Solenidade da Anunciação do Senhor
Completando a ave-maria
Eco da saudação a Maria
O Evangelho da Anunciação termina com uma observação
que não pode passar despercebida: E o anjo retirou-se de junto dela.
Esta afirmação parece indicar não só o fim de um
diálogo, mas o início de um longo silêncio de Deus, isto é, a partir daí, Maria
nunca mais deve ter tido nenhuma revelação divina especial, ou pelo tão
especial como esta. E nem precisava porque a anunciação já tinha revelado tudo.
Depois da Anunciação, o anjo afastou-se e Maria passou
a viver no silêncio de Deus.
É por isso que a Igreja faz questão em continuar o
diálogo do anjo com Maria.
O anjo retirou-se para que nós possamos fazer eco da
sua saudação à Mãe do Filho de Deus. Fazemos isso através da recitação da
ave-maria.
Se o não fizermos, estamos a promover as trevas e o
silêncio à volta de Maria.
Um pouco de história
A expressão “agora e na hora de nossa morte” foi
incluída na oração durante o século XIV, quando uma epidemia matou quase um
terço da população da Europa.
A oração da ave-maria que os cristãos rezam há séculos
é composta de duas partes principais.
A primeira deriva da Anunciação, quando o anjo Gabriel
saudou Maria, dizendo: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo!” (Lc 1,28).
Já a outra parte é retirada da Visitação, quando
Isabel cumprimentou Maria com as palavras: “Bendita és tu entre as mulheres e
bendito é o fruto do teu ventre.” (Lucas 1,42).
A princípio, a oração era conhecida como “Saudação à
Virgem Maria” e consistia apenas nos dois versículos reunidos. No entanto,
durante a epidemia de peste negra, no século XIV, a oração foi modificada e uma
segunda parte foi adicionada a ela.
Acredita-se que esta segunda parte (Santa Maria, Mãe
de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte) foi adicionada
para pedir a proteção da Mãe Santíssima contra a doença fatal. Como se apodera
dos dois momentos decisivos da vida: “agora” e “na hora da nossa morte”, sugere
o clamor espontâneo das pessoas diante da grande calamidade. A peste negra, que
devastou toda a Europa e destruiu um terço de sua população, levou os fiéis a
clamarem à Mãe de Nosso Senhor para protegê-los quando o momento e a morte eram
quase um só.” Um especialista em devoção mariana, Pe. Donald H. Calloway,
confirma essa conclusão no livro Campeões do Rosário, e explica: Após a peste
negra, a segunda metade da Ave Maria começou a aparecer nos breviários de
comunidades religiosas … o povo do século XIV precisava muito da dimensão
‘cheia de esperança’ da segunda metade da oração da Ave Maria. A oração assumiu
várias formas durante este período sombrio na Europa, mas foi oficialmente
reconhecida após a publicação do Catecismo do Concílio de Trento. A prece
completa foi incluída no Breviário Romano de 1568.
À margem 1:
Em geral as comunidades religiosas iniciam a sua
oração comunitária de Laudes com a recitação do Ângelus, rezando – O Anjo do
Senhor anunciou a Maria…
Havia um superior na minha comunidade que no dia 25 de
março, iniciava de maneira diferente essa oração. Dizia com toda a solenidade e
voz forte:
- HOJE o Anjo do Senhor anunciou a Maria…
Assim assinalávamos este dia especial e lembrávamo-nos
que os outros dias eram o eco do mistério celebrado hoje.
À margem 2:
Hoje bem podia ser escolhido para o DIA DA ESPERANÇA. De facto, neste dia da Anunciação do Senhor ou da Encarnação, foi acesa a nossa Esperança, Jesus Cristo Nosso Senhor. O Anjo Gabriel é o Anjo da Esperança ou o mensageiro da Esperança e a Virgem Maria é a porta donde nos chega a Esperança. Tudo isso aconteceu há 2025 anos. E nós bem podemos caminhar na Esperança, porque não caminhamos sozinhos. Jesus veio para caminhar connosco. Celebremos com júbilo.
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