sexta-feira, 4 de abril de 2014

Via Sacra (14)

















1ª Estação - Jesus é condenado à morte
PASSOS TROCADOS
Naquele dia foi condenado um inocente.
Os passos da justiça foram trocados.
Foi cometida uma injustiça pensando ter feito o bem.
Jesus foi condenado por trocas e baldrocas, por passos trocados.
Ainda hoje, quantas vezes trocamos os passos, trocamos os valores, mudamos de compromissos, pondo os nossos interesses pessoais sobre tantos bens eternos.
Apesar dos passos trocados, saibamos seguir o exemplo de Jesus, continuar a nossa caminhada pelo calvário humano para chegarmos à glória divina.

2ª Estação - Jesus carrega com a cruz
SEGUIR OS PASSOS
Um dia Jesus disse: quem quiser seguir-me tome a sua cruz e siga-Me.
Nesta estação ele continua a dizer o mesmo, mas não por palavras, mas pelo seu exemplo.
Seguir a Cristo, é agarrar a cruz como Ele fez.
Nós seremos discípulos de Cristo se seguirmos os seus passos abraçando a cruz de todos os dias.
É preciso levar a cruz até ao alto, pois sem ela não há salvação.
Sigamos então os passos de Jesus.

3ª Estação - Jesus cai pela 1ª vez
MARCAR PASSO
Jesus ficou prostrado no chão.
Os seus passos vacilaram e por alguns momentos não conseguiu avançar.
Parecia que estava a marcar passo no mesmo sítio, mas levantando-Se continuou a sua marcha a caminho do Calvário.
Também nós, de vez em quando, marcamos passos, quando não queremos progredir ou avançar na nossa caminhada.
O mal não está então em cair, mas sim em não querer levantar-se e continuar a caminhar.
Permanecer no chão após a queda é querer marcar passo.
É gastar energias inutilmente, sem progredir.
Que sejamos capazes de marcar passo para avançar, pois quem não avança está a recuar ou a regredir.

4ª Estação - Jesus encontra a sua mãe
PASSO A PASSO
Maria acompanhou a vida do seu filho Jesus passo a passo.
Nos momentos mais felizes ou nos mais dramáticos lá estava a mãe por perto.
Em Belém, na fuga para o Egipto, em Nazaré, em Jerusalém, em peregrinação, em missão, no caminho do Calvário, no alto do Gólgota… vemos sempre Maria, mãe de Jesus a segui-l'O passo a passo.
Foi a sua mãe que lhe ensinou a dar os primeiros passos.
Durante a sua vida oculta, parece que era Jesus a seguir passo a passo a sua mãe.
Agora foi Maria quem seguiu passo a passo o seu filho.
Que saibamos nós também seguir passo a passo o nosso Mestre.
Que nunca percamos de vista os seus passos, porque os seus passos serão os nossos passos.

5ª Estação - Jesus é ajudado pelo Cireneu
ACERTAR O PASSO
Já alguém disse que amar não é caminhar ao encontro um do outro, mas caminharem juntos na mesma direção.
Foi o que aconteceu neste passo da via-sacra.
Simão de Cirene foi solicitado para ajudar.
Ele é o símbolo de quem sem perceber como, se vê envolvido num desafio de apoio e solidariedade.
Ele conseguiu pegar na cruz de Cristo, porque afinal essa cruz era a sua própria cruz e conseguiu seguir em frente, acertando o passo com o passo de Jesus.
Quantas vezes nós queremos acertar o nosso passo com o de Cristo, mas continuamos a marchar em sentido contrário.
Queremos que seja Deus a acerta o seu passo com o nosso, quando esperamos que Deus faça a nossa vontade.
Acertar o passo com o de Cristo é dizer:
Falai Senhor, que o vosso servo escuta.
Acertar o passo é fazer a vossa vontade, Senhor.

6ª Estação - Jesus encontra a Verónica
NO RASTO DOS PASSOS
Dizem que fica sempre uma marca de perfume nas mãos de quem oferece rosas.
Foi isso que aconteceu a Verónica.
Ela veio ao encontro de Jesus para o aliviar na sua caminhada dolorosa.
Esse gesto deixou rasto.
Quem faz o bem, quem se aproxima de Jesus, fica sempre diferente, fica melhor, leva marcas ou rastos indeléveis para toda a vida.
Perguntemos a nós mesmos quantas vezes já nos aproximámos de Jesus, quantos encontros já tivemos com ele.
E quais foram as marcas desse encontro ou o rasto desses passos na nossa vida?
Se não há rasto de Deus é porque afinal nós não deixámos que ele nos encontrasse, porque por onde Deus passa, deixa sempre um rasto dos seus passos.

7ª Estação - Jesus cai pela 2ª vez
PASSO ATRÁS
Jesus ao cair pela segunda vez, parece que desiste.
Ficou subjugado sob o peso da cruz.
Esses breves momentos de prostração são afinal uma ocasião para recuperar as forças para seguir com maior determinação.
Esta queda parece ter sido um trampolim: à primeira vista parece que nos afunda, mas afinal eleva-nos para mais alto e mais além.
Este trampolim é a humildade.
Quem se humilha será exaltado.
Jesus ao cair saltou no trampolim da humildade e elevou-se para continuar em frente.
Às vezes nós precisamos deste trampolim que é a humildade.
Que o Senhor nos ensine a saber dar um passo atrás para podermos prosseguir.
É pois necessário dar um passo atrás para tomarmos balanço e avançar contra o cansaço e a rotina da vida.

8ª Estação - Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
PEQUENOS PASSOS
As grandes caminhadas são constituídas por pequenos passos.
As grandes ações são feitas de pequenos gestos.
É sempre necessário começar por um pequeno passo, insignificante, mas que no conjunto completa uma caminhada.
As mulheres de Jerusalém tiveram um pequeno gesto, um pequeno passo para se aproximarem de Jesus.
Foi o suficiente para serem abençoadas juntamente com os seus filhos.
Parecia-lhes que eram elas que caminhavam devagarinho até Jesus, mas afinal era o contrário.
Jesus é que com pequenos passos avançava para elas, para a sua vida, para a sua redenção.
Que aprendamos a valorizar os pequenos gestos, os pequenos passos da nossa vida porque Jesus não exige perfeição.
Ele apenas exige progressão, isto é, pequenos passos em frente. 

9ª Estação - Jesus cai pela 3ª vez
PASSO PESADO
Os passos de Jesus tornavam-se cada vez mais pesados, não porque a cruz pesasse mais agora, mas porque o cansaço, o esgotamento, os açoites, os maltratos aumentavam cada vez mais.
Mal conseguia levantar os pés.
Arrastavam os pés deixando um rasto de um longo e pesado passo.
E caiu pela terceira vez.
Os seus passos eram pesados, porque bem pesados são os nossos passos.
Ele caiu outra vez, porque nós não paramos de cair.
Ele deixou o rasto pesado do seu andar, porque carregava as nossas faltas…
Mas, afinal, os seus passos não eram pesados, eram passos de amor.
Que o Senhor transforme também os nossos pesados passos em passos suaves de amor.

10ª Estação - Jesus é despojado das suas vestes
PASSOS CONTADOS
Segundo a tradição, os soldados fizeram contas aos pertences de Jesus, dividiram ou sortearam.
Essa foi a única herança que esperavam.
Para receber algo tiveram de despojar alguém.
E nós? Que herança queremos receber de Jesus?
Podemos contar os passos, não apenas para ele vir ao nosso encontro, mas para nós irmos ao seu encontro.
A herança que queremos receber de Jesus é o seu amor gratuito.
As suas roupas foram subtraídas gratuitamente.
Mas o seu amor, é também gratuito, mas muito mais valioso.
Os seus passos são contados, porque custam muito.
Têm o valor do seu amor.

11ª Estação - Jesus é crucificado
PASSOS NO AR
Hão-de olhar todos para aquele que hão-de elevar e trespassar, alertou um dia Jesus.
Ele agora estava elevado.
E o que foi primeiramente trespassado foram as suas mãos e os seus pés.
Olhemos então para aquele que foi elevado.
Contemplemos os seus pés trespassados.
Os seus pés no ar continuam a caminhar.
Os seus passos no ar dirigem-se à sua mãe e ao seu discípulo e amigo João.
Os seus passos no ar encaminham o bom ladrão até ao paraíso.
Os seus passos no ar, dirigem-se até Deus, pedindo o perdão para quem precisava de redenção.
É através da oração, que os nossos passos percorrem a distância mais curta entre nós e Deus, e entre nós e o nosso próximo.
Que o Senhor Jesus nos ensine a caminhar assim no ar, elevando-nos através da oração.

12ª Estação - Jesus morre na cruz
ÚLTIMOS PASSOS
Os últimos passos, ou últimos momentos de uma pessoa são sempre especiais.
Mesmo numa simples experiência, os últimos passos significam muito.
Mas para chegar até esse momento foram necessários tantos passos pequeninos, tantos gestos simples, tantas atitudes despercebidas.
Os últimos passos de Jesus resumem toda a sua vida.
Ele começou essa doação desde que encarnou no seio da Virgem Mãe.
Os últimos passos valem tanto como valem os primeiros.
E não sabemos quais os primeiros, quais os últimos, porque para Deus só há unidade de vida.
Que o Senhor Jesus nos ensine a valorizar todos os passos da nossa vida para que sejamos redimidos pelos últimos passos de Jesus na cruz.

13ª Estação - Jesus é descido da cruz
PASSOS SEM PASSOS
Jesus deixou os braços da cruz e foi colocado nos braços de sua mãe.
É um grande mistério, este passo da via-sacra.
Podemos contemplar os seus passos sem passos.
Ele que convidara os discípulos a seguir os seus passos; ele que se apresentara como o caminho, a verdade e a vida; ele que se fizera peregrino pelas estradas da vida, parece que esgotou os seus passos.
Não caminhava, era levado; não avançava, era colocado.
Hoje Ele conta com os nossos passos para ser levado, para percorrer os caminhos deste mundo.
Hoje Ele não tem passos próprios, porque nós hoje somos os seus passos.
Que sintamos sempre no nosso coração que os nossos passos nunca são apenas nossos, pois Cristo caminha pelo mundo através dos nossos passos.

14ª Estação - Jesus é sepultado
PASSO APERTADO
Segundo o Evangelho Jesus foi sepultado em passo apertado por ser véspera de sábado e a hora ser adiantada.
Foi sepultado à pressa, com urgência.
De facto, era urgente sepultar Jesus para que pudesse ressuscitar.
Os seus passos foram apertados ou apressados para ir para o sepulcro, com também foram apertados ou apressados para ir ao encontro do pobre, do doente, do desprezado, do necessitado.
Continuemos este passo apertado de Jesus.
Também Maria Madalena e as outras mulheres e depois Pedro e João tiveram de apertar o passo ao correrem ao sepulcro.
Mas Jesus já apertava o seu passo para outras paragens, atraindo-os sempre mais além.
Que o Senhor nos faça correr para Ele, assim como Ele corre para nós.

15ª Estação - Jesus ressuscita
NOVOS PASSOS
Jesus ressuscitado pediu para avisar os seus discípulos que partissem para a Galileia, pois aí Ele preceder-lhes-ia no caminho.
Era o recomeçar de novo onde tudo tinha começado.
Era fazer o mesmo caminho, mas com nossos passos, nova luz, nova motivação, nova vocação.
Ele, ao ressuscitar, caminhava com novos passos e ensina-nos a caminhar também com passos renovados.
Olhemos para os seus pés trespassados, olhemos as marcas dos seus passos e acertemos o nosso andar com o d'Ele e os nossos passos serão eternos.
Depois de contemplarmos estes passos de Jesus, que aprendamos a contemplar o Senhor dos Passos.
Ámen!


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Manual de oração


5ª feira - IV Semana da Quaresma

Adaptação da pregação do Papa Francisco, desta manhã:

Rezar é como falar com um amigo: por isso a oração deve ser livre, corajosa, insistente até chegar a repreender o Senhor.
É este breve manual de oração do livro do Êxodo (32, 7-14) que narra a oração de Moisés pelo povo que tinha caído no pecado gravíssimo da idolatria. O Senhor repreende Moisés e diz-lhe: Vai, desce, porque o teu povo, que fizeste sair da terra do Egipto, se perverteu.
Então Moisés começa a sua oração, uma verdadeira luta com Deus. É a luta do chefe do povo para salvar o seu povo, que é o povo de Deus.
E fazendo assim ensina-nos rezar: sem medo, livremente, até com insistência. Moisés insiste, é corajoso: a oração deve ser sempre assim!
De facto, pronunciar palavras e nada mais não significa rezar. Devemos saber também negociar com Deus. Precisamente como faz Moisés, recordando a Deus, com argumentações, a relação que tem com o seu povo. Portanto, procura convencer a Deus que se derramasse a sua ira contra o povo faria uma triste figura diante de todos os egípcios.
A oração obteve bom êxito porque no final Moisés consegue convencer o Senhor.
Mas quando lemos, na última palavra do trecho, que o Senhor se arrepende e muda a atitude, devemos perguntar: Quem mudou deveras? O Senhor? Eu acredito que não, pois quem mudou foi Moisés. Porque ele acreditava que o Senhor teria destruído o povo.
Depois do diálogo directo com Deus, Moisés desceu do monte com novas forças. Conheceu mais o Senhor. E com aquela força que lhe tinha dado retoma a sua missão de guiar o povo rumo à terra prometida. Portanto a oração reforça-nos.
Que o Senhor conceda a todos nós esta graça, porque rezar é uma graça.
Ao Espírito Santo devemos pedir para nos ensinar a rezar como rezava Moisés, a negociar com Deus com liberdade de espírito e com coragem. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Critérios de avaliação


4ª feira - IV Semana da Quaresma


Alguém queria dar a morte a Jesus:
            - Por violar o sábado (Ele fazia o bem todos os dias, incluindo o sábado, isto é, sempre)
            - Por chamar a Deus seu Pai (fazendo-se assim igual a Deus)

Se temos de ser avaliados pelos outros, que o sejamos por estas mesmas duas situações:
            - Por fazermos sempre o bem (fazer o bem sem olhar a quem)
            - Por vivermos como filhos de Deus (rezando e vivendo a oração do Pai Nosso).

terça-feira, 1 de abril de 2014

Paralisias várias


3ª feira - IV Semana da Quaresma


Três personagens, diferentes paralisias, várias atitudes, outras virtudes.

1º - Paralítico
         Inércia
         Resignação
         Amargura
         Culpabilização dos outros
Sofre mais de paralisia da esperança do que do corpo

2º - Fariseus
         Formalismo
         Indolência
         Insensibilidade
         Hipocrisia
Sofrem de paralisia da fé

3. Jesus
         Atento
         Toma a iniciativa
         Envolvente
         Ternura
         Gratuito
         Responsabilizante

Contagia o amor libertador.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Céus e terra novos


2ª feira - IV Semana da Quaresma

"Assim fala o Senhor: Eu vou criar os novos céus e a nova terra... Aí haverá alegria e felicidade."

1. Deus promete fazer um trabalho para que nós nos comprometemos também a fazer a nossa parte.
Ele promete criar um novo céu e uma nova terra.
A nós, compete fazer surgir a alegria e a felicidade.
Deus não falta, o que pode faltar será a nossa alegria e felicidade.
Cumpramos então a nossa parte.

2. Se Deus valoriza assim o continente, como não apreciará o conteúdo? Deus quer que o continente (céus e terra) estejam à altura do seu conteúdo, que é a nossa alegria e felicidade. 

3. Deus cria todas as condições para que possamos florir ou render ao máximo. Assim já não nos podemos desculpar dizendo: Se eu tivesse outro ambiente, se a minha terra fosse diferente, se as circunstâncias fossem melhores... eu seria mais feliz, eu seria melhor.
Temos então oportunidade de mostrar o que valemos, pois o ambiente, a comunidade, o lugar foi preparado por Deus para nós...

Ver como Deus


Ano A - IV domingo da Quaresma

Primeira conclusão:
Há dias estive numa concelebração com mais de 15 padres. No final veio uma miúda da catequese perguntar-me:
- Porque é que o senhor padre é padre e não tem óculos?
- É porque por enquanto não preciso de óculos.
- Mas todos os padres têm óculos! Porque é que sem óculos você é padre?
- Olha, para ser padre não é necessário ter óculos ou não, não é preciso ver bem com os olhos da cara. O que é preciso é ver bem com o coração.
É esta a mensagem que destaco neste IV domingo da quaresma. No passado domingo repetíamos “hoje se escutardes a voz do Senhor, não fecheis o vosso coração”. Na nossa mentalidade deveríamos dizer “ … não fecheis os vossos ouvidos”, mas na perspetiva de Deus não se pode fechar o coração. De facto só se ouve bem com o coração e só se vê bem com o coração.

Segunda conclusão:
“Deus não vê como o homem:
O homem olha às aparências,
O Senhor vê o coração”.
Quem não vê como Deus, apesar de ter olhos abertos, é cego.
Deus não vê como o homem,
Mas o homem pode ver como Deus,
Porque Deus veio ensinar o homem a ver…

Terceira conclusão:
“Vive como filho da luz… Todas as coisas são postas a descoberto pela luz… Cristo brilhará sobre ti.”
Quem não anda na presença de Deus, vive nas trevas, não vê, é cego.
Deus é luz e só na sua presença é que nós podemos ver.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Demónio mudo


5ª feira - III Semana da Quaresma

Duas lições:

1ª Jesus cura um demónio mudo
"Naquele tempo, Jesus estava a expulsar um demónio que era mudo. Logo que o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada…"
- O mudo era o demónio. Se o mudo falou, quer dizer que o demónio é que ficou curado.
- Mas que sacrilégio, Senhor Padre! Então Jesus ia curar um demónio?
- É o que ele faz todas as vezes… Eu, por exemplo, sou um pobre diabo e ele não se cansa de me curar… Conclusão: Todos nós somos uns pobres diabos porque precisamos de cura ou porque somos mudos, ou surdos, ou paralíticos…

2ª E o homem começou a falar…
Quando não falamos de Deus, quando não pregamos, quando não evangelizamos ou quando não rezamos … é porque somos mudos, pois temos um demónio mudo que nos faz parar de rezar.
A oração faz o homem parar de pecar enquanto o pecado leva o homem a parar de rezar.
Deixar-se curar é deixar que a oração nos ajude a parar de pecar antes que o pecado nos leve a parar de rezar.


quarta-feira, 26 de março de 2014

Fortiter in re, suaviter in modo

 
4ª Feira - III Semana da Quaresma
 
Duas mensagens, uma de cada leitura do dia, cada uma com duas faces.
 
1ª - Qual é o povo que tem o seu Deus bem perto de si...
Esta é uma verdade.
Mas não basta saber que o nosso Deus está bem perto de nós.
É preciso estar perto dele.
 
2ª - Até a mais pequena letra será cumprida... será o menor no reino dos céus...
Jesus é exigente na matéria, pois pede o cumprimento da mais pequena letra.
Por outro lado é muito suave, bondoso e compreensivo, pois promete o reino dos céus a todos, quer cumpram ou não. A única diferença é que quem não cumprir será pequeno no reino enquanto quem cumprir será grande.
 
Deus é sempre FÓRTITER IN RE, SUÁVITER IN MODO.
Forte na matéria, suave no modo.

terça-feira, 25 de março de 2014

Virtudes da Anunciação


Hoje celebramos a solenidade da Anunciação do Senhor.
É dia para contemplar as virtudes de Maria e imitá-las na nossa vida para que o Senhor continue a encarnar na nossa história.

H  D  O

Como pregou hoje o Papa Francisco:
Como Maria, os cristãos devem ter:
um coração Humilde
um coração Dócil
um coração Obediente


Ou então como pregava o Pe. André Prévot:
O abecedário dos cristãos não começa por A B C D.

Deve antes começar por O B D C, isto é: OBEDECER.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Mau doente

2ª Feira - III Semana da Quaresma

Nenhum profeta é bem recebido na sua terra… Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

É uma tentação de outrora e ainda atual:
É como se eu estivesse doente e viesse visitar-me o médico, mas como é meu vizinho eu não confio na sua consulta…
Pior ainda, em vez de combater contra a minha doença, ponho-me a lutar contra o médico.

Procurarei então obedecer, independentemente do mérito de quem me ordena.
Procurarei bater no peito, em vez de bater em quem me convida à conversão.
Procurarei centrar-me na minha cura, em vez de criticar o médico que me visita.
Evitarei ser um mau doente... Posso ser doente, mas não serei mau...

quarta-feira, 19 de março de 2014

São José, o Educador

Angelus em honra de São José


O Anjo do Senhor apareceu em sonho a José
           Para que não abandonasse Maria

Ave, José, rico de graça
o Senhor é convosco,
Bendito sois vós entre todos os homens,
e bendito é o fruto do ventre de Maria, Jesus.
São José, pai nutrício do Filho de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte. Amém


José, filho de David, não temas receber Maria por tua esposa.
Porque o que dela vai nascer é fruto do Espírito Santo.

Ave, José, rico de graça
o Senhor é convosco,
Bendito sois vós entre todos os homens,
e bendito é o fruto do ventre de Maria, Jesus.
São José, pai nutrício do Filho de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte. Amém

Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus.
                    Porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Ave, José, rico de graça
o Senhor é convosco,
Bendito sois vós entre todos os homens,
e bendito é o fruto do ventre de Maria, Jesus.
                    São José, pai nutrício do Filho de Deus,
                    rogai por nós, pecadores,
                    agora e na hora da nossa morte. Amém

Rogai por nós, glorioso Patriarca São José.
                   Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Oremos.
Sustentados pelo patrocínio do Esposo de Vossa Santíssima Mãe, nós vos rogamos, Senhor, pela vossa misericórdia, que os nossos corações possam desprezar todas as coisas terrenas e amar-vos, Verdadeiro Deus, com um amor perfeito.
Por Nosso senhor Jesus Cristo que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.


São José educador

Hoje celebramos a solenidade de São José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja Universal.
Posto à frente da Sagrada Família, assumiu a missão de educador, guardando e acompanhando Jesus no seu crescimento em sabedoria, estatura e graça.
O crescimento em estatura se refere ao crescimento físico e psicológico, onde José, juntamente com Maria, teve uma atuação mais direta procurando que nada faltasse na criação de Jesus e libertando-O das dificuldades como a ameaça de morte vinda de Herodes que os levou à fuga para o Egito.
Quanto à educação na sabedoria, José foi para Jesus exemplo e mestre, deixando-se sempre nutrir pela Palavra de Deus; esta ensina que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor.
No que se refere à dimensão da graça, a influência de José consistia em favorecer a ação do Espírito Santo no coração e na vida de Jesus. De fato, José educou a Jesus, em primeiro lugar, com o exemplo: o exemplo de um homem justo que sempre se deixava guiar pela fé.
São José é modelo para cada educador, em particular para todos os pais.
Confio à sua proteção todos os pais, os sacerdotes – que são pais – e os que têm uma missão educativa na Igreja e na sociedade.
Parabéns, parabéns a todos os pais. Este é o vosso dia. Que todos os pais tenham a graça de estarem sempre muito próximos dos filhos, deixando-os crescer, mas próximos, próximos. Os vossos filhos têm necessidade de vós, da vossa presença, da vossa proximidade, do vosso amor. Sede para eles como São José, guardiães do seu crescimento em idade, em sabedoria e em graça, guardiães do seu caminho.
Obrigado por tudo aquilo que fazeis pelos vossos filhos.


(Papa Francisco, 19/03/2014)

terça-feira, 18 de março de 2014

A grandeza da humildade


3ª feira - II Semana da Quaresma

A altura de um homem não se mede da cabeça aos pés, mas da cabeça ao céu.
(Napoleão Bonaparte)

A humildade é a base do edifício. Quanto maior for, mais fácil será construir sobre ela. (Pe. Dehon, NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 135)

HPC = a Humildade, a Paciência, a Caridade, eis as nossas três amigas, três esposas especiais que devem atrair todos os nossos cuidados. (Pe. Dehon, CF, 28 de Maio de 1880)

O dinheiro faz homens ricos.
O conhecimento faz homens sábios.
Só a humildade faz grandes homens.

Foi o orgulho que transformou anjos em demónios
Mas é a humildade que faz dos homens anjos. (Santo Agostinho)

domingo, 16 de março de 2014

E E E

Ano A- II Domingo da Quaresma

3 pistas, 3 es

- E de escutar
Mais do que esperar ver, contemplar a Deus, é preciso escutá-lo.
Este é o meu Filho... Escutai-O.
O ver para crer é assim ultrapassado.
É preciso escutar para crer.
Aprendemos a escutar a Deus, escutando os que estão à nossa volta.
 
- E de experimentar
Jesus ao descer do Tabor pede aos discípulos que não digam nada a ninguém... porque cada um tem de fazer a sua própria experiência, tem de descobrir por si próprio.
Não basta escutar, é preciso experimentar.
 
- E de elevar-se
Transfigurar-se é deixar-se elevar... é subir ao monte, é deixar elevar o seu coração até Deus.
Quem não se despende da terra, quem não se eleva não se transfigura, não se converte.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Vocação dehoniana


Da Carta do Superior Geral Pe. José Ornelas para 14 de março: Aniversário do Nascimento do Pe. Dehon:
 
"No dia 14 de março, recordamos, não só o nascimento do nosso fundador, Leão Dehon (171 anos), mas também o nascimento da nossa vocação.
Para nós, 14 de março é o dia da nossa vocação....
O Pe. Dehon descreveu a sua vocação como uma viagem de fé, no amor de Deus.
Em 1914 (portanto há precisamente 100 anos), estando à mesa, perguntou a um jovem porque é que ele queria ser padre. O jovem respondeu ao Fundador:
- São João era o apóstolo que amava, amava o Senhor; isto é a base de uma vocação." (Positio II, 408)
O Amor é o bom ponto de partida . Para o Pe. Dehon, sem o amor não podemos fazer nada. Portanto, levemos este amor para a oração..."

Vai primeiro reconciliar-te

6ª Feira - I Semana Quaresma


O Pe. Donovan descreve de maneira muito comovente como é que a Missa é preparada pelo povo Massai, assim que o celebrante chega à aldeia. Antes de tudo, fazem-se muitas danças e orações pelos doentes. Essa espécie de pré-celebração pode durar um dia inteiro, ara depois culminar na Eucaristia. E, no entanto, o missionário nunca sabe se de facto acabará por haver missa. Os chefes da tribo têm de decidir se podem ou não celebrar a Eucaristia. Se tiver havido atos de egoísmo ou indiferença e ódio, ou falta de perdão nas relações entre os aldeões, não cometerão o sacrilégio contra a Eucaristia, aceitando que o sacerdote torne Crosto presente. A celebração será adiada até que a comunidade resolva as suas faltas.

Da mesma maneira que o Evangelho começa com o chamamento à conversão: Arrependei-vos e acreditai no evangelho… também a Eucaristia chama as pessoas ao arrependimento e à conversão, assim como à reconciliação.
 
Conclusão
Vai primeiro reconciliar-te... se não fizermos isso, podemos cair em dois enganos.
Primeiro, fingimos que tudo está bem, que estamos em paz, mas afinal estamos a enganar-nos a nós mesmos.
Depois enganamo-nos ao oferecer o sacrifício, pois quando não estamos reconciliados, não oferecemos nenhum sacrifício. Iludimo-nos: pensamos que oferecemos, mas não haverá nada.
 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Nova história de Jonas

4ª Feira - I Semana da Quaresma

Eis o sinal de Jonas: a oferta do perdão aos arrependidos. 
Este perdão, o perdão do Senhor, está tão próximo de nós que até mesmo num barco, no fim do mundo,  o amor de Deus nos alcança e Seus planos se cumprem! Mesmo uma geração tão perversa como de Nínive ou do tempo de Jesus tem acesso ao perdão de Deus.

Versão moderna da história de Jonas em Nínive:
Um pai vivia na Espanha com seu filho adolescente. O relacionamento dos dois tornou-se tão agressivo que o rapaz saiu de casa.
O pai deu início a uma longa jornada à procura do filho rebelde e colocou um anúncio num importante jornal de Madrid, como último recurso.
O nome do filho era Paco, apelido de Francisco, apelido muito comum entre os espanhóis. O anúncio dizia apenas o seguinte:
“Querido Paco: encontra-me em frente do jornal El Mundo de Madrid amanhã ao meio dia. Está tudo perdoado. Eu amo-te muito”.
No dia seguinte, ao meio-dia, havia mais de 800 Pacos em frente ao escritório do jornal, todos ansiosos por perdão.

terça-feira, 11 de março de 2014

Receita contra a secura


3ª Feira - I Semana da Quaresma

A solução está no PAI-NOSSO

"Algumas vezes quando o meu espírito está numa secura tão grande que me é impossível arrancar-lhe algum pensamento para me unir a Deus, recito muito devagarinho um Pai-nosso… Então essa oração encanta-me, alimenta-me muito mais a minha alma do que se a tivesse recitado precipitadamente uma centena de vezes…"
(Manuscrito C, obras completas de Santa Teresa do Menino Jesus, Ed Carmelo, 1996)

segunda-feira, 10 de março de 2014

Porquê


2ª Feira - I Semana da Quaresma


“Quando o Filho do Homem vier na sua glória … separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos…
E dirá: Vinde… porque…”

À primeira vista eu pensava que não devia ser difícil separar as ovelhas dos cabritos… Até mesmo quem não fosse pastor conseguiria fazer isso com facilidade. Mas parece que não será assim tão evidente.
De facto a escolha é feita tendo como critério o PORQUÊ, isto é, a motivação. É algo interior, que não se vê.
Jesus não apreciará os seus discípulos pela quantidade de coisas feitas, nem a quem, nem o como, nem para quê, mas simplesmente pelo porquê.
É a motivação das nossas ações que irá ditar o nosso reconhecimento.


Perguntemos então como vão as nossas motivações. Elas serão a luz que irá iluminar e esclarecer toda a nossa ação e dedicação.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Jejum


6ª Feira depois das cinzas























Para nós o JEJUM é mais do que humildade da mente, castigo da carne ou forja da sobriedade.

Para nós o JEJUM deve ser
sinal da fome de Deus.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Bênção das cinzas


Quarta-feira de cinzas
















O homem foi pó e há-de ser pó, logo é pó, pois tudo o que vive não é o que é, é o que foi e o que há-de ser.
Olhemos para trás: que é o que fomos? Pó.
Olhemos para diante: que é o que havemos de ser? Pó.
Fomos pó e havemos de ser pó? Pois isso é o que somos.
O memento dos mortos: lembre-se o pó caído que há-de ser pó levantado.
O pó que foi homem, há-de tornar a ser homem.
Este foi o memento dos vivos; acabo com o memento dos mortos.
Aos vivos disse: lembre-se o pó levantado que há-de ser pó caído.
Aos mortos digo: lembre-se o pó caído que há-de ser pó levantado… Lembra-te pó que és homem, e que em homem te hás-de tornar.
Se dissemos aos vivos: lembra-te homem que és pó, porque foste pó, e hás-de tornar a ser pó — brademos com a mesma verdade aos mortos que já são pó: lembra-te pó que és homem porque foste homem, e hás-de tornar a ser homem.
A mim não me faz medo o pó que hei-de ser; faz medo o que há-de ser o pó.
Eu não temo na morte a morte, temo a imortalidade; eu não temo hoje o dia de cinza, temo hoje o dia de Páscoa, porque sei que hei-de ressuscitar, porque sei que hei-de viver para sempre, porque sei que me espera uma eternidade, ou no céu, ou no inferno.
(SERMÃO DE QUARTA-FEIRA DE CINZA - Igreja de S. António dos Portugueses, Roma. Ano de 1670 - Pe. António Vieira)

terça-feira, 4 de março de 2014

Dia de oração e reparação


Terça feira de Carnaval

Segundo o próprio da Congregação SCJ, o dia de hoje é de oração e de reparação.
Partilho duas mensagens.

A primeira vem de uma carta de Teresinha do Menino Jesus, de 8 de julho de 1891:
“Minha querida irmã… Não nos cansemos de rezar, a confiança faz milagres e Jesus disse à Bem-aventurada Margarida Maria: Uma alma justa tem tanto poder sobre o meu coração que pode obter dele o perdão para mil criminosos…”

Outra mensagem é mais ‘frase feita’ das redes sociais:
"Há mais alegria em 4 minutos de adoração do que em 4 noites de folia."

segunda-feira, 3 de março de 2014

O pobre jovem rico


2ª Feira - VIII Semana Comum
 
1. Miserando atque elegendo

No listel do brasão do Papa Francisco está a frase: Miserando atque elegendo – Com misericórdia o escolheu.
É a adaptação feita por São Beda, o Venerável ao comentar Mt 9,9: Vidit ergo Jesus publicanum et quia miserando atque elegendo vidi, ait illi Sequere me (Jesus viu um publicano e compadeceu-se dele, escolheu-o e disse-lhe: Segue-me. (Liturgia das horas, 21 de setembro)
Sintamo-nos então alvo do mesmo olhar de misericórdia e do mesmo convite para segui-lo.

 
2. Cautela com os bens deste mundo

Muita cautela com as riquezas deste mundo:
- São sufocantes – “Num coração possuído pelas riquezas não há lugar para a fé: tudo é ocupado pelas riquezas, não há lugar para Deus.”
- São pesadas – Quanto mais ricos menos livres, pois os bens deste mundo puxam-nos para baixo, para o chão, para a terra…
- Não são eternas – “Vocês sabiam que o sudário ou a mortalha não têm bolsos? É melhor partilhar, porque levamos para o Céu somente aquilo que partilhamos com os outros.”
(Inspirado na homilia na mensagem do Papa Francisco do dia 02/03/2014)