3ª feira - XII Semana Comum
Procurai entrar pela porta estreita da salvação, pois é larga a porta da perdição...
terça-feira, 25 de junho de 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Mysterium lunae
Hoje celebramos a festa de São João Batista.
Faço eco da homilia do Papa Francisco proferida esta manhã no Vaticano:
Mistério de São João Batista = Mistério da lua
"Como
São João, a Igreja é chamada a proclamar a Palavra de Deus até ao martírio.
A
Igreja não deve jamais conservar algo para si mesma, mas estar sempre a serviço
do Evangelho.
A
figura de João Batista nem sempre é fácil de entender.
Quando
pensamos em sua vida, vemos que ele foi um profeta, um homem que foi grande e depois
acabou como um homem pobre.
Quem
é então João? Ele mesmo respondeu:
“Eu
sou uma voz, uma voz no deserto”, mas é uma voz sem Palavra, porque a Palavra
não é ele, é Outro.
Então
qual é o mistério de João:
Nunca
se apodera da Palavra, João é aquele que indica, que assinala.
O
sentido da vida de João é indicar outro.
A
Igreja escolheu para a festa de São João um período em que os dias são os mais
longos do ano, têm mais luz.
E
realmente João era o homem da luz, carregava a luz, mas não tinha luz própria,
refletia a luz. João era como uma lua, e quando Jesus começou a pregar, a luz
de João começou a diminuir cada vez mais.
Voz,
não Palavra, luz, mas não luz própria.
João
parecia ser nada. Essa foi a vocação de João, anular-se.
E
quando contemplamos a vida deste homem, tão grande, tão poderoso - todos
acreditavam que ele era o Messias -, quando contemplamos essa vida, como se
anulou até à escuridão de uma prisão, contemplamos um grande mistério. Nós não
sabemos como foram os seus últimos dias. Sabemos apenas que ele foi morto, a
sua cabeça colocada numa bandeja, como grande presente para uma dançarina e uma
adúltera. Eu acho que mais do que isso ele não podia rebaixar-se, anular-se.
Esse foi o fim de João.
Na
prisão João experimentou a dúvida, tinha angústia e chamou os seus discípulos
para irem até Jesus e pedir-lhe:
“És
Tu o Messias, ou devemos esperar outro?”.
Existiu
escuridão e dor na sua vida. Nem mesmo isso foi poupado a João.
A
figura de João faz-me pensar muito na Igreja.
A
Igreja existe para proclamar, para ser voz de uma Palavra, do seu esposo, que é
a Palavra.
A
Igreja existe para proclamar esta Palavra até ao martírio. Martírio
precisamente nas mãos dos orgulhosos, dos mais soberbos da Terra. João poderia
tornar-se importante, poderia dizer algo sobre si mesmo. Mas eu creio que nunca
faria isso, pois indicava, sentia-se voz, não Palavra.
Porque
João é santo e sem pecado? Porque, ele jamais apresentou uma verdade como sua.
Ele não queria ser um ideólogo. Era o homem que se negou a si mesmo, para que a
Palavra se sobressaísse.
E
nós, como Igreja, podemos pedir hoje a graça de não nos tornarmos uma Igreja de
ideologias...
A Igreja deve ouvir a Palavra de Jesus e fazer-se voz, proclamá-la com coragem.
A Igreja deve ouvir a Palavra de Jesus e fazer-se voz, proclamá-la com coragem.
Esta
é a Igreja, sem ideologias, sem vida própria: a Igreja que é o “mysterium
lunae”, que recebe a luz do seu Esposo e deve diminuir para que Ele cresça.
Este
é o modelo que oferece hoje São João Batista para nós e para a Igreja. Uma
Igreja que esteja sempre ao serviço da Palavra. Uma Igreja, que nunca tome nada
para si mesma.
Hoje
pedimos a graça da alegria, pedimos ao Senhor para animar esta Igreja no seu
serviço à Palavra, de ser a voz desta Palavra, pregar essa Palavra.
Vamos
pedir a graça: a dignidade de João, sem ideias próprias, sem um Evangelho
tomado como propriedade, apenas uma Igreja voz que indica a Palavra até o
martírio. Assim seja!"
quinta-feira, 20 de junho de 2013
A excelência do Pai Nosso
5ª Feira - XI Semana Comum
A
Oração Dominical, entre todas, é a oração por excelência, pois possui as cinco
qualidades requeridas para qualquer oração. A oração deve ser: confiante, reta,
ordenada, devota e humilde.
A
oração deve ser feita com fé e sem hesitação. Por diversas razões, o Pai Nosso
é a mais segura e confiante das orações. A Oração Dominical é obra de nosso
advogado, do mais sábio dos pedintes, do possuidor de todos os tesouros de
sabedoria. Deve ser também a oração mais ouvida porque aquele que, com o Pai, a
escuta é o mesmo que no-la ensinou.
Quer
dizer, devemos pedir a Deus os bens que nos sejam convenientes. É o pedido a Deus
dos dons que convém pedir. Os bens que ele nos ensina a pedir, na oração, são
os mais convenientes. Se rezamos de maneira conveniente e justa, quaisquer que
sejam os termos que empregamos, não diremos nada mais do que o que está contido
na Oração Dominical.
Na
Oração Dominical, o Senhor nos ensina a observar esta ordem: primeiro pedimos
as realidades celestes e em seguida os bens terrestres.
A
excelência da devoção torna o sacrifício da oração agradável a Deus. A
prolixidade da oração, no mais das vezes, enfraquece a devoção. Tiremos da oração
a abundância de palavras, mas não deixemos de suplicar.
Uma
oração humilde é uma oração que certamente será ouvida. Esta humildade está
presente na Oração Dominical, pois a verdadeira humildade está naquele que não
confia nas suas próprias forças, mas tudo espera da bondade divina.
(Cf. São Tomás de Aquino, Sermão da Quaresma de 1273)
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Orar em segredo
4ª Feira - XI Semana Comum
Quando
orares, fecha a porta e reza a teu Pai em segredo
Quando orares, fecha a tua boca e reza a teu Pai no íntimo do teu coração, sem palavras,
mas com todo o sentimento E os homens não te verão, nem te ouvirão a rezar, mas só Deus
te escutará e te abençoará.
É esta a diferença entre a oração vocal e mental;
vocal nas orações que reza: mental nos mistérios que medita.
Enquanto rezamos falamos com Deus: enquanto meditamos fala Deus connosco.
O nosso rezar são vozes, o nosso meditar é silêncio; mas neste silêncio ouvimos
melhor do que somos ouvidos nas vozes, porque nas vozes ouve-nos Deus a nós, no silêncio
ouvimos nós a Deus.
A vocal é o exterior da oração, a mental o interior;
a vocal é a parte sensível, a mental a que não se sente;
a vocal é um corpo formado no ar, a mental o espírito que a informa e lhe dá vida.
A vocal recita preces, a mental contempla mistérios;
a vocal fala, a mental medita;
a vocal lê, a mental imprime;
a vocal pede, a mental convence.
A vocal pode ser forçada, a mental sempre é voluntária;
a vocal pode não sair do coração, a mental entra nele e o penetra, e, se é duro, o abranda.
A vocal exercita a memória, a mental discorre com o entendimento e move a vontade,
a vocal caminha pela estrada aberta, a mental cava no campo, e não só cultiva a terra, mas descobre tesouros.
Quando orares, não sejas como os hipócritas, pois rezam e não meditam, e o rezar sem
meditar, não é orar, é falar: em vez de ser oração é verbosidade.
O que se reza sem meditação, sai da boca; o que primeiro se medita, sai do coração.
Por isso, quando orares, fecha a boca e abre o coração .
(Cf. Pe. António Vieira, Sermão da Rosa Mística, 1688)
Quando orares, fecha a tua boca e reza a teu Pai no íntimo do teu coração, sem palavras,
mas com todo o sentimento E os homens não te verão, nem te ouvirão a rezar, mas só Deus
te escutará e te abençoará.
É esta a diferença entre a oração vocal e mental;
vocal nas orações que reza: mental nos mistérios que medita.
Enquanto rezamos falamos com Deus: enquanto meditamos fala Deus connosco.
O nosso rezar são vozes, o nosso meditar é silêncio; mas neste silêncio ouvimos
melhor do que somos ouvidos nas vozes, porque nas vozes ouve-nos Deus a nós, no silêncio
ouvimos nós a Deus.
A vocal é o exterior da oração, a mental o interior;
a vocal é a parte sensível, a mental a que não se sente;
a vocal é um corpo formado no ar, a mental o espírito que a informa e lhe dá vida.
A vocal recita preces, a mental contempla mistérios;
a vocal fala, a mental medita;
a vocal lê, a mental imprime;
a vocal pede, a mental convence.
A vocal pode ser forçada, a mental sempre é voluntária;
a vocal pode não sair do coração, a mental entra nele e o penetra, e, se é duro, o abranda.
A vocal exercita a memória, a mental discorre com o entendimento e move a vontade,
a vocal caminha pela estrada aberta, a mental cava no campo, e não só cultiva a terra, mas descobre tesouros.
Quando orares, não sejas como os hipócritas, pois rezam e não meditam, e o rezar sem
meditar, não é orar, é falar: em vez de ser oração é verbosidade.
O que se reza sem meditação, sai da boca; o que primeiro se medita, sai do coração.
Por isso, quando orares, fecha a boca e abre o coração .
(Cf. Pe. António Vieira, Sermão da Rosa Mística, 1688)
terça-feira, 18 de junho de 2013
Amar os inimigos
3ª Feira - XI Semana Comum
Santa
Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita- Manuscrito autobiográfico C 13v°-15v°
“No
Evangelho, o Senhor explica em que consiste o seu mandamento novo. Diz em S.
Mateus: «Ouvistes que foi dito: amareis o vosso amigo e odiareis o vosso
inimigo. Mas eu digo-vos: amai os vossos inimigos, rezai por aqueles que vos
perseguem.» Sem dúvida, no Carmelo não se encontram inimigos, mas enfim, há
simpatias, sente-se atração por uma Irmã, ao passo que outra nos faria dar uma
grande volta para evitar encontrá-la; assim, mesmo sem o saber, ela torna-se
objeto de perseguição. Pois bem! Jesus diz-me que esta Irmã, é preciso amá-la,
que é preciso rezar por ela, mesmo que o seu comportamento me levasse a pensar
que ela não me ama: «Se amais aqueles que voa amam, que reconhecimento haveis
de ter? Pois também os pecadores amam aqueles que os amam». E não basta amar, é
preciso prová-lo…
Há
na Comunidade uma Irmã que tem o condão de me desagradar em todas as coisas; as
suas maneiras, as suas palavras, o seu carácter, pareciam-me muito
desagradáveis. Apesar de tudo, é uma santa religiosa que deve ser muito
agradável a Deus; por isso, não querendo ceder à antipatia natural que sentia,
disse comigo que a caridade não devia consistir nos sentimentos, mas nas obras.
Então apliquei-me a fazer por essa Irmã o que faria pela pessoa que mais amo.
Cada vez que a encontrava rezava por ela a Deus, oferecendo-Lhe todas as suas
virtudes e os seus méritos. Estava certa de que isso agradava a Jesus, pois não
há artista que não goste de receber louvores pelas suas obras, e Jesus, o
Artista das almas, fica contente quando não nos detemos no exterior, mas,
penetrando até ao santuário íntimo que escolheu para sua morada, lhe admiramos
a beleza. Não me contentava com rezar muito pela Irmã que me proporcionava
tantos combates; procurava prestar-lhe todos os serviços possíveis e, quando
tinha a tentação de lhe responder de uma maneira desagradável, contentava-me com
dar-lhe o meu sorriso, e procurava desviar a conversa, pois a Imitação de
Cristo diz: Vale mais deixar cada um com a sua opinião do que deter-se a
discutir.
Muitas
vezes também, tendo alguns contactos de ofício com esta Irmã, quando os meus
combates eram muito violentos, fugia como um desertor. Como ela ignorava
absolutamente o que eu sentia por ela, nunca suspeitou dos motivos da minha
conduta, e continua persuadida de que o seu carácter me é agradável. Um dia, no
recreio, disse-me mais ou menos estas palavras com um ar muito contente:
«Poderíeis dizer-me, minha Irmã Teresa do Menino Jesus, o que tanto vos atrai
em mim, cada vez que olhais para mim vejo-vos sorrir?» Ah, o que me atraía era
Jesus escondido no fundo da sua alma… Jesus, que torna doce o que há de mais
amargo…”
quinta-feira, 13 de junho de 2013
A Língua de Santo António
Festa de Santo António
Num antigo manuscrito do séc. XIII, encontra-se uma oração, atribuída a Santo António, que ele costumava rezar antes de começar a pregar:
Num antigo manuscrito do séc. XIII, encontra-se uma oração, atribuída a Santo António, que ele costumava rezar antes de começar a pregar:
“Senhor, faz que a minha língua se solte como
flecha
para
anunciar as tuas maravilhas.”
Num sermão, Santo António parece explicar esta oração deste assim: cada
pregador tem nas mãos um arco, isto é, a Sagrada Escritura, por meio da qual
solta uma flecha, quer dizer, o sentido da Palavra de Deus, de forma que
penetre no coração do ouvinte, para que se converta ao Senhor e a uma vida
sóbria e honesta (cfr: II Domingo depois da Páscoa, 9). Isto acontece – afirma
o santo – porque a flecha tem na extremidade posterior uma pluma, que serve
para dar a direção certa. Esta pluma é o amor do Senhor que, unido ao amor
do pregador que atira a flecha, permite à Palavra do Senhor alcançar o coração
do crente.
Com esta oração, Santo António pede a Deus que possa utilizar a própria língua para lançar “palavras de amor” que proclamem “as maravilhas do Senhor”. Na verdade, sabemos que basta uma palavra de amor para despertar o amor; e uma só palavra boa pode tornar boa toda a existência do crente.
Com esta oração, Santo António pede a Deus que possa utilizar a própria língua para lançar “palavras de amor” que proclamem “as maravilhas do Senhor”. Na verdade, sabemos que basta uma palavra de amor para despertar o amor; e uma só palavra boa pode tornar boa toda a existência do crente.
Por
isso, São Boaventura, na altura da transladação do corpo de Santo António, ao
encontrar a sua língua incorrupta,
exclamou: «Ó língua bendita, que sempre
louvaste o Senhor e o fizeste louvar aos outros, agora aparece claramente quão
grande foi o teu mérito junto do Senhor!»
terça-feira, 11 de junho de 2013
Barnabé
Hoje celebramos a memória do Apóstolo Barnabé.
Mais do que falar das suas qualidade (homem cheio de bondade, do Espírito Santo e de Fé) vamos contemplar as suas 6 ações, ou 6 obras, ou 6 atos conforme nos relatam o livro dos Actos dos Apóstolos.
1. Animou
Bar Nabé = Barnadé quer dizer Filho da Consolação
É que ele tinha o dom de consolar os aflitos.
2. Denunciou
Defendia e acalmava os mais fracos.
3. Pronunciou
Em Act 4 chama-se a Barnabé Filho da Exortação.
Ele exortava, ensinava, proclamava a Palavra de Deus.
4. Anunciou
Ele foi companheiro de Paulo e de Marcos nas suas viagens apostólicas.
Foi missionário, anunciado do evangelho.
5. Renunciou
Ele vendeu um seu campo e depositou o seu valor aos pés dos apóstolos.
6. Não negociou
Ele estava a regar na sinagoga da sua ilha natal (Chipre) quando os seus inimigos o tomaram por refém e como não conseguiram negociar com ele martirizaram-no. Não negociou, pois entregou voluntariamente a sua vida pelo amor do Reino dos Céus.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Festa do amor
Solenidade do Coração de Jesus
A) Mensagem do Papa Francisco na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
2013
Aprender a difícil "ciência" de nos
deixar amar por Deus.
Deixar-nos amar pelo Senhor com ternura é
difícil, mas é o que devemos pedir a Deus.
A solenidade de hoje é “a festa do amor”, de
um “coração que muito amou”. Um amor que, como repetia Santo Inácio, “se
manifesta mais nas obras do que nas palavras” e que é sobretudo “mais dar do
que receber”. Estes dois critérios são como os pilares do verdadeiro amor de
Deus. Ele conhece suas ovelhas uma a uma, porque não se trata de um amor abstrato,
mas que se manifesta por cada um de nós…
Ternura! O Senhor nos ama com ternura. O
Senhor conhece aquela bela ciência dos carinhos, a ternura. Não nos ama
com as palavras. Ele se aproxima e nos dá o amor com ternura. Proximidade e
ternura! E este é um amor forte, porque nos faz ver a fortaleza do amor de
Deus…
Isso pode parecer uma heresia, mas é a grande
verdade! Mais difícil que amar a Deus é deixar-se amar por Ele! A
maneira de retribuir tanto amor é abrir o coração e deixar-nos amar. Deixar
que Ele se faça próximo a nós, deixar que ele nos acaricie. É tão difícil
deixar-nos amar por Ele.
Talvez isso é o que devemos pedir hoje:
Senhor, eu quero amá-Lo, mas me ensine a difícil ciência, o difícil hábito de
deixar-nos amar, de senti-Lo próximo e terno!’. Que o Senhor no dê esta graça!
B) Mensagem do Papa Emérito Bento
XVI
Se
deixarmos que o amor de Cristo mude o nosso coração então nós poderemos mudar o
mundo.
C) Mensagem do Superior Geral Dehoniano por ocasião da Solenidade do Coração de Jesus 2013
Servidores
da reconciliação
Introdução:
O
Padre Dehon espera que os seus religiosos sejam profetas do amor e
servidores da reconciliação dos homens e do mundo em Cristo.
1. Deus ama um mundo
ferido pelo pecado e pela morte
O
olhar de Deus sobre o mundo declara-o “bom”. Não há uma
criatura ou um mundo que sejam objeto de ódio de Deus ou estejam fora do seu
poder, também quando alguém se pensa ou declara seu inimigo. A perspetiva
bíblica sobre o mundo é fundamentalmente positiva: Deus ama e cuida das suas
criaturas, particularmente dos seres humanos.
As
imagens positivas e negativas da humanidade completam-se na visão de uma
realidade cósmica que não está completa e perfeita, e dentro de um projeto a
desenvolver rumo à plenitude. O paraíso terrestre não se encontra dentro de
nós, num passado perdido, mas diante de nós, como imagem e utopia que orienta o
caminho da humanidade.
2. Cristo
reconcilia-nos pelo dom do Espírito
Este
processo de reconciliação e de plenitude não pode ser unicamente obra do
esforço humano, mas baseia-se na iniciativa de Deus.
3. Deixar-se reconciliar
Sentir-se
amados por Deus revoluciona a forma de olhar a si mesmos, os
outros e o mundo.
4. O Espírito gera comunidades reconciliadas e reconciliadoras
O
testemunho profético das nossas comunidades, não consiste na perfeição do
amor – que sempre conhecerá insuficiências – mas no constante empenho
no perdão recíproco segundo a cordialidade manifestada nas nossas relações.
5. Reconciliados ao
serviço da reconciliação
A
exemplo de Cristo, somos chamados a ir ao encontro do mundo que precisa de
solidariedade e de ternura, como nos recorda o papa Francisco, no caminho
de renovação da Igreja.
Conclusão
O
Espírito guia-nos pelo caminho do coração, aprendendo de Jesus, para nos
pormos ao serviço da reconciliação e colaborar na construção de um mundo novo.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Bonifácio
Hoje celebramos a memória de São Bonifácio, bispo e mártir
Nasceu na Inglaterra em 675.
Fez-se monge beneditino.
Foi enviado como missionário para a Alemanha.
Feito bispo, percorreu quase toda a Alemanha e numa dessas viagens pastorais foi martirizado pelos gentios em 754.
É considerado o Apóstolo da Alemanha.
Foi modelo de equilíbrio de todas as virtudes, mesmos as mais antagónicas:
A docilidade com a firmeza,
a serenidade com a inquietude,
a timidez com a coragem,
a discrição com a ousadia,
a oração com a ação.
Por sua intercessão aprendamos nós também a viver no mesmo equilíbrio:
sendo firmes sem deixarmos de ser dóceis,
inquietos sem deixarmos de ser serenos,
corajosos sem deixarmos de ser tímidos,
ousados sem deixarmos de ser discretos,
homens de ação sem deixarmos de ser homens de oração.
terça-feira, 4 de junho de 2013
A César e a Deus
3ª Feira - IX Semana Comum
Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Isto pode provocar em nós 5 atitudes diferentes:
1. Separar
Não podemos unir o que Deus separou. Os bens de César e os bens de Deus não podem estar unidos, confundidos ou misturados. Saibamos separar o que deve ser separado.
2. Unir
Dai a César o que é de César. Não é Deus que deve ser submetido a César, mas o contrário, é César que foi feito para Deus. Oferecer tudo ao homem e com ele, nele e por ele oferecemos a Deus.
3. Entregar
O seu a seu dono. A moeda tem a imagem e a assinatura de César, deve ser entregue a César. Quem tem a assinatura e a imagem de Deus deve ser entregue a Deus. Olhemos então para o nosso coração... feito à imagem e semelhança de Deus.
4. Admirar
Os fariseus ficaram admirados com a resposta de Jesus, porquê? Porque só César e os senhores deste mundo é que cobram impostos. Deus não cobra imposto nenhum. Tudo nele é dom, graça, generosidade, gratuitidade.
5. Escalonar
Dai tudo a César e ... então adeus a Deus. Se pomos em primeiro lugar os bens deste mundo, se só pensamos nisso então adeus a tudo o que é de Deus.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Rezar é ...
Memória de São Carlos Lwanga e companheiros (1886)
Rezar é ser cristão; ser cristão é rezar.
O rei Lwanga convocou os seus pajens para uma reunião na sala de audiências. Um triste pressentimento invadiu a todos, pois alguns soldados armados já estavam na sala.
Os pajens do rei são jovens escolhidos a dedo, entre os mais belos e robustos do país. Cercavam o trono olhando-se interrogativamente. O rei deu uma ordem estranha:
- Todos aqueles que não rezam devem encostar à esquerda. Os que rezam, vão encostar-se à direita.
O líder dos pajens, Carlos, foi o primeiro a dirigir-se para a direita. Outros quinze acompanharam-no.
- Mas vocês rezam de verdade? - Perguntou o rei.
- Sim, meu senhor, nós rezamos de verdade.
- E querem continuar a rezar?
- Sim, meu senhor, até à morte.
- Então, serão mortos precisamente hoje.. Os soldados tomem já conta de vós.
No reino do Uganda, rezar tinha-se tornado sinónimo de ser cristão.
Ser cristão era então proibido.
Rezar é sinónimo de ser cristão, pois ser cristão é rezar.
O Bom Papa João
Foi há 50 anos
João XXIII morreu no dia 3 de junho de 1963, de cancro no estômago (que também tinha feito padecer outros dois irmãos), depois de 4 anos e 7 meses de Pontificado.
Com ele, a Igreja tinha voltado a estar na vanguarda dos que trabalhavam pela paz e pela fraternidade, dos homens e mulheres que reconheciam 'o primado do coração'.
Com ele muitas coisas tinham começado a acontecer na Igreja pela primeira vez.
Presidiu à abertura do Concílio Vaticano II a 11 de outubro de 1962, 3 anos e 10 meses desde que o anunciou como o 21º concílio ecuménico da Igreja.
Desde 23 de setembro de 1962 sabia que tinha cancro:
"Com a minha idade, não posso olhar demasiado longe no tempo... Hoje somos chamados a pôr em marcha, não a concluir..."
Durante o seu curto Pontificado, João XXIII publicou 8 encíclicas, como a mais conhecida a Mater et Magistra (1961). A 11 de abril de 1963 (apenas a 53 dias antes da morrer) publicou a Pacem in Terris, que pode ser considerada como o seu testamento.
A partir daí uma grande parte dos padres conciliares quis que fosse declarado santo por aclamação antes do términus do Concílio. Paulo VI, que o sucedeu e que declarou desde o primeiro dia ser seu continuador e que o Concílio iria em frente, deu início à sua causa de beatificação e João Paulo II proclamou-o beato a 3 de setembro de 2000.
Beato João XXIII, rogai por nós!
Beato João XXIII, rogai por nós!
quinta-feira, 30 de maio de 2013
O cego Bartimeu
5ª Feira - VIII Semana Comum
Esta é a história de alguém que não tinha nada , mas ganhou tudo!
- Não tinha vista (era cego)
- Não tinha nome (era conhecido não pelo seu próprio nome, mas pelo nome do pai: filho de Timeu)
- Não tinha bens (pedia esmola)
- Não tinha estrada (estava à beira do caminho)
- Não tinha voz (gritava, mas mandaram-no calar)
- Não tinha vez (era ignorado por todos)
- Até ficou sem manto (deixou cair o manto)
- Deixou de ter um assento (levantou-se de um salto)
O encontro com Jesus devolveu-lhe tudo:
- passou a ter um nome (mandai-o chamar)
- ficou a saber que tinha uma vontade (que queres)
- ficou a saber que tinha uma grande fé (foi ela que te salvou)
- passou a ter vista (começou a ver)
- passou a ter um caminho (pôs-se a seguir o caminho)
- passou a ter um mestre (seguiu Jesus)
- passou a ter tudo... (quem tem Jesus tem tudo)
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Chave do serviço
4ª Feira - VIII Semana Comum
A chave do serviço é a melhor maneira de gahnarmos um lugar junto de Jesus.
Contaram-me que havia um casal de idosos, que depois de 50 anos de casados, morava sozinho em casa, longe dos filhos. A mulher pediu ao marido:
- Daqui para a frente, devido às tuas maleitas, não te afastes muito da nossa casa. Podes precisar da minha ajuda e não posso ir muito longe.
- Também te peço o mesmo, minha muher. Visita apenas as vizinhas mais próximas, pois podes necessitar de mim e já não posso ir muito longe para socorrer-te.
Assim viviam felizes e zelosos sem se afastarem muito um do outro.
Um dia foram à missa e falaram-lhes de um casal amigo que vivia lá no extremo da aldeia e que estava a passar mal pro motivos de doença.
No dia seguinte o marido disse à mulher que ía dar uma volta pelas redondezas, mas pensou consigo mesmo:
- Não digo nada à minha mulher para não ficar preocupada, mas vou visitar esse casal.
E assim, depois de vaguear à volta da casa , dirigiu-se até ao expremo da aldeia.
Ao chegar lá, qual não foi o seu espanto: a sua mulher também lá estava. A final ela tinha pensado da mesma maneira.
- Com que então? Não te devias afastar da casa e aqui está. Deves-me uma explicação.
- E tu também! Qual é a tua explicação?
- É que eu façoa as coisasde maneira discreta para que não saiba a minha mão direita, o que faz a esquerda - disse a mulher.
- E eu, para nao ficar longe de ti não posso deixar de ficar perto de Deus!
É que a chave do serviço é a melhor maneira de ganharmos um lugar junto de Jesus, sem ter de ficar longe dos outros.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Os últimos
3ª Feira - VIII Semana Comum
Os últimos serão os primeiros;
os primeiros serão os últimos.
Só os do meio serão sempre os do meio!
sexta-feira, 24 de maio de 2013
A solução está no...
6ª Feira - VII Semana Comum
"... no princípio da criação não era assim... foi a dureza do coração que fez com que houvesse divórcio..."
Muitas vezes temos saudades do antigamente, pois no início foi uma coisa e no meio ou no fim as coisas mudaram.
O início de um casamento, de uma consagração, de um missão... é sempre bom e prometedouro. Mas no final as coisas complicam-se e há separações, divórcios, separações, amuos etc...
Então que fazer para que o princípio seja sempre o mesmo, no meio e no fim?
Onde está a solução?
Cetta mulher apresentou-se a um advogado católico famoso pedindo-lhe a concessão do divórcio por não poder viver mais com o marido, visto ele entrar em casa todos os dias ébrio, discutindo e maltratando tudo e todos.
- E que faz a senhora então?
- Naturalmente não admito isso. eu também não me calo!
- Já vejo que lhe falta em casa um equipamento muito importante...
- Qual? - Perguntou a mulher, pensando logo numa arma, num cassetete ou num bordão.
- Um genuflexório! - Disse o conselheiro - Arranje um genuflexório. E quando, à noite, o seu marido regressar embriagado, fale antes com Deus do que com ele...
Eis a solução para evitar discuções, separações ou maltratos. Em vez de falar com quem quer discutir connosco, saibamos falar primeiro com Deus.
Disse Alexandre Dumas que as cadeias do casamento são tão pesadas que são necessárias não apenas duas pessoas para as suportar, mas três: Marido, mulher e Deus.
União onde Deus é recebido, tudo se mantém unido.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Ser sal
5ª Feira - VII Semana Comum
Papa Francisco, na homilia da missa de hoje, colocou em destaque a missão de difundirem o sal da fé, o sal da esperança e o sal da caridade:
"O sal tem sentido quando se dá para dar condimento às coisas.
Penso mesmo que o sal conservado no frasco, com humidade, perde força e não serve.
O sal que nós recebemos é para ser dado, é para temperar, é para ser oferecido.
Pelo contrário torna-se insipido e não serve.
Devemos pedir ao Senhor que não nos tornemos cristãos de sal insípido, como o sal fechado no frasco.
Mas o sal tem também uma outra particularidade: quando o sal se usa bem, não se sente o gosto do sal...
Sente-se o sabor de cada alimento: o sal ajuda a que o sabor daquela refeição seja melhor, seja maos conservado e mais saboroso."
O Padre António Vieira, num sermão de 1662, dizia:
"Se Cristo chamou aos apóstolos pescadores, também lhes chamou sal. Pois os pescadores hão de ser sal, e os apóstolos sal, e juntamente pescadores? Sim. O pescador pesca, o sal conserva. E esta é a diferença que há entre os pescadores de homens e os pescadores de peixes: os pecadores de peixes pescam os peixes para que se comem; os pescadores de homens hão de pescar os homens para que se conservem."
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Os neutros
4ª Feira - VII Semana Comum
Jesus falou:
- Não proinais ninguém de fazer o bem; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós.
Isto quer dizer que não há neutralidade possível.
Diante de Jesus tomamos sempre uma posição: ou sim ou não.
Podemos mostrar-lhe a nossa adesão de várias maneiras:
- Ou por meio de palavras, que são sempre limitadas.
- Ou através de obras, de acções ou gestos.
- Ou através de uma pertença ou de uma participação.
Não há indiferença ou neutralidade possível.
Escreveu assim o Pe. Leão Dehon, na
Crónica do Sudeste, nº 6, em junho 1901:
"Eu gosto de Dante, mas com
reserva. Ele é demasiado gibelino, demasiado carregado de cesarismo, demasiado
severo para com os Papas e para com a França. Tem no entanto páginas soberbas,
sobretudo aquelas sobre os neutros.
Chama neutros às pessoas inertes,
mornas, aquelas que nem são boas nem más, nem carne nem peixe; aquelas que nem
agem nem lutam nem por Deus nem pelo diabo.
Cristo disse no Apocalipse que
repugnam-Lhe e dão-Lhe náuseas os que nem são quentes nem frios.
Dante teve uma ideia de génio.
Acha que estas pessoas não merecem nem o céu nem o inferno. Eles nem são tão
distintos no mal, nem tão corajosos no bem. Ninguém quer reconhecê-los como
seus, nem Deus nem Lúcifer. Os demónios rejeitam-nos como também os anjos. Era
preciso criar um descanso à parte. Dante coloca-os no ADRO DO INFERNO. Eles são
a escória da criação…
No nosso tempo, como no de Dante,
para estes neutros só há desprezo.
É preciso acreditar e agir.
Sejamos dedicados e práticos, como Joana d’Arc… Não podemos ser neutros…"
terça-feira, 21 de maio de 2013
Comparar-se
3ª Feira - VII Semana Comum
Jesus falava aos seus discípulos de que iria ser preso, crucificado e morto, mas que ao terceiro dia ressuscitaria... E os discípulos não compreendiam isso, de modo que começaram a olhar uns para os outros e a compararem-se: quem era o maior ou o mais importante ou o mais insignificante!
Jesus represendeu-os:
- Querem comparar-se? Então comparem-se com as crianças... sejam como elas, pois elas são como Eu!
Somos assim todos iguais, todos semelhantes aos pequeninos e estes são parecidos com Jesus.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Grandeza e debilidade da oração
2ª Feira - VII Semana Comum
Jesus cura um menino possesso de um espírito mudo e surdo que os discípulos não conseguiram curar...
1º - Se o espírito do possesso era surdo e mudo, como é que podia ouvir a ordem de sair?
O espírito impuro era mudo para nos recordar que mais do que falar de Deus ao possesso, é preciso falar do possesso a Deus. Mais do que falar-lhe de Deus; há que falar dele a Deus.
2º - Isto só se consegue através da oração... É preciso estar unido a Deus para agir. Eis aqui o verdadeiro poder da oração, pois não é nem a oração do agente, nem o agente da oração que faz o milagre acontecer, mas apenas Deus a quem cada um está unido em oração.
3º - O poder da oração vem de Deus e do homem. Santo Agostinho dizia que a oração é a força do homem e a debilidade de Deus. Atrevo-me a completar que a oração é ao mesmo tempo a debilidade do homem e a força de Deus.
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