, etc. “(Carta ao Pe. Falleur, 26/09/1901, Inv. 314.13, AD: B20/8.6)

“Todos os Santos amaram o trabalho assíduo e santificado.” (ACJ 1, Pág. 112)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

As férias do Pe. Dehon

Neste tempo de férias, convem comparar a nossa vivência com a experiência do Pe. dehon.
Apesar de ter vivido há cem anos atrás, o seu espírito era muito aberto e a sua visão de futuro.

AS FÉRIAS DO Pe. DEHON

A) Como vivia o Pe. Dehon as suas férias:
Eis alguns relatos, na primeira pessoa, de como Leão Dehon vivia as suas férias.

1.
Em Hazebrouck passei 4 anos. Eu revia a família somente pela Páscoa e nas férias grandes. (NHV I, 43).

2.
Fiz frequentes visitas e passei férias na casa de 2 famílias da região de Hazebrouck. (NHV I, 57)

3.
Viagem a Paris, Agosto de 1855, para visitar a Exposição Universal com o pai. (NHV, I, 39) A partir daí tantas viagens sobretudo nas férias– Aprendi a conhecer o mundo sem sujar-me nele. (NHV, I, 63)

4.
Primeira viagem a Inglaterra (1861) para aprender inglês. (NHV, I, 75) Outras se sucederam.

5.
Ao regressar a casa (depois da viagem à terra santa e depois de ter sido recebido por Pio IX que o aconselhou entrar no Seminário romana francês de Santa Clara) tomei 3 meses de verdadeiras férias. Tive de narrar muitas vezes a minha viagem (NHV II)

6.
As minhas férias começaram com uma grande privação. Meu pai não estava familiarizado com a minha vocação. Escrevera-me que não me queria ver de batina. O Pe. Freyd pensou que eu não devia irritar nada, nem ninguém: voltei portanto à civil. Vivi como seminarista com o hábito secular, durante três meses de férias. A missa e a comunhão diária… (NHV III)

7.
Em Junho, tomado anémico pelo trabalho, tivera de tomar oito dias de descanso. Passei-os em Genzano, na casa dos Franciscanos, onde o ar puro e as sombras retemperaram as minhas forças. ( NHV III)

8.
As férias (1867) – Voltei à França por mar. Um devoto repouso em La Capelle: passeios, leituras, reuniões de família, Eu procurava pregar, pelo exemplo, a modéstia e a oração. (NHV III)

9.
Nas férias da Páscoa, fui com alguns pios condiscípulos fazer uma graciosa peregrinação na Sabina, precisávamos de ar e de movimento.
(NHV, III)

10.
Eu conservava também os meus gostos de turista, porque via nas viagens uma fonte inesgotável de estudo. (NHV, III)

11.
No dia seguinte ao Natal, parti com os meus bons pais para Nápoles. Eram umas feriazinhas de 8 dias. (NHV III)

12.
Depois da missa nova, passei quinze dias na Normandia. Apanhando banhos de mar, na companhia de um amigo, em Agosto. De manhã celebrava na Paróquia. Tomava um banho por dia. Fiz longos passeios. (NHV III)

13.
Preguei, confessei, ensinei latim… durante as férias (NHV III)
Fiz também uma peregrinação a Nossa Senhora de Liesse, em família… Fim das férias: de manhã e de tarde ia à velha igreja e passava horas deliciosas no jardim rezando o meu breviário e o meu terço, fazendo boas leituras (NHV III)

14.
As minhas férias passaram rapidamente. Prestei alguns serviços ao meu pároco, visitava a família e fui estudar a organização da Universidade de Lovaina (NHV, V)


B) O que pensava ou o que ensinava o Pe. Dehon sobre as férias:

“Quero reproduzir aqui alguns pensamentos que notei no meu primeiro ano de filosofia. Gratry indica-me também o sentido cristão das férias: Retemperar-se no espectáculo da natureza, na luz das artes, no trato com os grandes espíritos, nas peregrinações para visitar os ausentes, nas amizades santas, nas associações sagradas a favor do bem, e finalmente em alguns dias de severa solidão, sozinho diante de Deus, não seria isso um bom repouso?” (NHV II, 1º Ano de Roma 1866).

“Ao partirdes para férias (Alunos do Colégio São João) nós vos entregamos com confiança aos cuidados de Deus que vos ama; aos cuidados dos vossos pais que são os vossos anjos visíveis sobre a terra; aos cuidados das vossas consciências que Deus ilumina e fortalece. Adeus por algumas semanas! Sede felizes, sede ajuizados, sede prudentes. (1º Discurso sobre a Educação 1878).

“De seguida Monsenhor dignar-se-á dar-lhes a sua bênção, depois partirão fortes e alegres para praticar durante as férias as virtudes que são as amáveis companheiras da educação cristã: a piedade, a pureza, a energia e o afecto.” (4º Discurso sobre Educação, 1880)

“Dir-lhes-ia: utilizai as vossas férias, aproveitai as vossas viagens, anotai, observai, comparai. É preciso fazer tudo com medida sem dúvida e não exceder os próprios recursos. Alguém só viajará com a imaginação, ajudado de algum bom livro. Outro que não tem necessidade de fazer cálculos, irá longe. Há vinte anos, o limite de uma viagem de férias era a Suiça, o Reno ou a Holanda. Hoje vai-se à Escócia, a Roma, mesmo a Atenas e até à Síria e ao Canadá. Vem aí o tempo em que se dará em alguns dias a volta ao mundo. Os serviços marítimos alemães vão já em trinta e cinco dias de Hamburgo a Sang-Hai; os serviços ingleses e o caminho-de-ferro trans-canadiano regressam em vinte e cinco dias de Sang-Hai a Londres: Londres só está a dois dias de Hamburgo, isto perfaz um total de setenta e dois dias, precisamente o tempo de umas boas férias…
Uma viagem bem feita, grande ou pequena, vale mais do que uma outra recreação ou recompensa. É um estudo, e dos melhores. Este gosto vale mais de que o círculo (convívio), o bilhar ou o romance.” (7º discurso sobre educação: Geografia, 1886)

“Há um certo risco dar-lhes um mês (de férias aos seminaristas), mas é necessário também que as vocações sejam provadas, e ainda, os que não visitam os seus familiares, não conhecem nada do mundo e da vida concreta.” (Carta ao Pe. Kusters, 10/07/1901, Inv. 260.08, AD: B19/5)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Vem ver

24 de Agosto - Festa de São Bartolomeu, Apóstolo

Disse Filipe a Natanael: VEM VER!
Dirá Jesus depois: VINDE VER!

Não basta ir, é preciso ver,
Não basta ver, é preciso ir.
É preciso ser activo - ir.
É preciso ser contemplativo - ver.
São os dois aspectos essenciais e complementares no seguimento de Jesus.
Sejamos então contemplativos na acção,
e activos na contemplação.








São Bartolomeu, também conhecido como Natanael.
Foi provavelmente pregador na fronteira entre a Índia e a Armênia.
O seu escudo apresenta facas de esfolar.
Apresentam também uma Bíblia que lembra a sua fé.
As facas lembram o seu martírio.
De acordo com a tradição, Bartolomeu foi esfolado vivo, crucificado e decapitado.

Café, Tabaco e Pe. Dehon


Embora a sensibilidade dos nossos dias seja diferente, podemos observar que o Pe. Dehon foi bastante tolerante e compreensivo quanto ao tabaco, ao café e às bebidas alcoólicas. Parece que ele experimentou tudo isso, mas nunca foi um consumidor. Aliás a sua precária saúde não lhe permitiria. Em todo o caso podemos ver um homem equilibrado e acolhedor que não condena, mas integra e ajuda.

O uso do Tabaco e do Café

O Pe. Dehon era contra o uso do tabaco, mas deu provas de compreensão:
“Nos países onde o uso (de fumar) é permitido que se fume, mas com moderação; mas nunca no recreio dos alunos, nem pela estrada.”
E esta excepção ainda que bastante restritiva era seguida de um apêndice onde não falta gosto: “Uma maior largueza pode ser deixada aos holandeses, que nascem com o cigarro na boca…” (Règlements divers 43; Vita e Personalità di Padre Dehon, Henri Dorrestein SCJ, Edizioni Dehoniane, Bolonha, 1978, pag 337)

Nas regiões onde há o costume de fumar, este uso deve ser regrado e limitado. Aqueles que têm necessidade de fumar devem fazê-lo no seu quarto, ou na sala de recreio dos padres, mas não nos pátios nem nos corredores. (CC 10/8/1919, Pág. 240)

Escreveu uma carta ao Pe. Falleur, ecónomo de uma comunidade, a 28/09/1919, Inv 295.45, AD: B20(4.2): Zelai pela mesa. É preciso um bom peixe, algumas vezes café, uma infusão à noite para fazer dormir…

O Pe. Dehon fumou cachimbo, durante uma festa nocturna no Egipto. Foi uma excepção, porque de facto era um não fumador:
“No dia 19 de Fevereiro (1865) visitámos Kenéh, (no Alto Egipto, perto de Tebas e de Luxor)…
A França tem lá um agente consular, um amável e rico copta, o Sr. Bichara, que nos recebeu com uma hospitalidade toda oriental…
Tivemos de honrar os ricos Chibuck (cachimbos de longos canos) que nos foram apresentados, já bem acesos.
Entretanto, o jantar ficou pronto.
Tudo isto regado por champanhe, creme de Moka, de aguardente de Dánzica e por duas pequenas chávenas de café.
Depois do café, novos Cachimbos e música.
(NHV, II, 84-85)

Um dia, depois do almoço, sabemos por fonte segura, aceitou um cigarro, mas não fumou até ao fim. Apenas tirou algumas fumaças, pousou o cigarro e não o pegou mais. (SO)

Chegámos ao Mosteiro (Carmelo) tomámos o xarope e o café.
(NHV, II, 126)

sábado, 22 de agosto de 2009

A Alimentação do Pe. Dehon

Leão Dehon, apesar de ser um homem de grande altura (1,92m), sempre se considerou debilitado fisicamente.
A sua alimentação foi cuidada, pois achava-se de estômago delicado.
Bastante novo foi guloso. Durante as suas muitas viagens foi curioso, atrevido/ousado e sobretudo moderado na sua alimentação.

Sempre deu importância à alimentação das pessoas:
- “Os jovens estão um pouco cansados com a comida. Procure variar e melhorar. Há aí um bom cozinheiro? É muito importante para o bom espírito de uma casa” (Carta ao Pe. Kusters, 23/03/1911, Inv 927.37, AD: B74/4).
- Zelai pela mesa. É preciso um bom peixe, algumas vezes café, uma infusão à noite para fazer dormir… (Carta ao Pe. Falleur, 28/09/1919, Inv 295.45, AD: B20(4.2)
- “Cuida de ti e cuida da alimentação da comunidade. O bom espírito depende do refeitório” (Carta ao Pe. Falleur, 13/02/1923, Inv 279,04, AD: B19/9).

Seguem-se algumas experiências que mostram a sensibilidade e a atenção de um estômago delicado e de um gosto extraordinário.

A Alimentação do Pe. Dehon
1.
Chegou ao Colégio de Hazebrouk em Outubro de 1855:
Comia-se sempre o pão preto e diversos pratos habituais na campanha flamenga, mas pouco apetitosos para estômagos delicados. (NHV I )

2.
No Colégio a idade crítica começou na minha “terceira” classe. A luta foi terrível. Eu era tentado de orgulho, de vaidade e especialmente de sensualidade. Às vezes era guloso...
Mantinha, contudo, todas as minhas práticas religiosas. Era a luta. Travei-a às vezes com coragem. Dormia sobre uma tábua, impunha ao paladar mortificações bem duras, disciplinava-me até ao sangue. Outras vezes fraquejava vergonhosamente. (NHV I)

3.
Em Abril-Junho de 1861 em estadia em Londres para estudar inglês:
Eu gostava de assistir aos pequenos serões do Domingo. Tomávamos o chá como em família…
A dieta alimentar tem a sua razão de ser, nesse clima. Os ingleses tomam chá de manhã e à tarde. Comem ao meio-dia carne assada, especialmente de vaca. A sua cerveja é forte. Alegram as refeições com vinhos generosos de Espanha, sobretudo o Jerés. (NHV I)

4.
Na viagem à Escócia, em Abril-Julho de 1862:
Às 6 horas da manhã (depois de termos passado a noite perdidos) chegámos ao Hotel, devorámos uma perna de carneiro fria, tomando chá. Deitámo-nos para depois nos levantarmos sem uma mínima bronquite ou pneumonia. (NHV I)

5.
Alguns dias antes da saída de Londres, ainda em 1862, tive a boa sorte de passar uma tarde com o Cardeal Wiseman, o ilustre arcebispo de Westminster, o autor de Fabíola. Fez-nos um amável acolhimento e convidou-nos a tomar chá. (NHV I)

6.
Em Novembro de 1862, como advogado:
Ia passar todos os dias algumas horas com o Mestre Maza, procurador, na rua S. Ana. É bastante insípida e monótona a vida dos praticantes de tabelião. Todavia o dia tem um momento de alívio em que se se pode divertir e mostrar a aptidão que cada um tem, é a hora do pequeno almoço onde cada um, conversando, come o que teve fantasia de mandar comprar pelo moço, com o pão e o vinho fornecido pelo patrão. (NHV I)

7.
Agosto- Novembro de 1862:
A mesa na Noruega é frugal: só admite pão de centeio e aveia, leite, batatas, e trutas nos grandes dias. Mais a norte encontra-se presunto de rena, que exigiria dentes de aço para ser bem aproveitado.
Toda esta gente raramente come carne, mas é, todavia, robusta. Vive de leite, de ovos, de pão grosseiro. O peixe, especialmente as trutas, é o que se encontra de mais substancioso.
Nós seguimos este regime durante seis semanas sem prejuízo de saúde, porque o ar puro e o exercício mantinham o nosso vigor. Eu gostaria que, para a saúde da alma e do corpo das nossas populações, elas pudessem voltar a esse regime frugal.
O serviço de mesa na Suécia é o dos russos: petiscos e licor antes da refeição, tomados de pé numa mesa lateral; depois molho açucarado, sopa e assado com fruta cozida. Nós dávamos alguma importância a isto tudo. Viajávamos como turistas e como curiosos….
Chegávamos a Viena no dia 28 de Outubro, desembarcando na sua bela estação de estilo renascença. Meu irmão Henrique viera juntar-se-nos em Munique. Ele faria connosco o resto da viagem. Ele tinha como fim prático, o projecto de estudar na Baviera e na Áustria a indústria da cervejaria. (HNV I)

8.
A partir de 10 de Outubro de 1864:
Iríamos percorrer toda a Grécia, durante seis semanas. Precisámos de organizar toda uma caravana, pois a Grécia não tem nem comboios, nem carruagens, nem mesmo estradas. Tomámos seis cavalos e três homens de serviço: intérprete, cozinheiro e carregador. Não levámos tendas; disseram-nos que poderíamos sempre alojar em casa dos habitantes…
Em Esparta:
Recebemos amável hospitalidade em casa de um antigo magistrado, o sr. Fangoras. Segundo o costume, ele ofereceu-nos um copo de água, o glyko e o café, e pôs à nossa disposição os seus melhores quartos…
Alojámos à noite em Andritsaena. O filho do médico veio visitar-nos, para nos oferecer flores e fruta, e para ensaiar algumas palavras de francês. (NHV II)

9.
26 de Janeiro de 1865 no Alto Egipto:
Os nossos homens compram numa aldeia provisão de cana-de-açúcar e nós tomamos parte na festança…
Nas Fontes de Moisés:
O beduíno Jousouf Ibrahim oferece-nos com a melhor graça do mundo as provisões de que dispõe: ovos frescos, leite de cabra, pão quente, lotos e café. A lua e um lindo planeta guiam o nosso regresso a Suez até às 10 horas. (NHV II)

10.
“No dia 19 de Fevereiro (1865) visitámos Kenéh, cidade bastante bem traçada, um pouco modernizada e rodeada de belas palmeiras e sicómoros (no Alto Egipto, perto de Tebas e de Luxor).
A França tem lá um agente consular, um amável e rico copta, o Sr. Bichara, que nos recebeu com uma hospitalidade toda oriental. Mais não teria feito para príncipes de sangue. Ele soube criar no meio das areias… uma graciosa Villa com um jardim encantador plantado de laranjeiras e de quase todas as árvores de fruto europeias. A água do Nilo, vinda de muito longe, operou este milagre.
Fomos mesmo lá, apresentar-lhe as nossas homenagens. Eram cinco horas da tarde, ele reteve-nos para jantar, e a festa prolongou-se pela noite dentro. O nosso anfitrião depressa deu as suas ordens para os preparativos e pôs em acção todo o seu pessoal. A espera foi passada num vasto salão guarnecido de um magnífico tapete de Meca, e rodeado por divãs.
Tivemos de honrar os ricos Chibuck (cachimbos de longos canos) que nos foram apresentados, já bem acesos.
Daí a pouco, entraram músicos vestidos com grandes capas brancas, como as harpistas do sepulcro dos reis. Eles formavam uma pequena banda com um tamboril, a cornamusa, e uma espécie de harpa. Eles cantavam; davam-nos a impressão de menestréis da Idade Média. Um grupo de jovens dançarinos completava o nosso entretenimento.
Entretanto, o jantar ficou pronto. Escravas ajoelhadas apresentavam-nos a água que iam vertendo de ricos jarros. Outros escravos imóveis como cariátides seguraram durante toda a refeição grandes lanternas, nas quais ardiam muitas velas.
Depois da sopa foi-nos servido um perú assado, recheado de arroz, de passas e de avelãs; depois abóboras recheadas, requeijão, carnes frias, pastéis e fruta, tudo isto regado por champanhe, creme de Moka, de aguardente de Dánzica e por duas pequenas chávenas de café.
Nós comíamos com apetite, fazendo de vez em quando brindes ao nosso anfitrião, cuja cara exprimia satisfação. Pouco habituado, acho eu, a se pôr à mesa, ele punha-se por vezes a comer com os dedos, à moda árabe.
Depois do café, novos Cachimbos e música.
Era meia-noite quando dissemos adeus ao nosso anfitrião…
Descrevi aqui esta festa porque revela bem os costumes do oriente. Ela pode ajudar a compreender certas cenas da Bíblia.” (NHV II)

11.
Março e Maio na Terra Santa:
Em São Sabas os bons monges de hoje, infelizmente cismáticos, têm a prudência de não abrir a pequena porta de ferro a qualquer um que chega. Eles baixam primeiro do alto dos muros uma cesta na qual os visitantes devem colocar as suas cartas de recomendação. Nós estávamos munidos duma carta do seu patriarca. Abriram-nos graciosamente e ofereceram-nos o “araki” e o café…
Chegámos ao Mosteiro (Carmelo) tomámos o xarope e o café. (NHV II)

12.
Embarque em Beirute para Constantinopla:
A 24 de Maio de 1865 partíamos à noite num navio turco. A 1ª classe estava organizada à europeia; a cozinha era grega. (NHV II)

13.
Excursão com os pais a Pagani, a caminho de Nápoles, no início de 1869:
Os nossos hospedeiros só tinham de bom as suas laranjas, mas tão boas de ultrapassar todas as que eu vira noutras terras. Mas como aí elas eram coisa comum, hesitavam em no-las dar e ofereciam maças como fruta mais distinta. (NHV III)

14.
16 Novembro 1971:
Sendo eu o último vigário de São Quintino, tinha muitas missas tardias: enterros de 5ª classe, casamentos de 4ª classe, missa do meio-dia aos domingos. Jejuava quase um dia sobre dois, mas a minha saúde conservou-se perfeita; pude observar a Quaresma inteirinha, sem nada comer antes do meio-dia. (NHV V)

15.
Assembleia anual dos Círculos, em Paris (1974):
Às 8 horas da noite, um banquete de 200 lugares era oferecido pelo comité de Paris aos seus confrades da província, e os brindes seguidos por aclamações unânimes fizeram vibrar, uma última vez, os corações em uníssono. (NHV VI)

16.
Patronato 1874:
“Mas não julgueis que o dia acabou. Já vos disse que hoje é dia de festa. As crianças do Patronato vão partir, mas os membros do Círculo vão ir jantar e voltarão. Qual é o programa desta noite? Talvez um beberete, organizado pelo director (ao qual tiveram o cuidado de desejar um bom ano), em lugar do beberete e das serenatas, teremos um simples chá com uma conferência de um dos membros do Comité protector (NHV VI).

17.
A Casa de família aumentava.1875:
Os porteiros (família Derniame) tinham até então preparado as refeições da casa de família. Daqui em diante teríamos duas Irmãs, a irmã Verónica e uma outra a tomar conta da cozinha. (NHV VI)

18.
A primeira do ano lectivo 1878/1879 foi a de S. Nicolau, a 6 de Dezembro. Os nossos jovens fizeram uma representação dramática a benefício do Patronato. Representaram graciosamente duas peças: “O surdo ou o Hotel Cheio” e o “Tocador ou os Dois Irmãos”…Durante um intervalo, o Sr. Lefèvre, vestido de S. Nicolau e montado num burro espantadíssimo, atravessava a sala lançando bombons: grande alegria para os nossos pequenos. (NHV VII)

19.
Eis-nos em Valado (Portugal), onde deixámos o caminho-de-ferro para nos aventurarmos pelo campo. O que lá se chama um omnibus, ou melhor uma carripana, nos conduziu a Alcobaça. Lá uma pequena pensão rural deu-nos hospitalidade para a noite. Pela minha parte, tive um quarto com três camas. Gostaria mais que tivesse apenas uma e que parecesse menos uma prancha, para repousar das fadigas da viagem. Serviram-nos uma sopa de azeite, bacalhau e uma omoleta intragável. Entretanto à nossa frente um viajante português ou um hóspede, que constituía connosco toda a clientela do hotel, devorou tudo como quatro pessoas e pareceu deliciar-se perfeitamente. Mas tudo isto se esquece, quando se vêem belas coisas. (Para além dos Pirinéus, Por L. Dehon, Superior dos Sacerdotes do Coração de Jesus, H. & L. Casterman, Éditeur Pontificaux, Paris, Rue Bonaparte, 66, Tournai (Belgique) O Padre Dehon chegou a Lisboa no dia 26 de Março de 1900 e permaneceu em Portugal até 3 de Abril)

20.
A terceira escala é Lisboa. Revejo com agrado a Bizâncio ocidental, que visitei há seis anos:
Uma volta de trém permite-nos admirar a praça do Rossio com o pavimento ondulado e a bela Avenida da liberdade. O museu do Carmo parece-nos bastante modesto. Almoçámos no hotel de Paris e depois temos que partir. (Leon Dehon, Mille lieues dans l’Amerique du Sud: Brésil, Uruguay, Argentine, (1909) Início de Setembro de 1906, mais precisamente no dia 3)

21.
Os Portugueses não nos deixam uma impressão favorável. São pretensiosos e de grande apetite. Os doces desapareceram da sua mesa ainda antes que tenha chegado o momento de tocar-lhes. (Leon Dehon, Mille lieues dans l’Amerique du Sud: Brésil, Uruguay, Argentine, (1909), pag 62).

22.
O prato fundamental das mesas brasileiras, a feijoada, que é apreciada também pelos portugueses, é uma mistura um pouco atabalhoada de mandioca, feijão preto e arroz, com carne seca (Leon Dehon, Mille lieues dans l’Amerique du Sud: Brésil, Uruguay, Argentine, (1909), pad 240-250).

23.
Na Viagem à volta do mundo, em 1910-1911, escreve nas suas notas quotidianas:
No buffet nós almoçámos e depois fomos para casa. No buffet, serve-se à moda europeia e à japonesa. Eu quis tentar os pauzinhos para comer. É pouco cómodo, mas o tempo ajudará…
Eu comi… com resignação, fatigado sobretudo pela posição incómoda que me davam cãibras nas pernas. O meu companheiro achou o jantar muito pouco ao seu gosto. Ele saiu com fome e foi comprar um pedaço de pão para se alimentar.
À noite, visita ao mercado… Eu compro Kakemonos, estes rolos de seda e de papel, ornados com figuras ou de paisagens, para servir de cortinas nas salas.
…De manhã, oferece-nos o pequeno-almoço regulamentar, arroz naturalmente. Ninguém tem apetite. Eu, esvaziei corajosamente a minha taça de arroz com ajuda dos meus dois pauzinhos.

24.
Um dia numa casa da Itália, em época de grande carestia, o Pe. Dehon estava cansado e com a saúde combalida. Os tempos eram difíceis. Tanto isto é verdade que se comia muito pouco. O Fundador calava-se, mas o seu estômago dava sinais evidentes de carência. Um dia, saindo para o jardim com o reitor e com o ecónomo, reparou numa vaca muito magra que pastava por lá. Olhando de soslaio o Pe. Dehon declarou:
- Olhem só a coitadinha da vaca. Está a olhar atravessado para nós porque pensa que queremos comer a sua ração…
(Cf. Giuseppe Manzoni, Leon Dehon y su mensajem, Madrid 1995, pág. 644, José Fernandes de Oliveira, Por Causa de um Certo Reino, S. Paulo, 1978, pág. 186).