quarta-feira, 21 de junho de 2023

O jovem São Luís Gonzaga


Memória litúrgica de São Luís Gonzaga (1568-1591)

A primeira coisa que aconteceu quando ele se tornou Jesuíta foi que lhe disseram para dormir mais; disseram-lhe para comer mais, para continuar a rezar muito. Escreveu no seu diário: “Uma das primeiras cartas que recebi do provincial dizia: Ouvi dizer que andas a dormir menos do que precisas...dorme seis horas. Portanto tenho tentado ser obediente desde então.”

 

O jovem Gonzaga devia:

Descansar mais (+) porque dormia pouco.

Jejuar menos (-) porque mortificava-se demais.

Rezar igual (=) porque rezava bastante.

Também nós hoje devemos:

Aumentar umas coisas (+)

Diminuir outras (-)

Manter igual algumas (=)

para podermos avançar com segurança no caminho da felicidade e da santidade.

Talvez os jovens de hoje devam:

rezar mais (+)

jogar menos (-)

questionar-se igual (=)


 

Qual é a alma do negócio?


4ª feira – XI semana comum

 

O segredo é a alma do negócio.

Mas o segredo não é a alma apenas do negócio, mas também a alma de algo mais.

No evangelho de hoje Jesus ensina que o segredo é a alma da oração, a alma da esmola e a alma do jejum.

Quando deres esmola… dá em segredo.

Quando rezares… recolhe-te em segredo.

Quando jejuares… guarda o segredo só para ti.

De facto, a alma da oração, da esmola e do jejum é o segredo, o recolhimento e a humildade.

O único jejum que sacia

- Qual é a melhor maneira de lavar o rosto?

- É jejuar em segredo para que só Deus veja e nos sacie ou recompense.

 

"Praticamos um jejum agradável a Deus sempre que nos privamos de qualquer coisa que nos daria gosto fazer,

porque o jejum não consiste apenas em nos privarmos de beber e de comer,

mas daquilo que agrada mais ao nosso gosto;

uns podem mortificar-se na maneira de se vestir,

outros, nas visitas que gostariam de fazer aos amigos;

outros, nas palavras e nos discursos que gostam de utilizar;

este faz um grande jejum, que é muito agradável a Deus, quando combate o seu amor próprio, o seu orgulho, a sua repugnância em fazer aquilo de que não gosta,

ou estando com pessoas que contrariam o seu carácter e a sua forma de proceder.

Mas haverá jejum mais agradável a Deus do que fazer e sofrer com paciência certas coisas que muitas vezes nos desagradam enormemente?

Sem falar das doenças, das enfermidades e de tantas outras aflições que são inseparáveis da nossa miserável vida, quanto não temos nós ocasião de nos mortificar sofrendo aquilo que nos incomoda e nos repugna?

Se sofrermos tudo isso por Deus, e unicamente para Lhe agradar, aí estão os jejuns mais agradáveis a Deus e os que nos alcançam mais méritos."

(Cf. São João-Maria Vianney (1786-1859) Cura de Ars)

 

Ver também:

Amar em segredo

Dar com alegria

Serviço ou ser visto

Quando jejuares

 

segunda-feira, 19 de junho de 2023

A vida é policromática


2ª feira – XI semana comum

 

A quem te bater na face direita,

oferece-lhe também a esquerda.

A nossa vida não tem uma só cor, não é monocromática.

A nossa vida não tem só sombras, nem só luz.

 

A quem te mostrar só as sombras da vida, mostra-lhe que a vida também tem luzes.

A quem te mostrar o vermelho da violência e do ódio, mostra-lhe que a vida tem também o verde da esperança e o ouro do perdão e do amor.

A quem te suja com o castanho da terra, mostra-lhe o azul do céu.

A vida só é bonita quando é pintada com várias cores, com sombras e luzes.

 

É preciso dar cores à vida

e dar vida às cores.

 

Ver também:

Oferece nova oportunidade

É lógico amar os inimigos

Focar o bem ou o mal


sexta-feira, 16 de junho de 2023

Os movimentos do coração


Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

O coração funciona através de dois movimentos:

Sístole – Movimento de contração, em que o sangue é bombeado para o corpo (SAÍDA);

Diástole – Movimento de relaxamento, em que o coração se enche de sangue (ENTRADA).

Saída – Coração aberto donde saiu Sangue e Água, a Igreja e os Sacramentos. Donde nos vem todas as graças.

Entrada – Coração aberto onde podemos entrar, encontrar refúgio e descansar.

Somos como uma pomba que se refugia na fenda dos rochedos.

Contemplar o Coração aberto de Jesus é contemplar uma porta sempre aberta com dois movimentos – como saída e como entrada. Não só porta aberta para poder sair todas as graças. Mas também porta aberta para podermos entrar e descansar. Não só porta de saída para nos dar o manancial das suas graças, dando tudo. Como também porta de entrada para que a nossa humildade possa entrar e ficar.

Reflexão do Pe. Dehon, in Diretório Espiritual.

Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (Mt 11,29).

Sede simples como as pombas (Mt 10,16).

A pomba é um símbolo gracioso, um distintivo de simplicidade, de humildade, de pureza, de doçura. O olhar da pomba é puro, direito e firme. Como o da alma simples e humilde. É fixo e não se detém sobre múltiplos objetos. Assim a alma simples vai direita a Deus em tudo, sem mistura de olhares humanos, de raciocínios interesseiros. Também o nosso olhar deve fixar-se unicamente no Coração de Jesus, a fim de fazermos tudo por Seu amor…

Mal a pomba começa o seu voo, logo descansa (Sl 55, 7). Para onde a conduz o seu voo? Ela eleva-se acima da terra e não para como o corvo para satisfazer os seus apetites carnais. A pomba vai direita à oliveira simbólica.

Assim deve ser o voo da nossa alma. Deve elevar-se acima da terra pela renúncia, pela oração e pela união com Deus. Deve dirigir-se para a oliveira da paz que é Nosso Senhor, vê-l’O em tudo e unir-se a Ele em toda a parte e sempre. Deve ir muitas vezes esconder-se na fenda do rochedo, isto é, no Coração de Jesus, onde encontrará refúgio.

O Coração de Jesus em Portugal

A Basílica da Estrela constitui um dos monumentos mais notáveis do séc. XVIII, existentes na cidade de Lisboa. Foi mandada erigir pela Rainha D. Maria I e dedicada ao Santíssimo Coração de Jesus, cumprindo a promessa de que o faria se tivesse um herdeiro ao trono. O Sagrado Coração de Jesus simboliza o amor de Deus pela humanidade. D. Maria I foi a grande impulsionadora desta devoção em Portugal sendo que no ano de 1777, a seu pedido, foi aprovada para Portugal a Festa do Sagrado Coração de Jesus. A Basílica da Estrela constitui a primeira igreja a nível mundial dedicada ao Santíssimo Coração de Jesus. Ao lado da Basílica e anteriormente à sua construção, a soberana mandou construir um Convento de Carmelitas descalças.

Maria nasceu a 17 de dezembro de 1734. Casou a 6 de junho de 1760 com o rei D. Pedro III, tendo sido aclamada Rainha de Portugal em 1777. Face a vários acontecimentos dramáticos que muito perturbariam a saúde da Rainha, foi-lhe diagnosticada uma doença mental irreversível, assumindo o filho mais novo, D. João, a regência do reino, posteriormente, D. João VI. Em 1787 a Família Real foi forçada a partir para o Brasil na sequência das invasões francesas, onde viria a falecer no ano de 1816. Os seus restos mortais seriam trasladados para a Basílica da Estrela em 1822. O Túmulo de D. Maria I é imponente, em mármore branco e negro.

O Coração de Jesus em Fátima.

O centro do Recinto da esplanada do Santuário de Fátima é inequivocamente marcado pela estátua do Coração de Jesus que, desde 1931, oferece clarividente chave cristológica para todo o conjunto edificado. Embora nos projetos iniciais referentes ao poço, da autoria de Gerardus van Krieken (1864-1933) estivesse prevista uma imagem mariana, foi a escultura de Cristo mostrando o Seu coração que veio a ser colocada a presidir ao monumento erguido sobre as fontes de água.

Provavelmente de fatura francesa, as origens desta peça continuam por aclarar, sendo verosímil ter sido uma oferta relacionada com maria do Carmo Pinheiro de Melo (1897-1986), Duquesa de Palmela, que, em carta dirigia a ao Bispo de Leiria, se refere a uma imagem do Sagrado Coração de Jesus que até àquela data se encontrava sem o culto que lhe era devido.

A peça de liga de ferro fundida com aplicação de folha de ouro, segue a iconografia clássica do Sagrado Coração de Jesus, mostrando o Redentor com a face barbada, de braços abertos e em atitude, ao mesmo tempo, de pontífice e de acolhimento, envergando túnica de amplas mangas e com manto distendido a tiracolo. Sobre o peito, em relevo, mostra-se, inscrito num resplendor, o coração flamejante cercado de espinhos, coroado por cruz por entre a chama e com o lado aberto. Nas mãos e nos pés porquanto é a imagem de Cristo Ressuscitado, veem-se também as marcas dos cravos. Aliado ao facto de se encontrar sobre o fontenário, este monumento é verdadeiramente uma alegoria ao Coração de Jesus como fonte de água-viva (tirareis água, do aldo aberto jorrou sangue e água…)

 

O Coração de Jesus neste blogue:

Ver etiqueta Coração de Jesus

 

terça-feira, 13 de junho de 2023

O Santo que perdeu o Menino


Há quem queira saber por que é que Santo António tem o Menino Jesus nos seus braços.

Santo António entrou certa vez numa cidade para lá pregar, e o senhor fidalgo que ali o acolheu reservou-lhe um aposento bem retirado, a fim de não o perturbarem no estudo e na oração.

Estava o santo recolhido e a sós em seu quarto quando o senhor fidalgo, andando pela casa a tratar de seus assuntos, achou-se por acaso diante do aposento de António e, vendo uma luminosidade diferente à sua volta, levado por devota curiosidade, espreitou pela porta, às escondidas, através de uma fresta que dava para o lugar em que o santo descansava. E o que haviam de ver os seus olhos! Um Menino muito belo e alegre nos braços de Santo António, e este a contemplar-lhe o rosto, a apertá-lo ao peito e a cobri-lo de beijos.

O fidalgo, maravilhado com a beleza do Menino, ficou espantado, sem saber como explicar donde teria vindo aquela Criança tão bela e graciosa.

O Menino, que não era senão Nosso Senhor Jesus Cristo, revelou a Santo António que o seu hospedeiro o estava espiando pela porta.

Por causa disso, Santo António, após terminar uma longa oração, chamou o senhor fidalgo e humildemente lhe pediu que, enquanto ele estivesse vivo, a ninguém revelasse a visão que tivera.

Foi só depois da morte do santo que o senhor fidalgo, com lágrimas santas, contou o milagre que os seus olhos indiscretos tinham contemplado.

A partir daí o santo passou a ser representado com o Menino Jesus nos braços.

Mas pelo contrário eu hoje quero saber por que é que este meu Santo António não tem mais o Menino Jesus nos seus braços.

Na igreja paroquial do Cabouco há uma pequena imagem de Santo António. É de madeira muito antiga e já foi restaurada várias vezes. Mas ninguém sabe onde para o seu Menino Jesus. De facto, o Santo tem numa das mãos um lírio e na outra o Evangelho. Era suposto encontrar-se aí, precisamente sobre o Livro, a imagem do Menino. Perguntei aos meus paroquianos o que sabiam do caso.

Foram várias as respostas, umas mais sérias que outras:

- O Menino está lá, mas só quem tem muita fé, como Santo António, é que o consegue ver.

- Porque as moças que pretendem arranjar um noivo, foram pedir essa graça ao Santo e roubaram-lhe o Menino Jesus e só o devolvem quando o Santo lhes tiver satisfeito o pedido. E parece que os pedidos são cada vez mais ou então mais difíceis de atender. É por isso que o Menino Jesus tarda a ser devolvido.

- Porque o Menino Jesus está a brincar às escondidas com o divertido e alegre Santo António. Quem sabe se está escondido debaixo do escapulário do Santo bem junto ao seu coração?!

- Jesus é o Verbo Encarnado e por isso está na Palavra escrita do Evangelho. E isso basta, senão a sua presença ficaria duplicada.

- O Menino Jesus não está mais nos braços de Santo António para que toda a gente fique a saber que não é o santo quem segura o Menino, mas é Jesus quem segura o Santo. De facto, Jesus é tão grande e as mãos do Santo são tão pequenas.

- Porque o Santo já estava cansado de segurar o Todo-poderoso. Então o Menino ficou a pairar no ar para alivar-lhe as forças.

- Porque o Menino quis deixar as mãos livres do Santo para que pudesse fazer o bem com ambas as mãos.

- Porque Santo António teve pena de Nossa Senhora que ficava assim sem ter o seu filho nos braços e então entregou-lho.

- Porque o Santo está ali, mas está ao mesmo tempo noutro lugar, juntamente com Jesus a fazer o bem. É uma prova do poder de bilocação de Santo António – está ali, mas está também onde Jesus está.

 

Por fim tomei coragem e perguntei ao próprio Santo António:

- Onde para o teu Menino?

E ele respondeu-me:

- Vocês julgam que sou eu a fazer milagres, mas é apenas esse Menino o milagreiro. Ele não está aqui porque eu lhe pedi que fosse fazer o bem a quem precisasse, mas que voltasse depressa para os meus braços. Ámen!

 

Ver também:

As Pátrias de Santo António

 

A Pátria de Santo António


Festa de Santo António,

Padroeiro secundário de Portugal

Santo António é o santo mais universal.

Podemos identificá-lo como cidadão ou o santo de todas as pátrias:

 

- De Portugal como criança e jovem. Lisboa para nascer e crescer na fé. Coimbra para se consagrar como padre da Ordem de Santo Agostinho e depois como frade menor com Francisco de Assis.

- De Marrocos como missionário, com o sonho de evangelizar e de ser mártir.

- De Itália como taumaturgo, para servir, ensinar e pregar.

- De França como pregador para pregar e corrigir os hereges.

- Do Céu como santo, para ser modelo e exemplo de santidade.

- Do mundo inteiro para ser invocado e continuar a fazer milagres.


Santo António é de todo o mundo e do mundo todo porque Santo António é de Deus.

Aprendamos a ser cidadãos de todo o mundo para sermos concidadãos dos santos no céu.

Que o melhor lugar do mundo seja o local onde nós estamos, florindo aí onde Deus nos transplantou. Como Santo António, é preciso brilhar onde Deus nos acendeu.

 

Ver também:

O santo da nossa festa

 

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Paisagens do céu (34)


Agora mesmo

Na semana do Coração de Jesus o céu volta a sorrir.

No meio de nuvens escuras e ameaçadoras surge um coração dourado e luminoso.

É a metáfora do nosso quotidiano.

No nosso caminho os sinais teimam em apontar para a frente, quando o mais importante está no alto.

 

 

domingo, 11 de junho de 2023

Jesus passa, vê e chama

 

Ano A – X domingo comum

 

PRIMEIRA REFLEXÃO

1. Jesus passou

2. Viu Mateus 

3. e chamou-o.

4. Este deixou tudo 

5. e seguiu Jesus

Foi o próprio Mateus quem assim deixou escrito o que se passou com ele próprio.

 

1º - Jesus passou

Jesus nunca fica estacionado, pois continua a passar

É o primeiro a vir ao nosso encontro.

Ele passa como quem não quer…

Passa quando não esperamos.

Mais cedo ou mais tarde nós cruzamo-nos com ele.

Passa pelo nosso trabalho, pelo nosso lazer, pela nossa casa, pela nossa comunidade, quando estamos sós ou no meio da multidão.

Jesus sempre passa por nós.

 

2º - Jesus viu Mateus

Mateus aos olhos dos fariseus era e continuou a ser um pecador, um publicano.

Jesus não viu o que Mateus era ou tinha sido, mas viu o que ele havia de ser, o que ele podia ser – um discípulo, um apóstolo, evangelista, mártir.

Se eu fosse artista fazia uma pintura com esta cena.

Os fariseus um uns óculos em forma de retrovisor (para ver apenas o passado).

E Jesus com uns óculos em forma de binóculo (para ver o futuro).

Jesus ensina-nos a ver sobretudo o que podemos ser, o que ele espera que sejamos.

 

3º - Jesus chamou-o

Na tradição rabínica os discípulos é que escolhiam o seu mestre, a sua escola.

Na escola de Jesus não é assim.

É o mestre quem escolhe os seus discípulos – não fostes vós que me escolhestes. Fui eu quem vos escolhi e destinei.

É ele quem nos escolhe porque ele sabe melhor do que nós o que precisamos aprender.

É ele quem nos escolhe porque nós não sabemos fazer boas escolhas.

 

4º - Mateus levantou-se e deixou tudo

Todos os que tiveram um encontro real com Jesus deixaram algo imediatamente.

Não basta querer deixar, é preciso fazê-lo imediatamente.

Assim aconteceu com os primeiros discípulos na praia onde deixaram as redes, o barco, os assalariados e o próprio pai.

Depois de um encontro com Jesus cada um tem de abrir mão, tem de desprender-se de algo, de alguém ou de alguma situação.

 

5º - E seguiu Jesus

Seguir Jesus é identificar-se com ele.

Deixou de ser o publicano Mateus e passou a ser o discípulo seguidor.

Jesus começou por pôr os olhos em Mateus e este acabou por pôr os seus olhos em Jesus seguindo-o.

Ninguém continua o mesmo após encontrar-se com Jesus.

É por isso que a comunidade dos discípulos de Jesus é formada de ex qualquer coisa: ex-cobrador de impostos, ex-publicado, ex- pescador, ex-zelota, ex-coxo, ex-leproso, ex-cego…

 

SEGUNDA REFLEXÃO

Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores – disse Jesus.

 

Ou A

Um dia um santo homem ouviu esta leitura na igreja e começou a chorar:

- Deus não gosta de mim. Deus não olha para mim, esqueceu-me completamente que eu existo.

- Como podes tu dizer semelhante coisa? – atalhou um vizinho.

- Ele diz que não veio para os justos… ele não veio para mim.

- E quem te disse que tu és justo? Todos somos pecadores e então ele veio para todos nós e para ti também.

 

Ou B

Um santo bispo foi visitar uma enferma. Ao despedir-se recomenda:

- Não se esqueça de rezar por mim.

- Ah Senhor Bispo, eu não me esqueço. Todos os dias eu rezo pelos pobres pecadores.

De facto, Jesus não veio chamar os justos, mas os pecadores… porque todos são pecadores. Não há Justos e pecadores, mas apenas pecadores e pecadores.

 

Ver também:

O olhar que mais valoriza

 

quinta-feira, 8 de junho de 2023

O que levamos para casa


Ano A – Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor

 

A primeira frase do trecho do Evangelho de hoje é igual à última frase do mesmo evangelho:

Eu sou o pão vivo descido do Céu.

Este é o pão que desceu do Céu.

Dos sermões do Santo Cura de Ars:

“Se, depois da comunhão, alguém nos surpreendesse com a pergunta:

- O que estás a levar para casa?

Poderíamos responder:

- Levamos o céu!

Isto é perfeitamente verdadeiro.”

 

A Eucaristia que recebemos é Pão do Céu, é um pedaço do Céu.

Depois da comunhão nós levamos o céu para a nossa casa.

Oh como a nossa vida familiar seria diferente se todos soubessem que levamos o céu da igreja para a nossa casa.

Se não esquecêssemos que comungar é receber o céu, não teríamos a tentação de recusar vir à fonte desse pão do Céu.

A Eucaristia que recebemos na sagrada Comunhão é o maior tesouro que podemos levar para casa.

 

Ver também:

A santa missa

 

terça-feira, 6 de junho de 2023

Mostrai-me um denário


Terça – IX semana comum

 

Devemos pagar ou não o tributo a César?

Alguns comentários:

 

1 - Trazei-me um denário para eu ver…

Jesus não tinha nem um denário nem um cêntimo sequer.

Nem nesta circunstância nem noutras, como quando Pedro teve que pescar uma moeda para pagar os impostos dele e do próprio Jesus.

É por isso que teve de pedir uma moeda a alguém para ver a imagem e a inscrição.

Jesus ensina não só com palavras, mas também e acima de tudo com gestos e com o exemplo.

Jesus não tinha um denário de seu porque já o deixara para César, já se tinha despojado. O seu a seu dono. 

Para Jesus não há dito e feito, mas feito e dito. Assim fez e assim disse.

 

2 – Devemos pagar ou não pagar?

Para os seus interlocutores só havia uma solução – Ou pagar ou não pagar. Isto é, ou Deus ou César.

Se Jesus dissesse que se devia pagar, então estaria a submeter-se a César e assim Deus estaria submetido a César.

Se dissesse que não, era César que se submeteria a Jesus, o que pareceria uma pretensão de superioridade de poder, de força e de interesse.

A resposta sábia de Jesus bem mostrar o equilíbrio entre Deus e César, entre César e Deus.

Dar o quê a quem?

Dar quem a quem?

É preciso dar o quê a César – o dinheiro, as coisas…

É preciso dar quem a Deus – a pessoa feita à Sua imagem e semelhança.

Assim se mantém o equilíbrio entre as duas realidades.

 

3 – Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

A ordem da solução é determinante.

Jesus diz que primeiro se deve deixar para César quilo que lhe pertence.

Se fizermos isso, o passo seguinte será entregar a Deus aquilo que lhe pertence.

Depois de uma atitude de despojamento, parece espontâneo uma atitude de abandono nas mãos de Deus.

 

Ver também:

Bom servo, mau senhor

 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

O tempo está com depressão


Brincando com coisas sérias…

- Senhor padre, o tempo também adoece?

- Sim – respondi maquinalmente a pensar nas alterações climáticas – Mas porque é que perguntas isso?

- Porque ouvi dizer que esta noite o tempo vai piorar por causa de uma depressão.

- E ouviste bem. É uma depressão a causa da atual perturbação.

- Benza a Deus! Hoje em dia até o tempo sofre depressão.

- Claro! Nunca ouviste dizer que a depressão é a doença dos tempos modernos?

 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Coração, casa de oração


6ª feira – VIII semana comum

c o r a ç ã o

c + oração

cor + ação


O perdão faz parte da oração e a oração faz parte do perdão.

“E quando estiverdes a orar, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que o vosso Pai que está nos Céus vos perdoe também as vossas faltas.”

Coração, casa de oração e de perdão.

A única vez que Jesus usou chicote dentro do templo foi para espantar os mercenários e não para chicotear as ovelhas.

Que o mesmo Senhor afugente os maus sentimentos do nosso coração para que seja realmente casa de oração e de perdão.

 

Ver também:

Só se limpa com gestos

 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Pentecostes de Leão Dehon


“O meu crisma – 01 de junho de 1857

Eu não tinha recebido o sacramento da confirmação em La Capelle. Também não tinha facilidade de o receber em Hazebrouck, onde o arcebispo de Cambrai o ministrava em setembro. Julgou-se, portanto, conveniente levar-me à diocese de Bruges, que não estava longe. Monsenhor Malou, o ilustre Bispo de Bruges, iria dar o Crisma no Colégio de Poperinghe, na festa de Pentecostes. Prepararam-me para lá me levar. Recebi graças nesse sacramento e, todavia, esse dia deixou-me sempre alguma pena. A minha preparação tinha sido medíocre. Era um momento de crise, tinha companheiros defeituosos. Muitas vezes pedi perdão a Nosso Senhor por esta falta de preparação. O Crisma, contudo, sobrevive no carácter sacramental, confio que as graças de sacramento me tenham sido dadas mais tarde.” (CF Pe. Dehon, Notas sobre a história da minha vida, Volume I)

Primeira fotografia que conhecemos de Leão Dehon
aos 15 ou 16 anos de idade

Comentários:

1 - O Pentecostes do Pe. Dehon, o dia do seu crisma ou da sua confirmação, o dia em que acolheu o Espírito Santo, foi na verdade o dia do Pentecostes de 1857 celebrado a 01 de junho. De facto, o Crisma é sempre o nosso Pentecostes pessoal, mesmo que seja celebrado noutra data. Neste caso coincidiram os dois Pentecostes, o Litúrgico e o Pessoal.

2 - O local não foi nem a sua terra natal, onde fora batizado e passara a sua infância e crescera na fé, nem no colégio onde estudava como adolescente. Nem foi em terras da França, mas na Bélgica, num colégio que ficava a 40 quilómetros do seu colégio de Hazebrouck. De facto, o local não é determinante para se receber o Espírito Santo. O importante não é a localização, mas a disposição.

3 - Parece também que não tinha outros colegas consigo nessa celebração. Ele era uma espécie de intruso no grupo dos crismandos. De facto, o Pentecostes é que nos une em comunidade, e estreita a nossa pertença à família eclesial. É o Espírito Santo quem nos une.

4 – Preparou-se apressadamente para essa celebração. Era uma fase de crise na sua vida e a preparação não foi a melhor nem o exemplo dos seus companheiros de colégio o ajudou. Apesar da preparação medíocre, num momento difícil, o Pentecostes é sempre um momento de graça. De facto, nós recebemos o Espírito Santo não porque merecemos ou porque somos santos. O Espírito vem até nós não por sermos dignos, mas para nos tornar dignos.

5 – A graça que recebeu nesse sacramento ter-se-á manifestado mais tarde. De facto, Deus completa sempre o que por sua graça começou. Tal como os Apóstolos não se santificaram logo após terem recebido o Espírito no Pentecostes, assim também o crisma ou a confirmação do Pe. Dehon não foi um ponto de chegada, mas um ponto de partida, o início de uma nova caminhada. Qualquer conversão é sempre uma conversão ao longo de toda a vida. Leão Dehon tinha apenas 13 anos quando recebeu o Crisma. Este é o sacramento da maturidade cristã, não por o recebermos na vida adulta, mas porque nos torna adultos e responsáveis.

Este foi o Pentecostes de Leão Dehon. Este sacramento foi tendo eco ao longo da sua vida. O Espírito Santo nunca mais deixou de o inspirar e acompanhar, fazendo frutificar todos os dons recebidos.