sábado, 8 de maio de 2010

Mês de Maria

8 de Maio

Estamos no mês de Maio, mês de Maria.
Estamos hoje no dia de Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças.

1. Mês de Maria
Livro publicado pelo Pe. Dehon em 1900. Tem como fundo as ladainhas lauretanas: As ladainhas são como os cânticos uma forma de oração poética e popular. Acumulam figuras e símbolos. Têm em conta assonâncias para ajudar a memória.
No Mês de Maria o Pe. Dehon extrai dos Padres, dos doutores da Igreja e dos santos o que melhor escreveram sobre Maria.
O Pe. Dehon escolhe os exemplos com o fim de demonstrar que o século XIX é o século de Maria. O autor predilecto neste livro sobre a Virgem é Santo Afonso Maria de Ligório. Inspira-se abundantemente na sua célebre obra As Glórias de Maria. Outras fontes importantes foram: São Francisco de Sales = Tratado do amor de Deus; São João Eudes = O Coração admirável da santíssima Mãe de Deus; Santa Matilde = O livro da graça especial; Santa Gertrudes = O Mensageiro do amor divino; Bossuet Y Bourdaloue = Sermões.

2. Consagração do mês de Maio a Maria
Já no século XIII, Afonso, o Sábio, rei de Castilha, havia associado a beleza de Maria à beleza do mês de Maio, em um dos seus cantos poéticos.
No século seguinte, o bem-aventurado dominicano Henri Suso, por ocasião da festa das flores, no primeiro dia de Maio, costumava trançar, com belas e viçosas flores, delicadas coroas para a Virgem Maria.
Em 1549, o beneditino, de nome Seidl, publicou um livro intitulado O mês de Maio espiritual.
São Filipe Neri já exortava os jovens a manifestar um culto particular a Maria, durante o mês de Maio, reunindo crianças em torno do altar da Santa Virgem para oferecer-lhe as flores da primavera.
No correr do tempo, os jesuítas recomendavam que, na véspera do dia primeiro de Maio, as pessoas deveriam erguer em seus lares, um altar a Maria, ornamentado com flores e luzes e, a cada dia do mês, a família deveria se reunir para fazer algumas orações em honra da Santíssima Virgem, antes de fazer um sorteio que indicaria, a cada um, a virtude que deveria praticar no dia seguinte.
Esta devoção mariana perpetuou-se, mundo afora, até os nossos dias. Então, neste mês que está a começar, não hesitemos: como as crianças da Idade Média, vamos oferecer a Maria, flores e orações!

3. Pensamentos do Pe. Dehon sobre Nossa Senhora
- A bondade de Maria Santíssima ganha todos os corações. (CA, Pág. 68)
- A morte do Sacerdote do Coração de Jesus é como uma missa suprema pela qual ele conseguirá sobre a terra adorar, dar graças, rezar, acreditar na misericórdia em união com Jesus imolando-se na cruz e no altar, com Maria co-redentora e rainha do clero. (CC 10/81919, Pág. 242)
- O Coração de Jesus e o Coração de Maria devem ser o grande livro da santificação dos homens. (VA, Pág. 93)
- Quem ama o divino Coração, ama a sua Mãe, pois a sua Mãe vive no seu Coração, e o seu Coração vive na sua Mãe. (CF, 15 de Novembro de 1880)
- Um único pensamento domina a minha jornada: A humildade… É a chave de todas as graças… É o resumo da vida de Jesus e de Maria. (NQ, 1887, Pág. 141)
- Vivamos em união com o Coração de Maria, para estarmos mais unidos ao Coração de Jesus. Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus, tudo a Deus e só a Deus por toda a eternidade. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, Pág. 183)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Escolher primeiro

6ª Feira - V Semana da Páscoa

Do Evangelho de Hoje:
"Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi..."


Reflexão de Santo Agostinho:

Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer.
O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (Jo 15: 16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim merecerem ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: Não fostes vós que me escolhestes.
Não há dúvida que eles também o escolheram, quando nele acreditaram. Daí o ter ele dito: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, não porque não o escolheram para ser escolhidos, mas para que o escolhessem, ele os escolheu. Isso porque a misericórdia se lhes antecipou (Sl 53:11) segundo a graça, não segundo uma dívida. Portanto, Deus escolheu os crentes, mas para que o sejam e não porque já o eram.
Pergunto: quem ouvir o Senhor, que diz: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, terá atrevimento de dizer que os homens têm fé para ser escolhidos, quando a verdade é que são escolhidos para crer?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Terço (33)


Gloriosos

Rezando com os erros
ou o terço dos Erros

Os santos não são aqueles que nunca erraram, mas aqueles que aprenderam com os seus próprios erros.
É preciso aprender com os erros e tirar partido das nossas asneiras para podermos caminhar para Deus.
Vamos meditar nos mistérios Gloriosos e descobrir os erros ocorridos na escrita e as lições que podemos tirar daí.

1º Mistério – A ressurreição de Jesus
Meditemos na PÁZCOA de Jesus.
De facto a Páscoa ou a Ressurreição de Jesus deve escrever-se sempre com PAZ.
Depois de ressuscitado, sempre que aparecia desejava a PAZ aos seus discípulos. É por isso que hoje queremos meditar nas PAZCOA assim escrita.
Quem nos dera que a PAZCOA fosse sempre de PAZ…

2º Mistério – A ascensão de Jesus ao Céu
Contemplemos Jesus que subiu ao SEU.
De facto Jesus, na sua Ascensão, subiu ao seu lugar, donde viera e para onde nos quer levar. O Céu é seu e por seu intermédio também passou a ser nosso.
Jesus subiu ao SEU, porque o Céu é dele.
Quem nos dera que o nosso CÉU fosse sempre o SEU de Jesus…

3º Mistério – A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos
Contemplemos o ESPERTO Santo.
De facto o Espírito Santo é o esperto de Deus, é a Sabedoria divina que desceu sobre os Apóstolos e os tornou dinâmicos, ágeis e entendidos na pregação.
Agradeçamos este ESPERTO que é a Sabedoria Divino ou o Espírito que nos Santifica. Quem nos dera que todos os espertos fossem santos…

4º Mistério –
A assunção de Nossa Senhora
Contemplemos Nossa Senhora quando ASSUBIA ao céu.
De facto Nossa Senhora chamou o Céu, assobiou aos Anjos e Santos que a levaram para a glória celeste.
Assobiar é sinal de chamamento e de alegria ou festa.
Quem nos dera que todos nós também assobiássemos aos Anjos e Santos e que por nossa causa houvesse alegria no Céu.

5º Mistério – A coroação de Nossa Senhora como Rainha dos Anjos e dos Santos
Contemplemos o CORAÇÃO de Nossa Senhora como Rainha do Céu.
A coroa de glória de Nossa Senhora é de facto o seu Coração Imaculado. Ela é a rainha do Amor e o seu Coração triunfará.
Quem nos dera que o nosso valor fosse do tamanho do nosso Coração e do nosso amor a exemplo de Maria Santíssima.


terça-feira, 4 de maio de 2010

Portas da fé

3ª Feira - V Semana da Páscoa

Da Primeira Leitura:
Contaram como Deus tinha aberto as portas da fé aos gentios.

Deus é assim:
Deus abre a porta, mas não obriga a entrar ou a sair.
Deus põe a mesa, mas não obriga a comer ou a beber.
Deus semeia, mas não obriga a germinar ou a crescer.
Deus propõe, mas não obriga nem impõe.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

São Filipe e São Tiago

3 de Maio
Festa de São Filipe e São Tiago menor, Apóstolos

São Filipe, segundo a tradição, foi missionário na Frígia e na Gálácia. No seu escudo aparecem dois pães e uma cruz. Os pães lembram o comentário de Filipe para Jesus, diante da multidão, para a qual Jesus multiplicou os pães (Jo, 6,5-7). A cruz lembra o seu martírio: foi amarrado numa cruz e apedrejado.







São Tiago Menor - Ver comentário de 1 de Maio de 2009, neste Bolg.

sábado, 1 de maio de 2010

O Amor é tudo

Ano C - V Domingo da Páscoa

Tudo provém do amor:

A vida... é o amor existencial.
A razão... é o amor que reflecte.
O estudo... é o amor que analisa.
A ciência... é o amor que investiga.
A filosofia... é o amor que pensa.
A religião... é o amor que busca a Deus.
A verdade... é o amor que se torna eterno.
O ideal... é o amor que sublima.
A fé... é o amor que transcende.
A esperança... é o amor que sonha.
A caridade... é o amor que ajuda.
A renúncia... é o amor que purifica.
A simpatia... é o amor que sorri.
A indiferença... é o amor que se esconde.
A paixão... é o amor que desequilibra.
O ciúme... é o amor que alucina.
O egoísmo... é o amor que se engaiola.
O orgulho... é o amor que delira.
Vaidade... é o amor que se embebeda.
O trabalho... é o amor que constrói.
Porque o amor é tudo.
Nisto conheceremos os filhos de Deus: se se amarem uns aos outros. E amar é seguir o coração:

Um idoso mandou parar o carro do missionário que vinha já cheio de pessoas para pedir boleia.
- Mas já não há lugar para ti...
O homem olha para dentro do carro e respondeu:
- Se no teu coração houver um lugar, encontrarás também um lugar no teu carro.
E de facto aconteceu.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dom da Fé

30 de Abril de 1873

Mary Jane Wilson escreveu na sua agenda:
Hoje recebi o dom da fé.

O que se passou há 137 anos?

"Miss Wilson, atormentada pelas dúvidas religiosas, procurou instruir-se sobre as verdades do catolicismo.
Perguntou-lhe o padre católico:
- Já acreditas em todas as verdades?
- Não creio que Nosso Senhor, tão grande como é, esteja debaixo de uma pequena hóstia.
- Não crês? Então volta para casa e não venhas cá sem acreditar em todas as verdades.

Miss Wilson ficou triste, foi para casa... pegou numa pequenina imagem de Nossa Senhora das Vitórias, da qual nunca mais se separou, dizendo:
- Não vos deixo esta noite sem que me esclareças...

O que se passou nessa noite não sabemos.
Só sabemos que logo pela manhã correu ao encontro do padre... e foi marcado o dia do baptismo católico.

Miss Wilson deixou escrito na sua agenda:
Hoje recebi o dom da fé.

O que é ter FÉ?
- É acreditar no que não vemos,
- Ou é ver o que acreditamos?
Tenho a impressão que consiste nas duas coisas.

Qual é o DOM DA FÉ?
- A fé que é um dom, uma oferta, um presente de Alguém,
- O dom que a fé dá; a fé dá o quê? A fé dá-nos Alguém.

O dom da fé é tornar presente Alguém,
ou é Aguém que nos dá um presente.
É alguém que se nos dá como presente.

Na fé há sempre ALGUÉM:
Alguém dá-nos como prenda a fé.
A fé dá-nos como prenda Alguém.

Caminho, verdade e vida

6ª Feira - IV Semana da Páscoa

Do Evangelho de Hoje:
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, diz o Senhor.

Do ponto de vista de Deus: há o caminho, a verdade e a vida.
Do ponto de vista dos Homens: há a fé, a esperança e a caridade.

Para o Caminho, nós seguimos com a esperança.
Para a Verdade, nós aderimos com a .
Para a Vida, nós vivemos na caridade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Virtudes Sacerdotais

No dia da Festa de Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja e Padroeira da Europa, recordamos um dos seus escritos que encaixa bem neste Ano Sacerdotal que estamos a celebrar:

(28.6.4 - Visão de Catarina)

Virtudes sacerdotais
"Filha querida, disse tais coisas para que melhor compreendas a dignidade dos meus ministros e chores com mais amargor os seus pecados. Se os ministros meditassem sobre a própria dignidade, não viveriam em pecado mortal, não manchariam a sua alma. Se eles não me ofendessem, se não pecassem contra a própria dignidade, se não entregassem até o corpo para ser queimado, mesmo assim não me agradeceriam suficientemente pelo dom que receberam. Neste mundo é impossível uma dignidade maior. São ungidos meus, meus cristos, postos por mim na função de ministros, flores perfumadas na hierarquia da santa Igreja. Nem os anjos possuem dignidade igual a esta concedida aos homens, na pessoa dos sacerdotes.
Coloquei-os como anjos na terra, e como tais devem viver. De todos os homens exijo pureza e amor; todos devem amar-me e amar o próximo; todos devem socorrer o irmão naquilo que lhes for possível com orações e obras de caridade. Mas dos meus ministros peço pureza maior, maior amor por mim e pelos homens. Que distribuam o Corpo e Sangue do meu Filho com grande desejo da salvação da humanidade, para glória do meu nome. Da mesma forma como eles querem limpo o cálice usado no sacrifício eucarístico, também eu quero que sejam puros os seus corações, as suas almas, os seus pensamentos. Igualmente os seus corpos - instrumentos da alma - hão-de ser possuídos em perfeita pureza. Não quero que se envolvam na lama da luxúria, nem que se mostrem inflados de orgulho na procura de cargos prelatícios ou cheios de rancor por si mesmos e pelos outros. A insatisfação pessoal costuma manifestar-se sobre os outros; quando impacientes, os ministros terminarão dando maus exemplos, não se preocuparão em livrar os homens das mãos do demónio, não se dedicarão com esforço ao ministério do Corpo e Sangue do meu Filho, não distribuirão a luz da eucaristia na forma explicada.
Filha querida, compreendes quanto o pecado contra a natureza me desagrada em qualquer pessoa; mas entenderás também que muito mais me desgosta quando é praticado por aqueles que escolhi para a vida de continência. Uns abandonaram o mundo e se fizeram religiosos; outros são diocesanos. Entre eles acham-se os ministros. Jamais entenderás como tal vício, cometido por eles, ofende-me muito mais do que quando feito pelos leigos em geral e pelos leigos consagrados. Os ministros são lâmpadas colocadas sobre o candelabro e devem iluminar pelo ministério eucarístico, pela virtude, pelo bom exemplo. Mas de facto espalham a escuridão e vivem na escuridão. Por causa de sua soberba e impureza, nada entendem das Escrituras, a não ser em sua veste exterior, literária."

Santa Catarina de Sena


29 de Abril

Festa de Santa Catarina de Sena, Virgem e Doutora da Igreja e Padroeira da Europa.

Experimentou maravilhosas experiências místicas. Com a idade de 26 anos, começou a sentir as dores de Cristo, no seu corpo. Dois anos mais tarde, em 1375, durante uma visita a Pisa, recebeu a Comunhão na pequena igreja de Santa Cristina. Quando ela meditava e agradecia orando ao crucifixo, raios de luz furaram as suas mãos, pés e o lado e todos puderam ver nela os estigmas de Cristo. Por causa de tanta dor ela não falava nem comia. Assim ficou por oito anos sem comer líquidos ou qualquer outra coisa que não fosse a Sagrada Comunhão.

Santa Catarina de Sena ingeria apenas o Alimento espiritual e alimentava-se assim espiritual e materialmente.
Hoje, há tanta gente que pensa que ao ingerir apenas o Alimento material alimenta-se assim material e espiritualmente.

O pão do céu alimenta a alma e o corpo,
mas nem sempre o pão da terra alimenta o corpo e a alma.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Vida, Glória e Felicidade

4ª Feira - IV Semana Pascal


Da oração da Colecta:
"Deus todo-poderoso,
vida dos fiéis,
glória dos humildes,
felicidade dos justos..."

Deus é para nós Vida para sermos fiéis,
é Glória para sermos humildes,
é a Felicidade para sermos justos ou santos.

Se formos fiéis, Deus será a nossa Vida,
se formos humildes, Deus será a nossa ´Glória,
se formos justos ou santos, Deus será a nossa felicidade.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Pastor, porta e cordeiro

2ª Feira da IV Semana tempo Pascal

Cristo apresenta-se como Pastor e também como Porta.
Afinal em quem ficamos?
Ele é Pastor ou é Porta?
É isso tudo e ainda mais: é também cordeiro.
Cristo é aquilo que nós precisamos que ele seja para nós, conforme a nossa situação existencial.
Ele é Pastor, se precisamos ser guardados e orientados.
Ele é Porta se precisamos de um caminho ou de acesso à vida com mais abundância.
Ele é Cordeiro, se precisamos que alguém seja oferecido por nós como vítima de oblação para a remissão dos nossos pecados.

Tal como rezamos no V Prefácio Pascal - Cristo tornou-se ele mesmo o Sacerdote, o Altar e o Cordeiro.

Hoje, estou a necessitar mais de um Pastor? Ou de uma Porta? Ou de um Cordeiro? De um Sacerdote? Ou então de um Altar?

Cristo faz-se tudo para todos.
Obrigado Senhor!

domingo, 25 de abril de 2010

Onde está o Pastor


Ano C - IV Domingo do tempo pascal

O Bom pastor

Cristo ressuscitado apresenta-se como alguém que quer continuar a guardar os seus discípulos. Ele continua a ser o BOM PASTOR.
- Então onde é que ele está?
- À frente do rebanho… pois as ovelhas conhecem a sua voz e seguem-nos. E ainda bem que ele vai à frente, pois se fosse atrás veria cada figura que as suas ovelhas fazem.
- Mas atrevo-me a corrigir o Evangelho, prefiro dizer que Cristo Bom Pastor está onde nós mais precisamos que ele esteja:
À frente para nos orientar se estamos desnorteados.
Ao nosso lado para nos acompanhar se nos encontramos na solidão.
Atrás para nos empurrar se estamos sem vontade e deprimidos.
Em cima para nos proteger se nos sentimos frágeis e vulneráveis.
Dentro de nós para nos alimentar se estamos sem alento.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Ser Pastor

Ano C - IV Domingo da Páscoa

Jesus Cristo, o Bom Pastor, diz que as suas ovelhas escutam a sua voz.

Um colega meu, ao imaginar um rebanho assim tão obediente e certinho, desabafou:
- Quem me dera que a minha comunidade fosse assim, que todos se respeitassem e se escutassem... Parece que tenho mais lobos que ovelhas.
- Todos nós somos pastores. Temos, dentro de nós, ovelhas e lobos. Aquelas são boas, obedientes, respeitadoras. Os outros são altivos, violentos, abusadores. As primeiras vivem em harmonia com todos, não se ofendem com as palavras dos outros nem ofendem ninguém. Os lobos passam o dia a brigar e mesmo as pequenas coisas os lançam num ataque de ira mas a sua raiva não muda coisa nenhuma. Algumas vezes é difícil conviver com estas duas presenças dentro de nós porque ambas tentam dominar o nosso espírito.
Então o meu amigo perguntou:
- E quem são os mais fortes, as ovelhas ou os lobos? Qual deles vence?
A resposta só poderá ser esta:
- O mais forte é aquele que alimentamos com mais frequência.
Transpiramos para fora aquilo que nos vai cá dentro. Aquilo que cada um é individualmente condiciona a sua comunidade pois o rebanho é feito de ovelhas. Se só nos alimentamos de ódio, incompreensão e intransigência, haverá mais lobos que ovelhas. Jesus Cristo dá a vida pelas suas ovelhas.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia da Terra

Hoje celebramos o DIA DO PLANETA TERRA


AGORA E SEMPRE

Antigamente
O Homem temia
A Natureza
E tudo lhe submetia.

Mas no presente
É a Natureza
Que teme o Homem
Pela sua crueza.

Em todo o tempo
Os ódios consomem,
No Homem das cavernas
Nas cavernas do Homem.

Ainda hoje
O Homem é assim
E se não mudar
Será o princípio do fim.

Quando alguém trabalha
Por um mundo melhor
Vence a batalha
Com as armas do amor.

Quando alguém espera
Uma vida diferente
Uma nova era
Já se torna aqui presente.

Eu quero apenas
Semear a esperança
Com a certeza
De quem alcança.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Acto completo

4ª Feira - III Semana da Páscoa

Da 1ª Leitura:
"As multidões aderiam às palavras de Filipe
que anunciava Cristo,
porque ouviam falar dos milagres
e também os viam...
e houve grande alegria naquela cidade."

Este é um ACTO completo, um testemunho total, uma obra integral:

- Aderir = Abraçar
- Anunciar = Falar
- Ouvir = Escutar
- Ver = Contemplar
- Alegria = Tranbordar

Só assim continuamos a mesma obra dos primeiros discípulos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

apedrejar

3ª Feira da da III Semana da Páscoa

Da 1ª Leitura:
... e começaram a apedrejar Estêvão...


Quem nega a sua fé

também atira uma pedra

a Estêvão.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Santo Estêvão

2ª Feira da III Semana da Páscoa

Da 1ª Leitura:
'Estêvão cheio de graça e de fortaleza fazia grandes prodígios e milagres...'

Por isso arranjou muitos inimigos que lhe apedrejaram...

ÁRVORE QUE NÃO DÁ FRUTO
NÃO LEVA PEDRADAS.

SÓ OS MEDÍOCRES
É QUE NÃO TÊM INIMIGOS.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dialogando

III - Domingo da Páscoa

Sonhei que era a mim que Jesus perguntava:
- David, filho de João, tu amas o teu Senhor?
- Claro que sim, tu sabes que te amo.
- E se estiveres fisicamente incapacitado, ainda assim amarás o teu Deus?
Olhei para mim, vi as minhas mãos, os meus pés e todo o meu corpo e reparei em tantas coisas que assim seria incapaz de fazer e respondi:
- Seria difícil, Senhor, mas mesmo assim amar-te-ia.
Jesus continuou:
- Se ficasses cego, continuavas a amar a minha criação?
Pensando em tantos invisuais que amam a Deus mais do que eu, respondi:
- Não sei como, mas ainda assim não deixaria de te amar.
- E se fosses surdo? Ouvirias na mesma a minha Palavra?
Compreendi logo que escutar não é meramente usar os ouvidos mas sobretudo o coração e declarei:
- Seria difícil mas o meu amor seria o mesmo.
- E se ficasses mudo, louvarias ainda o meu nome?
- Ainda que não pudesse cantar fisicamente, não deixaria de te louvar com toda a minha alma.
E antes que me fizesse mais perguntas, antecipei-me:
- E tu, Senhor, apesar das minhas limitações, dúvidas ou negações, o teu amor será sempre sem limite?
Mas nesse momento acordei e encarei com o crucifixo da parede à minha frente. E compreendi que Ele está sempre de braços abertos.

domingo, 11 de abril de 2010

Domingo da Misericódia

II Domingo da Páscoa

1. Celebra-se hoje o Domingo da Divina Misericórdia.
Sobre a misericórdia transcrevo as palavras do Pe. António Vieira no Sermão VI com o Santíssimo Sacramento Exposto:

"Chama-se Deus nas Escrituras Deus dos castigos e Pai das misericórdias:
Deus ultimium, Pater misericordiarum (Sl. 93, 1; 2 Cor. 1,3).
– E por que dos castigos Deus, e das misericórdias Pai?
Porque as misericórdias nascem dele;
os castigos não nascem dele, nascem de nós."

2. Ao terminar a Oitava da Páscoa, completo a escrita da Páscoa:
Para mim a palavra Páscoa escreve-se deste modo:

P de Paz
A de Alegria
S de Solidariedade
C de Comunhão
O de Oração
A de Alegria

sábado, 10 de abril de 2010

Por que acreditar


Ano C - II Domingo Páscoa

Em geral, procura-se explicar a incredulidade de São Tomé pelo facto dele não ter visto a Cristo ressuscitado, ao mesmo tempo que os outros discípulos. Parece que a explicação deve encontrar-se noutro ponto. É que Tomé, ausente na primeira vez, não tinha recebido o Espírito do Ressuscitado, quando Jesus soprou sobre eles e disse: recebei o Espírito Santo. O que nos faz acreditar não é o que se viu mas o que temos por dentro.

Um grupo de crianças estava a discutir qual a cor dos balões que sobem mais alto. Umas diziam que os balões vermelhos eram os melhores, outras os de cor verde, os amarelos, os brancos etc. Para esclarecer o assunto, foram perguntar ao vendedor ambulante:
- Tu que fazes tantos balões subir bem alto, diz-nos: qual é a cor do balão que voa mais longe?
O homem sorriu para as crianças e, soltando um balão, respondeu:
- Voar não depende nem da cor, nem da forma, nem dos nossos gostos ou preferências. Depende apenas daquilo que está lá dentro.

Assim também somos nós. Ter fé não depende daquilo que dizemos, ou do lugar onde estamos, nem da nossa classe, raça ou cor da pele. Acreditar depende tão só daquilo que se tem cá dentro. Só assim poderemos ir mais longe.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Rede cheia de peixes

6ª Feira na Oitava da Páscoa

“Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede cheia de peixes para terra”.

- Nós somos esses peixes
- apanhados nas redes da fé
- que Pedro puxa para terra firme
- e que Deus um dia puxará para o céu.

Deixemo-nos então:
- agarrar/apanhar
- congregar/reunir
- puxar/atrair
- elevar/subir.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mostrar as mãos

5ª-FEIRA NA OITAVA DA PÁSCOA

«Vede as Minhas mãos e os Meus pés: sou Eu mesmo».

Segundo Santo António, são 4 as razões pelas quais o Senhor ressuscitado mostra o lado, as mãos e os pés aos apóstolos:

- 1º - Para mostrar que tinha ressuscitado verdadeiramente e afastar qualquer espécie de dúvida do nosso espírito.
- 2º - Para que «a pomba», ou seja, a Igreja ou a alma fiel, fizesse o ninho nas Suas chagas como «nos recessos dos rochedos» e aí encontrasse abrigo contra o gavião que a espreita.
- 3º - Para imprimir no nosso coração, quais insígnias, as marcas da Sua Paixão.
- 4º - Para nos advertir e nos pedir que tivéssemos piedade Dele e não O trespassássemos de novo com os cravos dos nossos pecados.

(Santo António de Lisboa (+1231), franciscano, Doutor da Igreja, Sermões para o domingo e as festas dos santos, Ed. Franciscanas 1944, p. 139, in www.evangelhoquotidiano.org)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ressuscitou

2ª Feira da Oitava da Páscoa

Maria Madalena e outras mulheres foram de manhã cedo ao sepulcro e encontraram-no vazio. Duas personagens disseram-lhe:
- Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou!

Nós devemos dizer o contrário: Ele está aqui, pois ressuscitou!

Eles dizem: não está aqui, ressuscitou
Nós dizemos: Ressuscitou, então está aqui!

domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa

S@NT@ P@SCO@

Neste dia de Páscoa partilho convosco uma mensagem que recebi nesta era informática:

Dê um clique duplo nesta Páscoa!
arraste Jesus para o seu directório principal.
Salve-O em todos os seus arquivos pessoais,
seleccione-O como seu documento mestre.
Que ele seja o seu modelo para formatar a sua vida:
Justifique-a e alinhe-a à direita e à esquerda,
sem quebrar na sua caminhada.
Que Jesus não seja apenas um ícone, um acessório,
uma ferramenta, um rodapé, um periférico,
um arquivo temporário,
mas o seu cabeçalho,
a barra de rodagem do seu caminhar.
Que Ele seja a fonte da graça
para a sua área de trabalho,
o paintbrush para colorir o seu sorriso,
a configuração da sua simpatia,
a nova janela para visualizar
o tamanho do seu amor,
o painel de controle
para cancelar os seus recuos,
compartilhar os seus recursos,
anexar corações nas suas amizades.
Copie tudo o que é bom,
delete ou apague todos os seus erros.
Não deixe à margem ninguém,
abra as bordas do seu coração,
remova dele o vírus do egoísmo.
Antes de sair,
coloque Jesus nos seus favoritos
e a Sua Páscoa será atalho para a felicidade:
Clique agora OK para reiniciar
e actualizar os seus conteúdos.
Envie esta mesma mensagem a alguém
e dará uma boa ajuda a qualquer destinatário.
E se isto for muito complicado para si,
Abra um atalho directo para Deus,
Que é o que interessa
E tenha uma S@nt@ P@sco@.

sábado, 3 de abril de 2010

Testamento de Jesus

Não sei de onde veio este texto.
Depois da morte de Jesus, convém recordar as suas palavras, não esqucer as suas obras e abir o seu testamento para cumprir a sua vontade.
Todos nós que acreditamos Nele somos seus hereiros.

TESTAMENTO DE JESUS

Eu, Jesus de Nazaré, vendo próxima a minha hora e estando na posse das minhas plenas faculdades para assinar este documento, desejo repartir os meus bens entre as pessoas que me são mais próximas.
Mas, sendo entregue como cordeiro para a salvação da humanidade, creio ser conveniente repartir entre todos. E assim deixo-lhes: todas as minhas coisas que desde o meu nascimento estiveram presentes na minha vida, e a marcaram de um modo significativo:
A ESTRELA:
Aos que estão desorientados e necessitem ver claro para continuar em frente, e a todo aquele que desejar ser guiado ou a servir de guia.
A MANJEDOURA:
Aos que não têm nada, nem sequer um lugar para se albergar ou um fogo onde acalentar-se e poder falar com um amigo.
AS MINHAS SANDÁLIAS:
São suas as sandálias e daqueles que desejarem empreender um caminho em que estejam sempre dispostos a caminhar comigo.
A BACIA:
Onde lhes lavei os pés é para quem quiser servir, para quem desejar ser “pequeno” diante dos homens, pois será “grande” aos olhos de meu Pai.
O PRATO:
Onde vou partir o pão. É para os que vivem em fraternidade, e aos que estiverem dispostos a amar acima de tudo, e a todos.
O CÁLICE:
Deixo-o para os que estiverem sedentos de um mundo melhor, e de uma sociedade mais justa.
A CRUZ:
É para todo aquele que estiver disposto a carregá-la.
A MINHA TÚNICA:
A todo aquele que estiver nu e com frio.
Também quero deixar como legado à humanidade inteira, as atitudes que guiaram a minha vida: Que elas sejam a sua estrela guia.
A MINHA PALAVRA:
E o ensinamento que me confiou o meu Pai, a todo aquele que a escutar e a puser em prática.
A ALEGRIA:
A todos a todos os que desejarem partilhá-la.
A HUMILDADE:
É para quem estiver disposto a trabalhar pela expansão do Reino dos Céus.
O MEU OMBRO:
A todo aquele que necessita de um amigo em quem possa reclinar a cabeça, ao abatido pelo cansaço do caminho para que possa descansar, ganhar forças e continuar a caminhada.
O MEU PERDÃO:
Estendo a todos. É para os que dia após dia, pecado após pecado, queiram voltar ao Pai.
Naturalmente sinto especial predilecção pelos mais débeis.
Tudo isto e ainda mais queria deixar-lhes mas, sobretudo, é a minha vida o que lhes ofereço.
Sou eu mesmo que fico convosco para continuar a caminhar ao vosso lado, partilhando preocupações e problemas, alegrias e gozos.
Sim. Eu sou a Vida, mas vós podeis transmiti-la.
Nada mais.
Mantenham-se unidos e amem-se de verdade.
Eu vos amei até ao extremo e vos levo no meu coração.

Assinado JESUS.


Sexta-feira Santa

Todos estamos envolvidos no Calvário de Jesus:

Como carrascos
ou como vítimas…

Condenando
ou sendo condenados…

Flagelando
ou sendo flagelados…

Torturando
ou sendo torturados…

Crucificando
ou crucificando-nos…

Roubando a liberdade das mãos e pés de Cristo
ou exigindo a nossa liberdade…

Desferindo chagas
ou sendo feridos…

Proferindo blasfémias
ou distribuindo bênçãos.

Provocando a sede de Cristo
ou matando a nossa sede no Seu Coração…

O Calvário de ontem
é a síntese dos calvários de todos os tempos e de todos os homens
que percorrem a via-sacra da sua vida.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Oração pelos Sacerdotes

Em Quinta-feira Santa, Dia do Sacerdócio, elevo a minha prece pelos sacerdotes em todo o mundo:


Ao nosso Santo Padre, o Papa,
dá-lhe o teu Coração de Bom Pastor, Senhor!

Aos Bispos, sucessores dos Apóstolos,
dá-lhes a solicitude paternal, Senhor!

Aos Párocos, ensina-lhes a servir como tu
que vieste para servir e dar a vida, Senhor!

Aos Confessores e Directores Espirituais,
fá-los instrumentos dóceis do teu Espírito, Senhor!

Aos Sacerdotes que pregam a tua palavra.
faz com que a comuniquem com a vida, Senhor!

Aos que trabalham com a juventude,
faz com que os comprometam contigo, Senhor!

Aos que trabalham com os pobre,
faz com que te vejam e sirvam neles, Senhor!

Aos Sacerdotes em terras de Missão,
dá-lhes ardor apostólico, Senhor!

Aos que assistem aos doentes,
faz com que lhes ensinem o valor do sofrimento, Senhor!

Aos Sacerdotes pobres
socorre-os, Senhor!

Aos Sacerdotes idosos
dá-lhes alegria e esperança, Senhor!

Aos Sacerdotes aflitos e atribulados
consola-os, Senhor!

Aos sacerdotes que estão em crise
mostra-lhes o teu caminho, Senhor!

Dos sacerdotes caluniados e perseguidos
defende a sua causa, Senhor!

Aos que aspiram ao Sacerdócio
dá-lhes fidelidade a ti e à sua vocação, Senhor!

A todos os Sacerdotes
dá-lhes obediência e amor à tua Igreja, Senhor!

A cada Sacerdote
Dá a plenitude do teu Espírito, Senhor!

(Adaptado de Opus Christi salvatoris Mundi, www.mstpm.com. Missionário Servos dos Pobres do Terceiro Mundo)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Beato Carlos Imperador d'Áustria


Faz 88 anos, a 1 de Abril, que faleceu no Monte (Ilha da Madeira) o Beato Carlos de Áustria.
A 21 de Novembro de 1916 tinha sido coroado Imperador da Áustria e no mês seguinte coroado também Rei da Hungria.
A 3 de Abril de 1919 foi deposto e exilado.
Chegou deportado à Madeira a 19 de Novembro de 1921.

Certidão de óbito

“… Faleceu hoje pelas 12 horas e 18 minutos de ‘dupla pneumonia gripal’ Sua Majestade Imperial e Real Carlos I d’Áustria e IV da Hungria, de 34 anos, casado, natural de Persenbeug (Áustria) filho do Arquiduque Otto e da Arquiduquesa Maria Josefa e residente acidentalmente na Quinta do Monte (Ilha da Madeira), freguesia de Nossa Senhora do Monte, Concelho do Funchal.

Funchal, 1 de Abril de 1922

Os médicos assistentes
Carlos Leite Monteiro
Nuno Queriol de Vasconcelos Porto
Carlos José Machado dos Santos

O seu cadáver foi logo embalsamado pelos médicos assistentes.”


(Foi vestido com a farda de Marechal. Velaram o cadáver a Imperatriz viúva e pessoas da comitiva real. O seu funeral realizou-se na terça-feira seguinte a 4 de Abril de 1922, pelas 16 horas. O seu jazigo encontra-se em capela própria na Igreja Paroquial do Monte).

A 3 de Outubro de 2004 foi proclamado BEATO Carlos de Áustria, pelo Papa João Paulo II, na Praça de São Pedro em Roma, na presença do seu filho primogénito Otto de Habsburgo, então com 92 anos, e outros familiares.
O dia escolhido para a sua memória litúrgico foi 21 de Outubro, pois nessa data contraiu matrimónio em 1911 com Zita de Bourbon, Princesa de Parma. Tiveram 8 filhos, tendo nascido a última filha 2 meses depois da morte do pai.
Foi apresentado pelo Papa como padroeiro dos esposos cristãos e inspirador da espiritualidade conjugal, pois no dia do seu casamento Carlos confidenciou à sua esposa: ‘Agora devemos conduzir-nos um ao outro para o céu.’ O processo de beatificação da Imperatriz Zita, falecida a 14 de Março de 1989, está a decorrer nas instâncias romanas.

Para assinalar esta data, transcrevemos um artigo publicado um ano depois do falecimento do Beato Carlos de Áustria: C. H., Imperador Carlos d’Áustria e rei da Hungria, in Almanaque da Madeira1924, 1º Ano de Publicação, Funchal 1923:
Imperador Carlos de Áustria
e Rei da Hungria

Prendeu-o a Providência com os mais belos dotes de corpo e os mais elevados primores do espírito, a ponto de na sua meninice os vienenses, atendendo à sua meiga beleza lhe chamarem o ANJO DE VIENA e na pujança da vida, o circunspecto yankee, que se chamou Teodoro Roosevelt, o apelidar O MAIS PERFEITO HOMEM PÚBLICO DA EUROPA ACTUAL – Er ist der interessentesl Manu deu Europa gegenewartig besitz.
E à inspirada poetiza austríaca, Enrica von Hendel-Massetti – Wir habendiesen edlen besen Kaiser – nicht verdient! Nós temos um nobre e óptimo imperador que não merecemos!
Poucas vezes se encontram conjugadas qualidades que habitualmente se excluem.
Ele possuía a maior bravura ao lado da mais insinuante e meiga doçura; a mais imponente majestade junta à mais cativante afabilidade, a maior fraqueza a par da mais discreta circunspecção.
Adoptava a arte de não dizer nem demais nem de menos.
Se alguém ousava arriscar uma pergunta menos discreta ele respondia com outra pergunta como muito bem observou Roosevelt. Tinha a ciência das perguntas.
Era o mais perfeito entre os homens do seu tempo, mas devia servir de vítima propiciatória pelos desvarios do seu povo. Ele assim o compreendeu e praticou no momento solene da Sua morte:
- Senhor! Seja feita a tua divina vontade! Nas tuas mãos entrego a minha vidam a da minha mulher e dos meus filhos. Aceita-a como holocausto pelos meus povos.
E tinha razão – A Hungria bolchevizada. A Boémia revolucionada renegando a Fé. A Áustria indisciplinada. A Croácia, a Styria e o Tirol separadas, e afinal todos os seus diversos estados nas mãos da judiaria e do maçonismo, bem precisavam de uma vítima propiciatória – Meu Deus seja feita a tua divina vontade. Nas tuas mãos encomendo o meu espírito. Ofereço a minha vida pelos meus povos.
Só foi imperador para defender os direitos do seu império, procurar a paz das suas nações, defender os fracos, amparar os pequenos, fazer justiça aos povos, representar a Arca da União dos Estados, dos partidos desde Liechtenstein até a Berkovina, desde a Galicia até a Dalmácia.
Nobre entre os mais nobres da terra, em suas veias corria o sangue azul das mais antigas casas da Europa; nas tradições da sua família as acções mais heróicas que a história regista.
O conjunto das vogais, devisa da Casa d’Áustria – A. E. I. O. U. – Austria est imperare Orbi Universo ou Austriae erit in orbe ultima povoa-lhe de esperanças o seu espírito embriagado no amor da pátria.
A coroa de Santo Estêvão que pusera na cabeça por ocasião da sua sagração na Igreja de Budapeste animava constantemente a sua fé no futuro dos seus povos com cuja lealdade contava em absoluto.
A sua bravura militar atingindo as raias de audaz temeridade comprovam tal asserção.
Por várias vezes se arriscou de tal maneira que chegou a ser envolvido pelo fogo inimigo e de uma das vezes, em Asiago, correu tal risco que o Estado Maior, vendo que os Italianos o tinham forcado, o mandou para a frente oriental.
A sua carreira militar foi uma odisseia de proezas.
Aos 16 anos, no dia 10 de Novembro de 1903, alistou-se no exército como alferes de Ulanos nº 1. Desde o começo da carreira militar procurou ser soldado de alma e coração. Dormia no Quartel, sujeitava-se a todos os serviços até os mais humildes como o da remonta, e em cada camarada granjeou um amigo. Nenhum género de serviços lhe foi alheio.
Em Setembro de 1905 foi promovido a tenente e transferido para o regimento de Dragões nº 7 na Boémia. Pela morte de seu pai, em Novembro de 1900, ficando herdeiro presuntivo das coroas austro-húngaras, em vista do casamento marganativo de seu tio Arquiduque Francisco Fernando, obteve licenciamento para estudar direito e economia política, na Universidade de Praga, sob a sábia direcção dos afamados professores Drs. Ulbrich, Pfaff, Braf e Otto. Não havia aluno mais atento nem mais diligente.
Em Maio de 1907, foi obrigado a suspender os estudos para tomar parte nas grandes manobras da sua divisão, indo incorporar-se o seu regimento.
Acabados os estudos de jurisprudência, por indicação do imperador Francisco José, foi mandado por seu tio o arquiduque Francisco Fernando estudar arte militar sob a direcção dos generais von Diett e Barãi Zeidler, conservando-se entretanto ao serviço do 7º Regimento de Dragões.
Nomeado generalíssimo o arquiduque Francisco Fernando, chamou o sobrinho, a dar as suas provas das manobras imperiais, encontrando invulgar clareza de vista no comando dos corpos que lhe eram confiados, merecendo repetidos elogios tanto na corte como nas reuniões do Estado Maior a sua elevadíssima competência para comandar não só unidades como corpos do exército.
Desde então o seu tio e instrutor, o generalíssimo Francisco Fernando conservou-o no comando superior dos corpos.
Foi sempre modelo de pontualidade militar – Soldado de alma e coração.
Procurava conhecer todos os seus camaradas e chamá-los pelos seus nomes, granjeando assim a simpatia de todos, que o chamavam com doce ternura – ‘Baesi’ – Tio.
Em 31 de Maio de 1911, casou com essa violeta de Parma, que se chama Imperatriz Zita, que à Áustria veio para ser – A Imperatriz da bondade e Princeza da Caridade. ‘Zita! Kaiserin der Gule. Furstin der Barmherzigkeit’
Se o casamento lhe trouxe um período de repouso foi para depois mais activamente se entregar aos trabalhos. Passados apenas três meses teve de acompanhar o seu regimento à Kolomea, Galicia.
Até aí entretanto o acompanhou a esposa dedicada.
Aí fizeram marchas através de Truban, Littan, Tesben, Biala, Jasla, Zamor, Elayvord, Canot, Stryi, etc. voltando a Kolomea. No 1º de Novembro de 1912, foi promovido a Major para o regimento de Infantaria nº 39.
A catástrofe de Serajevo a 28 de Junho de 1914, veio feri-lo no mais íntimo do coração roubando-lhe um amigo tão paternal e o mais leal dos conselheiros.
O desaparecimento do arquiduque Francisco Fernando fê-lo generalíssimo, lugar de tremenda responsabilidade para tão tenra idade.
Com a guerra começaram as suas proezas: pela vitória de Presburgo obteve a cruz do mérito militar e pela defesa de Lemberg, seu baptismo de fogo, a gran-cruz de Santo Estêvão.
Fez nesse inverno a campanha dos Karpatos e aí o foi entrevistar o infatigável investigador americano Roosevelt, que dele escreveu. O herdeiro do trono tem um perfeito e atraente charme, que eu nunca encontrei em homens públicos. Possui além disso, o que em bem poucos se encontra, o magnetismo pessoal. Um homem pode ter talento, génio, habilidade, opulência, mas se não possui o raro dom do magnetismo pessoal ser-lhe-á muito difícil conquistar a alta popularidade.
… …
Todas as classes do povo o veneram porque o seu magnetismo pessoal se transmite até aos que se não acham em contacto com ele. É o homem público mais acabado que a Europa actual possui.
Ao magnetismo pessoal que Rossevelt admirava no Imperador Carlos, chamaríamos nós o encanto empolgante e atractivo irresistível da virtude.
Como representante do velho imperador devem correr todas as linhas a observar o estado das tropas e agradecer-lhes em nome da Áustria o sacrifício pela Pátria.
Informava-se dos heróis, e quando encontrava um, embora fosse um obscuro soldado, abraçava-o, porque ele representava incarnado o verdadeiro amor da pátria.
A estas saudações e agradecimentos atribuem os historiadores da guerra, em grande parte, as vitórias de Jamosca, Lunanowa, Dumaiec, Biala, etc.
As saudações aos soldados em língua polaca e o agradecimento em nome do velho imperador fez rebentar as lágrimas aos batalhadores mais rudes e proromper em aclamações a todo o exército.
A 12 de Maio de 1916 foi comandar o exército do sul como Marechal de Campo e Vice-Almirante. A sua chegada levantou o moral das tropas tendo como real companheiro de armas o herdeiro do trono.
Ali se deram as brilhantes acções de Laverme, Valbona, Toravo, Astico, que lhe mereceram a condecoração da coroa de Ferro de 1ª classe, assim como a ordem de Mérito Militar concedida pelo Imperador Guilherme da Alemanha.
Numa chuvosa tarde de Junho o arquiduque Eugénio entra no Quartel General do arquiduque Carlos portador duma ordem dos dois imperadores para que ele parta imediatamente para a frente nordeste – Galicia.
A despedida dói enternecedora e falou aos oficiais e soldados como se os abraçasse a todos, rememorando as bravuras que fizeram pela Pátria e entregando-os à guarda do Omnipotente Deus dos Exércitos.
Era necessário mobilizar a cavalaria húngara contra as esmagadoras massas de russos que caiam sobre Lemberg. Indispensável se tornava o prestigioso magnetismo do Arquiduque Carlos para animar a coragem daqueles bravos soldados. Assim o entenderam os imperadores: Assim sucedeu!
Na tarde de 31 de Novembro de 1916, entregou o Imperador Francisco José a Deus a sua alma amargurada, deixando ao estremecido sobrinho Carlos não só coroas e ceptros mas espadas desembainhadas, tintas de sangue! Funesta herança.
Os diversos povos da grande nação choraram ao lado do moço Imperador a perda irreparável do velho monarca, o decano dos governantes da Europa. E com o coração amargurado e a alma alanceada pela perda do ente querido e pela desolação do seu país o jovem imperador tomou posse da herança fatal.
Alguns meses antes da sua morte o velho imperador tinha dito: o meu sucessor é realmente um excelente príncipe: o meu povo pode depositar nela toda a confiança.
A proclamação do imperador Carlos aos seus povos, é um modelo de sentimento pela morte do falecido Imperador, de dedicação pelos seus povos, e de confiança no futuro da Pátria.
Lamenta que a guerra esteja longe do seu termo, suspira por uma paz honrosa e suplica do Céu as graças e as bênçãos sobre si, sua casa, seus amados povos e que o Omnipotente o ajude a conservar intacta a herança que seus antepassados lhe legaram.
Ao aceitar o pesado encargo de reinar, Carlos 2º encontrava um país não só extenuado por uma já longa guerra em que entrara com toda a energia despendendo todos os recursos, mas ainda desapontado nas suas aspirações, impondo-se por isso a necessidade da Paz.
Daí essa série de passos tendentes a uma paz honrosa.
A Imperatriz Zita era o anjo da Paz. Bethmann Hollweg queixa-se em 1917, disso a Czernin.
Lamunnech faz-se o instrumento do Imperador na propaganda pacifista.
São aceites por este os 14 pontos de Wilson.
Quando o armistício da Itália são fracassadas todas as suas tentativas de paz apesar de o imperador ter encarregado dessa importante missão seu cunhado o Príncipe Xisto.
Era porém já tarde; após o esfacelamento do campo germânico desaparece a monarquia dualista: São proclamadas as repúblicas de Viena, Praga, Lagabria, Budapeste e o imperador Carlos retira-se para a Suíça, seguindo de perto o desenrolar dos acontecimentos, apesar das instâncias do Arquiduque José para que volte à Áustria. Não quer mais derramamento de sangue. Prefere que os homens lhe façam justiça.
Assim sucedia. Após a hecatombe judaico-maçónica de Bella Kunn na Hungria, passado o delírio bolchevista, aquele povo honesto e bom restaurou as instituições tradicionais e chamou o seu rei.
Foi um triunfo a entrada do Imperador Carlos 2º - agora rei Carlos 8º - em toda a Hungria. Mas, muitas vezes desfazem os homens o que Deus fez! E com uma violência única na história é arrebatado um rei ao seu povo, que por ele chora, por ele suspira, e quando dele se vê privado põe luto oficialmente à sua saída! E, suprema irrisão! Quando se proclama, justamente, que os pequenos povos são livres para escolherem a forma de governo e os governantes que lhes aprouver.
Da sua viagem tormentosa de Budapeste à Madeira, a caminho do exílio, dos respeitos de que foi alvo a bordo do cruzador Cardiff, das demonstrações de carinho e afecto nesta terra hospitaleira, nem falarei: está ainda na mente de todos.
E ainda com os olhos amarados de lágrimas e alma alanceada de saudade que traço estas linhas consagradas à memória do ente mais extraordinariamente infortunado com quem tenho tratado na minha já longa existência!
Heroísmo na virtude, majestade na desgraça, grandeza no infortúnio e a coroar todas estas prerrogativas uma fé inalterável e uma paz de consciência contínua esperando na Divina Providência a execução dos seus insondáveis decretos.
Após cinco meses de exílio, adoçado pelo mais dedicado afecto de uma população inteira, foi receber a recompensa de suas excelsas virtudes esse herói que parecia um santo a quem o mundo inteiro pranteou e os próprios adversários políticos prestaram o mais solene preito de admiração pelas suas elevadas qualidade de espírito e de carácter.
Digna de seu heróico marido é a não menos heróica imperatriz Zita, que em terras de Espanha, na dedicada povoação de Lequitio, sofre as agruras do exílio, com toda a resignação cristã e dedicação maternal.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Abraçar a Cruz


Ao iniciar a Semana Santa, estando dispostos a acompanhar Jesus no caminho do Calvário, podemos tomar a nossa cruz e ir em frente.
O Pe. Dehon dá-nos algumas dicas de como tomar a cruz para seguir Jesus. São frases retiradas dos seus escritos e ensinamentos.

Carregar a cruz exteriormente e por necessidade não basta.
É preciso abraçá-la com amor,
carregá-la com alegria e coragem,
desejá-la com ardor.
(DE, 117)

A cruz, a humildade, a mortificação são os melhores auxiliares da caridade, do puro amor. Sem elas, a caridade não tem base sólida e não permanece. (NQ, 10 de Janeiro de1888, 148)

A cruz adorável do Salvador afasta-nos de todos os vícios e leva-nos a todas as virtudes. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, 137)

A cruz, diz a Imitação, é a salvação, é a vida, é a fonte das alegrias celestes. (ACJ 1, 230)

A cruz é a nossa vida. (Carta ao Pe. Paris, 15/05/1913, Inv. 300.03, AD: B20/7)

A cruz é a paciência, o sacrifício, a penitência. (RNN, 19)

A cruz é leve quando a levamos por amor ao Coração de Jesus. Quando sofrermos, digamos: É por Jesus, é pelo Coração de Jesus, é pela Congregação. A nossa cruz tornar-se-á leve. (Carta ao noviço Heiserholt, 20/08/1909, Inv. 228.03, AD: B18/14.3)

A cruz é também ela um sacramento do amor. (CA, 431)

A cruz é tão necessária que Deus fez dela a medida da nossa glória. (ACJ 1, 359)

A cruz é uma cátedra donde Jesus prega a caridade, a paciência, a obediência, o sacrifício. (ACJ 1, 361)

A cruz resume toda a virtude; a cruz é a salvação. (DE, 54)

As almas com ternura levam a sua cruz com mais amor do que as outras. É por que o Coração de Jesus tem mais ternura do que todos que o sacrifício da cruz foi o mais generoso de todos os sacrifícios. (ACJ 1, 665)

As cruzes são uma invenção do amor de Jesus. (CA, 265)

Bebamos o amor e as cruzes de madeira ou de ferro tornar-se-ão como se fossem de palha. (CA, 194)

Carregar a cruz, é a essência da vida cristã. O cristão é marcado com a cruz no baptismo e recebe a capacidade de a carregar. (ACJ 2, 208)

Devemos olhar para o nosso crucifixo: basta um olhar sério sobre Ele para nos animarmos a levar a nossa cruz. (CF, 23 de Maio de 1881)

É a cruz de todos os dias. Leva-a bem. A cruz é a salvação. (Carta ao Pe. Falleur, 13/06/1884, Inv. 326.18, AD: B20/12)

É a cruz que prepara as graças. (Carta à Madre Maria Inácia, 14/04/1919, Inv. 231.20, AD: B19/2.1)

É a cruz que vence o mundo. As obras são fecundadas pela mortificação e pelo sacrifício. (NHV, volume IV, Outubro 1869 – Julho 1870, 199)

Eu fazia a via-sacra todos os dias; era o meu recreio da tarde. O meu crucifixo era o meu confidente e o meu companheiro, no meu quartinho. (NHV, volume III, Outubro 1865 – Outubro 1869, 90)

Não há pequenas nem grandes cruzes, mas apenas um pequeno e um grande amor. (CA, 338)

O Coração de Jesus vê na cruz o trono do seu amor, o instrumento das suas misericórdias, o troféu das suas vitórias. (CA, 264)

O preceito obriga-nos a levar a cruz com paciência… o conselho convida-nos a levá-la com amor, com alegria, a exemplo de Nosso Senhor. (RNN, 20)

O Santo Sacrifício da Missa não é outro sacrifício senão o da cruz; é a sua renovação mística e continuação. (CA, 374)

O seu amor por nós tornou leve a cruz de Cristo. (ACJ 1, 248)

Os primeiros anos de uma obra são sempre difíceis. As cruzes nunca faltam nos inícios. (Carta ao Pe. Goebels, Espanha, 03/07/1924, Inv. 241.61/, AD: B19/3.1)

Os que levam a cruz por amor encontram a cruz suave. (VA, 156)

Quanto mais celestes formos, menos nos pesará a cruz. (CA, 338)

Todo o julgamento reportará sobre este aspecto: Carregaste a tua cruz? (ACJ 2, 209)

Uma cruz que nunca nos falta é a tentação… (ACJ 1, 332)

Uma cruz vale 500 rosários. (Carta ao Pe. Paris, 15/05/1913, Inv. 300.03, AD: B20/7)

Vós tereis a palma do martírio pelo vosso voto de vítima e por todas as cruzes levadas por amor de Coração de Jesus. (Carta à Madre Maria Inácia, 23/12/1924, Inv. 231.65, AD: B19/2.1)


sexta-feira, 26 de março de 2010

Ele pagou por nós


Ano C - Domingo de Ramos e/ou Domingo da Paixão

Ao reflectir sobre a Paixão do Senhor, alguém referia que afinal éramos nós que estávamos lá a aclamar e logo depois a condenar Jesus. Eu hoje recordo essa aplicação e concluo que afinal nós é que devíamos estar, não no lugar da multidão mas no lugar de Jesus. Porque Ele pagou por todos nós.
A redenção de Cristo assemelha-se à pedagogia de uma certa avozinha. O seu neto tinha a fama e o proveito de recolher aquilo que não era seu. A pobre senhora chamava a atenção ao neto mas nada servia de correcção. Então um dia, alguém foi uma vez mais fazer-lhe queixa da falta de respeito do rapaz pelo alheio. A avó chamou o acusado, levou-o até junto à lareira. Tirou uma brasa incandescente, segurou na mão do neto e prometeu-lhe:
- Esta brasa vai fazer aquilo que as minhas recomendações nunca conseguiram. Vai recordar-te para sempre que não podes usar as tuas mãos para roubar.
O miúdo já tremia a pensar como ficariam as suas mãos queimadas. Então a senhora, cheia de determinação, pôs o carvão na sua própria mão, dizendo:
- Faço isto porque te amo.
E diz a história que aquele rapaz, chorando, beijou as mãos da avô e nunca mais roubou nada a ninguém.
O episódio é dramático tal como dramática é a paixão de Jesus cujo mistério celebramos nesta semana. Ele também sofreu por nós porque nos ama.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Baptismo de Leão dehon


Assinalamos neste dia o aniversário do baptismo do Pe. Leão Dehon.
Transcrevemos o que ele mesmo escreveu sobre esta efeméride nas suas próprias memórias.

Primeiro Escrito:
Fui baptizado a 24 de Março, na pobre igreja de La Capelle, pelo digno e venerável P. Hécart, que devia continuar ainda a ser seu pároco por mais doze anos e que me preparou à primeira comunhão.
O dia 24 de Março era a festa do menino mártir, S. Simeão. Mas eram sobretudo as primeiras vésperas da festa da Anunciação. Senti-me feliz, mais tarde, em unir a recordação do meu baptismo com a do Ecce Venio de Nosso Senhor.
Ganhei uma grande confiança com esta aproximação. O Ecce Venio do Coração de Jesus protegeu e abençoou a minha entrada na vida cristã. O Senhor não ficará ofendido por eu ver nisso uma atenção da sua Providência em vista da minha vocação actual de Sacerdote-Hóstia do Coração de Jesus.
Eu tive sempre veneração pela lembrança do meu Baptismo. No colégio gostava de renovar as promessas baptismais. Em Roma caiu-me nas mãos o belo livro de Exercícios de Santa Gertrudes e fez-me um grande bem. Gostava de me servir dele para renovar em mim as graças do meu baptismo. Em cada uma das minhas férias, ia fazer uma devota peregrinação às fontes sagradas do meu baptismo, e senti um aperto de
coração quando a velha pia foi enterrada num altar, e depois desapareceu
completamente. (NHV, I).
O padrinho do baptismo foi o tio Eduardo Gustavo Dehon e a madrinha a tia materna Julieta Augustina Vandelet. A celebração ocorreu, ao décimo dia do nascimento, isto é, numa Sexta-feira.

Escrito do Meio:
Celebro hoje o 44º Aniversário do meu Baptismo. É um dia de renovação. Releio e medito o piedoso exercício de Santa Gertrudes sobre o baptismo. Redijo o meu Ecce Venio. Quero viver e morrer pela Obra do Coração de Jesus. Entrego-me inteiramente a ela. (NQ 1887-97/3).

Último escrito:
No dia 24 de Março eu relembro com Santa Gertrudes as recordações do meu baptismo, para alcançar assim as graças: os exorcismos, a profissão de fé , a oblação, a unção, a vida nova simbolizada pela veste branca e o círio. Eu saúdo e invoco os meus patronos do baptismo, São Leão e Santo Agostinho. Peço humildemente perdão a Deus por todas as faltas às minhas promessas baptismais. (NQ 1925-52/45)

terça-feira, 23 de março de 2010

Do amor à cruz, à cruz do amor

Em tempo de quaresma, podemos contemplar a cruz de Cristo, com o mesmo olhar com que o Pe. Dehon a contemplava: uma cruz com um coração ou um coração com uma cruz.
Plasticamente podemos contemplar essa cruz dehoniana seguindo as palavras do próprio Pe. Dehon:
“Amemos a cruz e carreguemo-la com paciência… Ela tem quatro braços e um centro:
O braço superior representa as humilhações e as cruzes do espírito…
O representa a cruz da carne, os combates pela castidade, as doenças, a mortificação, os trabalhos, a agonia e a morte.
O braço direito representa a pobreza e todas as cruzes que têm a ver com os bens: as privações, as perdas, as dificuldades…
O braço esquerdo indica as cruzes da vontade: a obediência, a submissão aos superiores, as contrariedades e as contradições… (RNN, pag 20)
O lugar da união ou centro é o Coração de Jesus. (RNN, Pág. 24)”


...................... ....Cruzes do
..................... .... .espírito
..
....Cruzes da...... Coração........ Cruzes da
.... pobreza.........de Jesus........ vontade
.
...................... ....Cruzes da
.................... ... ... ..carne
.
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segunda-feira, 22 de março de 2010

Deus salva

2ª Feira - V Semana Quaresma

Da Primeira Leitura:
E assim foi salva naquele dia uma vida inocente.

Do trecho do Evangelho:
Também eu não te condeno.
(E assim foi salva uma pecadora).

Deus salva sempre…
Deus salva todos…
Deus salva santos e pecadores…
Deus salva-nos…

sábado, 20 de março de 2010

Ser Padre é isto

Apontar o caminho a quem procura
Chegar a casa, ao fim de cada dia;
Pregar o bem a toda a criatura;
Abrir na terra fontes de alegria.

Erguer ao céu, nas mãos, a Hóstia Pura
E o Cálix da Divina Eucaristia;
Subir com Cristo a rua da amargura;
Junto da cruz fazer-lhe companhia:

Ser Padre é isto! É ser o Bom Pastor,
De montanha em montanha, dor em dor,
Dar rosas de ouro às almas entre abrolhos.

Quem no Padre não vê Jesus que passa,
Passa longe dos Anjos e da Graça,
Como cego que a Deus refeche os olhos.

Soneto de Monsenhor Moreira das Neves

sexta-feira, 19 de março de 2010

Saber perdoar


Ano C - V Domingo Quaresma

Um dia o Zeca regressou da escola cheio de raiva. Antes que o pai lhe perguntasse alguma coisa, gritou irritado:
- O Pedro não devia ter feito aquilo para comigo. Humilhou-me à vista de todos. Quero que ele sofra como eu. Quem me dera que ele parta uma perna...
O pai escutou tudo calado enquanto caminhou para o fundo do jardim onde guardava um saco cheio de carvão. O Zeca viu o saco aberto e o pai a propor-lhe:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branca a secar no varal é o amigo que te ofendeu e cada pedaço de carvão é uma acusação que tens contra ele. Atira-lhe este carvão todo.
O miúdo achou a brincadeira divertida e descarregou assim a sua fúria mas a camisa estava longe demais e poucos pedaços acertaram o alvo. No final sentiu-se cansado mas satisfeito por ter conseguido alguma coisa. O pai levou-o então até ao espelho do quarto onde pôde ver a sua figura toda suja de carvão. Só enxergava os dentes e os olhos. O pai concluiu ternamente:
- Filho, viste que aquela camisa quase que nem se sujou mas, olha para ti. O mal que desejamos aos outros é aquilo que nos desfigura. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com as nossas acusações, a borra, os resíduos e a fuligem ficam sempre em nós mesmos.
Jesus ensinou o mesmo: quem não tiver pecado que atire a primeira pedra!

terça-feira, 16 de março de 2010

Curar o corpo e a alma

3ª Feira - IV Semana Quaresma

Do Evangelho de hoje:
- Toma a tua enxerga e anda... Vai e não tornes a pecar...

Comentário do Pe. Dehon, in A Renovação Social Cristã, Conferências Romanas 1897-1900:
- O Evangelho ensina-nos que Jesus curava os corpos para chegar às mentes e multiplicou os pães para santificar as almas. (Pág. 208)
- Nosso Senhor, para conquistar as almas, não curou ele os corpos, alimentou os famintos no deserto e encheu a rede dos pescadores? (Pág. 341)

Via-sacra (8)


A Via-Sacra das Cores
E as Cores da Via-Sacra

1ª Estação – Jesus é condenado à morte
COR DE PÚRPURA
Ao amanhecer daquele dia, com o céu em cor de púrpura, Jesus é manietado, açoitado e coroado de espinhos. Aos ombros põem-lhe um manto de púrpura e ridicularizam-no. É assim que condenam um inocente.
A cor púrpura representa a maldade, a ironia e o ódio dos que condenam Jesus.
É assim que começa o caminho do calvário, com vermelho de púrpura como sinal proibido.
Ao iniciarmos esta via-sacra das cores, saibamos discernir as cores de todos os sinais de trânsito desta via dolorosa para podermos, tal como o arco-íris ligar a terra ao céu.

2ª Estação – Jesus carrega a sua cruz
CINZENTO O dia começa cinzento, triste. O dia chega juntamente com uma cruz, mas para chegar à luz gloriosa da ressurreição é preciso passar pelo cinzento da cruz. Depois dos dias cinzentos e das nuvens mais sombrias, surge sempre o sol brilhante.
Jesus, ao carregar a sua cruz, lembra-nos assim que quem não abraçar a cruz nunca chegará à Páscoa da Ressurreição. Lembra-nos também que é preciso passar pela cruz para transformar os dias cinzentos em dias luminosos.

3ª Estação – Jesus cai pela primeira vez
CASTANHO
Jesus, com a cruz aos ombros, cai por terra. O corpo prostrado fica da cor da terra. Caído no chão Jesus lembra-nos duas realidades:
Primeiro lembra aos homens que são pó e ao pó hão-de voltar.
Em segundo lugar lembra-nos que Ele assim caído é pó, mas em Homem Novo ressuscitado se há de tornar.
Apesar de sermos pó, somos chamados a aspirar aos dons do alto. Apesar de às vezes cairmos e nos sujarmos na lama, Jesus dá-nos a força para nos levantarmos e prosseguirmos o caminho na sua companhia.

4ª Estação – O Encontro de Jesus com sua Mãe
AZUL
Na caminhada dolorosa surge um rasgo do céu. Jesus encontra Maria, sua mãe, e o ambiente sombrio se veste de azul. A Virgem Imaculada foi sempre conotada com a cor azul. É a cor do céu limpo, é a cor do mar infinito.
Nos caminhos da nossa vida haverá sempre ocasião para contemplar o mesmo azul celeste. A Virgem Maria protege-nos sempre, como abóbada celeste.

5ª Estação – Simão de Cirene ajuda Jesus a levar a cruz
AMARELOE no azul fica sempre bem o ouro. Depois do encontro com a Sua mãe, Jesus foi ajudado por Simão de Cirene. Isso foi ouro sobre azul.
O amarelo do ouro brilha mais quando a generosidade é genuína, quando o ouro é provado no crisol.
Quem ajuda um necessitado só pode ter um coração de ouro. Pintemos assim desta cor o nosso coração.

6ª Estação – Verónica limpa o rosto de Jesus
COR-DE-ROSAUma mulher, cheia de coragem, mas com toda a sensibilidade, aproxima-se de Jesus e limpa-lhe o rosto. Jesus reconhece esse toque sentimental, essa tonalidade feminina e no tecido fica estampado o perfil do seu rosto.
Por entre espinhos e agraços surge assim uma tonalidade rosa.
A cor-de-rosa deixou apenas de ser uma cor sentimental ou feminina, mas passa a ser sinal de coragem e de generosidade.
E Jesus faz com que este gesto fique perpetuado como memória e como estímulo para que a ninguém falte esse toque de atenção.

7ª Estação – Jesus cai pela segunda vez
BORDÔ
Jesus cai pela segunda vez. A perda de sangue, o cansaço, o peso da cruz, a fraqueza e as imprecações atiram-no por terra. E eis que o sangue, o pó e o suor formam uma mistura de cor bordô ou encarnado escuro. É sangue coagulado.
Jesus vai perdendo sangue e em cada queda deixa uma marca da sua passagem.
Lembra-nos assim que também nós podemos deixar marcas do nosso viver. Sempre que nos doamos a Deus e aos outros, pintamos o mundo de cor de sangue derramado por amor.

8ª Estação – As mulheres de Jerusalém choram por Jesus
TRANSPARENTE
Um grupo de mulheres de Jerusalém aproxima-se de Jesus e chora. São lágrimas silenciosas, lágrimas transparentes, não têm cor pois são de todos e para todos.
Jesus pede-lhes que continuem assim, que nunca se esqueçam de manifestar também esses mesmos sentimentos aos seus filhos, quando maltratado pelos caminhos da vida.
Este episódio lembra-nos que devem ser sinceros e transparentes os nossos sentimentos para com Deus e para com os nossos irmãos.

9ª Estação – Jesus cai pela terceira vez
VERDE
Renascer, brotar como novo rebento a surgir do chão.
Se o grão de trigo não cair por terra não pode florescer. É por isso que Jesus cai pela terceira vez como grão lançado à terra para florescer.
É o verde dos rebentos novos, da nova esperança.
Jesus cai, passa por tudo isto para encher de vida, para pintar de verde de esperança o nosso mundo.
Ele ensina-nos a identificar os rebentos novos da nossa vida de conversão depois das nossas quedas.

10ª Estação – Jesus é despido das suas vestes
BEGE ou CREMEÉ a cor da carne despida. Para ser crucificado Jesus é despojado das suas vestes. Lembra-nos assim que Ele veio assumir a nossa carne, a nossa natureza humana. A cor bege ou creme sugere-nos a nossa própria carne mortal. Por fora podemos ter a aparência de várias raças ou cores, mas por dentro somos todos iguais, pertencemos à mesma família, com a mesma dignidade de filhos de Deus.
Jesus ao ser despido lembra-nos que Ele nasceu com uma carne igual à nossa para nós vivermos com uma dignidade igual à d'Ele.

11ª Estação – Jesus é crucificado
NEGRO Por volta do meio-dia Jesus é crucificado. A partir daí toda a terra cobre-se de trevas.
A cor preta é entre nós a cor de luto e de tristeza ou a cor da noite.
Jesus é-nos tirado e a sua ausência gera em nós trevas ou ausência de luz.
Nós recusamos a luz e por isso sofremos as trevas.
Nesta estação Jesus lembra-nos que no meio deste mundo de trevas Ele é a Luz que a todos quer iluminar. Que a cruz de Cristo seja o farol que nos guia pelos caminhos desta vida.

12ª Estação – Jesus morre na cruz
VERMELHO
Às três horas da tarde Jesus entrega o seu espírito ao Pai. Um dos soldados ao aproximar-se, vendo-o já morto, trespassa-lhe o lado com uma lança. Do seu lado aberto jorra sangue e água.
Contemplamos essa fonte, o Coração de Jesus. Coração de fogo vermelho de onde sai sangue vermelho vivo.
Jesus ensina-nos assim a nos doarmos por inteiro, até à última gota de nós mesmos.
Que o nosso coração possa arder no mesmo fogo palpitante do seu amor.

13ª Estação – Jesus é descido da Cruz
ROXO
Eis a Senhora da Piedade, vestida de roxo, com o seu Filho nos braços.
Nós também nos vestimos de roxo para manifestar os mesmos sentimentos que a Senhora das Dores.
Para além disso a cor roxa é para nós sinal de arrependimento e de conversão interior ao convite de Jesus: Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, pois o Reino de Deus está próximo.
Se a cor roxa for sinal sincero da nossa contrição e arrependimento, então não teremos o corpo de Jesus nos nossos braços, mas estaremos nós nos braços de Deus Pai.

14ª Estação – Jesus é Sepultado
BRANCOJesus é envolto num lençol branco e deposto num sepulcro novo.
Ele tinha chamado a atenção para o fingimento dos sepulcros caiados de branco, por fora limpos, mas cheios de podridão por dentro. Agora Ele prova que o contrário é possível: eis o verdadeiro sepulcro, por dentro um lençol branco e a pureza de alguém sem pecado nem mácula e por fora a podridão dos que o entregaram à morte.
Jesus é o cordeiro sem mancha que tira o pecado do mundo. A cor branca é o sinal dessa vida da graça, da alegria e do brilho interior.
Deixemo-nos iluminar por essa luz resplandecente.

15ª Estação – Jesus ressuscita
ARCO-IRIS
É a Páscoa florida ou o Arco-íris de todas as cores, como sinal da nova e eterna aliança. Assim como depois do dilúvio, um arco-íris anunciou uma aliança entre Deus e o homem assim também com Cristo ressuscitado uma aliança, agora definitiva e eterna surge no nosso horizonte.
Esta Páscoa florida tem todas as cores, satisfaz todos os anseios, não esquece nenhuma dimensão da nossa vida.
Saibamos então colorir a nossa vida com as cores da ressurreição do Senhor Jesus que se fez tudo para todos e a nossa vida terá outra cor.



segunda-feira, 15 de março de 2010

Novos céus

2ª Feira - IV Semana Quaresma

Da primeira Leitura, Profecia de Isaías:
- Eu vou criar os novos céus e a nova terra e não mais se recordará o passado, nem voltará de novo ao pensamento.

Deus quer céus novos e terra nova.
Ele não diz céus e terra renovados ou melhorados,
mas simplesmente NOVOS.
Deus também nos quer novos e não apenas melhorados,
ele espera que sejamos novos e não apenas remendados.
Deus quer-nos completamente diferentes,
sem algum rasto do homem velho.

domingo, 14 de março de 2010

Aniversário


O Pe. Dehon

faz hoje 167 anos

Parabéns!


Ele lembra este dia:
“Nasci no dia 14 de Março de 1843. Era a terça-feira da segunda semana da Quaresma, pois a Páscoa caía nesse ano a 14 de Abril. O dia 14 de Março é a festa de S. Matilde, rainha da Alemanha (NHV, I,)”

Apesar de ter nascido em 1843 continua sempre jovem… porque os santos nunca envelhecem (Conferência aos Jovens, inventário 38.09, AD: B6/5.9).

Mesmo quando completou os 80 anos de vida, alguém dizia dele:
- O P. Dehon tem conservado dos seus 20 anos a curiosidade da inteligência, o vigor do espírito e o calor da alma.

Mais tarde, quando aos 82 anos faleceu o Pe. Dehon, o então bispo de Soissons, futuro cardeal Binet, no discurso das exéquias deu o seguinte testemunho:
- Foi-se o grande ancião, de coração sempre jovem, confiante, sempre optimista, para a eterna juventude de Cristo, a cujo coração se consagrou. O Pe. Dehon foi alguém muito grande, sobretudo de coração.

Era de facto um grande homem e um homem grande: tinha 1,92 metros de altura.

A propósito das conferências sociais proferidas pelo Pe. Dehon em Roma e em Milão, o cronista apresenta-o com brevidade:
“O Pe. Dehon é um homem alto (1, 92 m.) de aspecto nobre, de rosto inteligente, fala com singular exactidão e medida e revela-se extremamente conhecedor dos assuntos mais interessantes da vida moderna” (L’Osservatore Cattolico, 11 de Maio de 1897).

O Pe. Jacquin dizia que o Pe. Dehon era de tão grande estatura que todos pareciam pequenos ao pé dele. (RCJ Lovaina, 1936, 170).

Foi um grande homem, não por ter feito obras grandiosas, mas fez obras grandiosas por ser um grande homem.


Aniversário do Pe. Dehon

segundo ele mesmo.


Em 1865
"No Canal de Suez, no Egipto: 14 de Março 1865. El Guisr. Lago Ballah. É o meu 22º aniversário natalício. O dia começa alegremente. O sr. De Galard almoça connosco; mas a tarde traz-nos fortes dissabores. Queremos seguir o dique do novo canal através do lago Ballah, mas este dique tinha rebentado de manhã; temos de refazer o caminho e contornar o lago. Íamos em zig-zag, obrigados muitas vezes a recuar diante dos baixios. A noite surpreendeu-nos, tivemos de acampar no deserto (NHV, I)” .

Em 1909
"No dia 14 de Março faço 67 anos. Quantas graças perdidas! Pudesse eu recuperar o tempo perdido! Lembro o início da obra. Quanto o diabo tentou., sobretudo entre 1881 e 1884" (NQ XXIV 68).

Em 1913
"O meu 70º aniversário. O Santo Padre manda-me felicitações e a sua bênção. É muita honra para um pobre diabo como eu. Tudo isso encaminha o fim que está próximo. Na Congregação vão rezar por mim, é o melhor que podem fazer. Os conselheiros mandaram para todas as comunidades uma carta circular pedindo que todos façam deste dia 14 um dia de oração de acção de graças. Convidaram os padres a celebrar uma Missa em minha intenção, os outros farão a comunhão nesta intenção. Deo gratias! Preciso tanto da misericórdia de Deus!”

Em 1915
"Eis o 72º aniversário do meu nascimento. Como me impressiona esta data! Quantas faltas cometi!... Senhor, na vossa infinita misericórdia, apagai todas as minhas faltas e enchei-me de toda a vossa amizade." (1915-11/37)

Em 1917
"Entro hoje no meu 74º ano da minha vida, ‘longum aevi spatium’. Releio os salmos penitenciais. Eles exprimem bem os meus sentimentos. Não posso esquecer da acção de graças…" (1916-14/40)

Em 1923
"No dia 14 faço 80 anos. Recebo cartas de toda parte., cartas dos cardeais Gasparri e Laurent e do bispo de Soissons, até um bilhete do Papa. É muito mais do que mereço.
A minha carreira está no fim. Deixo muita coisa encaminhada. A coisa mais difícil será ter uma igreja em Roma, por causa da crise económica que assola o mundo. Entretanto, o Coração de Jesus vai dar um jeito como deu em Montemartre" (NQ XLIV, 73).

Por fim em 1925
"Eis que chego aos 82 anos. Graças à minha boa Mãe do Céu e aos santos Anjos escapei a tantos perigos e males. Obrigado, minha boa Mãezinha, meus Anjos!
O que é que eu fiz nestes 82 anos? Pouca coisa boa. Redobro a minha reparação, reafirmo o meu arrependimento e a minha confiança na misericórdia do Senhor!
Viajei um pouco nestes anos todos! Talvez até demais, muito embora sempre visasse o conhecimento geográfico, estético, histórico e a afirmação da minha fé…" (NQ XLV 44f.).

sexta-feira, 12 de março de 2010

O nosso valor


Ano C - IV Domingo Quaresma

Um orador começou a sua palestra segurando uma nota de Cinco Mil Escudos. Perguntou aos duzentos ouvintes:
- Quem gostaria de ter esta nota de Cinco Mil Escudos?
Claro que aquilo fazia jeito a qualquer pessoa de modo que todas as mãos se ergueram.
De seguida com as mãos amarrotou a nota e perguntou de novo:
- Quem quer ainda esta nota assim mal tratada?
As mesmas mãos continuaram levantadas.
Deixou cair a nota no chão e começou a pisá-la e a esfregá-la com a sola dos sapatos. Depois pegou nela, suja e amarfanhada, e fez a mesma pergunta:
- E agora? Ainda há alguém que queira esta nota?
Todas as mãos permaneceram erguidas.
- Meus amigos, não importa o que eu faça com esta nota, vocês vão querer na mesma, porque ela não perde o seu valor. Estimada ou mal tratada, ela continuará a valer Cinco Mil Escudos. Assim é a nossa vida. Muitas vezes somos amassados, pisados e ficamos imundos, por decisões que tomamos, por experiências que fazemos ou por situações que enfrentamos. E assim ficamos, à primeira vista, desvalorizados ou aniquilados. Quer estejamos sujos ou limpos, machucados ou inteiros, nada disso altera a importância que temos. O preço da nossa vida não vem do que fazemos, temos ou sabemos mas do que somos.

O Filho Pródigo continuou a ter o mesmo valor aos olhos do Pai.
Estas duas histórias têm a ver connosco.

O Filho Convertido


Ano C - IV Domingo Quaresma

A parábola do Filho Pródigo mostra, por um lado, a degradação de uma ilusão e, por outro, o processo de conversão de uma pessoa.
A primeira experiência deste jovem filho revela os três grandes pês com que o mundo tanto sonha e deseja: POSSE, PODER, PRAZER. Ele pensava que a felicidade estava na herança que exigiu, na liberdade que experimentou longe da família ou no prazer que o esgotou. No entanto, toda a felicidade baseada nestes três pês foi passageira demais e acabou num chiqueiro. A partir daí começou o seu processo de conversão em três fases correspondentes a três frases:
- “Caiu em si...”
- “Há pão em abundância na casa do meu pai...”
- “Vou ter com meu pai...”

Em primeiro lugar, cair em si e reflectir significa situar-se, olhar-se. É tomar consciência da realidade e tirar as máscaras. Reflectir é a qualidade do espelho em que as pessoas se vêem. Muitas vezes tentamos evitar esse olhar para dentro de nós mesmos, porque pode revelar-nos o que tentamos esconder. Mas este é o primeiro passo para a libertação. É preciso ter a coragem de tomar a vida nas mãos.
Mas isto não basta. Não adianta constatar apenas o problema. É preciso ter um motivo para sair da situação. O Filho Pródigo recordou-se de um grande motivo: na casa do pai havia tanto pão e carinho. Foi a certeza do amor do pai que o fez pensar no novo destino. Para sair dum buraco é preciso ter um ideal, um objectivo a alcançar: a casa do pai. A lembrança do amor paterno foi o que sobrou, quando tudo tinha acabado. Até lá, esse amor tinha estado apenas encoberto pelas ilusões, mas não apagado ou esquecido. O mal nunca é, nunca foi e nunca será maior que o bem. E o amor nunca é perdido. Mesmo que os outros venham a cair no erro, se o amor recebido foi verdadeiro, um dia irá prevalecer.
Esta certeza do amor levou o jovem filho ao terceiro e fundamental passo da sua conversão: “Vou partir, vou ter com meu pai...” Só quem toma a decisão de levantar-se, de olhar para a frente, consegue chegar novamente ao amor. Enquanto estava a olhar para baixo, para os erros, para os defeitos, não conseguiu avançar, mas quando resolveu levantar-se deu, o último passo de regresso. O problema não estava ainda resolvido, pois teria de fazer uma longa caminhada, mas, no momento em que decidiu voltar, de alguma forma, já estava com o pai.
E a reconciliação ficou consumada.
Os três pês (posse, poder, prazer) deram lugar aos três erres (reflectir, recordar e regressar). Isto chama-se conversão.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Povo de Deus / Deus do Povo

5ª Feira - III Semana Quaresma

Da 1ª Leitura – Livro de Jeremias:
- Escutai a minha voz, e Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo.

O Deus do Povo / O Povo de Deus
Critério para ser o Povo de Deus ou ser o Deus do Povo: escutar.

- Eu sou o Deus do Povo porque escuto a sua voz.
- Nós somos o povo de Deus porque escutamos a sua voz.
- Eu sou o Deus do Povo porque ele escuta a minha voz.
- Nós somos o Povo de Deus porque Ele escuta a nossa voz.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Bem perto de mim

4ª Feira - III Semana Quaresma

Da 1ª Leitura, Livro do Deuteronómio:
“Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos?”

Se na Antiga Aliança assim constatavam, mais motivo temos nós hoje para chegar à mesma conclusão: Deus está bem perto de nós através da sua Palavra, do sacramento da Eucaristia, do bem que fazemos, na pessoa dos nossos irmãos, na obra da sua criação.

Um peregrino, ao despedir-se do Santo Cura de Ars, disse-lhe:
- Sr. Cura, nunca vi a Deus assim tão perto.
- É verdade, respondeu o santo, Deus não está longe – e apontou para o tabernáculo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Setenta vezes sete

3ª Feira - III Semana Quaresma

- Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?
- Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.


Façamos as contas: 70 X 7 = 490.
24 – 8 = 16.
490 / 16 = 30,62
60 /30 = 2

Isto é: Devemos perdoar 490 vezes ao dia. O dia tem 24 horas. Dormimos cerca de 8 horas por dia, portanto ficam apenas 16 horas. Se dividirmos as 490 vezes por 16 horas dá 30,62 vezes por hora, o que equivale a perdoar de 2 em 2 minutos.

Perdoemos então 490 vezes, isto é, de 2 em 2 minutos.
Isto não é apenas uma opção, é um mandamento, é uma obrigação.

- Mas quem perdoa assim não vai cansar-se de tanto perdoar?
- Não. Quem pede perdão é que vai cansar-se de tanto pecar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Santos de Casa

2ª Feira - III Semana Quaresma
Do Evangelho de hoje:
Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
Ou
Santos de casa não fazem milagres
ou então
Ninguém é bom juíz em causa própria.

Não sei o que será melhor:
dizer - Que vamos ser profetas, fazer milagres, ser juízes, pois esta não é a nossa terra, nem a nossa causa, nem a nossa causa.
Ou dizer - Esta é a nossa terra, a nossa casa ou a nossa causa, então deixemos que Cristo seja o Profeta na nossa terra, que seja Ele a fazer os milagres na nossa casa e que seja o juíz da nossa causa.

Dia da Mulher

O Credo das Mulheres

Creio em vós, ó Deus,
porque criastes o mundo,
porque criastes a mulher e o homem à vossa imagem,
e aos dois entregastes o cuidado pela terra.

Creio em Jesus,
Filho escolhido de Deus,
que nasceu da mulher Maria,
que ouviu as mulheres e as amou,
que se hospedou em suas casas,
que discutiu o Reino com elas,
que foi seguido e servido por mulheres discípulas.

Creio em Jesus
que num poço discutiu teologia com uma mulher,
confiando-lhe, primeiro, a sua messianidade,
enviando-a, depois, a anunciar
a sua boa nova à cidade.

Creio em Jesus
que olhou para a gravidez e o nascimento com respeito,
vendo-os não como castigo
ou como um facto violento,
mas como uma metáfora de transformação
fazendo que da angústia renascesse a alegria.

Creio em Jesus
que se comparou a uma galinha
querendo reunir os pintainhos sob as suas asas.

Creio em Jesus
que apareceu primeiro a Maria Madalena
e a enviou com a explosiva mensagem:
Vai e diz…

Creio em Jesus,
único Salvador,
para quem não existe judeu ou grego,
escravo ou livre, homem ou mulher,
pois todos somos um, num só Senhor.
Amen.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Florir de novo


Ano C - III Domingo Quaresma

Recordo que num dia de inverno acompanhei o meu pai na recolha de lenha. O trabalho era árduo de modo que eu já meio impaciente sugeri-lhe que cortasse uma árvore que se apresentava sem folhas, com a casca áspera, parecia já seca, própria para ser queimada. Apenas ela daria lenha para toda a necessidade, sem mais trabalho nem preocupações.
O meu pai abanou negativamente a cabeça e prometeu-me:
- Daqui a dois meses viremos aqui ver esta árvore e então compreenderás melhor.
Na Primavera lá fomos outra vez os dois e qual o meu espanto: daquela árvore brotavam folhas verdes, como se tivesse ressuscitado.
- Eu pensava que ela estava morta mas afinal...
Então o meu pai concluiu:
- Filho, não esqueças esta lição. Nunca cortes uma árvore durante o inverno. Nunca tomes uma decisão drástica no tempo da adversidade ou enquanto estiveres no teu pior estado de ânimo. Espera. Sê paciente. A tormenta passará. Lembra-te que a primavera vai e volta sempre.
Hoje associo estas recomendações à palavra do evangelho: ‘Deixa ficar esta árvore ainda este ano. Talvez venha a dar frutos.’
É preciso mais gente para melhorar o mundo porque já há muitos para o criticarem, mais gente para acender velas porque já há gente demais para apagá-las.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Senhora da Conceição
























Fixo agora o meu olhar na imagem da Senhora da Conceição, resgatada dos escombros da Capela das Babosas, no Monte, vítima da recente aluvião: é de madeira pintada e está inteira, íntegra e bonita como sempre. Ela é de facto a Imaculada.
E fico a pensar: ela não desapareceu porque sabe que ainda precisamos dela. Ela está aí; tomemos conta dela porque ela quer continuar a tomar conta de nós.
Ó Senhora da Conceição, continua a tomar conta de nós… e fazei que nunca nos esqueçamos de tomar conta uns dos outros.

Origem da FOTO:
http://www.diocesedofunchal.pt

terça-feira, 2 de março de 2010

Crucifixo
























Fixo o meu olhar no crucifixo de prata recuperado nos escombros da Capela da Conceição nas Babosas, no Monte, vítima da recente intempérie - uma cruz retorcida, machucada, magoada, maltratada…
Contemplo essa cruz de Cristo ou o Cristo dessa Cruz.
Mas quer um quer outro mantêm o seu valor, a sua dignidade.
E nesta imagem revejo todos os homens e mulheres da nossa terra: podem estar maltratados, magoados, machucados ou retorcidos, mas mantêm sempre o seu valor, a sua dignidade.
Ó Cruz bendita, até mesmo quando estás arrasada continuas a me ensinar.

Fonte da FOTO: