sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Caminhar dentro de mim

Algumas vezes aproveito as minhas caminhadas ao fim da tarde para fazer a minha meditação diária ou a minha hora de adoração.

Quando faço a minha caminhada logo após a Eucaristia, tenho a sensação de que levo o Santíssimo em procissão, como se eu fosse um sacrário ambulante, uma custódia ou ostensório e como se estivesse no Santuário da Natureza em Adoração Eucarística. E de quando em vez, paro como se estivesse a dar a Bênção a alguém em particular ou a uma circunstância especial.

Nunca uso fones ou auscultadores para ouvir música, leituras, transmissões, rádio ou mesmo o terço do Rosário. Caminho em silêncio, oiço-me a mim mesmo ou dialogo com Deus que encontro dentro de mim.

Cruzo-me com muita gente que ouve música moderna ou clássica, fala ao telemóvel ou usa simplesmente abafadores de ruído.

Já me ofereceram vários aparatos digitais ou dispositivos auditivos para as minhas caminhadas. Sempre aceitei, agradeci e fui gentil, mas não passei a usar. Não há nada melhor do que caminhar dentro de si em silêncio ou então caminhar a ouvir o som da natureza. Caminhando assim posso rezar em silêncio, rezar com silêncio e rezar o próprio silêncio. Nem preciso, por enquanto, de nenhum aparelho auditivo…

E fico a pensar quanto diferentes somos nós. Cada um salvar-se-á através das suas vivências. Uns, no meio do silêncio exterior e interior, outros no meio do ruído de fora e de dentro.

Mais do que caminhar pela rua fora, continuemos a caminhar dentro de nós mesmos. Essas caminhadas interiores levam-nos mais longe, são sempre proveitosas para o corpo e muito mais para o espírito. Mais do que comungar com a Criação, comunguemos e adoremos o Criador.

E recordo muitas vezes a cantora Milhanas que na sua música Ago Mais nos lembra uma verdade fundamental:

“Não fazemos silêncio, é ele que nos faz.”

Parafraseando Santo Antão – Aquele que vive no deserto e em silêncio está livre de três guerras: a da audição, a da língua e a da visão. Só tem uma guerra: a do coração. O que poupa nos outros combates deve investir na vitória do coração.

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A nossa missão é ser luz


4ª feira – III semana comum

Numa igreja na Índia há pendurado no teto uma grande estrutura de metal com uma centena de bocais para a colocação de lâmpadas. Sem lâmpadas o templo fica às escuras completamente. Mas cada membro daquela igreja, à medida que vai chegando para o culto, recebe uma lâmpada na porta e a coloca no bocal. Quando as luzes são acesas o templo fica todo iluminado; quantas mais pessoas, mais luzes acesas e vice-versa. Quando poucos crentes não vão ao culto, o templo fica quase às escuras.

A nossa missão é ser luz.

Quanto mais brilharmos, mais faremos os outros brilhar e mais haverá à nossa volta  em todo o mundo. É preciso contagiar e ser contagiado, iluminar e ser iluminado.

 

À margem

1º - Se deres as costas à luz, nada mais verás além da tua própria sombra.

2ª - Mantém o teu rosto sempre voltado para o sol, e todas as sombras cairão atrás de ti.

3ª - Certa vez, foi perguntado a Albert Einstein qual era a definição de luz e o cientista, num de seus mais sábios e inspirados momentos, respondeu: A luz... é a sombra de Deus.

 

              

Ver também:

As três verdades da luz

Ajudar a ver e a saborear

A medida de Deus

Três vezes lusitanos

A lâmpada não fala, brilha

A lâmpada é a caridade

Lâmpada no candelabro

Vós sois a luz do mundo

Candeia no candelabro

Medida da generosidade

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

São Tomás, pregador popular


São Tomás de Aquino

Presbítero e Doutor da Igreja

São Tomás de Aquino (1225-1274) foi um santo intelectual e um intelectual santo.

 

Santo na cátedra e no púlpito

Além do estudo e do ensino, São Tomás dedicou-se também a pregar ao povo. E também o povo ia de bom grado ouvi-lo. Diria que é realmente uma grande graça quando os teólogos sabem falar com simplicidade e fervor aos fiéis. O ministério da pregação, além disso, ajuda os próprios estudiosos de teologia a um são realismo pastoral, e reforça com vivaz estímulo a própria pesquisa.

De facto, Tomás de Aquino se notabilizou também como um pregador popular, um verdadeiro contemplativo da Palavra de Deus de onde ele extraiu o sentido para a sua vida.

Era um homem de profunda oração, vida comunitária, pregação e sensibilidade humana.

Depois de Santo Agostinho, entre os escritores eclesiásticos mencionados no Catecismo da Igreja Católica, São Tomás é citado mais que qualquer outro, por não menos de sessenta vezes!

Ele também é conhecido como Doctor Angelicus, talvez pelas suas virtudes, em particular pela sublimidade do pensamento e pela pureza da vida.

 

Lições avulso de São Tomás:

-  Chega-se mais depressa ao destino coxeando pelo caminho certo, do que a correr pelo caminho errado.

- Aos que louvam o Santíssimo Sacramento diz Santo Tomás que não tenham medo de dizer muito, e que se atrevam quanto puderem, porque aquele Senhor Sacramentado é maior que todo o louvor.

- A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria.

- Se o objetivo principal de um capitão fosse preservar o seu barco, ele o conservaria no porto para sempre.

- Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é negá-la

- Ser amigo é amar as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas. Não seja amigo de quem odeia o que você ama.

- As coisas que amamos nos dizem o que somos.

- Para nos criar, Deus nos escolheu; para nos salvar, temos de escolher a Deus'.

- A santidade não consiste em saber muito, meditar muito, pensar muito. O grande mistério da santidade é amar muito.

- A verdade sem caridade é crueldade.

 

Ver também:

O santo da Eucaristia

São Tomás devoto de Santa Inês

Padroeiro dos estudantes

A excelência do Pai Nosso

Águia do pensamento

São Tomás de Aquino

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Um ataque de riso


Ao regressar da minha caminhada ao fim da tarde contei aos meus colegas que no caminho tinha sido ultrapassado por um homem que não tinha uma perna.

Todos se riram de mim, comentando:

- Estás mesmo a ficar velho, caquético e ultrapassado.

- Andas cada vez mais devagar.

- Qualquer dia até um caracol te ultrapassará…

E fui alvo de chacota.

Alguém, por fim, questionou:

- Mas como é que é possível um homem só com uma perna te poder ultrapassar?

- Atenção – esclareci – Não disse que ele tinha só uma perna. Eu disse que ele não tinha uma perna, o que é diferente. Ele não tinha uma, tinha duas pernas!

Todos se calaram e aí é que comecei a rir a bandeiras despregadas.

A sabedoria popular diz que quem ri por último ri com mais vontade.

Foi o que aconteceu.

Mas a história não terminou aqui.

No dia seguinte, ao iniciar a minha caminhada deparei-me, por coincidência, com um homem que só tinha uma perna e caminhava com a ajuda de duas muletas.

Lembrei-me da conversa do dia anterior e então tive um ataque de riso.

Fiquei aflito, tentei disfarçar para ninguém pensar que estava a rir do homem deficiente, mas não me consegui controlar. Virei-me contra a parede, tapei o rosto, transpirei, fiquei sem respirar… e continuei a rir sem controlo.

O homem já ia longe da minha vista quando me recompus, com o rosto encharcado de lágrimas e a respiração ofegante.

Cá se fazem, cá se pagam.

Afinal, quem se ri por último não ri melhor. Apenas ri mais tarde ou tarde demais, como foi este meu caso.

As pessoas riem de coisas que parecem absurdas ou ridículas, principalmente quando se estão dispostas a rir dos seus próprios absurdos.

O humor consiste em ver o aspeto ridículo das coisas sérias e ver o aspeto sério das coisas ridículos.

Caminhar é também aprender a rir.

Afinal, não estou assim tão velho, caquético e ultrapassado, pois ainda tenho a capacidade de rir.

Ninguém para de rir porque envelhece.

Envelhece porque para de rir.

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

É o Evangelho que nos beija


Ano A - III domingo comum 

VII domingo da Palavra de Deus


A Palavra de Cristo habite em vós (Col 3,16)

É este o tema deste ano.

Hoje vamos aprender a lera Bíblia com os olhos do coração.

Não é preciso abrir os olhos, nem saber ler… basta abrir a Bíblia e dar um beijo numa página.

Assim mostramos o nosso amor à Palavra de Deus, tocando nela com o nosso coração.

É o que o sacerdote faz sempre que proclama o Evangelho – dá um beijo no Evangeliário.

(Aliás p sacerdote dá 3 beijos durante a celebração eucarística -logo ao chegar beija o altar (Símbolo de Cristo e das relíquias dos santos, fazendo o mesmo ao terminar a celebração. Após a proclamação do evangelho o sacerdote beija-o dizendo em silêncio – Por este santo Evangelho, perdoai-me, Senhor.

 

Beijar o Evangelho é lê-lo com os olhos do coração.

Beijar o Evangelho é deixar que Deus toque o nosso coração com a sua Palavra e nos beije.

Já que cada um de nós está na Sagrada Escritura (pois ela fala de nós)

Que a Sagrada Escritura esteja dentro de nós, no nosso coração.

 

À margem:

Piada anticristã:

Quem compra uma Bíblia e só lê algumas partes é evangélico.

Quem compra uma Bíblia e lê tudo é ateu.

Quem compra uma Bíblia e não lê nada é católico.

 

Ver também:

Programa inaugural de Jesus

A inscritura do Evangelho

Proclamando o evangelho

Palavra cumprida

I Domingo da Palavra de Deus

 

Ver ainda

A mesa do pão da palavra

Ler e ser lido pela Escritura

A escritura mais lida

Biblioteca de Cristo

Enamorado da Sagrada Escritura

Sabonete bíblico

 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Calma, Rodrigo! Tem calma!


Embora tente variar a hora e o percurso das minhas caminhadas ao fim da tarde, acabo por conhecer ou reconhecer algumas caras, de cumprimentar alguns habituais nessas paragens, por vezes apenas com um sorriso ou um olhar feliz.

Estas caminhadas não são propriamente iguais à caminhada cristã que exige a imposição do nome próprio, para que ninguém avance anónimo – que nome dais ao vosso filho?...

Parece-me que sou o único a ser cumprimentado, apesar de não ser muito frequente. Alguns ao passarem por mim dizem simplesmente:

- Bom dia, ou boa tarde, senhor Padre.

Talvez não conheçam o meu nome, mas sabem a minha missão e a minha vocação.

Não me atrevo a chamar ou a saudar alguém pelo nome próprio nesses ambientes, porque apesar de estar sempre atento ao que vou ouvindo não quero cometer erros e falsas identificações. Mas um dia não resisti.

Habituei-me, por alguns dias, à presença de alguém que passeava de um lado para o outro, em frente de uma grande superfície comercial à espera, suponho, que a sua mulher saísse do trabalho. Empurrava um carrinho de bebé que berrava com toda a potência dos seus pulmões, chorando como se o estivessem esfolando vivo.

O homem, porém, sem parar, dizia suavemente:

- Calma, Rodrigo! Calma!... Não vai demorar! Sossega e fica bonzinho, Rodrigo!

E assim por diante.

No dia seguinte a mesma cena.

Então uma senhora que ia passando, parou para observar a cena. Admirada, aproximou-se do homem e cheia de compaixão pela criança e de admiração pelo adulto lhe disse:

- Maravilhoso o modo com que você fala com a criança! É muito difícil encontrar um pai tão dedicado, carinhoso e paciente como você, nesta circunstância difícil.

Depois, virando-se para a criança, continuou:

- Chama-se Rodrigo, não é?

- Não, senhora! – respondeu o homem, mais vermelho que um tomate. – Rodrigo sou eu!

Nem reparei na reação da senhora com quem me identificava nas palavras e na atitude.

Eu já tinha pensado dizer a mesma coisa que ela… mas não tive coragem ou o à-vontade suficiente. Por isso fiquei duplamente vermelho.

E aprendi com todos estes ou a elogiar ou a manter a calma.

A partir daí, vejo-me muitas vezes a dizer para mim mesmo:

- Tem calma, David! Tem calma, isto não vai demorar. Sossega, David. Sê bonzinho…

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Um grande milagre de Jesus


6ª feira – II semana comum

A) Grande milagre

Temos na página do Evangelho de hoje um grande milagre.

Que milagre é esse?

O milagre do chamamento dos 12 apóstolos, seus nomes e seu envio.

É um grande milagre porque Deus não escolhe os qualificados, mas qualifica os escolhidos.

É grande milagre porque transforma simples pecadores, analfabetos, cobradores de impostos, em apóstolos, profetas, embaixadores de Deus. Mais do que transformar a água em vinho, este grande milagre transforma pessoas simples em agentes de Deus.

Deixemos que Deus nos escolha e nos qualifique. Será um grande milagre hoje.

 

B) Origem do milagre

O evangelista diz que Jesus subiu a um monte… Não precisa dizer mais nada para mostrar que Jesus subiu para rezar. Só Lucas explicita o que os outros subentendem, dizendo que passou a noite em oração.

Jesus subiu ao monte para rezar e depois disso, chamou, escolheu, nomeou e enviou os 12 apóstolos.

Antes de tomares uma decisão séria ou determinante, segue o exemplo de Jesus – Reza!

E um novo milagre acontecerá.

 

C) O milagre de acompanhar

Os apóstolos são convidados a fazer companhia a Jesus junto de Deus, e Jesus faz companhia aos apóstolos junto dos homens.

No monte os discípulos fazem companhia a Jesus.

Em baixo é Jesus que faz companhia aos apóstolos.

Os apóstolos com Jesus junto de Deus.

Jesus com os apóstolos junto dos homens ou dos irmãos.

 

Ver também:

Os companheiros de Jesus

Cada apóstolo, sua missão

Jesus é o protagonista

Corresponsabilidade 

Apóstolos a postos

Os apóstolos de Jesus e o Jesus dos Apóstolos

Deus é quem escolhe

Sou porque somos

Escolher

Subir ao monte

Doze apóstolos

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Vitorioso em todas as coisas


Solenidade de São Vicente, Diácono e Mártir, +304

Padroeiro do Algarve e do Patriarcado de Lisboa

Neste dia 22 de janeiro, a Igreja celebra a festa de São Vicente, diácono e mártir, uma das figuras mais veneradas do início do cristianismo ocidental. Nascido em Huesca, filho de pais cristãos, na segunda metade do século III, foi ordenado diácono por São Valério, bispo de Saragoça. Distinguiu-se rapidamente pelo seu fervor, inteligência e eloquência, a ponto de se tornar a voz do seu bispo, já idoso. O seu ministério se desenvolveu inicialmente durante um período de relativa paz para a Igreja, fomentado pela reorganização do Império sob Diocleciano e pela consolidação das comunidades cristãs na Hispânia, como evidenciado pelo Concílio de Elvira, realizado pouco antes do ano 300.

 

Essa situação mudou abruptamente com a grande perseguição decretada por Diocleciano e Maximiano a partir de 303. Na Hispânia, o prefeito Dácio ficou encarregado de aplicá-la, percorrendo a península e semeando o terror entre os cristãos. De Saragoça, ele trouxe consigo o bispo Valério e o seu diácono Vicente para Valência. Logo exilou Valério e concentrou toda a sua crueldade em Vicente, tentando forçar a sua apostasia por meio de torturas cada vez mais refinadas: a roda, ganchos, fogo e prisão. Vicente suportou tudo com uma serenidade que surpreendeu até mesmo os seus executores, e morreu na prisão em decorrência dos ferimentos em 304.

 

O relato do seu martírio foi registado muito cedo e amplamente divulgado. Com o tempo, as histórias foram embelezadas com elementos lendários: a luz que iluminou a masmorra na calada da noite, as flores que cobriram o chão, a música celestial, o corvo que guardou o seu corpo abandonado, o mar que devolveu os seus restos mortais à costa. Além desses adornos simbólicos, o núcleo histórico permanece: a firmeza de um diácono que, sustentado pela fé, venceu o medo e a dor.


Santo Agostinho, uma das grandes testemunhas da sua veneração, expressou-a com palavras memoráveis ​​nos seus sermões "na festa de São Vicente do Martírio": "Contemplamos um grande espetáculo com os olhos da fé: o mártir São Vicente, vitorioso em todas as coisas". Para o Bispo de Hipona, a chave dessa vitória não residia na resistência física, mas na graça de Cristo, que lutava dentro dele. "Foi Vicente quem sofreu", diria ele em outro momento, "mas foi Deus quem lhe deu tamanha coragem".

 

Em Portugal é representado de modos diversos: com palma e evangeliário ou, mais habitualmente, com uma barca e um corvo, porque, de acordo com a tradição, quando em 1173 o rei D. Afonso Henriques ordenou que as relíquias do santo fossem trazidas do Cabo de S. Vicente, junto a Sagres, para a cidade de Lisboa, duas daquelas aves velaram o corpo do santo que seguia a bordo da barca - facto a que ainda hoje aludem as armas de Lisboa, sendo S. Vicente o padroeiro da diocese da capital e do Algarve.

 

Ver também:

Vicente, aquele que vence

Vicente, vencedor

 



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Celebramos hoje Santa Inês


Memória de Santa Inês, Virgem e Mártir

Celebramos uma virgem: Imitemos a sua integridade.

Celebramos uma mártir: ofereçamos sacrifícios (imitemos a sua coragem).

 

Santo Ambrósio fala com grande admiração de Santa Inês, que foi martirizada com a tenra idade de 13 anos, no final do século III. Na sua obra, Sobre as Virgens, ele escreveu: Este é um novo tipo de martírio!

Os contrastes de uma Virgem e Mártir:

1º contraste – entre a idade dela e o martírio. Ela é jovem demais para ser condenada à morte. E, no entanto, ela já está madura para a vitória. Quem não é maduro em anos, não obstante, está maduro para alcançar a vitória. É uma glória. A imaturidade dos anos e a maturidade da virtude.

2º contraste – Ela não está preparada para o combate, mas está madura para a coroa. Uma jovem daquela época não tinha condições de lutar, contudo, conquistou a mais alta de todas as honras, que é a coroa do martírio.

3º contraste – Ela é tão jovem que ainda está sob a tutela de outros. A lei não a considera capaz de governar a si mesma. Todos os presentes a admiravam porque ela era uma testemunha da Divindade, embora ainda fosse menor de idade e não pudesse testemunhar nada em um tribunal de direito humano. A sua palavra não teria valor algum num processo legal comum, contudo, ela impressionou a todos com a sua defesa de Nosso Senhor.

Outros contrastes:

- Ela avança alegremente, com passo firme, para o lugar de onde todos naturalmente fogem.

- O seu adorno não são tranças artificiais, mas sim Jesus Cristo, porque Ele é o verdadeiro adorno, a verdadeira beleza da alma que se consagra a Ele.

- Ela não é coroada com grinaldas de flores como as outras jovens romanas da sua época, mas com pureza.

- Todos choram ao ver uma jovem prestes a ser morta. Mas ela não. É um contraste glorioso, pois ela anseia pelo Céu, e não pela Terra. Nesse sentido, todos se admiram de que ela possa renunciar tão facilmente a uma vida que mal começou. Contudo, ela sacrifica essa vida como se já a tivesse vivido e desfrutado plenamente.

 

Significado do nome Inês

 

A) Pura e casta

O nome Inês, em grego, significa “pura e casta”. Para os historiadores, isto significa um sobrenome, que identifica Santa Inês, uma das mártires mais veneradas pela Igreja.

B) Cordeirinho

A iconografia representa Inês com um cordeiro sempre ao lado, porque seu destino foi o mesmo reservado a estes pequenos ovinos. Agnes=Agnus= cordeiro.

Todos os anos, no dia 21 de janeiro, festa litúrgica de Santa Inês, são abençoados dois cordeirinhos, criados pelas Irmãs da Sagrada Família de Nazaré. Com a sua lã, as Irmãs confecionam os sagrados Pálios, que o Papa impõe sobre os novos Arcebispos metropolitanos, em 29 de junho, dia de São Pedro e São Paulo.

 

Ver também:

São Tomás, devoto de Santa Inês

A coroa de Santa Inês