quinta-feira, 9 de março de 2023

Nem pobres nem ricos


6ª feira – II semana da quaresma


Parábola do pobre Lázaro e do rico epulão


Quero ter um coração de ouro

mas não quero ouro no coração


Por que é que Jesus contou esta parábola?

O que é que Jesus queria ensinar com esta parábola?

 

Com esta parábola Jesus não quer dizer que os ricos, por serem ricos, necessariamente se condenam por serem necessariamente maus.

Também não quer dizer que os pobres, pelo facto de serem pobres, irão sem falta para o céu, para lá gozarem do que aqui tiveram necessidade.

 

Jesus põe a resposta a estas perguntas nas palavras proferidas por Abraão:

- Se os da tua casa não escutam a Moisés nem os Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos.

 

Isto significa que não foi tanto a riqueza quanto a incredulidade (não acreditar) o que condenou aquela família de ricos.

Tudo isto serve não para condenar as riquezas, mas para lembrar que deixamos de ouvir e de acreditar em Deus quando pomos o coração nas nos bens da terra ou pomos as nossas riquezas no nosso coração.

O problema não é ter posses, o problema é ter o coração tão duro porque cheio de riquezas materiais, tão duro que nem a vista dum morto ressuscitado o faz crer em Deus.

 

Se somos pobres de bens, que nos façamos ricos de coração e de virtudes.

Se nesta terra temos muitas riquezas que tenhamos a graça de aspirarmos aos bens eternos.

Que nem a pobreza nem a riqueza endureçam o nosso coração para que possamos acreditar e encher-nos de Deus.

O problema das riquezas deste mundo é que para além de encherem os nossos bolsos (ficamos mais pesados) enchem também os nossos olhos (e não vemos mais nada nem mais ninguém) e sobretudo porque enchem o nosso coração e não queremos mais nada, nem mesmo a graça de Deus.

Às vezes por causa de uns bens, perdemos o maior bem que temos que é a graça de Deus.

Outras vezes por causa de alguma riqueza estragamos a maior riqueza que temos que é o nosso coração.

Também por causa de algumas preocupações ou por alguns valores, deitamos a perder o bem maior que temos que é amar a Deus e ao próximo.

Sejamos nem ricos nem pobres, mas crentes e confiantes.

 

Jesus contou esta parábola para nos falar do coração.


Ver também:

O pecado da indiferença


À margem:

Razões por que é tão difícil um rico ir para o céu:

1. Os ricos não sentem necessidade de uma vida melhor.

2. Os ricos são independentes demais.

3. Os ricos são tentados demais.

4. Os ricos podem ajudar mais e por isso serão mais cobrados.

5. Os ricos são distraídos demais.

6. Os ricos são ocupados demais.

7. Os ricos têm muito que abrir mão.



quarta-feira, 8 de março de 2023

As cinco ilusões de Salomé


4ª feira – II semana da quaresma

Salomé, esposa de Zebedeu e mãe de Tiago e de João, aproximou-se de Jesus e fez-lhe um pedido – ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino um à tua direita e outro à tua esquerda.

Este pedido está carregado de ilusões ou de equívocos. De facto, ela não sabia o que estava a pedir, como respondeu Jesus.

Confirmemos:

1 - Ordena – Equivocava-se Salomé ao pedir que Jesus ordenasse. De facto, Jesus não impõe, não manda nem ordena, mas apenas propõe, convida.

2 - Que estes meus dois filhos – Enganava-se Salomé a si mesma, pois, parecia que pedia para os outros (filhos), mas afinal estava a pedir para si própria, para o seu orgulho (meus).

3 - Se sentem – Confundia-se Salomé, pois, os discípulos de Jesus foram convidados não para se sentarem, mas para seguirem o Mestre. Sentar-se era negar o próprio seguimento.

4 - No teu reino – Iludia-se Salomé, pois, o reino de Jesus não é deste mundo, não é daqui.

5 - Um à tua direita e outro à tua esquerda – Deturpava a realidade, pois, isso só pertence a Deus Pai escolher. Devia cumprir a vontade de Deus e não a sua própria vontade.

 

Afinal, estas ilusões são também as tentações de cada um de nós ainda hoje:

1 - Quando exigimos algo de Deus (ordena).

2 - Quando só pensamos em nós, com egoísmo e orgulho (meus).

3 - Quando não queremos progredir, mas apenas parar ou estacionar por comodismo (sentar-se).

4 - Quando só pensamos nas coisas deste mundo (no reino daqui)

5 - Quando queremos que Deus faça a nossa vontade em vez de cumprirmos a Sua vontade (à direita e à esquerda como eu quero).

 

Ver também:

O sonho de qualquer mãe

 

terça-feira, 7 de março de 2023

O nosso irmão mestre


3ª feira – II semana da quaresma

Somos todos irmãos porque nascidos do mesmo pai e da mesma mãe.

Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja como mãe.

Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver o próximo como irmão.

 

Exemplo dos Romeiros

Eles cumprem a página do Evangelho que nos aconselha a não chamar a ninguém mestre.

De facto, eles dizem Irmão Mestre, Irmão Padre, Irmão Romeiro.

São todos irmãos, embora com responsabilidades diferenciadas.

 

O exemplo dos frades e das freiras

A ninguém chameis pai.

A ninguém chameis mestre.

A ninguém chameis doutor

Porquê?

Não é apenas para evitar manias de grandeza, de superioridade ou de orgulho.

Não é apenas para promover a humildade.

Mas para afirmar a verdade, a unidade e a igualdade, através da fraternidade, da aprendizagem ed a obediência ou o serviço.

A ninguém chameis pai porque na verdade todos devem ser irmãos.

A ninguém chameis mestre porque na verdade todos têm algo a aprender

A ninguém chameis doutor porque na verdade todos precisam de obedecer.

É a maneira de Jesus nos dizer que devemos ser agora e sempre todos irmãos, aprendizes e servos obedientes.

 

O exemplo dos judeus

Os judeus chamam aos mestres – alunos sábios

 

O exemplo dos japoneses

Chamam aos mestres – sensei, isto é, aquele que nasceu antes (por isso sabe mais)

 

O exemplo dos angolanos

Chamam aos sábios de mais velhos e chamam aos mais velhos de sábios porque têm mais experiência e por isso mais sabedoria.

 

Ver também:

Agora e sempre irmãos

 

À margem:

Sl 133 - O salmo da fraternidade

 

Oh! Como é bom e agradável *

viverem os irmãos em harmonia!

 

É como óleo precioso *

derramado sobre a cabeça,

A escorrer pela barba de Aarão, *

a escorrer até à orla do seu manto.

 

É como o orvalho do Hermon, *

que desce pelos montes de Sião:

dali envia o senhor a sua Bênção, *

a vida para todo o sempre.

 

(Santo Agostinho diz que este salmo é tão doce como a caridade que faz com que os irmãos vivam em harmonia. Foram as suas palavras que deram origem aos mosteiros. À sua voz se animaram os irmãos que desejavam viver unidos.)

 

segunda-feira, 6 de março de 2023

Pequena grande pregação


2ª feira – II semana da quaresma

Jesus aconselha a não usar muitas palavras na oração e por isso ensinou-nos a rezar o Pai Nosso.

Hoje, o mesmo Jesus dá o exemplo de como deve ser a nossa pregação.

As suas pregações eram breves, com poucas palavras e que tocavam o coração dos ouvintes.

Eram palavras diretas, breves e simples que não precisavam de explicações porque todas eram capazes de entender.

Na pregação de hoje Jesus ensinou apenas com quatro palavras:

- Não julgar

- Não condenar

- Dar

- Ser misericordioso

 

Para falar com quem for bastam poucas palavras.

Assim falamos com Deus e assim falamos com o nosso irmão.

É preciso falar com Deus como falamos com o nosso semelhante, e é preciso falar com o nosso irmão como falamos com Deus.

Bastam poucas palavras, mas sinceras e vindas do coração.

 

Ver também:

Non Stop

 

domingo, 5 de março de 2023

Primeira romaria quaresmal


Ano A- II domingo da quaresma

Na primeira leitura Abraão é a prefigura de um romeiro que sai da sua casa, sai da sua terra e vai pelos caminhos do mundo guiado pela fé e esperança, movido pelo amor Àquele que o chamou e enviou.

Na página do evangelho assistimos à primeira romaria quaresmal com a subido ao Monte Tabor. Jesus vai à frente, como em qualquer romaria. Seguem-no Pedro, Tiago e João que representam respetivamente a comunidade dos crentes, a comunidade dos triunfantes e a comunidade dos adoradores. Fazem uma ascese, elevam o nível do seu esforço. Ouvem o Evangelho (Jesus), os profetas (Elias) e a Lei (Moisés). Deixam envolver-se no mistério de Deus e ficam diferentes porque melhores e melhores porque diferentes. Jesus apresenta-se tal como é, desde o princípio – o Filho de Deus, glorioso e resplandecente. E os discípulos voltam com novos olhos. Depois desta escalada quaresmal ao Monte Tabor cada um regressa com uma nova e melhor versão de si mesmos. Todos ficaram transfigurados.

 

Também os irmãos romeiros depois de uma romaria voltam com uma melhor visão de Jesus Cristo. Regressam também com os olhos purificados e com uma nova visão de si mesmos, da sua história, do seu futuro, da sua família e da sua comunidade.

Só assim vale a pena fazer uma romaria quaresmal, só assim vale a pena passar pelo caminho quaresmal.

 

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2023

Ascese quaresmal, itinerário sinodal

O evangelho da Transfiguração é proclamado, cada ano, no II domingo da Quaresma. Realmente, neste tempo litúrgico, o Senhor toma-nos consigo e conduz-nos à parte. Na quaresma somos convidados a subir a um alto monte juntamente com Jesus, para viver com o Povo santo de Deus uma particular experiência de ascese.

À semelhança da subida de Jesus e dos discípulos ao Monte Tabor, podemos dizer que o nosso caminho quaresmal é sinodal, porque percorremos juntos pelo mesmo caminho, discípulos do único Mestre…

O caminho ascético quaresmal e, de modo semelhante, o sinodal, têm como meta uma transfiguração, pessoal e eclesial.

O retiro quaresmal não é um fim em si mesmo, mas prepara-nos para viver, com fé, esperança e amor, a paixão e a cruz, a fim de chegarmos à ressurreição.

 

Ver também:

Como as estrelas do céu


sexta-feira, 3 de março de 2023

A melhor oferta é a PAZ


6ª feira – I semana da quaresma

Qual é palavra, qual é ela que tem três letrinhas apenas, Palavra que vai de A a Z?

E a palavra PAZ.

Podemos resumir a mensagem de Jesus no trecho do evangelho de hoje nesta palavra PAZ.

A oferta de paz ou a paz da oferta.

Se fores apresentar uma oferta ao altar e aí te lembrares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e só depois vai apresentar a tua oferta.

Porquê?

Porque o melhor da oferta é um coração de paz.

Podemos oferecer um grande ou pequena oferta, mais valioso ou mais simples, com valor efetivo ou afetivo, o que faz que seja uma oferta digna é ser dado por um coração em paz.

A paz no coração e o que valoriza uma oferta, é o que faz que uma oferta seja sincera e digna.

E essa paz vem do perdão, porque só perdão devolve a paz a quem perdoa e a quem é perdoado.

 

Jesus lembra-nos: - Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz.

Não é a gente quem a faz!

É sempre Jesus quem no-la dá.

A paz é o grande presente de Jesus, diariamente.

A paz é a grande oferta por excelência.

 

A paz é também a nossa melhor oferta que temos para Deus e para os irmãos. Sem ela deixa de haver qualquer dádiva.

E tudo começa com a paz no coração.

 

Ver também:

Reconciliar-se com quem

Lições da Paz de Cristo

 

domingo, 26 de fevereiro de 2023

À volta das tentações


Ano A – I domingo da quaresma

1 - As mesmas tentações de sempre

As três tentações que 1 João 2 descreve (concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida) estão contidas na tríplice tentação sobre a árvore do jardim pela serpente ao nosso Primeiros Pais (o fruto era bom de comer, a árvore era bonita e conhecimento divino). O primeiro Adão caiu no jardim. O novo Adão foi vitorioso no anti-jardim, deserto. A tentação tripla do jardim foi repetida pelo Diabo e Cristo os venceu em Sua natureza humana, bem como em Sua divina (para a qual não havia tentação possível).

Luxúria da carne – o fruto era bom para comer – transforma essas pedras em pão

Luxúria dos olhos – a árvore parecia boa – eu te darei tudo isto se me adorares

Luxúria da vida – conhecimento divino – atira-te daqui abaixo e todos ficarão maravilhados contigo

A Quaresma é o nosso tempo de oração, jejum e esmola, que trabalham contra essas três tentações primordiais.

 

2 – Como vencer as tentações

Primeira tentação consiste em fazer da satisfação das necessidades materiais o objetivo absoluto da nossa vida – vence-se esta tentação através do jejum, dizendo não ao pão do corpo para dizermos sim ao pão do Espírito.

A segunda tentação consiste em buscar o poder, o êxito ou o triunfo pessoal, por cima de tudo e a qualquer preço – vence-se esta tentação pensando nos outros em vez de se colocar no centro do mundo. A caridade e a esmola ajuda-nos a pensar não primeiro em nós, mas nos outros.

A terceira tentação consiste em procurar resolver o problema último da vida, sem riscos, lutas ou esforços, usando Deus de maneira mágica e egoísta, ou seja, obter tudo de Deus sem fazer nada por merecer. Vence-se esta tentação através da oração, do diálogo com Deus.

 

3 – Combater na terra e descansar no céu.

A quaresma não é tempo para festejar, mas para reconstruir, edificar, reparar e remodelar a nossa vida. É tempo de reformas e de fazer a manutenção necessária.

Primeiro temos de transpirar para depois festejar.

 

4 – Lição do rio Amazonas

O pecado, o desleixo ou a tentação é como o rio Amazonas, o maior rio do planeta Terra. Começa fraquinho, mas depois vai se avolumando até tornar-se gigantesco. No princípio uma criança pode brincar em suas águas. Depois nem o mais perito nadador consegue atravessá-lo a nado. A Bíblia diz que um abismo chama outro abismo. No início o rio é um fiozinho de água que se pode estancar com a ponta do dedo. Se não o fizermos, vai-se avolumando de modo que tomará conta de nós. Estanquemos o mal enquanto é pequenino.

 

4 – Ver também:

Tentações e remédios

 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Saída dos Romeiros


Sábado depois das cinzas

 

Hoje vários ranchos de romeiros iniciaram a sua romaria penitencial ou a sua caminhada quaresmal, de oito dias à volta da Ilha de São Miguel, Açores. Por coincidência o trecho do Evangelho para a missa de hoje tem tudo a ver com essa experiência.

Jesus passou, viu Levi e chamou-o dizendo – segue-me.

Levi deixou tudo, levantou-se e seguiu Jesus…

Também somos convidados a seguir Jesus, deixamos por uma semana o nosso trabalho, a nossa família para seguir Jesus.

De facto, os romeiros seguem a Cristo, num caminho penitencial.

Quem é o primeiro da frente numa romaria?

Não é o romeiro mais novo, é o romeiro mais velho, é o primeiro romeiro. De facto, uma criança, a mais nova, vai à frente levando ao peito uma cruz de palmo e meio. Assim, o primeiro de todos é Cristo na cruz. É o crucificado que nos diz – sigam-me. Sigam-me com as vossas cruzes, com as vossas dificuldades, com os vossos sonhos e projetos e eu vos guiarei e orientarei.

 

Ser irmão romeiro é reescrever esta página do Evangelho, é experimentar uma vez mais o que aconteceu com Levi há dois mil anos.

 

Ver também:

O olhar que mais valoriza

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Festa é festa, jejum é jejum


6ª feira depois das cinzas

1º - Festa é festa, jejum é jejum

O projeto ou o Reino de Jesus não é jejum, mas celebração de bodas ou uma festa.

Pode haver jejum numa festa de casamento?

Festa é festa e jejum é jejum.

Não pode haver misturas, não pode haver festas com jejum nem jejum em dia de festa.

 

2º - Jejum do pecado

Queres que te mostre que jejum deves praticar? Jejua do pecado, não tomes qualquer alimento de maldade, não aceites refeições de volúpia, não te aqueças com o vinho da luxúria.

Jejua das más ações, abstém-te de palavras invejosas, guarda-te de maus pensamentos. Não toques em pães roubados de uma doutrina perversa. Não desejes os alimentos enganadores da filosofia, que te afastam da verdade. É esse o jejum que agrada a Deus.

Ao dizer isto, não quero aconselhar-te a relaxares as rédeas da abstinência cristã, visto que temos os dias da quaresma que são consagrados aos jejuns, para além do quarto e do sexto dias da semana, em que jejuamos, de acordo com o costume estabelecido; e o cristão é livre de jejuar em qualquer momento, não por escrúpulo de observância, mas por virtude de continência.

Pois como havemos de guardar a castidade, se ela não estiver sustentada no rigoroso apoio da abstinência? Como havemos de nos entregar às Escrituras, como havemos de nos aplicar à ciência e à sabedoria? Não será pela continência do ventre e da garganta?

Eis um bom motivo para os cristãos jejuarem. Mas há outro, também ele religioso, cujo elogio é feito nos escritos dos apóstolos. Com efeito, encontramos a seguinte afirmação numa carta: «Feliz o que jejua também para alimentar o pobre»: o seu jejum é muito agradável a Deus e, na verdade, é extremamente digno, pois imita Aquele que deu a vida pelos seus irmãos. (Cf. Orígenes (185-253) in Homilia sobre o Levítico)

 

3º - Jejuar de comida e não só

A honra do jejum não consiste apenas na abstinência da comida, mas também em evitar as ações pecaminosas; quem limita o seu jejum apenas à abstinência de carnes desonra-o. Praticas o jejum? Prova-me através das tuas obras! Perguntas que tipo de obras?

Se vires um inimigo, reconcilia-te com ele! Se vires um amigo tendo sucesso, não o invejes! Se vires uma mulher bonita, passa por ela sem olhar!

Que não apenas a boca jejue, mas também os olhos, e os ouvidos, e os pés, e as mãos, e todos os membros dos nossos corpos.

Que as mãos jejuem sendo puras da avareza e da rapina. Que os pés jejuem, deixando de caminhar para espetáculos imorais. Que os olhos jejuem, não se detendo sobre feições belas ou ocupando de belezas exóticas.

Pois o que é visto é a comida dos olhos, mas se o que for visto for imoral ou proibido, macula-se o jejum e perturba-se toda a segurança da alma. Mas se for moral e seguro, o que é visto adorna o jejum.

Pois seria absurdo abster-se da comida permitida por causa do jejum, mas devem os olhos abster-se até de tocar o que é proibido. Não comes carne? Então não te alimentes da luxúria através dos olhos.

Que também os ouvidos jejuem. O jejum dos ouvidos consiste em recusar-se a ouvir assuntos perversos e calúnias. Não receberás notícias falsas.

Que a boca também jejue de dizer coisas vergonhosas e de fazer reclamações. Pois, o que ganhas se te absténs de pássaros e peixes, e mesmo assim mordes e devoras o teu próximo? O que usa da má-língua come a carne do seu irmão e morde o corpo do seu próximo. (Cf. São João Crisóstomo)

 

4º - A grandeza do homem que jejua

Um monge aconselhava às mulheres que queriam casar: Case com um homem capaz de jejuar:

A qualquer mulher que deseje se casar, o meu conselho é: case-se com um homem capaz de jejuar”, dizia um monge beneditino. Eis uma exigência interessante na hora de procurar um esposo. A princípio, poderíamos julgar que, certamente, qualquer um pode jejuar. Mas há jejuns e jejuns.

O jejum geralmente se refere à renúncia de alimentos, mas pode referir-se também a dizer “não” a outras coisas; por exemplo, alguém pode fazer jejum de redes sociais. Qualquer tipo de jejum é um “não” que se diz. Todavia, é sempre um “não” por alguma razão; podemos dizer que se trata de um “não” enraizado num “sim”.

Tradicionalmente, existem várias razões pelas quais os cristãos jejuam. Duas delas se destacam por estar obviamente ligadas uma à outra e firmemente enraizadas na experiência humana. O jejum pode refrear o desejo pelas coisas inferiores, e pode elevar a mente às coisas superiores. Esta última razão, que confere especial importância à primeira, deve nos fazer pensar. Claramente, nem todo o jejum eleva a mente às coisas mais elevadas.

Um homem capaz de jejuar é um homem capaz de ver e de amar.

 

5º - Ver também

Decálogo do jejum

Jejum ou dieta digital

Deus em 1º lugar

 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Semáforos dos discípulos


5ª feira depois das cinzas

Sinal vermelho – parar e dizer não a si mesmo

Sinal amarelo – tomar a sua cruz com cuidado

Sinal verde – seguir em frente atrás de Jesus

 

Outros sinais de trânsito do Evangelho

Sentido obrigatório – ter caridade para com todos

Estacionamento proibido – levantar-se depois da queda

Sinal STOP – parar de pecar

Estreitamento de estrada – entrai pela porta estreita do Reino

Sentido único – pegar no arado e não olhar para trás

Perda prioridade – amar a Deus sobre todas as coisas

Trânsito em dois sentidos – procurai e encontrareis

 

Ver também:

Sem cruz não há salvação

 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Qual o segredo da quaresma


4ª feira de Cinzas

 


Qual o segredo da oração?

O segredo da oração

é orar em segredo.

 

Qual o segredo do jejum?

O segredo do jejum

é jejuar em segredo.

 

Qual o segredo da escola?

O segredo da esmola

é dar esmola em segredo.

 

Qual o segredo da quaresma?

O segredo da quaresma é o segredo

pois o bem não faz barulho

e o barulho não faz bem.

 

À margem:

A quaresma é um retiro

 

O que é um retiro?

Um retiro é um exercício espiritual.

 

O que é e como se faz um retiro?

Faz-se um retiro como se escreve:

 

R de Recolhimento

E de Escuta

T de Transformação

I  de  Igreja

R de Reflexão

O de Oração

 

Façamos da nossa quaresma um retiro

assim escrito, assim vivido.

 

Ver também:

A vida na quaresma