terça-feira, 19 de novembro de 2013

ZAQUEU


3ª Feira - XXXIII Semana comum
 
 
ZAQUEU & JESUS OU JESUS & ZAQUEU
 
Subir para ver
Quando o coração é pequeno e humilde, é preciso agir como Zaqueu, que não era grande e subiu a uma árvore para ver Deus.
Devemos fazer assim quando somos baixos, quando temos o coração pequeno e pouca caridade: é preciso subir à árvore da mui santa cruz e de lá veremos e tocaremos Deus.
Com efeito, quando a alma se eleva deste modo, vê as benfeitorias da bondade e do poder do Pai, vê a clemência e a abundância do Espírito Santo, esse amor inexprimível que prega Jesus ao madeiro da cruz.
Nem os pregos nem cordas podiam prendê-Lo ali: somente a caridade.
Subi a essa santa árvore onde se encontram os frutos maduros de todas as virtudes que o corpo do Filho de Deus nos traz.
(Santa Catarina de Sena, Carta 119)
 
Sobe tu também à árvore do perdão
Jesus no seu caminho rumo a Jerusalém entra em Jericó. Esta é a última etapa de uma viagem que resume em si o sentido de toda a vida de Jesus, dedicada à procura e à salvação das ovelhas perdidas da casa de Israel. Mas quanto mais o caminho se aproxima da meta, tanto mais se vai estreitando ao redor de Jesus um círculo de hostilidades.
E no entanto, em Jericó tem lugar um dos acontecimentos mais jubilosos narrados por são Lucas: a conversão de Zaqueu. Esse homem é uma ovelha perdida, é desprezado, é um excomungado porque é um publicano; aliás, é o chefe dos publicanos da cidade, amigo dos odiados ocupantes romanos, é um ladrão e um explorador.
Impedido de se aproximar de Jesus, provavelmente por causa da sua má fama, e dado que era pequeno de estatura, Zaqueu sobe a uma árvore para poder ver o Mestre que passa. Este gesto exterior, um pouco ridículo, exprime contudo a atitude interior do homem que procura elevar-se acima da multidão para entrar em contacto com Jesus. O próprio Zaqueu não conhece o sentido profundo deste seu gesto, não sabe por que o faz, mas fá-lo; nem sequer ousa esperar que possa ser superada a distância que o separa do Senhor; resigna-se a vê-lo só de passagem. Mas quando chega perto daquela árvore, Jesus chama-o pelo nome: Zaqueu, desce depressa, porque hoje tenho que ficar em tua casa. Aquele homem pequeno de estatura, rejeitado por todos e distante de Jesus, vive como que perdido no anonimato; mas Jesus chama-o, e aquele nome, Zaqueu, na língua daquela época tem um significado bonito, cheio de alusões: com efeito, Zaqueu quer dizer Deus recorda.
E Jesus vai à casa de Zaqueu, suscitando as críticas de todos os habitantes de Jericó (porque também naquele tempo as pessoas bisbilhotavam muito!), que diziam: — Mas como? Com todas as pessoas boas que vivem na cidade, Ele vai ter precisamente com aquele publicano? Sim, porque ele estava perdido; e Jesus diz: Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão. A partir daquele dia, na casa de Zaqueu entrou a alegria, entrou a paz, entrou a salvação, entrou Jesus.
Não há profissão nem condição social, não existe pecado nem crime de qualquer tipo que possa eliminar da memória e do coração de Deus um só dos seus filhos. Deus recorda sempre, não se esquece de nenhum daqueles que Ele criou; Ele é Pai, sempre à espera vigilante e amorosa de ver renascer no coração do filho o desejo de voltar para casa.
Olhemos para Zaqueu hoje, na árvore: o seu gesto é ridículo, mas é uma atitude de salvação. E eu digo-te: se tiveres um peso na consciência, se sentires vergonha de tantas coisas que cometeste, pára um pouco, não te assustes. Pensa que alguém te espera, porque nunca deixou de se recordar de ti; e este alguém é o teu Pai, é Deus que te espera! A exemplo de Zaqueu, também tu sobe à árvore do desejo de ser perdoado; garanto-te que não ficarás dececionado. Jesus é misericordioso e nunca se cansa de perdoar! Recordai-vos bem disto, Jesus é assim.
Irmãos e irmãs, deixemos também nós que Jesus nos chame pelo nome! No fundo do nosso coração, ouçamos a sua voz que nos diz: Hoje tenho que ficar em tua casa, ou seja, no teu coração, na tua vida. E acolhamo-lo com alegria: Ele pode mudar-nos, pode transformar o nosso coração de pedra em coração de carne, pode libertar-nos do egoísmo e fazer da nossa vida uma dádiva de amor. Jesus pode fazê-lo; deixa-te olhar por Jesus!
(Papa Francisco, Angelus de 3/11/2013)
 
Jesus & Zaqueu
Jequeu & Zasus

Zaqueu não conhecia Jesus,
mas Jesus conhecia Zaqueu.

Zaqueu pensava que não era conhecido,
mas Jesus conhecia o que o Zaqueu pensava.

Zaqueu queria ver no anonimato,
mas Jesus chamou pelo seu nome.

Zaqueu quis esconder-se numa árvore,
mas Jesus quis ficar na sua casa.

Zaqueu olhou para Jesus de cima para baixo,
mas Jesus olhou para Zaqueu de baixo para cima.

Zaqueu achou Jesus mais pequeno do que era,
mas Jesus considerou Zaqueu maior do que aparentava.

Zaqueu procurava e foi encontrado,
mas Jesus encontrou quem procurava.

Zaqueu queria ver e foi visto,
mas Jesus foi visto e viu o que queria.

Zaqueu queria ver de passagem,
mas Jesus queria ficar.

Zaqueu subiu para descer,
mas Jesus aproximou-se para entrar e sentar-se à mesa.
 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Semana dos seminários (4)



Cruz e distância

5ª Feira - XXXII Semana comum

Quando virá o reino de Deus?

Quando não sei nem Cristo nos diz.
Apenas fiquei a saber como virá:
Como luz forte (como relâmpago) que tudo e todos iluminará. 
O reino de Deus iluminará, esclarecerá tudo e todos, revelará a plena verdade.
O reino porá em claro todo o mistério.

Mas antes que isso aconteça são necessárias duas coisas, uma para Jesus e outra para nós.
É preciso que Jesus sofra muito. É o mistério da cruz, pois sem batalha não há vitória, sem cruz não há ressurreição.
É preciso que esta geração rejeite este projeto. É o mistério do afastamento: nós só valorizamos a saúde quando ficamos doentes; só admiramos a luz quando sentimos a sua falta. É preciso então passar por uma privação, um afastamento ou um distanciamento para darmos importância àquilo que temos e às oportunidades que o Senhor nos dá.
Cruz e distância significa dar um passo atrás para poder ir em frente com maior determinação.
É perdendo que se ganha.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Semana dos seminários (3)





ingrato = indigno


3ª feira - XXXII Semana Comum

Uma vez o pai quando lhe foi dar as boas noites ao filho perguntou-lhe se já tinha agradecido a Deus o dia que então terminava.
O miúdo respondeu que não, justificando-se assim:
- Não aconteceu nada para agradecer.
- De certeza? meu filho, pensa melhor.
- Pois não. Ainda não recebi o jogo que o pai me prometeu, a mãe ainda não me comprou a tshirt de marca que escolhi, não fui passear nem jantar fora…
Então o pai foi-lhe perguntando calmamente:
- Estiveste doente hoje? Não tiveste nada comer hoje? Não tens onde dormir? Os teus pais desprezaram-te?
Não tiveste amigos com quem brincar?
O miúdo foi fechando os olhos pouco a pouco, agradecendo silenciosamente tantas graças recebidas, mas esquecidas. E duas lágriamas sinceras foram a melhor expressão da sua eterna gratidão.
E o pai saíu satisfeito, pois o seu filho, que à primeira vista era como os 9 leprosos, afinal sabia agradecer.
Quem não agradece, não merece nada daquilo que tem.
Ser ingrato é ser indigno de tudo o que recebeu.

1. É bom agradecer.
2. É bom ter algo para agradecer.
3. É bom ter a quem agradecer.
4. É bom ter com quem agradecer.
5. É bom saber agradecer.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Semana dos seminários (2)



Seminário virou maternidade


PARA QUE CRISTO SE FORME EM NÓS
Semana dos Seminários

Ao ter conhecimento do tema da Semana dos Seminários deste ano, PARA QUE CRISTO SE FORME EM NÓS, confesso que fiquei intrigado.
Pensava eu que Cristo é quem formava os seminaristas e, afinal, parece que Ele é que é formado nos seminaristas.
Pensando melhor, estão certas as duas realidades: Para que o candidato seja formado por Deus é preciso que cada um deixe crescer dentro de si o próprio Deus. Cada seminarista forma e é formado e o próprio Cristo é formador e é formado.
Este tema foi inspirado na Carta de São Paulo aos Gálatas:
Meus filhos, por quem sinto outra vez dores de parto, até que Cristo se forme entre vós” (Gl 4, 19).
Usando as expressões mais apropriadas deste contexto atrevo-me a dizer que o seminário é uma maternidade onde alguém sofre as dores do parto.
Deus para fazer nascer um novo sacerdote sofre as dores do parto e o seminarista para tornar presente Deus na sua vida sofre as mesmas dores. E o seminário virou maternidade ou sala de partos.
Só sei que o seminário e a igreja sofrem mais do que as dores da maternidade para formar um novo sacerdote. E toda a vida do sacerdote é um contínuo trabalho de parto para dar à luz Cristo Senhor na história dos homens. Explica-se assim o caráter mariano do sacerdócio e o caráter sacerdotal de Maria Santíssima.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Semana dos seminários (1)


Vinho de São Martinho























O jovem oficial Martinho numa receção à mesa imperial estava encarregado de servir o vinho. Mandava a etiqueta real que primeiro fosse servido o imperador e depois todos os outros convivas. Martinho, porém, dirigiu-se com toda a veneração ao único sacerdote que estava à mesa e serviu-o em primeiro lugar. Todos os presentes ficaram surpreendidos, de modo que o imperador lhe pediu explicações. Ele justificou-se:
- Em primeiro lugar a Deus, aqui representado pelo sacerdote, devem ser oferecidas as primícias. Depois Ele é a maior autoridade aqui presente, pois o imperador manda na terra e no presente, mas Deus manda no Céu e na eternidade, por fim todos sabem que só o sacerdote pode fazer o melhor uso do vinho do que qualquer um de nós: pode consagrá-lo como sangue em Cristo…
O imperador engoliu em seco e não foi capaz de corrigir o catecúmeno Martinho.

A partir desse acontecimento falar de Martinho é falar das primícias do vinho, é falar da bênção do vinho, é falar da consagração do cálice…


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Isto chama-se FÉ !



Três palavras


6ª Feira - XXXI Semana comum

Três palavras, apenas três palavras, podem resumir a mensagem da liturgia deste dia:

MEMÓRIA - na 1ª leitura Paulo lembra as romanos que se lhes escreve é para lhes reavivar a memória.
Nós também precisamos de reavivar a nossa memória pessoal e coletiva. Sem memória nós não temos nem passado nem futuro. Recordemos as maravilhas que o Senhor fez e continua a fazer por nós. 

ESPERTEZA - No Evangelho Jesus elogia a esperteza deste mundo. Nós, crentes, não temos nem mais nem menos do que os outros. Então sejamos tanto esperto ou ainda mais do que eles. É preciso acreditar com memória, mas também com inteligência e com esperteza. Ao seguirmos o nosso Mestre podemos fazê-lo com a razão e com o coração.

APROVEITAR - O Administrador da Parábola foi saneado por desperdiçar os bens, por não os ter aproveitado. É preciso saber aproveitar. Saibamos nós também aproveitar todas as oportunidade que nos são oferecidas para progredirmos muito mais. Dizia a Irmã Wilson: É preciso aproveitar tudo o que o Senhor nos dá no dia a dia.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Memorial Pe. Colombo (10)



As 3 parábolas da misericórdia

5ª Feira - XXXI Semana comum

Segundo Santo Ambrósio (comentário ao evangelho de Lucas, 7-207-209) não é por acaso que São Lucas apresenta a sequência de 3 parábolas:

- A ovelha
- A dracma
- O filho pródigo

- Uma criatura
- Uma coisa
- Uma pessoa

- Uma tresmalhada
- Outra perdida
- Aquele perdido

- Esta reencontrada
- Aquela achada
- Esse retornado

- Um é Pastor
- Uma é Mulher
- Outro é Pai

- Este é Jesus Cristo
- Essa é a Igreja
- Ele é Deus Pai

- Cristo carrega
- A Igreja procura
- Deus Pai acolhe

- Como pastor traz ao rebanho
- Como mãe procura
- Como Pai acolhe

- Primeiro a misericórdia
- Depois o socorro
- Por último a reconciliação

- O Redentor auxilia
- A Igreja socorre
- Deus Pai reconcilia

- A ovelha cansada é trazida
- A dracma perdida é encontrada
- O filho regressa pelo seu pé para junto do pai

- Congratulemo-nos porque esta ovelha foi erguida em Cristo
- Alegremo-nos porque somos a alegria da igreja
- Rejubilemos porque Deus abraça-nos

- Os ombros de Cristo são os braços da cruz
- As mãos da igreja são a comunhão
- O abraço do Pai é perdão

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Memorial Pe. Colombo (9)


Assim era o Pe. Colombo!

Isto chama-se humildade!
 “… Antes de começar a trabalhar, é preciso saber falar. E, infelizmente, as línguas não se compram! (Quisesse o céu que se pudessem comprar como aquelas das vacas do talho! Pediria imediatamente um empréstimo!) Portanto, toca! Para a Escola! Meu Deus! Voltar para a escola com esta idade?! Sim. E, para aprender mais depressa, para a escola com as crianças da terceira e quarta classe, para fazer a análise gramatical, o ditado e outras coisas mais. Que delícia! Imaginais, por exemplo, o Pe. Colombo, com 35 anos, a aprender ainda estas matérias? Na parte de trás do frontispício do seu livro de leitura, estão estampadas perguntas sobre as generalidades do seu dono; e ele, como bom menino da escola, preencheu-o. Eis:
Chamo-me – Pe. Ângelo Colombo
Moro – Caminho do Meio, 110
Idade – 35anos.
Altura – 1,73.”
(Carta do Pe. Colombo de 6 de março de 1947 para os seus confrades em Itália)

Isto chama-se abandono à Providência!
Não foi fácil levar para diante a obra do Colégio Missionário…
Sei que o Pe. Colombo ia, muitas vezes, para diante do sacrário e rezava:
- Senhor, Tu sabes; Tu vês; Tu podes.
E tudo aparecia.
(Testemunho da benfeitora Maria Bernardete Fernandes, Abril 1997)

Isto chama-se persistência!
 “Apreciei e admiro o Pe. Angelo Colombo, fundador do Colégio Missionário e da nossa obra em Portugal. Era um homem reto, honesto e sincero; um homem corajoso, que confiava na Divina Providencia; era exigente no cumprimento da regra e, sobretudo, na prática da Adoração Eucarística reparadora. Mas era também compreensivo. Lembro-me que, um dia, encontrando-me um pouco abatido e cansado, agarrou-me com as suas mãos rigorosas e disse-me, para me animar:
- Sabes, Júlio?! Quando me sinto cansado e nervoso e parece que o mundo está para desabar, vou para o meu quarto, fecho janelas e persianas, meto-me na cama e durmo, durmo, durmo. Quando acordo, vou à janela e, vendo de novo o mundo, digo, animado: afinal o mundo não caiu! E recomeço o meu trabalho.”
(Testemunho do Pe. Júlio Griti, in As minhas memórias, Janeiro de 2011)

Quem manda é o Chefe

 
4ª Feira - XXXI Semana comum
 
Mais do que meditar sobre as condições a respeitar no seguimento de Jesus, podemos acolher 2 generalidades:
 
1ª - Jesus não faz publicidade enganosa. Antes de convidar a segui-lo Jesus apresenta as regras do jogo. Isto quer dizer que nós não podemos exigir mandar, ou estabelecer nós a regras do jogo.
Na casa de Deus quem manda é Ele, tal como o dono da casa é quem estabelece as regras, ou é o general que marca o ritmo do exército.
Então porque é que cada um de nós gosta de propor mudanças, de mandar em casa alheia, de querer mudar as leis etc... ?
 
2ª - Mais do que ver quais as regras, podemos contemplar o novo tipo de relações que o seguimento de Jesus nos proporciona: novo relacionamento com as pessoas (preferi-lo ao pai, à mãe...), novo relacionamento com os afazeres (tomar a sua cruz), novo relacionamento com as coisas (desprendimento dos bens deste mundo) e novo relacionamento connosco mesmos (renunciar-se a si mesmo).
Mais do que condições, seguir a Cristo exige atitudes e relações novas.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Casa cheia


3ª Feira - XXXI Semana Comum

Aceitar o convite não é mudar de casa, mas sim regressar à casa donde nos afastamos.
O problema não está em não aceitar o convite.
O problema é que nos afastamos.
Quem não se afasta, não precisa de regressar.
Quem não está fora, não precisa de ser convidado.
Há quem se tenha afastado da casa paterna por causa de coisas (comprei um terreno).
Há quem se tenha afastado por causa de afazeres (vou experimentar as juntas de bois).
Há quem se tenha afastado por causa de pessoas (casar-se).
Mais do que um convite é um regresso, ou uma maneira de corrigir um afastamento.
A casa paterna é uma casa cheia, uma casa para todos.
Essa casa é o coração de Deus.

Podemos com estas desculpas afastar-nos do Coração de Deus,
mas não há pecado, por maior que seja, que faça Deus afastar de nós o seu Coração.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Rezar com fé



Sem esperar retribuição

2ª feira - XXXI Semana comum


Se eu sou pobre e nada tenho de meu, esta página do evangelho não é para mim.
E se convidar alguém, que posso oferecer na minha pobreza ou no meu convento?
Pensando bem, esta recomendação de Jesus para oferecer um banquete a alguém sem esperar retribuição tem a ver com todos, comigo e contigo, independentemente da nossa situação. Pelo menos é o que Santa Teresinha do Menino Jesus interpreta com toda a propriedade (Cf. Manuscrito autobiográfico C, 28rº-vº (ed. Carmelo 1996):

Convidar quem?
“E serás feliz por eles não terem com que te retribuir.
Notei (e é muito natural) que as Irmãs mais santas são as mais amadas; procura-se conversar com elas, [e] prestam-se-lhes serviços sem que os peçam. [...] As almas imperfeitas, pelo contrário, não são nada procuradas; as pessoas mantêm-se, sem dúvida, em relação a elas, dentro dos limites da cortesia religiosa, mas, receando talvez dizer-lhes algumas palavras pouco amáveis, evitam a companhia delas. [...] Eis a conclusão que daí tiro: devo procurar, no recreio, nas licenças, a companhia das Irmãs que me são menos agradáveis, [e] exercer junto dessas almas feridas o ofício do Bom Samaritano…”

Convidar para quê?
Para não ser mal interpretada ou acusada de discriminar seja quem for…  “Assim, para não perder o meu tempo, quero ser amável para com todas (e em particular para com as Irmãs menos amáveis) para dar alegria a Jesus e corresponder ao conselho que Ele dá no Evangelho mais ou menos nestes termos: Quando derdes um banquete, não convideis os vossos parentes nem os vossos amigos, não vão eles também convidar-vos, por sua vez, recebendo [vós] assim a vossa recompensa; mas convidai os pobres, os coxos, os paralíticos, e sereis felizes por eles não vos poderem retribuir, pois o vosso Pai, que vê no segredo, vos recompensará. Que banquete poderia uma carmelita oferecer às suas Irmãs, senão um banquete espiritual composto de caridade amável e alegre?

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Rezar com convicção



Santos, companhia ilimitada


A santidade não é um privilégio para alguns, mas uma obrigação para todos, para ti e para mim! (Madre Teresa de Calcutá)

Dia de todos os santos

Dia dos santos
Santos do dia

Dia de todos
Todos do dia

Todos santos
Santos de todos


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Rezar com sabedoria


Fé e Ciência



1º Exemplo
Toda a gente sabe que o físico e matemático francês Ampère (1775-1836) era profundamente religioso.
- Meu Deus – rezava ele – agradeço-Vos por me terdes criado, redimido e iluminado com vossa divina luz.
O facto seguinte mostra-no-lo alimentando o fervor da sua fé com a oração e as práticas piedosas.
Quando o jovem estudante Ozanam (1813-1853) chegou a Paris não propriamente um incrédulo, mas a sua alma estava mais ou menos tocada por aquilo que se pode chamar crise de fé. Um dia Ozanam entrou numa igreja e viu ajoelhado a um canto, perto do sacrário, um homem, um idoso, que rezava piedosamente o seu terço. Aproximou-se e reconheceu-o. Era Ampère, o seu ideal, a ciência e o génio vivo!
Esta visão tocou-o até ao mais fundo da alma. Ajoelhou-se suavemente atrás do mestre; a oração e as lágrimas brotaram do seu coração; era a completa vitória da fé e do amor de DEUS.
Ozanam gostava depois de repetir:
- O terço de Ampère fez por mim mais que todos os livros, discursos ou pregações.
Aquando da última doença de Ampère, a religiosa que velava à sua cabeceira propôs-se ler algumas passagens da Imitação de Cristo.
- Não se incomode – respondeu ele – eu sei de cor.

2º Exemplo
Há quem pretenda colocar a ciência como inimiga da fé.
Por sua vez, o grande cientista e Nobel da química, Luís Pasteur (1822-1896) era um cristão fervoroso e não se envergonhava de declarar que “um pouco de ciência afasta-nos de Deus, muita nos aproxima...”
Tal pode confirmar-se com um facto ocorrido em 1892:
Um senhor de 70 anos viajava de comboio, quando um jovem universitário se sentou a seu lado e começou a ler o seu livro de ciência. O idoso, por sua vez, lia um livro de capa preta. Quando o jovem se percebeu que se tratava da Bíblia, sem muita cerimónia, interrompeu a leitura do vizinho e perguntou:
- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente as pessoas sem cultura ainda creem que Deus tenha criado o mundo em seis dias, por exemplo. A ciência moderna nega tudo isso. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe-me o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.
O idoso, cuidadosamente, abriu o bolso interno do fato e deu o seu cartão ao estudante universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo, cheio de vergonha pela sua ousadia. No cartão estava escrito:
Professor Doutor Luís Pasteur
Diretor-Geral do Instituto de Pesquisas Científicas
da Universidade Nacional da França.

3º Exemplo
O estadista britânico Winstow Churchill (1874-1965) dizia:
- De tempos em tempos, os homens da ciência tropeçam na verdade, mas a maioria deles levanta-se e segue em frente como se nada tivesse acontecido.
Parece que Deus persegue os cientistas enquanto eles não querem ver.
Por isso mesmo o matemático e Nobel da Física Alberto Einstein (1879-1955) deixou escrito:
- A ciência sem a religião é aleijada; a religião sem a ciência é cega.
De facto a ciência não dispensa a fé, nem a fé invalida a ciência.
Fé e ciência são ambas um dom de Deus.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Rezar com humildade



Ensinar e aprender


4ª Feira - XXX Semana Comum

“Naquele tempo, Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.”

Na homilia da missa, proclamei bem alto ao povo que me escutava:
- É preciso fazer como Jesus. É preciso ensinar, dar testemunho sempre e em toda a parte, onde vivemos, convivemos, trabalhamos ou nos divertimos.
No final alguém veio ter comigo:
- Senhor padre, eu acho que a minha vocação não é pregar.
Mostrei-me surpreendido por aquela declaração e pedi-lhe mais explicações.
- É que você disse na missa que devemos ser como Jesus que ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. Eu acho que a minha vocação não é ensinar, mas aprender. Eu quero aprender nas cidades e aldeias por onde passo…
- Bravo! Vês como ambos temos razão. Tu estás agora a ensinar-me uma grande coisa. Estás a ensinar-me que todos devemos aprender… Que devemos imitar primeiro o povo que ouvia e que aprendia com Jesus e ao mesmo tempo imitar o próprio Jesus que pregava e ensinava.

Qual é então a nossa vocação?
Ensinar ou aprender?
Imitar Jesus que pregava ou o povo que o escutava?
Com certeza a nossa missão é dupla: é ensinar e é aprender.

Só aprendemos ensinando e só ensinamos aprendendo.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Rezar com amor



Fermento


3ª Feira - XXX Semana Comum

Lições do fermento

1º O fermento não se intimida com o tamanho da massa.
O fermento está em desvantagem em comparação com as medidas de farinha, mas nem por isso deixa de cumprir a sua missão.
O desafio parece ser muito grande, talvez haja apenas um crente numa casa, mas não há que ter medo. O cristão está colocado na sua família, comunidade, trabalho, sociedade, região ou nação para ser fermento de Deus. Os cristãos serão poucos, mas serão sempre fermento; poucos, mas bons.

2º O fermento parece ser insignificante.
Parece que não vai surtir efeito na massa. Quem olha para o fermento não imagina a sua capacidade de fazer levedar a massa. Parece incapaz de por si só fazer qualquer coisa.
Um cristão talvez esteja a rezar por alguém, animando, convidando ou orientando para a igreja ou para Deus e parece que tudo isso não vai surtir efeito, mas vai sim, porque a obra é de Deus, porque a palavra de Deus não volta sem cumprir a sua missão.  

3º O fermento trabalha calmamente.
Hoje em dia existe o fermento químico que age instantaneamente, mas antigamente para fazer pão, o fermento tinha que ficar na massa várias horas ou até de um dia para o outro. O fermento trabalha calmamente, sem confusão, sem gritaria, sem barulho.
Normalmente o testemunho cristão vale mais que a pregação. Coerentemente as nossas atitudes devem corresponder com a nossa pregação. É preciso calma, discrição e interioridade.

4º O segredo do fermento é o calor.
Para que o fermento possa fazer levedar é preciso abafar a amassadura, protegê-la, aconchegá-la. É preciso criar um ambiente de aconchego, de amadurecimento, de calor ou de amor para que o fermento contagie toda a massa.
Sem amor nem aconchego ninguém pode ser fermento no seu meio.

5º O fermento torna leve a massa.
O pão ázimo é duro, pesado e deprimido. O fermento dá à massa agilidade e leveza. E depois de misturado não se separa nunca mais. Não se sabe onde está o fermento, mas vemos a sua ação na amassadura.
Assim um bom cristão na comunidade. A sua presença torna leve e livres todos os que estão à sua volta. Levedar é tornar leve, é fazer livre ou fazer libertar alguma coisa.

6º O fermento tem de ser espalhado.
Não basta colocar o fermento dentro do alguidar. É preciso misturá-lo bem com a farinha, fazer com que se espalhe por toda a parte. Fermento acumulado não serve para nada.
Os cristãos, como fermento da comunidade, não podem ficar fechados em si mesmos, mas devem dispersar-se, chegar a toda a parte… para que nenhuma periferia fique desfalcada da sua presença.

7º O martírio do fermento na massa.
Ao ser amassado com a farinha e água, o fermento passa por verdadeiros tormentos. É sovado, batido, esmagado, triturado. Mas se não passar por isso, não cumpre a sua missão.
Não pensemos que por sermos fermento tudo vai ser um mar de rosas. Virão lutas, provações, tribulações para nos amassar e pressionar, mas isso vai fazer crescer e levedar toda a massa.




segunda-feira, 28 de outubro de 2013

domingo, 27 de outubro de 2013

Fariseus e Publicanos

 
Ano C - XXX Domingo Comum
 
A) A parábola do fariseu e do publicano em oração pode ser resumida nestes termos:
Um homem foi rezar e mais não fez que bater palmas para si mesmo, pois achava-se superior a todos os demais.
Outro homem também foi rezar, mas não batia palmas, batia antes no peito em atitude de reconhecimento das suas limitações.
E nós? que fazemos das nossas mãos? batemos palmas para nós mesmos ou batemos no peito, pois podemos ser melhores?
 
B) A mesma parábola, mas inspirada nos nossos dias:
Um pai tinha 3 filhos e todas as noites, quando eles já estavam na cama, todos no mesmo quarto, costumava ir até lá... Lia-lhes meia página da Bíblia e depois rezavam juntos as orações da noite.
Um dia, vencidos pelo sono, dois deles adormeceram a meio das orações. O terceiro filho interrompeu a reza e disse ao pai:
- Vês?! Eles estão a dormir, enquanto eu continuo a rezar contigo.
O pai continuou sem se perturbar e no fim disse-lhe:
- Meu filho, é melhor dormir do que encher-se de orgulho e de vaidade.
Todos nós temos tentação de nos fazermos superiores aos outros.
Podemos começar por vencer essa tentação a começar pela oração, isto é, diante de nós. Se rezamos para nos encher de orgulho e de sentimentos de superioridade em relação aos demais, então é melhor dormir...
 
C) Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado:
Um Professor de retórica convidou os seus alunos padres a concelebrarem solenemente no final de um semestre. E pediu um voluntário para presidir e pregar nessa ocasião. Imediatamente alguém se ofereceu:
- Eu faço isso, ou não fosse eu o melhor aluno, com as melhores notas em todas as disciplinas.
No dia combinado estavam todos reunidos. O voluntário presidia à eucaristia e no momento da pregação subiu ao púlpito cheio de orgulho e convencido de que este seria para si um momento de glória. Começou a pregar, mas as palavras não lhe saíam como desejava. Começou a tremer, a gaguejar, teve uma branca, atrapalhou-se... e não teve outro remédio que retirar-se desculpando-se de que a sua voz não estava nas melhores condições. Tinha sido um autêntico fiasco.
No final foi ter com o professor:
- Diga-me qual foi o erro. O que é que eu fiz que não devia fazer? Não percebo o que me aconteceu. Diga-me em que errei?
O mestre com simplicidade apenas apontou:
- Olha, se tu tivesses subido ao púlpito da mesma forma com que desceste, com certeza terias descido do modo como subiste.
Se subimos com soberba, desceremos humilhados, mas se subirmos com humildade sermos recompensados.

sábado, 26 de outubro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Rezar com as contas



Saber discernir


6ª Feira - XXIX Semana comum

Discernir o tempo

Ouvimos dizer que Deus dá nozes a quem não tem dentes, ou dá viola a quem não tem unhas…
Segundo o evangelho de hoje, nada disto é verdade.
Jesus diz que cada um tem a capacidade de discernir o aspeto da terra e do céu… e que deve também discernir outros sinais do tempo presente.
Isto quer dizer que há talentos ou capacidades, há oportunidades e ocasiões, há sinais e mensagens para desvendar…
Temos condições para mostrar os nossos talentos.
Temos talentos para render em todas as condições.
Agradeçamos a Deus nos ter dado capacidades e oportunidades.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

António Maria Claret


Oração apostólica de Santo António Maria Claret (+1870):

Meu Senhor e meu Deus,
Que eu vos conheça e vos faça conhecer;
Que eu vos ame e vos faça amar;
Que eu vos sirva e vos faça servir;
Que eu vos louve e vos faça louvar por todas as criaturas.

Fazei, Senhor,
Que todos os pecadores se convertam,
Que todos os justos perseverem na vossa graça
E que todos juntos alcancemos a eterna glória.
Ámen!


“A mim próprio o digo: um Filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e que abrasa por onde quer que passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios acender em todos os homens o fogo do amor divino. Nada o demove, alegra-se nas privações, empreende trabalhos, abraça dificuldades, compraz-se nas calúnias, regozija-se nos tormentos. Não pensa senão no modo de imitar e seguir Jesus Cristo, rezando, trabalhando, sofrendo e procurando sempre e unicamente a glória de Deus e a salvação das almas.”

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Exemplo e modelo de fé


Hoje assinalamos a memória litúrgica do Beato Carlos Imperador da Áustria e Rei da Hungria.
Neste ano da Fé podemos valorizar o seu contributo neste campo.

A fé de um homem e um homem de fé

“Nenhuma missão concorreu tão eficazmente para reavivar a fé na minha diocese como o exemplo dado pelo imperador Carlos na sua doença e na sua morte” – assim confidenciou D. António Manuel Pereira Ribeiro, bispo do Funchal de 1914 a 1957.
O Imperador Carlos de Áustria e Rei da Hungria passou os cinco últimos meses da sua vida na Madeira para aqui viver a sua fé e a partir de então tem toda a eternidade para fazer brilhar essa mesma fé…
Como é que alguém passa tão pouco tempo num lugar, doente e acamado, exilado ou preso, sem saber falar a língua local, no meio de tantas provações e inquietações… e consegue deixar tamanho testemunho da sua fé? Como é que alguém perseguido e maltratado consegue dar uma tão grande lição que fez reavivar a fé da igreja local?
Só encontro uma resposta possível: O seu exemplo falava mais do que a sua boca, a sua atitude de oração pregava mais do que qualquer palavra.
E o povo à sua volta foi sensível a esse exemplo de fé e a esse modelo de oração.
Bem depressa os madeirenses descobriram naquele exilado um homem de fé. E logo se deixaram contagiar pela fé daquele homem.
Foi o exemplo que os levou a esta dupla descoberta. É que o exemplo arrasta e a atitude mobiliza.
E uma vez mais se cumpre a observação popular: vale mais ver uma só vez do que ouvir cem vezes. É por isso que o povo madeirense viu este homem de fé e deixou que o seu exemplo reavivasse a sua própria fé.
E o que viu de especial neste homem de fé?
Viu a sua humildade e simpatia, viu-o a procurar o horário das missas na sé, viu-o a participar nas eucaristias, viu o seu recolhimento, viu a sua sincera piedade eucarística, viu-o na mesa da comunhão, viu a sua devoção mariana, viu a sua consagração ao Sagrado Coração de Jesus, viu-o a perdoar os seus inimigos, viu-o a oferecer-se como vítima para restaurar a paz e a concórdia entre os seus concidadãos, viu-o a acompanhar um funeral de um pobre local e a rezar compassivo, viu-o a procurar fazer em tudo a vontade de Deus, enfim… viu-o morrer chamando pelo nome de Jesus. E foi mais importante ver uma vez, do que ouvir falar cem vezes.
Hoje, como bem-aventurado ou beato, Carlos de Áustria pode ser invocado como um modelo a seguir em qualquer parte do mundo.

Que este homem de fé nos ajude a aderir à mesma fé deste homem!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Caçadora de Ávila

Memória de Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila), Virgem e Doutora da Igreja

O nome Teresa vem do grego ‘teriso’ que se traduz por ‘cultivar ou cultivadora’, ou então de ‘terao’ que significa ‘caçar ou caçadora’. Ambos os significados encaixam muito bem na pessoa e na Santa de Ávila – Ela é a cultivadora de virtudes e a caçadora de almas para levá-las ao Céu.

Teresa de Jesus sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensanguentado, em agonia. Certa ocasião, estando aos pés de um crucifixo que trazia as marcas das chagas e muito sangue, ela perguntou:
- Senhor, quem vos fez isso?
E pareceu-lhe ouvir uma voz que vinha do crucifixo:
- Foram as tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa!
A partir daquele dia nunca mais perdeu tempo com conversas inúteis e com amizades que não levavam à santidade.
Outro dia, ao repetir o hino ‘Vinde Espírito Santo’ foi arrebatada em êxtase e ouviu no interior da sua alma estas palavras:
- Não quero que converses com os homens, mas com os anjos.
Como reformadora e fundadora, Teresa estabeleceu a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. Reinava a maior pobreza, as religiosas vestiam toscos hábitos, usavam sandálias em vez de sapatos e estavam obrigadas a perpétua abstinência de carne. No início admitia apenas treze religiosas em cada comunidade, mas mais tarde, nos conventos que não viviam só de esmolas mas que tinham outras rendas, aceitou que chegassem a vinte e uma. Apesar de pobres sabiam dar esmola: “Rezar pelos pecadores é uma esmola muito grande!” – dizia Teresa de Jesus.
Também não eram nenhuns anjos… e a mesma Teresa recordava: “Nas panelas também encontramos a Deus!”

Que Santa Teresa de Ávila nos ensine a fazer esmola também assim, e a encontrar a Deus também desse modo!