segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Relógio da Fé


Horologium Fidei é o título do livro que o Infante D. Henrique escreveu, ou melhor, mandou escrever.
O Infante D. Henrique era um homem preocupado com os problemas religiosos e a quem agradava um livro de teologia, a ponto de pedir ao franciscano Fr. André do Prado que escrevesse um comentário ao símbolo dos apóstolos – Horologium Fidei.
Assim nasceu o único livro que o Infante mandou escrever, escrever e não propriamente copiar ou traduzir. Parece ser datado cerca de1450.
Trata-se de um códice de 89 folhas, a duas colunas, em gótico de quatrocentos, com letras iniciais a vermelho, azul e violeta, e cós nomes dos interlocutores algumas vezes por extenso, outras vezes abreviados, mas geralmente omitidos. Neste último caso, fica o respetivo espaço em branco, pronto a ser preenchido pelo Magister ou pelo segundo dialogante, Dominus Henricus.
Não estranhemos o título: Relógio da Fé. Julgamos que, para Fr. André do Prado, tal obra destinava-se a ensinar aos homens as verdades da fé, como o relógio indica as horas certas do dia.
Através deste diálogo literário, como género literário…
Está em latim pois era a língua comum dos escritos teológicos…
Dividido e comentado em 12 capítulos, o Credo apresenta-se como o próprio relógio da fé. O primeiro capítulo, sobre a unidade substancial da Trindade e a natureza da fé, ocupa um terço da obra. Os restantes ocupam-se da divindade de Cristo, da conceção imaculada (comenta a cláusula “Que foi concebido do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria”, dependendo sobretudo da exegese bíblica, de Agostinho e de fontes diversas), da encarnação e padecimento de Cristo, da sua ressurreição, do juízo final, dos dons do Espírito Santo, da unidade da Igreja, da graça, da ressurreição dos mortos e, por fim, da bem-aventurança eterna.
Após a dedicatória, Fr. André do Prado começa a falar em linguagem mais simples e pede ao Infante que abra a série de perguntas em torno ao Credo: “Tende pois a bondade, ó melhor dos príncipes, de querer pôr mãos à obra acerca do assunto que temos em vista.”
O Infante não hesita. Chama-lhe bom mestre e faz sete perguntas:
- Que é o símbolo?
- Quantos símbolos há?
- Que é um artigo da fé?
- Onde e quando foram feitos os símbolos?
- Quem os fez?
- Por que motivo os fizeram?
- A quem pertence fazê-los?
… E a obra vai caminhando lentamente, num diálogo impessoal e escolástico de perguntas e respostas, ricas de substâncias e pobres de retórica.
Vários eram os símbolos, explicava Fr. André do Prado, mas só três foram adotados oficialmente pela Igreja: O símbolo dos Apóstolos, o de Niceia e o chamado de Santo Atanásio.
Porque dos Apóstolos? Porque foram eles que o compuseram, antes de se dispersarem pelo mundo, responde Mestre André.
É este o símbolo que o frade menor explica no Horologium Fidei.
De vez em quando D. Henrique pede exemplos e comparações – que Mestre André lhe mostre qualquer coisa que dê uma ideia da coeternidade, em Deus, do Filho e do Pai. O frade recorre mais uma vez a Santo Agostinho: neste mundo, o pai enquanto pai, tem a idade do filho, pois só começou a ser pai quando gerou o filho! E tanto a luz como a chama têm a mesma idade!
Não é obra para se ler dum fôlego. Trata-se dum livro de estudo, com amplas exposições da teologia trinitária, um autêntico tratado de cristologia e belas páginas sobre a providência divina. No entanto, não chega a ser propriamente uma suma de teologia, pois há verdades católicas que faltam no Credo.
Temos neste códice a confirmação do pensamento religioso do Infante de Sagres e um documento contra qualquer tese que tenda a transformá-lo num homem movido unicamente por razões de ordem económica. A laicização do Infante D. Henrique é um pecado contra a verdade histórica.
(Cf. Mário Martins, O Livro que o Infante D. Henrique mandou escrever, in Brotéria vol LXXI, Agosto-Setembro de 1960, nº 2-3, páginas 195-206)
 

domingo, 4 de novembro de 2012

Questionário da fé

Dante Aligheri (1265-1321), poeta italiano, apresenta um exame da sua fé perante São Pedro no paraíso, para que nós aprendamos a responder já aqui na terra.
 
Nos cantos XXIV; XXV e XXVI, do Paraíso, do poema épico Divina Comédia (1322), Dante é interrogado por são Pedro sobre a fé; por São Tiago sobre a esperança e por São João sobre a Caridade.
São Pedro dirige-lhe sete perguntas sobre a Fé:
- Que é a fé?
- É a substancia das coisas esperadas e argumento das coisas incompreensíveis.
- Tens fé no teu coração?
- Sim, tão firma para não ter dúvida nenhuma.
- De onde te vem a fé?
- Do Espírito Santo, que difunde a luz nas escrituras...
- Porque achas que são inspiradas as escrituras?
- Porque os milagres o atestam…
- Quem te assegura a verdade dos milagres?
- Ou os milagres aconteceram ou não. Se aconteceram, a fé é divina. Se não aconteceram, o mundo converteu-se sem milagres.
E São Pedro aprova e pede-lhe o objeto da fé. Dante recita o Credo.
Finalmente, São Pedro pede-lhe que mostre as obras da fé…

 
“Diz, bom cristão, e faz-te manifesto:
Fé o que é?” Onde eu alçando a fronte
À luz que assim dizia, faço um gesto
Voltado para Beatriz, e a vejo apronte
………
Fé é substância a toda a cousa que há-de
Ser e argumento das não aparentes…
………
Mas diz-me em tua bolsa a quanto ela orce.
E eu: a tenho, tão limpa e rotunda
Que em seu cunho nenhum talvez a torce.
Depois saiu daquela luz profunda
Que resplandia: Esta cara jóia
Em toda a cirtude já se funda
De onde é que ela te vem? E eu: Pois soi a
Chuva do Espírito Santo ser difusa
Em velho e novo coiro, e assim constrói-a
….
E ouvi depois: se assim concluis daquela
Proporção antiga e nova, já te
Surge a fala divina e se revela?
E eu: a prova que a verdade extracte
É tanta obra seguida, a que natura
Ferro não scalda nem bigorna bate.

Respondido me foi: Quem te assegura
Que aquelas obras foram? Pois é aquilo
Que quer provar-se e não al, que to jura.
Se o cristinianismo vê o mundo a segui-lo
Sem milagres, disse eu, esse é já um.
….
Mas convém ora exprimas o que crês.
E onde a crença tua te surgiu.
Ó santo pai e espírito que vês
Tanto isso em que tu creste, que venceste
Indo ao sepulcro, outros mais jovens pés.
Comecei eu que queres que eu manifeste
A pronta crença minha neste ensejo
E também a razão dela quiseste.
Respondo: Num só Deus creio que almejo
Eterno e uno e que o céu todo move
Imoto, com amor e com desejo
…
Dessa profunda condição divina
que eu ora toco, a mente me sigila
Variamente a evangélica doutrina.
Assim em bendizendo-me cantando
Três vezes me cingiu quando calei
A apostólica luz cujo comando
Me fizera falar, bem lhe agradei.”

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ilustres filhos da Igreja

Solenidade de todos os santos
 
A solenidade de todos os santos é uma oportunidade de numa mesma celebração prestarmos homenagem aos santos que não têm um dia próprio para a sua memória.
Isto é certo, mas não é tudo.
Os santos merecem essa atenção, mas não precisam.
Nós é que não o merecemos, mas precisamos.
Precisamos de nos lembrar que os santos foram homens e mulheres de carne e osso como nós, para que nós possamos ser como eles, santos e felizes.
Eles foram pessoas como nós para que nós possamos ser santos como eles.
 
O Evangelho do dia lembra-nos que somos um povo santo, um povo feliz.
Humanos, mas felizes ou santos.
A Igreja, a nossa comunidade, a nossa família, ou a nossa casa é um lugar de gente feliz, de gente santa.
Podemos ser pobres, limitados, atrasados, reduzidos, idosos ou ultrapassados, mas somos felizes… e santos.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Símbolo dos Apóstolos

O Símbolo dos Apóstolos, assim chamado porque se considera, com justa razão, o resumo fiel da fé dos Apóstolos.
Era preciso um resumo da pregação apostólica, para os fiéis poderem fixá-la facilmente. Desta necessidade nasceu o Símbolo dos Apóstolos. Porque símbolo dos Apóstolos? Porque foram eles que o compuseram, antes de se dispersarem pelo mundo.
Não só ele encerrava a doutrina dos apóstolos, mas também tinham sido estes os seus autores – cada qual pronunciando o seu artigo ou versículo. Correu há muito uma tradição secular e algo romanesca, acerca da origem do Símbolo dos Apóstolos.
Era a adaptação duma tradição que radicava nas Constituições Apostólicas do Pseudo-Clemente, por volta do Séc III.

- Creio em Deus Padre todo-poderoso, criador do céu e da terra – disse São Pedro.
- E em Jesus Cristo, filho unigénito de Deus – acrescentou Santo André, na opinião de alguns ou São João Evangelista, segundo outros.
- O qual foi concebido do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem – assim falou São Tiago Zebedeu.
- Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos – tais foram as palavras de São Tiago Maior.
- Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos – declarou o apóstolo São Tomé, ou então São Filipe, dizem outros.
- Subiu ao céu, onde está sentado à direita de Deus Padre todo-poderoso – afirmou São Bartolomeu.
- Donde há-de vir julgar os vivos e os mortos – ajuntou São Filipe.
- Creio no Espírito Santo – Exclamou São Bartolomeu.
- Creio na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos – assim trovejou São Mateus.
- Na remissão dos pecados – disse Simão Cananeu.
- Na ressurreição da carne – tal foi o artigo de Judas Tadeu.
- Na vida eterna, ámen – finalizou por sua vez o apostolo São Matias.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

lições da mostarda


3ª Feira - XXX Semana Comum

Lições do GRÃO DE MOSTARDA

- Ninguém nasce grande…

- Só crescemos a partir do nosso interior…

- Tamanho não é documento…



fonte da foto: eberlenzcesar.blog.br

Adivinha:
O que é que nasce grande e morre pequeno?

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Em dia de sábado

2ª feira - XXX semana comum
 
O facto de Jesus ter curado em dia de sábado e ter interpretado o Mandamento do sábado de uma forma misericordiosa colocou os judeus, seus contemporâneos perante duas hipóteses:
Ou Jesus é o Messias enviado por Deus e, portanto, o Senhor do sábado
Ou Ele é apenas um homem simples, cujo trato com o sábado constitui uma falta contra a lei.
Mas afinal Jesus não comete nenhuma falta contra a santidade deste dia. É cheio de compaixão que Cristo se autoriza em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la. O sábado é o dia do Senhor das misericórdias e da honra de Deus.
 
(Cf Catecismo da Igreja Católica, 2173)

domingo, 28 de outubro de 2012

Nova Evangelização

 
A nova evangelização diz respeito a toda a vida da Igreja, lembrou Bento XVI, na missa de encerramento da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (7-28 de outubro de 2012).
Três linhas pastorais emergiram deste Sínodo sobre A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã:


A primeira diz respeito aos Sacramentos da iniciação cristã.
Foi reafirmada a necessidade de acompanhar, com uma catequese adequada, a preparação para o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia; e reiterou-se também a importância da Penitência, sacramento da misericórdia de Deus. É através deste itinerário sacramental que passa o chamamento do Senhor à santidade, que é dirigido a todos os cristãos.

Em segundo lugar, a nova evangelização está essencialmente ligada à missão ad gentes.
A Igreja tem o dever de evangelizar, de anunciar a mensagem da salvação aos homens que ainda não conhecem Jesus Cristo. A globalização provocou um notável deslocamento de populações, pelo que se impõe a necessidade do primeiro anúncio também nos países de antiga evangelização. Todos os homens têm o direito de conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho

Um terceiro aspeto diz respeito às pessoas batizadas que, porém, não vivem as exigências do Batismo.
Em várias partes do mundo, a Igreja já encetou este caminho de criatividade pastoral para se aproximar das pessoas afastadas ou à procura do sentido da vida, da felicidade e, em última instância, de Deus. Recordamos algumas missões urbanas importantes, o «Átrio dos Gentios», a missão continental, etc..
 
 

 

Bartimeu

Ano B - XXX Domingo Comum
 
A)
Cada página do Evangelho é um espelho na qual nos podemos contemplar.
A página da cura de Bartimeu apresenta-nos 3 visões, consoante os 3 tipos de pessoas que ali aparecem:
O povo, o cego e Jesus.
 
1. O povo (os discípulos e a multidão)
Estes vão em frente sem saber para onde, nem que estão a fazer. É uma espécie de Maria Vai com as Outras. Não conhecem bem quem estão a seguir. Apesar de terem os olhos abertos ao veem, nem o Messias que é Jesus nem o cego que está à margem da estrada, isto é, são mais cegos que Bartimeu, pois não querem ver. Por fim, ainda são capazes de mandar calar os outros… Mas ao fim e ao cabo é capaz de fazer aquilo que Jesus lhes manda e de aplaudir, glorificando a Deus.
 
2. O cego Bartimeu
Ele não era cego de nascença, mas perdeu a vista: é o homem que perdeu a luz e está ciente disso, mas não perdeu a esperança e sabe agarrar a possibilidade desse encontro com Jesus e confia-se a ele para ser curado exteriormente, pois a proximidade já o curara interiormente. Bartimeu é a imagem do homem que reconhece o seu mal e grita ao Senhor com esperança. É tal e qual nós quando deixamos de ver o sentido da vida ou de Deus, mas não nos contentamos com isso.
 
3. Jesus
É alguém que avança, que está sempre em ação. Passa, escuta, vê, chama, liberta. É alguém que por onde passa acende uma luz, isto é, ilumina as pessoas. É alguém que quer saber o que os outros querem, para que queira o mesmo que Ele.
 
Conclusão
O povo e o cego são parecidos connosco. Nós devemos ser parecidos com Jesus.
 
B)
Santo Agostinho observa um particular acerca da figura de Bartimeu, que pode ser interessante e significativo também hoje para nós. Ele reflete sobre o facto de Marcos referir, neste caso, não só o nome da pessoa que é curada, mas também de seu pai, e chega à conclusão de que «Bartimeu, filho de Timeu, era um personagem decaído duma situação de grande prosperidade, e a sua condição de miséria devia ser universalmente conhecida e de domínio público, enquanto não era apenas cego, mas um mendigo que estava sentado na berma da estrada.
Esta interpretação de Bartimeu como pessoa decaída duma condição de «grande prosperidade» é sugestiva, convidando-nos a refletir sobre o facto que há riquezas preciosas na nossa vida que podemos perder e que não são materiais. Nesta perspetiva, Bartimeu poderia representar aqueles que vivem em regiões de antiga evangelização, onde a luz da fé se debilitou, e se afastaram de Deus, deixando de O considerarem relevante na própria vida: são pessoas que deste modo perderam uma grande riqueza, «decaíram» duma alta dignidade – não económica ou de poder terreno, mas a dignidade cristã –, perderam a orientação segura e firme da vida e tornaram-se, muitas vezes inconscientemente, mendigos do sentido da existência.
 

 

 

sábado, 27 de outubro de 2012

Profissão de fé

Símbolo é uma definição abreviada, formulário ou síntese da fé. É conhecido como símbolo dos Apóstolos, pois nele são declaradas as mesmas verdades da fé comuns a todos os apóstolos. Há três textos diferentes para professar essa mesma fé cristã:
 
1º - O Credo Batismal ou o Símbolo Dialogado
É a mais antiga profissão de fé nascida da liturgia batismal, que se faz sob a forma de pergunta/resposta, que permite proclamar, por um lado a renúncia ao mal, e, por outro lado, a profissão de fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Esta forma, muito litúrgica, porque estava ligada à tripla imersão no batismo, é a mais simples. Para além do batismo é também aconselhada na liturgia da Vigília Pascal.
 
- Renunciais a Satanás?
                - Sim, renuncio.
- E a todas as suas obras?
                - Sim, renuncio.
- E a todas as suas seduções?
                - Sim, renuncio.
- Credes em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra?
                - Sim, creio.
- Credes em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor, que nasceu da Virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos mortos e está sentado à direita do Pai?
                - Sim, creio.
- Credes no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna?
                - Sim, creio.
 
2º - O Símbolo dos Apóstolos ou o Credo Breve
O nome desta fórmula nasce de uma lenda que atribuía aos Apóstolos a autoria do texto. Este Símbolo é considerado a «regra da fé, breve e grande» (Santo Agostinho): breve pelo número das palavras, grande pelo alcance capaz de evocar em poucas palavras a totalidade da fé cristã. É usado sobretudo na oração pessoal e na catequese.
 
Creio em Deus,
Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra;
e em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo;
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
na vida eterna. Ámen.
 
3º - O Grande Credo ou Símbolo Niceno-Constantinopolitano
Este texto não foi escrito, inicialmente, para uso na liturgia; resultou de discussões teológicas complicadas. O nome deste símbolo está relacionado com o Primeiro Concílio de Niceia (no ano 325) e com o Primeiro Concílio de Constantinopla (no ano 381), onde foi feita uma revisão do texto anterior. Este «Credo» possui uma tríplice estrutura: a primeira estrutura é trinitária (Deus é confessado como único, mas também como comunhão de três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo), a segunda estrutura é narrativa (conta a História da Salvação); a terceira estrutura é enunciativa (não se refere apenas ao conteúdo da fé, mas também aos sujeitos que dele se apropriam, para o viver e testemunhar).
 
Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai.
De novo há de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos.
e a vida do mundo que há de vir. Ámen.
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ladainha da fé


Ladainha

 
A porta da fé – Abri-nos, Senhor!
No caminho da fé – Orientai-nos, Senhor!
Nas consequências da fé – Firmai-nos, Senhor!
Os conteúdos da fé – Esclarecei-nos, Senhor!
Da crise da fé – Livrai-nos, Senhor!
No ano da fé – Abençoai-nos, Senhor!
Com a força da fé – Sustentai-nos, Senhor!
A beleza da fé – Conservai-nos, Senhor!
Na transmissão da fé – Confortai-nos, Senhor!
Na redescoberta da fé – Dirigi-nos, Senhor!
Na profissão da fé – Fortalecei-nos, Senhor!
A consciência da fé – Purificai-nos, Senhor!
A busca da fé – Reavivai, Senhor!
O dom da fé – Concedei-nos, Senhor!
Na celebração da fé – Congregai-nos, Senhor!
Como sujeito da fé – Revelai-Vos, Senhor!
No conhecimento da fé – Confirmai-nos, Senhor!
Como preâmbulo da fé – Manifestai-nos, Senhor!
No ensino da fé – Assisti-nos, Senhor!
A vida da fé – Fazei crescer, Senhor!
O apoio da fé – Consolidai, Senhor!
Na história da fé – Rejuvenescei-nos, Senhor!
Como autor da fé – Guardai-nos, Senhor!
Como consumador da fé – Socorrei-nos, Senhor!
Os exemplos da fé – Conservai-nos, Senhor!
As obras da fé – Aperfeiçoai, Senhor!
Na procura da fé – Acompanhai-nos, Senhor!
Na meta da fé – Amparai-nos, Senhor!

A partir das expressões patentes na Carta Apostólica sob forma de motu próprio PORTA FIDEI, de Bento XVI, de 11 de outubro de 2011, com a qual proclamou o ANO DA FÉ. As expressões estão pela ordem em que surgem no texto.
 

 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Estar preparado


3ª Feira - XXIX Semana comum
 
Felizes os servos que o senhor ao chegar encontrar vigilantes.
 
Isto que quer dizer?
 
Simplesmente que a melhor maneira de preparar o futuro é viver bem o tempo presente.
 
Ou então, quem vai ao mar, avia-se em terra.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

João Paulo II Santo

Mensagem do Beato João Paulo II no dia da sua memória litúrgica:
 
É necessário que o heroico se torne quotidiano e o quotidiano heroico. (Papa João Paulo II, Nurcia, 23 de Março de 1980)

domingo, 21 de outubro de 2012

Missões, direito e dever


Dia mundial das missões
 
As missões não são a meta final da Igreja, mas sim a adoração a Deus.
As missões existem porque a adoração de todos os povos ainda não existe.
Em vez de querer ter mais cristãos, devemos querer ter melhores cristãos…
Se cada um for melhor cristão, à sua volta irão surgir mais cristãos… e todos serão melhores cristãos.
As missões são um direito dos povos e um dever de cada cristão.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Não temais

6ª feira - XVIII Semana Comum


Não temais, pois valeis mais que todos os passarinhos.
A expressão NÃO TEMAIS, aparece 365 vezes na Bíblia, uma vez para cada dia do ano.
Há que recordar sempre porque há que temer sempre…
Deus não se cansa de nos sossegar, porque nós nunca nos cansamos de mostrar falta de confiança.
 
EFEMÉRIDE
Faz hoje 96 anos que a Irmã Wilson foi a sepultar.
No convento de São Bernardino, em Câmara de Lobos, aonde havia poucos dias que chegara, foi deitar-se na noite de 17 de outubro. Despediu-se da irmã que a ajudara a acomodar-se:
- Obrigado, Irmã. Peço que amanhã venha acordar-me cedo para eu ir rezar com a comunidade.
Durante a noite foi Deus quem a foi acordar para a receber na comunidade dos santos no céu.
As suas últimas palavras pronunciadas na terra são o resumo de toda a sua vida: Estar sempre desperta para, em comunidade, louvar o Senhor!
 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Inácio de Antioquia

Um homem, dois nomes, muitas obras
 
Inácio de Antioquia viveu no segundo século na Síria e chegou a conhecer os apóstolos Pedro e Paulo. Pedro foi o primeiro bispo de Antioquia, sucedendo-lhe Evódio e em seguida Inácio.
 
O seu nome Inácio deriva de Ignis, isto é, fogo. Este nome faz jus às expressões de intenso amor a Cristo.
Gostava também de ser chamado Teóforo, isto é, aquele que leva ou traz Deus.
 
Muitas obras em favor da propagação da fé em Cristo, da unidade da Igreja, na comunhão de irmãos, da fidelidade e do testemunho até ao martírio em Roma.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Santa Margarida Maria

No dia da Memória Litúrgica da grande Santa do Coração de Jesus, partilhamos as suas revelações para nos ajudarem a viver cada vez melhor o Evangelho de sempre.
As 12 Promessas do Senhor a S. Margarida Maria
1. Darei às almas dedicadas ao meu coração todas as graças necessárias ao seu estado. «Sem mim, nada podeis fazer.» (Jo 15, 5)
2. Farei reinar a paz nas suas famílias. «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz.» (Jo 14, 27)
3. Eu os consolarei nas suas penas. «Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu vos aliviarei.» (Mt 11, 28)
4. Serei o seu refúgio seguro durante a vida e, sobretudo, na hora da morte. «Levar-vos-ei para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também.» (Jo14, 3)
5. Derramarei copiosas bênçãos. «O Pai, nos altos dos céus, nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.» (Ef 1, 3)
6. Os pecadores acharão no meu coração a fonte e o oceano infinito da misericórdia.  «Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.» (Mt 9, 13)
7. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas. «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.» (Jo 10, 10)
8. As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a uma grande perfeição. «Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.» (Mt 5, 48)
9. Abençoarei a casa em que se achar exposta e for venerada a imagem do meu Coração. «Hoje veio a salvação a esta casa.» (Lc 19, 9)
10. Darei aos sacerdotes o dom de tocar os corações mais endurecidos. «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios.» (Mt 10, 8)
11. As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes escritos indelevelmente no meu Coração. «Não apagarei o seu nome do livro da Vida, mas o darei a conhecer diante do meu Pai e dos seus anjos.» (Ap 3,5)
12. O amor todo-poderoso do meu Coração concederá a graça da perseverança final a todos os que comungarem na primeira sexta-feira de cada mês, por nove meses consecutivos. «Eu sou o pão vivo que desceu do céu, se alguém comer deste pão viverá eternamente.» (Jo 6, 51)
Este texto das promessas resume aquilo que escreveu Santa Margarida Maria durante toda a sua vida. Mas nada de novo! Tudo o que ele recebeu já tinha sido anunciado no Evangelho. Foi mais uma maneira de fazer ecoar a mensagem de sempre do Evangelho.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Teresa de Ávila

 
A) Ensinamentos
De Jesus se quis chamar porque “Jesus é todo o nosso bem”, dizia.
Ela queria que os seus conventos fossem “colégios de Cristo, onde todas hão de ser amigas, todas se hão de amar, todas se hão de querer, todas se hão de ajudar, e todas ocupadas na oração pelos defensores da Igreja”.
Teresa dizia: “minhas filhas, este é o castigo que o Senhor envia à terra, levando os santos que há nela.”
 
B) Exemplos
“Conta-se que Teresa de Ávila se preparava certa ocasião para viajar, quando uma religiosa lhe perguntou onde ia.
- Vou fundar um novo convento.
- Com que recursos, Madre?
- Tenho dez mil pesetas!
- Que poderá fazer com isso? É muito pouco!
- Sim, tem razão. Teresa e dez mil pesetas é muito pouco! Mas Deus, Teresa e dez mil pesetas é tudo.”
Outro fato exprime bem a sua união a Nosso Senhor:
“Um dia Teresa de Jesus encontrou no claustro uma criança de uma beleza maravilhosa, ela perguntou-lhe o seu nome.
- Dizei-me primeiro o vosso, respondeu o menino.
- Eu chamo-me, disse a santa, Teresa de Jesus.
- E eu, disse o menino, eu sou o Jesus de Teresa.”

 
C) Conclusão
Bossuet dizia de Santa Teresa de Ávila:
“A maior mulher da humanidade depois da Virgem Santíssima.”