quinta-feira, 6 de julho de 2023

Aqui estou, Senhor


5ª feira – XIII semana comum

 

Deus chamou:

- Abraão.

Ele respondeu:

- Aqui estou, Senhor.

Aqui estou, eis-me aqui, conta comigo – são expressões que resumem a verdadeira oferta de Abraão. Ele oferecia-se totalmente a Deus e já não precisava de oferecer o seu filho.

É preciso ficar com a boca perto do coração e o coração em consonância com a boca e entregar-se totalmente a Deus.

 

Também Jesus dirá – eis me aqui, eis que venho…

Maria, sua mãe dirá também – Eis a aqui a serva do Senhor.

E todos os chamados responderão da mesma forma.

É a oferta que Deus espera.

 

A passagem de testemunho

Por que é que Deus escolheu Abraão para iniciar o seu povo?

Não foi pelo seu monoteísmo, nem pela sua peregrinação, nem pela argumentação da sua oração… Foi simplesmente porque Deus sabia que ele iria passar o testemunho da sua fé. Abraão passaria às gerações futuras aquilo que recebeu. Deus escolheu-o pela continuidade.

De facto, não basta receber. É preciso receber e transmitir.

Quem não passa o testemunho aos outros não é digno de Abraão.

 

A ternura da fé

Há quem diga que esta página do Génesis é cruel e dramática. Como é que Deus pode exigir tal sacrifício?

Abraão sempre se comportou com dignidade. Acho até que em vez de crueldade sobressai antes a ternura comovente de Abraão, quer para Deus, quer para o próprio filho.

Abraão não resmunga, não protesta, não procura desculpas, não se defende, mas age com toda a dignidade e delicadeza carinhosa.

- Aqui estou, Senhor.

- Toma o teu filho que tanto amas…

- Eu e o menino iremos além fazer adoração e voltaremos para junto de vós.

Nada fez transparecer a preocupação ou a angústia.

Seguiram juntos o caminho.

- Meu pai, disse Isaac…

- Que queres meu filho.

- Onde está o cordeiro?

- Deus providenciará.

De facto, Deus tinha providenciado o nascimento de Isaac, o cordeiro que pedia agora para ser imolado.

E continuaram juntos o caminho.

Abraão atou o seu filho e deitou-o sobre a lenha do altar…

- Abraão, Abraão…

- Aqui estou, Senhor…

- Abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência.

 

Deus providenciará

Pelo amor a Deus, Abraão não hesitou em puxar o cutelo para imolar o seu filho.

- Deus providenciará – era a certeza de Abraão.

Esta profecia não se realizou apenas no tempo de Abraão, quando apareceu um cordeiro para ser imolado em vez de Isaac.

A profecia realizar-se-ia ao completar-se os tempos, quando por amor dos homens, Deus não hesitou entregar o seu Filho para morrer no altar da cruz.

Assim se cumpriu plenamente a profecia de que Deus iria providenciar.

 

Ver também:

Deus providenciará

 

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Um porco pode ensinar-nos


4ª feira – XIII semana comum

Um homem tinha um espírito impuro…

Isto pode significar duas coisas:

Ou o espírito do homem era impuro, isto é, ele tinha o seu espírito impuro.

Ou o homem era possuído por um espírito impuro, isto é, algo exterior o aprisionava.

Por outras palavras, o homem possuía um espírito impuro ou era possuído por um espírito impuro.

Em todo o caso, é sempre uma situação que é estranha a uma pessoa.

Começa na cabeça e, pela lei da gravidade, desce para os olhos contagiando tudo o que vê, passa pela boca afetando as suas conversas, inunda o coração pervertendo todos os seus sentimentos e chega até às mãos e os pés condicionando toda a sua ação.

 

A analogia com a figura do porco:

- É um animal impuro, sujo.

- Ganancioso, porquinho como mealheiro.

- Carnal, sôfrego, mas também objeto de gula.

- Incapaz de olhar para o alto, sempre de cabeça para a terra.

Quem tem o seu espírito impuro é como o porco – sujo, ganancioso, sôfrego e material.

Quem é assim não vai longe.

 

Os gadarenos pediram a Jesus que se retirasse do seu território.

Eles preferiram ficar com os porcos em vez da companhia de Jesus.

Ainda hoje é assim:

Às vezes preferimos uns momentos de ilusão à presença de Deus.

Preferimos ir beber uns copos em vez de participar da Eucaristia.

Preferimos um jogo de futebol a uma leitura espiritual.

Preferimos acompanhar um programa de televisão em vez de acompanhar um doente ou idoso.

 

Ver também:

Aproximar-se, afastar-se

Mandou-o passear

reagir

 

terça-feira, 4 de julho de 2023

Com Ele ninguém se afunda


3ª feira – XIII semana comum

Levantou-se no mar tão grande tormenta que as ondas cobriam o barco.

Jesus dormia.

Aproximaram-se os discípulos e acordaram-no, dizendo:

Salva-nos, Senhor, que estamos perdidos.

Jesus falou imperiosamente a vento e ao mar e fez-se grande bonança.

 

Conclusão:

Com Jesus ninguém se afunda.

Jesus não dorme.

Apenas aguarda que chamem por Ele.

 

“Se me colhe a tempestade,

e Jesus vai a dormir na minha barca,

nada temo porque a Paz está comigo”.

 

Ver também:

No mar da vida

 

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Juntos na mesma barca


Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos

Reflexões soltas acerca de São Pedro

 

1. A data

A igreja propõe para o mesmo dia a solenidade dos dois apóstolos Pedro e Paulo. Eles foram martirizados em datas diferentes e em lugares diferentes. Então porquê os unimos no mesmo dia. Porque quem dá testemunho junta-se a todos os que como ele deram o mesmo testemunho. Somos uma família de apóstolos, de mártires, de testemunhas. Quando alguém testemunha a sua fé, une-se a Pedro, a Paulo e a todos os que ao longo dos séculos deram o mesmo testemunho. De facto, estamos todos na mesma barca.

 

2. A posição

Segundo a tradição Pedro foi martirizado pregado numa cruz invertida, isto é, com a cabeça para baixo. Também Paulo foi martirizado com a cabeça para baixo, ou seja, decapitado. A sua cabeça ficou no chão, saltando 3 vezes. De facto, o martírio é uma espécie de batismo em nome do Deus uno e trino – em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Em geral nós fazemos questão de viver com os pés bem assentes na terra. Estes dois Apóstolos morreram, não com os pés bem assentes no chão, mas sim com a sua cabeça firme no chão para que a sua alma estivesse bem lá no alto, junto de Deus.

 

3. O nome

Simão, filho de Jonas, mudou o nome para Pedro para que hoje Pedro mude o nome para Francisco, Bento, João Paulo, Paulo, João, Pio, Leão, Gregório, Clemente…

Segundo a Bíblia, sempre que alguém assume uma nova missão, uma condição nova ou uma nova tarefa ou missão muda de nome, precisamente para reforçar a mudança ou a nova condição. É como se nascesse de novo. Assim acontece com os consagrados ou religiosos (monges, frades) e assim acontece com os Papas. Assim Simão mudou de nome para Pedro para que através das gerações Pedro possa mudar de nome em cada geração.

 

4. O amor

É sobre o amor o diálogo que se segue entre Jesus e Pedro: «Pedro, amas-me (verbo agapáô) mais…?», pergunta Jesus por três vezes. E por três vezes Pedro responde que sim, que é seu amigo (verbo philéô) ouvindo de Jesus, também por três vezes a nova missão de «Pastor» que lhe é confiada: «Apascenta as minhas ovelhas» (João 21,15-17). O verbo com que Jesus interroga Pedro acerca do amor é, nas duas primeiras vezes, agapáô, amor puro e gratuito, sem fronteiras, que não cabe em nenhum grupo de amigos. Mas o verbo com que Pedro responde a Jesus é philéô, que qualifica a amizade que é apanágio de um grupo de amigos. Na sua admirável condescendência, quando pergunta pela terceira vez, Jesus desce ao nível de Pedro, usando o verbo philéô, para que Pedro acerte com a resposta. Sim, Jesus desce ao nível de Pedro, não para ficar aí, no patamar de Pedro, mas para elevar Pedro a um novo patamar de amor. Ainda hoje Cristo nos pergunta por três vezes (outra vez referência à santíssima Trindade do Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo), Ele pergunta se o amamos e nós só conseguimos dizer que sim, que gostamos dele. Na língua portuguesa o verbo amar é plurifacetado, querendo significar amor puro ou sublime (Agape), amor carnal ou sexual (Eros), amor como amizade (Filia), amor como o de gostar de alguém ou de algo. Nós só conseguimos afirmar que gostamos de Cristo, quando ele espera que o amemos de verdade e de maneira sublime.

 

5. O início

Quando é que Pedro se tornou Papa? Só no dia de Pentecostes. Porquê? Porque, como todos sabemos, a Igreja “nasceu” no Pentecostes, no Cenáculo, dez dias depois da Ascensão. Já que a Igreja Militante não existia até o Pentecostes, não havia como Pedro ter sido sua cabeça visível antes de existir.

 

Ver também:

Tripé da igreja de Jesus


quarta-feira, 28 de junho de 2023

Contar estrelas com Abrão


4ª feira – XII semana comum

 

Deus chamou Abrão e fez-lhe 3 promessas:

- A promessa de uma terra – a terra prometida.

Assim devia lembrar-se para sempre que ninguém é de cá, que a terra é-nos sempre dada, que todos somos peregrinos. Esta terra não é património nosso, mas é um presente de Deus.

- A promessa de descendência – um filho.

Assim devia recordar-se para sempre que todos fazemos parte da mesma família. E o herdeiro não se limita apenas a Isaac, mas das gerações seguintes em Jesus Cristo. Não só fazemos parte da mesma família, como Deus também faz parte da nossa família.

- A promessa da bênção – aliança.

Assim devia gravar para sempre que Deus abençoa a quem o abençoar… É a aliança que se renova sempre e se torna em nova e eterna aliança em Jesus Cristo.

E Deus disse a Abrão:

- Olha para as estrelas… e conta-as.

 

Contar as estrelas é:

- Contar as bênçãos – para agradecer (ter o coração no Céu)

- Contar ou medir os grãos de terra – para cuidar (ter os pés na Terra)

- Contar os descendentes, os membros da família – para os amar (ter o coração nos irmãos)

 

Então, sempre que Abrão olhava para as estrelas via a realização destas 3 promessas que Deus lhe fizera.

 

Nós também somos convidados a olhar para as estrelas e a contá-las.

1º - Contar estrelas faz-nos sair de nós mesmos – É transcendência.

2º - Contar estrelas é um desafio árduo – É perseverança ou fidelidade.

3º - Contar estrelas é livrar-se da mediocridade à nossa volta – É alargar horizontes.

4º - Contar estrelas é entrar no ambiente de Deus – É crer ou acreditar.

5º - Contar estrelas é depender do alto – É ser peregrino do infinito.

 

O Pe. Dehon e Santo Ireneu


Memória de Santo Ireneu 

Bispo, Mártir e Doutor da Igreja

Esmirna (Ásia Menor) 130-202 Lyon (França)

Extratos do Diário do Pe. Dehon 

(Notes quotidiennes)

Janeiro de 1901

“Por vários anos tive a ideia de fazer com que a Igreja Romana honrasse Santo Ireneu colocando a sua festa no breviário.

Há seis anos, pedi ao Arcebispo de Lyon que tomasse a iniciativa de uma petição à Santa Sé nesse sentido. Ele contentou-se em enviar à Congregação dos Ritos um pedido assinado por ele e seus sufragâneos. Foi insuficiente. Era necessária uma petição numerosa e internacional. Desta vez eu é que tomei essa iniciativa. Enviei a 600 bispos uma petição modelo. Quase trezentos assinaram-na e enviaram-ma de volta. Muitos incluíram o seu cartão ou uma palavra amável. Eu tinha interpretado corretamente o desejo da igreja inteira.

O Cardeal Arcebispo de Lyon escreveu-me: “Há seis anos, os bispos da região universitária do Sudeste, reunidos na reabertura das faculdades católicas, assinaram uma petição semelhante. Responderam-nos de Roma que para obter a graça pedida era necessário reunir a adesão do episcopado. Isso mostra como estou emocionado e feliz com a sua iniciativa e com que entusiasmo assino a petição. Será uma grande alegria para a diocese de Lyon ver este grande doutor e este valoroso mártir homenageado na Igreja. Obrigado, Padre Superior, e que Deus recompense o seu zelo, derramando sobre si as suas bênçãos. Este é o voto da minha respeitosa dedicação.”

O Arcebispo de Cambrai escreveu: “Caro Pe. Dehon, vós tivestes uma ideia brilhante, um pensamento de ouro! Estais realizando um trabalho muito edificante... Por isso, não hesitei em dar-lhe a humilde ajuda de minha assinatura. O admirável pontífice e médico que foi Santo Ireneu tem o direito, da nossa parte, de receber todas as homenagens possíveis”.

O Bispo Mignot: “Vós sabeis muito bem que eu assinaria com as duas mãos se pudesse. Há uma lacuna a ser preenchida e um descuido a ser reparado. O lugar de Santo Ireneu é tão indicado quanto o de São Justino, o venerável Beda e os santos mais modernos...».

O Bispo de Limoges e vários outros disseram: “Santo Ireneu já tem o seu lugar na nossa própria diocese, mas desejamos convosco que a sua festa seja celebrada em todo o mundo”.

O piedoso Bispo de Adria escreve-me em italiano: “Envio-lhe de volta a petição assinada. Desejo que tenha pleno efeito. Peço-vos que peça a Deus para mim, por intercessão do grande Santo de quem sois tão devoto, toda a ajuda de que necessito para o exercício do meu ministério e para a salvação da minha alma...”

 

30 de janeiro de 1908

“Este foi um grande dia. Tive uma audiência com o Papa…

Ofereci ao santo Padre o meu pequeno livro O Coração Sacerdotal de Jesus. Ele louvou o tema. “Jesus, disse ele, é sacerdote por excelência.” Tomará deste livro o assunto para as suas meditações durante um mês.

Lembrei-lhe as petições que outrora entreguei à Congregação dos Ritos sobre a festa de Santo Ireneu. “A questão dorme nos Ritos”, disse-lhe eu. Ele respondeu: “Vou acordá-la...”.

 

Novembro de 1921

“A Santa Sé acrescentou novos ofícios ao breviário: Sagrada Família, São Gabriel, São Rafael, Santo Ireneu. Trabalhei muito para este culto devido a Santo Ireneu que nos trouxe de Esmirna e Éfeso o espírito de São João. Para isso, apresentei à Santa Sé, durante 25 anos, mais de 500 petições de bispos. Santo Ireneu me agradecerá e me ajudará no julgamento.”

 

21 de janeiro de 2022

O Papa Francisco assinou o decreto que inclui Santo Ireneu na lista dos Doutores da Igreja.

“Santo Ireneu de Lião, vindo do Oriente, exerceu o seu ministério episcopal no Ocidente. Ele foi uma ponte espiritual e teológica entre cristãos orientais e ocidentais. O seu nome, Ireneu, exprime aquela paz que vem do Senhor e que reconcilia, reintegrando na unidade. Por estes motivos, depois de ter tido o parecer da Congregação das Causas dos Santos, com a minha autoridade apostólica DECLARO-O Doutor da Igreja com o título de Doutor da Unidade.

A doutrina de tão grande Mestre possa encorajar sempre mais o caminho de todos os discípulos do Senhor até à plena comunhão.

Vaticano, 21 de janeiro de 2022”.

 

Este foi o coroamento de um sonho ou percurso iniciado pelo Pe. Dehon há cerca de 125 anos.

Vale a pena ter uma causa por que lutar.

Vale a pena valorizar e honrar a santidade dos outros.

Mais cedo ou mais tarde Deus satisfaz as nossas santas aspirações.

Nós, dehonianos, estamos orgulhosos do empenho do Pe. Dehon nesta causa.

Acreditamos que o Pe. Dehon, lá no Céu, estará feliz por tudo isto.

28 de junho

Por coincidência, a memória litúrgica de Santo Ireneu, Bispo, Mártir e Doutor da Igreja, é celebrada num dia muito especial para o Pe. Dehon e sua Congregação.

28 de junho de 1878 foi o dia da primeira Profissão Religiosa do Pe. Dehon e consequente Fundação da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, que nesse ano era o dia da Solenidade do Coração de Jesus.

O Fundador e Santo Ireneu ficavam assim unidos para sempre, através do Amor do Coração de Jesus.

Não há coincidência.

Há sim Providência.

Parabéns a Santo Ireneu, pelos devotos que tem.

Parabéns à Igreja pelo seu mais recente Doutor.

Parabéns ao Pe. Dehon pelas suas grandes causas.

Parabéns à Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus pelo seu aniversário.


Ver também:

Grande dia, dia grande

Nas pegadas de hon fundador

Em dia de aniversário

Fundação

 

 

terça-feira, 27 de junho de 2023

Procurando a porta estreita


3ª feira – XII semana comum


Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que seguem por eles. Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida e como são poucos aqueles que os encontram!

Identificação desta porta estreita:

1 - A porta estreita é o caminho da salvação, apertado, exigente e esforçado.

2 - A porta estreita é a cruz que nos leva ao Céu.

3 - A porta estreita é a humildade.

4 - A porta estreita é o caminho das Bem-Aventuranças.

5 - A porta estreita é o coração aberto de Jesus.

6 - A porta estreita para a santidade é o amor e a porta para o amor é Deus.

7 - A porta estreita é uma porta secreta, mas sempre aberta, feita à nossa medida que é a nossa vocação e santificação.

8 - A porta é estreita porque por ela não passará o nosso corpo, mas apenas a nossa alma.

9 - A porta é estreita porque exige de nós uma escolha, uma opção e não apenas deixar-se levar.

10 - A porta é estreita para que os lobos disfarçados de cordeiros não possam passar por ela apesar de enganarem a muitos.

 

Conclusão:

O Céu pode ser imenso, mas o caminho de acesso é apertado.

O Céu pode ser grande, mas a porta de entrada é estreita.

 

Ver também:

A porta estreita é a cruz

 

domingo, 25 de junho de 2023

Manual de perseguidos


Ano A – XII domingo comum

Não tenhais medo dos homens…

porque eles são como nós

e porque Deus tudo pode e tudo sabe, ele é a verdade.

 

E nós devemos ter medo do maligno ou o maligno deve ter medo de nós?

O maligno é que deve ter medo de nós porque Deus é maior e mais poderoso e cada homem é muito importante para ele.

O santo Cura de Ars pregava que o maligno tem medo de gente piedosa.

Ele foge das pessoas que rezam e que vivem os sacramentos.

De facto, não há ninguém que fuja tão depressa como o diabo da cruz.

O homem é mais fraco do que uma mosca, mas mais duro e resistente do que o ferro.

As tentações lembram que o homem é fraco como uma mosca, mas a oração e os sacramentos da presença de Deus lembram que o homem é mais duro e resistente do que o ferro.

 

Ter medo é bom ou é mau?

Não ter medo é bom ou é mau?

 

- Ter medo é bom quando é sinal de humildade e de reconhecimento das nossas fragilidades ou limitações.

- Ter medo pode ser mau quando é sinal de falta de confiança em nós mesmos e em Deus.

 

- Não ter medo é mau quando é sinal de orgulho ou de inconsciência.

- Não ter medo pode ser bom quando é sinal de abandono nas mãos de Deus.

 

Ver também:

Quantos cabelos tens

O fim dos nossos medos

A multidão e o temor

Não ter medo

S. José homem sem medo

 

sexta-feira, 23 de junho de 2023

O austero Santo Popular


Solenidade do Nascimento de São João Baptista

Por que é que a Igreja escolheu estas leituras para a celebração da Vigília do Nascimento de São João Baptista?

 

1ª leitura

Jeremias foi escolhido e consagrado desde o seio materno.

Apesar disso dizia que era apenas uma criança e que não sabia falar.

Deus disse-lhe para não temer pois estava a seu lado, tocando nos seus lábios para aí colocar a sua palavra divina que devia anunciar.

Assim João Baptista foi escolhido e consagrado desde o seio materno, e mesmo sem saber falar comunicou a presença do Salvador.

Nós também somos escolhidos para exultar de alegria e anunciar a mesma presença. Não devemos temer porque Deus está sempre ao nosso lado.

 

2ª leitura

São Pedro recorda – Vós amais Cristo Jesus sem o terdes visto, acreditais nele sem o verdes ainda…

Assim João Baptista ainda no seio de sua mãe deu testemunho do Salvador e levou os outros a acreditarem também.

Nós também somos convidados a progredir no conhecimento e no testemunho de Cristo para o conhecermos cada vez mais e contagiarmos os outros na mesma fé.

 

No Evangelho

- A tua súplica foi atendida e terás um filho.

Com certeza Zacarias e Isabel quando novos tinham pedido muito a Deus que lhes desse um filho. Agora de idade avançada com certeza já não suplicavam mais. Ou talvez não.

E precisamente quando parecia que tinham deixado de pedir ou de esperar é que surgiu a resposta positiva. 

Deus responde sempre às nossas súplicas. Aguardemos com confiança. 

O tempo de Deus é diferente do nosso tempo.

Deus nunca se atrasa. Nós é que somos impacientes.

- Ele irá à frente do Senhor…

João Baptista nasceu com uma missão completamente diferente daquela de todos nós. Só ele nasceu para ir à frente do Salvador.

Todos os restantes homens nasceram para irem atrás de Cristo, para seguirem a Cristo.

Só João Baptista nasceu para ser precursor.

Nós nascemos para sermos seguidores.

Ao celebrar o seu nascimento como precursor do Salvador, ele lembra-nos que devemos ser seguidores do mesmo Senhor.

 

À margem

São João Baptista é um dos chamados Santos Populares porque celebrado com muita folia, alegria, divertimento e fartura.

E eu fico a pensar: Como é possível isso se João Baptista era um homem austero? Nem comia, nem bebia, todo votado à penitência e à privação. Ele era a incarnação ou a personificação da austeridade.

Então onde está a fonte dessa alegria toda?

Ele ensina-nos precisamente que da austeridade é que nasce a verdadeira alegria.

 

Ver também:

O ponteiro de Deus

 

quinta-feira, 22 de junho de 2023

A miniatura do Pai Nosso


O Pai Nosso de cada dia (129)

5ª feira – XI semana comum

Jesus ensinou aos seus discípulos a oração do Pai para aprendermos:

1º - a pedir só o necessário

2ª – a pedir na ordem justa.

 

1ª - Deus não se faz conhecer pela “quantidade” das ORAÇÕES, mas pela qualidade da nossa ORAÇÃO. Não multiplicar nem belas palavras nem a gramática; o Senhor vê o nosso coração e nos pede para permanecer diante Dele de mãos abertas, em silêncio com verdadeira humildade e nos dará tudo aquilo que precisamos.

A nossa oração perfeita, inspirada no Pai Nosso devia ser assim:

 

Pai Nosso,

Bem sabeis o que precisamos.

Dai-nos o que quereis,

E nós diremos sempre obrigado.

Ámen.

 

Esta é a versão mais concentrada do Pai Nosso ou a sua miniatura.

 

2ª - São Tomás de Aquino dizia que “no Pai Nosso não apenas pedimos tudo o que podemos desejar corretamente, mas também na ordem em que devemos desejá-los, de modo que esta oração não apenas nos ensina a pedir, mas também dirige todas as nossas afeições”.

Assim devemos os nossos pedidos devem respeitar esta ordem:

a) Em vista a Deus Pai

-A santificação do nome de Deus

- O acolhimento do Reino dos Céus

- O cumprimento a Vontade divina

b) Em vista aos seus Filhos

- O pão quotidiano

- O Perdão

- A resistência à tentação

- A recusa do mal

 

Ver também:

Rezar é amar

Poucas palavras e muito devagar

Onde, como, o quê

 

Ver ainda etiqueta neste blogue – Pai-Nosso