quinta-feira, 22 de maio de 2014

Terço (49)


Luminosos

A árvore do terço
ou o terço das árvores


1º Mistério - O batismo de Jesus no Rio Jordão
As raízes
Numa árvore nós não vemos as suas raízes, mas sabemos da sua existência e dos efeitos da sua ação.
Assim também o batismo é manifestado pelas suas consequências na vida de cada cristão.
Tal como as raízes de uma árvore precisam de ser regadas, também nós precisamos da água batismal para podemos crescer à medida da estatura de Cristo.
Rezemos por todos os batizados para que possam sempre alimentar as suas raízes com a graça de Deus.

2º Mistério - A revelação de Jesus nas bodas de Caná
O tronco
Jesus foi-nos apresentado como ramo do tronco de Jessé.
Fazendo-se homem, ele faz parte da nossa família.
A sua presença nas bodas de Caná vem recordar-nos que Jesus está sempre presente na nossa família, na nossa casa, na nossa vida.
Ainda hoje Jesus continua a manifestar-Se nas nossas celebrações, nos nossos encontros, pois fazemos parte do mesmo tronco.
Rezemos por toda a família humana para que possa sempre partilhar os mesmos sentimentos e erguer o mesmo projeto de paz e harmonia.

3º Mistério - O anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão
Os ramos e as folhas
Jesus pregou a conversão e a mudança de vida.
Esta conversão é sinal de esperança.
Tal como um ramo só é útil se estiver unido ao tronco, assim também cada discípulo vive unido como ramo da videira que é Cristo Senhor.
Rezemos para que cada cristão possa brotar como rebento novo, como sinal de esperança de um mundo novo.

4º Mistério - A Transfiguração do Senhor
As flores
Jesus transfigurou-Se no Monte do Tabor.
Foi como uma planta que floresceu e fez brilhar o seu fulgor à sua volta.
Também nós somos convidados a florir onde Deus nos plantou.
No alto do monte, no vale, ou nas encostas, que saibamos crescer e florir pois é precisamente aí que Deus quer que embelezemos o mundo.
Rezemos para que cada discípulo de Cristo possa com a sua presença transfigurar este mundo transformando-o em jardim de vida e de santidade.

5º Mistério - A instituição da Eucaristia
Os frutos
Cada árvore oferece a sua vida aos outros através dos frutos que partilha.
Ninguém dá fruto para si mesmo, mas está sempre ao serviço dos outros.
A Eucaristia é o dom perfeito da vida de Jesus.
Sempre que alguém se abeira da mesa da comunhão, colhe esse fruto de vida eterna.
Rezemos por todos os que comungam a Eucaristia para que possam também partilhar a sua vida, como fruto maduro para glória de Deus e serviço dos irmãos.


terça-feira, 20 de maio de 2014

Terço (48)

Dolorosos

Do amor à cruz
à cruz do amor

























1º Mistério - A agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras
“O pé representa a cruz da carne, os combates pela castidade, as doenças, a mortificação, os trabalhos, a agonia e a morte.” (Cf Pe. Dehon, RNN 20)
Estes combates é a nossa cruz de todos os dias, é a adesão ao desígnio de Deus.
Vencemos esta parte da cruz com a oração em união com Jesus rezando no Jardim das Oliveiras.

2º Mistério - A flagelação de Jesus
“O braço esquerdo indica as cruzes da vontade: a obediência, a submissão aos superiores, as contrariedades e as contradições…” 
Não somos nós a flagelar a nossa vontade, mas sim a nossa vontade é que nos flagela e nos impede de avançar.
Vencemos esta parte da cruz através da aceitação da vontade de Deus: seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.

3º Mistério - A coroação de espinhos
“O braço superior representa as humilhações e as cruzes do espírito…”
São os sofrimentos que atormentam a nossa cabeça.
Vencemos esta parte da cruz pensando no que é reto e no que eleva o nosso espírito até Deus.

4º Mistério - Jesus a caminho do Calvário e o encontro com sua Mãe
“O braço direito representa a pobreza e todas as cruzes que têm a ver com os bens: as privações, as perdas, as dificuldades…”
A nossa maior riqueza é a cruz que carregamos pela estrada da vida. Afinal não somos nós a carregar a cruz, mas sim a cruz é que nos carrega e nos leva mais além.
Vencemos esta parte da cruz com a alegria: Não basta carregar a cruz, é preciso abraçá-la com alegria e amor.

5º Mistério - A crucifixão e morte de Jesus
“O lugar da união ou centro é o Coração de Jesus.” (Pe. Dehon, RNN 24)
Contemplemos Jesus na cruz.
Iremos assim descobrir uma cruz com um coração ou um coração com uma cruz. De facto o que prendeu Jesus à cruz não foram os pregos, nem as cordas. O que prendeu Jesus à cruz foi o amor.
Saibamos também descobrir o coração na nossa cruz e fazer da nossa cruz um coração.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Terço (47)

Gozosos

Deus no caminho dos homens
ou os homens no caminho de Deus

1º Mistério – A Anunciação do Anjo a Nossa Senhora
O Anjo do Senhor fez-se caminhante da Verdade dizendo a Maria que Ela ia ser a Mãe do Filho de Deus.
O caminho para chegar até nós seria a encarnação. Deus escolheu o homem como caminho para chegar até nós.
Que saibamos reconhecer em cada homem esse mesmo caminho que nos leva até Deus.


2º Mistério – A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel
Maria pôs a caminho como enviada por Deus a casa de Santa Isabel.
Ainda hoje ela continua nos caminhos da nossa vida para nos encher de alegria do encontro com Deus.
Quem quiser encontrar-se com Deus deve pôr-se a caminho ao serviço dos irmãos a exemplo de Maria.


3º Mistério – O nascimento de Jesus em Belém
Todos os caminhos iam dar à gruta de Belém.
Jesus foi o ponto de encontro dos Anjos do Céu, dos pastores mais próximos e dos magos vindos de tão longe.
Percorreram caminhos diferentes, mas chegaram ao mesmo destino.
Para nos encontrarmos com Deus já não é preciso transpor os altos céus ou transcender a nossa condição humana.
Para nos encontrarmos com Deus basta percorrermos os caminhos deste mundo e mais cedo ou mais tarde nos cruzaremos com Ele.


4º Mistério – A apresentação do Menino Jesus no Templo
Jesus andou pelos caminhos deste mundo mas não sozinho.
Sua mãe e São José levavam-no, o profeta Simeão recebia-O, a profetiza Ana alegrava-se, e toda a comunidade regozijava-se.
Também nos nossos caminhos nós nunca vamos sozinhos.
Jesus caminha connosco, juntamente com todos os nossos irmãos.
Basta olhar para o lado e reconhecer a presença de Deus na figura dos nossos companheiros de viagem.


5º Mistério – O encontro do Menino Jesus no Templo entre os Doutores
A estrada da nossa vida é feita de encontros e desencontros, de cruzamentos, de veredas, de altos e baixos.
Às vezes podemos ter a sensação de seguirmos por um caminho sem saída.
Que a Palavra de Deus seja o nosso mapa de orientação e que a presença divina seja a nossa bússola para alcançarmos a meta da vida eterna.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Três Portas


6ª feira - IV Semana da Páscoa

Eco da reflexão do Papa Francisco na missa de hoje:
"O conhecimento de Jesus é o trabalho mais importante da nossa vida.
Para isso, o estudo é importante, mas não suficiente.
Há quem pense que as ideias nos levarão ao conhecimento de Jesus.
As ideias por si só não dão vida e quem percorre somente o caminho das ideias acaba num labirinto.
Para conhecer Jesus é preciso 3 portas:
A 1ª porta é rezar a Jesus:
O estudo sem oração não serve.
Rezar a Jesus para conhecê-lo melhor.
Os grandes teólogos fazem teologia de joelhos.
A 2ª porta é celebrar Jesus:
Não basta a oração, mas também a alegria da celebração.
Celebrar Jesus nos seus Sacramentos, porque ali nos dá a vida, a força, o alimento, o conforto, a aliança e a missão
Sem a celebração dos sacramentos não conseguiremos conhecer Jesus.
A 3ª porta é imitá-Lo:
Pregar o Evangelho, o que Ele fez, como era a sua vida, o que nos disse, o que nos ensinou e tentar imitá-lo. Basta abrir o Evangelho, pois lá encontraremos como imitar Jesus."

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Boas ovelhas


2ª Feira  IV Semana da Páscoa

Jesus afirma-se BOM PASTOR.
Isto é um convite para que cada ovelha do seu rebanho seja BOA OVELHA.

Ser bom pastor é saber conduzir as ovelhas, conhecê-las bem, alimentá-las, curá-las...

Uma ovelha não pode exigir que o pastor lhe faça a sua vontade.
Não pode determinar quando, o quê e onde vai comer. Isto é missão do pastor.
Uma ovelha não pode exigir que o pastor faça a sua vontade, mas o contrário.
Ser uma boa ovelha é deixar-se guiar pelo pastor.

Jesus diz que é o Bom Pastor para que cada um de nós não se esqueça de dizer que quer ser uma Boa Ovelha. 

domingo, 11 de maio de 2014

Eu sou a Porta


Ano A - IV Domingo da Páscoa

Neste domingo, mais conhecido como o o Dom Pastor, Jesus apresenta-se apenas como PORTA.
Olhemos para essa porta... por ela Deus vem ao nosso encontro e nós entramos na intimidade de Deus.

A Madre Teresa de Calcutá contou uma experiência que nos poderá ajudar a contemplar esta Porta que é Jesus.
Um dia em 1979, visitou uma casa de repouso, uma espécie de lar para a terceira, uma das melhores e mais luxuosas da Inglaterra. As condições eram excelentes... Sem barreiras arquitectónicas, ar condicionado, obras de arte, janelas com lindas paisagens.... Era um autentico luxo de bem estar, dedicação e de serviço... quem nos dera que todos os idosos tivessem essas condições. Mas a Madre Teresa reparou logo que em nenhum dos idosos havia um sorriso, uma sinal de satisfação... E sobretudo nenhum deles deitava atenção à riqueza que os rodava, mas todos os olhos estavam orientados em direção à porta. Explicaram-lhe então que todos os dias e todas as horas era a mesma coisa: Têm os olhos fixos na porta à espera que alguém os viesse visitar, ou à espera que alguém os viesse buscar...
Eles sabiam bem o valor da porta.
Que saibamos também nós descobrir o valor de Jesus como Porta da nossa vida.
Que ela seja o ponto de encontro de cada um de nós com Deus e de Deus com cada um de nós.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pão de Deus


5ª feira - III Semana Pascal


Do pão que o diabo amassou 
ao pão que amassou o diabo

1ª Leitura:
Filipe, arrebatado pelo Espírito encontrou-se em Azoto e foi anunciando a boa nova a todas as cidades por onde passava…
Também nós podemos anunciar esta mesma boa nova por todos os lugares por onde passamos.
Para isso basta apenas que nos deixemos arrebatar pelo mesmo Espírito.

Evangelho:
Às vezes nós provamos o pão que o demónio amassou.
É preciso agora experimentar o pão que amassou o demónio.
É Jesus, pão da vida, que desceu do céu. Só ele pode amassar o maligno, destruir o diabo, dar cabo do mal.
Não quero saber do pão que o diabo amassou porque só acredito no pão que amassa e destrói o diabo.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Terço (46)

Gozosos

Ver e sentir como Maria via e sentia

Que maravilha ver como Maria via, sentir como Maria sentia, rezar como Maria rezava, viver como Maria vivia.
Contemplemos nesses mistérios as alegrias de Nossa Senhora, narradas na primeira pessoa, ou seja, narradas por ela própria.

1º Mistério - Anunciação do Anjo Gabriel
O anjo Gabriel saudou-me. Fiquei perturbada sem saber o que estava a acontecer. Dialogando com ele entender o grande desafio que Deus me proponha. Sossegada pelo anjo acabei por aceitar, consciente e decidida a fazer a vontade de Deus. 
Hoje continuo feliz sempre que vejo alguém, através do diálogo, tentar compreender os projetos de Deus a seu respeito. E rezo para que a ninguém falte um mensageiro de Deus que lhe possa ajudar a compreender a vontade de Deus.

2º Mistério - Visitação à prima Isabel
Fui partilhar a minha alegria com a prima Isabel que se preparava também para ser mãe. A alegria do encontro comoveu-nos a todos. Isabel inspirou-me e alma, não resisti e pus-me a louvar o Senhor por todas as maravilhas que Ele realizava à minha volta. 
Ainda hoje sinto a mesma inspiração e canto o mesmo Magnificat sempre que alguém exulta de alegria e partilha a sua alma com quem está perto. E há tantas maravilhas de Deus para serem cantadas hoje.

3º Mistério - Nascimento de Jesus em Belém
Esqueci depressa a dureza da viagem e das dores da maternidade logo que o Menino foi colocado nos meus braços. Não há mais trevas, nem frio, nem sofrimento, nem pobreza, nem fome quando há amor. E o amor a todos uniu, ricos e pobres, pastores e magos, de perto ou de longe.
Ainda hoje guardo no meu coração as lições de amor, simplicidade e ternura de tantas crianças acolhidas nos braços de uma mãe sob o olhar cheio de esperança de um pai.

4º Mistério - Apresentação de Jesus no templo     
José e eu sempre fomos fiéis observadores da Lei do Senhor e quisemos passar desde logo esse zelo ao menino Jesus. Pobres, mas cheios de alegria, fomos apresentá-lo ao templo. Chorei com o velho profeta Simeão, enquanto ele segurava o Menino Jesus nos seus braços. Chorei não de tristeza pela profecia da espada de dor que atingiria o meu coração, mas de alegria por alguém reconhecer que Deus realiza sempre todas as suas promessas.
Sempre que alguém se comove com a presença de Jesus, eu não deixo de me comover ainda hoje. Não tenho vergonha de chorar de emoção.

5º Mistério - Perda e o encontro do menino Jesus entre os doutores em Jerusalém
Todos os anos íamos celebrar a Páscoa a Jerusalém. Éramos uma família unida que rezava unida. Quando tinha12 anos de idade Jesus acompanhou-nos como sempre até Jerusalém para a festa da Páscoa. Sem saber como, apanhámos um valente susto, pois perdemo-lo de vista durante 3 dias. Alguém dizia que eu era a culpada, uns insinuavam que José é que devia estar mais atento, outros achavam que Jesus merecia uma boa lição.
Todos nós aprendemos com isso. Com este episódio todos crescemos: Jesus cresceu como filho e nós crescemos como pais, como ouvintes, compreendendo melhor a Palavra de Deus.
Ainda hoje rezo por todas as famílias para que nunca se cansem de crescerem unidos. Só assim unidos podem conduzir-se mutuamente em direção ao paraíso.


domingo, 4 de maio de 2014

Mães são semáforos


Quem conduz pelas avenidas, becos e vielas,
Já entendeu as mães e como é que são elas.
As mães são sinaleiras, semáforos de vidas.
Tem três luzes piscando, serenas, decididas.

As luzes amarelas dizem: Filho atento!
A estrada é perigosa em todo o momento.
A luz que está vermelha diz: “Agora não”.
“Espera um pouco, filho, respeita o teu irmão”.
A luz que pisca verde os manda ir em frente
“Agora é tua vez”!, dizem serenamente.

As mães são sinaleiras. São ricas de sinais.
Um beijo e uma carícia, mais beijo e mais e mais!
Mas tem o seu vermelho: “Agora é não, e é não”.
Depois tem amarelo: “Cuidado e atenção”.

Ali no cruzamento, cuidando dos seus filhos,
As mães vivem piscando os mesmos estribilhos:
“Cuidado, vai, não vai, respeita os teus irmãos,
Aprende a dirigir, evita a transgressão.”

Eu passo pelas ruas, becos e vielas
E digo a cada passo, enquanto penso nelas:
-Benditas mães-semáforos, que sabem proibir
e que, se for preciso, não deixam de exigir.
E até aplicam multas, se isto for preciso,
Contanto que seus filhos dirijam com juízo.

No trânsito da vida, é muito bom saber
Que existem sinaleiras que ensinam a viver.
Vermelho e amarelo e verde são sinais
Que a gente já conhece, mas mãe conhece mais!
E foi de uma delas este dizer profundo:
- O “sim” e o “não” das mães seguram este mundo!

(Pe. Zezinho, SCJ)

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Terço (45)

Luminosos

As portas do terço 
ou o terço das portas

1º Mistério - O batismo do Senhor no Rio Jordãp
A porta da fé
O Batismo é chamado a porta da fé, que nos dá acesso à casa de Deus Pai.
Quando Jesus foi batizado no Jordão as portas do céu abriram-se e Deus Pai falou:
Este é o meu filho muito amado…
Contemplar o batismo do Senhor é recordar o nosso próprio batismo, é lembrar que a nossa porta da fé está sempre escancarada para nos levar até o nosso Pai.

2º Mistério - A revelação de Jesus nas bodas de Caná
A porta do amor
Este foi o primeiro milagre de Jesus, a porta que se abriu para a sua vida pública.
É uma porta que se abre para a família, para a comunidade, para a comunhão.
Uma vez mais constatamos que a porta do coração só se consegue abrir por dentro.
Não podemos forçar… tal como Maria bateu à porta do coração do seu Filho, mas não forçou…
Jesus abriu-lhe o coração e o milagre aconteceu.
Contemplar a porta das Bodas de Caná é recordar que a porta do nosso coração deve estar sempre aberta aos outros, à comunhão, ao serviço e ao amor.

3º Mistério - O anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão
A porta do perdão
Jesus pregava: Arrependei-vos e acreditai no evangelho.
O arrependimento ou a conversão é a porta que nos faz entrar no projeto de Deus
Entramos no Evangelho pela porta do perdão, ou melhor, o Evangelho entra em nós pela porta da conversão.
Sempre que ouvimos o convite de Jesus à mudança de vida, estamos a ouvi-lo a bater à nossa porta:
Eis que estou à porta e bato. Quem ouvir e abrir, ficará comigo e Eu com ele.

4º Mistério - A Transfiguração do Senhor
A porta da oração
Jesus convidou os seus amigos a subir ao monte para rezar e durante a oração ele transfigurou-se diante deles.
A oração é de facto a porta de acesso mais direto para Deus.
Basta deixar-se elevar e deixar envolver-se pelo ambiente e pela presença divina.
A experiência será idêntica à dos discípulos no Tabor: que bom estarmos aqui.
Entremos pela porta da oração e ver-nos-emos transfigurados à imagem de Cristo transfigurado.

5º Mistério - A instituição da Eucaristia
A porta da eternidade
Quem comer deste pão e beber deste vinho, viverá para sempre…
Tomai e comei, isto é o meu corpo… Este é o meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança.
A Eucaristia é a porta para a vida eterna.
O Santíssimo Sacramento é entrada para a eternidade.
É preciso abrir as nossas mãos, abrir a porta do nosso coração para receber em comunhão a divina Eucaristia e veremos que afinal é a Eucaristia quem nos abre a porta para o coração de Deus, para a vida eterna.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Catarina de Sena


A lição vem da co-padroeira da Europa, Santa Catarina de Sena. Sem saber ler ou escrever, ele ditou em êxtase durante vários dias inteiros uma das maiores obras de espiritualidade que intitulou de Diálogo.

Nessa obra, Catarina partilha as intenções da sua oração: Rezava por quem e para quê?
- Rezava por si, para que Deus lhe desse o conhecimento da verdade.
- Rezava por todo o mundo para que Deus derramasse sobre ele a sua misericórdia.
- Rezava pela Igreja para que nunca lhe faltasse o auxílio celeste e a providência divina.

domingo, 27 de abril de 2014

Gémeo de Tomé


Ano A - II Domingo do tempo Pascal


Estávamos a falar de São Tomé, chamado Dídimo, ou seja gémeo. Alguém perguntou-me:
- Se Tomé era gémeo, onde está o seu irmão? Quem é o gémeo de Tomé?
- És tu!- respondi prontamente. És tu, sou eu, é aquele...
 
Todos nós somos irmãos gémeos de Tomé, ou não fosse ele Dídimo.
Somos gémeos bem parecidos com ele quando temos dificuldade em crer sem ver.
Somos gémeos dele quando temos dificuldade em acompanhar a comunidade e sozinhos não experimentamos Deus.
Somos gémeos iguais a ele quando proclamamos a nossa fé dizendo:
MEU SENHOR E MEU DEUS!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Viagem de ida e volta

4ª Feira da Oitava de Páscoa

A) IR - De Jerusalém para Emaús
Na tarde de tal dia tristes, com causa, pela morte de seu Mestre, e desesperados, sem causa, pela tardança da sua Ressurreição, caminhavam dois discípulos de Cristo para o castelo de Emaús.
Imaginavam os dois discípulos a Cristo morto e ausente, e no mesmo tempo, e pela mesma estrada ia o Senhor caminhando com eles sem o conhecerem, ainda que o viam.
Ia o Senhor com eles. Aqui reparo, ou aqui paro, que também imos caminhando. O intento de Cristo era mandar a estes discípulos reduzidos e consolados para Jerusalém, aonde estavam os apóstolos também tristes. Pois, se o seu intento era encaminhar os discípulos para Jerusalém, como se vai o Senhor andando com eles para Emaús? O caminho de Emaús e o caminho de Jerusalém eram encontrados, e Cristo deixa-se ir com os discípulos para Emaús, quando os quer levar para Jerusalém? Sim, porque essas são as maravilhas da Providência divina: levar-nos a seus intentos pelos nossos caminhos. Conseguir os intentos de Deus pelos caminhos acertados de Deus, isso é providência vulgar; mas conseguir os intentos de Deus pelos caminhos errados dos homens, essas são as maravilhas da sua Providência. Ir a Jerusalém pelo caminho de Jerusalém, é estrada ordinária; mas ir a Jerusalém caminhando para Emaús; só Deus o faz.

B) VOLTAR - De Emaús para Jerusalém
Não há sinal mais certo e mais seguro de termos conhecido a Cristo, e Cristo nos ter convertido a si que desfazer os caminhos errados de nossa vida pelos mesmos passos por onde os fizemos. Se desencaminhados fomos de Jerusalém para Emaús, postos no verdadeiro caminho, tornemos de Emaús para Jerusalém.  É necessário desandar o andado, desfazer o feito e desviver o vivido. Assim o fizeram na mesma hora, não o guardando para o outro dia, os nossos venturosos peregrinos. Na mesma tarde desfizeram o que tinham andado pelos mesmos passos, e assim como tinham deixado Jerusalém, e caminhado para Emaús, assim deixaram Emaús, e voltaram a toda a pressa para Jerusalém.

C) FICAR - Acrescentar a alegria
Chegados a Jerusalém, entraram com o alvoroço no cenáculo, onde acharam outros discípulos cheios de excessivo prazer, porque S. Pedro os tinha certificado de que vira ressuscitado o divino Mestre. Contaram o que lhes tinha sucedido, e acrescentaram a alegria de todos com a narração tão notável da sua história,

( Cf. Pe. António Vieira, Sermão da Primeira Oitava da Páscoa, Capela Real, 1647)


terça-feira, 22 de abril de 2014

Enxugar lágrimas


3ª feira da Oitava Pascal


Madalena triste e chorando às portas da sepultura.
Os apóstolos tristes e encerrados em casa.
Os dois discípulos tristes e caminhando para Emaús.
Enfim, tudo e todos tristes.
Coisa é muito digna de notar que em um dia tão alegre, como o da Ressurreição, e em uma ocasião de tanto contentamento, como o da Redenção do mundo, aqueles a quem mais de perto tocava estivessem todos tristes.
A tristeza era a mesma, mas as causas deviam de ser diversas, porque o eram também os efeitos:
Os apóstolos escondiam-se, porque temiam aos judeus.
Os discípulos iam-se para Emaús, porque desesperavam da Redenção.
Madalena chorava, porque amava muito a seu Mestre.
Se quereis conhecer as causas do descontentamento de cada um, vede-o nos efeitos:
Quem teme, esconde-se.
Quem desespera, vai-se.
Quem ama, chora.
Mas que estando o mundo remido, como estava, houvesse tantos descontentes:
Uns retirados em sua casa.
Outros deixando a corte de Jerusalém.
Outros chorando sem consolação!
O mundo remido, e descontentes tantos? Sabeis por quê? Porque é muito mais dificultoso o contentar que o remir.
A primeira coisa que fez Cristo tanto que ressuscitou foi tratar de enxugar lágrimas e de consolar tristezas:
Estava a Madalena chorando às portas do sepulcro, aparece-lhe o Senhor, enxuga-lhe as lágrimas.
Iam os discípulos tristes e desesperados para Emaús, foi-se encontrar com eles o Senhor, e consolou-os de sua tristeza.
E que se seguiu daqui? Que amanhecendo no dia da Ressurreição todo o reino de Cristo descontente, anoiteceram no mesmo dia todos contentes e consolados.
Seja também o nosso primeiro cuidado enxugar lágrimas, e logo haverá menos descontentes. Se lançarmos os olhos por todos os reinos do mundo, presentes e passados, um só reino acharemos em que todos estão contentes. E que reino é este? França? Inglaterra? Alemanha? Não: o Reino do Céu. No Reino do Céu todos estão contentes. E por que não há descontentes no Reino do Céu? E por que no Reino do Céu não há tristezas nem descontentamentos? Porque a primeira coisa que faz Deus a todos os que vão deste mundo é enxugar-lhes as lágrimas.
Vejo que me dizem que é muito fácil dizer que se enxuguem as lágrimas de todos; mas como se hão de enxugar? Enxugar as lágrimas bom remédio é para não haver descontentamentos mas que remédio há de haver, para se enxugarem as lágrimas? Fácil remédio: o que Cristo fez. Inquirir a causa das lágrimas, e tirá-la:
Quando Cristo apareceu à Madalena, a primeira coisa que fez foi inquirir a causa por que chorava. Mulher, por que choras?
Quando apareceu aos dois discípulos, a primeira coisa que fez também foi perguntar a causa de sua tristeza: Que é o que falais, por que estais tristes?
Eis aqui a razão por que se trabalha muitas vezes debalde em enxugar as lágrimas: porque se não tomam na fonte, porque se lhes não busca a causa. Busque-se a causa das lágrimas, e logo o remédio será fácil.

(Cf. Padre António Vieira, Sermão da Primeira Oitava da Páscoa, Capela Real, 1647)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

6ª feira Santa



1. Não há Cristo sem cruz.
A cruz faz parte de Cristo.
Nós fazemos parte da cruz de Cristo.
A cruz faz parte da nossa vida.

São Patrício, quando voltou à Irlanda, como bispo missionário em pleno século V, pregou no condado de Mayo donde vêm os O’Malleys.
Certo dia, um dos chefes guerreiros pediu para ser batizado e recebido na Igreja. Nessa altura, ainda não tinham sido construídas igrejas na Irlanda, por isso, a cerimónia teve lugar ao ar livre, num grande campo. São Patrício chegou nas suas vestes episcopais, com a mitra e o báculo. Espetou o báculo no chão e começou a pregar um longo sermão sobre a fé católica. Durante o sermão, o chefe que ia ser batizado estava de pé em frente a São Patrício. Começou a ficar muito pálido, a suar profusamente e de repente desmaiou, caindo redondo no chão. Quando acorreram para o ajudar, descobriram que, inadvertidamente, São Patrício tinha espetado o seu báculo no pé do homem. Quando conseguiram reavivar o guerreiro ferido, perguntaram-lhe porque não tinha dito nada. Ele respondeu: Julgava que fazia parte da cerimónia. O pobre homem não conhecia bem a liturgia católica, mas já sabia que ser discípulo quer dizer pegar na cruz, abraçar a cruz.
(Cf. Cardeal Seán O,Malley, Anel e Sandálias, Paulinas)

2. As palmas converteram-se em cruzes para que as cruzes possam converter as nossas almas.
 
 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

É em minha casa


4ª feira da Semana Santa

1º Eco
É em tua casa que eu quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.
Este é o convite que deve ecoar nos meus ouvidos, sobretudo no meu coração.
Durante o dia, no resto da semana, vou repetir a mim mesmo este convite do Senhor.
Quanto mais o fizer, mais aberto estarei a Cristo e aos seus discípulos.
Vou deixar que Ele celebre a Páscoa no meu coração juntamente com os seus amigos, isto é, com todos.

2º Eco
Judas negociou a entrega de Jesus… Este sabia e nada lhe disse, acolhendo e sendo amável com ele durante a ceia.
Judas desistiu de Jesus, mas Jesus não desistiu de Judas.
Durante o dia, vou repetir também a mesma conclusão, pois dentro de mim mora um potencial Judas que pode desistir de Jesus, mas Jesus nunca desistirá de mim.

domingo, 13 de abril de 2014

Palmas e almas para Jesus

Ano A - Domingo de Ramos

Mais do que palmas,
Jesus quer almas!

Santa Teresa de Ávila ao estudar os evangelhos deste dia de Ramos e da Paixão chegou à conclusão que, depois de tantas aclamações, hosanas e palmas, Jesus não encontrou hospedagem em Jerusalém e teve de regressar a Betânia para passar a noite.
Tanta gente a acompanhar Jesus, mas ninguém lhe abriu a porta...
Uma multidão a fazer companhia a Jesus na sua entrada em Jerusalém, mas ninguém quis que Jesus lhe fizesse companhia em sua casa.

Não basta aplaudir, é preciso acolher.
Não basta acompanhar, é preciso acolher a companhia.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Nas mãos de Deus


6ª feira - V semana da quaresma

1ª leitura:
Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das mãos dos perversos…

Evangelho:
De novo procuraram prendê-l’O, mas Ele escapou-Se das suas mãos…

Deus livra-nos das mãos do inimigo,
Deus livra-se das nossas mãos,
Mas nós não escapamos nunca das mãos de Deus.



quinta-feira, 10 de abril de 2014

A humildade de Abraão


5ª feira - V Semana da Quaresma

A primeira leitura começa assim:
“Naqueles dias, Abraão caiu de rosto por terra e Deus falou-lhe…”

É a atitude de humildade, de simplicidade e de total entrega a Deus.
Só prostrados é que manifestamos a Deus a nossa grandeza.
Metaforicamente falando, se Deus está por cima de nós, quando estamos de pé Ele apenas vê o redondo da nossa cabeça.
Mas se estivermos prostrados por terra Ele ver-nos-á com toda a nossa altura.
De facto, Deus só nos vê grandes quando somos humildes…
Por isso Abraão prostrou-se diante de Deus…


terça-feira, 8 de abril de 2014

Quem muda quem

3ª feira - V semana da Quaresma

O povo no deserto perdia a paciência, pois esperava que Deus alterasse as circunstâncias da sua travessia.
Deus, porém, não mudou nada… e deixava que as pessoas fossem feridas, mas depois curava-as…isto é, não mudava o ambiente, mas mudava as pessoas…

“Na juventude, eu era um revolucionário e rezava assim:
- Dai-me força, Senhor, para eu mudar o mundo!
Ao chegar à meia-idade, notei que metade da vida já passara sem que eu tivesse mudado qualquer pessoa.
Então, mudei a minha oração, dizendo a Deus:
- Dai-me a graça, Senhor, de transformar os que vivem comigo dia a dia, como a minha família, os meus amigos; com isso já ficarei satisfeito.
Agora que sou velho e tenho os dias contados, percebo como fui tolo ao rezar assim.
A minha oração, agora, é apenas esta:
- Dai-me a graça, Senhor, de mudar a mim mesmo.
Se eu tivesse rezado assim, desde o princípio, não teria desperdiçado a minha vida.”
(Sufi Bayazid)

É que Deus, às vezes, não muda as circunstâncias porque quer que as circunstâncias nos mudem a nós!




segunda-feira, 7 de abril de 2014

Condenar o pecado, mas não o pecador


2ª feira - V Semana da quaresma

1ª Reflexão
Precisamos ser mais hospital e menos tribunal. Jesus quer que se instaure um hospital (para acolher e curar todos os que sofrem de algum mal) em vez de um tribunal (para condenar seja quem for).

2ª Reflexão
Jesus começou a escrever no chão e os presentes desviaram o olhar para aí, deixando de fixar acusadoramente os olhos na pecadora. O melhor remédio para vencer a tentação de acusar ou condenar alguém é desviar o olhar, é procurar ver o pecado sem condenar o pecador.




domingo, 6 de abril de 2014

Espelho de Lázaro


Ano A – V domingo da Quaresma


1ª Reflexão
O episódio de Lázaro é o reflexo de cada cristão e cada cristão é o espelho de experiência de Lázaro.

- Lázaro era amigo de Jesus e Jesus era seu amigo.
Também nós nos revemos nesta identificação. Temo-nos como amigos de Jesus e por isso visitamo-lo. Ele é também nosso amigo, pois Ele vem sempre ao nosso encontro.

- Jesus em primeiro lugar ergueu os olhos ao céu e rezou pelo seu amigo Lázaro.
Jesus também intercede, puxa, tira por nós. Não estamos desamparados, porque Jesus intercede por nós. Nos momentos de dor, de grande dificuldade ou de sofrimento, Jesus intercede sempre por nós e consola os que sofrem connosco.

- Jesus disse: Lázaro, vem cá para fora!
A nós Ele também diz: E tu também, sai de ti mesmo!
É preciso sair, ir ao encontro do Outro e dos outros. É preciso deixar o comodismo, deixar o centro da sua vida, para que Cristo possa ser o nosso centro. Quem não sair de si, quem não se abrir, não pode ser salvo.

- Por fim Jesus disse: Desligai-o e deixai-o ir!
E a nós também dirá: Desprende-te, liberta-te e vai mais além.
É preciso desamarrar-se de tudo o que nos prende, cortar tudo o que nos agarra e nos impede de ser livres. Só assim poderemos ir mais além.

2ª Reflexão
O poeta persa Saadi, no ano mil, cantou um poema que adapto aqui e que pode ser a fórmula poética do episódio de Lázaro e a nossa própria experiência:

“Quando vim ao mundo a vida colocou-me nas mãos uma taça:
bebia até ao fundo e ai encontrei uma pérola: a juventude.

A juventude deu-me a sua taça e depois de a beber
encontrei entre os meus lábios um rubi de amor.

O amor ofereceu-me a sua taça, bebi-a também
e no fundo achei o diamante da dor.

Desesperado, bebi até à última gota da taça da dor
e com grande espanto encontrei aí o próprio Deus.

Bebi feliz a taça de Deus
E entrei assim na vida eterna.”

Para chegar ao nosso destino é preciso beber vários copos. É preciso passar pela juventude, pela amizade, pela dor, até chegar a Deus e à vida eterna. Não há amor sem amor e sem cruz não há glória. Saibamos passar pela morte para alcançarmos a vida eterna.