Quando atravessava um jardim na minha
caminhada ao fim da tarde ouvi uma menina dizer:
- Mãe, olha o padre que vem aí.
O pai tentou corrigir:
- Filha, fala mais baixo. E é SENHOR padre
que se deve dizer…
Por sua vez a mãe interveio, e falando de
modo que eu ouvisse, sentenciou:
- É assim mesmo – o pastor vem onde se
encontram as suas ovelhas, para lembrar que as ovelhas devem ir onde se
encontra o seu pastor.
Foi tal e qual eu ouvi e fiquei satisfeito.
Cumprimentei-os com um sorriso e continuei a minha caminhada com a convicção
que ela virara pregação, dada e recebida.
Lembrei-me então das palavras do Papa
Francisco:
É preciso que os pastores tenham o cheiro das
suas ovelhas.
Os padres devem ficar perto de Deus sem ficar
longe dos homens ou ficar perto dos homens sem ficar longe de Deus.
Afinal, não era apenas o pastor que com a sua
presença pregava, mesmo sem palavras. Aqui o próprio pastor teve oportunidade
de ser também formado e evangelizado.
O cheiro das ovelhas passava para o pastor,
mas também o cheiro do pastor passava para as ovelhas.
E senti-me grato por esta mútua interação.
Lembrei-vos também do Pe. Leão Dehon, fundador do
Instituto Religioso a que pertenço. Ele repetia o convite do Papa de então,
Papa Leão XIII – é preciso sair da sacristia… e ir ao povo.
Fiquei com a sensação de que ao fazer as
minhas caminhadas, estava eu a obedecer ao mandato do Pe. Dehon.
Sair da sacristia, hoje, é também fazer as
suas caminhadas ao fim da tarde.
Isto foi adotado pelo Papa Francisco ao
sonhar uma Igreja de Saída. É preciso sair de si mesmo, sair da área de
conforto, sair em direção às periferias.
De facto, não há evangelização de poltrona.
A evangelização é sempre de saída, de
estrada, de caminho, de avanço, de etapas e de metas.
É preciso fazer do caminho uma evangelização
e fazer da evangelização um caminho. Ou então evangelizar caminhando e caminhar
evangelizando.
É preciso anunciar Jesus pelo caminho para
que o anúncio seja o caminho que nos leva a Jesus.
Foi isto que experimentei na minha caminhada
de hoje.
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