sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Parábola do Carpinteiro


6ª feira – XVII semana comum

No Evangelho Jesus conta várias parábolas em que entram as mais diversas profissões. Assim temos pastor, pescador, negociante, agricultor, semeador, ceifeiro, vinhateiro, militar, guarda, juiz, administrador, contabilista, sacerdote, levita, viajante, estalajadeiro, construtor civil.
De carpinteiro não conheço nenhuma parábola de Jesus, e ele era conhecido como carpinteiro e filho do carpinteiro.
Porquê?
Acho que Jesus era ele mesmo uma parábola do carpinteiro em pessoa.
O ser chamado de carpinteiro foi a melhor metáfora desta profissão.
Ele não contou nenhuma parábola do carpinteiro porque ele foi o verdadeiro carpinteiro das parábolas.
Se Jesus não contou nenhuma parábola do carpinteiro, eu vou contá-la…

A parábola do carpinteiro 
ou o carpinteiro das parábolas
Dois irmãos moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho que passavam através de uma prancha. Um dia começou um pequeno mal-entendido entre os dois, que virou troca de palavras ríspidas e desembocou em dura discussão com mútuas acusações e violento virar de costas. A prancha foi por água abaixo e seguiram-se semanas de magoado silêncio e perturbada indiferença.
Numa manhã, o irmão mais velho ouviu bater à porta.
- Estou à procura de trabalho. Sou carpinteiro. Precisa de algum serviço que eu possa fazer?
- Sim, sim. Vem mesmo a calhar – respondeu o dono da casa – Vê aquela casa ali, do outro lado do riacho? É do meu irmão mais novo. Nós brigámos, desentendemo-nos e não nos podemos ver. Com a madeira que tenho neste celeiro quero que construa uma cerca bem alta…
- Entendo a situação – respondeu o carpinteiro – Fique sossegado. Deixo o trabalho comigo.
E o dono da obra foi até à cidade.
Quando regressou, não acreditou no que viu. Em vez de uma cerca, foi construída uma ponte ligando as duas margens do riacho. Era um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido.
- Está a gozar comigo?! Não lhe pagarei nada. Como foi atrevido a construir essa ponte depois de tudo o que lhe contei?
Ainda falava quando reparou que o seu irmão mais novo vinha a atravessar a ponte e lhe dizia:
- Realmente foste um irmão muito amigo construindo esta ponte mesmo depois da minha violência…
De repente, o mais velho correu na mesma direção e abraçaram-se no meio da ponte.
O carpinteiro pegou então na sua caixa de ferramentas para ir embora.
- Oh, por favor, espere. Vamos ter outros serviços para si…
E o carpinteiro respondeu:
- Eu bem gostava, mas tenho outras pontes para construir…

Hoje eu quero pedir a Jesus carpinteiro duas coisas:
1º quero que ele venha à minha casa, à minha vida refazer algumas pontes e derrubar alguns muros…
2ª quero que ele me empreste a sua caixa de ferramentas para eu também fazer uns serviços:
O martelo, não para fazer barulho, mas para ajudar a aprofundar em mim a Palavra de Deus.
Os pregos, não para picar alguém, mas para me unir melhor aos meus irmãos.
O serrote, não para mostrar os dentes destruidores, mas para cortar tudo o que está a mais para me libertar.
A lixa, não para ser áspero com alguém, mas para suavizar e aperfeiçoar a minha vida.
Ámen.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Pesca evangélica


5ª feira – XVII semana comum























Foto de fonte desconhecida

A)
Quem é quem na parábola da rede lançada ao mar

A Rede é o Evangelho
Lançar a rede é pregar o evangelho
Os Pescadores são os mensageiros enviados
O Mar é o mundo onde vivemos
Os Peixes são toda a humanidade
O Peixe bom são os convertidos
O Peixe ruim são os hipócritas
A Praia é o juízo de Deus
Conclusão: o Evangelho chega a toda a gente, sem discriminação nem violência… só quem não cresceu é que é afastado, talvez para ter outra oportunidade de crescer.


B)
Pescado na Net

Adapto livremente um testemunho de Celso Makoto postado em www.pescaki:
O que mais vejo é jogadores de futebol marcando golos e agradecendo com um sinal da cruz, rezando ou apontando para o céu em ação de graças e de agradecimento a Deus.
Mas pescador agradecendo e orando a cada peixe pescado, nunca tinha visto nem ouvido contar.
Mas aconteceu nestes dias quando fui pescar.
Ao meu lado estava um rapazinho que a cada peixe que pescava punha-se a gritar:
- Obrigado meu Deus… Obrigado meu Senhor! Aleluia, aleluia! - e olhava para o céu de braços abertos.
Na primeira vez pensei que o rapaz estava a brincar ou a gozar comigo, que nada pescava… Mas depois vi que era mesmo a sério. O rapaz era mesmo devoto sincero.
E nesse dia, para além desta lição, não pesquei grande coisa… mas a pescaria daquele rapazinho foi bem abençoada!


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

De mão beijada e calejada


4ª feira – XVII semana comum

Parábolas do Tesouro escondido e da Pérola de grande valor.
A palavra tesouro faz-me lembrar algo que nos é dado de mão beijada.
Mas não é bem assim…
Há muitas parábolas que explicitam a dupla dimensão: de mão beijada e ao mesmo tempo de mão calejada.



















A história do tesouro do Rabi Eisik, filho do Rabi Jekel de Cracóvia, contada pelo filósofo Martin Buber (1878-1965).
“Depois de anos e anos de dura miséria que, no entanto, não tinham beliscado a sua confiança em Deus, Eisik teve em sonhos a ordem de ir a Praga buscar um tesouro que estava enterrado debaixo da ponte do palácio real. Como o sonho se repetiu por três vezes, pôs-se a caminho e andou, andou, andou até que chegou a Praga.
Mas a ponte era vigiada dia e noite pelas sentinelas que guardavam o palácio… E Eisik não teve coragem de escavar no local indicado. Todavia, voltava à ponte todas as manhãs e ficava ali às voltas até ao entardecer. Um dia, o capitão da guarda, que tinha notado as suas idas e voltas, aproximou-se e perguntou-lhe simpaticamente se tinha perdido alguma coisa ou se estava à espera de alguém.
Eisik contou-lhe então o sonho que o tinha trazido da sua longínqua terra até ali. E o capitão desatou a rir:
- E tu, pobre homem, por dar crédito a um sonho vieste a pé até aqui? Ah, ah, ah! Estás arrumado se te fias em sonhos! Se fosse assim, eu havia de me ter metido a caminho para obedecer a um sonho e ir até Cracóvia, a casa de um judeu, um tal Eisik, filho de Jekel, à procura de um tesouro que está enterrado debaixo do fogão de sua casa. Eisik, filho de Jekel! Deves estar a brincar! Estou a ver-me a entrar e a vasculhar em todas as casas de uma cidade em que metade dos judeus se chamam Eisik e a outra metade Jekel?! E riu-se novamente.
Eisik agradeceu, saudou-o, voltou para a sua terra e, na sua casa, escavou debaixo do fogão e desenterrou o tesouro com que construiu a sinagoga chamada “Escola do Rabi Eisik, filho do Rabi Jekel”.

O tesouro escondido é um presente, mas também trabalho. É oferta, mas também esforço. É doação, mas também transpiração. É graça, mas também conquista.
É preciso ter o trabalho de procurar. E depois chegamos à conclusão que sempre esteve bem perto de nós.
O verdadeiro tesouro é o que nos é dado na Eucaristia:
Bendito sejais, Senhor, pelo que Pão e pelo Vinho que recebemos da vossa bondade, frutos da vossa mão, da terra e do trabalho do homem…

Hoje quando quiser encontrar-me com Deus, terei o cuidado de O procurar bem perto de mim, ou melhor, dentro de mim…

Hoje quero rezar de mãos abertas para me lembrar de que tudo o que recebo é de mão beijada, mas também de mão calejada.

Hoje, ao comungar, receberei o Tesouro da Eucaristia numa mão (dom) e tomarei com a outra mão (esforço).




terça-feira, 31 de julho de 2018

O Sol e o Vento


3ª feira – XVII semana comum

Os Justos brilharão como o sol no reino do seu Pai.

- Porque o sol não diz nada, brilha
- Porque o sol está no alto, bem perto de Deus
- Porque o sol não faz distinção de pessoas
- Porque o sol contagia todos e tudo
- Porque o sol faz as pessoas mudarem de atitudes.

O Vento e o Sol fizeram uma aposta para ver qual deles fazia um homem tirar o casaco mais depressa.
O vento pensava que era ele a ganhar a aposta pois soprava com força. Quanto mais soprava mais o homem agarrava o seu casaco.
O Sol apenas incidiu os seus raios sobre o homem, logo despiu o casaco.
De facto, o sol como os justos fazem com que os outros mudem depressa…



Humilde, obediente e alegre


Memória de Santo Inácio de Loiola (1491-1522)

Quando um noviço vinha pôr-se de joelhos diante de Pe. Inácio, para lhe pedir perdão e penitência, o santo concedia um e imponha a outra, e, depois de algumas palavras, terminava dizendo:
- Levanta-te.
Se o noviço não se levantava imediatamente, o Pe. Inácio deixava-o de joelhos e saía, dizendo:
- A humildade não tem mérito quando é contrária à obediência.
Outro jovem noviço, Francisco, dum caráter muito alegre, ria francamente e a propósito de tudo. A sua fisionomia aberta, a sua aparência sempre satisfeita, davam-lhe o ar de rir interiormente das suas próprias ideias. O Pe. Inácio encontrou-o um dia, sempre sorrindo, e diz-lhe:
- Irmão Francisco, diz-se por aí que estás sempre a rir. É verdade?
O noviço baixou os olhos e mesmo a sorrir esperava uma severa repreensão.
- Está bem – acrescentou Santo Inácio – ri e regozija-te no Senhor, meu filho. Um bom religioso não deve ter razões nenhumas para estar triste, mas deve ter muitas para estar alegre e contente… Para que sejas sempre alegre como hoje estás, deves continuar sempre humilde e sempre obediente.




segunda-feira, 30 de julho de 2018

Receita para mudar o mundo


2ª feira – XVII semana comum

















Quem é quem na parábola do fermento

O reino dos Céus – O projeto divino.
Mulher que amassa – As mãos de Deus que cuida de nós, que nos dá vida e que nos prepara para a vida e nos ajuda a crescer.
Fermento – A igreja que é chamada a envolver-se no mundo para o transformar. Irmãos que devem ajudar os outros irmãos a crescer.
Farinha – A humanidade que deve ser divinizada.
Misturar as 3 medidas – A lei, os profetas e os Evangelhos.
Aguardar – Paciente espera, tempo de testemunho e de aperfeiçoamento.
Até ficar tudo levedado – Última vinda do Senhor, quando Cristo for tudo em todos.
Conclusão:
Gente bem pequena
nos lugares mais pequenos,
fazendo coisas pequenas,
pode mudar o mundo.

É o fermento que age sobre a farinha e não a farinha sobre o fermento.
É o cristão que deve contagiar o mundo e não o mundo a contagiar o cristão.
"Não é de uma igreja mais humana que temos necessidade, mas antes uma igreja mais divina. Só assim a igreja será verdadeiramente humana" (Bento XVI).
Não esperemos que o futuro nos molde.
Procuremos antes modelar o mundo.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Sobremesa da vida


Festa de São Joaquim e de Santa Ana.
Dia dos Avós.

A vida é como um banquete – convivemos uns com os outros, partilhamos alegrias, preocupações, responsabilidades, tarefas, delícias, sonhos e esperanças. Mais importante do que aquilo que comemos é com quem estamos, comemos, vivemos ou convivemos.

Tudo começa com os aperitivos – a infância.
A seguir vêm os pratos rápidos – a juventude.
Surgem depois os pratos principais – a idade adulta.
Por fim, a sobremesa – a idade sénior.

Ser idoso é saborear a sobremesa da vida.
É isto que os avós nos lembram hoje.

Ao partilhar esta parábola num grupo sénior, alguém corrigiu-me:
- Quando somos avós saboreamos a sobremesa da vida, mas no resto da nossa velhice fazemos a oração de agradecimento do banquete, a ação de graças por tudo aquilo que já vivemos…
De facto, assim ensinava Olivier Clément: “uma sociedade onde não se reza mais é uma sociedade onde a velhice não tem mais sentido. E isso é assustador. Nós precisamos de idosos que rezem, porque a velhice nos é dada para isso…”


quarta-feira, 25 de julho de 2018

Rezar com os pés


Na festa do Apóstolo São Tiago de Compostela partilho uma reflexão sobre o caminho dos peregrinos, adaptada do recém-nomeado arcebispo D. José Tolentino Mendonça.

O Peregrino tem, em português um nome que deriva de uma forma latina: per ager, que significa através dos campos, ou per eger, para lá das fronteiras.
Define-se assim por uma extraterritorialidade simbólica que o fez, momentaneamente, viver sem cidade e sem morada.
Experimenta uma espécie de nomadismo: não se demora em parte alguma, come ao sabor da própria jornada, dorme aqui e ali.
Num tempo ferozmente cioso da produção e do consumo, ele é um elogio da frugalidade e do dom. Relativiza a prisão de comodismos, necessidades, fatalismo e desculpas.
O peregrino tem a oração por asas e o infinito por horizonte.

No caminho de Santiago prega-se que a vida é uma peregrinação e que também podemos rezar com os pés.





terça-feira, 24 de julho de 2018

A família de Jesus


3ª feira – XVI semana comum

Somos todos a família de Deus

Quem são minha mãe e meus irmãos?
Quem faz a vontade de meu Pai é que é minha mãe e meus irmãos…

- No seguimento de Jesus não há privilegiados.
- Não existem bonificações por elos familiares, raciais, politicas, culturais, sociais ou económicas.
- O caminho de Jesus é único e exclusivo, mas também profundamente inclusivo.
 - Em Jesus todos somos mais que amigos, somos todos irmãos.
- Não basta ser mãe, irmã ou irmão. É preciso fazer o que Deus quer.
- Jesus não despreza a sua mãe e os seus familiares. Apenas destaca a paternidade divina e a fraternidade universal.
- A maior glória de Maria não está principalmente em ter sido a mãe de Jesus, mas por ter cumprido plenamente a vontade do Pai.
- Quanto mais perto de Jesus, mais perto de Deus e quanto mais perto de Deus mais perto de Jesus e dos irmãos.
- Ser família de Jesus não é ver Jesus parecido connosco, mas nós sermos parecidos com Ele.
- A nossa família é maior do que nós pensamos, pois temos mais irmãos do que imaginamos.



domingo, 22 de julho de 2018

Vinde e descansai


Ano B – XVI domingo comum

À margem da pregação sobre o evangelho de hoje:
Vinde comigo e descansai…

Quem não descansa, cansa.
Nós descansamos não porque estamos cansados, mas sim para não nos cansarmos.
Aliás o nosso descanso semanal é logo no primeiro dia da semana e não no último.
O Domingo é o primeiro dia da semana. Descansamos nesse dia para depois vivermos uma semana intensa e não o contrário.
O descanso deve ser uma preparação e não uma recuperação.

Só com Deus é que podemos descansar realmente. Porquê?
Posso ter uma dor de cabeça, estar indisposto, ter fome ou sede, estar cansado ou deprimido, mas quando estou na companhia de uma pessoa amiga, tudo isso passa… ou deixa de se sentir.
Assim só descanso realmente quando estou na companhia do grande Amigo, Jesus Cristo, meu Senhor e meu Deus.
Por isso Jesus diz: Vinde a mim todo vós que andais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei porque a minha presença é suave e a minha companhia é leve.
De facto, Jesus nunca obrigou ninguém a rezar, nem a perdoar, nem a pedir perdão, nem a pregar… Só obrigou os seus discípulos a descansar…
Descansar para não se cansarem nem cansarem os outros…




quinta-feira, 19 de julho de 2018

Aliviar carga


5ª feira – XV semana comum

Diz Jesus:
Tomai sobre vós o meu jugo…
e encontrareis descanso,
porque o meu jugo é suave
e a minha carga é leve.

Para aliviar carga é preciso fazer 3 coisas:

1º - Deixar tudo o que é desnecessário e guardar apenas o essencial.
Hoje deixarei para trás as bagagens desnecessárias que carrego inutilmente e me oprimem tanto.
Carregarei apenas o que couber no meu coração, pois só aí tudo é leve.

2º - Fazer tudo com amor e aceitar a dor.
Hoje aceitarei e amarei as cruzes e as dificuldades e elas tornar-se-ão leves no meu coração, porque o jugo de Jesus é o amor e a sua carga é a caridade.
Foi o amor que tornou leve a cruz de Cristo e só o amor poderá tornar leve a minha cruz.

3º - Descobrir a força da oração que faço e da oração que me faz.
Hoje deixarei de rezar para que Deus me dê cargas mais leves.
Rezarei apenas para que os meus ombros sejam mais fortes para levar qualquer carga que o Senhor me entregar.
Foto blogsenzapagare:

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A medida do amor


2ª feira – XV semana comum

Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim, diz o Senhor.

Jesus não está a pedir que se ame menos o pai ou a mãe, o filho ou a filha…, está a pedir sim que se ame tanto como a Deus.
E como se ama a Deus?
O Primeiro Mandamento diz-nos para amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com todo o entendimento.
Assim eu devo amar meu pai e minha mãe como amo a Deus e devo amar a Deus como amo o meu pai e a minha mãe, isto é, com todas as minhas capacidades…



Arma e armadura


Memória de Nossa Senhora do Carmo

Surgiu no início do século XIII a prática da recitação do Rosário ou do teço do rosário.
A meados do mesmo século surgiu a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo.
As duas práticas complementam-se, são a arma e a armadura. A arma de conquista e a armadura de defesa e de proteção.
O terço ajuda-nos a vencer.
O Escapulário ajuda-nos a não sermos vencidos.























O Escapulário era uma espécie de armadura que se colocava aos ombros e que descia à frente e atrás para proteger todo tronco. Vem de escápula, osso que forma a parte posterior do ombro ou omoplata.

Não basta rezar o terço, nossa arma secreta, pessoal e comunitária.
É preciso defender-se pela armadura da Virgem santa Maria.
Não basta ter o Escapulário que nos protege.
É preciso usar as armas da oração.
Além desta simbologia, o escapulário significa a molhelha ou almofada que se colocava aos ombros onde se apoiava a carga para transportar.
Maria ajuda-nos assim a levar a nossa carga, os nossos compromissos.

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós e defendei-nos de todos os perigos.

domingo, 15 de julho de 2018

Aos pares


Ano B – XV domingo comum

Jesus chamou os apóstolos e enviou-os dois a dois.

No Manual Oficial da Legião de Maria:
"Qualquer visita deve ser feita por dois legionários.
Pretende a Legião com esta regra:
1º - Salvaguardar os legionários. De ordinário, não são tanto as ruas como as casas visitadas que impõem esta precaução.
2º - Que os dois visitantes se animem mutuamente na resistência ao respeito humano ou à timidez natural, que hão de experimentar nas visitas a lugares difíceis ou a casas de perspetivas pouco acolhedoras.
3º - Imprimir ao trabalho o cunho de disciplina, assegurando o pontual e fiel cumprimento das visitas de que foram encarregados. Deixado cada um a si mesmo, facilmente se é inclinado a retardar a hora ou a adiar indefinidamente a visita semanal…"

Alguém quis completar dizendo:
São dois os enviados porque numa visita enquanto um prega outro reza e vice-versa.
Ou melhor: enquanto um fala de Deus aos homens, o outro fala dos homens a Deus.



sexta-feira, 13 de julho de 2018

Ovelhas, pombas, serpentes


6ª feira – XIV semana comum

Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Portanto sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.

Como ovelhas no meio de lobos e não lobos no meio das ovelhas…. Porque os lobos são mais numerosos. Portanto as ovelhas serão uma mistura de serpente e de pomba.

No meio dos lobos as ovelhas de Jesus devem ser serpentes astutas sem deixar de ser pombas inofensivas.
Inofensivas, mas prudentes.
Simples, mas não ingénuas.
Astutas, mas simples para não cair na agressividade.
Simples, mas prudentes para não cair na ingenuidade.

Deus cuida de nós, mas quer que sejamos prudentes, isto é, cuidadosos, atentos e corajosos.
Deus confia em nós, mas quer que sejamos humildes e simples, isto é, sem arrogância nem autossuficiência.

Somos ovelhas metade pombas e metade serpentes.
Somos ovelhas com a determinação da serpente e com o coração da pomba.
Somos ovelhas-pombas para melhor voarmos no alto.
Somos ovelhas-serpentes para melhor nos disfarçarmos na terra.
Somos ovelhas-pombas-serpentes para sermos ao mesmo tempo prudentes e simples.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

Missão de paz


5ª feira – XIV semana comum

Ide e pregai o Evangelho de graça e em paz…

De graça
Recebestes de graça, dai de graça.
- De maneira desinteressada, isto é, sem esperar pagamento, recompensa ou satisfação.
- De maneira espontânea, sem negociar ou forçar.
- Com generosidade, com abundância, à disposição, pois é gratuito.
Numa palavra: com puro amor.

Em paz
Se essa casa for digna, desça a vossa paz sobre ela, se não for digna volte para vós a vossa paz.
- A paz contagia, mas não pode ser contagiada.
- A paz é oferecida, não pode ser roubada.
- Não deixes que o mundo te molde, procura antes modelar o mundo.
Em resumo: Sem perder a paz por causa dos outros.



terça-feira, 10 de julho de 2018

Grande seara


3ª feira – XIV semana comum

A nossa lógica e a lógica de Deus:
Nós dizemos – A seara é grande, os trabalhadores são poucos, portanto trabalhemos mais…
Mas Jesus diz – A seara é grande, portanto rezai mais…
Faz mais quem reza mais.

A seara é grande,
mas Deus é maior.
Os trabalhadores são poucos,
mas o trabalho é compensador.

A seara é enorme
Porque seara de Deus.
A oração é nossa
e nós operários seus.

Santa Teresinha do Menino Jesus:
“Então não é Jesus omnipotente?
Não pertencem as criaturas a quem as fez?
Então porque diz o Senhor – Rogai ao Senhor da messe que envie operários…
Porquê?
É que Jesus tem por nós um amor tão incompreensível que quer que tenhamos parte com Ele na salvação das almas.
Deus não quer fazer nada sem nós.
O criador do universo espera a oração de uma alma pobrezinha para salvar as outras almas resgatadas como ela pelo preço de todo o seu sangue.”

Pe. António Vieira in Sermão da Rosa Mística:
“Jesus manda que sendo a seara de Deus e não nossa, sejamos nós os que roguemos por ela.
Porque a oração perfeita e perfeitíssima não é pedirmos nós para nós, é pedirmos a Deus para Deus.
Pedirmos nós para nós é procurar os nossos interesses.
Pedirmos a Deus para Deus é solicitar a sua glória.
Pedi então ao Dono da seara que mande trabalhadores para a sua grande seara…”