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sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Pedagogia segundo D. Bosco

 

Memória de São João Bosco (1815-1888)

Presbítero, Apóstolo da Juventude

Sermão inspirado na pedagogia de São João Bosco

 

Um casamento perfeito

Foi amor à primeira e à milésima vista o casamento entre a Razão e o Coração.

Parecia fácil o encontro destes noivos Razão e Coração, mas foi necessário um esforço continuado para manter tal união. Chegar à lua não foi tão longe como chegar do Cérebro ao Peito e vice-versa. De facto, as maiores distâncias que devemos percorrer estão dentro de nós. Mas isso é amor para sempre.

Desta união nasceram três filhas gémeas, perfeitamente distintas, mas complementares.

- A primeira chama-se Educação. De facto, a Educação é obra do Coração. Da Razão herdou o dom da palavra. E do Coração recebeu o dom da música e da arte. De facto, a Razão fala em palavras, letras e conhecimentos, mas o Coração tem música, tem ritmo, emoção, sentimentos e faz-se canção. A Educação só é arte completa se for fruto da Razão e do Coração. A Educação sem o Coração é fria, insensível ou mecânica. Mas sem Razão torna-se caótica e perde objetividade.

- A segunda filha chama-se Alegria. Veste-se de felicidade e de santidade. A coisa mais agradável do mundo é estar na sua companhia. De facto, ela está sempre a sorrir. E quando sorri sem ter razão, Deus dá-lhe mil razões para sorrir. A Alegria é fruto conjunto da Razão e do Coração.

- A última filha chama-se Moderação. É muito parecida com os seus pais quanto ao equilíbrio e à humildade. Ela não se entusiasma demasiado quando a vida corre bem, mas também não fica demasiado deprimida quando nem tudo corre tão bem. E só consegue isto devido à sua dupla filiação.

Ainda hoje para termos Educação, Alegria e Moderação precisamos de casar o Coração com a Razão.

 

Ver também:

Pai e mestre da juventude

O missionário dos jovens

São João Bosco

Santo Educador

Dom Bosco

Educação é obra do coração

 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Discutir só para destruir


2ª feira – VI semana comum

Estava um professor de moral a dar a lição e, durante alguns dias havia explanado o texto da aula. Volvidos esses dias, chamou um aluno ao acaso. O aluno perfila-se e responde ao mestre:

- Senhor professor, devo dizer-lhe que não acredito na religião e não aceito esta disciplina. Não sei, portanto, a resposta à sua pergunta nem quero discutir mais o assunto…

O professor ficou inalterável. Podia dirigir-se ao Diretor da Escola e comunicar-lhe o facto, podia discutir com o aluno o seu problema… mas tomou um rumo surpreendente:

- Meu amigo, peço desculpa. Tinha notado que um ou outro dos meus alunos não prestava atenção às minhas exposições e desconhecia o motivo. Fiquei-o agora a saber… Desculpe e sente-se por favor!

E isto foi dito com palavras ternas, sem nervosismo, mas pacientemente.

Antes de findar a aula, o aluno em questão, levantou-se, publicamente, a fim de pedir ao seu mestre desculpa da atitude deselegante que havia tomado.

O êxito do verdadeiro educador: ganhar o coração e, pelo coração, a alma do aluno. (autor desconhecido).

 

Assim fez Jesus no trecho do evangelho de hoje.

Alguns fariseus começaram a discutir com Jesus e para o porem à prova pediram-lhe um sinal do céu.

Jesus suspirou do fundo da alma, isto é, respirou fundo, e cheio de paixão disse:

- Nenhum sinal será dado a quem não quer o sinal, mas quer apenas discutir. Não vale a pena discutir com quem não está interessado na verdade, mas apenas em destruir o seu interlocutor.

Depois deixou-os e foi para a outra margem.

De facto, a melhor maneira de vencer uma discussão é evitá-la.

 

À margem

A dupla inveja de Caim e de Abel

Caim matou Abel não por que o seu sacrifício não foi aceite, mas porque Deus aceitou o sacrifício do irmão.

Caim trouxe primeiro a oferta, inovou, depois Abel copiou o bom exemplo, também preparou uma oferta. Abel teve ciúmes e então ofereceu também. Os dois tiveram ciúmes um do outro, mas com atitudes diferentes. Um copiou o bom, outro fez o mal.

 

Ver também:

Dois sinais

Caim e Abel

Ir mais além

 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Pai e mestre da juventude


2ª feira – IV semana comum

Três realces

1º - As palavras da 1ª leitura

David disse – Que o Senhor olhe a minha aflição e transforme em bênção as maldições desde dia.

Nós também podemos dizer – Que o Senhor transforme em graça as limitações e fraquezas da nossa vida.

2º - As palavras do Evangelho

Os nazarenos pediram que Jesus se retirasse da sua vida porque deram mais importância à perda dos porcos do que a cura e salvação de um homem.

Á vezes é também a nossa tentação de inverter valores.

Aprendamos a valorizar o essencial e a relativizar o que não é tão importante.

3º - As palavras da Colecta

São João Bosco foi pai e mestre dos jovens.

Quem é pai e mestre é Santo.

Quem é Santo é pai e mestre.

 

Ver também:

O Missionário dos jovens

Dom Bosco

Santo educador

D. Bosco

A educação é obra do coração

 

Ver ainda:

O mundo e a casa

Um homem perturbado

Começar por casa

Vai para casa

 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Viagem marcada

“Só no dia 3 de dezembro (de 1946) tive na mão o passaporte com os vistos de passagem pela Espanha e de entrada em Portugal. (O meu passaporte foi concedido ‘in nome de Sua Majestà Umberto II re d'Ítalia’ então no poder. Tem a data de '8 Giu. 1946').

De Roma parti para Génova, onde fui hóspede do meu antigo educador e professor, Pe. Alfonso Franceschetti, então capelão da Stella Maria.

Com a ajuda deste padre, fui procurar uma passagem marítima para mim e para o Pe. Canova. Encontrámo-la numa Agência da Companhia A. Costa, para viajar num navio espanhol que partiria nos fins de dezembro. Os bilhetes de passagem deveriam ser diferentes: para o Pe. Canova, até Barcelona; para mim, até Lisboa com a bagagem toda.

- Porquê, se ambos vão para Lisboa? – perguntaram-nos.

- É que só eu vou acompanhar as bagagens até Lisboa e o meu companheiro irá de Barcelona para Lisboa via Madrid.

- E a bagagem dele?

- Eu é que a acompanho até Lisboa.

- Mas isso é pouco ortodoxo…

Interveio então o Pe. Franceschetti, bem conhecido no ambiente marítimo. A dificuldade ficou esquecida e a passagem marcada. E ainda bem, pois seríamos também portadores das bagagens dos missionários que já tinham partido para Lisboa de avião.

A questão era que o dinheiro era pouco naquele tempo e… precisava poupar!

Marcada a passagem, fiz uma visita ao Noviciado de Albissola e daí voltei a Roma para despedir-me do Superior Geral, Pe. G. Govaart, e em meados de dezembro voltei a Bolonha para fazer o mesmo com o Superior Provincial e Confrades do Studentato Missioni e para preparar as últimas coisas. Subi à minha terra para uma derradeira visita de despedida à família e, no dia 19 de dezembro, descia no comboio de Milão para Génova, com armas e bagagens.” (CF. Memórias do Pe. Ângelo Colombo)


Conclusão: 

Mesmo antes de chegarem a Portugal já tinham aprendido a poupar!

 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Às quartas com S. José


Desde o dia 8 de dezembro de 2020 até 8 de dezembro de 2021 o Papa Francisco consagrou um ano dedicado a São José para assinalar os 150 anos da declaração de Patrono da Igreja Universal. De facto, foi a 8 de dezembro de 1870 que o Papa Pio IX declarou São José Patrono de toda a Igreja.

No seguimento da vida da Igreja São Pio XII aprovou as ladainhas de São José e convidou os fiéis a honrá-lo em cada semana à quarta-feira a ele dedicada.

Assim, nós também, todas as semanas nesse dia faremos o possível de assinalar a nossa devoção a São José, partilhando orações, reflexões, imagens, histórias e testemunhos da ação de São José na Igreja Universal.

 

Clique para ver São José no Quintal do Vieira

Deus confiou nele

São José dormindo

São José

José, o educador

Rogai por nós, São José

Deus tão perto

Tempo de ação

Deus confia-nos o seu Filho

São José sonhador

Guardiões

Ó São José, rogai por nós

 

 

terça-feira, 19 de março de 2019

Deus confiou nele


Solenidade de São José.

São José é um homem de confiança.
Confiou em Deus e Deus confiou nele.
Deus confiou-lhe o cuidado do seu Filho Jesus e de Maria, sua mãe.
Como homem justo confiou em Deus entregando-se nas suas mãos e fazendo a vontade divina.
E Deus confiou plenamente nele para que cuidasse do seu filho Jesus.

Também o nosso pai é um homem de confiança, porque nós confiamos nele e porque Deus confiou-lhe o nosso cuidado.























Carta de um filho a seu pai

Meu querido pai, escrevo-te esta carta, para te dizer o que sinto no meu coração.
Não me dês tudo o que te peço.
Às vezes, peço só para te experimentar.
Não me dês ordens nem me imponhas nada.
Se me propuseres alguma coisa, eu a farei depressa e com mais gosto.
Não mudes de opinião, constantemente, sobre aquilo que devo fazer.
Decide-te e mantém essa decisão.
Cumpre as promessas, boas ou más.
Se me prometeres um prémio, dá-mo, e faz o mesmo, se for um castigo.
Não me compares a ninguém, especialmente ao meu irmão ou ao meu colega.
Se tu me fazes brilhar mais que os outros, alguém vai sofrer; e se me fazes brilhar menos, eu é que sofrerei.
Não me grites: Eu respeito-te menos quando o fazes aprendo assim a gritar também, e eu não quero fazê-lo.
Deixa-me valer por mim mesmo.
Se tu fazes tudo por mim, eu nunca poderei aprender.
Não digas mentiras diante de mim, nem me peças que as diga por ti, ainda que seja para livrar-te de apuros. Faz-me sentir mal e perder a confiança em tudo o que me dizes.
Quando está enganado nalguma coisa, admite-o e crescerá a boa impressão que tenho de ti. Ensinas-me assim a admitir os meus erros também.
Trata-me com a mesma amabilidade e delicadeza com que tratas os teus amigos, já que o facto de sermos familiares não quer dizer que não possamos ser amigos.
Não me peças que faça alguma coisa se tu não a fazes.
Eu aprenderei e farei sempre o que tu fazes, ainda que não o digas, mas nunca o que tu dizes e não fazes.
Ensina-me a amar e a conhecer a Deus.
Não importa se, na catequese, me ensinam, porque de nada vale, se eu vejo que tu nem conheces nem amas a Deus.
Quando te conto um problema meu, não me digas: “Não tenho tempo para as tuas manias” ou “isso não tem importância”.
Tenta compreender e ajudar-me mas, sobretudo, escuta-me.
Não me digas que gostas de mim, dando-me muitas coisas materiais: Se não me amas, não me compreendes e não me ajudas.
E procura dizer-me que me queres.
Eu gosto de te ouvir dizer-me isso, ainda que penses não ser necessário dizer-mo.
Sobretudo, ensina-me a amar a Deus e ao próximo.
Na igreja, eu rezo por ti para que sejas um bom pai e eu um bom filho.
(Adaptado de Autor Desconhecido)

Ver também:











quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O Missionário dos jovens


Duas lições do santo do dia, São João Bosco:

Dizia – “Sejam missionários uns dos outros dando bom exemplo.
O ensinamento mais eficaz é fazermos nós mesmos o que ordenamos aos outros.”
De facto não há melhor missionário do que o bom exemplo.

Despediu-se assim: “Amai-vos uns aos outros como irmãos. Fazei o bem a todos e o mal a nenhum...Dizei aos meus rapazes que espero por eles no Paraíso."
De facto toda a educação tem como meta a eternidade. É preciso educar para eternidade. Lá nos encontraremos todos.

Ver também:








quinta-feira, 7 de abril de 2016

Dar ouvidos

5ª feira - II semana da Páscoa

Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens – disse Pedro às autoridades que o queriam silenciar, como lemos na primeira leitura da liturgia de hoje.

O verbo OBEDECER vem do latim oboedire (ob + audire, isto é, a ouvir).
Obedecer quer então dizer prestar atenção, dar ouvidos, escutar.

Isto faz lembrar um episódio ocorrido há dias.
Aconteceu aqui nos Açores, mas bem poderia ter sido em qualquer lugar e com qualquer educador.
O Padre na missa com as crianças da catequese acautelava-se para que nenhuma delas achasse desculpa para se escapulir dos seus pais como Jesus no Evangelho desse dia, que ficara perdido em Jerusalém. Por isso o pregador reforçava que Jesus voltara para Nazaré e era-lhes submisso, isto é, obedecia a seus pais.
Um miúdo, lá mesmo no primeiro banco da frente, abanava negativamente a cabeça. Quanto mais o pregador falava da obediência de Jesus tanto mais ele se manifestava. Até que o Padre lhe perguntou:
- Então, ó rapaz, não concordas comigo? Não achas que Jesus sabia obedecer?
- Concordar, concordo, mas eu queria ver Jesus obedecer a meu pai! Ele de certeza que não conseguia…
- Tens razão, ó pequeno. Não será difícil um santo obedecer a outro santo, como foi o caso de Jesus. Já não é tão fácil um pecador obedecer a um santo, como deve ser o caso da maior parte de nós aqui presentes. Mas um santo obedecer a um pecador, deve ser muito difícil. E ainda mais difícil será um pecador obedecer a outro pecador, Mas não sei qual é o teu caso. Esforça-te, pois o mais importante é o esforço de quem manda e de quem obedece.
Obedecer não é mais que dar ouvidos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Educação cristã e virtudes da infância (III)



               O respeito é irmão do afeto.
               Há também entre a religião e o respeito uma afinidade profunda. A religião dá à alma a impressão do respeito.
               Só DEUS de resto é a razão do respeito que se dedica aos homens e às coisas. É o profundo trabalho da educação religiosa que incute o respeito na alma da criança descobrindo-lhe, onde quer que se coloquem diante dela, estas representações e estas imagens de Deus as únicas capazes de governar os nossos respeitos.
               A educação católica mostra à criança, na hierarquia da Igreja, uma majestade que desce de DEUS e que se eleva até Ele por CRISTO. Ela mostra-lhe na família a dignidade paterna e a dignidade materna que são para elas representações da dignidade divina. Quando o pai e a mãe delegam num educador todos os seus direitos de ensinar e de educar um filho, transmitem-lhe ao mesmo tempo algo da sua dignidade, e se este educador pertence ao mesmo tempo à hierarquia da Igreja, tem aos olhos das crianças um duplo carácter de autoridade e como que um duplo reflexo da majestade divina.
               Assim, o catolicismo justifica o elogio que lhe foi feito pela sinceridade de um ilustre protestante: é a maior escola de respeito que há sobre a terra.
               Será preciso acrescentar que o respeito gera a obediência e com ela a confiança e a docilidade, e que leva assim às outras virtudes da infância, ao hábito do trabalho, à seriedade e à força de carácter?
               Estas nobres energias não se impõem acaso à vontade quando o espírito concebeu o respeito por DEUS, pelo dever e por si mesmo?
               Recorramos novamente ao testemunho do nosso livro de ouro e vejamos se o respeito e a coragem aparecem aí em destaque tal como a piedade e o afeto. Leio que um passou por altura da sua primeira comunhão por uma transformação maravilhosa: “Pôde-se deste então, diz-se, notar no comportamento desta criança um progresso sensível, o seu trabalho foi mais consciencioso, os seus esforços para dominar a sua natureza foram mais enérgicos, mais constantes, o seu esforço de agradar aos pais e professores mais perfeito e mais consistente”.
               Vejo que outro levava a sério a virtude. “No que se refere à grande coisa, escreve ele a seu irmão, está melhor. O céu seja bendito por ajudar os meus esforços e a minha boa vontade. Sinto-me mais forte contra a tentação e, quando me apercebo de alguma fraqueza, levanto-me de imediato. Que mais te direi? A nossa vida de colégio tem algo de monótono; nada de novo nisso. Mas não quero queixar-me, aprende-se a vencer-se, domina-se a sua vontade, exerce-se a virtude e o sacrifício; afinal, isto é o essencial, é tudo, e vale o mundo inteiro”.
               Outro começou os seus estudos num internato eclesiástico. Distinguiu-se pela exatidão no cumprimento de todos os seus deveres, pela sua aplicação, pela sua docilidade. Soube merecer o afeto dos mestres e dos colegas. Razões que não vale a pena explicar, levaram os pais a mudá-lo para um colégio de outro género. Aí teve de travar duras lutas para não trair a sua fé. Encontrou-se, apesar das boas intenções dos responsáveis, à mercê de uma multidão de colegas perversos e sem religião que inutilmente tentaram arrastá-lo. A esta guerra de sedução, sucedeu-se outra de mentira, de sarcasmos e de maus-tratos; nada o pôde vencer. Furiosos com a sua resistência, aqueles jovens ímpios tornaram-se carrascos; chegaram até à barbárie de submeter o seu virtuoso condiscípulo a uma espécie de crucifixão, fazendo-lhe com suas navalhas incisões nas mãos em forma de cruz. Ele sofreu esta cruel brutalidade com uma coragem heroica: sem mostrar ressentimento nem rancor, continuou a viver como cristão fervoroso e intrépido sob os seus olhares; o que os impressionou de tal maneira que muitos deles, encantados, não só pela firmeza do seu carácter, como também pela doçura e suavidade das suas maneiras, acabaram por colocar-se do seu lado considerando uma honra protegê-lo de novas perseguições.
               O contraste não prejudica a nossa demonstração. Estas imagens vivas de energia e de respeito não vos encantam? Não pensais que estas flores e estes frutos mostram bem o valor dos terrenos onde foram cultivados?



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Educação cristã e virtudes da infância (II)


               O que disse da fé e da piedade, quero dizê-lo do afeto e das qualidades do coração; a educação cristã é a mais apropriada para os fazer florir, sobretudo quando é dada por homens consagrados a DEUS. A criança chega ao colégio com um coração largamente aberto. A família e sobretudo a mãe desenvolveram nela esta capacidade de amar. Só deseja poder expandir-se. Toda a arte da educação cristã consistirá em não propor a esta atividade servir objetos legítimos e santos. Quão belo é o coração que só abraça na terra a virtude e a ciência, a Igreja e a pátria, a família e as santas amizades!
               Mas o afeto só se deixa guiar pelo afeto, e para que um mestre possa dirigir o coração da criança, é preciso primeiro que conquiste este coração amando-o como o fazem um pai e uma mãe. Esse afeto, paternal e maternal ao mesmo tempo, onde encontrá-lo, fora da família, mais seguramente a não ser no coração daqueles que bebem diariamente da fonte onde se alimentou um são João apóstolo, um santo Agostinho e um são Francisco de Sales, um são Vicente de Paulo? Quem poderá substituir este fogo sagrado? Será o sentimento do dever que obriga todo o educador a amar? Mas o dever é austero e frio, e as suas obrigações abstratas não podem substituir o calor da caridade. Será o interesse bem entendido que manda o mestre educar bem, isto é educar com afeto as crianças que lhe são confiadas? A criança não saberá distinguir este afeto interessado da inimitável caridade? Será a bondade natural? Será A criança é naturalmente amável. Sim, até à hora do capricho ou da paixão nascente. Pais e mães, encontrareis só nos corações unidos estreitamente ao coração do Redentor alguma coisa que imita e reproduz, diante dos vossos filhos, a paixão da dedicação e do sacrifício que consome os vossos.
               Abramos o nosso livro de ouro e tomemos, a este respeito, esta afeição enobrecida pela fé.
               Estes corações são ardentes, têm afeto suficiente para expandir por sua vez sobre os seus pais, mestres, colegas, sobre os pobres.
               Um, depois do regresso às aulas, escreve à mãe: “Como te peço perdão pelos incómodos que te causei durante as férias! Como me arrependo! Vou esforçar-me por ter boas notas, a fim de te fazer cada vez mais feliz e fazer-te esquecer as minhas faltas. Quando penso nisto, o coração sangra-me. Não podes imaginar como o meu coração se desfaz só ao pensar que te desgostei. Como quereria penitenciar-me por esta loucura momentânea! Como lamento! Lamento sobretudo a tristeza!” – E tratava-se somente de uma ligeira desobediência.
               Outro tinha adquirido o comovedor hábito de nunca ir para a cama sem antes ter recebido a bênção dos seus pais. “Uma noite, conta ele, como a minha mãe, descontente comigo durante o dia, tinha recusado abençoar-me e se tinha furtado às minhas impertinências retirando-se para o quarto, ajoelhei-me à sua porta chorando lágrimas quentes e suplicando que voltasse. Perto das duas horas da manhã, vendo que eu soluçava em vão e sentindo que a minha glândula lacrimal ameaçava secar, recorri, para conseguir que se abrisse a nova Sésamo, a um procedimento pouco vulgar: juntei todas as cadeiras da sala de jantar e, depois de as ter disposto como obstáculos de pista de corrida, entreguei-me a um exercício de ginástica tão barulhento que depois de um quarto de hora de exercício a minha mãe apareceu cheia dum medo que logo se transformou num riso irreprimível. Quem ri, diz o provérbio, já perdoou; pude assim deitar-me às três horas da manhã, com a sua bênção que consegui com o suor do meu rosto, e mudando a sentença: “Mais vale tarde do que nunca”, noutro da minha lavra: “mais vale de madrugada do que nunca.” É um facto, original sem dúvida, mas que revela bem um coração, não é verdade?
               Outro escrevia à irmã mais velha: “Eu esforço-me, sou muito ajuizado, mesmo assim tive notas baixas que bem mereci, mas somente por causa de pequenas misérias. Se isto não causasse tanta pena aos meus pais, eu facilmente me consolaria, mas quando penso que vão sofrer e sentir-se infelizes, não posso deixar de sentir uma profunda aflição. Isto não passou de um descuido, de pouco de distração. Ah! Se eu pudesse receber outro castigo, não importa qual, para evitar este desgosto aos nossos bons pais!... Se eles vão pensar que sou ingrato… Tudo isto me acabrunha, já não aguento mais… Tu vais talvez dizer-me que fico demasiado triste por tão pouco. Sem dúvida que é pouco, e no entanto é tudo, pois causa desgosto aos meus queridos pais”.
               De um outro, leio este simples pormenor: “Nunca deixou sem responder nenhuma das cartas vindas da família durante os sete anos dos seus estudos”.
               Estes são os factos que dizem o que valem os corações. Devo acrescentar, todavia, que estes corações, tão ardentes de amor filial, me pareceriam cristãmente imperfeitos, se não os visse transbordar de um afeto análogo pelos seus mestres.
               Prossigamos a nossa investigação. Cá está um bilhete escrito depois de um dia de mau humor: “Caro professor, como deve ter sofrido hoje! Como fui ingrato para consigo, não é? Desgostei a Nosso Senhor ao mostrar-me tão pouco ajuizado. Mas o divino Mestre é tão bom! Ele já me perdoou, estou certo, as minhas negligências, e ouso dizer… o meu orgulho. Mas depois do perdão do Senhor falta o do professor. Este ser-me-á também concedido, assim espero. Cheio de confiança, atrevo-me a escrever-lhe estas palavras para lhe mostrar que se o desgostei, estou arrependido. Não voltará a repetir-se outro dia, não é?, em que esta má cabeça torne a fazer das suas. Reze por mim, para que o orgulho saia do meu coração e eu seja doravante mais digno do seu afeto”.
               O segredo destes laços, vê-se numa carta de um aluno novato à sua mãe: “Dou graças ao Bom Deus por me ter colocado em tão excelente casa. Os professores não são duros como nos outros colégios: longe de desprezar os alunos, mostram-nos afeto, e até se juntam aos nossos jogos… Asseguro-vos, minha mãe, que me encontro bem, que só tenho pena de estar longe de si”.
               Mas aqui está o que é mais característico; a carta de um estudante de direito em excursão de férias: “Adivinhai, minha mãe, estou quase louco de alegria no momento em que lhe escrevo. Porquê? Dou-lhe cem por cento de tudo o que quiser. Adivinhe? – Não? – Estou muito longe de si, e todavia salto de satisfação. Para não a fazer esperar mais tempo a revelação do enigma, digo-lhe que vou rever o colégio onde fui educado. Esta querida casa que deixei, há já tanto tempo, vou tornar a vê-la daqui a algumas horas. Poderei voltar a passear pelas suas alamedas que foram tantas vezes testemunhas das minhas brincadeiras! Com o coração a palpitar vou ver a sala de estudo onde trabalhei, as salas de aula onde triunfei, a capela onde gozei instantes de uma alegria tão doce e tão pura!”. No dia seguinte, depois de ter aberto o seu coração numa alegre narração, acrescentava: “Fiquei satisfeito não só pelos meus colegas como também pelos meus antigos mestres; todos aqueles que ainda me conheceram mostraram-me o apego mais terno. Ao despedir-me derramei lágrimas. Como gostaria de voltar a fazer esta viagem de tempos a tempos! Parece-me que isto retemperaria a minha alma.”
               Da caridade para com os pobres, direi apenas uma palavra. Só as casas de educação cristã conhecem as associações de caridade com a visita às famílias e os pequenos sacrifícios feitos diariamente em seu favor.
               Pais e mães de família, dizei-me, não gostaríeis de ver os corações dos vossos filhos numa semelhante lista?


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Educação cristã e virtudes da infância (I)

QUARTO DISCURSO
ACERCA DA EDUCAÇÃO CRISTà
E DAS VIRTUDES DA INFÂNCIA

Discurso pronunciado na distribuição de prémios do Instituto São João, a 4 de Agosto de 1880. V. “A Semana Religiosa da Diocese de Soissons e Laon”, 7º Ano, 1880, p. 556, Distribuição de prémios e pp. 588-589, Instituto São João, de São Quintino. 4º Discurso “Acerca da Educação Cristã e das virtudes da Infância”, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, pp. 321-335 do IV Volume das Obras Sociais do Pe. Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985.

               Monsenhor,
               Pais e mães de família,
               Meus filhos,

               Todos os anos por esta altura, encontramo-nos reunidos. Se auscultarmos as palpitações do nosso coração, é sempre com uma doce e alegre emoção. A natureza e a graça conspiram harmoniosamente para criar misteriosos laços entre o bispo, os pastores, os pais, os mestres e os alunos. Mais ou menos conscientemente, formamos um todo. Há entre nós atractivos divinos: de um lado a confiança e o amor filial, e do outro ternura, solicitude e bênçãos, doce conjunto em que o afeto é o nó, em que o respeito marca a ordem, e em que a fé, ajudada pelo sentimento da arte, se compraz em contemplar a beleza ideal.
               Nos anos anteriores V. Excia. Revma. estava ausente de corpo, mas presente em espírito e de coração, como se dignou escrever-nos. Este ano, está no meio de nós, por isso a festa não é sem tristeza e a alegria sem reserva.
               Mas, este encontro anual, que objetivos tem? Encontrar-se, faz bem; sentir o bater dos corações em união com os nossos, consola e fortifica; unir as mãos dos pais espirituais com as dos pais segundo a natureza para coroar estas crianças bem-amadas, é bom; mas não é tudo.
               No espaço dum ano, mais do que um golpe foi desferido contra o laço que nos une. O erro e a ignorância tentaram rompê-lo. Este laço encontra toda a sua força, pais e mães, na confiança que depositais no ensino cristão. Quantas vozes em cada ano tendam abalar em vós este sentimento! O ataque é constante na sua energia e variado na sua forma. Nós aproveitamos a ocasião destas festas anuais para dispersar as nuvens que os inimigos ergueram; proclamamos juntos a nossa fé e reanimamos o nosso entusiasmo.
               Há dois anos, a palavra de ordem era: A religião é o obscurantismo. Nós arregaçámos as mangas e dissemos: A religião é a luz das letras, das ciências e das artes.
               O ano passado, a hipocrisia ousava dizer-nos: Vós não sois patriotas. Nós abrimos as páginas da nossa história e dissemos: Vede, a religião na França chama-se Genoveva de Paris, Joana d’Arc, Carlos Martel, Bayard, Duguesclin, Condé; e nestes últimos tempos, os soldados saídos das nossas escolas religiosas não salvaram a honra derramando o seu sangue mais abundantemente que os demais, a quem não negamos, no entanto, o pleno direito de se dizerem patriotas?
               Este ano, não vos parece que uma imprensa nas garras da mentira tentou privar a moral do cristianismo da sua auréola celeste? O logro é grosseiro, sem dúvida, só pode enganar os cegos. Todavia é CRISTO e a Igreja nossa mãe que foram atacados. A título de reparação, exaltemos sob qualquer um destes seus aspetos a santidade cristã. Disse-se até nas altas esferas: A moral cristã é imperfeita e a Educação cristã não forma para a virtude. A provocação não nos apanha desprevenidos, estamos prontos para responder a isso.

I

               A nossa tese é esta: As virtudes da infância encontram na fé e na educação cristã uma base sólida e um crescimento maravilhoso.
               Formulada desta maneira, esta afirmação entra no plano da grande apologia cristã; é como que a primeira página e a mais graciosa. É a verificação na infância e na educação cristã do grande ato da restauração universal por CRISTO. CRISTO engrandeceu tudo: Letras, ciências, artes, pátria, família. Ficaria apenas a infância fora desta exaltação? Não. Contemplai os sublimes quadros que desenvolveram através dos séculos, os mestres do pensamento cristão; chamam-se essas obras capitais “Cidade de DEUS”, “Génio do Cristianismo”, “Defesa da Igreja católica”, “Progresso por CRISTO”, nelas encontrareis sempre aquela cena sedutora que é a infância cristã revestida de amabilidade, pureza, doçura, força, modéstia. É para este retrato que eu quero atrair os vossos olhares. Ele é duplamente atraente, porque é o ideal sob o qual gostais de contemplar estes entes queridos pelos quais os vossos corações de pais e de mães palpitam hoje com tanta emoção.
               Sejamos consequentes para alcançar as convicções. Diremos primeiro aquilo que nos parece ser a perfeição na infância. Veremos depois se os princípios da educação cristã são adequados para a realizar. Procuraremos saber por fim se os factos bem conseguidos são apropriados para provar que esses princípios produziram aquilo que deles se podia esperar.
               Quais são os traços mais acentuados deste ideal de beleza? É bela, não é verdade, a criança prostrada diante de Deus, semelhante ao anjo da oração! É bela perto da sua mãe ou daqueles que partilham com ela o privilégio da ternura e da dedicação, quando o afeto brilha no seu rosto, quando os seus lábios o expressam, quando o seu olhar o pinta e ele transborda do seu coração! É bela a criança que se inclina diante de tudo o que representar DEUS: pai, mãe, educador ou ministro do altar: o respeito na criança, é a ordem, e a ordem é um raio da beleza. É belo o adolescente quando, diante do livro, que contém a ciência que ele ambiciona, a sua cabeça ligeiramente enrugada anuncia o esforço vitorioso do obstáculo! É belo o jovem que traz nos seus traços já viris a marca da energia consciente da sua força! A todos estes traços, acrescentai o da pureza, quer se trate da candura da infância inocente ou do encanto da frescura mantida apesar das lutas até chegar à maturidade.
               Tais são, não é verdade, as principais características desse ideal que procuramos. A piedade, o amor, o respeito, o trabalho, a energia e a pureza são como reflexos ou perfumes desta flor celeste que é a juventude virtuosa preservada do contacto das corrupções da terra.
               São os princípios da educação cristã capazes de realizar este ideal? Para o primeiro traço que descrevemos, a resposta é fácil. Gostamos de ver a criança inclinada diante do seu Criador, oferecer-Lhe, com as suas filiais adorações, as ternas efusões da sua confiante oração e do seu puro afeto. Quem a conduzia melhor do que a educação católica? Ela desenvolve a sua fé ao mesmo tempo que a sua razão. Ela inicia-a bem cedo no seu culto, integra-a nas suas festas, prepara-a para o angélico festim da Eucaristia, e ao mesmo tempo revela-lhe progressivamente os motivos e a razão da sua fé. Ela possui desde o princípio, e sem disso ter consciência, as riquezas da razão e da fé postas ao seu alcance pela educação cristã. A sua razão, desenvolvendo-se, ilumina o ensino que recebeu e justifica a autoridade que lho deu. A sua inteligência coloca novamente, e desta vez com plena liberdade, a sua alma aos pés do seu Deus. A sua fé sente-se apoiada na fé deste mundo de almas que começaram pelo grupo dos Apóstolos e que abarca hoje os dois hemisférios. Ouve atrás de si o testemunho de quinze milhões de mártires; verifica que a afirmação da sua mãe e dos seus mestres está em conformidade com a afirmação da ciência e do génio, com a afirmação dos Agostinhos, dos Jerónimos, dos Anselmos, dos Tomás de Aquino, dos Bossuet e dos Fénelon que se sucedem desde há vinte séculos. Remonta até à afirmação divina dada pelo Verbo de DEUS confirmada pelas suas obras e que desce novamente do Verbo de Deus aos seus mestres e à sua mãe pela sucessão dos pontífices e pela hierarquia da Igreja. Nunca duvidou, não duvidará jamais, e a sua fé é eminentemente razoável. E o seu amor vive desta fé, e a sua vida é uma comunhão sublime com o seu Deus.
               Correspondem os factos aos princípios? Encontramos de facto nas casas de educação francamente cristãs estes anjos da terra cuja piedade sincera é um traço desta beleza ideal que nos encanta? É preciso descer da teoria à história. Temos nós dados que nos forneçam argumentos sérios? Seja-me permitido antes de mais nada observar que um princípio de conduta proposto a inteligências livres e a corações apaixonados, nunca será posto em prática em toda a sua plenitude nem por todos aqueles a quem foi revelado. A Igreja, para justificar a santidade e a fecundidade da sua moral, apenas precisa de provar que o seu ensino só produz santos, mas apenas que os produz sempre, e que cada época pode mostrar aqueles que, souberam elevar-se a um grau heroico se as virtudes que a maioria pratica menos perfeitamente e que alguns até desconhecem. Não provou a sua santidade, quando nos apresentou por exemplo os seus Francisco Xavier, levando aos reinos de um outro continente a civilização cristã; as suas Teresas e as suas Joanas de Chantal, fazendo transbordar a virtude dos seus claustros até à sociedade mundana, à nobreza e à corte; e os Vicente de Paulo, levando ajuda a todas as misérias e a todas as indigências? A Igreja tem esta honra e não a partilha com nenhuma outra doutrina. Nem as igrejas separadas, nem o livre-pensamento escreveram a vida dos seus santos, o que nos leva a crer que não contam com um grande número deles.
               Temos nós algum testemunho análogo para provar a influência da educação cristã nas virtudes próprias da infância? Eu creio e quero que julgueis.
               Não há nenhuma das nossas casas de ensino, eclesiásticas ou religiosas, que não tenha o que se poderia chamar o seu livro de ouro onde estão registados esses gloriosos testemunhos de virtude, e eis como. – Todas as casas de educação têm por vezes a dor de perder alguma das suas crianças, prematuramente apanhada pela morte, desde logo o segredo destas vidas colhidas em flor pertence por assim dizer à história. Se essa vida foi semeada de virtudes mais que ordinárias, e se os mestres dessa casa prezam a edificação dos seus discípulos, vem-lhes à ideia recolher estas recordações amáveis que imortalizam assim essas vidas que a morte quis truncar. Quis colecionar aquilo que chamarei as flores de gracioso canteiro da infância. Contam-se por centenas as variedades, não só esparsas em curtas biografias, como também reunidas em volumes. Pois bem! Devo confessar que não as encontrei fora das casas cristãs, tal como também não encontrei vidas de santos fora da Igreja católica. Para mim, este testemunho está acima de qualquer contestação. E se encontro nestas informações o perfume destas virtudes que procuro, sinto-me autorizado a concluir que estas virtudes reinam nestas casas, e que é só lá, ou lá principalmente, que se deve procurá-las. Façamos uma aplicação imediata. Eu disse que os princípios da educação cristã são capazes de produzir nas crianças esta primeira manifestação da virtude que é a piedade para com Deus e pergunto se a prática corresponde à teoria. Bem! As notícias a que me refiro estão cheias de testemunhos como este (Estas passagens são extraídas das notícias publicadas pelos colégios eclesiásticos ou de Congregações de Besançon, Nîmes, Toulouse, St.-Acheul, Poitiers, etc.): “Admirei muito a sua piedade, e penso nunca ter encontrado uma criança que soubesse rezar melhor; a sua atitude era já uma oração”. – “A sua piedade era sincera, sem sombra de afetação; mais de uma vez, aqueles que tinham cada dia debaixo dos olhos este espetáculo, foram surpreendidos pelo seu porte modesto, e pela sua atitude recolhida”. – “Observei muito este jovem na capela: tínhamos lá um santo”. – “Ele era piedoso, mas sem ostentação, nem sombra de respeito humano. Eu vejo-o ainda de braços em cruz, os olhos docemente baixos, respondendo às orações com sua voz nítida e pausada”. – “Muitos asseguraram que junto dele na igreja, nunca deixaram de ser tocados pelo seu recolhimento e pelo seu fervor.”
               Vós pensais que só descrevi uma destas crianças de elite; é um erro. Nestas poucas linhas, fiz passar diante dos vossos olhos cinco, e se fosse necessário uma centena, encontrá-la-ia. Mas este assunto, penso eu, é menos contestado; Vamos em frente.