quinta-feira, 17 de julho de 2014

Na rota do martírio


Ao celebrar a memória dos mártires Inácio de Azevedo e companheiros, fico a pensar que a ilha da Madeira está na rota do martírio e da santidade de muita gente. Neste caso foram 40 os que deixando a Madeira foram logo perseguidos e martirizados por calvinistas no alto mar. Daqui partiram para o martírio… e esta ilha ficou para sempre na rota da coragem, do martírio e da santidade.
Olhando para a história, podemos concluir que esta é uma realidade constante ao longo dos 500 anos da diocese.
Primeiro foi Frei Pedro da Guarda, que vindo de longe, aqui se santificou…
Depois foi a Irmã Brites da Paixão, aqui nascida e aqui consagrada a uma vida de santidade.
Depois veio de longe, da Índia com escala em Inglaterra, Mary Jane Wilson… Aqui trilhou o caminho da caridade, da dedicação, da consagração e da santidade. Veio para ficar neste trampolim de santificação e daqui enviou tantas vitorianas pelo mundo inteiro.
Mais tarde foi a vez do Beato Carlos, Imperador da Áustria. Por contratempos e acasos da vida veio parar a este pequeno torrão no Atlântico e aqui, como meteorito fugaz, fez brilhar a sua vida de paz e de santidade num novo reino.
Seguiu-se a Madre Virgínia que aqui nasceu, se consagrou e se santificou. A sua mensagem espalhou-se pelo mundo fora onde se venera o Coração Imaculado da Virgem Santa Maria.
E não ficamos apenas por estes ilustres filhos da Igreja.
A lista pode continuar com a Irmã Maria do Monte das Hospitaleiras do Coração de Jesus, da Irmã Imelda da Congregação de Nossa Senhora das Vitórias… para não falar da Imperatriz Zita ou do Santo Padre João Paulo II que também passou por aqui num rasto de santidade.
Nós estamos de facto numa terra abençoada.
A diocese do Funchal está na rota da Santidade, na rota do martírio, na rota das Bem-aventuranças.
A madeira converteu-se em cruz e aqui a cruz converteu a Madeira. E assim se santificaram tantos que nasceram, viveram ou passaram por aqui.
Nós, aqui na Madeira, estamos na estrada do céu, na travessia do paraíso, no caminho do martírio, na rota da santidade.

Um jugo suave


5ª feira - XV Semana Comum

O Jugo de Cristo é suave e a sua carga é leve:

- Porque é um jugo de amor e só o amor torna suave uma cruz e leve um jugo.

- Porque contrariamente às outras coisas, o jugo de Cristo não nos puxa para baixo (força de gravidade/peso), mas atrai-nos para cima, para o alto, para Deus.

- Porque ajudarmo-nos a uma carga para servirmos a Deus não é uma fardo, mas uma honra.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Viver por obediência


O Pe. Prévot, mestre de noviços, estava bastante doente, entre a vida e a morte.
Informaram o Pe. Dehon que logo se dirigiu para o local.
A comunidade encontrava-se toda reunida no corredor, pois o doente estava em fase terminal.
O Pe Dehon entrou na enfermaria onde estava o Pe. Prévot e lá esteve poucos minutos.
A presença do Fundador parecia comunicar vigor ao doente que ficou feliz por vê-lo e, sem mais explicações, pediu-lhe licença para morrer.
- Morrer? Morrer não, mas viver!
- Parece-me que o Senhor Deus me quer Consigo. Se ainda estou vivo é porque estava a aguardar que chegasse aqui e me desse autorização para morrer em paz.
- Pede antes a nossa Senhora a obediência de viver mais dez anos...
- Se Vossa Reverência ordena tal, eu pedirei sim.
Os dois padres recolheram-se em oração por breves momentos e depois o doente concluiu:
- Nossa Senhora deu-me os 10 anos que lhe pedi, em obediência ao meu Superior Geral. Ficarei curado.
De facto o Pe. Prévot viveu os 10 anos por obediência.
E Nossa Senhora deu-lhe ainda mais para além destes, porque uma mãe é sempre generosa.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Remédio original


Estava uma vez o Pe. Prévot a pregar um retiro em Dussen na Alemanha. 
No terceiro dia interrompeu o serviço e voltou a casa, pois estava muito doente. 
O superior chamou o médico. 
- Há quanto tempo começou a sentir-se assim cansado e sem forças? 
- Talvez há 8 ou 10 dias.
- Porque é que foi pregar o retiro nesse estado? 
- Pensava que o cansaço passasse depressa. 
- Mas não viu que não passava, mas antes piorava? E continuou a pregar… Porquê? 
- Porque eu sentia que a pregação me dava um certo alívio. No entusiasmo da pregação sentia-me reconfortado e anestesiado, esquecendo assim o cansaço. 
- Mah! É a primeira vez que oiço falar de um remédio desse género. Nunca encontrei em nenhum Manual de Medicina ou de Farmácia que a pregação curasse uma fraqueza física. 
A ordem foi de repouso absoluto… é que remédio de um santo não quer dizer que seja um remédio santo!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mais do que uma estátua


Quando o Pe. Fuzet, um dos párocos de quem o Pe. Prévot foi coadjutor, reparou que este ficava muito tempo ajoelhado na igreja a rezar, lamentou-se com muita simplicidade:
- Eu não preciso de estátuas para a minha igreja…
O Pe. Prévot não era uma estátua silenciosa no seu nicho, mas uma estátua viva e orante. 
Ninguém imaginava que essa “estátua” estava a fazer pela sua comunidade cristã muito mais do que todos os outros colaboradores tidos como mais ativos e dinâmicos. 
O seu superior podia vê-lo como uma estátua, mas o Pe. Prévot era muito mais do que isso. Embora silencioso dava eloquentes lições de oração. Estando embora de joelhos, ia ao encontro de todos os necessitados. Falando dos homens a Deus, estava a falar de Deus aos homens.
Quem dera que todas as comunidades tivessem “estátuas” assim.





sexta-feira, 11 de julho de 2014

Amar os semelhantes


- Senhor padre, estou muito dececionada com a vida. A partir de agora vou amar só os animais. Isto não é pecado, pois não?
- Não, minha filha. É precisamente isso que ensina a Palavra de Deus.
- A sério?
- Sim, sim. A Bíblia diz que devemos amar de todo o coração os nossos semelhantes…


As 3 brechas


São Bento apontou três brechas por onde o inimigo pode entrar no nosso coração. O combate espiritual acontece aí nesses lugares de maior fragilidade humana e espiritual. É nestas brechas que precisamos prestar maior vigilância.

Primeira brecha:  A COBIÇA
É a idolatria das coisas, por exemplo, fazer do dinheiro um deus. É o apego às coisas da terra.
São Bento coloca como símbolo desta brecha o porco, pois seu focinho está sempre ligado ao chão. Curioso observar no Evangelho que o filho pródigo, após ter gastado todos os seus bens, foi trabalhar no meio dos porcos.   
Nesta brecha a luta acontece na reorientação dos desejos. É preciso conquistar uma atitude de oblação, de generosidade, desapego.   É neste sentido que os religiosos fazem o voto de pobreza.  

Segunda brecha:  A VAIDADE
É a idolatria do outro como objeto de prazer. É a necessidade de ser reconhecido e amado distorcida, pois esquece da relação de fraternidade para com o próximo e pensa apenas em si mesmo. É fazer tudo só pelo interesse de ocupar o primeiro lugar, ser bem visto pelos outros, elogiado, ter estatuto, ser admirado. 
Aqui São Bento usa o símbolo do pavão.   É preciso reorientar esta necessidade natural e boa de ser reconhecido e amado.
Se na primeira brecha, a atitude de desapego era uma garantia de vitória, nesta segunda brecha é necessário perseguir a atitude da solidariedade, do diálogo, da comunhão com Deus e com próximo.
Para isso é fundamental a mansidão e a simplicidade.   É neste sentido, de reorientar todos os afetos para o serviço da comunhão, que os religiosos fazem voto de castidade.

Terceira brecha:  O ORGULHO
É querer dominar tudo para si. Ser um verdadeiro deus. É a idolatria de “si mesmo”.
Aqui São Bento ilustra com o símbolo da águia. O orgulho é a origem de todos os pecados. É pelo orgulho que o homem se separa de Deus e procura a sua independência.   
É necessário perseguir a virtude da humildade. Na luta espiritual, às vezes Deus nos dá a graça da humilhação como uma espécie de exercício para crescermos na humildade e vencermos a brecha do orgulho. Neste sentido os religiosos fazem o voto de obediência.


CF. Blog do Padre Joãozinho, SCJ

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Uma túnica só


5ª Feira - XIV Semana Comum

Jesus enviou os seus discípulos, recomendando-lhes que não levassem duas, mas apenas uma túnica.

Porquê?

1. Porque Jesus envia-os como pessoas generosas = quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma!

2. Porque Jesus envia-os como gente serviçal = Não têm uma túnica para trabalhar e outra para festejar… pois estão sempre ao serviço!


3. Porque Jesus envia-os como pessoas identificadas com Ele = Vão revestidos de Cristo, como veste branca do batismo, e Cristo é um só, não está dividido!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Contrato


4ª Feira - XIV Semana Comum

Jesus contrata 12 discípulos como apóstolos.

terça-feira, 8 de julho de 2014

A missão é grande


3ª Feira - XIV Semana Comum

Podemos selecionar 2 mensagens de cada uma das leituras de hoje.
Fixemos a primeira frase da primeira leitura e a última frase da última leitura.

1ª - Israel escolheu reis sem o meu consentimento e chefes sem me consultarem...,
O Pe. Dehon aconselhava a um seu amigo: que todos digam de ti - nada faz sem consultar a Deus.
E podemos consultar a Deus através da oração, da meditação da sua Palavra, estando atento aos apelos do mundo, sensíveis aos nossos irmãos, contemplando a beleza da criação.
Tantas maneiras de consular a Deus...

2ª - A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos...
Se Jesus estivesse preocupado com a quantidade, diria hoje assim: A messe é cada vez menos, e os trabalhadores mais fracos...
De facto já não há multidões dispostas a seguí-lo. E os trabalhadores bem poucos.
Mas aquilo que Jesus pretende dizer ontem, hoje e sempre é: A missão é grande... e os trabalhadores indignos.
De facto a missão que Jesus nos dá é grande, o desafio é enorme, o ideal a que nos convoca é magnífica... E aqueles que são convocados só têm uma atitude: São indignos.
Pedi, portanto, ao Senhor da Missão: Senhor, eu não sou digno... mas dizei uma palavra e farei a minha parte.

domingo, 6 de julho de 2014

Aprender

Ano A - XIV Domingo Comum

Três verbos, três convites, três compromissos:

- Que estais cansados
- Vinde
- Aprendei

Primeiro: Quando estiverdes cansados
Se estou cansado, saturado, abatido, desanimado, em baixo, deprimido, adoentado... deixo logo de rezar, de ir à missa de meditar e de me aproximar de Deus e da Comunidade. Afasto-me porque estou cansado e fico ainda mais casado por me ter afastado.
Fazendo isto, faço precisamente o contrário do que quer Jesus.
Vós que estais cansados, eu vos aliviarei.
Só se liberta quem se aproximar de Deus e da Comunidade.

Segundo: Vinde
Quando estou aflito ou enrascado digo logo: Vinde Senhor em meu auxílio.
Peço que Deus me venha socorrer.
É precisamente o contrário do que espera Jesus.
Se precisas de ajuda, vem...
Se não somos socorridos é porque não vamos até ao ponto de socorro e de auxílio.

Terceiro: Aprendei
Jesus não me chamou para ensinar, mas para aprender. Não quer que sejamos mestres, mas sempre aprendizes, discípulos permanente.
Mesmo um pai não ensino o seu filho, mas aprende a ser pai com o seu filho.
Mesmo um professor não vai à escola para ensinar, mas para aprender. Se lhe faltar esta disposição nunca chegará a ser um bom professor, não aprenderá nada e não ensinará ninguém.
Jesus que que aprendamos não a falar, andar, curar, pregar, rezar como ele. Quer apenas que aprendamos a ser mansos, humildes e a ter coração como ele.
Mansos para os outros se aproximarem de nós.
Humildes para que nós nos aproximemos dos outros.
A ser coração para que todos tenhamos os mesmo sentimentos, um só coração e uma só alma.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Apóstolo do Coração de Jesus


Festa do Apóstolo de São Tomé

Se eu perguntasse qual é o Apóstolo do Coração de Jesus, com certeza que as respostas coincidiriam quase todas em São João. De facto foi ele quem inclinou a cabeça sobre o peito de Jesus na última Ceia e mais tarde testemunhou no Calvário a um dos soldados a trespassar o Coração de Jesus...

Mas para mim, o mais genuíno Apóstolo do Coração de Jesus é São Tomé. De facto foi ele quem quis primeiro olhar, ver e sentir o Coração trespassado de Cristo Ressuscitado. Foi a Ele que Jesus mostrou o seu coração, apresentando-o para que o tocasse.
Para São Tomé não lhe bastava ouvir, nem bastava ver. Ele queria tocar, sentir e entrar no lado aberto e ir até ao mais íntimo do Coração de Jesus.

Celebrar São Tomé é celebrar as primícias do Coração de Jesus.

Peçamos ao Senhor, através de São Tomé, que nos deixe tocar no Seu Coração, mas peçamos sobretudo que seja Ele a tocar no nosso coração.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Aproximar-se... afastar-se


4ª Feira - XIII Semana Comum

Dois endemoninhados aproximaram-se de Jesus
Os gadarenos pediram a Jesus que se retirasse do seu território.

A aproximação dos maus.
O afastamento dos bons.
A aproximação dos maus que queriam ser bons (libertar-se).
O afastamento dos que se julgavam bons.
Pior do que ser mau é julgar-se bom.

Jesus continua a atrair tudo e todos: bons e menos bons.
Ninguém, depois de se encontrar com Jesus, fica na mesma, tem de ser diferente, tem de melhorar.
Se não melhorar, fica pior.
Pior do que ser mau, é não querer melhorar.

Ou deixamos que Jesus expulse demónios que estão dentro de nós,
ou então nós expulsaremos a Jesus de dentro de nós.

Esta é a verdadeira expulsão dos vendilhões do templo.
Este templo somos nós, templo de Deus.
Expulsar os vendilhões é expulsar os demónios ou expulsar de tudo o que está a mais.

Aproximar-se de Deus é afastar-se do mal.
Aproximar-se do mal é afastar-se de Deus

domingo, 29 de junho de 2014

Joias do mesmo metal

Solenidade de São Pedro e São Paulo


São Pedro e São Paulo:
Duas colunas da igreja
Uma coluna em forma de chave
Outra coluna em forma de espada.
1. Tanto as chaves de Pedro como a espada de Paulo foram fundidas com o mesmo metal: A caridade
2. Por um mesmo ferreiro: Jesus
3. Numa mesma forja: a fé
4. Segundo um mesmo modelo: o Evangelho
5. Segundo o projeto do mesmo artista: Deus Pai
6. Com a mesma força ou energia: o Espírito Santo
7. Na mesma oficina: a Igreja Apostólica
8. Com o mesmo martelo: o sacrifício
9. Na mesma bigorna: a vontade
10. Com o mesmo peso: a unidade
11. Com o mesmo preço: o martírio
12. Com a mesma assinatura: a coroa da glória.























Também eu sou chamado a ser coluna, na edificação da mesma comunidade.
Que forma terá a coluna que eu quero ser?
Eu acho que a minha coluna terá a forma de um coração.
1. Também ele será fundido com o mesmo metal: a caridade
2. Pelo mesmo ferreiro: Jesus
3. Na mesma forja: a fé
4. Segundo o mesmo modelo: o Evangelho
5. Segundo o projeto do mesmo artista: Deus Pai
6. Com a mesma força ou energia: o Espírito Santo
7. Na mesma oficina: a Igreja Apostólica
8. Com o mesmo martelo: o sacrifício
9. Na mesma bigorna: a vontade
10. Com o mesmo peso: a unidade
11. Com o mesmo preço: o martírio
12. Com a mesma assinatura: a coroa da glória.
















Afinal tudo isto vem na linha de produção da Cruz de Cristo:
1. Também ela foi fundida com o mesmo metal: a caridade
2. Pelo mesmo ferreiro: Jesus
3. Na mesma forja: a fé
4. Segundo o mesmo modelo: o Evangelho
5. Segundo o projeto do mesmo artista: Deus Pai
6. Com a mesma força ou energia: o Espírito Santo
7. Na mesma oficina: a Igreja Apostólica
8. Com o mesmo martelo: o sacrifício
9. Na mesma bigorna: a vontade
10. Com o mesmo peso: a unidade
11. Com o mesmo preço: o martírio
12. Com a mesma assinatura: a coroa de glória.



sábado, 28 de junho de 2014

Em dia de aniversário

Faz hoje 136 anos que foi fundada a Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus pelo Pe. Leão Dehon.
O Superior Geral, Pe. José Ornelas, na carta para a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, desde ano, propôs uma mensagem a todos os religiosos dehonianos e membros da família dehoniana subordinada ao tema: Partilhar o nosso carisma dehoniano.
Tomo a liberdade de reequacionar dois pensamentos dessa mensagem:

1º - Um só Dehon, muitos dehonianos
Os religiosos da Congregação não são os únicos agraciados pelo dom do carisma do Pe. Dehon. A partilha do carisma com os leigos faz parte da nossa tradição desde o início. O Pe. Dehon partilhava, cheio de entusiasmo, o seu dom com os leigos que lhe eram mais próximos, familiares, amigos e colaboradores, intuindo que, também assim, o carisma melhor penetrava nas almas e nas sociedades.

2º A importância de um acorde
A espiritualidade dehoniana gira à volta de um e, conjunção copulativa.
Para o Pe. Dehon não bastava definir a nossa identidade só pelo amor. Ele preferia falar sempre de ‘amor e …’ – amor e reparação, amor e imolação, amor e oblação, amor e justiça, amor a Deus e amor ao próximo, profetas do amor e servidores da reconciliação… Na bela imagem de Roger Buggraeve ‘nós temos que respirar com dois pulmões: misericórdia e justiça. Assim é o Pe. Dehon, no fundo do seu coração. Uma participante no Encontro da Família Dehoniana, em maio último, testemunhou: ‘ A espiritualidade dehoniana de amor e oblação, disponibilidade, entrega e reparação fez soar um acorde no meu coração. Ao partilhar convosco o carisma do Pe. Dehon, senti despertar em mim o que havia de bom, estreitar a minha relação com Deus e uma amorosa devoção ao seu Sagrado Coração. O que mais me motiva no Pe. Dehon é a sua paixão por Deus e o seu empenho pela justiça social.’


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Consagração ao Coração de Jesus

A 27 de junho de 1924, D. António Pereira Ribeiro, bispo do Funchal, de forma solene na catedral fez a consagração da diocese ao Sagrado Coração de Jesus – “Bendito seja o Senhor que nos deixou ver este belo dia, dia de graças, de triunfo e de esperança!”

Parabéns por estes 90 anos de consagração!


"A Eucaristia é o grande dom do Coração de Jesus." 
(Cf. Pe. Dehon, ACJ 2, 1909, página 243)
(Fotografia - Igreja de Nossa Senhora do Monte)


Oito séculos da língua portuguesa


Língua Portuguesa faz 800 anos.

D. Afonso II, em 27 de junho de 1214, escreveu um texto que pode ser considerado um marco histórico.
Nunca antes dele, um rei, um estado, um soberano usara a nossa língua ou escrevera oficialmente em português.
Obviamente ele não disse: decreto hoje fazer esta língua.
É um texto e não um decreto.
É apenas o seu testamento; limitou-se a usar uma língua que já existia e já era falada pelo povo, antes de ele a usar também. (Cf. José Ribeiro e Castro, Língua portuguesa, in blog o povo)

Existem dois exemplares deste testamento, um foi enviado ao arcebispado de Braga e o outro ao de Santiago.
As suas primeiras linhas dizem o seguinte:
En'o nome de Deus. Eu rei don Afonso pela gracia de Deus rei de Portugal, seendo sano e saluo, temëte o dia de mia morte, a saude de mia alma e a proe de mia molier raina dona Orraca e de me(us) filios e de me(us) uassalos e de todo meu reino fiz mia mãda p(er) q(ue) depos mia morte mia molier e me(us) filios e meu reino e me(us) uassalos e todas aq(ue)las cousas q(ue) De(us) mi deu en poder sten en paz e en folgãcia. P(ri)meiram(en)te mãdo q(ue) meu filio infante don Sancho q(ue) ei da raina dona Orraca agia meu reino enteg(ra)m(en)te e en paz.
E ssi este for morto sen semmel, o maior filio q(ue) ouuer da raina dona Orraca agia o reino entegram(en)te e en paz. E ssi filio barõ nõ ouuermos, a maior filia q(ue) ouuuermos agia'o ...

Dou a palavra à própria língua portuguesa:
Vejam bem o que me aconteceu: eu, a língua portuguesa, uma vetusta anciã com mais de 800 anos, fui submetida a mais uma intervenção cirúrgica. Desta vez foi apenas uma operação plástica que parecia coisa fácil, mas que me fez esperar, como acontece a muito boa gente, cerca de vinte anos para que chegasse a minha vez. Na mesa das negociações, os oito cirurgiões (Portugal, Brasil, PALOP e Timor Leste) prepararam e levaram a cabo esta cirurgia intitulada “O novo acordo ortográfico da língua portuguesa”. Decidiram autorregular apenas o meu visual, isto é, a minha ortografia, sem tocar noutras dimensões da minha identidade. De tempos a tempos tenho sido submetida a várias correções para parecer sempre jovem e bem adaptada aos tempos modernos, mas por dentro continuo a ser a mesma senhora de outrora. O resultado desta última operação plástica está agora à vista dos meus 230 milhões de admiradores ou aficionados. Sinceramente acho que esta intervenção resumiu-se a uma questão de elegância, mas… os gostos não se discutem. É por isso que nem todos concordam com esta minha nova apresentação.
No bloco operatório foram aplicadas intervenções em cinco áreas específicas do meu corpo: aumento do alfabeto, uso de maiúsculas e minúsculas, hifenização, acentuação e sequências consonânticas.
Com a idade tive de aumentar o número de letras: passei de 23 a 26. Ao fim e ao cabo apenas fizeram o reconhecimento de três novas letras, pois já as usava há muito tempo. Ganhei assim um charme de dama internacional.
O uso de maiúsculas e minúsculas também ficou de acordo com o estatuto de uma idosa como eu. Com o tempo, passei a dispensar certas mordomias e a valorizar mais a igualdade e a simplicidade para evitar complexos de superioridade.
As sequências consonânticas tiveram um tratamento apropriado. Foi preciso cortar certas gorduras nos seis grupos de consoantes duplas… Estavam a ocupar lugar e não faziam falta nenhuma. O cirurgião plástico só deixou ficar o que podia desfigurar por completo a identidade. Quando uma consoante não é pronunciada deixa de ser registada, pois já não tenho idade para ser uma coisa e parecer outra. Só se escreve o que se pronuncia.
A acentuação levou também uma ação de limpeza. Já não preciso de muitos adereços. Sou uma senhora que dispensa apêndices, retoques, chapéus ou maquilhagem. Quanto mais simples, melhor.
          O hífen foi o que mais sofreu nesta operação plástica. Foi doloroso cortar aqui, unir acolá, manter isto, excluir aquilo. À ordem de eliminar o hífen seguiu-se tantas exceções… Quase entrei em paranoia. Salvou-me a aplicação de um super-rápido anti-inflamatório. Preciso ainda de muito tempo para assimilar todas estas transformações, regras e exceções…
          Sei que não sou de tratamento fácil. A minha provecta idade, o meu trajeto histórico, o número dos meus admiradores tornam pesada qualquer mudança… Tudo isto dificulta a minha rápida recuperação pós-operatória. O que mais necessito nesta altura é de apoio incondicional. Mais do que criticar o que não ficou bem, há que dar as mãos para fazer melhor.
          A quantos me adotam, só tenho uma recomendação: ler, escrever, comunicar... Praticar, praticar, praticar! Sei que não sou idioma fácil, mas sou a vossa herança, a riqueza de uma nação ou a vossa “pátria”, como bem lembrou o grande Pessoa.
          Sempre que me contemplo ao espelho no reflexo de cada página escrita sinto que estas mudanças ortográficas podem parecer simples troca de vestuário. Não é roupa nova para uma velha senhora. É muito mais do que isso. São mudanças de visual ou uma autêntica operação plástica, porque eu, a língua portuguesa, apesar de tão antiga quero continuar a ser jovem, moderna e prática. Assim rejuvenescida, continuo ao dispor de todos os que me leem no dia-a-dia.
(Adaptado de um relatório escolar da formação de docentes sobre o novo acordo ortográfico na Escola da APEL)


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Construção Civil


5ª Feira - XII Semana Comum

Há duas maneiras de construir: Sobre a areia ou sobre a rocha.
E nós, como bons construtores, sabemos construir de uma e de outra maneira.
E temos de construir de ambas as formas.
Nos nossos projetos temporais vamos construindo sobre a areia, pois não é preciso mais.
Para os projetos de Deus vamos construindo sobre a rocha, pois construímos para sempre.

Faz-me lembrar o que observei em Madagáscar.
Em visita a essa ilha vermelha reparei que as casas eram de aspeto pobre, de madeira ou folhas de palmeira, descuidadas, simples, sem resistência, efémeras, de pouca resistência e sem durabilidade.
Por seu lado, os túmulos eram de rocha firme, das poucas pedras que por lá existia, bem talhados, edificados com rebustez e durabilidade.
Explicaram-me que eles constroem assim a sua habitação na terra de maneira simples porque vão habitar nela por pouco tempo.
Mas os túmulos merecem outro cuidado, pois será a sua habitação por toda a eternidade.

Assim nós também:
Para o tempo vamos construir sobre a areia.
Para a eternidade, vamos construir sobre a firmeza da rocha, em Cristo Pedra Angular ou alicerce seguro.

Somos imprudentes quando trocamos a forma de construir: quando usamos material efémero na construção para a eternidade enquanto queremos usar material definitivo em construções passageiras.
Sejamos bons construtores civis.
Saibamos construir de maneira diferente se para o tempo ou se para a eternidade, se para a terra ou para o céu.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Para conhecer um profeta

4ª Feira - XII Semana Comum


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Acautelai-vos dos falsos profetas, que andam vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos frutos os conhecereis.


Por onde se hão de conhecer os profetas?
Por três coisas: pelos olhos, pelo coração e pelos sucessos.
1º Pelos olhos
Conhecem-se os verdadeiros profetas pelos olhos, porque o ver é o fundamento de profetizar. Os profetas na Escritura chamam-se videntes: os que veem. Só os que veem são profetas. Assim como a mais nobre profecia sobrenatural consiste na visão, assim a mais certa profecia natural consiste na vista. Só quem viu pode profetizar naturalmente com certeza. E a razão é muito clara. A profecia humana consiste no verdadeiro discurso, o discurso verdadeiro não se pode fazer sem todas as notícias; e todas as notícias só as pode ter quem viu com os olhos. Os discursos de quem não viu são discursos; os ditames de quem viu são profecias.
2º Pelo coração
O outro sinal da profecia é o coração, porque, conforme cada um tem o coração, assim profetiza. Os antigos, quando queriam prognosticar o futuro, sacrificavam os animais, consultavam-lhes as entranhas, e, conforme o que viam nelas, assim prognosticavam. Não consultavam a cabeça que é o assento do entendimento, senão as entranhas, que é o lugar do amor, porque não prognostica melhor quem melhor entende, senão quem mais ama. E este costume era geral em toda a Europa antes da vinda de Cristo, e os portugueses tinham uma grande singularidade nele entre os outros gentios. Os outros consultavam as entranhas dos animais: os portugueses consultavam as entranhas dos homens. Assim o diz Estrabo no livro terceiro: Era costume dos antigos portugueses - diz Estrabo - consultar as entranhas dos homens que sacrificavam, e delas conjeturar e adivinhar os futuros. - A superstição era falsa, mas a alegoria era muito verdadeira. Não há lume de profecia mais certo no mundo que consultar as entranhas dos homens. E de que homens? De todos? Não. Dos sacrificados. As entranhas dos sacrificados eram as que consultavam os antigos: primeiro faziam o sacrifício, então consultavam as entranhas. Se quereis profetizar os futuros, consultar as entranhas dos homens sacrificados: consultem-se as entranhas dos que se sacrificaram e dos que se sacrificam, e o que elas disserem isso se tenha por profecia. Porém, consultar entranhas de quem não se sacrificou, nem se sacrifica, nem se há de sacrificar, é não querer profecias verdadeiras: é querer cegar o presente e não acertar o futuro.
3º Pelos sucessos
O último sinal de conhecer profetas são os sucessos. Quando duvidardes de algum se é profeta ou não, observareis esta regra: se o que ele disser antes suceder depois, tende-o por verdadeiro profeta; mas, se o que ele não suceder, tende-o por profeta falso. - Não pode haver sinal nem mais fácil nem mais certo. Sabeis a quais haveis de ter por profetas? Sabeis de quais haveis de cuidar que acertarão com os futuros? Aqueles de quem tiverdes experiência que tudo, ou quase tudo o que disseram antes, veio a suceder depois. Há muitos mui prezados de profetas que, depois de acontecerem os maus sucessos, então profetizam pelo arrependimento o que fora melhor ter profetizado antes pelo discurso. Este foi um dos tormentos da Paixão de Cristo. Ataram a Cristo um pano pelos olhos, davam-lhe com as mãos sacrílegas na sagrada cabeça, e diziam por escárnio que profetizasse quem lhe dera: Adivinha quem foi que te bateu? Profetizar depois de levar na cabeça é profecia de quem tem os olhos tapados: é escárnio da Paixão de Cristo. Não haveis de profetizar quem vos deu, senão quem vos pode dar, porque é melhor reparar os golpes que curá-los, e, se o sucesso mostrar que a profecia foi certa, a quem a disser tende-o por profeta.

(Sermão da Terceira Dominga do Advento, de Padre António Vieira. Tu quis es? Quid dicis de te ipso?)

terça-feira, 24 de junho de 2014

Preparar, discernir, diminuir

Solenidade do Nascimento de São João Batista

Eis as 3 vocações do maior dos profetas: Preparar a chegada do Senhor, discernir quem é o Senhor, diminuir para que o Senhor cresça.
Nestes três verbos manifestam-se as vocações de João Batista, modelo sempre atual para os cristãos – preparar, discernir e diminuir.
1ª vocação - João preparava o caminho para Jesus sem tomar nada para si. Era um homem importante: o povo procurava-o e seguia-o, porque as suas palavras eram fortes, iam ao coração. Ele até teve a tentação de acreditar ser importante, mas não cedeu. Quando os doutores da lei se aproximaram e perguntaram se ele era o Messias, João respondeu: Sou a voz, somente a voz, mas vim preparar o caminho ao Senhor. Esta é a primeira vocação do Batista – Preparar o povo, o coração do povo para o encontro com o Senhor.
2ª vocação - discernir, entre tanta gente boa, quem era o Senhor. O Espírito revelou-lhe e ele teve a coragem de apontar: é este. Este é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. No dia seguinte, aconteceu a mesma coisa. É aquele! É mais digno que eu! Os discípulos foram atrás Dele. Na preparação, João dizia: atrás de mim, virá ele... No discernimento, diz: À minha frente… está ele!
3ª vocação - diminuir. A partir daquele momento, a sua vida começou a se reduzir, a diminuir para que o Senhor crescesse, até aniquilar a si mesmo: Ele deve crescer, eu diminuir. Atrás de mim, na minha frente, longe de mim. Esta atitude humilde foi a etapa mais difícil de João… foi parar à prisão… sofreu não somente a escuridão da cela, mas o breu no seu coração: Mas, será mesmo Ele? Não errei? Porque o Messias tem um estilo muito simples… Não entendo bem. E pede aos seus discípulos que perguntem a Ele: És Tu realmente, ou devemos esperar outro Messias?
Três vocações num homem: preparar, discernir, deixar crescer o Senhor e diminuir a si mesmo. É belo pensar a vocação de cada cristão desta maneira.
Um cristão não anuncia si mesmo, anuncia outro, prepara o caminho a outro: ao Senhor.
Um cristão deve saber discernir, deve conhecer como discernir a verdade daquilo que parece verdade mas não é: homem de discernimento.
E um cristão deve ser um homem que saiba diminuir-se para que o Senhor cresça, no coração e na alma dos outros.
(Adaptação da homilia de hoje do Papa Francisco, na Solenidade do Nascimento de São João Batista)


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ter mais que fazer


2ª feira - XII Semana Comum



Não julgueis e não sereis julgados…
Porque olhas o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua?


Há um provérbio chinês que lembra isto:
O cão quando está no canil, ladra até para as pulgas…
Quando está na caça nem as sente.

Só quem não tem mais nada para fazer é que se põe a julgar os outros e a apontar para os seus argueiros…
A quem vem bisbilhotar comigo, procurarei responder que tenho mais que fazer do que dar atenção a pormenores.

É preciso estar ocupado, ativo e a lutar por altos ideais e largos objetivos para não cair na tentação de transformar as pequenas areias dos outros em montanhas de acusação e maledicência.

domingo, 22 de junho de 2014

Receber e ser recebido


Ano A - Corpo de Deus

1º - Sempre que celebramos a Eucaristia é uma festa. Em geral dizemos o contrário: Sempre que há uma festa, celebramos a Eucaristia.
Esta solenidade foi instituída para nos lembrar que sempre que celebramos a missa, há festa.
Sempre que alguém comunga, ao sair da celebração está a fazer uma procissão do Santíssimo. É por isso que fazemos a procissão solene neste dia para nos lembrar o que acontece sempre que passamos pelas mesmas ruas depois de comungarmos.

2º - Quando estava na fase final da sua vida, o Cura de Ars, já sem foras foi reconfortado pela Santa Unção e pelo Viático ou Sagrada Comunhão. Ficou muito satisfeito e feliz ao ser ungido com a Unção dos Enfermos e pela Absolvição gera. Quando estava para receber a comunhão, começou a chorar convulsivamente. Que se passa? Está com muitas dores? Tem medo de morrer? Não quer receber Nosso Senhor? Nada disso. Ele chorava pois dizia que estava triste por ser a última vez que tinha a felicidade de receber a Sagrada Comunhão. Era essa o seu desgosto: Comungar pela última vez! Então o sacerdote vizinho reconfortou-o: Amigo, até aqui foste tu a receber a visita de Jesus. A partir de agora és tu que vás visitar o mesmo Jesus.
De facto é o que se passa connosco: temos de receber tantas vezes a visita de Jesus na Sagrada Comunhão para que aprendamos, pois um dia nós é que O iremos visitar na Eternidade. Hoje nós recebemos a Jesus, para nos lembrar que um dia será Ele a nos receber na sua glória.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Remessas de emigrantes


6ª Feira - XI Semana Comum

Acumulai tesouros no céu...

Faz-me lembrar os nossos emigrantes.
Eles estão fora da sua pátria a trabalhar e mandam as suas remessas monetárias, os seus tesouros para a sua terra... E só emigram para uma terra que recompense, para uma Venezuela de outros tempos, ou para o Brasil do passado..
Isto quer dizer 3 coisas:
1ª - Todos nós somos emigrantes. Estamos fora da nossa pátria que é o Reino dos céus. Esta é a nossa terra de emigração, porque somos do Além.
2ª - Esta terra de emigração é rica em nos proporcionar os tesouros para o céu. Nós estamos numa terra fértil e rica para angariarmos os tesouros suficientes para serem enviados para a nossa Pátria de origem ou de destino final. Afinal esta terra de emigração é boa, porque ninguém emigra para um lugar pior do que antes...
3ª - Todos nós ganhamos aqui os tesouros suficientes para voltarmos para o céu. Temos todos de trabalhar. Na terra de emigração não gozamos os rendimentos, enquanto estamos aqui é preciso acumular, é preciso trabalhar, para que o nosso gozo seja lá. descansar, só na eternidade.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Serviço ≠ Ser visto


4ª Feira - XI Semana Comum

Do Evangelho de Hoje

Cuidado, não praticar para:
Para serdes vistos (2X).
Para serdes louvados.
Para vos mostrardes.
Para dardes a perceber.

Nada disto é preciso:
Pois Deus vê o oculto (3X).

Que eu resista à tentação de transformar o SERVIÇO em SER VISTO.



terça-feira, 17 de junho de 2014

Sede de perfeição


3ª Feira - XI Semana Comum

Sede perfeitos, como o Vosso Pai Celeste é Perfeito.

- Ser perfeito não é fazer muita coisa, mas sim fazer bem o que se faz. Não é o que se faz, mas o como se faz que nos leva à perfeição. A perfeição não consiste na multiplicidade das coisas feitas, mas no facto de serem bem feitas.

- Ser perfeito não é brilhar mais do que os outros, mas ser humilde. A perfeição não é possível sem humildade. Por que haveria de lutar pela perfeição se já me acho suficientemente bom?

- Ser perfeito não é o fim ou uma meta, mas sim um caminho ou um alvo móvel. Deus não nos avalia pelos nossa perfeição, mas pela nossa progressão.

Conclusão:
Eu quero ter sede de perfeição!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

ABG


2ª Feira - XI Tempo comum

A B G

Não, não é engano.
Não é ABC, mas ABG.
São as iniciais das 3 palavras do Evangelho de hoje que devem fazer eco na nossa vida.

A Atentos para sabermos quem precisa de nós.
BBondosos para respondermos aos anseios de quem espera a nossa ajuda.
G Generosos para ultrapassarmos as expetativas, para darmos mais do que nos pedem… Assim a nossa caridade não dependerá de quem nos pede, mas sim à medida do nosso coração.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A nossa guarda

Hoje celebramos a memória do Santo Anjo da Guarda de Portugal.

Contemplemos este mistério dos Anjos de Deus.

1ª Contemplação - O que dizem os anjos.
Na Primeira leitura o Anjo disse a Daniel: Não temas.
No Evangelho o Anjo disse aos pastores: Não temais.
Sempre que um anjo nos é enviado, dirá a mesma coisa: Não tenhas medo.
Se eu visse um anjo, com certeza iria ficar surpreendido e cheio de medo. Mas não é desse medo que o anjo me quer afastar.
Sempre que eu tenho medo de alguma coisa, da vida, da doença, da morte, do destino...
Sempre que tenho medo, Deus envia-me o seu anjo mensageiro para me dizer: Não tenhas medo.
Então um anjo é quem Deus envia para nos libertar do medo, seja de que espécie for.

2ª Contemplação - O que fazem os anjos.
Ainda hoje eu segui na televisão o Presidente da República com a sua guarda de honra. Até mesmo o Santo Padre tem uma guarda suíça para o proteger e fazer guarda de honra.
E eu fico a pensar: Na nossa experiência humana as pessoas grandes, importantes e poderosas têm guardas de honra ou guarda-costas que são gente simples, humilde e sem poder ou estatuto social. E são estes pobres e fracos que protegem os grandes e poderosos deste mundo. E quanto mais poderosos mais guardas têm.
Mas nos negócios de Deus é precisamente o contrário.
Os anjos que nos guardam são ricos, grandes e poderosos e estão a zelar por gente fraca, pobre e insignificante que somos nós.
Na primeira leitura Daniel viu um anjo: vestido ricamente de linho, com cinturão de oiro, o rosto com fulgor de relâmpago, braços e pernas brilhantes como bronze polido. Era de facto uma figura rica, grandiosa e poderosa. E era essa figura assim tão importante que devia ficar ao serviço de uma criatura tão insignificante como o débil Daniel.
Celebrar o anjo da guarda é descobrir que Deus nos envia ao nosso serviço e proteção uma personagem tão majestosa. É que Deus nos trata tão bem. Se Ele nos envia alguém assim é porque nos considera ainda com maior dignidade.
Agradeçamos a Deus tão grande consideração.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

No monte


2ª feira - X semana comum

Naquele tempo Jesus VIU a multidão, SUBIU ao monte e SENTOU-SE e os discípulos APROXIMARAM-SE e Ele começou a ensinar.

Primeiro, Jesus VIU.
Depois FUGIU. Sim, subiu ao monte, afastou-se...
Mas logo SENTOU-SE.
Então os discípulos APROXIMARAM-SE, isto é foram atrás Dele.
Se Ele não tivesse subido ao seu encontro, eles não teriam ido ao seu encontro.

Jesus é assim.
Ele afasta-se para que nós possamos ir ao encontro.
Ele vem ter connosco, mas que que também nós vamos ao seu encalce.
Ele afasta-se, mas senta-se para esperar por nós.

Agradeçamos ao Senhor o facto de vir ao nosso encontro.
Agradeçamos sobretudo o facto de se afastar de nós, para que o procuremos mais além.
Agradeçamos ainda o facto de Ele ter paciência e de esperar que cheguemos até Ele.

Recordo um cântico de mensagem:

Quando caminho pelo mundo
Vai comigo e alegra-me o Senhor
E pela estrada desta vida
Grito a todos este seu grande amor.

Às vezes, porém, eu paro,
Porque a estrada é fatigante.
Mas Ele também se senta no chão
E me espera sorridente.

Medir o Coração