sábado, 21 de março de 2026

O que me trouxeste da feira?

Nestes dias tem decorrido uma grande feira aqui na cidade onde vivo de modo que tenho de atravessá-la para fazer a minha caminhada ao fim da tarde.

Tenho visto grande animação pelas ruas, muita agitação nas compras e vendas e muita alegria ou euforia que a todos contagia mesmo a quem como eu, passa alheio ou indiferente a essa azáfama.

Tenho-me cruzado com muitas pessoas carregadas com vários sacos e mercadorias.

Imagino então essas mesmas pessoas a chegarem às suas casas.

- O que é que trouxeste da feira?

De facto, quem vem de alguma feira é suposto trazer alguma coisa ou então prestar contas. É preciso avaliar a nossa ida à feira, as compras que fizemos, como nos divertimos, o que poupámos, o que ganhámos. Esta pergunta é válida tanto para quem foi comprar como para quem foi vender:

- O que é que trouxeste da feira?

Faço a mesma pergunta a mim mesmo ao regressar a casa no fim da minha caminhada ao fim da tarde:

- O que é que trouxeste hoje da tua caminhada?

E não é só para saber ou avaliar quantas calorias queimei, quantos quilómetros percorri, a boa disposição que alcancei.

É preciso também dar conta daquilo que interiormente trouxe, as reflexões, compromissos e decisões que tomei.

Depois de uma caminhada devíamos carregar outras mercadorias interiores mais saudáveis e igualmente benéficas para quem ficou em casa. Enfim, é preciso saber e dar a conhecer o que trouxemos da caminhada, porque ninguém regressa de mãos vazias e todos ficam a ganhar com isso.

Por fim, esta será também a pergunta que um dia Deus nos fará quando regressarmos da feira desta vida.

Ser-nos-á perguntado:

- O que é que trouxeste?

Jesus garante no evangelho que um dia Deus pedirá contas a esta geração.

E que poderemos nós responder?

Que mercadorias apresentaremos?

Assim pregava o Pe. António Vieira no século XVII:

Sabei, ó cristãos, que se vos há de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais estreita conta do que deixastes de fazer.

Pelo que fizeram, se hão de condenar muitos; pelo que não fizeram, todos.

E por que Deus nos pedirá contas?

Ele pede-nos contas, para saber quanto ele vai continuar a pagar por cada um de nós, por todos.

 

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