quinta-feira, 11 de maio de 2023

A nossa alegria completa

 

5ª feira – V semana da Páscoa

 

Permanecei no meu amor… para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa.

É por isso que os cristãos devem ser as pessoas mais alegres de toda a humanidade.

Porquê?

- Porque quanto mais perto do Criador a criatura fica, mais feliz ela se torna.

- Porque dentro deles há uma alegria divina, a alegria de Jesus.

- Porque a sua alegria não depende de coisas deste mundo, mas tudo depende da sua alegria.

 

Um cristão que não é alegre tem alguma coisa errada.

É impossível alguém sair triste da celebração na igreja.

Se não sair alegre pelo que fez, ouviu ou rezou, se não sair alegre pelo que leva, pelo menos tem de sair alegre porque a celebração já acabou.

É por isso que a última coisa que se diz ao sair é: Graças a Deus (que já acabou!) Aleluia, aleluia!

 

Ver também:

Tudo, nada, sempre

 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Qual é o fruto esperado ?


4ª feira – V semana da Páscoa

Na página do Evangelho de hoje aparecem 8 vezes a palavra PERMANECER, que significa estar unido (persistir, conservar-se, demorar, ficar, manter-se, perseverar, estabilizar ou estacionar).

Também aparece 6 vezes o termo MIM, referente a Jesus Cristo.

E ainda aparece 6 vezes a palavra FRUTO, que é o que Deus espera de nós.

 

- Que espécie de fruto somos chamados a produzir?

 - Claro que é o FRUTO DA VIDEIRA, ou seja, UVA.

Mas este fruto é mais global, tal como rezamos no ofertório.

Tomando o cálice o sacerdote diz:

- Fruto da videira e do trabalho do homem.

 

De facto, o fruto que Deus espera de nós é o VINHO DA ALEGRIA.

O Salmo 103, 15 explicita os frutos que quer ver germinar da terra:

- O vinho que alegra o coração do homem,

- O azeite que lhe faz brilhar o rosto,

- E o pão que lhe robustece as forças.

 

Conclusão:

Só quem está verdadeiramente unido a Cristo produz o fruto da videira que é a alegria.

 

Ver também:

Permanecer e amar

 

domingo, 7 de maio de 2023

Não haja Palavra sem Pão


Ano A – V domingo da Páscoa

 

Não haja Pão sem Palavra

Nem Palavra sem Pão

Da primeira leitura:

Havia murmuração porque no serviço diário não se fazia caso dos necessitados. Então os discípulos decidiram: Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus para servirmos às mesas. Escolheu entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo.

 

Conclusão:

Não só de Pão vive o homem, mas de toda a Palavra que vem da boca de Deus.

(Não deixemos de pregar a Palavra de Deus)

Não só da Palavra de Deus nós precisamos, mas também do pão de cada dia.

(Não deixemos de partilhar o pão com os mais necessitados.)

Não podemos nem esquecer a Palavra de deus, nem o serviço das mesas do pão de cada dia.

 

Ver também:

Tudo está preparado

 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Tudo está bem preparado


6ª feira – IV semana da Páscoa

 

Vou preparar-vos um lugar…

Nós fomos feitos para o paraíso eterno.

Há um lugar, um estado, uma estadia ou uma eternidade à nossa espera.

Tudo planificado, talhado e preparado à medida de cada um.

O paraíso que nos espera não nos fica grande ou pequeno, pois foi preparado a pensar em nós.

 

Não só o nosso destino está preparado, como nós também devemos estar preparados.

Estai vós preparados, repete várias vezes o Senhor.

Ele nos dá a capacidade de nos prepararmos para estarmos à altura do lugar preparado para nós.

E nós não nos preparamos à toa, pois Deus não só nos chama a preparar-nos como também nos dá o modelo desse ato. Devemo-nos preparar sendo cópias do modelo que é Jesus Cristo – Aprendei de mim… para termos um coração semelhante ao dele.

Nós não somos nem pequenas nem grandes para o lugar que nos está preparado. Nós encaixamo-nos perfeitamente. Fomos feitos um para o outro.

 

Por fim, também o caminho está preparado. Uma voz clama no deserto – Preparai o aminho do Senhor.

Tudo está a condizer, nós preparados para ocupar o lugar preparado para nós. Também o caminho que nos leva até essa meta, está bem preparado. Deixemo-nos levar por esse caminho.

 

Conclusão:

O lugar que Jesus prepara para nós chama-se paraíso, felicidade ou santidade.

Tudo preparado à medida, pessoa, caminho ou destino.

Que mais poderia fazer Deus para a nossa felicidade?

Deus prepara-nos um lugar, prepara-nos como pessoas para ocupar esse lugar e prepara o caminho que nos leva até lá. De facto, não temos nada com que nos preocupar ou perturbar. Deus está preparado à nossa espera.

 

À margem:

Tomé disse a Jesus:

- Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos conhecer o caminho?

E Jesus respondeu:

- Tu conheces o caminho. Esse caminho sou eu – Sou o caminho, a verdade e a vida.

 

Ver também:

Passar, chegar, ficar

Caminho, verdade e vida

 


quarta-feira, 3 de maio de 2023

Caminho, verdade e vida


Festa dos Santos Filipe e Tiago, Apóstolos

Identificação de Cristo 

Caminho, Verdade e Vida.

O caminho, a verdade e a vida não é tudo para todos ou todos para tudo isto, sempre ou ao mesmo tempo.

Para uns será mais caminho, para outro mais verdade e para outro mais vida, conforme a sua experiência, necessidade e evolução.

Também para mim às vezes preciso de Cristo mais como caminho se estou perdido e desorientado.

Outras vezes preciso mais da verdade se estou nas trevas, se preciso da luz da sua verdade.

Outras vezes não encontro razões de viver, então preciso dele como vida, como alento interior.

 

Identificação do Cristão

Seguir o Caminho, a Verdade e a Vida.

Ser discípulo de Cristo é descobrir o CAMINHO mais acertado para viver, a VERDADE mais segura para orientar-se e a VIDA mais feliz para realizar-se.

 

Ver também:

São Tiago, o Menor

São Filipe Apóstolo

São Filipe e São Tiago

São Tiago, Menor

 

Ver ainda:

Passar, chegar, ficar

 

terça-feira, 2 de maio de 2023

Escutar, conhecer, seguir


3ª feira – IV semana da Páscoa

“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu conheço-as e elas (conhecem-me)  seguem-me.”

 

São três verbos do amor:

- Escutar

- Conhecer

- Seguir

Se não escutamos, como podemos conhecer?

E se não conhecemos como podemos seguir?

O amor exige escutar, conhecer e seguir – escutar para conhecer e conhecer para seguir. E quanto mais seguimos mais conhecemos e quanto mais conhecemos mais escutamos porque mais amamos.

 

Ver também:

Era inverno

 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Poucos milagres, pouca fé


Memória de São José Operário

Dia Mundial do Trabalhador

- Jesus é Filho do Carpinteiro.

- Certo ou errado?

- Certo porque José foi autêntico pai para Jesus, sustentando-o, educando-o, acompanhando-o etc.

Mas a verdade continua para além destas evidências. O pai de Jesus é verdadeiramente carpinteiro, artesão, criador. José carpinteiro aponta mais além, anuncia que Jesus é o Filho do carpinteiro das almas, artesão de todo o mundo, criador do céu e da terra, ou seja o Filho de Deus Pai e Criador de tudo e de todos.

Isto que quer dizer?

Quer dizer que quem trabalha associa-se à vocação criadora de Deus. Trabalhar é criar com Deus criador. O nosso trabalho é colaboração com Deus. Deus criador colabora connosco quando trabalhamos.

 

Poucos milagres = pouca fé

Jesus ao ver a pouca fé daquela gente, fez ali só alguns milagres.

Isto quer dizer que quando há pouca fé, há poucos milagres e quando vemos poucos milagres quer dizer que há pouca fé.

Milagre não é Deus fazer a nossa vontade, mas nós fazermos a vontade de Deus.

Quando temos muita fé, vemos muitos milagres, isto é, fazemos muitas vezes a vontade de Deus na nossa vida.

Por outro lado, quando não fazemos a vontade de Deus, não fazemos milagres.

 

Ver também:

As mãos de São José

Oração pelos trabalhadores


domingo, 30 de abril de 2023

Vocação: graça e missão


60º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

O caminho que cada um tem

para seguir a Cristo

chama-se VOCAÇÂO


A mensagem do Papa Francisco para este dia tem como tema:

VOCAÇÃO: GRAÇA E MISSÂO.

 

De facto, toda a vocação é ao mesmo tempo um dom e uma tarefa,

É um presente e uma conquista,

Algo que se recebe e algo que se oferece.

 

Porque é que hoje os seminários estão cada vez mais vazios, há cada vez menos sacerdotes?

Porque há tamanha crise de vocações sacerdotais?

Infelizmente podemos constatar que há também tanta crise de vocação matrimonial, crise de vocação familiar, crise de vocação de vida cristã.

Então perguntemos: Há crise de vocação sacerdotal porque há crise de vocação matrimonial, ou há crise de vocação matrimonial porque há crise de vocação sacerdotal?

Com certeza que uma causa a outra e vice-versa.

Rezemos para que haja bons sacerdotes e sacerdotes bons.

Rezemos para que haja boas famílias e famílias boas.

E assim ultrapassaremos estas crises de falta de vocações quer matrimoniais quer sacerdotais.

 

As ovelhas do Bom Pastor


Ano A – IV domingo da Páscoa – Dia do Bom Pastor

 

Mais do que um sermão, hoje quero ajudar a educar o olhar.

Quero apontar para a instalação à frente do altar, apreciá-la e descobrir o seu significado.

- Porque é são ovelhas e não outros animais?

- Porque não há pastor sem ovelhas e não há ovelhas sem pastor. Porque é o animal com quem nós nos devemos parecer mais. É um animal único. Os outros fogem, escouceiam, dão chifradas, berram, gritam. A ovelha espera, deixa-se apanhar sem barafustar, sem se defender. É obediente, calma e humilde. Como se deixa levar, precisa de um bom pastor.

 

- Porquê duas ovelhas e não apenas uma?

- Porque as ovelhas lembram-se do que o bom pastor disse - onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles.  O rebanho é um bom exemplo da comunidade dos crentes que se abandona aos cuidados do bom pastor.

 

- Porque tão poucas ovelhas?

- Porque, como rezamos na oração da colecta de hoje somos um pequenino rebanho. Poucos, mas bons.

 

- Porque é que não têm olhos, nem boca, nem nariz?

- Porque estão voltadas para o pastor que está sobre o altar. Nós não vemos o seu rosto porque estão de costas para nós, mas de frente para o Pastor.

 

- Porque só aparecem as suas orelhas?

- Para ouvir melhor o pastor a chamar pelo seu nome.

 

- Porque é que não vemos o seu rosto?

- Porque esse rosto pode ser o meu, o teu ou o rosto de qualquer pessoa. O seu rosto deve ser uma espécie de espelho que reflete o rosto de cada um de nós.

 

- Porque é que não estão de pé?

- Porque rezam – o Senhor é meu pastor nada me falta, leva-me a descansar em verdes prados. Ou então estão sentadas à mesa preparada pelo seu pastor, onde o cálice transborda para reconforto da alma.

 

- Porque é estas ovelhas não têm pormenores ou elementos decorativos?

- Porque mesmo não tendo tudo, nada lhes falta porque o Senhor é tudo para elas.

 

- Porque são brancas estas ovelhas?

- Porque não há ovelhas negras nem ovelhas tresmalhadas no rebanho do Senhor, porque ele procura a ovelha perdida até a encontrar e purificar.

 

- Porque é que estão aos pés do altar?

- Porque são ovelhas prontas para serem oferecidas em sacrifício ou imoladas como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

 

- Porque é que estão alinhadas frente a frente uma para a outra?

- Porque diante de Deus não querem virar as costas para ninguém. Porque amam a Deus seu bom pastor e amam-se uma às outras como ovelhas do mesmo rebanho

 

Ver também:

Os pastores são paistores

 

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Importância de uma viagem


6ª feira – III semana da Páscoa

Na vida de São Paulo tudo acontece no caminho para mostrar que tudo é caminho.

Foi no caminho, na viagem para damasco, que Paulo se encontrou pela primeira vez com Jesus.

Começou essa nova viagem caído por terra e a partir daí nunca mais parou de percorrer o seu caminho com Cristo.

As viagens de Paulo foram funcionais na medida em que os seus trajetos derivam de um objetivo preciso. Fosse a Antioquia, a Éfeso, à Macedónia, Paulo era sempre conduzido pelo mesmo apelo. Cartografava as suas etapas a partir do projeto muito nítido de evangelização. Paulo viajava a partir de um sentido, de uma intencionalidade eclesial. Não era uma simples viagem. Era um estilo de vida e de destino. Paulo é o apóstolo do caminho, das viagens missionárias.

Paulo mostra que o caminho é missionário.

O caminho mostra que Paulo é imparável.

 

A importância das viagens:

Porque é que os homens se deslocam em vez de ficarem quietos? As viagens nunca são apenas exteriores. Não é simplesmente na cartografia do mundo que o homem viaja. Deslocar-se implica uma mudança de posição, uma maturação do olhar, uma abertura ao novo, uma adaptação a realidades e linguagens, um confronto, um diálogo tenso, ou deslumbrado que deixa necessariamente impressões muito fundas. A experiência da viagem é a experiência de fronteira e do aberto, de que o homem precisa para ser ele próprio. A viagem é uma etapa fundamental da descoberta e da construção de nós próprios e do mundo. É a nossa consciência que deambula, descobre cada detalhe do mundo e olha de novo como da primeira vez. A viagem é uma espécie de propulsor deste olhar novo.

Abraão é um viajante. Moisés descobre a sua vocação e missão como mandato de itinerância- Muitos dos profetas de Israel de Elias a Jonas vieram como exilados e banidos. Jesus não tinha onde reclinar a cabeça. Os seus discípulos são enviados para todas as partes da Terra. O termo latino peregrinatio formou-se de per ager, que significa através dos campos, ou de per eger para lá das fronteiras.

É uma maneira de alargar horizontes.

O crente não viaja, peregrina.

 

Ver também:

Paulo caiu por terra

Ler, viajar, escrever

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Pão, pedaço do Céu em mim


5ª feira – III semana da Páscoa

 

Disse Jesus:

Eu sou o pão da vida.

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu…

Quando recebo este pão,

recebo um pedaço do Céu

porque o Pão do Céu

desce para dentro de mim.

 

Na comunhão o Céu entra dentro de mim

para que um dia eu possa entrar no céu.

 

Ver também:

Lá no céu tem pão

 

Vocações que nunca passam


A crise de vocações 

e as vocações em crise.

No auge da crise dos abusos sexuais por parte da Igreja um colega sacerdote lamentou-se não ser esta a melhor ocasião para celebrar a semana de oração pelas vocações. Dizia:

- Como é que nós podemos ser credíveis ao apelar aos jovens para seguirem o chamamento ao sacerdócio se alguns padres não têm dado bom exemplo. Nesta paisagem ninguém quer ser sacerdote.

Com humildade respondi-lhe:

- Acredito que este é o melhor momento da história da Igreja para ser padre, porque é um momento em que há apenas uma razão para ser sacerdote ou para permanecer sacerdote – isto é, estar com Cristo. Não é por regalias ou aplausos ou respeito ou posição ou dinheiro ou qualquer outro ganho ou prestígio ou outra qualquer vantagem mundana. Essas coisas ou não existem mais ou estão passando rapidamente. O sacerdote de hoje é obrigado a escolher se quer entregar-se ao Cristo real, que abraçou a pobreza, incluindo a pobreza do lugar-comum, a rejeição. Se algum jovem sente hoje vocação para ser sacerdote e se predispõe a seguir esse chamamento, é porque sente-se livre de qualquer condicionamento pessoal, social ou eclesial. É porque quer centrar-se somente em Deus.

- E porque é que há tanta crise de vocações, porque que é que os seminários estão vazios e cada vez há menos sacerdotes no ativo?

- Há crise de vocações para sacerdotes porque há crise de vocações para a vida familiar, matrimonial ou para a vida cristã. As vocações particulares dos cristãos dentro da Igreja são interdependentes. Não podemos tentar resolver uma crise ou colapso numa vocação determinada enquanto se ignora as outras. As vocações sacerdotais dependem profundamente de famílias construídas sobre casamentos fortes e santos. A vida conjugal e a vida familiar dependem dos sacramentos e ministérios que só os padres podem oferecer. Tanto os sacerdotes como os leigos são sustentados pela oração e pelo testemunho dos religiosos e contemplativos.

É hora de parar de pensar na crise das vocações sacerdotais como se fosse separável da crise do matrimónio e da família cristã ou do colapso pós-conciliar das vocações religiosas das quais a Igreja, pelo menos no Ocidente, ainda não se recuperou. No corpo de Cristo, quando uma parte sofre, todas sofrem com ela. Há crise de vocações sacerdotais porque há crise de vocação familiar. Há crise de vocações matrimoniais porque há crise de vocação sacerdotal.

Centremo-nos em Deus e rezemos para que consigamos ultrapassar esta crise generalizada de vocações.

 

Ver também:

Guardião das vocações

 

terça-feira, 25 de abril de 2023

Segundo São Marcos


Festa de São Marcos, Evangelista

Evangelho de Nosso Senhor Cristo 

segundo São Marcos


Cada um dos evangelistas oferece uma perspetiva de Cristo à medida que são adaptados aos seus destinatários. são quatro maneiras de aprofundar o conhecimento do único Cristo, mas escritas com diferentes sensibilidades, em diferentes lugares e para serem lidas por diferentes pessoas.

Marcos escreveu em Roma e para os romanos, Mateus para uma comunidade com numerosos cristãos do judaísmo, Lucas para os gregos e João fez uma reflexão mais madura sobre o mistério de Cristo.

João Marcos nasceu em Jerusalém, era primo de Barnabé e companheiro dele e de Paulo na sua primeira viagem apostólica. Mais tarde, ele também acompanhou Pedro em suas viagens. O nome da sua mãe era Maria e a última ceia foi celebrada em sua casa, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos no dia de Pentecostes e a primeira comunidade cristã se reuniu.

Marcos é pintado com um leão, porque começa dizendo que Jesus jejuou no deserto e as feras lhe faziam companhia. Nos ícones coptas sempre colocam o famoso farol de Alexandria (cidade onde pregou e morreu) e outras referências ao seu país, como as pirâmides.

Sabemos que escreveu em Roma porque usa muitas palavras latinas e faz referências aos costumes e instituições romanas: censo, centurião, denário, quadrante (moeda que só era usada na cidade), legião, etc.

O Evangelho segundo Marcos é o mais antigo (escrito por volta do ano 60) e o mais curto dos quatro (16 capítulos). Desde a primeira linha, Marcos é claro quanto ao seu objetivo: "Princípio da Boa Nova de que é Jesus, de que é o Messias, de que é o Filho de Deus" (Mc 1,1). Propõe-se falar de Jesus a partir das suas memórias e das de Pedro, para transmitir a sua fé aos outros cristãos de Roma: Jesus é o Messias (salvador prometido a Israel pelos profetas) e é o Filho de Deus (do único Deus, criador de tudo e salvador de tudo) e esta é a Boa Nova (Evangelho).

Toda a primeira parte do Evangelho é marcada pela pergunta contínua que as pessoas se fazem: “Quem é este?”, que perdoa os pecados, que fala com autoridade, que manda no vento e no mar, que vence o demónio…

Exatamente no meio, encontramos que é Jesus quem pergunta aos discípulos: "Quem dizem as pessoas que eu sou?" Dada a diversidade de respostas, pergunta-lhes diretamente: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Pedro dará uma primeira resposta, comprometedora, embora ainda incompleta: "Tu és o Messias" (Mc 8, 29).

Pedro reconhece Jesus como o prometido pelos profetas, o enviado de Deus para salvar Israel. O problema é que os judeus esperavam um messias triunfante, que reinaria e triunfaria sobre os inimigos de Israel, estabelecendo um poderoso reino político e governando outros povos, como Davi.

Jesus, pelo contrário, é o messias, "Servo de Javé" que, como anunciou Isaías, salvará o povo dos seus pecados através do seu sofrimento e da sua morte. É por isso que Jesus, sempre que faz um milagre, pede que não contem a ninguém. É o chamado “segredo messiânico”.

Depois de Pedro confessar que Ele é o messias, Jesus anuncia-lhes o projeto de Deus, com o primeiro anúncio de sua paixão e morte na cruz. A partir daí começa a sua viagem final para Jerusalém, onde se manifestará plenamente a vontade de Deus e onde também se revelará a identidade de Jesus, quando o centurião romano confessa, ao vê-lo morrer: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus”. (Cf. blog do Pe. Eduardo Sanz de Miguel)

 

Ver também:

Marcos, o Evangelista

 

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Os meus livros preferidos


Ontem celebrou-se o dia mundial do livro.

Quais os meus livros preferidos?

Foram escritos por 4 escritores diferentes, mas sobre o mesmo tema:

- Um era cobrador de impostos.

- Outro era repórter.

- Este era médico.

- Aqueloutro era pescador numa empresa familiar.

Datas em que escreveram e seus nomes:

- Mateus, entre os anos 60-70 em aramaico e depois traduzido para grego.

- Marcos entre 53-63.

- Lucas a partir de 63.

- João ano 100.

Destinatários dos seus escritos:

- Mateus escreveu para os judeus.

- Marcos para romanos.

- Lucas para gregos.

- João escreveu para todos os cristãos.

Características principais destes escritores e das suas obras:

Mateus – era publicano, cobrador de impostos. (fala de 3 moedas do mais alto valor enquanto marcos fala de moedas de baixo valor, as mais pequenas. Mateus habituado a lidar com dinheiro, refere-se a tributo, moeda de dinheiro, talento, ouro, prata e cobre que não aparecem nos noutros evangelistas.)

Lucas – era médico, de formação grega. Usa termos médicos e história de curas. A palavra mulher aparece em Lucas 43 vezes enquanto em Mateus 30 e em Marcos 19. Palavra pecado aparece em Mateus 5 vezes, Marcos 5, João 4 e em Lucas 16 vezes. Lucas sendo médico, portanto hábil em obstétrica, aquele que de um ponto de vista natural e de formação poderia presumivelmente o último a convencer-se de uma Virgem ser Mãe, contudo é o único a evocar o facto.

Marcos – Filho de uma mulher abastada perto de Jerusalém. Era repórter. Próximo de São Pedro em tudo a quem Pedro chamava filho, (o jovem que fugiu nu no monte das Oliveiras). Refere muitas informações que só Pedro dizia respeito ou sabia, (dormir no Jardim das Oliveiras, 3 vezes amas-me, a sogra de Pedro,

João – sua mãe Salomé era parente de Maria da Nazaré. Impetuoso e nada afetuoso… quem era o maior, fogo para queimar…. Ciúmes, filhos do trovão. 

Os meus livros preferidos são os quatro evangelhos.

Os meus escritores preferidos são portanto os quatro evangelistas.

 

Quais os meus leitores preferidos?

Há 3 personagens que nunca leem um livro sozinhos:

Um é o professor, que ao ler um livro, os seus alunos beneficiam ainda mais do que se eles próprios o tivessem lido. 

Outro é o médico ao ler um livro, ao estudar um novo livro, faz com que todos os seus doentes beneficiem ainda mais do que se eles próprios tivessem lido ou estudo pelo mesmo livro. 

Aqueloutro é o sacerdote. Quando lê um livro, todos os seus dirigidos ou ouvintes, sem saberem ficam tal como se tivessem lido o mesmo livro.

Estas três pessoas são assim os melhores leitores de qualquer livro.

Eu tenho uma dupla sorte - todos os livros que escrevi foram lidos por um professor e por um padre, que por coincidência eram a mesma pessoa (autor, professor e padre).


Qual o melhor livro para ser escrito?

A vida é como um livro. 

Cada dia uma página nova. 

Cada hora uma vírgula. 

Mas nem o lápis pode escrever o futuro nem a borracha apagar o passado. 

E chega um momento em que Deus nos tira o lápis e escreve FIM.

É este o livro que cada um deve escrever, mesmo se for analfabeto.