terça-feira, 13 de junho de 2023

O Santo que perdeu o Menino


Há quem queira saber por que é que Santo António tem o Menino Jesus nos seus braços.

Santo António entrou certa vez numa cidade para lá pregar, e o senhor fidalgo que ali o acolheu reservou-lhe um aposento bem retirado, a fim de não o perturbarem no estudo e na oração.

Estava o santo recolhido e a sós em seu quarto quando o senhor fidalgo, andando pela casa a tratar de seus assuntos, achou-se por acaso diante do aposento de António e, vendo uma luminosidade diferente à sua volta, levado por devota curiosidade, espreitou pela porta, às escondidas, através de uma fresta que dava para o lugar em que o santo descansava. E o que haviam de ver os seus olhos! Um Menino muito belo e alegre nos braços de Santo António, e este a contemplar-lhe o rosto, a apertá-lo ao peito e a cobri-lo de beijos.

O fidalgo, maravilhado com a beleza do Menino, ficou espantado, sem saber como explicar donde teria vindo aquela Criança tão bela e graciosa.

O Menino, que não era senão Nosso Senhor Jesus Cristo, revelou a Santo António que o seu hospedeiro o estava espiando pela porta.

Por causa disso, Santo António, após terminar uma longa oração, chamou o senhor fidalgo e humildemente lhe pediu que, enquanto ele estivesse vivo, a ninguém revelasse a visão que tivera.

Foi só depois da morte do santo que o senhor fidalgo, com lágrimas santas, contou o milagre que os seus olhos indiscretos tinham contemplado.

A partir daí o santo passou a ser representado com o Menino Jesus nos braços.

Mas pelo contrário eu hoje quero saber por que é que este meu Santo António não tem mais o Menino Jesus nos seus braços.

Na igreja paroquial do Cabouco há uma pequena imagem de Santo António. É de madeira muito antiga e já foi restaurada várias vezes. Mas ninguém sabe onde para o seu Menino Jesus. De facto, o Santo tem numa das mãos um lírio e na outra o Evangelho. Era suposto encontrar-se aí, precisamente sobre o Livro, a imagem do Menino. Perguntei aos meus paroquianos o que sabiam do caso.

Foram várias as respostas, umas mais sérias que outras:

- O Menino está lá, mas só quem tem muita fé, como Santo António, é que o consegue ver.

- Porque as moças que pretendem arranjar um noivo, foram pedir essa graça ao Santo e roubaram-lhe o Menino Jesus e só o devolvem quando o Santo lhes tiver satisfeito o pedido. E parece que os pedidos são cada vez mais ou então mais difíceis de atender. É por isso que o Menino Jesus tarda a ser devolvido.

- Porque o Menino Jesus está a brincar às escondidas com o divertido e alegre Santo António. Quem sabe se está escondido debaixo do escapulário do Santo bem junto ao seu coração?!

- Jesus é o Verbo Encarnado e por isso está na Palavra escrita do Evangelho. E isso basta, senão a sua presença ficaria duplicada.

- O Menino Jesus não está mais nos braços de Santo António para que toda a gente fique a saber que não é o santo quem segura o Menino, mas é Jesus quem segura o Santo. De facto, Jesus é tão grande e as mãos do Santo são tão pequenas.

- Porque o Santo já estava cansado de segurar o Todo-poderoso. Então o Menino ficou a pairar no ar para alivar-lhe as forças.

- Porque o Menino quis deixar as mãos livres do Santo para que pudesse fazer o bem com ambas as mãos.

- Porque Santo António teve pena de Nossa Senhora que ficava assim sem ter o seu filho nos braços e então entregou-lho.

- Porque o Santo está ali, mas está ao mesmo tempo noutro lugar, juntamente com Jesus a fazer o bem. É uma prova do poder de bilocação de Santo António – está ali, mas está também onde Jesus está.

 

Por fim tomei coragem e perguntei ao próprio Santo António:

- Onde para o teu Menino?

E ele respondeu-me:

- Vocês julgam que sou eu a fazer milagres, mas é apenas esse Menino o milagreiro. Ele não está aqui porque eu lhe pedi que fosse fazer o bem a quem precisasse, mas que voltasse depressa para os meus braços. Ámen!

 

Ver também:

As Pátrias de Santo António

 

A Pátria de Santo António


Festa de Santo António,

Padroeiro secundário de Portugal

Santo António é o santo mais universal.

Podemos identificá-lo como cidadão ou o santo de todas as pátrias:

 

- De Portugal como criança e jovem. Lisboa para nascer e crescer na fé. Coimbra para se consagrar como padre da Ordem de Santo Agostinho e depois como frade menor com Francisco de Assis.

- De Marrocos como missionário, com o sonho de evangelizar e de ser mártir.

- De Itália como taumaturgo, para servir, ensinar e pregar.

- De França como pregador para pregar e corrigir os hereges.

- Do Céu como santo, para ser modelo e exemplo de santidade.

- Do mundo inteiro para ser invocado e continuar a fazer milagres.


Santo António é de todo o mundo e do mundo todo porque Santo António é de Deus.

Aprendamos a ser cidadãos de todo o mundo para sermos concidadãos dos santos no céu.

Que o melhor lugar do mundo seja o local onde nós estamos, florindo aí onde Deus nos transplantou. Como Santo António, é preciso brilhar onde Deus nos acendeu.

 

Ver também:

O santo da nossa festa

 

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Paisagens do céu (34)


Agora mesmo

Na semana do Coração de Jesus o céu volta a sorrir.

No meio de nuvens escuras e ameaçadoras surge um coração dourado e luminoso.

É a metáfora do nosso quotidiano.

No nosso caminho os sinais teimam em apontar para a frente, quando o mais importante está no alto.

 

 

domingo, 11 de junho de 2023

Jesus passa, vê e chama

 

Ano A – X domingo comum

 

PRIMEIRA REFLEXÃO

1. Jesus passou

2. Viu Mateus 

3. e chamou-o.

4. Este deixou tudo 

5. e seguiu Jesus

Foi o próprio Mateus quem assim deixou escrito o que se passou com ele próprio.

 

1º - Jesus passou

Jesus nunca fica estacionado, pois continua a passar

É o primeiro a vir ao nosso encontro.

Ele passa como quem não quer…

Passa quando não esperamos.

Mais cedo ou mais tarde nós cruzamo-nos com ele.

Passa pelo nosso trabalho, pelo nosso lazer, pela nossa casa, pela nossa comunidade, quando estamos sós ou no meio da multidão.

Jesus sempre passa por nós.

 

2º - Jesus viu Mateus

Mateus aos olhos dos fariseus era e continuou a ser um pecador, um publicano.

Jesus não viu o que Mateus era ou tinha sido, mas viu o que ele havia de ser, o que ele podia ser – um discípulo, um apóstolo, evangelista, mártir.

Se eu fosse artista fazia uma pintura com esta cena.

Os fariseus um uns óculos em forma de retrovisor (para ver apenas o passado).

E Jesus com uns óculos em forma de binóculo (para ver o futuro).

Jesus ensina-nos a ver sobretudo o que podemos ser, o que ele espera que sejamos.

 

3º - Jesus chamou-o

Na tradição rabínica os discípulos é que escolhiam o seu mestre, a sua escola.

Na escola de Jesus não é assim.

É o mestre quem escolhe os seus discípulos – não fostes vós que me escolhestes. Fui eu quem vos escolhi e destinei.

É ele quem nos escolhe porque ele sabe melhor do que nós o que precisamos aprender.

É ele quem nos escolhe porque nós não sabemos fazer boas escolhas.

 

4º - Mateus levantou-se e deixou tudo

Todos os que tiveram um encontro real com Jesus deixaram algo imediatamente.

Não basta querer deixar, é preciso fazê-lo imediatamente.

Assim aconteceu com os primeiros discípulos na praia onde deixaram as redes, o barco, os assalariados e o próprio pai.

Depois de um encontro com Jesus cada um tem de abrir mão, tem de desprender-se de algo, de alguém ou de alguma situação.

 

5º - E seguiu Jesus

Seguir Jesus é identificar-se com ele.

Deixou de ser o publicano Mateus e passou a ser o discípulo seguidor.

Jesus começou por pôr os olhos em Mateus e este acabou por pôr os seus olhos em Jesus seguindo-o.

Ninguém continua o mesmo após encontrar-se com Jesus.

É por isso que a comunidade dos discípulos de Jesus é formada de ex qualquer coisa: ex-cobrador de impostos, ex-publicado, ex- pescador, ex-zelota, ex-coxo, ex-leproso, ex-cego…

 

SEGUNDA REFLEXÃO

Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores – disse Jesus.

 

Ou A

Um dia um santo homem ouviu esta leitura na igreja e começou a chorar:

- Deus não gosta de mim. Deus não olha para mim, esqueceu-me completamente que eu existo.

- Como podes tu dizer semelhante coisa? – atalhou um vizinho.

- Ele diz que não veio para os justos… ele não veio para mim.

- E quem te disse que tu és justo? Todos somos pecadores e então ele veio para todos nós e para ti também.

 

Ou B

Um santo bispo foi visitar uma enferma. Ao despedir-se recomenda:

- Não se esqueça de rezar por mim.

- Ah Senhor Bispo, eu não me esqueço. Todos os dias eu rezo pelos pobres pecadores.

De facto, Jesus não veio chamar os justos, mas os pecadores… porque todos são pecadores. Não há Justos e pecadores, mas apenas pecadores e pecadores.

 

Ver também:

O olhar que mais valoriza

 

quinta-feira, 8 de junho de 2023

O que levamos para casa


Ano A – Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor

 

A primeira frase do trecho do Evangelho de hoje é igual à última frase do mesmo evangelho:

Eu sou o pão vivo descido do Céu.

Este é o pão que desceu do Céu.

Dos sermões do Santo Cura de Ars:

“Se, depois da comunhão, alguém nos surpreendesse com a pergunta:

- O que estás a levar para casa?

Poderíamos responder:

- Levamos o céu!

Isto é perfeitamente verdadeiro.”

 

A Eucaristia que recebemos é Pão do Céu, é um pedaço do Céu.

Depois da comunhão nós levamos o céu para a nossa casa.

Oh como a nossa vida familiar seria diferente se todos soubessem que levamos o céu da igreja para a nossa casa.

Se não esquecêssemos que comungar é receber o céu, não teríamos a tentação de recusar vir à fonte desse pão do Céu.

A Eucaristia que recebemos na sagrada Comunhão é o maior tesouro que podemos levar para casa.

 

Ver também:

A santa missa

 

terça-feira, 6 de junho de 2023

Mostrai-me um denário


Terça – IX semana comum

 

Devemos pagar ou não o tributo a César?

Alguns comentários:

 

1 - Trazei-me um denário para eu ver…

Jesus não tinha nem um denário nem um cêntimo sequer.

Nem nesta circunstância nem noutras, como quando Pedro teve que pescar uma moeda para pagar os impostos dele e do próprio Jesus.

É por isso que teve de pedir uma moeda a alguém para ver a imagem e a inscrição.

Jesus ensina não só com palavras, mas também e acima de tudo com gestos e com o exemplo.

Jesus não tinha um denário de seu porque já o deixara para César, já se tinha despojado. O seu a seu dono. 

Para Jesus não há dito e feito, mas feito e dito. Assim fez e assim disse.

 

2 – Devemos pagar ou não pagar?

Para os seus interlocutores só havia uma solução – Ou pagar ou não pagar. Isto é, ou Deus ou César.

Se Jesus dissesse que se devia pagar, então estaria a submeter-se a César e assim Deus estaria submetido a César.

Se dissesse que não, era César que se submeteria a Jesus, o que pareceria uma pretensão de superioridade de poder, de força e de interesse.

A resposta sábia de Jesus bem mostrar o equilíbrio entre Deus e César, entre César e Deus.

Dar o quê a quem?

Dar quem a quem?

É preciso dar o quê a César – o dinheiro, as coisas…

É preciso dar quem a Deus – a pessoa feita à Sua imagem e semelhança.

Assim se mantém o equilíbrio entre as duas realidades.

 

3 – Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

A ordem da solução é determinante.

Jesus diz que primeiro se deve deixar para César quilo que lhe pertence.

Se fizermos isso, o passo seguinte será entregar a Deus aquilo que lhe pertence.

Depois de uma atitude de despojamento, parece espontâneo uma atitude de abandono nas mãos de Deus.

 

Ver também:

Bom servo, mau senhor

 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

O tempo está com depressão


Brincando com coisas sérias…

- Senhor padre, o tempo também adoece?

- Sim – respondi maquinalmente a pensar nas alterações climáticas – Mas porque é que perguntas isso?

- Porque ouvi dizer que esta noite o tempo vai piorar por causa de uma depressão.

- E ouviste bem. É uma depressão a causa da atual perturbação.

- Benza a Deus! Hoje em dia até o tempo sofre depressão.

- Claro! Nunca ouviste dizer que a depressão é a doença dos tempos modernos?

 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Coração, casa de oração


6ª feira – VIII semana comum

c o r a ç ã o

c + oração

cor + ação


O perdão faz parte da oração e a oração faz parte do perdão.

“E quando estiverdes a orar, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que o vosso Pai que está nos Céus vos perdoe também as vossas faltas.”

Coração, casa de oração e de perdão.

A única vez que Jesus usou chicote dentro do templo foi para espantar os mercenários e não para chicotear as ovelhas.

Que o mesmo Senhor afugente os maus sentimentos do nosso coração para que seja realmente casa de oração e de perdão.

 

Ver também:

Só se limpa com gestos

 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Pentecostes de Leão Dehon


“O meu crisma – 01 de junho de 1857

Eu não tinha recebido o sacramento da confirmação em La Capelle. Também não tinha facilidade de o receber em Hazebrouck, onde o arcebispo de Cambrai o ministrava em setembro. Julgou-se, portanto, conveniente levar-me à diocese de Bruges, que não estava longe. Monsenhor Malou, o ilustre Bispo de Bruges, iria dar o Crisma no Colégio de Poperinghe, na festa de Pentecostes. Prepararam-me para lá me levar. Recebi graças nesse sacramento e, todavia, esse dia deixou-me sempre alguma pena. A minha preparação tinha sido medíocre. Era um momento de crise, tinha companheiros defeituosos. Muitas vezes pedi perdão a Nosso Senhor por esta falta de preparação. O Crisma, contudo, sobrevive no carácter sacramental, confio que as graças de sacramento me tenham sido dadas mais tarde.” (CF Pe. Dehon, Notas sobre a história da minha vida, Volume I)

Primeira fotografia que conhecemos de Leão Dehon
aos 15 ou 16 anos de idade

Comentários:

1 - O Pentecostes do Pe. Dehon, o dia do seu crisma ou da sua confirmação, o dia em que acolheu o Espírito Santo, foi na verdade o dia do Pentecostes de 1857 celebrado a 01 de junho. De facto, o Crisma é sempre o nosso Pentecostes pessoal, mesmo que seja celebrado noutra data. Neste caso coincidiram os dois Pentecostes, o Litúrgico e o Pessoal.

2 - O local não foi nem a sua terra natal, onde fora batizado e passara a sua infância e crescera na fé, nem no colégio onde estudava como adolescente. Nem foi em terras da França, mas na Bélgica, num colégio que ficava a 40 quilómetros do seu colégio de Hazebrouck. De facto, o local não é determinante para se receber o Espírito Santo. O importante não é a localização, mas a disposição.

3 - Parece também que não tinha outros colegas consigo nessa celebração. Ele era uma espécie de intruso no grupo dos crismandos. De facto, o Pentecostes é que nos une em comunidade, e estreita a nossa pertença à família eclesial. É o Espírito Santo quem nos une.

4 – Preparou-se apressadamente para essa celebração. Era uma fase de crise na sua vida e a preparação não foi a melhor nem o exemplo dos seus companheiros de colégio o ajudou. Apesar da preparação medíocre, num momento difícil, o Pentecostes é sempre um momento de graça. De facto, nós recebemos o Espírito Santo não porque merecemos ou porque somos santos. O Espírito vem até nós não por sermos dignos, mas para nos tornar dignos.

5 – A graça que recebeu nesse sacramento ter-se-á manifestado mais tarde. De facto, Deus completa sempre o que por sua graça começou. Tal como os Apóstolos não se santificaram logo após terem recebido o Espírito no Pentecostes, assim também o crisma ou a confirmação do Pe. Dehon não foi um ponto de chegada, mas um ponto de partida, o início de uma nova caminhada. Qualquer conversão é sempre uma conversão ao longo de toda a vida. Leão Dehon tinha apenas 13 anos quando recebeu o Crisma. Este é o sacramento da maturidade cristã, não por o recebermos na vida adulta, mas porque nos torna adultos e responsáveis.

Este foi o Pentecostes de Leão Dehon. Este sacramento foi tendo eco ao longo da sua vida. O Espírito Santo nunca mais deixou de o inspirar e acompanhar, fazendo frutificar todos os dons recebidos. 


terça-feira, 30 de maio de 2023

Valores acrescentados


3ª feira – VIII semana comum

Do livro do Ben-Sirá ou Eclesiástico:

 

1º Em todas as tuas oferendas mostra um rosto alegre.

Comentário:

Quem canta (rezando), reza duas vezes.

Quem reza (cantando), canta duas vezes.

Homem prevenido vale por dois.

Quem dá com alegria, dá duas vezes.

Tudo o que fazemos com alegria é duplicado.

Fazer o bem com alegria é duplicar a sua dimensão.

 

2ª Sê generoso nas tuas ofertas porque o Senhor te dará sete vezes mais.

Comentário:

Se quem dá com generosidade receberá sete vezes mais, quem renuncia com radicalidade receberá cem vezes mais, diz Jesus no trecho de Evangelho de hoje.

Sejamos generosos na oferta e na renúncia que Deus será muito mais generoso do que nós.


À margem 1

Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros, diz o Senhor.

Não quero ser nem dos primeiros nem dos últimos.

Não quero ser para não mudar num instante de categoria.

Não quero ser dos primeiros para não me encher de orgulho.

Não quero ser dos últimos para não cair na frustração.

Quero antes ficar no meio.

Porque no meio está a virtude.

 

Ver também:

Porque cem vezes

 

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Apontando para Maria


Memória de Santa Maria, Mãe da Igreja

- Na primeira leitura Deus Pai revela ou indica Maria como sua Filha, sua Serva e a Mãe do seu Filho.

- No trecho do Evangelho é Jesus quem revela ou apresenta Maria como sua e nossa Mãe.

- Nesta segunda-feira do Pentecostes o Espírito Santo revela a dimensão eclesial de Maria e a mostra a dimensão eclesial de Maria. 

Maria é de verdade Mãe da Igreja.


À margem 1

Jesus veio a este mundo partilhar a sua divindade, a sua humanidade.

Partilhou connosco a sua vida, o seu sofrimento, a sua palavra, as suas lágrimas e alegrias.

Partilhou a sua dor, o seu corpo, o seu sangue, a sua morte e a sua ressurreição e vida.

Partilhou até a sua mãe:

- Mulher, eis o teu filho.

Que mais podia partilhar?!

Obrigado Jesus por partilhares connosco a tua mãe.

Obrigado, Mãe, por partilhares connosco o teu Filho Jesus.


À margem 2

Ontem, dia de Pentecostes o Espírito Santo visitou-nos, fixando a sua morada no nosso coração.

Hoje, segunda-feira do Pentecostes, é o dia de retribuirmos esse gesto, visitando o Espírito Santo no seu templo santo.

É por isso que neste dia não podemos deixar de vir à Igreja.


À margem 3

Ontem no final da celebração deixei um trabalho de casa para cada participante - Descobrir qual o dia do seu Pentecostes. Ou seja, descobrir a data do seu Crisma. Esse é o dia do nosso Pentecostes pessoal.

Já concluí o meu trabalho de casa - O meu Pentecostes foi no dia 21 de agosto de 1966, ainda com 8 anos de idade. O ministro desse sacramento foi o Bispo do Funchal, D. João da Silva Saraiva e o meu padrinho de Crisma foi o meu tio Joaquim Vieira. Agradecendo ao Espírito Santo esse graça, quero agradecer e rezar pelo Bispo e pelo meu padrinho, pela minha catequista 'Prima' Lurdes e pelos meus pais que me prepararam para este meu Pentecostes.   

Que Deus os recompense na eternidade.

 

Ver também:

A Igreja é mariana


domingo, 28 de maio de 2023

O Quarto do Espírito Santo


Solenidade do Pentecostes

A reflexão vem daquilo que nas domingas dos diversos impérios do divino Espírito Santo tenho aprendido.

Visitei e rezei junto de mais de 30 quartos do Espírito Santo, devidamente enfeitados e animados.

O nosso coração é como o quarto do Espírito Santo ou o quarto do Espírito Santo é como o nosso coração.

Saliento algumas lições:

- Quando termina a dominga a casa torna-se vazia.

De facto, o Espírito Santo é presença.

Quem não tem o Espírito Santo fica vazio.

Ele congrega novos e menos novos, familiares numa mesma comunidade.

- Depois da dominga a casa parece ficar na escuridão.

De facto, o Espírito Santo é luz.

Não há quarto sem luz.

Quem não tem o Espírito Santo vive nas trevas.

Ele ilumina-nos, orienta-nos e revela a verdade e o sentido da nossa vida.

- É preciso armar o quarto.

Armar quer dizer estruturar, mas também lembra que o Espírito Santo é a nossa arma porque nos defende e protege.

Com ele nós somos vencedores, porque ele vence, reina, impera. De facto, chamamos império ao serviço do Espírito Santo. E quem mais serve é o mordomo, o servo mor ou maior. Se não estamos fragilizados é porque não estamos armados pelo Espírito.

- Levantar o terço ou a oração.

As pessoas reúnem-se não para diversão ou comezainas, mas para oração. Dizem levantar o terço porque, de facto, é a oração que nos levanta, que ergue o nosso coração até Deus. Ninguém é esquecido nesses momentos de corações ao alto.

Se não rezamos é porque não temos o Espírito em nós.

- O quarto é forrado de branco, desde o chão até ao teto e em todas as paredes.

De facto, o Espírito Santo purifica o nosso interior. Até parece que a coroa do Divino Espírito Santo está suspensa entre as nuvens. De facto, ele é celeste, é divino, paira sobre tudo e sobre todos. Além disso tudo à sua volta floresce numa efusão de flores viçosas. Na presença do Espírito até as nuvens florescem como canteiros de flores.

Se na nossa vida falta esta pureza e esta beleza sobrenatural, é porque não temos o Espírito Santo.

Conclusão:

O nosso coração é o espelho do quarto do Espírito Santo.

Nós somos habitação do Espírito Santo.

Ele faz-nos companhia,

Ilumina-nos e orienta-nos,

Defende-nos e fortalece-nos,

Eleva-nos e inspira a nossa oração,

Purifica-nos e faz-nos florescer e dar frutos.

 

À margem 1

No quarto tudo converge para a Coroa do Espírito Santo.

A coroa não é nossa é dele.

Nós não somos coroados, ele é quem é coroado.

Nós pomos a coroa do Espírito Santo sobre a nossa cabeça para mostrar que estamos a coroar o Espírito Santo que temos dentro de nós.

Não nos coroamos a nós mesmos, coroamos sim o Espírito Santo que habita em nós.

À margem 2

À frente do altar foram instalados 7 pratos com cada um dos 7 dons do Espírito Santo.

De facto, nesta solenidade de Pentecostes são servidos 7 pratos, 7 dons. Nós precisamos um pouco de tudo isso. Às vezes precisamos mais de um do que de outro, outras vezes, parece que nos falta apetite. O Espírito Santo bem sabe do que precisamos. É o Espírito Santo quem nos serve estes pratos com os seus dons preparados para nós.

 

Ver também:

As línguas do Espírito

 

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Amor não é palavra, é obra

 

6ª feira - VII semana da Páscoa 

 

Pedro, tu amas-Me?

Apascenta as minhas ovelhas.

O amor não é um desejo, é uma obra.

O amor não é um discurso, é um gesto.

O amor não é uma intenção, é uma atitude.

O amor não é uma promessa, é uma ação.

O amor não é um direito, é um dever.

O amor não é um voto, é um compromisso.

O amor não é um sonho, é um serviço.

O amor não é um acaso, é uma dedicação.

O amor não é um querer, é um fazer.

O amor não é apenas uma palavra, é vida.

 

O amor não tem prazo, é eterno.

O amor não tem condições, é livre.

O amor não tem monotonia, é criativo.

O amor não tem recompensa, é desinteressado.

O amor não tem desculpas, é perdão.

O amor não tem medida, é gratuito.

O amor não tem depois, é sempre.

O amor não tem férias, é permanente.

O amor não tem rival, é de todos.

O amor não tem nada, é tudo.

 

O amor não tem o que quer, quer o que tem.

O amor não faz o que quer, quer o que faz.

O amor não acontece, faz acontecer.

O amor não faz planos, é espontâneo.

 

À margem:

Porque é que Paulo estava preso?

Qual o motivo da sua condenação?

- Por causa de um certo Jesus que morreu e que Paulo afirmava estar vivo.

Afinal nós também dizemos a mesma coisa.

Estaremos nós preparados para sermos julgados, condenados e presos?

haverá matéria suficiente para sermos condenados?

 

Ver também:

Com alma e com ânimo