terça-feira, 4 de abril de 2023

Via Sacra (23)


Via-sacra da ORAÇÃO

e a ORAÇÃO da via-sacra

Jesus não parou de rezar no caminho do Calvário e no alto da cruz. Com ele aprendamos a rezar a via-sacra.

 

I Estação – Jesus é condenado à morte

Rezar é colocar-se nas mãos de Deus

 

LEITURA – Lucas 23,1-5

Levaram Jesus a Pilatos e começaram a acusá-lo, dizendo: “Encontrámos este homem a sublevar o nosso povo, a impedir que se pagasse o tributo a César e dizendo ser o Messias-Rei”. Pilatos perguntou a Jesus: “Tu és o Rei dos Judeus?”. Jesus respondeu: “Tu o dizes”. Pilatos disse aos príncipes dos sacerdotes e à multidão: “Não encontro nada de culpável neste homem”. Mas eles insistiam: “Amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui.”

 

ORAÇÃO

Senhor Jesus, homem inocente,

Tu foste julgado e não quiseste defender-te.

Tu, que não vieste para condenar, foste condenado.

Enche a nossa vida de inocência e paciência.

Dá-nos um coração compreensivo e compassivo.

 

CONCLUSÃO

Que a oração seja a nossa entrega nas mãos de Deus

para que Deus seja o nosso defensor e juiz misericordioso.

Ámen

 

II Estação – Jesus carrega com a cruz

Rezar é ir em frente, é avançar ao encontro de Deus.

 

LEITURA – João 19,16-17

Pilatos entregou-lhes então Jesus, para ser crucificado. E eles apoderaram-se de Jesus. Levando a cruz, Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário, que em hebraico se diz Gólgota.

 

ORAÇÃO

Senhor, carregaste o peso do mundo.

Quiseste tomar parte no peso de todos os homens.

Querias aliviar o peso dos ombros de todos aqueles

que carregam fardos insuportáveis.

Dá-nos também forças para levar a nossa cruz.

Dá-nos forças para ajudar os outros.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração seja sempre um caminho para Deus

e que o nosso caminho seja sempre uma oração.

Ámen.

 

III Estação – Jesus cai pela primeira vez

Rezar é levantar-se.

 

LEITURA – Marcos 8,34

Jesus chamou a multidão com os seus discípulos e disse-lhes: Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

 

ORAÇÃO

Senhor, tinhas sido flagelado

e tinhas uma coroa de espinhos na cabeça.

Sobre ti caía o peso do mundo.

Era algo superior às tuas forças – que eram muitas – e caíste por terra.

Senhor, deixa-me levantar-te.

Mas tu continuas a cair em muitos irmãos nossos.

Quero ajudá-los, para que possam levantar-se.

CONCLUSÃO

Que a nossa oração nos eleve até Deus

e que nos elevemos uns aos outros através da oração.

Ámen.

 

IV Estação – Jesus encontra-se com a sua mãe

Rezar é consolar e ser consolado.

 

LEITURA – Lamentações 1,12.16

Vós todos que passais pelo caminho, olhai e vede se há dor semelhante à minha dor, que tanto me atormenta: porque o Senhor me feriu no dia da sua cólera. Por isso, eu choro e desfazem-se em lágrimas os meus olhos; o inimigo triunfou e eu perdi os meus filhos.

 

ORAÇÃO

Senhor, a tua mãe não te abandonou.

Era uma mulher forte e cheia de compaixão,

sempre unida a ti.

O Pai pode ter-te “abandonado”, mas a mãe não.

Sem ela, ias sentir-te sozinho.

Que a mãe continue a estar próxima

de todos os que carregam o peso da cruz

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração nos una com quem mais amou a Deus

e a quem Deus mais amou,

a Virgem Maria, sua e nossa mãe.

Ámen.

 

V Estação – Jesus é ajudado pelo Cireneu

Rezar é pedir ajuda e ajudar.

 

LEITURA – Lucas 23,26

Quando O conduziam, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para a levar atrás de Jesus.

ORAÇÃO

Senhor, Tu quiseste carregar as nossas cruzes pesadas.

Talvez não tenhas medido bem as forças.

És um Deus fraco e é por isso que ainda te amamos mais.

És um Messias humilde e deixas-te ajudar.

Eu também quero ajudar-te como Simão de Cirene.

Quero ajudar os meus irmãos a carregar a sua cruz.

Sê tu, Senhor, para todos nós o nosso melhor Cireneu.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração seja solidariedade e comunhão

e que a nossa ajuda seja abençoada pela oração.

Ámen.

 

VI Estação – Jesus encontra-se com a Verónica

Rezar é contemplar o rosto misericordioso de Deus.

 

LEITURA – Isaías 53,1-7

O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspeto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós. Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca.

 

ORAÇÃO

Senhor, ajuda-nos a ser como esta mulher delicada e corajosa,

capazes de enxugar o teu rosto com o lenço

da nossa proximidade e da nossa ternura,

capazes de fazer a nossa opção pelos que mais sofrem,

ultrapassando preconceitos e barreiras injustas.

Grava também no nosso interior a imagem viva do teu rosto.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração nos torne misericordiosos

como é misericordioso o nosso Pai do Céu.

Ámen.

 

VII Estação – Jesus cai pela segunda vez

Rezar é erguer o coração.

 

LEITURA – João 12,24

Naquele tempo, disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto.”

 

ORAÇÃO

Senhor, caíste de novo,

porque a tua fraqueza é extrema.

Mas beijas de novo a terra e levantas-te.

Tens que continuar até ao fim o caminho marcado.

Beija também todos os que estão caídos,

beija a nossa miséria, quando caímos,

e dá-nos força para nos levantarmos.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração seja o erguer os olhos para o alto,

donde nos vem o auxílio e a salvação.

Ámen

 

VIII Estação – Jesus encontra-se com as mulheres de Jerusalém

Rezar é criar comunidade.

 

LEITURA – Lucas 23,27-31

Seguia Jesus uma grande multidão de povo e mulheres que batiam no peito e se lamentavam, chorando por Ele. Mas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: “Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; pois dias virão em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram’. Começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós’; e às colinas: ‘Cobri-nos’. Porque, se tratam assim a madeira verde, que acontecerá à seca?”.

 

ORAÇÃO

Senhor, tu choraste por Jerusalém;

agora são as filhas de Jerusalém que choram por ti.

As suas lágrimas são a melhor oferta

destas mulheres cheias de compaixão.

Dá-nos a graça de chorar com os que choram,

de estar próximos de quem sofre.

Que não sejamos lenha seca,

nem deixemos secar o nosso coração.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração faça a nossa comunidade

e que a nossa comunidade se faça oração.

Ámen.

 

 

IX Estação – Jesus cai pela terceira vez

Rezar é receber força de Deus.

 

LEITURA – 1 Pedro 2,20b-25

Caríssimos: Se vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência, isto é uma graça aos olhos de Deus. Para isto é que fostes chamados, porque Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira. Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, sobre o madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.

 

ORAÇÃO

Senhor, cais pela terceira vez, sinal da máxima fraqueza.

És o mais formoso grão de trigo que cai à terra.

Não nos admiramos de caíres três vezes,

mas de encontrares forças para te levantares outras tantas.

Pelas tuas quedas, perdoa, Senhor, as nossas quedas.

Diz-nos para nos levantarmos e ajuda-nos a levantar-nos,

para que, deste modo, aprendamos a compreender

e ajudar aqueles que caem.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa força seja a nossa oração

e que a nossa oração seja força para todos.

Ámen.

 

X Estação – Jesus é despojado das vestes

Rezar é revestir-se da graça divina.

 

LEITURA – João 19,23-24

Quando crucificaram Jesus, os soldados tomaram as suas vestes, das quais fizeram quatro lotes, um para cada soldado, e ficaram também com a túnica. A túnica não tinha costura: era tecida de alto a baixo como um todo. Disseram uns aos outros: “Não a rasguemos, mas lancemos sortes, para ver de quem será”. Assim se cumpria a Escritura: “Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica”. Foi o que fizeram os soldados.»

 

ORAÇÃO

Senhor, primeiro foste tu que te despojaste.

Agora foram os soldados que te despojaram

do pouco que te restava.

És o pobre do Senhor.

Que também nós saibamos despojar-nos

das muitas coisas que nos sobram.

Que saibamos pedir perdão,

se, por acaso, despojámos alguém dos seus bens,

do seu prestígio ou da sua dignidade.

E que saibamos denunciar os muitos despojos

de que ainda hoje és vítima.

CONCLUSÃO

Que a nossa oração seja reflexo de um coração puro

e que o coração puro seja imagem da nossa oração.

Ámen.

 

XI Estação – Jesus é crucificado

Rezar é abraçar o céu e a terra

 

LEITURA – Marcos 15,25-27

Eram nove horas da manhã quando crucificaram Jesus. O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito: “Rei dos Judeus”. Crucificaram com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda.

 

ORAÇÃO

Estás na cruz, ó Cristo amado,

dor viva, oração em lágrimas, paciência de tremores,

perdão que sangra, generosidade sem limites.

Ensina-nos estas dramáticas lições da tua cruz,

ensina-nos a rezar na noite escura,

a sofrer perdoando, a esperar mesmo no vazio,

a entregar-nos até ao sangue.

E ensina-nos a amar na cruz de cada dia.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração seja uma escada para o céu

e uma ponte para os nossos irmãos.

Ámen.

 

XII Estação – Jesus morre na cruz

Rezar é entregar-se ou abandonar-se nas mãos Deus

 

LEITURA – Lucas 23,44-46

Era já quase meio-dia, quando as trevas cobriram toda a terra, até às três horas da tarde, porque o sol se tinha eclipsado. O véu do templo rasgou-se ao meio. E Jesus exclamou com voz forte: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Dito isto, expirou.

 

ORAÇÃO

Nessa cruz espantosa,

tu és, Senhor, uma fogueira acesa,

um livro aberto, uma bandeira de salvação.

Salva-nos, pela tua cruz, salva todos os homens.

Que aqui aprendamos a amar-nos

e a entregar-nos até ao fim.

Jesus inclina a cabeça e morre,

mas não morre o Amor, que é o mais forte:

a Vida triunfa sobre toda a morte,

o Amor brilha com toda a sua beleza.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração seja a entrega da nossa vida

e que a nossa vida seja uma oração permanente.

Ámen.

 

XIII Estação – Jesus é descido da cruz

Rezar é acolher Deus nas nossas mãos.

 

LEITURA – Lucas 23,44-46

Ao cair da tarde – visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado – José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, foi corajosamente à presença de Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos ficou admirado de Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se Jesus já tinha morrido. Informado pelo centurião, ordenou que o corpo fosse entregue a José. José comprou um lençol, desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol.

 

ORAÇÃO

Ó Jesus, o teu corpo ferido pode agora descansar.

A tua mãe, cheia de compaixão, oferece-te ao Pai

e, banhada em lágrimas, beija as tuas feridas.

Também eu quero beijá-las.

Quero chorar os meus pecados.

Quero oferecer-te toda a dor do mundo.

E quero agradecer-te a oferta da tua mãe, ó Jesus.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração possa abraçar a Deus

e que Deus nos acolha no seu coração.

Ámen

 

XIV Estação – Jesus é sepultado

Rezar é estar com Deus e deixar que Deus esteja em nós.

 

LEITURA – João 19,41-42

No local em que Jesus tinha sido crucificado, havia um jardim e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ainda ninguém fora sepultado. Foi aí que, por causa da Preparação dos judeus, porque o sepulcro ficava perto, depositaram Jesus.

 

ORAÇÃO

Queremos permanecer em vigília junto ao teu corpo, ó Jesus.

Permanecer em vigília, enquanto tu dormes.

Permanecer em vigília, enquanto tu resgatas Adão,

enchendo o inferno de luz e de esperança.

Permanecer em vigília, que são apenas três momentos.

E o teu corpo há de revestir-se de glória,

o triunfo do amor sobre a morte.

Livra-nos, Senhor, de toda a espécie de morte.

Ressuscita também em nós, Senhor.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa oração seja a esperança de estar com Deus no Céu

e a certeza que Ele está connosco na Terra

Ámen.

 

XV Estação final – Jesus ressuscita

Rezar é viver em Deus.

 

LEITURA – João, 20,10-21

Veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco!

Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. Ele voltou a dizer-lhes: A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós…

 

ORAÇÃO

Senhor, celebrámos uma vez mais a tua via-sacra.

Quisemos fazer da via-sacra uma oração

e da oração uma via-sacra.

Queremos rezar contigo

e aprender a rezar como tu,

fazendo da nossa vida uma oração permanente,

rezando em todos os momentos da nossa vida.

 

CONCLUSÃO

Que a nossa vida seja oração

E que a nossa oração seja vida.

Ámen.

 

(Inspirado nas orações de Óscar Romano, cmf)

 


domingo, 2 de abril de 2023

JesuShalom ou JeruShalom


Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

Domingo de Ramos:

Jesus entra na cidade de Jerusalém.

Jerusalém é a cidade da paz (Jerushalom)

e passou a ser Jesusalém (Jesus Paz) ou cidade de Jesus

Entra como príncipe da paz.

Entra em missão de paz.

Montado num jumentinho,

Não num carro de guerra.

Sem armas, mas abençoando.

Não entre riquezas ou despojos,

Mas entre plantas da primavera.

 

Entremos com Ele na cidade da Paz.

Entramos na cidade da paz para que a paz entre em nós

 

Domingo da Paixão do Senhor

Quem foi que acusou Jesus?

Não foram os judeus nem as autoridades. Nem Anás nem Caifás.

Quem foi que condenou Jesus?

Não foi o tribunal nem Pilatos, nem herodes.

Quem foi o carrasco que impôs uma cruz aos ombros de Jesus?

Não foram os soldados.

Quem foi que prendeu Jesus à cruz?

Não foram os pregos nem as marteladas, nem as cordas.

Quem que levou Jesus à morte?

Não foi o mal, nem o ódio, nem a incompreensão.

 

O responsável por tudo isto,

O que levou à morte Jesus

Foi o AMOR e só o AMOR:

Foi por amor que Jesus foi incompreendido, acusado, condenado, açoitado,

Carregado com a cruz, pregado e morto na cruz,

Foi por amor.

Então a cruz tem a forma de um coração e o coração tem a forma da cruz.

É fácil passar do RAMO ao AMOR, do domingo de ramos ao domingo da paixão.

Basta deslocar uma letra.

 

Conclusão:

Hoje é dia de entrar com Jesus na Jerusalém celeste, cidade de Paz

Par que a paz possa entrar no nosso coração e no mundo inteiro.

Hoje é dia de ver um coração na cruz de Cristo

Para que Cristo veja uma cruz no nosso coração.

Ver também:

Ramos de oliveira

 

sexta-feira, 31 de março de 2023

O pecado de atirar rocha


6ª feira – V semana da quaresma

 

Os judeus agarraram em pedras para apedrejarem Jesus.

Então Jesus disse-lhes:

- Apresentei-vos muitas boas obras. Por qual delas me quereis apedrejar?

De facto, os judeus queriam apedrejar porque pensavam que ele não prestava, mas afinal estavam a dizer precisamente o contrário.

Por isso Jesus perguntou-lhes:

- Qual é a árvore que leva mais pedradas? A que dá bons frutos ou a que dá maus frutos?

E toda gente se lembrou que de facto só se atira pedras a uma árvore para apanhar os bons frutos.

Então Jesus concluiu:

- Vós reconheceis que as minhas obras são bons frutos e por isso querem apedrejar-me…

Conclusão:

Os judeus ao quererem apedrejar Jesus, estavam a declarar que eram boas as suas obras ou os seus frutos.

À margem 1

Lá na minha terra, ninguém atira pedras a ninguém. E não é por serem melhor comportados do que os dos outros lugares.

Em vez de dizerem atirar pedras, dizem atirar rocha.

Um dia um garoto foi confessar-se.

- Padre, abençoai-me porque pequei…

- Diz lá os teus pecados…

E o garoto começou a dizer, como é costume:

- Briguei, atirei rocha ao meu irmão…

E o confessor interveio logo:

- Ó filho, erraste…  

- Não errei não, Senhor Padre, acertei-lhe em cheio na cabeça.

Conclusão:

Quando alguém atira rocha a alguém, por mais pontaria que tenha, erra sempre.

 

Ver também:

Prontos para apedrejar


À margem 2:

Alguém parou para te apedrejar?

Corre mais rápido.

Alcançarás mais depressa a vitória.


 

No Calvário em contramão


6ª feira – V semana da quaresma

No caminho do Calvário

Jesus avança em contramão

porque quer alcançar

para todos a salvação.

 

Avança entre pedras

injúrias e acusações.

Só ele caminha certo,

tudo o resto são ilusões.

 

Não desiste nem recua,

nem larga a sua cruz.

Sigamos o mesmo caminho

do nosso amigo Jesus!

 

domingo, 26 de março de 2023

Reanimação do amigo Lázaro


Ano A – V domingo da quaresma

A – A ressurreição de Lázaro é o anúncio ou a prefiguração da Ressurreição de Jesus e a esperança da nossa própria reanimação.

Mais do que ressurreição foi uma reanimação. Lázaro recuperou a vida que tinha antes, mas conservou a condição mortal, pois teria de passar pela morte. Jesus ressuscitou de maneira definitiva, não voltou ao que era antes, mas entrando na plenitude da vida. O evangelista refere que Lázaro saiu com as ligaduras e o sudário postos enquanto os de Jesus ficaram abandonados dentro do sepulcro.

A reanimação de Lázaro anuncia a ressurreição de Jesus e a reanimação de cada um de nós como fruto da quaresma a caminho da Páscoa. A quaresma e o batismo é a reanimação de cada cristão.

 

B – Jesus chorou.

É o versículo mais pequeno de toda a sagrada escritura, mas que condensa toda a humanidade e missão de Jesus. O prefácio diz que Jesus chorou para mostrar que era verdadeiro homem. Os presentes diziam que Jesus ao chorar mostrava que era verdadeiro amigo dos seus amigos. Nós podemos concluir que Jesus veio até nós para chorar com quem chora e para alegrar-se com quem está alegre. Já não choramos sozinhos, porque ele chora connosco. Aprendamos então a chorar com Jesus e a alegrarmo-nos com Ele.

 

C – Tirai a pedra e desligai-o, foi o que pediu Jesus.

Ele podia fazer as coisas sozinho, mas pediu colaboração. De facto, quando nós fazemos o possível, quando tiramos a pedra dos túmulos dos que vivem mortos pelo mal, estamos a fazer o possível. O impossível fará Jesus de seguida, reanimando o defunto. Façamos o que está ao nosso alcance, tirando as pedras que escondam a nossa vida, desatando as amarras e soltando as ligaduras para que Jesus faça renascer a vida.

 

Ver também:

Lázaro sou eu

 

sábado, 25 de março de 2023

Hoje é o dia da Ave Maria


A – AS PALAVRAS DA AVE MARIA

 

A oração da Ave Maria compõe-se de 3 partes:

1ª - A palavra do Anjo da Anunciação que saúda Maria em termos de alegria e de cumprimento messiânico – Ave Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo.

2ª - A palavra de Isabel que descobre a ação de Deus presente na história – Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

3ª - A palavra da Igreja que se une a Maria e que é santa, é mãe de Deus e é intercessora – Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte.

 

B – AS IMAGENS DA AVE MARIA

 

Selecionamos 3 quadros com pormenores e mensagens diferentes e complementares:

1ª imagem – quadro de Barocci

Maria maior que o Anjo.

O Anjo posiciona-se abaixo de Maria. De facto, assim está conforme as suas próprias palavras de elevação de Maria. A genuflexão do Anjo é para Maria, mas também para aquele que a partir daquele momento habita no seu seio, o Filho do Deus Altíssimo. Está presente a santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo.

Nota-se o carinho estampado no rosto do Anjo. A alegria é contagiante.

Maria segura um livro na sua mão para situar o acontecimento segundo as escrituras.

Pela janela situamo-nos nesta terra. É o céu que desce à terra, onde a eternidade se encontra com a história. A cena da Anunciação não ocorreu noutro planeta, nem no mundo da imaginação, mas no nosso mundo concreto.

Num canto, à margem, um gato dorme indiferente ao grande mistério. Os animais domésticos, apesar de serem da casa ou fiéis amigos, costumam indicar a ignorância e a insensibilidade de quem está próximo.

2ª imagem – quadro de Glyn Warren Philpot

O Anjo sem Maria.

Maria nem sequer está à vista a não ser aos olhos do Anjo. Só o enviado de Deus aparece.

Está conforme as palavras de Maria, não só na Anunciação – Eis a serva do Senhor – mas também do Magnificat – Pôs os olhos na humildade da sua serva.

Por outro lado, é o próprio Deus, na figura do seu enviado, que se humilha, fazendo homem despojando-se a si mesmo, ficando a nível dos homens par os elevar até ao nível de Deus.

A capa do Anjo expressa o movimento descendente…

O Anjo está prostrado em adoração.

Embora a figura de Maria não apareça à nossa vista, podemos identifica-la através da contemplação do lírio que Deus plantou em Nazaré e que floriu para a eternidade.

Neste quadro Maria só é vista aos olhos do Anjo. De facto, só quem vê Maria, torna-se um Anjo, um mensageiro divino.

3ª imagem – quadro de George Hitchcock

Maria sem o Anjo.

Aqui o Anjo só é visto por Maria. Parece que foi mesmo isso que aconteceu.

Ele vê-nos, mas não pode ser visto. Maria está numa atitude de acolhimento sereno – faça-me em mim segundo a sua palavra.

Também pode ser a imagem de quando o Anjo deixou Nazaré – ficou um rasto de luz porque a Luz veio a este mundo…

O Anjo retirou-se, mas a Luz ficou.

 


sexta-feira, 24 de março de 2023

Deus é sempre pontual


6ª feira – IV semana da quaresma

 

Procuravam prender Jesus

Mas ninguém lhe deitou a mão

Porque ainda não chegara a sua hora

O relógio de Deus é sempre pontual.

Nunca se atrasa nem se adianta.

Nunca avaria.

Nunca para.

O relógio de Deus não precisa de renovar a bateria.

Nem precisa de dar corda.

 

Deus está sempre na hora certa.

E a hora certa é estar com Deus.

 

Queixar-se do tempo é queixar-se de Deus.

 

Deus nunca se atrasa… 

nós é que somos impacientes.

Deus nunca se adianta… 

nós é que nos esquecemos das horas.


Ver também:

Jesus em segredo

 

quarta-feira, 22 de março de 2023

Deus nunca se esquece


4ª feira – IV semana da quaresma

 

Deus nunca se esquece de ninguém.

Isto é bom ou é mau?

Claro que é sempre bom.

Deus nunca se esquece dos seus filhos porque é seu criador e salvador.

Deus nunca se esquece dos filhos que ama infinitamente, apesar de nem sempre ser correspondido nesse amor.

Deus não se esquece das faltas dos seus filhos para lhes perdoar e abençoar de novo.

Da oração da Colecta:

Deus nunca se esquece de ninguém, pois tem sempre algo a dar aos seus filhos – ou o prémio ou o perdão.

Aos justos Deus dá o prémio.

Aos pecadores arrependidos concede o perdão.

A todos os que lhe suplicam dá a sua compaixão e misericórdia.

 

Da 1ª leitura:

Deus nunca se esquece de ninguém em nenhum momento.

Nos tempos de prosperidade os profetas denunciavam que o povo se esquecia do seu Deus.

Nos tempos de dificuldade os profetas anunciavam que Deus não se esquecia do seu povo.

Por isso nunca nos esqueçamos que Deus não se esquece de nós.

 

Do Evangelho:

Deus nunca arranja motivos para se esquecer de ninguém.

Jesus lembra que o Pai trabalha incessantemente e que Ele próprio também trabalha em todo o tempo. Nós podemos copiar este exemplo, dedicando-nos com todo o empenho a fazer a sua vontade.

Às vezes estamos tão envolvidos com a obra do Senhor, até nos esquecemos do Senhor da obra.

Às vezes com a preocupação de cumprir a palavra que de Deus nos dá, até nos esquecemos do Deus que nos deu essa palavra.

 

Não nos podemos esquecer 

de quem nunca se esquece de nós.


Ver também:

Não é homem feito Deus

 

segunda-feira, 20 de março de 2023

O Coração de São José


Solenidade de São José, 

Esposo da Virgem Santa Maria

Houve no passado uma tentativa de promover a devoção ao Coração de São José, intimamente unido aos Corações de Jesus e de Maria.

Ao contemplarmos o coração de Jesus (aberto pela lança e uma coroa de espinhos) e o Coração Imaculado de Maria (com uma espada e uma coroa de rosas) parece que salta à vista o coração de São José (ornado com uma coroa de lírios, da pureza e de homem justo.)

Há até algumas orações ao Coração de São José.

Quero apenas dizer que isso me parece uma expressão simples e um pouco ingénua da devoção a Jesus, Maria e José.

Hoje, quero partilhar uma reflexão sobre o coração de São José.

Já fizemos outras reflexões sobre a sua boca, os seus olhos, seus ouvidos, seus pés, suas mãos, manto, lírio etc. etc.

Porque não contemplar e aprender do seu coração?

Vejamos o seu coração em 3 D, ou seja, em 3 dimensões.

1ª dimensão – O Coração de São José é um coração de Pai, de Esposo e de Justo (crente, ou seja, um coração de Filho). É o que nos sugerem os evangelhos. O Papa Francisco escolheu esta dimensão para dar o nome à sua Carta Apostólica com a qual convidou a celebrar o Ano dedicado a São José – Patris Corde – com coração de pai.

Isto tem um duplo sentido – José teve um Coração de Pai e foi Pai de Coração; teve um Coração de Esposo e foi um Esposo de Coração; e teve um Coração de Crente (Justo) e foi um Crente ou Justo de Coração.

2ª dimensão – O Coração de São José foi simples, humilde e obediente.

Isto também por dois motivos. Porque ele foi dos primeiros a seguir o convite de Jesus, mesmo sem ter sido expresso) – aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. E porque José esteve aprendeu mais e melhor porque esteve mais perto do original. Parecia que era o Menino Jesus que, como qualquer filho, aprendia do seu pai, mas afinal foi José que mais aprendeu do seu filho Jesus.

3ª dimensão – O coração de São José é um coração escondido.

E também por dois motivos. Porque sempre viveu na sombra, no silêncio e no recolhimento, mas acima de tudo porque escondido atrás do Coração de Jesus. De facto, José apresenta-se com o Menino Jesus ao colo. Nós não vemos o seu coração que está atrás do Menino Jesus. Porque ele quis unir para sempre o seu coração ao coração de Jesus.

 

Aprendamos com São José a ter um coração de filhos e a ser filhos de coração, escondendo o nosso coração atrás do Coração de Jesus, ou seja configurando o nosso coração com o coração de Jesus.

 

 

sexta-feira, 17 de março de 2023

Não há um 1º sem um 2º


6ª feira – III semana da quaresma


Perguntaram a Jesus qual era o primeiro dos mandamentos e Jesus respondeu com dois, pois para haver um primeiro tem haver sempre um segundo.

Nenhum mandamento é opcional

Todos os mandamentos são para serem cumpridos. Não há nenhuma versão adaptada a nenhuma parte da Terra nem a nenhum povo nem a nenhuma comunidade ou grupo especial.

Bertrand Russel, filósofo ateu inglês, propôs que os Dez Mandamentos deviam ser ajustados à vida de uma pessoa como se fossem um exame de passagem ou de aprovação. Assim bastaria apenas cumprir 6 dos 10 mandamentos para sermos aprovados com nota positiva.

No Evangelho Jesus diz que todos os mandamentos se resumem em amar. Quando alguém desrespeita um mandamento, seja qual for, não está a amar.

Amar a Deus é não invocá-lo em vão, é santificar o dia do Senhor… De facto, é assim que se ama a Deus.

Amar o próximo é honrar os pais, é não matar, é guardar castidade, não furtar, não levantar falsos testemunhos e não cobiçar… De facto, é assim que se ama o próximo.

Não se pode amar a Deus e odiar o próximo.

Nem amar o próximo e esquecer a Deus.

Mas sim amar a Deus com um coração humano e amar o homem com um coração divino.

 

À margem:

Amar a Deus e amar o seu semelhante…

Semelhante de quem? De mim ou de Deus?

Amar a Deus e ao seu semelhante, pois o irmão é semelhante a Deus e Deus semelhante ao irmão.

 

Ver também:

Resumir os mandamentos

 

quarta-feira, 15 de março de 2023

S. José, homem sem medo


Quarta-feira com São José – novena.

 

São José, homem sem medo:

dando a mão ao trabalho

dando a mão a Jesus

 

A sua vida não foi fácil.

Foi necessário que o Senhor lhe dissesse várias vezes:

- José, não tenhas medo de tomar Maria como tua esposa.

- José, não tenhas medo de ir para o Egito com Maria e o Menino.

- José, não tenhas medo de retornar a Nazaré.

- José, não tenhas medo que Jesus está no Templo a cuidar das coisas do Pai.

- José, não tenhas medo que o Menino vai crescer submisso.

 

São José é o modelo para todos os que devem crescer sem medo, dos que devem cumprir sem medo uma tarefa ou missão confiada por Deus.

 

O medo pode ser o reconhecimento das nossas fragilidades e limitações. De facto, o medo pode ser assim um sinal de humildade.

Não ter medo, por um lado, pode ser um sinal de orgulho ou de inconsciência.

Aos olhos de Deus, não ter medo é sinal de confiança e de entrega total nas suas mãos. Não ter medo é mostrar que é Deus quem age em nós e por nós.

 

São José passou do medo ou da humildade à ousadia (não ter medo) ou à confiança em Deus e ao abandono total aos projetos de Deus.

 

Examinemo-nos:

É bom ter ou não ter medo?

- É bom ter medo quando é sinal de humildade e de reconhecimento das nossas fragilidades ou limitações.

- É mal ter medo quando é sinal de falta de confiança em nós e em Deus.

- É mau não ter medo quando é sinal de orgulho ou de inconsciência.

- É bom não ter medo quando é sinal de confiança total em Deus e de entrega radical aos seus projetos.

 

Sigamos o exemplo de São José, o homem sem medo. Quanto mais difícil a nossa vida, mais confiança em Deus