quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Regresso a casa



Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria

“Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses
e depois regressou a sua casa.”

Esta anotação simples resume todo o mistério desta solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria.
Ela regressou a sua casa…

Toda a sua vida foi uma autêntica viagem…
Da Galileia à Judeia (Visitação).
De Nazaré a Belém.
De Belém ao Egipto.
De Nazaré a Caná.
De Nazaré a Jerusalém e de Jerusalém a Nazaré (perda e encontro).
Até ao Monte Calvário.
A partir do Pentecostes com os Discípulos.
Da terra ao Céu na sua Assunção.

Esta última viagem celebramos hoje.
Por esta viagem ela entrou na Vida para nos lembrar a fazer da nossa vida uma viagem.























Um certo pároco, já de idade muito avançada despediu-se dos seus paroquianos dizendo que se retirava para preparar uma grande viagem.
Toda a gente ficou curiosa. Para onde viajaria o seu pároco? Devia ser uma grande viagem, pois exigia tempo de preparação. Porque é que se mete em trabalhos, pois já não tem idade para fazer grandes viagens. Até que alguém se atreveu a perguntar-lhe para onde tinha intenção de viajar. Ele respondeu simplesmente:
- Vou fazer a viagem que também qualquer um de vós um dia vai fazer… vou preparar-me para viajar até ao Céu, até à eternidade.
De facto ninguém se lembrava que havemos todos de fazer essa viagem até à glória de Deus…

A solenidade da Assunção mostra-nos que também nós iremos fazer essa viagem até ao céu…
Saibamos fazer a nossa preparação.
Façamos da nossa vida uma viagem e da última viagem a nossa vida eterna.
Aliás, nós não escolhemos vir ao mundo, mas temos o direito de escolher onde viver a eternidade.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Pescar um milagre


2ª feira – XIX semana comum

Certo dia, quando um barco singrava as águas do mar de Tiberíades ou da Galileia, um homem rico, sem se aperceber, deixou cair uma moeda. Ela atingiu a borda do barco, rodopiou por alguns instantes, caindo em seguida nas águas esverdeadas. Não era uma peça de dinheiro qualquer, mas um estáter, a valiosa moeda grega que valia quatro dracmas, o equivalente a quatro dias de trabalho.
Entre as várias espécies de peixe que povoam o lago, há uma bastante curiosa: trata-se de um peixe que os sábios de hoje denominam Hemichromis sacra. Essa espécie tem o hábito de guardar os filhotes na boca; quando chegam a certo tamanho, ele os expele, colocando um seixo no lugar. Naquele dia, porém, quando um desses peixes, tendo expelido o último filhote, procurou um seixo para preencher o vazio da boca, viu aquele estáter descendo rumo ao fundo do lago, e logo o abocanhou.
Dias depois, quando aquele peixe nadava nas cercanias da cidade de Cafarnaum, alguma coisa na água atraiu a sua atenção. Parecia um petisco saboroso, e ao tentar comê-lo, foi fisgado por um anzol. Debateu-se, mas foi em vão. Mãos experientes o puxaram para fora do lago, e a cena que se seguiu foi deveras espantosa: de joelhos, com o estáter de prata rebrilhando na palma da mão, o pescador, tomado de alegria e reverência, glorificou a Deus, guardou a moeda e devolveu o peixe ainda vivo ao mar.

Nesta história tudo é natural…
1º - Uma moeda cai no lago Tiberíades, como muitas outras caíram antes e depois daquela que Pedro encontrou na boca do peixe.
2º - Um peixe da espécie Hemichromis sacra, que comumente coloca pedrinhas na boca para substituir os filhotes que expeliu, ao invés de pedra, abocanha aquela moeda. Também é verosímil que aconteça.
3º - Pedro, como tantos pescadores antes e depois dele, lança um anzol no lago, pescando um peixe. Muitas vezes ele havia pescado peixes dessa espécie em particular, em cujas bocas ele encontrara pedrinhas. Mas, nesse dia, lá estava a moeda predita por Jesus.
Deus não criou uma moeda especial, nem um peixe especial, nem alterou especialmente os hábitos de um peixe qualquer, nem alterou a arte de pescar de um homem experiente nessa arte.
 Ele "apenas" coordenou os acontecimentos para que Sua vontade se concretizasse através de um anzol.
Onde está o segredo?
A grande questão está no momento em que Pedro lançou o anzol, e o momento foi determinado por uma ordem: "Vai ao mar e atira o anzol".
O milagre acontece no instante em que um homem sensato, vivido, de muitas experiências e poucas ilusões, deixando de lado as dúvidas e a indecisão, resolve atender às palavras daquele jovem Galileu, que sabia muito de marcenaria, mas muito pouco sobre peixes.
Pedro aprendeu a saber, como nós também aprendemos, que aquele Galileu era muito mais do que aparentava. Se Ele ordenou, obedeço. Ele sabe o que diz, Ele sabe o que faz, Ele é o que é.
O milagre está em obedecer a Deus.
Não basta receber um dom, é preciso conquistar.
Milagre é dom e esforço.
É receber de mão beijada, em mão calejada.
(Inspirado em https://pensamento-cristao7.webnode.com)

Pescando mensagens
Jesus não deixou de pagar os impostos
- para dizer que quer fazer o que os seus discípulos fazem, para que estes façam aquilo que ele faz.
- para dizer que Deus tem as suas contas em dia em relação aos homens para que os homens não se esqueçam de ter também as suas contas em dia em relação a Deus.



sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Jus ao seu nome


Festa de São Lourenço, Diácono e Mártir da igreja de Roma no século III.

O seu nome vem de Laurus que em português deu louro ou loureiro.
Os romanos e os gregos costumavam coroar os seus vencedores com coroa de louros.
São Lourenço, como o seu próprio nome indica, foi coroado com os louros da vitória, não pelos homens, mas por Deus.
Nós também, a seu exemplo, podemos ser vitoriosos ou vencedores, coroados pelos louros de Deus.
Tanto mais que vivemos numa terra onde a floresta natural é a Laurissilva, a floresta composta por espécimes de loureiros ou lauráceas… (própria ou endémica da Macaronésia ou Ilhas Afortunadas –  Arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde).

Já que Lourenço fez jus ao seu nome, sendo coroado com os Louros de Deus, saibamos nós também fazer jus à nossa floresta sendo coroados pelos mesmos louros como vitoriosos aos olhos de Deus.  

















A riqueza da Igreja, segundo o Diácono Lourenço…
Ainda hoje os tesouros da igreja são os pobres, os simples, os humildes, porque partilhamos com eles o que temos e porque eles ajudam-nos a sermos melhores. 

Hoje, mais do que nunca, precisamos desta lição de São Lourenço.
Os refugiados, os mendigos, os desalojados, os fugitivos da guerra não são uma ameaça para nós… são um tesouro, uma oportunidade para nós sermos mais humanos e mais divinos…   

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A verdade e o amor



















Festa da Padroeira da Europa, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein, de origem judia, filósofa, religiosa Carmelita, morta nas câmaras de gaz em Auschwitz em 1942).

A verdade do amor
e o amor da verdade

“Não aceites nada como verdade que esteja privado do amor.
E não aceites nada como amor que esteja privado da verdade.
Um sem a outra torna-se uma mentira destrutiva” (Edith Stein).

Não há verdade sem amor
E não há amor sem verdade.


terça-feira, 7 de agosto de 2018

Sobre as águas


3ª feira – XVIII semana comum

Jesus mandou Pedro andar sobre as águas e depois repreendeu-o.
Porquê?
Não porque quis andar sobre as águas, mas porque não ficou firme no seu propósito até ao fim, mas duvidou.
Viu-se afundar porquê?
Não porque o vento soprou mais forte.
Não porque as ondas ficaram mais agitadas.
O vento não mudou, o mar não mudou, Jesus não mudou, só Pedro é que mudou, isto e, duvidou….
Mesmo que ao nosso redor tudo seja adverso, a nossa fé e confiança não pode ser alterada. É preciso mantermo-nos firmes.
Se estamos num dia ruim, se tudo está a ser difícil para nós, aguentemos firmes.
Não comecemos a desistir e nem desistamos de começar.
Confiemos em Jesus e caminhemos com ele sobre as águas.


























Pedro andou sobre as águas para mostrar a si mesmo:
- que para ir até Jesus era capaz de tudo fazer, até mesmo andar sobre as águas.
- que para ele era mais fácil andar sobre as águas do que ficar no barco sem Jesus.
- que as ordens de Jesus são imperativos.
- que quando a situação exige nada é impossível.
- que como discípulo seguia o seu mestre até mesmo acompanhando-o sobre as águas.
- que quem obedece nunca se afunda.

Para nós também andarmos sobre as águas é preciso:
- Estar no meio de uma tempestade (dias ou noites ruins)
- Fixar Jesus como meta ou destino (pôr os olhos nele)
- Ter a coragem de sair do barco (do cómodo da sua vida)
- Calcar os problemas com os pés (ser mais forte que os obstáculos)
- Nunca desistir (manter-se firme e constante)
- Confiar na mão divina estendida para nós (afinal andar sobre as águas é andar nas mãos de Deus)




segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Escutar, seguir e compreender


Festa da Transfiguração do Senhor

A)
O episódio da Transfiguração do Senhor, segundo a nossa lógica, parece querer valorizar o ver (contemplar) e o falar (narrar). Mas na lógica de Deus a ênfase está no ouvir (escutar) e no seguir (acompanhar)
De facto não podemos olhar diretamente para a luz… nem podemos descrever o mistério, pois as nossas palavras ficariam sempre aquém.
Podemos sim escutar o que Ele nos diz.
Podemos acompanhá-lo quer nas subidas, quer nas descidas da nossa vida, quer no caminho da cruz e no caminho da glória.
É bom estar aqui e contemplar (3 tendas de estacionamento), mas é melhor seguir, descer, prosseguir a caminhada.

B)
Não sei se a Transfiguração ocorre 40 dias antes da festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro) ou se esta ocorre 40 dias depois da Festa da Transfiguração.
Só sei que 40 dias é o número simbólico da escola de um mestre, pois não precisava nem de mais nem de menos tempo para instruir perfeitamente um seu discípulo.
Assim desde a Transfiguração até à Exaltação da Santa Cruz, Jesus foi formando os seus discípulos quanto ao Escândalo da Cruz… que tinha de sofrer, de ser morto, mas que havia de ressuscitar 3 dias depois.

Este é o tempo de formação, de escuta e de seguimento…



domingo, 5 de agosto de 2018

Os velhos da Igreja


Ano B – XVIII domingo comum

Da 2ª leitura:
“Pôr de parte o homem velho… 
e revestir-se do homem novo.” (Ef 4, 22-24)

A igreja está cheia de velhos, não por causa dos anos que já contam, mas por causa dos sintomas que apresentam.
Estamos a falar não dos cristãos com mais idade, mas daqueles que na sua vida cristã têm as características marcantes da velhice, ainda que sejam novos em idade.

- Velhos porque têm problemas nas pernas
Apesar de tenra idade não têm pernas ou forças suficientes para caminhar até à igreja. Ou então têm problemas de joelhos porque não conseguem ajoelhar e rezar com humildade e reverência diante de Deus.

- Velhos porque têm problemas na visão
Apesar de jovens não conseguem ver o valor das coisas de Deus. Só conseguem ver o mal… Veem o bem diminuído e o mal aumentado, mas só por causa dos seus olhos. De facto só têm olhos para o que lhes interessa.

- Velhos porque têm problemas de surdez
Por mais sermões que oiçam ou conselhos que recebem não ouvem nada, Ou pensam que tudo isso é para os outros. São surdos à Palavra de Deus.

- Velhos porque têm problemas de memória
Independentemente da sua idade esquecem depressa os seus compromissos. Não guardam nada… não querem compreender as razões de Deus.

- Velhos porque têm problemas de mudança
Acham que já sabem tudo, que não vale a pena aprender ou mudar. Quem deve mudar, ou converter-se é a igreja e não esses cristãos.

Muitos outros sintomas podíamos identificar nestes velhos da igreja….
Só é velho na igreja quem se identificar com alguma situação destas, independentemente da sua idade.

Na minha comunidade parece que quem padecem mais destes males não são os seniores (os de cabelos brancos), mas os jovens.
Quem soma poucos anos é que tem problemas das pernas para não vir à missa ou ajoelhar e rezar. São os novos que têm problemas de visão para não verem o valor das coisas de Deus. São os jovens que têm problemas de audição, pois não ouvem nem seguem o que a igreja ensina e não querem ser diferentes de quem não tem fé…

Deus não chamou os cristãos para serem “velhos”!
Na igreja ninguém deve ser “velho”.
Se alguém achar que está a ser um velho na igreja deve renovar-se quanto antes.



sábado, 4 de agosto de 2018

O Santo do Confessionário


Memória de S. João Maria Vianney, o Cura de Ars, padroeiro dos párocos.

Três anos depois da sua ordenação, em 1818, João foi enviado para Ars, uma pequena aldeia no sudeste da França, que contava 230 habitantes. Ali, dedicou todas as suas energias ao cuidado pastoral dos fiéis: fundou o Instituto da "Providência" para acolher órfãos; visitava os enfermos e as famílias mais necessitadas; restaurou a igrejinha e organizou quermesses na festa do padroeiro.
Entretanto, o Santo Cura d’Ars destacou-se na sua missão de administrar o sacramento da Confissão: sempre pronto a ouvir e oferecer o perdão aos fiéis, passava até 16 horas por dia no confessionário. Diariamente, uma multidão de penitentes de todas as partes da França vinha confessar-se com ele, tanto que a cidadezinha de Ars ficou conhecida como o "grande hospital das almas". O próprio João Maria Vianney vigiava e jejuava para ajudar os fiéis a expiarem os pecados.
Certo dia, disse a um seu irmão: "Vou dizer-te qual é a minha receita: dou aos pecadores uma pequena penitência e o resto eu faço no lugar deles".





















Certo dia um paroquiano perguntou ao seu Pároco de Ars por que é que ele quando pregava falava muito alto, mas quando rezava falava tão baixo.
Com humildade o Pe. João Maria Vianney respondeu:
- Quando prego dirijo-me a pessoas aparentemente surdas ou adormecidas. Porém na oração falo a Deus que não é surdo.


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Parábola do Carpinteiro


6ª feira – XVII semana comum

No Evangelho Jesus conta várias parábolas em que entram as mais diversas profissões. Assim temos pastor, pescador, negociante, agricultor, semeador, ceifeiro, vinhateiro, militar, guarda, juiz, administrador, contabilista, sacerdote, levita, viajante, estalajadeiro, construtor civil.
De carpinteiro não conheço nenhuma parábola de Jesus, e ele era conhecido como carpinteiro e filho do carpinteiro.
Porquê?
Acho que Jesus era ele mesmo uma parábola do carpinteiro em pessoa.
O ser chamado de carpinteiro foi a melhor metáfora desta profissão.
Ele não contou nenhuma parábola do carpinteiro porque ele foi o verdadeiro carpinteiro das parábolas.
Se Jesus não contou nenhuma parábola do carpinteiro, eu vou contá-la…

A parábola do carpinteiro 
ou o carpinteiro das parábolas
Dois irmãos moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho que passavam através de uma prancha. Um dia começou um pequeno mal-entendido entre os dois, que virou troca de palavras ríspidas e desembocou em dura discussão com mútuas acusações e violento virar de costas. A prancha foi por água abaixo e seguiram-se semanas de magoado silêncio e perturbada indiferença.
Numa manhã, o irmão mais velho ouviu bater à porta.
- Estou à procura de trabalho. Sou carpinteiro. Precisa de algum serviço que eu possa fazer?
- Sim, sim. Vem mesmo a calhar – respondeu o dono da casa – Vê aquela casa ali, do outro lado do riacho? É do meu irmão mais novo. Nós brigámos, desentendemo-nos e não nos podemos ver. Com a madeira que tenho neste celeiro quero que construa uma cerca bem alta…
- Entendo a situação – respondeu o carpinteiro – Fique sossegado. Deixo o trabalho comigo.
E o dono da obra foi até à cidade.
Quando regressou, não acreditou no que viu. Em vez de uma cerca, foi construída uma ponte ligando as duas margens do riacho. Era um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido.
- Está a gozar comigo?! Não lhe pagarei nada. Como foi atrevido a construir essa ponte depois de tudo o que lhe contei?
Ainda falava quando reparou que o seu irmão mais novo vinha a atravessar a ponte e lhe dizia:
- Realmente foste um irmão muito amigo construindo esta ponte mesmo depois da minha violência…
De repente, o mais velho correu na mesma direção e abraçaram-se no meio da ponte.
O carpinteiro pegou então na sua caixa de ferramentas para ir embora.
- Oh, por favor, espere. Vamos ter outros serviços para si…
E o carpinteiro respondeu:
- Eu bem gostava, mas tenho outras pontes para construir…

Hoje eu quero pedir a Jesus carpinteiro duas coisas:
1º quero que ele venha à minha casa, à minha vida refazer algumas pontes e derrubar alguns muros…
2ª quero que ele me empreste a sua caixa de ferramentas para eu também fazer uns serviços:
O martelo, não para fazer barulho, mas para ajudar a aprofundar em mim a Palavra de Deus.
Os pregos, não para picar alguém, mas para me unir melhor aos meus irmãos.
O serrote, não para mostrar os dentes destruidores, mas para cortar tudo o que está a mais para me libertar.
A lixa, não para ser áspero com alguém, mas para suavizar e aperfeiçoar a minha vida.
Ámen.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Pesca evangélica


5ª feira – XVII semana comum























Foto de fonte desconhecida

A)
Quem é quem na parábola da rede lançada ao mar

A Rede é o Evangelho
Lançar a rede é pregar o evangelho
Os Pescadores são os mensageiros enviados
O Mar é o mundo onde vivemos
Os Peixes são toda a humanidade
O Peixe bom são os convertidos
O Peixe ruim são os hipócritas
A Praia é o juízo de Deus
Conclusão: o Evangelho chega a toda a gente, sem discriminação nem violência… só quem não cresceu é que é afastado, talvez para ter outra oportunidade de crescer.


B)
Pescado na Net

Adapto livremente um testemunho de Celso Makoto postado em www.pescaki:
O que mais vejo é jogadores de futebol marcando golos e agradecendo com um sinal da cruz, rezando ou apontando para o céu em ação de graças e de agradecimento a Deus.
Mas pescador agradecendo e orando a cada peixe pescado, nunca tinha visto nem ouvido contar.
Mas aconteceu nestes dias quando fui pescar.
Ao meu lado estava um rapazinho que a cada peixe que pescava punha-se a gritar:
- Obrigado meu Deus… Obrigado meu Senhor! Aleluia, aleluia! - e olhava para o céu de braços abertos.
Na primeira vez pensei que o rapaz estava a brincar ou a gozar comigo, que nada pescava… Mas depois vi que era mesmo a sério. O rapaz era mesmo devoto sincero.
E nesse dia, para além desta lição, não pesquei grande coisa… mas a pescaria daquele rapazinho foi bem abençoada!


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

De mão beijada e calejada


4ª feira – XVII semana comum

Parábolas do Tesouro escondido e da Pérola de grande valor.
A palavra tesouro faz-me lembrar algo que nos é dado de mão beijada.
Mas não é bem assim…
Há muitas parábolas que explicitam a dupla dimensão: de mão beijada e ao mesmo tempo de mão calejada.



















A história do tesouro do Rabi Eisik, filho do Rabi Jekel de Cracóvia, contada pelo filósofo Martin Buber (1878-1965).
“Depois de anos e anos de dura miséria que, no entanto, não tinham beliscado a sua confiança em Deus, Eisik teve em sonhos a ordem de ir a Praga buscar um tesouro que estava enterrado debaixo da ponte do palácio real. Como o sonho se repetiu por três vezes, pôs-se a caminho e andou, andou, andou até que chegou a Praga.
Mas a ponte era vigiada dia e noite pelas sentinelas que guardavam o palácio… E Eisik não teve coragem de escavar no local indicado. Todavia, voltava à ponte todas as manhãs e ficava ali às voltas até ao entardecer. Um dia, o capitão da guarda, que tinha notado as suas idas e voltas, aproximou-se e perguntou-lhe simpaticamente se tinha perdido alguma coisa ou se estava à espera de alguém.
Eisik contou-lhe então o sonho que o tinha trazido da sua longínqua terra até ali. E o capitão desatou a rir:
- E tu, pobre homem, por dar crédito a um sonho vieste a pé até aqui? Ah, ah, ah! Estás arrumado se te fias em sonhos! Se fosse assim, eu havia de me ter metido a caminho para obedecer a um sonho e ir até Cracóvia, a casa de um judeu, um tal Eisik, filho de Jekel, à procura de um tesouro que está enterrado debaixo do fogão de sua casa. Eisik, filho de Jekel! Deves estar a brincar! Estou a ver-me a entrar e a vasculhar em todas as casas de uma cidade em que metade dos judeus se chamam Eisik e a outra metade Jekel?! E riu-se novamente.
Eisik agradeceu, saudou-o, voltou para a sua terra e, na sua casa, escavou debaixo do fogão e desenterrou o tesouro com que construiu a sinagoga chamada “Escola do Rabi Eisik, filho do Rabi Jekel”.

O tesouro escondido é um presente, mas também trabalho. É oferta, mas também esforço. É doação, mas também transpiração. É graça, mas também conquista.
É preciso ter o trabalho de procurar. E depois chegamos à conclusão que sempre esteve bem perto de nós.
O verdadeiro tesouro é o que nos é dado na Eucaristia:
Bendito sejais, Senhor, pelo que Pão e pelo Vinho que recebemos da vossa bondade, frutos da vossa mão, da terra e do trabalho do homem…

Hoje quando quiser encontrar-me com Deus, terei o cuidado de O procurar bem perto de mim, ou melhor, dentro de mim…

Hoje quero rezar de mãos abertas para me lembrar de que tudo o que recebo é de mão beijada, mas também de mão calejada.

Hoje, ao comungar, receberei o Tesouro da Eucaristia numa mão (dom) e tomarei com a outra mão (esforço).