segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Mão direita curada


2ª feira – XXIII semana comum

 

No Evangelho de hoje Jesus curou um homem que tinha a sua mão direita paralítica.

Nas línguas semitas a palavra para dizer MÃO significa também PODER.

 

A mão tem poder de:

- Executar, mas também destruir.

- Curar, mas também ferir.

- Abençoar, mas também afastar.

- Dar, mas também receber.

- Agir, mas também criar.

 

Além disso a mão direita era identificada como o lado masculino, a mão do sol.

A mão esquerda como o lado feminino, a mão da lua.

De facto, na mitologia clássica, a mão aberta com os dedos a servir de raios era uma representação do sol.

Em língua Chókwe, de Angola, e em muitas línguas ou dialetos africanos e não só, não existe a palavra direita ou esquerda. Dizem apenas o lado do homem ou do pai (direita) e o lado da mulher ou da mãe (esquerda).

 

Jesus ao curar a mão direita daquele homem, curou muito mais do que a agilidade da mão, curou a sua identidade, a capacidade de assegurar a paternidade e a subsistência, a sua missão, a sua dignidade, devolvendo-lhe todo o poder (recordemos, por exemplo, a imposição das mãos).

 

Hoje quero rezar para que Jesus cure também a minha mão direita para que ela tenha poder de executar, curar, abençoar, dar, agir, criar, e eu possa ser uma nova criatura.

 

Ver também:

Milagre é obedecer

Mão atrofiada

Mão estendida

Estendera mão

 

sábado, 5 de setembro de 2020

A melhor oração


Ano A – XXIII domingo comum


Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, diz Jesus, eu estou no meio deles.

 

A) 

Então a melhor maneira de rezar é REZARMOS, 

isto é, rezar em comunidade, estar unidos, amar.

 

B) 

Jesus ensina-nos hoje a conjugar o verbo rezar:

Não tem singular, mas apenas plural.

Eu rezo

Tu rezas

Ele/ela reza

Nós rezamos

Vós rezais

Eles/elas rezam

 

Assim na oração do Pai Nosso, na Ave Maria... 

tudo é rezado no plural…

 

C) 

A melhor oração é amar

A melhor oração é amar

Se não sabes amar

Tu não podes rezar

A melhor oração é amar.

 

Meu Senhor, eu já posso rezar

Meu, Senhor, eu já posso rezar

Aprendi a amar

E já posso rezar

A melhor oração é amar.



 

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

O barco de Pedro


5ª feira – XXII semana comum

 

Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-se e do barco pôs-se a ensinar a multidão.


Jesus tinha barco?


Não, Jesus não tinha barco.

Por que é que Jesus não tinha barco?

- Porque era pobre?

- Porque era carpinteiro e não pescador?

- Porque era filho de carpinteiro?

- Porque que era Mestre, não do mar, mas das coisas divinas?

- Porque ele queria fazer do barco de Pedro o seu barco. Sim Ele fez do barco de Pedro o seu barco para que Pedro fizesse do barco de Jesus o seu barco.

A pesca milagrosa só acontece depois de Jesus ter falado do barco, isto é, depois dos discípulos terem ouvido Jesus, e depois de se afastarem para o largo, isto é, quando vão mais além, alargando os seus horizontes.

Jesus não tinha barco porque quer fazer do barco de Pedro (e de cada um de nós) o seu próprio barco.

Que o nosso barco seja o barco de Jesus.

Que o barco de Jesus seja o nosso barco.

 


São Gregório Magno, ou o Grande

No Século VI foi governador de Roma, foi monge, delegado Pontifício e Papa.

Não interessa onde estamos ou que tarefa temos.

Devemos sim estar unidos a Deus e tudo o que fizermos será obra de Deus.

 

Ver também:

Gregório Magno

Magno Gregório

 

Ver ainda:

Arrumar os barcos

Corpo e alma

Barco = púlpito

Deixar tudo

Faz-te ao largo

Eu sou um barquinho

Declaração de fé

A barca de Jesus

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Num lugar deserto


4ª feira – XXII domingo comum

Ao romper do dia, Jesus dirigiu-Se a um lugar deserto. A multidão foi à procura dele e, tendo-O encontrado, queria retê-lo, para que não os deixasse.


Por que é que Jesus foi para um lugar deserto?

 

- Para descansar?

- Para se preparar para a pregação?

- Para rezar sozinho?

- Para se encontrar com alguém?

- Para fugir à multidão?

 

Tenho a impressão que Ele foi para um lugar deserto para ser procurado pelas pessoas. 

Jesus ausenta-se num lugar deserto para que não nos cansemos de O procurar.

Para O encontrar é preciso esforço, é preciso procurá-lo, é preciso sair das nossas comodidades.

 

Ver também:

A nossa febre

Em todo o lugar

Paciência, caridade e humildade

A febre e a oração

A sogra de Pedro

Um dia em cheio

In+firmus

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Oração e Criação

A oração envolve-nos na Criação

A Criação envolve-nos na oração

 

No filme “A Missão”, realizado por Roland Joffé, em 1986, sobre missionários jesuítas no Paraguai do séc. XVIII, o irmão Gabriel (interpretado por Jeremy Irons) encontra Rodrigo Mendonza (Roberto De Niro) na selva, estendendo armadilhas para os guaranis, de modo a torná-los escravos e vendê-los aos portugueses.

- Estamos a construir uma missão aqui, entre os Guaranis – diz Gabriel a Mendonza.

O espanhol responde, com desprezo:

- Ótimo, se ainda for a tempo.

Hoje o problema não abrange apenas as pessoas, mas engloba toda a criação. Cuidemos de toda a humanidade e de toda a criação, se ainda for a tempo.

 

Seguindo o exemplo da Igreja ortodoxa que em 1989 proclamou o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, o papa Francisco pediu que a cada 1 de setembro se reservasse algum tempo para rezar pela criação, no início de uma “Estação da Criação” que termina na festa de S. Francisco de Assis, a 4 de outubro.

A ideia não é tanto que hoje o cristão separe o seu lixo (mas, por favor, que cada um faça isso), mas que reze (se ainda for a tempo).

Quem reza não se esquece da Criação.

Quem ama a Criação não se esquece de rezar.

 

“Não fugimos do mundo, nem negamos a natureza, quando nos queremos encontrar com Deus” (Laudato Si, nº 235).

Rezemos então para curar as feridas da Terra... se ainda for a tempo.


Se Deus nos fala da Terra

E se a Terra nos fala de Deus.

Falemos de Deus à Terra

E falemos da Terra a Deus.


Ver também:

O meu convento é o mundo

Laudato Si dos peixes

Louvores à mesa

O livro da Natureza

O livro da criação

A terra nas nossas mãos

As mãos da terra

Terra de esperança

Terra, espelho do céu.

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Coração inquieto


Memória de santo Agostinho,

Bispo e Doutor da Igreja, +430

Tanto a antífona das Laudes, como a oração da Colecta da memória de Santo Agostinho fazem referência a uma frase do seu livro Confissões (1,1):

Porque nos criastes para Vós, Senhor,

o nosso coração está inquieto

enquanto não descansa em Vós.

 

Comentário:

Deus dá-nos a vida para que possamos procurá-lo.

Dá-nos a morte para que possamos encontrá-lo. 

Dá-nos a eternidade para que possamos possuí-lo.

Em qualquer etapa da nossa vida seja Deus louvado.


Santo Agostinho é representado como alguém que 

tem o coração na mão

ou a mão no coração.

 

Ver também:

Tríplice conversão

Agostinho é o seu nome

Lição do Doutor Agostinho

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O poder da oração


Memória de Santa Mónica

Mónica ia 3 vezes por dia à igreja durante 20 anos seguidos e pedia a Jesus que o seu filho Agostinho se convertesse e se tornasse um bom cristão.

Era tudo o que ela queria. Não lhe pedia que ele um dia fosse padre, bispo, santo, doutor da igreja. Pedia apenas que Deus lhe concedesse a graça da sua conversão. Era apenas isso.

Deus não resistiu às lágrimas e às orações desta mãe.

E não concedeu apenas aquilo que ela pedia, mas concedeu-lhe muito mais.

O seu filho Agostinho não só se converteu como se tornou num gigante da igreja como cristão, sacerdote, bispo, santo e doutor da Igreja.

Deus não só concede aquilo que pedimos com fé e perseverança, mas dai-nos muito mais, muito mais do que pedimos ou podemos imaginar.

A nossa simples oração tem um poder infinito nas mãos de Deus.

 

Santa Mónica ensina-nos hoje 5 coisas:

- Que o poder da oração não depende de quem a faz, mas de quem a ouve.

- Que não basta falar de Deus aos filhos, mas é melhor falar dos filhos a Deus.

- Que não há oração sem resposta de Deus.

- Que não há fé sem perseverança nem perseverança sem fé.

- Que não basta rezar com palavras, mas também com lágrimas e sobretudo com o coração.

 

Ver também:

Santa esposa, santa mãe

Orações e lágrimas

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

A beleza de Jesus


4ª feira – XXI semana comum

 

“Por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de toda a podridão…”

 

Hipócrita quer dizer, ator, aquele que representa uma personagem que não é a sua, isto é, finge ser o que não é.

Como dizemos popularmente: só para inglês ver ou fazer de conta.


 E Jesus era belo?

 

- São Justino dizia que Jesus era um deformado, sem beleza nem atração, dominado pela dor.

- Clemente de Alexandria realçava que Jesus era feio de cara. Ele não quis a beleza corporal para nos ensinar a voltar o nosso rosto para as coisas invisíveis.

- Orígenes referia que Jesus era pequeno, feio e desajeitado. Não era nada formoso, mas nem por isso deixava de ser atraente.

- Santo Efrém Sírio anotava que corporalmente Jesus era insignificante, medindo apenas 3 côvados (cerca de 1,35 metros).

- São Tomás de Aquino ensinava que Jesus tinha a beleza que pertencia ao estado da sua alma. Do seu rosto irradiava algo divino.

 

Os evangelistas nada dizem sobre a beleza exterior de Jesus. Apenas referem que ele era atraente e sedutor… “Também vós vos deixastes seduzir por Ele? (Jo, 7, 47)” é a pergunta que os príncipes dos sacerdotes e fariseus fizeram aos guardas do templo que não foram capazes de prender nem de trazer Jesus até eles.

Parece então que a presença de Jesus era irradiante de tal modo que ninguém era capaz de o ver belo ou feio, mas diferente. Junto dele toda a gente ficava atraída pela sua beleza interior, que se esquecia do seu aspeto exterior.

Em todo o caso, tenho a certeza que por muito que fosse belo exteriormente, a sua beleza interior ultrapassava sempre a exterior.

É a alegria do coração que dá beleza ao rosto.

Não é a beleza do rosto que dá alegria ao coração.

 

Receita cosmética para teres a beleza de Jesus

Cuida assim da tua beleza:

Para os lábios, usa verdade.

Para a voz, usa oração.

Para os olhos, usa simpatia.

Para as mãos, usa caridade.

Para a atitude, usa perdão.

Para o coração, usa amor.

 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Apenas condimentos


3ª feira – XXI semana comum

 

O importante não é a hortelã, o funcho e o cominho,

mas a justiça, a misericórdia e a fidelidade.

 

Os condimentos são importantes, mas não são o essencial de um prato.

O mais importante é o bife e não os condimentos

O que se deve saborear é o conteúdo e não o copo.

 

Não confundir o acessório com o essencial

Nem o provisório com o definitivo

Nem o copo com o conteúdo

Nem o exterior com o interior

 

O mais importante é a minha relação com Deus e não as minhas palavras.

O essencial é obedecer a Deus, não é obedecer à minha vontade.

 

O mais importante não é parecer rico, mas ser rico.

O mais importante não é parecer bom, mas ser bom.

Parecer pode ser bom, mas ser é melhor.

 

O importante é a justiça (para com os outros)

a misericórdia (de Deus para connosco)

a fidelidade (de cada um para com os seus princípios)

... São estes os condimentos mais importantes da nossa vida.


Ver também:

O que limpar primeiro

Cuidar do mais importante

Chávena de cacau

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

A pele do Apóstolo

 

Festa de São Bartolomeu,

o Apóstolo a quem retiraram a sua pele.

São Bartolomeu, esculpido entre 1705 a 1712 por Pierre Le Gros, 
na Basílica de São João Latrão, em Roma.

 

Ao olhar para esta imagem vejo duas coisas:

- Vejo a pele sem o corpo

- Vejo o corpo sem a pele

 

Isto o que quer dizer?

- A pele vazia lembra-nos que é preciso esvaziar-se de si mesmo para poder encher-se de Cristo.

- O corpo despido da sua pele lembra-nos que é preciso despir-se do homem velho e revestir-se da graça de Deus.

 

Assim São Bartolomeu se identificou totalmente com Cristo, sem fingimento nem reservas.

 

Que São Bartolomeu nos ajude a ser criaturas novas, por dentro e por fora, cheios da Graça Divina e revestidos de santidade.

 

Ver também:

Apóstolo sincero

Bartolomeu ou Nataniel

Vem ver

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

O Papa da Eucaristia


Memória de São Pio X, Papa de 1903 a 1914

O Papa pobre e humilde

Contrariamente ao que era habitual, Pio X era de família pobre e humilde e teve de caminhar descalço vários quilómetros para ir à escola, quando criança. Foi para o seminário com a ajuda de uma bolsa de ajuda da sua paróquia.

Foi padre cura durante 9 anos, 9 anos pároco, 9 cónego, 9 bispo, 9 cardeal e conselheiro papal e finalmente papa durante 11 anos.

Conheceu assim toda a realidade da igreja a começar por baixo.

 

O Papa da Eucaristia ou do Santíssimo Sacramento

Depois de ter lido a História de uma alma, autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus, determinou que as crianças a partir do uso da razão, a partir dos 7 anos, pudessem receber a primeira comunhão, desde que soubessem distinguir o pão comum da Hóstia consagrada da Eucaristia.

Promoveu igualmente a comunhão diária como fonte de força e luz quotidiana. Inspirou as Cruzadas Eucarísticas como compromisso de apostolado e devoção.

 

O Papa do catecismo

Quando era pároco organizou um catecismo para as crianças poderem crescer na fé e na doutrina cristã.

Como papa promulgou o catecismo, chamado catecismo de Pio X, com perguntas e respostas, que serviu de doutrina cristã até ao Concílio Vaticano II (1965).

 

Para rir:

O Papa Pio X, Giuseppe Sarto, dizia:

- Eu não sou SANTO. Sou SARTO.

 

Ver também:

De santo a santo

Che bello vescovetto

Papa que o Pe. Dehon conheceu

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Vocação contagiada


Memória de São Bernardo de Claraval, Abade

O seu exemplo

Bernardo era o terceiro de sete filhos, nascendo em 1090 na França de família nobre.

Aos 19 anos de idade perdeu a mãe e decidiu entrar no mosteiro reformado de Cister na sua cidade para viver na solidão e na oração. Havia aí muito poucas vocações e o estilo de vida era muito rigoroso.

Os seus irmãos foram ao mosteiro para o convencer a voltar para casa ou então para que escolhesse outro mosteiro mais rico e conhecido.

Depois de tanto argumentarem, Bernardo conseguiu não só que eles o deixassem ficar, como também eles decidiram entrar também no mesmo mosteiro.

Assim contagiou à consagração e contemplação 4 dos seus irmãos, 1 tio e 20 amigos de juventude.

Bernardo foi seu abade e reformador e o mosteiro tornou-se o mais povoado de todo a França expandindo-se por toda a Europa com fundações de outros mosteiros, inclusive em Portugal, o Mosteiro de Alcobaça.

Foi declarado Doutor da Igreja com o epíteto de Melífero, isto é, doutor de mel. De facto ele dizia que só Jesus era mel na boca, cântico nos ouvidos e júbilo no coração. Através da oração e contemplação colhia esse mel de Deus e  partilhava-o em gestos de doçura e de amor para com todos os seus irmãos.

 

Conclusão

A vocação contagia-se pelo exemplo e pela santidade.

Um verdadeiro discípulo de Jesus é capaz de influenciar os outros pelas suas virtudes em vez de se deixar contaminar pelos seus vícios.

 

Ver também

Bernardo cicerone

São Bernardo

Bernardo de Claraval