quarta-feira, 19 de julho de 2023

2 imagens, 2 mensagens


4ª feira – XV semana comum

Javé, apareceu num arbusto seco espinheiro, porque é sensível ao povo que sofria. Eu vi o sofrimento do povo…

Porque Moisés viu o arbusto a arder sem acabar? Porque não há fim do jogo, tudo tem de continuar, perseverança… arder, mas não se consumir.

Também os sofrimentos e a opressão na nossa vida podem queimar-nos, mas não nos vão destruir nem consumir porque Deus connosco está.

Revelastes estas coisas aos pequeninos e escondestes aos sábios…

- A revelação é sempre dom de Deus é para todos

- Mas só os puros de coração verão a Deus

Não sei se os pequeninos têm uns olhos puros no coração transparente

Ou se têm o coração transparente nos seus olhos puros.

 

Ver também:

Sermão visual

Deus, Moisés e o espinheiro

STOP

Dar nova oportunidade

 

terça-feira, 18 de julho de 2023

Três pequenas lições


3ª feira da XV semana comum

Memória de São Bartolomeu dos Mártires


Pequenas lições de grandes homens

 

O nome de Moisés:

Moisoi – Aquele que foi salvo (no passado)

Moisés – é aquele que é salvo na água, no presente do indicativo. Cada dia vai lembrar que é salvo da água para agradecer cada dia.

 

A advertência de Jesus:

Censura as cidades onde fizera milagres e não aproveitaram a oportunidade.

Deus estivera perto deles, mas eles não estiveram perto de Deus.

É preciso saber Deus bem perto de nós, mas é preciso também saber ficar bem perto de Deus.

 

Os exemplos de São Bartolomeu dos Mártires:

1 – Na Itália chamavam-no de Bracarense.

O papa ao mostrar-lhe os palácios no vaticano perguntou com humor porque não fazia la na sua Braga uns paços como aqueles.

Respondeu o Bracarense: santíssimo padre, não é de minha condição ocupar-me em edifícios que o tempo gasta.

2 – Visitou de 3 em 3 anos as 1226 paróquias da arquidiocese.

Nunca por ficar perto dos homens ficou longe de Deus. Nem nunca por ficar perto de Deus ficou longe dos homens.

3 – Por cima da cama tinha uma tábua com duas letras enigmáticas: SB.

Disse-lhe um dia um religioso, depois de estar recolhido em Viana, que aqueles caracteres eram a cifra do nome do seu santo: São Bartolomeu:

- Não são por certo, senão de quem eu sou, porque querem dizer: Surge Bestia. Levanta-te animal torpe dessa cama, que quem nela se deixa estar mais tempo, do que é necessário, precisamente para refazer a natureza fraca.

 

À margem:

Frei Bartolomeu dos Mártires foi beatificado pelo Papa João Paulo II a 4 de novembro de 2002, que estabeleceu a sua festa litúrgica no dia 18 de julho. A 6 de Julho de 2019 o Papa Francisco anunciou que havia decidido canonizar o Beato D. Frei Bartolomeu dos Mártires através do processo de equipolência, tendo a leitura solene do respetivo Decreto decorrido na Sé de Braga, no dia 10 de novembro desse ano.

 

Ver também:

Aprendendo a ser pastor

Os meus milagres

Moisés

 

segunda-feira, 17 de julho de 2023

A espada do Príncipe da Paz


2ª feira – XV semana comum

Não penseis que eu vim trazer a paz à terra.

Não vim trazer a paz, mas a espada.

Pode surpreender estas palavras de Jesus pelo facto de Jesus dizer que não veio trazer a paz. Então veio trazer a guerra?

O oposto de paz, neste texto, não é a guerra, mas a espada.

A espada que significa ação, proteção e defesa.

Paz, neste contexto, não é o contrário de guerra, mas significa ficar parado, passivo, sem desafios.

Jesus não quer essa paz de águas paradas, mas de movimento, de ação, de desassossego e do movimento da espada.

 


Conclusão:

Jesus veio trazer a paz ou a espada?

Veio trazer as duas.

- Porque ele é o Príncipe da Paz.

- Porque ele veio realizar a profecia de Isaías – Hão de transformar as espadas em relhas de arado e das lanças forjarão foices.

 

Ver também:

Pregar com o exemplo

Sem atrito não há fogo

domingo, 16 de julho de 2023

Semeadores, não ceifeiros


Ano A – XV domingo comum

 

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão… Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos – Saiu o semeador a semear.

Porque é que Jesus ensinou a parábola do semeador, não no campo, mas junto à praia?

- Porque devemos semear em todo o lugar, na praia, no mar, no campo, nos montes, no trabalho, no lazer, em casa, na praça…

- Porque era aí que estava uma grande multidão. De facto, Jesus vai até onde está o povo e este junta-se a Jesus. Neste tempo de verão é de facto na praia onde há mais multidões.

- Porque junto á água do mar era o lugar mais aprazível. Ouvir Jesus com gosto, estando bem, fica-se ainda melhor.

- Porque a praia é um lugar de chegadas e de partidas, é um porto que nos liga a outras paragens e nos faz alargar horizontes. Semear é, portanto, pensar nos outros, pois um semeia, outro rega, outro ceifa etc… Semear é marcar encontro com os demais.

- Porque Jesus não queria falar de campo nem de terrenos, mas de corações que devem acolher a semente da palavra de Deus.

 

Jesus nos deixou a parábola do semeador, não do ceifeiro.

Na Igreja de Jesus não precisamos de ceifeiros.

A nossa missão não é colher sucessos, conquistar as ruas, dominar a sociedade, encher as igrejas, impor nossa fé religiosa.

O que precisamos são semeadores.

Os discípulos de Jesus são os que semeiam palavras de esperança e gestos de compaixão por onde passam.

Quando Jesus diz que a seara é grande e os trabalhadores são poucos, nós instintivamente pensamos logo nos ceifeiros. Mas devemos pensar antes dos semeadouros, pois sem estes não haverá os outros. Semeemos e Deus fará o resto.

Esta é a conversão que devemos promover entre nós hoje: passar da obsessão da "colheita" ao trabalho paciente da semeadura.

Hoje, no final da eucaristia, os meus paroquianos foram convidados a levar recolher algumas sementes de trigo e levar para casa como lembrança de duas coisas:

- Para recordar-se que cada um é semeador e deve semear onde quer que esteja.

- Para lembrar ao levar uma semente dentro do bolso está a levar uma seara inteira. Basta frutificar e essa pequena semente frutificará em toneladas de trigo. Quem leva uma semente, carrega uma seara no bolso. Basta querer e frutificar.

 

Ver também:

O desafio de semear.

 

sexta-feira, 14 de julho de 2023

De que lado estamos nós


6ª feira – XIV semana comum

Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos...

Barack Obama conta um episódio da sua adolescência:

“Certa vez quando a minha mãe descobriu que eu fizera parte de um grupo que andava a gozar com um miúdo na escola, fez-me sentar à frente dela, de lábios franzidos de deceção.

- Sabes, Barry – disse ela – há pessoas no mundo que só pensam em si mesmas. Não se ralam com o que acontece às outras pessoas, desde que elas consigam o que querem. Rebaixam as outras pessoas para se sentirem importantes. Mas há também pessoas que fazem o contrário, que conseguem imaginar como devem os outros sentir-se e que têm o cuidado de não fazer nada que os magoe. Ora – concluiu ela, a encarar-me fixamente – que espécie de pessoa queres tu ser?

Senti-me muito mal. Como fora intenção dela, a pergunta não me largou durante muito tempo.”

 

Jesus lembra no trecho do Evangelho de hoje que neste mundo há ovelhas no meio de lobos e lobos no meio de ovelhas. De que lado é que nós estamos? Que pessoas queremos ser? Se nos sentimos enviados por Deus não há nada a temer. Basta ser prudentes e simples. Quem se aguentar assim até ao fim será salvo.

 

Ver também:

Rastejar e voar

 

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Ide a José e fazei...


4ª feira – XIV semana comum

Ide a José e fazei tudo o que ele vos disser – disse o Faraó ao seu povo – e ficareis saciareis a vossa fome.

Este conselho não se refere apenas a uma circunstância histórica.

Foi a prefiguração de outra circunstância, na plenitude dos tempos.

Esta profecia foi realizada por Maria, por Jesus, pela Igreja.

 

A - Ide a Jesus e fazei tudo o que ele vos disser – disse Maria nas Bodas de Caná – e ficareis saciados.

O Faraó mandou ir até José para profetizar que mais tarde Maria mandaria ir ter com Jesus que daria não só o que precisava para o corpo, mas também para o espírito.

Jesus é o novo e definitivo José do Egito.

 

B - Ide – diz Jesus aos seus discípulos – fazei como vos digo…

Eles são enviados ao mundo que hoje procura um José que o atenda e sacie a sua fome de Deus.

Todos nós podemos ser um José escolhido por Deus para cumprir a missão que nos confiou, fazendo o que Jesus diz.

 

C - Ide a São José – disse a igreja aos seus filhos – e sereis atendidos e protegidos.

Ide a São José e encontrareis o Senhor Jesus.

Ide a São José e encontrareis Maria Santíssima.

Assim passamos de José do Egito a José de Nazaré que nos leva a Jesus para quem todos continuam a apontar. Só ele nos traz a plena salvação.

 

terça-feira, 11 de julho de 2023

A cruz, o livro e a charrua


Festa de São Bento, Abade, 480-547

Padroeiro da Igreja

São Bento, patrono da Europa, mensageiro da paz, artesão da unidade, mestre da civilização, e principalmente arauto da religião de Cristo e fundador da vida monástica no Ocidente – eis os títulos que justificam a fama de São Bento, abade.

Numa altura em que o Império Romano estava a chegar ao fim, as regiões da Europa se afundavam nas trevas e outras regiões desconheciam ainda a civilização e os valores espirituais, ele permitiu, pelo seu esforço constante e assíduo, que se erguesse sobre este continente a aurora de uma nova era. Foram principalmente ele e os seus filhos que, com a cruz, o livro e a charrua, levaram o progresso cristão às populações do Mediterrâneo à Escandinávia, da Irlanda às planícies da Polónia.

 

Com a cruz, isto é, com a lei de Cristo, firmou e desenvolveu a organização da vida pública e privada. Convém recordar que ensinou aos homens a primazia do culto divino com o Ofício divino, ou seja, a oração litúrgica e assídua. […]

 

Depois, com o livro, ou seja, a cultura: numa altura em que o património humanista corria o risco de se perder, São Bento, conferindo renome e autoridade a tantos mosteiros, salvou a tradição clássica dos antigos com providencial solicitude, transmitindo-a intacta à posteridade e restaurando o amor pelo saber.

 

E finalmente com a charrua, quer dizer, com a agricultura e outras iniciativas análogas, conseguiu transformar terras desertas e incultas em campos férteis e jardins graciosos. Unindo a oração ao trabalho manual, de acordo com a célebre injunção «Ora et labora, Reza e trabalha», enobreceu e elevou o trabalho do homem.

(Cf. São Paulo VI, Carta apostólica «Pacis nuntius», de 24/10/1964)

 

Ver também:

O trabalho é oração e vice-versa

 

domingo, 9 de julho de 2023

Melhores férias só com Jesus


Ano A – XIV domingo comum

Vinde a mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei...

 

As melhores férias são com Jesus.

O melhor fim de semana é com Jesus.

O melhor feriado é com Jesus.

O melhor descanso é com Jesus.

 

Porquê?

Porque melhor que Jesus não há!

 

Ver também:

Contratador de cansados

Aliviar carga




sexta-feira, 7 de julho de 2023

A mesa de Mateus e de Jesus


6ª feira – XIII semana comum


Jesus ao passar viu Mateus sentado à mesa de cobrança...

Um dia, Jesus estava à mesa em casa de Mateus...

Toda a vida de Mateus desenvolveu-se à volta de uma mesa

 

Mesa de trabalho (onde Jesus o encontrou)

Mesa de refeição e de convívio fraterno (onde com Jesus se sentou e se alimentou)

Mesa redonda da palavra e do compromisso (onde com Jesus dialogou)

Mesa de estudo (onde Jesus foi o seu mestre)

Mesa da alegria e do divertimento (onde com Jesus se exultou)

Mesa do altar de sacrifício. da imolação e da eucaristia (onde com Jesus se entregou)

Mesa do banquete celeste (onde com Jesus é glorificado)

 

Não é por acaso que dizemos que os melhores negócios são combinados à volta de uma mesa.

Façamos então da nossa vida uma mesa partilhada com Jesus para que um dia também ele partilhe a sua mesa connosco.

 

Pombas e porcos

Quando Gandhi estudava Direito na Universidade em Londres havia um professor de sobrenome Peters que sempre implicava com ele. Apesar de ser alvo de muitas provocações o estudante Gandhi nunca baixou a cabeça.

Um dia o Professor Peters estava a almoçar na sala de jantar da Universidade e o aluno veio com a bandeja e sentou-se ao lado do professor.

Professor, altivo, disse:

- Sr. Gandhi, não entende? Um porco e um pássaro, não se sentam juntos para comer.

Ao que Gandhi respondeu:

- Fique o professor tranquilo ... Eu saio voando.

E mudou-se para outra mesa.

E todos na sala perceberam quem era o porco e quem era o pássaro.

 

No trecho do evangelho de hoje Jesus não tinha pejo de se sentar com os pecadores e os publicanos. Aliás, eram eles a quererem a companhia de Jesus.

Para Jesus é possível uma pomba (da pureza e da paz) comer à mesma mesa com os porcos da devassidão

 

Ver também:

Jesus passa, vê e chama

À mesa com os pecadores

 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Aqui estou, Senhor


5ª feira – XIII semana comum

 

Deus chamou:

- Abraão.

Ele respondeu:

- Aqui estou, Senhor.

Aqui estou, eis-me aqui, conta comigo – são expressões que resumem a verdadeira oferta de Abraão. Ele oferecia-se totalmente a Deus e já não precisava de oferecer o seu filho.

É preciso ficar com a boca perto do coração e o coração em consonância com a boca e entregar-se totalmente a Deus.

 

Também Jesus dirá – eis me aqui, eis que venho…

Maria, sua mãe dirá também – Eis a aqui a serva do Senhor.

E todos os chamados responderão da mesma forma.

É a oferta que Deus espera.

 

A passagem de testemunho

Por que é que Deus escolheu Abraão para iniciar o seu povo?

Não foi pelo seu monoteísmo, nem pela sua peregrinação, nem pela argumentação da sua oração… Foi simplesmente porque Deus sabia que ele iria passar o testemunho da sua fé. Abraão passaria às gerações futuras aquilo que recebeu. Deus escolheu-o pela continuidade.

De facto, não basta receber. É preciso receber e transmitir.

Quem não passa o testemunho aos outros não é digno de Abraão.

 

A ternura da fé

Há quem diga que esta página do Génesis é cruel e dramática. Como é que Deus pode exigir tal sacrifício?

Abraão sempre se comportou com dignidade. Acho até que em vez de crueldade sobressai antes a ternura comovente de Abraão, quer para Deus, quer para o próprio filho.

Abraão não resmunga, não protesta, não procura desculpas, não se defende, mas age com toda a dignidade e delicadeza carinhosa.

- Aqui estou, Senhor.

- Toma o teu filho que tanto amas…

- Eu e o menino iremos além fazer adoração e voltaremos para junto de vós.

Nada fez transparecer a preocupação ou a angústia.

Seguiram juntos o caminho.

- Meu pai, disse Isaac…

- Que queres meu filho.

- Onde está o cordeiro?

- Deus providenciará.

De facto, Deus tinha providenciado o nascimento de Isaac, o cordeiro que pedia agora para ser imolado.

E continuaram juntos o caminho.

Abraão atou o seu filho e deitou-o sobre a lenha do altar…

- Abraão, Abraão…

- Aqui estou, Senhor…

- Abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência.

 

Deus providenciará

Pelo amor a Deus, Abraão não hesitou em puxar o cutelo para imolar o seu filho.

- Deus providenciará – era a certeza de Abraão.

Esta profecia não se realizou apenas no tempo de Abraão, quando apareceu um cordeiro para ser imolado em vez de Isaac.

A profecia realizar-se-ia ao completar-se os tempos, quando por amor dos homens, Deus não hesitou entregar o seu Filho para morrer no altar da cruz.

Assim se cumpriu plenamente a profecia de que Deus iria providenciar.

 

Ver também:

Deus providenciará

 

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Um porco pode ensinar-nos


4ª feira – XIII semana comum

Um homem tinha um espírito impuro…

Isto pode significar duas coisas:

Ou o espírito do homem era impuro, isto é, ele tinha o seu espírito impuro.

Ou o homem era possuído por um espírito impuro, isto é, algo exterior o aprisionava.

Por outras palavras, o homem possuía um espírito impuro ou era possuído por um espírito impuro.

Em todo o caso, é sempre uma situação que é estranha a uma pessoa.

Começa na cabeça e, pela lei da gravidade, desce para os olhos contagiando tudo o que vê, passa pela boca afetando as suas conversas, inunda o coração pervertendo todos os seus sentimentos e chega até às mãos e os pés condicionando toda a sua ação.

 

A analogia com a figura do porco:

- É um animal impuro, sujo.

- Ganancioso, porquinho como mealheiro.

- Carnal, sôfrego, mas também objeto de gula.

- Incapaz de olhar para o alto, sempre de cabeça para a terra.

Quem tem o seu espírito impuro é como o porco – sujo, ganancioso, sôfrego e material.

Quem é assim não vai longe.

 

Os gadarenos pediram a Jesus que se retirasse do seu território.

Eles preferiram ficar com os porcos em vez da companhia de Jesus.

Ainda hoje é assim:

Às vezes preferimos uns momentos de ilusão à presença de Deus.

Preferimos ir beber uns copos em vez de participar da Eucaristia.

Preferimos um jogo de futebol a uma leitura espiritual.

Preferimos acompanhar um programa de televisão em vez de acompanhar um doente ou idoso.

 

Ver também:

Aproximar-se, afastar-se

Mandou-o passear

reagir

 

terça-feira, 4 de julho de 2023

Com Ele ninguém se afunda


3ª feira – XIII semana comum

Levantou-se no mar tão grande tormenta que as ondas cobriam o barco.

Jesus dormia.

Aproximaram-se os discípulos e acordaram-no, dizendo:

Salva-nos, Senhor, que estamos perdidos.

Jesus falou imperiosamente a vento e ao mar e fez-se grande bonança.

 

Conclusão:

Com Jesus ninguém se afunda.

Jesus não dorme.

Apenas aguarda que chamem por Ele.

 

“Se me colhe a tempestade,

e Jesus vai a dormir na minha barca,

nada temo porque a Paz está comigo”.

 

Ver também:

No mar da vida

 

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Juntos na mesma barca


Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos

Reflexões soltas acerca de São Pedro

 

1. A data

A igreja propõe para o mesmo dia a solenidade dos dois apóstolos Pedro e Paulo. Eles foram martirizados em datas diferentes e em lugares diferentes. Então porquê os unimos no mesmo dia. Porque quem dá testemunho junta-se a todos os que como ele deram o mesmo testemunho. Somos uma família de apóstolos, de mártires, de testemunhas. Quando alguém testemunha a sua fé, une-se a Pedro, a Paulo e a todos os que ao longo dos séculos deram o mesmo testemunho. De facto, estamos todos na mesma barca.

 

2. A posição

Segundo a tradição Pedro foi martirizado pregado numa cruz invertida, isto é, com a cabeça para baixo. Também Paulo foi martirizado com a cabeça para baixo, ou seja, decapitado. A sua cabeça ficou no chão, saltando 3 vezes. De facto, o martírio é uma espécie de batismo em nome do Deus uno e trino – em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Em geral nós fazemos questão de viver com os pés bem assentes na terra. Estes dois Apóstolos morreram, não com os pés bem assentes no chão, mas sim com a sua cabeça firme no chão para que a sua alma estivesse bem lá no alto, junto de Deus.

 

3. O nome

Simão, filho de Jonas, mudou o nome para Pedro para que hoje Pedro mude o nome para Francisco, Bento, João Paulo, Paulo, João, Pio, Leão, Gregório, Clemente…

Segundo a Bíblia, sempre que alguém assume uma nova missão, uma condição nova ou uma nova tarefa ou missão muda de nome, precisamente para reforçar a mudança ou a nova condição. É como se nascesse de novo. Assim acontece com os consagrados ou religiosos (monges, frades) e assim acontece com os Papas. Assim Simão mudou de nome para Pedro para que através das gerações Pedro possa mudar de nome em cada geração.

 

4. O amor

É sobre o amor o diálogo que se segue entre Jesus e Pedro: «Pedro, amas-me (verbo agapáô) mais…?», pergunta Jesus por três vezes. E por três vezes Pedro responde que sim, que é seu amigo (verbo philéô) ouvindo de Jesus, também por três vezes a nova missão de «Pastor» que lhe é confiada: «Apascenta as minhas ovelhas» (João 21,15-17). O verbo com que Jesus interroga Pedro acerca do amor é, nas duas primeiras vezes, agapáô, amor puro e gratuito, sem fronteiras, que não cabe em nenhum grupo de amigos. Mas o verbo com que Pedro responde a Jesus é philéô, que qualifica a amizade que é apanágio de um grupo de amigos. Na sua admirável condescendência, quando pergunta pela terceira vez, Jesus desce ao nível de Pedro, usando o verbo philéô, para que Pedro acerte com a resposta. Sim, Jesus desce ao nível de Pedro, não para ficar aí, no patamar de Pedro, mas para elevar Pedro a um novo patamar de amor. Ainda hoje Cristo nos pergunta por três vezes (outra vez referência à santíssima Trindade do Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo), Ele pergunta se o amamos e nós só conseguimos dizer que sim, que gostamos dele. Na língua portuguesa o verbo amar é plurifacetado, querendo significar amor puro ou sublime (Agape), amor carnal ou sexual (Eros), amor como amizade (Filia), amor como o de gostar de alguém ou de algo. Nós só conseguimos afirmar que gostamos de Cristo, quando ele espera que o amemos de verdade e de maneira sublime.

 

5. O início

Quando é que Pedro se tornou Papa? Só no dia de Pentecostes. Porquê? Porque, como todos sabemos, a Igreja “nasceu” no Pentecostes, no Cenáculo, dez dias depois da Ascensão. Já que a Igreja Militante não existia até o Pentecostes, não havia como Pedro ter sido sua cabeça visível antes de existir.

 

Ver também:

Tripé da igreja de Jesus


quarta-feira, 28 de junho de 2023

Contar estrelas com Abrão


4ª feira – XII semana comum

 

Deus chamou Abrão e fez-lhe 3 promessas:

- A promessa de uma terra – a terra prometida.

Assim devia lembrar-se para sempre que ninguém é de cá, que a terra é-nos sempre dada, que todos somos peregrinos. Esta terra não é património nosso, mas é um presente de Deus.

- A promessa de descendência – um filho.

Assim devia recordar-se para sempre que todos fazemos parte da mesma família. E o herdeiro não se limita apenas a Isaac, mas das gerações seguintes em Jesus Cristo. Não só fazemos parte da mesma família, como Deus também faz parte da nossa família.

- A promessa da bênção – aliança.

Assim devia gravar para sempre que Deus abençoa a quem o abençoar… É a aliança que se renova sempre e se torna em nova e eterna aliança em Jesus Cristo.

E Deus disse a Abrão:

- Olha para as estrelas… e conta-as.

 

Contar as estrelas é:

- Contar as bênçãos – para agradecer (ter o coração no Céu)

- Contar ou medir os grãos de terra – para cuidar (ter os pés na Terra)

- Contar os descendentes, os membros da família – para os amar (ter o coração nos irmãos)

 

Então, sempre que Abrão olhava para as estrelas via a realização destas 3 promessas que Deus lhe fizera.

 

Nós também somos convidados a olhar para as estrelas e a contá-las.

1º - Contar estrelas faz-nos sair de nós mesmos – É transcendência.

2º - Contar estrelas é um desafio árduo – É perseverança ou fidelidade.

3º - Contar estrelas é livrar-se da mediocridade à nossa volta – É alargar horizontes.

4º - Contar estrelas é entrar no ambiente de Deus – É crer ou acreditar.

5º - Contar estrelas é depender do alto – É ser peregrino do infinito.