segunda-feira, 6 de abril de 2020

Unção como anúncio


2ª feira – Semana santa





















A unção de Jesus, seis dias antes da Páscoa, constitui um tríplice anúncio:
1 - Anuncia que Jesus ia morrer… lembrando assim a sua sepultura, a unção do corpo a ser sepultado, tal como jesus conclui no trecho do Evangelho de hoje.
2 - Recorda que Jesus é o verdadeiro Messias, o Ungido de Deus, o Cristo. Ele viveu a Paixão, Morte e Ressurreição como Messias, como vencedor, tal como os reis eram ungidos.
3 - Manifesta a preparação para a Paixão, tal como os lutadores ungiam o seu corpo como preparação para um grande combate, assim Jesus queria mostrar estar preparado para esse combate final.

Além destes 3 aspetos podemos acrescentar outros 3 elementos mais simples:
1 - Jesus ia ser-lhes tirado, mas permaneceria o perfume da sua graça.
2 – A casa encheu-se com o perfume do bálsamo, pois o amor enche-nos sem ocupar espaço, envolve e a todos contagia.
3 - O grande valor da quantidade, igual ao salário de um ano de um assalariado, mostra a generosidade sem reserva… dar tudo a quem estava pronto a tudo dar.

São Tomás de Aquino refere as 3 virtudes deste perfume de Nardo:
1 - Humildade, pois vem de uma pequena e simples planta, mas com um perfume especial.
2 - , pois era puro, genuino.
3 - Caridade, pois para além de caro era generoso e encheu a casa com o seu odor.
Para além destas virtudes, acrescenta uma outra: a misericórdia, pois era o bálsamo para a unção, o óleo da paixão e da compaixão.

























Ver também:


Não te preocupes


Os problemas do mundo
e o mundo dos problemas



















domingo, 5 de abril de 2020

Levantai, ó portas...


Ano A – Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,
alteai-vos pórticos antigos
e entrará o Rei da glória.

Queremos hoje comemorar a entrada messiânica de Jesus, não só em Jerusalém, mas sobretudo na nossa casa, em tempo de quarentena, e na nossa vida, em tempo de conversão.





















Crónica histórica
Assim se celebrava a Procissão de Ramos em Jerusalém no século IV:
O bispo e o povo, com ramos de palmeira e de oliveira, dirigiam-se cantando desde o Monte das Oliveiras até à Basílica do Santo Sepulcro. As crianças ocupavam um lugar destacado.
Os peregrinos levaram esta celebração paras as suas terras de origem, realizando-a de uma maneira cada vez mais complexa e festiva.
Em alguns sítios, o bispo, tal como Cristo, ia montado num burro.
Noutros lugares levava o livro dos Evangelhos, ou a cruz, ou o Santíssimo Sacramento.
Pelo caminho, fazia-se umas paragens (estações) com orações, cantos e bênçãos (benzia-se as cruzes que as pessoas punham na sua porta).
Ao chegar à muralha, da cidade estendiam os mantos diante da cruz e todos se prostravam em adoração. Chegando ao templo, o bispo batia à porta com a cruz, enquanto dizia do salmo 23, 9-10:
- Levantai, ó portas, os vossos umbrais, alteai-vos, pórticos antigos, e entrará o Rei da Glória.
Estabelecia-se então um diálogo com quem estava dentro, conforme o salmo:
- Quem é esse Rei da glória?
- O Senhor dos Exércitos, é Ele o Rei da glória.
Quando se abriam as portas entrava a procissão.
A última reforma litúrgica simplificou a maior parte destes ritos da Semana santa.

Antífona de entrada do Domingo de Ramos

Seis dias antes da Páscoa,
o Senhor entrou em Jerusalém
e as crianças vieram ao seu encontro,
com ramos de palmeira, cantando com alegria:

Hossana nas alturas,
Bendito sejais, Senhor,
que vindes trazer ao mundo a misericórdia de Deus.

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,
alteai-vos, pórticos antigos,
e entrará o Rei da Glória.

Quem é esse Rei da glória?
O senhor dos Exércitos,
é Ele o Rei da glória. (Sl 12, 9-10)

Hossana nas alturas.
Bendito sejais, Senhor,
Que vindes ao mundo trazer a misericórdia de Deus.





















Ver também:




sábado, 4 de abril de 2020

salmos não rezados (3)


Devido ao seu caráter predominantemente imprecatório, este salmo foi omitido na Liturgia das Horas (IGLH 131)


Salmo 108

Deus do meu louvor, não fiqueis insensível.

Uma boca ímpia e traiçoeira se abre contra mim.
Falam-me com língua de mentira.

Cercam-me com palavras odiosas
e atacam-se sem motivo.

Em paga da minha amizade me acusam,
mas eu entrego-me à oração.

Pagam-me o bem com o mal
e o amor com o ódio.

Suscitei contra ele um malfeitor
e à sua direita esteja um acusador.

Quando for julgado, saia condenado
e fique sem efeito o seu recurso.

Sejam-lhe abreviados os dias
e o seu lugar ocupado por outro.

Fiquem órfãos os seus filhos
e viúva a sua esposa.

Andem errantes seus filhos, a mendigar,
e sejam expulsos de suas casas em ruinas.

Apodere-se o credor de todos os seus bens,
arrebatem estranhos o fruto do seu trabalho.

Ninguém tenha piedade dele,
nem haja quem se compadeça de seus órfãos.

Seja exterminada a sua descendência
e riscado o seu nome da geração seguinte.

Seja lembrada diante de Deus a culpa de seus pais
e jamais se apague o pecado de sua mãe;

Estejam sempre presentes ao Senhor
e Ele extinga da terra a sua lembrança.

Porque não pensou em usar de misericórdia,
mas perseguiu o pobre e o indigente
e o homem de coração angustiado, para o matar.

Amou a maldição: que ela caia sobre ele;
não quis a bênção: que ela o abandone.

Revestiu-se da maldição, como dum manto:
que ela penetre como água nas suas entranhas
e como azeite nos seus ossos.

Seja para ele como vestido a envolvê-lo
e como cinto que traz sempre apertado.

Assim pague o Senhor aos que me acusam
e aos que falam contra a minha vida.

Mas Vós, Senhor, ajudai-me, por amor do vosso nome;
livrai-me, por vossa grande misericórdia.

Porque sou pobre e indigente
e dentro de mim tenho o coração angustiado.

Desfaleço como a sombra que declina;
vejo-me escorraçado como um gafanhoto.

Vacilam-me os joelhos de tanto jejuar
e meu corpo vai definhando de magreza.

Tornei-me para eles objeto de desprezo;
quando me veem, meneia a cabeça.

Socorrei-me, Senhor meu Deus;
salvai-me pela vossa bondade.

E reconheçam que isto é obra das vossas mãos,
que fostes Vós, Senhor, que assim fizestes.

Amaldiçoem eles, mas Vós abençoai.
Sejam confundidos os que se levantam contra mim,
e cheio de alegria o vosso servo.

Sejam os meus perseguidores cobertos de vergonha
e envolvidos no meio da sua confusão.

Agradecerei bem alto ao Senhor,
louvá-lo-ei no meio da multidão.

Porque Ele se pôs à direita do pobre,
para o salvar dos que o desejam condenar.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Bem-aventurada quaresma


Bem-aventuranças quaresmais

Feliz quem percorre o caminho quaresmal com um sorriso no rosto
porque fará brotar do seu coração um sentimento transbordante.

Feliz quem todos os dias da quaresma pratica o jejum do consumismo, da crítica e da indiferença
porque sentir-se-á livre e firme.

Feliz quem no quotidiano procura amolecer o seu coração de pedra através da ternura e da compaixão
porque ganhará muitos corações.

Feliz quem se compadece e perdoa
porque terá a felicidade de ser ajudado e perdoado.

Feliz quem se afasta do ruido ensurdecedor e do vazio egoísta para entrar no deserto
porque encontrar-se-á consigo mesmo, com Deus, com os outros e com a criação.

Feliz quem fecha a porta à tristeza, ao desânimo e ao desencanto
porque só assim abrir-se-á a janela ao sonho, à beleza e à esperança.

Feliz quem usa as suas mãos, a sua mente e os seus pés para ir ao encontro dos outros
porque todos viverão na solidariedade e na paz.

Feliz quem vive com simplicidade e humildade
porque será abençoado todos os dias da quaresma desta vida e chegará santificado à Páscoa Eterna.



quinta-feira, 2 de abril de 2020

Abraão e Jesus


 5ª feira – V semana da quaresma

Abraão reviu-se na experiência de Jesus
Jesus reviu-se na experiência de Abraão




















Abraão exultou por ver o meu dia; ele viu-o e exultou de alegria…

Quando é que Abraão viu o dia de Jesus?

- Quando caiu de rosto por terra e Deus lhe falou… Quem vê a Deus, vê a todos os que com Deus estão. Quem vê o Pai vê o Filho e quem vê o Filho vê o Pai.

- Quando Abraão por obediência e confiança se prontificou a imolar o seu filho Isaac… Esse episódio foi a prefiguração da imolação de Jesus, filho de Deus. Ao imolar o seu filho por amor a Deus, apontou para Deus que imola o seu filho por amor aos homens.

- Quando Abraão recebeu a revelação do destino da sua descendência. Segundo as anotações dos rabinos Akiba e Yohanan ben Zakkai, a Abraão tinha sido revelado não só este mundo, mas o mundo por vir, isto é, os dias do Messias. Jesus é a realização da promessa e da Aliança de Deus com Abraão.

Hoje peço que o Senhor nos ajude a ver como Abraão o amor que Deus nos tem ao imolar o seu filho por nós.
Peço também a graça de contemplarmos o Deus fiel à sua Aliança, para correspondermos ao que Ele hoje espera de nós.

Ver também:


quarta-feira, 1 de abril de 2020

Os santos não param


Os santos não morrem…
Entram na vida.

Os santos não param...
Continuam a ajudar.

Os santos não envelhecem...
Nunca perdem atualidade.






















Efeméride
“… Faleceu hoje pelas 12 horas e 18 minutos de ‘dupla pneumonia gripal’ Sua Majestade Imperial e Real Carlos I d’Áustria e IV da Hungria, de 34 anos, casado, natural de Persenbeug (Áustria) filho do Arquiduque Otto e da Arquiduquesa Maria Josefa e residente acidentalmente na Quinta do Monte (Ilha da Madeira), freguesia de Nossa Senhora do Monte, Concelho do Funchal.
Funchal, 1 de Abril de 1922”

Tinha chegado à Ilha da Madeira no dia 19 de novembro de 1921, vivendo aí exilado os últimos 5 meses da sua vida.
No dia da sua morte, depois de ter recebido a Santa Comunhão, permaneceu completamente recolhido em si mesmo, murmurando jaculatórias dentre as quais: Jesus, em ti eu vivo, Jesus, em ti morro, era a mais frequente.

Esta efeméride leva-me a outras dimensões:

1ª – Neste momento de combate à Pandemia da Covid-19, o Beato Carlos da Áustria, pode ser um poderoso intercessor, pois conheceu uma realidade parecida. Ele que viveu em quarentena o seu exílio e a sua doença (dupla pneumonia gripal) nos ajude a ultrapassar tudo isto com fé e confiança.
Ó glorioso Carlos, Imperador – rogai por nós!

2ª – Recordo uma outra pessoa, a quem tenho também muita devoção: O Quase-Beato Pe. Dehon. Estas duas almas santas, o Imperador Carlos e o Pe. Dehon, comungam de várias semelhanças:
- Têm em comum o maior de todos os tesouros – o Coração de Jesus – a quem consagraram a sua vida, as suas obras e o seu destino.
- Morreram ao meio dia… A sua entrega a Deus sempre foi o centro da sua jornada.
- O Imperador Carlos morreu dizendo: Jesus, em ti vivo. Jesus, em ti morro. Também o Pe. Dehon, a 12 de agosto de 1925, morreu dizendo: Para Ele vivi, para Ele morro.
Que estas duas almas santas nos ajudem a confiar a Deus a nossa vida, as nossas ações e o nosso destino. Ámen!

Ver também: