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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Grande Educador

Pe. Mário Casagrande

Depois de uma entrada no Hospital do Funchal a 17 de Dezembro de 2008 veio a falecer na madrugada de 4 de Janeiro de 2009 o Padre Mário Casagrande.
Foi educador e professor de várias gerações de jovens quer no Colégio Infante D. Henrique quer na Escola da APEL da qual foi co-fundador.
Nascido em Vittorio Veneto, Itália em 1930, quis ser missionário. Entrou na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) para aí concretizar o seu sonho. Depois da sua ordenação sacerdotal, em 1957, foi enviado para Portugal e o seu sonho continuou... Foi no Monte, no Colégio Infante D. Henrique, que transformou o seu sonho em realidade – abraçou a missão que Deus lhe confiou junto dos mais jovens, na escola e na Igreja e na sociedade. Foi missionário aqui mesmo: um trabalhador incansável, um homem muito prático, um professor bem acessível, um irmão tão generoso.
Na Escola da APEL, ao longo dos seus 30 anos de actividade, todo ele foi educador: ensinava com o trabalho das suas mãos, educava com a sua presença, incentivava com as suas palavras. Toda a sua vida foi uma contínua lição.
As suas homilias eram breves, mas incisivas. A sua mensagem era divertida, mas acertada. Era um comunicador sensível.
O seu mérito tem sido reconhecido pelos seus alunos, colegas, amigos. Exemplo disso foi a distinção de Comendador da Ordem da Instrução Pública que lhe foi conferida a 28 de Setembro de 1998 pelo Presidente da República.
No dia da Epifania ou dos Reis Magos uma pessoa amiga recordava:
“O Pe. Mário Casagrande seguiu hoje a sua Estrela. E nós temos mais uma no céu para nos guiar…”
O Pe. Mário continuará a ser um grande educador através da sua estrela e através das sementes que tão sabiamente deixou nesta terra.
Começamos já a ter saudades do Pe. Mário Casagrande!

quarta-feira, 19 de março de 2014

São José, o Educador

Angelus em honra de São José


O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José
           Para que não abandonasse Maria

Ave, José, rico de graça
o Senhor é convosco,
Bendito sois vós entre todos os homens,
e bendito é o fruto do ventre de Maria, Jesus.
São José, pai nutrício do Filho de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte. Amém


José, filho de David, não temas receber Maria por tua esposa.
Porque o que dela vai nascer é fruto do Espírito Santo.

Ave, José, rico de graça
o Senhor é convosco,
Bendito sois vós entre todos os homens,
e bendito é o fruto do ventre de Maria, Jesus.
São José, pai nutrício do Filho de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte. Amém

Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus.
                    Porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Ave, José, rico de graça
o Senhor é convosco,
Bendito sois vós entre todos os homens,
e bendito é o fruto do ventre de Maria, Jesus.
                    São José, pai nutrício do Filho de Deus,
                    rogai por nós, pecadores,
                    agora e na hora da nossa morte. Amém

Rogai por nós, glorioso Patriarca São José.
                   Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Oremos.
Sustentados pelo patrocínio do Esposo de Vossa Santíssima Mãe, nós vos rogamos, Senhor, pela vossa misericórdia, que os nossos corações possam desprezar todas as coisas terrenas e amar-vos, Verdadeiro Deus, com um amor perfeito.
Por Nosso senhor Jesus Cristo que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.


São José educador

Hoje celebramos a solenidade de São José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja Universal.
Posto à frente da Sagrada Família, assumiu a missão de educador, guardando e acompanhando Jesus no seu crescimento em sabedoria, estatura e graça.
O crescimento em estatura se refere ao crescimento físico e psicológico, onde José, juntamente com Maria, teve uma atuação mais direta procurando que nada faltasse na criação de Jesus e libertando-O das dificuldades como a ameaça de morte vinda de Herodes que os levou à fuga para o Egito.
Quanto à educação na sabedoria, José foi para Jesus exemplo e mestre, deixando-se sempre nutrir pela Palavra de Deus; esta ensina que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor.
No que se refere à dimensão da graça, a influência de José consistia em favorecer a ação do Espírito Santo no coração e na vida de Jesus. De fato, José educou a Jesus, em primeiro lugar, com o exemplo: o exemplo de um homem justo que sempre se deixava guiar pela fé.
São José é modelo para cada educador, em particular para todos os pais.
Confio à sua proteção todos os pais, os sacerdotes – que são pais – e os que têm uma missão educativa na Igreja e na sociedade.
Parabéns, parabéns a todos os pais. Este é o vosso dia. Que todos os pais tenham a graça de estarem sempre muito próximos dos filhos, deixando-os crescer, mas próximos, próximos. Os vossos filhos têm necessidade de vós, da vossa presença, da vossa proximidade, do vosso amor. Sede para eles como São José, guardiães do seu crescimento em idade, em sabedoria e em graça, guardiães do seu caminho.
Obrigado por tudo aquilo que fazeis pelos vossos filhos.


(Papa Francisco, 19/03/2014)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Educador Intergeracional

Pe. Mário Casagrande

Numa aula de Educação Moral o Pe. Mário perguntou à turma:
- Quando é que acham que se deve começar a educar os filhos?
A essa questão a maior parte de nós respondeu:
- Logo à nascença, a começar no próprio dia do nascimento…
- Tarde demais! - concluiu o Pe. Mário – Estou convencido de que este processo deve começar vinte anos antes do filho nascer…
De facto o Pe. Mário via a educação como um processo dinâmico, um investimento a longo prazo, uma sementeira perene, um acto intergeracional.
Conheci este educador nato no Colégio Infante como meu Director e Professor de Matemática, Ciências Naturais, Geografia, Ciências Físico-Químicas e Educação Moral e Religiosa.
Conheci-o mais tarde como confrade da mesma Congregação, como colega no sacerdócio e como colega na leccionação de Educação Moral.
Por ironia do destino, conheci-o também como seu Superior no Colégio Missionário e como seu Director na nossa Escola da APEL.
De tudo o que o Pe. Mário me ensinou, guardo não tanto as lições da vida da escola, mas sobretudo as lições da escola da vida.
Se ele dizia que a educação de uma pessoa começa vinte anos antes de ela nascer, hoje quero dizer que estou convencido de que um educador só acaba de educar vinte anos depois de ter falecido. É por isso que o Pe. Mário ainda hoje continua a educar.
Obrigado Pe. Mário por esta lição intergeracional!

Um Grande Homem e um Homem Grande


Pe. Mário Casagrande

Faleceu às primeiras horas do dia 4, no Hospital do Funchal, o Padre Mário Casagrande, que há quinze a esta parte estava internado com graves problemas de saúde.
Estamos em comunhão orante com ele, pedindo ao Senhor que o acolha junto de Seu Coração.
Que o seu exemplo de vida, totalmente oferecida a Deus e às pessoas, em particular aos jovens no campo da educação, seja incentivo para renovarmos a nossa entrega ao serviço do Reino, neste tempo de Epifania em que procuramos redescobrir a manifestação do Amor de Deus pela Humanidade.

O Pe. Mário nasceu a 25 de Julho de 1930 em Vittorio Veneto, Itália. Aos 11 anos entrou no Seminário dehoniano de Bolonha, sendo ordenado sacerdote a 23 de Junho de 1957.
Como tal veio trabalhar para Portugal, primeiro no Colégio Camões em Coimbra e a partir de 1961 no Funchal. No Colégio Infante D. Henrique onde foi Professor, Educador, Director Escolar e Superior da Comunidade Religiosa. Deixou marcas em muitas gerações sua pedagogia humanista, simplicidade e bom humor. Foi ele o iniciador da co-educação ou do ensino conjunto de rapazes e raparigas.
Esteve nos inícios da Escola da APEL - Associação Promotora do Ensino Livre – então Escola Complementar do Til, onde foi Director Escolar de 1978 a 1984 e de 1987 a 2000, Professor, Educador, Inovador, Construtor, Fundador… de tal modo que falar do Pe. Mário é falar da APEL, pois o rosto da APEL é o rosto do Pe. Mário.
Foi também Capelão do Centro Prisional dos Viveiros durante 20 anos e do estabelecimento Prisional da Cancela e sempre se orgulhou desse serviço.
Foi professor de italiano em várias instituições de ensino entre as quais o Conservatório e a Escola de Línguas
Fundou a AMAPEL - Associação Madeirense de Apoio ao Ensino Livre - a 21 de Janeiro de 1992 para apoiar estudantes universitários que saíam da APEL para o Portugal Continental. Ainda hoje exercia o cargo de presidente da Direcção desta Instituição de solidariedade.
A 28 de Setembro de 1998 o Presidente da Republica, Dr. Jorge Sampaio, conferiu-lhe o grau de Comendador da Ordem da Instrução Pública.
Celebrou Bodas de Ouro Sacerdotais a 23 de Junho de 2007 no Funchal - no Colégio Infante, comunidade onde viveu os primeiros e os últimos anos da sua vida, dedicada à juventude, à educação e a Deus.
Foi homenageado pela ADECOM com o Prémio Educação a 22 de Novembro de 2008.
O Pe. Mário, como o seu sobrenome explicita, era de facto um homem grande ou uma casa grande. Acima de tudo ele foi um grande homem, com grandeza de coração, com uma generosa vocação e uma simplicidade de vida que soube cativar a todos, a começar pelos mais jovens. Foi um grande homem não pelo facto de ter feito o que fez, mas precisamente fez tudo isso porque era um grande homem.
Obrigado Pe. Mário Casagrande!

sábado, 7 de julho de 2012

Acerca da Educação (II)


II

         Digamos agora o que devem ser, no nosso entender, os instrumentos da educação cristã, os mestres que a distribuem, os livros de que se servem.
         O mestre desempenha, frente ao seu discípulo, a acção de uma verdadeira paternidade espiritual. Ele gera nele verdadeiramente vida e a semelhança da sua alma. A vida intelectual e moral derrama-se da alma do educador para a alma do seu aluno por duas fontes: a palavra e o exemplo. Ele comunica-lhe os seus pensamentos. Revela-lhe o verdadeiro, tal como a sua inteligência o concebe; o belo, tal como ele o compreende e o que ele aprendeu a amar; o bem tal como a sua consciência lho dita.
         Apontar tal missão, é por assim dizer a sua responsabilidade e ao mesmo tempo a sua nobreza. Também entendo que as famílias cristãs sejam exigentes face àqueles que elas aceitam como segundos pais para as almas dos seus filhos.
         Não basta que eles sejam pessoas normalmente virtuosas, e a fama de homem honesto não é para eles, um bilhete de que nos possamos dar por satisfeitos. É preciso que sejam grandes cristãos, de maneira que a criança sinta de alguma maneira, em toda a sua pessoa, o Mestre dos mestres, o CRISTO que eles representam e cuja dignidade os reveste.
         E se, com tudo o que eu acabo de supor, o educador católico recebeu do céu uma vocação que não só o convida à prática do dever mas ao heroísmo da virtude; se ele fez o juramento, não somente da honestidade, mas da santidade; se ele acrescenta a dignidade que lhe vem da sua missão a grandeza que recebeu da unção divina e de um carácter sagrado, oh! então ninguém pode dizer o que produzirá na criança esta acção poderosa e eleva-se acima da natureza.
         Não quer dizer com isso que só o padre pode dar à infância o benefício da educação cristã. Todo o homem profundamente cristão, padre ou leigo, religioso ou secular é suficiente, mas um cristão não pode negar que a entrega especial a JESUS CRISTO, resultante da unção sacerdotal ou dos votos religiosos, não seja, em geral, na educação uma força e uma vantagem suplementar.
         Este facto tem sido admitido inclusivamente por educadores laicos imparciais. Eis aqui, por exemplo, alguns pensamentos expressos por um professor da Faculdade numa obra coroada pela Academia.[1]
         “Há certamente muito a dizer em favor do ensino ministrado e dirigido por eclesiásticos ou por religiosos. A nossa preferência pelo ensino laico não nos impede de reconhecer vantagens consideráveis sobre alguns pontos que o seu carácter assegura aos professores eclesiásticos. A independência absoluta frente ao mundo, a supressão de todos os laços que unem cada um de nós à família e à sociedade civil, a renúncia a todo o interesse terreno, a ruptura com as paixões perturbadoras que desgastam as energias e devoram o tempo, a solidão e a paz que impedem a dispersão do pensamento sobre as curiosidades do mundo e as vicissitudes da vida, e que permitem à reflexão concentrar-se num único objecto; a elevação do pensamento necessariamente familiar a quem quer que creia trabalhar para a eternidade; o hábito da disciplina que é mais fácil impor aos outros quando se é o primeiro a conformar-se com ela; enfim, e acima de tudo, a força moral, a autoridade que nunca é maior do que no homem que se esquece de si mesmo para falar e actuar em nome da divindade: eis as condições favoráveis em que estão situados o padre ou o religioso que se torna professor.”
         Não seríamos capazes de referir melhor as vantagens do ensino eclesiástico.
         Outro professor eminente da Universidade [2] prestava igual justiça à abnegação, à dedicação, ao zelo profissional dos sacerdotes e dos religiosos na educação, zelo sem o qual o mestre mais hábil e mais distinto é impotente para fazer o bem, e apresentava, entre outros motivos, o seguinte: “é difícil aproximar a juventude sem a amar, e isso é tanto mais possível para os homens que renunciaram à sua família natural: eles encontram aquilo que perderam.”
         Há nisto alguma verdade. É, de facto, nestas condições que vimos até vós. Independentes face ao mundo, despojados de qualquer interesse pessoal, seremos tudo para a nossa obra, tudo para os vossos filhos. Trabalhando para eles, acreditamos que trabalhamos para Deus. Eis o segredo da nossa dedicação, os segredos do ardor e do zelo que pomos em ajudar os vossos filhos na sua formação para que correspondam às vossas expectativas e às de Deus que no-los confia.
         Sem insistir mais no ideal do mestre segundo a nossa perspectiva, falemos do que pensamos sobre os livros, que são eles também como mestres e instrumentos de educação.
         O livro é um dos conselheiros da criança. Ele segue-a a cada passo. Ensina com o mestre e contra ele. Ele influencia consideravelmente a sua alma de discípulo.
         Voltando aos nossos anos passados, quem de entre vós não encontra, na sua alma, a marca profunda de algum livro a que atribui a orientação do seu espírito, determinada ideia predominante na sua vida.
         E para só falar de influências inocentes, uma criança encontrará no relato impressionante de náufragos fabulosos nalguma ilha maravilhosa, o gosto pelas aventuras que toma como uma vocação para enfrentar os perigos do mar. Nós conhecemos estes marinheiros improvisados, que, graças a este género de leituras, se declaram decididos numa idade em que ainda não puderam reflectir. Entretanto a ternura inquieta das suas mães agita-se à volta dos seus projectos ameaçadores. Felizmente a experiência intervém para impor aos seus desejos prematuros, e estes heróis, que se contam às centenas no princípio da adolescência, vêem pouco a pouco os seus planos clarificarem-se. Então as reais aptidões aparecem, as vocações sérias desenham-se, e a vida melhor ponderada toma a sua verdadeira direcção.
         Mas poderão os conselhos da sabedoria, úteis nestas circunstâncias, ser sempre dirigidos com fruto a espíritos profundamente marcados por um outro género de leituras? Suponhamos que a razão da criança seja tomada desde cedo pela falsidade, que as noções da justiça sejam subvertidas no seu espírito, que as suas paixões sejam despertadas por imagens suspeitas, e que o seu coração seja desviado por escritos maldosos que circulam, com a atracção do mistério, por entre os alunos de certas casas, a sabedoria dos pais e dos mestres não terá somente de lutar contra os erros de uma imaginação juvenil e desprevenida; o combate será mais sério e a vitória menos garantida, porque não se trata de discutir esta ou aquela forma acidental da vida, mas de arrancar a própria vida de uma direcção funesta.
         Este perigo pode encontrar-se no próprio ensino e nas leituras de lazer que acompanham o ensino. No ensino, há o elemento pagão que deve ser apresentado com prudência.
         Os autores profanos ocupam um amplo espaço nos nossos programas oficiais, um espaço demasiado grande. O Conselho superior de educação pública, em 1875, tinha feito justiça, se bem que muito imperfeitamente ainda, aos clássicos cristãos colocando-os no programa do terceiro ano para o grego, e no segundo ano para o latim, e incluindo-os entre os autores da licenciatura.
         A Igreja quereria o ensino misto destas duas literaturas, que têm cada uma as suas obras-primas e pertencem a civilizações diferentes; mas quereria também que o ensino dos autores profanos fosse rodeado de precauções preventivas muito especiais[3].
         Não é o belo o esplendor da verdade, segundo a definição de Platão? Da mesma maneira que o belo, na ordem natural, próprio da civilização pagã, se encontra na primeira literatura latina, o mesmo belo, o sublime, natural e sobrenatural, abunda e resplandece na segunda.
         Não é a arte de bem-falar, considerada na sua origem primitiva, uma maravilhosa emanação do Verbo de Deus, da Palavra de Deus Pai? Como se poderá então crer que o Verbo encarnado, tenha dignado dispensar o dom da palavra às nações que não O conhecem, O tenha depois recusado à Igreja, a sua esposa, conquistada com o preço do seu precioso sangue?
         A Igreja nunca excluiu do ensino os autores profanos. Com a sua prática tal como com a sua doutrina, ensinou-nos que eles podem ser auxiliares da verdade, admitindo-os em concorrência com os autores cristãos.
         Não é vantajoso estudar o belo e o sublime onde quer que eles se encontrem? Devemos ter em consideração homens de génio, mesmo se não tenham tido a felicidade de professar a verdade completa. Homero e Virgílio serão sempre objecto de admiração, enquanto a poesia continuar a ser uma das preocupações do género humano; e enquanto for preciso ensinar as normas da eloquência, os modelos indicados serão sempre Demóstenes e Cícero.
         Tal tem sido, indiscutivelmente, o ensino tradicional e constante da Igreja[4].
         “Os livros profanos, dizia São Basílio o Grande, são para os Livros santos o que a folhagem da árvore é para os frutos: precedem-nos, cobrem também e servem-lhes de adorno”[5]. E este santo doutor admirava, na literatura profana, não somente a forma brilhante e a perfeição do estilo, mas ainda a beleza dos exemplos e a elevação dos pensamentos. Pedia sempre que se fizesse uma escolha de autores, e que se os lesse como as abelhas actuam nas flores recolhendo delas apenas o mel. Mas queria, ele também, que fossem auxiliares da verdade e que se fossem estudados conjuntamente com os autores cristãos.
         O seu sentimento faz-se autoridade na Igreja. “O costume constante na Igreja, lembrava-nos ainda recentemente o nosso venerado pontífice Pio IX [6], é ensinar o latim aos jovens pelo estudo misto de autores sagrados e profanos”.
         Ninguém põe em dúvida que essa foi a prática dos primeiros séculos da época dos doutores da Igreja. Na própria Idade Média, a Igreja, nas escolas monásticas, manteve o uso dos grandes clássicos pagãos com o dos autores cristãos.
         Se Carlos Magno pôde reanimar o culto da literatura e produzir, com a ajuda de Alcuim, um primeiro renascimento, foi porque encontrou em Roma, nas escolas pontifícias, tradições, mestres e livros que só teve de levar para a França, sabe-se que se trata das obras de arte das literaturas grega e latina conjuntamente com os principais escritos dos Padres da Igreja.
O nosso grande século clássico, o século XVII, não procedeu de maneira diferente. Os autores cristãos eram a base do ensino. Os autores profanos juntavam-se-lhes, como convém, no fim dos estudos.
Fénelon não é suspeito, com certeza, de ignorância ou de desprezo pelos clássicos, e sabe-se que rumo deu à educação do duque de Borbonha. Começou por fazê-lo estudar os Livros sapienciais da Sagrada Escritura, depois alguns livros escolhidos de S. Jerónimo, de Santo Agostinho, de S. Cipriano, de Santo Ambrósio, algumas poesias de Prudêncio e de S. Paulino e a História de Sulpício Severo[7]. Só depois destes primeiros estudos é que o iniciou nas letras pagãs, ensinando-lhe a colocá-las ao serviço da sabedoria pagã, como exemplifica no seu Télémaque e nos seus Diálogos dos Mortos.
É assim que se deveria usar a literatura profana, para que sirva a fé e não a destrua.
Nós estamos hoje longe disso. Os estudantes dos nossos colégios chegam ao seguinte resultado: conhecem melhor a mitologia do que a História Sagrada, os factos e as gestas dos deuses do paganismo do que dos heróis cristãos.
Montalembert fazia notar na introdução ao seu belo livro sobre os monges do ocidente: “Não saímos todos do colégio, dizia ele, sabendo de cor os traços pouco edificantes da história de Júpiter, e ignorando até o nome dos fundadores destas ordens religiosas que civilizaram a Europa e tantas vezes salvaram a Igreja?”
Nós reagiremos contra este abuso na medida do possível, tendo em conta os programas que nos impõem os exames.
Quanto às leituras de lazer, estaremos atentos para que sejam escolhidas com uma delicada prudência, a fim de que não pequem nem por excesso de seriedade nem de infantilidade. Não gostamos nem dos espíritos levianos nem dos doutores demasiado precoces. A infância é a primavera da vida. É mais a idade das flores do que dos frutos. O florescimento e a frescura são-lhe mais convenientes do que a maturidade. Deus dá frequentemente à criança a beleza, e a sua ingénua bondade é como um perfume que alegra.
Possamos nós ser, aos olhos das nossas crianças, dignos instrumentos de CRISTO! Possamos nós responder a tão bela missão e possuir, com as qualidades do mestre cristão, algo de particularmente elevado, suave e puro, que não pode deixar de vir-nos da imitação do amável Apóstolo tão devotado às crianças e a união especial ao Sagrado Coração de JESUS, este Coração tão amigo das crianças e tão cheio de graças para elas!



[1] G. Comoayré, História crítica das doutrinas da educação na França.
[2] M. Bersot, Estudos sobre o sec. XVIII, 1855, pag 224 e seg.
[3] Ver o breve de Pio IX a Mons. D’Avanzo, de 1 de Abril de 1875.
[4] Ver, sobre o assunto, a carta do cardeal d’Avanzo de 4 de Novembro de 1874, que é um verdadeiro tratado sobre a matéria. (Livraria da Sociedade de S. Paulo).
[5] Discurso sobre a utilidade que os jovens podem tirar da leitura dos autores profanos.
[6] Breve a Mons. D’Avanzo, de 1 de Abril de 1875.
[7] Carta ao abade Fleury, citado pelos Arquivos das Missões científicas, Agosto de 1850.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Educação cristã e virtudes da infância (III)



               O respeito é irmão do afeto.
               Há também entre a religião e o respeito uma afinidade profunda. A religião dá à alma a impressão do respeito.
               Só DEUS de resto é a razão do respeito que se dedica aos homens e às coisas. É o profundo trabalho da educação religiosa que incute o respeito na alma da criança descobrindo-lhe, onde quer que se coloquem diante dela, estas representações e estas imagens de Deus as únicas capazes de governar os nossos respeitos.
               A educação católica mostra à criança, na hierarquia da Igreja, uma majestade que desce de DEUS e que se eleva até Ele por CRISTO. Ela mostra-lhe na família a dignidade paterna e a dignidade materna que são para elas representações da dignidade divina. Quando o pai e a mãe delegam num educador todos os seus direitos de ensinar e de educar um filho, transmitem-lhe ao mesmo tempo algo da sua dignidade, e se este educador pertence ao mesmo tempo à hierarquia da Igreja, tem aos olhos das crianças um duplo carácter de autoridade e como que um duplo reflexo da majestade divina.
               Assim, o catolicismo justifica o elogio que lhe foi feito pela sinceridade de um ilustre protestante: é a maior escola de respeito que há sobre a terra.
               Será preciso acrescentar que o respeito gera a obediência e com ela a confiança e a docilidade, e que leva assim às outras virtudes da infância, ao hábito do trabalho, à seriedade e à força de carácter?
               Estas nobres energias não se impõem acaso à vontade quando o espírito concebeu o respeito por DEUS, pelo dever e por si mesmo?
               Recorramos novamente ao testemunho do nosso livro de ouro e vejamos se o respeito e a coragem aparecem aí em destaque tal como a piedade e o afeto. Leio que um passou por altura da sua primeira comunhão por uma transformação maravilhosa: “Pôde-se deste então, diz-se, notar no comportamento desta criança um progresso sensível, o seu trabalho foi mais consciencioso, os seus esforços para dominar a sua natureza foram mais enérgicos, mais constantes, o seu esforço de agradar aos pais e professores mais perfeito e mais consistente”.
               Vejo que outro levava a sério a virtude. “No que se refere à grande coisa, escreve ele a seu irmão, está melhor. O céu seja bendito por ajudar os meus esforços e a minha boa vontade. Sinto-me mais forte contra a tentação e, quando me apercebo de alguma fraqueza, levanto-me de imediato. Que mais te direi? A nossa vida de colégio tem algo de monótono; nada de novo nisso. Mas não quero queixar-me, aprende-se a vencer-se, domina-se a sua vontade, exerce-se a virtude e o sacrifício; afinal, isto é o essencial, é tudo, e vale o mundo inteiro”.
               Outro começou os seus estudos num internato eclesiástico. Distinguiu-se pela exatidão no cumprimento de todos os seus deveres, pela sua aplicação, pela sua docilidade. Soube merecer o afeto dos mestres e dos colegas. Razões que não vale a pena explicar, levaram os pais a mudá-lo para um colégio de outro género. Aí teve de travar duras lutas para não trair a sua fé. Encontrou-se, apesar das boas intenções dos responsáveis, à mercê de uma multidão de colegas perversos e sem religião que inutilmente tentaram arrastá-lo. A esta guerra de sedução, sucedeu-se outra de mentira, de sarcasmos e de maus-tratos; nada o pôde vencer. Furiosos com a sua resistência, aqueles jovens ímpios tornaram-se carrascos; chegaram até à barbárie de submeter o seu virtuoso condiscípulo a uma espécie de crucifixão, fazendo-lhe com suas navalhas incisões nas mãos em forma de cruz. Ele sofreu esta cruel brutalidade com uma coragem heroica: sem mostrar ressentimento nem rancor, continuou a viver como cristão fervoroso e intrépido sob os seus olhares; o que os impressionou de tal maneira que muitos deles, encantados, não só pela firmeza do seu carácter, como também pela doçura e suavidade das suas maneiras, acabaram por colocar-se do seu lado considerando uma honra protegê-lo de novas perseguições.
               O contraste não prejudica a nossa demonstração. Estas imagens vivas de energia e de respeito não vos encantam? Não pensais que estas flores e estes frutos mostram bem o valor dos terrenos onde foram cultivados?



quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O Missionário dos jovens


Duas lições do santo do dia, São João Bosco:

Dizia – “Sejam missionários uns dos outros dando bom exemplo.
O ensinamento mais eficaz é fazermos nós mesmos o que ordenamos aos outros.”
De facto não há melhor missionário do que o bom exemplo.

Despediu-se assim: “Amai-vos uns aos outros como irmãos. Fazei o bem a todos e o mal a nenhum...Dizei aos meus rapazes que espero por eles no Paraíso."
De facto toda a educação tem como meta a eternidade. É preciso educar para eternidade. Lá nos encontraremos todos.

Ver também:








quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Às quartas com S. José


Desde o dia 8 de dezembro de 2020 até 8 de dezembro de 2021 o Papa Francisco consagrou um ano dedicado a São José para assinalar os 150 anos da declaração de Patrono da Igreja Universal. De facto, foi a 8 de dezembro de 1870 que o Papa Pio IX declarou São José Patrono de toda a Igreja.

No seguimento da vida da Igreja São Pio XII aprovou as ladainhas de São José e convidou os fiéis a honrá-lo em cada semana à quarta-feira a ele dedicada.

Assim, nós também, todas as semanas nesse dia faremos o possível de assinalar a nossa devoção a São José, partilhando orações, reflexões, imagens, histórias e testemunhos da ação de São José na Igreja Universal.

 

Clique para ver São José no Quintal do Vieira

Deus confiou nele

São José dormindo

São José

José, o educador

Rogai por nós, São José

Deus tão perto

Tempo de ação

Deus confia-nos o seu Filho

São José sonhador

Guardiões

Ó São José, rogai por nós

 

 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Viagem marcada

“Só no dia 3 de dezembro (de 1946) tive na mão o passaporte com os vistos de passagem pela Espanha e de entrada em Portugal. (O meu passaporte foi concedido ‘in nome de Sua Majestà Umberto II re d'Ítalia’ então no poder. Tem a data de '8 Giu. 1946').

De Roma parti para Génova, onde fui hóspede do meu antigo educador e professor, Pe. Alfonso Franceschetti, então capelão da Stella Maria.

Com a ajuda deste padre, fui procurar uma passagem marítima para mim e para o Pe. Canova. Encontrámo-la numa Agência da Companhia A. Costa, para viajar num navio espanhol que partiria nos fins de dezembro. Os bilhetes de passagem deveriam ser diferentes: para o Pe. Canova, até Barcelona; para mim, até Lisboa com a bagagem toda.

- Porquê, se ambos vão para Lisboa? – perguntaram-nos.

- É que só eu vou acompanhar as bagagens até Lisboa e o meu companheiro irá de Barcelona para Lisboa via Madrid.

- E a bagagem dele?

- Eu é que a acompanho até Lisboa.

- Mas isso é pouco ortodoxo…

Interveio então o Pe. Franceschetti, bem conhecido no ambiente marítimo. A dificuldade ficou esquecida e a passagem marcada. E ainda bem, pois seríamos também portadores das bagagens dos missionários que já tinham partido para Lisboa de avião.

A questão era que o dinheiro era pouco naquele tempo e… precisava poupar!

Marcada a passagem, fiz uma visita ao Noviciado de Albissola e daí voltei a Roma para despedir-me do Superior Geral, Pe. G. Govaart, e em meados de dezembro voltei a Bolonha para fazer o mesmo com o Superior Provincial e Confrades do Studentato Missioni e para preparar as últimas coisas. Subi à minha terra para uma derradeira visita de despedida à família e, no dia 19 de dezembro, descia no comboio de Milão para Génova, com armas e bagagens.” (CF. Memórias do Pe. Ângelo Colombo)


Conclusão: 

Mesmo antes de chegarem a Portugal já tinham aprendido a poupar!

 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Pai e mestre da juventude


2ª feira – IV semana comum

Três realces

1º - As palavras da 1ª leitura

David disse – Que o Senhor olhe a minha aflição e transforme em bênção as maldições desde dia.

Nós também podemos dizer – Que o Senhor transforme em graça as limitações e fraquezas da nossa vida.

2º - As palavras do Evangelho

Os nazarenos pediram que Jesus se retirasse da sua vida porque deram mais importância à perda dos porcos do que a cura e salvação de um homem.

Á vezes é também a nossa tentação de inverter valores.

Aprendamos a valorizar o essencial e a relativizar o que não é tão importante.

3º - As palavras da Colecta

São João Bosco foi pai e mestre dos jovens.

Quem é pai e mestre é Santo.

Quem é Santo é pai e mestre.

 

Ver também:

O Missionário dos jovens

Dom Bosco

Santo educador

D. Bosco

A educação é obra do coração

 

Ver ainda:

O mundo e a casa

Um homem perturbado

Começar por casa

Vai para casa

 

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pe. Dehon e Educação

Ao iniciar um novo ano escolar quero recordar a experiência e o legado sobre a educação que nos deixou o Pe. Dehon.:
Experiência:
O Pe. Dehon fundou o Colégio São João no Verão de 1877 e foi o seu director até 1892, quando foi substituído pelo Pe. Mercier. Continuou, no entanto a ser o director oficial, pois era o único para isso legalmente autorizado. Na qualidade de fundador, proprietário e director legal continuou a visitar o Colégio alguns dias por semana. O seu empenho como fundador e Superior Geral de uma Congregação, o seu envolvimento na questão social como estúdios e conferencista e o seu exercício de escritor não permitiam maior disponibilidade para organizar ou acompanhar a vida do Colégio. Em 1896 o Pe. Dehon renunciou definitivamente este cargo, sendo nomeado director o Pe. Delloue, membro da congregação dehoniana.

“Era preciso um titular legal para a casa. Eu não tinha o estágio exigido. Mas a coisa pôde arranjar-se. O Sr. Lecompte continuou titular por alguns meses. Eu pedi uma dispensa completa de estágio. O Sr. Bispo deu este bilhete amável para acrescentar ao meu processo: Autorizamos o Rev. Dehon, vigário em S. Quintino, cónego honorário da nossa Sé catedral, provido de diplomas honrosos da Universidade de França e do estrangeiro, conhecido nesta diocese e fora dela por se ter ocupado com sucesso das obras da juventude, a pedir ao conselho do Departamento do Aisne uma certidão de estágio para a direcção dum estabelecimento de instrução secundária; sendo preciso, autorizámo-lo a pedir dispensa dessa certidão ao Sr. Ministro da Instrução Pública.” Alguns meses depois, eu recebia a dispensa, assinada por Júlio Simon” e passava a ser o Director do Colégio São João durante 19 anos seguidos. (NHV VII – Verão 1877)

Ensinamentos:
A águia é o símbolo da juventude que se renova. (Aos Jovens, Conferência, inventário 38.09, AD: B6/5.9)

A educação religiosa é o cultivo das faculdades mais elevadas do homem, na civilização da inteligência e do coração. (A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, pp. 274-293 do IV Volume das Obras Sociais do Pe. Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985)

A escola sem Deus é um erro social. (Discursos sobre a educação do carácter, in IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 434)

A Igreja é a grande escola do patriotismo como é a verdadeira fonte do progresso nas letras e nas artes. (Acerca do Patriotismo Cristão, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 319)

A infância é a primavera da vida. É mais a idade das flores do que dos frutos. O florescimento e a frescura são-lhe mais convenientes do que a maturidade. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 284)

A inteligência, a vontade, as mãos humanas são a imagem e semelhança da actividade divina. (ACJ 1, Pág. 174)

A juventude deve ter o entusiasmo na acção, a sedução na forma, a audácia na execução. (CR, Pág. 210)

A razão e a fé são duas filhas de Deus, que não devem estar em desacordo. (CR, Pág. 470)

A vida dos jovens dependerá mais daquilo que serão pelo coração e pelo carácter do que pelo conhecimento acumulado na mente. (Discursos sobre a educação do carácter, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 433)

A vida intelectual e moral derrama-se da alma do educador para a alma do seu aluno por duas fontes: a palavra e o exemplo. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 279)

As viagens bem feitas completam o estudo das humanidades… São um complemento da educação. (NQ, 1925, Pág. 102)

As viagens são uma fonte inesgotável de estudo. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 184)

Castigai pouco, encorajai muito. Perdoai facilmente, esquecei sobretudo. Que o vosso rosto depois da correcção testemunhe apenas a bondade de ter feito o bem. (Pequeno Directório para os reitores, 1919, in VII volume das Obras espirituais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, pág.248)

Deus não vos pede um trabalho intelectual, mas o vosso amor. Não pede a vossa cabeça, mas o vosso coração. (CF, 9 de Setembro de 1886)

Deus nos livre da educação sem Deus! (CR, Pág. 492)

Educar um cristão é formar um homem de coração, um homem de sacrifício e de dedicação. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 278)

Educar um cristão não é somente dar-lhe noções de ciência humana… não é somente ensinar-lhe boas maneiras…dar-lhes uma ciência… é sobretudo formar nele um nobre e grande carácter, virtudes vigorosas… fazer crescer na sua alma a fé… (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 278)

Eis as virtudes que são as amáveis companheiras da educação cristã: a piedade, a pureza, a energia e o afecto. (Acerca da Educação Cristã e das Virtudes da Infância, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 335)

Façamos os nossos alunos amar Jesus e eles serão santos. (Carta ao Pe. Falleur, 31/12/1884, Inv. 465.45, AD: B22/11)

Jovens cavaleiros, este deve ser o vosso ideal, este deve ser o vosso plano de vida: o livro e a espada devem caracterizar a vossa vida, o estudo e a acção militante devem completá-la. (O sonho do jovem cavaleiro, 1903, in in I Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1979, Pág. 620)

Jovens, é preciso agir! Na vossa idade deve-se ter espírito de combatividade. (Discurso aos antigos alunos de São João. 08/08/1887, AD: B36)

Jovens, sois a nossa esperança e sereis a nossa salvação. A vossa rectidão e a vossa lealdade ganharão os corações. (Aos Jovens, 1898, in I Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1979, Pág. 383)

Na literatura o cristianismo não é a noite sombria, é a luz esplendorosa. (Acerca das Letras Cristãs, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 303)

Nada há de mais belo do que os jovens cristãos, que entram na arena da vida para defender as suas convicções. (CR, Pág. 210)

Não esqueçamos que o objectivo a atingir não é punir, mas corrigir; não é humilhar, mas santificar. (Pequeno Directório para os reitores, 1919, in VII volume das Obras espirituais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, pág. 247)

Não vos esqueceis de edificar os vossos filhos ao mesmo tempo que os instruís. (Discurso Acerca da Educação, 20/01/1888, Inventário 43.04 AD: B7/3)

No prazer a juventude passa mais depressa. (Conferência aos Jovens, inventário 38.09, AD: B6/5.9)

O asseio é um meio de educação: deve reinar nas camaratas, salas de estudo, livros, cadernos. (CC 17/10/1899, Pág. 132)

O ensino não pode limitar-se a palavras: ele propõe e impõe ideias. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 173)

O futuro pertence a quem tiver nas suas mãos a formação das novas gerações. (A Educação e o Ensino segundo o Ideal Cristão, Prefácio, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 270)

O livro é bom, mas não é tudo. O livro na mão esquerda e a espada na mão direita. O livro, é a oração, é a leitura, o estudo pessoal feito na sua mesa e o estudo comunitário feito no Círculo. A espada, é a luta, o ataque e a defesa; é a acção social dos sindicatos, das caixas de crédito e dos secretariados do povo. O livro e a espada, tais são, caros jovens, as armas do vosso brasão. A igreja faz-vos seus cavaleiros. (O sonho do jovem cavaleiro, 1903, in I Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1979, Pág. 621)

O livro é um dos conselheiros da criança. Ele segue-a a cada passo. Ensina com o mestre e contra ele. Ele influencia consideravelmente a sua alma de discípulo. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 280)

O mestre desempenha, frente ao seu discípulo, a acção de uma verdadeira paternidade espiritual. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais deLeão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 278)

O modelo por excelência da Educação é Jesus que une a doçura mais suave à força mais triunfante. (Discursos sobre a educação do carácter, in IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 445)

O rumo impresso à educação depende particularmente da ideia que se tem acerca do homem perfeito. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 276)

Os professores são para os alunos e não os alunos para os professores. Ide pausada e sabiamente. (Carta ao Pe. Paris, 31/10/1912, Inv. 300.02, AD: B20/7.4)

Os que amam o estudo evitarão mil tentações que conduzem à ociosidade. (CC 17/10/1897, Pág. 104)

Pela sua vida, inteligência e vontade, o homem é a imagem da Santíssima Trindade. (CA, Pág 50)

Quão belo é o coração que só abraça na terra a virtude e a ciência, a Igreja e a pátria, a família e as santas amizades! (Acerca da Educação Cristã e das Virtudes da Infância, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 326)

Somente o ideal cristão abarca todos os elementos da perfeição humana. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 277)

Trabalhando para os alunos, os mestres acreditam trabalhar para Deus. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 280)

Uma criança sem religião não domina as suas paixões. (Acerca da Educação Cristã, in “A Educação e o Ensino Segundo o Ideal Cristão”, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 292)

Uma viagem bem feita, grande ou pequena, vale mais do que uma outra recreação ou recompensa. É um estudo, e dos melhores. Este gosto vale mais de que o círculo (convívio), o bilhar ou o romance. (Discurso acerca do estudo da geografia, IV Volume das Obras Sociais de Leão Dehon, Edizione CEDAS (Centro Dehoniano Apostolato Stampa) – Andria, 1985, Pág. 366)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Educação cristã e virtudes da infância (II)


               O que disse da fé e da piedade, quero dizê-lo do afeto e das qualidades do coração; a educação cristã é a mais apropriada para os fazer florir, sobretudo quando é dada por homens consagrados a DEUS. A criança chega ao colégio com um coração largamente aberto. A família e sobretudo a mãe desenvolveram nela esta capacidade de amar. Só deseja poder expandir-se. Toda a arte da educação cristã consistirá em não propor a esta atividade servir objetos legítimos e santos. Quão belo é o coração que só abraça na terra a virtude e a ciência, a Igreja e a pátria, a família e as santas amizades!
               Mas o afeto só se deixa guiar pelo afeto, e para que um mestre possa dirigir o coração da criança, é preciso primeiro que conquiste este coração amando-o como o fazem um pai e uma mãe. Esse afeto, paternal e maternal ao mesmo tempo, onde encontrá-lo, fora da família, mais seguramente a não ser no coração daqueles que bebem diariamente da fonte onde se alimentou um são João apóstolo, um santo Agostinho e um são Francisco de Sales, um são Vicente de Paulo? Quem poderá substituir este fogo sagrado? Será o sentimento do dever que obriga todo o educador a amar? Mas o dever é austero e frio, e as suas obrigações abstratas não podem substituir o calor da caridade. Será o interesse bem entendido que manda o mestre educar bem, isto é educar com afeto as crianças que lhe são confiadas? A criança não saberá distinguir este afeto interessado da inimitável caridade? Será a bondade natural? Será A criança é naturalmente amável. Sim, até à hora do capricho ou da paixão nascente. Pais e mães, encontrareis só nos corações unidos estreitamente ao coração do Redentor alguma coisa que imita e reproduz, diante dos vossos filhos, a paixão da dedicação e do sacrifício que consome os vossos.
               Abramos o nosso livro de ouro e tomemos, a este respeito, esta afeição enobrecida pela fé.
               Estes corações são ardentes, têm afeto suficiente para expandir por sua vez sobre os seus pais, mestres, colegas, sobre os pobres.
               Um, depois do regresso às aulas, escreve à mãe: “Como te peço perdão pelos incómodos que te causei durante as férias! Como me arrependo! Vou esforçar-me por ter boas notas, a fim de te fazer cada vez mais feliz e fazer-te esquecer as minhas faltas. Quando penso nisto, o coração sangra-me. Não podes imaginar como o meu coração se desfaz só ao pensar que te desgostei. Como quereria penitenciar-me por esta loucura momentânea! Como lamento! Lamento sobretudo a tristeza!” – E tratava-se somente de uma ligeira desobediência.
               Outro tinha adquirido o comovedor hábito de nunca ir para a cama sem antes ter recebido a bênção dos seus pais. “Uma noite, conta ele, como a minha mãe, descontente comigo durante o dia, tinha recusado abençoar-me e se tinha furtado às minhas impertinências retirando-se para o quarto, ajoelhei-me à sua porta chorando lágrimas quentes e suplicando que voltasse. Perto das duas horas da manhã, vendo que eu soluçava em vão e sentindo que a minha glândula lacrimal ameaçava secar, recorri, para conseguir que se abrisse a nova Sésamo, a um procedimento pouco vulgar: juntei todas as cadeiras da sala de jantar e, depois de as ter disposto como obstáculos de pista de corrida, entreguei-me a um exercício de ginástica tão barulhento que depois de um quarto de hora de exercício a minha mãe apareceu cheia dum medo que logo se transformou num riso irreprimível. Quem ri, diz o provérbio, já perdoou; pude assim deitar-me às três horas da manhã, com a sua bênção que consegui com o suor do meu rosto, e mudando a sentença: “Mais vale tarde do que nunca”, noutro da minha lavra: “mais vale de madrugada do que nunca.” É um facto, original sem dúvida, mas que revela bem um coração, não é verdade?
               Outro escrevia à irmã mais velha: “Eu esforço-me, sou muito ajuizado, mesmo assim tive notas baixas que bem mereci, mas somente por causa de pequenas misérias. Se isto não causasse tanta pena aos meus pais, eu facilmente me consolaria, mas quando penso que vão sofrer e sentir-se infelizes, não posso deixar de sentir uma profunda aflição. Isto não passou de um descuido, de pouco de distração. Ah! Se eu pudesse receber outro castigo, não importa qual, para evitar este desgosto aos nossos bons pais!... Se eles vão pensar que sou ingrato… Tudo isto me acabrunha, já não aguento mais… Tu vais talvez dizer-me que fico demasiado triste por tão pouco. Sem dúvida que é pouco, e no entanto é tudo, pois causa desgosto aos meus queridos pais”.
               De um outro, leio este simples pormenor: “Nunca deixou sem responder nenhuma das cartas vindas da família durante os sete anos dos seus estudos”.
               Estes são os factos que dizem o que valem os corações. Devo acrescentar, todavia, que estes corações, tão ardentes de amor filial, me pareceriam cristãmente imperfeitos, se não os visse transbordar de um afeto análogo pelos seus mestres.
               Prossigamos a nossa investigação. Cá está um bilhete escrito depois de um dia de mau humor: “Caro professor, como deve ter sofrido hoje! Como fui ingrato para consigo, não é? Desgostei a Nosso Senhor ao mostrar-me tão pouco ajuizado. Mas o divino Mestre é tão bom! Ele já me perdoou, estou certo, as minhas negligências, e ouso dizer… o meu orgulho. Mas depois do perdão do Senhor falta o do professor. Este ser-me-á também concedido, assim espero. Cheio de confiança, atrevo-me a escrever-lhe estas palavras para lhe mostrar que se o desgostei, estou arrependido. Não voltará a repetir-se outro dia, não é?, em que esta má cabeça torne a fazer das suas. Reze por mim, para que o orgulho saia do meu coração e eu seja doravante mais digno do seu afeto”.
               O segredo destes laços, vê-se numa carta de um aluno novato à sua mãe: “Dou graças ao Bom Deus por me ter colocado em tão excelente casa. Os professores não são duros como nos outros colégios: longe de desprezar os alunos, mostram-nos afeto, e até se juntam aos nossos jogos… Asseguro-vos, minha mãe, que me encontro bem, que só tenho pena de estar longe de si”.
               Mas aqui está o que é mais característico; a carta de um estudante de direito em excursão de férias: “Adivinhai, minha mãe, estou quase louco de alegria no momento em que lhe escrevo. Porquê? Dou-lhe cem por cento de tudo o que quiser. Adivinhe? – Não? – Estou muito longe de si, e todavia salto de satisfação. Para não a fazer esperar mais tempo a revelação do enigma, digo-lhe que vou rever o colégio onde fui educado. Esta querida casa que deixei, há já tanto tempo, vou tornar a vê-la daqui a algumas horas. Poderei voltar a passear pelas suas alamedas que foram tantas vezes testemunhas das minhas brincadeiras! Com o coração a palpitar vou ver a sala de estudo onde trabalhei, as salas de aula onde triunfei, a capela onde gozei instantes de uma alegria tão doce e tão pura!”. No dia seguinte, depois de ter aberto o seu coração numa alegre narração, acrescentava: “Fiquei satisfeito não só pelos meus colegas como também pelos meus antigos mestres; todos aqueles que ainda me conheceram mostraram-me o apego mais terno. Ao despedir-me derramei lágrimas. Como gostaria de voltar a fazer esta viagem de tempos a tempos! Parece-me que isto retemperaria a minha alma.”
               Da caridade para com os pobres, direi apenas uma palavra. Só as casas de educação cristã conhecem as associações de caridade com a visita às famílias e os pequenos sacrifícios feitos diariamente em seu favor.
               Pais e mães de família, dizei-me, não gostaríeis de ver os corações dos vossos filhos numa semelhante lista?