quinta-feira, 18 de julho de 2013

Bartolomeu dos Mártires



O Reformador

D. Bartolomeu dos Mártires discursando no Concílio de Trento:
“Os ilustríssimos e reverendíssimos cardeais precisam duma ilustríssima e reverendíssima reforma…
Vossas senhorias são as fontes donde todos os prelados bebem; necessário é portanto que a água seja limpa e pura… a Igreja e o mundo todo estão muito mais precisados de reformas do que dogmas.”
Insistia, por isso, com outros padres conciliares para que se deixassem de coisas de pouca importância e fossem diretos ao essencial. Mostrava assim quanto poder tem um homem primeiro em si o que pretende emendar nos outros. Ele procurou sempre a conversão por dentro, procurou, em particular, a permanente formação do clero.
Este dominicano, como diz o professor Aníbal Pinto de Castro, “soube transformar a história em arte, o passado em presente, a vida em poesia.”

O espelho dos padres
“Vós sois os espelhos em que os outros se hão de ver. Finalmente, vós sois de cuja vida depende o bem ou o mal do mundo. Porque manifesto está que, se vosso zelo respondesse ao ofício, não haveria tanta dissolução nos leigos, não andariam as ovelhas de Cristo tão fora do caminho do Céu.
Ai de vós, diz um Santo, lugar alto, e espírito baixo, cadeira prima e vida ínfima, mãos sagradas e mãos sacrílegas! Andais continuamente com as mãos metidas nos vasos santos, nos óleos sagrados, nos Sacramentos, no Corpo e Sangue do Filho de Deus, e com as mesmas mãos tratais coisas torpes, coisas nefandas; tirai-las dali e ponde-as aqui. Ó horrendíssimo sacrilégio! Não seria menos mal sempre as trazer metidas em coisas sujas, que das sujas passá-las às limpíssimas e sacratíssimas?”

A caridade vai alimpando a escória

“Quanto tens de caridade, tanto tens de santidade e virtude. Se tens grande caridade, és grande santo e justo; se tens pequena, assim tens pequena santidade e justiça. Porque esta é a suma de toda a santidade e justiça, e bondade, sem a qual ninguém se pode chamar bom.”

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Inácio de Azevedo

 
Hoje celebramos a memória do bem-aventurado Inácio de Azevedo e seus companheiros, martirizados no mar das Canárias, depois de terem deixado a Ilha da Madeira a caminho do Brasil em 1570.
 
O líder da expedição destes portugueses (e 9 espanhóis) jesuítas era o Pe. Inácio.
Atacados por uma embarcação calvinistas, foi-lhes decretada a morte caso não abjurassem a fé católica. O Pe. Inácio e seus companheiros não vacilaram:
- Não chorem. Hoje fundamos um colégio lá no céu! - dizia para os animar.
 
De facto nós andamos todos enganados.
Pensamos que fundamos colégios, empresas, projetos aqui na terra. Mas não. Daqui só edificamos projetos no céu.
Os projetos daqui da terra são levados adiante por quem já está lá no céu.
Inácio não edificou um colégio no Brasil, mas edificou com o seu martírio uma comunidade no Céu.
Os Santos intercedem por nós desde a eternidade, de modo que são eles a edificar as nossas empresas cá na terra.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Excelência



Hoje, ao celebrarmos a memória de Nossa Senhora do Carmo, procuremos descobrir uma dupla excelência - a da Virgem Santa Maria e a de todos os Filhos de Deus.

A maior excelência da Virgem Santa Maria é ser mãe do Filho de Deus.
A maior excelência dos filhos de Deus é ter como mãe a Virgem Santa Maria.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Memorial Pe. Colombo (1)


Boaventura

A liturgia propõe-nos hoje a memória de São Boaventura, franciscano, teólogo, bispo e doutor da Igreja do século XIII.

Podemos acolher 3 lições, retiradas da sua vida, dos seus valores e dos seus ensinamentos.

1. A humildade
Frei Boaventura recusara por diversas vezes o convite do Papa que o queria nomear Cardeal. Um dia, quando lavava os pratos no seu convento, chegou uma delegação papal, trazendo-lhe o chapéu cardinalício e a carta do Papa com a nomeação. Sem interromper o seu trabalho de cozinha, ele disse aos enviados pontifícios:
- Dependurem por aí esse chapéu, porque agora estou com as mãos ocupadas.

2. Sabedoria
Como teólogo e cardeal estava a participar no Concílio de Lião em 1274. Depois da 3ª sessão ele caiu doente e não mais se levantou. O próprio Papa administrou-lhe a unção dos enfermos.
Boaventura agonizava com o olhar fixo no crucifixo que segurava com ambas as mãos.
Alguém perguntou-lhe em que livro tinha bebido tanta sabedoria ao longo da sua vida. Ele respondeu levantando o crucifixo:
- Aqui está o livro onde aprendi tudo... a cruz de Cristo!

3. O amor
São Boaventura ensinou uma vez:
"Basta amar a Deus se quisermos ir para o céu. Uma simples velhinha analfabeta pode amar muito mais o Pai do Céu do que um professore de Teologia."


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Oração e Ação

 
Hoje celebramos a festa de São Bento, um dos padroeiros da Europa.
Foi ele um dos impulsionadores, no século V, da construção da Europa através do seu projeto: ORA et Labora, isto é, Oração e Ação.
 
Nestes dias em que todos falamos do trabalho para reconstruir um país ou um continente como a Europa eu fico a pensar: Não podemos ir longe apenas com o trabalho. Falta algo mais. São Bento dizia que nos falta Oração. Só assim, com as mãos e o coração, com a oração e o trabalho, com os santos e os operários, com a ajuda da terra e do céu, é que podemos construir a nossa vida, a nossa casa, a nossa cidade, a nossa pátria, a nossa Europa, a nossa Terra.
 
Recordo outro grande reconstrutor: O rei David construiu Jerusalém com dois instrumentos: com a harpa e com a espada, com a palavra e a ação, com a oração e o trabalho.
 
Também nas nossas mãos podemos segurar os mesmos meios para construir algo - a harpa e a espada para a ação e a oração, a contemplação e o trabalho.


domingo, 7 de julho de 2013

Código do trabalhador evangélico


Ano C - XIV Domingo Comum

No Evangelho de hoje Jesus apresenta o código do trabalho evangélico.
Os 72 enviados ou 0s 36 grupos de 2 devem simplesmente dizer uma coisa:
Está perto o Reino de Deus.
Mas o perfil destes enviados é mais complicado.
Podemos resumir em 7 as virtudes, atributos ou características destes operários do Reino dos Céus:

1. Não podem ser preguiçosos, mas trabalhadores dedicados.
... A seara é grande e os operários são poucos, portanto trabalhai.

2. Não podem ser medricas nem tímidos, mas corajosos.
...Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.

3. Não podem ser enfatuados ou cheios de si, mas desprendidos.
... Não leveis bolsa, nem duas túnicas.

4. Não podem ser violentos ou agressivos, mas pacíficos.
... Dizei " paz esteja nesta casa"

5. Não podem ser vadios ou salta-pocinhas, mas perseverantes ou constantes.
... Não andeis de casa em casa.

6. Não podem ser exigentes, mas humildes e simples.
... Comei do que vos servirem.

7. Não podem ser autoritários, mas tolerantes.
... Sacudi o pó e parti para outra paragem, mas no entanto dizei: está perto o reino dos céus.


É que a melhor maneira de evangelizar não é através do que se diz, mas através daquilo que se é.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Lumen Fidei

A luz da Fé (Lumen Fidei) é o título da Encíclica do Papa Francisco, publicada hoje, no âmbito do Ano da Fé.
Vem no seguimento das outras duas encíclicas do Papa Bento XVI (sobre a caridade e sobre a esperança). Foi iniciada pelo mesmo Bento XVI, de modo que parece ser "uma obra a 4 mãos" ou "de dois Papas".

O texto termina no nº 60 com uma oração mariana que pode ser o resumo ou o sumário de toda a encíclica:

"A Maria, Mãe da Igreja e Mãe da nossa fé,
nos dirigimos, rezando-lhe:

Ajudai, ó Maria, a nossa fé.
Abri o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.
Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.
Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé.
Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer.
Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.
Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.
Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que essa luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor."

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Crer é ver sem olhar

Na festa do Apóstolo SÂO TOMÉ tenho a fazer uma correção.
Afinal, é preciso ou não ver para crer?
pergunto isto porque no trecho do evangelho de hoje Jesus começa por dizer a Tomé:
- Porque me viste,acreditastes
Então para crer é preciso ver.
Depois diz:
- Felizes os que acreditam sem terem visto.
Então para crer não é preciso ver.
Em que ficamos?
Tenho a impressão de que a diferença está na tradução, que devia ser assim:
- Felizes os que acreditam sem olharem, pois crer é ver sem olhar, é ver com outros olhos.
Para além desta correção, eu acho que quem fica mal a fotografia não é Tomé, mas os outros discípulos.
De facto, segundo as palavras de Jesus: felizes os que acreditam em virtude da palavra dos que viram... mas afinal quem viu não conseguiu convencer quem não viu, talvez por falta de convicção não de Tomé, mas dos outros apóstolos.
 
Peço a Deus através de São Tomé que me faça crer vendo com outros olhos e que consiga convencer os que me rodeiam a acreditarem comigo...

terça-feira, 25 de junho de 2013

As aparências enganam

3ª feira - XII Semana Comum

Procurai entrar pela porta estreita da salvação, pois é larga a porta da perdição...

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mysterium lunae

 
 
Hoje celebramos a festa de São João Batista.
Faço eco da homilia do Papa Francisco proferida esta manhã no Vaticano:
 
Mistério de São João Batista = Mistério da lua
 
"Como São João, a Igreja é chamada a proclamar a Palavra de Deus até ao martírio.
A Igreja não deve jamais conservar algo para si mesma, mas estar sempre a serviço do Evangelho.
A figura de João Batista nem sempre é fácil de entender.
Quando pensamos em sua vida, vemos que ele foi um profeta, um homem que foi grande e depois acabou como um homem pobre.
Quem é então João? Ele mesmo respondeu:
“Eu sou uma voz, uma voz no deserto”, mas é uma voz sem Palavra, porque a Palavra não é ele, é Outro.
Então qual é o mistério de João:
Nunca se apodera da Palavra, João é aquele que indica, que assinala.
O sentido da vida de João é indicar outro.
A Igreja escolheu para a festa de São João um período em que os dias são os mais longos do ano, têm mais luz.
E realmente João era o homem da luz, carregava a luz, mas não tinha luz própria, refletia a luz. João era como uma lua, e quando Jesus começou a pregar, a luz de João começou a diminuir cada vez mais.
Voz, não Palavra, luz, mas não luz própria.
João parecia ser nada. Essa foi a vocação de João, anular-se.
E quando contemplamos a vida deste homem, tão grande, tão poderoso - todos acreditavam que ele era o Messias -, quando contemplamos essa vida, como se anulou até à escuridão de uma prisão, contemplamos um grande mistério. Nós não sabemos como foram os seus últimos dias. Sabemos apenas que ele foi morto, a sua cabeça colocada numa bandeja, como grande presente para uma dançarina e uma adúltera. Eu acho que mais do que isso ele não podia rebaixar-se, anular-se. Esse foi o fim de João.
Na prisão João experimentou a dúvida, tinha angústia e chamou os seus discípulos para irem até Jesus e pedir-lhe:
“És Tu o Messias, ou devemos esperar outro?”.
Existiu escuridão e dor na sua vida. Nem mesmo isso foi poupado a João.
A figura de João faz-me pensar muito na Igreja.
A Igreja existe para proclamar, para ser voz de uma Palavra, do seu esposo, que é a Palavra.
A Igreja existe para proclamar esta Palavra até ao martírio. Martírio precisamente nas mãos dos orgulhosos, dos mais soberbos da Terra. João poderia tornar-se importante, poderia dizer algo sobre si mesmo. Mas eu creio que nunca faria isso, pois indicava, sentia-se voz, não Palavra.  
Porque João é santo e sem pecado? Porque, ele jamais apresentou uma verdade como sua. Ele não queria ser um ideólogo. Era o homem que se negou a si mesmo, para que a Palavra se sobressaísse.
E nós, como Igreja, podemos pedir hoje a graça de não nos tornarmos uma Igreja de ideologias...
A Igreja deve ouvir a Palavra de Jesus e fazer-se voz, proclamá-la com coragem.
Esta é a Igreja, sem ideologias, sem vida própria: a Igreja que é o “mysterium lunae”, que recebe a luz do seu Esposo e deve diminuir para que Ele cresça.
Este é o modelo que oferece hoje São João Batista para nós e para a Igreja. Uma Igreja que esteja sempre ao serviço da Palavra. Uma Igreja, que nunca tome nada para si mesma.
Hoje pedimos a graça da alegria, pedimos ao Senhor para animar esta Igreja no seu serviço à Palavra, de ser a voz desta Palavra, pregar essa Palavra.
Vamos pedir a graça: a dignidade de João, sem ideias próprias, sem um Evangelho tomado como propriedade, apenas uma Igreja voz que indica a Palavra até o martírio. Assim seja!"

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A excelência do Pai Nosso

5ª Feira - XI Semana Comum

A Oração Dominical, entre todas, é a oração por excelência, pois possui as cinco qualidades requeridas para qualquer oração. A oração deve ser: confiante, reta, ordenada, devota e humilde.

 - Em 1º lugar a oração deve ser confiante
A oração deve ser feita com fé e sem hesitação. Por diversas razões, o Pai Nosso é a mais segura e confiante das orações. A Oração Dominical é obra de nosso advogado, do mais sábio dos pedintes, do possuidor de todos os tesouros de sabedoria. Deve ser também a oração mais ouvida porque aquele que, com o Pai, a escuta é o mesmo que no-la ensinou.

 - Em 2º lugar a nossa oração deve ser reta.
Quer dizer, devemos pedir a Deus os bens que nos sejam convenientes. É o pedido a Deus dos dons que convém pedir. Os bens que ele nos ensina a pedir, na oração, são os mais convenientes. Se rezamos de maneira conveniente e justa, quaisquer que sejam os termos que empregamos, não diremos nada mais do que o que está contido na Oração Dominical.

 - Em 3º lugar a oração deve ser ordenada.
Na Oração Dominical, o Senhor nos ensina a observar esta ordem: primeiro pedimos as realidades celestes e em seguida os bens terrestres.

 - Em 4º lugar a oração deve ser devota
A excelência da devoção torna o sacrifício da oração agradável a Deus. A prolixidade da oração, no mais das vezes, enfraquece a devoção. Tiremos da oração a abundância de palavras, mas não deixemos de suplicar.

 - Em 5º lugar a nossa oração deve ser humilde
Uma oração humilde é uma oração que certamente será ouvida. Esta humildade está presente na Oração Dominical, pois a verdadeira humildade está naquele que não confia nas suas próprias forças, mas tudo espera da bondade divina.

(Cf. São Tomás de Aquino, Sermão da Quaresma de 1273)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Orar em segredo

4ª Feira - XI Semana Comum

Quando orares, fecha a porta e reza a teu Pai em segredo

Quando orares, fecha a tua boca e reza a teu Pai no íntimo do teu coração, sem palavras,
mas com todo o sentimento
E os homens não te verão, nem te ouvirão a rezar, mas só Deus
te escutará e te abençoará.
É esta a diferença entre a oração vocal e mental;

vocal nas orações que reza: mental nos mistérios que medita.
Enquanto rezamos falamos com Deus: enquanto meditamos fala Deus connosco.
O nosso rezar são vozes, o nosso meditar é silêncio; mas neste silêncio ouvimos
melhor do que somos ouvidos nas vozes, porque nas vozes ouve-nos Deus a nós, no silêncio
ouvimos nós a Deus.
A vocal é o exterior da oração, a mental o interior;

a vocal é a parte sensível, a mental a que não se sente;
a vocal é um corpo formado no ar, a mental o espírito que a informa e lhe dá vida.
A vocal recita preces, a mental contempla mistérios;
a vocal fala, a mental medita;
a vocal lê, a mental imprime;
a vocal pede, a mental convence.
A vocal pode ser forçada, a mental sempre é voluntária;
a vocal pode não sair do coração, a mental entra nele e o penetra, e, se é duro, o abranda.
A vocal exercita a memória, a mental discorre com o entendimento e move a vontade,
a vocal caminha pela estrada aberta, a mental cava no campo, e não só cultiva a terra, mas descobre tesouros.
Quando orares, não sejas como os hipócritas, pois rezam e não meditam, e o rezar sem
meditar, não é orar, é falar: em vez de ser oração é verbosidade.

O que se reza sem meditação, sai da boca; o que primeiro se medita, sai do coração.
Por isso, quando orares, fecha a boca e abre o coração….

(Cf. Pe. António Vieira, Sermão da Rosa Mística, 1688)

terça-feira, 18 de junho de 2013

Amar os inimigos


3ª Feira - XI Semana Comum

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita- Manuscrito autobiográfico C 13v°-15v°

“No Evangelho, o Senhor explica em que consiste o seu mandamento novo. Diz em S. Mateus: «Ouvistes que foi dito: amareis o vosso amigo e odiareis o vosso inimigo. Mas eu digo-vos: amai os vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem.» Sem dúvida, no Carmelo não se encontram inimigos, mas enfim, há simpatias, sente-se atração por uma Irmã, ao passo que outra nos faria dar uma grande volta para evitar encontrá-la; assim, mesmo sem o saber, ela torna-se objeto de perseguição. Pois bem! Jesus diz-me que esta Irmã, é preciso amá-la, que é preciso rezar por ela, mesmo que o seu comportamento me levasse a pensar que ela não me ama: «Se amais aqueles que voa amam, que reconhecimento haveis de ter? Pois também os pecadores amam aqueles que os amam». E não basta amar, é preciso prová-lo…
Há na Comunidade uma Irmã que tem o condão de me desagradar em todas as coisas; as suas maneiras, as suas palavras, o seu carácter, pareciam-me muito desagradáveis. Apesar de tudo, é uma santa religiosa que deve ser muito agradável a Deus; por isso, não querendo ceder à antipatia natural que sentia, disse comigo que a caridade não devia consistir nos sentimentos, mas nas obras. Então apliquei-me a fazer por essa Irmã o que faria pela pessoa que mais amo. Cada vez que a encontrava rezava por ela a Deus, oferecendo-Lhe todas as suas virtudes e os seus méritos. Estava certa de que isso agradava a Jesus, pois não há artista que não goste de receber louvores pelas suas obras, e Jesus, o Artista das almas, fica contente quando não nos detemos no exterior, mas, penetrando até ao santuário íntimo que escolheu para sua morada, lhe admiramos a beleza. Não me contentava com rezar muito pela Irmã que me proporcionava tantos combates; procurava prestar-lhe todos os serviços possíveis e, quando tinha a tentação de lhe responder de uma maneira desagradável, contentava-me com dar-lhe o meu sorriso, e procurava desviar a conversa, pois a Imitação de Cristo diz: Vale mais deixar cada um com a sua opinião do que deter-se a discutir.
Muitas vezes também, tendo alguns contactos de ofício com esta Irmã, quando os meus combates eram muito violentos, fugia como um desertor. Como ela ignorava absolutamente o que eu sentia por ela, nunca suspeitou dos motivos da minha conduta, e continua persuadida de que o seu carácter me é agradável. Um dia, no recreio, disse-me mais ou menos estas palavras com um ar muito contente: «Poderíeis dizer-me, minha Irmã Teresa do Menino Jesus, o que tanto vos atrai em mim, cada vez que olhais para mim vejo-vos sorrir?» Ah, o que me atraía era Jesus escondido no fundo da sua alma… Jesus, que torna doce o que há de mais amargo…”

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Língua de Santo António

Festa de Santo António

Num antigo manuscrito do séc. XIII, encontra-se uma oração, atribuída a Santo António, que ele costumava rezar antes de começar a pregar:

 “Senhor, faz que a minha língua se solte como flecha

para anunciar as tuas maravilhas.”

Num sermão, Santo António parece explicar esta oração deste assim: cada pregador tem nas mãos um arco, isto é, a Sagrada Escritura, por meio da qual solta uma flecha, quer dizer, o sentido da Palavra de Deus, de forma que penetre no coração do ouvinte, para que se converta ao Senhor e a uma vida sóbria e honesta (cfr: II Domingo depois da Páscoa, 9). Isto acontece – afirma o santo – porque a flecha tem na extremidade posterior uma pluma, que serve para dar a direção certa. Esta pluma é o amor do Senhor que, unido ao amor do pregador que atira a flecha, permite à Palavra do Senhor alcançar o coração do crente.
Com esta oração, Santo António pede a Deus que possa utilizar a própria língua para lançar “palavras de amor” que proclamem “as maravilhas do Senhor”. Na verdade, sabemos que basta uma palavra de amor para despertar o amor; e uma só palavra boa pode tornar boa toda a existência do crente.

Por isso, São Boaventura, na altura da transladação do corpo de Santo António, ao encontrar a sua língua incorrupta, exclamou: «Ó língua bendita, que sempre louvaste o Senhor e o fizeste louvar aos outros, agora aparece claramente quão grande foi o teu mérito junto do Senhor!»

terça-feira, 11 de junho de 2013

Barnabé

 
Hoje celebramos a memória do Apóstolo Barnabé.
 
Mais do que falar das suas qualidade (homem cheio de bondade, do Espírito Santo e de Fé) vamos contemplar as suas 6 ações, ou 6 obras, ou 6 atos conforme nos relatam o livro dos Actos dos Apóstolos.
 
1. Animou
Bar Nabé = Barnadé  quer dizer Filho da Consolação
É que ele tinha o dom de consolar os aflitos.
 
2. Denunciou
Defendia e acalmava os mais fracos.
 
3. Pronunciou
Em Act 4 chama-se a Barnabé Filho da Exortação.
Ele exortava, ensinava, proclamava a Palavra de Deus.
 
4. Anunciou
Ele foi companheiro de Paulo e de Marcos nas suas viagens apostólicas.
Foi missionário, anunciado do evangelho.
 
5. Renunciou
Ele vendeu um seu campo e depositou o seu valor aos pés dos apóstolos.
 
6. Não negociou
Ele estava a regar na sinagoga da sua ilha natal (Chipre) quando os seus inimigos o tomaram por refém e como não conseguiram negociar com ele martirizaram-no. Não negociou, pois entregou voluntariamente a sua vida pelo amor do Reino dos Céus.
 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Festa do amor

Solenidade do Coração de Jesus
 
A) Mensagem do Papa Francisco na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus 2013
Aprender a difícil "ciência" de nos deixar amar por Deus.
Deixar-nos amar pelo Senhor com ternura é difícil, mas é o que devemos pedir a Deus.
A solenidade de hoje é “a festa do amor”, de um “coração que muito amou”. Um amor que, como repetia Santo Inácio, “se manifesta mais nas obras do que nas palavras” e que é sobretudo “mais dar do que receber”. Estes dois critérios são como os pilares do verdadeiro amor de Deus. Ele conhece suas ovelhas uma a uma, porque não se trata de um amor abstrato, mas que se manifesta por cada um de nós…
Ternura! O Senhor nos ama com ternura. O Senhor conhece aquela bela ciência dos carinhos, a ternura. Não nos ama com as palavras. Ele se aproxima e nos dá o amor com ternura. Proximidade e ternura! E este é um amor forte, porque nos faz ver a fortaleza do amor de Deus…
Isso pode parecer uma heresia, mas é a grande verdade! Mais difícil que amar a Deus é deixar-se amar por Ele! A maneira de retribuir tanto amor é abrir o coração e deixar-nos amar. Deixar que Ele se faça próximo a nós, deixar que ele nos acaricie. É tão difícil deixar-nos amar por Ele.
Talvez isso é o que devemos pedir hoje: Senhor, eu quero amá-Lo, mas me ensine a difícil ciência, o difícil hábito de deixar-nos amar, de senti-Lo próximo e terno!’. Que o Senhor no dê esta graça!
 
B) Mensagem do Papa Emérito Bento XVI
Se deixarmos que o amor de Cristo mude o nosso coração então nós poderemos mudar o mundo.

C) Mensagem do Superior Geral Dehoniano por ocasião da Solenidade do Coração de Jesus 2013
Servidores da reconciliação
 
Introdução:
O Padre Dehon espera que os seus religiosos sejam profetas do amor e servidores da reconciliação dos homens e do mundo em Cristo.
 
1. Deus ama um mundo ferido pelo pecado e pela morte
O olhar de Deus sobre o mundo declara-o “bom”. Não há uma criatura ou um mundo que sejam objeto de ódio de Deus ou estejam fora do seu poder, também quando alguém se pensa ou declara seu inimigo. A perspetiva bíblica sobre o mundo é fundamentalmente positiva: Deus ama e cuida das suas criaturas, particularmente dos seres humanos.
As imagens positivas e negativas da humanidade completam-se na visão de uma realidade cósmica que não está completa e perfeita, e dentro de um projeto a desenvolver rumo à plenitude. O paraíso terrestre não se encontra dentro de nós, num passado perdido, mas diante de nós, como imagem e utopia que orienta o caminho da humanidade.
 
2. Cristo reconcilia-nos pelo dom do Espírito
Este processo de reconciliação e de plenitude não pode ser unicamente obra do esforço humano, mas baseia-se na iniciativa de Deus.

3. Deixar-se reconciliar
Sentir-se amados por Deus revoluciona a forma de olhar a si mesmos, os outros e o mundo.

4. O Espírito gera comunidades reconciliadas e reconciliadoras
O testemunho profético das nossas comunidades, não consiste na perfeição do amor – que sempre conhecerá insuficiências – mas no constante empenho no perdão recíproco segundo a cordialidade manifestada nas nossas relações.
 
5. Reconciliados ao serviço da reconciliação
A exemplo de Cristo, somos chamados a ir ao encontro do mundo que precisa de solidariedade e de ternura, como nos recorda o papa Francisco, no caminho de renovação da Igreja.
 
Conclusão
O Espírito guia-nos pelo caminho do coração, aprendendo de Jesus, para nos pormos ao serviço da reconciliação e colaborar na construção de um mundo novo.
 
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Bonifácio


Hoje celebramos a memória de São Bonifácio, bispo e mártir

Nasceu na Inglaterra em 675.
Fez-se monge beneditino.
Foi enviado como missionário para a Alemanha.
Feito bispo, percorreu quase toda a Alemanha e numa dessas viagens pastorais foi martirizado pelos gentios em 754.
É considerado o Apóstolo da Alemanha.

Foi modelo de equilíbrio de todas as virtudes, mesmos as mais antagónicas:

A docilidade com a firmeza,
a serenidade com a inquietude,
a timidez com a coragem,
a discrição com a ousadia,
a oração com a ação.

Por sua intercessão aprendamos nós também a viver no mesmo equilíbrio:
sendo firmes sem deixarmos de ser dóceis,
inquietos sem deixarmos de ser serenos,
corajosos sem deixarmos de ser tímidos,
ousados sem deixarmos de ser discretos,
homens de ação sem deixarmos de ser homens de oração.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A César e a Deus


3ª Feira - IX Semana  Comum

Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
 
Isto pode provocar em nós 5 atitudes diferentes:
 
1. Separar
Não podemos unir o que Deus separou. Os bens de César e os bens de Deus não podem estar unidos, confundidos ou misturados. Saibamos separar o que deve ser separado.
 
2. Unir
Dai a César o que é de César. Não é Deus que deve ser submetido a César, mas o contrário, é César que foi feito para Deus. Oferecer tudo ao homem e com ele, nele e por ele oferecemos a Deus.
 
3. Entregar
O seu a seu dono. A moeda tem a imagem e a assinatura de César, deve ser entregue a César. Quem tem a assinatura e a imagem de Deus deve ser entregue a Deus. Olhemos então para o nosso coração... feito à imagem e semelhança de Deus.
 
4. Admirar
Os fariseus ficaram admirados com a resposta de Jesus, porquê? Porque só César e os senhores deste mundo é que cobram impostos. Deus não cobra imposto nenhum. Tudo nele é dom, graça, generosidade, gratuitidade.
 
5. Escalonar
Dai tudo a César e ... então adeus a Deus. Se pomos em primeiro lugar os bens deste mundo, se só pensamos nisso então adeus a tudo o que é de Deus.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Rezar é ...


Memória de São Carlos Lwanga e companheiros (1886)
 
Rezar é ser cristão; ser cristão é rezar.
 
O rei Lwanga convocou os seus pajens para uma reunião na sala de audiências. Um triste pressentimento invadiu a todos, pois alguns soldados armados já estavam na sala.
Os pajens do rei são jovens escolhidos a dedo, entre os mais belos e robustos do país. Cercavam o trono olhando-se interrogativamente. O rei deu uma ordem estranha:
- Todos aqueles que não rezam devem encostar à esquerda. Os que rezam, vão encostar-se à direita.
O líder dos pajens, Carlos, foi o primeiro a dirigir-se para a direita. Outros quinze acompanharam-no.
- Mas vocês rezam de verdade? - Perguntou o rei.
- Sim, meu senhor, nós rezamos de verdade.
- E querem continuar a rezar?
- Sim, meu senhor, até à morte.
- Então, serão mortos precisamente hoje.. Os soldados tomem já conta de vós.
No reino do Uganda, rezar tinha-se tornado sinónimo de ser cristão.
Ser cristão era então proibido.
Rezar é sinónimo de ser cristão, pois ser cristão é rezar.

O Bom Papa João


Foi há 50 anos
 
João XXIII morreu no dia 3 de junho de 1963, de cancro no estômago (que também tinha feito padecer outros dois irmãos), depois de 4 anos e 7 meses de Pontificado.
Com ele, a Igreja tinha voltado a estar na vanguarda dos que trabalhavam pela paz e pela fraternidade, dos homens e mulheres que reconheciam 'o primado do coração'.
Com ele muitas coisas tinham começado a acontecer na Igreja pela primeira vez.
Presidiu à abertura do Concílio Vaticano II a 11 de outubro de 1962, 3 anos e 10 meses desde que o anunciou como o 21º concílio ecuménico da Igreja.
Desde 23 de setembro de 1962 sabia que tinha cancro:
"Com a minha idade, não posso olhar demasiado longe no tempo... Hoje somos chamados a pôr em marcha, não a concluir..."
Durante o seu curto Pontificado, João XXIII publicou 8 encíclicas, como a mais conhecida a Mater et Magistra (1961). A 11 de abril de 1963 (apenas a 53 dias antes da morrer) publicou a Pacem in Terris, que pode ser considerada como o seu testamento.
A partir daí uma grande parte dos padres conciliares quis que fosse declarado santo por aclamação antes do términus do Concílio. Paulo VI, que o sucedeu e que declarou desde o primeiro dia ser seu continuador e que o Concílio iria em frente, deu início à sua causa de beatificação e João Paulo II proclamou-o beato a 3 de setembro de 2000.
Beato João XXIII, rogai por nós!
 
 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O cego Bartimeu


5ª Feira - VIII Semana Comum

Esta é a história de alguém que não tinha nada , mas ganhou tudo!

- Não tinha vista (era cego)
- Não tinha nome (era conhecido não pelo seu próprio nome, mas pelo nome do pai: filho de Timeu)
- Não tinha bens (pedia esmola)
- Não tinha estrada (estava à beira do caminho)
- Não tinha voz (gritava, mas mandaram-no calar)
- Não tinha vez (era ignorado por todos)
- Até ficou sem manto (deixou cair o manto)
- Deixou de ter um assento (levantou-se de um salto)

O encontro com Jesus devolveu-lhe tudo:
- passou a ter um nome (mandai-o chamar)
- ficou a saber que tinha uma vontade (que queres)
- ficou a saber que tinha uma grande fé (foi ela que te salvou)
- passou a ter vista (começou a ver)
- passou a ter um caminho (pôs-se a seguir o caminho)
- passou a ter um mestre (seguiu Jesus)
- passou a ter tudo... (quem tem Jesus tem tudo)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Chave do serviço


4ª Feira - VIII Semana Comum

A chave do serviço é a melhor maneira de gahnarmos um lugar junto de Jesus.
 
Contaram-me que havia um casal de idosos, que depois de 50 anos de casados, morava sozinho em casa, longe dos filhos. A mulher pediu ao marido:
- Daqui para a frente, devido às tuas maleitas, não te afastes muito da nossa casa. Podes precisar da minha ajuda e não posso ir muito longe.
- Também te peço o mesmo, minha muher. Visita apenas as vizinhas mais próximas, pois podes necessitar de mim e já não posso ir muito longe para socorrer-te.
Assim viviam felizes e zelosos sem se afastarem muito um do outro.
Um dia foram à missa e falaram-lhes de um casal amigo que vivia lá no extremo da aldeia e que estava a passar mal pro motivos de doença.
No dia seguinte o marido disse à mulher que ía dar uma volta pelas redondezas, mas pensou consigo mesmo:
- Não digo nada à minha mulher para não ficar preocupada, mas vou visitar esse casal.
E assim, depois de vaguear à volta da casa , dirigiu-se até ao expremo da aldeia.
Ao chegar lá, qual não foi o seu espanto: a sua mulher também lá estava. A final ela tinha pensado da mesma maneira.
- Com que então? Não te devias afastar da casa e aqui está. Deves-me uma explicação.
- E tu também! Qual é a tua explicação?
- É que eu façoa as coisasde maneira discreta para que não saiba a minha mão direita, o que faz a esquerda - disse a mulher.
- E eu, para nao ficar longe de ti não posso deixar de ficar perto de Deus!
É que a chave do serviço é a melhor maneira de ganharmos um lugar junto de Jesus, sem ter de ficar longe dos outros.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Os últimos


3ª Feira - VIII Semana Comum

Os últimos serão os primeiros;
os primeiros serão os últimos.
Só os do meio serão sempre os do meio!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A solução está no...

 
6ª Feira - VII Semana Comum
 
"... no princípio da criação não era assim... foi a dureza do coração que fez com que houvesse divórcio..."
 
Muitas vezes temos saudades do antigamente, pois no início foi uma coisa e no meio ou no fim as coisas mudaram.
O início de um casamento, de uma consagração, de um missão... é sempre bom e prometedouro. Mas no final as coisas complicam-se e há separações, divórcios, separações, amuos etc...
 
Então que fazer para que o princípio seja sempre o mesmo, no meio e no fim?
Onde está a solução?
 
Cetta mulher apresentou-se a um advogado católico famoso pedindo-lhe a concessão do divórcio por não poder viver mais com o marido, visto ele entrar em casa todos os dias ébrio, discutindo e maltratando tudo e todos.
- E que faz a senhora então?
- Naturalmente não admito isso. eu também não me calo!
- Já vejo que lhe falta em casa um equipamento muito importante...
- Qual? - Perguntou a mulher, pensando logo numa arma, num cassetete ou num bordão.
- Um genuflexório! - Disse o conselheiro - Arranje um genuflexório. E quando, à noite, o seu marido regressar embriagado, fale antes com Deus do que com ele...
 
Eis a solução para evitar discuções, separações ou maltratos. Em vez de falar com quem quer discutir connosco, saibamos falar primeiro com Deus.
 
Disse Alexandre Dumas que as cadeias do casamento são tão pesadas que são necessárias não apenas duas pessoas para as suportar, mas três: Marido, mulher e Deus.
União onde Deus é recebido, tudo se mantém unido.
 
 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ser sal

 
5ª Feira - VII Semana Comum
 
Papa Francisco, na homilia da missa de hoje, colocou em destaque a missão de difundirem o sal da fé, o sal da esperança e o sal da caridade:
"O sal tem sentido quando se dá para dar condimento às coisas.
Penso mesmo que o sal conservado no frasco, com humidade, perde força e não serve.
O sal que nós recebemos é para ser dado, é para temperar, é para ser oferecido.
Pelo contrário torna-se insipido e não serve.
Devemos pedir ao Senhor que não nos tornemos cristãos de sal insípido, como o sal fechado no frasco.
Mas o sal tem também uma outra particularidade: quando o sal se usa bem, não se sente o gosto do sal...
Sente-se o sabor de cada alimento: o sal ajuda a que o sabor daquela refeição seja melhor, seja maos conservado e mais saboroso."
 
O Padre António Vieira, num sermão de 1662, dizia:
"Se Cristo chamou aos apóstolos pescadores, também lhes chamou sal. Pois os pescadores hão de ser sal, e os apóstolos sal, e juntamente pescadores? Sim. O pescador pesca, o sal conserva. E esta é a diferença que há entre os pescadores de homens e os pescadores de peixes: os pecadores de peixes pescam os peixes para que se comem; os pescadores de homens hão de pescar os homens para que se conservem."

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os neutros

4ª Feira - VII Semana Comum

Jesus falou:
- Não proinais ninguém de fazer o bem; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós.

Isto quer dizer que não há neutralidade possível.
Diante de Jesus tomamos sempre uma posição: ou sim ou não.
Podemos mostrar-lhe a nossa adesão de várias maneiras:
- Ou por meio de palavras, que são sempre limitadas.
- Ou através de obras, de acções ou gestos.
- Ou através de uma pertença ou de uma participação.

Não há indiferença ou neutralidade possível.


Escreveu assim o Pe. Leão Dehon, na Crónica do Sudeste, nº 6, em junho 1901:
 
"Eu gosto de Dante, mas com reserva. Ele é demasiado gibelino, demasiado carregado de cesarismo, demasiado severo para com os Papas e para com a França. Tem no entanto páginas soberbas, sobretudo aquelas sobre os neutros.
Chama neutros às pessoas inertes, mornas, aquelas que nem são boas nem más, nem carne nem peixe; aquelas que nem agem nem lutam nem por Deus nem pelo diabo.
Cristo disse no Apocalipse que repugnam-Lhe e dão-Lhe náuseas os que nem são quentes nem frios.
Dante teve uma ideia de génio. Acha que estas pessoas não merecem nem o céu nem o inferno. Eles nem são tão distintos no mal, nem tão corajosos no bem. Ninguém quer reconhecê-los como seus, nem Deus nem Lúcifer. Os demónios rejeitam-nos como também os anjos. Era preciso criar um descanso à parte. Dante coloca-os no ADRO DO INFERNO. Eles são a escória da criação…
No nosso tempo, como no de Dante, para estes neutros só há desprezo.
É preciso acreditar e agir. Sejamos dedicados e práticos, como Joana d’Arc… Não podemos ser neutros…"



terça-feira, 21 de maio de 2013

Comparar-se

3ª Feira - VII Semana Comum
 
Jesus falava aos seus discípulos de que iria ser preso, crucificado e morto, mas que ao terceiro dia ressuscitaria... E os discípulos não compreendiam isso, de modo que começaram a olhar uns para os outros e a compararem-se: quem era o maior ou o mais importante ou o mais insignificante!
Jesus represendeu-os:
- Querem comparar-se? Então comparem-se com as crianças... sejam como elas, pois elas são como Eu!
 
Somos assim todos iguais, todos semelhantes aos pequeninos e estes são parecidos com Jesus.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Grandeza e debilidade da oração

2ª Feira - VII Semana Comum
 
Jesus cura um menino possesso de um espírito mudo e surdo que os discípulos não conseguiram curar...
 
1º - Se o espírito do possesso era surdo e mudo, como é que podia ouvir a ordem de sair?
O espírito impuro era mudo para nos recordar que mais do que falar de Deus ao possesso, é preciso falar do possesso a Deus. Mais do que falar-lhe de Deus; há que falar dele a Deus.
 
2º - Isto só se consegue através da oração... É preciso estar unido a Deus para agir. Eis aqui o verdadeiro poder da oração, pois não é nem a oração do agente, nem o agente da oração que faz o milagre acontecer, mas apenas Deus a quem cada um está unido em oração.
 
3º - O poder da oração vem de Deus e do homem. Santo Agostinho dizia que a oração é a força do homem e a debilidade de Deus. Atrevo-me a completar que a oração é ao mesmo tempo a debilidade do homem e a força de Deus.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Diálogo de amor

6ª Feira - VII Semana da Páscoa

A) Reflexão do Papa Francisco:
 
Pecadores transformados pelo amor
O Santo Padre colocou no centro da sua homilia a pergunta de Jesus a Pedro se o amava:
“É um diálogo de amor entre o Senhor e o seu discípulo e percorre a história dos encontros de Pedro com Jesus desde o primeiro vem e segue-me. Pedro deixou-se modelar por Jesus nos muitos encontros ao longo dos tempos, feitos de dor e alegria, de risos e de lágrimas e até de vergonha pelos erros cometidos. Mas, as palavras de Jesus são: Tu és Pedro, e depois lança-o na missão dizendo-lhe: apascenta as minhas ovelhas.
Mas Pedro era um simples pecador…
Pedro era pecador, mas não era corrupto.
Pecadores, sim, todos: Corruptos, não.
 
Uma vez um padre, um bom pároco que trabalhava bem, foi nomeado bispo, e ele tinha vergonha porque não se sentia digno, tinha um tormento espiritual. E foi ter com o confessor. O confessor ouviu-o e disse: Não te assustes. Se com todos aqueles pecados a Pedro fizeram-no Papa tu continua e vai em frente.
 
É que o Senhor Jesus é assim. Faz-nos amadurecer com os nossos encontros com Ele, mesmo com as nossas debilidades, quando as reconhecemos, com os nossos pecados…
O problema não é sermos pecadores mas não deixarmo-nos transformar pelo amor de Cristo.”
 
 
B) A minha reflexão
 
As 3 perguntas e a mesma resposta
Ou a mesma pergunta e as 3 respostas
 
1ª vez com a boca… Sim, tu sabes que te amo. (Palavras apenas palavras, saídas da boca… talvez ditas ao de leve, sem pensar)
 
2ª vez com a inteligência… Sim, tu sabes que te amo. (As mesmas palavras ditas agora depois de pensadas e pesadas)
 
3ª vez com o coração… Sim, tu sabes tudo, bem sabes que te amo. (Palavras personalizadas ditas com o coração, cheias de sentimento, de amor, palavras ditas, pensadas e sentidas, eis a verdadeira resposta)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Deus reza por nós

5ª Feira - VII Semana da Páscoa
 
Desde ontem estamos a proclamar no Evangelho o texto da Oração Sacerdotal de Jesus.
Ele não só escuta as orações que lhe dirigimos, como também ele próprio reza por nós.
Jesus reza por nós; ele está constantemente a torcer por nós, a tirar por nós...
 
Há dias um jovem apresentou-se-me:
- Senhor padre, eu sou um bom católico...
- Muito bem e rezas muito?
- O quê, senhor padre? Eu sou católico, mas não sou fanático.
Um seu colega, ao ouvir isto, defendeu-se
- Olha, eu rezo, mas não sou fanático.
- Ainda bem. E quando é que rezas? - Perguntei-lhe.
- Eu rezo quando tenho medo ou quando preciso de algum bem...
 
Eu tenho a certeza que Jesus reza por nós porque é Cristo (cristão, católico, isto é universal, pois reza por todos.)
Ele reza por nós porque é fanático, isto é, perdeu a cabeça por nós, perdeu a vida por nós, é louco por nós.
Ele reza por nós porque tem medo que nos percamos ou porque está a contar com algo que lhe podemos dar...
 
Eu nem sempre rezo a Deus, mas tenho a certeza de que Ele reza sempre por mim!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Olhar o céu / Olhar a terra


Festa de Nossa Senhora de Fátima


Um novo céu e uma nova terra:
Rezar a Deus / Rezar aos Homens.
Olhar o céu / Olhar a terra.
Glória a Deus / Paz no mundo
Deus é Deus / Homens sede homens.

Paulo VI em Fátima, 13 de Maio de 1967:
“Tão grande é o nosso desejo de honrar a santíssima Virgem Maria Mãe de Cristo e por isso mãe de Deus e Mãe nossa, tão grande é a nossa confiança na sua benevolência para com a santa igreja e para com a nossa missão apostólica, tão grande é a nossa necessidade da sua intercessão junto de Cristo, que viemos peregrino humilde e confiante, a este santuário… Queremos pedir a Maria uma Igreja viva, uma Igreja verdadeira, uma Igreja unida, uma Igreja santa.
E assim passamos à segunda intenção deste nosso peregrinar, intenção que enche a nossa alma: o mundo, a paz do mundo.
Por isso a nossa oração, depois de se ter dirigido ao céu, dirige-se aos homens de todo o mundo. Homens, dizemos neste momento singular, procurai ser dignos do dom divino da paz. Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo. Homens, sede magnânimos. Homens, procurai ver o vosso prestígio e o vosso interesse, não como contrários ao prestígio e ao interesse dos outros, mas como solidários com eles… Homens, sede homens!”

domingo, 12 de maio de 2013

Presença e missão

Ano C - Ascensão de Jesus
 
1ª Reflexão - Missão
Jesus sobe ao céu, mas antes envia os seus discípulos a continuar a sua obra. Para isso promete-lhes a força do Espírito que lhes enviará em breve e que lhes ensinará toda a verdade.
Isto quer dizer que Jesus conta connosco para levar avante a sua ação.
Ele conta connosco. O Espírito também nos dará força e nos ensinará. Ele não fará a nossa parte, apenas nos ensinará a fazer.
Conclusão:
Não fazemos a parte de Jesus e Ele não fará a nossa pate.
Ninguém fará a parte do Espírito e o Espírito não fará a nossa parte.
Portanto, mãos à obra! Se não fizermos a nossa parte, mais ninguém a fará. Assumamos a nossa missão.

 Reflexão – Presença
Jesus retira-se, mas promete acompanhar sempre os seus discípulos. Ele nunca diz adeus, mas até logo, ou até já!
Faz-me lembrar um ritual de passagem entre os  índios cherokes:
“O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho no alto de uma montanha.
O filho fica lá durante toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.
O menino fica, naturalmente, com medo.
Ouvirá toda classe de ruídos.
Os animais selvagens podem estar ao redor dele.
Talvez alguns homens possam feri-lo.
Os insetos e cobras podem picá-lo.
Pode sentir frio, fome e sede.
O vento pode soprar forte e os galhos se agitarem e produzirem barulhos assustadores, mas ele ficará sentado, heroicamente, sem remover a venda e sem gritar por socorro.
Finalmente, após uma noite horrível, o sol aparece e o menino remove a venda.
Então descobre seu pai sentado perto dele.
Ele passou a noite inteira protegendo seu filho de qualquer perigo.
Se ele conseguir passar a noite inteira na floresta, será considerado um homem.
Mas não poderá contar esta experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.
Para os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.
Nós também nunca estamos sozinhos!
Mesmo quando não percebemos, Deus está olhando para nós, sentado ao nosso lado protegendo-nos.”
Assim Jesus não nos abandona, mas está sempre presente. Nós é que às vezes estamos com os olhos vedados…
Saboreemos a companhia de Jesus, mesmo no meio das trevas do nosso existir.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A alegria do sacrifício

3ª Feira - VI Semana da Páscoa
 
Na Primeira leitura o carcereiro ao ver a coragem, determinação e alegria dos cristãos perseguidos, quis ser como eles, deixando tudo e convertendo-se. E foi grande a sua alegria.
 
Recordo as palavras do Papa Francisco, na sua homilia de hoje:
“O cristão que se lamenta deixa de ser um bom cristão, é o senhor ou a senhora das lamentações.
O processo de maturidade cristã opera-se através da estrada da paciência e exige tempo, como um bom vinho.
O silêncio de suportar a cruz não é um silêncio triste, é doloroso, muitas vezes muito doloroso, mas não é triste.” 
 
Recordo também um episódio histórico que nos pode alerta para o valor do sofrimento.
Só o que dói faz bem! Só damos valor àquilo que nos custa:
João Villaret contou este facto ocorrido numa das suas passagens artísticas por Luanda.
No hotel havia um criado preto, muito simpático, chamado Sabonete. Um dia, voltou-se para Villaret e disse-lhe:
- Patrão: gostava de ver o patrão no teatro…
- Lá por isso, Sabonete, eu dou-te, gostosamente, um bilhete para entrares.
- Não, patrão. Sem pagar… não dar gosto! – respondeu o preto.
A verdadeira alegria e consolação só nascem daquilo que exige de nós um sacrifício…