quarta-feira, 18 de março de 2026

Deus também passeia e corre

Gosto de variar a hora da minha caminhada diária, conforme a disponibilidade, ambiente, clima e oportunidade. Mas prefiro o fim da tarde. E não é só por gostar do pôr-do-sol. Em Gn 3, 8 encontro a principal razão: “Ouviram, então os passos do Senhor Deus, que percorria o jardim pela brisa da tarde, e o homem e a mulher logo se esconderam do Senhor Deus, por entre o arvoredo do jardim…”

Para mim é esta a confirmação de que Deus sabia muito bem quão bela e boa tinha sido a sua Criação. Ele deleitava-se passear pelo jardim pela brisa da tarde, no sossego das horas e no ambiente aliciante do jardim.

Muitas vezes penso que nessa hora de caminhada eu faço companhia a Deus e ele a mim.

O Deus em quem acredito não está fechado, isolado, mas gosta de sair e de caminhar. Prefere os passeios pela criação, em contacto com a natureza, encontrando-se com as pessoas e contemplando o pôr-do-sol. Confirma que tudo o que criou é muito bom e é a sua delícia.

Se Deus é assim, e nós que fomos criados à sua imagem e semelhança, não podíamos preferir outra coisa.

Se é certo que Deus gosta de caminhar, também é capaz de correr. É o que Jesus nos refere na parábola dos dois filhos, em Lc 15, 11-32.

A figura do Pai neste relato de Jesus é o retrato de Deus seu e nosso Pai.

O filho mais novo estava ao regressar à casa paterna, depois de uma vida de aventuras “quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos… (Lc 15, 20-21).

É este Deus em quem acredito que é capaz de correr ao encontro de quem precisa da sua companhia e do seu abraço.

É um Deus que corre. No mundo antigo, um patriarca não corria; era considerado indigno. Um homem da sua posição caminhava devagar, com autoridade e distância. Mas nesta parábola Jesus diz que um pai corre. Deus como Pai corre. Corre ao encontro de um filho que o abandonou, que o humilhou e que desapareceu durante anos. Se Deus é assim, então os seus filhos não podem ser diferentes.

São estes os meus pensamentos ou os meus sonhos ou compromissos quando acompanho a Deus e ele me acompanha a mim na nossa caminhada pelo jardim pela brisa da tarde.

 

 

Sem comentários: