terça-feira, 4 de agosto de 2026

Confessionário = púlpito


Memória litúrgica de São João-Maria Vianney 

(1786-1859) presbítero, Cura de Ars

O confessionário de Ars
onde atendia São João Maria Vianney

Fez do confessionário o seu púlpito.

O Pe. Vianney não possuía o dom da palavra como os grandes oradores sacros franceses.

Em Ars não se ouviam pregações brilhantes, nem máximas elaboradas.

O Santo Cura trazia a imagem de Cristo na sua alma. A paz do paraíso brilhava nos seus olhos. Uma palavra sua na homilia, uma pequena frase no confessionário, modificava uma vida inteira e iluminava a escuridão das consciências.

Passava mais de 17 horas no confessionário a atender penitentes que, vindos de toda a França, queriam que o santo confessor ou ouvisse de confissão.

Afinal não era o confessor que apenas ouvia… os próprios penitentes ouviam aí o sermão de que precisavam para a sua conversão.

O confessionário foi o seu púlpito.

Em todo o caso, o Cura de Ars não era assim tão simplório nas suas homilias. Elas, simples na forma e no conteúdo, chegavam onde deviam chagar.

Segue-se uma cópia de um sermão do Santo Cura de Ars:

 

Porquê orar em todo o tempo?

Quais são, pois, as vantagens da oração, que devemos fazer com frequência? Meus irmãos, ei-las. A oração torna a nossa cruz menos pesada, suaviza as nossas dores, torna-nos menos apegados à vida, atrai sobre nós o olhar misericordioso de Deus, fortalece a nossa alma contra o pecado, faz-nos desejar a penitência e praticá-la com gosto, faz-nos sentir e compreender quanto o pecado ofende a Deus. Melhor ainda, meus irmãos, pela oração agradamos a Deus, enriquecemos a nossa alma e garantimos a vida eterna: será preciso mais para nos levar a fazer que a nossa vida seja uma oração contínua, pela nossa união com Deus?

Quando amamos alguém, precisamos de ver essa pessoa para pensar nela? Certamente que não. Da mesma forma, se amamos a Deus, a oração ser-nos-á tão familiar como a respiração. No entanto, meus irmãos, dir-vos-ei que, para orar de forma a atrair todos esses bens, não basta dedicar à oração uns momentos apressados, precipitados; Deus quer que lhe dediquemos um tempo adequado, que tenhamos pelo menos tempo para Lhe pedir as graças de que necessitamos, para Lhe agradecer os seus benefícios e para lamentar as nossas faltas passadas, pedindo-Lhe perdão.

Mas, direis vós, como podemos orar sem cessar? Meus irmãos, nada mais fácil: elevando o coração a Deus durante o nosso trabalho, ora fazendo um ato de amor, para Lhe mostrar que o amamos, porque Ele é bom e digno de ser amado, ora um ato de humildade, reconhecendo-nos indignos das graças com que Ele não cessa de nos cumular; outras vezes, um ato de confiança, porque, embora sejamos miseráveis, sabemos que Ele nos ama e quer fazer-nos felizes. Já vedes, meus irmãos, como é fácil orar sem cessar.

 

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